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quarta-feira, 26 de março de 2014

Insight - Reinventar-se é preciso!

Ator contestado, Ben Affleck se reinventou como cineasta de fina estirpe e já ganhou até Oscar; enquanto que George Clooney protagonizou a reinvenção mais radical e bem sucedida da história de Hollywood ao praticamente apagar da memória coletiva seu passado de ator errante nos anos 80

Hollywood adora uma reinvenção. Essa é daquelas verdades perenes que fazem e derrubam estrelas. O limiar entre uma carreira de novo fôlego e uma carreira enterrada de vez é, por vezes, imperceptível. Da tolerância do público à aceitação da imprensa especializada, muitos são os fatores que podem determinar se uma carreira por ser realocada ou não. Jennifer Aniston, por exemplo, tentou durante um breve período na década passada – após o fim do seriado "Friends" – redimensionar seu status no cinema, mas seu público não parecia disposto a alforriá-la das comédias românticas. Dramas como Amigas com dinheiro (2006), Fora de rumo (2005) e Por um sentido na vida (2002) não foram bem digeridos pela audiência e a ex-mulher de Brad Pitt se viu confinada ao gênero das comédias. Ainda assim, ela passou a ousar mais como em filmes como Quero matar meu chefe (2011) e Família do bagulho (2013).
Recentemente todos se assombraram com a transformação que Matthew McConaughey impôs a sua carreira. Denominada McConnainsance, a reviravolta culminou em Oscar, mas está longe de acabar. Com papéis difíceis como os de Killer Joe e "True Deetctive", McConaughey parece ter redesenhado seu papel na indústria do cinema. O mesmo tenta fazer Bradley Cooper. Depois de estourar como um dos protagonistas de Se berber, não case (2009), o ator se aliou ao cineasta Davi O. Russell, outro que enveredou pelo caminho da reinvenção (como já abordado aqui em Claquete), para mudar de status em Hollywood. Depois de duas indicações ao Oscar em anos seguidos, Cooper está nos novos filmes de Clint Eastwood e Cameron Crowe.
Antes de McConaughey e Cooper, porém, o britânico Colin Firth apartou-se das comédias românticas para abraçar os filmes mais sérios. Protagonista do novo filme de Woody Allen, Firth ganhou o Oscar por O discurso do rei (2010) há três anos depois de ter feito uma ruptura definitiva com sua carreira de então com o denso e doloroso Direito de amar (2009).
Nenhuma reinvenção, no entanto, é mais uníssona do que a de George Clooney. Poucos se atentam para o fato de que Clooney era um ator errático nos anos 80 e um astro emergente da tv nos anos 90 que soube se reiventar de maneira tal que se firmou como o maior astro da Hollywood atual, à frente de ícones de outrora como Harrison Ford, Tom Cruise ou Brad Pitt.

Reese Whiterspoon e Colin Firth divulgam Devil´s knot no festival de Toronto em setembro do ano passado: atores que buscaram reinventar suas carreiras e obtiveram aprovação do Oscar

Matthew McConaughey, maior símbolo atual do significado de reinvenção em Hollywood, com um dos muitos troféus que conquistou no início de 2014


Mudar é preciso!
Há, ainda, aqueles atores que enxergam a necessidade de mudança para que não fiquem presos ao estigma de um personagem. Ben Stiller tentou fugir do paspalho de bom coração com A vida secreta de Walter Mitty, que também dirigiu, acabou fugindo da comédia rasgada, mas não conseguiu mudar o tom do personagem. Jesse Eisenberg parece um sub Woody Allen e se isso lhe serviu bem em A rede social parece miná-lo em filmes como Truque de mestre (2013) e Para Roma, como amor (2012), em que foi dirigido pelo próprio Allen. Por isso seus próximos projetos são pontos fora da curva, como uma adaptação de Dostoievski e o vilão do próximo filme do Superman.  
Se Anne Hathaway conseguiu se desfazer da imagem de princesinha da Disney, Reese Witherspoon – por mais que tenha tentado – não se desfez da alcunha de atriz de comédias românticas, a despeito do Oscar e de suas incursões cada vez mais frequentes pelo drama. Coincidências à parte, o próximo drama de Witherspoon (Devil´s knot) também é estrelado por Colin Firth.
Channing Tatum é outro a perseguir o reconhecimento como ator sério, mesma escalada de Sandra Bullock que de uns tempos para cá passou a conciliar as comédias blockbusters que fizeram sua carreira com dramas menores. A ideia é transparecer uma carreira mais equilibrada e completa do que de fato ela tem a apresentar.
Liam Neeson vai na contramão. Ator de vasta credencial no drama, o irlandês passou a prestigiar o cinema de ação, roubando holofotes de pretensos protagonistas do gênero como Vin Diesel. Filmes como Desconhecido (2011), A perseguição (2012), Busca implacável (2008) e Sem escalas (2013) provaram o fôlego há pouco inimaginável do agora sessentão no gênero que é a menina dos olhos do sistema de estúdios hollywoodiano.
As mudanças podem se dar por contingência de mercado, como prova o caso de Neeson. A carência por atores capazes de sustentar um gênero que ainda não se renovou desde os anos 90 empurrou o ator para o metiê de outros vovozinhos como Bruce Willis e Sylvester Stallone.
As mudanças podem se dar ainda como estratégia de carreira, gosto pessoal ou mero acidente. Reinventar uma carreira não é tão fácil como parece.  Requisito básico e que parece sublinhar muito bem a divergência entre Anne Hathaway e Reese Witherspoon, é ter talento.

