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sábado, 6 de abril de 2013

Em off


Nesta edição de Em off, algumas apostas do blog para o line up do festival de Cannes 2013, o enigma de Robert Downey Jr. caindo na boca do povo, a promessa de um ano magnífico para Julianne Moore, as façanhas cada vez mais elogiosas de Matthew McConaughey, as elucubrações de Danny Boyle e o que há no futuro de Tim Burton.

Um ano para chamar de dela
Julianne Moore é daquelas atrizes obrigatórias para quem gosta de cinema. Extremamente talentosa, Moore, no entanto, ostenta poucos prêmios. Alguma redenção pode estar à espreita com a safra de 2013, já que ela estrela nada mais nada menos do que seis filmes com lançamento programado para este ano. De petardos comerciais (como o remake de Carrie – a estranha) a perolas indies (a estreia de Joseph Gordon-Levitt na direção com Don Jon e a comédia dramática The english teacher), Moore será uma das presenças recorrentes da temporada cinematográfica e isso é muito bom.
Além desses filmes, Moore estrela ainda o tocante What Maise knew, que integrou a seleção do último festival de Toronto, o thriller de ação Non stop ao lado de Liam Neeson e o início da saga que pretende ocupar o posto deixado por Harry Potter, The seventh son.

Julianne Moore em The seventh son, com lançamento previsto para novembro nos EUA: um ano intenso e plural


Cadê o McConaughey que estava aqui?
Há pelo menos dois anos se discute, nos mais variados fóruns cinéfilos, o giro de 180º impresso por Matthew McConaughey em sua carreira. Uma série de projetos, iniciados com o ótimo drama O poder e a lei lançado em 2011, colocaram o marido de Camila Alves no mapa dos atores mais requisitados e celebrados do momento. E a meritocracia não para de crescer. McConaughey parece decidido a só escolher os projetos certos. Ainda com o lançamento de Mud pendente, o ator começa a colher os frutos da primorosa sequência de trabalhos enfileirada (Magic Mike, Killer Joe, Bernie e The paperboy). Está no novo longa de Martin Scorsese, o antecipado The Wolf of Wall Street e perdeu peso para viver um aidético em Dallas Buyers Club. Mas esses eram projetos já anunciados. A novidade mais recente, divulgada na última semana, é de que o ator será o protagonista de Interstellar, ficção científica de Christopher Nolan e seu primeiro trabalho após a conclusão da trilogia do cavaleiro das trevas.
A notícia é sintomática do novo status do ator em Hollywood. Não obstante, ele ainda protagonizará uma minissérie policial para a HBO.

McConaughey bem mais magro, em imagem de dezembro de 2012, no set de filmagens de Dallas Buyers club: além do respeito de crítica e público, indicações ao Oscar pairam no horizonte

O que esperar do próximo filme de Tim Burton?
Tim Burton é um excelente cineasta. Conceitualmente e visualmente, é dos mais significativos da atualidade. Contudo, já há algum tempo vem sendo questionado pelo fato de ter se acomodado narrativamente e de seu cinema, e muitos veem a parceria com Johnny Depp como catalisadora disso, ter perdido expressividade.
O site Deadline divulgou na última semana que Burton será o diretor de Big eyes, filme cuja premissa grita por um diretor com o talento e a sensibilidade estética e narrativa de Burton. O filme mostrará um casal de pintores famosos por fazerem retratos de crianças com olhos grandes. Margaret e Walter Kane foram dois dos primeiros artistas a comercializar obras de arte como produtos nos idos dos anos 50 e 60. A união terminou e eles travaram longas disputas nos tribunais. Christoph Waltz e Amy Adams estão vinculados ao projeto e devem interpretar os protagonistas.
Big Eyes, que será produzido pela The Weinstein Company pode representar o retorno de Burton às boas críticas. O último filme do diretor a angariar massiva aprovação crítica foi Peixe grande (2003). E lá se vão dez anos!

O enigma de Robert Downey Jr.

Em 12 de fevereiro de 2012, claquete publicou na seção Insight um artigo bastante analítico sobre as escolhas de Robert Downey Jr. em sua fase mais dourada no cinema e sobre como elas o conduziram para um impasse. Downey Jr. é um bom ator ou apenas um sujeito eficiente em verter versões de si mesmo na tela grande? E mais: por que a durabilidade de séries como Homem de Ferro e Sherlock Holmes poderia se provar prejudicial à percepção que o público tem dele. A mais recente edição da revista Serefina, que estampa o ator em sua capa, apresenta uma matéria com questionamentos semelhantes. A ideia de que Downey Jr. esteja se esgotando já ronda Hollywood há algum tempo e Homem de ferro 3 será um valioso instrumento para apontar o caminho que o ator deve seguir daqui para frente.


O devaneio de Danny Boyle
O novo filme de Danny Boyle, um sofisticado suspense envolvendo hipnose e roubos de obras de arte (Em transe) é um das estreias do fim de semana nos EUA – no Brasil o filme chega no início de maio. Em uma das muitas entrevistas que fez para promover o filme, Boyle disse que não planeja mais trabalhar em produções de grande orçamento. Por isso rejeita a possibilidade de conduzir uma aventura de James Bond, ao qual frequentemente é vinculado. Some-se a isso, a percepção de que, para Boyle, uma grande estrela distorce um filme. Na visão do diretor vencedor do Oscar por Quem quer ser um milionário?, um astro de cinema desequilibra expectativas e perspectivas em um filme. Seja durante a produção do filme ou na recepção do público.
Apesar do radicalismo de Boyle, sua análise não está de toda errada. Um astro, de fato, altera o DNA de um filme. Essa questão já foi discutida por Claquete anteriormente sob muitos ângulos (clique aqui para conferir um deles) e voltará à pauta em uma futura seção Insight.

Algumas apostas para Cannes
Será anunciado nos próximos dias o line up do festival de Cannes 2013. Pode ser que não surja de pronto uma lista fechada com os 20 filmes que disputarão a Palma de ouro, mas cerca de 17 ou 18 filmes já devem ser confirmados. Como já é notório, a 66ª edição de Cannes terá Steven Spielberg como presidente do júri da principal mostra competitiva e O grande Gatsby como filme de abertura. Claquete indica alguns filmes que, na avaliação do blog, farão parte do evento. 

+ The Bling ring, de Sofia Coppola (EUA)
Sofia, que esteve em Cannes com Maria Antonieta em 2006, ainda deve um grande filme ao festival. Seria essa a chance? O filme já está pronto e Sofia é cult o suficiente para se garantir como uma das grandes atrações. De quebra, Emma Watson seria um ímã no tapete vermelho.

+ Blood ties, de Guillaume Canet (EUA)
O filme é americano, mas o diretor é francês. Aliás, diretor que também é ator e casado com Marion Cotillard, que protagoniza o filme. Ser um thriller dolorido e com forte proeminência dramática ajuda.

+ La granda bellezza, de Paolo Sorrentino (ITA)
Os últimos quatro filmes de Sorrentino debutaram em Cannes. O filme já está pronto. É só fazer as contas.

