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domingo, 4 de novembro de 2012

Repercutindo 007 - operação Skyfall


É Operação Skyfall o filme definitivo de James Bond? É melhor que essa resposta seja negativa. Se o 23º filme do agente secreto à serviço de sua majestade é um triunfo de narrativa e um acerto do ponto de vista da necessidade de atualizar o personagem, é também uma demonstração eloquente de que Bond está se perdendo de si mesmo. Há menos histrionismo na caracterização de um universo que sempre foi marcado pelo exagero, beirando a sátira. O personagem também mudou. Não que se faça uma defesa do sexismo, e James Bond sempre foi o personagem mais sexista do cinema. Mas o Bond que surge em Operação Skyfall, e que surgiu nos dois filmes anteriores, está longe de ser aquele mulherengo convicto. Ele quase se corrói de possuir uma mulher. O humor é outra matéria prima deixada de lado. As fases estreladas por Roger Moore e por Pierce Brosnan têm grande parte de seu apelo na forma bem humorada que sublinhavam os absurdos do universo que retratavam. O fato da atual fase protagonizada por Daniel Craig se levar a sério demais, nesse sentido, pode ser outro problema nessa espiral de distanciamento de Bond de si mesmo.
Paradoxalmente, Operação Skyfall é o filme que mais aproximou James Bond de si mesmo em um recorte totalmente diverso do que esse texto propunha até o momento. Não só o filme vislumbra Bond encarando seu passado em um momento de regressões emocionais que podem favorecer outros bons momentos na série, como faz com que o personagem cresça emocionalmente – deixando de ser um pêndulo ajustável por cada intérprete. O que reforça o domínio de Daniel Graig sobre o personagem. Mas não só. Operação Skyfall é clássico na administração inteligente que faz do histórico da franquia, resgatando elementos consagrados – como a tensão sexual entre Bond e Moneypenny e o Aston Martin DB5 usado em Goldfinger – e na proposição de elementos novos para a continuidade da franquia – além de contribuir para galeria dos grandes momentos da série com um vilão efeminado que flerta com Bond e o fim de um ciclo que ajudou a revitalizar o gás da franquia.
Dessa forma, Operação Skyfall se inscreve como um filme complexo dentro da franquia. Importante, reverente, ousado, renovado. Sam Mendes parece assinalar, melhor do que fizeram Martin Campbell e Marc Foster, que o James Bond de ontem não pode fazer sombra ao James Bond de hoje. Aos nostálgicos, no entanto, o Bond de Mendes dá uma piscadinha. Mas não mais que isso.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Crítica: 007- operação Skyfall


Íntimo e pessoal

007-operação Skyfall (Skyfall, ING/EUA 2012) tem o mérito de ser o típico filme de James Bond e, simultaneamente, ser um filme incomum de James Bond. Esse aparente paradoxo, que se alimenta constantemente do passado do personagem e de toda a sua mitologia, é orquestrado com fina desenvoltura pelo cineasta Sam Mendes. O diretor aprofunda a proposta de um 007 mais dramático e tridimensional em um filme que menos parece um evento e mais um estudo de personagem. Há pontos positivos e negativos nessa proposta.
Logo no início, em operação na Turquia, Bond é dado como morto após uma mal sucedida operação para reaver uma lista com o nome de todos os agentes infiltrados em células terroristas ao redor do globo. Flagramos, então, um Bond desamparado e entregue a vícios que retorna ao MI6 quando este sofre um atentado. Ele é pessoalmente encarregado por M (Judi Dench) de descobrir o paradeiro da lista e deter os responsáveis por todo esse transtorno. É aí que entra Silva (Javier Bardem), um vilão carismático, assustador, engraçado e tão imprevisível quanto somente um ator com a capacidade de transmutação e decalque que Javier Bardem ostenta poderia encarnar. Silva é um ex-agente que se sente traído por M e mais adiante compreenderemos suas razões.
Ao apresentar um vilão em busca de vingança, Operação Skyfall dá um passo a frente da média dos filmes do 007. As coisas aqui, assinala Mendes, são definitivamente mais pessoais. A própria figura de M cresce de importância. Nunca o fato de a personagem ser atualmente encarnada por uma mulher, e uma mulher com a envergadura artística de Judi Dench, tinha sido tão importante. Nesse contexto, a relação dela com Bond e com Silva se configura na espinha dorsal do filme. Bond, afinal, vivencia circunstâncias que o aproxima do sentimento experimentado por Silva e esse é apenas um dos firmes alicerces sobre os quais Operação Skyfall erige sua dramaturgia.

