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sábado, 2 de março de 2013

Carta do editor - A temporada do Oscar acabou. E agora?



Foi uma jornada e tanto! Intensa como poucas. Com esta Carta do editor, o especial Oscar Watch 2013 está oficialmente encerrado. Foram 50 postagens que compuseram, ao longo de três meses, uma das coberturas mais completas, contextualizadas e analíticas da imprensa brasileira sobre a temporada de premiações do cinema, em geral, e do Oscar, em particular.
Com o fim da temporada de premiações, os cinéfilos podem respirar e se preparar para as novidades do ano que já está em curso. Claquete apresenta algumas. A primeira é uma coluna mensal dedicada ao cinema europeu. A coluna abordará filmes, artistas, festivais ou movimentos cinematográficos circunscritos ao velho continente. A coluna se chama Euro & Travelling e objetiva estabelecer uma cota mensal do cinema europeu, por vezes sufocado pela agenda hollywoodiana no blog. Outra novidade é Espaço Claquete. A seção tem como objetivo destacar filmes – sejam eles cults, polêmicos ou que passaram abaixo do radar de público e crítica e que não foram resenhados previamente no blog. Espaço Claquete também abraçará os lançamentos direto em DVD e Blu-Ray. A periodicidade, a princípio, é livre.
A outra novidade quem vai determinar é o leitor. Qual coluna já extinta do blog você gostaria que retornasse? Durante todo o mês de março será possível votar, quantas vezes quiser, em sua favorita. Em abril ela estará de volta. As candidatas são as sessões Contexto, Movies Great Partnerships, Claquete repercute e Tira-teima. Clique nos nomes das colunas para ver exemplares delas já publicadas em Claquete.
O mês de março apresenta ainda bons lançamentos nos cinemas como Killer Joe – matador de aluguel – já duas vezes adiado por aqui; Bem vindo aos 40, novo trabalho de Judd Apatow; Dentro de casa, novo filme de François Ozon e Linha de ação, que opõe Russel Crowe e Mark Wahlberg. Para todos os efeitos, o ano está só começando.

sábado, 31 de março de 2012

Em off

Nesta edição de Em off, o charme de fazer um filme sobre a produção do filme mais famoso de Hitchcock; as parcerias que ainda vão dar o que falar no cinema nos próximos dois anos; a verdade por trás do “fracasso” de Os homens que não amavam as mulheres; o cinema brasileiro dizendo a que veio e ela, a Musa Claquete eleita pelos leitores do blog.

Parcerias que ainda vão dar bons frutos no cinema
Já se sabia que a parceria entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio ainda renderia outros projetos. Ambos estavam ligados à cinebiografia de Frank Sinatra, projeto que parece estar em encubação, e The wolf of Wall Street, autobiografia do corretor da Bolsa de Nova Iorque Jordan Belfort. A notícia é que este último será o próximo projeto que unirá a dupla. As gravações começam no segundo semestre, possivelmente em outubro. Será a quinta colaboração entre Scorsese e DiCaprio. As outras são Gangues de Nova Iorque (2002), O aviador (2004), Os infiltrados (2006) e Ilha do medo (2010).
Inspirado por essa boa nova, Claquete listou algumas parcerias entre cineastas e atores que renderão bons frutos nos próximos anos.

 1- Nicolas Winding Refn e Ryan Gosling preparam Only God forgives para aproveitar o culto a Drive; 2 - Lars Von Trier quer que Charlotte Gainsbourg seja sua ninfomaníaca no filme de mesmo nome; 3 - Steve McQueen já disse que não sabe fazer filme sem Michael Fassbender e o ator estará em 12 years a slave; 4 - Martin e Leo rumam para a quinta colaboração em The wolf of Wall Street; 5-  Pablo Trapero não resistiu aos encantos de Ricardo Darín e o chamou para seu novo filme, Elefante blanco

Steve McQueen e Michael Fassbender
Com Shame ainda impregnado na mente cinéfila é impossível não salivar pelo novo filme de Steve McQueen. 12 years a slave é a adaptação da autobiografia de Solomon Northup, homem que foi sequestrado e feito escravo por doze anos no século XIX no exato período em que os EUA rumavam para a abolição da escravatura. Além de Fassbender, o filme terá Brad Pitt e Chiwtel Ejiofor no elenco. As filmagens ainda não começaram, mas a previsão de estreia é para dezembro deste ano.

Nicolas Winding Refn e Ryan Gosling
Drive foi meio que um acontecimento. Cult instantâneo que provocou no diretor dinamarquês e no ator canadense um encantamento mútuo. Only God forgives, uma história de crime e violência passada na Tailândia, marca a segunda colaboração da dupla. Se depender de Winding Refn, de acordo com suas declarações à revista Total Film, a segunda de muitas. A fita também tem estreia marcada para o final de 2012 nos EUA.  

Lars Von Trier e Charlotte Gainsbourg
Outro diretor dinamarquês que não abre mão de trabalhar com uma atriz que parece disposta a explorar seus limites nos filmes dele. Após AntiCristo e Melancolia, Charlotte Gainsbourg é a única atriz confirmada no elenco de Nymphomaniac, filme que abordará a sexualidade feminina e que, segundo o próprio Von Trier, será pornográfico. Atores pornôs, ainda não especificados, integrarão o elenco também. Ainda não há previsões oficiais a respeito do lançamento do filme.

Pablo Trapero e Ricardo Darín
O intenso e surpreendente Abutres foi mesmo o início de uma relação promissora. Além da esposa Martina Gúsman, que também estava em Abutres, o diretor Pablo Trapero escalou Ricardo Darín, ator fetiche de outros cineastas argentinos, para Elefante blanco. O filme, com lançamento previsto para maio nos cinemas argentinos, conta a história de dois padres argentinos e uma assistente social que tentam resolver os problemas de uma favela argentina. Drama? Comédia? Quem se importa?


Hitch vive
Está mobilizando Hollywood um projeto independente e de um diretor desconhecido sobre a feitura de um dos principais filmes de um dos diretores mais reconhecidos de todos os tempos. Alfred Hitchcock and the making of Psycho tem como objetivo recriar o momento profissional e pessoal que vivia o cineasta à época da produção de Psicose, no final da década de 50.
O projeto está provocando verdadeiras caravanas de estrelas interessadas em participar. Já estão certas as participações de Scarlett Jonhansson, Anthony Hopkins, James D´Arcy, Danny Houston, Helen Mirren, Jessica Biel e Michael Stuhlbarg. A atriz Toni Collette deve ser outra adição a ser confirmada em breve. O diretor Sacha Gervasi deve lançar esse filme, desde já para lá de hypado, em 2013.


