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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - Dez sensações cinematográficas do ano

O cinema mobiliza emoções das mais diversas estirpes. E o ano de 2013 foi bastante ilustrativo disso em matéria de sensações proporcionadas pelo cinema. Dos instintos mais primitivos, como o medo, à nostalgia cinematográfica, passando por desorientação, raiva, desejo e outras tantas insurgências que só o cinema é capaz de fomentar com tamanha desenvoltura.


10 - O alívio do perdão
A ambição de Derek Cianfrance de fazer um épico familiar que atravessa duas gerações de duas famílias ligadas por uma tragédia encontra seu final uma insuspeita e anticlimática reviravolta. A crônica da América se completa com a perspectiva de perdão. Só assim a espiral de violência pode ser rompida, advoga Cianfrance com o tocante desfecho de se O lugar onde tudo termina.

9- A derradeira demonstração de amor de Georges por Anne
Michael Heneke fez um filme de amor duro, cruel, lento, doído e incrivelmente sensível e amoroso. Como é possível? A polêmica e derradeira demonstração de amor de Georges por Anne em Amor é daquelas coisas que só um coração altruísta e legitimamente enamorado é capaz de fazer. Um gesto incompreendido que torna os efeitos do filme de Haneke muito mais incisivos.

8 - O fim sem perdão
Foi um ano em que as músicas deram o tom do cinema nacional, mas Faroeste caboclo foi um caso à parte. Adaptado da famosa música da Legião Urbana, o filme de René Sampaio se viabiliza como um western à brasileira com inimaginável fôlego narrativo e vida própria. O desfecho trágico de João de Santo Cristo ganha contornos ainda mais memoráveis no cinema. O perdão é um luxo que o coração machucado por uma vida desgraçada não pode usufruir. Faroeste caboclo vive e transgride no cinema.

7- Frio na barriga com Pitt

Nenhum blockbuster foi tão divertido de se ver no cinema, especialmente em IMAX, em 2013 como Guerra mundial Z. Tensão, efeitos especiais arrebatadores, um formigueiro de zumbis impressionante e medão em um laboratório, em um avião ou em qualquer outro ponto de um dos longas mais bem sucedidos do ano.

6- Houston, nós não temos um problema
A pecha de melhor filme já feito sobre o espaço cai bem sobre Gravidade, um dos maiores sucessos comerciais e de crítica do ano. O filme de Alfonso Cuarón estreita as possibilidades narrativas do cinema e representa mais um avanço notável em matéria de tecnologia a serviço da sétima arte. Isso, claro, além de nos transportar para a imensidão do espaço.

5- WE  Scorsese
Martin Scorsese é uma instituição do cinema. Luc Besson sabe disso e neste seu singelo retorno à direção, cravou uma homenagem cheia de nostalgia e reverência ao cineasta ítalo-americano em A família. Além do filme ser, em si, um decalque do gênero cinematográfico que Scorsese ajudou a lapidar, tem uma cena – em que De Niro discorre sobre Os bons companheiros em um cineclube, que merece passaporte para os anais do cinema.

4- Bullying da alma e das convicções
Depois de Lúcia é o filme mais forte do ano. No sentido de provocar no espectador repulsa, desamparo, desesperança e, também, uma compreensão visceral da frivolidade da humanidade, mas também de suas complexidades. Não houve experiência tão contraditória impulsionada por opções estéticas tão acertadas quanto embrutecidas no cinema como em Depois de Lúcia. De cenas gráficas e demoradas de bullying ao devastador final em que a vingança (um tema central nesta lista) se prova a tragédia humana definitiva.

3- Tá todo mundo louco
Respirar. É isso o que você lembra de fazer depois de assistir a intensa, insana, surreal e incrivelmente perturbadora derradeira cena do mais novo petardo do diretor de O exorcista. Em Killer Joe – o matador de aluguel, toda a loucura do mundo parece concentrada em um punhado de personagens que se confrontam à espreita de um único desfecho possível. A violência vive seu ápice no filme mais bizzaramente engraçado e trágico do ano, em que uma coxinha de galinha é usada como genitália masculina na mais bizarra cena de sexo oral de todo o sempre.