Sem conexão: Bond, dessa vez, não foi muito além dos interesses superficiais pela Bond girl da vez


O bom roteiro assinado novamente por Neal Purvis e Robert Wade, com supervisão de John Logan, ainda leva Bond a revisitar seu passado em uma sequência que agrega estofo dramático ao personagem. Não à toa, a catarse se dá de uma maneira pouco comum na série, com Bond chorando.
A opção por tornar a questão pessoal, não diminui o espaço de outra discussão bem encampada por Operação Skyfall. A da readequação do personagem à atual conjuntura geopolítica. Em um dado momento, M diz “Não conhecemos mais nossos inimigos. Eles estão nas sombras. Não são mais países, mas indivíduos. O mundo se tornou opaco”. É uma defesa da importância do trabalho de espionagem e de pessoas como Bond para a manutenção da paz. É um dos artifícios de reinvenção da série. Outros podem ser vistos na figura do novo Q (bem adornado por um Ben Whishaw à vontade) e do personagem de Ralph Fiennes, um burocrata do governo britânico que pressiona M por resultados mais efetivos.
Operação Skyfall olha para o passado de James Bond para formatar seu futuro. É poético. Não é o melhor da série, como muitos críticos eufóricos atestaram sem ouvir a passagem do tempo, mas talvez seja o mais importante; e é muito importante que se faça essa distinção. Operação Skyfall, definitivamente, mostra um novo caminho. Menos apoteótico, mais realista e, seguramente, muito desafiador. Mas Sam Mendes deixou o personagem muito bem preparado.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

50 anos de James Bond em Claquete - Arquivos 007



Os melhores vilões

Xenia Onatopp (Famke Janssen)
Ex-assassina da KGB ela não se faz de rogada em sair na mão com 007 e mata suas vítimas esmagando-as com as coxas.

Jaws (Richard Kiel)
Gigantesco e com dentes de aço, ele conseguiu aparecer em dois filmes de James Bond.

Le chiffre (Mads Mikkelsen)
Banqueiro de terroristas que chora sangue, é o responsável pelo confronto mais mental já enfrentado por Bond; e logo em sua primeira missão.


Goldfinger (Gert Fröbe)
Um vilão essencialmente capitalista, Goldfinger quer explodir Fort Knox para desvalorizar o ouro dos EUA e aumentar o valor de sua fortuna.

Dr. No (Joseph Wiseman)
O mérito de ser o primeiro vilão, justamente quem estipulou a base megalomaníaca do antagonista de 007.

Os melhores gadgets

O Aston Martin invisível de 007- um novo dia para morrer (2002)
O telefone celular que funciona como leitura de digitais e ainda controla o carro de 007- o amanhã nunca morre (1997)
O relógio que apresenta funções de laser, serra e imã em 007-viva e deixe morrer (1973)
A pasta que abriga munição e uma faca e ainda dispara um gás letal se aberta de maneira convencional em Moscou contra 007 (1963)
Óculos com visão de raio-x em 007 – o mundo não é o bastante (1999)


As maiores bilheterias *

1 – 007 – Casino Royale (2006) = U$ 640 milhões
2 – 007 – Quantum of Solace (2008) = U$ 575 milhões
3 – 007 – Um novo dia para morrer (2002) = U$ 431 milhões
4 – 007 – O mundo não é o bastante (1999) = U$ 375 milhões
5 -007 contra goldeneye (1995) = U$ 351,5 milhões

*em números absolutos, desconsiderada a inflação




sexta-feira, 26 de outubro de 2012

50 anos de James Bond em Claquete - Operação Skyfall


James Bond está de volta. 007- operação skyfall está sendo considerado pela crítica europeia como o melhor filme da franquia. Expectativa é de quebra de recordes e consolidação de Daniel Craig como o James Bond mais lucrativo da história