Heleno e a evolução do cinema brasileiro

Está em cartaz nos cinemas de todo o país a cinebiografia Heleno. Conhecido por muitos como o craque maldito do Botafogo, Heleno de Freitas é tido como o primeiro “astro problema” do futebol brasileiro – tão exímio na produção dessa espécie. O filme de José Henrique Fonseca apresenta Rodrigo Santoro na pele de Heleno. Mas o filme tem outras atrações que ratificam a evolução do cinema nacional sob a perspectiva temática e, também, em aspectos técnicos. O filme é fotografado em um preto e branco vistoso, com assinatura do papa Walter Carvalho. É um registro histórico de uma época bastante específica, os anos 40, e o trabalho de direção de arte é muito valorizado.
Além das próprias pesquisas realizadas por Fonseca e Santoro que tanto oxigenam o filme e a figura biografada. Essa perícia, e o interesse em exercitá-la, era algo que faltava ao cinema brasileiro.
Xingu é outro filme com lançamento iminente. Com estreia marcada para 6 de abril, o filme de Cao Hamburger com produção de Fernando Meirelles e sua O2, é o que se chama por aí de épico. Com filmagens em locações grandiosas, com grande número de figurantes e um tema tão espinhoso quanto apaixonante como a criação da reserva indígena que dá nome ao filme. Billi pig, atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros, a despeito de sua qualidade, é uma reverência às pornochanchadas brasileiras que marcaram uma era representativa do cinema do país. Selton Mello, que estrela Billi Pig, alcançou no fim de 2011 sucesso comercial e crítico com O palhaço, filme que tão bem concilia o autoral com o comercial.
São demonstrações de que o cinema brasileiro está cada vez mais encorpado, arrojado e pulsante. É uma boa notícia.     


Fracasso?
A MGM divulgou nota oficial informando que o filme Os homens que não amavam as mulheres, versão americana da primeira parte da trilogia Millennium, não rendeu ao estúdio os dividendos esperados. Com orçamento de U$ 90 milhões, a fita rendeu internacionalmente cerca de U$ 231 milhões (esse número ainda pode sofrer ajustes). Acontece que é um co-produção com a Sony e o lucro tem que ser rachado na mesma proporção dos investimentos. No mesmo comunicado, o presidente da MGM, Gary Barber, admite estar considerando alternativas para a produção dos filmes restantes com alterações orçamentárias e a possibilidade de mudança de parceiro. Mais do que descontentamento com o rendimento do filme de David Fincher, o que parece incomodar mesmo a MGM é o lucro da Sony com direitos que pertencem ao estúdio imortalizado com o leão. Vale lembrar que desde a bancarrota  da MGM, a Sony tem sido parceira ativa da MGM, inclusive, bancando a distribuição doméstica (nos EUA) da série 007. A MGM, no entanto, está associada a Warner para a produção de O hobbit, outra série com potencial para “azular” as contas do estúdio. Os homens que não amavam as mulheres, voltado para um público adulto, com censura 18 anos e uma longa metragem não foi um fracasso, foi um senhor sucesso, apenas se vê envolto em politicagens de bastidores.

Natalie Portman é Musa Claquete!

Foram 40 votos. Uma disputa intensa pelo título de Musa Claquete. E a israelense naturalizada americana Natalie Portman foi a escolhida pelos (e) leitores para se juntar a Kate Winslet na galeria, ainda em formação, de musas do blog. Foram 17 votos que consagraram a vitoriosa. Kristin Scott Thomas ficou na segunda posição com nove votos. Penelope Cruz, que obteve sua segunda derrota, ultrapassou Marion Cotillard nas últimas horas para ficar com a terceira posição. Bem vinda Natalie.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Movies Great Partnerships - David Lynch & Laura Dern


Como definir a parceria de um artista plástico que faz cinema e de uma mulher cujo destino era ser atriz? David Lynch é o homem que vive de fazer arte (seja visual ou não) e Laura Dern é a mulher, cujos pais (que eram do movie business) lhe iniciaram no negócio. Talvez a melhor definição para tal inusitada parceria seja a constatação de que os três filmes em que Laura e Lynch colaboraram se constituíram em seus momentos mais expressivos no cinema. Foi quando Lynch foi mais linear e inteligível (por que não comercial?) e Laura foi mais experimental e irresoluta. Pode uma coisa dessas?
Veludo azul (1986), Coração Selvagem (1990) e Império dos sonhos (2006), este último em menor escala, mostram que sim. Durante a era de ouro de Hollywood era contumaz que cineastas de renome tivessem atrizes como parceiras assíduas em seus filmes. Mas Lynch, em certo nível de interpretação, é o oposto de Fellini. E seu regime de colaboração com Laura Dern tão pouco se ajusta aos que marcaram gente como Billy Wilder, que, por exemplo, rodava a toque de caixa com Marilyn Monroe. Então o que há de transcendental nesses filmes tão diferentes realizados em décadas distintas?


Uma relação diferente: a beleza da parceria entre Lynch e Laura é que excede o rótulo de um cineasta e sua musa


Eles capturam um David Lynch com uma postura renovada perante seu próprio cinema. Não seria imprudente afirmar que estes são os três melhores filmes entre seus dez longa metragens (entre documentários, curtas e produções para a TV, Lynch tem mais de 30 filmes como diretor). A parceria delimita, também, com clareza as novas etapas da carreira de Laura Dern. Não obstante, o último filme que reuniu a dupla (Império dos sonhos) é o que Laura recebe mais atenção do diretor (gravado quando ela recebe menos atenção em Hollywood, e ela vive uma atriz no filme). Lynch sempre foi adepto de mensagens subliminares e de rechear seu cinema de signos e significantes. A parceria com Laura Dern, por esse viés interpretativo, é mais do que um poderoso subtexto. É mais um artifício de Lynch (e porque não dividir os créditos com Laura aqui) para pensar seu cinema e sua carreira como artista. Esse é o aspecto que reforça o caráter transcendental de uma parceria tão restrita e, ao mesmo tempo, tão longeva.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Movies Great Partnerships - Wes Anderson & Bill Murray


