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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - O impacto da lista do sindicato dos produtores na corrida pelo Oscar

Cena de Moonrise kingdom: cada vez mais sério candidato a "surpresa" entre os indicados a melhor filme no Oscar 2013
 
 
Foram anunciados nessa quarta-feira os indicados ao Producers Guild Awards (PGA), prêmio do sindicado dos produtores. Entre os dez filmes lembrados, nenhuma surpresa propriamente dita. Muitos acreditam que a lembrança de 007- operação Skyfall pode ser rotulada como tal, mas Claquete já observava que o filme era o blockbuster do ano na temporada de premiações. Além de ser um ótimo filme, o último James Bond foi beneficiado por uma temporada de blockbusters decepcionantes. Sua inclusão, no entanto, não lhe assegura vaga no Oscar. Embora ela não possa ser descartada justamente pela cota dos filmes blockbusters no prêmio da academia. Ainda assim, Operação Skyfall no Oscar não seria uma surpresa, mas sua presença é improvável. Uma vez que é preciso liderar 5% das preferências entre os acadêmicos para conquistar uma indicação a melhor filme. Nesse cenário, o indie Moonrise kingdom é que mais se ajusta a uma possível nomeação. Tendo estreado em Cannes e feito bela carreira comercial, o filme pode muito bem roubar a vaga de independente do ano de Indomável sonhadora, esse sim uma surpresa na lista do PGA. Surpresa porque o filme desapareceu das premiações prévias ao Oscar e se o anúncio dos indicados ao Oscar não fosse na próxima semana, talvez a menção no PGA pudesse impulsionar a candidatura do filme.
Justamente pelas indicações ao Oscar estarem dobrando a esquina que a força do PGA está ainda mais reduzida neste ano. A bem da verdade, o PGA é um indicador mais eficiente do vencedor do Oscar de melhor filme do que de seus concorrentes. Na temporada 2012/2013 essa característica deve ser ainda mais forte em virtude da antecipação proposta pela Academia.
Isso posto, Argo, A hora mais escura, Os miseráveis, O lado bom da vida, Lincoln e As aventuras de Pi já eram filmes dados como certo entre os concorrentes a melhor filme. Todos lembrados pelo PGA. Django livre, Operação Skyfall, Indomável sonhadora e Moonrise kingdom, filmes aventados para a corrida ao Oscar de melhor filme, permanecem incógnitas nessa conjuntura.
O que talvez tenha mais impacto na lista dos indicados ao Oscar que conheceremos na próxima semana seja o conturbado sistema de votação online instituído pela Academia como opção para seus eleitores neste ano. Essa mudança, juntamente ao estreitamento do calendário, pode gerar anomalias. A academia estendeu o prazo para as votações e distribuiu às pressas mais cédulas de papel. Nada garante, no entanto, que haja volume suficiente de votos para impedir surpresas. Sejam elas boas ou ruins.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Os dez personagens do ano


10 – David (Michael Fassbender) em Prometheus

O filme de Ridley Scott pode não ter sido a sensação que se anunciava, mas o humanóide vivido por Michael Fassbender com um fino gosto por clássicos do cinema é daqueles grandes achados da ficção científica. David é pura filosofia, mas é, também, um tratado pop em um filme que nunca alcança suas potencialidades.

9 – Raoul Silva (Javier Bardem) em 007 – Operação Skyfall

Sexualmente ambíguo, amoral em sua busca por vingança e tragicamente shakespeariano em suas motivações, Silva (oxalá o mais cativante de todos os vilões de 007) é um personagem que se redime na composição matadora do espanhol Javier Bardem. Outro ator talvez não desse um verniz tão bom a um vilão de tintas tão pasteurizadas.


8- The driver (Ryan Gosling e Mel Gibson) em Drive e Plano de fuga

Tão semelhantes e tão distintos. Ambos sem nome, mas com talentos impensáveis para autônomos na arte do crime mereciam a distinção irmanada nessa lista. Em Drive, Ryan Gosling faz um tipo silencioso em um noir que reverencia os filmes b americanos dos anos 70. Já em Plano de fuga, Gibson faz um tipo que parece saído da pena de Tarantino, um fanático pelo período que Drive homenageia. Ambos os personagens são guiados por um sentimento de honra algo torto que move a ação de seus respectivos filmes. Esses “estranhos sem nome” certamente deixaram suas marcas em 2012.


