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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - Cenas de Cinema (as indicações ao Oscar 2014)

No caminho certo
É contumaz falar das omissões e das injustiças do Oscar, mas a cada ano a academia vem se esforçando para menorar essa impressão que – por sua alta carga subjetiva – jamais poderá ser afastada de todo. Em 2014, ao se deparar com a lista dos indicados ao Oscar, a primeira sensação é de que ela é a mais completa, honesta e justa possível. Leonardo DiCaprio, ator contestado nas hostes da academia, recebeu merecidamente sua quarta indicação ao Oscar. Ainda que para tanto, Robert Redford tenha perdido a chance de conquistar sua primeira como ator.
Os filmes que mais chamaram a atenção nesta agitada, e cheia de qualidade, temporada de premiações foram lembrados. Bom senso, bom timing e, acima de tudo, bom julgamento parecem nortear a academia nesta fase da corrida pelo Oscar.



A prova dos nove
Desde que foi implementada essa janela de cinco a dez filmes na categoria de melhor filme em 2010, a categoria foi apresentada com nove filmes. De lá para cá, com quatro edições do Oscar como amostragem, dá para dizer que este é o ano em que há maior número de filmes de melhor nível na disputa. Mesmo assim, o número final de indicados é o mesmo. Esse gosto pelo nove pode ser reflexo direto do método para se aferir os indicados a melhor filme. Para ser indicado, um filme precisa reunir 5% da preferência dos votantes. O gosto da Academia, como se vê, é bem plural, mas não chega à casa dos dígitos.

Pelo segundo ano consecutivo, David O. Russell (à direita) emplacou o darling da corrida pelo Oscar. Trapaça divide a liderança da corrida com Gravidade, ambos com 10 indicações

Sem corridas das oscarizadas
Logo no início do especial Oscar Watch 2014, Claquete atentou para um fato incomum. Esta temporada do Oscar se anunciava como uma corrida de oscarizadas na categoria de melhor atriz. Ainda que tenha ficado com essa cara até os 45 do segundo tempo, não se resolveu dessa maneira e Amy Adams, por Trapaça, infiltrou-se e já começa a fungar no cangote da favorita inconteste Cate Blanchett (Blue Jasmine).

Amy Adams, sob as ordens de Russell, trazendo sexy back para a corrida das atrizes pelo Oscar...

Actors reloaded
Claquete acertou onde 99% de quem se dedica a analisar e antecipar os rumos da corrida pelo Oscar errou. Christian Bale e Leonardo DiCaprio, atores que encontram certa resistência entre muitos membros da academia e que defendem personagens de moral contestável, conseguiram indicações pelos filmes Trapaça e O lobo de Wall Street respectivamente. Mas a categoria deste ano não é redenção apenas para eles. Bruce Dern (Nebraska), Chiwetel Ejiofor (12 anos de escravidão) e Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas), todos em momentos distintos da carreira, são figuras historicamente descompatibilizadas da premiação.
Dern, aos 77 anos, volta a ser indicado ao prêmio. Concorreu uma única vez como coadjuvante em 1979. Bale é único a já ter vencido. Foi em 2011 como coadjuvante por O vencedor.

Outside
Os irmãos Coen, costumeiramente lembrados pela Academia que rapidamente os acolheu como favoritos da casa, acabaram de fora da disputa de 2014. Inside Lyewyn Davis – balada de um homem comum já vinha perdendo força na corrida, mas o fator Coen e o prêmio em Cannes mantinham acesas as esperanças de melhor sorte no Oscar. A tendência de queda se confirmou com apenas duas nomeações, para fotografia e som. Em um ano de fato concorridíssimo, não havia espaço para favoritos da casa.

O cara
O nome é Russell. David O. Russell. Quem é John Ford perto dessa cara? Parece heresia, mas não é. O que David O.Russell vem conquistando na história recente do Oscar não tem precedentes. Pelo segundo ano consecutivo ele emplaca indicações nas quatro categorias de atuação para quatro atores. Antes do ano passado, quando ele conseguiu isso por O lado bom da vida, foram mais de 30 anos sem que isso acontecesse. Não obstante, Russell conseguiu sua terceira indicação ao Oscar em quatro anos. Coisa que só Ford conseguiu e em uma época em o western, gênero em que Ford reinava, imperava no gosto dos acadêmicos. David O. Russell rapidamente se agiganta para se tornar um dos grandes do cinema e do Oscar.

O cara que zoa o outro cara
49 indicações ao Oscar. John Williams ri na cara de David O. Russell assim como ri na cara de qualquer um. O prêmio chama-se Oscar, mas qualquer dia vai ter gente chamando de John Williams. Ah, a indicação foi pela trilha sonora de A menina que roubava livros.

Até onde vai Meryl Streep?
Tinha quem duvidasse, mas Meryl Streep é maior do que Oprah e as indicações ao Oscar desta quinta-feira demonstraram isso. Streep, que muitos duvidavam que conseguisse nomeação em virtude do crescimento de Amy Adams, entrou e Oprah Winfrey, dada como certa entre as coadjuvantes, ficou de fora. É a 18ª indicação de Meryl Streep, recorde absoluto entre intérpretes e adornado ainda por outra marca suprema: indicações em cinco décadas diferentes.

Julia Roberts e Meryl Streep em cena de Álbum de família: ambas indicadas ao Oscar. Julia persegue modestamente a marca de Streep e angaria sua quarta indicação à estatueta e na terceira década distinta.

Até onde vai Jennifer Lawrence?
Talvez ainda seja cedo para chamá-la de próxima Meryl Streep, mas fato é que nem mesmo a original ostenta o recorde que J.Law acaba de constituir. Ninguém jamais foi indicado a três Oscars, e muito menos tendo ganhado um, com 23 anos de idade. Mais: Jennifer Lawrence conseguiu essas três indicações em quatro anos. Quem segura o ímpeto dessa mulher?

Recordar é viver
Tom Hanks foi indicado ao Oscar por um papel de naufrago em 2001 no filme Naufrago. Robert Redford ficou de fora da disputa deste ano defendendo o papel de um naufrago em Até o fim. Já Matthew McConaughey conseguiu sua primeira indicação ao prêmio pelo papel de um aidético que luta contra o sistema em Clube de compras Dallas, papel semelhante ao que deu o primeiro Oscar a Hanks em 1994 por Filadélfia. Hanks que ficou de fora da disputa deste ano por Capitão Phillips, filme no qual faz um capitão que teve seu navio sequestrado. Papel semelhante ao que deu a primeira indicação ao Oscar a Johnny Depp em Piratas do caribe: a maldição do Perola negra...

