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domingo, 22 de dezembro de 2013

Insight - Bem vindo aos cinquenta, Brad!


Basta uma rápida pesquisada em Claquete para se verificar que os cinquenta anos de Brad Pitt foram muito bem vividos. Isso porque o blog tem apenas quatro anos e meio de existência. Ator camaleônico, produtor calculista, marido dedicado, marido infiel, pai atencioso, quase jornalista, amante da arquitetura, artista completo. Brad Pitt tem muitas faces e agora, no raiar dos 50 anos, vive o esplendor da maturidade como homem e artista.
A relação estável com Angelina Jolie, com quem tem seis filhos, deve evoluir para um casamento em 2014. Não será o primeiro casamento de Pitt, um homem que se abriu para seus desejos, e a ideia de amor pleno entre eles, desavergonhadamente. Com a faculdade de jornalismo praticamente no fim, deu um giro de 360º e foi para Los Angeles em busca do sonho de ser ator. Trabalhou como distribuidor de folhetos para o restaurante El Pollo Loco em que precisava se vestir inteiramente como um frango. Bicos como carregador de móveis e bartender também compuseram seu currículo antes de vingar como ator sob o comando de Ridley Scott em Thelma & Louise (1991). Antes desse filme, Pitt já havia feito alguns trabalhos menores, mas nenhum lhe proporcionou o tipo de notoriedade que o início dos anos 90 lhe reservaria.
Filmes como Nada é para sempre (1992), Mundo proibido (1992), Amor à queima roupa (1993) e Kalifórnia – uma viagem ao inferno (1993) serviram para mostrar que Pitt tinha condições de vingar como “the next Best thing” em Hollywood, o que aconteceu quando dividiu a cena com o já astro de primeira grandeza Tom Cruise em Entrevista com o vampiro (1994). Recentemente, boatos indicam que Pitt e Cruise podem se reencontrar em um set de filmagens em uma produção que reúne velocidade e rivalidade (Go like hell).
O primeiro salário de U$ 20 milhões veio por Encontro marcado (1998), subestimado filme de Martin Brest. Antes disso, a consagração como leading man em filmes como Seven – os sete pecados capitais (1995) – que deu início a prolífica parceria com o cineasta Davi Fincher, Lendas da paixão (1994) e Sete anos no Tibet (1997), o primeiro fracasso de Pitt como ator, mas também o primeiro sinal de que perseguiria projetos mais diversos do que a praxe no metiê hollywoodiano. O filme, desautorizado pelo governo chinês, vale até hoje o título de persona non grata ao ator na China e no Tibet.
Nesse intervalo de tempo veio, também, a primeira indicação ao Oscar, como coadjuvante por Os doze macacos (1995).

Pitt, muito jovem, jovem e na capa de duas revistas brasileiras; uma masculina e outro de entretenimento: modelo e inspiração

Pitt reloaded
Já confortável como astro, no posto de um dos homens mais sexy do mundo, Pitt começou a galvanizar uma carreira de muitos altos e quase nenhum baixo. Clube da luta (1999), o filme mais expressivo do fim do milênio, traz Pitt em um momento de redescoberta como ator. Snatch – porcos e diamantes (2000), demonstrou que o americano não tinha medo de expor sua figura ao inusitado.
Vieram o casamento com Jennifer Aniston, a amizade com George Clooney e a aquisição da Plan B, sua produtora. São elementos que marcam a fase mais definidora do caminho do hoje cinquentão Brad Pitt em Hollywood.
O primeiro blockbuster de verão estrelado pelo ator só surgiu em 2004. Tróia foi um relativo sucesso, mas nada que se compare ao primeiro blockbuster produzido por Pitt. Guerra mundial Z, lançado neste ano, se tornou a maior bilheteria da carreira do astro e, para todos os efeitos, é símbolo do que significa Pitt no cinema atual. Trabalho sério, perfeccionismo, esforço e visão de mercado. A despeito dos problemas na produção, o ator se empenhou para que o filme alcançasse o sucesso, como a cobertura especial do lançamento do filme aqui em Claquete observou.

Além do óbvio
Apesar do sucesso comercial e dos filmes cada vez mais elogiados pela crítica, Pitt ainda era visto mais como um astro do que como um ator de qualidade em meados dos anos 2000. Ele então percebeu que precisaria pôr em prática uma reengenharia de carreira. Disposto a escolher roteiros com mais critério e patrocinar filmes em que acreditava, mesmo que não atuasse neles (caso do vencedor do Oscar Os infiltrados), Pitt mudou o olhar do público e da crítica sobre sua persona. Ainda que alguma implicância resistisse devido ao turbulento fim do relacionamento com Jennifer Aniston e a celebridade em cima de sua vida conjugal com Angelina Jolie. Filmes como Queime depois de ler (2008), O curioso caso de Benjamin Button (2008), O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (2007), Bastardos inglórios (2009), A árvore da vida (2011) e O homem que mudou o jogo (2011) mudaram a percepção sobre Pitt.
Dedicando-se cada vez mais à arquitetura e ao papel de homem de família, Pitt vem dando pistas de que vai desacelerar a carreira. Pelo menos em frente às câmeras.
É preciso admirar um homem que conquistou o que conquistou e consegue manter uma perspectiva tão frontal e amadurecida sobre si e o mundo em que habita. Não obstante, Pitt é um baita ator que como, os bons vinhos, mostra-se mais irresistível com o tempo.

Os melhores momentos de Pitt no crivo de Claquete



Clube da luta
Loucura e testosterona em uma atuação tão alucinada quanto bem planejada

Queime depois de ler
“Nunca o achei menos sexy em minha vida”. As palavras de Angelina Jolie são mais do que justificativa...

Bastardos inglórios
Timing cômico certeiro para a criação de um dos mais icônicos tipos de sua carreira e da portentosa galeria de personagens do cineasta Quentin Tarantino

O homem que mudou o jogo
Minimalismo também é a praia de Pitt que se mostra capaz de segurar um filme racional com a dose certa de emoção e contenção

O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford
Um Pitt grave, soturno e denso nessa pequena obra-prima moderna

Sr. & Sra, Smith
Fazer comédia é mais difícil, já dizia Jack Nicholson e Pitt, aqui, tira de letra nessa divertida comédia de ação

Snatch – porcos e diamantes
No auge da exposição, Pitt topa um papel em que ninguém entende nada do que ele fala e, mesmo assim, não vemos a hora dele aparecer em cena

Lendas da paixão
Pitt encarna o galã romântico com convicção e leveza necessárias para conquistar corações femininos e respeito masculino

Guerra mundial Z
Galã e protagonista, Pitt segura na base do carisma e talento o filme pipoca do ano, garantindo entretenimento de primeira linha

O curioso caso de Benjamin Button

Ele nunca esteve melhor em um papel dramático. O protagonista de sua terceira colaboração com David Fincher é um papel épico, na ambição, e complexo, na textura, mas Pitt convence com louvor

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - Cenas de cinema: gente

Ele é o cara!

Impossível ter passado 2013 sem se deparar com ele. Ou ao menos com seu extravagante nome. Principalmente se você for leitor relativamente assíduo de Claquete. Benedict Cumberbatch foi o supra-sumo do ano em todas as variantes possíveis. Foi o protagonista do filme mais alvissareiro (O quinto poder), o vilão mais carismático do filme mais nerd disponível (Além da escuridão: Star Trek) e ainda figura no elenco de dois dos mais bem cotados filmes para o Oscar 2014 (Álbum de família e 12 years a slave).
Como se isso tudo já não fosse razão o suficiente, Cumberbatch incita a dúvida. Como ser tão bom ator sendo tão cool como ele é?

