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sábado, 15 de março de 2014

TOP 10 - Dez características do cinema de Lars Von Trier


Lars Von Trier está de volta aos cinemas com a segunda parte de seu Ninfomaníaca. A oportunidade enseja uma análise mais vertical da obra do cineasta e dos elementos fundamentais de sua filmografia. O TOP 10 do mês observa as dez principais características do cinema do diretor dinamarquês.

10 - Cronologia temática
Lars Von Trier costuma pensar sua obra em trilogias. As trilogias da Europa, da América (ainda incompleta), do coração de ouro e da depressão compõem um painel que rima abstração com concretude na construção fílmica de um dos cineastas mais autorais da contemporaneidade.

9- Estilização
Um filme de Lars Von Trier parece um filme de Lars Von Trier. Desde o enquadramento desajustado até o ritmo lento, seus filmes têm fôlego próprio. Seus últimos trabalhos têm chamado ainda mais atenção por uma tarimba visual ainda mais peculiar.

8 – Capítulos
Outro aspecto comum em sua filmografia é a divisão do filme em capítulos. Em Ninfomaníaca ele radicaliza ainda mais essa característica levando para as telas oito capítulos. Essa opção reforça sua afinidade com a lógica das óperas tão ressaltada em seus últimos trabalhos.

7- Stellan Skarsgärd
Não há ator com quem Von Trier tenha trabalhado mais. Presente na maioria dos filmes de Von Trier, dos últimos seis só não esteve em AntiCristo, o ator sueco é um parceiro capaz de assumir as funções mais variadas nos delírios narrativos do cineasta mais polarizador da atualidade.

6 - Opulência narrativa
Von Trier não alivia. Seus filmes são frequentemente classificados como pesados. E o são, de fato. Von Trier mitiga seu espectador com dramatizações pujantes e um humor perverso, mas raríssimo. Opções estéticas diversas contribuem para o sentimento de estafa que se estabelece de quando em quando.

5 - Psicologização
Von Trier não esconde sua admiração pela psicologia e ostenta seu conhecimento, por vezes inesperadamente trôpego, em toda e qualquer oportunidade de “psicologizar” os conflitos intrínsecos ao filme e aos personagens.
O choque como autopromoção é uma de suas assinaturas

4 - Protagonistas femininas
O acusam de ser misógino, mas fato é que o cinema de Von Trier se debruça sobre o feminino. Ele já disse que escreve sobre si e feminiliza suas angústias na tela. De qualquer modo, ainda que sofredoras extremas, suas personagens femininas ostentam força indelével no cinema moderno.

3 – Sexo
De alguma maneira, Von Trier sempre circundou o sexo como interesse temático em seu cinema. Ninfomaníaca apenas tonifica um tópico contumaz na filmografia do cineasta. Filmes como Os idiotas, Ondas do destino, Dogville e AntiCristo de alguma maneira, já se ocupavam da questão.

2 – Culpa
Um diversionamento do sexo, em algum aspecto, mas também um conceito absoluto em si.  A culpa é uma das forças motrizes do cinema de Von Trier. Seja de um personagem, como em AntiCristo ou Dançando no escuro, ou seja um traço coletivo como em Dogville ou Melancolia.

1-Reverberação filosófica
Como atestam as posições anteriores desta lista, Von Trier é chegado em um café filosófico. Em Ninfomaníaca este interesse é mais vívido do que qualquer outra interjeição mais gráfica sobre sexo. Von Trier filosofa em seus filmes como se o amanhã dependesse disso. 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Semana Philip Seymour Hoffman em Claquete - As dez melhores atuações de Philip Seymour Hoffman

Já vamos deixando claro que muita coisa boa ficou de fora. Afinal de contas, estamos falando de Philip Seymour Hoffman, que como prova essa semana dedicada a ele em Claquete e que se finda com essa postagem, era um ator para lá de especial. Suas performances em filmes como Magnólia, A última noite e Sinédoque Nova Iorque, para citar algumas, ficaram de fora de uma lista acima de qualquer suspeita.



10 - Paul Zara em Tudo pelo poder (2012), de George Clooney
Como um experiente consultor político que se vê enredado em uma conspiração que envolve seu principal escudeiro e a campanha rival, Hoffman brilha com pouco tempo em cena, mas com a intensidade e gravidade que tão bem lhe precedem.

9 – Padre Flynn em Dúvida (2008), de John Patrick Shanley
Como um padre bondoso que subitamente se vê na condição de suspeito de molestar uma criança, Hoffman empreende uma de suas composições mais sutis. Ainda que seja suficientemente enérgico quando divide a cena com Meryl Streep, é pela candura de sua fala e pela força de seu olhar que essa performance indicada ao Oscar se distingue.

8 – Jon Savage em A família Savage (2007), de Tamara Jenkis
Como um professor de teatro frustrado, Hoffman vive o personagem mais parecido com ele, segundo disse o próprio à revista Volture em uma entrevista em 2010. Ele e a irmã precisam enfrentar o passado e algumas de suas máculas quando o pai adoece gravemente.

7 – Allen em Felicidade (1998), de Todd Solondz
Como um homem amargurado, absolutamente introspectivo e com taras sexuais inusitadas, Hoffman humaniza um personagem banhado em complexidade nesse difícil filme de Solondz. É um trabalho esmerado na intuição de um ator cheio de recursos e sem medo algum em desnudar-se dramaticamente.

6 – Andy em Antes que o Diabo saiba que você está morto (2007), de Sidney Lumet
Como um homem viciado em heroína que para sustentar o vício resolve orquestrar um assalto contra a joalheria da mãe e alicia o irmão para isso, Hoffman tem um dos momentos mais geniais de sua carreira fazendo um personagem amoral, extremo e com demônios mais sujos e vis do que qualquer outro que tenha encarnado. A forma como domina a cena, expondo a convivência de fragilidade e perversidade em uma mesma pessoa, até hoje impressiona.

5 – Scotty J. em Boggie nights – prazer sem limites (1997), de Paul Thomas Anderson
O papel que lhe aferiu destaque é uma prova imensa de seu talento. Um legítimo perdedor que Hoffman consegue fazer com que nos importemos. O contra-regra afetado apaixonado por um astro do pornô em ascensão é um dos muitos personagens tacanhos e ligeiramente perturbados, que o ator adensou com humanidade e sensibilidade.

