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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Os dez melhores filmes do ano


Foi um bom ano. O balanço final da temporada 2012 é muito positivo. No entanto, dos dez filmes que integram o TOP 10 de Claquete, seis são lançamentos originais de 2011 que só chegaram em telas brasileiras este ano. A predominância das produções de 2011 na lista, no entanto, é mais sintoma das estratégias dos estúdios de concentrarem os chamados lançamentos de Oscar no início do ano seguinte. Outro aspecto que chama a atenção é a ausência de blockbusters no Top 10. Há, na verdade, um. Mas é um blockbuster que traz consigo o elemento surpresa. Com os aguardados lançamentos de Batman e 007, não se poderia esperar que uma comédia com um ursinho falante conseguisse roubar destes filmes uma vaga no top 10. Em parte pela decepção de muitos lançamentos aguardados e em parte por uma safra adulta de filmes independentes fortes e pulsantes, o top 10 dos melhores filmes de 2012 é bastante diverso e multifacetado. Há uma produção argentina, uma francesa, uma iraniana e duas inglesas. Quatro produções americanas e outra coproduzida com o Canadá. Diretores consagrados como David Fincher e David Cronenberg marcam presença na lista, mas dividem espaço com nomes ainda em consolidação como Steve McQueen, Michel Hazanavicius e Nicholas Jarecki.
Filmes que apostaram em uma estética ousada e em uma renovação da linguagem cinematográfica como A separação, Precisamos falar sobre o Kevin e Shame marcam presença na lista. Filmes bem realizados e com propostas revisionistas sobre suas referências, como O artista e Um método perigoso, também se destacam.
Sem mais delongas, os dez melhores filmes lançados comercialmente no Brasil na avaliação de Claquete:

10 – A separação (Jodaeiye Nader az Simin, Irã 2011), de Asgar Farhadi

A inteligente e impactante fita de Asghar Farhadi tem o mérito de ser, ao mesmo tempo, universal sobre conflitos essencialmente humanos e particular da realidade iraniana. Não é uma equação fácil, mas que Farhadi com os préstimos de seu excelente par de protagonistas (Peyman Maadi e Leila Hatami) alcança com um trabalho pulsante, em suas formulações narrativas, e angustiante, em suas resoluções dramáticas. Um testamento da força do cinema de ideias.



 9 – O artista (The artist, EUA/FRA 2011), de Michel Hazanavicius
Mudo, em preto e branco e sobre o cinema mudo e em preto e branco. O artista se esmera na nostalgia e na metalinguagem para proporcionar uma das grandes experiências cinematográficas do ano. Um filme que nasceu para ser visto no cinema por uma geração que não viveu na época retratada pelo filme de Michel Hazanavicius. Encantador e emocionante, o maior mérito de O artista é desarmar expectativas e cativar com sua genuína presença de espírito.



 8 – A negociação (Arbitrage, EUA 2012), de Nicholas Jarecki
Wall Street continua rendendo grandes dividendos cinematográficos. Mas A negociação é mais do que uma investigação da vida de ricos e poderosos. É um estudo algo vertiginoso de um homem que não sabe que está no limite até ultrapassá-lo. Richard Gere, vivendo um magnata das finanças em queda livre rumo à desgraça, tem o melhor momento de sua longeva carreira neste filme que merece ser descoberto.



7 – Elefante branco (Elefante blanco, ARG/ESP 2012), de Pablo Trapero
O cinema argentino parece favorecido por uma espécie de cota no TOP 10 do ano de Claquete. Trata-se apenas de uma impressão. O vigor do cinema portenho se confirma perene a cada ano. Pablo Trapero, um dos expoentes dessa cinematografia, volta a provocar palpitações com um drama tenso e poético sobre a violência nas favelas do país e, ainda, sobre a crise da fé. Da instituição igreja e também do homem que a move. 


