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sábado, 14 de setembro de 2013

Crítica: Rush - no limite da emoção


...e os deuses eram mortais!

A Fórmula 1 já não é a mesma e você não precisaria assistir Rush - no limite da emoção (Rush, EUA 2013) para tomar ciência disso, mas a certeza surge irretratável findada a sessão do novo e eletrizante filme de Ron Howard, vencedor do Oscar por Uma mente brilhante. Na segunda colaboração com o roteirista Peter Morgan (a primeira foi no não menos primoroso Frost/Nixon), o diretor adentra o circo da Fórmula 1 para mostrar os bastidores de uma das rivalidades mais cativantes e lendárias do esporte entre o inglês James Hunt (Chris Hemsworth) e o austríaco Niki Lauda (Daniel Brühl).
Rodado com extrema perícia técnica e ritmo narrativo, Rush – no limite da emoção recupera o glamour da Fórmula 1 enquanto esporte a mobilizar paixões e, em paralelo, enseja elaborado estudo de personagens diametralmente opostos no tocante à postura e personalidade, mas irmanados nos objetivos e ideais.
Howard é hábil em deixar o bom texto de Morgan dosar o desenvolvimento da narrativa, que cobre praticamente uma década, e é ainda mais perspicaz ao aferir às cenas de corrida a logística das transmissões televisivas, expediente semelhante ao adotado por David O. Russell em O vencedor (2010). Rush é um filme muito bem fotografado naquilo que tem de particular, ressaltando o excelente trabalho de direção de arte.
No comando de tudo isso, Howard parece interessado em negritar o antagonismo crescente entre essas duas figuras que só enxergavam a grandeza em seus destinos.

Prontos para triunfar ou morrer: os códigos do western servem ao propósito de Howard de sublinhar os alcances de uma "simples" rivalidade entre pilotos

Chris Hemsworth tem a oportunidade de mostrar viço dramático na pele do inconsequente Hunt. O ator não precisa de muito para esbanjar carisma, mas quando exigido dramaticamente entrega o que a cena pede. E Rush exige muito de Hemsworth que precisa revelar um personagem cheio de vaidades, defeitos e ainda assim atraente ao olhar da audiência. É preciso um ator seguro para dar conta de um personagem tão complexo e que, a rigor, não detém o protagonismo da fita. Daniel Brühl, por sua vez, demora a achar o compasso certo de seu Lauda. O sotaque soa forçado no início e o tom caricatural demonstra todo o desconforto que tanto caracterizou Lauda em seu início na Fórmula 1. Mas é justamente trabalhando nessa ideia de desconforto que Brühl vai em um crescente até atingir seus melhores momentos no filme, no grande clímax da fita e deu seu personagem, por força do acidente no grande prêmio da Alemanha na temporada de 1976, que seria vencida por Hunt.

Se não toma partidos, Rush oferta a lógica do western no ambiente da Fórmula 1. Ideia que fica clara quando Hunt nocauteia um repórter depois dele ter feito uma pergunta desrespeitosa a seu arqui-rival em uma entrevista coletiva.  O que move Rush em termos de dramaturgia não é necessariamente a ideia de desmistificar seus biografados, ainda que resvale na mortalidade dos mitos, mas de observar que a ideia de antagonismo não torna apenas o esportista melhor, mas também o homem. Quiçá o mito. Ao apresentar esses dois homens como aventureiros destemidos que desenvolveram profundo respeito e admiração entre si, Howard trabalha com códigos típicos do gênero do western para revigorar o mitológico universo da Fórmula 1. Este que já não é o mesmo, mas que Rush oferece um vislumbre de seu glorioso passado.  

terça-feira, 6 de agosto de 2013

TOP 10 - Os dez maiores (e melhores) diretores "faz tudo" do cinema contemporâneo

A ideia desse Top 10 é honrar diretores de cinema que ao longo dos anos têm demonstrado talento e versatilidade a frente de projetos distintos e que revelam uma gama multifacetada de interesses. Muitos desses diretores são louvados em seu meio enquanto outros são menos conhecidos, mas igualmente qualificados. Alguns apresentam maior atividade em um gênero cinematográfico, mas aparecem em outros gêneros vez ou outra; alguns se exercitam em superproduções e no cinema independente; outros favorecem experiências estéticas diferentes em cada projeto ou alternância de linguagem. Enfim, todos fazem por merecer seu lugar nesse ranking.