7- Dean Moriarty (Garrett Hedlund) em Na Estrada

Um verdadeiro vulcão de sexualidade. É Dean quem fervilha toda a razão de ser de Na estrada. Desde a inspiração que fez com que Sal Paradise escrevesse em primeiro lugar, até a torrente de paixões pelas quais os aventureiros atravessaram ao redor dos EUA. Na construção inspirada de Hedlund, o Dean das telas não é menos catalisador. É um poderoso ímã para os olhos e uma montanha de atração para todo o resto.


6- Chayenne (Sean Penn) em Aqui é o meu lugar

Um misto de Ozzy Osbourne e Gene Simmons da maneira mais lesada possível. Essa é uma descrição aproximada desse roqueiro perdido vivido com esplendor e graça por Sean Penn. Chayenne é daqueles enigmas que o cinema vez ou outra apresenta. Um personagem tão interessante quanto o próprio filme e que indubitavelmente, em alguns momentos, até mesmo prevalece em relação ao filme. Com ar infantil, Chayenne busca paz interior e também com seu passado no curso de Aqui é o meu lugar, mas o faz com maneirismos e peculiaridades que valem o ingresso.

5- Eric Packer (Robert Pattinson) em Cosmópolis

A personificação do capitalismo em toda a sua frieza, volatilidade e esplendor. Eric Packer é um dos personagens mais marcantes de 2012 e, na face desapaixonada de Robert Pattinson, cristalizou toda a falência (e o sucesso híbrido a ela) do sistema que ergueu o mundo como o conhecemos.  

4 - Lisbeth Salander (Rooney Mara) em Os homens que não amavam as mulheres

A personagem não é exatamente de 2012, nem mesmo originária do cinema. Mas a versão americana de Os homens que não amavam as mulheres brindou-nos logo em janeiro de 2012 com uma Lisbeth renovada, mais crua, violenta, emocional e ainda assim a Lisbeth que nos cativou nos livros. Uma personagem tão icônica melhorada não poderia deixar de marcar presença na lista.

3 - Kevin (Esra Miller e Jasper Newell) Precisamos falar sobre o Kevin

A realidade fez com que Kevin subisse na lista de Claquete. O personagem, fascinante em perspectivas mórbidas que tanto nos acentuam, já marcaria presença na lista. Eis outro personagem com raízes nos livros, mas que o massacre de Newton há poucas semanas fez com que aumentasse a necessidade de falarmos sobre ele. E muito!

2- Brandon (Michael Fassbender) em Shame

A melancolia da vida moderna cai como uma luva em um personagem que se esconde em seus vícios como tantos fazem nessa vida atribulada que vivemos. Brandon é prisioneiro de sua liberdade e padece diariamente deste mal que não conseguimos nem mesmo diagnosticar. Seu flagelo emocional se contrapõe a bem aventurança material de sua vida em um aspecto que torna o personagem paradoxalmente banal e único.

1- Ted (voz de Seth Macfarlane) em Ted

Ele “causou” até com um nobre deputado brasileiro. Maconheiro, boca suja, misógino, mas camarada pra caramba com seu dono – vivido por Mark Wahlberg – Ted foi o personagem de 2012. Hilário, o ursinho mais divertido desde os ursinhos carinhosos (mas não diga isso para ele), garantiu o topo nessa lista do mesmo jeito que foi garantindo suas promoções no trabalho que mantinha inacreditavelmente em um supermercado.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Dez sensações cinematográficas de 2012




10 – A Tóquio de Abbas Kiarostami
O olhar estrangeiro faz maravilhas por cenários urbanos pós-modernos como Tóquio. Desde que Sofia Coppola ajudou a tornar a capital japonesa cult no ocidente com Encontros e desencontros, a cidade não era capturada de maneira tão apaixonada e minimalista. Kiarostami fez de Tóquio um estado de espírito em Um alguém apaixonado.

9 – Descobrindo Georges Méliès
A grande atração de A invenção de Hugo Cabret, outra carta magna cinematográfica de Scorsese, é iluminar a figura de um dos pais do cinema. O mágico francês que ajudou a ficcionalizar a nascente sétima arte é o principal cerne do filme vencedor de cinco Oscars neste ano. O momento em que, com o préstimo do 3D, a obra de Méliès é reproduzida em frente a nossos olhos, a cinefilia ganha novo sentido.