 
O que exatamente caracteriza uma parceria low profile, como Wes Anderson qualificou a que mantém com o que considera ser o melhor ator da atualidade, Bill Murray? A cumplicidade indecifrável por olhos alheios ou uma visão de mundo similar? O apreço pelo cinema independente ou o status oferecido pelo mesmo?
Anderson disse em entrevista à Folha de São Paulo, certa vez, que percebeu logo no primeiro filme que fizeram juntos, no caso Três é demais (1998) - segundo longa metragem de Anderson como diretor, que trabalharia novamente com Murray: “Ele é o tipo de ator para meus textos”. Lembrando que Anderson, tal qual outros cineastas indies festejados, também escreve os roteiros que dirige. A segunda parceria da dupla foi, também, a mais festejada. Os excêntricos Tenenbaums (2001) foi ao Oscar e ao Globo de ouro e Murray estava lá (não com o protagonismo) para referendar o filme de Anderson.
A terceira colaboração ganhou status pop. Não só pelo sucesso de crítica das duas primeiras, mas porque Murray tornara-se um ator mais cult e incrivelmente midiático após estrelar Encontros e desencontros, de Sofia Coppola. A vida marinha com Steve Zissou (2004) teve a maior distribuição comercial de um filme de Wes Anderson até hoje e foi um fracasso retumbante. Dividiu a crítica e o público não curtiu um filme que, no fundo, pregava para iniciados.
Anderson então recorreu a espiritualidade para remanejar suas expectativas no cinema. E a espiritualidade foi o mote de seu filme seguinte, Viagem a Darjeeling (2007). Bill Murray estava lá para enriquecer o filme que contava com outro ator de presença esquisita que mimetiza o cinema de Anderson, Jason Schwartzman (que também esteve em Três é demais).
O filme foi bem recebido pela crítica e teve distribuição reduzida. Anderson estava de volta à sua zona de conforto. E com Bill Murray deu um passo ousado em sua carreira. Este passo responde pelo nome de O fantástico senhor Raposo. A animação foi o primeiro material adaptado pelo diretor. Foi também um périplo do imponderável, já que a animação foi feita a base de massinha em plena era das animações digitais. O humor do filme, rapidamente identificável à Anderson, foi saudado como um sopro de originalidade bem vindo a seara mainstream hollywoodiana. Ainda que o filme contasse com as vozes de George Clooney, Meryl Streep e Murray, defini-lo como hollywoodiano talvez seja high profile demais. Anderson e Murray, como se sabe, não fazem o gênero. Esta semana foi anunciado um novo projeto que pode reunir a dupla novamente (Moon rise kingdon também deve contar com Bruce Willis e Edward Norton no elenco). Os projetos de Anderson geralmente são anunciados assim, em cima da hora. Mais low profile impossível.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Movies Great Partnerships - Ron Howard & Brian Grazer


Um vem de uma família de atores e outro se decidiu a produzir programas e filmes para família. Ron Howard e Brian Grazer se conheceram no início dos anos 80 nos bastidores de programas pilotos para a TV que nem sequer vingaram, mas a amizade (e parceria) vingou. Juntos, em 1986 fundaram o estúdio Imagine Entertainment que hoje é um dos maiores estúdios independentes de grandes conglomerados de comunicação como a Time Warner e a Sony Pictures (embora colabore assiduamente com a Universal Studios).
Um ano antes, porém, Grazer e Howard estiveram a frente de um grande hit do cinema ointentista. Tratava-se de Splash – uma sereia em minha vida que trazia um jovem e desconhecido Tom Hanks apaixonado pela sereia vivida por Daryl Hannah. O filme, que hoje é um clássico da sessão da tarde, apresentou um produtor jovem (esta foi sua primeira produção para cinema) e um ator que parecia convencer mais como diretor. O filme seguinte da dupla não repetiu o mesmo sucesso. O tiro que não saiu pela culatra (1989), apesar de elogiado por alguns setores da crítica, não fisgou o público. Enquanto Grazer investia em filmes com apelo familiar (como Um tira no jardim de infância), Howard tentava mostrar que era comercialmente viável em qualquer gênero (rodou Um sonho distante com o emergente casal formado por Tom Cruise e Nicole Kidman).

 Howard (de boné) dirige sempre com o apoio de Grazer (de cabelo espetadinho)

Foi justamente nos anos 90 que a pareceria Howard e Grazer se galvanizou. Com o estúdio fundado por eles cada vez mais sólido em Hollywood, puderam ofertar a estúdios maiores produções engajadas como O jornal (1994), ou apoteóticas como Apollo 13 – do Desastre ao triunfo (1995). O segundo filme, que novamente trazia Tom Hanks no elenco, levou Grazer pela primeira vez ao Oscar (indicado na categoria de melhor filme). Howard ainda teria de esperar mais alguns anos por esta distinção.
A esta altura, Howard não precisava se preocupar em ser comercialmente viável. Era pacifico para a dupla que Grazer deveria atuar como produtor de todos os filmes de Howard. E assim foi. O preço de um resgate (1997), ED TV (1999), O Grinch (2000), Desaparecidas (2003) e A luta pela esperança (2005) são todos produzidos por Grazer. Foi o produtor, cada vez com mais voz em Hollywood, que bancou o nome de Howard para um projeto de grande estima dentro da Dreamworks (na época o estúdio de Steven Spielberg). A aposta deu certo. Uma mente brilhante (2001) levou 4 Oscars (inclusive de filme para Grazer e direção para Howard, logo em sua primeira indicação) e fez grande bilheteria. O sucesso do filme mostrou que a parceria sabia aliar academicismo com potencial de bilheteria. E foi esse potencial de bilheteria, e porque Howard e Grazer são tão afinados e entrosados, que fez com que a Sony relegasse a dupla e a Imagine Entertainment a tarefa de adaptar para o cinema o best seller de Dan Brown, O código DaVinci (2006). Deu tão certo que, U$ 800 milhões em bilheteria depois, foi dado o aval para a continuação, Anjos e demônios (2009). Antes de voltar ao universo do simbologista Robert Langdon, Howard e Grazer voltaram ao Oscar. Com o teatral, oportuno e inteligentíssimo Frost/Nixon (2008). Muita gente duvidou que se tratasse de um filme de Ron Howard, numa clara demonstração de que ainda não o tomam como um diretor de fato.

Alguém contou uma piada: Ron Howard, Russe Crowe e Brian Grazer dão uma boa gargalhada nos sets de Uma mente brilhante


É possível dizer que o produtor Brian Grazer dá confiança e liberdade ao diretor Ron Howard e que, antes de qualquer coisa, a recíproca é verdadeira. Alternando projetos acadêmicos como Frost/Nixon com blockbusters como O código DaVinci, a dupla já provou que tem o necessário para engrandecer a história do cinema. Foi de sua tutela que alguns dos melhores filmes dos últimos anos nos foram entregues. O próximo projeto é a comédia The dilemma (2011). Pode até ser uma bomba, mas a parceria está suficientemente alicerçada para resistir.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Movies great partnerships - Spencer Tracy & Katharine Hepburn