4 – Rusty em Ninguém é perfeito (2000), de Joel Schumacher
Como um travesti que aceita cuidar do vizinho homofóbico, Hoffman dá mais um show de versatilidade criando um tipo apaixonante e incrivelmente forte, ainda que de fragilidade cativante. Faz De Niro desaparecer ante o gigantismo de sua interpretação.

3 – Truman Capote em Capote (2005), de Bennett Miller
O papel que lhe deu o Oscar é também aquele em que Hoffman provou de uma vez por todas que não havia nada que não pudesse fazer no cinema. Do timbre de voz, incrivelmente fino, aos trejeitos mais afetados, passando pelo egocentrismo doído, Hoffman é Capote. Por completo. Uma análise que percorre a ambição do criador do new journalism e encontra em sua alma agudamente aflita respostas que talvez nenhum outro ator fosse capaz de peneirar. Esse talvez tenha sido o último filme que recebeu uma indicação ao Oscar de melhor filme por mérito única e exclusivamente do protagonista.

2 – Lancaster Dodd em O mestre (2012), de Paul Thomas Anderson
Com vibração e potência, Hoffman veste a essência de um homem que se crê um profeta, um visionário e alguém capaz de tornar o mundo melhor. Um homem que também tem luxúria. Em O mestre, Hoffman transcende o campo dos mortais e chega ao patamar dos grandes intérpretes que a humanidade já possuiu.

1 – Gust Avrakotos em Jogos do poder (2007), de Mike Nichols
Talvez este não seja o melhor filme de Hoffman, ainda que seja um excelente filme, mas o ator é a lembrança mais vívida, lúcida e harmoniosa dessa comédia dramática com refinado senso crítico. Como o agente da CIA sem talento nenhum para a política e que precisa usar dela para ajudar um congressista a costurar um acordo improvável entre Israel, Irã e Arábia Saudita, Hoffman é cinema puro, extasiante e clássico, em cena.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - Os dez melhores filmes do ano

Claquete se despede de 2013, e deseja aos leitores um feliz ano novo de muitas realizações, conquistas e cinema, com a lista das listas: os dez melhores filmes lançados comercialmente em 2013 no Brasil. Foi um ano com algumas surpresas, outras tantas decepções e algumas certezas. Como reflexo disso, a presente lista não apresenta nenhum blockbuster, ainda que preserve maioria de títulos americanos. Há, sim, cineastas da mais fina estirpe. Paul Thomas Anderson, Woody Allen, François Ozon e William Friedkin marcam presença na lista. Diretores irregulares como Abdellatif Kechiche, Thomas Vinterberg e Ron Howard também. 
O cinema argentino perde sua cota informal na lista, mas o cinema latino-americano não. O mexicano Depois de Lúcia se impõe na lista com autoridade ímpar. Ímpar também é o cinema francês que viveu um ano próspero em nossas telas de cinema e como reflexo disso registra duas inclusões na lista de Claquete dos dez melhores filmes do ano. O pungente A caça, da Dinamarca, é outro europeu a figurar no ranking. 
Um aspecto que revela que 2013 não foi a maravilha em matéria de cinema que todos cremos é que apenas quatro filmes produzidos no ano conseguiram entrar na lista. Há cinco de 2012 e um de 2011. O que poderia ser preocupante, na verdade não é, como demonstra a lista dos dez filmes que quase entraram no TOP 10 do ano e que consta da postagem anterior. Lá há maioria de produções de 2013. De qualquer jeito, é um detalhe que não poderia passar despercebido. Assim como a ausência brasileira da lista. No ano passado, O palhaço representou o país no ranking do blog. 
Sem mais delongas, um feliz 2014, de muito cinema e que Claquete continue sendo o repouso cinéfilo de sua preferência. 

10 - Azul é a cor mais quente (La vie d´Adèle, 1 & 2, França 2013), de Abdellatif Kechiche

O premiado e comentado filme francês é daquelas experiências que o cinema vez ou outra oferta. Um filme que é um elaborado estudo de personagem, delicada história de amor e, ainda, narrativa cinematográfica absoluta em sua inteireza estética e compromisso narrativo. Não é um filme à prova de erros, mas é do tipo que oxigena o típico cinema de arte sem a opulência dos tiques autorais, mas privilegiando a simplicidade do relato. Kechiche filma com convicção até mesmo a insegurança de Adèle, a protagonista mais deslumbrante de 2013, diante do mundo. Azul é a cor mais quente é significativo, ainda, por perseguir uma verdade desconhecida, ainda que cercada por conjecturas a todo o momento. Quem somos nós, o que nos define, no final do dia?

9 – Capitão Phillips (Captain Phillips, EUA 2013), de Paul Greengrass

Paul Greengrass assume nesse filme de tensão ininterrupta algo que já sabemos, mas que sempre nos impressionamos quando essa verdade é esfregada em nossa cara. A realidade sempre supera a ficção; e Capitão Phillips é um esforço bem azeitado da ficção de equiparar-se com a realidade. A recriação do sequestro do Capitão Phillips e de sua embarquação por piratas somalis em 2009 é um ás da realização. Do ponto de vista do roteiro, de Billy Ray, da atuação, de Tom Hanks e dos outros atores menos famosos, mas igualmente certeiros, e de direção, do assumido Paul Greengrass.

8 – Rush – no limite da emoção (Rush, EUA 2013), de Ron Howard

O melhor filme de esporte já feito. Ok, a afirmação pode ser precipitada, mas Rush – no limite da emoção captura como poucos o que move a paixão em torno dos mais variados e diversificados esportes: a rivalidade. O sentimento de competição que brota no coração dos homens e se perpetua no jogo midiático e na ganância irrefreável que surge com a boa vida. O feito de Ron Howard é supremo porque o filme é completo em tudo que precisa ser completo, da narrativa muito bem aparada às atuações irreparáveis. As cenas de corrida, muito bem editadas e fotografadas, são um deleite à parte. Até mesmo para quem não gosta de Fórmula 1.