8 – E agora?
Se houve um filme poderoso em 2012, esse filme foi A separação. A fita iraniana sufoca o espectador com inteligência e foco narrativo, em uma demonstração de força do cinema daquele país. A última cena, em que o casal que enfrenta um intrincado e muito complexo processo de divórcio, espera a decisão sobre com quem ficará a filha – sonegada para o público em vã objetividade – é das coisas mais emocionais e inquietantes surgidas no cinema em 2012.

7 – Fim do mundo... apaixonados!
Em uma época em que muito se fala sobre o fim do mundo, um filme teve a ousadia de especular sobre o comportamento humano em face do apocalipse. E enxergou no amor, a mais perene e sofisticada criação da humanidade, o remédio para a agonia provocada pela iminência do fim. A última cena de Procura-se um amigo para o fim do mundo é, nesse sentido, de uma força absurda. Os desamparados, em toda a sua existência, personagens de Keira Knightley e Steve Carell, enfim, encontraram paz um no outro.

6 – Vingadores reunidos
Por muito tempo se esperou para que o supergrupo da Marvel se reunisse no cinema. Em termos efetivos, no entanto, a espera começou ao fim de Homem de ferro (2008). Em 2012, eles finalmente estiveram juntos em Os vingadores e foi impossível não vibrar com o apelo cinematográfico dessa reunião de super-heróis ensejada por uma constelação de astros igualmente impressionante.

5 – O exame de próstata
Só em um filme de David Cronenberg para um procedimento tão indesejado e algo asséptico soar sexy. Em Cosmópolis, o personagem de Robert Pattinson, submetido a  um exame de próstata em sua limusine enquanto fala sobre pandemia econômica com uma assessora, experimenta elevações de tesão. Assim como sua assessora. Apenas Cronenberg poderia fazer a combinação economia e exame de próstata ser tão erótica...

4 – Precisamos falar sobre esse filme
Precisamos falar sobre o Kevin é um trator emocional na maneira como não facilita respostas às muitas perguntas que enseja no espectador. Depois de seu apoteótico, e ainda assim simplista, final, o filme de Lynne Ramsey joga o espectador contra a parede sufocado em seus questionamentos existenciais.

3 – Deixando o céu cair
As aberturas de 007 são sempre, por elas mesmas, acontecimentos. Mas Operação Skyfall certamente é um dos picos da série. Tanto o filme, como comprovam a bilheteria e as críticas, como a abertura. A música interpretada por Adele, "Let the sky fall", beira o sublime no adorno que faz da angústia do personagem e casa perfeitamente com a abertura mais filosófica da história de Bond.

2 – A dor de Brandon
Existe um momento no excepcional Shame, que é possível para o espectador dimensionar a angústia diária de Brandon, personagem viciado em sexo vivido por Michael Fassbender. É quando ele, no auge de uma noite em que se esgueirou em todo tipo de lugar em busca de sexo, ao atingir o orgasmo revela uma face de profunda tristeza. Um momento doce, doloroso e surpreendente que marcará a lembrança deste filme e, também, do ano de 2012.

1 - O silêncio e a música em O artista
Nos dias de hoje, dá para se dizer que poucos tiveram o privilégio de ver um filme mudo no cinema. O artista, em sua ode à gênese da indústria cinematográfica americana, recupera o valor dessa experiência. E o faz com o auxílio da música. Uma experiência saudosista com ar de inovação. O retorno ao simples ditou o sucesso do grande vencedor do Oscar 2012 e cativou plateias do mundo todo.