“Existia a ideia de lançar um filme no aniversário de cinquenta anos do personagem”, admitiu o produtor Michael G. Wilson à reportagem da GQ americana. Mas não necessariamente seria esse filme o 23º da série. O ritmo adquirido pela franquia desde que Daniel Craig assumiu o smoking de James Bond sugeria que o lançamento do cinquentenário de 007 talvez fosse o 24ª da série. Desde Casino Royale, lançado em 2006, as definições no universo de 007  vinham sendo rápidas. No início de 2007, o franco suíço Marc Foster foi confirmado à frente de Quantun of Solace, que por sua vez, chegou aos cinemas em 2008. Em 2009, foi a vez de Wilson e sua sócia, Barbara Broccoli confirmarem Sam Mendes como diretor do 23º filme de 007. No entanto, pouco depois desse anúncio, muitíssimo bem recebido pela crítica e devidamente repercutido em Claquete, um novo processo de falência da MGM (que já havia enfrentado outro no início da década) pôs tudo em suspensão.
Foi apenas em meados de 2011, após uma série de acordos e parcerias comerciais que ratificaram a Sony como principal motor das produções atuais de James Bond, a produção do novo filme foi liberada.

Elenco de peso
"É um dos melhores atores que existe. Ele não só construiu um grande personagem, como também criou um vilão brilhante. Sua habilidade como ator tornou isso possível e fez dele alguém aterrorizador, mas sem esquecer o tipo cinematográfico que é. Não poderia estar mais contente de tê-lo a bordo", disse Daniel Craig sobre Javier Bardem em entrevista à agência Efe.  Inegavelmente, o ator espanhol é o principal destaque do novo 007. Como o enigmático Raoul Silva, que testará a fidelidade de Bond a M, o ator criou um tipo que alguns veículos internacionais chamam de “brilhante”. Bardem disse à revista inglesa Total Film que apreciou entrar para o universo de 007. “Até este filme, o único blockbuster de minha carreira havia sido Comer rezar amar. É muito divertido fazer parte de um filme desse tamanho”.
Mas Javier Bardem não é a única boa novidade que Operação Skyfall tem a apresentar. A francesa Bérénice Marlohe, até então sem grande expressividade mesmo em sua França natal, ascendeu ao time das Bond girls e admitiu em entrevista a GQ que está curtindo muito seu novo status e espera vingar em Hollywood. A lamentar, apenas o fato de não estar presente no set no dia em que Daniel Graig gravou uma cena nu. “Infelizmente não estava lá nesse dia”, disse a bela. A inglesa Naomie Harris faz outra agente secreta, figura comum nos mais recentes filmes de 007, que se envolve com Bond. Mas a adição que desperta mais curiosidade talvez seja a de Ralph Fiennes. O ator que admite preferir os romances de Ian Fleming aos filmes e declara ser Sean Connery o seu Bond preferido vive um integrante do MI 6 cheio de ambiguidades. Judi Dench retorna como M e Operação Skyfall ainda tem pontas de Albert Finney e Ben Wishaw, como uma versão jovem de Q – o homem por trás das engenhocas de 007.

Javier Bardem, loiro, é o grande atrativo de Operação Skyfall


Adele X Amy
 Tudo mundo sabe que a música tema do novo 007, “Let the sky fall” é interpretada por Adele. E Adele deu o tom certo a uma música que tem tudo para entrar na galeria das grandes canções-tema de 007. No entanto, durante a gestação inicial do projeto, quando a ideia era lançar o filme em 2010, a ideia dos produtores era que Amy Winehouse interpretasse a música tema de 007. Como o filme foi adiado, a ideia arrefeceu e o resto é história. Os produtores hoje não admitem esse interesse e dizem que tudo não passou de boato, mas contatos chegaram a ser feitos no final de 2009. É indiscutível o talento de Adele e a potência de sua cativante voz, mas ficará para sempre a curiosidade de ter Amy interpretando uma canção-tema de James Bond.