sábado, 12 de outubro de 2013

Especial Gravidade - crítica

Fazendo cinema "cinematográfico"

De tira o fôlego! Obra- prima! Revolução cinematográfica! O melhor filme do ano! São todas interjeições conhecidas e válidas depois de se assistir Gravidade (Gravity, EUA 2013), o filme que o mexicano Alfonso Cuarón fez para ser visto e apreciado no cinema.
Com um espetacular plano sequência de aproximadamente 15 minutos, o diretor diz a que veio logo no início. Gravidade pretende ser um daqueles “game changers” que o cinema nem sempre cerimoniosamente recebe de tempos em tempos. O apuro técnico do filme assombra, mas o que assombra mais é como Cuarón não permite que todo esse sobejamento estético se sobreponha à narrativa que desenvolve. A estética se funde à narrativa de maneira inédita no cinema. A experiência de imersão em Gravidade é algo novo e encantador. É o mais perto que 99% de todos nós ficaremos do espaço. Mas não é só! Gravidade valoriza um estudo primoroso sobre solidão. O espaço, nesse aspecto, jamais havia sido tão bem aproveitado no cinema. A agonia de estar à deriva na imensidão sideral é outro aporte desse cinema sensorial emulado por Cuarón em imagens belíssimas, plano arrebatadores e enquadramentos inovadores.

Beleza e agonia: nenhum filme transportou o espectador para fora da sala de cinema em 2013 como Gravidade, em que Clooney e Bullock brilham atuando nos limites da tecnologia sem serem eclipsados por ela

Não há interesse em investigar os personagens Ryan Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalski (George Clooney), os astronautas à deriva no espaço depois que destroços de um satélite atingem a Explorer, nave que os levou até lá. Mas há um genuíno interesse da realização em abordar a fé e a vontade de viver e um interesse maior ainda em confrontar esses dois elementos. Nesse sentido, o luto da personagem de Bullock combinada à agonia de estar a esmo no espaço propiciam um sentimento difuso e profundamente alarmante para a audiência, incrementado essa experiência sensorial objetivada por Cuarón com seu filme.
Outro aspecto inerente à estrutura de Gravidade é sua habilidade no trato com símbolos. Da dimensão filosófica que afere à solidão à carga dramática que impõe sobre o renascimento da personagem de Stone, tão sorumbática na Terra (nas palavras da própria personagem) e revigorada no espaço, Gravidade se articula como um filme de incrível objetividade, sem prescindir de um relativo grau de subjetividade – desejável para qualquer filme que ambiciona ser grande.
É preciso fazer um adendo aos atores. George Clooney é o ponto de equilíbrio de Gravidade. Mais do que qualquer coisa, e mais do que ser o alívio cômico do filme de Cuarón, seu personagem é a bússola do personagem de Bullock; desempenhando, portanto, valiosa função narrativa. Clooney empresta seu carisma habitual ao experiente astronauta. Já Bullock atende às demandas físicas e emocionais de uma personagem cheia de nuanças e entrega uma performance ímpar em sua carreira já consolidada. É seguro dizer que a atriz nunca esbanjou tanta confiança como interprete e tanta vulnerabilidade em um personagem.
Por todas essas razões, Gravidade não é apenas um dos grandes momentos do cinema em 2013, mas em toda a sua história. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Especial Gravidade - Quando a simplicidade encontra o complexo


Gravidade tem sido louvado por críticos ao redor do planeta por suas qualidades técnicas para lá de destacáveis. Gente do cinema, gente dos bastidores e gente da mídia têm reagido com perplexidade à beleza visual do filme e à técnica arrojada apresentada por Alfonso Cuarón neste filme que está sendo saudado como um desses divisores de águas que vez ou outra surgem no cinema. Mas Gravidade tem uma peculiaridade que poucos têm dado o devido crédito. São dois atores confinados em um ambiente fechado. No caso, o ambiente fechado é a imensidão do universo.
A ideia de trabalhar um ambiente como um personagem não é nova. Cuarón se exercita nesse terreno pela primeira vez. Roman Polanski já fez isso com um apartamento e com um barco, Michael Haneke recentemente fez o mesmo em Amor. Por sinal, o vencedor da Palma de Ouro apresenta uma lógica narrativa muito parelha a de Gravidade, centrando sua dramaturgia no trabalho de dois atores. Trata-se de um preceito simples do cinema dito tradicional. Em Gravidade, porém, o cineasta mexicano potencializa esses efeitos ao colocar esses atores no espaço. Ainda que seja tudo digital, o que só flexiona ainda mais os parâmetros do cinema do presente.
Cuarón levou quatro anos para fazer Gravidade. Entre pré-produção, gravações e pós-produção. No meio tempo, As aventuras de Pi, fotografado por  Cláudio Miranda, ganhou o Oscar de melhor fotografia e o próprio Ang Lee se tornou o primeiro diretor a ganhar o Oscar de direção por um filme rodado em 3D e majoritariamente composto por efeitos digitais.
O que Cuarón faz em Gravidade é justamente sublinhar o conflito existencial da protagonista vivida por Sandra Bullock no 3D imponente que apresenta a luta pela sobrevivência dela e do astronauta vivido por George Clooney.

