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sábado, 31 de agosto de 2013

Em off (especial listas)

Nesta edição especial da seção Em off, Ryan Gosling nas mais variadas versões GIF, as musas que surgiram no cinema em 2013, os dez melhores filmes com a chancela do saudoso Elmore Leonard, falecido há poucos dias, os slogans mais bacanas do cinema no ano, os atores que já estão se medindo na disputa pelo Oscar 2014, atores que cantam e as figurinhas do filme mais comentado do momento nos EUA.

Os dez melhores filmes baseados em Elmore Leonard

10 – Killshot – tiro certo (2009)

Dirigido por John Madden com invejável fôlego esse conto sombrio sobre a violência que bate a nossa porta tem Mickey Rourke em grande estilo e Joseph Gordon-Levitt em sua atuação mais insana.

9 – Joey Kidd (1972)

Estrelado por ninguém menos que Clint Eastwood em sua fase áurea no western, este filme acompanha um ex - caçador de recompensas que se junta um proeminente proprietário de terras no rastro de um revolucionário mexicano.

8 – Desafiando o assassino (1974)

O insuperável Charles Bronson estrela como um fazendeiro que encara o crime organizado. É um dos filmes favoritos de Quentin Tarantino e um dos roteiros originais de Leonard para cinema.

7 – Os indomáveis (2007)

Trata-se da segunda adaptação do romance de Leonard. A primeira foi Galante e sanguinário com Glenn Ford. Este aqui é melhor com Christian Bale como um homem da lei incumbido de levar o assassino vivido por Russel Crowe ao tribunal. Instigante, vibrante, humano e tenso do início ao fim.

6 – Touch (1997)

Paul Schrader adaptou e dirigiu o romance de Leonard que faz graça com o surgimento de um milagreiro e a forma como isso passa a ser um trunfo para que um líder religioso no ostracismo volte aos dias de glória.

5 – O nome do jogo (1995)

Uma sátira para lá de bem feita à Hollywood, esse é o filme mais alusivo à obra de Leonard disponível no cinema. Uma mistura de filme de gangster com comédia de erros que confirmou o bom momento de John Travolta resgatado com Pulp Fiction no ano anterior.

4 – Be cool – o outro nome do jogo (2005)

O retorno ao universo de O nome do jogo dez anos depois. Agora a indústria da música é a bola da vez em um filme cheio de ótimas sacadas e com um elenco ainda mais caprichado. De quebra, uma homenagem a Tarantino que tanto o homenageou com seu cinema.

3 – Hombre (1967)

Indíos, caubóis e Paul Newman no topo de seu jogo nesse empolgante western com forte viés político.

2- Irresistível paixão (1998)

O filme que marcou o início da parceria entre o cineasta Steven Soderbergh e George Clooney. Sexy, engraçado, sexy, moderno, sexy, inteligente, sexy, dinâmico, irônico, sexy...

1 – Jackie Brown (1997)

O tal do filme que cresce de tamanho com o tempo. O menor Tarantino? Talvez seja. Mas é o filme que reuniu a escrita brilhante e cheia de fôlego de Leonard com a criatividade pulsante e logística visual de Tarantino. 


Onze atores que geram buzz na briga pelo Oscar de melhor ator em 2014 (cinco deles devem ser finalistas)
Robert Redford (All is lost)
Michael B. Jordan (Fruitvale Station)
Forest Whitaker (O mordomo)
Leonardo DiCaprio (The Wolf os Wall Street)
Tom Hanks (Captain Phillips)
Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis)
Bruce Dern (Nebraska)
Benedict Cumberbacht (O quinto poder)
Joaquin Phoenix (Her)
Steve Carell (Foxcatcher)
Matthew McConaughey (Dallas buyers club)

Sete Gifs de Ryan Gosling









Dez slogans de filmes do ano bem sacados
“O sonho americano deles é maior que o seu” (Sem dor, sem ganho)
“Você não pode expor os segredos do mundo, sem expor os seus próprios” (O quinto poder)
“Quando ele está mais vulnerável, ele é mais perigoso” (Wolverine: imortal)
“Não haverá aviso” (Guerra mundial Z)
“A Terra é uma lembrança pela qual vale a pena lutar” (Oblivion)
“Eles apenas não tem um link com a nova geração” (Os estagiários)
“Uma voz serena pode iniciar uma revolução” (O mordomo)
“Jude Law é Dom Hemingway e você não” (Dom Hemingway)
“A verdade vai mais fundo do que você imagina” (Lovelace)
“É um trabalho sujo chegar ao topo, mas alguém tem que fazê-lo” (Filth)

Três musas surgidas em 2013

Adèle exarchorpoulos 
A musa que causou frisson em Cannes

Marine Vacth
 A nova surpresa de Ozon

Greta Gerwig
Ela já estava por aí, mas ha...

Dez (bons) atores que estão no elenco do elogiado sucesso O mordomo
É o filme do momento nos EUA. O novo longa de Lee Daniels deve ir ao Oscar, pelo menos segundo as otimistas previsões dos gurus do Oscar que já vão elencando alguns filmes como favoritos da temporada (sendo que alguns nem mesmo estrearam). A crônica do mordomo que trabalhou na Casa Branca sob oito diferentes presidentes tem um elenco daqueles. E tem Oprah também!
Forest Whitaker
Vanessa Redgrave
Terrence Howard
Robin Williams
John Cusack
Liev Schreiber
Alan Rickman
Jane Fonda
Melissa Leo
Cuba Gooding Jr.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Em off

Nesta edição da seção Em off, Natalie Portman cada dia mais completa como artista, a grita da equipe de O cavaleiro solitário, as novidades em relação a Missão impossível 5 e mais filmes que farão o festival internacional de cinema de Toronto.