Futuro
Ninguém admite, mas a ideia dos produtores é não deixar outro hiato tão grande se impor entre os filmes. Um novo contrato com Daniel Graig, atualmente com 44 anos, já foi assinado para mais dois filmes. O ator, no entanto, evita fazer prognósticos. "Fazemos filmes para o público, esse é o segredo. Sem os espectadores nada existiria e, por isso, tratamos de fazer o melhor produto e o mais excitante possível. Assim foi antes que eu chegasse e assim seguirá sendo".

La femme: a bela francesa Bérénice Marlohe entrou para o time das Bond girls e lamentou não estar presente no dia em que Daniel Craig gravou uma cena pelado


Curiosidades do 23º filme de James Bond

- É a primeira vez que um diretor vencedor do Oscar dirige um filme de 007
- São 41 indicações ao Oscar presentes no filme, entre elenco e equipe de produção. O recordista é o diretor de fotografia Roger Deakins com 10
- O filme de 007 preferido de Sam Mendes é Moscou contra 007
- Será o filme de 007 com maior quantidade de ações promocionais. Dentre os quais se destacam os já tradicionais relógios Ômega, cristais Swaroviski, automóvel Jaguar e os novatos Coca cola zero e Heiniken.
- Sam Mendes admitiu ter sido influenciado pela trilogia do cavaleiro das trevas assinada por Christopher Nolan
-É o terceiro filme de James bom com locações na Turquia. Os outros foram Moscou contra 007 e 007 – o mundo não é o bastante
-Será o segundo filme da série em que James Bond surgirá com barba. O primeiro foi 007- um novo dia para morrer

terça-feira, 23 de outubro de 2012

50 anos de James Bond em Claquete - Quem, afinal, é o melhor intérprete de James Bond?


A discussão é eterna. Como os diamantes. É impossível desviar-se de certa subjetividade na avaliação que se faz dos intérpretes de 007. Mas alguns critérios e balizas podem ser adotados para a aferição de um resultado mais objetivo.
É comum a constatação de que Sean Connery, o primeiro a dar vida a James Bond, é o melhor. Será mesmo? Recentemente, Roger Moore, que sempre foi tido como o maior desafiante a essa hegemonia de Connery, declarou que o atual Daniel Craig foi quem “melhor encorpou Bond, lhe aferindo força física e profundidade emocional”. O voto de Moore pode ter segundas intenções. Ele pode estar interessado em naufragar a corrente que atribui a Connery o posto de “James Bond definitivo”.
É inegável que o peso de ter sido o primeiro joga a favor de Connery. Afinal, ele ajudou a fundar os cânones de 007 e moldou sua representação no cinema com seu charme, beleza rústica e carisma indomável. O humor escocês de Connery, uma variação bem urdida do sarcasmo inglês, também ajudou na engenharia do personagem. Foi Connery quem fez de James Bond uma mania. Além de lhe somar generosos pontos, esse fato contribui para que Connery se estabeleça como referência, tornando inglório o objetivo de relegá-lo a um segundo plano na historiografia de Bond.
No entanto, pesa contra Connery o desapego que ele vira e mexe mostra para com Bond, coisa que os outros dois interpretes que costumam frequentar a preferência de fãs em todo mundo não manifestam. Tanto Roger Moore, que chegou a escrever duas autobiografias que tem Bond no título, como Pierce Brosnan convivem muito bem com o estigma de Bond. Daniel Craig, por sua vez, até melhorou como ator depois de vestir o smoking do espião.

Reinado em disputa: Sean Connery é o Bond definitivo. Mas definitivo até quando?


