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domingo, 11 de agosto de 2013

Insight - os papéis mais sensuais do cinema recente

Falar dos papéis mais sensuais do cinema recente não é tarefa fácil. O espaço para divergência é tenebroso e o conceito de recente é por demais amplo. É preciso estabelecer alguns critérios. O alcance desse artigo vai até 2010. Em três anos, houve mais papéis sensuais chegando às telas de cinema do que se pode imaginar em um primeiro momento. A lista poderia cobrir uma década e ainda assim ser considerada pertinente ao cinema recente, mas sucumbiria a obviedades. Diminuir sensivelmente seu alcance força um esforço de escavação e imaginação muito mais sedutor, estabelecendo relação de conveniência com os propósitos do artigo, portanto. 
Em primeiro lugar, é preciso dissociar personagens sensuais das performances sexy dos atores ou mesmo de nossas expectativas (mesmo assim Ryan Gosling tem um papel lembrado aqui). Isso feito, verifica-se que um filme que trata de sexo como Shame não apresenta nenhum personagem sensual e que outro, uma comédia rasgada e boba como Quatro amigas e um casamento apresenta uma personagem francamente sensual.




Dean Moriarty em Na estrada
Um vulcão em erupção. Essa definição veste muito bem o personagem mais canônico do livro marco da geração beat que ganhou o rosto e corpo de Garrett Hedlund em Na estrada. Um tipo indomável, amante da vida e de seus prazeres que não se priva de usar todo o seu poder de hipnose e encantamento.

Tony Stark na trilogia Homem de ferro
A primeira vez de Tony Stark no cinema foi em 2008, mas o pós-Tony Stark ainda está impregnado de Tony Stark. O delicioso misto de arrogância e fragilidade tão bem adensado por Downey Jr. tornam o personagem – que voltou aos cinemas em 2010 e 2013 - irresistível.  

James Bond em 007 – operação Skyfall
Bond está aí desde os anos 60, mas desde a despedida de Sean Connery o personagem não era tão selvagem, viril e robusto. No 23º filme da franquia, porém, Daniel Craig encontrou a classe que faltava para equilibrar sua sensualidade bruta à elegância tradicional de Bond. Ver o agente ferido emocionalmente, se sentindo vulnerável e traído, fez Bond soar ainda mais sensual.



Katie em Quatro amigas e um casamento
Ela é fácil e nem tão inteligente assim, mas sua doçura e generosidade se misturam a exuberância física e confiança dessa mulher tão bem irradiada pela performance pontual de Isla Fischer. Se o mundo é das piriguetes, Katie é nossa rainha.

Anna em Para Roma com amor
A participação é curta, mas é vermelha. Os lábios de Anna, uma prostituta italiana que confunde um homem em lua de mel com um cliente, combinam com o vestido curto e bem ajustado no corpo de Penelope Cruz e dão o tom da personagem que é muito mais brasa e carinho do que a própria esposa do confundido.

Joanna em Apenas uma noite
A hesitação de uma mulher pode nos levar à loucura e Joanna (vivida com a graça de sempre por Keira Knightley) hesita bastante. Confiar no marido ou não, trai-lo ou não. Ceder à tentação de cair nos braços de uma antiga paixão ou não. A sensualidade da personagem está mais na sua não-ação do que no que de fato faz. Vestir-se bem e ter lembranças de Paris ajuda!

Driver em Drive
O personagem foi construído para ser sexy e Ryan Gosling era o homem certo para dar cabo do que o papel apenas podia sugerir. A jaqueta, o neon, o silêncio...  Nem bom moço, nem mau moço. Uma deliciosa bifurcação disso.



Lucy em Beleza adormecida
Emily Browning vive um fetiche masculino nesse filme conceitual de Julia Leigh. O que não a impede de construir uma jovem desconectada de sua essência e que não tem ciência de sua beleza e força interior. Essa não consciência pode ser delirantemente sensual.

Elizabeth Em transe
A típica femme fatale que só se revela como tal lá pelos idos do filme. Um homem às vezes gosta de ser manipulado e no mais recente filme de Danny Boyle, Elizabeth (Rosario Dawson) manipula dois. Nada fascina mais do que uma mulher ciente de seu poder de sedução.

Menção honrosa:

Nicki em Bling ring – a gangue de Hollywood
Ela é a razão desse artigo existir. No trailer, Nicki (Emma Watson) já demonstra que a sensualidade é seu cartão de visitas. E vamos visita-la!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Espaço Claquete - A casa dos sonhos


É interessante observar a relação de cineastas consagrados em gêneros diversos – majoritariamente no drama – com o cinema de horror. A incursão tende a ser benéfica ao gênero, mas ruidosa nos bastidores. Walter Salles falou poucas e boas de sua experiência ao dirigir Água negra, um filme de horror que busca amparo na comparação com a fase sessentista de Roman Polanski. Acontece mais ou menos a mesma coisa com Jim Sheridan, de filmes como Meu pé esquerdo e Em nome do pai, e sua estreia no gênero com A casa dos sonhos (Dream house, EUA 2011). Ficou famosa no metiê cinematográfico a briga entre o diretor e o estúdio em virtude da insatisfação do primeiro com o final do filme. Como Sheridan, por contrato, não detinha o corte final ele exigiu que seu nome fosse retirado dos créditos. O que não aconteceu.
Desentendimentos à parte, A casa dos sonhos é um filme muito melhor que essa contenda de bastidores faz crer. E ter Sheridan, um diretor habilidoso no desenho dos personagens, torna A casa dos sonhos um estranho no ninho do filmes de terror modernos.
Estamos na seara do horror psicológico, muito mais instigante e propício ao exercício do medo e apreensão. Will Atenton (Daniel Craig) é um editor que se demite para passar mais tempo com a família na nova casa que adquiriram em um bairro aparentemente tranquilo e, também, escrever um livro para o qual já assegurou contrato.
A relação com a mulher (Rachel Weisz) e as filhas não poderia estar melhor. A harmonia familiar sofre um baque quando eles descobrem que a casa para a qual se mudaram foi palco de um múltiplo assassinato em que morreram mãe e filhas e o pai, que enlouqueceu, é o principal suspeito. A partir daí, A casa dos sonhos sofre um giro de 180º em seu plot e o que parece desarranjado a princípio logo passa a fazer muito sentido. Sheridan deixa as pistas para a montagem do quebra-cabeça nos lugares certos.
O desfecho, no entanto, realmente parece descolado da construção ornamentada até então por Sheridan a partir do texto de David Loucka. É como se as peças fornecidas por Sheridan e Loucka levassem a um final mais ambíguo, menos concreto. É perceptível a imposição do estúdio quanto ao desfecho do filme. O estúdio quis montar o quebra-cabeça, enquanto que Sheridan preferia que o público o fizesse. Com a liberdade de suas interpretações.
Essa intervenção francamente prejudicial, no entanto, não fere de morte o filme – ainda que o apequene sem dúvida alguma.  

