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quinta-feira, 6 de março de 2014

Oscar Watch 2014 - Crítica da 86ª edição do Oscar



Tão logo foi divulgada a lista dos indicados ao Oscar 2014, Claquete veiculou um texto, denominado “Primeiras impressões sobre os indicados a 86ª edição do Oscar”. Naquele texto o blog saudava o espírito renovado, consciente e coerente que emanava da lista dos indicados ao Oscar. Não foi a primeira vez que isso aconteceu, especialmente depois da Academia ter reajustado o calendário de premiações, antecipando o anúncio dos indicados ao Oscar.
Não foi a primeira vez, também, que essa boa primeira impressão é empurrada pelo ralo. Há chavões a mil para se explicar o que aconteceu no último domingo (2), quando 12 anos de escravidão foi consagrado o melhor filme de 2013, levando outros dois Oscars na bagagem (roteiro adaptado e atriz coadjuvante) e viu Gravidade ostentar um frisson acima do imaginado angariando sete das dez estatuetas a qual foi nomeado.
“Os velhinhos da Academia são tradicionais”; “houve a opção pelo filme importante”; “o tom político sempre prevalece”; “ o marketing em cima do filme de McQueen era irresistível”; “eles vão resistir até limite à premiar um filme em 3D” e coisas do tipo. A Academia não é mais constituída amplamente por velhinhos e não é de hoje que se imbui da responsabilidade de premiar filmes importantes, mas sempre o fez com convicção. O que se viu no último domingo, foi o resultado de uma corrida marcada pela hesitação. 12 anos de escravidão é um candidato clássico, acadêmico e que em outros anos teria vencido muitos Oscars, se nos fiarmos no crédito dos chavões. Mas a Academia de hoje, fragmentada e em franco processo de renovação, rejeita a ideia de se render ao academicismo. Por que, então, 12 anos de escravidão prevaleceu sobre Gravidade? Porque velhos hábitos demoram a morrer e isso pode ser visto tanto na vitória hesitante de 12 anos de escravidão, algo que, justiça seja feita, pautou a temporada (o filme parecia vencer por cota, já que triunfava apenas na categoria principal e no prêmio do sindicato dos produtores forçou um inédito empate com Gravidade), e que ocorreu no ano passado quando Argo, de filme aparentemente fora da disputa pelo Oscar principal, tornou-se uma unanimidade ímpar. Mas anêmica. Faturou três Oscars. Filme, roteiro adaptado e montagem. Ainda assim, foi uma vitória mais consistente do que a de 12 anos de escravidão.
Destemperos à parte, os acadêmicos se esforçaram para reconhecer a grandeza dos filmes e artistas que fizeram a temporada de ouro do cinema. Não há que se questionar a qualidade ou merecimento dos filmes e trabalhos premiados.
A ausência de surpresas, no entanto, é um problema crônico. Não se pretende a surpresa pelo choque, pelo inusitado, mas como unidade de um pensamento próprio. Gravidade não era o melhor filme do ano, mas ficou bem claro que cativou a academia. Mais do que 12 anos de escravidão, contra o qual concorria na maioria das categorias. Premiar essa ficção científica de inestimável esmero técnico e rodada em 3D configuraria, portanto, surpresa – se considerarmos o retrospecto da Academia e da temporada em questão – mas, principalmente, apresentaria um pensamento próprio, completo, definido. Não como o que se apresentou ao mundo no dia 2. Mas nem tudo é má notícia. A mudança, sinalizam as indicações cada vez mais “fora da caixa” está a caminho. Mesmo assim, com a oportunidade de se premiar documentários instigantes, provocativos e importantes, a academia opta pelo simples e inofensivo A um passo do estrelato. É o mesmo raciocínio tacanho que fez de 12 anos de escravidão e Argo vencedores do Oscar.

Os atores do ano: méritos inquestionáveis....

Quem quer ser um milionário?, vencedor do Oscar em 2009, é muito mais fraco do que Argo ou 12 anos de escravidão. Nem sequer mereceria indicação, mas foi consagrado com oito prêmios. Ali a Academia se pronunciou com convicção. Nos últimos dois anos, espantada com os rumos da temporada de premiações, se conformou com o fato de agir à reboque. Não via em Argo um genuíno Oscar contender, tanto que Ben Affleck ficou de fora da disputa dos diretores, e deu o Oscar ao filme como reparação de uma posição que era legítima. Neste ano, passou recibo de que premiou um filme porque ele é importante e não por ser o melhor. É o segundo ano consecutivo em que direção e filme vão para produções distintas. É o segundo ano seguido em que o vencedor do Oscar de melhor filme não é o campeão de Oscars do ano. Não é mera coincidência.

Al right, al right, al right
Matthew McConaughey é o cara. O jornalista Pablo Miyazawa tuitou na esteira da cerimônia do Oscar que “Matthew McConaughey é o novo Paul Newman”. À parte o fato de ter ganho um Oscar logo em sua primeira indicação, Newman padeceu em setenomeações até sua delongada vitória, a comparação procede. A reinvenção de McConaughey já ocupa espaço em Claquete há algum tempo e impressiona a cada novo trabalho. Sua vitória por Clube de Compras Dallas é incontestável, ainda que todos os concorrentes da categoria merecessem o prêmio. Já seu parceiro de cena, Jared Leto, ainda que esteja ótimo na pele do travesti Ranyon, está um pouco abaixo do padrão desejado para uma performance vencedora do Oscar. Havia concorrentes melhores na categoria, mas não é uma vitória indigna. Como não o são as vitórias de Lupita Nyong´o entre as coadjuvantes, de A grande beleza entre os filmes estrangeiros e a soberania de Gravidade nas categorias técnicas.
A vitória de Cate Blanchett merece um parágrafo só para ela. Nova integrante do clube de intérpretes com dois Oscars na estante, Blanchett é a única unanimidade com vocação de unanimidade em um Oscar que tinha tudo para ser inesquecível e optou por não deixar saudades. 


terça-feira, 4 de março de 2014

Oscar Watch 2014 - Momento Claquete #40

Ladies and gentlemen, the Oscars...

Benedict Cumberbatch "estraga" a foto de Bono e seu U2 no tapete vermelho 

Amy Adams e Bill Murray se reunem para apresentar um Oscar, mas parecem imersos em quadro expressionista... 

Cate Blanchett ao ouvir seu nome como melhor atriz do ano pelo trabalho em Blue Jasmine; ela não esperava... 

That you´ll go Mr. President: Daniel Day Lewis retoca a maquiagem antes de chamar Cate Blanchett para o palco...