Mais um ano de Brangelina!
Já é meio que uma tradição aqui de fim de ano em Claquete. Uma geral no ano do casal vinte da Hollywood atual e 2013, bem, foi um ano afeito às retrospectivas de qualquer sorte. Primeiro, por Angelina que resolveu fazer uma mastectomia preventiva para evitar que pudesse vir a ter câncer de mama no futuro. Sua atitude, e seu posicionamento público em artigo do The New York Times, repercutiram globalmente. Houve, também, o anúncio de que depois de oito anos juntos, Pitt e Angelina vão formalizar a união com uma cerimônia de casamento a ser realizada preferencialmente na Europa. Acordos pré-nupciais, por insistência dele, já foram assinados. No cinema, Pitt provou força como produtor, e fôlego como promotor de eventos, com o lançamento de Guerra mundial Z, o blockbuster do ano, e Angelina anunciou seu novo projeto na direção, que terá roteiro dos irmãos Coen. Angelina, em novembro, ganhou um Oscar humanitário. Enfim, mais um ano de Brangelina devidamente registrado.

Brad e angelina: just checking...

Um casal quase perfeito
Eles não têm a sutileza ou a sofisticação de brandgelina, mas Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger se assumiram de vez como um casal. Nas telas, é bom que se diga. Stallone, há algum tempo, vinha recorrendo ao passado para garantir o presente no cinema, e a série Os mercenários é o maior exemplo disso, mas a parceria com Schwarzenegger é, para todos os efeitos, mais estratégica e simbólica. “Eu o odiava nos anos 80”, admitiu Stallone em entrevista de divulgação o filme Rota de fuga, em que estrelam juntos e teve lançamento mundial pouco visto. O hype pode ter esfriado, mas esse é um casal que sabe como esquentar a relação. Em 2014, tem mais mercenários!

Simplesmente Emma!

Se tem alguém que sai de 2013 mais cool do que entrou esse alguém é Emma Watson. Riu de si mesma em É o fim,a comédia mais descolada e nonsense da temporada e falou sério, mas sem perder a pose, em The bling ring – a gangue de Hollywood. Harry Potter está definidamente para trás.

O incrível 2013 de Ben!
O ano começou promissor para Ben Affleck. Argo estava na crista da onda e na dianteira da temporada de premiações, mas aí Affleck ficou de fora da lista dos indicados à direção no Oscar e o idílio parecia que ia acabar. Não foi o caso. Argo foi dobrando convicções e escritas e sagrou-se o melhor filme do ano. O Oscar de melhor filme e o prestígio junto a público e crítica, no entanto, não resguardaram Affleck de um dos momentos mais polêmicos do show business no ano. A escolha do ator para viver o Batman na sequência do filme O homem de aço. A opção pelo ator foi contestada em redes sociais e fãs mais desesperados pediram intervenção até mesmo de Obama. Affleck soube lidar muito bem com a situação e assumiu, conscientemente, um desafio que pode livrá-lo de uma vez por todas da má fama angariada como ator de poucos predicados. O ano termina com um sabor tão ou mais especial do que começou.

Affleck no programa de Jimmy Fallon: maturidade para administrar a pressão

Tudo Jen com as Jens
Jennifer Lawrence, Jennifer Lawrence e Jennifer Lawrence. A sensação é de que o tempo parou e só se falou em Jennifer Lawrence, que surge novamente cotada para uma indicação ao Oscar – agora como coadjuvante por Trapaça. Oscar conquistado por O lado bom da vida, bilheterias dominadas com a segunda parte da franquia Jogos vorazes e todo aquele charme Law a desfilar por cá e lá ofuscando as demais Jennifers do planeta Hollywood. Aniston bem que tentou aparecer. Fez strip no filme A família do bagulho, marcou casamento (com Justin Theroux), adiou casamento (com Justin Theroux, ora bolas), mas não se impôs à dinastia Law que ruma para um terceiro ano de muitas capas de revistas e declarações irreverentes. 

Jennifer Lawrence em evento promocional do segundo Jogos Vorazes: ela nem precisaria do decote para aparecer, mas...

O tom certo

Nem Tom Hanks, nem Tom Cruise. O tom do ano é inglês, mais charmoso do que a dupla de citados mais famosa e daqueles atores que dá gosto ver crescer. Em 2013, Tom Hiddleston estrelou dois filmes. Thor – o mundo sombrio, em que novamente rouba todas as cenas possíveis e inimagináveis, e Only lovers left alive, o filme de vampiros de Jim Jarmusch. Nos cinemas brasileiros, estreou ainda o pouco visto Amor profundo, em que dá mais um show. Intérprete absoluto, generoso e cheio ambição criativa, Hiddleston vai construindo uma carreira a qual daqui não se vê limites.

Francowholic
Talvez ninguém tenha trabalhado mais em 2013 do que James Franco. Pelo menos no mundinho de Hollywood. O ator de 35 anos lançou programa de arte na TV, escreveu livro, estrelou nove filmes, dirigiu dois, roteirizou e produziu outros três e lançou a maioria nos prestigiados festivais de Sundance, Berlim, Cannes, Veneza e Toronto. Como se isso não fosse suficiente, tem 12 filmes programados para 2014. Muitos dos quais filmados também em 2013. Como ele consegue é a pergunta que não quer calar.

Astros contra o tempo
Afora Brad Pitt e Tom Hanks, 2013 não foi generoso com os astros de primeira grandeza. Mas foi pior com Will Smith. Ele fez um filme para discutir a relação com seu filho crente que manteria o status de homem de U$ 100 milhões nas bilheterias, mas Depois da Terra foi um fracasso homérico. A coisa só não ficou tão feia graças às bilheterias internacionais. Esse solavanco ocorre depois de Will ter ficado cinco anos sem dar as caras nas telas de cinema em um filme que não fosse de franquia (nesse meio tempo só apareceu em MIB 3). A tentativa de viabilizar seu filho Jaden, desprovido do carisma do pai, como seu sucessor talvez mereça mais tempo de maturação. Enquanto isso, Will Smith dá pistas de que pode rever sua posição e entrar para o elenco das sequências de Independency Day. Amigo de Smith, Cruise é outro que não guarda boas lembranças do ano. Além de constantemente precisar se explicar sobre o divórcio de Katie Holmes e a cientologia, Cruise não consegue mais produzir sucessos como outrora. Na defensiva, o astro planejou um retorno à ficção científica com Oblivion e uma nova franquia com Jack Reacher. Nenhum dos dois deu muito certo em termos comerciais, apesar de serem bons filmes. Smith e Cruise, mais do que nunca, correm contra o tempo para manter a relevância.   

Apertem os cintos, Almodóvar sumiu!
Cite um dos piores filmes do ano. Ok! Agora em pense em outro. Em mais um. Certamente, você já pensou em Amantes passageiros. Um dos mais bizarros, incautos e desorientadores filmes de 2013. Sem contar que é ruim para chuchu, como se dizia antigamente. O grande ponto é que é um legítimo Almodóvar. E um Almodóvar de volta à comédia, como tanto se alardeou. Não é bem uma sátira, não é bem uma comédia histérica, não é um filme pornográfico e não é, exatamente, uma comédia sem freios. É mais sem freios do que comédia. Enfim, se há um cineasta, daqueles imortais, que sai arranhado de 2013, esse cineasta é Almodóvar.

Garras sempre afiadas
Hugh Jackman teve um ano intenso. Foi indicado pela primeira vez ao Oscar de melhor ator por sua incrível e emocional perfomance em Os miseráveis, voltou a viver o mutante Wolverine em um filme que convenceu, e rendeu, produziu um dos filmes mais bacanas do ano (Os suspeitos), descobriu ser vítima de um tipo de câncer de pele, não se abateu, começou o tratamento, se declarou para a esposa por tê-lo convencido a fazer os exames que detectaram a doença e ainda fez campanha para que homens não sejam turrões de não ouvirem suas esposas. Tem como não amar?



