Pondo os pingos nos is

Aguardado com muita ansiedade, o filme revela-se incompatível com a cinematografia do diretor. A produção da Disney, é bem verdade, tornou-se o maior sucesso de bilheteria da carreira de Burton, marca mais uma colaboração entre o diretor e seu ator preferido, Johnny Depp, e apresenta um visual onírico e impressionante. Essas interjeições levam a crer que trata-se de um legítimo e conceituado trabalho de Burton. Mas engana-se quem precipita-se nessa resposta. Alice no país das maravilhas dilui a obra de Lewis Carroll em uma típica aventura Disney. Ou seja, o que se vê na tela não é um filme de Burton, mas sim um filme Disney. É preciso ter isso em mente na hora de avaliar a produção, que guarda mais semelhanças com os dois filmes As crônicas de Nárnia em termos de estrutura e memória pop do que com a obra infanto-juvenil do século XIX.
Burton orienta Mia durante as filmagens: Ele não era o homem certo para essa versão de AliceA jornada do herói, corrente filosófica e semiótica que já serviu de base para tantas produções Disney, volta a ser a matéria prima de uma produção da casa. Contudo, apesar da obra de Carroll oferecer vasto material inexplorado, ou que pudesse ser atualizado, não há a disposição de sequer aproveitá-lo. A idéia, tudo indica, era somente aproveitar o universo criado por Carroll e se apropriar dele. Embora seja uma alternativa legítima do ponto de vista comercial, como cinema a opção não poderia ter sido mais infeliz. E Tim Burton, definitivamente, não era o homem para esse serviço. Caberia ao diretor se lançar no universo de Carrol, não traduzi-lo para a enciclopédia Disney.
Johnny Depp como o chapeleiro maluco: quem diria, o ator é um dos pontos fracos do filme



























