sábado, 2 de março de 2013
Carta do editor - A temporada do Oscar acabou. E agora?
sábado, 31 de março de 2012
Em off
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Movies Great Partnerships - David Lynch & Laura Dern
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Movies Great Partnerships - Wes Anderson & Bill Murray
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Movies Great Partnerships - Ron Howard & Brian Grazer
Foi justamente nos anos 90 que a pareceria Howard e Grazer se galvanizou. Com o estúdio fundado por eles cada vez mais sólido em Hollywood, puderam ofertar a estúdios maiores produções engajadas como O jornal (1994), ou apoteóticas como Apollo 13 – do Desastre ao triunfo (1995). O segundo filme, que novamente trazia Tom Hanks no elenco, levou Grazer pela primeira vez ao Oscar (indicado na categoria de melhor filme). Howard ainda teria de esperar mais alguns anos por esta distinção.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Movies great partnerships - Spencer Tracy & Katharine Hepburn

O amor como ponto de partida: O mais nobre dos sentimentos era tema corrente nos filmes da dupla, mas não limitava a riqueza de assuntos abordadosUm misto de crise conjugal e circunstância política é capturado por Frank Capra em Sua esposa e o mundo (1948), produção indicada ao Oscar que mostra a ascensão política de um metalúrgico, destacado para concorrer à presidência, e o conflito pessoal e conjugal que essa condição acarreta.
Outro grande filme sobre conflitos conjugais partindo de situações externas é A costela de adão (1949). No terceiro filme que atuam sob direção de George Cukor, Tracy e Hepburn fazem marido e mulher que atuam de lados opostos em um tribunal do júri em um caso que a mulher assassinou o marido. Um filme providencial no comentário que faz sobre como um casamento está suscetível a influências externas.
Na década de 50, com o feminismo espraiando-se, fizeram dois filmes que abordavam o tema de frente. A mulher absoluta (1952) mostrava uma mulher relutante com o controle absoluto que o noivo queria lhe impor. Uma história que hoje apresenta uma moral frouxa e vacilante, mas ousou por em pauta um desafio à soberania masculina em uma época que isso era algo impensável.
O comentário ganhou sutileza em Amor eletrônico (1957) que abarcava na onda da TV, então grande sensação da época.
A morte de Spencer Tracy precipitou o fim da parceria, mas é possível imaginar que ela se postergasse. Cobrindo e refletindo os fenômenos sociais com carisma e talento. Nenhuma parceria entre atores resplandeceu tanto na era de ouro de Hollywood (em que parcerias do gênero eram contumazes) quanto essa de coração e alma entre Spencer Tracy e Katherine Hepburn.

Caixa de DVDs com alguns filmes da parceria: duas dessas já foram lançadas, inclusive, no mercado brasileiro
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
ESPECIAL A ORIGEM - Movies great partnerships: Christopher Nolan & Michael Caine

O veterano ator inglês é aquele tipo de profissional que avaliza um projeto e o diretor é aquela mente criativa que faz alguém há muito tempo atuante em um meio carente de renovações se sentir útil e entusiasmado novamente. Esse é o segredo que move essa parceria tão bem sucedida ao ponto de as vezes ser negligenciada por listas do gênero. Parecia uma contingência do pouco tempo que o cineasta dispunha, quando ele chamou Caine para fazer um papel coadjuvante (embora de maior destaque que o de Batman) em O grande truque, afinal, Christian Bale (o batman) também fazia parte do elenco. E como um dos protagonistas.
O maior destaque dado ao mordomo Alfred em O cavaleiro das trevas já sinalizava que Caine era um dos muitos alicerces da enxuta filmografia de Nolan e seu papel, novamente importante, em A origem ratifica de vez essa condição.
Christopher Nolan gosta de trabalhar com atores que lhe rendem bem. Christian Bale esteve sob suas ordens três vezes, assim como Cillian Murphy (que também está em A origem), Ken Watanabe (outro que marca presença no novo filme) também colaborou com o diretor por duas vezes. Essa constatação, combinada com o fato de que Nolan só tem seis longa-metragens no currículo, atesta a tese: Caine é o porto seguro de Nolan e o diretor devolve ao ator um material que valha a pena ler, sair de casa e continuar trabalhando. Método é isso aí.
Metodologia em foco: Nolan orienta o elenco de seu novo filme e é observado por Michael CaineA seção Movies great partnerships está sendo publicada excepcionalmente na primeira semana do mês em virtude do ESPECIAL A ORIGEM. A crítica do filme, que encerra o especial, será publicada segunda-feira à noite.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Movies Great Partnerships - Wong Kar Wai & Tony Leung

