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sábado, 27 de março de 2010

Critica - Um sonho possível

Sonho de porcelana!
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Família sulista, branca, cristã, republicana e abastada acolhe de peito aberto um adolescente negro em sua casa. A improvável descrição acima corresponde a verdade. Foi isso que ocorreu com Michael Oher, um jogador de futebol americano que não fosse pela sorte que deu na vida, não teria se profissionalizado. Oher foi acolhido e criado como filho por Leigh Anne Tuohy. Essa história improvável chega aos cinemas em Um sonho possível (The blind side EUA 2009).
O filme do diretor John Lee Hancock é um legítimo filme família. Reúne todos os predicados que avalizam esse rótulo, porém, como cinema é chamuscado de falhas. Sejam elas estruturais ou discursivas. É lógico que a história otimista que se vê na tela consterna, impressiona e cativa. E é bom (para nós seres humanos do bem) que isso ocorra. Contudo, o argumento frágil que pauta o filme e, mais que isso, o desenvolvimento capenga com que a história se desenvolve comprometem o resultado da fita como “obra” cinematográfica.


Momento família: A emocionante trajetória de Oher cativa, mas parece mais inverossímel do que a existência do homem-aranha


Nesse contexto, o filme muito se assemelha ao personagem Burt Cotton, treinador de Oher na escola e uma das figuras decisivas em seu destino. Assim como o treinador se vale de um discurso politicamente correto para atender ambições plenamente pessoais (ele defende a matrícula de Oher por razões cristãs embora esteja interessado no potencial atlético do rapaz), o filme faz o mesmo. Defende uma visão de mundo colonialista (de que os negros só têm chances quando ajudados por brancos) e não parece acreditar muito na história que conta. Assim como com Cotton, vê-se um gesto muito bonito, mas não se convence dele. Hancock ainda tenta relativizar essa impressão na figura das amigas dondocas de Leigh Anne e também no processo de adaptação de Oher a sua nova família, mas até aí a fragilidade do argumento é evidente.
Sandra Bullock encara o desafio de assumir um papel dramático com dignidade. A atriz convence como a mãe coragem que descobre um mundo bem pior do que se permitia imaginar. Contudo, não dos deixa esquecer que é Sandra Bullock, algo que ela conseguiu fazer em A proposta, para ficar em um trabalho recente da atriz que também lhe rendeu elogios.
O grande incômodo de Um sonho possível é justamente esse. O de não conseguir convencer sua audiência de que tudo aquilo que se vê é passível de acontecer. Mas isso é mais um problema do mundo que Um sonho possível parece ignorar e menos do filme família que fez sucesso nas bilheterias americanas.

quarta-feira, 10 de março de 2010

OSCAR WATCH - Ponto final na temporada de prêmios 2010

Acabou! O Oscar 2010, realizado no último domingo, encerrou a temporada de premiações desse ano. Foi muito bom enquanto durou. E o especial OSCAR WATCH, iniciado em novembro passado, trouxe tudo para você. Foram 82 posts, contando com esse, que trouxeram notícias, análies, destaques, reflexões, contextualizações, criticas, entre outras coisas. Guerra ao terror foi o vitorioso nessa apaixonada e maravilhosa corrida pelo ouro que cinéfilos de todas as gerações e cantos do mundo acompanham com retidão. Mas não se preocupem! Em novembro desse ano, OSCAR WATCH estará de volta para mais uma temporada de muitas emoções, injustiças, ansiedade e comoção. Enquanto isso, a jornada continua aqui em Claquete. E que ano temos a nossa frente. Continue por aqui. Vamos curtir o cinema juntos! Temos muitas novidades pela frente, no cinema e em Claquete. Aguardem!

OSCAR WATCH - 10 momentos do Oscar 2010

10 – Sandra Bullock e sua amante
Todo mundo sabia, embora Sandra Bullock fizesse questão de manter um suspense que inexistia, que a atriz levaria seu Oscar (inimaginável para muitos) por Um sonho possível. No entanto, quando o momento chegou foi um tanto desconcertante a reação de Sandra. Não pela emoção que apresentou ou pelo discurso simpático que fez, mas pelo constrangimento mal disfarçado de vencer em uma categoria em que outras atrizes estavam melhores e que havia pelo menos uma lenda vida disputando, a eterna injustiçada Meryl Streep. Sem jeito e tentando uma aprovação por meio do riso fácil (quem não faz isso?), Bullock citou Meryl quatro vezes em seu discurso (mais do que a qualquer outra pessoa e mais do que qualquer outra pessoa citou alguém em um discurso de agradecimento na noite) e encerrou fazendo piada com sua amante (em alusão ao beijo que ela e Meryl deram na entrega do critic´s choice awards). É isso mesmo. Ela citou Meryl Streep pela quinta vez, mesmo que indiretamente.

9 - Os próximos a serem limados
Desentendimentos entre os concorrentes, trapalhadas da produção e cortes abruptos de câmera e microfones. O bloco reservado a entrega dos prêmios de melhor curta–metragem, melhor documentário em curta-metragem e melhor curta de animação foi um dos maiores desacertos da história da academia. Mau gosto, desrespeito e descaso pautaram o momento. Preocupados com a queda de audiência que o bloco pudesse causar, os produtores conseguiram fazer pior do que se entregassem os prêmios em cerimônia a parte como fizeram para os homenageados dessa edição. Um erro que, espera-se, não se repita.

8- A tromba de George Clooney
Um dos maiores enigmas dessa edição do Oscar é a tromba de George Clooney. O ator sempre uma simpatia em pessoa passou a cerimônia inteira de cara amarrada. Só aliviou a tromba quando a colega de Amor sem escalas se derreteu em elogios para ele na apresentação do Oscar de melhor ator. Muitos crêem que a tromba foi parte de uma pegadinha ensaiada com os apresentadores Alec Baldwin e Steve Martin. Difícil crer. Já que Clooney esteve visivelmente mal humorado toda a cerimônia. É mais seguro apostar que ele estivesse descontente com o tratamento dado ao melhor filme do ano. No caso, o dele.

7 – Um final desastrado
Todo ano acontece. A cerimônia atrasa e tem inicio a correria. Esse pandemônio ocorre por causa do excesso de cotas de patrocínio e por que um ou outro se desembesta no discurso de agradecimento. Só que o que ocorreu em 2010 foi absurdo. O atraso foi tamanho, cerca de 30 minutos, que nem sequer houve intervalo entre as três categorias finais. Tom Hanks entrou para entregar o prêmio de melhor filme, com Kathryn Bigelow ainda se retirando com seu Oscar de direção. Menos mal que ela ganhou e pôde permanecer no palco. A correria foi grande demais. Não se anunciou novamente os filmes concorrentes (o que é tradição) e os hosts Steve Martin e Alec Baldwin entraram correndo e correndo encerraram a cerimônia. Ufa!


6 – O Mr.nice guy e a Ms. What a hell
Eles estavam lá com uma missão. Ajudar o Oscar a conquistar o público jovem. Se Taylor Lautner encarou tudo com boa vontade e disposição, o mesmo não se pode dizer de sua colega de elenco, e par na noite, Kristen Stewart. A atriz foi ríspida e sem sal nas entrevistas anteriores a premiação e no momento que subiu ao palco, para apresentar um clipe de homenagem a filmes de terror, estava desengonçada (novidade?), despreocupada com o telepronter e com uma cara bem diferente de seu amigo lobo mau, que no final das contas é muito mais bonzinho do que ela.


5 – Steve Martin e Alec Baldwin no capricho
Meryl Streep, Helen Mirren, Christopher Plummer, George Clooney, Mo´Nique, entre outros. Sobrou para (quase) todo mundo na verborragia (politicamente correta) de Steve Martin e Alec Baldwin. Senhores do espetáculo, improvisaram quando necessário e afiaram o texto de suas falas com carisma e apuro cômico. Eles são, sem dúvidas, a melhor memória desse Oscar 2010.