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Cenas de cinema (Fatos)


Summer down
Quem olhasse para 2012, em 2010 ou 2011, diria que a temporada de blockbusters era invejável. O último filme da trilogia de Christopher Nolan para o cavaleiro das trevas, a aguardada estreia de Os vingadores, o reboot de Homem aranha, Ridley Scott de volta ao universo Alien, a terceira parte de MIB, releituras de Branca de neve, a primeira princesa da Pixar, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone juntos, entre outras grandes produções. Apesar de movimentar cerca de U$ 4 bilhões – só Os vingadores fez mais de U$ 1,5 bilhão ao redor do mundo – a temporada não poderia ser mais decepcionante. Com a honrosa exceção de um filme estrelado por um urso de pelúcia, todo o mais está fadado ao esquecimento. É o segundo verão americano marcado por produções abaixo da média; em 2011 foi a mesma história.

Contos de fada em alta
Por falar em Ted, o filme dirigido por Seth MacFarlane foi a grande sensação do ano. Inteligente e engraçadíssimo, o filme chamou a atenção para outra corrente que ganhou destaque em 2012. A do conto de fadas. Alguns filmes, na ânsia de falar sobre maturidade, adentraram a lógica de contos de fadas para fazê-lo. Além de Ted, em que Mark Wahlberg tem como melhor amigo um urso falante e todos em cena lidam muito bem com isso, houve Ruby Sparks – a namorada perfeita, em que o escritor vivido por Paul Dano materializa com sua mente uma personagem que criou no papel.

A força está com a Disney

Tomou o mundo de surpresa, a notícia de que a Lucas Film havia sido comprada pela Disney. Já a notícia de que uma nova trilogia Star Wars sairia do forno foi recebida com ceticismo por alguns e entusiasmo por outros. De qualquer forma, não há estúdio mais poderoso em Hollywood hoje do que a Disney. Nos últimos dez anos foram três aquisições de grande impacto: Pixar, Marvel e Lucas Film.

O brilho do cinema francês
2012 pode entrar para os anais da história, como o ano da França no cinema. E não só no Oscar, como se viu com a consagração de O artista. O emocionante Os intocáveis se tornou o filme francês mais rentável de todos os tempos. Nos EUA, inclusive, foi mais visto do que o oscarizado O artista. No Brasil, conseguiu expandir seu circuito depois da estreia. As salas brasileiras, aliás, nunca exibiram tantos filmes franceses quanto em 2012. A arte de amar, Os intocáveis, Bem amadas, Paris-Manhatan e Holly Motors são apenas algumas das muitas produções do país que conquistaram público e crítica no Brasil.

Cena de Até a eternidade: o cinema francês esteve mais in do que nunca em 2012...


A América de Obama
Todo ano precisa de um documentário polêmico. Em 2012, foi a vez 2016: Obama´s America (que não foi exibido no Brasil). Surpreendente sucesso de público nos EUA, o filme, lançado durante a campanha presidencial americana, não esconde sua veia republicana e, muito menos, sua oposição à figura do presidente Obama. O doc não foi endossado pela campanha de Romney, mas foi mais visto nos Estados em que o republicano prevaleceu nas urnas. Por falar em pregar para convertidos, a maioria das celebridades americanas se engajou na campanha de reeleição de Barack Obama. De Beyoncé à George Clooney, que promoveu o maior jantar de arrecadação de fundos que se tem notícia até hoje. Mas quem brilhou mesmo nesse departamento foi Clint Eastwood, que na convenção republicana mesmerizou o mundo ao discursar para uma cadeira vazia simbolizando Obama.

Beyoncé veste Obama: a cantora e atriz foi uma das muitas celebridades que fizeram campanha pela reeleição do presidente americano


Rir é o melhor remédio
Se houve um gênero que se destacou em 2012, esse gênero foi a comédia. Até o grande sucesso do ano, Os vingadores, se esmera basicamente no humor para alinhar personagens tão distintos e fazê-los funcionar juntos. Mas houve outros destaques. Mais uma vez, prevaleceu no cinema nacional, o gosto pelas comédias. Até que a sorte nos separe e E aí, comeu? foram os grandes sucessos brasileiros do ano. Dois dos filmes mais comentados da temporada também foram comédias e do tipo politicamente incorreto. Ted, pois é, novamente citado nesta seção Cenas de Cinema, provocou a ira do deputado federal Protógenes Queiroz que quis censurar o filme no país, mas só conseguiu fazer com que o interesse por ele aumentasse. Já O ditador mexeu em um vespeiro maior. Sacha Baron Cohen com sua habitual virulência se mirou nas ditaduras e acertou o ocidente e as democracias como poucos artistas já ousaram.

O 3D está morto, viva o 3D
Depois de uma enxurrada de filmes em 3D em 2010 e 2011, 2012 foi mais moderado. A média foi de três lançamentos com o uso da tecnologia por mês. Entre maio e agosto, temporada de blockbusters americanos, a média subiu para cinco. Bem abaixo do ano passado que apresentou, entre maio e agosto, média de oito lançamentos por mês com a tecnologia. Esse arrefecimento é natural sob muitos ângulos. Afinal, muitos desses filmes não faziam bom uso do 3D. Talvez o mais interessante desses ângulos, seja o fato de que diretores consagrados estão utilizando o 3D e ajudando a consolidar a plataforma como ferramenta narrativa. Foi lançado no Brasil em 2012, filmes de gente como Martin Scorsese, Werner Herzog e Steven Spielberg. Em dezembro é a vez de Ang Lee. Esses cineastas se apropriam do 3D e ajudam a cativar um público que ainda resistia à tecnologia. De quebra, testam os limites do cinema.