Caça e caçador

Mads Mikkelsen. Conhece? Não houve ator tão visceral e tão diverso, em mídias e camadas, como o dinamarquês. Além de reviver, com a responsabilidade de desviar da sombra de Anthony Hopkins, o famoso serial killer Hannibal Lecter na TV, Mikkelsen esteve no aclamado A caça, em que apresenta uma atuação não menos do que magistral em toda a sutileza e contenção possíveis, e ainda esteve em Michael Kohlhaas, um épico europeu que o levou ao festival de Cannes novamente. Se em A caça ele era a presa em um comentário pessimista do realizador Thomas Vinterberg, em Hannibal, ele consegue o improvável e reinventa o personagem como um caçador sofisticado e muito mais ameaçador do que o encarnado por Hopkins. Que tal para um reles vilão de Bond? 


sábado, 26 de outubro de 2013

Crítica - O conselheiro do crime

Onde os fracos não têm vez!

O conselheiro do crime (The counselor, EUA 2013) é daqueles filmes que incitam a polêmica se a autoria de um filme pertence ao diretor ou ao roteirista. No caso deste filme, em seu primeiro roteiro original para cinema, Cormac McCarthy impregna esse thriller pensativo e erguido sobre elipses, divagações e violência crua de seu DNA, fazendo com que o diretor Ridley Scott seja apenas um colaborador de luxo. Luxo, aliás, é o elenco do filme que conta com Michael Fassbender, Javier Bardem, Brad Pitt, Penélope Cruz e Cameron Diaz no melhor papel de sua carreira.
Fassbender faz um advogado que acha que é mais esperto do que de fato é. Ele acredita que pode nadar com tubarões e não ser devorado. Ele se envolve em uma negociação de uma carga de drogas que sairá da cidade de Juarez, no México, com destino a Chicago, nos EUA. Seus conselheiros e parceiros na empreitada são o exótico Reiner (Javier Bardem) e o não menos exótico Westray (Brad Pitt). Penélope Cruz faz Laura, a doce, apaixonada e aparentemente ingênua namorada do advogado vivido por Fassbender, cujo nome jamais é pronunciado em uma tentativa da realização de tornar tudo mais anônimo e, paradoxalmente, mais pessoal. Cameron Diaz surge como um affair de Reiner, que aos poucos vai se revelando mais misteriosa e perigosa do que um primeiro olhar faz crer.
O que difere O conselheiro do crime (mais um título nacional ruim. O ideal seria a tradução literal “O advogado”) de outros thrillers e tramas policiais é o seu ritmo e seu foco narrativo. A ideia de McCarthy e Scott jamais é acompanhar a ação que invariavelmente dá errado, mas observar a queda moral, psicológica e física de um homem que julgava compreender um mundo ao qual não pertencia. Não obstante, a partir desse contexto, ergue-se uma poderosa reflexão sobre morte – um dos temas mais estreitos e bem desenvolvidos da obra de McCarthy na literatura.

Bardem e Fassbender: dançando com a morte sob o forte signo das palavras, ameaças e aflições...

A sofisticação do argumento de O conselheiro do crime pode alienar boa parte do público já que os personagens se revelam pensadores prolixos, aflitos, receosos e frequentemente o que falam não produz sentido circunstancial, mas encaixa-se perfeitamente no todo, quando se tem o filme completo. É o pensamento de O conselheiro do crime, enquanto cinema, que se articula com força devastadora. Não por acaso, a única personagem do filme que não apresenta nenhum tipo de apreensão é a de Cameron Diaz e isso se tornará bastante ilustrativo de um comentário particularmente aterrador que emerge ao final da fita.
O conselheiro do crime talvez não seja a apoteose que o nome dos envolvidos fizesse crer, mas é um filme de inteligência rara e que apresenta outro artigo de luxo no cinema contemporâneo: não se preocupa em mastigar tudo para sua audiência. Muitas peças do quebra-cabeça falado, principalmente pelos ótimos personagens de Pitt e Bardem, só se montam na cabeça do espectador mais sagaz e compenetrado. É um tipo de cinema muito mais convidativo, sedutor e do qual desesperadamente precisamos. Ainda que, no limiar, muitos não saibam exatamente como apreciá-lo.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Filme em destaque - O conselheiro do crime

Michael Fassbender lidera elenco estrelado de filme dirigido por Ridley Scott e que carrega o hype de ser o primeiro roteiro original de Cormac McCarthy. Sensualidade, tensão, traição e violência embalam um dos filmes mais aguardados da temporada


“Era estranho beijar Penelope sob o pesado olhar de Javier Bardem. Tinha a sensação de que ele avançaria sobre mim a qualquer momento”, disse Michael Fassbender em entrevista à revista Entertainment Weekly sobre as gravações de O conselheiro do crime, filme que tem estreia mundial nessa sexta-feira (25). Michael Fassbender faz um advogado envolvido com o tráfico de drogas e faz, também, o namorado de Penelope Cruz. Javier Bardem faz um tipo misterioso que pode ser mais perigoso do que sua cabeleira estilosa sugere. O elenco do novo filme de Ridley Scott, no entanto, vai mais além. Além dessa trinca estrelada, Brad Pitt, Cameron Diaz, Bruno Ganz e Goran Visnjic completam o elenco.
Apesar da nata de atores, o maior atrativo dessa crônica de violência moderna (já descrito em alguns círculos como o entretenimento adulto de maior qualidade nos cinemas nessas semanas) está no roteiro. Trata-se do primeiro roteiro original de Cormac McCarthy, autor de obras consagradas adaptadas para o cinema como Onde os fracos não tem vez, para o cinema.
Violência, sensualidade e um elenco masculino com três dos atores mais festejados dos últimos tempos ampliam o leque de interesses despertado por O conselheiro do crime. A expectativa da Fox com o filme é tão grande, inclusive para o Oscar, que a janela de lançamento internacional foi harmonizada para que o boom do filme seja um só e sempre ascendente. A Fox, que não tem grandes filmes entre os comentados para a corrida pelo Oscar 2014, acredita que o pedigree de O conselheiro do crime pode falar mais alto – além de seu apelo comercial. Não seria a primeira vez que esse tipo de coisa aconteceria. Em 2006, a Warner não apostava suas fichas em Os infiltrados, de Martin Scorsese, que venceria o Oscar de melhor filme em 2007, e o lançou em outubro sem grandes destaques de marketing. Sete anos depois, outubro é alvo de grandes lançamentos com olho no Oscar (como Capitão Phillips, Gravidade, entre outros), fruto do estreitamento do calendário. A diferença entre Os infiltrados e O conselheiro do crime, é que a Fox – ainda que discretamente – acredita que seu filme pode ir mais longe.

Ridley Scott, na foto orientando Michael Fassbender e Javier Bardem, perdeu o irmão Tony Scott - que se suicidou - durante as filmagens de O conselheiro do crime. O filme é dedicado a sua memória 


Michael Fassbender foi a primeira e inegociável opção de Scott para o protagonismo de seu filme. Ambos estavam envolvidos nas filmagens de Prometheus (2012), quando Scott fez o convite. Com Fassbender tem sido assim. Ele trabalha com um diretor e esse diretor quer logo trabalhar com ele novamente. Ridley Scott e Steven McQueen são os exemplos mais notórios nesse momento.

Notório, aliás, seria se O conselheiro do crime consagrasse a primeira colaboração entre Brad Pitt e Angelina Jolie nas telas de cinema desde que juntaram os trapinhos. A ideia original era essa. Mas Angelina interpretaria a personagem que no filme é defendida por Cameron Diaz. Ela chegou a participar da pré-produção do filme, mas abandonou o projeto sem justificativas oficiais. Além de todo o hype inerente ao projeto, ainda seria o filme “brangelina”. Talvez tenha sido melhor assim.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Especial Guerra Mundial Z - Crítica

Medão!