+ Twelve years a slave, de Steve McQueen (ING)
O novo do diretor de Shame com os astros Michael Fassbender e Brad Pitt, além da nova sensação Quvenzhané Wallis. Thierry Frémaux, diretor do festival de Cannes, deve estar se matando para garantir este filme no evento.

+ Jeunie et Julie, de François Ozon (FRA)
Depois de figurar dois anos consecutivos em Veneza, esse poderia ser o filme de retorno de Ozon a Cannes, onde somente disputou com Swimming pool em 2003. O filme ainda está em pós-produção. Se não ficar pronto a tempo, é certeza em Veneza. 

+ Lowlife, de James Gray (EUA)
Gray é um dos queridos de Cannes. Neste tenso drama estrelado por Joaquin Phoenix, Jeremy Renner e Marion Cotillard deve engatar sua segunda participação consecutiva na riviera francesa. Concorreu à Palma de ouro por seu último filme, Amantes em 2008.

+ Only God forgives, de Nicolas Winding Refn (EUA)
O diretor de Drive, uma das sensações do festival em 2011, e Ryan Gosling juntos novamente. Quem vai resistir? Cannes certamente não.

+ The past, de Asghar Farhadi (FRA)
Primeiro filme do diretor de A separação após a consagração internacional do filme vencedor do Oscar em língua estrangeira. É também seu primeiro filme fora do Irã e com astros franceses como Bèrenice Bejo e Tahar Rahin.

+Serra pelada, de Heitor Dhalia (BRA)
Um épico brasileiro sobre o maior garimpo a céu aberto do país. Uma história de ganância e violência com a sensibilidade de Dhalia, que causou boas impressões com À deriva, exibido em Cannes na mostra Um certo olhar.

+ The Nymphomaniac, de Lars Von Trier (DIN)
Von Trier em Cannes, a despeito das polêmicas exacerbadas de sua última participação, é sempre certeza. Ainda mais com um projeto tão polarizante como esse - um filme com cenas de sexo explícito. 

domingo, 17 de março de 2013

Insight - A Burton o que é de Burton



Há três anos, Claquete promoveu um especial sobre o filme Alice no país das maravilhas. O filme não foi dos highlights da carreira de Tim Burton, mas se firmou como seu maior sucesso de bilheteria e, de quebra, serviu ao propósito do diretor de fazer as pazes com o estúdio Disney, de onde saiu desprestigiado no fim dos anos 80. Alice no país das maravilhas, com sua bilheteria superior a U$ 1 bilhão, no entanto, incutiu em Hollywood uma nova tendência: o ressurgimento dos contos de fadas no cinema.
Na esteira do lançamento de Oz: mágico e poderoso – que lidera pelo segundo final de semana consecutivo as bilheterias americanas – é seguro dizer que os contos de fadas representam para Hollywood hoje o que há uma década eram as HQs.
Já foram duas versões distintas para Branca de Neve, uma reimaginação do conto de João e Maria, uma versão sombria do conto dos irmãos Grimm para Chapeuzinho vermelho e o retorno a Oz para mostrar como tudo começou. No fim de março estreia ainda a visão de Bryan Singer para “João e o pé de feijão”, rebatizada de Jack: o caçador de gigantes. Hollywood já prepara outras versões sombrias de alguns clássicos contos de fadas. Em Pan, Peter Pan é um serial killer que mata apenas crianças e o capitão gancho (papel que será de Aaron Eckhart) é o detetive responsável do caso. A pequena sereia tem ninguém menos do que Joe Wright (Anna Karenina) a frente da produção. Ainda não há muitos detalhes sobre a produção. Diferentemente de Malévola, que terá Angelina Jolie no papel principal e estreia no próximo ano com o foco na rainha má de Bela adormecida. Ali baba, novas versões para Cinderela, ampliação do universo de Oz e outras apropriações já estão igualmente engatilhadas. É natural que os contos de fadas não sejam o manancial que as HQs representam para Hollywood, mas são providenciais em um momento de esgotamento dos comics no cinema.

Cena de Oz: mágico e poderoso, primeiro grande sucesso de bilheteria de 2013: uma das poucas versões modernas não sombria dos contos de fadas

De qualquer maneira, tanto as HQs como os contos de fadas foram viabilizados enquanto negócio pelas mãos de Tim Burton. Foi o excêntrico diretor que venceu a desconfiança de crítica e indústria e fez de Batman um campeão de bilheteria em 1989. Com um filme sombrio e estrelado por um contestado Michael Keaton, Burton provou que as HQs eram sim viáveis como fonte para o cinema e rentáveis enquanto negócio. Foi Burton quem ensejou a nova onda de reimaginações de contos de fadas e o aspecto sombrio que domina grande parte delas também se deve a influência do diretor.
Burton, notadamente negligenciado pela crítica, é um improvável campeão de bilheteria com filmes como A lenda do cavaleiro sem cabeça, Edward mãos de tesoura e Frankenweenie. Tendo estado à frente de dois movimentos capitais para a musculatura hollywoodiana nos últimos 30 anos, alinha abaixo do radar de muita gente outra “nota esquecida” para sua biografia. 

sábado, 17 de novembro de 2012

Crítica - Frankenweenie


Terror infantil revisionista

Se você achou o título dessa crítica estranho, saiba que essa é a melhor tradução de Frankenwennie (EUA 2012), novo filme de Tim Burton. A mais recente incursão do cineasta pela animação em stop motion ganha no 3D, do qual obrigatoriamente se serve, um detalhamento que torna o filme mais “burtoniano”. Em Frankenweenie, Tim Burton volta para casa. Esse regresso pressupõe um sem número de homenagens aos primórdios do terror, em cenas orquestradas mais para esses cinéfilos de botequim do que para as crianças perdidas pelo cinema, a colaboração com atores que remetem ao começo de sua carreira (como Winona Ryder e Martin Landau) e também a reimaginação de uma história pessoal dimensionada em um curta simples e simplista produzido por Burton na década de 80 na Disney – estúdio pelo qual ele lança agora essa versão mais adornada.
Na fita, Victor (voz de Charlie Tahan) é um grande entusiasta de ciências. Posto o complexo de maneira simples, um nerd assumido. Ele não tem amigos, a não ser o cachorrinho Sparky. Quando Sparky morre, ele decide – inspirado pelo climático professor de ciências dublado por Landau – ressuscitá-lo na base da corrente elétrica.