Brad Pitt no conchavo para Steve McQueen no backstage: I served pizza tonight, you´re winning...

1001 maneiras de agradar a sua mulher: Jason Sudeikis "paparazza" a belíssima e gravidíssima Olivia Wilde  

Jared Leto, mais feliz do que pinto no lixo, prepara o bote para cima de Anne Hathaway: she won´t see it coming... 

Jennifer Lawrence em mais uma demonstração de puro carisma: Give it to me... 

Christian Bale para Jeremy Renner: you haven´t been nominated and I have no fucking clue of why you are here keeping up whit this selfie shit...

Matthew McCnonaughey aponta para DiCaprio e pensa: you´re the man, but I made you the man...

Alfonso Cuarón, o Mr. simpatia: aquela canção do Pharrell é para mim... 

Lupita não vai deixar o "naughty boy" Jared Leto sair impunemente... 

Joseph Gordon-Levitt finaliza nosso Momento Claquete: that´s all for now, folks

segunda-feira, 3 de março de 2014

Oscar Watch 2014 - Identidade perdida



Aconteceu o que se temia. Pelo quarto ano seguido, a academia depõe contra a própria etimologia e desalinha um serviço tão bem feito no rol dos indicados ao prêmio, estabelecendo vencedores menos calcados no mérito, ou mesmo na percepção da organização enquanto colegiado, e mais na base do marketing e do hype. 12 anos de escravidão, há algumas semanas se anunciou, será incluso na grade curricular das escolas básicas americanas. Houve expressa campanha a destacar o quão importante o filme dirigido por Steve McQueen era e, ainda que a corrida pelo Oscar sinalizasse que ele não ostentava tanta força ante outros indicados – visivelmente mais apreciados – o prêmio de melhor filme era outorgado ao filme em premiações como Bafta, Globo de Ouro, Critic´s Choice e Producers Guild Awards (neste último teve um inédito empate entre os filmes vencedores, justamente com Gravidade) .
Ellen De Generes, host pouca inspirada dessa 86ªedição do Oscar, foi feliz ao registrar o dilema. “Temos dois cenários: ou 12 anos de escravidão ganha, ou vocês são todos racistas”. O filme de McQueen ganhou. Venceu em três categorias, filme, roteiro adaptado e atriz coadjuvante e viu Gravidade com um frisson maior do que esperado, converter em vitória sete de suas dez indicações (direção, montagem, som, edição de som, trilha sonora, efeitos especiais e fotografia).
O ímpeto dos prêmios a Gravidade, amplamente superior tecnicamente a seus concorrentes, revela que era o filme de Cuarón o candidato do coração da Academia, mas como a personagem de Meryl Streep em As pontes de Madison, a Academia fez “a escolha que deveria fazer” e premiou como melhor filme do ano, aquele que acabou por vencer em três categorias com muito pouca convicção. O entusiasmo com Gravidade era tanto que ele venceu em categorias que não foi vencedor nos prêmios dos sindicatos (montagem e edição de som), algo que não se replicou em nenhuma outra categoria do Oscar.
O descenso da coerência na distribuição dos prêmios atinge novo e preocupante patamar em 2014. Depois de premiar uma produção como melhor em filme em 2013 e não dissipar a ideia de que somente o fez para reparar a exclusão de seu diretor dos finalistas entre os diretores, a Academia conseguiu a proeza de transformar o Oscar que se anunciava mais imprevisível em anos, no mais previsível e, sim, entediante da década.
Não se discute os méritos de 12 anos de escravidão ou Gravidade, mas sim o mérito das escolhas que sombreiam o virtuosismo da História e nebulam o futuro da Academia.  Mais repercussão sobre o Oscar, em geral, e sobre essa agravada vicissitude em particular, nos próximos dias em Claquete.

domingo, 2 de março de 2014

Oscar Watch 2014 - crítica dos indicado à 86ª edição do Oscar




Boa notícia. Trata-se da melhor safra do Oscar desde que a Academia expandiu o quadro da categoria de concorrentes a melhor filme, em 2010. É, também, a melhor safra de indicados a melhor filme desde 2008, quando concorriam Onde os fracos não têm vez, Sangue negro, Conduta de risco, Juno e Desejo e reparação.
Os recordistas de indicação do ano, Gravidade, Trapaça e 12 anos de escravidão rivalizam em equidade raríssima. Se Gravidade conta com o peso de ser um blockbuster de bilheteria superior a R$ 600 milhões e o consenso de que se trata, afinal, de um bom filme, 12 anos de escravidão tem o lobby de “de filme importante” e Trapaça conta com o apoio incondicional dos atores. Esses dois últimos filmes, no entanto, alimentam resistência e é aí que Gravidade pode tirar vantagem. 12 anos de escravidão é acusado de ser oportunista e demasiadamente violento enquanto que Trapaça é tido por uma quantidade nada desprezível de pessoas como uma cópia do cinema de Martin Scorsese.
Por falar em Martin Scorsese, é dele o melhor filme do ano. O lobo de Wall Street merecia ganhar tudo e mais um pouco no Oscar 2014, mas não deve ganhar nada – ressalva feita às parcas chances de DiCaprio ser finalmente agraciado com o Oscar (é o melhor entre os atores também). O lobo de Wall Street é o único filme que adentrará o rol dos clássicos e será lembrado no futuro por seu significado e relevância (estética, narrativa e temporal), mas a Academia, como colegiado, não consegue perceber isto.

Leonardo DiCaprio endiabradamente bom em O lobo de Wall Street, o filme mais reflexivo, devastador e provocador da temporada...

...e Spike Jonze orienta Joaquin Phoenix nos bastidores de Ela: por razões diversas, mas que se complementam, Ela e O lobo de Wall Street são os melhores filmes da temporada e é no mínimo frustrante a possibilidade de que saiam do Oscar sem prêmio algum


A categoria principal, de qualquer maneira, ostenta qualidade acima de qualquer suspeita e nenhum filme nela relacionado é indigno de ali figurar. Nebraska, Ela, Philomena e Clube de Compras Dallas, filmes menores e que dificilmente chegariam ao Oscar quando este tinha apenas cinco indicados, são produções que oxigenam o fazer cinematográfico e irrigam o Oscar enquanto instituição. Mas não é possível premiar todos esses filmes. O que não implica dizer que não estamos diante de um ano em que os prêmios serão pulverizados. Gravidade deve liderar à disputa, mas não deve superar cinco Oscars.
Se a contenda por melhor filme parece confinada à Gravidade, Trapaça e 12 anos de escravidão, a disputa por direção deixou escanteada o diretor de Trapaça, Russell parece reunir mais chances na disputa por roteiro original, em que Spike Jonze é favorito por Ela, do que aqui. Fazer história parecer ser o lema do ano na categoria. Resta saber quem virá primeiro: os latino-americanos (o mexicano Alfonso Cuarón) ou os negros (o inglês Steve McQueen)?