10 – Bill Condon
Aos 57 anos, o diretor americano, que também é roteirista, prova a cada novo trabalho uma versatilidade sempre surpreendente. Desde Deuses e monstros (1998), excelente filme sobre os últimos dias do diretor de Frankenstein e o desejo que ele nutre por seu jardineiro, que Condon chama a atenção. Antes disso, porém, já havia rodado a perola B Candyman 2 - a vingança. Na sequência rodou o excepcional e ousado Kinsey -  vamos falar de sexo (2006), sobre o pesquisador que foi pioneiro nos estudos sobre sexualidade humana. Dois anos depois, rodou o musical Dreamgirls – em busca de um sonho, estrelado por Eddie Murphy e Beyoncé sobre alguns dos nomes mais expressivos da música negra americana do século XX.  A guinada radical se deu com a direção dos dois últimos filmes da saga Crepúsculo. Agora, em 2013, Condon se prepara para lançar a cinebiografia com jeitão de espionagem do australiano Julian Assange, The fifth estate.

9 – Ron Howard
Ele até, talvez, merecesse uma posição melhor. Howard faz comédia, drama, aventura, fantasia e ação. Mas a irregularidade de alguns projetos força sua nona posição no ranking, apesar da longevidade de seus trabalhos. Desde Splash- uma sereia em minha vida (1984), Howard tem provado versatilidade ímpar alternando filmes como Willow – na terra da magia (1988), Um sonho distante  (1992), O jornal (1994), Apollo 13 – do desastre ao triunfo (1995), O preço de um resgate (1997), O grinch (2000), Uma mente brilhante (2001), Desaparecidas (2003), O código Da Vinci (2006), Frost/Nixon (2008), O dilema (2011) e o inédito Rush – no limite da emoção (2013). Ufa!

8 – Robert Zemeckis
Outro que já fez de tudo! Comédia. Ficção científica. Comédia de ficção científica. Animação. Policial. Drama… Zemeckis é seguramente um dos diretores mais importantes da história do cinema e sua contribuição vai além da trilogia De volta para o futuro e de filmes revolucionários como O expresso polar e A lenda de Beowulf. Ele esteve a frente de filmes tão diversos como Tudo por uma esmeralda (1984), Uma cilada para Roger Rabbit (1988),  A morte lhe cai bem (1992), Forrest Gump – o contador de histórias (1994), Contato (1997), Revelação (2000) e o recente O voo (2012).
  
7 – Mike Nichols
Outro diretor cuja longevidade no cinema lhe permitiu muitas experimentações. Da crônica política à sátira, passando pela comédia de teor sexual ao drama mais profundo com raiz teatral. Nichols caracterizou-se pela excelente direção de atores nos mais variados gêneros. São deles os brilhantes Quem tem medo de Virginia Woolf? (1966), A primeira noite de um homem (1968), Ânsia de amar (1971),  A difícil arte de amar (1986), Uma secretária de futuro (1988), Lobo (1994), A gaiola das loucas (1995), Segredos do poder (1998), Closer – perto demais (2004) e Jogos do poder (2007).

6 – Curtis Hanson
Outro diretor que trafega com desenvoltura por gêneros diversos. Do drama biográfico com jeito de musical alternativo (8 mile – rua das ilusões) ao modernoso thriller financeiro (Grande demais para quebrar), passando por filmes tão diferentes e cheios de qualidades como A mão que balança o berço (1992), O rio selvagem (1994), Los Angeles – cidade proibida (1997), Garotos incríveis (2000), Em seu lugar (2005) e Bem vindo ao jogo (2007).

5 – Taylor Hackford
Esse é um verdadeiro mestre da versatilidade. Não à toa, ocupa com desenvoltura a presidência do sindicato dos diretores em Hollywood. Desde os anos 70, Hackford tem transitado por gêneros e orçamentos variados. Seu mais recente filme, o B por excelência e nostalgia Parker (2013) não guarda nenhuma semelhança com, por exemplo, o ótimo thriller romântico Paixões violentas (1984) – um dos pontos altos da década de 80. Narrativas com ritmo e tempos diferentes são sua especialidade. Um artesão de marca maior responsável por filmes tão díspares como O sol da meia-noite (1985), Advogado do Diabo (1997), Prova de vida (2000) e Ray (2004).

