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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Crítica: Bling ring - a gangue de Hollywood


Existência canibalizada

Bling ring – a gangue de Hollywood (The bling ring, EUA 2013) é uma progressão natural do cinema de Sofia Coppola. É pop, aprofunda o olhar da cineasta sobre o mundo da fama e acentua os interesses formais de sua dramaturgia pelas divagações existenciais no mundo dos ricos e famosos.
Baseado em uma reportagem da revista americana Vanity Fair, Bling ring é um filme cuja maior ousadia é comportar em si todo o glamour que objetiva criticar. Ou seja, Sofia se ressente de ir muito a fundo na crítica que enseja com seu filme, talvez por se reconhecer no universo que retrata, talvez porque antes da crítica venha o esforço, e genuíno interesse, de compreensão desse mundo perdido entre dois universos. O dos mortais e dos imortalizados pelo show business. A participação de Paris Hilton, que abriu sua casa à produção e faz uma ponta no filme, nesse contexto, destaca esse aspecto de retroalimentação que Bling ring se presta. É o feitiço de Narciso em sua encarnação mais insinuante. Essa dialética, que passa incólume para muitos observadores, torna Bling ring um filme muito mais interessante. Mais concatenado. Mais senhor de sua essência. Ainda não é o filme que o talento de Sofia Coppola, tão bem insinuado em Encontros e desencontros, pode ofertar, mas é um passo consciencioso nesse sentido.
Como já se sabe, o filme acompanha um grupo de jovens de classe média alta de condomínios ostensivos de Los Angeles que invadiam e furtavam as casas de famosos quando eles estavam ausentes. O absurdo da história ganha contornos ainda mais espetaculares porque eles localizavam a casa de suas vítimas pelo google street view e sabiam de suas agendas pelo site de fofocas TMZ. Esse tipo de culto, em que se se canibaliza ao máximo seu ídolo, é um prato cheio para o cinema de questionamentos irresolutos de Sofia Coppola. Rebecca, a personagem de Katie Chang, mentora intelectual da informal gangue, não por caso se mira em Lindsay Lohan (conhecida por seus inúmeros problemas emocionais), quando interrogada pelo policial quase surta para saber o que Lindsay, afinal, havia comentado sobre ela. É aí, nesse particular comentário, que Sofia Coppola brilha.

Pode não parecer, mas a atuação pontual de Emma Watson - como uma patricinha periguete deslumbrada - é um dos alicerces do novo filme de Sofia Coppola

A alienação da juventude atual, constantemente conectada na internet em um ritual de auto-adoração frenética nas redes sociais, é a argila perfeita para Sofia moldar suas reflexões (ainda que elas sejam as mesmas) sobre esse universo tão perseguido nesse mundo de realities shows e toda sorte de derivados da profecia de Andy Warhol.
A construção do filme favorece esse distópico caráter de crítica e glamourização. É uma abordagem corajosa enfatizar o vazio da existência e se deixar por ele seduzir. Costuma-se dizer que para se entender determinada questão, deve-se procurar olhar com “outros olhos”. É o que Sofia procura fazer aqui. Para depois retomar as alças do filme e oferecer um contraponto até certo ponto esperado por quem se predispõe a assisti-lo. Justamente por isso ela radicaliza alternando o desenvolvimento da ação, com o recolhimento de depoimentos dos envolvidos por uma jornalista da Vanity Fair. É uma maneira de lembrar o público que seu filme se trata, afinal, de uma versão. Nesse sentido, os personagens de Emma Watson e Israel Broussard são pontuais. Seus personagens, nos caminhos emocionais distintos que seguem depois que seus delitos se tornam públicos, são as duas faces de uma moeda que todos, admitam ou não, guardam em seus bolsos.
Bling ring, com um elenco no ponto certo, uma trilha sonora eloquente, uma fotografia pulsante e uma direção que sabe precisamente aonde quer chegar, é o filme mais maduro de Sofia Coppola. Ainda que não seja o melhor.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Filme em destaque: Bling ring - a gangue de Hollywood

Jogo de espelhos na cultura de celebridades
Novo filme de Sofia Coppola, baseado em eventos reais, expande o interesse de seu cinema pela fama e suas reminiscências encorporando glamour, crítica e o lado B da geração Y