Tom Hanks em cena de Capitão Phillips: e quem paga o pato sou eu?

Mais Oscar nos próximos dias em Claquete

Quem gosta de acompanhar a temporada de premiações pelo blog não terá do que reclamar nos próximos dias. Além de uma análise preliminar sobre as indicações, serão publicados #oscarfacts – sobre curiosidades da premiação e dos indicados deste ano e outras regalias para o leitor cinéfilo que bate cartão por aqui.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - Cenas de Cinema (71ª edição do Globo de Ouro)

Pressa e perfeição
Chamou a atenção na 71ª edição do Globo de Ouro o pouco tempo que os premiados detinham para agradecimento. Rapidamente a insatisfação com essa característica marcante desta edição do prêmio se fez sentir. “Mas eu acabei de começar!”, bradou chateado o vencedor na categoria de melhor roteiro por Ela, Spike Jonze. Cate Blanchett, vencedora de melhor atriz dramática por Blue Jasmine, angustiou-se: “o público em casa ouve essa música irritante ou só vê a gente desesperadamente acelerar o discurso?”

Cate e sua angústia: mas será o benedito?

Pulverização para que te quero...
A rede social ganhou quatro prêmios em 2011 e, desde então, nenhum filme dominou, por assim dizer, o globo de ouro. Tal como Os miseráveis no ano passado, Trapaça – concorrendo entre as comédias e musicais – saiu com três prêmios. Mas a categoria dramática, em tese a mais concorrida, viu a segmentação de seus prêmios. Clube de compra Dallas, teve dois prêmios e ficou à frente, inclusive, do vencedor do prêmio de melhor filme, 12 anos de escravidão.

Coisas da HFPA
Aliás, a vitória solitária de 12 anos de escravidão, que tinha sete indicações e só converteu uma em vitória – justamente a de melhor filme, encontra paralelo em 2007, quando Babel parecia derrotado por A rainha ou Os infiltrados e acabou levando o troféu de melhor filme. Em 2010 foi pior. Nine, parecia festejado pela HFPA com cinco indicações, mas o filme foi sendo questionado, questionado e acabou perdendo a disputa principal entre comédias e musicais para Se beber, não case que só tinha uma indicação, justamente para melhor filme.

O diretor Steve McQueen festeja com seu elenco: ufa!

“E agora, como a vagina de uma supermodelo, vamos dar uma calorosa boas-vindas a Leonardo DiCaprio”, Tina Fey ao introduzir o ator que apresentaria o Globo de Ouro de melhor atriz dramática

As mulheres de Russell
Que David O. Russell é um belo diretor de atores já ficou claro, mas suas atrizes têm mais a agradecer. Desde O vencedor, pela menos uma atriz é premiada em qualquer premiação satélite. No Globo de Ouro 2014 não foi diferente. Amy Adams finalmente venceu seu primeiro troféu e Jennifer Lawrence venceu novamente sob a batuta de Russell.

“Meryl Streep está tão brilhante em Álbum de família que prova que ainda há muitos ótimos papéis em Hollywood para Meryl Streep acima dos 60 anos”, Tina Fey fazendo graça com pegada feminista acerca da escassez de papéis para mulheres mais velhas em Hollywood

The boys from Dallas
Matthew McConaughey e Jared Leto prevaleceram nas categorias de melhor ator em drama e melhor ator coadjuvante, respectivamente, e asseveraram um dos acolhimentos mais entusiasmados dessa temporada de premiações. O pequeno filme Clube de compras Dallas e o tour de force desses dois bons atores que vivem o grande momento de suas carreiras nessa temporada.

Jared Leto que "agradeceu" à depilação brasileira que fez para seu papel no filme: joinha 

“É a história de como George Clooney prefere flutuar no espaço e morrer do que passar um minuto a mais com uma mulher de sua idade”, Tina Fey resumindo o mote de Gravidade, um dos concorrentes a melhor filme do ano

Tina e Amy
Se elas não foram perfeitas em 2013, ainda que tenham contado com uma boa vontade que faltou para com Rick Gervais, em 2014 elas vacilaram bastante. Pelo menos três piadas foram realmente embaraçosas, muitas não foram engraçadas, mas tiveram três, reproduzidas nesta seção, que valeram o show. Figuras como Robert Downey Jr. e Jim Carrey roubaram a cena e deixaram transparecer que Tina Fey e Amy Poehler talvez precisem de descanso...

“Yeah bitch”, Aaron Paul fechando os trabalhos no agradecimento da equipe de "Breaking bad", que venceu como melhor série dramática

Leonardo DiCaprio e a luva de pelica
Leo resolveu esbofetear o elefante na sala. “Eu não imaginava ganhar um prêmio de melhor ator em comédia por esse filme (O lobo de Wall Street). Então gostaria de agradecer aos meus colegas de categorias, todos esses comediantes maravilhosos”. A polêmica divisão do Globo de ouro entre dramas e comédias atingiu patamar tragicômico em 2014 com a inclusão de filmes como O lobo de Wall Street, Álbum de família e Nebraska entre as comédias...

Leo regurgitando o prato que comeu... 

“Morrer é fácil, comédia é difícil. Eu acho que foi Shia LaBeouf quem disse isso. Tão jovem e tão sábio”, Jim Carrey tirando o melhor sarro da noite... 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - Cenas de Cinema (fatos)

A turbulência do voo da Marvel
Homem de ferro 3 e Thor – o mundo sombrio são filmes que não colocariam a Marvel no patamar em que ela se encontra hoje. Essa é a melhor análise que se pode fazer desses dois indiscutíveis campeões de bilheteria que, paradoxalmente, sinalizam esgotamento criativo na casa das ideias. A Marvel, ironicamente, pode seguir o caminho de outra empresa comprada pela Disney (Pixar) e enveredar por uma crise criativa que, a princípio, não comprometerá suas bilheterias, mas a banalizará irrevogavelmente. Como a estafa que já se avizinha em relação aos filmes de super-heróis, é um prognóstico deverás preocupante.

Sexo, sexo... e sexo
Foi o tema dominante do ano no cinema. Do premiado e polêmico Azul é a cor mais quente ao pop e reflexivo Como não perder essa mulher, passando por obras como Lovelace, Spring breakers, Tatuagem, Jovem e bela, Um estranho no lago, entre outros.  Os festivais de Sundance e Cannes também se viram sob o signo do sexo, uma vez que a maioria dos filmes exibidos tinham em seu cerne o interesse em abordar o tema.