4 – Ridley Scott
Não dá para discutir com a proeminência da carreira de Ridley Scott. Uma carreira sólida na ficção científica com ótimos exemplares de comédia, ação e drama. Sem contar filmes épicos e de guerra que estão entre os mais significativos da história do cinema. Uma rápida pincelada na filmografia de Scott e temos filmes como Blade runner – o caçador de androides (1982), A lenda (1985), Chuva negra (1989), Tormenta (1996), Gladiador (2000), Hannibal (2001), Falcão negro em perigo (2001), Os vigaristas (2003), Um bom ano (2006) e O gangster (2007).

3- Steven Soderbergh
Ele não poderia ficar de fora do pódio. Prolífico e versátil, Soderbergh alterna grandes orçamentos com produções independentes, além de experimentar linguagens renovadas com certa frequência. De Sexo, mentiras e videotape (1989) a Terapia de risco (2013), chamou a atenção com projetos tão diversos como Irresistível paixão (1998), Traffic – ninguém sai ileso (2000), Onze homens e um segredo (2001), Solaris (2002), Bubble (2005), O segredo de Berlim (2006), Che: o argentino (2008), O desinformante (2009), A toda prova (2011) e Magic Mike (2012).

2- James Mangold
Ele só não está no topo desse ranking porque uma figura chamada Steven Spielberg, patrimônio do cinema, reclamou a primeira posição. Com justiça, diga-se. Nenhum diretor com um filmografia relativamente tão curta caminhou por caminhos tão largos assumindo projetos tão distintos e desafiadores como Mangold. De comédias românticas a biografias de lendas da música, passando por adaptações de HQs e westerns. Mangold é um diretor de cinema em toda a sua abrangência. São deles os filmes Cop land (1997), Garota interrompida (1999), Kate & Leopold (2001), Identidade (2003), Johnny & June (2005), Os indomáveis (2007), Encontro explosivo (2010) e Wolverine: imortal (2013).

1 – Steven Spielberg

Precisa explicar? Vamos lá! O homem que inventou o conceito de blockbuster e fez o filme de aventura que o American Film Institute considera o mais completo e referencial (este filme é Os caçadores da arca perdida, caso você esteja se perguntando) já fez dramas das mais variadas procedências, filmes pequenos, filmes grandes, algumas das ficções mais celebradas da história, comédias, aventuras, filmes de guerra e até drama político. Spielberg tem seus cacoetes, até certo ponto indissociáveis de sua persona, mas parece pacífico que é capaz de rodar o filme que quiser e da maneira que quiser. Alguns pontos altos: Tubarão (1975), E.T (1982), A cor púrpura (1985), Jurassic Park – o parque dos dinossauros (1993), A lista de Schindler (1993), O resgate do soldado Ryan (1998), Minority report – a nova lei (2002), Prenda-me se for capaz (2002), O terminal (2004), Munique (2005), Lincoln (2012).

sábado, 20 de agosto de 2011

Cantinho do DVD

O dilema reúne bons atrativos. Ron Howard em um inusitado retorno às comédias. Winona Ryder com um papel de relativo destaque, texto do roteirista de Wall Street: o dinheiro nunca dorme, Jennifer Connally voltando a colaborar com o diretor que lhe proporcionou um Oscar e por aí vai. No entanto, o filme que é destaque desta edição de Cantinho do DVD, não está à altura das expectativas que provoca. O que não é um demérito, mas passa longe de ser um mérito.