O fim de Crepúsculo
A Summit, estúdio por trás da saga, reluta em aceitar, mas a verdade é que Crepúsculo acabou. Foi uma jornada e tanto! Um séquito de fãs apaixonados igualmente barulhentos à horda de detratores ferrenhos afluíram esses cinco anos. A franquia foi um fenômeno ao qual foi impossível permanecer indiferente. Os mais de U$ 4 bilhões arrecadados pelos cinco filmes são apenas um vislumbre do poder pop de Crepúsculo. Fãs descabeladas que derrubaram seguranças em um hotel brasileiro e fizeram Taylor Lautner temer por sua vida, talvez seja um artifício mais eficiente para dimensionar o vazio que o fim da saga vai deixar.

Profusão de filmes cults

Uma particularidade de 2012 foi a grande quantidade de filmes lançados no ano com vocação para serem cults. Três dele, é bem verdade, são datados de 2011, mas só aportaram nas salas de cinema brasileiras neste ano. Drive (foto), Shame, Os homens que não amavam as mulheres, Cosmópolis, Argo e Holly Motors têm em comum sua engenharia cult. Dois deles, Argo e Os homens que não amavam as mulheres, se sobressaem por conseguirem também serem pops.


Eles deram química...
Muita gente teve boa química nas telas de cinema em 2012. Na última incursão de Ted na lista, Mark Walhberg e o ursinho dublado por Seth MacFarlane puxam a corrente de quem mandou muito bem. O cachorrinho de verdade Uggie virou celebridade e foi o primeiro canino a pisar no palco do Oscar, muito em parte pelo show que deu ao lado de Jean Dujardin em O artista. George Clooney e Shailene Woodley estavam tão bem em seus papéis em Os descendentes que convenciam que eram mesmo pai e filha e com uma longa história. Clint Eastwood e Amy Adams não ficaram atrás em Curvas da vida. Já Daniel Craig e Rooney Mara soltaram faísca em Os homens que não amavam as mulheres. A química não foi só sexual, mas quando rolava sexo...
Craig por sinal, esbanjou química com Javier Bardem, seu antagonista em Operação Skyfall. E quase que a mesma discrição da química com Rooney Mara se aplica aqui...
Já Andrew Garfield e Emma Stone de tanta química quase fizeram de O espetacular homem aranha outro tipo de filme. Mas pare de pensar besteira!

Daniel Craig, o mr. química de 2012, responde à altura o assédio de Javier Bardem em Operação Skyfall: dinamite pura...


... e eles foram reprovados
Sam Worthington tem tudo para ser o novo Arnold Schwarzenegger. Pelo menos no tocante a sua capacidade de desenvolver química com parceiros e parceiras de cena. Tanto em À beira do abismo, com Elizabeth Banks, como em Apenas uma noite, com Eva Mendes e Keira Knitghtley, o australiano foi reprovado com louvor. Channing Tatum e Cody Horn também ficaram devendo em Magic Mike. Tatum, no caso, foi reincidente em Para sempre, tendo dessa vez como parceira a canadense Rachel McAdams. Será que Tatum sofre do mesmo problema de Worthington? Foi Jonah Hill, em Anjos da lei, que impediu Tatum de ocupar a mesma posição de Worthington na matéria.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Quem foi destaque no ano


Bradley Cooper, Ben Affleck e Ryan Gosling. Esses são os nomes que ocuparam o topo dessa lista em outros anos. Em 2012 o “women power” chegou à lista das personalidades de cinema que foram destaque no ano, que o blog organiza anualmente. Ben Affleck bem que tentou reaver o topo, mas não teve jeito. Outros destaques da lista vão para três mulheres jovens que não estão apenas fazendo figuração (no cinema ou na lista) e para um brasileiro que dá sinais de que pode voltar a aparecer em listas dos próximos anos.

10 – Daniel Craig

Ele é James Bond e é James Bond no ano em que se comemorou o quinquagésimo aniversário do personagem. Difícil imaginar uma lista de personalidades do cinema no ano sem a presença de Daniel Craig. O ator entrou 2012 muito bem; provando estofo dramático e vulnerabilidade em Os homens que não amavam as mulheres e chegou à glória com o lançamento de Operação Skyfall no último trimestre do ano. O 23º filme de 007, para muitos o melhor de toda a série, já é a maior bilheteria da franquia em todos os tempos e pode ser mais um filme a adentrar ao clube do bilhão. Seria o primeiro de origem britânica. A cereja do bolo foi a participação, ao lado da rainha da Inglaterra, na abertura dos jogos olímpicos em Londres.


9 – David Cronenberg

Lançar dois filmes em um espaço de um ano não é para qualquer um. Lançar dois dos melhores filmes do ano, então, é uma aritmética quase impossível. Cronenberg fez mais. Um método perigoso e Cosmópolis não poderiam ser, em sua estrutura verborrágica, mais distantes do universo “cronenbergiano” e, em suas proposições temáticas, mais inseridos nesse universo. Da arte de surpreender, Cronenberg arrancou a melhor atuação da carreira de Robert Pattinson e fez do masoquismo e sadomasoquismo assuntos da mesa de jantar.
O diretor já adiantou que pretende fazer uma sátira pouco convencional de Hollywood em seu próximo projeto. Estamos “cronenbergianamente” ansiosos!

8 – Rooney Mara

No início de 2012 só se falava nela. O hype se abrandou, mas foi suficiente para que a jovem Rooney Mara marcasse presença na lista. Bela e talentosa, Mara se beneficiou de abraçar uma personagem icônica em um estágio inicial da carreira. 2012, no futuro, pode ser lembrado como o início de uma trajetória brilhante.


7 – Isabelle Huppert

A atriz francesa teve um 2012 movimentado. Estrelou seis produções de seis países diferentes. Esteve em filme premiado em Berlim, em filme premiado em Cannes e em filme que competiu em Veneza. Huppert, mais do que nunca, ergueu-se como a primeira dama do cinema de autor. No filipino Em nome de Deus, em cartaz em São Paulo, é vítima de sequestro. Em Amour, de vencedor da Palma de Ouro, é a filha do casal protagonista que sofre com prenúncio da partida dos pais. Esteve ainda no sul-coreano In another country, no português As linhas de Wellington e no italiano A bela que dorme. Huppert pode não ser Meryl Streep, mas Meryl Streep também não é Isabelle Huppert.