A crítica da crítica 1
Johnny Depp, Armie Hammer e o produtor Jerry Bruckheimer recorreram a um expediente feio e em crescente descrédito para justificar o fracasso de O cavaleiro solitário nos cinemas: culparam a crítica. Em coro, disseram que a má vontade da crítica especializada com o filme vinha desde o anúncio de que Gore Verbinski dirigiria a produção. Bruckheimer disse que a crítica foi ao orçamento e não à fita. Já Depp falou que a opinião estava formada mesmo antes do filme lançado e Hammer apontou um conluio de críticos americanos para destruir blockbusters de verão nas bilheterias.

A crítica da crítica 2
É relativamente comum entrevero como esses, mas nos idos da internet já se sabe que a influência da crítica de cinema é cada vez menor. Quadro ainda mais alarmante quando se leva em consideração produções de verão. Filmes como O homem de aço, nesse mesmo 2013, foram tão negativados quanto O cavaleiro solitário e fizeram boa bilheteria. A franquia Crepúsculo é o maior exemplo de execração crítica e sucesso de público. Depp e companhia vão ter que escolher um bode expiatório mais convincente.

Mark Marky contra-ataca...
Em entrevista à rádio BBC de Londres, Mark Wahlberg deu seus pitacos sobre a intriga envolvendo O cavaleiro solitário, que dará um prejuízo à Disney de cerca de U$ 200 milhões. "Hoje em dia os estúdios se preocupam tanto com o marketing dos filmes, de como empurrá-los para o público e acabam se esquecendo de medir a qualidade desses produtos em primeiro lugar". Wahlberg, que estará no elenco do quarto Tranformers e será perfilado este mês em Claquete, disse ainda que no caso particular de O cavaleiro solitário o buraco era mais embaixo. "Eles fizeram um filme de U$ 225 milhões, certo? Mas é um filme sobre dois caras a cavalo no deserto. Para onde foi o dinheiro?"

Wahlberg em foto tirada pouco depois da entrevista dada no dia 7 à BBC, todo prosa porque vai ter perfil em Claquete neste mês, diz que Tranformers 4 não será "O cavaleiro solitário de 2014"

Natalie Portman 3 X 4
Pouca gente se dá conta, mas Natalie Portman não é só um rostinho bonito do cinema. Que a atriz oscarizada se formou em psicologia em Harvard e fala razoável número de línguas, leitores ávidos de Claquete e outros tipos bem informados certamente já sabem, mas a atriz que é também produtora (tem uma produtora para chamar de sua, a Handsomecharlie Films) já persegue uma carreira como diretora. O primeiro passo foi dado em 2008, com o curta Eve (primeiro filho da Handsomecharlie Films), lançado no Festival de Veneza daquele ano. No ano seguinte, dirigiu um segmento do filme coletivo Nova-Iorque, eu te-amo e agora se prepara para estrear efetivamente na direção com a adaptação da autobiografia do escritor israelense Amos Oz, “De amor e trevas”.
À agência Reuters, Oz disse que Portmam pediu os direitos sobre o material a “uns cincos, seis anos” e ele aceitou por causa da “alto estima” que tem pelo trabalho dela.
“De Amor e Trevas" narra a infância de Oz na Jerusalém dos anos 1940 e 50, passando pela morte da mãe dele (que será vivida por Portman), sua ida para um kibutz e as idas e vindas da política israelense após o surgimento da nação. Oz disse que está ajudando a escrever o roteiro e que Portman deve viajar em setembro a Israel para participar dos preparativos da produção. As filmagens estão previstas para começar em janeiro.
Trata-se de um projeto com potencial complexidade narrativa e que pode ser um belo de um cartão de visitas para essa nova fase da carreira de Natalie Portman.

Natalie comandando o set em Nova-Iorque, eu te-amo: artista com bala na agulha...

Escolha certa?
Depois de Brad Bird, escolha até certo ponto incomum ter renovado a franquia Missão Impossível com O protocolo fantasma, que agradou a crítica e se assegurou como a maior bilheteria da série, Tom Cruise confirmou que Christopher McQuarrie será o diretor do quinto filme. McQuarrie já dirigiu Cruise em Jack Reacher: o último tiro, mais recente tentativa do astro de estabelecer uma nova franquia de ação. O filme, ainda que bom, não rendeu o esperado pelo estúdio, a mesma Paramount que produz e distribui os filmes estrelados pelo agente Ethan Hunt. Até segunda ordem, a ideia de Jack Reacher virar franquia está abortada. McQuarrie é, inegavelmente, um bom roteirista e a franquia tem o hábito de acreditar em diretores iniciantes e promissores. Foi assim com J.J Abrams no terceiro capítulo e com Bird, então um diretor de animações, no quarto filme. É ver qual vai ser o saldo desse mix de ousadias.

Algumas baladas de Toronto 2013 – parte II

Bad words

A estreia na direção de Jason Bateman promete ser um desses marcos da comédia que vez ou outra surge por aí. Bateman investe no seu humor característico para mostrar a história de um quarentão murrinha que vai parar em uma competição infantil.

Devil´s knot

O novo filme de Atom Egoyan, inspirado em fatos reais, acompanha o cotidiano de uma mãe após seu filho ser um dos três jovens assassinados em West Memphis, crime que chocou a América no início dos anos 90. Resse Witherspoon produz e protagoniza o drama.

Don jon

A aguarda estreia de Joseph Gordon-Levitt na direção já debutou em Sundance, mas vai a Toronto para capitalizar mais. A trama gira em torno de um jovem consumista, viciado em pornografia que tem dificuldades de manter um relacionamento sério com Scarlett Johansson.

Gloria


A fita chilena é outra que já debutou em um festival, no caso Berlim. Gloria valeu o urso de prata de atriz a Paulina Garcia que vive uma mulher de meia idade divorciada que persegue sua última chance de amar na pista de dança de boates.

Hateship, loveship

As idas e vindas do amor em um filme com um elenco atraente composto por Guy Pierce, Kristen Wiig, Nick Nolte, Jennifer Jason Leigh e Hailee Steinfield. A trama, adaptada de um conto de Alice Munro, mostra os esforços de uma garota em orquestrar um romance entre sua babá e seu pai, um viciado em drogas em recuperação.