“Eu acho que Los Angeles é o centro da cultura americana atualmente por causa de todos esses reality shows, como o “Kardashians”, que são filmados em Hollywood e Los Angeles. E a cultura do tapete vermelho se tornou muito influente em todo o país”, diz Sofia Coppola sobre a influência e ambiente de seu novo filme, Bling ring – a gangue de Hollywood que estreia nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros. “Essa história só poderia se dar aqui”.
Após ler a reportagem de Nancy Jo Sales (“Os suspeitos vestiam Louboutins”) na revista Vanity Fair, Sofia Coppola encontrou o filme que sucederia o êxito parcial de crítica e vencedor no Festival de Cinema de Veneza Um lugar qualquer.  
A reportagem dava conta de mostrar os jovens que invadiram e furtaram as mansões de celebridades como Orlando Bloom, Paris Hilton, Rachel Bilson, Lindsay Lohan entre outras. “Quando comecei nisso (no roteiro), Nancy me deu suas transcrições das entrevistas com os jovens reais. Eu não podia acreditar em algumas coisas que eles haviam dito, aquilo revelava muito sobre eles, seus objetivos e nossa cultura. Eu meio que deixei minha imaginação ir a partir dali”, disse no material divulgado à imprensa pela distribuidora brasileira.
Sofia conta que colocou no filme muito do “que lembra do que é ter essa idade” em referência ao fato dos protagonistas serem adolescentes deslumbrados com a fama.
“Estou sempre falando de pessoas que lidam com a fama como um fardo”, pontua em entrevista ao jornal O Globo. “No caso de Bling ring, falo disso, mas quis avançar na forma de tratar o tema a partir do discurso corrente dos personagens que se movimentam e pensam via internet. Minha narrativa parece uma sucessão de spams com vários fatos corriqueiros saltando”.

Trash chic: deslumbramento pela fama, juventude, ociosidade e glamour se confundem no novo filme da diretora de Encontros e desencontros

Osmose
A escalação do elenco era ponto nevrálgico para as pretensões de Coppola em relação ao filme. “Era muito importante achar pessoas autênticas realmente dessa idade, porque sempre me incomoda ver atores de 25 anos vivendo adolescentes”, explica a filha de Francis Ford Coppola.
Emma Watson, o nome mais conhecido do elenco, vive Nicki, uma piriguete. “Eu tive que fazer coisas que como eu mesma, Emma, jamais faria. É divertido explorar um lado diferente de si mesma por meio de um personagem”, expõe a atriz que aos poucos vai deixando a bruxinha Hermione da franquia Harry Potter para trás.
O que chama a atenção é que Coppola, mesmo que inadvertidamente, acabou por escalar para viver esses jovens obcecados pela fama um punhado de intérpretes que já tem alguma ideia desse universo. Taissa Farmiga, que vive Sam, a irmã adotiva de Nicki, é irmã da atriz Vera Farmiga e já atuou, por exemplo, na série de tv American Horror Story. Claire Julien, que vive Chloe, é filha do diretor de fotografia Wally Pfister. Ela conta que não houve dificuldade em entrar na personagem. “Muitas pessoas me dizem que eu fui uma boa escolha para fazer a personagem e eu concordo até certo ponto. Eu não faria coisas que Chloe fez, nem faria as mesmas escolhas que ela, mas eu posso ver semelhanças. Temos senso de humor parecido, o mesmo gosto musical e usamos o mesmo tipo de linguagem”.
O principal personagem da trama, no entanto, é Mark – vivido pelo ator estreante Israel Broussard. “Creio que Sofia queria  que Mark fosse o coração da história. Há algo que inspira compaixão nele”, diz o ator que vive o único menino da trupe e que, novo na escola, vive às voltas com a indefinição de sua sexualidade.
A busca por veracidade no registro é tanta que Paris Hilton, uma das celebridades lesadas pelo The bling ring, surge como ela mesma no filme e abre as portas de sua mansão para que o filme de Coppola possa se confundir uma vez mais com o real.
Emma e Sofia na premiere em Cannes
“Meu amigo Stephen Dorff (protagonista de Um lugar qualquer) me chamou e disse que Sofia queria falar sobre algo comigo”, relembra Paris. “Ela me falou sobre esse projeto. E é claro que eu sei muito sobre a história verdadeira porque eu estava envolvida na vida real, então eu estava muito excitada em atender ao chamado dela e fazer parte disso. Eu realmente estava nas boates com essas garotas que estavam usando vestidos que roubaram do meu armário na minha frente e eu não tinha ideia.”
Como parte da preparação para o longa, os atores tiveram que assistir horas de realities como “Pretty wild”, The simple life” e programas como “The hills”.
Lançado na mostra Um certo olhar do último festival de Cannes, Bling ring – a gangue de Hollywood foi recebido de maneira positiva pela grande maioria da crítica e saudado como uma  bem- vinda mudança de tom de Sofia Coppola, ainda que seus interesses característicos estejam todos lá. “Eu acho que há uma mistura de glamour e crítica no filme; mas no fim isso vai dar ao público algo sobre o que pensar”, finaliza Coppola sobre sua mais recente empreitada cinematográfica.   