4 – James Cameron sem senso de humor
Invariavelmente, Alec Baldwin e Steve Martin fizeram piada com James Cameron, para o bem e para o mal, um dos protagonistas da 82ª cerimônia do Oscar. Os hosts, no entanto, não foram os únicos. A atriz Elizabeth Banks, o comediante Ben Stiller e até mesmo o oscarizado Campanella fizeram suas gracinhas com Cameron e Avatar. O diretor disfarçava o constrangimento como podia. Sem um pingo de senso de humor, o sorriso amarelo de Cameron constrangia de maneira generalizada.


3 – Os flagras nos perdedores
Um aspecto que chamou considerável atenção nessa edição foi a obsessão em focar nos perdedores no momento do anúncio dos vencedores de cada categoria ou nos instantes que se seguem a eles. Quentin Tarantino foi um dos mais filmados da noite. Afinal de contas, Bastardos inglórios perdeu muitas vezes. George Clooney foi o primeiro a aparecer quando Jeff Bridges foi anunciado o melhor ator de 2009. Sandra Bullock discursava no palco e Meryl Streep aparecia na câmera. James Cameron então, era um deleite. Provavelmente não aparecesse tanto se vencesse. Sua ex, Kathryn Bigelow, que saiu consagrada, apareceu bem menos do que ele.

2- Alec Baldwin e Steve Martin
E em uma cerimônia sem muitos destaques, Alec Baldwin e Steve Martin merecem uma segunda menção. Principalmente para relembrar a fantástica brincadeira de Martin com Christoph Waltz, vencedor como coadjuvante por seu trabalho em Bastardos inglórios.
Assim falou Martin: “Em Bastardos inglórios, Christoph Waltz vive um obsessivo caçador de judeus, bem Christoph, aqui estamos” e aponta para o público. Um dos grandes momentos dessa edição. A platéia não se conteve. Nem mesmo Ethan Coen.

1 – A família dos atores
Recuperando a boa idéia do ano passado, de atores e atrizes homenagearem os atores indicados do ano, a cerimônia mostrou sintonia com os anseios do público. No entanto, a opção por restringir a homenagem as categorias de atuação principal e a carranca de uns e outros homenageados, tirou um pouco do brilho do gesto.

terça-feira, 9 de março de 2010

OSCAR WATCH - Para explicar o mundo

Por que Guerra ao terror ganhou o Oscar?

Alguns se surpreenderam, outros já antecipavam. Fato é que a vitória de Guerra ao terror no Oscar desse ano mexeu com todo mundo. “Como assim esse filme é o melhor do ano e eu nunca ouvi falar dele?”, alguns se indagaram. Outros observaram com acuidade: “Terceiro filme independente seguido a ganhar o Oscar de melhor filme”. Alguns mais apaixonados exclamaram: “Pelo menos não ganhou a bosta de Avatar” ou “Como assim Bastardos inglórios não venceu?”.
Há uma explicação para tudo, diria Sherlock Holmes. Obviamente, há uma, ou até mesmo algumas, para entender porque Guerra ao terror saiu-se vencedor na noite de 7 de março de 2010.
Primeiramente é preciso reconhecer que o filme tem méritos artísticos e técnicos que lhe credenciam ao Oscar, mas é preciso reconhecer que somente esses não garantem o prêmio máximo a filme nenhum.

um, dois, três, quatro, cinco e... cadê o sexto Oscar que estava aqui?

É preciso estimular o “cinema alternativo”
A mais óbvia e, talvez por isso, mais premente razão dos principais Oscars da noite terem ido para Guerra ao terror, um filme pequeno que quase não viu a luz do dia e que foi renegado por produtores e distribuidores americanos, é justamente doutrinar o olhar de produtores e businessmen do cinema. Ano passado, com o reforço da euforia da era Obama e na esteira de uma forte crise econômica, a academia já havia adotado essa postura pedagógica (ao superpremiar um filme limitado, mas com trajetória de superação e que tratava de esperança). Contudo, as características em 2010 permitem depreender uma elevação no tom da mensagem. Não se premiou apenas um filme que só foi feito depois de aporte de dinheiro europeu, deixou-se de premiar o filme mais caro e de maior bilheteria da história do cinema. Só não lê nas entrelinhas, quem não quiser.
A vitória de Guerra ao terror, inclusive em categorias que não haveria como Avatar perder (caso das duas categorias de som), servem ao propósito de potencializar a mensagem pretendida pela academia. Esse filme é bom o suficiente para ganhar o Oscar de melhor som. E foi feito com 11 milhões de dólares. A academia sabia que ao conceder o Oscar de melhor filme para Guerra ao terror, estava logrando ao filme a pecha de ser o Oscar de melhor filme menos visto na história (arrecadou algo em torno de U$ 14 milhões nos EUA). Mas sabia também que se não agisse assim, produtores e executivos não responderiam a um sucesso de critica que na melhor das hipóteses era circunstancial.
Um Oscar doutrinador: A consagração (mais uma vez) de um modelo de cinema


Por que vamos a guerra?
Guerra ao terror, não é preciso dizer, é superior a Avatar. E o discurso que traz em seu cerne é muito mais arrojado e original. Enquanto o filme evita politizar a guerra, Avatar repete fórmulas ultrapassadas que se vão ao encontro de liberais arruaceiros se desgastam com a mesma velocidade. Guerra ao terror se concentra no que é humano. Avatar finge que se concentra no que é humano. Mas quer exibir tecnologia. Um pensamento bélico que se contrapõe a análise que Guerra ao terror oferece e que o momento pede. Ao invés de mostrar razões de um povo ou de um país, Guerra ao terror mostra porque um homem comum vai a guerra. E qual a relação dele com ela. Em Avatar não há analise, em Guerra ao terror é tudo que há. O fato de ser um filme apolítico (Avatar tambéItálicom o é, mas na superfície não parece), ajuda a conquistar o voto de democratas e republicanos que costumam rejeitar filmes que apresentem um discurso radical. Tanto o é, que em 82 anos de Oscar, Guerra ao terror é apenas o quarto filme de guerra a ganhar o Oscar de melhor filme. Um fato que contradiz a tese de que esses filmes são sempre certezas no Oscar. Fato é que há democratas e republicanos suficientes na academia para garantir que filmes de guerra com discursos ajustados a um outro ideário recebam indicações, mas não há número suficiente para impor a vitória de um filme assim. Kathryn Bigelow, evitando futucar feridas, agradou as duas linhas políticas que existem na academia. Essa política (sempre essa tão devassada arte das relações humanas) também foi preponderante para o triunfo de Guerra ao terror.

Na mira de Guerra ao terror tudo aquilo que escapava aos outros filmes de guerra: O que nos move lá, afinal?

segunda-feira, 8 de março de 2010

OSCAR WATCH - Cenas de cinema especial: Oscar 2010

She did it!
Sandra Bullock registrou neste fim de semana que encerra a temporada de premiações de 2010, uma marca que não será batida e que dificilmente poderá ser igualada. Sandra venceu no sábado o “prêmio” frambroesa de ouro de pior atriz do ano por sua participação em Maluca paixão. No domingo, foi a vez de levar para casa o Oscar de melhor atriz por seu trabalho em Um sonho possível. Essa marca fenomenal e surreal é só de Sandra e ninguém tasca.