6 – João Miguel

Ele é o que se costuma chamar em alguns recôncavos brasileiros de “um baita de um ator porreta”. A variedade de recursos que João Miguel, ator de olhar prolixo e gestual eloquente, ostenta é um dos patrimônios do cinema brasileiros. E os diretores estão ligados a isso. Breno Silveira, por exemplo, o escalou para os dois filmes que lançou em 2012. Gonzaga – de pai para filho e A beira do caminho – neste último como protagonista. Marcelo Gomes, um dos primeiros a fazer bom uso do ator baiano em Cinema, aspirinas e urubus (2005), o escalou para dar densidade e contraponto a sua protagonista em Era uma vez eu, Verônica. No início do ano, João Miguel ainda abrilhantou o bom elenco de Xingu. Do cinema nacional, é seu sotaque baiano – por vezes muito bem escondido – que fica como registro de 2012.


5 – Mark Wahlberg

A Forbes o colocou no topo da lista dos atores mais rentáveis de 2012. Como Claquete poderia discordar? Wahlberg fez do razoável Contrabando um sucesso de bilheteria nos EUA na virada de 2011 para 2012, dando um sinal de que seria um dos destaques do ano. Mas nada nos preparava para Ted, um dos maiores sucessos do ano e uma das comédias mais criativas e inteligentes surgidas em Hollywood nos últimos anos. E antes que alguém pense em dar mais crédito ao roteirista e diretor do filme, Seth McFarlane, o próprio admitiu em entrevista à época do lançamento do filme que tinha Wahlberg na cabeça quando bolou a história. “Não sei o que faria se ele não topasse”, reconheceu.


4 – Jean Dujardin

Out of the blue. Essa é a expressão usada pelos americanos para se referir a algo que surge sem aviso prévio. Do nada. É mais ou menos essa a expressão que se adequa à meteórica trajetória do francês que ganhou o Oscar de melhor ator do ano e cativou milhões de espectadores ao redor do mundo sem praticamente abrir a boca em O artista. Dujardin terá algumas provas de fogo em 2013, mas 2012 será para sempre o seu ano.

3 - Jennifer Lawrence

Ela provou que pode carregar a franquia apontada por setores da indústria como substituta de Crepúsculo. De quebra, Lawrence sabe atuar. E bem. Muito bem. Prova disso é que pode voltar a disputar o Oscar de melhor atriz e isso tudo com menos de 23 anos. Se isso não é suficiente para entrar no pódio dessa lista, o que será?


2 – Ben Affleck

Há dois anos, Affleck estava no topo dessa lista. Atração perigosa, em que atuou, roteirizou e dirigiu, mostrava a convergência de talento e maturidade que poucos artistas em Hollywood ostentam. Era um primeiro lugar merecido. Em 2012 ele quase ocupou o topo novamente. O bicampeonato não saiu, mas ei, com Argo “he did it again”!


1 - Kristen Stewart

Ninguém ganhou dinheiro como ela em 2012 em Hollywood. Ou gerou tanto interesse. O final da saga Crepúsculo e uma comentada traição adicionaram pimenta ao ano de Kristen. Ela aceitou rodar cenas de sexo (ainda que não tão calientes quanto se anunciou a torto e direito) para Walter Salles, foi uma branca de neve guerreira, virou vampira e, no final, ganhou o perdão de Rob. Ah, e foi quem mais ganhou dinheiro em 2012!

domingo, 4 de novembro de 2012

Repercutindo 007 - operação Skyfall


É Operação Skyfall o filme definitivo de James Bond? É melhor que essa resposta seja negativa. Se o 23º filme do agente secreto à serviço de sua majestade é um triunfo de narrativa e um acerto do ponto de vista da necessidade de atualizar o personagem, é também uma demonstração eloquente de que Bond está se perdendo de si mesmo. Há menos histrionismo na caracterização de um universo que sempre foi marcado pelo exagero, beirando a sátira. O personagem também mudou. Não que se faça uma defesa do sexismo, e James Bond sempre foi o personagem mais sexista do cinema. Mas o Bond que surge em Operação Skyfall, e que surgiu nos dois filmes anteriores, está longe de ser aquele mulherengo convicto. Ele quase se corrói de possuir uma mulher. O humor é outra matéria prima deixada de lado. As fases estreladas por Roger Moore e por Pierce Brosnan têm grande parte de seu apelo na forma bem humorada que sublinhavam os absurdos do universo que retratavam. O fato da atual fase protagonizada por Daniel Craig se levar a sério demais, nesse sentido, pode ser outro problema nessa espiral de distanciamento de Bond de si mesmo.
Paradoxalmente, Operação Skyfall é o filme que mais aproximou James Bond de si mesmo em um recorte totalmente diverso do que esse texto propunha até o momento. Não só o filme vislumbra Bond encarando seu passado em um momento de regressões emocionais que podem favorecer outros bons momentos na série, como faz com que o personagem cresça emocionalmente – deixando de ser um pêndulo ajustável por cada intérprete. O que reforça o domínio de Daniel Graig sobre o personagem. Mas não só. Operação Skyfall é clássico na administração inteligente que faz do histórico da franquia, resgatando elementos consagrados – como a tensão sexual entre Bond e Moneypenny e o Aston Martin DB5 usado em Goldfinger – e na proposição de elementos novos para a continuidade da franquia – além de contribuir para galeria dos grandes momentos da série com um vilão efeminado que flerta com Bond e o fim de um ciclo que ajudou a revitalizar o gás da franquia.
Dessa forma, Operação Skyfall se inscreve como um filme complexo dentro da franquia. Importante, reverente, ousado, renovado. Sam Mendes parece assinalar, melhor do que fizeram Martin Campbell e Marc Foster, que o James Bond de ontem não pode fazer sombra ao James Bond de hoje. Aos nostálgicos, no entanto, o Bond de Mendes dá uma piscadinha. Mas não mais que isso.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Crítica: 007- operação Skyfall


