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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Insight

Robert Downey Jr. na berlinda


É até espantoso enunciar um artigo colocando Robert Downey Jr. no paredão. Além de um tanto estranho. Contudo, a preocupação é legítima. O próprio Downey Jr., em sua passagem pelo Brasil no último mês de janeiro, tocou no assunto. Indagado se temia que o público se enjoasse dele, o ator foi bastante sereno ao afirmar que “eles me mandarão um recado, caso isso aconteça”. Para Downey Jr., as bilheterias são o melhor termômetro para aferir se ele ainda está em alta ou não junto a seu “eleitorado”. E o que dizem as bilheterias? Que  Robert Downey Jr. pode começar a se preocupar. Não, o astro não deixou de fazer dinheiro. A estreia de Sherlock Holmes: o jogo de sombras nos EUA, ainda que tenha sido inferior às expectativas da Warner, rendeu U$ 39 milhões. Houve, no entanto, uma queda considerável em relação à abertura do primeiro filme, que registrou U$ 62,3 milhões. Se o segundo Homem de ferro teve uma abertura maior do que o primeiro filme (U$ 128 milhões contra U$ 98 milhões), o resultado final das bilheterias dentro do mercado americano não confirmou a tendência. O primeiro filme encerrou carreira com R$ 319 milhões enquanto que o segundo chegou a R$ 312 milhões. A frieza dos números pode ser questionada pela qualidade das sequências, algo que prescinde, ainda que não completamente, da presença de Robert Downey Jr.
O que preocupa nas entrelinhas são as opções de Downey Jr para a condução de sua carreira. É inegável que ele se reinventou como astro de cinema e, inclusive, é grande responsável pelo sucesso da Marvel enquanto estúdio de cinema. Mas é chegado o momento para o ator diversificar seus projetos. Sherlock Holmes e Homem de ferro, duas franquias que só existem em virtude do apelo de Downey Jr, polarizam suas qualidades e lhe atribuem mais responsabilidades do que o desejável. Até o momento o pendor desse fato tem lhe sido favorável, mas as bilheterias sugerem atenção. As coisas podem mudar.
Neste momento, o ator só está envolvido na produção do terceiro Homem de ferro, que já declarou considerar o melhor roteiro que já leu em sua vida. O material promocional de Os vingadores divulgado até o momento se foca inteiramente em Downey Jr., mesmo o filme contando com vários personagens do universo marvel vividos por gente como Scarlett Johansson, Chris Evans e Samuel L. Jackson.
São muitas as premências para uma mudança de rumo. A preservação da imagem é uma delas. O ator seria o principal responsável pelo esgotamento das séries que protagoniza. Até mesmo em virtude do fato de, há quatro anos, estar envolvido apenas com elas. Excetuando-se, é claro, a participação na comédia Um parto de viagem.
Outro ponto para uma alternância no perfil dos projetos, é que Downey Jr. sempre se provou ótimo ator dramático e experimentar-se novamente nessa seara poderia lhe ser produtivo, não só em matéria de prêmios. Mas o mais importante mesmo seria surpreender seu público. Desafiá-lo desafiando a sim mesmo. Por trás da comodidade que as atuais franquias lhe proporcionam, jaz uma pressão que pode dinamitar, ainda que em termos distintos, mais uma vez a carreira desse talentosíssimo e carismático ator.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Crítica - Sherlock Holmes: o jogo de sombras

Por Downey Jr. e pelo final...

É preciso reconhecer que o grande trunfo de Sherlock Holmes, estilizada reimaginação do famoso detetive pelas mãos do cineasta inglês Guy Ritchie, era Robert Downey Jr. Não à toa, o ator recebeu um justo Globo de ouro por sua performance. Isso posto, o que esperar de Sherlock Holmes – o jogo de sombras (Sherlock Holmes: a game of shadows, EUA 2011), que chega dois anos depois do filme original?
Muito pouco. É natural que o estúdio invista em uma potencial franquia, mas o novo longa – se apresenta um vilão mais intrigante – se mostra previsível e cansativo em muitos momentos. O que não o desabilita de ser considerado um entretenimento bem afeiçoado, mas certamente põe em dúvida a vitalidade da franquia.
Na nova trama, Holmes (Downey Jr.) se vê enredado pelas armações do prestigiado professor Moriarty que, nas sombras, põe em prática um plano para levar a Europa à guerra. “Eu tenho as armas e as ataduras”, sugere Moriarty que, apesar do charme com que é apresentado pelo ator Jared Harris, tem motivações tão banais quanto a de qualquer outro vilão unidimensional de qualquer outro blockbuster.