6 – Procura-se um amigo para o fim do mundo (Seeking a friend for the ende of the world, EUA 2012), de Lorene Scafaria
A melancolia não seria a matéria prima ideal para uma comédia romântica. Mas esse precioso filme da diretora Lorene Scafaria não é uma comédia convencional. Com o apocalipse como pano de fundo, Procura-se um amigo para o fim do mundo fala sobre o poder transformador do amor. E o faz de maneira cativante e sensível. Um filme agridoce que faz do final triste, feliz e que nos desperta o desejo de amar, amar, amar!


5 – Um método perigoso (A dangerous method, EUA/CAN 2011), de David Cronenberg
Um Cronenberg verborrágico que mergulha nas entranhas da psicanálise, chancela Freud e se maravilha com a humanidade de Jung. O filme acompanha a formação de uma triangulação intelectual que se mostrou fundamental para o estabelecimento da psicologia moderna e o faz de maneira inteligente, despudorada e muito sofisticada.



4 – Ted (EUA 2012), de Seth MacFarlane
A comédia do ano é também um dos filmes mais originais e inteligentes produzidos no mainstream hollywoodiano nos últimos tempos. Mas de tão divertido, poucos notam essa condição. O filme do ursinho maconheiro e desbocado é uma crítica atroz a seu próprio público em um dos exercícios de metalinguagem mais bem feitos de todo o sempre e que demonstra que Seth MacFarlane, mais do que um legítimo entertainer, é alguém que tem algo dizer e sabe fazê-lo de maneira criativa.



3 – Precisamos falar sobre o Kevin (We need to talk about Kevin, ING 2011), de Lynne Ramsay
Com uma narrativa engenhosa e algo inquietante, Ramsay conduz uma trama de vertigem emocional e não poupa seu público das dúvidas. Sem respostas fáceis, esse drama sobre a relação de uma mãe e seu filho, que virá a ser o responsável por uma chacina em uma escola, se ergue sobre as vultosas sombras e incertezas da existência humana. Investigativo, doloroso, contínuo e sublime. Precisamos falar sobre o Kevin é daqueles filmes que se perpetuam em nossa memória. Muito pelo tema ruidoso, mas principalmente pela excelência com que é tratado pela obra.



2- Os homens que não amavam as mulheres (Millennium – The girl with the dragon tattoo EUA 2011), de David Fincher
David Fincher fez um trabalho tão minucioso e grave que o frio sueco é palpável para o espectador. Mas esse não é o maior mérito da versão americana do best seller que abre a trilogia Millennium. Fincher sublinha os conflitos dos personagens principais (Mikael e Lisbeth), e a complexa relação que eles desenvolvem entre si, e faz destes o carro chefe da trama e não o instigante caso que move a narrativa. Um movimento que acresce profundidade ao filme que, independentemente disso, se configura também em entretenimento inteligente e refinado.


1- Shame (ING 2011), de Steve McQueen
Eis um filme que agrega ousadia estética à relevância dramática. Renunciando qualquer academicismo e usando o corpo de Michael Fassbender como um discurso artesanal, valendo-se muito de sua experiência como artista plástico, McQueen realiza um filme impactante sobre a superficialidade das relações interpessoais nos tempos modernos. Do maniqueísmo de nossas ações ao egoísmo de nossas reações, Shame concentra sua munição no mundo de Brandon, um homem viciado em sexo que no curso do filme toma ciência da gravidade de seu quadro.
Uma obra demolidora, pulsante e artisticamente atraente destinada ao culto, mas também uma radiografia inequívoca de nosso tempo.


sábado, 29 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Claquete destaca o melhor do ano

Os cinco melhores trabalhos de direção do ano


Asghar Farhadi (A separação)


Ben Affleck (Argo)

Steve McQueen (Shame)


David Cronenberg (Cosmópolis)

Lynne Ramsey (Precisamos falar sobre o Kevin)


Os cinco melhores roteiros do ano
Argo por Chris Terrio
Um método perigoso por Christopher Hampton
Ted por Seth MacFarlane
Moonrise kingdom por Wes Anderson e Roman Coppola
A negociação por Nicholas Jarecki