Guerra mundial Z é um filme que não esconde os problemas que marcaram seus bastidores, mas é um filme, também, que se beneficia deles na medida em que não deixa muito tempo para o público pensar nos quadros fora do lugar (como voos civis acontecendo em meio a uma pandemia zumbi de procedência desconhecida).
Dirigido com invejável senso de espetáculo por Marc Forster, Guerra mundial Z é um valioso epíteto hollywoodiano; no sentido que é um filme de zumbi clássico que afere às criaturas o aspecto primal de provocar medo e, também, um colosso hollywoodiano que diverte e gruda na cadeira como poucos nessa temporada pipoca.
Dessa combinação, improvável após tantas rusgas nos bastidores, surge um filme cativante na forma como trabalha sua própria mitologia e solvente na maneira como a apresenta ao público.
Brad Pitt vive com o devido esmero e pose Gerry Lane, ex-funcionário de campo da ONU gabaritado que é recrutado quando uma epidemia desconhecida varre a América em horas. Ele aceita a difícil e arriscada missão de escoltar um virologista à Coreia do Sul em troca de proteção a sua família. O objetivo da missão é descobrir pistas sobre o hospedeiro original do vírus que transforma a pessoa mordida em zumbi em questão de segundos. O que ascenderia a esperança de descobrir uma cura.
Serão muitos os percalços enfrentados por Gerry nessa jornada. E, aos poucos, o homem de família vai revelando talentos, instintivos, intuitivos e treinados, de um homem de guerra.

Terror no ar: Brad Pitt se prepara para uma das cenas mais agonizantes do ótimo Guerra mundial Z

O grande barato de Guerra mundial Z é dar viço às teorias conspiratórias que cercam eventos como esse, mas sem dar vazão central a elas. O mesmo ocorrendo com o panorama político. A opção reforça o desamparo do protagonista em face de uma escalada de terror e paranoia sem precedentes.
O filme de Forster se beneficia, ainda, dos melhores efeitos especiais da temporada. Podem não ser os mais ostensivos, mas certamente são os que melhor se ajustam à narrativa e a sua estratégia. O formigueiro de zumbis que investe sobre a grande muralha em Jerusalém é das imagens mais impressionantes do cinema nos últimos anos. Assim como é de provocar calafrios a invasão zumbi em um voo comercial.
São desses momentos, que o filme de Forster se alimenta melhor. O desfecho, bem fundamentado para dar margem às sequências já confirmadas, enfraquece o todo. Em parte por destoar do ritmo frenético da aventura e em parte por desconectar-se da espiral de tragédia e terror que norteava o filme até o momento. Fez-se a opção por um desfecho mais otimista em detrimento de um fim mais realista, apoteótico. Perdeu-se a oportunidade de colocar-se na vanguarda em matéria de “blockbusters alternativos”. O que se leva a público é um desfecho visivelmente retalhado. Não que haja prejuízo efetivo para o filme, que funciona muito bem individualmente, mas instiga a imaginar se a versão alternativa do terceiro ato do longa – a versão descartada por produtores – não faria do filme algo muito maior e digno.
De qualquer jeito, os zumbis de Forster, em toda a sua selvageria, são o ponto alto de uma temporada pipoca que se apresenta muito melhor do que se anunciava.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Especial Guerra Mundial Z - A engenharia de um sucesso

O Rio de Janeiro está dominado: os zumbis invadem a cidade maravilhosa em um dos muitos e impressionantes cartazes do filme que chega aos cinemas brasileiros na sexta-feira (28)

“Estou ansioso. Adoraria voltar para dirigir uma sequência”, disse o diretor Marc Forster na premiere de Guerra mundial Z em Paris há algumas semanas. A frase exalta um espírito colaborativo e satisfação que até pouco não circundavam o filme. A Paramount e Brad Pitt, principal produtor do filme, ficaram insatisfeitos com o corte final do filme e o clímax que se passava em Moscou e resolveram mudar. Para isso, o lançamento foi adiado de novembro de 2012 para junho de 2013, o roteirista Damon Lindelof acionado para reescrever o terceiro ato do filme e novas filmagens agendadas para as primeiras quatro semanas do ano. Não obstante o estouro do orçamento e o vazamento das constantes discussões entre Forster e Pitt, Guerra mundial Z rapidamente ganhou a pecha de filme maldito. O buzz negativo foi contornado com o intenso e agressivo marketing lançado pelo estúdio que espera consolidar uma nova franquia. Afora Transformers, em que divide os lucros com a DreamWorks, o estúdio não tem nenhuma franquia com fôlego para posteriores temporadas de verão. O fato dos zumbis gozarem de certo prestígio na cultura pop contemporânea e de não protagonizarem nenhuma franquia no cinema, como ocorre com os vampiros, por exemplo, atiçou o estúdio que firmou parceria com outras companhias menores, inclusive a de Pitt, para bancar o projeto.
Todo mundo sabia que o primeiro fim de semana seria crucial para saber se havia, afinal, possibilidade de futuro para Guerra mundial Z ou se tudo acabaria aqui. E não era um fim de semana qualquer. O lançamento ocorreu na janela mais apertada do verão. O homem de aço, principal carro chefe da temporada da Warner Brothers, havia sido lançado há uma semana e Guerra mundial Z seria lançado ainda com a concorrência de Universidade Monstros, da sempre festejada Pixar.
O fim de semana mais lucrativo do ano, no entanto, foi de boas notícias para a Paramount, Brad Pitt e demais envolvidos em Guerra mundial Z. O filme não conseguiu o topo das bilheterias, que ficou com Universidade monstros que arrecadou impressionantes U$ 82 milhões, mas ficou com um distintíssimo segundo lugar com U$ 66 milhões arrecadados. Foram U$ 16 milhões a mais do que a mais otimista estimativa do estúdio previa. A boa performance do filme no primeiro fim de semana nos EUA, aliada às boas críticas que vem recebendo, já garantiu as duas sequências.



Meu filho é um zumbi
Guerra mundial Z garantiu a maior bilheteria de abertura da carreira de Brad Pitt e o ator trabalhou arduamente para que isso ocorresse. Não obstante a mais insana e incrível maratona promocional que já enfrentou (mais detalhes no post abaixo), o ator, insatisfeito com o terceiro ato do filme, bateu o pé e fez questão de mudar conforme pedia sua consciência. O final descartado pode ser conferido acima.
“Fiz esse filme para meus filhos”, disse Pitt em entrevista na Austrália, um dos muitos países que visitou para divulgar a produção. “Queria fazer alguma coisa que eles pudessem se divertir e se relacionar”. Um dos filhos de Pitt, Maddox, o mais velho, está no filme. “É verdade. Ele leva uma saraivada de tiros na cara”, ri Pitt em coletiva de imprensa em Nova Iorque. “Ele faz uma ponta como um zumbi”, esclarece.
As entrevistas desencanadas, o filho zumbi e o protagonismo de Pitt nos bastidores revelam o controle do astro sobre a produção, o que talvez explique a fragilidade da relação com Marc Forster, desabituado a esse tipo de relação.
Fato é que Guerra mundial Z é o único grande lançamento da temporada que não é sequência ou refilmagem. “Pode ser uma vantagem”, disfarça Pitt, ainda no controle, quando perguntado a respeito por um repórter de uma tv australiana. 

Pitt e Forster nos bastidores de Guerra mundial Z: quem orienta quem?

Especial Guerra Mundial Z - Como salvar um filme na divulgação?