Victor e o ressuscitado Sparky: um filme de terror infantil que no fundo é uma declaração de amor ao cinema burtoniano  

O que Tim Burton faz é pegar o mito de Frankenstein e remendá-lo de forma a produzir uma parábola infantil sobre o bom (e o mau) uso da ciência e o amor incondicional de uma criança por seu cãozinho. Isso na superfície. O que Frankenweenie realmente é um túnel do tempo para Tim Burton. É uma fenda espaço-temporal que o cineasta abre em sua obra e permite que seu público fiel compartilhe com ele daquela nostalgia embalada pela mais acurada técnica de stop motion em 3D.
O grande problema é que Frankenweenie continua a ser essencialmente um curta-metragem. Não há nada, além do deleite nostálgico de Burton e de seus fãs, que justifique a duração do filme.
Esteticamente vistoso e com seu par de emoções, Fankenweenie pode ser percebido de duas maneiras: Tim Burton está preparado para se reinventar como artista ou já ensaia, ainda que inconscientemente, o epílogo de sua obra. De qualquer maneira, a importância de Frankeenweenie em uma revisão histórica será a de ter prenunciado um ou outro. 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Momento Claquete # 31

Cameron Diaz, aos 40 anos, mostra que tem muito peito no editorial assinado por Terry Richardson para a edição de outubro da Esquire americana 


 O nome é Bardem: Javier Bardem, moreno, foi capa da GQ italiana de setembro...


Química a gente faz em casa: Jon Hamm e Kristen Wiig, que já fizeram um casal por duas vezes nas telas, mostram sintonia quando as câmeras estão desligadas

Eles já foram namorados na vida real e marido e mulher na ficção. Claquete, no entanto, recupera um olhar indiscreto ocorrido antes disso tudo. Tobey Maguire não resiste e "segue" Natalie Portman pela escadaria de um estádio de baseball. A foto é de 2007


A barriguinha está lá, mas o charme também. Sean Penn joga um xaveco na cantora Florence Welch em evento realizado no sábado (27) em Los Angeles 


S.O.S raridade: essa é um presente de Claquete para cinéfilo nenhum botar defeito. Em foto de 1978, Woody Allen e Nora Ephron, falecida este ano, tricotam sobre alguma coisa a qual só podemos especular... 



O homem que é uma caricatura: Tim Burton, o homem, a caricatura...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Em off


Nesta edição de Em off, a boa fase de Ben Affleck, o elenco mais vistoso da história de Hollywood a serviço da paródia, o homem que irá comandar a festa do Oscar 2013, considerações sobre a escolha de O palhaço para tentar o primeiro Oscar do Brasil, a possível face cinematográfica de Julian Assange e o filme mais pessoal de Tim Burton.


Uma aposta certeira?

A escolha de Seth MacFarlane para ser o anfitrião do Oscar 2013 tem, pelo menos, um aspecto a seu favor: a surpresa. Mesmo com Ted, sua estreia na direção, sendo um dos grandes sucessos de bilheteria em 2012 – o único plenamente baseado em uma ideia original -,MacFarlane não fazia parte do pool de apostas que ano após ano toma conta dos analistas da indústria. Nesse contexto, bola dentro de Hawk Koch que reveste a primeira cerimônia sob sua presidência do apelo que seu antecessor Tom Sherak perseguiu e não alcançou.
MacFarlane pode significar a conquista de uma audiência que a Academia vem buscando relativamente sem sucesso. Além do mais, ele é um artista bem completo. Cantor, comediante, produtor televisivo, roteirista, ator e, agora, diretor de cinema. O repertório de gags cômicas de MacFarlane também impressiona. As expectativas naturalmente se agigantarão nos próximos meses. Mas MacFarlane, uma aposta ousada, inovadora e justamente por isso bem vinda, deve dar conta do recado.


Quando é esmola demais...
Todo mundo sabe exatamente o que esperar daqueles filmes que reúnem superelencos e todo mundo sabe mais ou menos o que esperar de paródias cinematográficas. Pois Movie 43, que tem lançamento previsto para janeiro de 2013 nos EUA, quer colocar essas percepções à prova.
O filme é constituído por diversos curtas e é dirigido por Brett Ratner. Elizabeth Banks, Mike Judge, Peter Farrelly e Bob Odenkirk. As primeiras imagens reveladas pela revista Entertainment Weekly mostram Jason Sudeikis como Batman, Justin Long como Robin e Emma Stone e Kieran Culkin tirando onda com seus personagens de Pânico 4. O filme promete ser bastante divertido e apresenta um casting dos mais estrelados já reunidos por uma produção hollywoodiana. Tente não perder o fôlego lendo esses nomes: Hugh Jackman, Kate Winslet, Halle Berry, Naomi Watts, Terrence Howard, Gerard Butler, Kristen Bell, Chloe Moretz, Josh Duhamel, Johnny Knoxville, Elizabeth Banks, Christopher Mintz-Plasse, Richard Gere, Live Schreiber, Anna Faris, Uma Thurman, Sean William Scott, Leslie Bibb, Ricky Gervais, Kate Bosworth, Patrick Warburton, Tony Shalhoub, Chris Pratt e Bobby Cannavale. 




 O mais novo “filme mais pessoal” de Tim Burton
Se tem um diretor que convive, e bem, com a alcunha de realizar filmes pessoais é Tim Burton. Em alguns casos, essa definição transbordou o marketing promocional como em casos de filmes como Edward mãos de tesoura (1990) e Peixe grande e suas histórias maravilhosas (2003). Mas Frankenweenie, que será lançado no início de novembro nos cinemas, está em outro patamar. O filme é um remake de um dos primeiros curtas produzidos por Tim Burton, com o mesmo nome, ainda em escala bastante amadora. Foi com Frankenweenie que Burton começou a amadurecer sua marca pessoal no cinema.
O filme conta a história do menino Victor que depois que seu cãozinho Sparky é atropelado, se dedica a trazê-lo de volta a vida – inspirado pelo clássico "Frankenstein".
Alguns cartazes promocionais do filme podem ser conferidos abaixo.





Por cima da carne seca

Em um ano com novos filmes de Paul Tomas Anderson, Steven Spielberg, Kathryn Bigelow, David O. Russell, David Cronenberg e William Friedkin, a única certeza que críticos colocam na disputa pelo Oscar de direção é Ben Affleck. Cada vez mais a vontade na função de diretor, Affleck viu seu Argo subir de cotação depois do festival internacional de cinema de Toronto. Muita gente na indústria acredita que o filme, que brinda o cinema de espionagem dos anos 70 e ainda faz uma crônica irônica sobre Hollywood, será a grande sensação da temporada do Oscar. Outros acreditam que a candidatura ganha ainda mais força pela polêmica despertada pelo fajuto filme anti-islã A inocência dos muçulmanos.
Em meio as entrevistas promocionais de Argo, que deve estrear nos cinemas brasileiros em novembro, Affleck comentou a respeito de seu arrependimento sobre o filme O demolidor, rodado em 2003 e disse que “seria um prazer dirigir um filme sobre 'A liga da justiça'”, mas ressaltou que são só boatos atrelando seu nome à produção ainda não confirmada pela Warner Bros.