Um dia antes de ganhar o Oscar, a simpática Sandra foi receber seu framboesa de ouro de pior atriz do ano. Antes dela, apenas o diretor holandês Paul Verhoeven por Showgirls e atriz Halle Berry por Mulher gato compareceram a "temida" premiação


O que aconteceu com o “and the Oscar goes to”?
Entre as muitas mudanças dessa edição do Oscar, uma em especial deve ter chamado a atenção dos mais atentos. A parte Kate Winslet que cometeu a “gafe” de anunciar “and the Oscar goes to...”, todos as outras categorias foram precedidas pelo resgatado “the winner is”. Assim como os 10 filmes indicados na categoria principal, essa frase havia sido abandonada nos anos 40. A razão do abandono era de que todos os indicados eram vencedores. Uma falácia, como bem se sabe. Contudo, ser indicado é realmente uma distinção monumental, assim como o é saber que o Oscar está indo para você. Era uma frase icônica, ansiada, sonhada. “The winner is”, além de não ter charme e ostentação é comum e reduz a apoteose do momento da consagração. Nesse sentido, quem se deu bem foi Jeff Bridges, o único a ouvir a tão famosa e célebre frase em 2010.

A influência da critica comprovada
A consagração de Guerra ao terror na noite de 7 de março de 2010 mostra, mais do que qualquer outra coisa, que a critica continua a influenciar, e muito, os prêmios da academia. Isso, inclusive, é muito saudável. O triunfo do filme independente super festejado nos círculos da critica americana demonstra que o Oscar pode até ser um prêmio de indústria, mas que quer cada vez mais se livrar desse rótulo.

A moment of a lifetime
“O momento chegou”, afirmou sem cerimônias e com inegável prazer Barbra Streisand ao anunciar Kathryn Bigelow como a vencedora do Oscar de melhor direção do ano. Bigelow, extremamente emocionada, foi comedida no agradecimento e evitou hastear a bandeira que a própria academia levantou ao destacar Streisend para anunciar o prêmio. Agradeceu a equipe do filme, lembrou-se dos soldados americanos no Iraque e no Afeganistão e mais de uma vez repetiu a frase que marcou essa edição do Oscar e seu nome na história da premiação: “This is a moment of a lifetime”!

Kathryn, super emocionada, evitou o confronto direto com o ex, tão aludido pela mídia , e a principio não fez cena em cima de ser a primeira mulher premiada com o Oscar de direção. Um exercício de diplomacia
A categoria oficial das surpresas
E está virando tradição. Ser favorito ao Oscar de melhor filme estrangeiro pode ser a pior das maldições. O multipremiado filme alemão, A fita branca, foi derrotado pelo argentino O segredo de seus olhos, de Juan Jose Campanella. A premiação do filme argentino não é injusta, mas deixar de premiar A fita branca é. Paradoxos do Oscar. De qualquer maneira, possíveis candidatos na categoria no futuro farão de tudo para evitar o favoritismo.

A piada agridoce
E Campanella saiu-se com a espirituosa: “Quero agradecer a academia por não classificar Na´vi como língua estrangeira”, em uma referência ao filme de James Cameron. A brincadeira elogiosa ganharia conotação penosa para o filme que amargou um desempenho pífio na noite do Oscar.

Cinema independente 5 X 1 cinema comercial
Guerra ao terror e Avatar, ambos com 9 indicações, se enfrentavam em seis categorias (fotografia, som, edição de som, montagem, direção e filme). Ao contrário do antecipado por muita gente, Avatar perdeu, e feio, essa disputa. O surpreendente é que Guerra ao terror ganhou em categorias em que não só não era melhor que Avatar como também não era melhor do que outros concorrentes na disputa. Um duro golpe contra o cinema comercial pode ser sentido mais nas categorias técnicas do que nas nobres. Ao invés de Star trek, Transformers e Avatar, prevaleceu o “barato” Guerra ao terror.

E o 3D como fica?
A pergunta já ecoa na cabeça de executivos de estúdios e congêneres. A academia deu o devido espaço a Avatar. Concedeu ao filme os prêmios que lhe cabia (e há controvérsias quanto a fotografia do filme) e que atestam o que ele é; tecnologia de ponta. Os prêmios de fotografia, direção de arte e efeitos especiais corroboram a percepção da critica (olha ela aí de novo), e em certo nível do público também, de que Avatar é um deslumbramento visual. E só. E é a isso que o 3D se propõe. É mais uma ferramenta narrativa, não constitui revolução, tão pouco é o futuro do cinema. O Oscar ajudou a devolver as expectativas a seu tamanho devido.

James Cameron no tapete vermelho: Eu não perdi não. Foi a Kathryn que ganhou...


Uma dupla entrosada
Alec Baldwin e Steve Martin, como era de se esperar, foram um show a parte. Senhores do palco, fizeram belas piadas de improviso e as que já estavam no script também foram muito bem aproveitadas. Os dois mestres de cerimônia foram, definitivamente, o melhor da festa.
Steve Martin e Alec Baldwin capricharam nas piadas e na química


Uma cerimônia desencantada
Apesar do talento e da boa apresentação de Baldwin e Martin, a cerimônia do Oscar foi um conjunto de equívocos. Algumas mudanças mal ajambradas, desrespeito com os vencedores das categorias de curta metragem, alguns errinhos pontuais que prejudicaram o bom ritmo da cerimônia e o atraso, em meia hora, que fez com que os principais prêmios da noite, e os mais aguardados, fossem entregues como quem está diante de um toque de recolher. Uma lástima.


Um Na´vi politicamente correto
Depois de correr o mundo a notícia de que Sasha Baron Cohen tivera sua esquete cômica sobre Avatar vetada, ia pegar muito mal se não houvesse nenhum número fazendo graça com o principal filme da noite. Ben Stiller caracterizado como Na´vi apresentou, falando em na´vi, o Oscar de maquiagem e lembrou: “ a ironia é que Avatar não está nem mesmo indicado nessa categoria”. E a graça se resumiu a isso.

Ben Stiller quer plugar: Participação xoxa do comediante mimetiza o que foi a cerimônia e a noite de Avatar

Os mais bonitos

Tom Ford vestindo... Tom Ford



Direto das praias cariocas: Gerard Butler vestiu o smoking para apresentar o Oscar de efeitos especiais



Jake Gyllenhaal foi prestigiar a irmã e arrancou suspiros da platéia feminina e de uma repórter da rede de tv americana ABC


As mais bonitas

Demi Moore que apresentou o tributo "in memorian" arrasou com seu Versace

Carey Mulligan estava deslumbrante em um Prada repleto de cristais Swarovski
Vera Farmiga impressionou a todos no tapete vermelho vestindo um tomara que caia da grife Marchesa
Uma fala que diz tudo
“O show está tão louco que Avatar virou passado”, disparou Steve Martin ao encerrar a 82ª cerimônia do Oscar

OSCAR WATCH - Critica dos vencedores do Oscar

Quando o sentimento tem vez

O Oscar 2010 acabou por ser um prêmio mais justo do queAdicionar imagem se anunciava. Essa constatação, no entanto, não faz dessa edição do Oscar justa, na estrita acepção do termo. Mais do que qualquer outra coisa, o que a academia sinalizou em 2010 foi que apesar de seus esforços para contemplar a indústria cinematográfica em toda a sua representatividade, o Oscar é um prêmio para irradiar o cinema em sua manifestação bruta, arisca, inteligente. E isso pode pender tanto para o comercial (lembram de Titanic e O retorno do rei ?) quanto para o artístico. Filmes que emplacam no Oscar, assim o fazem por conquistar o coração dos acadêmicos. Esse ano três filmes pequenos fizeram isso de forma muito clara. Os independentes Guerra ao terItálicoror, Preciosa-uma história de esperança e Coração louco foram osItálico filmes mais aplaudidos da noite. Quando eram anunciados nas categorias em que concorriam, havia gritos e comoção como se estivéssemos em um estádio de futebol. Esse comportamento ajuda a entender o que aconteceu nesse 7 de março. Sempre pesou contra o Oscar a pecha de ser, muitas das vezes, um prêmio injusto. Mas sempre se ressaltou a honestidade do prêmio da academia (que com as escolhas do ano passado foi posta a prova).