O diretor Marc Forster e Brad Pitt em Seul, na Coréia do Sul, parte da massacrante maratona promocional de Guerra mundial Z

A produção de Guerra mundial Z foi problemática. Brad Pitt, protagonista e produtor, se envolveu em célebres discussões com o diretor Marc Forster, cujo afastamento da produção chegou a ser dado como certo. A principal celeuma entre os dois, segundo boatos, seria sobre certas motivações do personagem de Pitt e constantes atrasos no cronograma de filmagens. O bafafá midiático chamou atenção de quem acompanha o cinema de perto e rapidamente impregnou o filme. Guerra mundial Z, no entanto, é um filme muito caro (o orçamento beijou os U$ 200 milhões) e uma aposta muito alta de Pitt – que investe de seu próprio dinheiro por meio de sua produtora no filme.
Justamente por isso, era necessário demover a percepção de que o filme foi feito aos “trancos e barrancos”, mesmo que tenha sido feito aos trancos e barrancos. A primeira providência, feita após consulta à Paramount que distribui o filme, foi adiar a estreia. Guerra mundial Z estava originalmente programado para o fim de 2012, mas foi reagendado para o verão de 2013 no hemisfério norte. A mudança, além de esfriar o bafafá negativo em cima do filme, possibilitaria a refilmagem de cenas inteiras mal sucedidas em exibições testes. A segunda providência foi a ampliação das responsabilidades de Pitt na obrigatória maratona promocional de todo e qualquer blockbuster. A agenda foi ampliada e países distantes como Japão e Brasil, que não costumam figurar entre os destinos do ator, foram incluídos nas escalas de divulgação. São mercados que crescem a cada temporada e hoje são responsáveis secundários pela boa performance internacional de muitos filmes fracassados nos EUA. Ao Brasil*, Pitt virá inclusive com sua esposa Angelina Jolie, o que certamente potencializará sua exposição na mídia local e gerará mais interesse pelo filme.  

Brad Pitt, e seus seguranças, surpreende público em uma exibição teste agendada pela Paramount em uma cidade da Pensilvânia nos EUA

Nos EUA, o marketing do filme tem sido mais agressivo e específico. Enquanto clipes promocionais estão sendo despejados quase que diariamente na internet, docs especiais são produzidos para exibição em redes de tv por assinatura como HBO e Pitt tem aparecido de surpresa em pré-estreias promovidas pela Paramount ao redor do país para interagir com fãs. Ele já compareceu a cinco eventos do tipo. O ator nunca havia participado de uma campanha promocional nesses moldes.
A estratégia está se provando acertada. A parte o fato das primeiras críticas serem positivas, o que não faz mal nenhum, o nível de interesse pelo filme tem aumentado como apontou uma enquete informal que o site do The Hollywood Reporter fez com seus leitores.
Vender um filme ruim é complicado, mas o marketing de Guerra mundial Z conseguiu desgalvanizar essa teoria. O que está se vendendo é um “filme que parecia que seria ruim, mas que na verdade é o filme da temporada”. Essa dualidade é irresistível!  

* o ator desmarcou a viagem que faria ao Brasil em virtude dos protestos que tomam conta do país

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Especial Guerra Mundial Z - Um filme de zumbis ou um filme de Brad Pitt?

Brad Pitt, galã até em infravermelho...

Os zumbis estão na moda, mas a febre já se aproxima de um ponto de saturação. Guerra mundial Z, que será lançado no fim deste mês, pode ser o último ato dessa fase áurea que os zumbis vivem na cultura pop. Guerra mundial Z é, também, o primeiro filme de grande orçamento da produtora de Brad Pitt. A Plan B Entertainment foi fundada no final de 2004 pelo astro em parceria com sua então esposa Jennifer Aniston. Após a separação, Pitt assumiu o controle da empresa que, entre outros projetos, produziu Os infiltrados (2006), O preço da coragem (2007), O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (2007), A vida íntima de Pippa Lee (2009), Kick ass – quebrando tudo (2010) e A árvore da vida (2011). Para Guerra mundial Z, a empresa se juntou a outras menores do que ela, como a GK Filmes e a Latian Pictures, e firmou parceria com a Paramount, que será responsável pela distribuição internacional do longa. O orçamento de aproximadamente U$ 170 milhões pressionou a produção que teve diversos problemas como estouros de cronogramas e desavenças entre Pitt e o diretor Marc Forster.
A trama, baseada em argumento dos experts da ficção científica J. Michael Straczynski e Matthew Michael Carnahan, acompanha os esforços das Nações Unidas (ONU), na figura do personagem de Brad Pitt, para contornar a epidemia zumbi que se alastra e põe em risco o futuro da humanidade.
As primeiras imagens do filme sugerem uma versão anabolizada do que Danny Boyle concebeu em Extermínio (2001) e as primeiras críticas indicam que Guerra mundial Z é, no final das contas, um bom filme pipoca e um bom filme de zumbis. Nessa ordem.
A produção marca o retorno de Pitt aos blockbusters. Desde Sr & Sra. Smith (2005), o ator não aparece em uma legítima produção de verão.
Nesse meio tempo foi indicado ao Oscar duas vezes como ator e outras duas vezes como produtor e amealhou respeito da crítica em produções como Queime depois de ler (2008), Bastardos inglórios (2009) e O homem da máfia (2012).
Essa conjuntura demonstra que Guerra mundial Z será um teste de relevância comercial tanto para os zumbis como para Pitt.

terça-feira, 30 de abril de 2013

TOP 10 - Dez excelentes comediantes que não são tidos como comediantes


Nada de Alec Baldwin, Sacha Baron Cohen, Ben Stiller ou Jim Carrey. Está na hora de fazer justiça a alguns atores que são ótimos comediantes, mas que por serem ótimos em outras áreas não são lembrados por seus dotes cômicos. Claquete repara essa incorreção história e lista dez excelentes comediantes que você não tinha parado para pensar que são, de um jeito bem especial, comediantes.

10  - Bruce Willis
Willis já esteve em mais comédias do que você consegue lembrar. Do pop Meu vizinho mafioso (1999) ao humor negro de A morte lhe cai bem (1992), passando por fanfarronices como pontas como ele mesmo em Doze homens e outro segredo (2004) e Fora de controle (2008) e comédias como Vida bandida (2001), entre outros. Some-se a isso a desenvoltura com que Willis se apoia na comédia para criar seus personagens em filmes de ação como Duro de matar (1988), Xeque-mate (2006), 16 quadras (2006) e Red – aposentados e perigosos (2010).

9 – Jon Hamm
Por trás do classudo Don Draper da excepcional série Mad men reside um comediante de marca maior. Pouca gente sabe, mas as primeiras incursões de Hamm na TV foram na comédia. Mesmo depois do sucesso obtido com a série mais premiada de todos os tempos, Hamm pôde ser visto em participações hilárias no Saturday Night Live e no seriado 30th Rock.

8 – Brad Pitt
Já está pacificado que Pitt é um baita ator. Foram anos e muitos trabalhos desafiadores para que Pitt conquistasse o respeito e admiração de setores da indústria e da crítica. Um próximo desafio que Pitt poderia se investir era o de provar o ótimo comediante que é. Desde a ótima participação na sitcom “Friends” até as memoráveis composições do idiota rato de academia em Queime depois de ler (2008) e do idiota que escalpa nazistas em Bastardos inglórios (2009), passando por excelentes performances cômicas na trilogia Onze homens e um segredo (em que faz um comilão obsessivo), em Sr. & Sra. Smith (2005) e em Snatch- porcos e diamantes (2000). 

7 – Robert Downey Jr.
Alguma polêmica quanto à presença de Downey Jr. nesta lista? Impossível. Nenhum ator atual consegue convergir tão harmonicamente a gravidade do drama com cinismo e sarcasmo. Downey Jr. em toda aparição pública é um show à parte, mas na tela de cinema é um show inteiro. Prova disso são as duas bilionárias franquias (Homem de ferro e Sherlock Holmes) que carrega nas costas.

6 – Mark Wahlberg
É isso aí! Marky Mark! Quem teve um primeiro contato com a veia humorística de Mark Wahlberg em Ted pode até estranhar sua presença nessa lista, mas Wahlberg já havia se descoberto um homem da comédia há algum tempo. Em 2013 ele mistura ação e risos em Suor e glória, que promete ser dos filmes mais divertidos dos últimos anos, e 2 guns. Para quem precisa correr atrás do prejuízo, recomenda-se Os outros caras (2010), Uma noite fora de série (2010) e Três reis (1999).

