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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Insight

Robert Downey Jr. na berlinda


É até espantoso enunciar um artigo colocando Robert Downey Jr. no paredão. Além de um tanto estranho. Contudo, a preocupação é legítima. O próprio Downey Jr., em sua passagem pelo Brasil no último mês de janeiro, tocou no assunto. Indagado se temia que o público se enjoasse dele, o ator foi bastante sereno ao afirmar que “eles me mandarão um recado, caso isso aconteça”. Para Downey Jr., as bilheterias são o melhor termômetro para aferir se ele ainda está em alta ou não junto a seu “eleitorado”. E o que dizem as bilheterias? Que  Robert Downey Jr. pode começar a se preocupar. Não, o astro não deixou de fazer dinheiro. A estreia de Sherlock Holmes: o jogo de sombras nos EUA, ainda que tenha sido inferior às expectativas da Warner, rendeu U$ 39 milhões. Houve, no entanto, uma queda considerável em relação à abertura do primeiro filme, que registrou U$ 62,3 milhões. Se o segundo Homem de ferro teve uma abertura maior do que o primeiro filme (U$ 128 milhões contra U$ 98 milhões), o resultado final das bilheterias dentro do mercado americano não confirmou a tendência. O primeiro filme encerrou carreira com R$ 319 milhões enquanto que o segundo chegou a R$ 312 milhões. A frieza dos números pode ser questionada pela qualidade das sequências, algo que prescinde, ainda que não completamente, da presença de Robert Downey Jr.
O que preocupa nas entrelinhas são as opções de Downey Jr para a condução de sua carreira. É inegável que ele se reinventou como astro de cinema e, inclusive, é grande responsável pelo sucesso da Marvel enquanto estúdio de cinema. Mas é chegado o momento para o ator diversificar seus projetos. Sherlock Holmes e Homem de ferro, duas franquias que só existem em virtude do apelo de Downey Jr, polarizam suas qualidades e lhe atribuem mais responsabilidades do que o desejável. Até o momento o pendor desse fato tem lhe sido favorável, mas as bilheterias sugerem atenção. As coisas podem mudar.
Neste momento, o ator só está envolvido na produção do terceiro Homem de ferro, que já declarou considerar o melhor roteiro que já leu em sua vida. O material promocional de Os vingadores divulgado até o momento se foca inteiramente em Downey Jr., mesmo o filme contando com vários personagens do universo marvel vividos por gente como Scarlett Johansson, Chris Evans e Samuel L. Jackson.
São muitas as premências para uma mudança de rumo. A preservação da imagem é uma delas. O ator seria o principal responsável pelo esgotamento das séries que protagoniza. Até mesmo em virtude do fato de, há quatro anos, estar envolvido apenas com elas. Excetuando-se, é claro, a participação na comédia Um parto de viagem.
Outro ponto para uma alternância no perfil dos projetos, é que Downey Jr. sempre se provou ótimo ator dramático e experimentar-se novamente nessa seara poderia lhe ser produtivo, não só em matéria de prêmios. Mas o mais importante mesmo seria surpreender seu público. Desafiá-lo desafiando a sim mesmo. Por trás da comodidade que as atuais franquias lhe proporcionam, jaz uma pressão que pode dinamitar, ainda que em termos distintos, mais uma vez a carreira desse talentosíssimo e carismático ator.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Insight