2- Cú para dá e vender
É uma das cenas antológicas do ano e um dos melhores discursos sobre liberdade individual e verdadeiro valor da democracia a ter ganhado o cinema em todo o sempre. Em um dado momento de Tatuagem, o diretor da trupe teatral vivido por Irandhir Santos alinha no palco um novo número. "Ode ao cú", em que defende que o cú é a expressão máxima da democracia. O traço político do comentário se regenera no tom farsesco e no humor sem vergonha do número. Impagável!

1-O tesão é azul
De certa maneira, Azul é a cor mais quente foi o filme mais comentado do ano. Tudo por causa de uma cena de sexo lésbico, que é sim bastante explícita, ainda que não em sua totalidade. A grande sensação do filme de Kechiche, no entanto, é tornar quase palpável o desejo, o tesão, o amor que une Adèle a Emma. Isso não é mérito apenas da bem realizada, e francamente erótica, cena de sexo entre as duas.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - Os dez cartazes mais cool do ano

10 – Azul é a cor mais quente

O filme artístico mais hypado e mais polêmico do ano, não necessariamente nessa ordem, recebeu um cartaz à altura de seu barulho. Beleza e sensualidade se fundem ao azul para tornar uma imagem fria surpreendentemente quente.

9 - Spring breakers – garotas perigosas

Tem quem ache um dos melhores filmes do ano e tem quem ache a maior bobeira da década. Os pôsteres, pelo menos, arranham alguma unanimidade. Tirando a porção de artes promocionais com garotas de biquínis, esse cartaz que entrou para o TOP 10 do ano limpa a barra do filme com sutileza e minimalismo impensáveis.

8- Ajuste de contas

Jake La Motta versus Rock Balboa. Ou melhor, um confronto entre os dois intérpretes desses mitos do cinema e da cultura pop. A ideia que move o filme é ótima. Tinha como o cartaz não ser?

7- Closed circuit

Em um ano em que a espionagem do governo americano causou frisson midiático, esse belo filme ocultou-se na sombra do fracasso da cinebiografia de Julian Assange, o criador do Wikileaks. Seria fácil, e os pôsteres são cool, destacar um cartaz de O quinto poder, mas como pode se reparar, Closed circuit investe na sutileza e se referencia no cinema americano setentista em matéria de promoção.


6 - Blue Jasmine

A exuberância da beleza de Cate Blanchett se destaca no pôster do filme que rima azul (a cor do ano pelo menos nos cartazes) com tristeza. A flor triste emerge magnânima a nosso olhar a partir do momento em que o azul dos olhos da atriz nos hipnotiza.

5- Guerra mundial Z

Há definitivamente algo nos filmes de Brad Pitt. No ano passado, O homem da máfia valeu o primeiro lugar nessa lista com um cartaz excepcional. Mas excepcional eram todos os cartazes do filme. Algo semelhante ocorre com Guerra mundial Z, o grande filme da carreira de Brad Pitt, no âmbito comercial. De todos, o mais impressionante certamente é o que zumbis se empilham como um formigueiro para derrubar um helicóptero.

4 - Invocação do mal

Um cartaz que dá arrepios. Se Invocação do mal é o filme de terror do ano, seu principal pôster promocional é o equivalente em matéria de cartazes.

3- Somente Deus perdoa

Se houve um filme a rivalizar com Guerra mundial Z na quantidade de cartazes cool, este filme foi Somente Deus perdoa, ainda inédito nos cinemas nacionais. Há muito Ryan Gosling no material, mas esse cartaz envolto em neon e destacando uma voraz Kristin Scott Thomas é qualquer coisa de fazer babar. O pôster em si já revela que se trata de um filme de estilo ímpar.