A fotografia de Gravidade é de Emmanuel Lubezki, mexicano que é habitual parceiro de Cuarón e que foi indicado ao Oscar recentemente por A árvore da vida. Aqui ele e Cuarón propõem algumas ousadias como o plano de abertura de 13 minutos sem cortes. Um assombro de técnica somente possível com profissionais tão criativos e talentosos. Mas somente possível, também, no atual momento high-tech que vivemos. Difícil imaginar que Stanley Kubrick, outro cineasta de reconhecida e larga criatividade, pudesse tangenciar um take como esse e tantos outros que impressionam em Gravidade. Mas o que mais impressiona no filme, apontam seus entusiastas, é a capacidade do diretor de usar recursos técnicos para levar a plateia à crise existencial da personagem de Sandra Bullock. Como Cuarón funde a imagem do GCI à intimidade física. Esse casamento de um cinema simples com um cinema de grande complexidade, tão rara e tão bem vinda, é o grande precedente de Gravidade, filme que coloca a pulga atrás da orelha de quem faz e consome cinema: para onde vamos agora?

sábado, 29 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Claquete destaca o melhor do ano

Os cinco melhores trabalhos de direção do ano


Asghar Farhadi (A separação)


Ben Affleck (Argo)

Steve McQueen (Shame)


David Cronenberg (Cosmópolis)

Lynne Ramsey (Precisamos falar sobre o Kevin)


Os cinco melhores roteiros do ano
Argo por Chris Terrio
Um método perigoso por Christopher Hampton
Ted por Seth MacFarlane
Moonrise kingdom por Wes Anderson e Roman Coppola
A negociação por Nicholas Jarecki

As cinco melhores trilhas sonoras
O artista por Ludovic Bource
Cavalo de guerra por John Williams
Drive por Cliff Martinez
Moonrise kingdom por Alexandre Desplat
As aventuras de Pi por Mychael Danna 

As cinco melhores fotografias
007 – operação Skyfall por Roger Deakins
Cavalo de guerra por Janusz Kaminski
Drive por Newton Thomas Siegel
Shame por Sean Bobbitt
As aventuras de Pi por Claudio Miranda

As cinco melhores edições
O artista por Michel Hazanavicius e Anne-Sophie Bion
Precisamos falar sobre o Kevin por Joe Bini
A separação por Hayedeh Safiyari
Virada no jogo por Lucia Zucchetti
Os homens que não amavam as mulheres por Kirk Baxter e Angus Wall


As cinco melhores atuações masculinas  

Jean Dujardin em O artista

Richard Gere em A negociação


George Clooney em Os descendentes

Michael Fassbender em Shame

Rodrigo Santoro em Heleno


As cinco melhores atuações femininas

Rooney Mara em Os homens que não amavam as mulheres

Tilda Swinton em Precisamos falar sobre o Kevin


Naomi Watts em O impossível

Michelle Williams em Sete dias com Marilyn

Gleen Close em Albert Nobbs


As cinco melhores atuações coadjuvantes masculinas

Ezra Miller em Precisamos falar sobre o Kevin & As vantagens de ser invisível

Javier Bardem em 007 – operação skyfall

Albert Brooks em Drive

Nanni Moretti em Habemus papam


Garrett Hedlund em Na estrada


As cinco melhores atuações coadjuvantes femininas

Jessica Chastain em Histórias cruzadas


Shailene Woodley em Os descendentes


Carey Mulligan em Shame


Keira Knightley em Um método perigoso


Bérénice Bejo em O artista 



Os dez filmes que não entraram no TOP 10 do ano de Claquete, que será publicado neste domingo (30), em ordem alfabética: 

007 - operação skyafall (Skyfall, EUA 2012), de Sam Mendes
Argo (EUA 2012), de Ben Affleck
As aventuras de Pi (Life of Pi EUA 2012), de Ang Lee
Cavalo de guerra (War horse, EUA 2011), de Steven Spielberg
Cosmópolis (CAN/EUA 2012), de David Cronenberg
Drive (EUA/DIN 2011), de Nicolas Winding Refn
Moonrise kingdom (EUA 2012), de Wes Anderson
O homem da máfia (Killing them softley, EUA 2012), de Andrew Dominik
O homem que virou o jogo (Moneyball, EUA 2011), de Bennett Miller
Virada no jogo (Game change, EUA 2012), de Jay Roach

sábado, 22 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Cenas de cinema (gente)


Keira reloaded
Uma, nesse momento ainda improvável, indicação ao Oscar por Anna Karenina pode fechar com chave de ouro o ciclo de 2012 para a inglesa Keira Knightley. 2012, mais do que qualquer outra coisa, significou um ano de reengenharia de carreira para atriz. No Brasil, foram lançados três trabalhos da atriz (um de 2010, um de 2011 e outro desse ano) que mimetizam essa mudança. Apenas uma noite, Um método perigoso e Procura-se um amigo para o fim do mundo revelam que Keira é uma atriz bem diferente daquela que brilhou em Rei Arhtur e Piratas do Caribe: a maldição do perola negra há uma década.

Tom sobre tom

Tom Cruise sempre foi um astro e faz parte do trabalho ter um ano agitado. Mas 2012 foi um caso à parte. Começou com Cruise registrando a maior bilheteria de sua carreira por Missão impossível 4: protocolo fantasma; o que para muitos foi uma surpresa. Por duas razões, Cruise já estaria na curva descendente de sua carreira e o terceiro filme da série foi um relativo fiasco que possibilitou a primeira percepção. Mas foi lá para o meio do ano que a coisa apertou de vez! Um divórcio, cujas razões seriam dissecadas nos meses seguintes, chacoalhou o chão de Tom Cruise. Devolveu a cientologia, religião da qual o ator é “garoto propaganda”, ao olho do furacão e expôs a intimidade de Cruise de um jeito que jamais ocorreu antes. De quebra, Rock of ages, musical reverente aos anos 80, foi um fracasso. Mas Cruise, que cantou e rebolou, salvou-se. 2012 se vai com Cruise voltando à carga promocional com novo lançamento na praça, Jack Reacher, e a esperança por um 2013 mais calmo. Pelo menos do lado de cá da telas.