domingo, 4 de novembro de 2012

Repercutindo 007 - operação Skyfall


É Operação Skyfall o filme definitivo de James Bond? É melhor que essa resposta seja negativa. Se o 23º filme do agente secreto à serviço de sua majestade é um triunfo de narrativa e um acerto do ponto de vista da necessidade de atualizar o personagem, é também uma demonstração eloquente de que Bond está se perdendo de si mesmo. Há menos histrionismo na caracterização de um universo que sempre foi marcado pelo exagero, beirando a sátira. O personagem também mudou. Não que se faça uma defesa do sexismo, e James Bond sempre foi o personagem mais sexista do cinema. Mas o Bond que surge em Operação Skyfall, e que surgiu nos dois filmes anteriores, está longe de ser aquele mulherengo convicto. Ele quase se corrói de possuir uma mulher. O humor é outra matéria prima deixada de lado. As fases estreladas por Roger Moore e por Pierce Brosnan têm grande parte de seu apelo na forma bem humorada que sublinhavam os absurdos do universo que retratavam. O fato da atual fase protagonizada por Daniel Craig se levar a sério demais, nesse sentido, pode ser outro problema nessa espiral de distanciamento de Bond de si mesmo.
Paradoxalmente, Operação Skyfall é o filme que mais aproximou James Bond de si mesmo em um recorte totalmente diverso do que esse texto propunha até o momento. Não só o filme vislumbra Bond encarando seu passado em um momento de regressões emocionais que podem favorecer outros bons momentos na série, como faz com que o personagem cresça emocionalmente – deixando de ser um pêndulo ajustável por cada intérprete. O que reforça o domínio de Daniel Graig sobre o personagem. Mas não só. Operação Skyfall é clássico na administração inteligente que faz do histórico da franquia, resgatando elementos consagrados – como a tensão sexual entre Bond e Moneypenny e o Aston Martin DB5 usado em Goldfinger – e na proposição de elementos novos para a continuidade da franquia – além de contribuir para galeria dos grandes momentos da série com um vilão efeminado que flerta com Bond e o fim de um ciclo que ajudou a revitalizar o gás da franquia.
Dessa forma, Operação Skyfall se inscreve como um filme complexo dentro da franquia. Importante, reverente, ousado, renovado. Sam Mendes parece assinalar, melhor do que fizeram Martin Campbell e Marc Foster, que o James Bond de ontem não pode fazer sombra ao James Bond de hoje. Aos nostálgicos, no entanto, o Bond de Mendes dá uma piscadinha. Mas não mais que isso.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Crítica: 007- operação Skyfall


Íntimo e pessoal

007-operação Skyfall (Skyfall, ING/EUA 2012) tem o mérito de ser o típico filme de James Bond e, simultaneamente, ser um filme incomum de James Bond. Esse aparente paradoxo, que se alimenta constantemente do passado do personagem e de toda a sua mitologia, é orquestrado com fina desenvoltura pelo cineasta Sam Mendes. O diretor aprofunda a proposta de um 007 mais dramático e tridimensional em um filme que menos parece um evento e mais um estudo de personagem. Há pontos positivos e negativos nessa proposta.
Logo no início, em operação na Turquia, Bond é dado como morto após uma mal sucedida operação para reaver uma lista com o nome de todos os agentes infiltrados em células terroristas ao redor do globo. Flagramos, então, um Bond desamparado e entregue a vícios que retorna ao MI6 quando este sofre um atentado. Ele é pessoalmente encarregado por M (Judi Dench) de descobrir o paradeiro da lista e deter os responsáveis por todo esse transtorno. É aí que entra Silva (Javier Bardem), um vilão carismático, assustador, engraçado e tão imprevisível quanto somente um ator com a capacidade de transmutação e decalque que Javier Bardem ostenta poderia encarnar. Silva é um ex-agente que se sente traído por M e mais adiante compreenderemos suas razões.
Ao apresentar um vilão em busca de vingança, Operação Skyfall dá um passo a frente da média dos filmes do 007. As coisas aqui, assinala Mendes, são definitivamente mais pessoais. A própria figura de M cresce de importância. Nunca o fato de a personagem ser atualmente encarnada por uma mulher, e uma mulher com a envergadura artística de Judi Dench, tinha sido tão importante. Nesse contexto, a relação dela com Bond e com Silva se configura na espinha dorsal do filme. Bond, afinal, vivencia circunstâncias que o aproxima do sentimento experimentado por Silva e esse é apenas um dos firmes alicerces sobre os quais Operação Skyfall erige sua dramaturgia.