Miss violence

Aclamado filme grego que investiga as razões do inexplicável suicídio de uma garota de 11 anos e os segredos que cercam a família. A direção é de Alexandros Avranas .

September


Coprodução entre Grécia e Alemanha, o filme de Penny Panayotopoulou faz um estudo de uma mulher solitária que se torna obsessiva com uma família vizinha depois da morte de seu cachorro.

Third person

O novo filme de Paul Haggis, com James Franco, Liam Neeson, Olivia Wilde, Mila Kunis, Kim Basinger e Adrien Brody, se passa em Roma, Paris e Nova Iorque e pretende fazer uma análise do terceiro elemento em relações conjugais. Ou seja, a boa e velha (in)fidelidade.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Crítica - O cavaleiro solitário

Tudo errado!

Diferentemente de Guerra mundial Z, eis aqui um projeto cercado por tumultos e desencontros orçamentários que deu errado. É muito fácil, porém, apontar o que conduziu O cavaleiro solitário (The lone ranger, EUA 2013) ao retumbante fracasso que obriga à Disney a engolir o maior prejuízo do verão americano de 2013. O estúdio, a bem da verdade, nunca acreditou no filme. Se Jerry Bruckheimer era um valente defensor da visão do diretor Gore Verbinski, e citava o acerto que foi Piratas do Caribe dez anos atrás como baliza, a Disney não via lá grande potencial na produção que adapta uma série radiofônica dos anos 30 de relativo sucesso e que posteriormente foi parar na tv dos anos 50. Entre idas e vindas, a produção acabou consumindo cerca de U$ 250 milhões e ancorada no carisma em queda de Johnny Depp. Não era o melhor dos inícios.
Filme pronto, O cavaleiro solitário é um produto recheado de excessos e com muita pouca graça. Não funciona nem como matinê, em parte por reproduzir cacoetes da outra série capitaneada pelo trio Bruckheimer/Verbinski/Depp, Piratas do Caribe. Em parte porque a trama, bem rasa, não rende a metragem esticada de 150 minutos. As cenas de ação não são cativantes e o indío Tonto de Johnny Depp parece um rascunho mal ajambrado de Jack Sparrow.
Esses são equívocos que tornam O cavaleiro solitário um engodo difícil de agradar os (poucos) fãs do material original, os fãs de western ou mesmo os fãs dessas matinês típicas de férias.

Pero no mucho: Depp e Hammer não emplacaram a melhor das químicas em um filme de muitos equívocos

John Reid (Armie Hammer) volta da cidade grande formado em direito na expectativa de ajudar a instaurar a lei e a ordem no oeste americano que vivencia momento de grande ebulição com a construção de imperiosas vias ferroviárias. No entanto, seu irmão, um xerife, é morto em uma emboscada que sugere uma grande conspiração pelo poder na região, na qual é estratégico jogar os índios comanche contra os homens brancos. Com a ajuda de Tonto, ele irá perseguir a justiça configurando-se em um fora da lei.
A trama avança em passos lentos, a química entre Hammer e Depp não é tão boa como se poderia supor e Verbinski parece pensar estar fazendo um clássico do western na forma como monta seus quadros, o que aborrece se considerarmos que o tom da narrativa não acompanha essa linguagem visual mais sofisticada.
Enfim, não é o pior filme da temporada – esse título segue firme e forte com Depois da terra de M. Night Shyamalan – mas é um retrato perfeito do que deve ser evitado em uma superprodução de férias. 

domingo, 21 de julho de 2013

Insight - O crepúsculo de Depp



Fazem exatos dez anos que Piratas do Caribe: a maldição do Perola negra aconteceu no cinema contra todos os prognósticos e elevou Johnny Depp de um ator cult e badalado em círculos cinéfilos a um astro do primeiríssimo time de Hollywood.
Depp chegou a ganhar inacreditáveis U$ 50 milhões por sua participação no quarto filme da saga pirata em que assumiu toda a responsabilidade pelo sucesso do filme, sendo o único dos protagonistas do original a retornar. Piratas do Caribe: navegando em águas misteriosas (2011) não decepcionou e ultrapassou a imponente barreira de U$ 1 bilhão em faturamento. Foi o segundo filme da franquia a fazê-lo. O primeiro foi O baú da morte (2006). O ator tem, ainda, outro filme no clube do bilhão. Trata-se de Alice no país das maravilhas (2010), uma de suas numerosas colaborações com Tim Burton.
A posição privilegiada no clube do bilhão, com três filmes, é um dos últimos diamantes que Depp ostenta em sua enferrujada coroa. Precisamente desde Alice, o ator vem sendo cada vez mais questionado por suas escolhas e há quem discuta até mesmo seu talento. Tudo isso porque Depp, para uma horda de críticos cada vez maior, não tem feito outra coisa senão se repetir.
A patrulha com Depp é feroz, mas não lhe falta razão. Depp entrou no piloto automático que grandes intérpretes americanos costumam adotar como assinatura. Marlon Brando e Al Pacino, que trabalharam com Depp antes dele vingar como astro, são casos célebres.
O último filme em que Depp talvez tenha realmente feito um esforço de atuação foi Inimigos públicos (2009). Foram sete filmes desde então. As críticas foram ficando menos simpáticas, ainda que as bilheterias tenham mantido um ritmo próprio. Isso até O cavaleiro solitário. O filme de Gore Verbinski, que além dos três primeiros Piratas do Caribe, rodou Rango (2011) com o ator, é uma tentativa de resgatar o espírito de Piratas do Caribe. Nem tanto por Depp, embora sua caracterização do índio Tonto carregue um qzinho de Jack Sparrow, mas por parte da realização.

Depp na capa da Esquire americana em 1996, "arrasando corações"... 