Willis é um dos representantes da lista
que além do muque, apresenta tino para o riso
5-  Dwayne “The Rock” Johnson
Ele começou como raspa de tacho da franquia A múmia. Ex- lutador profissional e com uma carreira sólida na TV com filmes de ação, The Rock, que então assumiu de vez o nome Dwayne Johnson, se sedimentou no cinema de ação a partir de 2002 com o spin off de A múmia, O escorpião rei (2002) e filmes como Bem-vindo à selva (2003) e Com as próprias mãos (2004). Meio que sem querer, em 2005, em Be cool – o outro nome do jogo, mostrou que tinha tino para a comédia. Não à toa faz sucesso junto ao público infantil em filmes como Treinando o papai (2007) e A montanha enfeitiçada (2009). Fará dupla com Wahlberg em Suor e glória.

4 – Kevin Spacey
Ator de grife, Spacey é um baita de um comediante. Já fez imitações hilárias de personalidades diversas em talk- shows, criou personagens engraçadíssimos em alguns de seus filmes mais modestos e de suas peças mais disputadas em Londres. Entre seus melhores momentos como comediante no cinema estão O árbitro (1994), O psicólogo (2009), O super lobista (2010) e Quero matar meu chefe (2011).

3- Justin Timberlake
As esquetes no Saturday Night Live são famosas e Justin já mostrou as manhas do humor em outras oportunidades. Tanto no cinema como em eventos ao vivo. Não por menos seu nome é ventilado como candidato à apresentar a cerimônia do Oscar em 2014. No cinema, Timberlake mostra seu “comedy back” em filmes como Professora sem classe (2010) e Amizade colorida (2011).

2- Philip Seymour Hoffman
Em uma entrevista recente à revista Total Film, Chris O´Dowd de filmes como Solteiros com filhos e O virgem de 40 anos disse que se espanta com a facilidade com que Philip Seymour Hoffman faz comédia. Para O´Dowd, Hoffman é uma referência negligenciada por muitos que desejam ingressar no humor. Hoffman prova que O´ Dwod está certo em filmes como Quero ficar com Polly (2004), Jogos do poder (2007) e Os piratas do Rock (2009).

1 – Woody Harrelson
Woody Harrelson é um dos maiores atores do cinema contemporâneo. Apesar de ser frequentemente subestimado, Harrelson segue com o bom nível de atuações em filmes como Um tira acima da lei e Virada no jogo.  No entanto, um recorte na carreira de Harrelson permite vislumbrar o grande comediante que ele é e poucos se dão conta. Seja como alívio cômico em blocbusters de ação (2012) ou roubando a cena dos protagonistas de comédias românticas (Amizade colorida, ED TV), Harrelson sempre manda bem quando a ordem do dia é fazer rir. Outros grandes momentos são Sete psicopatas e um Shih tzu (2012), Zumbilândia (2009), Ladrão de diamantes (2004) e Tratamento de choque (2003).

domingo, 28 de abril de 2013

Insight - O reflexo do ator


A seção Insight da semana passada analisou a partir de um comentário do cineasta Danny Boyle a capacidade de um astro de cinema, do calibre de um Brad Pitt, de uma Julia Roberts, de um George Clooney de distorcer – para adotarmos a palavra usada por Boyle – um filme. Ficou convencionado que essa distorção pode ser tanto positiva quanto negativa e que se estende desde os meandros da pré-produção de um filme até a recepção, e percepção, deste pelo público.
Foi a leitora Patrícia Ströher quem atentou para outro recorte muito pertinente e que foi omitido da análise. E quando um astro pode dar novo corpo a um personagem? Alterar a percepção que o público tem da trama? Do conflito? Quando isso é positivo? Quando é negativo?
É fato consumado que um astro é capaz de capitalizar a atenção de público e mídia em torno de um trabalho em particular. Recentemente, o cineasta cearense Karim Aïnouz disse em entrevista ao jornal O Globo que quer Wagner Moura, um dos atores com quem trabalhou em Praia do futuro – em processo de finalização - como protagonista de seu novo projeto: um filme que pretende discutir o fundamentalismo religioso no Brasil na esteira da polêmica envolvendo o deputado Marcos Feliciano – um pastor notório por declarações carregadas de preconceito – na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. “Preciso de um ator que seja capaz de provocar o debate no público”, disse Aïnouz.
Está aí, exposta, a capacidade transformadora de um astro de primeira grandeza em um projeto específico. Aïnouz é sábio em prever que com Moura em um papel chave de um filme que se pretende ruidoso, ele ampliará a margem de alcance da produção. Sabe também que Wagner Moura é o tipo de intérprete capaz de estabelecer uma espiral de diálogo com o público em cada personagem, em cada projeto. Tanto pelo carisma como pela profundidade de seu trabalho. É natural que queira se beneficiar dessa condição.
Wagner Moura: astro nacional capaz de reverberar no
público
Os produtores e realizadores do novo Superman, que chega em julho, se depararam com situação peculiar. Diferentemente do filme de 2006, quando se buscou alguém com o biotipo e expressão que remetesse ao imortal Christopher Reeves, objetivava-se um rosto novo que trouxesse uma nova identificação para Superman. Muitos nomes foram aventados, entre eles o do protagonista da série Mad men Jon Hamm, optou-se pelo inglês Henry Cavill cujos maiores créditos até então haviam sido uma participação em um filme de Woody Allen e na série The Tudors. A opção por uma figura de nenhuma expressão no mainstream americano atende às prerrogativas dos produtores de reimaginar o homem de aço. Algo que não seria totalmente possível com atores já experimentados.
O cineasta Ang Lee, que venceu o Oscar de direção por As aventuras de Pi, teve raciocínio semelhante na pós-produção deste filme. O elenco do filme é constituído majoritariamente por desconhecidos – à parte uma breve aparição do francês Gérard Depardieu. Mas nem sempre foi assim. O jornalista que ouve o relato fantástico de Pi (Irrfan Khan na fase adulta) foi interpretado por Tobey Maguire. Na pós-produção, Lee percebeu que a presença de Maguire gerava um desequilíbrio no sentimento da história e na percepção dela. Conversou com o ator e o cortou do filme. As cenas foram então regravadas com o ator Rafe Spall, ilustre desconhecido, como o jornalista/escritor interlocutor de Pi.
David Fincher e Rooney Mara: o
diretor não queria uma estrela
formada para viver Lisbeth
Salander em sua versão do best
seller original da trilogia
Millenium, Os homens que não
amavam as mulheres
Há, também, as expectativas do público para certo ator. E são elas que geram esses desequilíbrios. Heath Ledger é um exemplo clássico. Por duas vezes ele desafiou as expectativas que o público tinha dele. Feito galã, Ledger surpreendeu público e crítica com sua atuação devotada, minuciosa e cheia de sentimento de um cowboy que não sabe exatamente o que fazer quando se descobre amando outro homem em O segredo de Brokeback mountain, do mesmo Ang Lee. Ledger, aliás, estava inseguro quanto a aceitar o papel. Foi sua namorada na época, a atriz Naomi Watts, quem o encorajou. Pouco tempo depois, Christopher Nolan seria bastante contestado ao anunciar Ledger como sua escolha para viver o coringa no segundo filme de sua trilogia do cavaleiro das trevas. Essa história, todos sabem, terminou com um Oscar póstumo a Ledger após uma campanha sem precedentes entre público, crítica e indústria para que isso ocorresse.
O contrário também acontece. O drama Lembranças é um ótimo exemplo. Rodado em plena coqueluche por Robert Pattinson – o galã da franquia Crepúsculo – o filme se viu modificado pela presença do astro em apelo midiático, mas fundamentalmente em sua organização narrativa. A amargura de Edward (personagem de Pattinson) em Crepúsculo migrava em um movimento aleatório para Lembranças sem grandes justificativas. Era Pattinson trazendo consigo o olhar da plateia sobre ele.
Há, ainda, a maneira como um personagem é trabalhado por um astro. Brad Pitt e Tom Cruise podem ser convocados para essa análise. Nos últimos dez anos, enquanto Cruise buscou projetos para reforçar sua celebridade, Brad Pitt buscou aqueles em que ela poderia desaparecer. Foi coadjuvante de produções embevecidas na ironia e auto referência como Queime depois de ler e Bastardos inglórios e elegeu projetos em que seu peso como astro jogava a favor da história – como O curioso caso de Benjamin Button – lógica inversa à adotada por Cruise, em que a história jogava a favor de seu status de astro – como O último samurai.