7- Depois de Lúcia (Después de Lucía, MEX/FRA 2012), de Michel Franco

Nenhum filme desta lista fará você se sentir pior como ser humano, ou mesmo mais confuso, do que este belo drama mexicano premiado no festival de Cannes em 2012.
Depois de Lúcia une dois temas delicados e bastante explorados pelo cinema, o bullying e o luto, e os funde com aspereza, sensibilidade e total falta de parcimônia no retrato agonizante que faz de uma menina e seu pai tentando readaptarem-se à vida após a morte da mãe e esposa. Um soco no estômago. Com soco inglês.

6- A caça (The Hunt, DIN 2012), de Thomas Vinterberg

O bullying volta, de certa forma, a se manifestar no filme que ocupa distintamente a sexta posição da lista. A mentira, a imaginação fértil de uma criança, o balé das circunstâncias e a intolerância são medidas nesta nauseante crônica fílmica de Thomas Vinterberg. A caça é, inegavelmente, o melhor filme de sua carreira e é daqueles que nos deixa de queixo caído. Da perplexidade à reflexão, são poucos os filmes que nos instigam esse maremoto interno.

5 – Blue Jasmine  (EUA 2013), de Woody Allen

Woody Allen nos presenteia com um filme dolorosamente engraçado, desavergonhadamente dramático e profundamente triste na radiografia certeira que faz do choque entre duas visões de mundo encampadas em uma mesma personagem. A tragédia de Jasmine, grega, mas também americana, é um comentário sagaz e sofisticado do cineasta de grife mais regular que o cinema dispõe hoje sobre os EUA, mas também sobre um tipo muito particular da grã-finagem.

4- Killer Joe – matador de aluguel (Killer Joe, EUA 2011), de William Friedkin

Quando a insanidade encontra o banal, Killer Joe tem seu ápice climático e o espectador, a certeza de que está diante de um filme único, ousado e chocante como nem Tarantino consegue ser.
Nessa história de violência orquestrada com maestria por William Friedkin, uma família se organiza, desorganizadamente, para matar a mãe e Matthew McConaughey, surpreendente a cada take, é o homem escolhido para fazê-lo. Killer Joe é uma epopeia de loucura delirantemente engraçada, avidamente dramática e irremediavelmente boa de ver.

3- O lado bom da vida (Silver linings playbook, EUA 2012), de David O. Russell

Se a capacidade de um filme de fazer você se sentir bem consigo mesmo fosse o principal critério para a eleição do melhor filme do ano, O lado bom da vida teria liquidado a disputa lá em fevereiro. Afinidade conta, mas não pode reinar sozinha. O que coloca O lado bom da vida no pódio dos melhores filmes lançados no Brasil em 2013 é sua incrível capacidade de emocionar, divertir e sensibilizar falando muito sério. Além da perfeição com que é dirigido, pela acuidade do texto e, principalmente, pela entrega absoluta dos atores em cena. Um filme cativante, solar e muito inteligente; tanto internamente, como na comunicação com o público.

2- Dentro da casa (Dans La mansion, FRA 2012), de François Ozon

Um brinde ao poder de uma história bem contada. Esse drama sofisticado, inventivo e sempre tão surpreendente quanto cativante de François Ozon faz reverência à arte de narrar dando espaço a sentimentos humanos tão díspares como carência, inveja, desejo, manipulação, raiva, rejeição. A trama que coloca um professor intrigado pela narrativa sofisticada de um aluno insuspeito e fazendo descobertas sempre desestabilizadoras é uma realização soberana do cinema francês de 2012 que abrilhantou o 2013 dos cinéfilos brasileiros.

1-O mestre (The master, EUA 2012), de Paul Thomas Anderson

Um estudo sobre a condição humana em toda a sua complexidade, prevaricação, fascínio e senso de oportunidade. Paul Thomas Anderson não economiza na ambição ou nos sofismas que circulam a arrebatadora história sobre como o homem modifica o meio e por ele se deixa modificar. Política, religião, amor e família são construções arquetípicas falimentares no olhar apurado, clínico, mas nem um pouco taxativo de Anderson. 

sábado, 28 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - Os dez melhores personagens do ano

Fama, vingança, violência, desespero, manipulação, desamparo. Os melhores personagens do ano mimetizam algumas das idiossincrasias mais identificáveis no nosso convício social. Mas há, também, espaço para outras particularidades. Do cruel escravagista vivido por Leonardo DiCaprio em Django livre à solar personagem defendida por Jennifer Lawrence em O lado bom da vida. Os dez melhores personagens do ano no cinema no crivo de Claquete.


10 - João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira) em Faroeste caboclo

Calado e quieto, são mesmo duas características diferentes, Santo cristo carrega no olhar o esfacelamento da esperança. Pelo menos até se descobrir apaixonado por Maria Lucia e é aí que se transforma em um personagem esfomeado por algo que não consegue exatamente definir. A redenção é uma via de mão única e Santo Cristo, personagem nascido na música da Legião Urbana e adensado no filme robusto de René Sampaio, não é homem de desviar o olhar.

9 - Lancaster Dodd (Phillip Seymour Hoffman) em O mestre

Visionário, manipulador, líder religioso, picareta. Na assombrosa construção de Phillip Seymour Hoffman, Lancaster Dodd projeta todas essas sombras. O criador e principal articulador de uma seita religiosa é um dos personagens mais enigmáticos e fascinantes do ano e, ainda, um brilhante arquétipo das maquinagens institucionais em voga na sociedade contemporânea.

8- Daniel Lugo (Mark Wahlberg) em Sem dor, sem ganho

Em um ano com especial atenção à intensa, frenética e renovada busca pelo sonho americano no cinema, Daniel Lugo, o brucutu vivido por Mark Wahlberg em Sem dor, sem ganho, subestimado filme de Michael Bay, ganha merecido destaque na lista. Seria mais sofisticado ressaltar Jay Gastby, de O grande Gatsby, personagem clássico e com pedigree da mais fina literatura americana, mas Lugo é mais bruto, triste, melancólico e, por que não, verdadeiro em sua jornada tragicômica. O personal trainer que resolveu roubar tudo de um cliente e foi cometendo uma burrada atrás da outra é tão inacreditável quanto verdadeiro e tirou toda a sua “expertise” do cinema. Bingo!