 ... como Jack Sparrow, seu mais célebre personagem...
... e como o índio Tonto em O cavaleiro solitário, maior fracasso da temporada. O capital de Depp desvalorizou em dez anos

A aposta arriscada, no entanto, pesa mais na conta do ator – o grande nome do cartaz e quem, afinal, escancarou até aos leigos que não consegue se desvencilhar assim tão fácil de seu personagem mais icônico. Al Pacino é Al Pacino em todos os filmes, mas Johnny Depp será Jack Sparrow? A inquietação já gera impaciência. Dos quatro projetos em que o ator está relacionado, dois são sequências. De Piratas e Alice. A ficção científica Trasncendence, que marca a estreia na direção do diretor de fotografia de Chris Nolan, Wally Pfister, é o que pode reconduzir Depp aos bons tempos.
O ator, que mantém o estilo pacato e reservado, parece desinteressado do preocupante rumo que sua carreira tomou. Para alguém que se desafiava tanto até dez anos atrás, Depp parece desestimulado. Acomodado com sua persona midiática. Que é, para o bem e para o mal, Jack Sparrow. A glória de ontem pode ser o infortúnio de amanhã.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Crítica - Piratas do Caribe:navegando em águas misteriosas

Navegando em águas cristalinas!

Se passaram quatro anos entre o desfecho da trilogia original e esse novo filme que acena com uma nova trilogia. Piratas do Caribe: navegando em águas misteriosas (Pirates of the Caribbean: on stranger tides, EUA 2011) é, na falta de melhor qualificação, a banalização do talento de Johnny Depp. O astro, senhor da tela pela primeira vez na série, volta a encarnar Jack Sparrow em uma trama desenhada só para ele.
Navegando em águas misteriosas, por essa opção óbvia, se resume como um bom filme de entretenimento. Prover espaço para Depp trabalhar a extravagância de seu personagem mais emblemático representa um acerto por municiar a audiência daquilo que ela busca tratando-se de Piratas do Caribe. Mas a produção que une Disney e Jerry Bruckheimer uma vez mais não se resume só a isso. É, também, uma boa fita de ação. Com mais comedimento do que da última vez e com atenção calculada aos bons coadjuvantes (e o Barba negra do inglês Ian McShane é um achado), o filme não se perde em barulhos e efeitos especiais como fizera o mal resolvido Piratas do Caribe: no fim do mundo.

Me tragam Jack Sparrow: o desejo do público é atendido no quarto e lucrativo filme da franquia Piratas do Caribe


Com Barbossa (Geoffrey Rush) colaborando com a coroa inglesa e uma verdadeira corrida à fonte da juventude em andamento, Jack Sparrow se vê no ambiente perfeito para suas improvisações planejadas. A trama flui de maneira agradável. Dá uns engasgos em um ou outro momento, mas Navegando em águas misteriosas é a aventura que mais se aproxima dos efeitos proporcionados por A maldição do perola negra.
Isso porque Rob Marshall não engessa a mão na hora de narrar a história e demonstra tato para a construção de cenas grandiosas, ainda que elas não vicejem na ação desenfreada.
Barbossa, um personagem que Geoffrey Rush interpreta com tanto gosto, é outro bem vindo respiro no longa. Mas não há como negar que é Johnny Depp quem está no comando do show aqui. Navegando em águas misteriosas e todo o sucesso que amealha vêm fazer justiça com essa criação extraordinária da cultura pop, que leva a assinatura de Depp, que se chama Jack Sparrow. A cena final é de uma nostalgia e carinho sensoriais com esse grande personagem que irá sim viver para sempre.

domingo, 29 de maio de 2011

Tira-teima

Duas das atrações do verão americano de 2011 que já estrearam e estão causando nas telas de cinema são Velozes e furiosos e Piratas do Caribe. Essas duas poderosas marcas guardam algumas semelhanças e muitas diferenças em suas jornadas pela cultura pop. A seção Tira-teima deste mês joga luz sobre todas elas.





O status quo

VF = A série atravessa um momento de renovação. Após dez anos e cinco filmes, a franquia parece ter encontrado, além de uma unidade narrativa, uma vocação. Segundo o diretor Justin Lin, Velozes e furiosos a partir de agora é uma trama de assalto. Não de carros envenenados.


PC = “Tudo depende de Johnny Depp”, exclama a toda oportunidade o produtor Jerry Bruckheimer. Com certeza de boa bilheteria, já foi anunciado que há ideias para uma nova trilogia. Basta Johnny dizer sim.


Entre carros turbinados e navios piratas


- É a terceira vez que as franquias se cruzam em uma temporada de blockbusters hollywoodiana. A primeira foi em 2003, quando Velozes e furiosos tinha o seu segundo lançamento no verão que seria marcado pelo surpreendente Piratas do caribe: a maldição do perola negra. O segundo encontro foi em 2006, quando a franquia Velozes e furiosos muda radicalmente e segue para Tóquio e a primeira sequência de Piratas do Caribe é lançada.
Enquanto O baú da morte se tornaria a maior bilheteria daquele ano, Desafio em Tóquio registraria a pior bilheteria da série de carros turbinados


- Os dois filmes foram “sucessos improváveis”. Lançados em agosto (final da temporada de verão nos EUA) viraram franquias cinematográficas por pressão dos estúdios


- Nas duas franquias o personagem coadjuvante roubou a cena do protagonista no filme original. Em Piratas do Caribe o arco principal seria do ferreiro Will (Orlando Bloom) e da nobre Elizabeth Swann (Keira Knightley). O efeminado Jack Sparrow de Johnny Depp acabou roubando o filme. O mesmo aconteceu em Velozes e furiosos em que o assaltante de bom coração Dominic Toretto (Vin Diesel ) marca mais do que o protagonista, o policial Brian o ´Conner (Paul Walker).



