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sábado, 17 de novembro de 2012

Crítica - Frankenweenie


Terror infantil revisionista

Se você achou o título dessa crítica estranho, saiba que essa é a melhor tradução de Frankenwennie (EUA 2012), novo filme de Tim Burton. A mais recente incursão do cineasta pela animação em stop motion ganha no 3D, do qual obrigatoriamente se serve, um detalhamento que torna o filme mais “burtoniano”. Em Frankenweenie, Tim Burton volta para casa. Esse regresso pressupõe um sem número de homenagens aos primórdios do terror, em cenas orquestradas mais para esses cinéfilos de botequim do que para as crianças perdidas pelo cinema, a colaboração com atores que remetem ao começo de sua carreira (como Winona Ryder e Martin Landau) e também a reimaginação de uma história pessoal dimensionada em um curta simples e simplista produzido por Burton na década de 80 na Disney – estúdio pelo qual ele lança agora essa versão mais adornada.
Na fita, Victor (voz de Charlie Tahan) é um grande entusiasta de ciências. Posto o complexo de maneira simples, um nerd assumido. Ele não tem amigos, a não ser o cachorrinho Sparky. Quando Sparky morre, ele decide – inspirado pelo climático professor de ciências dublado por Landau – ressuscitá-lo na base da corrente elétrica.

Victor e o ressuscitado Sparky: um filme de terror infantil que no fundo é uma declaração de amor ao cinema burtoniano  

O que Tim Burton faz é pegar o mito de Frankenstein e remendá-lo de forma a produzir uma parábola infantil sobre o bom (e o mau) uso da ciência e o amor incondicional de uma criança por seu cãozinho. Isso na superfície. O que Frankenweenie realmente é um túnel do tempo para Tim Burton. É uma fenda espaço-temporal que o cineasta abre em sua obra e permite que seu público fiel compartilhe com ele daquela nostalgia embalada pela mais acurada técnica de stop motion em 3D.
O grande problema é que Frankenweenie continua a ser essencialmente um curta-metragem. Não há nada, além do deleite nostálgico de Burton e de seus fãs, que justifique a duração do filme.
Esteticamente vistoso e com seu par de emoções, Fankenweenie pode ser percebido de duas maneiras: Tim Burton está preparado para se reinventar como artista ou já ensaia, ainda que inconscientemente, o epílogo de sua obra. De qualquer maneira, a importância de Frankeenweenie em uma revisão histórica será a de ter prenunciado um ou outro. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Em off


Nesta edição de Em off, a boa fase de Ben Affleck, o elenco mais vistoso da história de Hollywood a serviço da paródia, o homem que irá comandar a festa do Oscar 2013, considerações sobre a escolha de O palhaço para tentar o primeiro Oscar do Brasil, a possível face cinematográfica de Julian Assange e o filme mais pessoal de Tim Burton.


Uma aposta certeira?

A escolha de Seth MacFarlane para ser o anfitrião do Oscar 2013 tem, pelo menos, um aspecto a seu favor: a surpresa. Mesmo com Ted, sua estreia na direção, sendo um dos grandes sucessos de bilheteria em 2012 – o único plenamente baseado em uma ideia original -,MacFarlane não fazia parte do pool de apostas que ano após ano toma conta dos analistas da indústria. Nesse contexto, bola dentro de Hawk Koch que reveste a primeira cerimônia sob sua presidência do apelo que seu antecessor Tom Sherak perseguiu e não alcançou.
MacFarlane pode significar a conquista de uma audiência que a Academia vem buscando relativamente sem sucesso. Além do mais, ele é um artista bem completo. Cantor, comediante, produtor televisivo, roteirista, ator e, agora, diretor de cinema. O repertório de gags cômicas de MacFarlane também impressiona. As expectativas naturalmente se agigantarão nos próximos meses. Mas MacFarlane, uma aposta ousada, inovadora e justamente por isso bem vinda, deve dar conta do recado.


Quando é esmola demais...
Todo mundo sabe exatamente o que esperar daqueles filmes que reúnem superelencos e todo mundo sabe mais ou menos o que esperar de paródias cinematográficas. Pois Movie 43, que tem lançamento previsto para janeiro de 2013 nos EUA, quer colocar essas percepções à prova.
O filme é constituído por diversos curtas e é dirigido por Brett Ratner. Elizabeth Banks, Mike Judge, Peter Farrelly e Bob Odenkirk. As primeiras imagens reveladas pela revista Entertainment Weekly mostram Jason Sudeikis como Batman, Justin Long como Robin e Emma Stone e Kieran Culkin tirando onda com seus personagens de Pânico 4. O filme promete ser bastante divertido e apresenta um casting dos mais estrelados já reunidos por uma produção hollywoodiana. Tente não perder o fôlego lendo esses nomes: Hugh Jackman, Kate Winslet, Halle Berry, Naomi Watts, Terrence Howard, Gerard Butler, Kristen Bell, Chloe Moretz, Josh Duhamel, Johnny Knoxville, Elizabeth Banks, Christopher Mintz-Plasse, Richard Gere, Live Schreiber, Anna Faris, Uma Thurman, Sean William Scott, Leslie Bibb, Ricky Gervais, Kate Bosworth, Patrick Warburton, Tony Shalhoub, Chris Pratt e Bobby Cannavale. 