2- Dom Hemingway

Divertido, visualmente atraente e bem sacado, o primeiro pôster de Dom Hemingway antecipa um filme picante, sarcástico e politicamente incorreto.

1- Ninfomaníaca

O filme já é um acontecimento e nenhum outro teve seus cartazes divulgados, analisados e referenciados com tanta ansiedade. Von Trier sobeja na arte de fazer marketing e destacou seu elenco em momentos de orgasmo para garantir sem margem de erro o topo desta lista em Claquete. Para fazer justiça ao talento e despudor do elenco, o pôster que reúne grande parte do casting é o que ocupa o topo deste TOP 10.

domingo, 15 de setembro de 2013

Insight - Passando a régua no verão americano de 2013


O verão americano, em suma, repetiu uma tendência verificada nesses últimos anos: teve mais arrecadação e menos público. O recorde de ingressos vendidos, no entanto, não se deve tanto aos encarecidos tickets do 3D, ainda que eles tenham contribuído para o montante de U$ 4,75 bilhões – recorde absoluto. O recorde anterior, de U$ 4,4 bilhões, pertencia à temporada de 2011. É importante ter em mente que essas cifras se resumem apenas ao mercado norte-americano (que também computa o Canadá).
Se não foi o 3D e filmes de grande orçamento fracassaram em sua maioria, o que, afinal, fez valer esse recorde?
O comportamento do público frequentador de cinema estaria mudando? Essas são as principais reminiscências da temporada que consagrou sucessos improváveis como Invocação do mal, Truque de mestre (ambos com mais de U$ 200 milhões em caixa), The purge, O mordomo, Família do bagulho, As bem armadas, entre outros.
Mas o verão americano de 2013 teve mais. Muito mais. Robert Downey Jr. provou que é à prova de balas (e de desgaste de carisma) com Homem de ferro 3, filme que passou do bilhão de dólares (o único da temporada), e Will Smith não foi capaz de fazer o mesmo. Seu carisma foi testado e levado à beira do precipício com o pavoroso e fracassado Depois da terra. O bando de lobos voltou ao cinema e fechou por cima a trilogia acidental, mas não arrecadou o que a Warner esperava. Os estúdios, aliás, sofreram nessa temporada. A Disney anunciou que cortaria na carne, de novo, depois do fracasso de O cavaleiro solitário. Uma bomba lançada no dia da independência americana que valeu um prejuízo ao estúdio de U$ 200 milhões. A Warner, por sua vez, sem uma bilheteria vultosa, apesar da performance digna de O grande Gatsby, programa adulto em uma época em que reinam os adolescentes, se viu na contingência de antecipar a expectativa por um filme que só chegará aos cinemas em 2015. O confronto entre Batman e Superman foi anunciado com pompa na esteira do sucesso minguado de O homem de aço, que falhou em chegar ao bilhão de dólares, meta traçada pelo estúdio.
Brad Pitt, com uma intensa campanha de divulgação, conseguiu resgatar do que todos criam ser um fracasso certo, o caríssimo Guerra mundial Z, de longe o filme mais cool e bem azeitado da temporada.
Outro aspecto dessa temporada foi que os filmes de terror ocuparam o papel geralmente designado às comédias. Ainda que As bem armadas e Até o fim tenham feito algum barulho, foram os independentes de terror The purge e Você é o próximo que causaram alvoroço nas bilheterias. Os filmes que contemplam um público mais adulto também se deram bem em um período em que os estúdios se programam para agradar um público mais jovem. Além de O grande Gatsby, o novo Woody Allen, Blue Jasmine, foi um vencedor de alto pedigree. Entrou no top 10 americano mesmo sendo exibido em apenas 50 salas no país. E lá permanece! Filmes como Frances Ha, Muito barulho por nada e Fruitvale Station também capitalizaram, sugerindo que há uma demanda reprimida por filmes “mais sérios” nessa época do ano.