7- Luciano (Aniello Arena) em Reality – a grande ilusão

Não é exatamente o sonho americano que move Luciano, mas uma variação mais encorpada e universal. O sonho pela fama e a ganância que deriva dele. No ótimo drama italiano premiado em Cannes, Luciano encasqueta que será selecionado para o Big Brother e passa a guiar suas ações e relações nessa percepção, que não se afasta nem mesmo quando o programa começa. Uma análise dolosamente bem urdida da loucura pela fama tão inserida em nosso contexto social.

6- Malkina (Cameron Diaz) em O conselheiro do crime

Fria. Sexual. Duas variações que dificilmente se aproximam. Mas a personagem defendida com brio e mesura por Cameron Diaz nesse incompreendido filme de Ridley Scott alimenta a duas descrições com igual voracidade. Implacável e impiedosa, a personagem se identifica com felinos selvagens e aos poucos o espectador vai se dando conta da acuidade dessa relação.

5- Tiffany (Jennifer Lawrence) em O lado bom da vida

Carente? Não é exatamente esse o problema de Tiffany, personagem que valeu o Oscar de melhor atriz a Jennifer Lawrence. Em sofrimento depois da morte do marido e com um quadro psiquiátrico francamente incompreendido, ela vê na promissora relação com Pat (Bradley Cooper), sofrendo também do coração e da mente, um caminho de volta para a felicidade. Impossível não ceder aos encantos da personagem mais “porra louca” do ano.

4- Calvin Candie (Leonardo DiCaprio) em Django livre

O que de pior há na humanidade. Essa é uma das melhores descrições de Quentin Tarantino para o personagem que criou e Leonardo DiCaprio tão brilhantemente deu vida em Django livre. Senhor escravagista do Sul dos EUA no século XIX, Candie é um homem que vai conquistando o asco da audiência aos poucos, ainda que não consigamos desviar o olhar dele.

3- Joe (Matthew McConaughey) em Killer Joe – matador de aluguel

O terceiro lugar da lista é um tipo mais aterrador, complexo e, justamente por isso, mais fascinante do que Candie. Por isso se situa a sua frente na lista. O policial e assassino de aluguel vivido com esplendor por Matthew McConaughey parece não ter limites em seu sadismo, mas na verdade apresenta uma ética e um pragmatismo que o civilizam. Ainda que de uma maneira insanamente doentia.

2- Jon (Joseph Gordon-Levitt) em Como não perder essa mulher

Ele tem um vício em filmes pornográficos, mas o grande vício de Jon é tentar esconder suas fragilidades emocionais. O personagem criado e vivido por Joseph Gordon-Levitt é uma síntese de um conflito geracional ainda não resolvido. A tomada de consciência pelo personagem, e não exatamente uma maturação pré-condicionada, deflagra reflexões necessárias nessa altura do novo milênio.

1-Jasmine (Cate Blanchett) em Blue Jasmine

Defendida com bravura e talento incomensuráveis por Cate Blanchett, Jasmine é o reflexo de mudanças de paradigmas que não são exatamente compreendidos. No novo e pessimista filme de Woody Alle, Jasmine precisa se adaptar à vida de pobre depois que seu marido vai para a prisão, e se mata pouco depois, por fraude financeira. Tudo em Jasmine fascina. Sua loucura, seu deslocamento, seu esforço para se reinventar, sua humanidade... a personagem mais imperfeita e mais completa de 2013 nos cinemas.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - Dez sensações cinematográficas do ano

O cinema mobiliza emoções das mais diversas estirpes. E o ano de 2013 foi bastante ilustrativo disso em matéria de sensações proporcionadas pelo cinema. Dos instintos mais primitivos, como o medo, à nostalgia cinematográfica, passando por desorientação, raiva, desejo e outras tantas insurgências que só o cinema é capaz de fomentar com tamanha desenvoltura.


10 - O alívio do perdão
A ambição de Derek Cianfrance de fazer um épico familiar que atravessa duas gerações de duas famílias ligadas por uma tragédia encontra seu final uma insuspeita e anticlimática reviravolta. A crônica da América se completa com a perspectiva de perdão. Só assim a espiral de violência pode ser rompida, advoga Cianfrance com o tocante desfecho de se O lugar onde tudo termina.

9- A derradeira demonstração de amor de Georges por Anne
Michael Heneke fez um filme de amor duro, cruel, lento, doído e incrivelmente sensível e amoroso. Como é possível? A polêmica e derradeira demonstração de amor de Georges por Anne em Amor é daquelas coisas que só um coração altruísta e legitimamente enamorado é capaz de fazer. Um gesto incompreendido que torna os efeitos do filme de Haneke muito mais incisivos.

8 - O fim sem perdão
Foi um ano em que as músicas deram o tom do cinema nacional, mas Faroeste caboclo foi um caso à parte. Adaptado da famosa música da Legião Urbana, o filme de René Sampaio se viabiliza como um western à brasileira com inimaginável fôlego narrativo e vida própria. O desfecho trágico de João de Santo Cristo ganha contornos ainda mais memoráveis no cinema. O perdão é um luxo que o coração machucado por uma vida desgraçada não pode usufruir. Faroeste caboclo vive e transgride no cinema.

7- Frio na barriga com Pitt

Nenhum blockbuster foi tão divertido de se ver no cinema, especialmente em IMAX, em 2013 como Guerra mundial Z. Tensão, efeitos especiais arrebatadores, um formigueiro de zumbis impressionante e medão em um laboratório, em um avião ou em qualquer outro ponto de um dos longas mais bem sucedidos do ano.

6- Houston, nós não temos um problema
A pecha de melhor filme já feito sobre o espaço cai bem sobre Gravidade, um dos maiores sucessos comerciais e de crítica do ano. O filme de Alfonso Cuarón estreita as possibilidades narrativas do cinema e representa mais um avanço notável em matéria de tecnologia a serviço da sétima arte. Isso, claro, além de nos transportar para a imensidão do espaço.

5- WE  Scorsese
Martin Scorsese é uma instituição do cinema. Luc Besson sabe disso e neste seu singelo retorno à direção, cravou uma homenagem cheia de nostalgia e reverência ao cineasta ítalo-americano em A família. Além do filme ser, em si, um decalque do gênero cinematográfico que Scorsese ajudou a lapidar, tem uma cena – em que De Niro discorre sobre Os bons companheiros em um cineclube, que merece passaporte para os anais do cinema.