Pão francês
Ah, aquele sotaque... o inglês descalibrado de Jean Dujardin não é problema. Tanto é que o ator vencedor do Oscar por O artista já engatilhou projetos nos EUA. É lógico que Dujardin, que periga roubar de Javier Bardem o título de ator estrangeiro mais festejado em Hollywood, precisa melhorar seu inglês. Mas, aquele sotaque...

Dujardin, o bem amado: o negócio dele é o sotaque...


O ano de Matthew McConaughey
Poucas pessoas criam que McConaughey fosse capaz de fugir daquela armadilha de mostrar o tórax definido em seus filmes. Poucos criam que o ator, já com 43 anos, pudesse voltar a suscitar aquele bom burburinho do início da carreira. O movimento, é verdade, começou em 2011 com o ótimo O poder e a lei, mas se cristalizou em 2012. O mais divertido dessa história toda, é que não só McConaughey não deixou de exibir o tórax, como mostrou seus glúteos igualmente definidos em Magic Mike. E pode ser premiado por isso! Ok, não só por isso. O ator provou em filmes como The paperboy, Killer Joe, Bernie e Mud (todos inéditos no Brasil) que há um coração de ator batendo embaixo desse tórax que pela última vez será mencionado nesse texto... 

2012 foi tão bom para o ator que praticamente não se falou no tórax de Matthew McConaughey



Sexy e com conteúdo
Ele foi eleito o homem mais sexy do ano pela revista People e um dos homens do ano pela revista masculina GQ. 2012, por isso e por outras coisas, será mesmo lembrado como um ano especial para Channing Tatum. Presente em quatro lançamentos do ano, mais do que qualquer outra coisa, Tatum provou que amadureceu como intérprete. Revelou timing cômico no remake da série de tv Anjos da lei, foi galã romântico em Para sempre, rebolou e arrancou suspiros em Magic Mike e entrou mudo e saiu quase calado de A toda prova, onde iniciou uma parceria com o cineasta Steven Soderbergh. Tatum, cada vez mais versátil como ator, é o boa pinta do ano!


Travoltagate
Depois de um 2011 tenebroso, com a morte do filho e a explosão de denúncias sobre sua homossexualidade, 2012 não aliviou para John Travolta. Sua sexualidade continuou no centro do interesse de tabloides sensacionalistas que viram pipocar processos de “prestadores de serviços” que se diziam assediados por Travolta. O escândalo diminuiu com a exposição de alguns aproveitadores, mas o volume de denúncias fez esmorecer o casamento do ator com Kelly Preston.

Tristeza familiar!
Se muita gente aguardava com ansiedade o retorno de Ridley Scott ao universo Alien em Prometheus, ninguém esperava que seu irmão caçula, Tony Scott simplesmente se jogasse de uma ponte em São Francisco, Califórnia. O diretor escolheu se matar aos 68 anos justamente quando se preparava para revistar o seu maior sucesso, Top Gun – ases indomáveis (1986). Muito se especulou a respeito das razões que motivaram o inesperado suicídio de um diretor de talento e sucesso. Até um câncer incurável foi aventado. Nenhuma resposta, porém, emergiu da corrente perturbadora de boatos que tomou todos de assalto.

O drama de Kristen e Robert...
É, não é? Se eles já estão juntos novamente, por que falar sobre isso? Simplesmente porque foi o bafo do ano. A própria imprensa americana andou fazendo autoanálise por ter mergulhado tão profundamente em um assunto tão... particular. Alcoviteiros que somos, bombamos a audiência de sites de fofoca e ficamos estarrecidos com as fotos dos amassos de Kristen Stewart e de seu diretor em Branca de neve e o caçador Rupert Sanders. A dúvida que assola o mundo é se torcemos para que agora a coisa dê certo ou se queremos ver a agonia de Robert novamente? Ó dúvida cruel!

Back together: a família de Pattinson desaprovou, mas ele voltou a voar com Kristen Stewart...


... e de outros casais
Tom e Kate, como já abordado aqui, também se separaram. Dennis Quaid foi outro que pôs fim a seu relacionamento com a atriz Kimberly Buffington-Quaid. Já Brad Pitt e Angelina Jolie seguem firmes e fortes, apesar das numerosas capas sugerindo o contrário. A última pendenga ente o casal seria o peso de Brad Pitt que, parece, está incomodando a magérrima Angelina Jolie. O duradouro casamento de Johnny Depp e Vanessa Paradis também teve fim em 2012. O ator inclusive já está distribuindo presentes (carro e mansão foram alguns dos mimos) para sua nova paixão, a atriz Amber Heard; com quem contracenou em O diário de um jornalista bêbado (2011).

Tudo sobre Spielberg
Steven Spielberg entrou e se despede de 2012 na boca do povo. Em Janeiro, estrearam no Brasil dois filmes assinados pelo cineasta (Cavalo de guerra e As aventuras de Tintim). Spielberg foi novamente ao Oscar, com seu épico passado na primeira guerra mundial, e agora se prepara para chegar à festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood na roupa de favorito, com Lincoln. A fita estrelada por Daniel Day Lewis já é o filme “adulto” de Spielberg de maior bilheteria de sua carreira nos EUA. Não obstante, o filme que fez de Spielberg, Spielberg ganhou um lançamento caprichado em Blu-ray que ganhou o noticiário internacional. 2012, talvez mais do que qualquer outro ano improvisou a máxima: diretores vem e vão, Spielberg fica!