Arte: Cinemanews

Atuações
Todos os atores mereciam o Oscar, mas ele fica entre McConaughey por Clube de Compras Dallas e Leonardo DiCaprio. O primeiro vive fase prolífera e renovadora, enquanto o segundo alcança o melhor desempenho de uma carreira maravilhosa e negligenciada pela academia. São dois casos muito acintosos que justificam a polarização, ainda que eles apresentem os melhores desempenhos do ano.
A briga pelo Oscar de ator coadjuvante parece mais definida. Jared Leto, por Clube de Compras Dallas, está ótimo. No entanto, é o mais fraco da categoria. Deve vencer pelo hype e pelo fato de contar com o personagem mais simpático entre os nomeados.
Cate Blanchett, por Blue Jasmine, apresenta a melhor atuação da década até aqui. É muito difícil que perca o Oscar, mas se isso acontecer, só será justificável, e mesmo possível, se a vencedora for Amy Adams por Trapaça, outro colosso de mulher e atriz.
Jennifer Lawrence, possuída de talento e graça, é a melhor atriz coadjuvante do ano e lança um abacaxi para a Academia ainda às voltas com máximas conservadoras: é válido dar a uma atriz de 23 anos seu segundo Oscar e em anos consecutivos? A resposta pode ser Lupita Nyng´o, eficiente em 12 anos de escravidão, mas longe de fazer limonada com laranja como faz Lawrence.
A grande Beleza e A caça são os front runners para filme estrangeiro, com leve vantagem para o primeiro.
Nas categorias técnicas, se a lei da física não for desafiada, Gravidade dominará com 12 anos de escravidão, Capitão Phillips e Trapaça beliscando aqui e lá.
Resta-nos torcer para que, mais do que nos surpreender, o Oscar não renuncie à coerência como tem feito de quando em quando, como em 2013, ao eleger como melhor filme do ano uma fita que não tinha um dos cinco melhores diretores da temporada.  

Claquete selecionou infográficos bacanas que celebram o momento supremo da cinefilia


Números e curiosidades do Oscar ao longo dos anos (em inglês)
 Arte: ABCNews


Os vestidos das atrizes vencedoras do Oscar nos 85 anos do prêmio
 Arte: Cosmopoiltan (sugestão da leitora Aline Viana)


Woody Allen, o Midas as indicações por atuações
Arte: cinema é tudo isso

sábado, 25 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - #oscarfacts

Onde eu assino no Guinness?
 A figurinista Catherine Martin acaba de registrar um pequeno recorde com as indicações de 2014. Depois de ser nomeada em 2002 pelo figurino e direção de arte de Moulin Rouge – amor em vermelho, e ganhar os dois Oscars, ela repete o mesmo feito (as indicações, ao menos) em 2014 por O grande Gatsby. Ambos os filmes dirigidos por Baz Luhrmann. Houve outras indicações no ínterim, mas o recorde em questão é que ninguém, além dela, conseguiu ser indicada por figurino e direção de arte ao Oscar no mesmo ano, pelo mesmo filme, duas vezes.

A figurinista disse que sempre trabalhará com Baz Luhrmann e é compreensível, já que a parceria tem dado certo. Martin também foi indicada ao Oscar pelo figurino do contestado Austrália (2008)

Woody Allen e o roteiro
Woody Allen já tem quatro Oscars e continua com fome. Sua coleção de indicações, especialmente como roteirista, continua crescendo e ele não dá pistas de que esse cenário vá mudar. Por Blue Jasmine, ele conseguiu sua 16ª indicação na categoria. A segunda em três anos, desempenho que não conseguia repetir desde o alvorecer dos anos 90.

A nova poderosa chefona

Em 2011, Scott Rudin conseguiu um feito raro. Foi indicado duplamente ao Oscar de melhor filme, por A rede social e Bravura indômita. Ali, como produtora executiva do filme dos Coen, estava Megan Ellison. Filha de um bilionário do setor de tecnologia, ela se anuncia uma figura prodigiosa no universo dos produtores independentes. Depois de emplacar A hora mais escura na disputa em 2013, ela chega em 2014 com dois filmes selecionados na categoria principal. Ela e o badalado Trapaça. Analistas da indústria já a colocam como pedra no sapato do todo poderoso Harvey Weinstein. Não obstante, ela foi capaz de atrair David O. Russell, que rodara O lado bom da vida sob a guarda de Weinstein, para fazer Trapaça no selo independente da Sony. Atuando como produtora há apenas três anos, ela conseguiu algo que apenas Weinstein, Rudin e Francis Ford Coppola, titãs da indústria, conseguiram em 85 anos de Oscar.

A descoberta de Abi

Todo ano o Oscar promove uma estrela. Ou melhor, eleva ao panteão das maiores estrelas do mundo aquelas figuras que não exatamente pertencem a este universo. Há sempre algum debutante na atuação em cena ou alguém de fora do mainstream. Em 2014 essas características se concentram todas em Barkhad Abi. Não só ele não era ator antes de chocar o mundo, e eclipsar ninguém menos que Tom Hanks em Capitão Phillips, como era motorista. Além de ser somali, o que invariavelmente diminui seu apelo em termos de premiações.
Mas aí está o Oscar revelando para o mundo, com toda a justiça, um ator intuitivo de incrível energia e muito futuro.

Os maiores hiatos
Alguns artistas voltam ao Oscar depois de longos anos. Claquete destaca os dois casos mais emblemáticos nas categorias de atuação.
Bruce Dern foi indicado a melhor ator coadjuvante em 1979 por Amargo regresso e volta a disputar a estatueta em 2014 como ator por Nebraska. São 35 anos entre uma indicação e outra. Julia Roberts recebeu seu Oscar em 2001 por Erin Brockovic – uma mulher de talento. Justamente quando foi indicada pela última vez, 13 anos atrás.

When Judi meets Cate

Cate Blanchett já tem um Oscar e em 2014 conquistou sua sexta indicação ao prêmio. Judi Dench já tem um Oscar e em 2014 conquistou sua sétima indicação ao prêmio. No ano em que Cate Blanchett conquistava sua primeira indicação, em 1999, como atriz por Elizabeth, Judi Dench, então em sua segunda indicação, conquistava seu primeiro Oscar, como coadjuvante por Shakespeare apaixonado. Em 2007 elas foram indicadas ao Oscar pelo mesmo filme, Notas sobre um escândalo. Cate como coadjuvante e Judi como protagonista. Agora, em 2014, elas se enfrentam pela primeira vez no Oscar na categoria de atriz. O favoritismo é de Cate, mas muita gente aposta que Judi pode surpreender.