Existem parcerias que não parecem parcerias. Essa afirmação é o elogio mais puro, justo e sincero que se pode emitir acerca da longeva parceria entre Spencer Tracy (1900 – 1967) e Katharine Hepburn (1907 – 2003). Amantes na vida real (embora nunca assumidos), eles recheavam as telas do cinema de química, conteúdo e qualidade. Foram nove filmes ao longo de duas décadas. Podiam ser dois filmes no mesmo ano (como no começo da parceria e da paixão) ou com um intervalo de cinco anos entre eles (obedecendo ao tempo que ficaram afastados e tiveram outros casos). A história de amor que viveram na vida real não perde em pompa e ressonância para algumas que estrelaram. Mas essas histórias não foram o único alicerce dessa prolífera e insidiosa parceria. O feminismo, a segunda guerra mundial, o preconceito racial, a tensão política provocada pelos nascentes sindicatos e a televisão, entre outros assuntos, foram alguns dos temas que Tracy e Katharine repercutiram em seus filmes. Sempre com desenvoltura e classe. Juntos também foram ao Oscar. Katherine Hepburn ganhou seu terceiro Oscar de melhor atriz por Adivinhe quem vem para jantar (1967). Tracy recebeu sua sexta indicação ao Oscar por esse filme. A consagração da academia veio com esse último filme que os dois fizeram juntos, embora seus filmes fossem habituês da cerimônia do Oscar. Na fita de Stanley Kramer, mais uma vez Spencer Tracy e Katharine Hepburn refletiam a nossa sociedade nas telas de cinema. No filme, Tracy faz um editor liberal e Hepburn sua esposa aristocrata que recebem a filha e seu namorado, personagem vivido por Sidney Poitier. Uma pungente história sobre preconceito racial. Repercutir as mudanças e tendências sociais era algo prodigioso e característico da parceria. Logo no primeiro filme da parceria, A mulher do dia (1942), esse aspecto foi evidenciado. Uma comédia romântica aguçada em que um colunista esportivo (Tracy) um tanto machista se apaixona pela moderna jornalista poliglota e viajada (Hepburn). Em Sem amor (1945), eles retomam o mesmo tema, mas sob um ponto de vista mais romântico. Em plena segunda guerra mundial, uma mulher presa a um casamento sem amor se envolve com o cientista para o qual trabalha. Foi Elia Kazan quem os dirigiu no filme mais completo sobre o tema. Em Terra de ambições (1947), uma mulher recém casada tem dificuldade de alinhar sua visão de mundo a do marido. Tudo ocorre no oeste americano, em uma poderosa metáfora das insurreições que estavam por vir.

O amor como ponto de partida: O mais nobre dos sentimentos era tema corrente nos filmes da dupla, mas não limitava a riqueza de assuntos abordados



Um misto de crise conjugal e circunstância política é capturado por Frank Capra em Sua esposa e o mundo (1948), produção indicada ao Oscar que mostra a ascensão política de um metalúrgico, destacado para concorrer à presidência, e o conflito pessoal e conjugal que essa condição acarreta.
Outro grande filme sobre conflitos conjugais partindo de situações externas é A costela de adão (1949). No terceiro filme que atuam sob direção de George Cukor, Tracy e Hepburn fazem marido e mulher que atuam de lados opostos em um tribunal do júri em um caso que a mulher assassinou o marido. Um filme providencial no comentário que faz sobre como um casamento está suscetível a influências externas.
Na década de 50, com o feminismo espraiando-se, fizeram dois filmes que abordavam o tema de frente. A mulher absoluta (1952) mostrava uma mulher relutante com o controle absoluto que o noivo queria lhe impor. Uma história que hoje apresenta uma moral frouxa e vacilante, mas ousou por em pauta um desafio à soberania masculina em uma época que isso era algo impensável.
O comentário ganhou sutileza em Amor eletrônico (1957) que abarcava na onda da TV, então grande sensação da época.
A morte de Spencer Tracy precipitou o fim da parceria, mas é possível imaginar que ela se postergasse. Cobrindo e refletindo os fenômenos sociais com carisma e talento. Nenhuma parceria entre atores resplandeceu tanto na era de ouro de Hollywood (em que parcerias do gênero eram contumazes) quanto essa de coração e alma entre Spencer Tracy e Katherine Hepburn.

Caixa de DVDs com alguns filmes da parceria: duas dessas já foram lançadas, inclusive, no mercado brasileiro

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

ESPECIAL A ORIGEM - Movies great partnerships: Christopher Nolan & Michael Caine


Se há uma coisa que garante o sucesso, seja qual for o ramo de atuação, é uma boa metodologia de trabalho. Christopher Nolan e Michael Caine enxergaram isso em uma possível parceria. Meio que por osmose um foi procurando o outro, o outro foi procurando o um e fato é que desde a primeira colaboração, em Batman Begins (2005), Nolan não roda um filme que Michael Caine não faça parte do elenco.
O veterano ator inglês é aquele tipo de profissional que avaliza um projeto e o diretor é aquela mente criativa que faz alguém há muito tempo atuante em um meio carente de renovações se sentir útil e entusiasmado novamente. Esse é o segredo que move essa parceria tão bem sucedida ao ponto de as vezes ser negligenciada por listas do gênero. Parecia uma contingência do pouco tempo que o cineasta dispunha, quando ele chamou Caine para fazer um papel coadjuvante (embora de maior destaque que o de Batman) em O grande truque, afinal, Christian Bale (o batman) também fazia parte do elenco. E como um dos protagonistas.
O maior destaque dado ao mordomo Alfred em O cavaleiro das trevas já sinalizava que Caine era um dos muitos alicerces da enxuta filmografia de Nolan e seu papel, novamente importante, em A origem ratifica de vez essa condição.
Christopher Nolan gosta de trabalhar com atores que lhe rendem bem. Christian Bale esteve sob suas ordens três vezes, assim como Cillian Murphy (que também está em A origem), Ken Watanabe (outro que marca presença no novo filme) também colaborou com o diretor por duas vezes. Essa constatação, combinada com o fato de que Nolan só tem seis longa-metragens no currículo, atesta a tese: Caine é o porto seguro de Nolan e o diretor devolve ao ator um material que valha a pena ler, sair de casa e continuar trabalhando. Método é isso aí.
Metodologia em foco: Nolan orienta o elenco de seu novo filme e é observado por Michael Caine



A seção Movies great partnerships está sendo publicada excepcionalmente na primeira semana do mês em virtude do ESPECIAL A ORIGEM. A crítica do filme, que encerra o especial, será publicada segunda-feira à noite.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Movies Great Partnerships - Wong Kar Wai & Tony Leung


O cinema de arte é mais prolífero e substancioso em constituir longevas parcerias do que sua contraparte comercial. Um dos expoentes que dão verniz a essa constatação é a parceria entre o cineasta chinês Wong Kar Wai e o ator, também chinês, Tony Leung.
Sabe quando você se sente confortável com uma roupa e só a usa em ocasiões especiais? Assim é o ator Tony Leung para o cinema de Wong Kar Wai. Dos dez filmes dirigidos por Wai (em um deles, Eros, ele assina apenas um curta), Leung esteve em seis. A comparação pode ser simplista, mas se justifica plenamente na penetração cultural obtida pela obra. Se Leung é um ator cult, deve isso a Wai e se Wai é um diretor respeitado nos círculos da crítica, o mérito tem de ser igualmente dividido com Leung.
O primeiro filme da parceria data de 1991. Dias selvagens é uma análise da juventude chinesa. Leung faz um jovem, cuja mãe é ex-prostitua e alcoólatra. Enquanto descobre que sua mãe não é sua mãe, e se apaixona, o personagem de Leung tem que lidar com uma China em transformação nos idos dos anos 60. O segundo filme de Kar Wai foi o primeiro a participar de uma série de festivais (na China ganhou prêmios em vários deles) e ajudou a sedimentar uma aura cult sobre a parceria que estava surgindo ali. Cinzas do passado (1994) foi o segundo filme em que colaboraram. Recentemente a produção ganhou uma versão do diretor e foi relançada nos cinemas (inclusive sendo exibido na Mostra de cinema de São Paulo).