Brad Pitt, por meio de sua produtora (Plan B), ofereceu um roteiro ao cineasta austríaco Michael Haneke, com quem Pitt gostaria de trabalhar, mas o diretor de Amor e A professora de piano declinou do convite dizendo que "trabalhar no esquema de Hollywood é algo que não lhe interessa no momento" 

Heath Ledger se transformando no coringa: uma performance certamente surpreendente para muitos que não imaginavam que Ledger fosse compatível com o personagem

Um astro pode ser um peso ou um bálsamo para determinados personagens ou projetos. Em um personagem suficientemente forte, escalar um astro talvez seja excessivo ou apenas a proposta adequada. Em última análise, cabe ao diretor vestir seu filme. É ele quem será o juiz, ainda que em primeira instância, dessa vaidosa disputa.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Crítica - O homem da máfia


(Des) esperança, boa música e balas

O neozelandês Andrew Dominik é o que se costuma chamar de autor de cinema. Depois de fazer um western pensativo e, de certa forma, vanguardista, com O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (EUA 2007), ele agora se volta para outro gênero clássico americano, o filme de gangster; e o reinventa com estilo e propriedade ao submeter o gangsterismo ao ambiente de crise econômica. O filme, adaptação do livro “Cogan´s trade”, de George V. Higgins, coloca Brad Pitt como Jack Cogan, um matador profissional a serviço da máfia. O Homem da máfia (Killing them softly, EUA 2012), no entanto, vai além dessa banal sinopse. Dominik aproveita o contexto de definhamento econômico vivido pela América nos idos de 2008 para arejar o filme com uma nova abordagem do gangsterismo. “Aqui se demora uma eternidade para ganhar o ok para qualquer coisa”, reclama o pragmático e pessimista Cogan para o colega, também matador profissional, vivido por James Gandolfini. Este por sua vez, vivendo estágios avançados do que parece ser uma depressão.
A reclamação de Cogan, contratado para resolver o problema criado por dois maltrapilhos que resolveram assaltar um jogo de pôquer controlado pela máfia, é reflexo da mentalidade corporativa adotada pelo crime organizado. Tanto é, que as negociações com Cogan são intermediadas por um advogado, papel que Richard Jenkins tira de letra.
Ao observar Cogan, mais do que a qualquer outro personagem, o espectador se fascina com sua visão de mundo e, também, com a forma como ele consegue se posicionar nele. É inegavelmente o personagem menos esperançoso em cena e, talvez por isso, o mais sóbrio. Enquanto Obama surge no televisor de um bar com seu histórico discurso de agradecimento pela vitória nas urnas em 2008, Cogan – confrontado pelo advogado da máfia que lhe acena com hipocrisia dizendo que o que importa no ramo em que estão são os relacionamentos - dispara: “Nossa nação se ergueu porque um punhado de gente estava farta de pagar impostos aos ingleses. Os Estados Unidos não são um país, são um negócio”.
A fala de Cogan é o máximo de emoção que o personagem oferece durante o longa. Cheio de códigos, ele diz que gosta de matar suas vítimas suavemente; à distância. Sem permitir que o choro da vítima e o constrangimento que ele incide tenham vez. A praticidade de Cogan é o contraponto ideal aos dois maltrapilhos que são o gatilho para a ação do filme.

Depressão, mentalidade corporativa e Johnny Cash: O homem da máfia não é um filme de gangster qualquer...


Dominik mantém o ritmo contemplativo que tão bem caracterizou O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford e trabalha com recursos prodigiosos para fazer de O homem da máfia um filme tão perene quanto seu western. Brad Pitt, por exemplo, surge ao som de "The man comes around" de Johnny Cash – uma introdução salutar e eloquente do personagem. A música, aliás, do country ao blues – é um recurso tão pródigo em sua fleuma americana quanto os políticos que sopram nos ouvidos dos personagens entre uma cena e outra.
Dominik ainda mergulha na cabeça de um drogado, em uma cena francamente incômoda, flerta com a lógica tarantinesca de preceder uma cena de tensão - dando especial atenção a uma conversa sem muito valor à narrativa antes da cena de assalto ao jogo de pôquer - e faz de um assassinato, um balé de balas e vidros despedaçados.
O homem da máfia talvez seja o filme de gangster mais importante desde Os bons companheiros (1991). Um mérito em si próprio e um alerta ao cinéfilo de que Andrew Dominik quer, e pode, promover mudanças notáveis no cinema americano moderno. Não é a toa que Brad Pitt já disse que faz qualquer coisa que o neozelandês quiser.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Crítica - O homem que mudou o jogo

Inteligente e cativante!

É sempre entusiasmante se deparar com um filme que consegue ser inteligente e emotivo ao mesmo tempo. Ainda que seja uma fórmula aparentemente banal, é de difícil confecção e todos os envolvidos em O homem que mudou o jogo (Moneyball, EUA 2011) podem se orgulhar de terem produzido um drama que consegue ser edificante, sem resvalar no pieguismo itinerante que marca esse tipo de história, e bem articulado narrativamente sobre um tema mais racional do que emotivo.
A princípio, O homem que mudou o jogo é um filme sobre gestão. Humana e administrativa. É, também, um filme sobre segundas chances. Sobre personagens que são confrontados com novas oportunidades de vencer um jogo injusto como é o da vida. É, ainda, um filme sobre o confronto de visões em um ambiente tão apaixonado como o esportivo. De um lado, o eixo moderno representado pelo gerente do Oakland A´s, time  modesto da Califórnia, Billy Beane (Brad Pitt) e seu assistente formado em economia Peter Brand (Jonah Hill) que introduzem um novo modelo para contratar jogadores esmerado em estatísticas e projeções matemáticas. Do outro lado está o tradicional e centenário jeito de se viver o baseball com todas as suas idiossincrasias e crendices.
É a partir dessa lógica do “homem contra o sistema” que o diretor Bennett Miller, suavemente, tece um drama coeso, límpido e profundamente humano. Que se vale de um esporte pouco famoso internacionalmente para erigir comentários tanto sobre a natureza humana, como a respeito da modernização de estratégias de gestão que sucessivamente despertam interesse de empresas que atuam em diferentes nichos. 

Brad Pitt, em grande momento como ator, em cena do filme: mérito de agregar temas intercambiáveis em um drama inteligente, fluente e cativante


O roteiro, assinado por Aaron Sorkin e Steven Zaillian a partir do livro “Moneyball: the art of winning a unfair game” de Michael Lewis, é seguramente o maior brilho do filme. O texto impede que o espectador pouco familiarizado com a modalidade fique alienado, ao mesmo tempo em que flameja o fã de baseball. Não é preciso dizer que o roteiro concilia harmoniosamente as diferentes propostas encorpadas no filme.
Com seis indicações ao Oscar (filme, roteiro adaptado, ator, ator coadjuvante, montagem e som), O homem que mudou o jogo é um filme que registra o ímpeto empreendedor que distingue os homens dos meninos – como uma cena crucial do filme sugere. É Brad Pitt, em atuação notável, quem estabelece complexidade ao personagem central. Pitt o reveste de humanidade em toda a sua abrangência: arrogância, carisma, insegurança, fé, esperança...
É, enfim, um ator que faz o filme ficar melhor, assim como seu personagem fez com o jogo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Oscar Watch 2012 - A peleja dos atores

Gary Oldman (O espião que sabia demais), Brad Pitt (O homem que mudou o jogo), George Clooney (Os descendentes), Jean Dujardin (O artista) e Demián Bichir (Uma vida melhor)



Ele fala!