* O quinto Velozes e furiosos e o quarto Piratas do Caribe, por ainda estarem em cartaz, não têm os números das bilheterias fechados.

domingo, 15 de maio de 2011

Insight

O peso de Jack Sparrow

Na próxima sexta-feira um dos personagens mais icônicos do cinema estará de volta as telas do mundo inteiro. Piratas do Caribe: navegando em águas misteriosas, o quarto filme da série mais lucrativa da Disney, entrega os seus a seu dono. No caso, Jack Sparrow. O personagem que Johnny Depp já admitiu inúmeras vezes ser fruto de uma homenagem ao Rolling Stone Keith Richards, é uma verdadeira mina de ouro. E não só para Depp. Dizer que o capitão efeminado e fã de rum que (tenta) comandar o Perola negra condecorou Depp com status de astro já virou nostalgia. Mas, ainda assim, é importante frisar que Jack Sparrow ainda representa um bote salva vidas não só para Depp, como para a Disney, o produtor Jerry Bruckheimer e o cinema em geral.
O ator, que precisa ser louvado como o criador desse icônico personagem (já que o estúdio quase o demitiu por achar sua caracterização muito efeminada e desconexa), não anda em uma boa fase. Desde que tornou-se astro, com o sucesso do primeiro filme em 2003, Depp não enfrentava maré tão baixa nas bilheterias e críticas tão desanimadoras. Jack Sparrow é um recôncavo bem vindo travestido de repetição aceitável dentro da carreira do ator. Além do indefectível prazer e carinho que tem para com o personagem, voltar a viver Sparrow pode devolver-lhe aquele apelo que lhe faz tão peculiar e particular. É o chamado win-win do ponto de vista de Depp.
A Disney, por sua vez, se vê cada vez mais dependente da Pixar para consagrar sucessos. A carência de franquias de relevo é outra preocupação latente do estúdio de Mickey Mouse e só Jack Sparrow pode assegurar um verão carregado de dólares para o estúdio sem a chancela da Pixar.
O produtor Jerry Bruckheimer andava precisando de um sucesso. Há não muito tempo era chamado de “Midas de Hollywood”, mas perdera seu toque de ouro. Desde o último Transformers (2007) não emplaca um Blockbuster genuíno. Apenas sucessos medianos (O príncipe da Pérsia, Aprendiz de feiticeiro, entre outros). Não à toa, Bruckheimer foi bastante ativo para que a Disney conseguisse persuadir Johnny Depp a voltar a viver o personagem.
O ator que hesitou bastante em retornar para o quarto filme, quase pulou fora após a desistência de Gore Verbinski, diretor das três primeiras fitas. Mas Jack Sparrow era importante para todos eles e todos eles sabiam disso.
Contudo, a importância de Jack Sparrow para o cinema ainda não pode ser completamente mensurada. É certo que o personagem já adentrou a galeria dos grandes da história. É o único que valeu uma indicação ao Oscar de melhor ator para um blockbuster de verão em quase 85 anos de Oscar.
È, também, uma criação nostálgica que se comunica – e de maneira farta – com um público amplo e abrangente. Algo raro em filmes cada vez mais segmentados em uma indústria que encomenda estudos e análises para elaborar formas de melhorar sua comunicação com o público. Jack Sparrow é um trunfo. Não o será por muito tempo. O tempo também é cruel com ícones que se provam constantemente. Talvez aí esteja a grande contribuição de Jack Sparrow para o cinema.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Crítica - O turista

Pura gozação!


Vamos quebrar o gelo: O turista (The tourist, EUA 2010) não é um filme ruim. Nem de longe. Também não é um filme digno de indicação a um prêmio como o Globo de ouro, mas entre esses dois extremos, há um filme divertido e dotado de um senso de humor refinado.
A fita de Florian Henckel Von Donnersmarck não é uma comédia, mas certamente é um filme que se vale muito habilmente do ofício de fazer rir. Com vocação para a sátira, O turista busca ridicularizar o universo da espionagem. Ao imprimir um tom de gozação desde a cena inicial - em que agentes da Scotland Yard, dentro de uma van, seguem descaradamente a uma mulher suspeita – a realização avaliza essa opção .
Donnersmarck, é bem verdade, não busca potencializar tensões ou investir em uma história de amor incidental. Nesse sentido, a pouca química experimentada entre os protagonistas Johnny Depp e Angelina Jolie soa proposital. São personagens diferentes, com intenções divergentes e objetivos variados. A convivência gera estranheza e, mais que isso, provoca estranheza. Portanto, não é que falte química, registra-se pouco dela para que a história contada ganhe dimensão.


Ah, a química...: ela não está calibrada propositadamente


Frank Tupelo (Johnny Depp) é um professor de matemática abordado em um trem com destino a Veneza pela inebriante Elise Ward (Angelina Jolie). A ideia de Ward é fazer a Scotland Yard acreditar que Tupelo é Alexander Pierce, comparsa de Ward que acaba de fazer uma cirurgia plástica para mudar de face. Pierce e Ward são contraventores internacionalmente procurados.
O jogo de gato e rato é mesmo uma piada. O roteiro oferece algumas reviravoltas estapafúrdias, mas tudo ponderado pelos personagens no devido espírito (nesse sentido, os agentes vividos por Paul Bettany e pelo ex- James Bond Timothy Dalton são pontuais). Donnersmarck tem ciência das deficiências de sua história e não se preocupa em contorná-las. Tudo pela gozação! Se o final é tão improvável quanto inverossímil, embora pertinente dentro da lógica do roteiro, é a ratificação da intenção da realização em satirizar um gênero que desde que Hitchcock se foi perdeu em humor e ganhou em sisudez.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Filme em destaque: O turista

Tinha tudo para dar certo...