4- Bullying da alma e das convicções
Depois de Lúcia é o filme mais forte do ano. No sentido de provocar no espectador repulsa, desamparo, desesperança e, também, uma compreensão visceral da frivolidade da humanidade, mas também de suas complexidades. Não houve experiência tão contraditória impulsionada por opções estéticas tão acertadas quanto embrutecidas no cinema como em Depois de Lúcia. De cenas gráficas e demoradas de bullying ao devastador final em que a vingança (um tema central nesta lista) se prova a tragédia humana definitiva.

3- Tá todo mundo louco
Respirar. É isso o que você lembra de fazer depois de assistir a intensa, insana, surreal e incrivelmente perturbadora derradeira cena do mais novo petardo do diretor de O exorcista. Em Killer Joe – o matador de aluguel, toda a loucura do mundo parece concentrada em um punhado de personagens que se confrontam à espreita de um único desfecho possível. A violência vive seu ápice no filme mais bizzaramente engraçado e trágico do ano, em que uma coxinha de galinha é usada como genitália masculina na mais bizarra cena de sexo oral de todo o sempre.

2- Cú para dá e vender
É uma das cenas antológicas do ano e um dos melhores discursos sobre liberdade individual e verdadeiro valor da democracia a ter ganhado o cinema em todo o sempre. Em um dado momento de Tatuagem, o diretor da trupe teatral vivido por Irandhir Santos alinha no palco um novo número. "Ode ao cú", em que defende que o cú é a expressão máxima da democracia. O traço político do comentário se regenera no tom farsesco e no humor sem vergonha do número. Impagável!

1-O tesão é azul
De certa maneira, Azul é a cor mais quente foi o filme mais comentado do ano. Tudo por causa de uma cena de sexo lésbico, que é sim bastante explícita, ainda que não em sua totalidade. A grande sensação do filme de Kechiche, no entanto, é tornar quase palpável o desejo, o tesão, o amor que une Adèle a Emma. Isso não é mérito apenas da bem realizada, e francamente erótica, cena de sexo entre as duas.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

TOP 10 - Dez atuações "padrão Tom Hanks"

O cineasta Paul Greengrass admitiu em recente entrevista à revista Preview que fator preponderante para que aceitasse dirigir Capitão Phillips, uma das principais estreias deste mês nos cinemas brasileiros, foi trabalhar com Tom Hanks. “Foi uma decisão muito pessoal minha. Todo cineasta quer ter um ator como Tom Hanks em seu filme”, disse o diretor. Muitos comentaristas estão considerando que Hanks irá ao Oscar, Claquete antecipou o bom momento do ator – agora confirmado – em maio deste ano. A seguir, lista dez atuações que ajudaram a consolidar o padrão Tom Hanks de qualidade.



10 - Apollo 13 – do desastre ao triunfo (Apollo 13, EUA 1996), de Ron Howard
Eis aqui um trabalho genial em sua simplicidade. Hanks puxa o bonde de um elenco estrelado em um filme de grande apelo comercial e enorme potencial dramático. É seu personagem, porém, quem representa o elo com o público. Algo que Tom Hanks faz como ninguém.

9 - O terminal (The terminal, EUA 2004), de Steven Spielberg
Hanks põe todo o seu carisma a serviço de um personagem preso a uma situação esdrúxula. Por seu país ter sofrido um golpe de Estado, não pode sair do terminal de um aeroporto. Spielberg faz um filme doce e cheio de camadas contando com a astuta colaboração de Hanks que cria um personagem inesquecível. Difícil pensar que O terminal seria um filme tão lembrado, até porque em essência é bem banal, se Hanks não fosse o protagonista.

8 - Náufrago (Cast away, EUA 2000), de Robert Zemeckis
Tom Hanks segura sozinho, há quem diga que houve ajuda de Wilson (uma bola), um filme de mais de duas horas em que há a predominância do silêncio. Hanks voltou ao Oscar por esse trabalho louvável de atuação em que demonstra uma infinidade de recursos dramáticos provando ser um ator muito maior e mais capaz do que muitos tinham por fato.

7 - Matadores de velhinhas (The ladykillers, EUA 2004), dos irmãos Coen
Os irmãos Coen eram parte da nata de cineastas americanos com que Hanks ainda não havia colaborado. Nessa espirituosa sátira ao establishment americano, o primeiro remake dos Coen, Hanks vive um larápio cheio de lábia e com um visual excêntrico. É o ator exercitando sua veia cômica em uma proposta para lá de sofisticada.

6 - O resgate do soldado Ryan (Saving private Ryan, EUA 1998), de Steven Spielberg
É seguramente uma das melhores atuações de Hanks. Inesperadamente sutil e subitamente grave, o ator preenche de vivacidade e emoção seu personagem, um homem que precisa liderar um punhado de soldados em uma missão potencialmente suicida para resgatar um único homem no crepúsculo da segunda guerra mundial. Se já não tivesse ganhado dois Oscars, a academia não teria desculpas (e mesmo assim elas são pouco aceitáveis) de não ter lhe dado o Oscar por esse desempenho.

5- À espera de um milagre (The green mile, EUA 1999), de Frank Darabont
Tom Hanks novamente fazendo as vezes de canal entre o público e a trama que se desenvolve. Nesse belo drama baseado em obra de Stephen King, ele faz um carcereiro que descobre um dom especial em um prisioneiro e passa a alimentar um conflito existencial que abrange fé, justiça e outras tantas angústias.

4 - Forrest Gump, o contador de histórias (Forrest Gump, EUA 1994), de Robert Zemeckis
Certamente seu personagem mais famoso, Forrest Gump é, também, a graduação de Hanks como ator dramático. Sua prova de que é, afinal, alguém capaz de transmitir com eficiência ímpar os pormenores de um personagem e decodificar aspectos do roteiro que apenas um grande ator seria capaz de tornar em trunfos narrativos.

3 - Jogos do poder (Charlie´s Wilson war, EUA 2007), de Mike Nichols
Uma das melhores atuações da carreira do ator, mas poucos percebem isso. Transitando com fineza entre os registros dramáticos e cômicos, Hanks constrói um personagem satírico sem ser caricato – tarefa dificílima – e se fia como um dos pontos altos desse grande filme de Nichols.