Não em O artista. A bem da verdade, no filme sensação da temporada, Jean Dujardin tem uma única fala. Bem no final do filme. Mas Dujardin tem falado muito. Tanto em discursos de agradecimento – quando premiado pelo papel do ator de cinema mudo George Valentin – como em todo e qualquer programa americano, uma vez que virou um darling da temporada. Carismático e boa pinta, o francês parece ser o que os americanos adoram classificar como “the next best thing”. O Oscar pode ser só o começo da história.

Prós:
- Estrela o filme sensação da temporada
- No ano passado, a academia optou por casar o prêmio de melhor filme e melhor ator. Prática recorrente historicamente.
- É a alma do filme e a academia costuma reconhecer esse tipo de atuação. Alguns exemplos são Sean Penn em 2009 por Milk, Jeff Bridges em 2010 por Coração Louco e Colin Firth por O discurso do rei.
- Existe o “exotismo” de apresentar uma atuação sem o recurso da fala. Isso pode impressionar e conquistar muitos votantes
- Ganhou alguns dos principais prêmios da temporada como o SAG (prêmio do sindicato dos atores), Globo de ouro e Bafta.
- É uma opção charmosa ao charmoso George Clooney

Contras:
- Concorre contra George Clooney. E, bem, é George Clooney...
- É estrangeiro e pode ser prejudicado por algum “bairrismo” da maioria dos votantes que tem dois astros americanos como opções
- Existe o “exotismo” de apresentar uma atuação sem o recurso da fala. Há quem possa ser resistente a premiar esse tipo de trabalho

 Primeira indicação

Não exatamente um latin lover

Pense em três filmes com Demián Bichir. Não conseguiu certo? Não se condene. O ator não era mesmo conhecido. Puxando a memória, os fãs de Weeds se lembrarão dele como um traficante que marcou a vida de Nancy (Mary Louise Parker). O próprio ator brincou com o fato de estar na mesma categoria de astros mundialmente conhecidos como George Clooney e Brad Pitt. Bichir não deve se tornar um astro, mas ninguém rouba dele o desconcertante momento que vive na carreira pelo reconhecimento do trabalho no filme Uma vida melhor.

Prós:
- Conta, notadamente, com o apoio e o entusiasmo da classe dos atores que bancou sua nomeação ao Oscar
- É o azarão e tem quem goste de apostar em azarões
- Seria uma opção corajosa da academia e prestigiaria o cinema realmente independente, ou seja, aquele que não é patrocinado por braços dos grandes estúdios hollywoodianos

Contras:
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- Mesmo após a indicação, há o risco de muitos acadêmicos não verem sua performance
- É uma categoria essencialmente equilibrada e a vaga de “estrangeiro charmoso" já foi preenchida por Jean Dujardin

 Primeira indicação

O ator oculto

Um ator que sofre preconceito é Brad Pitt. Também pudera, diriam muitos, lindo do jeito que é! Pois Brad Pitt pôs a beleza de lado e revelou-se um ator meticuloso, com ótimas estratégias de carreira, excelente timing cômico e um incrível talento para se desafiar artisticamente. Por O homem que mudou o jogo vai pela terceira vez ao Oscar, a segunda em quatro anos. Já tem na bagagem um leão de ouro em Veneza e outra porção de atuações elogiadas pela crítica. Muitos críticos, aliás, o elegeram o melhor ator do ano, caso do prestigiado círculo de críticos de Nova Iorque. Fica a dica para o ex-rival Tom Cruise.

Prós:
- Tem dois filmes na disputa de melhor produção do ano e apresenta atuações consistentes em ambos
- Coleciona um impressionante número de boas atuações em ótimos filmes nos últimos anos. Está ficando difícil ignorar Brad Pitt
- Ganhou alguns prêmios da crítica na temporada
- Pode se beneficiar de uma divisão nos votos entre Jean Dujardin e George Clooney
- É daquele tipo de atuação que apela ao aspecto sentimental dos votantes. Isso pode contar

Contras:
- Não ganhou nenhum prêmio expressivo na temporada
- Na escala dos astros, perde para George Clooney
- A resistência e inveja que muitos têm do "Brangelina" pode privá-lo de alguns votos
- A percepção de que ele pode ser premiado mais adiante na carreira joga contra seus interesses também

Terceira indicação:
Indicações anteriores:
Melhor ator coadjuvante por Os doze macacos em 1996
Melhor ator por O curioso caso de Benjamin Button em 2009


Camaleão britânico

Já virou lugar comum se embasbacar com o fato de só aos 53 anos Gary Oldman, um ator estupendo, ter sido indicado ao Oscar. Essa peculiaridade esconde o fato de que em O espião que sabia demais, o ator está absoluto. Talvez não fosse merecedor da indicação pelo papel – existiam atores em melhor forma na disputa por uma vaga – mas não se discute o mérito de seu trabalho. Oldmam é quem menos tem chances de ganhar. Mas de todos os concorrentes, é o que há mais tempo faz por merecer a distinção que só o Oscar é capaz de prover.

Prós:
- É um ator historicamente negligenciado por prêmios e um Oscar nesse momento da carreira repararia essa injustiça
- O espião que sabia demais se constrói inteiramente sobre seu personagem e Oldman dá conta do recado. Performances assim já renderam prêmios a atores como Forest Whitaker (O último rei da Escócia) e Philip Seymour Hoffman (Capote)
- É britânico e atores britânicos costumam ser premiados pela academia
- A velha guarda da academia pode preferir o seu trabalho pausado e reflexivo às performances dos favoritos ao prêmio

 Contras:
- Não ganhou nem mesmo o Bafta, prêmio concedido pela Academia de Cinema Britânica
- Não foi indicado aos principais prêmios da temporada como SAG, Globo de ouro e Critic´s Choice Awards
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- Não é a melhor atuação do ano, nem de sua carreira. Portanto, seria ilógico premiá-lo

Primeira indicação


Mais Clooney, menos Clooney

Parecia improvável, mas George Clooney se superou novamente. Em 2011 dirigiu, produziu, escreveu e atuou em Tudo pelo poder, thriller político de primeira linha, pelo qual recebeu indicação ao Oscar de roteiro adaptado; e esteve a frente do elenco de uma pequena jóia do cinema independente chamada Os descendentes. São dois projetos que ratificam, mais uma vez, o tremendo talento e visão de Clooney enquanto artista de cinema.
Em Os descendentes ele apresenta uma de suas melhores atuações na figura de um homem maduro diante de adversidades que o redefinirão. A atuação em si já é notável, o conjunto da obra é muito mais do que isso.

Prós:
- É George Clooney
- Foi premiado em 2006 (quando tinha indicações por Syriana – a indústria do petróleo e Boa noite e boa sorte) e volta ao Oscar com dobradinha (Tudo pelo poder e Os descendentes)
- A safra que Clooney apresenta em 2012 é mais encorpada do que a que dispunha em 2006
- É o favorito ao prêmio e nos últimos anos o favorito tem prevalecido
- É a alma do filme e a academia tem reconhecido trabalhos assim nesta categoria nos últimos anos
- Vem colecionando grandes trabalhos em ótimos filmes e a ideia de premiá-lo novamente é muito difundida na indústria
- É uma figura querida pela academia
- Ganhou o Globo de ouro e o Critic´s Choice

Contras:
- É George Clooney
- O Oscar relativamente recente e o fato de estar sendo constantemente indicado ao Oscar podem afugentar alguns votos decisivos
- O próprio já admitiu que as melhores atuações do ano são dos concorrentes Brad Pitt e Jean Dujardin
- Perdeu o prêmio do sindicato dos atores

Sétima indicação
Indicações anteriores:
Melhor ator coadjuvante por Syriana – a indústria do petróleo em 2006
Melhor roteiro original por Boa noite e boa sorte em 2006
Melhor direção por Boa noite e boa sorte em 2006
Melhor ator por Conduta de risco em 2008
Melhor ator em Amor sem escalas em 2010
Vitória anterior:
Melhor ator coadjuvante por Syriana – a indústria do petróleo