Uma ou duas palavras sobre O palhaço
A escolha de O palhaço para representar o Brasil na briga pelo Oscar de filme estrangeiro foi a mais acertada em anos. O júri, é bem verdade, dispunha de um painel bem diversificado e com uma média de qualidade não verificada em outros anos. No entanto, se O palhaço é uma escolha bem embasada e que permite algum otimismo, é preciso dizer que talvez não fosse a melhor escolha disponível para enfrentar filmes de primeiríssima qualidade que países como Áustria, Itália, França e Coréia do Sul estão credenciando à disputa. Duas produções nitidamente inferiores a O palhaço, no entanto, reuniam alguns componentes mais palatáveis ao gosto da Academia. São elas Xingu, um épico suficientemente exótico e com a assinatura dos experimentados Fernando Meirelles e Cao Hamburger, e Heleno, drama biográfico tecnicamente perfeito e com uma grande atuação de um ator já atuante no mercado hollywoodiano (Rodrigo Santoro). O cinema brasileiro, vale lembrar, não conta com a boa vontade dispensada a filmes europeus ou ao cinema latino de língua espanhola. Essa barreira só poderia ser superada por um filme de extrema qualidade, mas vale lembrar que Cidade de Deus – que não foi indicado na categoria em 2003 – relativizou essa máxima. Uma alternativa, que o júri constituído ano após ano pelo MinC tem tentado antecipar, é adivinhar o humor da comissão responsável por eleger os indicados ao Oscar de filme estrangeiro. Dez anos depois de Cidade de Deus, surge a opção de escolher o melhor em detrimento do mais adequado. É uma boa opção. Principalmente se considerarmos o fato de que vinham escolhendo filmes medianos sob o pretexto de serem os mais adequados. Não eram. O palhaço, por toda essa conjuntura, pode ser o grande redentor do cinema nacional. Leia a crítica de Claquete do filme aqui.


A face de Assange

O ator Benedict Cumberbatch, visto recentemente em O espião que sabia demais e protagonista da série inglesa "Sherlock", está nos planos da DreamWorks para interpretar o australiano Julian Assange na biografia sobre o fundador do Wikileaks que o estúdio elabora. A produção, baseada nos livros “Wikileaks: inside Julian Assange´s war on secrecy” e Inside Wikileaks: my time with Julian Assange at the world´s most dangerous website”, deve ser dirigido por Bill Condon. O diretor dos dois últimos filmes da saga Crepúsculo já estaria em conversas com os produtores.
Vale lembrar que a HBO também produz um filme sobre Assange.

domingo, 21 de agosto de 2011

Insight

O Planeta dos macacos vive



A franquia O planeta dos macacos talvez seja a maior dentro do nicho ficção científica. É bem verdade que Star wars e Matrix renderam mais dinheiro e dividendos na cultura pop, mas não gozam do mesmo respaldo da crítica e ressonância filosófica da saga iniciada em 1968 com o filme de Flanklin J. Schaffner. O filme que surpreendeu o mundo com seu final impactante se mantém atual, mesmo com a saraivada de refilmagens e as continuações ingratas a que deu origem. Não que as quatro sequências, rodadas quase que a toque de caixa, de O planeta dos macacos não sejam satisfatórias. São ótimas fitas de ação que expandem aquele universo tão rico que teve origem na literatura de Pierre Boulle.
À época, O planeta dos macacos foi saudado como um libelo anti-guerra fria. A intensificação das hostilidades entre EUA e União Soviética preocupava o mundo e a visão para o declínio da humanidade vislumbrada no filme protagonizado por Charlton Heston era uma poderosa metáfora para o estado das coisas. Mas não só. O planeta dos macacos incitava a um sem número de reflexões, que em certo nível escaparam às continuações.

O final que demoliu cinemas: o fascínio com o final de O planeta dos macacos é puramente cinematográfico, já que na literatura o desfecho é diferente...


O Planeta dos macacos estimulava um debate sobre o avanço da ciência – algo que O planeta dos macacos: a origem (2011) recupera. O novo filme, dirigido por Rupert Wyatt, reúne as críticas mais elogiosas da temporada do verão americano de 2011. “Além dos efeitos especiais de última geração, um dos meus interesses no filme foi esse debate sobre os avanços da ciência e os custos que eles nos impõem enquanto sociedade”, explicou James Franco em rodada de entrevistas promocionais.
A fita de 2011 busca preencher o que podemos chamar de lacunas da obra original. “É sobre o desenvolvimento da inteligência nos símios e o que deflagrou a revolução”, argumenta o diretor.
Com o retumbante sucesso de bilheteria, o filme liderou o box office americano por três semanas e já se pagou antes mesmo de debutar na maioria dos mercados internacionais, as continuações já são projetadas. “A ideia sempre foi de uma trilogia”, assegurou o roteirista Rick Jaffa ao Access Hollywood.
A fita que reúne as melhores crítica da temporada, de acordo com o site especializado RottenTomatoes, quando teve sua produção anunciada foi vista como mais um caça níqueis hollywoodiano. A opção pelo desconhecido Rupert Wyatt –até então com apenas um filme no currículo – reforçou as suspeitas de que o novo planeta dos macacos seria um engodo tão grande ou maior do que as últimas visitas aos símios inteligentes.


O que Tim Burton tem a ver com isso?
Mas os macacos continuam a fascinar e nas mãos das mentes criativas certas, a fornecer vasto material reflexivo em suas indissociáveis relações com os seres humanos e sua evolução.
Foi com isso em mente que a Fox bancou uma alardeada, e mais aguardada do que atual produção, nova versão para o filme de 1968. O estúdio chamou ninguém menos do que o cultuado Tim Burton para viabilizar o projeto. Burton, em uma combinação de esquisitice e pujança visual, parecia mais do que indicado para assumir a tarefa. O diretor de Edward mãos de tesoura e A lenda do cavaleiro sem cabeça se manteve mais fiel ao livro de Boulle, mas essa fidelidade acabou por podar o viés imaginativo que muitos ansiavam na versão de Burton.
Mark Wahlberg fez o papel do herói. Tim Roth, embaixo de pesada maquiagem fez um notável vilão e Charlton Heston surgiu, em papel homenagem, como o pai desse vilão. Ao assumir-se símio, Heston conferiu longevidade a esse filme de Burton que, no limiar, é uma bem sacada fita de ação.
Dez anos depois da refilmagem que não surtiu o efeito esperado pelo estúdio e pela crítica, chega essa prequel (eventos que se passam antes do original) para respaldar ainda mais a excelência da fita original.
O verão de 2011, contra todos os prognósticos, foi tomado pelos símios.

domingo, 6 de junho de 2010

Insight


Cinema de arte: isso existe?