As cinco melhores trilhas sonoras
O artista por Ludovic Bource
Cavalo de guerra por John Williams
Drive por Cliff Martinez
Moonrise kingdom por Alexandre Desplat
As aventuras de Pi por Mychael Danna 

As cinco melhores fotografias
007 – operação Skyfall por Roger Deakins
Cavalo de guerra por Janusz Kaminski
Drive por Newton Thomas Siegel
Shame por Sean Bobbitt
As aventuras de Pi por Claudio Miranda

As cinco melhores edições
O artista por Michel Hazanavicius e Anne-Sophie Bion
Precisamos falar sobre o Kevin por Joe Bini
A separação por Hayedeh Safiyari
Virada no jogo por Lucia Zucchetti
Os homens que não amavam as mulheres por Kirk Baxter e Angus Wall


As cinco melhores atuações masculinas  

Jean Dujardin em O artista

Richard Gere em A negociação


George Clooney em Os descendentes

Michael Fassbender em Shame

Rodrigo Santoro em Heleno


As cinco melhores atuações femininas

Rooney Mara em Os homens que não amavam as mulheres

Tilda Swinton em Precisamos falar sobre o Kevin


Naomi Watts em O impossível

Michelle Williams em Sete dias com Marilyn

Gleen Close em Albert Nobbs


As cinco melhores atuações coadjuvantes masculinas

Ezra Miller em Precisamos falar sobre o Kevin & As vantagens de ser invisível

Javier Bardem em 007 – operação skyfall

Albert Brooks em Drive

Nanni Moretti em Habemus papam


Garrett Hedlund em Na estrada


As cinco melhores atuações coadjuvantes femininas

Jessica Chastain em Histórias cruzadas


Shailene Woodley em Os descendentes


Carey Mulligan em Shame


Keira Knightley em Um método perigoso


Bérénice Bejo em O artista 



Os dez filmes que não entraram no TOP 10 do ano de Claquete, que será publicado neste domingo (30), em ordem alfabética: 

007 - operação skyafall (Skyfall, EUA 2012), de Sam Mendes
Argo (EUA 2012), de Ben Affleck
As aventuras de Pi (Life of Pi EUA 2012), de Ang Lee
Cavalo de guerra (War horse, EUA 2011), de Steven Spielberg
Cosmópolis (CAN/EUA 2012), de David Cronenberg
Drive (EUA/DIN 2011), de Nicolas Winding Refn
Moonrise kingdom (EUA 2012), de Wes Anderson
O homem da máfia (Killing them softley, EUA 2012), de Andrew Dominik
O homem que virou o jogo (Moneyball, EUA 2011), de Bennett Miller
Virada no jogo (Game change, EUA 2012), de Jay Roach

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Os dez personagens do ano


10 – David (Michael Fassbender) em Prometheus

O filme de Ridley Scott pode não ter sido a sensação que se anunciava, mas o humanóide vivido por Michael Fassbender com um fino gosto por clássicos do cinema é daqueles grandes achados da ficção científica. David é pura filosofia, mas é, também, um tratado pop em um filme que nunca alcança suas potencialidades.

9 – Raoul Silva (Javier Bardem) em 007 – Operação Skyfall

Sexualmente ambíguo, amoral em sua busca por vingança e tragicamente shakespeariano em suas motivações, Silva (oxalá o mais cativante de todos os vilões de 007) é um personagem que se redime na composição matadora do espanhol Javier Bardem. Outro ator talvez não desse um verniz tão bom a um vilão de tintas tão pasteurizadas.


8- The driver (Ryan Gosling e Mel Gibson) em Drive e Plano de fuga

Tão semelhantes e tão distintos. Ambos sem nome, mas com talentos impensáveis para autônomos na arte do crime mereciam a distinção irmanada nessa lista. Em Drive, Ryan Gosling faz um tipo silencioso em um noir que reverencia os filmes b americanos dos anos 70. Já em Plano de fuga, Gibson faz um tipo que parece saído da pena de Tarantino, um fanático pelo período que Drive homenageia. Ambos os personagens são guiados por um sentimento de honra algo torto que move a ação de seus respectivos filmes. Esses “estranhos sem nome” certamente deixaram suas marcas em 2012.