A química entre Downey Jr. e Law continua afiada, assim
como a pitada de homoerotismo que marca a dupla
Guy Ritchie ainda investe na pirotecnia e, em alguns momentos, faz crer que Matrix foi transposto para a era vitoriana. No primeiro filme, essa imposição da proposta de “modernizar o personagem” obteve tratamento mais equilibrado.
No final das contas, o segundo longa vale mesmo por Robert Downey Jr. Impossível crer que ele seja americano. Não só pelo sotaque perfeito, mas pela veia do humor que ele tão bem captura com seu Sherlock Holmes. Percebe-se uma acidez em tom maior do que seu outro personagem famoso (Tony Stark). É do interesse de ver Downey Jr. fazendo do similar, algo totalmente diverso que esse novo Sherlock Holmes se alimenta.
De bônus, Ritchie acerta a mão em seu final. Espirituoso, genuinamente engraçado e bem sacado como as melhores pérolas inglesas do diretor de Jogos, trapaças e dois canos fumegantes.
O final salva Sherlock Holmes: o jogo de sombras e faz com que o espectador saia satisfeito do cinema. É pelo final que a franquia pode receber um terceiro filme.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, as impressões (e algumas divagações) sobre os primeiros trailers de dois dos filmes mais aguardados de 2012; a comédia que promete marcar 2011; o lembrete de uma nova seção que chega a Claquete; o reinado de Harry Potter ainda ofuscando o horizonte e considerações sobre três produções que não tem nada a ver entre si, mas tudo a ver com você cinéfilo.



As primeiras impressões sobre o novo Batman
Junto com o último Harry Potter foi revelado o primeiro teaser do último Batman de Christopher Nolan. O filme, que ainda está sendo gravado, é fortemente aguardado por cinéfilos e crítica. Nolan, como se sabe, tem aumentado as expectativas em torno de sua obra. O novo Batman beira o colapso nesse sentido. Talvez por isso, esse primeiro teaser liberado um ano antes do lançamento nos cinemas (a exemplo do que ocorrera com A origem), revele tão pouco. A ideia é rememorar a trajetória do vigilante e lembrar a audiência, nas palavras do comissário Gordon (Gary Oldman) da angústia experimentada pelo homem-morcego. O teaser aguça ao trabalhar com conceitos já estabelecidos no final de O cavaleiro das trevas. O que permite supor que a engenharia do marketing da Warner deve privilegiar uma campanha, guardadas as devidas proporções, similar à realizada para promover A origem. Deu muito certo a ideia de revelar pouco da trama e bombardear o público com imagens conceituais de alto impacto. Contudo, Batman é algo que não pode ficar totalmente no escuro. Vai ser interessante ver como essa história se desenrola...



As primeiras impressões sobre o novo aranha
A Sony liberou o primeiro trailer de O incrível Homem Aranha. O filme, que medirá forças com Batman no verão de 2012, é um precoce reboot da série iniciada em 2002 com Tobey Maguire como Aranha e Sam Raimi na direção. Quem lê Claquete há muito tempo acompanhou a série de postagens que pormenorizou os bastidores da decisão da Sony de demitir a equipe criativa do quarto filme e reiniciar a série.
Com Andrew Garfield como o cabeça de teia e Marc Webb atrás das câmeras, a produção - mais barata – objetiva reestruturar a trajetória do Aranha no cinema. A linha Ultimate, que fez o mesmo nos quadrinhos com vários personagens da Marvel, é uma escudeira aqui. No entanto, o trailer repisa onde o primeiro filme de Sam Raimi andou tão bem. O vídeo promocional não sugere conflitos distintos dos vislumbrados na fita de 2002. A estrutura narrativa parece a mesma e, pelo menos nesse momento, tudo indica que as comparações serão desfavoráveis à empreitada.
Nas próximas edições de Em off, mais notícias sobre O incrível homem aranha.





Amanhã tem estréia...
Aqui em Claquete. Com 60% dos votos, o cineasta Clint Eastwood foi escolhido para estrelar a primeira seção Filmografia comentada do blog. A nova seção vem substituir Panorama e irá destacar, com uma rica combinação de análise e informação, as filmografias de importantes figuras do cinema.



Os números de Harry Potter

Foi uma estréia demolidora. Harry Potter e as relíquias da morte-parte II destroçou antigos recordes e segue reinando absoluto nas bilheterias. O filme desbancou Lua nova como o de maior faturamento em um único dia com U$ 92 milhões. Foram 18 milhões a mais do que a marca anterior. O oitavo Harry Potter também destronou Batman – o cavaleiro das trevas e sua vistosa marca de melhor bilheteria de fim de semana de estréia (a jóia na coroa de qualquer blockbuster). O recorde anterior era de U$ 158, Harry Potter e as relíquias da morte-parte II cravou U$ 169,2 milhões. Mundialmente, o filme do bruxo amealhou U$ 485 milhões e foi o mais rápido a atingir U$ 200 milhões nos EUA em toda a história.
Com toda a frenesi Harry Potter acontecendo aí fora, Claquete quis saber do leitor qual era o melhor diretor da saga. O vitorioso foi David Yates, aquele que teve mais filmes para dirigir. O primeiro a assumir o posto , Chris Columbus ficou com a segunda posição. Cuáron e Newell também foram lembrados.
O último filme, fresquinho na memória, foi considerado por 33% dos (e)leitores o melhor da saga. Seguido de perto por As relíquias da morte-parte I e O prisioneiro de Askaban. O único a não ser lembrado foi O enigma do príncipe.


