Dando um tempo nas metáforas
No shame at all
O ano dos britânicos
Sobre representação
A volta por cima dos asiáticos
Como previsto desde o início, a Palma de ouro foi para um filme asiático. Lung Boonmee Raluek Chat, de Apichatpong Weerasethakul, levou a Palma de ouro neste domingo. Apesar do agito da crítica em torno de filmes como o ucraniano My joy e o inglês Antoher year, a Palma acabou ficando com a produção tailandesa que mostra um homem a beira da morte em contato com os espíritos de pessoas que já morreram.
Outro asiático também levou um prêmio de grande ressonância, o sul coreano Poetry, que foi taxado pela critica como “normal e aborrecido” ficou com o prêmio de roteiro.
A dor mais doída
Aos favoritos que ficaram sem nada, resta o consolo da aclamação crítica em um festival marcado pela obviedade. “Não tiveram grandes filmes”, escreveu a Variety que elegeu os novos de Inãrritu, Loach e alguns destaques da mostra Um certo olhar como os principais filmes da edição. Aos favoritos da crítica, em que figuravam Loach, Iñarritu, Leigh e o ucraniano Loznitsa, resta o consolo de serem os favoritos da crítica, já que saíram de mãos abanando. Com exceção de Inãrritu que viu seu protagonista, Javier Bardem dividir o prêmio de atuação masculina com Elio Germano, de La nostra vitta, considerado um dos piores filmes pela crítica.
Até que Claquete foi bem
Dos sete prêmios em que arriscou palpite, o blog acertou três. Tendo em vista que o favoritismo foi posto de lado e que candidatos que nem mesmo receberam atenção da mídia especializada sagraram-se vencedores, o blog mandou bem.
A primeira impressão é a que fica
Tournée foi o primeiro filme na disputa pela Palma de ouro a ser exibido e não despertou nenhum entusiasmo. O filme de Amalric não era apontado para nenhum prêmio pelos entendidos de Cannes. Mas os entendidos pouco entendem, e o diretor (em seu quarto filme) faturou a Palma de direção. Desbancando algumas figuras que muitos creem mereciam mais.
Um prêmio com a cara de Burton
Todo mundo diz que o presidente do júri exerce uma grande influência, para não dizer que é ele quem decide, na hora de escolher o vencedor da Palma de ouro. Quem não lembra da polêmica vitória do documentarista Michael Moore com Fahrenheit 11 de setembro no júri presidido pelo cineasta Quentin Tarantino em ano de eleição americana? O que dizer de um filme tailandês que aborda um homem que fala com espíritos como forma de abrandar o medo da morte em um júri presidido pelo incomum Tim Burton que já trouxe ao mundo pérolas como Edward mãos de tesoura e Noiva cadáver. É possível dizer que esta teoria é mais provável do que pensa nossa vã filosofia.
O francês obrigatório
E como não podia deixar de ser um filme francês saiu premiado da riviera francesa. O filme Des Hommes et des Dieux, de Xavier Beauvois, levou o grande prêmio do júri, que é uma espécie de segundo lugar no festival. Diferentemente do grande vencedor, algum prêmio para Beauvois já era antecipado pelos entendedores de Cannes.
A quase zebra
O italiano Elio Germano bem que tentou, mas o máximo de zebra no campo das atuações foi a divisão do troféu de melhor ator entre ele e o espanhol Javier Bardem. Entre as mulheres, a francesa Juliette Binoche ficou com a Palma de ouro de melhor atriz pelo filme Copie conforme.
Sem mais rodeios, os vencedores da 63º festival de Cannes
Palma de Ouro
Lung Boonmee Raluek Chat, de Apichatpong Weerasethakul
Ator
Javier Bardem de Biutiful e Elio Germano de La Nostra Vita
Atriz
Juliette Binoche de Copie Conforme
Direção
Mathieu Amalric por Tournée
Roteiro
Lee Chang-Dong por Poetry
Curta-metragem
Un Chienne d'Histoire, de Serge Avedikian
Camera d'Or
Año Bisiesto
Prêmio do júri
Un Homme qui Crie, de Mahamat-Saleh Haroun
Grande Prêmio do júri
Des Hommes et des Dieux, de Xavier Beauvois
O diretor Sergei Loznitsa, no centro, e o elenco de seu filme: sensação em Cannes
Negócio fechado
A Sony Pictures Classics, selo de arte do grupo Sony, fechou a aquisição de Another year, novo filme de Mike Leigh, que foi um dos destaques desta edição do evento e é forte candidato a Palma de ouro no fim de semana. A Sony Pictures Classics tem tradição de distribuir no mercado americano filmes europeus que fazem sucesso em Cannes e em outros festivais. Na última edição do Oscar, emplacou entre os dez filmes finalistas, outro drama inglês, Educação.
Um legítimo Godard
Dois dias depois da exibição de Film socialisme, o mais recente filme de Jean Luc Godard, o diretor francês ainda é assunto na riviera francesa. O que se fala de seu filme é que nem todo mundo o entendeu, mas ficou claro o que Godard quis dizer com ele. É mais um ataque do veterano socialista a questões capitalistas como direitos autorais, oriente médio e política.
No filme, a tradicional colagem de imagens de Godard ganhou uma “tradução” redigida pelo próprio diretor nas legendas em inglês do filme. Com passagens em francês e alemão, Godard “traduziu” para o inglês as ideias chaves dos debates aos quais se lança. Produzindo assim significados diferentes de acordo com a formação linguística de seu espectador.
A rota de Ken Loach
Ken Loach esteve em Cannes ano passado, fora de competição, com o agradável A procura de Eric. O filme, de tom esperançoso, foi tomado como uma anomalia na carreira do cineasta tão propenso ao pessimismo. Este ano, Loach foi incuído – nos últimos minutos – na competição oficial com o drama Route irish. O filme ainda não teve sua premiere em Cannes. Alguns críticos e jornalistas, no entanto, já conferiram. O crítico Kirk Honeycutt do Hollywood Reporter vaticinou: “Loach volta a falar sério sobre política em um thriller que se vale das empresas de consultoria de segurança no Iraque”. O crítico argumenta que Loach evita o lugar comum e extrai um poderoso drama sobre o luto e realiza um tenaz comentário político com seu filme ambientado no Iraque sitiado. Para o crítico, o filme se encaixa no realismo social e nas preocupações políticas que marcam a trajetória do cineasta. Ainda segundo Kirk, é difícil crer que Loach saia de mãos vazias da edição 2010 do festival.
Vale lembrar que Loach levou a Palma de ouro em 2006 por outro filme ambientado em uma guerra, Ventos da liberdade.
Xis
O cineasta egípcio Atom Egoyam (à esquerda) e o diretor brasileiro Cacá Diegues (no centro) estiveram hoje na riviera francesa. Ambos fazem parte do júri de uma mostra paralela do festival
Com agências internacionais
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Com agências internacionais
O membro do júri da edição deste ano Benicio Del Toro prestigia a sessão de Wall Street:money never sleeps: a sessão mais concorrida dessa edição do festival até agora