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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Cenas de cinema

Pacino, o grande


O astro americano Al Pacino passou pelo festival de Veneza no último fim de semana para ser homenageado com “um prêmio cuja história eu não estou exatamente familiarizado”, argumentou o ator. Pacino também exibiu no festival italiano Wild Salome, sua nova incursão na direção. Um híbrido de documentário e making of sobre o texto de Oscar Wilde com referências shakespearianas. Pacino, que foi só sorrisos durante sua passagem por Veneza, admitiu ter tido dificuldades em delimitar os rumos do filme.
De qualquer maneira, a presença do ator foi muito festejada e badalada no lido. Ah! O prêmio que ele recebeu já foi outorgado a gente como Takeshi Kitano, Abbas Kiarostami e Sylvester Stallone pela contribuição a arte de fazer filmes.


Dando um tempo nas metáforas
Steven Soderbergh exibiu, fora de competição, Contágio. A ficção científica que conta com grande elenco (Matt Damon, Kate Winslet, Marion Cottilard e Gwyneth Paltrow) recebeu a pecha de “thriller eficiente”. No que o diretor respondeu que estava mesmo “dando um tempo nas metáforas para se divertir”. O que chamou mais atenção no lido foi a aparente indecisão do cineasta quanto a sua aposentadoria. Soderbergh vinha anunciando sua aposentadoria com alarde, mas muitos duvidavam de suas intenções. Antes de chegar em Veneza, o diretor havia concedido entrevista ao New York Times e dito que estava mesmo saturado da pressão de fazer filmes. A ideia era se expressar artisticamente através da pintura e que, se a grana apertasse, poderia retornar com outro filme do Ocean (da série Onze homens e um segredo).
Em Veneza, Soderbergh apresentou uma versão diferente. O cineasta disse que se trata, na verdade, de um período sabático. Fato é que, após lançar em 2011 Contágio e Haywire, o diretor já tem programado para ano que vem Magic Mike, sobre as desventuras do universo do strip masculino com Matthew McConaughey, Jéessica Biel e Channing Tatum. Baseado nas memórias deste último.



No shame at all
Existe um favorito disparado nos bolsões de apostas para levar a Copa Volpi de melhor ator do festival de Veneza 2011. Trata-se do alemão de ascendência irlandesa Michael Fassbender. Presente em dois dos grandes filmes do festival, A dangerous method e Shame, Fassbender vem colhendo elogios fervorosos por sua atuação neste último. Sua segunda colaboração com o diretor Steve McQueen. Em Shame, Fassbender vive um homem solitário com forte compulsão sexual. O ator admitiu que foi difícil rodar algumas cenas mais sensuais, mas disse que ficou feliz com “um filme que fala sobre dilemas essencialmente humanos”. McQueen, por sua vez, disse que agora que seu ator preferido está ficando mais famoso, sabe que irá ficar mais difícil para fazerem filmes juntos. “Não vai ser fácil fazer um filme sem ele!”


O ano dos britânicos
São três candidatos ingleses na disputa pelo leão de ouro. Só perde em quantidade para a produção americana. Mas os britânicos se equiparam em qualidade. Os três filmes ingleses exibidos até aqui acumularam elogios fervorosos. O grande destaque é Shame. Favorito de grande parte da crítica que dá como certo o prêmio de ator para Michael Fassbender. Mas O espião que sabia demais, adaptação classuda do autor John Le Carré, e O morro dos ventos uivantes – nova versão do livro que já foi levado às telas uma porção de vezes – mantiveram um bom nível que desperta burburinho de prêmios. É muito difícil que os três filmes saiam premiados. Se isso vier a acontecer, ficará configurado um feito inédito em Veneza com mais de dois filmes britânicos sendo premiados em uma mesma edição.

O diretor sueco Tomas Alfredson, o quarto da direira para a esquerda, posa com o elenco do filme O espião que sabia demais antes da premiere da fita na noite de segunda-feira (5) em Veneza


Sobre representação
Embora sem provocar o júbilo incensado pelos filmes exibidos nos três primeiros dias de festival, o grego Alpis causou boa impressão. O filme de Yorgos Lanthimos, que já venceu mostras paralelas em Cannes, por exemplo, chamou a atenção dos jornalistas presentes no lido por seu aspecto lúdico e original. A trama acompanha quatro personagens que formam um grupo especializado em substituir pessoas mortas para atenuar o luto da família. “Quis lançar um questionamento sobre representação”, explicou o diretor na coletiva de imprensa. Alpis, pela ousadia, é ventilado como um possível ganhador do prêmio de roteiro.

domingo, 4 de setembro de 2011

TOP 10 - dez diferentes abordagens do terrorismo após o 11 de setembro

O cinema americano, pode-se dizer, ainda não estourou sua cota do 11 de setembro. Ainda há muito a ser rememorado, analisado e aprofundado no cinema. Mas depois do maior atentado terrorista da história da humanidade, a pauta se estabeleceu não só na cinematografia daquele país como na de outros países também. Da Palestina à França, o interesse em refletir a conflagração e as consequências de tamanha hediondez insurgiu com propriedade e diversidade. A seção TOP 10 deste mês apresenta dez abordagens diferentes do terrorismo e seus compulsórios efeitos em filmes que foram produzidos a partir da queda das torres gêmeas.


10 – People - histórias de Nova Iorque, de Danny Leiner (People, 2005)
Esse pequeno filme independente foca em uma Nova Iorque ainda marcada e ressentida dos atentados terroristas de 2001. A ação se passa um ano após os aviões se chocarem com o World Trade Center. A trama do filme de Danny Leiner segue um punhado de personagens, de classes sociais e etnias distintas, tentando superar traumas pessoais com o vestígio dos atentados terroristas impregnado no clima da cidade.
É um trabalho interessante sobre como o ser humano é capaz de se desvencilhar de sombras, mas soa um tanto maniqueísta.


9 - Em busca de Osama Bin Laden, de Roger Goodman (EUA 2002)
Um documentário produzido quase que a toque de caixa por produtores associados à Discovery Network. Com figurões como a ex-secretária de estado americana Condolezza Rice, o ex-secretário da defesa Donald Rumsfeld e mais um punhado de analistas dos serviços de inteligência americano, este documentário alinhado com a visão americana cumpre uma função estratégica: vender o trabalho desempenhado pelo governo republicano de George W. Bush.
É interessante observar, no entanto, o raciocínio político que se estabeleceu a partir dos atentados terroristas de 11 de setembro e como esse filme curto (tem pouco mais de 60 minutos) atende a uma demanda dos americanos naquela época, a cabeça do homem mais assustador que a humanidade viu desde Adolf Hitler. De certa forma, Em busca de Osama Bin Laden alimenta essa iconografia.



8 – As torres gêmeas, de Oliver Stone (World Trade center, EUA 2006)
Quando Oliver Stone anunciou que faria um filme sobre o 11 de setembro, o mundo deu um passo para trás estupefado. O maior conspirador do cinema, reacionário para alguns, que fez um filmaço sobre a morte de JFK, duas espetaculares fitas sobre a guerra do Vietnã e outra certeira sobre Nixon iria, com menos de dez anos de intervalo, aspirar a poeira sobre os escombros da maior tragédia em solo americano. Mas As torres gêmeas não era um legítimo Oliver Stone. Pelo menos sob a perspectiva da intriga. Stone quis fazer uma homenagem àquela figura que saiu maculada da tragédia: os bombeiros.
Seu filme é um cântico de honra e coragem que jubila a profissão e faz do sentimentalismo um cortejo cinematográfico dos mais eficientes em termos dramáticos.



7 - O pecado de Hadewijch, de Bruno Dumont (Hadewijch, FRA 2009)
Na Europa, o preconceito com imigrantes consegue ser ainda mais forte e disseminado do que nos Estados Unidos. A religião, com o Islamismo no centro, é um dos principais focos de conflitos étnicos que marcam a Europa há séculos. De certa forma, esse elogiado filme de Bruno Dumont cerca esse tema. Ao acompanhar Céline (Julie Sokolowski), uma mulher viciada em sofrimento (para fazer uso de uma classificação grosseira mas objetiva), Dumont estabelece matizes para o fanatismo religioso que forja terroristas na Europa oriental e no oriente médio. Um filme introspectivo que pode provocar tanto repúdio quanto fascínio.