Um é pouco, dois é bom...
Spielberg não está sozinho nesse negócio de lançar mais de um filme em um ano. Se em 2011 ele lançou dois filmes, em 2012 teve muito diretor fazendo o mesmo. A começar por outro Steve. Steven Soderbergh, na verdade, deixou A toda prova para este ano. A fita de ação recheada de astros está no mesmo nível de satisfação da dramédia recheada de fortões em trajes sumários Magic Mike. David Cronenberg também manteve o nível de excelência que lhe é característico em seus dois lançamentos do ano: Um método perigoso, originalmente de 2011, e Cosmópolis. Já Tim Burton, como sempre, dividiu a crítica com Sombras da noite, mas a reconquistou com o lúdico e nostálgico Frankenweenie. O brasileiro Breno Silveira, na sua apropriação da música nacional, em 2012 foi de Robert Carlos (À beira do caminho) a Gonzagão e Gonzaguinha (Gonzaga – de pai para filho).


Clint Eastwood de A a Z
Clint Eastwood sempre foi um republicano fervoroso, ainda que mais recentemente tenha abraçado algumas causas historicamente ligadas ao partido democrata, como o casamento entre homossexuais e a eutanásia. Aos 82 anos, Eastwood foi a estrela da convenção republicana que consagrou Mitt Romney como candidato à presidência dos EUA. Seu discurso duro e veemente contra as principais políticas do governo Obama fizeram com que muita gente ao redor do planeta, no Brasil inclusive, declarasse Eastwood persona non grata. Isso talvez ajude a explicar o desempenho mediano de Curvas da vida, filme que marcou seu retorno à condição de ator – a qual ele havia declarado em 2008 ter se aposentado. Assim como abrilhantou e produziu manchetes para o evento republicano, ele fez o mesmo com esse dispensável filme de Robert Lorenz, seu assistente de direção. No cinema e na política, Eastwood continua a demonstrar vigor e a atrair interesse.

Clint e a cadeira: de J.Edgar a Obama, são as curvas da vida...


50 anos em um ano
George Clooney seria um ímã para o noticiário simplesmente por ser George Clooney. Em 2012 concorreu ao Oscar, foi preso (isso mesmo), se separou da namorada, voltou com a namorada, se engajou na campanha de reeleição de Barack Obama, gravou o novo longa de Alfonso Cuáron (Gravity) e iniciou a pré-produção de seu novo longa-metragem como diretor The monuments men. Bem, você deve estar estranhando o fato de Clooney ter sido preso, né? Para quem não se lembra, ele e seu pai foram presos após iniciarem protestos em frente a embaixada do Sudão em Washington. Clooney é forte ativista pela paz na região que atravessa uma série de conflitos políticos que já provocaram milhares de mortes. Essa foi apenas a mais drástica medida tomada por Clooney que se envolve diariamente na busca de soluções humanitárias para a região.

Clooney preso em protesto em março: conscientização a qualquer preço...


As viagens dos diretores brasileiros
Em uma sinergia pouco usual, três diretores brasileiros lançaram projetos internacionais em 2012. O mais pomposo e aguardado deles, com certeza, era Na estrada, de Walter Salles. Que foi recebido com certa frieza em sua premiere em Cannes e ainda está para alçar voo internacional. No Brasil, passou praticamente em brancas nuvens. Não menos ambicioso, mas com resultado igualmente questionado pela crítica internacional foi 360, de Fernando Meirelles. Ambos os projetos financiados de maneira independente, mas com joias hollywoodianas a reluzir não obtiveram o êxito que se podia esperar. Já 12 horas, produção comercial com alguma calibragem, marcou a estreia em Hollywood do pernambucano Heitor Dhalia. Ele detestou a experiência. Em termos de crítica, no entanto, foi o que ficou mais perto do consenso. Não que tenha sido um consenso maravilhoso...

Nasce uma estrela de cinema

Ela estará no próximo filme da franquia Velozes e furiosos e foi a primeira integrante confirmada da versão feminina de Os mercenários. Isso tudo porque Gina Carano, ex-lutadora de MMA e agora (ótima) atriz se revelou para Hollywood em 2012 no movimentado A toda prova, em que Steven Soderbergh a coloca para bater em Ewan McGregor, Antonio Bandeiras, Channing Tatum e Michael Fassbender. Linda, com uma expressão física vibrante e disciplinada (cortesia do background do MMA), Carano tem tudo para vingar como heroína de ação.

Sai zica!
Era para ele explodir em 2012, no entanto, Taylor Kitsch implodiu. Não teve pé frio mais expressivo do que ele em todo ano em Hollywood. Ligado a três projetos hypados, sendo dois francos blockbusters, Kitsch patrocinou com seu protagonismo os dois blockbusters de maior fracasso da temporada e ainda brindou Oliver Stone com um improvável flop de bilheteria. Selvagens é ótimo, mas não resistiu ao “charme” de Kitsch e assim como John Carter – entre dois mundos e Battleship – a batalha dos mares, afundou nas bilheterias americanas.