O nosso Antes do amanhecer
A trilogia de Richard Linklater teve um novo capítulo, muito elogiado, lançado em 2013. Antes da meia-noite agradou a crítica e acresceu mais realidade à jornada romântica de Jesse e Celine. No entanto, se apequenou em matéria de arroubo estético e qualidade argumentativa para um projeto brasileiro. Idealizado por Felipe Braga, Latitudes teve lançamento simultâneo na tv e na internet, mas a fronteira não era apenas a distribuição, mas sim, também, a linguagem. Mesclando cenas de ensaio, takes descartados com o material oficial, o diretor e seus protagonistas produtores (Daniel de Oliveira e Alice Braga) fizeram da história de encontros e desencontros de um fotógrafo e uma editora de revista de moda, das coisas mais apaixonantes, inteligentes e originais lançadas em 2013.

O cinema nordestino como cartão postal do cinema nacional
Esse negócio de cinema confinado ao eixo Rio-São Paulo já havia ficado para trás. Principalmente com a excelente fase vivida, já há algum tempo, pelo cinema pernambucano. O ano de 2013, no entanto, mostrou que a força do cinema nordestino já não está mais confinada ao Estado de Pernambuco. Cine Holliúdy, que é cearense, foi o maior fenômeno do boca a boca já produzido em terras brasileiras. Pelo menos se desconsiderarmos a pirataria que antecedeu o lançamento de Tropa de elite nos cinemas em 2007.

O oscarizado O lado bom da vida foi um dos muitos filmes a ter sido alvo de reportagem no blog por ocasião de seu lançamento nos cinemas. Outros como Amor, A morte do demônio e O concurso também estiverem em destaque constituindo uma seleção eclética, plural e concatenada com o gosto amplo do leitor e cinéfilo que frequenta o blog

Filmes em destaque em Claquete
Os filmes que valeram reportagens no blog à época de seus lançamentos nos cinemas

O mordomo da Casa Branca
O conselheiro do crime
Os suspeitos
Sem dor, sem ganho
Bling ring – a gangue de Hollywood
Flores raras
Wolverine: imortal
O concurso
O homem de aço
O lugar onde tudo termina
O abismo prateado
A morte do demônio
A hora mais escura
O lado bom da vida
Lincoln
O mestre
Amor
Django livre
Jack Reacher: o último tiro

125 críticas publicadas no ano no blog

Cinco especiais
Gravidade
Guerra mundial Z
O grande Gatsby
Elysium
O quinto poder

As surpresas do ano
Parker
O filme de Taylor Hackford é o melhor filme B do ano e isso pode não parecer, mas é muita coisa...

Jack: o caçador de gigantes
Bryan Singer não queria fazer um grande filme e essa falta de ambição fez bem a ele e ao projeto. Essa releitura de João e o pé de feijão é das melhores matinês em muito tempo...

Uma história de amor e fúria 
A melhor animação do ano é brasileira. Quem esperava por isso?

Invasão a Casa Branca
Todo mundo esperando o "Duro de matar na Casa Branca" de Roland Emmerich e Antoine Fuqua roubou o doce nesta divertida e movimentada fita de ação com Gerard Butler como John McClane e os norte-coreanos (no melhor dos timings) como vilões.

Faroeste caboclo
Quem diria que o filme baseado naquela música da Legião Urbana vingaria como um western cheio de identidade? Se não é o melhor filme nacional do ano, é o que tem mais gana.


As decepções do ano
O homem de aço
Tinha a pinta de ser a bomba do ano e foi a bomba do ano. 

Elysium
Prometia ser um dos melhores filmes do ano e não resultou nem mesmo na melhor ficção científica do mês em que estreou...

Jobs
A desconfiança com o projeto era grande, mas igualmente proporcional à boa vontade para com o mesmo. Venceu a desconfiança...

Círculo de fogo
É a pior superprodução do ano e, bem, não era exatamente isso que esperávamos...

A hora mais escura
Depois de Guerra ao terror, Katherine Bigelow achou que poderia ir onde nenhum homem jamais foi... e se perdeu no meio do caminho!

Amantes passageiros
Almódovar nos convenceu que precisa de férias!

Cena de A hora mais escura: não tão bom quanto Bigelow pensa que é...

Os filmes incompreendidos

Mama
O acerto de Guillermo Del Toro no ano foi produzir este pequeno sucesso de público e crítica. Filme de terror que instaura valiosa analogia entre o pavor da maternidade e o pavor de ser privado dela. Tudo em um filme para lá de climático e com arrojo técnico e visual.

Sem dor, sem ganho
A maior crítica ao capitalismo e ao sonho americano em um ano em que tivemos a adaptação de F. Scott Fitzgerald no cinema. Tudo com muito humor e sarcasmo.

Amor pleno
Um Malick que não deixa de ser Malick, mas restringe seu campo de divagação e alcança resultados muito mais entusiasmantes do que em A árvore da vida. Mas sem o mesmo bafafá... 

O conselheiro do crime
Uma reflexão lenta, profunda e questionadora sobre morte e instinto em um filme com pegada literária que poderia se beneficiar de um diretor mais concatenado com o espírito do roteiro de Cormac McCarthy, mas que ainda assim sobeja naquilo que se propõe.

Cena de O conselheiro do crime, que reuniu Brad Pitt e Michael Fassbender pela terceira vez em um filme: um filme muito melhor do que um rápido olhar sugere

Ah, o amor...
É uma das grandes questões da humanidade e em 2013, à parte as comédias românticas, esteve sob análise de importantes cineastas como Michael Haneke,Terrence Mialick e Karin Aïnouz e em filmes como À procura do amor, Azul é a cor mais quente, Boa sorte, meu amor e Anna Karenina. Além, é claro, do último (será?) filme da trilogia Antes do amanhecer. Definitivamente, foi um ano interessante para DRs no cinema.


"A mais cativante história de amor que todos nós do júri vimos em muito tempo", disse Steven Spielberg, presidente do júri que outorgou a Palma de Ouro a Azul é a cor mais quente em Cannes

sábado, 14 de dezembro de 2013

Oscar Watch 2014 - Cenas de Cinema (Globo de ouro e SAG)

Anomalia de cortesia
É chover no molhado, mas a antecipação do calendário de premiações pelo Oscar segue a causar algumas anomalias em premiações periféricas que costumavam gozar de certo grau de acuidade na antecipação dos indicados ao Oscar em outros tempos.
O SAG, inegavelmente, é um dos maiores prejudicados. Alguns filmes lançados mais tardiamente no ano não foram vistos pela maioria dos membros do sindicato que apostaram em favoritos precoces como 12 anos de escravidão, O mordomo da Casa Branca e Capitão Phillips.