Íntimo e pessoal

007-operação Skyfall (Skyfall, ING/EUA 2012) tem o mérito de ser o típico filme de James Bond e, simultaneamente, ser um filme incomum de James Bond. Esse aparente paradoxo, que se alimenta constantemente do passado do personagem e de toda a sua mitologia, é orquestrado com fina desenvoltura pelo cineasta Sam Mendes. O diretor aprofunda a proposta de um 007 mais dramático e tridimensional em um filme que menos parece um evento e mais um estudo de personagem. Há pontos positivos e negativos nessa proposta.
Logo no início, em operação na Turquia, Bond é dado como morto após uma mal sucedida operação para reaver uma lista com o nome de todos os agentes infiltrados em células terroristas ao redor do globo. Flagramos, então, um Bond desamparado e entregue a vícios que retorna ao MI6 quando este sofre um atentado. Ele é pessoalmente encarregado por M (Judi Dench) de descobrir o paradeiro da lista e deter os responsáveis por todo esse transtorno. É aí que entra Silva (Javier Bardem), um vilão carismático, assustador, engraçado e tão imprevisível quanto somente um ator com a capacidade de transmutação e decalque que Javier Bardem ostenta poderia encarnar. Silva é um ex-agente que se sente traído por M e mais adiante compreenderemos suas razões.
Ao apresentar um vilão em busca de vingança, Operação Skyfall dá um passo a frente da média dos filmes do 007. As coisas aqui, assinala Mendes, são definitivamente mais pessoais. A própria figura de M cresce de importância. Nunca o fato de a personagem ser atualmente encarnada por uma mulher, e uma mulher com a envergadura artística de Judi Dench, tinha sido tão importante. Nesse contexto, a relação dela com Bond e com Silva se configura na espinha dorsal do filme. Bond, afinal, vivencia circunstâncias que o aproxima do sentimento experimentado por Silva e esse é apenas um dos firmes alicerces sobre os quais Operação Skyfall erige sua dramaturgia.

Sem conexão: Bond, dessa vez, não foi muito além dos interesses superficiais pela Bond girl da vez


O bom roteiro assinado novamente por Neal Purvis e Robert Wade, com supervisão de John Logan, ainda leva Bond a revisitar seu passado em uma sequência que agrega estofo dramático ao personagem. Não à toa, a catarse se dá de uma maneira pouco comum na série, com Bond chorando.
A opção por tornar a questão pessoal, não diminui o espaço de outra discussão bem encampada por Operação Skyfall. A da readequação do personagem à atual conjuntura geopolítica. Em um dado momento, M diz “Não conhecemos mais nossos inimigos. Eles estão nas sombras. Não são mais países, mas indivíduos. O mundo se tornou opaco”. É uma defesa da importância do trabalho de espionagem e de pessoas como Bond para a manutenção da paz. É um dos artifícios de reinvenção da série. Outros podem ser vistos na figura do novo Q (bem adornado por um Ben Whishaw à vontade) e do personagem de Ralph Fiennes, um burocrata do governo britânico que pressiona M por resultados mais efetivos.
Operação Skyfall olha para o passado de James Bond para formatar seu futuro. É poético. Não é o melhor da série, como muitos críticos eufóricos atestaram sem ouvir a passagem do tempo, mas talvez seja o mais importante; e é muito importante que se faça essa distinção. Operação Skyfall, definitivamente, mostra um novo caminho. Menos apoteótico, mais realista e, seguramente, muito desafiador. Mas Sam Mendes deixou o personagem muito bem preparado.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

50 anos de James Bond em Claquete - Arquivos 007



Os melhores vilões

Xenia Onatopp (Famke Janssen)
Ex-assassina da KGB ela não se faz de rogada em sair na mão com 007 e mata suas vítimas esmagando-as com as coxas.

Jaws (Richard Kiel)
Gigantesco e com dentes de aço, ele conseguiu aparecer em dois filmes de James Bond.

Le chiffre (Mads Mikkelsen)
Banqueiro de terroristas que chora sangue, é o responsável pelo confronto mais mental já enfrentado por Bond; e logo em sua primeira missão.


Goldfinger (Gert Fröbe)
Um vilão essencialmente capitalista, Goldfinger quer explodir Fort Knox para desvalorizar o ouro dos EUA e aumentar o valor de sua fortuna.

Dr. No (Joseph Wiseman)
O mérito de ser o primeiro vilão, justamente quem estipulou a base megalomaníaca do antagonista de 007.

Os melhores gadgets

O Aston Martin invisível de 007- um novo dia para morrer (2002)
O telefone celular que funciona como leitura de digitais e ainda controla o carro de 007- o amanhã nunca morre (1997)
O relógio que apresenta funções de laser, serra e imã em 007-viva e deixe morrer (1973)
A pasta que abriga munição e uma faca e ainda dispara um gás letal se aberta de maneira convencional em Moscou contra 007 (1963)
Óculos com visão de raio-x em 007 – o mundo não é o bastante (1999)


As maiores bilheterias *

1 – 007 – Casino Royale (2006) = U$ 640 milhões
2 – 007 – Quantum of Solace (2008) = U$ 575 milhões
3 – 007 – Um novo dia para morrer (2002) = U$ 431 milhões
4 – 007 – O mundo não é o bastante (1999) = U$ 375 milhões
5 -007 contra goldeneye (1995) = U$ 351,5 milhões

*em números absolutos, desconsiderada a inflação




sexta-feira, 26 de outubro de 2012

50 anos de James Bond em Claquete - Operação Skyfall


James Bond está de volta. 007- operação skyfall está sendo considerado pela crítica europeia como o melhor filme da franquia. Expectativa é de quebra de recordes e consolidação de Daniel Craig como o James Bond mais lucrativo da história


“Existia a ideia de lançar um filme no aniversário de cinquenta anos do personagem”, admitiu o produtor Michael G. Wilson à reportagem da GQ americana. Mas não necessariamente seria esse filme o 23º da série. O ritmo adquirido pela franquia desde que Daniel Craig assumiu o smoking de James Bond sugeria que o lançamento do cinquentenário de 007 talvez fosse o 24ª da série. Desde Casino Royale, lançado em 2006, as definições no universo de 007  vinham sendo rápidas. No início de 2007, o franco suíço Marc Foster foi confirmado à frente de Quantun of Solace, que por sua vez, chegou aos cinemas em 2008. Em 2009, foi a vez de Wilson e sua sócia, Barbara Broccoli confirmarem Sam Mendes como diretor do 23º filme de 007. No entanto, pouco depois desse anúncio, muitíssimo bem recebido pela crítica e devidamente repercutido em Claquete, um novo processo de falência da MGM (que já havia enfrentado outro no início da década) pôs tudo em suspensão.
Foi apenas em meados de 2011, após uma série de acordos e parcerias comerciais que ratificaram a Sony como principal motor das produções atuais de James Bond, a produção do novo filme foi liberada.