Pôster do movimentado Amores expressos: amor em uma China psicodélica



Tony Leung em cena de Cinzas do passado: um dos primeiros épicos asiáticos contemporâneos
Aos poucos o amor e suas vicissitudes se tornavam a matéria prima do cinema de Kar Wai e Leung a identidade visual desse cinema. Amores expressos (1994) e Felizes juntos (1997) voltavam a colocar Leung às voltas com amores e com uma China em frangalhos. Por este último filme, Kar Wai recebeu a Palma de Ouro de melhor direção. Mas foi com Amor à flor da pele (2000) que a parceria ganhou o mundo. O filme, que causou frisson no festival de Cannes daquele ano, rendeu a Leung a Palma de melhor ator e foi indicado a diversos prêmios como o Bafta e Globo de ouro. Novamente, os labirintos do amor em uma China desigual constituem o eixo central da trama em que um homem e uma mulher, cujos parceiros estão tendo relações extraconjugais, se aproximam.
O último projeto em que colaboraram foi 2046 – os segredos do amor (2004), em que Leung faz um escritor desiludido que tenta escrever uma ficção. A fita também esteve na seleção oficial de Cannes, festival que ambos viraram habituês. Os dois já fizeram parte do júri do festival, Kar Wai inclusive, presidiu a edição de 2007.
Wong Kar Wai e Tony Leung não estão envolvidos em nenhum projeto conjunto. Mesmo que não voltem a colaborar, os seis filmes que fizeram juntos sintetizam a força do cinema asiático e a expressividade desses dois artistas de primeira categoria.

Pôster de Amor à flor da pele: considerado pela crítica o melhor fruto da parceria

terça-feira, 8 de junho de 2010

Movies Great Partnerships - Elia Kazan & Marlon Brando



Existem parcerias no cinema que existem por um curto período criativo, mas cuja intensidade reverbera por décadas. Não há exemplo mais feliz dessa constatação, talvez seja até mesmo o único caso, do que a parceria entre o diretor turco, filho de gregos, Elia Kazan e o ator que por muitos é considerado o maior de todos, Marlon Brando. Foram apenas três filmes em um período de 4 anos. Mas esses trabalhos foram, pela ordem, Uma rua chamada chamada pecado (1951), também conhecido no Brasil como Um bonde chamado desejo, Viva Zapata (1952) e, talvez o melhor dos três, Sindicato de ladrões (1954).
Nem Marlon Brando, nem Kazan eram grandes em seus ofícios e a parceria lhes valeu o reconhecimento que precisavam para se imortalizarem. Uma rua chamada pecado foi apenas o segundo filme de Brando, enquanto que Kazan – apesar de já ostentar alguns trabalhos – ainda não tinha prestígio e cacife em Hollywood.
Ambos uniram-se para contar histórias proletárias. Imigração, corrupção, violência e o torpor do desejo foram características entremeadas nos três trabalhos que fizeram juntos.
Uma rua chamada pecado, é bem verdade, tinha pedigree. Baseada na famosa peça de Tennessee Williams, o filme foi indicado a 12 Oscars. Foi a primeira indicação de Kazan como diretor e de Brando como ator, nenhum dos dois venceria, mas a consagração do filme antecipava a consagração da dupla.


Cena de Uma rua chamada pecado: Desejo e tensão sexual em produção com elenco premiado



Explode um novo símbolo sexual: Marlon Brando passou a ser referencial de masculinidade no cinema


O papel valeu a Brando, ainda, o status de símbolo sexual. Tanto o ator quanto o diretor irromperiam por polêmicas no fim da década, mas a qualidade do trabalho que realizaram juntos se imporia na memória cultural. Antes de Brando ter problemas conjugais, suspeitas pairando sobre sua sexualidade e de se engajar de forma agressiva na causa indígena e de Kazan colaborar com o macarthismo, eles realizaram Viva Zapata, filme sobre o revolucionário mexicano Emilio Zapata, e Sindicato de Ladrões. O primeiro filme valeu a Brando mais uma indicação ao Oscar de melhor ator e foi louvado em muitos festivais, além do sucesso crítico que amealhou. Já a derradeira colaboração recebeu 12 indicações ao Oscar e prevaleceu em oito, inclusive nas categorias de ator (para Brando) e direção (para Kazan). O filme é uma forte crítica a nossa organização social. Às manobras políticas que ditam o rumo das vidas de trabalhadores e pessoas de bem e aos interesses escusos que lhe dão sustentação. Ainda hoje, o filme é lembrado como um clássico maior que seu tempo.


O cartaz da segunda, aguardada e louvada colaboração entre Kazan e Brando



Marlon Brando em cena de Sindicato de ladrões: Para muitos, uma das melhores performances de todos os tempos


Kazan viu-se execrado pela classe artística quando colaborou com a caça aos comunistas perpetrada pelo senador americano Joseph McCarthy. Ironicamente, Sindicato de ladrões foi a combustão que seus detratores precisavam para tomar o diretor turco como hipócrita. Tanto Brando quanto Kazan partiram inferiorizados pelos escândalos e pela perda de relevância que o tempo cuida de providenciar a quem muito se dedica a arte. Entretanto, vistos no cosmo dessa parceria, não há como contestar, questionar ou evitar o aplauso para três filmes que primam pela excelência e constituem uma parceria, literalmente, sem par na história do cinema.

Elia Kazan em foto anterior a sua consagração: Nos anos 50 nenhum diretor foi tão bem sucedido artisticamente quanto ele no cinema americano

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Movies great Partnerships - Ridley Scott & Russel Crowe


Existem momentos no cinema que são únicos e definidores. Gladiador, por uma série de fatores, foi um destes momentos. A fita de 2000, vencedora de seis Oscars, resgatou o valor artístico e o interesse do público pelos filmes épicos. Projetou um dos últimos super astros a surgir em Hollywood, Russel Crowe, e devolveu a Ridley Scott a grandeza que lhe fugira durante os anos 90.
Gladiador marca, também, o começo da parceria entre Russel Crowe e Ridley Scott. O período de seis anos entre Gladiador e a segunda colaboração entre os dois serviu para dar perspectiva aos envolvidos e direcionar os rumos da parceria. “Russel é um ator fácil de trabalhar. Ele é esforçado e é um jogador de time. Não tem ataques de estrelismo”, disse certa vez o diretor inglês ignorando que Crowe já foi até mesmo detido por ter jogado um telefone em um funcionário de hotel. “É mais fácil fazer um filme quando ator e diretor já se conhecem de outros carnavais”, afirmou Crowe nas entrevistas promocionais de Rede de mentiras, último filme da parceria antes de Robin Hood. Scott recusa o rótulo de que Crowe seja seu ator fetiche. Para o diretor, todos os personagens que Crowe viveu em seus filmes não poderiam ser vividos por outros atores. “Crowe é um ator completo e cheio de recursos, por que não iria escalá-lo?”, brincou na ocasião do lançamento de O gangster em 2007.