Anomalia de cortesia II
E a classificação de dramas e comédias no Globo de Ouro é aquela festa que todo mundo já tá acostumado. Ninguém leva muito a sério, desde que seja convidado. O lobo de Wall Street, Ela e Nebraska não são exatamente comédias, assim como Philomena não é um drama convicto. Álbum de família ainda puxa para o humor negro, mas Inside Lweyn Davis – balada de um homem comum definitivamente não é um musical.

A vibe de David O. Russell
Russell orienta Christian Bale e Amy Adams no set de Trapaça

David O. Russell é mesmo o diretor do momento. Seu Trapaça teve uma aceitação pela HFPA melhor do que os mais otimistas analistas da indústria esperavam. Indicado a filme, direção, roteiro e nas quatro categorias de atuação possíveis (concorrendo no âmbito das comédias), Trapaça firma-se como o favorito absoluto ao prêmio e eleva o já alto status de Russell no planeta Hollywood.

DiCaprio, o eterno
Entra ano e sai ano e Leonardo DiCaprio segue no coração da HFPA. Se não chega a ser uma Meryl Streep, novamente indicada, DiCaprio está quase lá. O Oscar resiste a indicá-lo, mas não tem doce com a HFPA. Enquanto DiCaprio seguir ousado, seguirá como um dos xodós do Globo de Ouro.
  
Por Mandela e por Elba
As três indicações para Mandela: long walk to freedom podem ir na conta de muita gente. Do U2 ou do próprio Mandela, por exemplo, mas o carisma de Idris Elba – ator que cativa mais a cada novo trabalho – responde exclusivamente pela indicação do ator entre os melhores atores em drama do ano. Tanto é que Elba conseguiu uma vaguinha pela série britânica Luthor na briga entre os atores por filme para tv ou minissérie.

O homem que é uma ilha
Por falar na disputa entre os atores dramáticos, Tom Hanks é o único que já ganhou o Globo de ouro entre os concorrentes.

Déjà Vu
Em 2010, Sandra Bullock, mais afeita às comédias, ganhou como atriz dramática por Um sonho possível e Meryl Streep, mais afeita aos dramas, ganhou como atriz de comédia por Julia & Julia. Neste ano elas voltam às categorias com Gravidade e Álbum de família, respectivamente. Na avaliação da crítica, os desempenhos são melhores, mas será que o raio cai duas vezes nos mesmos dois lugares?

O ano das comédias
Não são exatamente comédias, mas é inegável que o eixo das comédias no Globo de Ouro está muito mais interessante do que o dos dramas. Basta conferir a categoria de roteiro com prevalência das comédias (Ela, Nebraska e Trapaça).

Os belos e a fera
Bradley Cooper, Michael Fassbender, Jared Leto e, com alguma boa vontade, Daniel Brühl integram o time dos belos entre os melhores atores coadjuvantes do ano para a HFPA. Mas todo cuidado é pouco com a fera Barkhad Abdi, cujos feitos conseguidos em Capitão Phillips ainda podem repercutir.

O somali que é uma fera: cuidado com ele

Cinema made in TV
Al Pacino, Michael Douglas, Matt Damon, Kevin Spacey, Michael Sheen, Liev Schreiber, Helen Mirren, Robin Wright, Helena Bonham Carter e Jon Voight são alguns dos nomes mais identificados com o cinema indicados ao Globo de Ouro de 2014 por trabalhos feitos para a tv.

Faltou ousadia na lista da tv
A despeito do bem vindo, e tardio, reconhecimento a Breaking bad, faltou ao Globo de Ouro nesta edição o que é, via de regra, característica da premiação. Ousadia na escolha dos indicados na seara televisiva. A safra, é bem verdade, não é das melhores, mas faltou um olhar mais apurado. Mad men e The Walking dead mereciam um retorno triunfal ao prêmio, assim como a novata The Bridge mereceria destaque.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - Cenas de cinema: gente

Ele é o cara!

Impossível ter passado 2013 sem se deparar com ele. Ou ao menos com seu extravagante nome. Principalmente se você for leitor relativamente assíduo de Claquete. Benedict Cumberbatch foi o supra-sumo do ano em todas as variantes possíveis. Foi o protagonista do filme mais alvissareiro (O quinto poder), o vilão mais carismático do filme mais nerd disponível (Além da escuridão: Star Trek) e ainda figura no elenco de dois dos mais bem cotados filmes para o Oscar 2014 (Álbum de família e 12 years a slave).
Como se isso tudo já não fosse razão o suficiente, Cumberbatch incita a dúvida. Como ser tão bom ator sendo tão cool como ele é?

Mais um ano de Brangelina!
Já é meio que uma tradição aqui de fim de ano em Claquete. Uma geral no ano do casal vinte da Hollywood atual e 2013, bem, foi um ano afeito às retrospectivas de qualquer sorte. Primeiro, por Angelina que resolveu fazer uma mastectomia preventiva para evitar que pudesse vir a ter câncer de mama no futuro. Sua atitude, e seu posicionamento público em artigo do The New York Times, repercutiram globalmente. Houve, também, o anúncio de que depois de oito anos juntos, Pitt e Angelina vão formalizar a união com uma cerimônia de casamento a ser realizada preferencialmente na Europa. Acordos pré-nupciais, por insistência dele, já foram assinados. No cinema, Pitt provou força como produtor, e fôlego como promotor de eventos, com o lançamento de Guerra mundial Z, o blockbuster do ano, e Angelina anunciou seu novo projeto na direção, que terá roteiro dos irmãos Coen. Angelina, em novembro, ganhou um Oscar humanitário. Enfim, mais um ano de Brangelina devidamente registrado.

Brad e angelina: just checking...

Um casal quase perfeito
Eles não têm a sutileza ou a sofisticação de brandgelina, mas Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger se assumiram de vez como um casal. Nas telas, é bom que se diga. Stallone, há algum tempo, vinha recorrendo ao passado para garantir o presente no cinema, e a série Os mercenários é o maior exemplo disso, mas a parceria com Schwarzenegger é, para todos os efeitos, mais estratégica e simbólica. “Eu o odiava nos anos 80”, admitiu Stallone em entrevista de divulgação o filme Rota de fuga, em que estrelam juntos e teve lançamento mundial pouco visto. O hype pode ter esfriado, mas esse é um casal que sabe como esquentar a relação. Em 2014, tem mais mercenários!

Simplesmente Emma!

Se tem alguém que sai de 2013 mais cool do que entrou esse alguém é Emma Watson. Riu de si mesma em É o fim,a comédia mais descolada e nonsense da temporada e falou sério, mas sem perder a pose, em The bling ring – a gangue de Hollywood. Harry Potter está definidamente para trás.