A comédia do ano?
Kevin Spacey como um tipo truculento e preconceituoso, um Colin Farrel careca e barrigudo igualmente preconceituoso e uma Jennifer Aniston ninfomaníaca como chefes de Jason Bateman, Jason Sudeikis e Charlie Day respectivamente. Os três subordinados infelizes resolvem matar seus chefes. Para tanto, resolvem contratar o serviço de consultoria prestado por um histriônico Jamie Foxx. O filme, que já está em cartaz nos EUA, estréia no Brasil em 12 de agosto. Quero matar meu chefe registrou a melhor estréia para uma fita proibida para menores de 18 anos depois dos dois exemplares de Se beber não case. Confira as cenas que Claquete disponibiliza (em inglês) e especule se isso é o bom ou ruim.








Um filme que tem tudo para dar certo
Anunciado há poucas semanas, o filme Rush promete ser uma das atrações da temporada de prêmios de 2013. A produção mostrará a rivalidade entre os pilotos de Fórmula 1 Niki Lauda e James Hunt na década de 70. “A rivalidade é o que move a trama”, assegurou o roteirista Peter Morgan de filmes como A rainha e Frost/Nixon. Ron Howard reeditará a parceria estabelecida com Morgan neste último. E os dois atores principais já foram contratados. O australiano Chris Hemsworth – em alta com o sucesso de Thor – será Hunt e o hispano alemão Daniel Bruhl viverá Lauda.



Um filme que deve dar certo
O diretor do sueco Deixe ela entrar, um thriller de espionagem baseado em John Le Carré que imagina as circunstâncias da criação do icônico personagem James Bond e um elenco capitaneado pelo oscarizado Colin Firth com Gary Oldman, Tom Hardy, John Hurt, Ciarán Hands e Mark Strong.
As rusgas entre as agências de inteligência britânica e soviética são a matéria prima da fita que será lançada no festival de Toronto em setembro. No Brasil, a estréia de O espião que sabia demais está agendada para janeiro de 2012.

Colin Firth, que não quer perder de vista seu assento no Kodak Theatre, protagoniza O espião que sabia demais 

Gary Oldman faz um agente britânico em busca de respostas 


Mark Strong vive mais um vilão em sua carreira, mas no final da história ele bem pode ser um dos moçinhos...


Um filme que deve dar errado
Ficou meio na moita o primeiro trailer de Sherlock Holmes: jogo das sombras. Lançado na semana passada, o primeiro vídeo do filme que estréia no natal desse ano sugere que a sequência dirigida novamente por Guy Ritchie investirá em tudo que deu certo no primeiro filme: Robert Downey Jr., Robert Downey Jr. e Robert Downey Jr. Também devem marcar presença a nivelada química com Jude Law, o humor rasteiro e as piadas inteligentes. Contudo, Jogo das sombras nesse primeiro trailer deixa escapar um desgaste que pode prejudicar seriamente a performance do filme junto à crítica. A conferir.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Panorama - Sherlock Holmes



Existia um misto de apreensão e ansiedade. Guy Ritchie, apesar de imensamente pop e comunicacional, era um cineasta feito no cinema independente com uma linguagem um tanto quanto subversiva para os padrões conservadores do cinemão ianque. Portanto, uma releitura de Sherlock Holmes sob a batuta de Ritchie, mas com um grande estúdio a financiá-lo, era algo a provocar comoção cinéfila. Se o resultado não chegou a entusiasmar, tão pouco provocou arritmias. Sherlock Holmes é uma fita de ação bem resolvida, que reproduz com assertividade o humor inglês e confia no trabalho dos atores. Nesse sentido, a escolha de Robert Downey Jr. e Jude Law diz muito sobre as intenções de Ritchie aqui. Ele deixa espaço para seu par de excelentes intérpretes ludibriarem a platéia enquanto lança mão de alguns artifícios narrativos que se estão lá para afagar-lhe a vaidade, funcionam muitíssimo bem. Como por exemplo, o escrutínio que Ritchie faz do raciocínio rápido de Holmes – mesmo em uma luta livre.
Sua primeira incursão pelo cinema comercial, afirmou-lhe o status de cineasta grife. Coisa para poucos. Spielberg, Scorsese e Shyamalan (que vislumbram diferentes variantes dessa equação) que o digam. A sequência de Sherlock Holmes vem aí e, por enquanto, só mesmo Madonna derrubou Ritchie do cavalo.

sábado, 1 de maio de 2010

De olho no futuro...


Novas imagens de Jonny Depp e Angelina Jolie em O turista
Um dos filmes mais aguardados de 2011 e dos mais falados em 2010. O turista, dirigido pelo alemão Florian Von Donnersmarck (A vida dos outros), traz Johnny Depp e Angelina Jolie em um suspense com pitadas de erotismo. Esta semana foram divulgadas novas imagens da produção. Confira!


E semana que vem tem Freddy Krueger
Estreou ontem nos EUA e chega semana que vem aqui no Brasil o remake de A hora do pesadelo. Por trás da pesada maquiagem de Freddy Krueger está o ator Jackie Earle Haley de Pecados íntimos e Watchmen. Para aguçar a curiosidade dos fãs e nostálgicos dos filmes de terror B dos anos 80, um clipe do filme que chega no dia 7 de maio.