Sabe quando você se sente confortável com uma roupa e só a usa em ocasiões especiais? Assim é o ator Tony Leung para o cinema de Wong Kar Wai. Dos dez filmes dirigidos por Wai (em um deles, Eros, ele assina apenas um curta), Leung esteve em seis. A comparação pode ser simplista, mas se justifica plenamente na penetração cultural obtida pela obra. Se Leung é um ator cult, deve isso a Wai e se Wai é um diretor respeitado nos círculos da crítica, o mérito tem de ser igualmente dividido com Leung.
O primeiro filme da parceria data de 1991. Dias selvagens é uma análise da juventude chinesa. Leung faz um jovem, cuja mãe é ex-prostitua e alcoólatra. Enquanto descobre que sua mãe não é sua mãe, e se apaixona, o personagem de Leung tem que lidar com uma China em transformação nos idos dos anos 60. O segundo filme de Kar Wai foi o primeiro a participar de uma série de festivais (na China ganhou prêmios em vários deles) e ajudou a sedimentar uma aura cult sobre a parceria que estava surgindo ali. Cinzas do passado (1994) foi o segundo filme em que colaboraram. Recentemente a produção ganhou uma versão do diretor e foi relançada nos cinemas (inclusive sendo exibido na Mostra de cinema de São Paulo).
Pôster do movimentado Amores expressos: amor em uma China psicodélica
Tony Leung em cena de Cinzas do passado: um dos primeiros épicos asiáticos contemporâneosO último projeto em que colaboraram foi 2046 – os segredos do amor (2004), em que Leung faz um escritor desiludido que tenta escrever uma ficção. A fita também esteve na seleção oficial de Cannes, festival que ambos viraram habituês. Os dois já fizeram parte do júri do festival, Kar Wai inclusive, presidiu a edição de 2007.
Wong Kar Wai e Tony Leung não estão envolvidos em nenhum projeto conjunto. Mesmo que não voltem a colaborar, os seis filmes que fizeram juntos sintetizam a força do cinema asiático e a expressividade desses dois artistas de primeira categoria.

Pôster de Amor à flor da pele: considerado pela crítica o melhor fruto da parceria
terça-feira, 8 de junho de 2010
Movies Great Partnerships - Elia Kazan & Marlon Brando

Existem parcerias no cinema que existem por um curto período criativo, mas cuja intensidade reverbera por décadas. Não há exemplo mais feliz dessa constatação, talvez seja até mesmo o único caso, do que a parceria entre o diretor turco, filho de gregos, Elia Kazan e o ator que por muitos é considerado o maior de todos, Marlon Brando. Foram apenas três filmes em um período de 4 anos. Mas esses trabalhos foram, pela ordem, Uma rua chamada chamada pecado (1951), também conhecido no Brasil como Um bonde chamado desejo, Viva Zapata (1952) e, talvez o melhor dos três, Sindicato de ladrões (1954).
Nem Marlon Brando, nem Kazan eram grandes em seus ofícios e a parceria lhes valeu o reconhecimento que precisavam para se imortalizarem. Uma rua chamada pecado foi apenas o segundo filme de Brando, enquanto que Kazan – apesar de já ostentar alguns trabalhos – ainda não tinha prestígio e cacife em Hollywood.
Ambos uniram-se para contar histórias proletárias. Imigração, corrupção, violência e o torpor do desejo foram características entremeadas nos três trabalhos que fizeram juntos.
Uma rua chamada pecado, é bem verdade, tinha pedigree. Baseada na famosa peça de Tennessee Williams, o filme foi indicado a 12 Oscars. Foi a primeira indicação de Kazan como diretor e de Brando como ator, nenhum dos dois venceria, mas a consagração do filme antecipava a consagração da dupla.
Cena de Uma rua chamada pecado: Desejo e tensão sexual em produção com elenco premiado
O cartaz da segunda, aguardada e louvada colaboração entre Kazan e Brando
Marlon Brando em cena de Sindicato de ladrões: Para muitos, uma das melhores performances de todos os temposKazan viu-se execrado pela classe artística quando colaborou com a caça aos comunistas perpetrada pelo senador americano Joseph McCarthy. Ironicamente, Sindicato de ladrões foi a combustão que seus detratores precisavam para tomar o diretor turco como hipócrita. Tanto Brando quanto Kazan partiram inferiorizados pelos escândalos e pela perda de relevância que o tempo cuida de providenciar a quem muito se dedica a arte. Entretanto, vistos no cosmo dessa parceria, não há como contestar, questionar ou evitar o aplauso para três filmes que primam pela excelência e constituem uma parceria, literalmente, sem par na história do cinema.