Os pingos nos is
Se Sean Connery fez de Bond um símbolo de masculinidade, foi Roger Moore quem consolidou o personagem libertando-o justamente da sombra de Connery – depois da mal recebida participação de George Lazemby. Com Moore, a franquia se consolidou e pôde finalmente aspirar eternidade. Moore trouxe humor para 007 e sua fase foi das mais prolíferas com os filmes se enfileirando. Não à toa, é o ator que mais viveu 007 em filmes oficiais (sete) e foi Bond por doze anos. Para se ter uma ideia, Daniel Craig já detém o título há seis e ainda vai para o terceiro filme.
Roger Moore tinha beleza e elegância a seu favor, mas não a rudeza e o charme indevassável de Connery. O humor ajudou a tornar mais tolerável essas diferenças e o público aceitou bem a mudança.
O galês Timothy Dalton, de formação shakespeariana, não teve a mesma sorte. Na verdade, Dalton já foi segunda opção. O irlandês Pierce Brosnan era a primeira opção dos produtores. Com esse feedback, Dalton amargou a pior época para ser Bond. Com o fim da guerra fria, o personagem estava aparentemente sem sentido e o mundo estava perplexo com o surgimento da AIDS o que incidiu também na característica predadora de Bond. Resultado? Dalton, que só ficaria mais charmoso dos anos 2000 para cá, amargou o título de pior Bond. Isso por que em defesa do australiano Lazemby podem argumentar sobre a pressão de substituir Connery e o fato de não terem lhe dado uma segunda chance. Dalton tem poucas desculpas a seu alcance.

Roger Moore trouxe humor e sofisticação para a série e a libertou da sombra de Sean Connery 

Pierce Brosnan trouxe classe ao personagem e soube equilibrar as virtudes de todos os seus antecessores


Nos anos 90, com o avanço da tecnologia, os orçamentos dos filmes ficando mais gordos e o maior hiato da história para os filmes de 007 (sete anos), tudo parecia conspirar a favor de Pierce Brosnan. E ele não decepcionou. Classudo, cheio de charme e bonitão, Brosnan conseguiu conciliar as melhores características das versões de Connery, Moore e até Dalton. Parecia ser o Bond perfeito. De fato, o ator se apoderou do personagem de tal maneira que foi difícil imaginar 007 pós- Brosnan. Talvez isso ajude a explicar a razão dos produtores terem vendido o peixe do reboot quando confirmaram Daniel Craig como seu substituto. Craig foi bastante questionado. Eram questões legítimas. Seria o primeiro Bond loiro, baixo e, vá lá, feio. Descrição completamente distinta das bases propostas por Ian Fleming. Mas Craig também é charmoso, sexy e seria o primeiro Bond com tórax definido.
No final das contas, Daniel Craig se beneficiou do momento que vive o cinema de ação e como isso influenciou a nova safra dos filmes de Bond. Bom ator, imprimiu um estilo pessoal que faz lembrar as origens de Bond com Connery, mas se permite aprofundar emocionalmente o personagem. Algo que não ocorria com Connery, em parte porque o objetivo não era esse.
Daniel Craig talvez disponha do melhor James Bond. Essa seria uma definição mais acurada. Roger Moore é o principal responsável por esse Bond ter chegado a Daniel Craig. Connery é a referência suprema e, talvez, Pierce Brosnan mereça mais justiça. Se não tivesse vingado como Bond, com o personagem fora dos cinemas há sete anos, tudo teria acabado ali. Em 1995.

Daniel Craig em registro dos sets de Operação Skyfall: Moore já declarou apoio para elegê-lo o melhor Bond de todos os tempos, mas cabe à história julgar

sábado, 20 de outubro de 2012

Em off


Nesta edição de Em off, as novas polêmicas de Joaquin Phoenix; o filme que pode reunir David Fincher e Brad Pitt pela quarta vez e James Bond, James Bond e James Bond.

O Oscar é uma cenoura...
Joaquin Phoenix simplesmente se recusa a afastar-se de polêmicas. Pelo menos no tom das declarações. O ator, cotadíssimo para o Oscar 2013 por O mestre, disse em entrevista à revista Interview que abomina a temporada de premiações e que quando esteve no olho do furacão, por Johnny & June, vivenciou o período de maior desconforto de sua carreira. “Eu não quero ser parte disso. Eu não acredito nisso. É a pior cenoura que eu já provei em toda a minha vida. Eu não quero essa cenoura”, disse o ator.
Phoenix continuou: “Eu não quero experimentar isso novamente. Eu não sei explicar – e não é como se eu me achasse superior a tudo isso – mas eu não quero jamais ficar confortável com esse tipo de coisa”.