Nos sets de O gangster: "É mais fácil quando já nos conheçemos de outros carnavais"



Mais um filme para a conta: Da Roma antiga ao Iraque, Scott leva Crowe com ele


Fato é que a parceria se intensificou. Nos últimos 5 anos, foram 4 filmes. A comédia dramática Um bom ano (2006), o épico do crime O gangster (2007), o thriller de espionagem Rede de mentiras (2008) e neste ano, Robin Hood. A escolha de Crowe para viver o famoso arqueiro inglês repercutiu negativamente. Muita gente questionou a escalação do neozelandês de 46 anos para fazer um personagem geralmente retratado como jovem. “Tudo que você conhece sobre Robin Hood é mentira, aqui está a verdade”, declarou com certa presunção o ator em recente rodada de entrevistas em Londres.
Perto de parcerias como Scorsese & De Niro e Fellini & Mastroianni, o legado da dupla Scott & Crowe pode não ser dos mais vistosos, mas a química é visível. Seus filmes sempre atraem grande público, geralmente são sucesso de critica e eles não parecem se importar muito com a repercussão da parceria. Querem fazer filmes juntos porque um aprecia a companhia e o trabalho do outro. No fundo, esse é o mais sólido indicativo de uma parceria de sucesso.

Aqui você faz assim ó: Ridley Scott gesticula para Cate Blanchet e Russel Crowe nos sets do aguardado Robin hood




Em time que está ganhando...

Gladiador (2000)


O maior épico do novo milênio ainda é o melhor trabalho da dupla. Gladiador estabeleceu Russel Crowe como nome quente em Hollywood e devolveu o prestigio ao diretor de Alien e Blade Runner.


Um bom ano (2006)



Russel Crowe exercita seu timing cômico em uma fita regada a romance, paisagens idílicas, vinho e Marion Cottilard antes do Oscar e da fama. De quebra, Scott e Crowe mostram alguns truques financeiros de Wall street antes da crise que tomaria o mundo em 2008.


O gangster (2007)



Ser comparado, favoravelmente, a O poderoso chefão já mostra que esse é um dos exemplares bem sucedidos da bem sucedida parceria entre Scott e Crowe. Aqui eles se unem para contar a história verídica do primeiro chefão do tráfego de drogas negro nos EUA. Crowe “joga para o time” (como diz Scott) e brilha, mas deixa Denzel Washington brilhar mais.


Rede de mentiras (2008)



Em O informante, Russel Crowe já tinha mostrado que não tinha problema em engordar. Aqui ele ganha uns quilinhos para viver um burocrata da CIA que não deixa seu agente de campo, vivido por Leonardo DiCaprio, ter paz. Um filme tenso em que Scott conta com a conhecida habilidade de Crowe para remoer clichês em seu favor.


Robin Hood (2010)

Depois de muitos problemas na produção, Scott bancou Russel Crowe como o protagonista de Robin Hood. O filme foi recebido com frieza e reservas no festival de Cannes. A estréia mundial ocorre amanhã.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

ESPECIAL ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS - Movies great partnerships



Tem muita que gente acredita em alma gêmea. Pois bem, se existe parâmetro para isso no âmbito profissional, o ator Johnny Depp e o diretor Tim Burton são expoentes. O primeiro trabalho dos dois juntos data de 1990, Edward mãos de tesoura era uma fábula gótica que apelava aos corações de manteiga. Burton, então um diretor “quente” em Hollywood (acabarara de consagrar o filme Batman de 1989 um campeão de bilheteria sem precedentes na indústria) tinha 33 anos e era um diretor com pouca experiência, mas que já imprimia uma marca muito pessoal em seus filmes (o esmero visual de Batman arrebatou platéias). Johnny Depp por sua vez, tinha 27 anos e havia estrelado dois filmes de muita fama (Platoon e A hora do pesadelo), mas em nenhum dos dois fez mais do que uma ponta. De certa forma, Edward mãos de tesoura arregimentaria as carreiras de ambos e os uniria para sempre sob o manto da esquisitice.
O filme tornou-se instantaneamente objeto de culto e alçou tanto Burton quanto Depp aos holofotes da mídia. A identificação que surgiu entre ambos, catalisada pelo conto que deram vida, foi retomada em Ed wood. O filme de 1994 era sobre aquele que é conhecido como o pior cineasta de todos os tempos. A fita sobre aquela figura incompreendida foi um respiro tanto para Burton que vinha de uma produção marcada por desentendimentos com o estúdio Warner (no caso o segundo filme do homem morcego, Batman – o retorno) e para Depp que depois do sucesso de Gilbert Grape – aprendiz de sonhador (1993) e Don Juan de Marco (1994) relutava em abraçar a imagem de galã. O filme foi um fracasso de público retumbante, mas agradou a crítica e participou de algumas premiações (tal qual Edward mãos de tesoura).

O cabelo pode mudar, mas a amizade continua: Burton e Depp há doze anos atrás nos sets de A lenda do cavaleiro sem cabeça


Depp e Burton perceberam que funcionavam bem juntos. Burton então, passou a impor o nome de Depp em todo e qualquer projeto que assumisse. Como Depp ainda não era o astro que é hoje, isso valeu muitos cancelamentos de contratos para o diretor. Tanto é, que entre Ed Wood e A lenda do cavaleiro sem cabeça (1999), Burton só dirigiu um filme, o amalucado Marte ataca (1996).
A lenda do cavaleiro sem cabeça marcou a terceira colaboração entre os dois. O terror, outro filme em que Burton condicionou fórmulas comerciais à sua concepção visual, agradou e foi sucesso de público e crítica. Depp, a essa altura, já carregava consigo a fama de ator de papéis esquisitos. Fama essa, que encontrava perfeita sintonia no estado de espírito de Burton e na maneira dele conceber cinema.
Em 2005 os dois reuniram-se mais uma vez para o remake de A fantástica fabrica de chocolate. Duas particularidades chamavam atenção agora. Johnny Depp já era um astro (consagrado pelo sucesso de Piratas do caribe) e a Warner deu completa liberdade para Burton ser Burton. O filme foi um espetacular sucesso de bilheteria, mas a crítica se dividiu. Ainda em 2005, ambos juntaram forças na animação em stop motion A noiva cadáver. Aqui Burton como produtor e co-diretor e Depp dando voz ao personagem principal.