Elia Kazan em foto anterior a sua consagração: Nos anos 50 nenhum diretor foi tão bem sucedido artisticamente quanto ele no cinema americano
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Movies great Partnerships - Ridley Scott & Russel Crowe

Existem momentos no cinema que são únicos e definidores. Gladiador, por uma série de fatores, foi um destes momentos. A fita de 2000, vencedora de seis Oscars, resgatou o valor artístico e o interesse do público pelos filmes épicos. Projetou um dos últimos super astros a surgir em Hollywood, Russel Crowe, e devolveu a Ridley Scott a grandeza que lhe fugira durante os anos 90.
Gladiador marca, também, o começo da parceria entre Russel Crowe e Ridley Scott. O período de seis anos entre Gladiador e a segunda colaboração entre os dois serviu para dar perspectiva aos envolvidos e direcionar os rumos da parceria. “Russel é um ator fácil de trabalhar. Ele é esforçado e é um jogador de time. Não tem ataques de estrelismo”, disse certa vez o diretor inglês ignorando que Crowe já foi até mesmo detido por ter jogado um telefone em um funcionário de hotel. “É mais fácil fazer um filme quando ator e diretor já se conhecem de outros carnavais”, afirmou Crowe nas entrevistas promocionais de Rede de mentiras, último filme da parceria antes de Robin Hood. Scott recusa o rótulo de que Crowe seja seu ator fetiche. Para o diretor, todos os personagens que Crowe viveu em seus filmes não poderiam ser vividos por outros atores. “Crowe é um ator completo e cheio de recursos, por que não iria escalá-lo?”, brincou na ocasião do lançamento de O gangster em 2007.
Nos sets de O gangster: "É mais fácil quando já nos conheçemos de outros carnavais"
Mais um filme para a conta: Da Roma antiga ao Iraque, Scott leva Crowe com elePerto de parcerias como Scorsese & De Niro e Fellini & Mastroianni, o legado da dupla Scott & Crowe pode não ser dos mais vistosos, mas a química é visível. Seus filmes sempre atraem grande público, geralmente são sucesso de critica e eles não parecem se importar muito com a repercussão da parceria. Querem fazer filmes juntos porque um aprecia a companhia e o trabalho do outro. No fundo, esse é o mais sólido indicativo de uma parceria de sucesso.
Aqui você faz assim ó: Ridley Scott gesticula para Cate Blanchet e Russel Crowe nos sets do aguardado Robin hood
O maior épico do novo milênio ainda é o melhor trabalho da dupla. Gladiador estabeleceu Russel Crowe como nome quente em Hollywood e devolveu o prestigio ao diretor de Alien e Blade Runner.



Depois de muitos problemas na produção, Scott bancou Russel Crowe como o protagonista de Robin Hood. O filme foi recebido com frieza e reservas no festival de Cannes. A estréia mundial ocorre amanhã. quarta-feira, 14 de abril de 2010
ESPECIAL ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS - Movies great partnerships