2- Estrada para perdição (Road to perdition, EUA 2002), de Sam Mendes
Tom Hanks faz um homem mau neste filme. Mesmo? A ambiguidade do personagem é dilatada pela qualidade da interpretação do ator na pele deste gangster em fuga com seu filho após este último ter presenciado o assassinato do restante de sua família. Um filme poderoso sobre a descoberta do filho pelo pai e do pai pelo filho e uma crônica sobre o código de ética mafioso por um ângulo jamais visto.

1-Filadélfia (Philadelphia, EUA 1993), de Jonathan Demme
A primeira grande atuação de Tom Hanks? Não. Ele já havia sido indicado ao Oscar antes, e por uma comédia. Mas essa talvez seja sua primeira atuação formal no sentido de se erguer como um dos maiores atores a ter pisado na Terra. Lhe valeu o primeiro Oscar e o personagem aidético que inicia uma luta nos tribunais contra a empresa que o demitiu ainda é de uma pungência fora do normal visto 20 anos depois. Não é qualquer ator que consegue isso.

terça-feira, 18 de junho de 2013

TOP 10 - Vamos mudar o mundo

O Brasil vive um momento de efervescência e manifestação popular inédito desde o fim da ditadura. Independentemente dos dividendos de tais movimentações que vão se ordenando à medida que se avolumam, o desejo de mudança é nítido. Com base nesse desejo de “mudar para melhor” que norteia essa massa que ganha as ruas das principais cidades brasileiras, Claquete elaborou um TOP 10 com filmes que exprimem esse desejo de mudança sob diferentes perspectivas. A ideia é dimensionar as possibilidades e interjeições de movimentos distintos, mas ligados por um mesmo vértice: o desejo de mudança.

10 – Matrix (The Matrix, EUA 1999), de Andy e Larry Wachowski
Na revolução contra as máquinas estão deflagrados muitos dos pensamentos que os filósofos gostam de classificar como “oposição ao sistema”. O libertário (messias) Neo é, nesse sentido, a materialização de uma tomada de consciência da sociedade de que está sendo “programada” pelo sistema para fazer exatamente o que dela se espera. É um filme que a cada leitura se veste mais revolucionário.

9- V de vingança (V for vendeta, EUA 2005), de James McTeigue
Também idealizada pelos irmãos Wachowski, essa versão da graphic novel de Alan Moore não é tão robusta e eloquente quanto Matrix em seus propósitos, mas demonstra como grupos se organizam para combater o totalitarismo. Em uma Londres futurista e totalitária, V usa táticas terroristas para demover o governo totalitário.

Neo entortando a colher: você pode!

8 – Lincoln (Lincoln, EUA 2012), de Steven Spielberg
O filme acompanha como a engrenagem política tradicional (e tão criticada por todos nós) pode servir a propósitos nobres como a absolvição da escravatura conduzida com habilidade pelo mais popular presidente da história dos EUA. O sentimento de mudar o mundo permeia a obra de Spielberg.

7 – A onda (Die Welle, ALE 2008), de Dennis Gansel
Nesse impactante filme alemão, um professor colegial inicia um experimento com sua turma para provar como é fácil manipular as massas e sinalizar que é possível um novo regime totalitário dominar a Alemanha, mesmo depois das marcas deixadas pelo nazismo. A experiência vai ganhando contornos violentos e acaba provando a validade da teoria do professor.

6 – Diários de motocicleta (BRA, CHI, ARG, POR, ESP 2004), de Walter Salles
A origem daquele que talvez seja o revolucionário mais romântico, ou romantizado, da história. O filme de Walter Salles acompanha a formação de Che Guevara; aqui ainda o Ernesto, estudante de medicina, durante viagem pela América Latina. O filme é febril nas divagações que oferece entre juventude e desejo de mudança.

5 – Trabalho interno (Inside job, EUA 2010), de Charles H. Ferguson
Esse documentário sobre a “corrupção sistêmica nos EUA pela indústria dos serviços financeiros e suas consequências” não é tão virulento e parcial como os filmes do documentarista Michael Moore e aí reside sua grande força. Com didatismo, mas sem renunciar à complexidade do objeto de análise, Trabalho interno se cristaliza como um alerta de que nossa sociedade configurada como está, está à deriva.

Cartaz do alemão A onda: nem toda mudança pode ser positiva, como atestam as sucessivas guerras civis no Oriente médio

4 – Os miseráveis (Les Misérables, EUA/ING 2012), de Tom Hooper
O musical dirigido por Tom Hooper tem entre seus melhores momentos a indagação: “Você ouve o povo cantando?”. É o espírito mudancista que toma as ruas em plena revolução francesa nessa pulsante, e mais bem adornada, adaptação do clássico de Victor Hugo. O levante contra as instituições vampíricas se cristaliza nos motins que tomam Paris, tudo potencializado por músicas que beiram o sublime.

3 - Uma verdade inconveniente (An inconvenient thruth, EUA 2006), de Davis Guggenheim
Maliciosamente conhecido como “a apresentação de PowerPoint mais cara e bem sucedida da história”, Uma verdade inconveniente foi o gatilho inicial de uma guinada de consciência ambiental. Escorado na figura do ex-vice presidente americano Al Gore, o documentário quer chamar a atenção para a necessidade de se cuidar do planeta no presente para garantir seu futuro.

2 – Gandhi (Gandhi, ING/IND 1982), de Richard Attenborough
O maior pacifista a pisar no planeta? Muito provavelmente. O mais significativo? Mais certo ainda. A frente de um movimento pela independência e liberdade da Índia no mesmo compasso de propagação de uma política de não violência, Gandhi se tornou uma das personalidades mais marcantes do século XX e ganhou um filme à altura.  