7- Dean Moriarty (Garrett Hedlund) em Na Estrada

Um verdadeiro vulcão de sexualidade. É Dean quem fervilha toda a razão de ser de Na estrada. Desde a inspiração que fez com que Sal Paradise escrevesse em primeiro lugar, até a torrente de paixões pelas quais os aventureiros atravessaram ao redor dos EUA. Na construção inspirada de Hedlund, o Dean das telas não é menos catalisador. É um poderoso ímã para os olhos e uma montanha de atração para todo o resto.


6- Chayenne (Sean Penn) em Aqui é o meu lugar

Um misto de Ozzy Osbourne e Gene Simmons da maneira mais lesada possível. Essa é uma descrição aproximada desse roqueiro perdido vivido com esplendor e graça por Sean Penn. Chayenne é daqueles enigmas que o cinema vez ou outra apresenta. Um personagem tão interessante quanto o próprio filme e que indubitavelmente, em alguns momentos, até mesmo prevalece em relação ao filme. Com ar infantil, Chayenne busca paz interior e também com seu passado no curso de Aqui é o meu lugar, mas o faz com maneirismos e peculiaridades que valem o ingresso.

5- Eric Packer (Robert Pattinson) em Cosmópolis

A personificação do capitalismo em toda a sua frieza, volatilidade e esplendor. Eric Packer é um dos personagens mais marcantes de 2012 e, na face desapaixonada de Robert Pattinson, cristalizou toda a falência (e o sucesso híbrido a ela) do sistema que ergueu o mundo como o conhecemos.  

4 - Lisbeth Salander (Rooney Mara) em Os homens que não amavam as mulheres

A personagem não é exatamente de 2012, nem mesmo originária do cinema. Mas a versão americana de Os homens que não amavam as mulheres brindou-nos logo em janeiro de 2012 com uma Lisbeth renovada, mais crua, violenta, emocional e ainda assim a Lisbeth que nos cativou nos livros. Uma personagem tão icônica melhorada não poderia deixar de marcar presença na lista.

3 - Kevin (Esra Miller e Jasper Newell) Precisamos falar sobre o Kevin

A realidade fez com que Kevin subisse na lista de Claquete. O personagem, fascinante em perspectivas mórbidas que tanto nos acentuam, já marcaria presença na lista. Eis outro personagem com raízes nos livros, mas que o massacre de Newton há poucas semanas fez com que aumentasse a necessidade de falarmos sobre ele. E muito!

2- Brandon (Michael Fassbender) em Shame

A melancolia da vida moderna cai como uma luva em um personagem que se esconde em seus vícios como tantos fazem nessa vida atribulada que vivemos. Brandon é prisioneiro de sua liberdade e padece diariamente deste mal que não conseguimos nem mesmo diagnosticar. Seu flagelo emocional se contrapõe a bem aventurança material de sua vida em um aspecto que torna o personagem paradoxalmente banal e único.

1- Ted (voz de Seth Macfarlane) em Ted

Ele “causou” até com um nobre deputado brasileiro. Maconheiro, boca suja, misógino, mas camarada pra caramba com seu dono – vivido por Mark Wahlberg – Ted foi o personagem de 2012. Hilário, o ursinho mais divertido desde os ursinhos carinhosos (mas não diga isso para ele), garantiu o topo nessa lista do mesmo jeito que foi garantindo suas promoções no trabalho que mantinha inacreditavelmente em um supermercado.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Cenas de cinema (gente)


Keira reloaded
Uma, nesse momento ainda improvável, indicação ao Oscar por Anna Karenina pode fechar com chave de ouro o ciclo de 2012 para a inglesa Keira Knightley. 2012, mais do que qualquer outra coisa, significou um ano de reengenharia de carreira para atriz. No Brasil, foram lançados três trabalhos da atriz (um de 2010, um de 2011 e outro desse ano) que mimetizam essa mudança. Apenas uma noite, Um método perigoso e Procura-se um amigo para o fim do mundo revelam que Keira é uma atriz bem diferente daquela que brilhou em Rei Arhtur e Piratas do Caribe: a maldição do perola negra há uma década.