Brad Pitt tanto fez que salvou o seu Guerra mundial Z da zica que rondou os filmes de grande orçamento em 2013, mas ajudou o fato da produção dirigida por Marc Forster ser boa 

Cadê o sucesso que estava aqui? Johnny Depp e Armie Hammer culparam a crítica pelo fracasso de O cavaleiro solitário

Os estagiários foi concebido para ser uma potencial surpresa na temporada, tal como ocorrera em 2005 com Penetras bons de bico, mas em 2013 as surpresas foram do terror 

Traduzindo...
Star Trek – além da escuridão poderia ser apontado como o grande filme do verão americano de 2013 em termos de qualidade, rivalizando apenas com Guerra mundial Z. Os coadjuvantes dessa festa são muitos. As animações, que vêm decaindo em qualidade, mostraram vigor comercial com Meu malvado favorito 2, Universidade monstro, entre outros.
O poder de atração das estrelas em detrimento da marca valiosa de certas franquias também se altivou. Impossível pensar que Homem de ferro 3 alcançaria a marca que alcançou sem Robert Downey Jr. Basta olhar para os outros filmes da Marvel. Brad Pitt provou poder de fogo e Leonardo DiCaprio competiu contra franquias milionárias  e conseguiu ótima bilheteria para seu O grande Gatsby.
Se houve um grande perdedor na temporada, este foi Johnny Depp. Se muitos se provaram ainda fiadores de um grande público, Depp errou feio em apostar em uma fórmula já desgastada em O cavaleiro solitário.
Outro erro foi apostar em sequências de filmes razoavelmente bem sucedidos. Red 2, Percy Jackson e o mar de monstros e Kick Ass 2 foram desastres apenas comedidos por não terem sido caros como foi, por exemplo, Círculo de fogo, que mostrou que até mesmo gênios como Guillermo Del Toro erram.
A Warner, que tomou outro petardo com o fracasso de Círculo de fogo (que só fez dinheiro na China), removeu a estreia da sequência de 300 para março de 2014, época com menos concorrência de grandes lançamentos no cinema.
Antes de fechar a conta, a temporada ainda apresentou o agosto mais lucrativo da história, surpreendendo analistas que sempre apostaram na desaceleração das bilheterias no referido mês que conta com poucos (ou nenhum) lançamento de expressão. O verão de 2013 pode ser a primeira pista de que o inverno está chegando...

terça-feira, 2 de julho de 2013

Especial Guerra Mundial Z - Crítica

Medão!

Guerra mundial Z é um filme que não esconde os problemas que marcaram seus bastidores, mas é um filme, também, que se beneficia deles na medida em que não deixa muito tempo para o público pensar nos quadros fora do lugar (como voos civis acontecendo em meio a uma pandemia zumbi de procedência desconhecida).
Dirigido com invejável senso de espetáculo por Marc Forster, Guerra mundial Z é um valioso epíteto hollywoodiano; no sentido que é um filme de zumbi clássico que afere às criaturas o aspecto primal de provocar medo e, também, um colosso hollywoodiano que diverte e gruda na cadeira como poucos nessa temporada pipoca.
Dessa combinação, improvável após tantas rusgas nos bastidores, surge um filme cativante na forma como trabalha sua própria mitologia e solvente na maneira como a apresenta ao público.
Brad Pitt vive com o devido esmero e pose Gerry Lane, ex-funcionário de campo da ONU gabaritado que é recrutado quando uma epidemia desconhecida varre a América em horas. Ele aceita a difícil e arriscada missão de escoltar um virologista à Coreia do Sul em troca de proteção a sua família. O objetivo da missão é descobrir pistas sobre o hospedeiro original do vírus que transforma a pessoa mordida em zumbi em questão de segundos. O que ascenderia a esperança de descobrir uma cura.
Serão muitos os percalços enfrentados por Gerry nessa jornada. E, aos poucos, o homem de família vai revelando talentos, instintivos, intuitivos e treinados, de um homem de guerra.