Elenco de peso
"É um dos melhores atores que existe. Ele não só construiu um grande personagem, como também criou um vilão brilhante. Sua habilidade como ator tornou isso possível e fez dele alguém aterrorizador, mas sem esquecer o tipo cinematográfico que é. Não poderia estar mais contente de tê-lo a bordo", disse Daniel Craig sobre Javier Bardem em entrevista à agência Efe.  Inegavelmente, o ator espanhol é o principal destaque do novo 007. Como o enigmático Raoul Silva, que testará a fidelidade de Bond a M, o ator criou um tipo que alguns veículos internacionais chamam de “brilhante”. Bardem disse à revista inglesa Total Film que apreciou entrar para o universo de 007. “Até este filme, o único blockbuster de minha carreira havia sido Comer rezar amar. É muito divertido fazer parte de um filme desse tamanho”.
Mas Javier Bardem não é a única boa novidade que Operação Skyfall tem a apresentar. A francesa Bérénice Marlohe, até então sem grande expressividade mesmo em sua França natal, ascendeu ao time das Bond girls e admitiu em entrevista a GQ que está curtindo muito seu novo status e espera vingar em Hollywood. A lamentar, apenas o fato de não estar presente no set no dia em que Daniel Graig gravou uma cena nu. “Infelizmente não estava lá nesse dia”, disse a bela. A inglesa Naomie Harris faz outra agente secreta, figura comum nos mais recentes filmes de 007, que se envolve com Bond. Mas a adição que desperta mais curiosidade talvez seja a de Ralph Fiennes. O ator que admite preferir os romances de Ian Fleming aos filmes e declara ser Sean Connery o seu Bond preferido vive um integrante do MI 6 cheio de ambiguidades. Judi Dench retorna como M e Operação Skyfall ainda tem pontas de Albert Finney e Ben Wishaw, como uma versão jovem de Q – o homem por trás das engenhocas de 007.

Javier Bardem, loiro, é o grande atrativo de Operação Skyfall


Adele X Amy
 Tudo mundo sabe que a música tema do novo 007, “Let the sky fall” é interpretada por Adele. E Adele deu o tom certo a uma música que tem tudo para entrar na galeria das grandes canções-tema de 007. No entanto, durante a gestação inicial do projeto, quando a ideia era lançar o filme em 2010, a ideia dos produtores era que Amy Winehouse interpretasse a música tema de 007. Como o filme foi adiado, a ideia arrefeceu e o resto é história. Os produtores hoje não admitem esse interesse e dizem que tudo não passou de boato, mas contatos chegaram a ser feitos no final de 2009. É indiscutível o talento de Adele e a potência de sua cativante voz, mas ficará para sempre a curiosidade de ter Amy interpretando uma canção-tema de James Bond.

Futuro
Ninguém admite, mas a ideia dos produtores é não deixar outro hiato tão grande se impor entre os filmes. Um novo contrato com Daniel Graig, atualmente com 44 anos, já foi assinado para mais dois filmes. O ator, no entanto, evita fazer prognósticos. "Fazemos filmes para o público, esse é o segredo. Sem os espectadores nada existiria e, por isso, tratamos de fazer o melhor produto e o mais excitante possível. Assim foi antes que eu chegasse e assim seguirá sendo".

La femme: a bela francesa Bérénice Marlohe entrou para o time das Bond girls e lamentou não estar presente no dia em que Daniel Craig gravou uma cena pelado


Curiosidades do 23º filme de James Bond

- É a primeira vez que um diretor vencedor do Oscar dirige um filme de 007
- São 41 indicações ao Oscar presentes no filme, entre elenco e equipe de produção. O recordista é o diretor de fotografia Roger Deakins com 10
- O filme de 007 preferido de Sam Mendes é Moscou contra 007
- Será o filme de 007 com maior quantidade de ações promocionais. Dentre os quais se destacam os já tradicionais relógios Ômega, cristais Swaroviski, automóvel Jaguar e os novatos Coca cola zero e Heiniken.
- Sam Mendes admitiu ter sido influenciado pela trilogia do cavaleiro das trevas assinada por Christopher Nolan
-É o terceiro filme de James bom com locações na Turquia. Os outros foram Moscou contra 007 e 007 – o mundo não é o bastante
-Será o segundo filme da série em que James Bond surgirá com barba. O primeiro foi 007- um novo dia para morrer

terça-feira, 23 de outubro de 2012

50 anos de James Bond em Claquete - Quem, afinal, é o melhor intérprete de James Bond?


A discussão é eterna. Como os diamantes. É impossível desviar-se de certa subjetividade na avaliação que se faz dos intérpretes de 007. Mas alguns critérios e balizas podem ser adotados para a aferição de um resultado mais objetivo.
É comum a constatação de que Sean Connery, o primeiro a dar vida a James Bond, é o melhor. Será mesmo? Recentemente, Roger Moore, que sempre foi tido como o maior desafiante a essa hegemonia de Connery, declarou que o atual Daniel Craig foi quem “melhor encorpou Bond, lhe aferindo força física e profundidade emocional”. O voto de Moore pode ter segundas intenções. Ele pode estar interessado em naufragar a corrente que atribui a Connery o posto de “James Bond definitivo”.
É inegável que o peso de ter sido o primeiro joga a favor de Connery. Afinal, ele ajudou a fundar os cânones de 007 e moldou sua representação no cinema com seu charme, beleza rústica e carisma indomável. O humor escocês de Connery, uma variação bem urdida do sarcasmo inglês, também ajudou na engenharia do personagem. Foi Connery quem fez de James Bond uma mania. Além de lhe somar generosos pontos, esse fato contribui para que Connery se estabeleça como referência, tornando inglório o objetivo de relegá-lo a um segundo plano na historiografia de Bond.
No entanto, pesa contra Connery o desapego que ele vira e mexe mostra para com Bond, coisa que os outros dois interpretes que costumam frequentar a preferência de fãs em todo mundo não manifestam. Tanto Roger Moore, que chegou a escrever duas autobiografias que tem Bond no título, como Pierce Brosnan convivem muito bem com o estigma de Bond. Daniel Craig, por sua vez, até melhorou como ator depois de vestir o smoking do espião.

Reinado em disputa: Sean Connery é o Bond definitivo. Mas definitivo até quando?