O incrível 2013 de Ben!
O ano começou promissor para Ben Affleck. Argo estava na crista da onda e na dianteira da temporada de premiações, mas aí Affleck ficou de fora da lista dos indicados à direção no Oscar e o idílio parecia que ia acabar. Não foi o caso. Argo foi dobrando convicções e escritas e sagrou-se o melhor filme do ano. O Oscar de melhor filme e o prestígio junto a público e crítica, no entanto, não resguardaram Affleck de um dos momentos mais polêmicos do show business no ano. A escolha do ator para viver o Batman na sequência do filme O homem de aço. A opção pelo ator foi contestada em redes sociais e fãs mais desesperados pediram intervenção até mesmo de Obama. Affleck soube lidar muito bem com a situação e assumiu, conscientemente, um desafio que pode livrá-lo de uma vez por todas da má fama angariada como ator de poucos predicados. O ano termina com um sabor tão ou mais especial do que começou.

Affleck no programa de Jimmy Fallon: maturidade para administrar a pressão

Tudo Jen com as Jens
Jennifer Lawrence, Jennifer Lawrence e Jennifer Lawrence. A sensação é de que o tempo parou e só se falou em Jennifer Lawrence, que surge novamente cotada para uma indicação ao Oscar – agora como coadjuvante por Trapaça. Oscar conquistado por O lado bom da vida, bilheterias dominadas com a segunda parte da franquia Jogos vorazes e todo aquele charme Law a desfilar por cá e lá ofuscando as demais Jennifers do planeta Hollywood. Aniston bem que tentou aparecer. Fez strip no filme A família do bagulho, marcou casamento (com Justin Theroux), adiou casamento (com Justin Theroux, ora bolas), mas não se impôs à dinastia Law que ruma para um terceiro ano de muitas capas de revistas e declarações irreverentes. 

Jennifer Lawrence em evento promocional do segundo Jogos Vorazes: ela nem precisaria do decote para aparecer, mas...

O tom certo

Nem Tom Hanks, nem Tom Cruise. O tom do ano é inglês, mais charmoso do que a dupla de citados mais famosa e daqueles atores que dá gosto ver crescer. Em 2013, Tom Hiddleston estrelou dois filmes. Thor – o mundo sombrio, em que novamente rouba todas as cenas possíveis e inimagináveis, e Only lovers left alive, o filme de vampiros de Jim Jarmusch. Nos cinemas brasileiros, estreou ainda o pouco visto Amor profundo, em que dá mais um show. Intérprete absoluto, generoso e cheio ambição criativa, Hiddleston vai construindo uma carreira a qual daqui não se vê limites.

Francowholic
Talvez ninguém tenha trabalhado mais em 2013 do que James Franco. Pelo menos no mundinho de Hollywood. O ator de 35 anos lançou programa de arte na TV, escreveu livro, estrelou nove filmes, dirigiu dois, roteirizou e produziu outros três e lançou a maioria nos prestigiados festivais de Sundance, Berlim, Cannes, Veneza e Toronto. Como se isso não fosse suficiente, tem 12 filmes programados para 2014. Muitos dos quais filmados também em 2013. Como ele consegue é a pergunta que não quer calar.

Astros contra o tempo
Afora Brad Pitt e Tom Hanks, 2013 não foi generoso com os astros de primeira grandeza. Mas foi pior com Will Smith. Ele fez um filme para discutir a relação com seu filho crente que manteria o status de homem de U$ 100 milhões nas bilheterias, mas Depois da Terra foi um fracasso homérico. A coisa só não ficou tão feia graças às bilheterias internacionais. Esse solavanco ocorre depois de Will ter ficado cinco anos sem dar as caras nas telas de cinema em um filme que não fosse de franquia (nesse meio tempo só apareceu em MIB 3). A tentativa de viabilizar seu filho Jaden, desprovido do carisma do pai, como seu sucessor talvez mereça mais tempo de maturação. Enquanto isso, Will Smith dá pistas de que pode rever sua posição e entrar para o elenco das sequências de Independency Day. Amigo de Smith, Cruise é outro que não guarda boas lembranças do ano. Além de constantemente precisar se explicar sobre o divórcio de Katie Holmes e a cientologia, Cruise não consegue mais produzir sucessos como outrora. Na defensiva, o astro planejou um retorno à ficção científica com Oblivion e uma nova franquia com Jack Reacher. Nenhum dos dois deu muito certo em termos comerciais, apesar de serem bons filmes. Smith e Cruise, mais do que nunca, correm contra o tempo para manter a relevância.   

Apertem os cintos, Almodóvar sumiu!
Cite um dos piores filmes do ano. Ok! Agora em pense em outro. Em mais um. Certamente, você já pensou em Amantes passageiros. Um dos mais bizarros, incautos e desorientadores filmes de 2013. Sem contar que é ruim para chuchu, como se dizia antigamente. O grande ponto é que é um legítimo Almodóvar. E um Almodóvar de volta à comédia, como tanto se alardeou. Não é bem uma sátira, não é bem uma comédia histérica, não é um filme pornográfico e não é, exatamente, uma comédia sem freios. É mais sem freios do que comédia. Enfim, se há um cineasta, daqueles imortais, que sai arranhado de 2013, esse cineasta é Almodóvar.

Garras sempre afiadas
Hugh Jackman teve um ano intenso. Foi indicado pela primeira vez ao Oscar de melhor ator por sua incrível e emocional perfomance em Os miseráveis, voltou a viver o mutante Wolverine em um filme que convenceu, e rendeu, produziu um dos filmes mais bacanas do ano (Os suspeitos), descobriu ser vítima de um tipo de câncer de pele, não se abateu, começou o tratamento, se declarou para a esposa por tê-lo convencido a fazer os exames que detectaram a doença e ainda fez campanha para que homens não sejam turrões de não ouvirem suas esposas. Tem como não amar?



Caça e caçador

Mads Mikkelsen. Conhece? Não houve ator tão visceral e tão diverso, em mídias e camadas, como o dinamarquês. Além de reviver, com a responsabilidade de desviar da sombra de Anthony Hopkins, o famoso serial killer Hannibal Lecter na TV, Mikkelsen esteve no aclamado A caça, em que apresenta uma atuação não menos do que magistral em toda a sutileza e contenção possíveis, e ainda esteve em Michael Kohlhaas, um épico europeu que o levou ao festival de Cannes novamente. Se em A caça ele era a presa em um comentário pessimista do realizador Thomas Vinterberg, em Hannibal, ele consegue o improvável e reinventa o personagem como um caçador sofisticado e muito mais ameaçador do que o encarnado por Hopkins. Que tal para um reles vilão de Bond? 