Kitsch: sem sal...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Oscar Watch 2012 - Cenas de cinema (Oscar 2012)

"Eu tenho o sentimento de que será uma noite francesa"
    George Clooney, no tapete vermelho ao ser indagado sobre suas expectativas para a noite do Oscar



Fim de semana preto e branco
Começou na sexta. O artista, presumivelmente, ganhou os principais prêmios no César, o chamado “Oscar francês”. Filme, direção, figurino e trilha sonora entre eles. No sábado foi a vez do filme triunfar no Independent spirit Awards. Mais quatro troféus: filme, direção, ator e fotografia. E veio o Oscar. Conforme o esperado, O artista foi o grande vencedor da noite. Levou as estatuetas de filme, direção, ator, trilha sonora e figurino. Foi uma vitória justa e que encerra uma das campanhas mais vitoriosas de um filme na história do cinema.

Alguns recordes de O artista
É o primeiro filme a vencer o Spirit Awards e o Oscar em 25 anos. É a primeira produção não anglo-saxônica a vencer o Oscar de melhor filme na história da premiação. É o primeiro filme mudo a ganhar o Oscar principal desde o primeiro filme a vencer o Oscar em 1929. É o primeiro filme em preto e branco a ganhar o Oscar de melhor filme desde o triunfo de A lista de Schindler. Representa a quinta vitória na disputa de melhor filme para os irmãos Weinstein em 17 anos.

Uma deferência a Meryl...

Aconteceu. Meryl Streep ganhou, finalmente, seu terceiro Oscar pelo desempenho como Margaret Thatcher em A dama de ferro. Se é preciso pontificar que Meryl Streep não era a melhor atriz na disputa, é preciso – mais do que reconhecer a premência desse terceiro Oscar – a deferência feita pela academia ao honrá-la com a terceira estatueta em um ano com interpretações femininas tão maravilhosas. Se tivesse a premiado em 2010 por Julie & Julia, por exemplo, um trabalho infinitamente inferior em relação ao qual concorreu este ano o sabor seria menos palatável. A concorrência, naquele ano, também era mais fraca. Da maneira como ocorreu, Meryl Streep foi exaltada como deveria ser: soberana entre todas as atrizes em atividade. 


O Oscar da nostalgia cede a nostalgia...
Já era sabido que a edição de 2012 era pendente à nostalgia, em virtude dos candidatos favoritos. Contudo, o tom nostálgico estava presente desde o cenário do Hollywood and Highland Center (ex-Kodak theather), até a distribuição dos prêmios. Os dois favoritos da noite dividiram os prêmios irmãmente, ainda que O artista tenha prevalecido nas categorias mais nobres, e teve prêmios para Meryl Streep (uma lenda já sacramentada e há muito negligenciada), Woody Allen (quer coisa mais nostálgica do que premiar Woody Allen?), Christopher Plummer (ator longevo que se configurou como o mais idoso a vencer um Oscar competitivo) e Billy Crystal fazendo aquilo que ele já fazia há 20 anos atrás. Foi um Oscar saudosista de tempos passados, ainda que mais enxuto e dinâmico em sua extensão.


Dujardin, o incrível...
A vitória era, até certo ponto, esperada. Além de merecida. Quando subiu ao palco para agradecer pelo Oscar de melhor ator, Jean Dujardin se mostrou ainda mais charmoso e mais a vontade com seu inglês que, notadamente, evolui. “É como ganhar uma copa do mundo”, disse o ator no backstage para os repórteres. Na França, as vitórias de O artista e Dujardin foram comemoradas até mesmo pelo presidente Nicolas Sarkozy. 
Nos últimos três anos, o detentor da Palma de ouro de melhor ator em Cannes concorreu ao Oscar. Em 2010, o austríaco Christoph Waltz levou o prêmio de coadjuvante por Bastardos inglórios; ano passado Javier Bardem disputou com o espanhol Biutiful e Dujardin, em 2012, sagrou-se o primeiro francês premiado com um Oscar de interpretação na categoria principal. Dujardin, além de derrotar os astros outrora favoritos George Clooney e Brad Pitt, o fez sem dar um pio. Ou quase...

Dujardin em êxtase: um merci bocu para vocês...

As pernas de Angelina...
Angelina Jolie estava surpreendentemente bem humorada. Os sorrisos quando flagrada pelas câmaras da transmissão ansiosas por ela e seu marido (Brad Pitt) eram mais amenos e naturais e quando subiu ao palco demonstrou inesperado senso de humor. Reencarnou a verve de mulher fatal que tanto lhe serviu nos anos 90 e deixou a fenda do vestido falar por ela. Exibindo a perna direita propositadamente e fazendo voz sexy, Angelina respondeu por um dos bons momentos da cerimônia. E as pernas de Angelina já têm mais seguidores no twitter do que você.

Como um garoto...
Christopher Plummer, a maior unanimidade entre os intérpretes na temporada, destilou graça e sofisticação em seus discursos de agradecimento no curso da Oscar season. Não foi diferente no Oscar. Ao receber seu prêmio, saudou a estátua lembrando que é apenas dois anos mais novo do que ela e indagando onde esteve o Oscar durante toda a sua vida. Na sala de imprensa, quando questionado sobre aposentadoria, saiu-se com a seguinte: “morrerei em um set de filmagens”. Era júbilo puro!