6 - 11 de setembro , de Youssef Chachine, Amos Gitai, Alejandro Gonzalez Iñarritu, Shoshei Imamura, Claude Lelouch, Len Loach, Mira Nair, Sean Penn e Danis Tanovic, (11´09´11, FRA/EUA/Egito/Israel/Bósnia/JAP, 2002)
A proposta desse filme reflete a própria proposta desse TOP 10. Universalizar um ato que chocou o mundo e o transformou irreversivelmente. São onze curta-metragens com diferenças de estilo, estética e narrativa que se interrelacionam por ter o 11 de setembro de 2001 como ponto de coalizão. Datas históricas que se erigiram no 11 de setembro, a perspectiva do Oriente Médio, de uma viúva que perdeu o marido nos atentados, entre outras tramas modulam um panorama, ainda que irregular, humano e suficientemente curioso sobre esse evento definidor.



5 - Paranóia americana, de Jeff Renfroe (Civic duty, EUA 2006)
Esse filme descende diretamente do ótimo O suspeito da rua Arlington (1999) que captura maravilhosamente os gargalos da paranóia americana. O filme de Jeff Renfroe atualiza a trama daquele filme com o sabor do 11 de setembro. Um americano desempregado de Nova Iorque (Peter Krause) suspeita que seu vizinho, um estudante islâmico, seja um terrorista e passa a investigá-lo. O filme não tem o mesmo impacto de sua referência estrelada por Jeff Bridges e Tim Robbins, mas mapeia bem o acirramento da tensão étnica em certos bolsões americanos.



4 - Guerra ao terror, de Kathryn Bigelow (The hurt locker, EUA 2009)
A abordagem que esse filme agigantado pelos prêmios que conquistou faz tanto do conflito no Iraque, como do cotidiano de uma guerra enraizada em ações de terrorismo e contra-terrorismo é salutar. Tanto do ponto de vista narrativo, quanto da perspectiva mais global. A guerra que os EUA se lançaram após o 11 de setembro é diferente de todas as outras e este filme, com toda a sua tensão engendrada, expõe isso meticulosamente.



3- O suspeito, de Gavin Hood (Rendition, EUA/África do Sul, 2007)
Um dos reflexos diretos da paranóia que se estabeleceu após os atentados de 11 de setembro foi o chamado “patrioct act”. Medida para lá de problemática perpetrada pelo governo Bush que suspendia, sem aviso prévio, os direitos civis de quem quer que entrasse no radar dos suspeitos dos agentes do governo. Esse filme com elenco de peso (Meryl Streep, Alan Arkin, Reese Whiterspoon, Jake Glynhehaal e Peter Sarsgaard) remonta uma situação recorrente e que rendeu fortes críticas ao governo Bush por parte das Nações Unidas e órgãos dos direitos humanos. Um médico de origem mulçumana (um cidadão egípcio radicado nos EUA) é barrado no aeroporto e, além de ter seus direitos cerceados, é duramente torturado sem indícios sólidos de estar envolvido com células terroristas.
Um ótimo drama e um filme denúncia de grande ressonância.



2- Vôo united 93, de Paul Greengrass (United 93, EUA/INGL 2006)
Uma proposta tão inusitada quanto bem realizada. O inglês Paul Greengrass reproduz aqui, com um elenco formado por atores e profissionais que atuaram na linha de frente do 11 de setembro, os esforços para entender o que se passava a bordo dos aviões sequestrados e, se possível, impedir o pior. Vôo united 93, baseado em transcrições originais, também reproduz o que se passou no interior do vôo que dá título ao filme.
A fita, realista em proporções que escapam às referências, é tensa e emocionante na medida certa. Greengrass encerra seu relato de maneira a constituir uma homenagem àqueles cujas vidas foram ceifadas pelo terror em 11 de setembro de 2001.



1 - Paradise now, de Hany Abu-Assad (Palestina, 2005)


O que faz uma pessoa se tornar homem bomba? Essa é a pergunta chave por trás de Paradise now. Sem ideologismos e respostas fáceis, o diretor Hany Abu-Assad fornece um painel altivo e cheio de ruídos que podem incomodar um olhar ocidental, mas não emite julgamentos. É um filme implacável em sua proposta e irresoluto em seus resultados. Uma análise acinzentada que rejeita critérios obtusos e cerrados de seus interlocutores.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Crítica - Singularidades de uma rapariga loura

Pelo prazer de filmar!

Aos 102 anos, o cineasta português Manoel de Oliveira não carrega apenas a singularidade de ser o mais idoso na função em atividade, é, também, dos mais comunicativos em seu ofício. Seu penúltimo filme, Singularidades de uma rapariga loura (Portugal, 2009), que finalmente chega às telas do país, é um júbilo ao ofício de narrar uma história. A adaptação do conto de Eça de Queiroz é filmada em tom de prosa pelo diretor, que não perde as ilusões poéticas de vista.
Na trama, testemunhamos uma Lisboa moderna que dialoga com o seu passado. Se a moeda corrente é o Euro e os bancos estão em crise (o filme foi rodado durante a forte crise econômica que assolou o mundo em 2008), os hábitos e manejos dos personagens remetem ao antigo. Os enquadramentos de Manoel de Oliveira também. Os cortes são secos, os closes nas faces posadas dos personagens são muitos e o tom é de burlesco mesmo. A prosa que o cineasta português vai desvelando aguça a curiosidade como se fosse um conto que um avô narra com gosto ao neto.
Macário (Ricardo Trêpa) trabalha como contador no armazém do tio, um senhor tão antiquado quanto monossilábico. Um belo dia, ao avistar uma loira tão tímida quanto provocante pela janela se apaixona. Macário se submete às tentações da paixão e decide afrontar o tio, que rejeita a ideia de casamento, para construir uma vida com a loira. Ele se decide por isso antes mesmo de conhecer a moça. Tudo isso, e o resto da história, nos será mostrado em um relato temperado por frustração e ansiedade de Macário para uma estranha em um trem que liga Lisboa ao interior.
Não espere por um filme de viço, Singularidades de uma rapariga loura é tão simplório quanto as fábulas morais infantis. O que interessa ao diretor luso é decalcar a obra de Eça com o requinte que sua bagagem centenária lhe permite.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Cenas de cinema

Falando sobre Kevin
Causou comoção a premiere oficial da fita inglesa We need to talk about kevin, da diretora escocesa Lynne Ramsay. O filme, que acompanha a turbulenta relação de uma mãe com seu filho, busca iluminar as razões que levam um adolescente a tornar-se um psicopata em concepção social. O filme, na exibição para a imprensa na manhã do primeiro dia de competição, foi muito bem recebido. À noite, na exibição oficial causou incômodo. Setores da crítica pontuaram que, tal qual o vencedor da Palma de ouro dois anos atrás (A fita branca), We need to talk about Kevin não é um filme sobre violência, mas sobre como ela se viabiliza.


Elenco em alta
E a fita de Lynne Ramsay já é apontada como digna de prêmios. Mas, curiosamente, os comentários têm se concentrado no elenco do filme. Tilda Swinton, para muitos, vive seu melhor momento como atriz aqui e confirma seu favoritismo (que antes vigorava em virtude do nome da atriz) à Palma de melhor atriz. Outro que causou impacto na riviera francesa foi Ezra Miller, que vive o Kevin do título em sua fase adolescente.

A diretora Lynne Ramsay faz graça ao lado de Ezra Miller: filme causou incômodo e espanto  


Sem saber o que pensar
A crítica não soube exatamente como se posicionar a respeito de Sleeping beauty, primeiro filme da competição oficial a ser exibido em Cannes. O longa australiano, que marca a estréia da diretora Julia Leigh, mostra uma estudante (Emily Browning) que se presta aos mais estranhos favores sexuais. Sedada com drogas (a referência à bela adormecida do título) fica a disposição de homens das mais variadas procedências.
A diretora na coletiva de imprensa mostrou-se tão hesitante quanto a reação da crítica a seu filme. Uma estréia em Cannes, no mínimo, surpreendente.