domingo, 11 de agosto de 2013

Insight - os papéis mais sensuais do cinema recente

Falar dos papéis mais sensuais do cinema recente não é tarefa fácil. O espaço para divergência é tenebroso e o conceito de recente é por demais amplo. É preciso estabelecer alguns critérios. O alcance desse artigo vai até 2010. Em três anos, houve mais papéis sensuais chegando às telas de cinema do que se pode imaginar em um primeiro momento. A lista poderia cobrir uma década e ainda assim ser considerada pertinente ao cinema recente, mas sucumbiria a obviedades. Diminuir sensivelmente seu alcance força um esforço de escavação e imaginação muito mais sedutor, estabelecendo relação de conveniência com os propósitos do artigo, portanto. 
Em primeiro lugar, é preciso dissociar personagens sensuais das performances sexy dos atores ou mesmo de nossas expectativas (mesmo assim Ryan Gosling tem um papel lembrado aqui). Isso feito, verifica-se que um filme que trata de sexo como Shame não apresenta nenhum personagem sensual e que outro, uma comédia rasgada e boba como Quatro amigas e um casamento apresenta uma personagem francamente sensual.




Dean Moriarty em Na estrada
Um vulcão em erupção. Essa definição veste muito bem o personagem mais canônico do livro marco da geração beat que ganhou o rosto e corpo de Garrett Hedlund em Na estrada. Um tipo indomável, amante da vida e de seus prazeres que não se priva de usar todo o seu poder de hipnose e encantamento.

Tony Stark na trilogia Homem de ferro
A primeira vez de Tony Stark no cinema foi em 2008, mas o pós-Tony Stark ainda está impregnado de Tony Stark. O delicioso misto de arrogância e fragilidade tão bem adensado por Downey Jr. tornam o personagem – que voltou aos cinemas em 2010 e 2013 - irresistível.  

James Bond em 007 – operação Skyfall
Bond está aí desde os anos 60, mas desde a despedida de Sean Connery o personagem não era tão selvagem, viril e robusto. No 23º filme da franquia, porém, Daniel Craig encontrou a classe que faltava para equilibrar sua sensualidade bruta à elegância tradicional de Bond. Ver o agente ferido emocionalmente, se sentindo vulnerável e traído, fez Bond soar ainda mais sensual.



Katie em Quatro amigas e um casamento
Ela é fácil e nem tão inteligente assim, mas sua doçura e generosidade se misturam a exuberância física e confiança dessa mulher tão bem irradiada pela performance pontual de Isla Fischer. Se o mundo é das piriguetes, Katie é nossa rainha.

Anna em Para Roma com amor
A participação é curta, mas é vermelha. Os lábios de Anna, uma prostituta italiana que confunde um homem em lua de mel com um cliente, combinam com o vestido curto e bem ajustado no corpo de Penelope Cruz e dão o tom da personagem que é muito mais brasa e carinho do que a própria esposa do confundido.

Joanna em Apenas uma noite
A hesitação de uma mulher pode nos levar à loucura e Joanna (vivida com a graça de sempre por Keira Knightley) hesita bastante. Confiar no marido ou não, trai-lo ou não. Ceder à tentação de cair nos braços de uma antiga paixão ou não. A sensualidade da personagem está mais na sua não-ação do que no que de fato faz. Vestir-se bem e ter lembranças de Paris ajuda!

Driver em Drive
O personagem foi construído para ser sexy e Ryan Gosling era o homem certo para dar cabo do que o papel apenas podia sugerir. A jaqueta, o neon, o silêncio...  Nem bom moço, nem mau moço. Uma deliciosa bifurcação disso.



Lucy em Beleza adormecida
Emily Browning vive um fetiche masculino nesse filme conceitual de Julia Leigh. O que não a impede de construir uma jovem desconectada de sua essência e que não tem ciência de sua beleza e força interior. Essa não consciência pode ser delirantemente sensual.

Elizabeth Em transe
A típica femme fatale que só se revela como tal lá pelos idos do filme. Um homem às vezes gosta de ser manipulado e no mais recente filme de Danny Boyle, Elizabeth (Rosario Dawson) manipula dois. Nada fascina mais do que uma mulher ciente de seu poder de sedução.