O grande campeão do Oscar 2010: Guerra ao terror faturou os Oscars de filme, direção, roteiro original, montagem, som e edição de som


Esse ano vem ratificar essa condição. Ao conceder seis prêmios para um filme pequeno, feito sem o apoio de Hollywood, mas com a contundência de um cinema vaticinante e reflexivo, a academia mostra que esse é o caminho e viabiliza a mea culpa da industria que deixou de apostar em um material que se mostrou tão midiático. Certamente Guerra ao terror não era merecedor desses seis prêmios, principalmente de alguns técnicos que amealhou devido a todo esse carinho e paternalismo tardio, mas era sem dúvida um filme muito mais merecedor do destaque que esses seis prêmios conferem do que Avatar. Esse é o grande ponto dessa edição do Oscar.
Avatar foi devolvido a seu tamanho original. O de um filme de imenso apelo popular, entretenimento de primeira classe (o que também caracteriza bom cinema, é bom que se diga) e espetáculo visual. O imerecido prêmio de fotografia mostra que o filme de James Cameron está sendo reconhecido pela indústria pelo que é. Não pelo que quer ser.
Essa sábia decisão foi, sem dúvidas o grande acerto do Oscar. Era necessária essa auto afirmação. Reconhecer a excelência, mas dentro de um contexto bem delineado. Conceder os Oscars de filme e direção (este pela primeira vez para uma mulher) para Guerra ao terror foi providencial para a afirmação do Oscar como recenseador da arte e da produção cinematográficas.

O roteirista Geoffrey Fletcher que venceu, de forma inesperada, por Preciosa valeu um dos momentos mais emocionantes da noite


O joio do trigo
Ano passado a academia também premiou um filme independente. O abominável Quem quer ser um milionário? que impressionou a critica americana momentaneamente, mas não agradou a critica internacional e hoje já é bastante contestado (Walter Salles em artigo assinado na Folha deste domingo classifica o filme de Danny Boyle como sério candidato a pior da década). Esse ano, dois filmes independentes que falam de tragédias bem americanas (Preciosa e Guerra ao terror) polarizaram as atenções e dividiram o destaque de “filme independente do ano”. Embora não sejam grandes filmes, são muito superiores ao vencedor do Oscar do ano passado e foram produzidos em condições ainda mais adversas. A mensagem que a academia enviou premiando o underdog do ano passado não foi muito bem digerida por produtores americanos. Guerra ao terror só se viabilizou depois da chegada do produtor francês Nicolas Chartier. A academia reforça a mensagem em 2010. Ao iluminar (até demais) Guerra ao terror e reconhecer com muita boa vontade Preciosa, o Oscar admite: podemos ter errado no timing, mas a mensagem continua valendo.


Jeff Bridges ergue seu Oscar para os céus, lembra de seu pai e sua mãe e pensa: Finalmente!


Como nem tudo são flores...
Os melhores filmes do ano fracassaram no Oscar. Amor sem escalas e Distrito 9 saíram sem nada e Bastardos inglórios saiu apenas com o prêmio de coadjuvante para Christoph Waltz. Um prêmio que é menos do filme e mais dele, pelo estado das coisas.
Nas categorias de atuação aliás, 100% justas somente a premiação para os coadjuvantes (Mo´Nique confirmou o favoritismo por Preciosa). Jeff Bridges ganhou por Coração louco pelo legado e Sandra Bullock beneficiada pelo conhecido “empurrãozinho” que a academia dá em suas estrelas. Nessa década venceram nessa categoria, Julia Roberts, Reese Whiterspoon, Nicole Kidman (por atuações contestáveis), Halle Berry e Charlize Theron (por atuações merecedoras, mas eram estrelas).
O Oscar continua a relegar surpresas para a categoria de filme estrangeiro. O estupendo A fita branca acabou perdendo para o bom O segredo dos seus olhos. Os roteiros vencedores não eram nem de longe os melhores em disputa, mas eram os roteiros dos filmes apreciados pela academia. Para o Oscar, e não se está insinuando que isso seja algo negativo, honestidade prescinde de justiça.

domingo, 7 de março de 2010

Critica - Coração louco

Olhando para dentro!

O filme que marca a estréia na direção do ator Scoot Cooper é uma obra que segue alguns cânones do cinema independente, em especial daquele praticado nos anos 70 e que no ano passado teve no filme de Darren Aronofsky, O lutador, um legítimo expoente. Iluminar a trajetória de redenção de um típico loser americano.
Coração louco (Crazy heart, EUA 2009) é um filme de ator. Isso porque são nas atuações “com o coração” do elenco principal que o filme se esmera.
Bad Blake (Jeff Bridges) é um cantor country decadente que já experimentara a glória e hoje vive de apresentações modorrentas em bares de beira de estrada. Ao conhecer uma jornalista que se interessa pela representatividade histórica de sua figura, Bad passa a reavaliar suas escolhas e confronta-se com a necessidade de mudar seu destino.
Dizer que Coração louco não seria a mesma coisa sem a entrega de Jeff Bridges, favorito ao Oscar de melhor ator, já virou lugar comum. Mas a repetição aqui se faz necessária. É Bridges, que tal qual Mickey Rourke fizera em O lutador ano passado deixa a câmera percorrer seu corpo cansado e fora de forma, que dá sustância emocional a esse personagem. É na atuação robusta e cheia de sentimento do ator, que atinge níveis especialmente cativantes quando o mesmo põe-se a cantar, que o filme se movimenta.

Jeff Bridges e Maggie Gyllenhaal, fantásticos, em cena de Coração louco: Por trás de todo grande homem, uma grande mulher e o interesse genuíno dele por ela

A música é outro grande atrativo do filme. Ajusta-se comodamente a história de naufrágio e superação de Bad Blake. No entanto, Coração louco não é tão tenaz e ousado quanto O lutador, na inevitável comparação que se obriga presente. Apesar de perpassar questões como a relação que se tem com a glória do passado e o alcoolismo que advém dela, Coração louco é mais convencional, menos trágico, menos impiedoso. Não que seja demérito. Não há nada que o desabone enquanto entretenimento de primeira classe. Mas dentro da seara dos filmes independentes sobre a busca pela redenção, nas quais pode-se colocar aí, além do já citado filme de Aronosky, Pequena miss sunshine e Ritmo de um sonho, Coração louco se empalidece. Fica aquela estranha percepção que não se olhou tanto assim para dentro a ponto de se chegar aonde se chegou ao final do filme. Apesar do encanto exercido por Jeff Bridges.

sábado, 6 de março de 2010

OSCAR WATCH - Critica dos indicados ao Oscar

Será amanhã. Neste domingo, dia 7 de março, será realizada a 82ª cerimônia de entrega dos prêmios Oscar, que junto com o prêmio Nobel, é o mais conhecido, venerado e respeitável da humanidade.
A edição de 2010 traz algumas surpresas na estrutura do evento. A maior delas, sem dúvidas, é o alto número de concorrentes a principal estatueta. São 10 filmes disputando o Oscar de melhor filme. Essa medida, puramente comercial, atende a anseios da indústria (a maior razão de ser do Oscar), mas empobrece o significado artístico do prêmio e o sentido de ser um filme indicado ao Oscar de melhor produção do ano.
Dos 10 filmes, só vejo com legitimidade e merecimento a indicação de três candidatos; Bastardos inglórios, Amor sem escalas e Distrito 9. A inclusão de Um homem sério, Educação, Preciosa – uma história de esperança, Up- altas aventuras e Guerra ao terror se não chegam a ser injustas, são reflexo de um ano fraco e de uma academia que observa os fluxos e refluxos de uma indústria com contundência. No entanto, as inclusões de filmes como Avatar e Um sonho possível se por um lado favorecem a audiência da cerimônia e vão ao encontro dos interesses de produtores e distribuidores mais antenados em Wall street do que em Hollywood, por outro, fragiliza a credibilidade da academia como instituição isenta e zeladora da qualidade cinematográfica.