A primeira porrada em Cannes
O primeiro filme fortemente atacado pela crítica internacional foi Inquietos, do cineasta americano Gus Van Sant, que abriu a mostra Um certo olhar (principal competição paralela à disputa pela Palma de ouro). Van Sant, um dos principais nomes da seleção, na entrevista coletiva comparou o filme a alguns de seus trabalhos anteriores como Últimos dias e Elefante. Mas a crítica discordou. “É um romance adolescente com ingredientes mórbidos muito mal administrados”, escreveu o britânico The Guardian.


O papado segundo Moretti

Nanni Moretti, sempre um favorito na croisette, exibiu seu Habemus papam na manhã do terceiro dia do festival. O filme agradou. A fita mostra o colapso nervoso do novo papa minutos antes de ele ser anunciado pelo Vaticano como o novo pontífice. Um analista é chamado para tentar devolver perspectiva ao papa. Moretti faz o terapeuta. “Habemus papam calibra uma visão especulativa e bem humorada do que ocorre nos corredores do Vaticano” escreveu a Variety.

domingo, 13 de junho de 2010

Insight

Cinema comercial X cinema artístico e a questão da percepção

Na semana passada, a seção Insight focou o cinema de arte, suas adjacências e resiliências. Aprofundando a questão aventada no último domingo, é oportuno discutir a questão da percepção. Afinal, é ela a responsável direta na hora de eleger um filme como artístico ou comercial. Não é preciso ir muito longe para enxergar discrepâncias dentro da própria crítica cinematográfica. Há quem goste de Godard, apenas pelo seu significado cultural (mas na verdade não suporta seus filmes), há quem veja em Godard um rompimento estético saudável, mas pouco substancioso em termos estruturais e há quem pense que Godard é uma fraude. Todos classificam o octagenário cineasta francês como integrante da ala artística do cinema. Essa dicotomia ajuda a mapear o quão subjetiva, embora itinerante, é a crítica cinematográfica. Daí a dificuldade de rotular cineastas como o americano Steven Sodebergh (que alterna trabalhos autorais com projetos mais comerciais). Steven Spielberg é tido como o Midas do cinema blockbuster americano, mas seria injusto dizer que o homem que criou Parque dos dinossauros, E.T, Contatos imediatos do terceiro grau, A lista de Schindler, Munique e Minority report – a nova lei, não seja ele, um legítimo integrante do cinema artístico. Akira Kurosawa, maior cineasta nipônico de todos os tempos (cultuado como um dos pilares do cinema de arte por muitos formadores de opinião) inspirou seu cinema nos westerns americanos de Howard Hawks e John Ford. Almodóvar, sinônimo de cinema de arte nos quatro cantos da terra é sucesso de bilheteria na Espanha, seu país natal.

Godard: Diferentemente de seu parceiro, e posteriormente desafeto, François Trauffaut ele privilegiou um contante rompimento estético. A maioria da crítica admirou mais Trauffaut, mas não ignora Godard

O espanhol Pedro Almodóvar é mais amado pelo público do que pela crítica em seu país. No estrangeiro ocorre o inverso


No Brasil, Fernando Meirelles é um bom exemplo dessa bifurcação. Cidade de Deus, grande sucesso do cinema nacional e um dos catalisadores do bom momento que o nosso cinema vive, é, em última análise, um filme de arte. Tanto que arrebatou Cannes e toda a classe artística internacional que vira e mexe arranja uma brecha para exaltar o filme de Meirelles. Cidade de Deus é comercial? Também. Linguagem, ambientação e estrutura narrativa facilitam essa percepção. Ao confluir arte e indústria, Meirelles obteve sucesso em uma seara difícil. É lógico que um filme comercial não nega a arte, mas tão pouco a reafirma. Meirelles pensou primeiro no que tinha que dizer e depois na forma de fazê-lo. Essa é ainda a melhor maneira de se “pensar” cinema. E ao se contemplar um filme, é possível intuir qual foi a atitude do cineasta.


Fernando Meirelles exige controle criativo sobre seus filmes. Ele se incumbe de pensá-los primeiro


É lógico que há filmes que obedecem apenas a lógica mercantilista dos estúdios e mega produtores. Era assim na era de ouro de Hollywood e ainda é assim na era da internet. Existe uma horinzontalização da produção cinematográfica. Adaptações de HQs, remakes, reboots, continuações. Hollywood gosta de operar dentro de uma margem de segurança. Mas até mesmo nesse nicho tão bem resolvido existe espaço para divagações artísticas. O que dizer de filmes como Batman – o cavaleiro das trevas, Os bons companheiros de Scorsese, ou até mesmo O poderoso chefão de Coppola (uma superprodução dos anos 70)?
São filmes - a primazia - comerciais, mas com fortes componentes ligados ao cinema de arte.
Como pode se ver, a percepção no que toca a definição de artístico e comercial é traiçoeira. Roman Polanski é outro exemplo interessante. Campeão de bilheteria na França nos anos 60 e 70 e não tão valorizado por lá até bem pouco tempo atrás, Polanski sempre foi tido como expoente do cinema de arte em outros lugares do mundo (como no Brasil). A tal da percepção passou a ficar mais homogênea (ou influenciável) com o advento da internet e da indefectível globalização. A teoria do autor (teoria de cinema popularizada com o surgimento da Nouvelle Vague nos anos 60) ainda é parâmetro para se medir o cinema de arte. Mas já há concessões. A tolerância ao cinema de arte é hoje muito maior do que no passado. Prova disso foi a vitória do filme Uncle Boonmee Who can recall his past lives no festival de Cannes deste ano. O diretor Apichatpong Weerasethakul admitiu que gosta de filmar sem roteiro. Que se pudesse escrever o que gostaria de filmar, não faria um filme, faria outra coisa. Isso diz muito sobre a percepção de arte no cinema hoje. Os engajados nesse tipo de cinema que não necessariamente é arte, embora seja tomado como tal, se orientam pela lógica brilhantemente capturada pelo pensador Millôr Fernades: “Se se ganha dinheiro, o cinema é uma indústria. Se se perde, é uma arte!” No fim das contas, essa deturpação sociológica é dominante.


Cena de O escritor fantasma, último filme de Roman Polanski: Um diretor de forte identidade autoral que até bem pouco tempo atrás não era valorizado em seu país

terça-feira, 8 de junho de 2010

Movies Great Partnerships - Elia Kazan & Marlon Brando



Existem parcerias no cinema que existem por um curto período criativo, mas cuja intensidade reverbera por décadas. Não há exemplo mais feliz dessa constatação, talvez seja até mesmo o único caso, do que a parceria entre o diretor turco, filho de gregos, Elia Kazan e o ator que por muitos é considerado o maior de todos, Marlon Brando. Foram apenas três filmes em um período de 4 anos. Mas esses trabalhos foram, pela ordem, Uma rua chamada chamada pecado (1951), também conhecido no Brasil como Um bonde chamado desejo, Viva Zapata (1952) e, talvez o melhor dos três, Sindicato de ladrões (1954).
Nem Marlon Brando, nem Kazan eram grandes em seus ofícios e a parceria lhes valeu o reconhecimento que precisavam para se imortalizarem. Uma rua chamada pecado foi apenas o segundo filme de Brando, enquanto que Kazan – apesar de já ostentar alguns trabalhos – ainda não tinha prestígio e cacife em Hollywood.
Ambos uniram-se para contar histórias proletárias. Imigração, corrupção, violência e o torpor do desejo foram características entremeadas nos três trabalhos que fizeram juntos.
Uma rua chamada pecado, é bem verdade, tinha pedigree. Baseada na famosa peça de Tennessee Williams, o filme foi indicado a 12 Oscars. Foi a primeira indicação de Kazan como diretor e de Brando como ator, nenhum dos dois venceria, mas a consagração do filme antecipava a consagração da dupla.