Sem conexão: Bond, dessa vez, não foi muito além dos interesses superficiais pela Bond girl da vez


O bom roteiro assinado novamente por Neal Purvis e Robert Wade, com supervisão de John Logan, ainda leva Bond a revisitar seu passado em uma sequência que agrega estofo dramático ao personagem. Não à toa, a catarse se dá de uma maneira pouco comum na série, com Bond chorando.
A opção por tornar a questão pessoal, não diminui o espaço de outra discussão bem encampada por Operação Skyfall. A da readequação do personagem à atual conjuntura geopolítica. Em um dado momento, M diz “Não conhecemos mais nossos inimigos. Eles estão nas sombras. Não são mais países, mas indivíduos. O mundo se tornou opaco”. É uma defesa da importância do trabalho de espionagem e de pessoas como Bond para a manutenção da paz. É um dos artifícios de reinvenção da série. Outros podem ser vistos na figura do novo Q (bem adornado por um Ben Whishaw à vontade) e do personagem de Ralph Fiennes, um burocrata do governo britânico que pressiona M por resultados mais efetivos.
Operação Skyfall olha para o passado de James Bond para formatar seu futuro. É poético. Não é o melhor da série, como muitos críticos eufóricos atestaram sem ouvir a passagem do tempo, mas talvez seja o mais importante; e é muito importante que se faça essa distinção. Operação Skyfall, definitivamente, mostra um novo caminho. Menos apoteótico, mais realista e, seguramente, muito desafiador. Mas Sam Mendes deixou o personagem muito bem preparado.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

50 anos de James Bond em Claquete - Operação Skyfall


James Bond está de volta. 007- operação skyfall está sendo considerado pela crítica europeia como o melhor filme da franquia. Expectativa é de quebra de recordes e consolidação de Daniel Craig como o James Bond mais lucrativo da história


“Existia a ideia de lançar um filme no aniversário de cinquenta anos do personagem”, admitiu o produtor Michael G. Wilson à reportagem da GQ americana. Mas não necessariamente seria esse filme o 23º da série. O ritmo adquirido pela franquia desde que Daniel Craig assumiu o smoking de James Bond sugeria que o lançamento do cinquentenário de 007 talvez fosse o 24ª da série. Desde Casino Royale, lançado em 2006, as definições no universo de 007  vinham sendo rápidas. No início de 2007, o franco suíço Marc Foster foi confirmado à frente de Quantun of Solace, que por sua vez, chegou aos cinemas em 2008. Em 2009, foi a vez de Wilson e sua sócia, Barbara Broccoli confirmarem Sam Mendes como diretor do 23º filme de 007. No entanto, pouco depois desse anúncio, muitíssimo bem recebido pela crítica e devidamente repercutido em Claquete, um novo processo de falência da MGM (que já havia enfrentado outro no início da década) pôs tudo em suspensão.
Foi apenas em meados de 2011, após uma série de acordos e parcerias comerciais que ratificaram a Sony como principal motor das produções atuais de James Bond, a produção do novo filme foi liberada.

Elenco de peso
"É um dos melhores atores que existe. Ele não só construiu um grande personagem, como também criou um vilão brilhante. Sua habilidade como ator tornou isso possível e fez dele alguém aterrorizador, mas sem esquecer o tipo cinematográfico que é. Não poderia estar mais contente de tê-lo a bordo", disse Daniel Craig sobre Javier Bardem em entrevista à agência Efe.  Inegavelmente, o ator espanhol é o principal destaque do novo 007. Como o enigmático Raoul Silva, que testará a fidelidade de Bond a M, o ator criou um tipo que alguns veículos internacionais chamam de “brilhante”. Bardem disse à revista inglesa Total Film que apreciou entrar para o universo de 007. “Até este filme, o único blockbuster de minha carreira havia sido Comer rezar amar. É muito divertido fazer parte de um filme desse tamanho”.
Mas Javier Bardem não é a única boa novidade que Operação Skyfall tem a apresentar. A francesa Bérénice Marlohe, até então sem grande expressividade mesmo em sua França natal, ascendeu ao time das Bond girls e admitiu em entrevista a GQ que está curtindo muito seu novo status e espera vingar em Hollywood. A lamentar, apenas o fato de não estar presente no set no dia em que Daniel Graig gravou uma cena nu. “Infelizmente não estava lá nesse dia”, disse a bela. A inglesa Naomie Harris faz outra agente secreta, figura comum nos mais recentes filmes de 007, que se envolve com Bond. Mas a adição que desperta mais curiosidade talvez seja a de Ralph Fiennes. O ator que admite preferir os romances de Ian Fleming aos filmes e declara ser Sean Connery o seu Bond preferido vive um integrante do MI 6 cheio de ambiguidades. Judi Dench retorna como M e Operação Skyfall ainda tem pontas de Albert Finney e Ben Wishaw, como uma versão jovem de Q – o homem por trás das engenhocas de 007.