Cena da animação Up-altas aventuras: O segundo longa metragem de animação a disputar o Oscar de melhor filme foi beneficiado pela novidade desta edição de contar com 10 postulantes ao prêmio



Avatar e Guerra ao terror são os favoritos ao Oscar. Cinema independente x cinema comercial, tecnologia x roteiro, originalidade x conceito, exuberância econômica x metas econômicas. São muitos os conflitos e como não poderia ser diferente, o mundo e o estado das coisas irá influir na decisão. Dessa maneira se não é possível cravar um vencedor, é possível afirmar com segurança de que se o cinema precisa de Avatar para viabilizar o 3D (importante ferramenta contra a pirataria), Avatar precisa do Oscar.

Sam Worthington em cena de Avatar: A maior bilheteria da história pode pesar na decisão dos acadêmicos



As minorias já são maioria
Pensamento semelhante deve imperar na disputa entre os diretores. Não faz mais sentido relegar as diretoras a um segundo plano. Como não o fazia relegar os negros. Depois do prêmio para Halle Berry no inicio da década passada (o primeiro concedido a uma atriz negra) e para Denzel Washington (o segundo para um ator negro na categoria principal de atuação), muitos outros negros foram indicados como Will Smith, Taraji P.Hanson, Jennifer Hudson, Eddie Murphy, Forest Withaker e Gabourey Sidibe. Muitos saíram vencedores. Esse estigma já ficou para trás.
Deve começar a cair, portanto, esse outro estigma. Kathryn Bigelow deve prevalecer por Guerra ao terror. Justo, justo, não é. Quentin Tarantino por Bastardos inglórios e Jason Reitman por Amor sem escalas têm trabalhos muito mais enfáticos e vistosos, mas Bigelow (e as mulheres em um quadro maior) faz por merecer essa deferência.
A confirmação dessa premiação ratifica que as duas principais categorias serão definidas por fatores “extra campo” por assim dizer. Criticável e questionável, mas sem dúvida uma das belezas do Oscar. Adicionar imagem

Kathryn Bigelow e o lobby do politicamente correto: Um dia antes do dia internacional da mulher, um Oscar só para elas



Zebras no horizonte
A disputa entre os atores está tão fácil, com cartas marcadas há tanto tempo que seria revigorante algumas surpresas. Na disputa pelo Oscar de ator estão Jeff Bridges (o favorito) por Coração louco, George Clooney (o melhor) por Amor sem escalas, Colin Firth (o surpreendente) por Direito de amar, Morgan Freeman (o protocolar) por Invictus e Jeremy Renner (a indicação injusta) por Guerra ao terror. Seria bom ver Firth ou Clooney prevalecendo. Existem razões técnicas e emocionais para premiar qualquer um dos indicados, mas nenhuma supera as razões para premiar Bridges. Isso, portanto, deve ser preponderante.
Entre as atrizes temos uma seleção das mais fracas dos últimos anos. Sandra Bullock deve prevalecer em um empenho da indústria de promovê-la ainda mais. A coroa que ela reconquistou nesse 2009 ficaria reluzente com um Oscar. Por merecimento, o prêmio deveria ir para uma das jovens concorrentes. Ou Carey Mulligan por Educação ou Gabourey Sidibe por Preciosa.
Já entre os coadjuvantes, ninguém quer zebras. Tão pouco há expectativas de que elas possam, de fato, aparecer. Christoph Watz deve ser coroado o melhor coadjuvante por Bastardos inglórios. Ele, de fato, está em um nível superior a seus concorrentes.
Mo´Nique que está excelente em Preciosa deve ser mais um caso daqueles once in a life time. Mas se a zebra pintar, há grandes chances de ser aqui.


Stanley Tucci e Meryl Streep em cena de Julie & Julia: Muita gente torce pela atriz, mas será que a acadêmia que lhe negou um terceiro Oscar por tanto tempo iria conceder-lhe agora por um desempenho tão banal?


O melhor do resto
Nos últimos dias Guerra ao terror tem sido alvo de polêmicas na mídia. Apesar do entendimento de que isso não deva comprometer o rendimento do filme no Oscar, direciona nosso olhar. É, afinal, sobre o pequeno Guerra ao terror e não sobre o gigante Avatar que as atenções estarão voltadas. Nunca duvidem de uma boa e inusitada forma de marketing!
O roteiro e, mais que isso, o nome do roteirista de Guerra ao terror, Mark Boal, ganhou forças nos últimos dias e é possível depreender que derrote o outrora favorito na categoria, Quentin tarantino.

Guerra ao terror e a polêmica: Todo o buzz será castigado?


Entre os excelentes roteiros adaptados, o favoritismo - com toda justiça - é de Amor sem escalas. E aqui não deverá surgir nenhuma surpresa de última hora.
Nas demais categorias a briga promete ser entre Avatar e Guerra ao terror. Ao contrário do que se aventa por aí, deve haver uma divisão de prêmios. Afinal, dorme-se com o cinema comercial, mas ama-se o independente.
Avatar deve ficar com os prêmios de som, direção de arte, efeitos especiais e filme. Enquanto que Guerra ao terror deve prevalecer em direção, roteiro original, edição de som e provavelmente fotografia. A fita branca, excepcional trabalho de Christian Berger pode deixar Guerra ao terror com um a menos na conta.
De qualquer maneira, o Oscar 2010, a despeito das novidades, se anuncia como um dos mais desinteressantes (artisticamente falando) e injustos da história.


Quentin Tarantino é a grande dúvida da noite: Pode sair sem nada ou consagrado

OSCAR WATCH - A noite de Preciosa

Agora só falta um: Mo´Nique exibe seu Spirit toda feliz

O filme Preciosa-uma história de esperança, que concorre amanhã a seis estatuetas do Oscar, sagrou-se o grande vencedor do Independent Spirit Awards. Realizado nessa sexta, a premiação voltada para o cinema independente americano consagrou o filme de Lee Daniels com 5 estatuetas (filme, direção, roteiro adaptado, triz e atriz coadjuvante).

O Spirit ganhou muita importância na década passada, uma vez que muitos filmes independentes passaram a figurar na lista do Oscar também. Além de Preciosa concorrer no Oscar em todas as categorias da qual saiu vencedor, basta dar uma olhada nos outros vencedores da noite para se ter uma idéia do estado das coisas. O melhor ator foi Jeff Bridges por Coração louco, o melhor coadjuvante foi Woody Harrelson por O mensageiro e o melhor filme estrangeiro foi o inglês Educação. Vale o Slogan informal:

Spirit Awards e o Oscar, mais do que nunca, tudo a ver.

sexta-feira, 5 de março de 2010

OSCAR WATCH - A peleja dos filmes


O maior espetáculo de todos os tempos
Comentário
As nove indicações ao Oscar de Avatar podem ser controversas, assim como o é o título de filme mais visto da história. Contudo, é inegável que o momento é de Avatar. Um fenômeno de bilheteria e de repercussão pop. A chancela do Oscar para o maior sucesso do cinema de todos os tempos seria a cereja do bolo. Contudo, se analisarmos pelo âmbito da qualidade, Avatar é literalmente o menos merecedor do prêmio. Não que isso, em tempos que a politicagem domina até mesmo um prêmio de arte, sirva de parâmetro.
Indicações
Filme, direção, fotografia, montagem, direção de arte, trilha sonora, efeitos especiais, som e edição de som