Tem muita que gente acredita em alma gêmea. Pois bem, se existe parâmetro para isso no âmbito profissional, o ator Johnny Depp e o diretor Tim Burton são expoentes. O primeiro trabalho dos dois juntos data de 1990, Edward mãos de tesoura era uma fábula gótica que apelava aos corações de manteiga. Burton, então um diretor “quente” em Hollywood (acabarara de consagrar o filme Batman de 1989 um campeão de bilheteria sem precedentes na indústria) tinha 33 anos e era um diretor com pouca experiência, mas que já imprimia uma marca muito pessoal em seus filmes (o esmero visual de Batman arrebatou platéias). Johnny Depp por sua vez, tinha 27 anos e havia estrelado dois filmes de muita fama (Platoon e A hora do pesadelo), mas em nenhum dos dois fez mais do que uma ponta. De certa forma, Edward mãos de tesoura arregimentaria as carreiras de ambos e os uniria para sempre sob o manto da esquisitice.
O filme tornou-se instantaneamente objeto de culto e alçou tanto Burton quanto Depp aos holofotes da mídia. A identificação que surgiu entre ambos, catalisada pelo conto que deram vida, foi retomada em Ed wood. O filme de 1994 era sobre aquele que é conhecido como o pior cineasta de todos os tempos. A fita sobre aquela figura incompreendida foi um respiro tanto para Burton que vinha de uma produção marcada por desentendimentos com o estúdio Warner (no caso o segundo filme do homem morcego, Batman – o retorno) e para Depp que depois do sucesso de Gilbert Grape – aprendiz de sonhador (1993) e Don Juan de Marco (1994) relutava em abraçar a imagem de galã. O filme foi um fracasso de público retumbante, mas agradou a crítica e participou de algumas premiações (tal qual Edward mãos de tesoura).
O cabelo pode mudar, mas a amizade continua: Burton e Depp há doze anos atrás nos sets de A lenda do cavaleiro sem cabeçaA lenda do cavaleiro sem cabeça marcou a terceira colaboração entre os dois. O terror, outro filme em que Burton condicionou fórmulas comerciais à sua concepção visual, agradou e foi sucesso de público e crítica. Depp, a essa altura, já carregava consigo a fama de ator de papéis esquisitos. Fama essa, que encontrava perfeita sintonia no estado de espírito de Burton e na maneira dele conceber cinema.
Em 2005 os dois reuniram-se mais uma vez para o remake de A fantástica fabrica de chocolate. Duas particularidades chamavam atenção agora. Johnny Depp já era um astro (consagrado pelo sucesso de Piratas do caribe) e a Warner deu completa liberdade para Burton ser Burton. O filme foi um espetacular sucesso de bilheteria, mas a crítica se dividiu. Ainda em 2005, ambos juntaram forças na animação em stop motion A noiva cadáver. Aqui Burton como produtor e co-diretor e Depp dando voz ao personagem principal.
Certo ou errado? Depp e Burton repercutem uma cena de A fantástica fábrica de chocolateO mais recente filme de Burton, o primeiro depois de Sweeney Todd, é Alice no país das maravilhas e Johnny Depp, mais uma vez, apresenta-se para fazer valer o sentido de parceria. A nova versão para a obra de Lewis Carroll chamou atenção desde que foi anunciada. Muito em parte, por ser o filme que reuniria esses dois pela sétima vez.
Há quase dois meses em cartaz nos EUA, o filme não só é o maior sucesso de bilheteria do ano até aqui, também é a maior bilheteria da carreira de Tim Burton (pois é, Johnny Depp tem Piratas do Caribe no currículo).
Uma parceria que comemora 20 anos, sete filmes, uma amizade vigorosa, muitos prêmios, reconhecimento crítico e sucesso de bilheteria. Agora resta perguntar para Depp e Burton se eles se consideram almas gêmeas.