Menção honrosa:

Nicki em Bling ring – a gangue de Hollywood
Ela é a razão desse artigo existir. No trailer, Nicki (Emma Watson) já demonstra que a sensualidade é seu cartão de visitas. E vamos visita-la!

domingo, 21 de outubro de 2012

Insight

Atrizes em evolução


Algumas atrizes que já estão há algum tempo ativas no cinema carregam consigo a máxima de não serem boas atrizes. Na vertente majoritária, são boas estrelas ou atrizes bonitas. Para pelo menos algumas delas, o panorama está mudando. Keira Knightley é um bom exemplo. Revelada na franquia Piratas do Caribe, a inglesa estrelou longas como Rei Arthur (2004) e Domino-a caçadora de recompensas (2006) sem causar grandes inquietações. Mesmo a indicação ao Oscar em 2005 por Orgulho e preconceito não foi levada a sério. Mas de uns tempos para cá, Keira tem demonstrado evolução dramática. Além de ter selecionado melhor seus projetos e seus papéis.
Desejo e reparação (2007) talvez, na revisão que se propõe esse artigo, seja um bom marco zero para esse "turn" na carreira. A segunda colaboração com o diretor Joe Wright, no entanto, não exigia tanto assim de Keira. A duquesa, do ano seguinte, já exigia uma atriz com mais dotes dramáticos e alguma capacidade de fluxo narrativo. Ali, como principal elemento narrativo, Keira surpreendia efetivamente pela primeira vez como atriz. Mas a partir de 2010, Keira atingiu outra patamar. Começou com Não me abandone jamais, um filme inglês muito sensível sobre humanidades. A atriz está discreta, mas com forte presença em cena. Encarna uma personagem potencialmente desagradável com candura e perspectiva. Ainda em 2010 esteve em Apenas uma noite, lançado apenas em 2012 no Brasil. Neste filme, ela solta uma sensualidade marota em uma personagem em confusão emocional e deixa transparecer uma atriz mais sugestiva do que se podia imaginar. Em Um método perigoso ela arrebata. Em um papel difícil, com uma personagem que no começo do filme apresenta um quadro de histeria em um época em que a ciência ainda não dominava exatamente o diagnóstico, ela evita a caricatura. Uma atuação com extrema eficácia física e acerto na construção emocional da personagem envolvida em uma batalha de egos entre os pais da psicanálise. Já no agridoce Procura-se um amigo para o fim do mundo, Keira se permite certo histrionismo dramático em uma composição menos exigente, mas mais traiçoeira. Ela brilha como uma otimista ingênua apaixonante nessa comédia romântica que tem o apocalipse como pano de fundo.

Keira em Um método perigoso: Tão boa e tão fiel na caracterização de um quadro de histeria que muita gente achou que ela estava exagerada


Keira é o principal expoente de um conjunto de atrizes que deseja ser levado a sério. Veneza aplaudiu a ucraniana Olga Kurylenko por sua performance em To the wonder, novo filme de Terrence Malick. A ucraniana já declarou que espera que o filme lhe renda convites mais sérios no cinema americano.
Rachel McAdams, que está no mesmo filme, é outra que tenta se desvencilhar do histórico de produções água com açúcar. Depois de trabalhar com Woody Allen em Meia-noite em Paris, ela também poderá ser vista em Passion, novo longa de Brian De Palma. A atriz também já está confirmada no novo drama de Anton Corbijn, diretor de Control, A most wanted man (baseado em romance de John Le Carré).
Outro exemplo bastante nítido, e certamente precoce, desse movimento é Rooney Mara. “Surgida” para o cinema no remake de A hora do pesadelo (2010), a atriz logo no ano seguinte foi ao Oscar pela atuação acachapante em outro remake, dessa vez com mais pedigree. Mas Os homens que não amavam as mulheres não foi um espasmo. A atriz já está envolvida nos novos de Terrence Malick e Steven Soderbergh. Uma demonstração de que quer realmente acontecer.
Emma Waltson, a Hermione da saga Harry Potter, é outra que anseia valorização artística. Com o fim da saga criada por J.K Rowling, Emma até ensaiou um pausa na carreira como atriz, mas mudou de ideia. E engatou uma série de projetos ousados e dramaticamente interessantes. Ela está em cartaz nos cinemas brasileiros com o elogiado e independente As vantagens de ser invisível. Já terminou as filmagens do novo de Sofia Coppola, The bling ring e já está gravando o épico Noah, de Darren Aronofsky.