Um diretor alemão de prestígio, a maior estrela de cinema da atualidade, clima europeu, um astro instigante e que é - por si só - chamariz de bilheterias, trama inspirada em Hitchcock e uma indústria ávida por explorar essa combinação. O turista tinha tudo para ser um grande evento cinematográfico, mas a produção da Sony Pictures (que estréia nesta sexta-feira, 21 de janeiro no país) se revelou um fracasso retumbante. E um fracasso de muitos pais. Após uma mega estratégia de lançamento e pífios U$ 60 milhões nas bilheterias americanas (o orçamento do filme é estimado em cerca de U$ 110 milhões), produtores e analistas ponderam sobre o que pode ter dado errado.
Para responder essa pergunta é necessário voltar no tempo e escrutinar a problemática pré-produção do filme. O sueco Lasse Hallströn foi a primeira opção do estúdio para rodar o filme, uma adaptação de um filme francês de 2005 chamado Anthony Zimmer. Na concepção do diretor de filmes como Um lugar para recomeçar e Regras da vida, O turista seria um drama com aprofundado estudo de personagens. A Sony não aprovou as primeiras versões do roteiro e Hallströn saiu para rodar o filme Sempre ao seu lado (2009), outro remake – dessa vez de um filme japonês. Foi então quando a chairman da Sony Pictures, Amy Pascal, que produzia o filme de ação Salt do ínterim, apresentou o roteiro à atriz Angelina Jolie. A atriz sugeriu o nome do alemão Florian Henckel Von Donnersmarck, de quem tinha visto o vencedor do Oscar A vida dos outros (2006) e desejava trabalhar em conjunto. A Sony então convidou Donnersmarck que prontamente aceitou. Junto com Donnersmarck foi contratado o ator Sam Worthington, que havia causado excelente impressão junto ao público em Exterminador do futuro 4: a salvação (2009) e tinha tudo para detonar no grande lançamento do fim de 2009, Avatar.

Angelina Jolie, soberana, em cena de O turista: em meio a muitas indecisões do estúdio ela era a única certeza...


Worthington não detonou e, para piorar, entrou em atrito com a atriz Angelina Jolie e com o diretor Donnersmarck acerca dos rumos de seu personagem. Donnersmarck chegou a colocar o cargo a disposição e nomes como os dos cineastas Alfonso Cuáron e Mike Newell chegaram a ser ventilados. Contudo, só quem saiu mesmo da produção foi o ator australiano. O roteiro foi, outra vez, reescrito. Dessa vez o roteirista Julian Fellowes dividiu os créditos com o próprio diretor e com supervisão de Christopher McQuarrie (vencedor do Oscar por Os suspeitos). Paralelamente a isso, a produção ganhava um reforço midiático; Johnny Depp acabava de ser confirmado no papel de Frank Tupelo (que seria originalmente de Worthington). Donnersmarck, que já era um defensor de que o filme deveria ser menos sério, ganhou na figura de Depp um poderoso argumento.



O efeito Vanessa Paradis

A produção do filme seguia seu curso previsto quando foi abruptamente interrompida por crises de ciúmes da mulher de Johnny Depp, a cantora e atriz Vanessa Paradis. O problema era que a versão do roteiro que estava sendo gravada trazia muitas cenas que abusavam de sexualidade (e de sexo entre os protagonistas). Paradis exigiu (embora hoje todos os envolvidos neguem esse detalhe) que as cenas fossem reescritas.
Depois de uma paralisação de aproximadamente um mês (sem motivo oficial registrado, o que fomentou toda a sorte de boatos), as filmagens foram reiniciadas. Com Brad Pitt e prole em Veneza, assim como Vanessa Paradis. O clima entre as famílias era ameno e amistoso, mas a química entre os protagonistas no filme foi essencialmente prejudicada. A especulação se dá em virtude da forte rejeição da crítica (e do público) ao par nas telas. Algo matematicamente improvável, mas tangenciado pelo mal estar desencadeado pela posição de Vanessa.


Donnersmarck, entre Depp e Angelina na premiere do filme: uma comédia disfarçada de thriller...



As indicações ao globo de ouro de melhor comédia que o filme recebeu (para a fita e para os dois atores) coroaram um mal estar generalizado. A Sony vendeu o filme como um thriller romântico. A comédia, na fita, é um elemento desafogador. Como, por exemplo, em um filme como A rede social - que vez ou outra provoca risos do espectador. Nunca sua matéria prima. O diretor alemão se viu na contingência (que não exclui uma diligência do estúdio) de defender seu filme. Donnersmarck afirmou ao Hollywood Reporter que O turista, em sua concepção, é mesmo uma comédia. Ainda que disfarçada de filme de espionagem. A crítica americana, de fato, riu com O turista. Mas não com o filme propriamente dito.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

OSCAR WATCH 2011 - Golden Pills

Foram anunciados hoje os indicados ao Globo de ouro (a lista completa você pode conferir aqui) e Claquete não poderia deixar de dar uns primeiros pitacos a respeito. A análise das indicações e da conjuntura que possibilita para a temporada de premiações será publicada no final de semana.


Um turista
Não há como negar. O que mais causou espanto na lista anunciada nesta terça-feira foi a inclusão de O turista (concebido como um thriller romântico) entre as comédias. O salão de jornalistas veio abaixo em risadas. Mas a Hollywood Foreign Press Association (HFPA) estava falando sério e, ainda por cima, indicou os protagonistas Johnny Deep e Angelina Jolie nas categorias de atuação em comédia.

Cena de O turista, que valeu indicações aos protagonistas: uma das melhores comédias do ano...


O turista de sempre
Johnny Depp torna-se o segundo ator indicado duplamente em uma mesma categoria do Globo de ouro em cinema. O primeiro foi Jack Lemmon. Não é pouca coisa. Mas o feito é discutível. Deve-se mais a um calor que a HFPA sente pelo ator que admitiu a pouco não gostar de celulares (ele não é o máximo?!) do que pelo mérito de suas atuações em 2010. Depp concorre por Alice no país das maravilhas (o momento vergonha alheia do anúncio dos indicados certamente!) e O turista.



Eu já sabia!
Michael Douglas fez por merecer! Embora sua indicação como coadjuvante por Wall street-o dinheiro nunca dorme tenha gosto de homenagem (tanto a ele que luta contra um câncer quanto à produtora Ronni Chase assassinada em Beverly Hills há um mês atrás e que estava engajada na campanha de indicações para Douglas), ele merecia a distinção. Douglas está ótimo reprisando seu mais icônico personagem: Gordon Gekko. Mas a HFPA perdeu uma ótima oportunidade de desfazer o caráter de homenagem e honrar uma das grandes atuações do ano, que calha de ser de Douglas em O solteirão. Mas eles queriam mesmo era jogar para a platéia.


