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terça-feira, 8 de junho de 2010

Movies Great Partnerships - Elia Kazan & Marlon Brando



Existem parcerias no cinema que existem por um curto período criativo, mas cuja intensidade reverbera por décadas. Não há exemplo mais feliz dessa constatação, talvez seja até mesmo o único caso, do que a parceria entre o diretor turco, filho de gregos, Elia Kazan e o ator que por muitos é considerado o maior de todos, Marlon Brando. Foram apenas três filmes em um período de 4 anos. Mas esses trabalhos foram, pela ordem, Uma rua chamada chamada pecado (1951), também conhecido no Brasil como Um bonde chamado desejo, Viva Zapata (1952) e, talvez o melhor dos três, Sindicato de ladrões (1954).
Nem Marlon Brando, nem Kazan eram grandes em seus ofícios e a parceria lhes valeu o reconhecimento que precisavam para se imortalizarem. Uma rua chamada pecado foi apenas o segundo filme de Brando, enquanto que Kazan – apesar de já ostentar alguns trabalhos – ainda não tinha prestígio e cacife em Hollywood.
Ambos uniram-se para contar histórias proletárias. Imigração, corrupção, violência e o torpor do desejo foram características entremeadas nos três trabalhos que fizeram juntos.
Uma rua chamada pecado, é bem verdade, tinha pedigree. Baseada na famosa peça de Tennessee Williams, o filme foi indicado a 12 Oscars. Foi a primeira indicação de Kazan como diretor e de Brando como ator, nenhum dos dois venceria, mas a consagração do filme antecipava a consagração da dupla.


Cena de Uma rua chamada pecado: Desejo e tensão sexual em produção com elenco premiado



Explode um novo símbolo sexual: Marlon Brando passou a ser referencial de masculinidade no cinema


O papel valeu a Brando, ainda, o status de símbolo sexual. Tanto o ator quanto o diretor irromperiam por polêmicas no fim da década, mas a qualidade do trabalho que realizaram juntos se imporia na memória cultural. Antes de Brando ter problemas conjugais, suspeitas pairando sobre sua sexualidade e de se engajar de forma agressiva na causa indígena e de Kazan colaborar com o macarthismo, eles realizaram Viva Zapata, filme sobre o revolucionário mexicano Emilio Zapata, e Sindicato de Ladrões. O primeiro filme valeu a Brando mais uma indicação ao Oscar de melhor ator e foi louvado em muitos festivais, além do sucesso crítico que amealhou. Já a derradeira colaboração recebeu 12 indicações ao Oscar e prevaleceu em oito, inclusive nas categorias de ator (para Brando) e direção (para Kazan). O filme é uma forte crítica a nossa organização social. Às manobras políticas que ditam o rumo das vidas de trabalhadores e pessoas de bem e aos interesses escusos que lhe dão sustentação. Ainda hoje, o filme é lembrado como um clássico maior que seu tempo.


O cartaz da segunda, aguardada e louvada colaboração entre Kazan e Brando



Marlon Brando em cena de Sindicato de ladrões: Para muitos, uma das melhores performances de todos os tempos


Kazan viu-se execrado pela classe artística quando colaborou com a caça aos comunistas perpetrada pelo senador americano Joseph McCarthy. Ironicamente, Sindicato de ladrões foi a combustão que seus detratores precisavam para tomar o diretor turco como hipócrita. Tanto Brando quanto Kazan partiram inferiorizados pelos escândalos e pela perda de relevância que o tempo cuida de providenciar a quem muito se dedica a arte. Entretanto, vistos no cosmo dessa parceria, não há como contestar, questionar ou evitar o aplauso para três filmes que primam pela excelência e constituem uma parceria, literalmente, sem par na história do cinema.

Elia Kazan em foto anterior a sua consagração: Nos anos 50 nenhum diretor foi tão bem sucedido artisticamente quanto ele no cinema americano

sábado, 1 de agosto de 2009

Filme do dia

Uma rua chamado pecado
Também conhecido no país como Um bonde chamado desejo, filme em que Marlon Brando brilha intensamente antes da consagração definitiva que viria com O poderoso chefão. Também marca o inicio de uma série de notáveis colaborações com o cineasta Elia Kazan. Aqui ele faz um homem dividido entre uma paixão alucinante e a compostura que se espera de um homem naquela época marcada pela sisudez. O filme é baseado em uma peça de Tennessee Williams que até hoje rende montagens ao redor do mundo. Mas aqui, a sua concepção é insuperável.