O desafio de Emma: ela quer ser popular e cult simultaneamente e tudo indica que vai conseguir


Jennifer Lawrence é outra que não quer saber de ficar restrita a sua beleza. Depois de uma acachapante boas vindas com Inverno da alma, que lhe rendeu indicação ao Oscar, ela escolheu protagonizar uma franquia (Jogos vorazes) cujos temas agradam muito mais à crítica do que outras tantas por aí. Jennifer também se abrigou sob a batuta de diretores festejados. Já vê seu nome especulado para o próximo Oscar pelo trabalho em Silver Linings playbook, de David O. Russell. Seria a segunda indicação na categoria de atriz em três anos e com apenas 22 anos de idade.
Juntas, essas atrizes buscam mais do que um lugar ao sol em Hollywood. Elas desejam mostrar que não estão no cinema em busca do estrelato pelo estrelato. E o talento cada vez mais lapidado dessas belas feras faz com que o cinema, de maneira geral, saia como o grande vencedor.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Em off

Para não deixar as leitoras do blog desprovidas após o TOP 10 do mês, Claquete elaborou uma lista com os dez personagens masculinos mais sexies do cinema. Se preparem, é muita testosterona para a sua tela de computador! Além dessa listinha, a seção Em off destaca a mais nova aposta arriscada da Disney no cinema, a nova musa de Sofia Coppola, o ano da virada de Bruce Willis e a melhor estratégia de carreira para Jean Dujardin. 



10 - Edward Lewis em Uma linda mulher (1990)
Richard Gere
A mais perfeita e, ainda atual, tradução do que seria um príncipe encantado na organização social contemporânea. Richard Gere dá vida a um empresário bem sucedido que faz a personagem de Julia Roberts viver um sonho de Cinderela. Gere está no auge da beleza e faz de seu Edward Lewis o bom partido definitivo.

9 - Jacob Palmer em Amor a toda prova (2011)
Ryan Gosling
Ele sabe que roupa vestir, o melhor perfume para seduzir e domina outras estratégias certeiras para fazer misérias com o sexo oposto. O predador sexual vivido por Ryan Gosling em Amor a toda prova faz o tipo seguro que funciona com muitas mulheres. Quando se permite vulnerável, se abre para um outro contingente considerável de “presas”.

8 - Jack Sparrow na Franquia Piratas do Caribe (2003 – atualmente)
Johnny Depp
E no departamento de canalhas, Jack Sparrow é rei; ou capitão, se preferir. Sujo, maltrapilho e frequentemente embriagado, Sparrow possui um charme matador que deve muito a seu intérprete. Sparrow, no entanto, muito em virtude de suas peculiaridades, é disparado o personagem mais sexy da carreira de Depp.

7 - Max Cady em Cabo do medo (1991)
Robert De Niro
Todos sabemos que um vilão pode ser muito sedutor. E no caso de Max Cady, vivido com alta voltagem sexual por Robert De Niro, ser sexy pode ser uma estratégia a mais para desestabilizar suas vítimas. Nesse clássico de Scorsese, Cady busca vingança contra o advogado que ele entende ser o grande responsável por sua condenação. Ele não se furta a seduzir a filha menor de idade do personagem de Nick Nolte. Cady é a mais perfeita síntese de como o perigo pode ser atraente.

6 - Johnny Castle em Dirty dancing – ritmo quente (1987)
Patrick Swayze
Misterioso, bonito e um ás da dança. Johnny Castle, encarnado em um Patrick Swayze em seu auge, é o pesadelo dos pais de toda e qualquer menina – inclusive Baby que cai de amores por ele. Castle é sensual sem ser banal, rude sem ser cafajeste e justamente por essas sutilezas garante lugar nessa lista.

5 - Juan Antonio em Vicky Cristina Barcelona (2008)
Javier Bardem
Outro homem misterioso, de latinidade transgressiva e virilidade exuberante é Juan Antonio, vivido por Javier Bardem. Apaixonado pelas artes e amante do que a vida tem de melhor a oferecer, o personagem não chega a ser uma esfinge a ser decifrada, mas é um imã para mulheres de toda e qualquer procedência.

4 - Stanley Kowalski em Uma rua chamada pecado (1951)
Marlon Brando
Verdadeiro referencial para sexualidade e sensualidade no cinema, o Stanley de Marlon Brando é o grande paradigma em termos de virilidade no cinema. Não é para menos. Brando domesticou o personagem com sua musculatura abrutalhada, sua expressão desejosa e sua libido explosiva.

3 - James Bond na franquia 007 (1962 -  atualmente)
Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig
Do outro lado de Stanley está James Bond. Uma alternativa sofisticada a Stanley, ainda que tão viril quanto. Alguns interpretes realçaram o aspecto macho alfa de Bond como Connery e o atual Craig, outros preferiram sublinhar a elegância e senso de humor do personagem, casos de Brosnan e Moore. Todos o assinalaram como um homem que sabe ser sexy. Reside aí toda a diferença.