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Cenas de cinema


Desculpas tortas
A fama de Kristen Stewart, dizem as más e bem informadas línguas de Hollywood, não anda das melhores – ainda em virtude da traição muito badalada em meados do ano passado. A atriz está com dificuldades para confirmar projetos e os filmes aos quais ela já está vinculada demoram para decolar. É mais ou menos o que está acontecendo com Focus, novo filme dos diretores de Amor a toda prova, John Requa e Glenn Ficarra. O filme não consegue sair da pré-produção, estágio em que já se encontra há pelo menos seis meses. No início do ano, em meio ao alvoroço por Argo na temporada de premiações, Ben Affleck abandonou o projeto. Ele seria o par romântico de Kristen no filme. Kristen ficou, meio que sem querer, esperando o que ia aparecer. Apareceu Will Smith. Foi então que o inusitado aconteceu. Kristen pulou fora do projeto. Ninguém entendeu muito bem e a explicação dada pela assessoria da atriz só piorou. Oficialmente, Kristen saiu do projeto porque achou a diferença entre a sua idade e a de Smith muito grande. Em tempo: Will Smith tem 44 anos e Ben Affleck tem 40 anos.

Will Smith faz pose: o que o único ator no momento vinculado a Focus tanto desagrada a Kristen Stewart? Ou seria Ben Affleck que agradava?

Reese Witherspoon e o “sabe com quem você está falando?”
Reese Witherspoon é a primeira vencedora do Oscar em muito tempo a ir para o xilindró. Ela poderá adicionar a estatística à famigerada fala “você sabe com quem está falando?”, com a qual se dirigiu para um policial que logo a prenderia por desacato e desordem.  O carro em que a atriz e seu marido estavam foi parado por uma patrulha policial no último fim de semana na Georgia, estado americano, e seu marido seria detido por embriaguez. Witherspoon então resolveu exercer sua celebridade quando “estava visivelmente embriagada” como diria a atriz depois de liberada, e disparou: “Você sabe com quem está falando? Seu nome vai estar no noticiário nacional”. Quem não ficou bem na foto, e em noticiário internacional, foi Whiterspoon.

Reese: mal na foto

Cadê o nosso presente Jack?
Ele completou 76 anos no dia 22 de abril de 2013 e tem 75 filmes na premiadíssima carreira. Estamos falando de Jack Nicholson, afastado das telas desde a participação em Como você sabe (2010) e sem nenhum projeto em andamento ou acertado.
Jack Nicholson faz falta! É uma força da natureza que por si só já vale o ingresso.
Fica a torcida para que Jack Nicholson, que não perde um jogo dos Lakers (time de basquete do qual é avidamente fã) em Los Angeles, retome o gosto pelo cinema.

Jack, em uma de suas últimas aparições públicas, em homenagem ao ex-jogador de basquete Shaquille O´Neal em Los Angeles

É mas não é, entende?
Jamie Foxx experimenta um bom momento na carreira. Depois de ser protagonista do último e celebrado filme de Quentin Tarantino, ele será o presidente dos EUA no novo blockbuster do alemão Roland Emmerich. Desde que surgiram as primeiras imagens de O ataque, comparações com Obama pipocaram na internet. Em Cancun, no México, onde participou de um evento de divulgação dos próximos lançamentos da Sony, Foxx disse que não fez uma imitação de Obama, mas que incorporou algumas de suas características. Alguém pensou em Ray?

Jamie Foxx em cena de O ataque: não é bem assim...


A bundinha de Robert Downey Jr.
Robert Downey Jr. está em uma maratona que Gwyneth Paltrow não consegue acompanhar. Em uma mesma semana o ator esteve em Seul, Londres, Paris, Moscou e Munique para apresentar Homem de ferro 3. A atriz só se juntou a ele em Munique, onde concederam uma bem humorada entrevista coletiva. Paltrow destacou que ainda que Homem de ferro 3 seja um produto típico da cultura pop, ao trabalhar com gente como Robert Downey Jr. e Don Cheadle, a sensação que se tem é diferente da de se trabalhar com um ator saradão de 26 anos e sem camisa. Enquanto Downey Jr. sorria de canto de olho, Paltrow destacou que Downey Jr. fica “ótimo” sem camisa e recomendou que todos dessem um beliscão na bunda do ator na saída.

Confira esse e outros momentos da coletiva no vídeo abaixo:


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Cenas de Cinema Especial (85ª edição do Oscar)


Passando recibo...

Confirmaram-se as expectativas mais controvertidas com a vitória de Argo, o filme mais celebrado da temporada. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood voltou atrás, por assim dizer, e sagrou Argo o filme do ano. O movimento patenteia de maneira jamais vista a influência do Globo de Ouro, sempre questionada e em 2013 levada às últimas consequências e em particular de uma premiação menos badalada que é o Critic´s Choice Awards. Era claro, no momento do anúncio dos indicados ao Oscar, que Argo não era para a Academia um “top contender”. Se “voltar atrás” é um sinal de humildade e, nesse contexto precisa ser louvado, é também um sinal de que enquanto instituição, o Oscar renunciou completamente a sua autonomia.

Argo fucked everyone: Com três prêmios, Argo será um daqueles filmes que a história proverá diferentes justificativas para seu sucesso no Oscar


Pero no mucho
A 85ª edição do Oscar tem tudo para entrar para a história como uma das mais esquisitas de todos os tempos. Não só pela pulverização um tanto injustificada entre alguns dos principais concorrentes, mas pela estrutura do show mesmo. Se não foi a oitava maravilha do mundo, Seth MacFarlane foi um anfitrião competente. Boas piadas, ótimo timing cômico e boa inserção com os números musicais – em alta no ano. Mas as homenagens pareciam descalibradas (a aguardada homenagem a James Bond foi frustrante), as gafes se enumeraram (o que foi a entrega do Oscar de canção e a descortesia com alguns concorrentes? E a insistência da homenagem a Chicago que foi produzido pelos produtores da edição do Oscar deste ano?) e o ritmo da produção severamente prejudicado. Não ajudou o fato do Oscar atentar contra a própria coerência.

Porém...
Alguns elogios precisam ser feitos. A Academia mostra reiteradamente que está se desligando de certos paradigmas inconvenientes como o de não premiar repetidamente atores já consagrados. Meryl Streep entregando o Oscar a Day Lewis é um feliz sintoma disso. A vitória de Christoph Waltz entre os coadjuvantes – ele havia vencido em 2010 por Bastardos inglórios – é ainda mais eloquente nesse sentido. O austríaco conquistou sua segunda vitória em sua segunda indicação e tudo isso em um espaço de quatro anos. E mais: concorria com quatro celebrados atores americanos, também oscarizados, mas que estavam há mais tempo sem vencer.