Crítica
Pode causar estranheza o nome de Ron Howard a frente de O dilema (The dilemma, EUA 2011). Uma comédia que durante sua hora e meia flerta perigosamente com o pastelão. Fica até difícil relacionar a fita ao começo da carreira como diretor em que Howard rodou filmes como Splash – uma sereia em minha vida (1984).
Em O dilema, Rony (Vince Vaughn) e Nick (Kevin James) são melhores amigos que estão às vésperas de dar início a um empreendimento que marca nova etapa nas trajetórias profissionais de ambos. Enquanto Nick é muito bem casado com Geneva (Wionona Ryder), Rony ainda hesita em oficializar a união com Beth (Jennifer Connelly). O dilema do título se estabelece quando Rony descobre que Geneva trai Nick e hesita em contar para o amigo. A decisão toma contornos egoístas por que Rony está ciente de que a partir do momento que Nick descobrir a verdade, o negócio que ambos tentam viabilizar irá por água abaixo. Em contrapartida, Rony deve lealdade ao amigo, além de entender a postura de Geneva como moralmente condenável.
O roteiro de Alan Loeb que já escreveu filmes como Quebrando a banca (2008), Coincidências do amor (2010) e colaborou no roteiro de Wall Street: o dinheiro nunca dorme (2010) esgarça ao máximo a situação. Nem todos os dramas eriçados pelo roteiro se legitimariam em circunstâncias reais e não é a caricatura de ansiedade que Vince Vaughn rabisca que contorna esse revés. O dilema acaba por se resolver como uma comédia bem abaixo de suas potencialidades e Howard não tem muita responsabilidade nisso. Sua grande culpa talvez resida em se provar, com a direção desse filme, um diretor-produtor. Aquele tipo de diretor que de tanto produzir já pensa um filme comercialmente. Não a toa O dilema rendeu mais discussões antes de estrear do que com a fita nos cinemas (no Brasil foi lançado diretamente em DVD). Por conta de uma piada em que compara carros elétricos à homossexualidade, O dilema posicionou-se como tema a ser debatido pela crônica cultural americana. Foi o filme estrear que o debate se esvaziou. E não houve dilema nenhum aí.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, as impressões (e algumas divagações) sobre os primeiros trailers de dois dos filmes mais aguardados de 2012; a comédia que promete marcar 2011; o lembrete de uma nova seção que chega a Claquete; o reinado de Harry Potter ainda ofuscando o horizonte e considerações sobre três produções que não tem nada a ver entre si, mas tudo a ver com você cinéfilo.



As primeiras impressões sobre o novo Batman
Junto com o último Harry Potter foi revelado o primeiro teaser do último Batman de Christopher Nolan. O filme, que ainda está sendo gravado, é fortemente aguardado por cinéfilos e crítica. Nolan, como se sabe, tem aumentado as expectativas em torno de sua obra. O novo Batman beira o colapso nesse sentido. Talvez por isso, esse primeiro teaser liberado um ano antes do lançamento nos cinemas (a exemplo do que ocorrera com A origem), revele tão pouco. A ideia é rememorar a trajetória do vigilante e lembrar a audiência, nas palavras do comissário Gordon (Gary Oldman) da angústia experimentada pelo homem-morcego. O teaser aguça ao trabalhar com conceitos já estabelecidos no final de O cavaleiro das trevas. O que permite supor que a engenharia do marketing da Warner deve privilegiar uma campanha, guardadas as devidas proporções, similar à realizada para promover A origem. Deu muito certo a ideia de revelar pouco da trama e bombardear o público com imagens conceituais de alto impacto. Contudo, Batman é algo que não pode ficar totalmente no escuro. Vai ser interessante ver como essa história se desenrola...



As primeiras impressões sobre o novo aranha
A Sony liberou o primeiro trailer de O incrível Homem Aranha. O filme, que medirá forças com Batman no verão de 2012, é um precoce reboot da série iniciada em 2002 com Tobey Maguire como Aranha e Sam Raimi na direção. Quem lê Claquete há muito tempo acompanhou a série de postagens que pormenorizou os bastidores da decisão da Sony de demitir a equipe criativa do quarto filme e reiniciar a série.
Com Andrew Garfield como o cabeça de teia e Marc Webb atrás das câmeras, a produção - mais barata – objetiva reestruturar a trajetória do Aranha no cinema. A linha Ultimate, que fez o mesmo nos quadrinhos com vários personagens da Marvel, é uma escudeira aqui. No entanto, o trailer repisa onde o primeiro filme de Sam Raimi andou tão bem. O vídeo promocional não sugere conflitos distintos dos vislumbrados na fita de 2002. A estrutura narrativa parece a mesma e, pelo menos nesse momento, tudo indica que as comparações serão desfavoráveis à empreitada.
Nas próximas edições de Em off, mais notícias sobre O incrível homem aranha.





Amanhã tem estréia...
Aqui em Claquete. Com 60% dos votos, o cineasta Clint Eastwood foi escolhido para estrelar a primeira seção Filmografia comentada do blog. A nova seção vem substituir Panorama e irá destacar, com uma rica combinação de análise e informação, as filmografias de importantes figuras do cinema.