Javier Bardem, loiro, é o grande atrativo de Operação Skyfall


Adele X Amy
 Tudo mundo sabe que a música tema do novo 007, “Let the sky fall” é interpretada por Adele. E Adele deu o tom certo a uma música que tem tudo para entrar na galeria das grandes canções-tema de 007. No entanto, durante a gestação inicial do projeto, quando a ideia era lançar o filme em 2010, a ideia dos produtores era que Amy Winehouse interpretasse a música tema de 007. Como o filme foi adiado, a ideia arrefeceu e o resto é história. Os produtores hoje não admitem esse interesse e dizem que tudo não passou de boato, mas contatos chegaram a ser feitos no final de 2009. É indiscutível o talento de Adele e a potência de sua cativante voz, mas ficará para sempre a curiosidade de ter Amy interpretando uma canção-tema de James Bond.

Futuro
Ninguém admite, mas a ideia dos produtores é não deixar outro hiato tão grande se impor entre os filmes. Um novo contrato com Daniel Graig, atualmente com 44 anos, já foi assinado para mais dois filmes. O ator, no entanto, evita fazer prognósticos. "Fazemos filmes para o público, esse é o segredo. Sem os espectadores nada existiria e, por isso, tratamos de fazer o melhor produto e o mais excitante possível. Assim foi antes que eu chegasse e assim seguirá sendo".

La femme: a bela francesa Bérénice Marlohe entrou para o time das Bond girls e lamentou não estar presente no dia em que Daniel Craig gravou uma cena pelado


Curiosidades do 23º filme de James Bond

- É a primeira vez que um diretor vencedor do Oscar dirige um filme de 007
- São 41 indicações ao Oscar presentes no filme, entre elenco e equipe de produção. O recordista é o diretor de fotografia Roger Deakins com 10
- O filme de 007 preferido de Sam Mendes é Moscou contra 007
- Será o filme de 007 com maior quantidade de ações promocionais. Dentre os quais se destacam os já tradicionais relógios Ômega, cristais Swaroviski, automóvel Jaguar e os novatos Coca cola zero e Heiniken.
- Sam Mendes admitiu ter sido influenciado pela trilogia do cavaleiro das trevas assinada por Christopher Nolan
-É o terceiro filme de James bom com locações na Turquia. Os outros foram Moscou contra 007 e 007 – o mundo não é o bastante
-Será o segundo filme da série em que James Bond surgirá com barba. O primeiro foi 007- um novo dia para morrer

terça-feira, 23 de outubro de 2012

50 anos de James Bond em Claquete - Quem, afinal, é o melhor intérprete de James Bond?


A discussão é eterna. Como os diamantes. É impossível desviar-se de certa subjetividade na avaliação que se faz dos intérpretes de 007. Mas alguns critérios e balizas podem ser adotados para a aferição de um resultado mais objetivo.
É comum a constatação de que Sean Connery, o primeiro a dar vida a James Bond, é o melhor. Será mesmo? Recentemente, Roger Moore, que sempre foi tido como o maior desafiante a essa hegemonia de Connery, declarou que o atual Daniel Craig foi quem “melhor encorpou Bond, lhe aferindo força física e profundidade emocional”. O voto de Moore pode ter segundas intenções. Ele pode estar interessado em naufragar a corrente que atribui a Connery o posto de “James Bond definitivo”.
É inegável que o peso de ter sido o primeiro joga a favor de Connery. Afinal, ele ajudou a fundar os cânones de 007 e moldou sua representação no cinema com seu charme, beleza rústica e carisma indomável. O humor escocês de Connery, uma variação bem urdida do sarcasmo inglês, também ajudou na engenharia do personagem. Foi Connery quem fez de James Bond uma mania. Além de lhe somar generosos pontos, esse fato contribui para que Connery se estabeleça como referência, tornando inglório o objetivo de relegá-lo a um segundo plano na historiografia de Bond.
No entanto, pesa contra Connery o desapego que ele vira e mexe mostra para com Bond, coisa que os outros dois interpretes que costumam frequentar a preferência de fãs em todo mundo não manifestam. Tanto Roger Moore, que chegou a escrever duas autobiografias que tem Bond no título, como Pierce Brosnan convivem muito bem com o estigma de Bond. Daniel Craig, por sua vez, até melhorou como ator depois de vestir o smoking do espião.