When Amy meets Meryl

Outra sinergia esquisita ocorre entre Meryl Streep e Amy Adams. Elas já estrelaram dois filmes juntas. Por ambos os filmes, Meryl Streep foi indicada ao Oscar. Pelo primeiro deles, Amy também foi. Os filmes em questão foram Dúvida (2008) e Julie & Julia (2009). Meryl Streep foi indicada ao Oscar seis vezes nos últimos dez anos. O melhor desempenho entre intérpretes, tanto em categorias masculina como feminina. O segundo melhor desempenho? Amy Adams que chega à quinta indicação em nove anos. Em 2014 será a primeira vez que elas se enfrentam no Oscar.

A primeira vez a gente nunca esquece
Michael Fassbender falou, em setembro último, que não faria campanha por uma indicação ao Oscar como coadjuvante por 12 anos de escravidão. Fassbender, que fez muita campanha em 2012 por uma indicação por Shame, acabou indicado pelo trabalho e, tal como Joaquin Phoenix no ano passado, às custas única e exclusivamente de seu trabalho em 12 anos de escravidão. Ator de muitos recursos e muito versátil, Fassbender que já merecia uma indicação ao Oscar desde Shame, deve voltar muito à festa da Academia. Mas o sabor da primeira vez fica.

A primeira esnobada a gente nunca esquece
Outro que goza de sua primeira indicação, e já na posição de favorito ao prêmio, é Matthew McConaughey. Só que McConaughey teve que amaciar a carne. Depois de uma consolidada carreira como galã de comédias românticas, o ator deu um giro de 180º em sua carreira que muitos pagavam para ver até onde iria. E pode ir ao Oscar e além, como sugerem seus créditos para os dois próximos anos. Nesta dourada jornada, McConaughey foi solenemente ignorado por performances arrasadoras em filmes como Killer Joe, Magic Mike e Amor bandido.

Agora vai?
Roger Deakins é um dos maiores perdedores da história do Oscar. Em todas as categorias, mas entre os diretores de fotografia a coisa fica mais chata. Todo ano ele recebe menção aqui no #oscarfacts de Claquete sob a expectativa de que o ano em questão pode ser, finalmente, o da redenção. Não deve ser em 2014, no entanto, que Deakins sairá da fila. Indicado pela arrebatadora fotografia de Os suspeitos, configurando sua quarta indicação em seis anos, suas chances são menores do que em outros anos. A indicação de Deakins é a única de Os suspeitos e há toda a celebração em cima da fotografia de Gravidade, de Emmanuel Lubezki, outro que nunca ganhou o Oscar, mas pode conquistá-lo em sua sexta indicação.

O fator Hanks                                                                 
Tom Hanks, que era dado como certeza na categoria de melhor ator por Capitão Phillips, acabou de fora e levou analistas da indústria a se depararem com a seguinte pergunta: a Academia superou Tom Hanks? Sim, porque desde 2001, o ator não é indicado ao Oscar, mesmo tendo apresentado meia dúzia de atuações mais do que dignas de nomeações. A hipótese permanece sem uma elaboração aceitável, mas parece que grande parte da Academia considera que os dois Oscars cedidos de maneira consecutiva no início dos anos 90 já qualificam distinção suficiente a Hanks na história e que não seria preciso elevá-lo a uma “Meryl Streep entre os homens”.


Quem foi mais esnobado? 
Leonardo DiCaprio tem dez indicações ao Globo de Ouro e em 2014 conquistou sua quarta nomeação ao Oscar. Tom Hanks, por seu turno, ostenta oito nomeações ao Globo de Ouro e apenas uma a mais que DiCaprio no Oscar, apesar das duas consagradoras vitórias. Claquete faz a análise das análises, quem desses dois grandes atores americanos foi mais esnobado pela Academia?


Leonardo DiCaprio está mesmo com tudo ou por fora, dependendo da perspectiva. DiCaprio, no crivo de Claquete, apresenta mais performances dignas de indicação ao Osca ( e que não foram nomeadas) do que o venerável Tom Hanks. Foram oito os trabalhos de DiCaprio solenemente ignorados pela Academia e seis os desempenhos de Hanks que foram excluídos do Oscar. Atenção para um detalhe: os trabalhos esnobados estão com o ano de seu lançamento e os trabalhos nomeados com o ano da nomeação.


Scorsesiano

Ao que parece, Martin Scorsese caiu de vez nas graças da Academia. Embora esta ainda lhe deva uns três Oscars, para fazer jus à grandeza do cineasta americano, a academia tem destacado Scorsese mais do que qualquer outro cineasta do cinema atual contemporâneo. Dos anos 2000 para cá, Scorsese realizou seis longa-metragens ficcionais. Ele foi indicado ao Oscar de direção por cinco deles. Só ficou de fora por Ilha do medo (2010), que é um de seus melhores trabalhos de direção em todos os tempos, mas o filme é, também, uma homenagem aos filmes de terror B; o que minou suas chances na academia.
De qualquer maneira, Scorsese é o cineasta mais indicado ao Oscar de direção nos últimos 15 anos. Uma distinção justa para um dos maiores diretores de todos os tempos. Ao todo, Scorsese tem 11 indicações ao Oscar. Oito delas como diretor.


Rancor ou verdade? 
Robert Redford disse que acabou de fora da corrida pelo Oscar por que o estúdio responsável por Até o fim, a Lionsgate, não acreditou no filme e não fez campanha. A fala de Redford, que disse que seria ótimo ser indicado, mas que não fica triste por não ter conquistado essa que seria sua primeira indicação ao prêmio como ator, escancara uma das principais características de toda a corrida pelo Oscar. A força das campanhas. Por trás da indicação de Leonardo DiCaprio, está o fato de que o ator se engajou na campanha por O lobo de Wall Street, do qual também é produtor. DiCaprio, vale lembrar, não costumava se engajar nas campanhas pelo Oscar.
A declaração de Redford, no entanto, vale para ele também. Redford tem o tipo de estatura na indústria que não precisa da sombra do estúdio.