É uma discussão antiga e tão enclausurada em si que fica difícil fugir dos lugares comuns aventados com o passar dos anos. Não há evolução no debate e cada nicho, cada pensador do cinema, tem sua convicção. “Cinema é arte!” “Cinema é indústria!” “Cinema é arte para as massas!” “Cinema é a corrupção da arte!” “Cinema é a arte industrializada!” “Cinema só é arte quando feito de maneira experimental!” “O cinema se perdeu da arte!” “Se o cinema não se reinventar deixará a arte para trás!”. Muitos são os “achismos”, os diagnósticos e os inevitáveis prognósticos em relação ao tema. Muitos consideram o cinema uma arte pagã. O que seria uma forma de rebaixá-lo como arte. Outros, por seu turno, consideram o cinema a arte mais completa que existe (e também a mais fascinante), por possibilitar que todas as outras formas de artes sejam, de alguma maneira, confluídas.
Como atenta o parágrafo que abre o texto, cinema de arte é uma equação longe de um desfecho. Postula-se de um lado que o cinema de arte é uma artimanha marketeira que se renova ano após ano em festivais (que no fundo só existiriam para fazer dinheiro), enquanto que na outra frente, argumenta-se que o cinema em si fora concebido como arte, mas deturpado por ideais capitalistas. Seria essa a razão de cineastas imaginativos e alinhados a esquerda serem tão celebrados por uma crítica de cinema que parece tão dissonante de seu público.



A Pixar, estúdio de filmes como UP -altas aventuras (a animação na foto), e Christopher Nolan, diretor de insônia (o filme da direita na foto) conjugam fórmulas comerciais em filmes de arte



O bom desse debate que atravessa gerações é que todos os argumentos que provocam sua longevidade são válidos. O cinema de arte é algo difícil de definir. É lógico que não está no estardalhaço de efeitos especiais de Transformers, mas você pode encontrá-lo em blockbusters hollywoodianos como Batman – o cavaleiro das trevas, O exterminador do futuro 2, Blade Runner – o caçador de andróides, Wall E, O sexto sentido e O curioso caso de Benjamin Button. Há quem pense que Blockbusters e filmes de arte são incompatíveis por natureza. Esse é um preconceito tão atroz quanto supor que um negro seja menos capaz que um branco.
O cinema prima pela equivalência e há quem se dedique a fazer filmes ditos “de arte” e não consiga fazê-los. Os filmes de David Lynch são considerados “de arte” por que grande parcela de quem os assiste não consegue entendê-los. Isso pode muito bem ser classificado como uma incorreção, além da óbvia boa vontade para com o diretor em questão. Ora, se não se entende como rotular uma obra cinematográfica? A arte pode muito bem encontrar lugar em um filme mais comercial. Christopher Nolan, que constrói uma das carreiras mais reluzentes em Hollywood, é dos diretores mais bem sucedidos nesse departamento. Filmes como Amnésia, Insônia, O grande truque e os capítulos de Batman que dirigiu são todos voltados para um público abrangente, mas dotados de questões que permeiam os ditos “filmes de arte”. Essa contradição ajuda a elevar o debate e rechaçar qualquer parecer definitivo. Por isso é retrógrado apontar que Cannes celebra a arte e o Oscar celebra a indústria. Os dois, em proporções diferentes (é bom que se deixe claro) celebram os dois modelos de produção cinematográfica. O cinema de arte precisa do cinema comercial para existir, enquanto que o cinema comercial não pode prescindir do cinema de arte para que se viabilize a partir do contraponto.


Cena de O curioso caso de Benjamin Button: blockbuster sim, mas muito mais profundo do que um passatempo para se comer pipocas....


Há interessantes casos que embaralham ainda mais a noção de cinema de arte. Peguemos Quentin Tarantino por exemplo. Tido como um expoente moderno do cinema de arte, os detratores do diretor de Bastardos inglórios dizem que ele apenas recicla filmes antigos em um liquidificador pop. A simplificação do cinema de Tarantino permite uma inflexão. De fato, o diretor conflui referências cinematográficas (e musicais, e literárias, etc) com habilidade ímpar. Seu estilo chega a ser profano. Mas Tarantino é acessível. Seu cinema “de arte” parece assim o ser em virtude das circunstâncias. Os baixos orçamentos do inicio da carreira e ser cria de festivais (veio a Mostra de São Paulo em 1992 para exibir seu filme de estréia Cães de Aluguel e todo novo lançamento debuta em Cannes) ajudaram a consolidar Tarantino como um diretor de filmes de arte. Ah, então ele não é diretor de filmes de arte? O ponto não é esse. Bastardos inglórios (seu melhor e mais maduro filme) é uma produção de U$ 70 milhões e estrelada por um Hollywood star (Brad Pitt). Não são esses predicados de um filme comercial?
Tarantino faz cinema de arte? Faz cinema comercial? Tarantino faz bom cinema! E o bom cinema deve ser tomado, antes de se enveredar por rótulos secundários, como arte.

Burton e Tarantino: Estilo e subversão são sinonimos de arte no mundo do cinema


Poster italiano de Bastardos inglórios: orçamento de U$70 milhões, Brad Pitt a frente do elenco e segunda guerra mundial não foram suficientes para taxá-lo de blockbuster (nem mesmo a bilheteria de U$ 250 milhões ao redor do mundo).

Tim Burton é outro que pratica arte em filmes comerciais. Dono de uma concepção visual onírica e delirante, Burton conseguiu ajustar fórmulas comerciais a um cinema carregado de cores pessoais. Burton e Tarantino descendem diretamente de Traufaut e Godard, críticos de cinema que viraram cineastas (admiradores do cinema americano e de Hitchcock) que foram vértices da Nouvelle Vague, movimento francês que popularizou a teoria do autor no cinema. De acordo com esta teoria, o diretor é o criador maior de um filme. A percepção que se tem do cinema de arte desde então, mudou irrevogavelmente. Perceba que grande parte da crítica se orienta também pela teoria do autor.É por isso que filmes que trazem uma marca autoral de seus realizadores (seja essa marca reciclagem ou delírios visuais) são tidos como filmes de arte. No caso de David Lynch, a marca é não ser inteligível.

David Lynch é um autor cultuado: a arte dele é não ser inteligível


A pretensão sempre é desestabilizadora. Isso vale tanto para o cinema de arte quanto para sua contraparte comercial. E é com isso em mente que se deve apreciar um filme. A arte tem de ser mutável, atraente, instigadora, inteligente, conflitante, motivadora e libertária. Se um filme faz valer algum desses adjetivos, você pode chamá-lo sem medo de errar, de filme de arte.

Obs: A coluna dessa semana foi inspirada pela repercussão do editorial de maio intitulado "O mês da arte". Em maio, além da realização e da cobertura do festival de Cannes, Claquete realizou especiais sobre dois filmes ditos " de arte" O mundo imaginário do doutor Parnassus e Tetro (que foram escolhidos pelo leitor em enquete). A reação ao editorial gerou uma pauta imediata para a coluna insight. Semana que vem, o debate será aprofundado.

sábado, 22 de maio de 2010

De olho no futuro...


Os problemas em Homem aranha 4 continuam
E as coisas realmente não vão bem na produção do novo filme do Homem aranha. Depois da imensa confusão que foi a demissão de Sam Raimi e Tobey Maguire, a Sony acaba de levantar mais um fio de suspeita sobre a continuidade da saga do herói aracnídeo no cinema. O roteirista Alvin Sargent, de 83 anos, co-roteirista do último filme, foi contratado para supervisionar o roteiro escrito por James Vanderbilt (roteirista de Zodíaco). O texto de Vanderbilt já está pronto. O que nos leva a crer que a Sony, que planeja rodar um filme com Peter Parker adolescente, não gostou do resultado. Será que Sam ainda está disponível?