1 - Coração Valente (Braveheart, EUA 1995), de Mel Gibson
A luta pela liberdade deve ser a mais importante de todas as lutas e ela está no centro gravitacional deste que é um dos melhores épicos já produzidos pelo cinema americano. Aproximando-se de seu aniversário de 20 anos, este filme que acompanha tentativa de escoceses de se separarem da coroa inglesa, mantém-se atual pelo fato de muitos povos ao redor do globo ainda perseguirem suas liberdades sociais e individuais. Não há nada mais devastador e emocionante do que William Wallace (Mel Gibson), torturado, buscando energias para disparar: “freeeeedom”!


segunda-feira, 13 de maio de 2013

TOP 10 - Os dez atores mais cults da atualidade

Para se ter uma ideia do rigor da lista dos dez atores mais cults da atualidade, que marca o TOP 10 do mês em Claquete, há uma pluralidade de nacionalidades – com o esperado predomínio francês com três menções. Há atores da Argentina, Brasil, Alemanha, Canadá, México, EUA e China. Não há muita margem para discussão. Estão aí os dez atores mais tchan da cinefilia contemporânea. Os critérios vão desde a famigerada predileção por papéis desafiadores à constante colaboração com cineastas identificados como autores.


10 – Mathieu Amalric

O ator e cineasta francês é quase uma grife. Daquelas que poucos conhecem, mas que quem conhece não abre mão. Dono de uma carreira já consolidada, e relativamente longa (estreou como ator em 1984), Amalric alterna participações no cinema autoral americano (Munique de Spielberg, Maria Antonieta de Sofia Coppola, Comóspolis de David Cronenberg) com o trabalho com grandes cineastas franceses como Roman Polanski, Alain Resnais, Jean-François Richet, Arnaud Desplechin e Claude Miller.

9 – Ryan Gosling

Ele está ficando popular, mas não dá sinais de que pretende renunciar sua aura cult. Ryan Gosling desenhou-a com filmes como Namorados para sempre, Tudo pelo poder, Drive, Half Nelson e Tolerância zero. O lado pop surge em produções como Amor a toda prova e Diário de uma paixão, projetos que de alguma maneira ajudaram a sedimentar sua veia cult. Em 2013 com os filmes The place beyond the pines e Only God forgives deve atingir novos picos nessa “Gosling fever”.

8 – Gael Garcia Bernal

O mexicano é mais cult no Brasil do que em qualquer outro lugar, mas é certo que as opções de Bernal reforçam sua vocação para culto. Ele já colaborou com cineastas brasileiros no cinema americano, diretores argentinos no cinema brasileiro, ajudou a levantar o cinema chileno e é responsável direto pela elevação do cinema mexicano à festivais e festejos da crítica. Até em suas incursões pelo cinemão mais comercial, Bernal denota apelo cult em produções como Babel, Cartas para Julieta, Sonhando acordado, Jogo de sedução e Ensaio sobre a cegueira.
No, Má educação, Sem notícias de Deus, Diários de motocicleta, O crime do padre Amaro, Amores brutos e E sua mãe também, no entanto, manterão para sempre seu status de ator cult.

7 – Irandhir Santos

Ele não tem o charme de Wagner Moura ou a carreira longeva de Selton Mello, mas se isso o afasta do grande público, de certa forma o aproxima de um público mais interessado no talento. Nesse departamento, Santos se equivale aos outros dois, mas se destaca pelas escolhas ousadas. A que lhe deu certa notoriedade foi antagonizar com o herói nacional capitão Nascimento no segundo Tropa de elite. A experiência valeu a Santos respeito e admiração que lhe renderam convites para filmes menores como Febre do rato e O som ao redor que ajudaram a firmar seu nome como do ator nacional que melhor se assenta sobre a pecha de cult.

6 – James Franco

Ele até pode ser popular, mas só o é porque é cult. E James Franco investe pesado na aura de cult. Tem um homem aranha e Oz no currículo, mas é a geração beat, a cena homossexual e o sexo, de maneira geral e também em suas muitas particularidades, que interessa a Franco que projeta uma carreira como cineasta enquanto surge em filmes como Milk – a voz da igualdade, Tar, Lovelace, 127 horas, Uivo e Segurando as pontas.

5 – Ricardo Darín

Ele é muito popular na Argentina, mas no Brasil veste a indumentária de cult. Darín é um baita ator e o principal termômetro da bonança do cinema argentino. No Brasil é lembrado principalmente por seus maiores acertos, não necessariamente por seus melhores trabalhos. Destacam-se em sua filmografia O filho da noiva, Abutres, Um conto chinês, O segredo dos seus olhos, Nove rainhas e Kamchatka.

4 – Tony Leung

Quem admira a cinematografia asiática sabe que não há hoje ator mais cultuado e venerado do que Leung, nascido em Hong Kong e colaborador assíduo do cineasta Wong Kar Wai, ele marca presença nos filmes mais marcantes do oriente nos últimos anos. É dos atores mais premiados dessa lista e sinônimo de sofisticação seja qual for o gênero, seja o filme de gangster – como em Infernal affairs (filme que deu origem ao vencedor do Oscar Os infiltrados) – ou em um drama de época com fundo de espionagem, como Lust, Caution de Ang Lee.

3 – Michael Fassbender

O alemão de ascendência irlandesa é poliglota, o que ajuda a capitalizar como ator cult. Apareceu falando alemão e inglês em Bastardos inglórios de Quentin Tarantino, mas alcançou a glória mesmo em 2011 com os elogiados trabalhos em Um método perigoso, X-men: primeira classe, Jane Eyre e, principalmente, Shame. Consegue ser cult até nos filmes mais comerciais como Prometheus e A toda prova. Colaborando com cineastas como Terrence Malick, Ridley Scott e Steve McQueen – que o colocou no mapa com o tenso Hunger – Fassbender quer a primeira posição em uma nova edição da lista.

2- Vincent Cassel

O segundo francês da lista, e segundo poliglota (já atuou em inglês, italiano, português, espanhol e até em russo, além do nativo francês), é um ator que não tem medo de ousadias e experimentações. Já trabalhou com cineastas consagrados ou iniciantes, já fez filmes contestados ou louvados por seu valor artístico e enobreceu produções comerciais com vocação cult -  como o recente Em transe. Cassel, que recentemente mudou com mala e cuia para o Rio de Janeiro, é um ator que privilegia o cinema, lhe aferindo dimensão e estatura. Entre seus principais trabalhos se destacam Cisne negro, À deriva, Inimigo público nº 1, Senhores do crime, Doze homens e outro segredo, Irreversível e Rios vermelhos.