2 - Danny Ocean em Onze homens e um segredo (2001)
George Clooney
Ele fica bem de terno ou de uniforme de presidiário. Ajuda o fato de Danny Ocean, no remake de Onze homens e um segredo, ter os traços de George Clooney. Azeitado nas coisas boas da vida, com bom ouvido para música e disposto a pôr em prática um plano mirabolante para chamar atenção do amor de sua vida e ainda sacanear o cara que está ficando com ela... mais sexy impossível!

1 - Tyler Durden em Clube da luta (1999)
Brad Pitt
A combinação músculos e sabão nunca foi tão sugestiva. O personagem de Pitt nesse neoclássico de David Fincher já subiu no pódio de algumas listas do gênero, o ouro é dele em Claquete também.


O céu sobre os ombros

Que Jean Dujardin está no topo de Hollywood, principalmente depois do Oscar, ninguém duvida. A questão agora é como administrar as expectativas monstruosas que pairam sobre o francês. Há alguns dias mobilizou a imprensa de celebridades americana um debate sobre os dentes de Dujardin e como eles são incompatíveis com a “nobreza” hollywoodiana. Foram recomendadas intervenções odontológicas de toda sorte.
Dujardin, embora não admita de peito aberto, quer sim se estabelecer como astro em Hollywood. Ele sabe que reúne predicados suficientes para isso. Tem até Oscar. Mas o inglês é uma barreira comprometedora. Assim como o risco da caricatura. Portanto, mais do que qualquer coisa, Dujardin terá que valer-se de um agente que o respeite como profissional e que não queira apenas surfar em suas “sobrancelhas expressivas”.
O ideal é continuar presente no cinema francês e deixar a paquera com Hollywood ficar mais séria. A pressão por resultados no curto prazo pode ser fatal para o francês que, com o Oscar na bagagem, pode desposar Hollywood a qualquer momento.


Emma rima com Sofia                                                                                          
Emma Watson, disparado a melhor atriz do trio de protagonistas da franquia Harry Potter, havia anunciado na iminência do fim da série que a fez famosa que a carreira de atriz não era uma certeza. Que certo era que ela diminuiria o ritmo para reavaliar suas prioridades. Não parece ser o caso. Além de aparecer em projetos tão dispares como o recente Sete dias com Mariyln e no ainda inédito The perks of being a wallflower, Emma acabou de entrar para o elenco de The bling ring, novo filme da prestigiada Sofia Coppola. O filme será baseado em uma história verídica. Há alguns anos uma gangue de adolescentes invadia e roubava casas de celebridades. O tema e Emma são dois prospectos interessantes para o olhar de Sofia.

Emma distribui beijinhos na premiere inglesa de Sete dias com Marilyn: carreira cada vez mais encaminhada...


O ano de Willis
Bruce Willis, aos 57 anos, se prepara para um ano repleto de ação. O eterno “duro de matar” está em sete filmes previstos para 2012.  Em quatro deles, a ação é a ordem do dia. O mais antecipado é Os mercenários 2 , com estreia prevista para agosto. Ele também integra o elenco de G.I Joe 2: retaliation que deve ser lançado no mesmo mês no Brasil. Mas antes disso ele deve ser o pai do superman Henry Cavill em The cold light of day, programado para abril nos EUA e sem previsão de estreia no Brasil.
Willis ainda poderá ser visto em Lay the favorite, comédia de Stephen Frears que mostra um grupo de espertinhos que “descobre” um sistema para se dar bem em Las Vegas. A fita foi sucesso de crítica no último festival de Sundance. Ele também vai ser cult no novo de Wes Anderson, Moonrise kingdom.





Será que pega?
Andrew Stanton é o homem responsável por uma das maiores apostas da Disney em 2012. Trata-se de John Carter – entre dois mundos. A estreia em um filme live-action do diretor das animações Wall E e Procurando Nemo. Tanto Stanton quanto John Carter são patrimônios da Disney. Enquanto que Stanton é um dos pilares da nova Disney – sob a o signo criativo da Pixar – John Carter é o principal personagem de uma série de livros de Edgar Rice Burroughs que quase roubou de Branca de neve e os sete anões a primazia entre as animações do estúdio.
Ironicamente, cabe a Stanton, um fã da literatura de Burroughs e expoente das animações, levar John Carter aos cinemas em um filme live-action ainda que repleto de CGI (sigla em inglês para os efeitos visuais gerados por computador).
John Carter é mesmo uma aposta de risco. Com um orçamento de U$ 250 milhões e sem grandes nomes no elenco (os protagonistas são Taylor Kitsch, que já foi o Gambit em X-men origens: Wolverine, mas é mais conhecido pelo papel regular na série Friday Night Lights, e Lynne Collins), o filme pode se configurar no mais retumbante fracasso da Disney nos últimos dez anos. Receoso, o estúdio programou o lançamento do filme para um mês que não costuma receber grandes blockbusters: março. E o lançamento será mundial, para evitar solavancos e eventual boca a boca negativo. Como se sabe, as redes sociais podem fazer um estrago. Até o nome do filme foi modificado de olho na audiência. “Você não iria se empolgar com ‘Uma princesa de Marte’” (nome do livro original), argumentou Andrew Stanton em depoimento a Empire. As fichas estão lançadas e vem aí um fim de semana decisivo. A Disney tem confiança no taco. Já assinou com Kitsch e Collins para duas sequências. 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, o destaque é todo para Harry Potter. Com o lançamento do oitavo e último filme dobrando à esquina, Claquete mostra as opções dos três protagonistas para o futuro, relembra a importância dos diretores da saga, atribui notas aos filmes e situa o leitor dentro do universo Harry Potter.