Joaquin Phoenix em foto para a Interview: muita pose, muita atitude e um punhado de polêmicas

...saudável?
Analistas divergem sobre o impacto das declarações de Phoenix. Para alguns, ele enterrou suas chances de indicação ao Oscar. Até mesmo porque Phoenix já não apresenta um histórico lá muito favorável. O agravante é que tem muita gente que simplesmente não tolera o estilo “I don´t fucking care” do ator. Mas a grande maioria especula que a declaração, mesmo que a revelia do ator, deve impulsionar sua candidatura. Isso porque o ator provoca um debate em torno de si, de sua atuação e sobre a lógica das campanhas por indicações. Hollywood é mesmo um lugar estranho.


Pitt e Fincher juntos novamente
Pode finalmente sair do papel a versão de David Fincher para o clássico 20.000 léguas submarinas que a Disney planeja há pelo menos três anos. Segundo a Variety, David Fincher e Brad Pitt já estão trocando ideias e a Disney está animada com a possibilidade de ter Pitt como protagonista do projeto.
Se confirmada, esta será a quarta colaboração de Fincher com seu ator favorito. Eles tentaram fazer com que Os homens que não amavam as mulheres fosse essa quarta colaboração, mas Pitt não quis assinar para estrelar a produção sem ler o roteiro e a retomada da parceria teve de ser adiada.


Capas de 007 – operação Skyfall
É o evento do ano! Que nos perdoe O hobbit e o relativamente frustrante Batman – o cavaleiro das trevas ressurge. Talvez Os vingadores seja o paralelo mais forte em 2012. Mas 007 tem um charme que excede as revistas de cinema. A uma semana da chegada do 23º filme de Bond nos cinemas, Claquete destaca as principais capas com o tema Bond que fizeram 2012 (que ainda não acabou).



Mais Bond – parte 1
A Total Film, com um espírito dos mais fanfarrões, listou 15 atores que jamais poderiam ser Bond. Os motivos são diversos e plenamente aceitáveis. Claquete selecionou os melhores:

George Clooney: Apesar de lindo, elegante e charmoso, a Total Film lembra que ele afundou a franquia do Bond americano, o Batman.

Brad Pitt: a revista lembra que Pitt já viveu espiões antes em Jogo de espiões (2001) e Sr. & Sra. Smith e que já mandou bem no sotaque britânico em Inimigo íntimo (1994), mas cisma que um Bond loiro não funcionaria, mas aí lembra que Craig funcionou...

Tom Cruise: A revista reconhece que a franquia Missão impossível é Bond com outro nome, mas adverte que a frase de 007 é “Batido, não mexido” e não “Você me completa”, em referência à famosa frase de Cruise em Jerry Maguire – a grande virada.

Daniel Radcliffe: Apesar de ser inglês, pesa contra o ator, de acordo com a Total Film, o fato de que a audiência não quer saber como Bond era quando criança...


Mais Bond – parte 2

Leitura obrigatória para quem gosta de James Bond, para quem deseja conhecer mais o personagem e sua história no cinema ou para quem deseja aquecer as turbinas para o novo filme, é a série dedicada ao personagem na sessão trailer do Cine Rodrigo, blog mantido pelo cinéfilo e fã de carteirinha de 007, Rodrigo Mendes. Clique aqui para conferir!



Rápidas e ligeiras

+ Nicole Kidman abandonou o projeto Nymphomaniac, de Lars Von Trier, após saber que teria de gravar cenas reais de sexo

+ O novo de David O. Russell, Silver Linings playbook, deve se chamar O lado bom da vida no Brasil

+ Keith Richards gostou da brincadeira e já se ofereceu para voltar a viver Teague Sparrow no quinto Piratas do Caribe

+Shailene Woodley, que quase roubou a cena de George Clooney em Os descendentes, foi confirmada como a Mary Jane da sequência de O espetacular Homem aranha


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

50 anos de James Bond em Claquete - Dez ideias para os próximos 50 anos de 007


Claquete, alternando espírito zombeteiro e sério, elenca dez sugestões para os próximos 50 anos de James Bond nos cinemas. De opções viajadas como uma guerra de clones e triângulos amorosos a uma bem factível versão com um banqueiro e Wall Street como vilões.