Reinado em disputa: Sean Connery é o Bond definitivo. Mas definitivo até quando?


Os pingos nos is
Se Sean Connery fez de Bond um símbolo de masculinidade, foi Roger Moore quem consolidou o personagem libertando-o justamente da sombra de Connery – depois da mal recebida participação de George Lazemby. Com Moore, a franquia se consolidou e pôde finalmente aspirar eternidade. Moore trouxe humor para 007 e sua fase foi das mais prolíferas com os filmes se enfileirando. Não à toa, é o ator que mais viveu 007 em filmes oficiais (sete) e foi Bond por doze anos. Para se ter uma ideia, Daniel Craig já detém o título há seis e ainda vai para o terceiro filme.
Roger Moore tinha beleza e elegância a seu favor, mas não a rudeza e o charme indevassável de Connery. O humor ajudou a tornar mais tolerável essas diferenças e o público aceitou bem a mudança.
O galês Timothy Dalton, de formação shakespeariana, não teve a mesma sorte. Na verdade, Dalton já foi segunda opção. O irlandês Pierce Brosnan era a primeira opção dos produtores. Com esse feedback, Dalton amargou a pior época para ser Bond. Com o fim da guerra fria, o personagem estava aparentemente sem sentido e o mundo estava perplexo com o surgimento da AIDS o que incidiu também na característica predadora de Bond. Resultado? Dalton, que só ficaria mais charmoso dos anos 2000 para cá, amargou o título de pior Bond. Isso por que em defesa do australiano Lazemby podem argumentar sobre a pressão de substituir Connery e o fato de não terem lhe dado uma segunda chance. Dalton tem poucas desculpas a seu alcance.

Roger Moore trouxe humor e sofisticação para a série e a libertou da sombra de Sean Connery 

Pierce Brosnan trouxe classe ao personagem e soube equilibrar as virtudes de todos os seus antecessores


Nos anos 90, com o avanço da tecnologia, os orçamentos dos filmes ficando mais gordos e o maior hiato da história para os filmes de 007 (sete anos), tudo parecia conspirar a favor de Pierce Brosnan. E ele não decepcionou. Classudo, cheio de charme e bonitão, Brosnan conseguiu conciliar as melhores características das versões de Connery, Moore e até Dalton. Parecia ser o Bond perfeito. De fato, o ator se apoderou do personagem de tal maneira que foi difícil imaginar 007 pós- Brosnan. Talvez isso ajude a explicar a razão dos produtores terem vendido o peixe do reboot quando confirmaram Daniel Craig como seu substituto. Craig foi bastante questionado. Eram questões legítimas. Seria o primeiro Bond loiro, baixo e, vá lá, feio. Descrição completamente distinta das bases propostas por Ian Fleming. Mas Craig também é charmoso, sexy e seria o primeiro Bond com tórax definido.
No final das contas, Daniel Craig se beneficiou do momento que vive o cinema de ação e como isso influenciou a nova safra dos filmes de Bond. Bom ator, imprimiu um estilo pessoal que faz lembrar as origens de Bond com Connery, mas se permite aprofundar emocionalmente o personagem. Algo que não ocorria com Connery, em parte porque o objetivo não era esse.
Daniel Craig talvez disponha do melhor James Bond. Essa seria uma definição mais acurada. Roger Moore é o principal responsável por esse Bond ter chegado a Daniel Craig. Connery é a referência suprema e, talvez, Pierce Brosnan mereça mais justiça. Se não tivesse vingado como Bond, com o personagem fora dos cinemas há sete anos, tudo teria acabado ali. Em 1995.

Daniel Craig em registro dos sets de Operação Skyfall: Moore já declarou apoio para elegê-lo o melhor Bond de todos os tempos, mas cabe à história julgar