Em busca de Daniel

Ele já foi alcoólatra, maconheiro e o adolescente mais rico do Reino Unido. Este último posto foi abandonado porque, aos 21 anos, não dá para ser mais considerado adolescente. Daniel Radcliffe completará 22 anos uma semana depois da estréia do último filme da série que irrevogavelmente marcará sua carreira. Depois do lançamento de Harry Potter e as relíquias da morte-parte 2, Daniel deixa de ser Harry, pelo menos em termos profissionais. Com The woman in black, um thriller de suspense, programado para 2012 e arrebatando elogios na Broadway com a peça How to succeed in business without really trying, o ator parece decidido a relegar Harry Potter ao porta-retratos da memória e partir em busca de desafios profissionais que excedam o comentado nu de alguns anos atrás na peça Equus.


Sopa de números
+ A Pedra filosofal ainda detém a marca de maior bilheteria da série. Com U$ 974,733 milhões ocupa atualmente a 9ª posição entre as maiores bilheterias de todos os tempos.

+ Os anos de 2003, 2006 e 2008 não tiveram lançamentos de filmes da saga. O enigma do príncipe estava previsto para novembro de 2008, mas a greve dos roteiristas no início daquele ano motivou o estúdio Warner a mover o lançamento do filme para julho do ano seguinte. A justificativa era de que o estúdio, por conta da greve, ficaria sem um grande lançamento para as férias de verão. Os fãs chiaram, mas fizeram de O enigma do príncipe a maior bilheteria de Harry Potter na América do Norte.

+ Na média geral, os filmes lançados no meio do ano faturaram mais nas bilheterias americanas do que os que foram lançados no final do ano. No mercado internacional, a tendência se inverte.

+ Na Europa, compreensivelmente, as maiores bilheterias registradas pela saga são originadas da Inglaterra

+ No Brasil, o filme de maior bilheteria é O cálice de fogo e o de menor bilheteria é O prisioneiro de Askaban.

+ As relíquias da morte-parte 2 será lançado em 4.800 cinemas nos Estados Unidos. É o maior lançamento da história da saga.



Os diretores

Há quem hesite em nomear Chris Columbus como o melhor diretor a já ter assumido a saga. Alguns preferem creditar esse título a David Yates, que assumiu o posto no quinto filme e não largou mais. Outros acham que Alfonso Cuáron deve ser destacado por sua inestimável contribuição no que toca o aspecto visual da série. Há quem enxergue na atuação do inglês Mike Newell, o equilíbrio que faltou aos demais. Todos, sem exceção, contribuíram em larga escala para que Harry Potter se tornasse o ícone supremo, em matéria de cinema, que é hoje na iminência de sua despedida. No entanto, é mesmo Chris Columbus o diretor quem merece um “+” ao lado do conceito “A”. Foi ele quem elegeu os protagonistas que provocariam paixões e ergueu, sobre firme alicerce, a estrutura narrativa da série. Sem os arquétipos tão bem delineados pelo americano, os outros não teriam como evoluir conceitualmente.

 David Yates dirigiu os quatro últimos capítulos da série: o inglês fez uma excelente transição da tv para os orçamentos milionários



Sem querer largar o osso

Já faz um tempo que a saga de Harry Potter chegou ao fim na literatura. Mas J.K. Rowling, que continua faturando com os direitos para cinema, jogos e uma infinidade de produtos com a marca Harry Potter, não planeja se desvencilhar de Hogwarts. Em meio a boatos de retomar a série, a “experiência Harry Potter” continuará em jogos e sites que já são planejados para acalentar os corações daqueles que se verão órfãos com o fim da saga nos cinemas.