10 – Um psicopata e David Fincher
James Bond sempre teve vilões psicóticos, mas não um psicopata de primeira linha. Em um filme dirigido por David Fincher com o rigor narrativo de um Zodíaco, a potência climática de um Os homens que não amavam as mulheres e a loucura calculada de um Seven. Sonhar é pecado?

9 – Uma perseguição em pleno carnaval brasileiro
Bond caça um terrorista que os melhores serviços de inteligência informam estar no Brasil para o carnaval. O problema é que Bond precisa descobrir que carnaval o terrorista irá pular. O da Bahia, o do Rio de Janeiro, o de Pernambuco... o tom seria Hitchcockiano.

8 – Um vilão americano
Já houve vilões americanos. Mas e se James Bond tivesse como nêmeses um banqueiro americano, prodígio de Wall Street, em uma contraposição com o american way of life do qual o próprio Bond faz parte. Um thriller dirigido pelo alemão Tom Tykwer.

7 – Um road movie dirigido pelos Coen
M está morta. Bond prometeu a si mesmo jamais permitir que algo como aquilo acontecesse novamente. Ele sai ao encalço do assassino, um homem desfigurado, dono de um humor peculiar, e que parece estar sempre um passo a frente de Bond. A caçada pela América profunda coloca diversos tipos estranhos no caminho de Bond. Um deles, talvez, tenha respostas sobre o passado de M e do homem desfigurado.

6 – Licença para matar terminantemente caçada
Tudo bem que essa ideia já foi circundada. Mas não da maneira como deveria. A proposta aqui é a desativação absoluta do MI6 e os agentes secretos vivendo como párias. James Bond seria então moeda de troca entre EUA e Inglaterra e os dois países estariam caçando Bond que, para sobreviver, buscaria as provas para expor a razão da desativação do MI6; o que levaria Bond ao Afeganistão.  

5 –Epidemia global
E se James Bond fizesse parte do filme Contágio, de Steven Soderbergh? A ideia não é ruim. O governo britânico suspeita que uma poderosa farmacêutica americana está por trás da liberação de um vírus biológico mortal. Bond é acionado para levantar informações suficientemente confiáveis para contornar uma incidental crise diplomática. Mas Bond só tem 36 horas porque está contaminado.

4 – Bond versos Bond
A ideia da clonagem parece sub ficção científica. Mas com roteiro de Andrew Niccol (Gattaca–experiência genética), esse poderia ser o Bond de Ridley Scott. Com a finalidade de replicar e garantir a existência do agente secreto perfeito, o MI 6 clona Bond sem a ciência do mesmo. Mas o clone cai nas mãos erradas e precipita o destino de Bond.

3 – Bond desmemoriado
Ok! Essa é cópia descarada de Bourne. Mas imaginem James Bond entrando em um bar sem saber o que pedir ou sem resposta para a famosa pergunta: e o nome é? A dúvida é se o Woody Allen dos anos 70 ou os Farrely dos anos 90 dirigem...

2- Um triangulo amoroso
Que o fraco de Bond é mulher todo mundo sabe. Mas e se uma delas resistisse aos encantos do agente secreto? E se tivesse outro homem na jogada? Um drama com sotaque europeu com um Bond disperso, inseguro e algo destrutivo. Fernando Meirelles seria uma boa opção para direção.  


1 – Pulp Bond
Não é de hoje que cinéfilos sonham com um 007 dirigido por Quentin Tarantino. Além de frequentar um top 10 dos sonhos publicado há algum tempo em Claquete, essa ideia chegou a ventilar em Hollywood. O próprio Tarantino já comentou que gostaria de dirigir um 007. Os produtores, no entanto, afastaram a possibilidade argumentando que o diretor não tem o perfil buscado por eles. Mas fica a provocação: como seria um James Bond por Quentin Tarantino?