Cena de Uma rua chamada pecado: Desejo e tensão sexual em produção com elenco premiado



Explode um novo símbolo sexual: Marlon Brando passou a ser referencial de masculinidade no cinema


O papel valeu a Brando, ainda, o status de símbolo sexual. Tanto o ator quanto o diretor irromperiam por polêmicas no fim da década, mas a qualidade do trabalho que realizaram juntos se imporia na memória cultural. Antes de Brando ter problemas conjugais, suspeitas pairando sobre sua sexualidade e de se engajar de forma agressiva na causa indígena e de Kazan colaborar com o macarthismo, eles realizaram Viva Zapata, filme sobre o revolucionário mexicano Emilio Zapata, e Sindicato de Ladrões. O primeiro filme valeu a Brando mais uma indicação ao Oscar de melhor ator e foi louvado em muitos festivais, além do sucesso crítico que amealhou. Já a derradeira colaboração recebeu 12 indicações ao Oscar e prevaleceu em oito, inclusive nas categorias de ator (para Brando) e direção (para Kazan). O filme é uma forte crítica a nossa organização social. Às manobras políticas que ditam o rumo das vidas de trabalhadores e pessoas de bem e aos interesses escusos que lhe dão sustentação. Ainda hoje, o filme é lembrado como um clássico maior que seu tempo.


O cartaz da segunda, aguardada e louvada colaboração entre Kazan e Brando



Marlon Brando em cena de Sindicato de ladrões: Para muitos, uma das melhores performances de todos os tempos


Kazan viu-se execrado pela classe artística quando colaborou com a caça aos comunistas perpetrada pelo senador americano Joseph McCarthy. Ironicamente, Sindicato de ladrões foi a combustão que seus detratores precisavam para tomar o diretor turco como hipócrita. Tanto Brando quanto Kazan partiram inferiorizados pelos escândalos e pela perda de relevância que o tempo cuida de providenciar a quem muito se dedica a arte. Entretanto, vistos no cosmo dessa parceria, não há como contestar, questionar ou evitar o aplauso para três filmes que primam pela excelência e constituem uma parceria, literalmente, sem par na história do cinema.

Elia Kazan em foto anterior a sua consagração: Nos anos 50 nenhum diretor foi tão bem sucedido artisticamente quanto ele no cinema americano

domingo, 30 de maio de 2010

Insight

O que esperar do verão americano 2010?

A temporada mais lucrativa do cinema já começou. Homem de ferro 2 já soma mais de U$ 580 milhões de dólares e já despontou como forte candidato a campeão da temporada. Robin Hood, por sua vez, já é forte candidato a grande decepção da temporada. A fraca bilheteria já antecipa isso. O filme estrelado por Russel Crowe, depois de duas semanas em cartaz, ainda não chegou aos U$ 100 milhões no mercado americano. Já foram lançados também o remake do terror A hora do pesadelo e a continuação de Sex and the city, a versão cinematográfica da famosa série de TV.
Mas tem muita coisa boa e muita coisa que parece boa chegando por aí. A seção Insight de hoje dá uma chacoalhada na poeira e aponta a direção dos principais lançamentos do verão americano de 2010.

Angelina Jolie em um cartaz promocional de Salt, filme de espionagem dirigido por Phillip Noyce (Jogos patrióticos)

As estrelas
Não tem jeito. Os super-heróis são a matéria prima dos filmes de ação e entretenimento hoje em dia, mas não tem como prescindir de uma boa estrela de cinema. E no verão 2010 elas são o feijão com arroz dos principais lançamentos. Angelina Jolie, Tom Cruise, Russel Crowe, Robert Downey Jr., Robert Pattinson, Bradley Cooper, Jackie Chan, Mark Wahlberg, Will ferrel, Steve Carell, Megan Fox, Ashton Kutcher, Adrien Brody, Adam Sandler, Chris Rock, Leonardo DiCaprio, Nicolas Cage, Matt Damon, Julia Roberts, Javier Bardem, Drew Barrymore, Sylvester Stallone, Luke Wilson, Jennifer Aniston, Cameron Diaz e Mickey Rourke darão as caras em superproduções nesta temporada.
É muita gente boa. 2010 marca outro dado interessante que foge a regra de outros verões. É o verão com mais filmes originais e franquias novas dos últimos tempos. Christopher Nolan reuniu um baita time de atores, encabeçado por Leonardo DiCaprio, para fazer um filme original sobre um mercenário especialista em roubar sonhos. A origem, que além de DiCaprio traz no elenco nomes como Michael Caine, Ken Watanabe, Marion Cottilard, Ellen Page, Cillian Murphy e Joseph Gordon Levitt, estréia no Brasil em 6 de agosto. Também originais são os filmes Salt, fita de ação estrelada por Angelina Jolie, Encontro explosivo, comédia de ação na linha Sr. E Sra. Smith protagonizada por Tom Cruise e Cameron Diaz, Par perfeito, nova produção estrelada pela ascendente Katherine Heigl (dessa vez com a companhia de Ashton Kutcher) e Gente grande, comédia que reúne gente como Adam Sandler, Rob Schneider, Chris Rock, David Spade e Kevin James.
Leonardo DiCaprio e Joseph Gordon Levitt não são tão bonzinhos assim em A origem


Antônio Banderas volta a encarnar o gato de botas (um pouco mais gordo, mas com o mesmo charme) em Shrek para sempre

Seguindo aquela velha fórmula...
Mas o verão americano também traz mais do “delicioso” mesmo. O terceiro filme da saga Crepúsculo, Eclipse, chega em 30 de junho para mobilizar as atenções. Predadores, é o reboot (reimaginação) do filme de 1987 estrelado pelo atual governador da Califórnia e traz a brasileira Alice Braga na linha de frente ao lado do improvável Adrien Brody. Jerry Bruckheimer acabou de lançar nos EUA a adaptação do videogame Príncipe da Pérsia: areias do tempo (que chega sexta-feira aqui no país) e já se prepara para lançar em julho uma adaptação literária de pedigree; Aprendiz de feiticeiro traz a vitoriosa equipe de A lenda do tesouro perdido. Ou seja, Nicolas Cage estrela e o diretor é Jon Turteltaub. Por falar em adaptação, no inicio de agosto chegará ao país O último mestre do ar, o mais novo filme do diretor de O sexto sentido, M. Night Shymalan. A adaptação do desenho Avatar (nada a ver com o filme de James Cameron) é a última chance do indiano de retomar o sucesso comercial de outrora. Esse também é seu primeiro trabalho não original. Outro livro de sucesso ganha as telas em versão vitaminada. Trata-se de Comer, rezar e amar. Filme que traz Julia Roberts e Javier Bardem no elenco. Na fita que chega aos cinemas também em agosto, o ator espanhol vive um brasileiro que se enamora pela turista acidental vivida por Roberts na Índia.


Errata: Reparem que os números da legenda estão diferentes dos números das imagens. Foi um pequeno erro na hora do tratamento da imagem. Fica o pedido de desculpas!