Comodidade e monotonia
Reparem que só agora o host Billy Crystal recebe um tópico. Se não é exatamente um desprestígio, tão pouco é sinal de excitação. Billy Crystal fez o que dele se esperava. Conduziu uma cerimônia morna, sem grandes arroubos egocentrados e com algumas piadas certeiras como a que dirigiu para Nick Nolte (antecipando pensamentos confusos do ator que tem fama de beberrão). Elegeu George Clooney como o “novo Jack Nicholson” e cutucou a academia por deixar os principais blockbusters do ano de fora da festa. Se não foi o salvador da pátria que muitos esperavam, o comediante foi a “cara” do tom do Oscar 2012: um apelo à nostalgia.

O Oscar continua
Nesta terça-feira, 28 de fevereiro, será publicada em Claquete a crítica da 84ª edição do Oscar com uma análise detalhada do significado histórico do Oscar 2012, bem como uma análise pormenorizada da distribuição dos prêmios.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Oscar Watch 2012 - A peleja dos atores

Gary Oldman (O espião que sabia demais), Brad Pitt (O homem que mudou o jogo), George Clooney (Os descendentes), Jean Dujardin (O artista) e Demián Bichir (Uma vida melhor)



Ele fala!

Não em O artista. A bem da verdade, no filme sensação da temporada, Jean Dujardin tem uma única fala. Bem no final do filme. Mas Dujardin tem falado muito. Tanto em discursos de agradecimento – quando premiado pelo papel do ator de cinema mudo George Valentin – como em todo e qualquer programa americano, uma vez que virou um darling da temporada. Carismático e boa pinta, o francês parece ser o que os americanos adoram classificar como “the next best thing”. O Oscar pode ser só o começo da história.

Prós:
- Estrela o filme sensação da temporada
- No ano passado, a academia optou por casar o prêmio de melhor filme e melhor ator. Prática recorrente historicamente.
- É a alma do filme e a academia costuma reconhecer esse tipo de atuação. Alguns exemplos são Sean Penn em 2009 por Milk, Jeff Bridges em 2010 por Coração Louco e Colin Firth por O discurso do rei.
- Existe o “exotismo” de apresentar uma atuação sem o recurso da fala. Isso pode impressionar e conquistar muitos votantes
- Ganhou alguns dos principais prêmios da temporada como o SAG (prêmio do sindicato dos atores), Globo de ouro e Bafta.
- É uma opção charmosa ao charmoso George Clooney

Contras:
- Concorre contra George Clooney. E, bem, é George Clooney...
- É estrangeiro e pode ser prejudicado por algum “bairrismo” da maioria dos votantes que tem dois astros americanos como opções
- Existe o “exotismo” de apresentar uma atuação sem o recurso da fala. Há quem possa ser resistente a premiar esse tipo de trabalho

 Primeira indicação

Não exatamente um latin lover

Pense em três filmes com Demián Bichir. Não conseguiu certo? Não se condene. O ator não era mesmo conhecido. Puxando a memória, os fãs de Weeds se lembrarão dele como um traficante que marcou a vida de Nancy (Mary Louise Parker). O próprio ator brincou com o fato de estar na mesma categoria de astros mundialmente conhecidos como George Clooney e Brad Pitt. Bichir não deve se tornar um astro, mas ninguém rouba dele o desconcertante momento que vive na carreira pelo reconhecimento do trabalho no filme Uma vida melhor.

Prós:
- Conta, notadamente, com o apoio e o entusiasmo da classe dos atores que bancou sua nomeação ao Oscar
- É o azarão e tem quem goste de apostar em azarões
- Seria uma opção corajosa da academia e prestigiaria o cinema realmente independente, ou seja, aquele que não é patrocinado por braços dos grandes estúdios hollywoodianos

Contras:
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- Mesmo após a indicação, há o risco de muitos acadêmicos não verem sua performance
- É uma categoria essencialmente equilibrada e a vaga de “estrangeiro charmoso" já foi preenchida por Jean Dujardin

 Primeira indicação

O ator oculto

Um ator que sofre preconceito é Brad Pitt. Também pudera, diriam muitos, lindo do jeito que é! Pois Brad Pitt pôs a beleza de lado e revelou-se um ator meticuloso, com ótimas estratégias de carreira, excelente timing cômico e um incrível talento para se desafiar artisticamente. Por O homem que mudou o jogo vai pela terceira vez ao Oscar, a segunda em quatro anos. Já tem na bagagem um leão de ouro em Veneza e outra porção de atuações elogiadas pela crítica. Muitos críticos, aliás, o elegeram o melhor ator do ano, caso do prestigiado círculo de críticos de Nova Iorque. Fica a dica para o ex-rival Tom Cruise.

Prós:
- Tem dois filmes na disputa de melhor produção do ano e apresenta atuações consistentes em ambos
- Coleciona um impressionante número de boas atuações em ótimos filmes nos últimos anos. Está ficando difícil ignorar Brad Pitt
- Ganhou alguns prêmios da crítica na temporada
- Pode se beneficiar de uma divisão nos votos entre Jean Dujardin e George Clooney
- É daquele tipo de atuação que apela ao aspecto sentimental dos votantes. Isso pode contar

Contras:
- Não ganhou nenhum prêmio expressivo na temporada
- Na escala dos astros, perde para George Clooney
- A resistência e inveja que muitos têm do "Brangelina" pode privá-lo de alguns votos
- A percepção de que ele pode ser premiado mais adiante na carreira joga contra seus interesses também

Terceira indicação:
Indicações anteriores:
Melhor ator coadjuvante por Os doze macacos em 1996
Melhor ator por O curioso caso de Benjamin Button em 2009


Camaleão britânico

Já virou lugar comum se embasbacar com o fato de só aos 53 anos Gary Oldman, um ator estupendo, ter sido indicado ao Oscar. Essa peculiaridade esconde o fato de que em O espião que sabia demais, o ator está absoluto. Talvez não fosse merecedor da indicação pelo papel – existiam atores em melhor forma na disputa por uma vaga – mas não se discute o mérito de seu trabalho. Oldmam é quem menos tem chances de ganhar. Mas de todos os concorrentes, é o que há mais tempo faz por merecer a distinção que só o Oscar é capaz de prover.