Tom sobre tom

Tom Cruise sempre foi um astro e faz parte do trabalho ter um ano agitado. Mas 2012 foi um caso à parte. Começou com Cruise registrando a maior bilheteria de sua carreira por Missão impossível 4: protocolo fantasma; o que para muitos foi uma surpresa. Por duas razões, Cruise já estaria na curva descendente de sua carreira e o terceiro filme da série foi um relativo fiasco que possibilitou a primeira percepção. Mas foi lá para o meio do ano que a coisa apertou de vez! Um divórcio, cujas razões seriam dissecadas nos meses seguintes, chacoalhou o chão de Tom Cruise. Devolveu a cientologia, religião da qual o ator é “garoto propaganda”, ao olho do furacão e expôs a intimidade de Cruise de um jeito que jamais ocorreu antes. De quebra, Rock of ages, musical reverente aos anos 80, foi um fracasso. Mas Cruise, que cantou e rebolou, salvou-se. 2012 se vai com Cruise voltando à carga promocional com novo lançamento na praça, Jack Reacher, e a esperança por um 2013 mais calmo. Pelo menos do lado de cá da telas.


Pão francês
Ah, aquele sotaque... o inglês descalibrado de Jean Dujardin não é problema. Tanto é que o ator vencedor do Oscar por O artista já engatilhou projetos nos EUA. É lógico que Dujardin, que periga roubar de Javier Bardem o título de ator estrangeiro mais festejado em Hollywood, precisa melhorar seu inglês. Mas, aquele sotaque...

Dujardin, o bem amado: o negócio dele é o sotaque...


O ano de Matthew McConaughey
Poucas pessoas criam que McConaughey fosse capaz de fugir daquela armadilha de mostrar o tórax definido em seus filmes. Poucos criam que o ator, já com 43 anos, pudesse voltar a suscitar aquele bom burburinho do início da carreira. O movimento, é verdade, começou em 2011 com o ótimo O poder e a lei, mas se cristalizou em 2012. O mais divertido dessa história toda, é que não só McConaughey não deixou de exibir o tórax, como mostrou seus glúteos igualmente definidos em Magic Mike. E pode ser premiado por isso! Ok, não só por isso. O ator provou em filmes como The paperboy, Killer Joe, Bernie e Mud (todos inéditos no Brasil) que há um coração de ator batendo embaixo desse tórax que pela última vez será mencionado nesse texto... 

2012 foi tão bom para o ator que praticamente não se falou no tórax de Matthew McConaughey



Sexy e com conteúdo
Ele foi eleito o homem mais sexy do ano pela revista People e um dos homens do ano pela revista masculina GQ. 2012, por isso e por outras coisas, será mesmo lembrado como um ano especial para Channing Tatum. Presente em quatro lançamentos do ano, mais do que qualquer outra coisa, Tatum provou que amadureceu como intérprete. Revelou timing cômico no remake da série de tv Anjos da lei, foi galã romântico em Para sempre, rebolou e arrancou suspiros em Magic Mike e entrou mudo e saiu quase calado de A toda prova, onde iniciou uma parceria com o cineasta Steven Soderbergh. Tatum, cada vez mais versátil como ator, é o boa pinta do ano!


Travoltagate
Depois de um 2011 tenebroso, com a morte do filho e a explosão de denúncias sobre sua homossexualidade, 2012 não aliviou para John Travolta. Sua sexualidade continuou no centro do interesse de tabloides sensacionalistas que viram pipocar processos de “prestadores de serviços” que se diziam assediados por Travolta. O escândalo diminuiu com a exposição de alguns aproveitadores, mas o volume de denúncias fez esmorecer o casamento do ator com Kelly Preston.