Os números de Harry Potter

Foi uma estréia demolidora. Harry Potter e as relíquias da morte-parte II destroçou antigos recordes e segue reinando absoluto nas bilheterias. O filme desbancou Lua nova como o de maior faturamento em um único dia com U$ 92 milhões. Foram 18 milhões a mais do que a marca anterior. O oitavo Harry Potter também destronou Batman – o cavaleiro das trevas e sua vistosa marca de melhor bilheteria de fim de semana de estréia (a jóia na coroa de qualquer blockbuster). O recorde anterior era de U$ 158, Harry Potter e as relíquias da morte-parte II cravou U$ 169,2 milhões. Mundialmente, o filme do bruxo amealhou U$ 485 milhões e foi o mais rápido a atingir U$ 200 milhões nos EUA em toda a história.
Com toda a frenesi Harry Potter acontecendo aí fora, Claquete quis saber do leitor qual era o melhor diretor da saga. O vitorioso foi David Yates, aquele que teve mais filmes para dirigir. O primeiro a assumir o posto , Chris Columbus ficou com a segunda posição. Cuáron e Newell também foram lembrados.
O último filme, fresquinho na memória, foi considerado por 33% dos (e)leitores o melhor da saga. Seguido de perto por As relíquias da morte-parte I e O prisioneiro de Askaban. O único a não ser lembrado foi O enigma do príncipe.


A comédia do ano?
Kevin Spacey como um tipo truculento e preconceituoso, um Colin Farrel careca e barrigudo igualmente preconceituoso e uma Jennifer Aniston ninfomaníaca como chefes de Jason Bateman, Jason Sudeikis e Charlie Day respectivamente. Os três subordinados infelizes resolvem matar seus chefes. Para tanto, resolvem contratar o serviço de consultoria prestado por um histriônico Jamie Foxx. O filme, que já está em cartaz nos EUA, estréia no Brasil em 12 de agosto. Quero matar meu chefe registrou a melhor estréia para uma fita proibida para menores de 18 anos depois dos dois exemplares de Se beber não case. Confira as cenas que Claquete disponibiliza (em inglês) e especule se isso é o bom ou ruim.








Um filme que tem tudo para dar certo
Anunciado há poucas semanas, o filme Rush promete ser uma das atrações da temporada de prêmios de 2013. A produção mostrará a rivalidade entre os pilotos de Fórmula 1 Niki Lauda e James Hunt na década de 70. “A rivalidade é o que move a trama”, assegurou o roteirista Peter Morgan de filmes como A rainha e Frost/Nixon. Ron Howard reeditará a parceria estabelecida com Morgan neste último. E os dois atores principais já foram contratados. O australiano Chris Hemsworth – em alta com o sucesso de Thor – será Hunt e o hispano alemão Daniel Bruhl viverá Lauda.



Um filme que deve dar certo
O diretor do sueco Deixe ela entrar, um thriller de espionagem baseado em John Le Carré que imagina as circunstâncias da criação do icônico personagem James Bond e um elenco capitaneado pelo oscarizado Colin Firth com Gary Oldman, Tom Hardy, John Hurt, Ciarán Hands e Mark Strong.
As rusgas entre as agências de inteligência britânica e soviética são a matéria prima da fita que será lançada no festival de Toronto em setembro. No Brasil, a estréia de O espião que sabia demais está agendada para janeiro de 2012.

Colin Firth, que não quer perder de vista seu assento no Kodak Theatre, protagoniza O espião que sabia demais 

Gary Oldman faz um agente britânico em busca de respostas 


Mark Strong vive mais um vilão em sua carreira, mas no final da história ele bem pode ser um dos moçinhos...


Um filme que deve dar errado
Ficou meio na moita o primeiro trailer de Sherlock Holmes: jogo das sombras. Lançado na semana passada, o primeiro vídeo do filme que estréia no natal desse ano sugere que a sequência dirigida novamente por Guy Ritchie investirá em tudo que deu certo no primeiro filme: Robert Downey Jr., Robert Downey Jr. e Robert Downey Jr. Também devem marcar presença a nivelada química com Jude Law, o humor rasteiro e as piadas inteligentes. Contudo, Jogo das sombras nesse primeiro trailer deixa escapar um desgaste que pode prejudicar seriamente a performance do filme junto à crítica. A conferir.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Movies Great Partnerships - Ron Howard & Brian Grazer