Doce de Emma

Ela já foi o rosto da Chanel. Já pediu paz para poder seguir seu rumo como universitária, mas está em um dos hypados filmes sobre Marilyn Monroe. Emma Watson é doce. É fina. É Hermione. Melhor atriz do que seu par de companheiros, Emma se mostrou a vontade ao estampar capas de revistas para adolescentes, mas nunca se deixou impressionar pela fama. Recentemente confessou uma paixonite pelo colega de elenco Tom Felton. Seja por suas declarações públicas ou pela coragem de mudar radicalmente o visual tão logo cessaram as gravações de Harry Potter, Emma demonstra a postura de mulher feita. E bem resolvida.



O cinema como quintal

Já Rupert Grint, que desde cedo se revelou como confiável alívio cômico da série, sinaliza que está no cinema seu futuro. Enquanto seus colegas Daniel e Emma não demonstram convicção no futuro da carreira, Rupert diz em entrevistas que ser ator é tudo que ele quer. Não á toa, é o que mais se experimentou no cinema às margens da saga. Um de seus últimos trabalhos é Matador em perigo, em que divide a cena com Emily Blunt e Bill Nighty.


Claqueteando os filmes



A pedra filosofal (2001)
Ainda resiste como a maior bilheteria da saga. O que é um feito notável por ser o primeiro filme e ajuda a entender a maravilha concebida por Columbus aqui. O filme captura essencialmente o termostato emocional tanto dos personagens principais quanto de seu público alvo. É uma aventura solar, tratada como tal, que recupera o prazer de se assistir uma fantasia no cinema. A pedra filosofal é leve e, hoje, é lembrado com carinho em muito por essa característica.
Nota Claquete: 8

A pedra filosofal deu as boas vindas ao triunfal retorno da fantasia aos cinemas.No mês seguinte, estrearia O senhor dos anéis: a sociedade do anel


A Câmara secreta (2002)
Introduzindo um clima de mistério mais sofisticado do que no exemplar anterior, ainda que rudimentar se comparado aos exemplares mais recentes, Chris Columbus se permite divagar em Hogwarts. É nesse filme que surgem os primeiros indícios de que Harry Potter é, de fato, uma série de grande fôlego no cinema.
Nota Claquete: 7,5


O prisioneiro de Askaban (2004)
A mudança no tom da narrativa acompanha um rebuscamento profundo na linguagem da série. O mexicano Alfonso Cuáron projeta a adolescência do trio de protagonistas com invejável propriedade visual, mas a trama, em si, empalidece. Nem a presença do poderoso Gary Oldman como o importante Sirius Black evita que O prisioneiro de Askaban seja lembrado como um filme de esmero visual irretocável com narrativa subserviente.
Nota Claquete: 6,0


O cálice de fogo (2005)
Não é nenhum equívoco apontar esse trabalho como o mais equilibrado da série. Newell, um diretor até certo ponto improvável para a franquia, soube corresponder às expectativas dos fãs e do público em geral. Orquestrou uma adaptação difícil, manejou bem os efeitos especiais (os mais complicados da série até o momento) e exigiu mais do elenco principal que até então fazia feio.
Nota Claquete: 7,5


A ordem da fênix (2007)
Depois de mais de um ano de intervalo, o quinto filme trazia algumas reminiscências. A ordem da fênix era o livro mais volumoso da saga e David Yates, um diretor de TV que não despertava lá grandes inspirações para quem viu Cuáron e Newell conduzindo o universo Harry Potter. Mas A ordem da fênix é um filme muito bem resolvido. O de menor metragem dos longas, o que só ressalta o primor da adaptação. Os pontos chaves da trama são iluminados com dinamismo e sensibilidade. Yates se prova capaz ao conjugar as melhores qualidades de Cuarón e Newell abstendo-se de seus equívocos. É, até o momento, o filme em que o elenco rende melhor.
Nota Claquete: 9,0


O enigma do príncipe (2009)
Apesar do mal à espreita, o tom é de angústia adolescente. Yates foi hábil em imprimir leveza ao clímax da série, sem prescindir da seriedade inerente ao momento. Contudo, em dados momentos, o sexto filme parece um canal sem muita convicção com os eventos que se seguirão. Essa pequena falha, no entanto, não torna O enigma do príncipe um filme problemático.
Nota Claquete: 7,0


As relíquias da morte-parte 1 (2010)
Aqui, infelizmente, o traçado positivo foi quebrado. Em parte pela opção de dividir o último tomo em dois filmes. Conforme já foi amplamente discutido aqui no blog, essa opção – embora contemple os fãs do livro- enseja um filme de ritmo lento, com falso clímax e com conflitos mal ajambrados. As relíquias da morte-parte 1 configurou-se como a mancha no currículo dessa preciosa saga cinematográfica.
Nota Claquete: 4,0