Tristeza familiar!
Se muita gente aguardava com ansiedade o retorno de Ridley Scott ao universo Alien em Prometheus, ninguém esperava que seu irmão caçula, Tony Scott simplesmente se jogasse de uma ponte em São Francisco, Califórnia. O diretor escolheu se matar aos 68 anos justamente quando se preparava para revistar o seu maior sucesso, Top Gun – ases indomáveis (1986). Muito se especulou a respeito das razões que motivaram o inesperado suicídio de um diretor de talento e sucesso. Até um câncer incurável foi aventado. Nenhuma resposta, porém, emergiu da corrente perturbadora de boatos que tomou todos de assalto.

O drama de Kristen e Robert...
É, não é? Se eles já estão juntos novamente, por que falar sobre isso? Simplesmente porque foi o bafo do ano. A própria imprensa americana andou fazendo autoanálise por ter mergulhado tão profundamente em um assunto tão... particular. Alcoviteiros que somos, bombamos a audiência de sites de fofoca e ficamos estarrecidos com as fotos dos amassos de Kristen Stewart e de seu diretor em Branca de neve e o caçador Rupert Sanders. A dúvida que assola o mundo é se torcemos para que agora a coisa dê certo ou se queremos ver a agonia de Robert novamente? Ó dúvida cruel!

Back together: a família de Pattinson desaprovou, mas ele voltou a voar com Kristen Stewart...


... e de outros casais
Tom e Kate, como já abordado aqui, também se separaram. Dennis Quaid foi outro que pôs fim a seu relacionamento com a atriz Kimberly Buffington-Quaid. Já Brad Pitt e Angelina Jolie seguem firmes e fortes, apesar das numerosas capas sugerindo o contrário. A última pendenga ente o casal seria o peso de Brad Pitt que, parece, está incomodando a magérrima Angelina Jolie. O duradouro casamento de Johnny Depp e Vanessa Paradis também teve fim em 2012. O ator inclusive já está distribuindo presentes (carro e mansão foram alguns dos mimos) para sua nova paixão, a atriz Amber Heard; com quem contracenou em O diário de um jornalista bêbado (2011).

Tudo sobre Spielberg
Steven Spielberg entrou e se despede de 2012 na boca do povo. Em Janeiro, estrearam no Brasil dois filmes assinados pelo cineasta (Cavalo de guerra e As aventuras de Tintim). Spielberg foi novamente ao Oscar, com seu épico passado na primeira guerra mundial, e agora se prepara para chegar à festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood na roupa de favorito, com Lincoln. A fita estrelada por Daniel Day Lewis já é o filme “adulto” de Spielberg de maior bilheteria de sua carreira nos EUA. Não obstante, o filme que fez de Spielberg, Spielberg ganhou um lançamento caprichado em Blu-ray que ganhou o noticiário internacional. 2012, talvez mais do que qualquer outro ano improvisou a máxima: diretores vem e vão, Spielberg fica!

Um é pouco, dois é bom...
Spielberg não está sozinho nesse negócio de lançar mais de um filme em um ano. Se em 2011 ele lançou dois filmes, em 2012 teve muito diretor fazendo o mesmo. A começar por outro Steve. Steven Soderbergh, na verdade, deixou A toda prova para este ano. A fita de ação recheada de astros está no mesmo nível de satisfação da dramédia recheada de fortões em trajes sumários Magic Mike. David Cronenberg também manteve o nível de excelência que lhe é característico em seus dois lançamentos do ano: Um método perigoso, originalmente de 2011, e Cosmópolis. Já Tim Burton, como sempre, dividiu a crítica com Sombras da noite, mas a reconquistou com o lúdico e nostálgico Frankenweenie. O brasileiro Breno Silveira, na sua apropriação da música nacional, em 2012 foi de Robert Carlos (À beira do caminho) a Gonzagão e Gonzaguinha (Gonzaga – de pai para filho).