Um vem de uma família de atores e outro se decidiu a produzir programas e filmes para família. Ron Howard e Brian Grazer se conheceram no início dos anos 80 nos bastidores de programas pilotos para a TV que nem sequer vingaram, mas a amizade (e parceria) vingou. Juntos, em 1986 fundaram o estúdio Imagine Entertainment que hoje é um dos maiores estúdios independentes de grandes conglomerados de comunicação como a Time Warner e a Sony Pictures (embora colabore assiduamente com a Universal Studios).
Um ano antes, porém, Grazer e Howard estiveram a frente de um grande hit do cinema ointentista. Tratava-se de Splash – uma sereia em minha vida que trazia um jovem e desconhecido Tom Hanks apaixonado pela sereia vivida por Daryl Hannah. O filme, que hoje é um clássico da sessão da tarde, apresentou um produtor jovem (esta foi sua primeira produção para cinema) e um ator que parecia convencer mais como diretor. O filme seguinte da dupla não repetiu o mesmo sucesso. O tiro que não saiu pela culatra (1989), apesar de elogiado por alguns setores da crítica, não fisgou o público. Enquanto Grazer investia em filmes com apelo familiar (como Um tira no jardim de infância), Howard tentava mostrar que era comercialmente viável em qualquer gênero (rodou Um sonho distante com o emergente casal formado por Tom Cruise e Nicole Kidman).

 Howard (de boné) dirige sempre com o apoio de Grazer (de cabelo espetadinho)

Foi justamente nos anos 90 que a pareceria Howard e Grazer se galvanizou. Com o estúdio fundado por eles cada vez mais sólido em Hollywood, puderam ofertar a estúdios maiores produções engajadas como O jornal (1994), ou apoteóticas como Apollo 13 – do Desastre ao triunfo (1995). O segundo filme, que novamente trazia Tom Hanks no elenco, levou Grazer pela primeira vez ao Oscar (indicado na categoria de melhor filme). Howard ainda teria de esperar mais alguns anos por esta distinção.
A esta altura, Howard não precisava se preocupar em ser comercialmente viável. Era pacifico para a dupla que Grazer deveria atuar como produtor de todos os filmes de Howard. E assim foi. O preço de um resgate (1997), ED TV (1999), O Grinch (2000), Desaparecidas (2003) e A luta pela esperança (2005) são todos produzidos por Grazer. Foi o produtor, cada vez com mais voz em Hollywood, que bancou o nome de Howard para um projeto de grande estima dentro da Dreamworks (na época o estúdio de Steven Spielberg). A aposta deu certo. Uma mente brilhante (2001) levou 4 Oscars (inclusive de filme para Grazer e direção para Howard, logo em sua primeira indicação) e fez grande bilheteria. O sucesso do filme mostrou que a parceria sabia aliar academicismo com potencial de bilheteria. E foi esse potencial de bilheteria, e porque Howard e Grazer são tão afinados e entrosados, que fez com que a Sony relegasse a dupla e a Imagine Entertainment a tarefa de adaptar para o cinema o best seller de Dan Brown, O código DaVinci (2006). Deu tão certo que, U$ 800 milhões em bilheteria depois, foi dado o aval para a continuação, Anjos e demônios (2009). Antes de voltar ao universo do simbologista Robert Langdon, Howard e Grazer voltaram ao Oscar. Com o teatral, oportuno e inteligentíssimo Frost/Nixon (2008). Muita gente duvidou que se tratasse de um filme de Ron Howard, numa clara demonstração de que ainda não o tomam como um diretor de fato.

Alguém contou uma piada: Ron Howard, Russe Crowe e Brian Grazer dão uma boa gargalhada nos sets de Uma mente brilhante


É possível dizer que o produtor Brian Grazer dá confiança e liberdade ao diretor Ron Howard e que, antes de qualquer coisa, a recíproca é verdadeira. Alternando projetos acadêmicos como Frost/Nixon com blockbusters como O código DaVinci, a dupla já provou que tem o necessário para engrandecer a história do cinema. Foi de sua tutela que alguns dos melhores filmes dos últimos anos nos foram entregues. O próximo projeto é a comédia The dilemma (2011). Pode até ser uma bomba, mas a parceria está suficientemente alicerçada para resistir.


domingo, 21 de fevereiro de 2010

Os 25 melhores filmes da década:14 - Uma mente brilhante

“Eu preciso acreditar que algo extraordinário é possível”


Sinopse:
John Nash é um gênio da matemática e da economia. Mas aos poucos o belo e arrogante John Nash se transforma em um sofrido e atormentado homem, que chega até mesmo a ser diagnosticado como esquizofrênico pelos médicos que o tratam. Porém, após anos de luta para se recuperar, ele consegue domar a doença.