 O mais novo “filme mais pessoal” de Tim Burton
Se tem um diretor que convive, e bem, com a alcunha de realizar filmes pessoais é Tim Burton. Em alguns casos, essa definição transbordou o marketing promocional como em casos de filmes como Edward mãos de tesoura (1990) e Peixe grande e suas histórias maravilhosas (2003). Mas Frankenweenie, que será lançado no início de novembro nos cinemas, está em outro patamar. O filme é um remake de um dos primeiros curtas produzidos por Tim Burton, com o mesmo nome, ainda em escala bastante amadora. Foi com Frankenweenie que Burton começou a amadurecer sua marca pessoal no cinema.
O filme conta a história do menino Victor que depois que seu cãozinho Sparky é atropelado, se dedica a trazê-lo de volta a vida – inspirado pelo clássico "Frankenstein".
Alguns cartazes promocionais do filme podem ser conferidos abaixo.





Por cima da carne seca

Em um ano com novos filmes de Paul Tomas Anderson, Steven Spielberg, Kathryn Bigelow, David O. Russell, David Cronenberg e William Friedkin, a única certeza que críticos colocam na disputa pelo Oscar de direção é Ben Affleck. Cada vez mais a vontade na função de diretor, Affleck viu seu Argo subir de cotação depois do festival internacional de cinema de Toronto. Muita gente na indústria acredita que o filme, que brinda o cinema de espionagem dos anos 70 e ainda faz uma crônica irônica sobre Hollywood, será a grande sensação da temporada do Oscar. Outros acreditam que a candidatura ganha ainda mais força pela polêmica despertada pelo fajuto filme anti-islã A inocência dos muçulmanos.
Em meio as entrevistas promocionais de Argo, que deve estrear nos cinemas brasileiros em novembro, Affleck comentou a respeito de seu arrependimento sobre o filme O demolidor, rodado em 2003 e disse que “seria um prazer dirigir um filme sobre 'A liga da justiça'”, mas ressaltou que são só boatos atrelando seu nome à produção ainda não confirmada pela Warner Bros.


Uma ou duas palavras sobre O palhaço
A escolha de O palhaço para representar o Brasil na briga pelo Oscar de filme estrangeiro foi a mais acertada em anos. O júri, é bem verdade, dispunha de um painel bem diversificado e com uma média de qualidade não verificada em outros anos. No entanto, se O palhaço é uma escolha bem embasada e que permite algum otimismo, é preciso dizer que talvez não fosse a melhor escolha disponível para enfrentar filmes de primeiríssima qualidade que países como Áustria, Itália, França e Coréia do Sul estão credenciando à disputa. Duas produções nitidamente inferiores a O palhaço, no entanto, reuniam alguns componentes mais palatáveis ao gosto da Academia. São elas Xingu, um épico suficientemente exótico e com a assinatura dos experimentados Fernando Meirelles e Cao Hamburger, e Heleno, drama biográfico tecnicamente perfeito e com uma grande atuação de um ator já atuante no mercado hollywoodiano (Rodrigo Santoro). O cinema brasileiro, vale lembrar, não conta com a boa vontade dispensada a filmes europeus ou ao cinema latino de língua espanhola. Essa barreira só poderia ser superada por um filme de extrema qualidade, mas vale lembrar que Cidade de Deus – que não foi indicado na categoria em 2003 – relativizou essa máxima. Uma alternativa, que o júri constituído ano após ano pelo MinC tem tentado antecipar, é adivinhar o humor da comissão responsável por eleger os indicados ao Oscar de filme estrangeiro. Dez anos depois de Cidade de Deus, surge a opção de escolher o melhor em detrimento do mais adequado. É uma boa opção. Principalmente se considerarmos o fato de que vinham escolhendo filmes medianos sob o pretexto de serem os mais adequados. Não eram. O palhaço, por toda essa conjuntura, pode ser o grande redentor do cinema nacional. Leia a crítica de Claquete do filme aqui.


A face de Assange

O ator Benedict Cumberbatch, visto recentemente em O espião que sabia demais e protagonista da série inglesa "Sherlock", está nos planos da DreamWorks para interpretar o australiano Julian Assange na biografia sobre o fundador do Wikileaks que o estúdio elabora. A produção, baseada nos livros “Wikileaks: inside Julian Assange´s war on secrecy” e Inside Wikileaks: my time with Julian Assange at the world´s most dangerous website”, deve ser dirigido por Bill Condon. O diretor dos dois últimos filmes da saga Crepúsculo já estaria em conversas com os produtores.
Vale lembrar que a HBO também produz um filme sobre Assange.