Notícia velha, mas perto de se tornar oficial
Brad Pitt foi visto perambulando nos sets de Sherlock Holmes. Você ficou sabendo dessa notícia aqui mesmo em Claquete. Já na ocasião especulava-se sobre uma possível aparição do astro no filme. Ela não ocorreu. Mas o vilão do segundo filme, cuja apenas a voz ouvimos no primeiro, pode ser Brad Pitt, apontam os principais sites de notícias americanos. Sherlock Holmes 2 também será rodado em 3D, como estão sendo 9 em cada 10 filmes da Warner Brothers.

Definido o diretor de Amanhecer
A Summit confirmou essa semana o nome de Bill Condon na direção do quarto filme da saga Crepúsculo, Amanhecer. Depois de ter sinalizado que o último filme seria dividido em dois, o estúdio voltou atrás da confirmação. Segundo posição oficial, isso é um assunto para ser debatido com o diretor do filme, no caso Condon. Entre os principais créditos do diretor estão os filmes Deuses e monstros, Kinsey – vamos falar de sexo e Dreamgirls. Ele é o diretor de maior prestigio a assumir um filme da saga criada por Stephenie Meyer. Enquanto isso, a pós- produção do terceiro filme, que estréia mundialmente em 30 de junho, continua enfrentando problemas. A Summit não gostou do corte final da fita apresentado por David Slade e chamou a diretora do primeiro filme, Catherine Hardwicke para rodar novas cenas e apresentar uma versão diferente. Slade e Summit azedaram a relação de vez. O diretor não atendeu aos pedidos do estúdio de participar dessa refilmagem.
Condon e o trocadilho infame: caberá a ele o crepúsculo da saga Crepúsculo

terça-feira, 13 de abril de 2010

ESPECIAL HOMEM DE FERRO 2 - Robert Downey Jr. em cinco takes

Charles Spencer Chaplin em Chaplin de 1992
Ele já havia aparecido convincentemente na TV e no cinema, mas foi encarnando Carles Chaplin na biografia dirigida por Richard Attenborough, que o ator convenceu de que era capaz de alçar grandes vôos. Veio a indicação para o Oscar, o deslumbramento e o problemas com as drogas, com a bebida e com as prisões e clínicas de reabilitação.



Larry Paul em Ally McBeal (de 2000 a 2002)
Nenhum papel foi tão valioso para Downey Jr se restabelecer em Hollywood quanto esse oferecido pelo amigo David E.Kelly, produtor do seriado. Ao todo, a participação de Downey Jr se estendeu por 22 episódios e representou o melhor momento da série. O ator voltaria a boca do povo e aos poucos retomaria a confiança de produtores e colegas em Hollywood.


Paul Avery em Zodíaco (2007)
No estupendo filme de David Fincher, em que todos os personagens têm algum tipo de obsessão, Downey Jr cria o tipo mais simpático de todos. Com um personagem que lembra muito seu jeito de ser e total domínio da tela quando está em cena, o ator mostrou que estava de volta ao jogo. Definitivamente.


Tony Stark em Homem de Ferro (2008)
Foi esse o papel que transformou Downey Jr em astro. De risco, Downey Jr passou a ser a moeda mais valorizada em Hollywood. Uma valorização que nem magos das finanças são capazes de prever. Mas que só talentos da estatura de Downey Jr são capazes de materializar.



Sherlock Holmes em Sherlock Holmes (2009)
O ator nunca esteve tão a vontade quanto na pele do famoso detetive britânico. Ciente de que é dono do show, Downey Jr não decepciona e emenda sua habitual caracterização charmosa em que reúne elementos de sua persona. A aura de bad boy, o jeito de meninão que precisa de colo e o sorriso cativante agradaram e o filme foi sucesso de público e crítica.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ESPECIAL SHERLOCK HOLMES - Ponto final

O que já foi dito sobre o filme:

É um belo filme. Engraçado, divertido e com boas performances de Law, Downey Jr e, especialmente, Strong”, de Cosmo Landesman do Sunday Times (jornal britânico)

“O novo Sherlock Holmes faz a pergunta: E se Sherlock Holmes pertencesse ao Clube da luta?”, de James O`Ehley da Fantastike magazine

“O filme cumpre o que promete. Restabelece Holmes como um herói cinematográfico que vale conhecer e assistir”, de Dan Jardine do site Poll guide

“Interpretando o maior detetive da literatura como um herói auto complacente, Downey Jr. está absolutamente divino e graças a sua performance em Sherlock Holmes, nós também”, de Bill Goodykoontz do jornal Arizona Republic

“O Sherlock Holmes de Ritchie é como Brokeback mountain sem o sexo e a profundidade de emoções”, de Rossiter Drake do San Francisco Examiner

“O surpreendente é o quão morno são os resultados. As explosões e as seqüências de ação são de uma estranha fraqueza e o plot é daquela cansativa rotina de vou dominar o mundo”, de Mary F Pols da revista Time

“Quanto menos eu pensava em Sherlock Holmes, mais eu gostava de Sherlock Holmes”, de Roger Ebert do Chicago Sun times

“Quem foi o gênio que decidiu fazer um Sherlock Holmes no estilo Batman e Robin?”, de Kyle Smith do New York Post

“O reebot de Sherlock Holmes por Guy Ritchie parece um pouco dos dois, muito complicado e muito elementar, meu caro Waltson”, de Liam Lacey do Globe and Mail