Comentário:
É fato que biografias de figuras famosas são reverentes por força de definição. Uma mente brilhante, esse belo e clássico trabalho de Ron Howard, foi muito criticado por deixar de fora alguns elementos controversos da vida de seu biografado, como uma possível homossexualidade. Independentemente de omissões que de fato só incomodam a quem queira se incomodar, Uma mente brilhante é um filme inspirador. Bem realizado e acadêmico no conteúdo e na forma, o filme de Howard é um esplendor de técnica. Desde a tocante trilha sonora até o vistoso trabalho de montagem.
A alma do filme, no entanto, é Russel Crowe. A caracterização do ator é daquelas que assombra por gerações. A batalha de um homem para preservar tanto sua genialidade quanto sua dignidade inebria a platéia no ritmo da performance arrebatadora do ator.

Prêmios:
4 Oscars (filme, direção, roteiro adaptado e atriz coadjuvante); 2 Baftas (ator e atriz coadjuvante);4 critic´s choice awards (filme, direção, ator e atriz coadjuvante); 4 globos de ouro (filme/drama, ator/drama, roteiro e atriz coadjuvante); prêmio do sindicato dos diretores; Melhor ator, atriz coaduvante e direção pelo associação de críticos de Phoenix; prêmio de melhor ator pelo sindicato dos atores; prêmio de melhor roteiro pelo sindicato dos roteiristas;

Curiosidades:
- Robert Redford estava atrelado ao projeto (para dirigir) até o inicio da pré-produção, mas se retirou devido a conflitos de agenda.
- O verdadeiro John Nash referendou o filme. Além de visitar os sets de filmagens e rasgar elogios para a caracterização que Russel Crowe fez dele, o matemático compareceu a cerimônia do Oscar que consagrou a fita como a melhor do ano de 2001
- Nenhuma das cenas que se passam na universidade de Harvard foi filmada lá. Elas ocorreram em uma faculdade de Manhattan
- Desde esse filme, os produtores Brian Grazer, Akiva Goldsman e Ron Howard (que também dirige) só trabalham juntos. Seja em blockbusters como O código Davinci ou em produções de Oscar como Frost/Nixon
- A revista americana Premiere incluiu o filme em uma lista que organizou dos 20 filmes mais superestimados de todos os tempos

Ficha técnica:
título original:A Beautiful Mind
gênero:Drama
duração:02 hs 15 min
ano de lançamento:2001
estúdio:Imagine Entertainment
distribuidora:DreamWorks Distribution/ Universal Pictures / UIP
direção: Ron Howard
roteiro:Akiva Goldsman, baseado em livro de Sylvia Nasar
produção:Brian Grazer e Ron Howard
música:James Horner
fotografia:Roger Deakins
direção de arte:Robert Guerra
figurino:Rita Ryack
edição:Daniel P. Hanley e Mike Hill
Elenco: Russel Crowe, Ed Harris, Jennifer Connaly, Paul Bettany e Christopher Plummer


Fonte: arquivo pessoal



sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009 - Cenas de cinema: Gente - parte 1

Nasce o herói de uma geração
2009 mostrou que é mesmo na Austrália que estão escondidos os astros mais carismáticos do cinema atual. Recentemente Russel Crowe e Hugh Jackman saíram da ilha da Oceania para dominar o mundo. Jackman, por sinal, brilhou intensamente em 2009 nos Oscars e como Wolverine. Contudo, o ano revelou um novo, belo e carismático “australian Nice and quiet kinda guy”. Sam Worthington apareceu primeiro roubando a cena de Christian Bale em O exterminador do futuro 4: a salvação e agora no épico scifi de James Cameron Avatar.Cameron, aliás, já reclama para si o titulo de descobridor de Worthington, que como todos já podem notar, vai longe. Em 2010, ele encabeça o elenco da esperada aventura Fúria de titãs que a Warner Brothers lança no verão americano.

Sam Worthington em momento descontração e como Perseus, o protagonista de Fúria de Titãs, que estréia em 2010

Para quem tinha dúvidas do meu outro eu
E Brad Pitt continua a desafiar os rótulos que costumam lhe atribuir por aí. Depois de um 2008 abençoado, em que apareceu no bem sacado Queime depois de ler e no acadêmico O curioso caso de Benjamin Button, o ator mostrou em 2009 que é antes de ser um cara bonito, um ator de extremo talento e um produtor cuidadoso. Reuniu-se com Quentin Tarantino para fazer um dos melhores filmes do ano, de quebra compôs um dos personagens mais engraçados e icônicos da temporada, o tenente Aldo Raine; não obstante como produtor lançou os delicados filmes A vida intima de Pippa Lee e Te amarei para sempre.