1- Louis Garrel

Se ser cult é ser francês, o pódio fica com Garrel. O cinema corre em suas veias, já que pai, mulher e mãe também estão imersos nesse universo. Garrel é o ator fetiche do cinema que se pretende intelectual, passional e, por que não, europeu. Entre seus principais trabalhos estão A bela Junie, A fronteira do alvorada, Canções de amor, Amores imaginários, Um verão escaldante e Os sonhadores.

terça-feira, 30 de abril de 2013

TOP 10 - Dez excelentes comediantes que não são tidos como comediantes


Nada de Alec Baldwin, Sacha Baron Cohen, Ben Stiller ou Jim Carrey. Está na hora de fazer justiça a alguns atores que são ótimos comediantes, mas que por serem ótimos em outras áreas não são lembrados por seus dotes cômicos. Claquete repara essa incorreção história e lista dez excelentes comediantes que você não tinha parado para pensar que são, de um jeito bem especial, comediantes.

10  - Bruce Willis
Willis já esteve em mais comédias do que você consegue lembrar. Do pop Meu vizinho mafioso (1999) ao humor negro de A morte lhe cai bem (1992), passando por fanfarronices como pontas como ele mesmo em Doze homens e outro segredo (2004) e Fora de controle (2008) e comédias como Vida bandida (2001), entre outros. Some-se a isso a desenvoltura com que Willis se apoia na comédia para criar seus personagens em filmes de ação como Duro de matar (1988), Xeque-mate (2006), 16 quadras (2006) e Red – aposentados e perigosos (2010).

9 – Jon Hamm
Por trás do classudo Don Draper da excepcional série Mad men reside um comediante de marca maior. Pouca gente sabe, mas as primeiras incursões de Hamm na TV foram na comédia. Mesmo depois do sucesso obtido com a série mais premiada de todos os tempos, Hamm pôde ser visto em participações hilárias no Saturday Night Live e no seriado 30th Rock.

8 – Brad Pitt
Já está pacificado que Pitt é um baita ator. Foram anos e muitos trabalhos desafiadores para que Pitt conquistasse o respeito e admiração de setores da indústria e da crítica. Um próximo desafio que Pitt poderia se investir era o de provar o ótimo comediante que é. Desde a ótima participação na sitcom “Friends” até as memoráveis composições do idiota rato de academia em Queime depois de ler (2008) e do idiota que escalpa nazistas em Bastardos inglórios (2009), passando por excelentes performances cômicas na trilogia Onze homens e um segredo (em que faz um comilão obsessivo), em Sr. & Sra. Smith (2005) e em Snatch- porcos e diamantes (2000). 

7 – Robert Downey Jr.
Alguma polêmica quanto à presença de Downey Jr. nesta lista? Impossível. Nenhum ator atual consegue convergir tão harmonicamente a gravidade do drama com cinismo e sarcasmo. Downey Jr. em toda aparição pública é um show à parte, mas na tela de cinema é um show inteiro. Prova disso são as duas bilionárias franquias (Homem de ferro e Sherlock Holmes) que carrega nas costas.

6 – Mark Wahlberg
É isso aí! Marky Mark! Quem teve um primeiro contato com a veia humorística de Mark Wahlberg em Ted pode até estranhar sua presença nessa lista, mas Wahlberg já havia se descoberto um homem da comédia há algum tempo. Em 2013 ele mistura ação e risos em Suor e glória, que promete ser dos filmes mais divertidos dos últimos anos, e 2 guns. Para quem precisa correr atrás do prejuízo, recomenda-se Os outros caras (2010), Uma noite fora de série (2010) e Três reis (1999).

Willis é um dos representantes da lista
que além do muque, apresenta tino para o riso
5-  Dwayne “The Rock” Johnson
Ele começou como raspa de tacho da franquia A múmia. Ex- lutador profissional e com uma carreira sólida na TV com filmes de ação, The Rock, que então assumiu de vez o nome Dwayne Johnson, se sedimentou no cinema de ação a partir de 2002 com o spin off de A múmia, O escorpião rei (2002) e filmes como Bem-vindo à selva (2003) e Com as próprias mãos (2004). Meio que sem querer, em 2005, em Be cool – o outro nome do jogo, mostrou que tinha tino para a comédia. Não à toa faz sucesso junto ao público infantil em filmes como Treinando o papai (2007) e A montanha enfeitiçada (2009). Fará dupla com Wahlberg em Suor e glória.

4 – Kevin Spacey
Ator de grife, Spacey é um baita de um comediante. Já fez imitações hilárias de personalidades diversas em talk- shows, criou personagens engraçadíssimos em alguns de seus filmes mais modestos e de suas peças mais disputadas em Londres. Entre seus melhores momentos como comediante no cinema estão O árbitro (1994), O psicólogo (2009), O super lobista (2010) e Quero matar meu chefe (2011).

3- Justin Timberlake
As esquetes no Saturday Night Live são famosas e Justin já mostrou as manhas do humor em outras oportunidades. Tanto no cinema como em eventos ao vivo. Não por menos seu nome é ventilado como candidato à apresentar a cerimônia do Oscar em 2014. No cinema, Timberlake mostra seu “comedy back” em filmes como Professora sem classe (2010) e Amizade colorida (2011).

2- Philip Seymour Hoffman
Em uma entrevista recente à revista Total Film, Chris O´Dowd de filmes como Solteiros com filhos e O virgem de 40 anos disse que se espanta com a facilidade com que Philip Seymour Hoffman faz comédia. Para O´Dowd, Hoffman é uma referência negligenciada por muitos que desejam ingressar no humor. Hoffman prova que O´ Dwod está certo em filmes como Quero ficar com Polly (2004), Jogos do poder (2007) e Os piratas do Rock (2009).

1 – Woody Harrelson
Woody Harrelson é um dos maiores atores do cinema contemporâneo. Apesar de ser frequentemente subestimado, Harrelson segue com o bom nível de atuações em filmes como Um tira acima da lei e Virada no jogo.  No entanto, um recorte na carreira de Harrelson permite vislumbrar o grande comediante que ele é e poucos se dão conta. Seja como alívio cômico em blocbusters de ação (2012) ou roubando a cena dos protagonistas de comédias românticas (Amizade colorida, ED TV), Harrelson sempre manda bem quando a ordem do dia é fazer rir. Outros grandes momentos são Sete psicopatas e um Shih tzu (2012), Zumbilândia (2009), Ladrão de diamantes (2004) e Tratamento de choque (2003).