Certo ou errado? Depp e Burton repercutem uma cena de A fantástica fábrica de chocolate

Desse momento em diante Burton só trabalhou com Depp. “É como aquele time de basquete que não funciona sem o armador”, justificou o diretor certa vez à revista Empire sobre a importância do ator em seus filmes. Em 2007, Burton apresentou ao mundo um musical de terror sanguinolento e lá estava Johnny Depp para correr os riscos junto com ele. O resultado não poderia ter sido melhor. Sweeney Todd: O barbeiro demoníaco da rua Fleet teve aprovação da crítica e um desempenho surpreendente nas bilheterias, principalmente se levado em conta tratar-se de um musical. E de terror!
O mais recente filme de Burton, o primeiro depois de Sweeney Todd, é Alice no país das maravilhas e Johnny Depp, mais uma vez, apresenta-se para fazer valer o sentido de parceria. A nova versão para a obra de Lewis Carroll chamou atenção desde que foi anunciada. Muito em parte, por ser o filme que reuniria esses dois pela sétima vez.
Há quase dois meses em cartaz nos EUA, o filme não só é o maior sucesso de bilheteria do ano até aqui, também é a maior bilheteria da carreira de Tim Burton (pois é, Johnny Depp tem Piratas do Caribe no currículo).
Uma parceria que comemora 20 anos, sete filmes, uma amizade vigorosa, muitos prêmios, reconhecimento crítico e sucesso de bilheteria. Agora resta perguntar para Depp e Burton se eles se consideram almas gêmeas.

Fala que eu te escuto: Tim Burton ouve as impressões de Johnny Depp nos sets de Sweeney Todd

segunda-feira, 15 de março de 2010

ESPECIAL ILHA DO MEDO - Movies Great Partnerships

DiCaprio e Scorsese ajustam os ponteiros no set de Ilha do medo


Se um dia o leitor se perguntar qual o padrão para se medir a qualidade de uma parceria no cinema e a penetração da mesma na cultura pop e no âmago da história cinematográfica, a parceria que o diretor Martin Scorsese mantém com o ator Leonardo DiCaprio deverá surgir como parâmetro. São 4 filmes até agora. O mais recente, Ilha do medo, está em cartaz atualmente nos cinemas e já há mais duas colaborações engatilhadas. Uma delas, uma biografia de Frank Sinatra.
Leonardo DiCaprio era um rostinho bonito até que Scorsese surgisse em sua vida. O próprio ator admitiu, quando entregou o prêmio Cecil B. DeMille ao diretor no último Globo de ouro, que Scorsese “é uma profunda inspiração” e que a parceria com o diretor foi a melhor coisa que fez em sua carreira.

Foto dos bastidores de O aviador que ilustra uma biografia do cineasta da série Movie Icons


Nesse sentido, o ano de 2002 foi prolífero para o ator. Vindo do fracasso retumbante de A praia, DiCaprio precisava mostrar que, além de viável, era um ator de confiança. Spielberg e Scorsese resolveram dar-lhe uma chance. Ele esteve em dois dos principais filmes da temporada. Prenda-me se for capaz e Gangues de Nova Iorque. Scorsese por sua vez, também vinha de um fracasso de público e critica, um dos poucos de sua carreira, Vivendo no limite, estrelado por Nicolas Cage, era uma infeliz releitura de Taxi driver. Gangues de Nova Iorque, um projeto antigo do diretor, viabilizou-se quando os nomes de DiCaprio e Cameron Diaz entraram no projeto. Foi assim, despropositadamente, que teve inicio uma das grandes parcerias do cinema.
Scorsese e DiCaprio se elogiam mutuamente. O diretor disse recentemente que “DiCaprio expressa o que quiser com seus olhos. Seria um ator ainda mais reconhecido na época do cinema mudo”. DiCaprio não deixa por menos. “Daqui a cem anos, os filmes de Scorsese ainda serão vistos”, disse em recente entrevista coletiva. Todo esse amor tem razão de ser. Os três filmes que constituem a parceria são sucessos de critica e, no caso de Os infiltrados, de público. Os três foram indicados ao Oscar de melhor filme e o último, além de vencer nesta categoria, valeu ao diretor seu tão adiado, e sonhado, Oscar de direção.

DiCaprio, Scorsese e Cameron Diaz no festival de Cannes de 2002, onde Gangues de Nova Iorque foi exibido pela primeira vez e agradou bastante


Ilha do medo, que ainda tem longa carreira nos cinemas, já igualou a marca de Os infiltrados nas bilheterias americanas, ou seja, deve se garantir como a maior bilheteria da carreira de Scorsese em questão de dias. A ascendência da parceria mostra o quão frutífera ela é. Consagração, sucesso de público, reconhecimento da critica, prêmios e cinema de qualidade não costumam caminhar juntos. Mas essa parceria existe para mostrar que isso é possível.

Momento de descontração nos sets de Os infiltrados: Ator e diretor que se completam
Os números da parceria:

Gangues de Nova Iorque (2002)
Bilheteria americana: U$ 78 milhões
Bilheteria internacional: U$ 115,960 milhões
Oscar: 10 indicações
Globo de ouro: 5 indicações e 2 vitórias (direção e canção original)

O aviador (2004)
Bilheteria americana: U$ 102,610 milhões
Bilheteria internacional: U$111 milhões
Oscar: 11 indicações e cinco vitórias (atriz coadjuvante, direção de arte, montagem, fotografia e figurino)
Globo de ouro: 6 indicações e três vitórias (filme/drama, ator/drama e trilha sonora)

Os infiltrados (2006)
Bilheteria americana: U$ 132,385 milhões
Bilheteria internacional: U$ 157 milhões
Oscar: 5 indicações e 4 vitórias (filme, direção, roteiro adaptado e montagem)
Globo de ouro: 6 indicações e 1 vitória (direção)
Filme escolhido pelo (e)leitor de Claquete como o melhor filme da parceria até aqui



*a bilheteria internacional desconsidera a bilheteria americana. O total de arrecadação mundial é a somatória dos dois valores.

Fonte:boxofficemojo
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Excepcionalmente neste mês, a seção Movies Great Partnerships está sendo publicada na terceira semana do mês, ao invés da quarta. Em virtude disso, a coluna Tira-teima será editada na semana que vem.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Movies great partnerships - Irmãos Coen e Roger Deakins


Os Coen (de óculos escuros) e Roger Deakins em locações no Novo méxico onde gravaram cenas de Onde os fracos não têm vez


Muita gente gosta do cinema dos irmãos Coen. Os irmãos cineastas criaram uma identidade bastante particular no cinema americano. Com seus personagens caricatos, seus roteiros tão inteligentes quanto intransigentes e com uma moral vaticinante, os irmãos rapidamente se tornaram cronistas contumazes da América e suas consternações. O que pouca gente sabe é que um inglês da pequena Devon, com oito indicações ao Oscar e que ministra cursos de fotografia em algumas escolas de cinema dos EUA tem muito a ver com essa identidade patenteada pelos irmãos Coen. Aos 61 anos, o diretor de fotografia Roger Deakins chega, com Um homem sério (novo filme dos Coen), a oitava colaboração com Joel e Ethan Coen.
Iniciada em 1996, com Fargo, a parceria, além de longeva, tem se mostrado bem sucedida. Deakins foi o fotógrafo de todos os filmes dos Coen desde então, com exceção de Queime depois de ler. Essa exceção deve-se ao fato de que Deakins estava envolvido em 4 filmes quando os irmãos começaram a filmar a comédia estrelada pelos amigos George Clooney e Brad Pitt; o que o impossibilitou de assumir a direção de fotografia do filme.