Ator e produtor
Leonardo DiCaprio e Brad Pitt concorrem ao Oscar como produtores de O lobo de Wall Street e 12 anos de escravidão respectivamente. Ano passado, George Clooney e Ben Affleck ganharam o Oscar como produtores de Argo. Pitt concorreu no ano anterior como produtor dos filmes A árvore da vida e O homem que mudou o jogo. Não se fazem mais atores como antigamente em Hollywood e neste caso, isso é uma boa notícia. 

American darlings

Alexander Payne e David O. Russell travam uma batalha particular no Oscar 2014. A briga é pelo posto de quem é o maior darling da composição atual do colegiado da Academia. Ambos costumam colecionar indicações como roteirista e diretor, Payne ainda assombra como produtor. Mas isso é o de menos. Ambos foram indicados ao Oscar pelos seus últimos três trabalhos. Payne tem ligeira vantagem. Além de ter mais indicações (7 contra 5), venceu duas vezes – pelos roteiros de Sideways (2004) e Os descendentes (2011). Russell, no entanto, conseguiu o feito de ter seus atores principais indicados nas quatro categorias principais por dois anos seguidos. Demolidores de estatísticas nas hostes do Oscar, os dois se enfrentam pela primeira vez na categoria de direção. 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Especial O lobo de Wall Street - Crítica


Teu ódio será minha herança!


É raro quando as luzes do cinema se ascendem e você se dá conta de que acabou de testemunhar um daqueles momentos únicos do cinema: o nascimento de uma obra-prima. No caso de O lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, EUA 2013) o sentimento é imediato. A imagem dos cordeiros olhando fixamente o lobo que os hipnotiza com charme, beleza e altivez encerra um filme apoteótico, sarcástico (como poucas vezes Scorsese se permitiu ser), vibrante, nervoso e profundamente reflexivo não só daquele microcosmo de loucura, devassidão e ganância que tem em Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) sua principal bússola, mas também do público que reage ao que se vê na tela de maneira diversa. Jaz nessa receptividade conflituosa e tergiversada o grande ás desse filme pensativo e provocador. Ao convidar o espectador para vislumbrar o desbunde de uma vida sem regras, sem limites e por vezes chocante, mas sempre entorpecente, Scorsese ativa a bússola moral do espectador e o desafia a fazer um julgamento que o próprio Scorsese posterga, para finalmente completá-lo de maneira sutil, silenciosa e deliciosamente debochada.
Em O lobo de Wall Street, baseado nas memórias do próprio Belfort, testemunhamos a ascensão de um homem que como tantos outros chegou a Wall Street com tesão por ganhar dinheiro, fácil, de preferência. E a ascensão de Belfort foi meteórica. Dono da própria empresa e faturando cerca de U$ 50 milhões no ano de seu 26º aniversário, o mundo parecia seu quintal e Belfort e seus amigos agiam de acordo com essa impressão.
Estamos no terreno dos personagens que sempre querem mais. “Você precisa botar a necessidade na mesa”, diz o mentor de Belfot, vivido com energia absurda por um assombroso Matthew McConaughey. A necessidade, no entanto, elabora Scorsese, é uma moeda de duas faces e manobras ilegais logo se tornam um elemento básico do negócio.  

O pulmão do filme: a cena em que o personagem de McConaughey explica Wall Street para o personagem de DiCaprio dá o tom do filme e se caracteriza como um dos grandes momentos do cinema neste ano

Não é um conto moral o que tece o cineasta de Os bons companheiros e essa é a principal divergência entre este filme e produções como Wall Street (1987) e Margin Call – o dia antes do fim (2011). Aliás, esse filme guarda similaridades entusiasmantes com Os bons companheiros. A perversidade, a total falta de escrúpulos e a percepção de se estar acima do bem e do mal alinham os personagens de ambos os filmes. Scorsese sabe disso e, tal como em Os bons companheiros, observa esses personagens interagirem em seu habitat com o cinismo que merecem.
Se não é um conto moral, o que move O lobo de Wall Street? A psicopatia. Scorsese sabe como poucos, analisar o ser humano em seu estado mais corrompido, mais falimentar. Não há interesse em justificar o comportamento de Jordan e seus comparsas, apenas observá-los confinados a essa amoral e perigosa torre de babel.
Do roteiro de Terrence Winter à fotografia de Rodrigo Prieto, passando pela montagem, pela trilha sonora, pela direção de arte e finalmente culminado nas esplendidas atuações, O lobo de Wall Street é cinema de verve. Cascudo, inteligente, irrepreensível.
Leonardo DiCaprio na pele do voraz e cativante Belfort atinge o pico de uma carreira já estabelecida nas mais altas notas. A insanidade de Belfort, seja nos seus discursos megalomaníacos ou depois de tomar pílulas e cheirar carreiras de cocaína, é adensada por um Leonardo DiCaprio inimaginável, fogoso, raivoso e absoluto. Jonah Hill, como seu fiel escudeiro, não fica atrás. Dos olhos gulosos aos dentões brancos expostos, passando pela homossexualidade sugerida, sua atuação é adrenalina pura.
Martin Scorsese faz um retrato fiel de Wall Street? Se você faz essa pergunta é porque não entendeu o filme. O retrato fiel em questão é do colapso do espírito humano. Daquele tipo de gente que se perde em si mesmo e não necessariamente faz qualquer esforço para se achar. É aquele universo dos tipos que se julgam os donos do mundo. É esse o retrato fiel, sem concessões e eufemismos, pintado por um cineasta no auge de sua forma. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - Cenas de Cinema (as indicações ao Oscar 2014)

No caminho certo
É contumaz falar das omissões e das injustiças do Oscar, mas a cada ano a academia vem se esforçando para menorar essa impressão que – por sua alta carga subjetiva – jamais poderá ser afastada de todo. Em 2014, ao se deparar com a lista dos indicados ao Oscar, a primeira sensação é de que ela é a mais completa, honesta e justa possível. Leonardo DiCaprio, ator contestado nas hostes da academia, recebeu merecidamente sua quarta indicação ao Oscar. Ainda que para tanto, Robert Redford tenha perdido a chance de conquistar sua primeira como ator.
Os filmes que mais chamaram a atenção nesta agitada, e cheia de qualidade, temporada de premiações foram lembrados. Bom senso, bom timing e, acima de tudo, bom julgamento parecem nortear a academia nesta fase da corrida pelo Oscar.



A prova dos nove
Desde que foi implementada essa janela de cinco a dez filmes na categoria de melhor filme em 2010, a categoria foi apresentada com nove filmes. De lá para cá, com quatro edições do Oscar como amostragem, dá para dizer que este é o ano em que há maior número de filmes de melhor nível na disputa. Mesmo assim, o número final de indicados é o mesmo. Esse gosto pelo nove pode ser reflexo direto do método para se aferir os indicados a melhor filme. Para ser indicado, um filme precisa reunir 5% da preferência dos votantes. O gosto da Academia, como se vê, é bem plural, mas não chega à casa dos dígitos.