Séries de TV dão certo no cinema e depois das meninas de Manhatan voltarem para a grande tela é a vez dos brucutus de Esquadrão A fazerem um debute em grande estilo no dia 11 de junho. A Warner/DC não quer deixar o ouro na mão da Marvel e apresenta para o mundo, também em junho, Jonah Hex, personagem do selo Vertigo da editora. No filme que mistura faroeste e sobrenatural, Josh Brolin, Megan Fox e John Malkovic.
Quem ganha uma atualização, por sinal, é karate kid. A nova geração vai conhecer a clássica história dos anos 80 com Jackie Chan e Jaden Smith (filho de Will Smith) fazendo as vezes do senhor Miagui e de Daniel san. E por falar em continuidade de uma história clássica, a Pixar retoma suas origens com o aguardado Toy Story 3 (que terá especial aqui em Claquete escolhido pelo leitor). A Dreamworks promete encerrar as histórias do ogro mais querido do mundo em Shrek para sempre que chega no dia 9 de julho. Outra figura de aparência asquerosa que retorna nesse verão é Nanny McPhee, a babá encantada, que volta em agosto para levar disciplina a um outro grupo de crianças levadas.
Para levantar fumaça: Bradley Cooper e Liam Neeson estão a frente do Esquadrão Classe A


Ken (isso mesmo, o marido da Barbie) é um dos novos personagens de Toy Story 3


O melhor do resto
O que pirahas e Stallone podem fazer por você? Muito, se o seu negócio é ação descerebrada. Sylvester Stallone reúne um time de fortões e astros de ação para fazer uma ode ao cinema brucutu dos anos 80 em Os mercenários. O filme que foi parcialmente gravado no Rio de Janeiro estréia em agosto. Antes disso, Piranhas 3D promete muito sangue em terceira dimensão. Matt Damon segue na espionagem em The adjustment Bureau, sobre um político que se vê no meio de uma teoria conspiratória, Steve Carell vive um idiota carente em Dinner for Schmucks. O nome do filme, reparem, é jantar para idiotas. Mark Wahlberg quer fazer rir ao lado de Will Ferrel na comédia de ação The other guys e não esqueçam de Gordon Gekko. O célebre guru de Wall Street vivido por Michael Douglas está de volta em Wall Street: o dinheiro nunca dorme, no filme mais improvável desta temporada e, por isso mesmo, um dos mais aguardados.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

Repercutindo Cannes 2010

O triunfo tailandês, além de imprevisto, soou indisgesto na crítica internacional


E nesta segunda-feira a imprensa mundial pôs-se a repercutir o resultado de Cannes 2010. A crítica, mais perplexa, ainda procura se situar e entender o sentido por trás de uma premiação totalmente imprevisível e revestida de critérios discutíveis, uma vez que o filme vencedor não despertou o menor interesse de grande parte da crítica.
Essa afirmação não implica que a fita tailandesa seja ruim, apenas relativiza sua qualidade. Lung Boonmee Raluek chat, diferentemente de longas como Outrage e Poetry, que despertaram reações difusas, mas enfáticas da crítica, não superou a pecha de banal. Teve pouco destaque na imprensa internacional e não provocou o menor otimismo da crítica. Muito pelo contrário, as reações diversas ao filme só surgiram depois da confirmação da vitória. A Folha de São Paulo, que garantiu uma das melhores coberturas do festival na imprensa brasileira, escreveu nesta segunda que Cannes privilegiou um cinema mais autoral em detrimento de uma lógica mais industrializada. De certa forma, comungou com o pensamento do presidente do júri. Burton justificou a Palma de ouro para Lung Boonmee Raluek chat da seguinte maneira: “O mundo está ficando menor, e os filmes estão ficando mais ocidentalizados ou hollywoodizados. Para mim, este foi um filme que eu senti que estava assistindo de outro país, de outra perspectiva”. No entanto, é inescapável a clara conotação política que o prêmio carrega. A Tailândia atravessa grave crise institucional e o país está às vésperas de uma guerra civil, a visibilidade que a Palma de ouro acarreta, portanto, é importantíssima para dar voz aos dramas do país na imprensa internacional.

Amalric recolhe sua Palma pela direção de Tournée, ao lado de integrantes do elenco de seu filme: imprensa francesa foi a mais feroz, apesar de três prêmios entregues a franceses


Contudo, no geral, o prêmio para o filme tailandês não foi bem recebido. Especialmente na Europa. O jornal francês Le Figaro destacou em manchete “Palma do tédio”, para o diário francês, a vitória do filme tailandês no festival reflete uma “esquizofrenia criativa” de Cannes. Já o Le Monde foi mais diplomático. Lembrou que os franceses foram bem contemplados com as vitórias de Juliette Binoche e do diretor Mathieu Amalric, além do grande prêmio do júri para Des hommes et dieux. Contudo, o jornal lembra que a vitória da fita tailandesa deixa clara a inferioridade da seleção desse ano em comparação aos anos anteriores, em especial 2009. A imprensa italiana também destacou a vitória tailandesa de forma negativa. O jornal Corriere della sera vaticinou: “ Imperdoável!” Para o diário, não é compreensível a vitória tailandesa com filmes consideravelmente mais fortes em disputa. “Another year e Biutiful são produções mais encorpadas”, sublinhou o jornal.

Javier Bardem foi uma das poucas certezas da noite: o espanhol (na foto ao lado do Elio Germano com quem dividiu o prêmio) fez declaração de amor a sua namorada, Penelope Cruz

A Variety classificou a vitória de Lung Boonmee Raluek chat como “surpreendente”. Diferentemente da maior parte da crítica americana, preferiu não polemizar. E qualificou a fita tailandesa como boa, embora com a ressalva: “Mas, talvez, não merecesse o principal prêmio.”

domingo, 23 de maio de 2010

Cannes updated # Final Cut

A volta por cima dos asiáticos
Como previsto desde o início, a Palma de ouro foi para um filme asiático. Lung Boonmee Raluek Chat, de Apichatpong Weerasethakul, levou a Palma de ouro neste domingo. Apesar do agito da crítica em torno de filmes como o ucraniano My joy e o inglês Antoher year, a Palma acabou ficando com a produção tailandesa que mostra um homem a beira da morte em contato com os espíritos de pessoas que já morreram.
Outro asiático também levou um prêmio de grande ressonância, o sul coreano Poetry, que foi taxado pela critica como “normal e aborrecido” ficou com o prêmio de roteiro.

A dor mais doída
Aos favoritos que ficaram sem nada, resta o consolo da aclamação crítica em um festival marcado pela obviedade. “Não tiveram grandes filmes”, escreveu a Variety que elegeu os novos de Inãrritu, Loach e alguns destaques da mostra Um certo olhar como os principais filmes da edição. Aos favoritos da crítica, em que figuravam Loach, Iñarritu, Leigh e o ucraniano Loznitsa, resta o consolo de serem os favoritos da crítica, já que saíram de mãos abanando. Com exceção de Inãrritu que viu seu protagonista, Javier Bardem dividir o prêmio de atuação masculina com Elio Germano, de La nostra vitta, considerado um dos piores filmes pela crítica.

Até que Claquete foi bem
Dos sete prêmios em que arriscou palpite, o blog acertou três. Tendo em vista que o favoritismo foi posto de lado e que candidatos que nem mesmo receberam atenção da mídia especializada sagraram-se vencedores, o blog mandou bem.

A primeira impressão é a que fica
Tournée foi o primeiro filme na disputa pela Palma de ouro a ser exibido e não despertou nenhum entusiasmo. O filme de Amalric não era apontado para nenhum prêmio pelos entendidos de Cannes. Mas os entendidos pouco entendem, e o diretor (em seu quarto filme) faturou a Palma de direção. Desbancando algumas figuras que muitos creem mereciam mais.

Um prêmio com a cara de Burton
Todo mundo diz que o presidente do júri exerce uma grande influência, para não dizer que é ele quem decide, na hora de escolher o vencedor da Palma de ouro. Quem não lembra da polêmica vitória do documentarista Michael Moore com Fahrenheit 11 de setembro no júri presidido pelo cineasta Quentin Tarantino em ano de eleição americana? O que dizer de um filme tailandês que aborda um homem que fala com espíritos como forma de abrandar o medo da morte em um júri presidido pelo incomum Tim Burton que já trouxe ao mundo pérolas como Edward mãos de tesoura e Noiva cadáver. É possível dizer que esta teoria é mais provável do que pensa nossa vã filosofia.

O francês obrigatório
E como não podia deixar de ser um filme francês saiu premiado da riviera francesa. O filme Des Hommes et des Dieux, de Xavier Beauvois, levou o grande prêmio do júri, que é uma espécie de segundo lugar no festival. Diferentemente do grande vencedor, algum prêmio para Beauvois já era antecipado pelos entendedores de Cannes.