Eu já sabia! II
Havia quem acreditasse que 127 horas pudesse estar entre os cinco melhores dramas do ano no Globo de ouro. Na verdade, o filme conseguiu uma distinta indicação por roteiro e também teve a trilha sonora reconhecida. Aliada a indicação para James Franco como ator, dá consistência para a fita de Boyle na disputa por vagas no Oscar. Contudo, as categorias de filme e direção nunca pareceram tão distantes!


Eu já sabia! III
A rede social não lidera a disputa pelo prêmio. Já era de se esperar que essa figura seria de O discurso do rei, mas alguém duvida do favoritismo do filme de Fincher? A história recente do Globo de ouro demonstra que ser o líder em indicações não é bom negócio.


Com pinta de campeão
O vencedor parece mesmo ser a segunda força dessa cada vez mais agitada temporada de premiações. Sim, por que a primeira força com folga é A rede social. O filme de David O. Russel saiu vitaminado das indicações do Globo de ouro. Filme, direção e todos os atores indicados (Mark Wahlberg, Christian Bale, Melissa Leo e Amy Adams). O filme rouba um pouco os holofotes de produções como Bravura indômita e A origem que pareciam mais darlings. Não poderia haver melhor momento para roubar os holofotes.


Os dois Davids
Fincher e Russel têm, comprovadamente, dois dos filmes mais festejados da temporada, mas quem deve levar o globo de direção para casa é Darren Aronofsky. O diretor de Cisne negro é adorado pela HFPA e os Davids não são lá muito simpáticos. Pode escrever!

Aronofsky está de olho no globo: Além de ser paz e amor, ele já merece um prêmio faz tempo...


É uma piada!
Papo sério: Alice no país das maravilhas, RED- aposentados e perigosos, Burlesque, Minhas mães e meu pai e O turista. Esses são os indicados a melhor comédia/musical de 2010. Agora lê de novo e não ri!


Alguma dúvida?
Alguém acha que o prêmio de filme estrangeiro não vai para o filme estrelado por Javier Bardem e dirigido por Alejandro Gonzales Iñarritu, Biutiful?



Momento Oscar no Globo de ouro
A HFPA não indicou o Jeremy Renner neste ano por Guerra ao terror para corrigir o erro agora, indicando-o por Atração perigosa - filme que (quase) esqueceu completamente.



Crescendo de tamanho
Cisne negro vai aumentando sua musculatura rumo ao Oscar. Apesar de (sabe-se lá o por que) não ter conquistado uma indicação por trilha sonora, o filme foi nomeado a melhor filme/drama, melhor atriz em drama (Natalie Portman), melhor atriz coadjuvante (Mila Kunis) e melhor diretor (Darren Aronosky).



Conforme previsto...
Claquete antecipou e não deu outra. Devido ao hype, The walking dead conseguiu uma indicação solitária para melhor série dramática. A briga de verdade é entre a campeoníssima Mad men e a com pinta de campeã Boardwalk Empire.



Antes tarde do que nunca...
Depois do Emmy, chegou a vez da HFPA dar um globo de ouro para Jim Parsons (o Sheldon de The big bang theory). Favas contadíssimas!


Ele ainda não ganhou!
E esse ano só Steve Buscemi (Boardwalk Empire) tira o globo de ouro de Don Drapper, digo de Jon Hamm.


Novidade bem vinda
Bom ver o nome do versátil Scott Caan, filho do grande James Caan, entre os indicados a melhor coadjuvante em produções feitas para a TV. Caan é, de fato, quem carrega o piano na divertida série Hawaii five-0.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

TOP 10

Na última edição de TOP 10, o destaque recaiu sobre os cinquentões mais charmosos do cinema. Pois bem, nada mais justo do que retroagir uma década e dar uma boa olhada naqueles que já caminham para desafiarem os integrantes daquela lista. Com vocês os 10 quarentões mais charmosos do cinema. Fiquem ligados! No próximo TOP 10 será a vez das quarentonas que ainda dão um caldo.




10 – Matt Damon


40 anos

De gênio indomável a Bourne, Damon se viu um quarentão em Hollywood. Ator badalado com trânsito em projetos comerciais como Ligado em você e a trilogia Bourne, Damon também agrada diretores consagrados como Martin Scorsese e Clint Eastwood. Ah! Agrada as mulheres também!



9 – Johnny Depp

47 anos

Ele talvez seja o maior astro de cinema da atualidade. Gente como Brad Pitt e Robert Pattinson pode atrair mais mídia, mas Depp atrai mais dólares nas bilheterias (é o único ator que tem dois filmes no clube do bilhão de dólares de bilheteria). Só por esse fato, o ator já entraria em uma lista de mais charmosos. Fazer isso aos 47 anos e ainda ser bom pai e marido (o que graças a Deus também atraí mídia) só ratificam sua posição nessa lista. Ah! Não precisa mencionar que ele é o ápice da definição de cool, né?



8 – Russel Crowe

46 anos

E como em uma lista de mais charmosos, sexy ou similares não pode faltar um esquentadinho, aqui está o australiano, que na verdade nasceu na Nova Zelândia, Russel Crowe. Cabeludo, careca, musculoso, fora do peso, com trajes romanos ou como policial honesto, Crowe cativa e intriga.



7 – Hugh Jackman

42 anos

Stan Lee certamente nunca pensou que o baixinho e truculento Wolverine fosse ser tão sexy em sua encarnação cinematográfica. Mas o que são detalhes, certo? Jackman já foi lorde inglês, advogado misterioso, caçador de bestas, apresentador do Oscar, dançarino, cantor...
Seria redundante dizer que essa pluralidade tem seu charme?