Pitt como Aldo Raine: Ahá, não contavam com minha astúcia!

E quando não é o ano dela?
Todo mundo concordou no inicio de 2009 que esse era o ano de Kate Winslet. A atriz que ganhou absolutamente todos os prêmios da temporada, inclusive dois globos de ouro em categoria de cinema (feito inédito), esteve linda por onde quer que tenha passado. Sempre muito simpática, a atriz mostrou em O leitor e Foi apenas um sonho que seu talento não conhece limites. Justamente por isso, há de se indagar: quando ela não está por cima da carne seca?

Um 2009 inesquecível: Kate Winslet e seu par de globos de ouro. Ainda viria o Oscar...

Reconhecimento já!
Mickey Rourke entrou em 2009 no estado de mais absoluta fascinação. Exaltado por colegas e críticos por seu desempenho, e volta por cima, em O lutador, o ator fez questão de se impor. Dificultou para a produção de Homem de ferro que o queria como o vilão chicote negro para o segundo filme. O acordo saiu. Rourke integra o elenco de um dos principais lançamentos de 2010, mas o Oscar ficou pelo caminho.

Jogando para os dois times
Que Ron Howard é um bom diretor, produtor tenaz e figura querida em Hollywood todo mundo sabe. Mas 2009 deixou bem claro o esforço dele para agradar a gregos e troianos. Frost/Nixon, que teve 5 indicações ao Oscar, é um filme pequeno, de teor rebuscado e que se direciona a uma platéia intelectualizada demais, não à toa saiu sem Oscar. Anjos & Demônios, continuação do sucesso O código DaVinci, é deleite para as massas. Roward foi bem sucedido em ambas as frentes. Super-homem é isso aí.

Eles passaram o ano juntos, mas não juntos.Entendeu?
As estrelas de Crepúsculo, Robert Pattinson e Kristen Stewart foram, durante todo o curso de 2009, vitimas das fofocas mais atrozes. Todos queriam saber se os pombinhos estavam ou não estavam, afinal, tendo um romance. Cabeça de político petista muda menos do que o estado das coisas entre Pattinson e Kristen. Pelo menos para quem os acompanha via celebrity press gossip. Na dúvida, fiquemos com o popular: onde há fumaça...


As mulheres que desapareceram...
Julia Roberts, Megan Fox e Diablo Cody, essas duas últimas por um mesmo filme, eram presenças esperadas para esse 2009. Julia ganhou seus tradicionais U$ 20 milhões para rodar Duplicidade e, embora o filme seja muito bom e Julia tenha recebido um indicação ao Globo de ouro, o filme não rendeu nem isso no mercado americano. Prova de que a atriz já não atrai público como outrora. No caso de Cody e Fox, a coisa foi ainda pior. Garota infernal foi decepção de público e critica, que deve ter doído muito para a vencedora do Oscar de roteiro por Juno e para a “sou mais linda do que você” Megan Fox.

Em sentido horário, Megan Fox, Julia e Diablo Cody: Meninas (nem tão) super poderosas...

...e a mulher que continua aparecendo
Para contrariar aquela máxima de que mulheres com mais de 30 não conseguem um bom trabalho em Hollywood, Meryl Streep não quebra só recorde após recorde no Oscar não. A atriz de 60 anos enfileira sucessos de bilheteira. Esse ano somou mais um. Julie & Julia foi uma das sensações do verão e ela estrela ainda o promissor Simplesmente complicado que estréia nos EUA nesse natal.


Meryl Streep em três grandes momentos de 2009: Como uma freira conservadora em Dúvida, como uma chef de cozinha em Julie & Julia e ao lado de Alec Baldwin no cartaz de Simplesmente complicado


Projeto de 2009: recuperar o status de astro em 2010
Tom Cruise veio ao Brasil para divulgar Operação Valquíria e para mostrar aquele outrora indefectível carisma. 2009 foi ano de muito trabalho. Além de tentar escolar sua filhinha Suri, recentemente eleita a criança mais fashion do mundo (pois é, tem dessas coisas), na doutrina da cientologia –contra a vontade de Mamãe Katie, Cruise gravou duas comédias. Uma ao lado de Cameron Diaz e outra de Ben Stiller. Em 2010 ele quer fazer o americano rir.

Cruise e sua filha em momento ternura: Sorri para ajudar a carreira do papai...