Deakins em ação: Ele é o diretor de fotografia vivo com mais indicações ao Oscar. Esse ano, porém, ele não concorre

“É tudo mais fácil quando você já sabe o que o diretor quer. Os ângulos que ele gosta de trabalhar e tudo o mais”, disse Deakins a revista American Cinematographer em 2008 quando fora indicado ao Oscar duplamente, pela fotografia de O assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford e por Onde os fracos não têm vez, dos Coen.
Joel Coen, por sua vez, disse a mesma publicação na ocasião que “Deakins é econômico, rápido, ativo e surpreendente. Quem não gostaria de tê-lo em uma equipe?”

Cena de Fargo: O inicio da prolífera parceria dos Coen e Roger Deakins


Eles e o Oscar
Embora ainda não tenha vencido um Oscar, Deakins é o diretor de fotografia vivo, mais indicado ao prêmio da academia. São oito indicações, das quais 4 por trabalhos desenvolvidos com os Coen.
Um homem sério também chegou ao Oscar. Com duas indicações (filme e roteiro original). Apesar de não ter recebido indicação por fotografia, Deakins pode ser considerado tão autor do filme quanto os Coen. O processo colaborativo deles avançou para um processo de criação em conjunto. Os três já trabalham no próximo filme, True Grit, que deve ser lançado ainda em 2010.

Billy Bob Thorton em cena de O homem que não estava lá: Os Coen e Deakins revitalizaram o cinema noir no século XXI


Os filmes da parceria:
Fargo (1996)
O grande Leboswki (1998)
E aí meu irmão, cadê você? (2000)
O homem que não estava lá (2001)
O amor custa caro (2003)
Matadores de velhinha (2004)
Onde os fracos não tem vez (2007)
Um homem sério (2009)

Legenda: Indicado ao Oscar

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Movies Great Partnerships - Clint Eastwood & Morgan Freeman



Eles não são melhores amigos. Tão pouco mestre e pupilo. Na verdade, Clint Eastwood, 79 anos, e Morgan Freeman, 72 anos, não se ajustam às convenções das grandes parcerias cinematográficas. Ambos já haviam consolidado suas carreiras antes de estabelecerem parceria. Mas foi justamente no momento dessa união que Morgan Freeman e Clint Eastwood atingiram o melhor momento de suas carreiras. Duas vezes.
Clint e Morgan são hoje bons amigos que confiam um no outro sem amarras e sem pré-condições. “Isso facilita na hora de rodar um filme”, admitiu Morgan Freeman à época do lançamento de Menina de ouro, sobre o fato de ambos os veteranos se conhecerem de outros carnavais.
“Clint Eastwood é um diretor econômico e eu gosto de pensar que sou um ator simples”, disse Morgan em recente entrevista a revista Empire, durante um ensaio fotográfico que rememorou Os imperdoáveis. A parceria de Morgan e Clint, embora possa parecer restrita a relação de ator e diretor, é mais extensa; o que configura mais um aspecto pouco convencional dessa grande parceria do cinema. Eles também dividem a cena, com extrema desenvoltura, em Os imperdoáveis e Menina de ouro, ambos vencedores dos Oscars de filme e direção. A terceira colaboração, Invictus, que chega agora aos cinemas brasileiros, é mais convencional. Clint está apenas na direção e Morgan tem o show todo para ele. Ou seria o contrário? Como se trata de uma parceria, quem ganha mesmo, somos nós.


Os homens certos para a tarefa
Em Os imperdoáveis Morgan Freeman e Clint Eastwood vivem cowboys desesperançados. São homens amargurados e perseguidos pelo passado que aceitam um novo trabalho. Achar e punir os responsáveis por retalhar uma prostituta. O filme de Clint Eastwood é um western definitivo, em sua estrutura e em seu discurso. Passa a limpo todo um gênero cinematográfico e, de quebra, tece comentários tenazes sobre o deslocamento do ideário do machão no cinema americano. Freeman e Clint vivem amigos de longa data aqui. Chama a atenção a naturalidade dos gestos e da química entre os atores.


Clint e Morgan posam para o ensaio especial de 20 anos da revista de cinema Empire: Um filme que marcou época


Essa vida que vivemos
Em Menina de ouro, Clint Eastwood, o diretor, novamente escala Morgan Freeman para ser o melhor amigo do Clint Eastwood ator. O filme que emite a cada fotograma uma tristeza emulada em nostalgia ganha força na performance dos dois atores que foram lembrados pelo Oscar(Freeman venceu como coadjuvante). A amizade e o respeito que os personagens de Clint e Morgan tem um pelo outro são um dos muitos trunfos dessa vitoriosa fita. Menina de ouro versa sobre arrependimentos, redenção, confiança, amor, abandono e muitas outras coisas. É um filme, que em certo nível, mimetiza a obra dessas duas lendas vivas.


Em Menina da ouro, filme sobre as tragédias da vida, Clint e Morgan têm seus melhores momentos como atores


Para honrar uma lenda
E por falar em lendas, nada melhor do que duas lendas vivas reunidas para honrar uma terceira. Invictus, que antes se chamaria de The human factor, tinha uma diretriz muita clara. Narrar a experiência de Nelson Mandela em unificar a África do sul. O projeto foi oferecido a Eastwood e foi questão de tempo até Freeman entrar a bordo. O próprio Mandela disse em certa oportunidade que só o ator poderia vivê-lo em um filme sobre sua vida. Freeman e Eastwood juntos pela terceira vez por Mandela. Ele não poderia pedir melhor.


Morgan Freeman, Clint Eastwood e Matt Damon, os homens que deram vida a Invictus em outro ensaio fotográfico para deleite cinéfilo


Os números da parceria:
+ 3 filmes
+ Os imperdoáveis ganhou quatro oscars (filme, direção, montagem e ator coadjuvante para Gene Hackman)
+ Menina de ouro ganhou 4 oscars (filme direção, atriz para Hillary Swank e ator coadjuvante para Morgan Freeman)
+ As duas indicações ao Oscar de melhor ator da carreira de Clint Eastwood vieram dessas duas colaborações com Freeman
+ Foram também por essas duas colaborações que Clint Eastwood ganhou seus oscars de direção
+ Foi por Menina de Ouro que Morgan Freeman recebeu seu primeiro Oscar, depois de 4 indicações
+ Morgan Freeman foi o narrador de um documentário sobre a vida de Clint Eastwood produzido pela Warner em 2005
+ Menina de ouro e Os imperdoáveis estão na lista American Film institue (AFI) dos 100 melhores filmes da história do cinema americano
Fotos: Empire , Parade e Reusters