O fator Lee I

Ang Lee derrotou pela segunda vez Steven Spielberg em uma disputa direta entre os dois pelo Oscar de direção. Lee é, também, o primeiro cineasta asiático a ganhar o Oscar e o segundo também. O primeiro a ganhá-lo novamente. Mais importante: Ang Lee é o primeiro diretor a vencer o Oscar por um filme dirigido em 3D. Honra negada aos americanos James Cameron (Avatar) e Martin Scorsese (A invenção de Hugo Cabret).

O fator Lee II
Ang Lee, no entanto, entra para uma outra seletíssima lista. É o primeiro cineasta a ter dois Oscars de direção sem que um dos filmes pelos quais ganhou o Oscar tenha prevalecido na disputa de melhor filme. 

A culpa é do Day Lewis...
É sabido que Daniel Day Lewis rouba atenções para si, mas raciocínio rápido do desempenho dos últimos filmes estrelados por ele com múltiplas indicações no Oscar. Gangues de Nova Iorque há dez anos teve dez indicações, e Day Lewis era favorito ao prêmio de melhor ator, e não levou nada. Há cinco anos, Sangue negro divida as atenções e oito indicações com Onde os fracos não têm vez dos irmãos Coen. O filme só faturou os troféus de fotografia e ator para Day Lewis. Lincoln, este ano, tinha 12 indicações e novamente apenas dois prêmios: direção de arte e ator para Day Lewis.

Empate
Foi apenas a sexta vez na história que houve empate no Oscar. O inusitado se deu na categoria de edição de som com as vitórias de A hora mais escura e Operação Skyfall. Ou seja, em 2013, foram 25 vencedores em 24 categorias do Oscar...

Affleck para senador?

Ben Affleck o grande vitorioso da noite está com seu discurso cada vez mais lapidado. Soube enobrecer Spielberg tão logo aproximou-se do microfone para agradecer pelo prêmio de melhor filme dado a Argo e soube voltar-se com afetuosidade e brandura à esposa Jennifer Garner. Humilde, Affleck 15 anos depois da efusiva vitória pelo roteiro original de Gênio indomável volta a vencer um Oscar e, talvez, se prepara para uma nova empreitada. Seu nome é bastante comentado em corredores democratas para uma cadeira no Senado americano. Endosso hollywoodiano é o que não vai faltar!

 4,3,2,1...
Foi um grande Pi! A Academia pulverizou seus prêmios e, como não ocorria desde 2005, o melhor filme do ano não liderou o número de Oscars. Naquele ano, O aviador ganhou cinco Oscars e Menina de Ouro, o melhor filme, quatro. No ano seguinte, um empate quádruplo: Kink Kong, Memórias de uma gueixa, O segredo de Brokeback Mountain e Crash - no limite empataram com três prêmios cada. Sendo o último o vencedor de melhor filme. Este ano, As aventuras de Pi faturou quatro estatuetas (direção, fotografia, trilha sonora e efeitos especiais) e na segunda posição vieram Argo (filme, roteiro adaptado e montagem) e Os miseráveis (atriz coadjuvante, maquiagem e mixagem de som). Ainda teve Oscar para Django livre (ator coadjuvante e roteiro original), Lincoln (ator e direção de arte), Operação skyfall (canção original e edição de som), Anna Karenina (figurino), Amor (filme estrangeiro), O lado bom da vida (atriz), A hora mais escura (edição de som) e Valente (animação).

A Áustria contra-ataca
Não foi como o esplendor francês do ano anterior, mas foi uma vitória expressiva. Além do triunfo entre os filmes estrangeiros com Amor, o candidato submetido pelo país, a Áustria ainda viu Christoph Waltz triunfar pela segunda vez em quatro anos no Oscar.

Peace out!
Quentin Tarantino quase 20 anos depois de sua primeira vitória no Oscar, voltou a empunhar a estatueta. Dessa vez pelo roteiro de Django livre, que acabou tendo um dos melhores desempenhos da noite com dois prêmios em cinco possíveis. Tarantino se mostrou respeitoso com a Academia e com seus concorrentes na categoria no que chamou de “o ano dos escritores”. O Tarantino paz e amor foi uma das boas surpresas da noite – ainda todos os candidatos na categoria fossem melhores.

A estrela da noite
Não foi a oscarizada Jennifer Lawrence ou a bela e histórica Emmanuelle Riva, mas sim a barba. Nada polarizou mais as atenções no Dolby Theatre do que a barba. Ou as barbas. George Clooney, Paul Rudd, Ben Affleck, Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman foram alguns dos que adotaram o visual barbado. Em diferentes traçados, é claro. A barba esteve tão poderosa que as duas performances masculinas premiadas se deram por personagens barbudos no filme e os três produtores de Argo foram receber o prêmio devidamente barbados... 

"Três barbudos sexies" nas palavras bem humoradas de Grant Heslov (à esquerda), seguramente o mais sexy dos barbudos...

And the Oscar goes to…
Os temidos discursos de Anne Hathaway e Jennifer Lawrence que andaram exagerando no tom dos agradecimentos em algumas premiações prévias não comprometeram. Anne foi elegante e grata. Jennifer foi afetuosa e bem humorada – principalmente depois da queda que sofreu enquanto se caminhava para o palco. Contudo, mais uma vez, Daniel Day Lewis mostra que também é o craque definitivo em matéria de discursos. Começou louvando Meryl Streep – que lhe entregara o Oscar: “Meryl era a primeira opção de Steven para viver Lincoln” e na mesma frase ainda saiu-se com essa “ainda bem que não se tratava de um musical”. Uma referência de duplo sentido tanto a Nine – seu trabalho menos elogiado em anos quanto ao principal elemento das homenagens da noite. O sagaz Day Lewis, no entanto, não se furtou a emoção pela história que estava fazendo e agradeceu, comovido, o gesto da Academia para com ele.