“O filme como um todo é uma esperteza”, de Joe Morgenstern do Wall Street Journal

“Downey e Law são incríveis juntos. Para mim, assisti-los juntos é o maior prazer do filme”, de David Demby da revista New Yorker

“É a mais coerente narrativa de Guy Ritchie”, de Nick Curtis do site This is London

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

ESPECIAL SHERLOCK HOLMES - critica

Descabeladamente sexy

É preciso dizer que as ambições que moviam Sherlock Holmes (EUA/ING 2009) foram plenamente alcançadas. O Sherlock Holmes de Guy Ritchie é um filme cheio de personalidade que atualiza o personagem para um público tão elétrico e eclético quanto os adolescentes, mas não desmerece aqueles que procuram uma boa história de detetive. Para fundir ambas abordagens em uma, Robert Downey Jr.
Sem o ator, que empresta seu charme sedutor e seu jeito arredio a Sherlock Holmes, o filme não conseguiria ser pop e, ao mesmo tempo, preservar alguma inteligência. É lógico que Sherlock Holmes tem problemas. Talvez seja um pouco longo e a trama, de mistérios e magia negra, em si não é empolgante, mas há muitas virtudes também. A maior delas é a química poderosa entre Downey Jr e Jude Law, que vive o médico e amigo John Waltson. Outro grande trunfo do filme é a rica reconstituição da Londres vitoriana. A fotografia, a direção de arte e cenários, os figurinos, tudo resulta em exuberância e bom gosto.

Jude Law e Downey Jr em cena de Sherlock Holmes: ação, alguma comédia e muito Robert Donwy Jr para as massas

Contudo, o maior atrativo da fita, a parte a curiosidade de ver Guy Ritchie a frente de um blockbuster e de ver um personagem clássico ganhar tonalidade pop, é mesmo Robert Downey Jr. É impressionante como ele é bom. Ele domina a cena de tal maneira que chega a ofuscar o próprio filme. Seu brilho é tão intenso que após disparar comentários sobre uma possível insinuação de homossexualidade entre Holmes e Waltson a platéia tende a concordar com ele quando vê a ciumeira de Holmes crescer com a proximidade do casamento de Waltson e sua noiva Mary. Quando na verdade, tudo o que há é a boa e velha afirmação da amizade masculina e do valor dela, como já havia nos westerns de antigamente e em filmes mais recentes como Shrek e O senhor dos anéis. Quem quiser enxergar comentário de natureza sexual aí, o faz por sua própria conta e risco.
De qualquer maneira isso mostra o quanto Downey Jr está no controle. Sherlock Holmes, com o sucesso que o filme faz, deve se estabelecer como franquia cinematográfica e Robert Downey Jr seguirá em evidência. Ah, mas e o filme mesmo? Bem, o filme é ele. Para a sorte de Guy Ritchie, da Warner e nossa.

sábado, 9 de janeiro de 2010

ESPECIAL SHERLOCK HOLMES - O perigoso marketing da sexualidade

Em meio as muitas entrevistas de divulgação que participou, como parte da campanha de promoção de Sherlock Holmes, Robert Downey Jr. disse, em mais de uma oportunidade, que existe um forte componente homossexual no filme. Para o ator, homens que dividem até mesmo a cama, completam as sentenças um do outro e se enciumam mutuamente são gays. A declaração ganhou a grande imprensa americana. E relatos indicam que o clima entre alguns executivos da Warner Brothers (estúdio responsável pela adaptação) e o astro azedou. No entanto, a performance nas bilheterias do filme continua impressionante. O filme, e a polêmica aventada por Downey Jr, continuam rendendo espaço no horário nobre da tv amaericana. Claquete destaca uma entrevista concedida por Downey Jr e por Jude Law em que eles explicam a dinâmica do relacionamento entre Holmes e Waltson. Obviamente, a polêmica declaração de Downey Jr é lembrada e o ator mais uma vez discorre sobre o assunto. Repare que agora já não se fala em um "componente homossexual", fala-se em homoerotismo. Acreditando-se nisso ou não, sendo jogo de cena ou não, fato é que foi mais uma ferramenta valiosa para promover um filme já bastante aguardado.

Observação: O video não tem legendas


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

ESPECIAL SHERLOCK HOLMES - Quero ser star


Esse inglês, natural de Londres tem jeito de mal e carisma dos bons. Em Sherlock Holmes trabalha pela terceira vez com o diretor Guy Ritchie. A primeira vez foi em Revolver (2005), em que fazia um pistoleiro tão mortal quanto calado. Em 2008 roubou a cena como Archy, o braço direito do mafioso vivido por Tom Wilkinson em Rocknrolla-a grande roubada. Ritchie se encantou com a versatilidade e a virilidade discreta desse inglês de 47 anos que aparenta ter 10 a menos. “Acho que ele só quer trabalhar comigo por que Jason Statham se descobriu como astro de filmes de ação”, brincou o ator, quando indagado porque Ritchie fazia questão de tê-lo como lorde Blackwood (o vilão de Sherlock Holmes). A referência a Jason Statham, descoberto pelo diretor inglês e que com ele rodou além Jogos, trapaças e dois canos fumegantes, Snatch-porcos e diamantes e Revolver não é a toa. Ritchie, de fato, é conhecido por ter um ator fetiche. Um amuleto que carrega de produção para produção.
Mark Strong rouba a cena do colega famoso, Gerard Butler, em Rocknrolla