A quase zebra
O italiano Elio Germano bem que tentou, mas o máximo de zebra no campo das atuações foi a divisão do troféu de melhor ator entre ele e o espanhol Javier Bardem. Entre as mulheres, a francesa Juliette Binoche ficou com a Palma de ouro de melhor atriz pelo filme Copie conforme.


Sem mais rodeios, os vencedores da 63º festival de Cannes

Palma de Ouro

Lung Boonmee Raluek Chat, de Apichatpong Weerasethakul

Ator

Javier Bardem de Biutiful e Elio Germano de La Nostra Vita

Atriz

Juliette Binoche de Copie Conforme

Direção

Mathieu Amalric por Tournée

Roteiro

Lee Chang-Dong por Poetry

Curta-metragem

Un Chienne d'Histoire, de Serge Avedikian

Camera d'Or

Año Bisiesto

Prêmio do júri

Un Homme qui Crie, de Mahamat-Saleh Haroun

Grande Prêmio do júri

Des Hommes et des Dieux, de Xavier Beauvois

sábado, 22 de maio de 2010

Os 25 melhores filmes da década: Apêndice - parte 1

Antes da divulgação do melhor filme da década (na verdade, ele já será mencionado hoje), como um baita aperitivo, Claquete preparou esse especial com curiosidades e detalhes sobre os 25 melhores filmes da década (2000 - 2009) eleitos pelo Blog.



Quem participou de Cannes, Veneza e Berlim?
Cannes:
+ Fale com ela
+ Cidade de Deus (fora de competição)
+ Moulin Rouge – amor em vermelho (fora de competição)
+ Onde os fracos não têm vez
+ Marcas da violência (fora de competição)
+A promessa
+ O pianista
+ Bastardos inglórios
+ Sobre meninos e lobos
+Match point – ponto final (fora de competição)

Veneza:
+ Colateral (fora de competição)
+ A vida dos outros
+ Não estou lá
+ O segredo de Brokeback Mountain

Berlim:
+ Medo da verdade (fora de competição)
+Munique (fora de competição)
+ A promessa






O filme mais caro: Batman –o cavaleiro das trevas = U$ 190 milhões
O filme mais barato: Match point – ponto final = U$ 12 milhões (valor convertido de libras)

Ele é o cara


O ator que mais colecionou indicações ao Oscar na década (foram 4 indicações e duas vitórias), marca presença na lista tanto como ator, tanto como diretor. Sua performance premiada em Sobre meninos e lobos, o sexto filme do ranking é tão arrebatadora quanto seu discreto, porém firme trabalho na direção do poderoso drama A promessa, o décimo segundo filme no ranking.


Ele é o cara 2


E se tem alguém que bate Sean Penn nesse ranking é Clint Eastwood. Assim como Penn, ele aparece na lista como ator e como diretor, só que em dobro. Como ator, Clint foi lembrado nos filmes Menina de ouro e Gran Torino, filmes que também dirigiu. Além, é claro, de ter contribuído grandemente para que Penn, também fosse um dos caras dessa lista.

Ele é uma senhora fonte


Denis Lehene acaba de ter mais uma obra sua adaptada com maestria para o cinema. Martin Scorsese enobreceu a literatura de Lehene com Ilha do medo, lançado nos cinemas em março deste ano. Mas Ben Affleck com Medo da verdade (18º da lista) e Clint Eastwood com Sobre meninos e Lobos (6º da lista), o fizeram antes. De qualquer maneira, Lehene se mostrou uma fonte preciosa para o cinema nessa década passada.


As versões do nazismo
Dois filmes que abordam de maneira diferente o nazismo figuram na lista de Claquete, separados apenas pelo filme Munique (que também tem judeus em seu entorno). O pianista (11º) e Bastardos inglórios (9º) mostram respectivamente toda a crueza do nazismo e um fim mais apropriado para ele. Polanski e Tarantino, cada qual a sua maneira, extirparam fantasmas.


Os mestres da sinfonia


Clint Eastwood

Pois é, já deve estar cansando, mas sem dúvida alguma, Clint Eastwood foi o artista americano da década. Em termos de ressonância e qualidade ninguém foi mais prolífero do que ele. E o fato de ter encaixado três filmes na lista dos 25 melhores filmes da década atesta isso.


Mike Nichols


Ele já mereceria essa menção só por ter realizado o melhor filme da década, mas Nichols também emplacou outro trabalho na lista. Jogos do poder aparece na décima sexta posição. O que torna o feito de Nichols ainda mais notável é que esses dois filmes foram os únicos que ele dirigiu na década passada.
Ben Affleck

Ator canastrão e figura carimbada na celebrity gossip, poucos acreditavam que Affleck poderia ser um diretor de talento. Seu primeiro filme arrebatou a critica americana e valeu-lhe o passe para o ranking dos 25 melhores filmes da década. É o único diretor estreante na lista. Algo marcante e digno de nota.
Ainda hoje será publicada a segunda parte do apêndice do especial sobre os 25 melhores filmes da década. Fique por perto!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Cannes updated # 10

A maturação de Garrel
A estréia do principal ator francês da atualidade, Louis Garrel, na direção foi um acontecimento. Petit Tailleur é um média metragem ( cerca de 45 minutos) que faz parte da quinzena dos realizadores. Uma mostra paralela que ocorre no festival de Cannes e que até hoje estava esvaziada de interesse. Não é a toa, que essa é a primeira menção da mostra aqui em Cannes updated. O filme em preto e branco mostra um jovem alfaite que se apaixona por uma garota e decide abandonar tudo, inclusive, o homem que o acolheu, criou-o como filho e ensinou tudo que sabe. A estréia de Garrel foi um sucesso. A critica se derreteu mais ainda quando na entrevista coletiva, o ator/diretor admitiu que o cineasta francês François Truffaut foi uma clara e bem vinda referência.


Na entrevista coletiva, o filho de um dos maiores cineastas franceses (Philip Garrel), se derreteu por um dos ícones da Nouvelle vague

Antes dos melhores, os piores
Diferentemente dos últimos dois anos não há um favorito absoluto a Palma de ouro. Dividem o favoritismo, com certa paridade, o inglês Another year, de Mike Leigh, o mexicano Biutiful, de Alejandro Gonzalez Iñarritu e a co-produção entre Alemanha e Ucrânia My Joy, de Sergei Loznitsa. Com forte apelo também estão o mais recente Ken Loach, Route irish, e o novo do iraniano cult Kiarostomi, Copie conforme. Mas os piores filmes da seleção oficial já parecem definidos. Segundo cotações de críticos presentes no festival, o gangster japonês Outrage e o drama familiar italiano La nostra vitta já angariaram esses ingratos títulos.

E os asiáticos ficaram para trás
Pode ser cedo. Afinal, críticos e júri nem sempre estão em harmonia. Mas Cannes 2010, que tem forte presença asiática, parecia destinado a ter um filme daquele continente vencedor da Palma de ouro. Dificilmente um asiático não será premiado, mas conforme a lista de favoritos demonstra, um asiático levar a Palma de ouro agora, seria considerado zebra.

Apostas Claquete para a premiação de domingo
Essa é a última coluna Cannes updated antes da divulgação dos vencedores do festival. Claquete antecipa quem deve sair com os principais prêmios na seleção oficial.