Clint Eastwood de A a Z
Clint Eastwood sempre foi um republicano fervoroso, ainda que mais recentemente tenha abraçado algumas causas historicamente ligadas ao partido democrata, como o casamento entre homossexuais e a eutanásia. Aos 82 anos, Eastwood foi a estrela da convenção republicana que consagrou Mitt Romney como candidato à presidência dos EUA. Seu discurso duro e veemente contra as principais políticas do governo Obama fizeram com que muita gente ao redor do planeta, no Brasil inclusive, declarasse Eastwood persona non grata. Isso talvez ajude a explicar o desempenho mediano de Curvas da vida, filme que marcou seu retorno à condição de ator – a qual ele havia declarado em 2008 ter se aposentado. Assim como abrilhantou e produziu manchetes para o evento republicano, ele fez o mesmo com esse dispensável filme de Robert Lorenz, seu assistente de direção. No cinema e na política, Eastwood continua a demonstrar vigor e a atrair interesse.

Clint e a cadeira: de J.Edgar a Obama, são as curvas da vida...


50 anos em um ano
George Clooney seria um ímã para o noticiário simplesmente por ser George Clooney. Em 2012 concorreu ao Oscar, foi preso (isso mesmo), se separou da namorada, voltou com a namorada, se engajou na campanha de reeleição de Barack Obama, gravou o novo longa de Alfonso Cuáron (Gravity) e iniciou a pré-produção de seu novo longa-metragem como diretor The monuments men. Bem, você deve estar estranhando o fato de Clooney ter sido preso, né? Para quem não se lembra, ele e seu pai foram presos após iniciarem protestos em frente a embaixada do Sudão em Washington. Clooney é forte ativista pela paz na região que atravessa uma série de conflitos políticos que já provocaram milhares de mortes. Essa foi apenas a mais drástica medida tomada por Clooney que se envolve diariamente na busca de soluções humanitárias para a região.

Clooney preso em protesto em março: conscientização a qualquer preço...


As viagens dos diretores brasileiros
Em uma sinergia pouco usual, três diretores brasileiros lançaram projetos internacionais em 2012. O mais pomposo e aguardado deles, com certeza, era Na estrada, de Walter Salles. Que foi recebido com certa frieza em sua premiere em Cannes e ainda está para alçar voo internacional. No Brasil, passou praticamente em brancas nuvens. Não menos ambicioso, mas com resultado igualmente questionado pela crítica internacional foi 360, de Fernando Meirelles. Ambos os projetos financiados de maneira independente, mas com joias hollywoodianas a reluzir não obtiveram o êxito que se podia esperar. Já 12 horas, produção comercial com alguma calibragem, marcou a estreia em Hollywood do pernambucano Heitor Dhalia. Ele detestou a experiência. Em termos de crítica, no entanto, foi o que ficou mais perto do consenso. Não que tenha sido um consenso maravilhoso...

Nasce uma estrela de cinema

Ela estará no próximo filme da franquia Velozes e furiosos e foi a primeira integrante confirmada da versão feminina de Os mercenários. Isso tudo porque Gina Carano, ex-lutadora de MMA e agora (ótima) atriz se revelou para Hollywood em 2012 no movimentado A toda prova, em que Steven Soderbergh a coloca para bater em Ewan McGregor, Antonio Bandeiras, Channing Tatum e Michael Fassbender. Linda, com uma expressão física vibrante e disciplinada (cortesia do background do MMA), Carano tem tudo para vingar como heroína de ação.

Sai zica!
Era para ele explodir em 2012, no entanto, Taylor Kitsch implodiu. Não teve pé frio mais expressivo do que ele em todo ano em Hollywood. Ligado a três projetos hypados, sendo dois francos blockbusters, Kitsch patrocinou com seu protagonismo os dois blockbusters de maior fracasso da temporada e ainda brindou Oliver Stone com um improvável flop de bilheteria. Selvagens é ótimo, mas não resistiu ao “charme” de Kitsch e assim como John Carter – entre dois mundos e Battleship – a batalha dos mares, afundou nas bilheterias americanas.

Kitsch: sem sal...