À Pixar o que é da Pixar
Comentário
Demorou, mas a tão clamada, e aguardada, indicação de um filme da Pixar para melhor filme chegou. UP-altas aventuras não é o melhor filme do estúdio que criou obras referenciais como Wall E e Os incríveis, mas é um candidato para lá de digno. Em uma lista com 10 filmes, sua indicação é justa, merecida e oportuna.
Indicações
filme, roteiro original, animação, trilha sonora e edição de som

O clássico moderno
Comentário
Seguramente um dos melhores filmes do ano, Amor sem escalas perdeu força na disputa, ante a badalação de Guerra ao terror e a necessidade dos milhões que Avatar ostenta. O filme de Jason Reitman que casa com eficiência invejável fórmulas do cinema independente com arranjos comerciais, no entanto, está destinado se tornar um clássico. Na verdade já é. Daqueles instantâneos, cujo valor vai aumentando com o tempo.
Indicações
Filme, direção, roteiro original, ator e duas indicações para atrizes coadjuvantes

Sobre a alienação de ser humano
Comentário
Antes de ser uma ficção científica, e Distrito 9 é uma excelente ficção científica, esse filme é uma poderosa alegoria sobre preconceito. Daquelas que a academia adora prestigiar. Esse fato talvez ajude a entender a conquista pelo filme de uma vaga entre os finalistas do Oscar. Uma deferência justa e por si só bastante representativa.
Indicações
filme, roteiro original, montagem e efeitos especiais


O pão nosso de cada dia

Comentário
“Aceita o que acontecer com você com simplicidade”. A frase que abra o novo filme dos irmãos Coen entrega o que virá a seguir. Uma mordaz parábola sobre o homem comum, bom e bem intencionado. E de como essas qualidades podem ser saturadas e em que circunstâncias isso é possível. Um homem sério é um legítimo exemplar dos Coen, embora menos brilhante do que seus trabalhos anteriores.
Indicações
filme e roteiro original


A combustão da guerra
Comentário
De jogado fora a Darling da temporada. Essa foi a viagem surreal que Guerra ao terror fez. O filme que não conseguiu distribuição agradou a critica ao mostrar o cotidiano de um esquadrão anti-bomba no Iraque. Verdadeiro e impactante, filmado com a dose exata de urgência e contemplação, Guerra ao terror abre mão da política para iluminar algo muito mais aterrador.
Indicações
filme, direção, roteiro original, ator, montagem, fotografia, trilha sonora, som e edição de som


Era uma vez uma França sob ocupação nazista
Comentário
O tom fabular de Quentin Tarantino cativou. Mais senhor de seu universo peculiar do que nunca, Tarantino realiza uma obra prima e como tal, Bastardos inglórios foi contemplado pela academia. Ainda há chances dos bastardos de Tarantino roubarem o grande troféu dos Na´vi de James Cameron ou dos comandados de Bigelow, mas a essa altura do campeonato, isso parece improvável.
Indicações
filme, direção, roteiro original, ator coadjuvante, fotografia, montagem, som e edição de som

Charme burguês
Comentário
A academia adora os ingleses. Principalmente os filmes de época que eles fazem por lá. Educação, nesse sentido, é o candidato perfeito. Inglês do senso de humor a contextualização, o filme é um triunfo de roteiro e atuação. Esses pontos fortes valeram ao filme uma vaginha entre os finalistas na disputa de melhor filme.
Indicações
filme, roteiro adaptado e atriz

O sonho americano vive
Comentário
Você pode ser pobre, você pode ser rico ou até mesmo ser meio lerdo das idéias, a América está lá por você. Os valores e ideais americanos pontuam muitos filmes daquele país. Alguns de forma mais sutil e abrandada, outros de forma melodramática. Um sonho possível se ajusta mais a segunda definição. Chega ao Oscar embalado pelo bom momento de sua protagonista e pela polpuda bilheteria.
Indicações
Filme e atriz


O pesadelo americano vive
Comentário
Há sonhos, mas também há pesadelos. E o Oscar faz questão de colocar ambos em evidência com sua seleção. Preciosa- uma história de esperança, embora apresente discurso semelhante ao do filme de Sandra Bullock, sua verve é completamente diferente. É preciso sonhar. Mas batalhar enquanto se está acordado.
Indicações
Filme, direção, roteiro adaptado, atriz, atriz coadjuvante e montagem

* Para ler as criticas, publicadas em Claquete, dos filmes indicados ao Oscar de melhor filme é só clicar no nome do filme desejado na lista de marcadores aqui do post.
* Amanhã será publicada a critica dos indicados ao Oscar. Não perca!

quinta-feira, 4 de março de 2010

OSCAR WATCH - Cenas de cinema: pré - Oscar

Jovens da América venham a mim!
O octogenário Oscar cede aos caprichos e aos ídolos dos teenargers. Precisando desesperadamente elevar seus números de audiência, os produtores da cerimônia resolveram convidar para serem apresentadores todos o ídolos teens disponíveis. Já estão confirmados Taylor Lautner e Kristen Stewart de Crepúsculo (ainda se especula sobre uma possível participação de Robert Pattinson), Miley Cyrus e Zac Efron. Nada como manter-se jovem não é mesmo?

A defesa de George Clooney
Em entrevista a revista entertainment weekly, no especial sobre o Oscar que a revista organizou, George Clooney fez um pontual comentário sobre algo que muitos criticam em sua carreira, o fato de sempre parecer interpretar variações de si mesmo. "Laurence Olivier desaparecia em seus personagens e não tinha como você reconhecê-lo. Aí você tem Spencer Tracy, ele sempre foi um tipo de... Spencer Tracy. Eu não sei onde me ajusto. Há sempre algo de mim lá". Clooney complementa: "Se pareceu suave, natural ou comum é porque fiz meu trabalho. Quero dizer que sou um profissional. Eu sei o que estou fazendo".


Clooney abre o jogo: Ainda tem gente que não me acha bom ator!


O detonador
Ainda se discute, e muito, em Hollywood e nos porões da academia o que se deve fazer com Nicolas Chartier, o produtor de Guerra ao terror que mandou aquele e-mail inconveniente. Alguns acham que ele deve ser descredenciado da academia, outros que o filme deveria se tornar inelegível. De concreto mesmo, apenas o “desconvite” oficial que Chartier recebeu. Ele está impedido, é isso mesmo, impedido de comparecer a cerimônia.


Poxa, mas eu queria tanto ir...


Alvo fácil
E a encrenca para o lado de Guerra ao terror não acaba. No lastro do produtor atrapalhado, o sargento do exército americano, Jeffrey Sarver, entrou com um processo contra os produtores de Guerra ao terror. Ele alega que o roteirista Mark Boal se baseou inteiramente em sua história. Boal escreveu o roteiro baseado nos eventos que acompanhou enquanto cobria a guerra do Iraque para a playboy americana. E de fato acompanhou por um período o cotidiano de Sarver. A intriga está armada. O Oscar está mais próximo do que nunca. Mas os produtores que penaram para lançar o filme, também estão mais próximos de ficarem pobres. É o Oscar que pode sair caro demais.

Fingindo que não é com ela
Chega a irritar. O mundo todo sabe que Sandra Bullock é a favorita para o Oscar. Todos já estão se preparando para ver os trailers das futuras comédias românticas estreladas pela atriz com o indefectível anúncio “com a atriz vencedora do Oscar”. Contudo, Sandra Bullock permanece na linha muito usada por políticos com margem expressa de votos e jogadores de futebol de times grandes quando se deparam com times pequenos: “ O importante é competir. Não acho que eu vá ganhar”. Tem dito, quase que sempre com as mesmas palavras, a variados veículos de imprensa. Aguardemos a cara dela, se de fato não ganhar. Discurso é discurso, jogo é jogo.