Palma de ouro
Grande probabilidade: Another year, de Mike Leigh (INGL)
Chances reais: My joy, de Sergei Loznitsa (Ucrânia/Alemanha)
Pode acontecer: The housemaid, de Im Sangsoo (Coréia do sul)

Grande prêmio do júri:
Route irish, de Ken Loach (Ingl/IRL)

Prêmio do júri:
Os mesmos listados como possíveis vitoriosos da Palma de ouro e o francês Des Hommes et des Dieux, de Xavier Beauvois (França)

Ator:
Javier Bardem (Biutiful)

Atriz:
Juliette Binoche (Copie conforme)

Diretor:

Mike Leigh ou Sergei Loznitsa

Roteiro:

My Joy, de Sergei Loznitsa (ALE/UCR) ou The housemaid, de Im Sangsoo (Coréia do Sul)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cannes updated # 9

Meu negócio é espionagem
O diretor Doug Liman apresentou hoje no festival o único filme americano em competição pela Palma de ouro. Fair Game, no entanto, não causou grande impacto. Liman recusou a pecha de filme político. Para ele, o que o atraiu na história foram os personagens. “Não vejo Fair game como um filme político, mas como a história de dois grandes personagens. Um casal envolvido em uma grande polêmica. Não estou certo se quis passar uma opinião forte a respeito do caso”.
A trama do filme reconstituí um episódio que marcou o início da guerra do Iraque. Quando a Casa Branca vazou o nome da agente da Cia, Valerie Plame, em retaliação a um artigo assinado pelo marido dela no New York times em que defendia que o Iraque não tinha armas de destruição em massa.

O diretor Doug Liman (destaque da foto) concedeu entrevista coletiva esta manhã em Cannes

Um italiano familiar
Também sem grandes adornos, foi exibido o único italiano na briga pela Palma de ouro. La nostra vitta, de Daniele Luchetti tenta explicar as mudanças sociais na Itália a partir do retrato que faz de uma família. “Mas é profundamente mal sucedido”, vaticinou a Vanity fair.

Um Stephen Frears diferente
Stephen Frears volta a Cannes este ano, fora de competição, com uma comédia doce e romântica. Tamara Drewe é estrelado por Gemma Artenton (que estréia no mês que vem o blockbuster Príncipe da Pérsia) e mostra uma garota que volta a cidade natal com um visual diferente. Causando furor na cidadezinha. Ela desperta atenção de vários homens na cidade. Para a Variety, o filme é “mais apimentado do que as comédias românticas americanas e genuinamente engraçado”. Vale a pena ficar de olho.

Para aplaudir
Ontem você ficou sabendo aqui em Cannes updated que Carancho, novo trabalho do diretor Pablo Trapero foi o filme mais aplaudido do festival até aqui. Integrante da mostra Um certo olhar, o filme argentino é um dos principais destaques do festival deste ano. Claquete traz o trailer do filme para você.





Xis

Olha quem apareceu em Cannes ontem para uma festa promovida por uma grife italiana em Cannes: a top model brasileira Ana Beatriz Barros esteve na mesma festa que Johnny Depp e a esposa Vanessa Paradis prestigiaram

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Cannes updated # 8

Produção ucraniana causa furor em Cannes
My Joy, co-produção entre Alemanha e Ucrânia, dirigido pelo bielo-russo Sergei Loznitsa foi exibido na noite de ontem em Cannes. O filme impressionou a critica pela voracidade da história e pela brutalidade com que o diretor a apresenta. A fita acompanha a história de Georgy, um caminhoneiro que depois de uma batida policial abusiva, adentra uma espiral de violência. Chamou a atenção da critica em Cannes, a engenhosidade da trama, com valorosos truques de montagem, e o retrato pessimista que faz da Rússia. O filme já é cotado para prêmios. A Palma de roteiro, ou até mesmo direção, são apostas seguras.

O diretor Sergei Loznitsa, no centro, e o elenco de seu filme: sensação em Cannes

Negócio fechado
A Sony Pictures Classics, selo de arte do grupo Sony, fechou a aquisição de Another year, novo filme de Mike Leigh, que foi um dos destaques desta edição do evento e é forte candidato a Palma de ouro no fim de semana. A Sony Pictures Classics tem tradição de distribuir no mercado americano filmes europeus que fazem sucesso em Cannes e em outros festivais. Na última edição do Oscar, emplacou entre os dez filmes finalistas, outro drama inglês, Educação.

Um legítimo Godard
Dois dias depois da exibição de Film socialisme, o mais recente filme de Jean Luc Godard, o diretor francês ainda é assunto na riviera francesa. O que se fala de seu filme é que nem todo mundo o entendeu, mas ficou claro o que Godard quis dizer com ele. É mais um ataque do veterano socialista a questões capitalistas como direitos autorais, oriente médio e política.
No filme, a tradicional colagem de imagens de Godard ganhou uma “tradução” redigida pelo próprio diretor nas legendas em inglês do filme. Com passagens em francês e alemão, Godard “traduziu” para o inglês as ideias chaves dos debates aos quais se lança. Produzindo assim significados diferentes de acordo com a formação linguística de seu espectador.

A rota de Ken Loach
Ken Loach esteve em Cannes ano passado, fora de competição, com o agradável A procura de Eric. O filme, de tom esperançoso, foi tomado como uma anomalia na carreira do cineasta tão propenso ao pessimismo. Este ano, Loach foi incuído – nos últimos minutos – na competição oficial com o drama Route irish. O filme ainda não teve sua premiere em Cannes. Alguns críticos e jornalistas, no entanto, já conferiram. O crítico Kirk Honeycutt do Hollywood Reporter vaticinou: “Loach volta a falar sério sobre política em um thriller que se vale das empresas de consultoria de segurança no Iraque”. O crítico argumenta que Loach evita o lugar comum e extrai um poderoso drama sobre o luto e realiza um tenaz comentário político com seu filme ambientado no Iraque sitiado. Para o crítico, o filme se encaixa no realismo social e nas preocupações políticas que marcam a trajetória do cineasta. Ainda segundo Kirk, é difícil crer que Loach saia de mãos vazias da edição 2010 do festival.
Vale lembrar que Loach levou a Palma de ouro em 2006 por outro filme ambientado em uma guerra, Ventos da liberdade.



Xis


O cineasta egípcio Atom Egoyam (à esquerda) e o diretor brasileiro Cacá Diegues (no centro) estiveram hoje na riviera francesa. Ambos fazem parte do júri de uma mostra paralela do festival

Com agências internacionais

domingo, 16 de maio de 2010

Cannes updated # 5


Depois do cineasta mais velho, um dos mais jovens
A mostra Um certo olhar teve como destaque há dois dias o português Manoel de Oliveira que, aos 101 anos, apresentou seu novo filme. O estranho caso de Angélica, de alguma maneira, aborda a obsessão. O mesmo ocorre em Amores imaginários, filme francês do jovem diretor canadense Xavier Dolan, de apenas 21 anos. Na trama, dois jovens amigos (um garoto homossexual e uma menina) se apaixonam por um rapaz vindo do interior. Surge, aos poucos, uma rivalidade entre eles. Amores imaginários impressionou a critica em Cannes, valendo a Dolan (que está em seu segundo filme) comparações com Woody Allen.


Violência à japonesa
Outrage, novo filme do cineasta japonês Takeshi Kitano, marca seu retorno ao mundo dos mafiosos. Um retorno regado a violência. “Eu filmo violência intencionalmente para fazer o público sentir dor”, disse o diretor justificando o alto número de membros decepados e miolos à mostra. Segundo informes da riviera francesa, muitos deixaram a sala de exibição durante a projeção da fita. Contudo, a crítica se mostrou receptiva ao novo trabalho do diretor de Brother.


A pele que eu habito
Em Cannes, para celebrar o cinema, Pedro Almodóvar já assegurou distribuidor para seu novo filme, cujo título também foi anunciado neste domingo. O filme que reunirá o diretor espanhol e Antônio Banderas 20 anos depois de Ata-me se chamará A pele que eu habito e será sobre um cirurgião plástico que se vinga do estuprador de sua filha. Almodóvar classificou o filme, que não será um trabalho original, como um filme de terror sem gritos.