Os pingos nos is
Se Sean Connery fez de Bond um símbolo de masculinidade, foi Roger Moore quem consolidou o personagem libertando-o justamente da sombra de Connery – depois da mal recebida participação de George Lazemby. Com Moore, a franquia se consolidou e pôde finalmente aspirar eternidade. Moore trouxe humor para 007 e sua fase foi das mais prolíferas com os filmes se enfileirando. Não à toa, é o ator que mais viveu 007 em filmes oficiais (sete) e foi Bond por doze anos. Para se ter uma ideia, Daniel Craig já detém o título há seis e ainda vai para o terceiro filme.
Roger Moore tinha beleza e elegância a seu favor, mas não a rudeza e o charme indevassável de Connery. O humor ajudou a tornar mais tolerável essas diferenças e o público aceitou bem a mudança.
O galês Timothy Dalton, de formação shakespeariana, não teve a mesma sorte. Na verdade, Dalton já foi segunda opção. O irlandês Pierce Brosnan era a primeira opção dos produtores. Com esse feedback, Dalton amargou a pior época para ser Bond. Com o fim da guerra fria, o personagem estava aparentemente sem sentido e o mundo estava perplexo com o surgimento da AIDS o que incidiu também na característica predadora de Bond. Resultado? Dalton, que só ficaria mais charmoso dos anos 2000 para cá, amargou o título de pior Bond. Isso por que em defesa do australiano Lazemby podem argumentar sobre a pressão de substituir Connery e o fato de não terem lhe dado uma segunda chance. Dalton tem poucas desculpas a seu alcance.

Roger Moore trouxe humor e sofisticação para a série e a libertou da sombra de Sean Connery 

Pierce Brosnan trouxe classe ao personagem e soube equilibrar as virtudes de todos os seus antecessores


Nos anos 90, com o avanço da tecnologia, os orçamentos dos filmes ficando mais gordos e o maior hiato da história para os filmes de 007 (sete anos), tudo parecia conspirar a favor de Pierce Brosnan. E ele não decepcionou. Classudo, cheio de charme e bonitão, Brosnan conseguiu conciliar as melhores características das versões de Connery, Moore e até Dalton. Parecia ser o Bond perfeito. De fato, o ator se apoderou do personagem de tal maneira que foi difícil imaginar 007 pós- Brosnan. Talvez isso ajude a explicar a razão dos produtores terem vendido o peixe do reboot quando confirmaram Daniel Craig como seu substituto. Craig foi bastante questionado. Eram questões legítimas. Seria o primeiro Bond loiro, baixo e, vá lá, feio. Descrição completamente distinta das bases propostas por Ian Fleming. Mas Craig também é charmoso, sexy e seria o primeiro Bond com tórax definido.
No final das contas, Daniel Craig se beneficiou do momento que vive o cinema de ação e como isso influenciou a nova safra dos filmes de Bond. Bom ator, imprimiu um estilo pessoal que faz lembrar as origens de Bond com Connery, mas se permite aprofundar emocionalmente o personagem. Algo que não ocorria com Connery, em parte porque o objetivo não era esse.
Daniel Craig talvez disponha do melhor James Bond. Essa seria uma definição mais acurada. Roger Moore é o principal responsável por esse Bond ter chegado a Daniel Craig. Connery é a referência suprema e, talvez, Pierce Brosnan mereça mais justiça. Se não tivesse vingado como Bond, com o personagem fora dos cinemas há sete anos, tudo teria acabado ali. Em 1995.

Daniel Craig em registro dos sets de Operação Skyfall: Moore já declarou apoio para elegê-lo o melhor Bond de todos os tempos, mas cabe à história julgar

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Crítica - Os homens que não amavam as mulheres

Um colosso de filme!
Os homens que não amavam as mulheres (The girl with the dragon tattoo, EUA 2011) é daqueles filmes que te acompanham depois da sessão. Por algumas vezes, você vai se pegar pensando nele. Não só porque a fita conta com uma das personagens mais cativantes da atualidade, a hacker Lisbeth Salander – aqui defendida com garra e devoção pela excelente Rooney Mara – mas porque David Fincher sobeja na arte de contar bem uma história. 
Filmes que te fazem pensar são uma raridade. Filmes que te fazem pensar após a sessão, no entanto, não são uma raridade para David Fincher. O diretor americano realiza uma façanha com essa versão americana para o best-seller sueco da trilogia Millennium; melhora, e muito, o resultado em relação ao material original.
Pelas mãos de Fincher, não só a história de mistério que congrega perversões, nazismo e toda sorte de fetiches ganha relevo dramático, como a relação entre os dois personagens principais se transforma em um poderoso elemento narrativo.

Rooney Mara como Lisbeth Salander: uma atriz que se doa intensamente a uma personagem fascinante


Nesse sentido, algumas opções de Fincher se provam certeiras. Manter a história na Suécia foi crucial, já que o forte frio é elemento vital na trama, bem como o fato da família Vanger ser européia. O tom acinzentado que predomina na fotografia é um acerto que acresce à atmosfera obscura que Fincher convenciona para seu filme; que parece destinado a ser pop e cult, talvez em maior escala do que se podia imaginar de uma versão americana para um livro sueco.
Outro acerto de Fincher foi Rooney Mara, atriz que reclama qualquer traço de autoria de Lisbeth Salander para si. Desinibida quando necessário expor a fragmentação emocional de sua personagem e frágil quando preciso sublinhar sua vulnerabilidade, Mara é a perfeita síntese do fascínio que sua personagem exerce. Uma entrega tão avassaladora que um Oscar seria pouco para lhe fazer justiça.
Daniel Craig, que não foi a primeira opção de Fincher, traz leveza e sofisticação a seu Mikael Blomkvist – características tão díspares daquelas que lhe são atribuídas. Uma prova a mais do quão bom ator é.
Ambos respondem muitíssimo bem aos estímulos de Fincher para que a relação entre os personagens – mesmo quando ainda não se conhecem – seja o cerne de Os homens que não amavam as mulheres. Por isso a construção inicial, onde Fincher parcimoniosamente apresenta Blomkvist e Salander para a platéia em eventos paralelos com pouca relação entre si, é tão importante. Não falta ao diretor à perspicácia de incutir em seu público a exata noção de quem são aqueles personagens. Por mais indecifrável que Lisbeth Salander possa ser, a cena final (genial em sua sutileza incontida) a torna mais próxima de todos nós.
Os homens que não amavam as mulheres não tem a importância histórica de A rede social ou sua genialidade narrativa, mas – ainda assim – é um colosso de filme. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Filme em destaque - Os homens que não amavam as mulheres

Perversões, psicologia e uma nova estrela

David Fincher volta a falar de mistérios, serial killers e obsessões em Os homens que não amavam as mulheres. Claquete apresenta os bastidores do filme que apresenta o talento de Rooney Mara para o mundo