Terror no ar: Brad Pitt se prepara para uma das cenas mais agonizantes do ótimo Guerra mundial Z

O grande barato de Guerra mundial Z é dar viço às teorias conspiratórias que cercam eventos como esse, mas sem dar vazão central a elas. O mesmo ocorrendo com o panorama político. A opção reforça o desamparo do protagonista em face de uma escalada de terror e paranoia sem precedentes.
O filme de Forster se beneficia, ainda, dos melhores efeitos especiais da temporada. Podem não ser os mais ostensivos, mas certamente são os que melhor se ajustam à narrativa e a sua estratégia. O formigueiro de zumbis que investe sobre a grande muralha em Jerusalém é das imagens mais impressionantes do cinema nos últimos anos. Assim como é de provocar calafrios a invasão zumbi em um voo comercial.
São desses momentos, que o filme de Forster se alimenta melhor. O desfecho, bem fundamentado para dar margem às sequências já confirmadas, enfraquece o todo. Em parte por destoar do ritmo frenético da aventura e em parte por desconectar-se da espiral de tragédia e terror que norteava o filme até o momento. Fez-se a opção por um desfecho mais otimista em detrimento de um fim mais realista, apoteótico. Perdeu-se a oportunidade de colocar-se na vanguarda em matéria de “blockbusters alternativos”. O que se leva a público é um desfecho visivelmente retalhado. Não que haja prejuízo efetivo para o filme, que funciona muito bem individualmente, mas instiga a imaginar se a versão alternativa do terceiro ato do longa – a versão descartada por produtores – não faria do filme algo muito maior e digno.
De qualquer jeito, os zumbis de Forster, em toda a sua selvageria, são o ponto alto de uma temporada pipoca que se apresenta muito melhor do que se anunciava.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Especial Guerra Mundial Z - A engenharia de um sucesso

O Rio de Janeiro está dominado: os zumbis invadem a cidade maravilhosa em um dos muitos e impressionantes cartazes do filme que chega aos cinemas brasileiros na sexta-feira (28)

“Estou ansioso. Adoraria voltar para dirigir uma sequência”, disse o diretor Marc Forster na premiere de Guerra mundial Z em Paris há algumas semanas. A frase exalta um espírito colaborativo e satisfação que até pouco não circundavam o filme. A Paramount e Brad Pitt, principal produtor do filme, ficaram insatisfeitos com o corte final do filme e o clímax que se passava em Moscou e resolveram mudar. Para isso, o lançamento foi adiado de novembro de 2012 para junho de 2013, o roteirista Damon Lindelof acionado para reescrever o terceiro ato do filme e novas filmagens agendadas para as primeiras quatro semanas do ano. Não obstante o estouro do orçamento e o vazamento das constantes discussões entre Forster e Pitt, Guerra mundial Z rapidamente ganhou a pecha de filme maldito. O buzz negativo foi contornado com o intenso e agressivo marketing lançado pelo estúdio que espera consolidar uma nova franquia. Afora Transformers, em que divide os lucros com a DreamWorks, o estúdio não tem nenhuma franquia com fôlego para posteriores temporadas de verão. O fato dos zumbis gozarem de certo prestígio na cultura pop contemporânea e de não protagonizarem nenhuma franquia no cinema, como ocorre com os vampiros, por exemplo, atiçou o estúdio que firmou parceria com outras companhias menores, inclusive a de Pitt, para bancar o projeto.
Todo mundo sabia que o primeiro fim de semana seria crucial para saber se havia, afinal, possibilidade de futuro para Guerra mundial Z ou se tudo acabaria aqui. E não era um fim de semana qualquer. O lançamento ocorreu na janela mais apertada do verão. O homem de aço, principal carro chefe da temporada da Warner Brothers, havia sido lançado há uma semana e Guerra mundial Z seria lançado ainda com a concorrência de Universidade Monstros, da sempre festejada Pixar.
O fim de semana mais lucrativo do ano, no entanto, foi de boas notícias para a Paramount, Brad Pitt e demais envolvidos em Guerra mundial Z. O filme não conseguiu o topo das bilheterias, que ficou com Universidade monstros que arrecadou impressionantes U$ 82 milhões, mas ficou com um distintíssimo segundo lugar com U$ 66 milhões arrecadados. Foram U$ 16 milhões a mais do que a mais otimista estimativa do estúdio previa. A boa performance do filme no primeiro fim de semana nos EUA, aliada às boas críticas que vem recebendo, já garantiu as duas sequências.