Algumas frases:

“É legal que nós não estejamos só fazendo filmes para adolescentes. Até porque eu já não sou mais adolescente”, Quentin Tarantino no backstage do Oscar

“Talvez na terceira vez a gente consiga, mas eu estou muito feliz de vencer”, de Ang Lee no backstage após vencer o Oscar de direção por As aventuras de Pi

“Me desculpem, eu tomei umazinha antes de vir aqui”, Jennifer Lawrence aos jornalistas no backstage ante de falar sobre sua vitória no Oscar

“Argo conta uma história secreta sobre o resgate de um grupo de americanos no Irã pós-revolucionário. A história foi tão secreta que o diretor do filme permanece desconhecido pela Academia”, Seth MacFarlane em uma de suas piadas como anfitrião do Oscar

“Se você não encontra suas palavras em situações como essa, eu acho que seria um pouco triste”, Daniel Day Lewis ao responder questionamentos sobre se recebia assistência em seus sempre maravilhosos discursos

"Django livre. Esta é uma história de um homem lutando para recuperar sua mulher, que é mantida sob uma violência impensável - ou como Chris Brown e Rihanna chamam, ‘encontro no cinema...’”, Seth MacFarlane em uma de suas piadas como anfitrião do Oscar

“Ele é engraçado”, Tommy Lee Jones quando perguntado sobre Seth MacFarlane

“Eu não sei, talvez que faça um documentário na HBO como fez a Beyoncé”, Adele sobre seus planos pós- Oscar


Passando a régua...
Tommy Lee Jones riu, Jack Nicholson estava lá, Jessica Chastain foi a mais linda da noite, Steven Spielberg perdeu de novo, Ben Affleck riu por último (e também lacrimejou), Quvenzhané Wallis curtiu de montão, Samuel L. Jackson bancou o fotógrafo, Anne Hathaway se emocionou, Meryl Streep compareceu, Jean Dujardin melhorou no inglês e George Clooney esbanjou charme. Que venha o Oscar 2014!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Oscar Watch 2013 - Cenas de cinema especial: Globo de ouro 2013


We miss you Rick

Não que a performance de Amy Poehler e Tina Fey tenha sido decepcionante. Elas são ótimas e garantiram o entretenimento. Mas também deixaram claro que Rick Gervais é mesmo insuperável em matéria de host na atualidade...

WTF moments
O que mais marcou a 70ª cerimônia do Globo de Ouro foi a saraivada de gafes na cerimônia. Do apagão no teleprompter que deixou Paul Rudd e Salma Hayek em maus lencóis ao nervosismo de Anne Hathaway que quase não deixou os produtores de Os miseráveis agradecerem o prêmio que tinham acabado de ganhar, passando pelo ex-espião da CIA Tony Mendez que, também nervoso, mostrou dificuldades de apresentar o indicado a melhor filme Argo, baseado em sua incrível façanha e pelo discurso de Jodie Foster que deixou todo mundo com a pulga atrás da orelha.

WTF moments II

Por falar nesse discurso, a homenageada com o prêmio Cecil B. DeMille por um momento parecia que ia anunciar sua homossexualidade, especulada pela imprensa há anos. Em outro, parecia anunciar sua aposentadoria da atuação. No fundo, era apenas uma crítica a cultura de celebridades e a forma como as mulheres são tratadas no mundinho de Hollywood. Foster, que estava nitidamente “alegre”, teve que explicar seu discurso no backstage. Mas conseguiu arrancar lágrimas de quem estava também “alegre” antes disso.

... e já que o clima é de confidências
Kevin Costner, que ganhou o prêmio de melhor ator em minissérie ou filme para a TV pela produção do History Channel Hartfield & McCoys, resolveu abrir o coração. Lembrou-se da primeira vez que compareceu à cerimônia do Globo de ouro, fez um rápido flashback da carreira (que pode se reabilitar depois desse prêmio) e em tom nostálgico agradeceu a todos pela carreira, pelo momento e pelo cinema.

Argo fucked?
É por essas e outras que o Oscar é Oscar! Ben Affleck não soube conter a cara de surpresa e choque quando viu seu nome anunciado como o melhor diretor do ano no Globo de Ouro. A vitória, que ganhou contornos de improvável depois de sua ausência na lista do Oscar, mostra a ruptura cada vez mais flagrante entre Oscar e Globo de Ouro. Com o Oscar reconhecendo cada vez mais um cinema artístico e a HFPA o cinema de indústria. No final das contas, a temporada não está sendo tão ruim assim para Affleck. Ele já ganhou mais do que outros diretores, como, por exemplo, Kathryn Bigelow e Tom Hooper, igualmente esnobados pelo Oscar.

Ben Affleck vibra: não tão mal assim na fita...


Não quer dizer nada
Agora, a vitória de Argo em linhas gerais não significa nada em termos de Oscar. A consagração do filme, porém, pode lhe impulsionar na disputa de melhor filme do ano. Mas a vitória, sem a nomeação de diretor, segue altamente improvável.

Surpreso de verdade
Bateram tanto em Django livre nos últimos dias, que ninguém da equipe do filme julgava possível conquistar prêmios na noite de domingo. Christoph Waltz, que ganhou o prêmio de ator coadjuvante, não soube disfarçar a surpresa com a vitória. Waltz, emocionado e sem discurso preparado, engrandeceu Tarantino.

Surpreso de verdade II
Premiado pelo roteiro de Django livre, Tarantino também demonstrou surpresa. “Realmente não esperava isso”. Ele aproveitou o holofote para defender seu método de criação e, no seu tradicional estilo espalhafatoso, louvou sua concorrência na categoria. 

A Harvey com amor
Pode não ter sido a vitória que ele se habituou a ter no Globo de Ouro, mesmo assim, os filmes distribuídos por Harvey Weinstein fizeram bonito na cerimônia realizada no Bevely Hilton Hotel. Django livre e O lado bom da vida conquistaram estatuetas e coube a Jennifer Lawrence massagear o ego do titã do marketing: “Obrigado Harvey por matar quem você teve que matar para me colocar aqui em cima”. Novos tempos!

Os perdedores e Tommy Lee Jones
Há sempre um fetiche das transmissões de premiações pelo flagra no rosto dos perdedores no momento em que o vencedor é anunciado. É quase tão orgânico que vez ou outra se perde a reação de alguns vencedores. No Globo de Ouro 2013, a TV flagrou o descontentamento de Bradley Cooper, que talvez achasse que fosse ganhar em virtude do bom momento de seu filme na temporada de premiações, e Taylor Swift que deveria saber que não tinha vez contra Adele.
No entanto, o melhor “flagra” da noite foi quando a câmera encontrou a face imutável de Tommy Lee Jones enquanto Will Ferrell e Kristin Wiig faziam uma piada com sua parceira de cena em Um divã para dois, Meryl Streep. O rosto de Jones estava tão assustador que o câmera, com medo, foi flagrar outra coisa...



Streep, sempre Streep
Indicada, Meryl Streep não pôde comparecer à cerimônia por causa de uma gripe. Isso não quer dizer que não tenha sido uma referência vivaz e contínua no evento. Desde brincadeiras no monólogo inicial à piada de leve da vencedora do Globo de Ouro de melhor atriz em comédia Jennifer Lawrence: “Eu venci Meryl Streep”.