Pelo segundo ano consecutivo, David O. Russell (à direita) emplacou o darling da corrida pelo Oscar. Trapaça divide a liderança da corrida com Gravidade, ambos com 10 indicações

Sem corridas das oscarizadas
Logo no início do especial Oscar Watch 2014, Claquete atentou para um fato incomum. Esta temporada do Oscar se anunciava como uma corrida de oscarizadas na categoria de melhor atriz. Ainda que tenha ficado com essa cara até os 45 do segundo tempo, não se resolveu dessa maneira e Amy Adams, por Trapaça, infiltrou-se e já começa a fungar no cangote da favorita inconteste Cate Blanchett (Blue Jasmine).

Amy Adams, sob as ordens de Russell, trazendo sexy back para a corrida das atrizes pelo Oscar...

Actors reloaded
Claquete acertou onde 99% de quem se dedica a analisar e antecipar os rumos da corrida pelo Oscar errou. Christian Bale e Leonardo DiCaprio, atores que encontram certa resistência entre muitos membros da academia e que defendem personagens de moral contestável, conseguiram indicações pelos filmes Trapaça e O lobo de Wall Street respectivamente. Mas a categoria deste ano não é redenção apenas para eles. Bruce Dern (Nebraska), Chiwetel Ejiofor (12 anos de escravidão) e Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas), todos em momentos distintos da carreira, são figuras historicamente descompatibilizadas da premiação.
Dern, aos 77 anos, volta a ser indicado ao prêmio. Concorreu uma única vez como coadjuvante em 1979. Bale é único a já ter vencido. Foi em 2011 como coadjuvante por O vencedor.

Outside
Os irmãos Coen, costumeiramente lembrados pela Academia que rapidamente os acolheu como favoritos da casa, acabaram de fora da disputa de 2014. Inside Lyewyn Davis – balada de um homem comum já vinha perdendo força na corrida, mas o fator Coen e o prêmio em Cannes mantinham acesas as esperanças de melhor sorte no Oscar. A tendência de queda se confirmou com apenas duas nomeações, para fotografia e som. Em um ano de fato concorridíssimo, não havia espaço para favoritos da casa.

O cara
O nome é Russell. David O. Russell. Quem é John Ford perto dessa cara? Parece heresia, mas não é. O que David O.Russell vem conquistando na história recente do Oscar não tem precedentes. Pelo segundo ano consecutivo ele emplaca indicações nas quatro categorias de atuação para quatro atores. Antes do ano passado, quando ele conseguiu isso por O lado bom da vida, foram mais de 30 anos sem que isso acontecesse. Não obstante, Russell conseguiu sua terceira indicação ao Oscar em quatro anos. Coisa que só Ford conseguiu e em uma época em o western, gênero em que Ford reinava, imperava no gosto dos acadêmicos. David O. Russell rapidamente se agiganta para se tornar um dos grandes do cinema e do Oscar.

O cara que zoa o outro cara
49 indicações ao Oscar. John Williams ri na cara de David O. Russell assim como ri na cara de qualquer um. O prêmio chama-se Oscar, mas qualquer dia vai ter gente chamando de John Williams. Ah, a indicação foi pela trilha sonora de A menina que roubava livros.

Até onde vai Meryl Streep?
Tinha quem duvidasse, mas Meryl Streep é maior do que Oprah e as indicações ao Oscar desta quinta-feira demonstraram isso. Streep, que muitos duvidavam que conseguisse nomeação em virtude do crescimento de Amy Adams, entrou e Oprah Winfrey, dada como certa entre as coadjuvantes, ficou de fora. É a 18ª indicação de Meryl Streep, recorde absoluto entre intérpretes e adornado ainda por outra marca suprema: indicações em cinco décadas diferentes.

Julia Roberts e Meryl Streep em cena de Álbum de família: ambas indicadas ao Oscar. Julia persegue modestamente a marca de Streep e angaria sua quarta indicação à estatueta e na terceira década distinta.

Até onde vai Jennifer Lawrence?
Talvez ainda seja cedo para chamá-la de próxima Meryl Streep, mas fato é que nem mesmo a original ostenta o recorde que J.Law acaba de constituir. Ninguém jamais foi indicado a três Oscars, e muito menos tendo ganhado um, com 23 anos de idade. Mais: Jennifer Lawrence conseguiu essas três indicações em quatro anos. Quem segura o ímpeto dessa mulher?

Recordar é viver
Tom Hanks foi indicado ao Oscar por um papel de naufrago em 2001 no filme Naufrago. Robert Redford ficou de fora da disputa deste ano defendendo o papel de um naufrago em Até o fim. Já Matthew McConaughey conseguiu sua primeira indicação ao prêmio pelo papel de um aidético que luta contra o sistema em Clube de compras Dallas, papel semelhante ao que deu o primeiro Oscar a Hanks em 1994 por Filadélfia. Hanks que ficou de fora da disputa deste ano por Capitão Phillips, filme no qual faz um capitão que teve seu navio sequestrado. Papel semelhante ao que deu a primeira indicação ao Oscar a Johnny Depp em Piratas do caribe: a maldição do Perola negra...

Tom Hanks em cena de Capitão Phillips: e quem paga o pato sou eu?

Mais Oscar nos próximos dias em Claquete

Quem gosta de acompanhar a temporada de premiações pelo blog não terá do que reclamar nos próximos dias. Além de uma análise preliminar sobre as indicações, serão publicados #oscarfacts – sobre curiosidades da premiação e dos indicados deste ano e outras regalias para o leitor cinéfilo que bate cartão por aqui.

domingo, 13 de outubro de 2013

Insight - Como está a briga pelo Oscar de filme estrangeiro na largada da corrida?