Meu filho é um zumbi
Guerra mundial Z garantiu a maior bilheteria de abertura da carreira de Brad Pitt e o ator trabalhou arduamente para que isso ocorresse. Não obstante a mais insana e incrível maratona promocional que já enfrentou (mais detalhes no post abaixo), o ator, insatisfeito com o terceiro ato do filme, bateu o pé e fez questão de mudar conforme pedia sua consciência. O final descartado pode ser conferido acima.
“Fiz esse filme para meus filhos”, disse Pitt em entrevista na Austrália, um dos muitos países que visitou para divulgar a produção. “Queria fazer alguma coisa que eles pudessem se divertir e se relacionar”. Um dos filhos de Pitt, Maddox, o mais velho, está no filme. “É verdade. Ele leva uma saraivada de tiros na cara”, ri Pitt em coletiva de imprensa em Nova Iorque. “Ele faz uma ponta como um zumbi”, esclarece.
As entrevistas desencanadas, o filho zumbi e o protagonismo de Pitt nos bastidores revelam o controle do astro sobre a produção, o que talvez explique a fragilidade da relação com Marc Forster, desabituado a esse tipo de relação.
Fato é que Guerra mundial Z é o único grande lançamento da temporada que não é sequência ou refilmagem. “Pode ser uma vantagem”, disfarça Pitt, ainda no controle, quando perguntado a respeito por um repórter de uma tv australiana. 

Pitt e Forster nos bastidores de Guerra mundial Z: quem orienta quem?

Especial Guerra Mundial Z - Como salvar um filme na divulgação?

O diretor Marc Forster e Brad Pitt em Seul, na Coréia do Sul, parte da massacrante maratona promocional de Guerra mundial Z

A produção de Guerra mundial Z foi problemática. Brad Pitt, protagonista e produtor, se envolveu em célebres discussões com o diretor Marc Forster, cujo afastamento da produção chegou a ser dado como certo. A principal celeuma entre os dois, segundo boatos, seria sobre certas motivações do personagem de Pitt e constantes atrasos no cronograma de filmagens. O bafafá midiático chamou atenção de quem acompanha o cinema de perto e rapidamente impregnou o filme. Guerra mundial Z, no entanto, é um filme muito caro (o orçamento beijou os U$ 200 milhões) e uma aposta muito alta de Pitt – que investe de seu próprio dinheiro por meio de sua produtora no filme.
Justamente por isso, era necessário demover a percepção de que o filme foi feito aos “trancos e barrancos”, mesmo que tenha sido feito aos trancos e barrancos. A primeira providência, feita após consulta à Paramount que distribui o filme, foi adiar a estreia. Guerra mundial Z estava originalmente programado para o fim de 2012, mas foi reagendado para o verão de 2013 no hemisfério norte. A mudança, além de esfriar o bafafá negativo em cima do filme, possibilitaria a refilmagem de cenas inteiras mal sucedidas em exibições testes. A segunda providência foi a ampliação das responsabilidades de Pitt na obrigatória maratona promocional de todo e qualquer blockbuster. A agenda foi ampliada e países distantes como Japão e Brasil, que não costumam figurar entre os destinos do ator, foram incluídos nas escalas de divulgação. São mercados que crescem a cada temporada e hoje são responsáveis secundários pela boa performance internacional de muitos filmes fracassados nos EUA. Ao Brasil*, Pitt virá inclusive com sua esposa Angelina Jolie, o que certamente potencializará sua exposição na mídia local e gerará mais interesse pelo filme.  