Sandra ri e desconversa mas fez campanha assídua por uma estatueta




Oscar azul
Os escândalos envolvendo Guerra ao terror têm polarizado as atenções da mídia nessa semana, mas há um ou outro analista da indústria cinematográfica, interessado no desempenho de Avatar no Oscar 2010. Para esses, o desempenho do filme será crucial para o futuro do 3D e da tecnologia apresentada no filme. Só o Oscar, não a bilheteria, pode legitimar um avanço cinematográfico.



Barraram o Sacha
E a boa vontade com Avatar é tamanha que o comediante Sacha Baron Cohen que havia preparado uma esquete cômica sobre o filme para a noite do Oscar foi vetado. Não, ele continuará convidado a comparecer a cerimônia (diferentemente de você sabe quem), mas não apresentará o quadro que preparou. Os produtores temeram que James Cameron, e principalmente os adoradores de Avatar que, espera-se, assistirão ao Oscar, ficassem chateados. Eles evidentemente esqueceram que a inclusão de Avatar entre os melhores filmes já é uma piada de mau gosto.

Sasha Baron Cohen censurado: Não querem chatear o James Cameron...

quarta-feira, 3 de março de 2010

OSCAR WATCH - A peleja das atrizes coadjuvantes

Da esquerda para a direita: Vera Farmiga (Amor sem escalas), Anna Kendrick (Amor sem escalas), Mo´Nique (Preciosa), Maggie Gyllenhaal (Coração louco) e Penelope Cruz (Nine)



A transformação
Mo´Nique é uma comediante. Ela tem um programa de variedades na TV americana.Vez ou outra aparece no cinema, mas jamais esperou-se dela o que ela aAdicionar imagempresentou em Preciosa-uma história de esperança. Uma transformação daquelas que lembra que cinema é cinema, mas também é verdade.

Prós:
+ Ganhou praticamente todos os prêmios da temporada
+Está fazendo uma campanha árdua junto aos membros votantes
+ Com a tendência da academia de pulverizar seus prêmios, é nela que reside a grande oportunidade de premiar Preciosa
+ É a melhor atuação dentre as indicadas. Isso deve contar para alguma coisa

Contras:
- Não é uma atriz tão talentosa assim. De fato não é nem mesmo uma atriz no sentido mais estrito da palavra

primeira indicação


A namoradinha da América

Quem não gostaria de ter uma latina exótica e sensual para chamar de sua. O cinema americano já elegeu sua nova musa de sangue quente. A espanhola Penelope Cruz nem precisou fazer muita coisa em Nine para receber sua terceira indicação ao Oscar em quatro anos. Não precisou fazer muita coisa a não ser exibir sua sexualidade explosiva e sua sensualidade cativante. Algo que já lhe deu um Oscar antes.

Prós:
+ Se o surto coletivo que lhe valeu uma indicação ainda não tiver passado...
+É visivelmente a atriz mais querida pela comunidade artística entre as indicadas

Contras:
- Ganhou ano passado e até mesmo ela sabe que não tem estofo artístico para engatar dois Oscars seguidos
- Seu filme não agradou e acabou sendo “esquecido” em categorias que era dado como certo

Indicações anteriores: Melhor atriz por Volver em 2007, melhor atriz coadjuvante por Vicky Cristina Barcelona em 2009
Vitória anterior: Melhor atriz coadjuvante por Vicky Cristina Barcelona

A surpresa previsível

Muita gente se surpreendeu com a indicação de Maggie Gyllenhaal. Não era para tanto. Ótima atriz, que mantém fluência e regularidade em seu trabalho, tem grande momento em Coração louco. Um filme independente que a academia resolveu abraçar. Filme de atores. Justo que seus protagonistas resplandeçam.

Prós:
+Assim como foi um elemento relativamente surpresa na lista das indicadas, pode valer-se do mesmo expediente na disputa pelo ouro. Em miúdos, tem mais chance do que as rivais de “roubar” a estatueta de Mo´Nique
+ A força da candidatura de seu colega de elenco, Jeff Bridges, pode favorecê-la

Contras:
- Não foi praticamente indicada a nada e é pouco comum alguém nesses termos prevalecer na disputa pelo Oscar
- A pecha de que a indicação já é suficiente

Primeira indicação


A adorável novidade

Esse é o sabor da indicação de Anna Kendrick. Talento, doçura e presença. Kendrick conseguiu chamar atenção para si mesmo contracenando em todas as cenas com George Clooney. Algo que por si só já vale uma indicação ao Oscar.

Prós:
+ Faz parte do elenco mais festejado (pelo menos em número de performances indicadas) do ano
+ É uma atriz jovem e a academia gosta de premiar jovens nessa categoria
+ Foi a única das indicadas que “garfou” alguns prêmios da favorita Mo´Nique

Contras:
- Não tem muitas credenciais. Seu grande destaque no cinema é uma ponta na saga Crepúsculo
- A pecha de que a indicação já é suficiente

Primeira indicação

A mulher de verdade
Vera Farmiga tem uma performance corajosa em Amor sem escalas. Ao assumir, com sua personagem, que as mulheres não precisam ser necessariamente presas em uma relação amorosa e que podem ser muito bem as predadoras, a atriz põe em evidência um perfil feminino que o cinema ainda não descobriu por completo.

Prós:
+ É aquele tipo de atuação lúcida, tocante, introspectiva que cativa a classe do atores
+ Seria uma opção respeitável de voto para quem não quer premiar uma sub-Oprah

Contras:
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- Como concorre com uma colega de elenco, suas chances, no mínimo, se dividem

Primeira indicação

domingo, 28 de fevereiro de 2010

OSCAR WATCH - Contexto

Por que esses dez filmes?

Judeus, guerra, Iraque, alienígenas, ficção científica, crise econômica, relacionamentos amorosos, Tarantino, George Clooney, James Cameron, 3D, mulheres e audiência. Essas são as palavras chaves para definir os filmes selecionados para a disputa de melhor filme. O escopo, esse ano, é maior; uma vez que são 10, os indicados a melhor filme. É inegável que a academia sempre elabora um comentário sobre o estado das coisas na sociedade com o anuncio dos principais filmes concorrentes ao Oscar. Pelo menos a critica em geral, e a americana em particular, enxerga essa disposição todos os anos. Assim como a escolha do vencedor nunca se dá puramente por méritos artísticos. O melhor filme no Oscar é fruto de uma combinação de interjeição política e social, campanha de marketing assídua, baixo índice de rejeição e, sim, qualidade artística.
De ano para ano, varia o grau de influência de um desses fatores. Mas invariavelmente, a escolha do melhor filme do ano se dá em virtude da combinação desses aspectos.


Cena de Amor sem escalas: relacionamentos amorosos e crises financeiras pautam uma história sobre o nosso tempo

Depois de Bush e de Obama...
Os favoritos do ano são Avatar, um mega sucesso de bilheteria que acena com uma tecnologia capaz de fazer os estúdios de cinema faturarem mais, pelo menos no curto prazo, e Guerra ao terror, um filme sobre a guerra do Iraque (algo ainda presente no contexto socioeconômico americano) apolítico, o primeiro filme de guerra com essa característica em anos.
Em 2007 e 2008, os dois últimos anos da era Bush, filmes com visões e perspectivas pessimistas da América (Os infiltrados e Onde os fracos não têm vez) venceram. Em 2009, na euforia da era Obama, um filme com um traço de globalização e com uma mensagem de redenção e esperança (Quem quer ser um milionário?) triunfou. Esse ano, com Obama com um índice de popularidade não mais do que satisfatório, com uma guerra no Afeganistão cada vez maior, e a do Iraque ainda longe de um desfecho, parece oportuno revisitar a guerra sem tomar partidos. Entender a fissura que a mesma causa na nossa humanidade parece oportuno. Tanto Avatar, em um viés mais fantasioso, quanto Guerra ao terror, abraçando a realidade sem pudores, se prestam a esse serviço.