Fala que eu te escuto: Tim Burton ouve as impressões de Johnny Depp nos sets de Sweeney Todd
segunda-feira, 15 de março de 2010
ESPECIAL ILHA DO MEDO - Movies Great Partnerships
DiCaprio e Scorsese ajustam os ponteiros no set de Ilha do medoLeonardo DiCaprio era um rostinho bonito até que Scorsese surgisse em sua vida. O próprio ator admitiu, quando entregou o prêmio Cecil B. DeMille ao diretor no último Globo de ouro, que Scorsese “é uma profunda inspiração” e que a parceria com o diretor foi a melhor coisa que fez em sua carreira.
Foto dos bastidores de O aviador que ilustra uma biografia do cineasta da série Movie IconsScorsese e DiCaprio se elogiam mutuamente. O diretor disse recentemente que “DiCaprio expressa o que quiser com seus olhos. Seria um ator ainda mais reconhecido na época do cinema mudo”. DiCaprio não deixa por menos. “Daqui a cem anos, os filmes de Scorsese ainda serão vistos”, disse em recente entrevista coletiva. Todo esse amor tem razão de ser. Os três filmes que constituem a parceria são sucessos de critica e, no caso de Os infiltrados, de público. Os três foram indicados ao Oscar de melhor filme e o último, além de vencer nesta categoria, valeu ao diretor seu tão adiado, e sonhado, Oscar de direção.
DiCaprio, Scorsese e Cameron Diaz no festival de Cannes de 2002, onde Gangues de Nova Iorque foi exibido pela primeira vez e agradou bastante
Gangues de Nova Iorque (2002)
Bilheteria americana: U$ 78 milhões
Bilheteria internacional: U$ 115,960 milhões
Oscar: 10 indicações
Globo de ouro: 5 indicações e 2 vitórias (direção e canção original)
O aviador (2004)
Bilheteria americana: U$ 102,610 milhões
Bilheteria internacional: U$111 milhões
Oscar: 11 indicações e cinco vitórias (atriz coadjuvante, direção de arte, montagem, fotografia e figurino)
Globo de ouro: 6 indicações e três vitórias (filme/drama, ator/drama e trilha sonora)
Bilheteria americana: U$ 132,385 milhões
Bilheteria internacional: U$ 157 milhões
Oscar: 5 indicações e 4 vitórias (filme, direção, roteiro adaptado e montagem)
Globo de ouro: 6 indicações e 1 vitória (direção)
Fonte:boxofficemojo
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Movies great partnerships - Irmãos Coen e Roger Deakins
Os Coen (de óculos escuros) e Roger Deakins em locações no Novo méxico onde gravaram cenas de Onde os fracos não têm vezMuita gente gosta do cinema dos irmãos Coen. Os irmãos cineastas criaram uma identidade bastante particular no cinema americano. Com seus personagens caricatos, seus roteiros tão inteligentes quanto intransigentes e com uma moral vaticinante, os irmãos rapidamente se tornaram cronistas contumazes da América e suas consternações. O que pouca gente sabe é que um inglês da pequena Devon, com oito indicações ao Oscar e que ministra cursos de fotografia em algumas escolas de cinema dos EUA tem muito a ver com essa identidade patenteada pelos irmãos Coen. Aos 61 anos, o diretor de fotografia Roger Deakins chega, com Um homem sério (novo filme dos Coen), a oitava colaboração com Joel e Ethan Coen.
Iniciada em 1996, com Fargo, a parceria, além de longeva, tem se mostrado bem sucedida. Deakins foi o fotógrafo de todos os filmes dos Coen desde então, com exceção de Queime depois de ler. Essa exceção deve-se ao fato de que Deakins estava envolvido em 4 filmes quando os irmãos começaram a filmar a comédia estrelada pelos amigos George Clooney e Brad Pitt; o que o impossibilitou de assumir a direção de fotografia do filme.
Deakins em ação: Ele é o diretor de fotografia vivo com mais indicações ao Oscar. Esse ano, porém, ele não concorreJoel Coen, por sua vez, disse a mesma publicação na ocasião que “Deakins é econômico, rápido, ativo e surpreendente. Quem não gostaria de tê-lo em uma equipe?”
Cena de Fargo: O inicio da prolífera parceria dos Coen e Roger Deakins
Eles e o Oscar
Embora ainda não tenha vencido um Oscar, Deakins é o diretor de fotografia vivo, mais indicado ao prêmio da academia. São oito indicações, das quais 4 por trabalhos desenvolvidos com os Coen.
Um homem sério também chegou ao Oscar. Com duas indicações (filme e roteiro original). Apesar de não ter recebido indicação por fotografia, Deakins pode ser considerado tão autor do filme quanto os Coen. O processo colaborativo deles avançou para um processo de criação em conjunto. Os três já trabalham no próximo filme, True Grit, que deve ser lançado ainda em 2010.
Billy Bob Thorton em cena de O homem que não estava lá: Os Coen e Deakins revitalizaram o cinema noir no século XXIOs filmes da parceria:
Fargo (1996)
O grande Leboswki (1998)
E aí meu irmão, cadê você? (2000)
O homem que não estava lá (2001)
O amor custa caro (2003)
Matadores de velhinha (2004)
Onde os fracos não tem vez (2007)
Um homem sério (2009)
Legenda: Indicado ao Oscar
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Movies Great Partnerships - Clint Eastwood & Morgan Freeman