Brad Pitt, e seus seguranças, surpreende público em uma exibição teste agendada pela Paramount em uma cidade da Pensilvânia nos EUA

Nos EUA, o marketing do filme tem sido mais agressivo e específico. Enquanto clipes promocionais estão sendo despejados quase que diariamente na internet, docs especiais são produzidos para exibição em redes de tv por assinatura como HBO e Pitt tem aparecido de surpresa em pré-estreias promovidas pela Paramount ao redor do país para interagir com fãs. Ele já compareceu a cinco eventos do tipo. O ator nunca havia participado de uma campanha promocional nesses moldes.
A estratégia está se provando acertada. A parte o fato das primeiras críticas serem positivas, o que não faz mal nenhum, o nível de interesse pelo filme tem aumentado como apontou uma enquete informal que o site do The Hollywood Reporter fez com seus leitores.
Vender um filme ruim é complicado, mas o marketing de Guerra mundial Z conseguiu desgalvanizar essa teoria. O que está se vendendo é um “filme que parecia que seria ruim, mas que na verdade é o filme da temporada”. Essa dualidade é irresistível!  

* o ator desmarcou a viagem que faria ao Brasil em virtude dos protestos que tomam conta do país

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Especial Guerra Mundial Z - Um filme de zumbis ou um filme de Brad Pitt?

Brad Pitt, galã até em infravermelho...

Os zumbis estão na moda, mas a febre já se aproxima de um ponto de saturação. Guerra mundial Z, que será lançado no fim deste mês, pode ser o último ato dessa fase áurea que os zumbis vivem na cultura pop. Guerra mundial Z é, também, o primeiro filme de grande orçamento da produtora de Brad Pitt. A Plan B Entertainment foi fundada no final de 2004 pelo astro em parceria com sua então esposa Jennifer Aniston. Após a separação, Pitt assumiu o controle da empresa que, entre outros projetos, produziu Os infiltrados (2006), O preço da coragem (2007), O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (2007), A vida íntima de Pippa Lee (2009), Kick ass – quebrando tudo (2010) e A árvore da vida (2011). Para Guerra mundial Z, a empresa se juntou a outras menores do que ela, como a GK Filmes e a Latian Pictures, e firmou parceria com a Paramount, que será responsável pela distribuição internacional do longa. O orçamento de aproximadamente U$ 170 milhões pressionou a produção que teve diversos problemas como estouros de cronogramas e desavenças entre Pitt e o diretor Marc Forster.
A trama, baseada em argumento dos experts da ficção científica J. Michael Straczynski e Matthew Michael Carnahan, acompanha os esforços das Nações Unidas (ONU), na figura do personagem de Brad Pitt, para contornar a epidemia zumbi que se alastra e põe em risco o futuro da humanidade.
As primeiras imagens do filme sugerem uma versão anabolizada do que Danny Boyle concebeu em Extermínio (2001) e as primeiras críticas indicam que Guerra mundial Z é, no final das contas, um bom filme pipoca e um bom filme de zumbis. Nessa ordem.
A produção marca o retorno de Pitt aos blockbusters. Desde Sr & Sra. Smith (2005), o ator não aparece em uma legítima produção de verão.
Nesse meio tempo foi indicado ao Oscar duas vezes como ator e outras duas vezes como produtor e amealhou respeito da crítica em produções como Queime depois de ler (2008), Bastardos inglórios (2009) e O homem da máfia (2012).
Essa conjuntura demonstra que Guerra mundial Z será um teste de relevância comercial tanto para os zumbis como para Pitt.