Cena de Guerra ao terror: A guerra do Iraque ainda não acabou, mas o foco do cinema sobre ela mudou


Os dois lados de uma mesma moeda
Mas as semelhanças acabam aí. Os dois filmes se situam diametralmente opostos no que toca o modelo de produção cinematográfica. Também diferem quanto ao público ao qual se destinam. Avatar é o filme mais caro e de maior bilheteria da história do cinema e busca um público predominantemente jovem e entusiasta de tecnologia. Guerra ao terror é um filme barato, que sofreu para conseguir distribuição e que quase ninguém viu. Ambos mimetizam o alcance do cinema e o que o mesmo significa nesse século XXI. Não que premiar um em detrimento do outro seja uma sentença de morte de um modelo de produção (caso Avatar seja o vencedor) ou preconceito com o entretenimento para as massas (caso Guerra ao terror seja o vencedor). Mas inadvertidamente essas questões estão atreladas a decisão da academia. E é bom que estejam. É, afinal de contas, equilibrando-se entre os sucessos comerciais, os dramas independentes, os filmes de atores, os roteiros sensacionais e as inovações tecnológicas que o Oscar ajuda a dimensionar o cinema no passar dos anos.

Anúncio de Avatar na campanha para angariar indicações ao Oscar: o 3D busca o aval da academia

Sempre os judeus
Educação, Um homem sério e mais compulsoriamente Bastardos inglórios, trazem em seu âmago elementos que abordam o judaísmo e seu espaço-tempo de forma bastante elaborada. O Oscar, talvez por que Hollywood e o cinema em uma escala mais ampla sejam um negócio bem judeu, sempre conferiu destaque a filmes que se dedicassem ao jew living status. Esse ano, os três filmes que iluminam o universo judeu são de uma eloquência ímpar. Em Educação há o breve, e subliminar elemento anti-semita, algo que assim como ocorre no filme, ocorre na vida. O anti-semitismo nunca é declarado. Um homem sério foca a comunidade judaica. Suas idiossincrasias e reminiscências. Em Bastardos inglórios, Tarantino oferece uma catarse judaica como nunca se vira antes. E se tirássemos os escalpos dos nazistas? Se espalhássemos o terror entre eles como eles fizeram conosco? Se matássemos Hitler em um cinema?
Os judeus e seus anseios nunca foram tão bem assistidos pela academia.

Cena de Bastardos inglórios: E se?

O amor, a audiência e o gênero maldito
E o Oscar precisa fazer as pazes com a audiência. Nos últimos 20 anos, as cerimônias que mais tiveram audiência foram as de 1998 e 2004. Não por coincidência os anos dos triunfos de dois blockbusters. Titanic e O senhor dos anéis: o retorno do rei respectivamente. Essa é a única razão de filmes como Avatar e Um sonho possível estarem entre os indicados a melhor filme. Atrair a atenção do espectador comum para a cerimônia.
Por outro lado a academia reconheceu a excelência de um gênero sempre preterido, a ficção cientifica. Distrito 9, uma poderosa parábola sobre preconceito, e Avatar. A maturação do amor, o mais nobre e dolorido dos sentimentos, também chama atenção nos selecionados desse ano. Amor sem escalas e Educação tratam do tema com sobriedade e sofisticação.
Cena de Educação: o amor é um dos fragmentos no caminho da maturidade

Os dez filmes do Oscar desse ano significam muita coisa. Indelével, no entanto, é que com cinco fica mais fácil saber o que a academia quer dizer. O discurso não se dilui. Assim como a qualidade dos indicados.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

OSCAR WATCH - A peleja dos atores coadjuvantes

Da esquerda para a direita: Matt Damon (Invictus), Christoph Waltz (Bastardos inglórios), Christopher Plummer (The last station), Stanley Tucci (Um olhar do paraíso) e Woody Harrelson (O mensageiro)


O invencível

O austríaco Christoph Waltz é o menos conhecido dos indicados. Mas é o mais badalado. Waltz, mantém a humildade de quem ainda não domina o circo hollywoodiano, mas no fundo sabe que o universo conspira a seu favor.

Prós:
+ Ganhou tudo, absolutamente tudo de mais importante, na temporada
+ Representa a melhor forma de se reconhecer o filme de Tarantino em uma possível distribuição de prêmios pulverizada
+ Interpreta um psicopata contumaz e eles têm dominado essa categoria
+ Os próprios concorrentes já declararam que Waltz deve e merece ganhar o prêmio. Essa é a única categoria em que houve declarações desse tipo

Contras:
- Só se a academia resolver fazer justiça tardia com o competente Christopher Plummer

Primeira indicação

O vegan gente boa

Woody Harrelson é vegetariano. É politicamente correto. Democrata e muito engraçado. É o tipo de cara que quando faz algo bom, surfa na tendência de premiá-lo. Justamente por isso, e pela bela composição que faz em O mensageiro, seria o grande oponente de Waltz na noite de 7 de março. Seria ou será? “Vou curtir a festa!”, disse o ator a agência de notícias France Press. Para bom entendedor...

Prós:
+ Assim como Waltz está arrebatador na tela
+ É americano e nos últimos anos nenhum americano prevaleceu aqui
+ Esteve em bastante evidência no último ano estrelando os sucessos comerciais 2012 e Zumbilândia
+ Ganhou os três prêmios que Waltz não papou na temporada

Contras:
- Seu filme é bem menos festejado do que o que Watz estrela
- É americano e nos últimos anos nenhum americano prevaleceu aqui
- Ele mesmo já declarou Waltz vencedor
- Nos últimos anos, essa categoria não apresentou surpresas de última hora

Indicações anteriores: Melhor ator por O povo contra Larry Flynt (1996)

O reconhecimento tardio

Aos 80 anos, o veterano ator Christopher Plummer, que estrelou filmes muito premiados pela academia, como A noviça rebelde, recebe sua primeira indicação. É justa, é simpática e merecida. Para todos os efeitos, é suficiente.

Prós:
+ Pode ser beneficiado da política compensatória da academia

Contras:
- Seu filme “diminuiu” durante o curso da temporada de premiações
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- Não é o melhor trabalho do ano, nem mesmo seu melhor trabalho e todo mundo Sabe disso

Primeira indicação

O ator que é sempre bom

Muita gente não conhece Stanley Tucci de nome. Alguns podem lembrar de sua face (já atuou em mais de 60 produções). É aquele tipo de ator que está sempre bem em qualquer papel. Tal qual Richard Jenkis, outro famoso “Já vi esse cara antes” reconhecido com uma indicação no ano passado.

Prós:
+ É uma figura bastante querida em Hollywood
+ Todo mundo diz que ele é a melhor coisa do filme de Peter Jackson
+ Também interpreta um psicopata, característica que tem rendido prêmios na categoria

Contras:
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- O filme pelo qual foi indicado não caiu no gosto da critica

Primeira indicação

O ator que está cada vez melhor

Se teve um ator que evoluiu de forma acachapante nessa década passada, esse ator foi Matt Damon. Camaleônico, esteve em grandes franquias como a trilogia bourne e 11 homens e um segredo e em filmes menores como Syriana e O desinformante. Embora seu papel em Invictus não seja nada de extraordinário, foi um exemplo do comprometimento e dedicação desse devotado ator, e calhou de ser uma bela oportunidade de prestigiar um dos mais versáteis e lucrativos atores da atualidade.

Prós:
+ É o único astro dos indicados

Contras:
- Sua indicação tem um caráter de homenagem, uma vez que Damon teve um bom ano, mas não foi lembrado pela que a critica considerou sua melhor performance no ano (O desinformante)
- O filme que estrela “encolheu”
- A pecha de que a indicação já é suficiente
Indicações anteriores: Melhor ator por Gênio indomável (1998) e melhor roteiro original por Gênio indomável (1998)
Prêmio anterior: Melhor roteiro em 1998