Clint e Morgan são hoje bons amigos que confiam um no outro sem amarras e sem pré-condições. “Isso facilita na hora de rodar um filme”, admitiu Morgan Freeman à época do lançamento de Menina de ouro, sobre o fato de ambos os veteranos se conhecerem de outros carnavais.
“Clint Eastwood é um diretor econômico e eu gosto de pensar que sou um ator simples”, disse Morgan em recente entrevista a revista Empire, durante um ensaio fotográfico que rememorou Os imperdoáveis. A parceria de Morgan e Clint, embora possa parecer restrita a relação de ator e diretor, é mais extensa; o que configura mais um aspecto pouco convencional dessa grande parceria do cinema. Eles também dividem a cena, com extrema desenvoltura, em Os imperdoáveis e Menina de ouro, ambos vencedores dos Oscars de filme e direção. A terceira colaboração, Invictus, que chega agora aos cinemas brasileiros, é mais convencional. Clint está apenas na direção e Morgan tem o show todo para ele. Ou seria o contrário? Como se trata de uma parceria, quem ganha mesmo, somos nós.
Os homens certos para a tarefa
Em Os imperdoáveis Morgan Freeman e Clint Eastwood vivem cowboys desesperançados. São homens amargurados e perseguidos pelo passado que aceitam um novo trabalho. Achar e punir os responsáveis por retalhar uma prostituta. O filme de Clint Eastwood é um western definitivo, em sua estrutura e em seu discurso. Passa a limpo todo um gênero cinematográfico e, de quebra, tece comentários tenazes sobre o deslocamento do ideário do machão no cinema americano. Freeman e Clint vivem amigos de longa data aqui. Chama a atenção a naturalidade dos gestos e da química entre os atores.
Clint e Morgan posam para o ensaio especial de 20 anos da revista de cinema Empire: Um filme que marcou épocaEssa vida que vivemos
Em Menina de ouro, Clint Eastwood, o diretor, novamente escala Morgan Freeman para ser o melhor amigo do Clint Eastwood ator. O filme que emite a cada fotograma uma tristeza emulada em nostalgia ganha força na performance dos dois atores que foram lembrados pelo Oscar(Freeman venceu como coadjuvante). A amizade e o respeito que os personagens de Clint e Morgan tem um pelo outro são um dos muitos trunfos dessa vitoriosa fita. Menina de ouro versa sobre arrependimentos, redenção, confiança, amor, abandono e muitas outras coisas. É um filme, que em certo nível, mimetiza a obra dessas duas lendas vivas.
Em Menina da ouro, filme sobre as tragédias da vida, Clint e Morgan têm seus melhores momentos como atoresE por falar em lendas, nada melhor do que duas lendas vivas reunidas para honrar uma terceira. Invictus, que antes se chamaria de The human factor, tinha uma diretriz muita clara. Narrar a experiência de Nelson Mandela em unificar a África do sul. O projeto foi oferecido a Eastwood e foi questão de tempo até Freeman entrar a bordo. O próprio Mandela disse em certa oportunidade que só o ator poderia vivê-lo em um filme sobre sua vida. Freeman e Eastwood juntos pela terceira vez por Mandela. Ele não poderia pedir melhor.

Os números da parceria:
+ 3 filmes
+ Os imperdoáveis ganhou quatro oscars (filme, direção, montagem e ator coadjuvante para Gene Hackman)
+ Menina de ouro ganhou 4 oscars (filme direção, atriz para Hillary Swank e ator coadjuvante para Morgan Freeman)
+ As duas indicações ao Oscar de melhor ator da carreira de Clint Eastwood vieram dessas duas colaborações com Freeman
+ Foram também por essas duas colaborações que Clint Eastwood ganhou seus oscars de direção
+ Foi por Menina de Ouro que Morgan Freeman recebeu seu primeiro Oscar, depois de 4 indicações
+ Morgan Freeman foi o narrador de um documentário sobre a vida de Clint Eastwood produzido pela Warner em 2005
+ Menina de ouro e Os imperdoáveis estão na lista American Film institue (AFI) dos 100 melhores filmes da história do cinema americano

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