Finais geniais em cartaz

Em época de Oscar, dizer que há bons filmes em cartaz chega a ser pleonasmo. Mas o que mais enobrece esse início de ano nos cinemas brasileiros não é a já habitual safra caprichada de longas-metragens; mas sim o impressionante número de filmes com bons finais. Valem ser citados pelo menos quatro: Os descendentes, Os homens que não amavam as mulheres, A separação e Sherlock Holmes: o jogo de sombras. Todos com críticas já publicadas em Claquete.
São finais com “pegadas” diferentes, mas que incrementam a experiência cinematográfica.
Em Os descendentes, por exemplo, a cena final é de uma simplicidade que beira a banalidade. No entanto, se mostra vigorosa, abrasadora e profundamente emocional. Não se corre o risco de entregar nenhum spoiler, em mencionar que Alexander Payne torna seu filme muito mais carismático ao colocar os personagens de George Clooney, Shailene Woodley e Amara Miller tomando sorvete enquanto assistem o documentário A marcha dos pinguins e os créditos sobem. A cena, reconhecidamente simples, agrega um valor emocional danado à história que ela arremata.
Algo diferente ocorre, por exemplo, em Sherlock Holmes: o jogo de sombras. Filme para lá de mediano que se resolve com um final bem acima da média. O coelho que o cineasta Guy Ritchie tira da cartola é dos mais vistosos. Após conduzir um filme com muitos problemas e algum ranço de tédio, ele apresenta um daqueles finais que conjugam muito bem humor, senso de oportunidade e engenhosidade narrativa. Sem falar que o final remete perfeitamente à iconografia do personagem Sherlock Holmes. O desfecho do filme deixa com o espectador a impressão de ter visto algo muito positivo, mesmo não sendo esse o caso. Um artifício, ou uma trucagem se preferir, além de engenhoso, eficientíssimo.
Truques, no entanto, passam longe de A separação. Vigoroso exemplar do cinema iraniano em exibição nas principais cidades brasileiras. A fita trabalha com a dubiedade durante toda a sua extensão, convidando a platéia a exercer função vital na construção do sentido do filme no foro íntimo. O diretor Ashghar Farhadi sabiamente potencializa essa opção com um final paradoxalmente tão aberto quanto enclausurado em si. Mais do que margens para interpretações, o que ele oferta à platéia é a possibilidade de decidir, afinal, se a filha optou por ficar com o pai ou com a mãe, após os eventos que se sucederam no curso do filme.
Contudo, o que David Fincher faz em Os homens que não amavam as mulheres é algo quase sobrenatural. No sentido de fora de série mesmo. Fincher, como todos sabem, não adapta apenas o primeiro livro da trilogia Millennium de Stieg Larsson, ele ainda tinha o filme sueco como elemento, no mínimo, desestabilizador em qualquer ângulo de comparação. O diretor, confiante, deu seu tom à história e não só a melhorou em relação ao original, como fez o filme sueco parecer um rascunho. A genialidade do trabalho de Fincher pode ser bem analisada no final, sutilmente diferente da versão sueca. O diretor espicha o epílogo do filme e, se não justifica a personagem Lisbeth Salander, a humaniza consideravelmente na cena doída, triste e profundamente cativante que fecha o filme.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Crítica - Sherlock Holmes: o jogo de sombras

Por Downey Jr. e pelo final...

É preciso reconhecer que o grande trunfo de Sherlock Holmes, estilizada reimaginação do famoso detetive pelas mãos do cineasta inglês Guy Ritchie, era Robert Downey Jr. Não à toa, o ator recebeu um justo Globo de ouro por sua performance. Isso posto, o que esperar de Sherlock Holmes – o jogo de sombras (Sherlock Holmes: a game of shadows, EUA 2011), que chega dois anos depois do filme original?
Muito pouco. É natural que o estúdio invista em uma potencial franquia, mas o novo longa – se apresenta um vilão mais intrigante – se mostra previsível e cansativo em muitos momentos. O que não o desabilita de ser considerado um entretenimento bem afeiçoado, mas certamente põe em dúvida a vitalidade da franquia.
Na nova trama, Holmes (Downey Jr.) se vê enredado pelas armações do prestigiado professor Moriarty que, nas sombras, põe em prática um plano para levar a Europa à guerra. “Eu tenho as armas e as ataduras”, sugere Moriarty que, apesar do charme com que é apresentado pelo ator Jared Harris, tem motivações tão banais quanto a de qualquer outro vilão unidimensional de qualquer outro blockbuster.

A química entre Downey Jr. e Law continua afiada, assim
como a pitada de homoerotismo que marca a dupla
Guy Ritchie ainda investe na pirotecnia e, em alguns momentos, faz crer que Matrix foi transposto para a era vitoriana. No primeiro filme, essa imposição da proposta de “modernizar o personagem” obteve tratamento mais equilibrado.
No final das contas, o segundo longa vale mesmo por Robert Downey Jr. Impossível crer que ele seja americano. Não só pelo sotaque perfeito, mas pela veia do humor que ele tão bem captura com seu Sherlock Holmes. Percebe-se uma acidez em tom maior do que seu outro personagem famoso (Tony Stark). É do interesse de ver Downey Jr. fazendo do similar, algo totalmente diverso que esse novo Sherlock Holmes se alimenta.
De bônus, Ritchie acerta a mão em seu final. Espirituoso, genuinamente engraçado e bem sacado como as melhores pérolas inglesas do diretor de Jogos, trapaças e dois canos fumegantes.
O final salva Sherlock Holmes: o jogo de sombras e faz com que o espectador saia satisfeito do cinema. É pelo final que a franquia pode receber um terceiro filme.