Ecos de A mão que balança o berço
O que Rebeca de Mornay (alguém ainda lembra dela?) e o diretor de Jogos mortais 2 e 3, Darren Lynn Bousman, planejam juntos? Acertou quem respondeu um filme macabro sobre o dia das mães. Mother´s day mostra Rebecca como uma mãe sociopata que em um dia das mães resolve visitar a casa que criou os filhos “sociopatinhas” já falecidos. Quem não vai gostar da ideia são os atuais moradores da residência que ficam a mercê do revival que a mamãezinha vai preparar.


Você foi um mal menino...

Alice no país das maravilhas 2
Pois é, filme Disney é assim. Tem sequências, mesmo que indesejadas ou incabíveis. Por que de um jeito ou de outro, elas se viabilizam em merchandising e brinquedos. Alice no país das maravilhas, que já ruma para a modesta marca de U$ 1 bilhão de dólares em todo o mundo, já recebeu o aval da direção do estúdio para ganhar uma continuação. Ninguém do elenco tem contrato para a sequência e é difícil crer que Tim Burton volte. Já que o diretor nunca dirigiu uma seqüência e não escondeu sua decepção com o filme que realizou.

Será que a exilada rainha vermelha volta para cortar mais algumas cabeças?
Mudança no novo filme de Terry Gilliam
Johnny Depp ajudou Terry Gilliam a conseguir financiamento para filmar Dom Quixote ao entrar para o projeto. Pois bem, essa semana Depp anunciou sua retirada da produção. Não foram dadas maiores justificativas (a coluna desconfia que Depp só quis assegurar que a produção iria vingar), mas foi anunciado o nome de Ewan McGregor como substituto de Depp. Robert Duvall também entrou para o elenco do filme que ainda está pré-produção.

Os macacos voltaram
E a Fox resolveu ressuscitar a franquia Planeta dos macacos, esquecida depois do fracasso do remake de 2001 dirigido por, imaginem você, Tim Burton (no segundo grande deslize de sua carreira, embora o filme seja muito superior a Alice). O novo filme se chamará Rise of the Apes (bem original , né?) e será dirigido pelo desconhecido Ruppert Wyatt. James Franco, que é muito bom ator (melhor que Mark Wahlberg pelo menos) será o protagonista do filme que tem estréia prevista para julho do ano que vem.
James Franco (na foto com um bigodinho cafa) viverá um cientista no novo começo da saga dos símios no cinema

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ESPECIAL ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS - Critica


Pondo os pingos nos is



Após assistir Alice no país das maravilhas (Alice in wonderland EUA 2010) fica fácil entender o por que de Tim Burton ter refutado a autoria do filme em mais de uma oportunidade.
Aguardado com muita ansiedade, o filme revela-se incompatível com a cinematografia do diretor. A produção da Disney, é bem verdade, tornou-se o maior sucesso de bilheteria da carreira de Burton, marca mais uma colaboração entre o diretor e seu ator preferido, Johnny Depp, e apresenta um visual onírico e impressionante. Essas interjeições levam a crer que trata-se de um legítimo e conceituado trabalho de Burton. Mas engana-se quem precipita-se nessa resposta. Alice no país das maravilhas dilui a obra de Lewis Carroll em uma típica aventura Disney. Ou seja, o que se vê na tela não é um filme de Burton, mas sim um filme Disney. É preciso ter isso em mente na hora de avaliar a produção, que guarda mais semelhanças com os dois filmes As crônicas de Nárnia em termos de estrutura e memória pop do que com a obra infanto-juvenil do século XIX.


Burton orienta Mia durante as filmagens: Ele não era o homem certo para essa versão de Alice


Na fita, Alice (Mia Wasikowska) está com 19 anos e às vésperas de um casamento arranjado. A jovem Alice, confusa e insatisfeita com o fato de não ter o controle de sua vida, mais uma vez segue o coelho branco até uma toca. Não é preciso dizer que ela cai nesta toca. No país das maravilhas, aqui chamado de subterrâneo, em um trocadilho que funciona muito melhor em inglês (ao invés de wonderland, fica underland), Alice não consegue se lembrar de já ter visitado aquele lugar antes e fixa-se na ideia de que tudo aquilo não passa de um sonho. Ela é orientada e protegida pelas tradicionais e reconhecidas figuras da obra de Carroll, o chapeleiro maluco (um Johnny Depp, por incrível que pareça, fora do tom), pelo gato risonho, entre outros. Alice precisa “assumir o seu destino” e recolocar a rainha branca no trono que lhe foi roubado pela irmã, a rainha vermelha.
A jornada do herói, corrente filosófica e semiótica que já serviu de base para tantas produções Disney, volta a ser a matéria prima de uma produção da casa. Contudo, apesar da obra de Carroll oferecer vasto material inexplorado, ou que pudesse ser atualizado, não há a disposição de sequer aproveitá-lo. A idéia, tudo indica, era somente aproveitar o universo criado por Carroll e se apropriar dele. Embora seja uma alternativa legítima do ponto de vista comercial, como cinema a opção não poderia ter sido mais infeliz. E Tim Burton, definitivamente, não era o homem para esse serviço. Caberia ao diretor se lançar no universo de Carrol, não traduzi-lo para a enciclopédia Disney.


Johnny Depp como o chapeleiro maluco: quem diria, o ator é um dos pontos fracos do filme


O visual do filme é impressionante, mas por si só não é digno de maior entusiasmo. Há pouco no filme que lembre a veia estilística e subversiva de Burton. Resta ao público o consolo da dispersão proporcionada pelo 3D. Quem não se aventurar pelo 3D poderá se contentar com o trabalho das atrizes. Anne Hathaway faz uma rainha branca afetada que diverte, mesmo que involuntariamente. Helena Bonhan Carter acerta o ponto com sua composição da insegura Rainha Vermelha, mas quem brilha mais é mesmo Mia Wasikowska que faz uma Alice crível. Indefesa, receosa e vacilante, para depois assumir, finalmente, sua identidade. Mia faz o que pode em uma história equivocada. Não é culpa dela se a Alice que lhe deram não é a de Carroll, tão pouco a de Burton, mas a do Mickey Mouse.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Cannes updated #1

O antecipado filme que não veio
Um filme que era tido como certo desde o final do ano passado em Cannes este ano era Tree of life, novo trabalho do bissexto cineasta Terence Malick. Estrelado por dois darlings do festival, Brad Pitt e Sean Penn, Tree of life é um dos filmes mais comentados do ano nos círculos de arte. Contudo, Malick se enrolou na edição da fita e renunciou a cadeira cativa que teria na competição oficial. Diz a boca pequena que Tree of Life pode parar no festival de Veneza em setembro. Será que conta como punhalada?