Mas Mark Strong quer ser mais que um amuleto. Além do vilão de Sherlock Holmes ele fará o vilão de outro grande lançamento de 2010. Ele será Sir Godfrey, nêmesis do Robin Hood de Russel Crowe, na produção de mesmo nome. Aliás, essa será a segunda parceria de Strong com o diretor Ridley Scoot e com o ator Russel Crowe. Ele foi um diplomata árabe que colaborava com a CIA no filme Rede de mentiras (2008). Strong costuma afirmar que os papéis de vilões e árabes surgem devido a seus traços fortes. Mas dá para ver que ele está sendo disputado pelos principais nomes de Hollywood por causa de outros atributos. De qualquer maneira, não dá para negar que ele deixa ótima impressão.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ESPECIAL SHERLOCK HOLMES - Perfil - Robert Downey Jr

O segredo do sucesso dele



O ator como Tony Stark em Homem de ferro: Sexy, cafajeste e campeão de bilheteria

Muitos foram os tropeços na hoje consolidada carreira de Robert John Downey Jr. Prisões, batidas de carro, consumo de drogas, bebedeiras históricas e muito escândalo por conta disso, e de muito mais, marcaram quase duas décadas da vida desse talento precoce. Filho do diretor Robert Downey Sr., Downey Jr., nova-iorquino de nascença, cresceu sob a luz da fama e de Hollywood. Sua estréia no cinema se deu em 1970, aos cinco anos de idade em um filme dirigido pelo pai, Pound. Durante os anos 80, ele quis saber de curtir a vida e participava esporadicamente de séries de tv, o ponto alto foi sua participação no humorístico Saturday night live em 1985. Foi só em 1992 que Downey Jr se fez notar. Por sua interpretação de Charles Chaplin em Chaplin, de Richard Attenborough, o ator foi indicado para o Oscar de melhor ator daquele ano. Prêmio este ao qual concorreu novamente, ano passado, pela caricatura bem humorada que fez do oficio de ser astro de cinema em Trovão tropical. É justamente nos 17 anos que se passaram entre um Oscar e outro que Robert Downey Jr pôs quase tudo a perder e também se recuperou bravamente.


Fichado e chapadão: "Fiz muita merda na vida", diz o ator em auto-critica


Depois de Chaplin o ator passou a alternar momentos de alguma relevância no cinema com frequentes passagens pela polícia (por direção perigosa, posse de grandes quantidades de droga e até porte ilegal de armas). Filmes como Ricardo Terceiro e Short cuts- cenas da vida foram dois dos poucos que fez de alguma relevância depois de Chaplin. As portas iam se fechando.O casamento, com a primeira mulher Deborah Falconer também esmorecia (eles se separariam várias vezes, mas o divórcio só se deu de fato em 2004).
Mas Downey Jr. ainda tinha amigos. E eram eles quem lhe afiançavam em Hollywood durante seu longo inferno astral. Entre temporadas na prisão e clínicas de reabilitação, Downey Jr. participou de filmes como U.S Marshals – os federais (1998), continuação de O fugitivo em que as estrelas eram Wesley Snipes (veja você) e Tommy Lee Jones, Amigos e amantes (1999), Preto e branco (drama independente que contava com o boxer Mike Tyson) e Garotos incríveis. Apesar de boas participações nesses filmes, Downey Jr e suas recaídas afugentavam os produtores e investidores que não queriam má publicidade para seus produtos. Foi quando o amigo e produtor David E. Kelly, marido de Michele Pfeiffer, o chamou para uma série de participações no seriado Ally McBeal. A aceitação do público foi instantânea. O personagem de Downey Jr. fez bastante sucesso e aos poucos as portas do cinema voltaram a se abrir para ele. Vieram os papéis, ainda pequenos, em filmes como Na companhia do medo (2003), Crimes de um detetive (2003) e Boa noite e boa sorte (2005). Também veio o primeiro protagonismo em muito tempo, na comédia policial Beijos & Tiros (2005). Um filme de humor difícil que não agradou o público americano e os produtores creditaram o fracasso da fita a Downey jr. que embora com menos freqüência, e em incidências menos comprometedoras, ainda dava deslizes indesejáveis.
Mas foi justamente em 2005, a última vez que se ouviu falar de algum problema de bebida ou congêneres da parte de Robert Downey Jr.
Em 2006, ele esteve em dois projetos de ambições mais artísticas, O homem duplo (animação de Richard Linklater protagonizada por Keanu Reeves) e A pele (em que dividiu a cena com Nicole Kidman). Aos poucos, o ator recuperava a confiança de uma indústria que se assenta primordialmente sobre esse pilar.



O ator em cena de Beijos e tiros: O filme não deu muito certo, mas sinalizava o recomeço de Downey Jr.