Quando o diretor David Fincher foi anunciado como o responsável pela versão americana de Os homens que não amavam as mulheres, a expectativa tomou conta da indústria, de cinéfilos e  dos fãs da obra original do sueco Stieg Larsson. Isso porque Fincher celebrizou sua fama de perfeccionista e cerebral com tramas de serial killer (Seven, Zoadíaco) e contemporaneidade irresoluta (Clube da luta e A rede social).
O diretor ainda estava envolvido na pós-produção de A rede social, filme produzido por Scott Rudin e pela Sony Pictures, os mesmos responsáveis pela produção do primeiro filme da franquia Millenium. “A ideia de ter Fincher a bordo deste projeto me parecia natural”, justificou Rudin à época do anúncio da produção do filme. O diretor emendou um trabalho no outro e um dos primeiros movimentos de Rudin foi tentar garantir a quarta colaboração entre Brad Pitt (o ator favorito de Fincher, segundo o próprio) e o diretor. Mas Pitt bateu o pé que só assinaria contrato depois de ter acesso ao roteiro (que ainda não estava finalizado quando o processo de casting teve início) e a parceria consagrada em Seven, Clube da luta e O curioso caso de Benjamin Button permanece circunscrita a esses três filmes.
Mas havia a necessidade de um “ator de prestígio” nas palavras do produtor executivo Ryan Kavanaugh, para viver o jornalista decadente Mikael Blomkvist. Foi aí que Daniel Craig, o atual James Bond, entrou no projeto. Craig não tinha a mesma restrição que Pitt quanto ao roteiro e estava ávido por trabalhar com Fincher, a quem comparou, em entrevista recente, a Hitchcock. Como a Sony queria o filme para o natal de 2011 e o anúncio da produção só foi feito em novembro de 2010, era imperativo que a pré-produção fosse concomitante com a elaboração do roteiro.
Com Craig a bordo, faltava a principal peça do elenco de Os homens que não amavam as mulheres: Lisbeth Salander. A personagem, uma cyberpunk bissexual, implosiva, violenta e desconfiada catapultou a carreira da intérprete original, a atriz sueca Noomi Rapace. Fincher estaca ciente de que precisava, mais do que uma atriz capaz de transformar-se em Lisbeth, de uma que desaparecesse completamente na personagem.
Mara como Lisbeth: sensualidade e
introspecção na medida certa

Scarlett Johansson, sugestão dos produtores, foi considerada pelo diretor, mas – conforme o próprio revelaria em entrevista posterior em Cancun no México – a atriz era sexy demais para a personagem. Sorte de Rooney Mara. Com carreira curta, a atriz de 26 anos – filha de milionários donos de times de futebol americano – impressionou Fincher na cena de abertura de A rede social – em que dá um fora no Mark Zuckerberg de Jesse Eisenberg. Fincher sugeriu um teste. E não um teste qualquer. Uma cena de estupro. Mara impressionou ainda mais. “Eu e David conversamos muito. Ele realmente queria sentir se eu estava entendendo a personagem”, disse Mara em entrevista ao O Estado de São Paulo, sobre sua preparação para viver a personagem. O processo incluiu voltas de moto pelas gélidas ruas suecas para que Mara se aclimatasse com o ambiente e com o perfil de Lisbeth Salander.

A história
São muitos os componentes que atraem na trilogia Millennium. David Fincher declarou em entrevista ao UOL Cinema que “o pervertido" o atrai. O diretor afirmou que se sente confortável investigando patologias no cinema. Para o cineasta, a obra de Larsson é rica nesse sentido. Rooney Mara se mostrou mais interessada na psicologia dos personagens e Daniel Craig salientou que admira o idealismo de seu personagem. Craig, aliás, declarou que entende mais o jornalismo após a experiência de dar vida a um jornalista no filme.
Na trama, o jornalista vivido por Craig, um tipo um tanto sensacionalista, é contratado por um magnata (Christopher Plummer) para aclarar as circunstâncias do desaparecimento de sua neta em 1966. São das necessidades aventadas pela difícil investigação que os caminhos do jornalista e da hacker interpretada por Rooney Mara se cruzam. “Acho que o forte do filme é o relacionamento desses dois seres tão antagônicos”, afirmou Rooney Mara.


Não é material para o Oscar
Em setembro, David Fincher admitiu ser improvável que Os homens que não amavam as mulheres fosse indicado ao Oscar. Na concepção do diretor, se trata de um filme ambíguo e violento demais para os padrões da academia. Mas a enxurrada de críticas positivas e as indicações para os prêmios dos sindicatos dos produtores e diretores sinalizavam o contrário.    
No fim das contas, Os homens que não amavam as mulheres foi indicado para cinco Oscars (atriz, montagem, fotografia, mixagem de som e edição de som), mas se viu fora das prestigiadas categorias de filme, direção e roteiro.

O grosso das filmagens foi na Suécia e por muitas vezes foram necessárias interrupções nas gravações por causa do forte frio


O filme, que tem classificação para maiores de 18 anos, se transformou em grande sucesso de público nos EUA. Já rendeu U$ 100 milhões e a Sony já anunciou as duas continuações (A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar). Daniel Craig e Rooney Mara já estão contratualmente assegurados para ambos os filmes. Resta saber se Fincher, que tem notória resistência a sequências, dará mais uma chance ao pervertido.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Momento Claquete # 23

As irmãs Fanning, Dakota e Elle, em editorial de moda exclusivo da edição de dezembro da revista W 


Justin Timberlake segura o tchan para um dos cliques da edição de novembro da Esquire Britânica 

Uma das fotos que constam do miolo da Rolling Stone americana de dezembro que tem George Clooney na capa confessando, entre outras coisas, que perdeu a virgindade aos 16 anos. O que o próprio considera ter sido muito cedo 


Gary Oldman e sua esposa, a cantora Alexandra Edenborough, compareceram ao Governor´s awards no último fim de semana em que a academia concedeu os Oscars honorários a Oprah Winfrey, James Earl Jones e ao maquiador Dick Smith

Steve McQueen e Michael Fassbender, diretor e protagonista de Shame, também compareceram ao evento. Ambos tentar angariar votos para o polêmico filme na temporada de premiações

Steven Spielberg e Jamie Bell compareceram à premiere francesa de As aventuras de Tintin. O filme vêm recebendo críticas mistas e já preocupa quanto ao seu desempenho nas bilheterias 

Ashley Greene posa para fotos junto aos fãs na premiere americana de Amanhecer-parte 1, realizada em Los Angeles na segunda-feira (14) 

Daniel Craig e Rooney Mara estampam a capa desta semana da Entertainement Weekly. Para a revista, o filme de David Fincher é o blockbuster do final de ano