Todo mundo sabe que a corrida pelo Oscar começa cada vez mais cedo. A edição de 2014 está marcada para março e cá estamos nós, em outubro de 2013, discutindo o próximo Oscar. No caso da competição para melhor filme estrangeiro a corrida é muito mais ampla mesmo. Passa por mecanismos oficiais, no sentido de serem à primazia, escolhas dos governos dos países para representá-los no mais festejado e conhecido prêmio do cinema. Segundo porque envolve todo um planejamento de marketing que muitas das vezes antecede a própria oficialização do filme como representante de tal país na disputa pelo Oscar.
O Brasil, como se sabe, escolheu o aclamado O som ao redor, para ser seu representante na disputa por uma vaga no Oscar. E agora a disputa começou para valer nos bastidores. O recorde de 76 filmes indicados para concorrer às cinco vagas de finalistas foi anunciado pela Academia na última semana. O som ao redor, como se sabe, é um filme festejado pela crítica americana. Mas há filmes mais festejados na disputa e, a julgar pelas primeiras aferições, o filme tem chances; mas não são chances tão fortes como gostaríamos.
A presença de O passado, novo filme de Asghar Farhadi, premiado há dois anos por A separação, é tida como certa entre os finalistas. A indicação do Irã vem reforçada pelo fato do filme se passar na França e apresentar conflitos muito próximos aos ensaiados em A separação. O soberbo A caça, já exibido aqui no país, é a escolha dinamarquesa e é outro candidato muito bem cotado pela crítica americana. A grande beleza, de Paolo Sorrentino é outro filme que caiu nas graças da crítica e aventado para figurar entre os finalistas do Oscar. O candidato da Arábia Saudita é Wadjda. O primeiro filme dirigido por uma mulher no país é também a primeira submissão da Arábia Saudita para o Oscar. Vai superar um hype desses. Além do mais, o filme de Haifaa-al-Mansour é festejado por onde quer que passe. Outro filme muito bem recebido é The grandmaster, de Wong Kar-Wai, submetido por Hong Kong.

Cena de O passado, candidato iraniano que é dado como certeza no Oscar e já aspira indicações em outras categorias, como na de melhor atriz com a já indicada ao Oscar Bérénice Bejo

Wong Kar-Wai é outro nome festejado por seu épico das artes marciais, The grandmaster. Filmes asiáticos com esse perfil costumam agradar a academia e marcar presença nessa categoria 


Se se destacasse, ao menos, na política de cotas, O som ao redor já estaria ganhando. Mas não é o caso. Há dois filmes que penetraram muito mais no imaginário de quem importa para antecipar os prováveis indicados ao Oscar. O primeiro deles é o mexicano Helí. O México andava meio esquecido do Oscar, mas a recente safra de cineastas transgressores – que valeu duas Palmas de direção em Cannes consecutivamente – realinhou o interesse pela cinematografia do país. O filme de Amat Escalante é tido como uma opção radical para uma categoria cada vez mais insinuante. Já o Chile, depois de emplacar No no ano passado, tem chances redobradas com Gloria. O filme de Sebastián Lelio, desde que debutou no último festival de Berlim tem impressionado as pessoas certas em festivais ao redor do mundo – inclusive em Toronto e em Nova Iorque. Estes dois são, no momento, candidatos latino-americanos mais bem colocados do que O som ao redor na corrida pela indicação ao Oscar.
A prova, no entanto, é de fôlego e como já observado anteriormente em Claquete (clique aqui para ler), O som ao redor tem predicados muito mais robustos do que os desses dois filmes.
Trocando de metáfora, as cartas estão na mesa e o Brasil há muito tempo não tinha uma mão tão boa.  

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Spotlight on - Cinema de crise

Enquanto se avizinha a próxima temporada do Oscar, já se deflagra uma expectativa nos bastidores para quem acompanha com intimidade, profissionalismo, paixão e reflexão o cinema como um todo.
Os principais pleiteantes ao Oscar nessa fase pré-corrida, em comum, têm uma característica de lidar e abordar, de alguma maneira, circunstâncias de crise. Seja ela existencial, como nos casos de Gravidade – em que uma mulher abalada com a morte da filha precisa lutar para sobreviver na imensidão do espaço, 12 years a slave – em que um homem livre é sequestrado e vendido como escravo, Blue Jasmine – em que uma ex-rica precisa se adaptar à vida de pobre, Álbum de família – sobre dificuldades familiares embaladas por uma doença fatal; ou crises de fundo mais sociológico como em O lobo de Wall Street, em que Martin Scorsese investiga os porões dos anos 90 em busca dos frangalhos da geração yuppie.
Cate Blanchett como uma mulher que precisa se reinventar em Blue
Jasmine:
cinema de crise é cinema cheio de oportunidades
Esse cinema de crise saiu fortalecido da última edição do festival de Veneza. Como já discutido anteriormente em Claquete, o documentário Sacro GRA é um filme que fala implicitamente da crise econômica que afeta com requintes de crueldade o país e, sua consagração em Veneza, sinaliza para a crise da qual o cinema de arte precisa se deslocar. Mas não é só o cinema de arte que está encapsulado nessa crise. O cinemão, como demonstrou a última temporada do verão americano, também está em crise. Executivos estão encomendando estudos e análises para saber que diabos os (poucos, mas expressivos) sucessos e (muitos) fracassos da temporada significam.
Como se vê, há crise por todos os cantos. De Woody Allen a Martin Scorsese, passando pelo novo de Spike Jonze (Her)em que um homem se apaixona pela voz de seu computador – uma versão mais robusta do Siri. “É sobre a nossa necessidade de se conectar. É sobre solidão, também”, disse Spike Jonze para uma atenta plateia no último festival de Toronto.
Para um filme ser dramaticamente eficiente é necessário que haja um conflito, mas a convergência de filmes que abordam crise e que são, eles mesmos, representações dessa crise (como o vencedor de Veneza) extrapola os limites da coincidência. Esse recorte ainda deverá ser mais explorado, até porque não há garantias formais de que a corrida pelo Oscar tomará as formas que neste momento se imagina. A tendência de se falar de crise não é essencialmente nova. Já teve seus ciclos ao longo da história do cinema. Mas como em toda crise há oportunidades, muita coisa boa pode estar a caminho.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A escolha de "O som ao redor" para representar o Brasil no Oscar 2014