domingo, 14 de outubro de 2012

50 anos de James Bond em Claquete - A evolução dos filmes de 007



Que James Bond é um ícone pop, um símbolo de masculinidade e o modelo de franquia mais bem sucedido da história do cinema já está pacificado. O que muitos ignoram é o valor histórico dos filmes de 007. Tanto nos contextos político, social ou cultural, os filmes de Bond são valiosa ferramenta para mensurar o grau e profundidade das mudanças pelas quais atravessou o mundo. E não só. Os próprios filmes são reflexos dessas mudanças e, também, das muitas transformações sofridas pelo cinema.
Os primeiros filmes foram lançados à sombra da Guerra Fria e carregavam essa marca até mesmo no título, como no segundo filme do espião - o antológico e para muitos o melhor da série Moscou contra 007 (mais poético e sugestivo no título original From Russia with love). Os filmes apresentavam vilões megalomaníacos que serviam à metáfora de paranoia que se assentou naquele mundo dividido entre capitalistas e comunistas. Os planos não eram menos espalhafatosos e James Bond não era exatamente um primor de inteligência, ainda que fosse um agente esperto e sagaz.
Nos anos 80, os filmes enveredaram por uma onda politicamente correta. James Bond ficou menos mulherengo e mais amargurado, nos anos 90, o terrorismo se enunciou como o grande mal dos filmes de Bond e, de um jeito monocromático, persiste até o momento.
A forma como James Bond se relaciona com as mulheres também mudou. De meros “objetos” de cena para fazer número na galeria de conquistas do espião, elas foram ganhando relevância narrativa, até se tornarem vilãs, agentes mais eficientes do que o próprio Bond ou personagens mais ambíguas e tridimensionais como a Vesper Lynd (Eva Green) de Casino Royale, o famigerado primeiro amor de Bond.

Sean Connery em Moscou contra 007: os alicerces de Bond em tramas megalomaníacas e um herói charmoso e ostensivamente masculino


A própria existência desse amor foi um reflexo da necessidade detectada pelos produtores da série de tornar o personagem mais dramático e profundo. James Bond precisava amadurecer como personagem, mesmo que fosse para viabilizar o arquétipo “bondiano” clássico. Por isso a série foi reinicializada a partir de Casino Royale em 2006. Nessa reimaginação de Bond outro fator preponderante foi o momentum dos filmes de ação na guarita da franquia Bourne. A série baseada nos livros de Robert Ludlum e estrelada por Matt Damon fez com que a série retomada nos anos 90 parecesse ingênua. A edição fragmentada, consagrada pelo cinema de países em desenvolvimento no início do século XXI, e uma maior tolerância à violência foram novos paradigmas inseridos no contexto moderno de 007.
Outro elemento primordial da mais recente safra dos filmes de James Bond é a vontade de produzir um entretenimento que extrapole os bastiões dos aficionados. Por isso diretores como Marc Foster (A última ceia e O caçador de pipas) e Sam Mendes (Beleza americana e Foi apenas um sonho), nomes estranhos ao cinema de ação, foram recrutados para a missão de fazer dos filmes de Bond, algo mais sério do que jamais foram. Ou pelo menos, sofisticar a percepção que público e crítica têm deles. O cuidado com o roteiro é outro aspecto crucial desse planejamento. Para isso, o vencedor do Oscar Paul Haggis foi contratado para supervisionar o processo de roteirização dos novos filmes.

Roger Moore marcou a fase de maior humor de James Bond. O personagem custou a reencontrar seu rumo depois da saída do ator


Entre muitas mudanças, o que não mudou nesses 50 anos de James Bond foi seu inexorável apelo midiático. O personagem sobreviveu a duas falências de estúdio, a divergências criativas de seus produtores, a trocas questionáveis de seu protagonista e outras crises de menor impacto.   
O mercado publicitário continua se rendendo a James Bond. Recentemente, o espião adquiriu o hábito de beber cerveja. Isso por que os produtores acertaram uma cota de patrocínio, de valor estipulado em U$ 25 milhões, para que a marca Heineken seja o carro chefe das comemorações dos 50 anos do personagem. E estamos falando apenas das comemorações etílicas. Mas Bond não abriu mão do Martini, ele apenas está evoluindo.