Em 2007 ele fez, sorrateiramente, a transição do artístico para o comercial. Com um papel pequeno, mas defendido com devoção, em Zodíaco de David Fincher, um daqueles diretores que agradam a gregos e troianos, ele conseguiu se colocar em evidência novamente. O suficiente para se viabilizar como aposta da Marvel studios para o papel principal de Homem de Ferro. Filme que o estúdio (em sua primeira produção solo) guardava grandes expectativas. Downey Jr. sabia que essa era não só sua grande chance de voltar a desfrutar de boa notoriedade, mas sua grande chance como ator. E ele não fez por menos. Homem de ferro foi um grande sucesso de público e crítica, em grande parte devido ao ator, e fez de Downey Jr. um dos nomes mais quentes do momento. Para fechar bem o inesquecível 2008, o ator foi indicado ao Oscar de coadjuvante pelo impagável Kirk Lazarus que fez em Trovão tropical, outra produção do verão americano que lhe caiu no colo de pára-quedas. Seu papel era anteriormente de Owen Wilson que fora afastado da produção após sua malfadada tentativa de suicídio.
Bom ator, carismático, sexy e fotogênico. Quem vê Downey Jr. na pele de Tony Stark ou de Sherlock Holmes não consegue entender como o status de astro demorou tanto para chegar. Para esses Downey Jr diz: “Fiz muita merda na minha vida, mas agora estou careta”, dizia o astro à época do lançamento do primeiro Homem de ferro, quando indagado sobre sua trajetória. Em 2010, além de Sherlock Holmes, o ator estará na continuação de Homem de ferro, que chega em maio e na comédia Due date (atualmente em pós-produção). Ou seja, Downey jr. corre o risco de dominar 2010. Na ciranda que é Hollywood, ele parece ter a fórmula do sucesso bem estabelecida. Há quem veja no fato de seus mais famosos personagens (Sherlock Holmes e Tony Stark) serem figuras geniais e geniosas e chegarem agora, quando o ator está na casa dos 40, mais do que coincidência. Novamente com a palavra Downey Jr. em entrevista recente concedida a revista Premiere americana sobre se imaginava estar onde está nesse ponto da carreira: “Só sou um cara de muita sorte”.



Robert Downey Jr. ao lado de Jude Law em Sherlock Holmes: Hoje ele é um dos atores mais festejados de Hollywood

domingo, 3 de janeiro de 2010

ESPECIAL SHERLOCK HOMES - Insight

Devassando Guy


O irmão de Madonna, no livro que lançou sobre a vida da irmã, diz que ele é bronco, machão e preconceituoso. Mas o cinema praticado por esse inglês de Hartfield, Inglaterra é dos mais modernos. Ritchie foi alçado a notoriedade mundial com o sucesso de Jogos, trapaças e dois canos fumegantes, de 1998. Um pequeno filme inglês que só conseguiu distribuição internacional depois que a produtora e parceira de Tom Cruise, Paula Wagner, viu e apreciou a linguagem e o estilo daquela fita acelerada e politicamente incorreta. Guy Ritchie ganharia status de celebridade, no entanto, alguns anos depois ao casar-se com a popstar mais controversa do século 20.
Foi ao assistir o clássico Butch Cassidy & Sundance kid que o então adolescente Guy teve a certeza do que queria ser; cineasta. Contudo esse inglês de fala mansa e filmes verborrágicos não cursou nenhuma escola de cinema, por considerá-las chatas e impraticáveis. O que Guy fez, com considerável dose de sorte, foi dirigir clipes para bandas e comerciais de TV e juntar o dinheiro arrecadado para rodar um curta de 20 minutos, denominado The hard case, que mais tarde daria origem a seu longa de estréia, justamente, Jogos, trapaças e dois canos fumegantes.






O filme de estréia do diretor é celebrado como um dos melhores filmes ingleses da década de 90

O diretor voltaria ao mundo dos gangsters desglamourizados em Snatch – porcos e diamantes, um filme ainda com pegada independente e revestido de humor inglês, mas que já flertava com um padrão hollywoodiano. Os astros Brad Pitt e Benicio Del Toro integravam o elenco da divertida fita sobre ciganos, gangsters, diamantes e porcos.
Depois de Snatch, e junto com o casamento com Madonna, viria o ostracismo criativo de Guy. O filme que dirigiu a pedido de sua esposa, e estrelado pela própria, Destino insólito, refilmagem de um filme italiano, não era só totalmente incompatível com sua linguagem e interesses cinematográficos, era ruim de doer.
Depois da má sucedida parceria com a mulher, o diretor levaria 4 anos para voltar a lançar um filme. E Revolver, de 2005, foi um fracasso retumbante de critica e público. Mesmo retomando sua linguagem e tema preferido (o submundo dos gangsters ingleses), Ritchie parecia deslocado e descalibrado. Logo surgiriam os boatos de que seu casamento com a diva do pop estava em frangalhos.