6 - Tom Cruise

48 anos

Ele já não tem o fôlego de outrora. A beleza também já não é a mesma, mas poucos astros esbanjam a simpatia de Tom Cruise. Poucas celebridades, também, são afeitas a declarações escandalosas de amor. Pode ser brega, mas também pode ser muito charmoso. Depende de cada gosto. Certamente com Tom Cruise, a balança não deve estar equilibrada...



5 – Javier Bardem

41 anos

Que Antonio Banderas que nada! Se existe um espanhol que faz as mulheres suspirarem hoje é Javier Bardem. Mais talentoso e carismático do que o amigo, Bardem pode até ser mais feio, mas ganha no quesito virilidade. As mulheres que confirmem (ou não) tal constatação.



4 – Clive Owen

48 anos

Algumas revistas femininas já cravaram. Clive Owen é a principal referência feminina quando o assunto é homem. Por quê? Bem, não será em Claquete que você vai achar essa resposta...



3- Robert Downey Jr.

45 anos

Atualmente ele é o bicho papão em termos de charme. Seja em um filme de ação com muitos efeitos especiais como Homem de ferro ou em um filme de ação com poucos efeitos especiais como Sherlock Holmes. Estes são filmes com muito Robert Downey Jr. Por que você acha que a mulherada animou assistir dois dos grandes sucessos de bilheteria de 2010?



2- Brad Pitt

46 anos

Bonito. Altruísta. Engajado. Calma, ainda não estamos falando de George Clooney. Mas de seu chapa Brad Pitt. Ator cada vez mais respeitado, Pitt talvez só não esteja na primeira posição porque celebrizou a infidelidade. Traiu Jennifer Aniston para constituir o casal mais famoso do planeta terra. Esse tipo de atitude não agradou muito a mulherada. Mas deixa ele tirar a camisa em cena para você vê se elas lembram disso....



1- George Clooney

49 anos

Ele está prestes a se despedir do clube dos quarentões. Mas se despede com estilo. Clooney é o James Bond da vida real, na falta de uma definição melhor. Solteiro convicto, com residência fixada na Itália e dono de um sorriso matador, o ator, produtor, roteirista e diretor é desde já favorito a liderança de uma próxima lista dos cinqüentões.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ESPECIAL ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS - Critica


Pondo os pingos nos is



Após assistir Alice no país das maravilhas (Alice in wonderland EUA 2010) fica fácil entender o por que de Tim Burton ter refutado a autoria do filme em mais de uma oportunidade.
Aguardado com muita ansiedade, o filme revela-se incompatível com a cinematografia do diretor. A produção da Disney, é bem verdade, tornou-se o maior sucesso de bilheteria da carreira de Burton, marca mais uma colaboração entre o diretor e seu ator preferido, Johnny Depp, e apresenta um visual onírico e impressionante. Essas interjeições levam a crer que trata-se de um legítimo e conceituado trabalho de Burton. Mas engana-se quem precipita-se nessa resposta. Alice no país das maravilhas dilui a obra de Lewis Carroll em uma típica aventura Disney. Ou seja, o que se vê na tela não é um filme de Burton, mas sim um filme Disney. É preciso ter isso em mente na hora de avaliar a produção, que guarda mais semelhanças com os dois filmes As crônicas de Nárnia em termos de estrutura e memória pop do que com a obra infanto-juvenil do século XIX.


Burton orienta Mia durante as filmagens: Ele não era o homem certo para essa versão de Alice


Na fita, Alice (Mia Wasikowska) está com 19 anos e às vésperas de um casamento arranjado. A jovem Alice, confusa e insatisfeita com o fato de não ter o controle de sua vida, mais uma vez segue o coelho branco até uma toca. Não é preciso dizer que ela cai nesta toca. No país das maravilhas, aqui chamado de subterrâneo, em um trocadilho que funciona muito melhor em inglês (ao invés de wonderland, fica underland), Alice não consegue se lembrar de já ter visitado aquele lugar antes e fixa-se na ideia de que tudo aquilo não passa de um sonho. Ela é orientada e protegida pelas tradicionais e reconhecidas figuras da obra de Carroll, o chapeleiro maluco (um Johnny Depp, por incrível que pareça, fora do tom), pelo gato risonho, entre outros. Alice precisa “assumir o seu destino” e recolocar a rainha branca no trono que lhe foi roubado pela irmã, a rainha vermelha.
A jornada do herói, corrente filosófica e semiótica que já serviu de base para tantas produções Disney, volta a ser a matéria prima de uma produção da casa. Contudo, apesar da obra de Carroll oferecer vasto material inexplorado, ou que pudesse ser atualizado, não há a disposição de sequer aproveitá-lo. A idéia, tudo indica, era somente aproveitar o universo criado por Carroll e se apropriar dele. Embora seja uma alternativa legítima do ponto de vista comercial, como cinema a opção não poderia ter sido mais infeliz. E Tim Burton, definitivamente, não era o homem para esse serviço. Caberia ao diretor se lançar no universo de Carrol, não traduzi-lo para a enciclopédia Disney.


Johnny Depp como o chapeleiro maluco: quem diria, o ator é um dos pontos fracos do filme


O visual do filme é impressionante, mas por si só não é digno de maior entusiasmo. Há pouco no filme que lembre a veia estilística e subversiva de Burton. Resta ao público o consolo da dispersão proporcionada pelo 3D. Quem não se aventurar pelo 3D poderá se contentar com o trabalho das atrizes. Anne Hathaway faz uma rainha branca afetada que diverte, mesmo que involuntariamente. Helena Bonhan Carter acerta o ponto com sua composição da insegura Rainha Vermelha, mas quem brilha mais é mesmo Mia Wasikowska que faz uma Alice crível. Indefesa, receosa e vacilante, para depois assumir, finalmente, sua identidade. Mia faz o que pode em uma história equivocada. Não é culpa dela se a Alice que lhe deram não é a de Carroll, tão pouco a de Burton, mas a do Mickey Mouse.