Um Clint Eastwood viria a calhar
O diretor do festival de Cannes Tierry Frémaux sonhava com Clint Eastwood. Calma. O que Frémaux queria era que Hereafter, novo longa do diretor americano, ficasse pronto a tempo de integrar a lista dos filmes na briga pela Palma de Ouro. Não ficou. Hereafter ainda está em pós-produção e Cannes tem apenas uma produção americana em competição, o drama Fair game, de Doug Liman. Frémaux sonhava com Clint por se tratar de um cineasta americano cult e de muito prestígio em diferentes nichos. É dos poucos que agrada as massas e também os críticos.


Woody Allen e os antônios
É grande a expectativa em Cannes pelo novo tarbalho de Woody Allen. De seus últimos 5 longas, quatro estrearam no festival. Mesmo que tenham sido fora de competição, os filmes do diretor americano estiveram entre os que chamaram mais atenção nos corredores de Cannes. You will meet a tall dark starnger traz dois atores celebrados, e que nunca haviam trabalhado com Allen antes, em papéis coadjuvantes. O inglês Anthony Hopkins e o espanhol Antônio Banderas. Tanto Allen quanto os Antônios são aguardados em Cannes nessa semana.

Woody ao pé do ouvido com Antônio Banderas e passando diretrizes para Anthony Hopkins e Naomi Watts: todos irão a Cannes



Um Godard para variar
Ele não está na competição oficial, mas Jean Luc Godard tem tudo a ver com o festival mais importante do cinema. No ano em que completará 80 anos, Godard estará presente em Cannes com seu novo filme, Film socialisme. Pouco se sabe sobre a fita que integra a principal mostra paralela do evento (Um certo olhar). Especula-se que seja uma construção de Godard sobre a falência de certos ideologismos nesse começo de século.


O filme de abertura não agradou
Robin Hood, filme de abertura do 63º festival de Cannes, teve recepção morna na riviera francesa. O filme só não agradou menos a critica e aos jornalistas do que seu astro, o ator Russel Crowe, que proferiu algumas respostas irônicas aos jornalistas presentes na coletiva de imprensa. O ator chegou a dizer que se Robin Hood atuasse hoje, sua ação seria contra a mobilização da mídia.

Russel Crowe e Cate Blanchet chegam para a premiere do filme que não atraiu tanta gente quanto o esperado



“Nós também seremos julgados”
O presidente do júri dessa edição do festival de Cannes, o cineasta Tim Burton, mostrou-se reticente quanto a sua função. O diretor, que mais uma vez relativizou as vantagens do 3D na entrevista coletiva que deu esta tarde em Cannes, disse que ele e seus colegas de júri também estão sendo avaliados. E disse que o termo julgar não expressa bem o que farão na edição deste ano. “Somos muito sensíveis a palavra julgar. Precisamos estar abertos a tudo”, disse o cineasta.

O cineasta Tim Burton entre as duas juradas do grupo de nove: Não somos juízes!

Com agências internacionais

quarta-feira, 14 de abril de 2010

ESPECIAL ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS - Movies great partnerships



Tem muita que gente acredita em alma gêmea. Pois bem, se existe parâmetro para isso no âmbito profissional, o ator Johnny Depp e o diretor Tim Burton são expoentes. O primeiro trabalho dos dois juntos data de 1990, Edward mãos de tesoura era uma fábula gótica que apelava aos corações de manteiga. Burton, então um diretor “quente” em Hollywood (acabarara de consagrar o filme Batman de 1989 um campeão de bilheteria sem precedentes na indústria) tinha 33 anos e era um diretor com pouca experiência, mas que já imprimia uma marca muito pessoal em seus filmes (o esmero visual de Batman arrebatou platéias). Johnny Depp por sua vez, tinha 27 anos e havia estrelado dois filmes de muita fama (Platoon e A hora do pesadelo), mas em nenhum dos dois fez mais do que uma ponta. De certa forma, Edward mãos de tesoura arregimentaria as carreiras de ambos e os uniria para sempre sob o manto da esquisitice.
O filme tornou-se instantaneamente objeto de culto e alçou tanto Burton quanto Depp aos holofotes da mídia. A identificação que surgiu entre ambos, catalisada pelo conto que deram vida, foi retomada em Ed wood. O filme de 1994 era sobre aquele que é conhecido como o pior cineasta de todos os tempos. A fita sobre aquela figura incompreendida foi um respiro tanto para Burton que vinha de uma produção marcada por desentendimentos com o estúdio Warner (no caso o segundo filme do homem morcego, Batman – o retorno) e para Depp que depois do sucesso de Gilbert Grape – aprendiz de sonhador (1993) e Don Juan de Marco (1994) relutava em abraçar a imagem de galã. O filme foi um fracasso de público retumbante, mas agradou a crítica e participou de algumas premiações (tal qual Edward mãos de tesoura).

O cabelo pode mudar, mas a amizade continua: Burton e Depp há doze anos atrás nos sets de A lenda do cavaleiro sem cabeça


Depp e Burton perceberam que funcionavam bem juntos. Burton então, passou a impor o nome de Depp em todo e qualquer projeto que assumisse. Como Depp ainda não era o astro que é hoje, isso valeu muitos cancelamentos de contratos para o diretor. Tanto é, que entre Ed Wood e A lenda do cavaleiro sem cabeça (1999), Burton só dirigiu um filme, o amalucado Marte ataca (1996).
A lenda do cavaleiro sem cabeça marcou a terceira colaboração entre os dois. O terror, outro filme em que Burton condicionou fórmulas comerciais à sua concepção visual, agradou e foi sucesso de público e crítica. Depp, a essa altura, já carregava consigo a fama de ator de papéis esquisitos. Fama essa, que encontrava perfeita sintonia no estado de espírito de Burton e na maneira dele conceber cinema.
Em 2005 os dois reuniram-se mais uma vez para o remake de A fantástica fabrica de chocolate. Duas particularidades chamavam atenção agora. Johnny Depp já era um astro (consagrado pelo sucesso de Piratas do caribe) e a Warner deu completa liberdade para Burton ser Burton. O filme foi um espetacular sucesso de bilheteria, mas a crítica se dividiu. Ainda em 2005, ambos juntaram forças na animação em stop motion A noiva cadáver. Aqui Burton como produtor e co-diretor e Depp dando voz ao personagem principal.

Certo ou errado? Depp e Burton repercutem uma cena de A fantástica fábrica de chocolate

Desse momento em diante Burton só trabalhou com Depp. “É como aquele time de basquete que não funciona sem o armador”, justificou o diretor certa vez à revista Empire sobre a importância do ator em seus filmes. Em 2007, Burton apresentou ao mundo um musical de terror sanguinolento e lá estava Johnny Depp para correr os riscos junto com ele. O resultado não poderia ter sido melhor. Sweeney Todd: O barbeiro demoníaco da rua Fleet teve aprovação da crítica e um desempenho surpreendente nas bilheterias, principalmente se levado em conta tratar-se de um musical. E de terror!
O mais recente filme de Burton, o primeiro depois de Sweeney Todd, é Alice no país das maravilhas e Johnny Depp, mais uma vez, apresenta-se para fazer valer o sentido de parceria. A nova versão para a obra de Lewis Carroll chamou atenção desde que foi anunciada. Muito em parte, por ser o filme que reuniria esses dois pela sétima vez.
Há quase dois meses em cartaz nos EUA, o filme não só é o maior sucesso de bilheteria do ano até aqui, também é a maior bilheteria da carreira de Tim Burton (pois é, Johnny Depp tem Piratas do Caribe no currículo).
Uma parceria que comemora 20 anos, sete filmes, uma amizade vigorosa, muitos prêmios, reconhecimento crítico e sucesso de bilheteria. Agora resta perguntar para Depp e Burton se eles se consideram almas gêmeas.