O diretor e o astro Brad Pitt se divertem em um intervalo das grvações de Snatch - porcos e diamantes

Dois anos depois o casamento teria fim e a verve criativa voltaria a seu estado natural. Rocknrolla – a grande roubada reanimou os fãs do cinema de Guy Ritchie e também mostrou que o diretor amadureceu. O filme apresentava as virtudes de seus melhores trabalhos sem o acréscimo dos exageros característicos a todo jovem cineasta. O filme serviu ainda como o green card artístico de Guy. Foi depois de Rocknrolla que os produtores de Sherlock Holmes fizeram o convite para que o diretor assumisse o projeto.
O filme, e potencial franquia, é o primeiro filme de Ritchie dentro da estrutura hollywoodiana. É o primeiro projeto de grande orçamento do diretor e é o primeiro, desconsiderando o ultraje que é Destino insólito, a não se situar no universo do gangsterismo. A julgar pelos números preliminares da bilheteria e pelo burburinho da critica, Guy Ritchie still got it.



Gerard Butler e Tandie Newton em cena de Rocknrolla: o filme que valeu o green card ao inglês


5 curiosidades sobre o ex de madonna:

1- Ele sempre gosta de trabalhar com atores que confia. Trabalhou com Jason Stathan em Jogos, trapaças e dois canos fumegantes, Snatch – porcos e diamantes e Revolver e trabalhou com Mark Strong em Revolver, Rockn´rolla e Sherlock Holmes.

2 – Teve um rápido affair com a atriz Rachel McAdams, uma das estrelas de Sherlock Holmes

3 – É sempre o encarregado pela trilha sonora de seus filmes

4 – Recentemente disse que ainda ama Madonna

5 – Dirigiu um curta metragem para a BMW estrelado pelo então desconhecido Clive Owen e por sua mulher Madonna. Clique aqui para conferir o curta!

sábado, 2 de janeiro de 2010

ESPECIAL SHERLOCK HOLMES - Reciclando um personagem

Quando a Warner anunciou que estava planejando levar o célebre personagem criado por Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes, para as telas de cinema, muitos se puseram a imaginar o que viria pela frente. Quando o produtor Joe Silver, de filmes como Matrix e Máquina mortífera, anunciou o nome de Guy Ritchie (então recém divorciado da popstar Madonna e retomando o sucesso de crítica que lhe fugira com Rockn´rolla), como o diretor da adaptação, muita gente ficou sem entender quais eram, de fato, os objetivos do estúdio. Tudo porque Ritchie é conhecido por suas produções de baixo orçamento, linguagem acelerada e gangsterismo. Além do fato dele nunca ter estado a frente de um legítimo blockbuster. O nome de Robert Downey Jr. ajudou a clarear o ambiente. O astro, que havia acabado de reavivar os dias de glória com o sucesso de Homem de ferro, foi anunciado como o protagonista da fita. Ficava claro que a Warner queria uma produção inventiva, pop e charmosa (algo que Downey Jr. e Guy Ritchie juntos eram capazes de prover).
Guy Ritchie passou a declarar que seu Sherlock Holmes não seria tão sério, mas também não seria um fanfarrão, para usar uma expressão brasileira da moda. E tanto ele quanto Silver acreditavam ser Downey Jr. o homem certo para o serviço. O ator conseguia como poucos transitar entre o drama e o cômico, sempre de forma suave e orgânica. Sem dúvida, o excelente 2008 que Downey teve (além de Homem de ferro, o ator foi indicado ao Oscar por sua participação em Trovão tropical) foi decisivo para que Silver e Ritchie pensassem dessa maneira.
O diretor Guy Ritchie orienta Robert Downey Jr. e Jude Law


Com protagonista e abordagem definidos, era necessário criar a Londres vitoriana que abrigou o personagem em todas as suas encarnações passadas, mas fazê-la de forma que também emulasse algo novo, que nunca fora visto antes. Para isso foram recrutados o diretor de fotografia Philippe Rousselot, de filmes como Constantine e Peixe grande, e o diretor de arte James Foster, de filmes como Filhos da esperança, A bússola de ouro e Senhora Henderson apresenta.
Eles desenvolveram uma Londres cinzenta e épica. Os cenários (um misto de CGI * e cenas rodadas em estúdios montados) são tão reais que chegam a impressionar. A direção de arte da fita, inclusive, é forte candidata ao Oscar da categoria. A grandiosidade e acuidade dos cenários é um dos atrativos do filme. “Queremos transportar o espectador para a Londres daquela época”, declarou o diretor a entertainment weekly em novembro passado.

Jude Law, Robert Downey Jr. e Rachel McAdams em cena: Humor inglês em embalagem americana


Ação, aventura, romance e Waltson
“Sim, porque não há como conceber um filme de Sherlock Holmes sem seu fiel escudeiro Waltson”, resume Jude Law na mesma entrevista a EW. O ator esclarece que a dinâmica entre Waltson e Holmes é o carro chefe do filme e que ela em tudo lembra a de grandes duplas do cinema como O gordo e o magro ou Shrek e o burro.
Sherlock Holmes estreou no último natal batendo recordes. Registrou a maior arrecadação da história do dia de natal e fechou o primeiro fim de semana com U$ 65 milhões. A bela abertura superou as expectativas do estúdio e pavimentou o caminho para uma nova franquia. A crítica também recebeu bem o novo trabalho de Guy Ritchie.
Sherlock Holmes ajudou a fechar o ano da Warner Brothers no azul, a cristalizar a estrela de Robert Downey Jr. em Hollywood e a provar que, de fato, o que estava atrapalhando Guy Ritchie era Madonna.