Para a Variety, surge o primeiro favorito
A Variety, que publica edição diária na riviera francesa, já elegeu o seu favorito à Palma de ouro até aqui. Another year, de Mike Leigh, que foi considerado como um trabalho típico do diretor, despontou no quadro de críticos da publicação. Ainda é cedo para dizer (e raramente as previsões da variety se confirmam em Cannes), mas Leigh é um dos poucos autores renomados em competição esse ano. A Variety aposta com margem de segurança!

sábado, 15 de maio de 2010

Cannes updated # 4

Phoenix de volta a cena
Ele queria ser rapper. Ou queria nos fazer acreditar nisso. Se muita gente desconfiava das motivações que levaram Joaquin Phoenix a anunciar uma precoce aposentadoria como ator, muita gente passou a crer que ele esteja mesmo um tantinho insano. Ele esteve em Cannes essa semana tentando vender o documentário rodado pelo cunhado Casey Affleck que seria sobre essa jornada amalucada de Phoenix em busca do “sonho” de ser rapper. I´m still here: the lost year of Joaquin Phoenix foi exibido para potenciais distribuidores e segundo reporta o Los Angeles Times, todos saíram das sessões chocados. Phoenix aparece cheirando cocaína, recebendo sexo oral de uma assistente, abordando prostitutas e tentando convencer o rapper Diddy a produzir um álbum seu. A cena mais chocante, no entanto, seria quando um “amigo” defeca em cima de Phoenix enquanto este dorme. Trash no último. De fazer inveja a Borat, garantiu nota do L.A Times.

Dia de Woody Allen
Foi exibido hoje na riviera francesa o novo trabalho do diretor. You Will meet a tall dark stranger foi recebido pela crítica como um legítimo Woody Allen. Inteligente, bem humorado e com uma moral contagiante. No entanto, chamou a atenção dos presentes uma inclinação à tristeza do diretor neste último trabalho. “As pessoas estão sempre procurando uma nova religião; um novo sentido. Seja na aromaterapia, em dietas revolucionárias, coisas do tipo”, disse o diretor que salientou que gosta de realizar filmes que se enveredem por uma lado mais filosófico.


Naomi Watts e Woody Allen no tapete vermelho do festival antes da exibição do filme: gosto pelo viés filosófico

O que esperar do novo Woody Allen?
Uma comédia dramática com retoques de misticismo, casais as voltas com seus problemas amorosos e o tradicional apreço pela arte. Em You will meet a tall dark stranger, presenciamos dois casais em crise. Anthony Hopkins e Gemma Jones, que faz uma mulher obsessiva por saber o futuro, fazem o casal mais velho da trama. Josh Brolin e Naomi Watts fazem o mais jovem. Allen, a partir destes dois casais, fala sobre desejo, traição e o sentido da vida.

Refresco para jornalistas
Entrevistar Woody Allen é das melhores coisas que se pode querer. Inteligente e divertido, o diretor sabe se fazer aprazível. Na entrevista coletiva que sucedeu a exibição de seu novo filme, Allen creditou a seus atores a qualidade da fita. “Sério, o truque de dirigir esses filmes para mim é contratar bem”. Indagado pelos repórteres presentes se gostaria de viver até os 100 anos como o diretor português Manoel de Oliveira, Allen – que tem 74 anos – disse que sim, se pudesse ser ativo como o diretor português; e completou: “Minha relação com a morte é: eu sou completamente contra”.

Resultado morno
Quando um vencedor da Palma de ouro exibe um novo trabalho em Cannes, a expectativa é sempre redobrada. É o que aconteceu com Mike Leigh hoje. Vencedor em 1996 com o filme Segredos e mentiras, Leigh voltou à disputa pela Palma hoje com um filme muito similar àquele em sua estrutura. Another year captura um casal de classe média britânico envolvido em seus problemas e também no das pessoas ao seu redor. A fita não correspondeu as altas expectativas de quem esperava outro grande trabalho de um dos poucos diretores que já saiu vitorioso dos três grandes festivais de cinema do mundo (Berlim, Cannes e Veneza).


Mike Leigh fala com os jornalistas: é igual, mas é diferente...


Poesia e pornografia
Howl, filme independente de Rob Epstein e Jeffrey Friedman, estreado por James Franco está sendo exibido esta semana em Cannes para potenciais compradores. A fita, que fez relativo sucesso no festival de Sundance, mostra a trajetória do escritor Allen Ginsberg (James Franco), cuja obra repleta de referências sexuais e ao uso de drogas foi taxada como pornográfica. Seu principal poema (e aquele que lhe valeu notoriedade) dá título ao longa.

Xis
Woody Allen atraiu uma verdadeira legião para a premiere de seu filme. Nesta sábado, também esteve em destaque uma homenagem ao cinema espanhol realizada pela organização do festival francês.


Almodóvar compareceu a homenagem ao cinema espanhol realizada neste sábado em Cannes


A atriz Evangeline Lily (a Kate da série Lost) e a atriz Michele Yeoh prestigiaram a premiere de You will meet a tall dark stranger

O belga Jean Claude Van Damme também se apressou para conferir o novo longa de Woody Allen

Com agências internacionais

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cannes updated # 3


Taking over Cannes
Foi exibido nesta sexta-feira, fora de competição, a aguardada continuação de Wall street. No segundo filme, que ganhou o subtítulo Money never sleeps, Gordon Gekko (Michael Douglas) sai da prisão e aos poucos se restabelece no jogo da bolsa de valores.
O diretor Oliver Stone desembarcou em Cannes com a maioria do elenco. Michael Douglas, Carey Mulligan, Shia LaBeouf, Josh Brolin e Frank Langella viram a critica se entusiasmar com a fita. “Um filme menos ingênuo e mais ágil do que o primeiro”, escreveu a Vanity Fair.

É a economia estúpido: o assunto em Cannes hoje foi a crise financeira com a chegada de Michael Douglas, Shia LaBeouf, Oliver Stone (com um bigodinho suspeito) e Josh Brolin


“Estou tão confuso quanto todo mundo”
Oliver Stone admitiu na coletiva que seguiu à exibição do filme que a grande motivação para fazer um segundo filme sobre Wall Street veio da crise financeira que tomou o mundo em 2008. “Michael (Douglas) já havia me convidado para fazer uma continuação em 2006, mas eu sentia que não era o momento para revistar aquele universo”, declarou o diretor. O diretor disse que a toda crise econômica que acomete o mundo, pensa que o sistema financeiro entrará em colapso.


Indagações católicas
O português Manoel de Oliveira, o mais velho cineasta em atividade no mundo com 101 anos, inaugurou ontem a mostra Um certo olhar. O estranho caso de Angélica, seu novo trabalho, atraiu muita atenção. O filme conta a história de um fotógrafo que fica instigado por uma mulher (a Angélica do título) que morreu sorrindo. Ele fica obcecado por saber mais sobre seu espírito. A critica se dividiu quanto ao filme. O critico da Vanity Fair admitiu ter dormido durante a sessão. A critica européia pareceu mais interessada no trabalho de Oliveira e alguns críticos brasileiros enxergaram uma indagação de Oliveira, que é católico, sobre o sentido da morte. O cineasta confessou o interesse em debater o tema em seu filme. Ele disse na coletiva de imprensa que "a morte é a única certeza que existe, tudo o mais é incerteza".

Quintal coreano
Todo mundo sabe que a edição de Cannes deste ano está recheada de produções asiáticas. Ontem um filme chinês despontou como favorito e hoje uma fita sul coreana se não impressionou amplamente, ao menos cativou a crítica. Hanyo (Housemaid, no título em inglês), exibido hoje pela competição oficial, mostra com humor negro uma situação muito cotidiana. O assédio sexual sofrido pelas empregadas domésticas. O que agradou a critica é que a retratação é descompromissada e inteligente. Segundo escreveu Diego Assis do portal G1, o diretor In Sang Soo exercita um senso de humor muito parecido com o de Park Chan Wook ( maior diretor sul coreano da atualidade, responsável por filmes como Oldboy) e entrega um final arrebatador.


A equipe do longa sul coreano chega para a premiere: o grisalho boa pinta é o diretor In Sang Soo
Xis
Hoje foi o dia o dia mais agitado no tapete vermelho de Cannes desde que começou o festival:

O membro do júri da edição deste ano Benicio Del Toro prestigia a sessão de Wall Street:money never sleeps: a sessão mais concorrida dessa edição do festival até agora

O cineasta Martin Scorsese compareceu a sessão especial de O leopardo (1963), clássico de Luchino Visconti