Prós:
- É um ator historicamente negligenciado por prêmios e um Oscar nesse momento da carreira repararia essa injustiça
- O espião que sabia demais se constrói inteiramente sobre seu personagem e Oldman dá conta do recado. Performances assim já renderam prêmios a atores como Forest Whitaker (O último rei da Escócia) e Philip Seymour Hoffman (Capote)
- É britânico e atores britânicos costumam ser premiados pela academia
- A velha guarda da academia pode preferir o seu trabalho pausado e reflexivo às performances dos favoritos ao prêmio

 Contras:
- Não ganhou nem mesmo o Bafta, prêmio concedido pela Academia de Cinema Britânica
- Não foi indicado aos principais prêmios da temporada como SAG, Globo de ouro e Critic´s Choice Awards
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- Não é a melhor atuação do ano, nem de sua carreira. Portanto, seria ilógico premiá-lo

Primeira indicação


Mais Clooney, menos Clooney

Parecia improvável, mas George Clooney se superou novamente. Em 2011 dirigiu, produziu, escreveu e atuou em Tudo pelo poder, thriller político de primeira linha, pelo qual recebeu indicação ao Oscar de roteiro adaptado; e esteve a frente do elenco de uma pequena jóia do cinema independente chamada Os descendentes. São dois projetos que ratificam, mais uma vez, o tremendo talento e visão de Clooney enquanto artista de cinema.
Em Os descendentes ele apresenta uma de suas melhores atuações na figura de um homem maduro diante de adversidades que o redefinirão. A atuação em si já é notável, o conjunto da obra é muito mais do que isso.

Prós:
- É George Clooney
- Foi premiado em 2006 (quando tinha indicações por Syriana – a indústria do petróleo e Boa noite e boa sorte) e volta ao Oscar com dobradinha (Tudo pelo poder e Os descendentes)
- A safra que Clooney apresenta em 2012 é mais encorpada do que a que dispunha em 2006
- É o favorito ao prêmio e nos últimos anos o favorito tem prevalecido
- É a alma do filme e a academia tem reconhecido trabalhos assim nesta categoria nos últimos anos
- Vem colecionando grandes trabalhos em ótimos filmes e a ideia de premiá-lo novamente é muito difundida na indústria
- É uma figura querida pela academia
- Ganhou o Globo de ouro e o Critic´s Choice

Contras:
- É George Clooney
- O Oscar relativamente recente e o fato de estar sendo constantemente indicado ao Oscar podem afugentar alguns votos decisivos
- O próprio já admitiu que as melhores atuações do ano são dos concorrentes Brad Pitt e Jean Dujardin
- Perdeu o prêmio do sindicato dos atores

Sétima indicação
Indicações anteriores:
Melhor ator coadjuvante por Syriana – a indústria do petróleo em 2006
Melhor roteiro original por Boa noite e boa sorte em 2006
Melhor direção por Boa noite e boa sorte em 2006
Melhor ator por Conduta de risco em 2008
Melhor ator em Amor sem escalas em 2010
Vitória anterior:
Melhor ator coadjuvante por Syriana – a indústria do petróleo

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Momento Claquete # 27

Foi realizado na última segunda-feira (6) o Oscar Luncheon 2012, tradicional almoço oferecido pela academia em homenagem aos indicados do ano. Nesse evento, além da diplomação dos indicados do ano, há recomendações diversas por parte da direção da Acadêmia aos nomeados. Na foto, o francês Jean Dujardin brinca com George Clooney. Ambos polarizam as apostas para o Oscar de melhor ator  


O cineasta Steven Spielberg, indicado como produtor de Cavalo de guerra, chegou atrasado ao evento. Veterano de Oscar que é, está desculpado... 

O diretor Michel Hazanavicius e sua mulher, a atriz Bérénice Bejo, batem um papo com Meryl Streep enquanto esperam por seus diplomas...  


A atriz Rooney Mara, que também compareceu ao evento promovido pela Acadêmia, esteve no sábado à noite no festival de cinema de Santa Barbara, onde foi homenageada por sua atuação em Os homens que não amavam as mulheres. Na imagem, ela concede autógrafos na chegada ao evento.


Mara na companhia dos demais atores homenageados no festival. Da direita para a esquerda: Andy Serkis (O planeta dos macacos: a origem), Shailene Woodley (Os descendentes), Patton Oswalt (Jovens adultos), Mara e Demián Bichir (Uma vida melhor). O último a à esquerda é o mediador Dave Karger, crítico de cinema da revista Entertainment Weekly

Jonah Hill, indicado ao Oscar de ator coadjuvante por O homem que mudou o jogo, estampa ao lado de Channing Tatum o cartaz espanhol da refilmagem de Anjos da lei. O filme deve ser lançado no Brasil ainda no primeiro semestre

Demián Bichir ao lado de Rodrigo Santoro em foto de três anos atrás. Eles atuaram juntos sob as ordens de Steven Soderbergh em Che e deram vida aos irmãos Castro que há anos controlam a ilha cubana