Fala que eu te escuto: Tim Burton ouve as impressões de Johnny Depp nos sets de Sweeney Todd

domingo, 11 de abril de 2010

ESPECIAL ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS - Insight

As várias leituras da obra de Lewis Carroll




Lewis Caroll é, na verdade, pseudônimo de Charles Lutwidge Dogson. Professor, escritor e matemático, o tímido e recluso Dogson concebeu um dos maiores clássicos da literatura infantil. Alice no país das maravilhas foi concebido (pelo menos a idéia central da obra) durante um passeio de barco que Dogson fazia pelo rio Tâmisa com sua amiga Alice Liddell (uma menina de dez anos na época). Isso ocorreu em 1862. Em 1864, Dogson presenteou sua amiga com um manuscrito do livro que seria publicado em 1865 com tiragem inicial de dois mil exemplares.
Apesar de traduzido para mais de 50 línguas, Alice no país das maravilhas tem algumas piadas e trocadilhos que só funcionam na língua inglesa. De qualquer forma, o que atrai inúmeros pensadores a principal obra de Dogson/Caroll são os problemas matemáticos e lógicos que permeiam a obra. Muitos ainda imperceptíveis, alguns ainda insolúveis. Os enigmas de Carrol só encontram eco nas polêmicas e nas interpretações psicológicas que sua obra suscita.
Em um primeiro momento é realmente tentador rotular o recluso Dogson como pedófilo. Devido a excentricidade da idéia de Alice no país das maravilhas e também o que a motivou. Mas essa interpretação nunca poderá ser definitiva. Apenas cortejada. Há quem veja em Alice um ataque às convenções políticas da monarquia inglesa do século XIX e há quem veja o primeiro grande tratado sobre a passagem da infância para a adolescência destinado para a faixa etária em questão.

“Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então pare”

Os enigmas propostos por Carrol em sua narrativa preservam a atemporalidade da obra. Alice foi influência contumaz em toda a produção cultural do século 20. De forma indireta, como em produções Disney como Branca de Neve, ou direta e referencial, como na trilogia Matrix (em que a matemática e lógica ocupam lugar central na narrativa).
O próprio material de Carrol já foi alvo de centenas adaptações para o cinema, teatro, literatura e toda a forma de arte. A mais recente adaptação do material é a versão cinematográfica concebida por Tim Burton, Alice no país das maravilhas não é uma adaptação do primeiro livro, nem mesmo do segundo (Alice através do espelho), informa o diretor. É uma continuação dos eventos apresentados na obra de Carrol. O que aconteceria se Alice, já na fase adulta (às vésperas de se casar) voltasse ao país das maravilhas? É mais ou menos isso que essa nova versão Disney (maior, mais cara, mais caprichada e em 3D) do clássico de Carrol propõe. Burton já refutou a autoria do filme. Disse que não usou seu olhar. “Fui contratado para fazer esse filme e entreguei-o da maneira que estava no roteiro”, em referência ao roteiro de Linda Woolverton (roteir ista de Mulan e O rei leão).
Muitos falavam que o conflito de Alice no país das maravilhas (a obra original de Carroll) era que Alice, na verdade, só queria sair da toca. No Alice de Tim Burton, ela quis voltar. O que essa nova leitura irá acrescentar a uma obra já tão explorada e descaracterizada, só o tempo dirá.

terça-feira, 6 de abril de 2010

ESPECIAL ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS - O visual "Burtoniano"

Tim Burton e sua mulher, a atriz Helena Bohan carter: Falta ou excesso de estilo?


Ele é conhecido pelo visual peculiar de seus filmes e pela maneira, digamos, desleixada de se vestir. Tim Burton é um cara recluso que também se dedica a literatura e as artes plásticas. Artista completo para muitos, autor intrigante para outros e diretor esquisitão para a maioria. De qualquer maneira todos são cativados pelo cinema de Burton que é prontamente reconhecido pelo público. Mesmo aqueles que não se envolvem mais a fundo com o cinema, reconhecem facilmente um filme do diretor. Sua identidade é fortíssima. Das mais notórias de um artista de destaque na mídia, seja no cinema ou em qualquer outra expressão de arte.
Claquete selecionou um painel com imagens que possibilitam essa constatação. Fica o convite para adentrar o fascinante e, por muitas vezes inclassificável, delírio visual burtoniano.





segunda-feira, 5 de abril de 2010

ESPECIAL ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS - Alice na visão de Burton

O diretor Tim Burton nos sets de filmagens com cara de poucos amigos


É um filme Disney. Mas antes de ser um filme Disney, Alice no país das maravilhas (Alice in wonderland) é um filme de Tim Burton. Essa constatação, além de oferecer uma tremenda pompa, redimensiona totalmente a percepção que a platéia tem do filme. Ou pelo menos a expectativa em relação à obra. “Não é uma criação minha. Simplesmente filmei o que estava no roteiro”, disse Burton em um misto de modéstia e insatisfação à reportagem da Folha de São Paulo no início de março. De qualquer maneira é possível identificar o artista Burton nas imagens de Alice no país das maravilhas. Por ser dono de um cinema de concepção visual robusta, era grande a expectativa pelo primeiro projeto em 3D do cineasta. E o que se vê em Alice no país das maravilhas não decepciona. “Existem mais de 20 versões de Alice que, a meu ver, sofrem do mesmo problema: são muito literais. Nunca me conectei com elas. Queria ser fiel ao legado e ao espírito dos personagens, e não à história em si”, admitiu o diretor na entrevista à Folha.
Sobre o 3D, que tem sido um dos principais atrativos do filme, Burton não compartilha do entusiasmo da indústria. “É uma ferramenta com o potencial de adicionar uma camada extra de sensações. Existe a música, a cor, o movimento... e o 3D! Pode acreditar que nos próximos meses será lançada uma porção de filmes em 3D porcarias porque tem gente achando que basta ser 3D para ser bom. É a nova onda”.

Bonecos de Alice e do chapeleiro maluco: Um filme de Burton, mas antes disso um filme Disney

Tim Burton parece incomodado com o sucesso arrasador de seu filme. Ao USA TODAY disse que o filme não ficou do jeito que gostaria, mas que ficou satisfeito de “ter agradado ao estúdio”. A Alice de Burton não é bem a Alice de Burton parece nos querer dizer, subliminarmente, o cineasta.