A escolha de O som ao redor para representar o Brasil na disputa por uma vaga entre as produções indicadas a melhor filme estrangeiro no Oscar rompe com um paradigma brasileiro de pensar essencialmente no tipo de filme que deve disputar o Oscar e não necessariamente naquele que merece a chance. Esse raciocínio tenta cristalizar o perfil dos filmes que agradam aos votantes da academia no tocante a produções estrangeiras, polo setorizado da academia em que um colegiado reduzido elege os concorrentes. É uma tarefa ingrata e, como prova o histórico, de cálculo imprevisível. Intocáveis, fita francesa de imenso apelo emocional e redondinho em matéria de cinema era dado como favas contadas na categoria em 2013 e acabou de fora, apesar de ter sido um sucesso clamoroso de público nos EUA. Cidade de Deus, Tropa de elite e O palhaço foram ótimos filmes brasileiros que conciliaram força narrativa, sobejamento estético, mas erraram no timing. No caso emblemático de Cidade de Deus, houve um posicionamento da Academia que, no ano seguinte a sua candidatura para filme estrangeiro, elevou o filme de Fernando Meirelles de patamar o nomeando a quatro Oscars (direção, roteiro adaptado, montagem e direção de arte). Nenhum outro filme estrangeiro negligenciado teve esse acolhimento a posteriori pela Academia desde então.
A Academia, de maneira geral, está mais atenta à produção internacional. Nem tanto pela vitória de O artista há dois anos, mas pela inclusão em larga escala do austríaco Amor no Oscar passado. Filme denso, “de festival”, Amor era certeza de prêmio entre os estrangeiros desde sempre. É possível identificar paralelos entre o filme de Michael Haneke e o de Kleber Mendonça Filho.
Primeiro por se tratarem de filmes egressos de festivais e com ampla aprovação da crítica internacional. Segundo por apresentarem direções rigorosas em que há controle e perfeccionismo por parte da realização em medida ímpar. Em ambos os filmes, sobriedade e técnica se sobressaltam à emoção. Não se advoga, porém, que O som ao redor receberá da Academia o mesmo frisson que Amor recebeu. Avalia-se, porém, que a escolha do filme encontra ressonância em um olhar mais aberto, experimentado e sensível que a Academia de Hollywood vem dispensando às produções estrangeiras. Em geral mais inventivas, amargas e arrebatadoras do que àquelas que frequentam as principais categorias do Oscar.

Kleber Mendonça Filho orienta seu elenco para uma das cenas capitais de O som ao redor: "a escolha valoriza o filme e o fará ser mais visto", disse o diretor à imprensa depois do anúncio da semana passada

Do lado de dentro
Mais do que qualquer outra coisa, a escolha de O som ao redor pelo Ministério da Cultura (MinC) para tentar esta vaga entre os filmes estrangeiros no Oscar, coloca a crítica como aliada do postulante brasileiro. Vale lembrar que o filme é altamente conceituado no gabarito dos principais críticos americanos. Se há uma categoria em que críticos americanos exercem influência com alguma liberdade é justamente na categoria de filmes estrangeiros.
Por outro lado, há uma questão política implícita na escolha. Com bons postulantes à vaga, alguns até mesmo melhores do que O som ao redor, o MinC privilegiou um filme feito às margens da própria escala de produção do cinema nacional. Sem apoio da indústria (Globo Filmes) ou estatal - pelo menos no viés nacional. Ao indicar um filme independente, no espírito e no financiamento, referenda-se um caminho alternativo e se estimula uma produção divergente da tônica nacional. Novidade muito bem vinda, por sinal.
O som ao redor não é o melhor filme brasileiro do ano, mas é aquele com mais e melhores predicados para um voo tão ardil e cheio de sobressaltos como o Oscar. Sem querer querendo o Brasil fez o de sempre, mas fez, também, diferente.

sábado, 31 de agosto de 2013

Em off (especial listas)

Nesta edição especial da seção Em off, Ryan Gosling nas mais variadas versões GIF, as musas que surgiram no cinema em 2013, os dez melhores filmes com a chancela do saudoso Elmore Leonard, falecido há poucos dias, os slogans mais bacanas do cinema no ano, os atores que já estão se medindo na disputa pelo Oscar 2014, atores que cantam e as figurinhas do filme mais comentado do momento nos EUA.

Os dez melhores filmes baseados em Elmore Leonard

10 – Killshot – tiro certo (2009)

Dirigido por John Madden com invejável fôlego esse conto sombrio sobre a violência que bate a nossa porta tem Mickey Rourke em grande estilo e Joseph Gordon-Levitt em sua atuação mais insana.

9 – Joey Kidd (1972)

Estrelado por ninguém menos que Clint Eastwood em sua fase áurea no western, este filme acompanha um ex - caçador de recompensas que se junta um proeminente proprietário de terras no rastro de um revolucionário mexicano.

8 – Desafiando o assassino (1974)

O insuperável Charles Bronson estrela como um fazendeiro que encara o crime organizado. É um dos filmes favoritos de Quentin Tarantino e um dos roteiros originais de Leonard para cinema.

7 – Os indomáveis (2007)

Trata-se da segunda adaptação do romance de Leonard. A primeira foi Galante e sanguinário com Glenn Ford. Este aqui é melhor com Christian Bale como um homem da lei incumbido de levar o assassino vivido por Russel Crowe ao tribunal. Instigante, vibrante, humano e tenso do início ao fim.

6 – Touch (1997)

Paul Schrader adaptou e dirigiu o romance de Leonard que faz graça com o surgimento de um milagreiro e a forma como isso passa a ser um trunfo para que um líder religioso no ostracismo volte aos dias de glória.

5 – O nome do jogo (1995)

Uma sátira para lá de bem feita à Hollywood, esse é o filme mais alusivo à obra de Leonard disponível no cinema. Uma mistura de filme de gangster com comédia de erros que confirmou o bom momento de John Travolta resgatado com Pulp Fiction no ano anterior.

4 – Be cool – o outro nome do jogo (2005)

O retorno ao universo de O nome do jogo dez anos depois. Agora a indústria da música é a bola da vez em um filme cheio de ótimas sacadas e com um elenco ainda mais caprichado. De quebra, uma homenagem a Tarantino que tanto o homenageou com seu cinema.

3 – Hombre (1967)

Indíos, caubóis e Paul Newman no topo de seu jogo nesse empolgante western com forte viés político.

2- Irresistível paixão (1998)

O filme que marcou o início da parceria entre o cineasta Steven Soderbergh e George Clooney. Sexy, engraçado, sexy, moderno, sexy, inteligente, sexy, dinâmico, irônico, sexy...

1 – Jackie Brown (1997)

O tal do filme que cresce de tamanho com o tempo. O menor Tarantino? Talvez seja. Mas é o filme que reuniu a escrita brilhante e cheia de fôlego de Leonard com a criatividade pulsante e logística visual de Tarantino. 


Onze atores que geram buzz na briga pelo Oscar de melhor ator em 2014 (cinco deles devem ser finalistas)
Robert Redford (All is lost)
Michael B. Jordan (Fruitvale Station)
Forest Whitaker (O mordomo)
Leonardo DiCaprio (The Wolf os Wall Street)
Tom Hanks (Captain Phillips)
Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis)
Bruce Dern (Nebraska)
Benedict Cumberbacht (O quinto poder)
Joaquin Phoenix (Her)
Steve Carell (Foxcatcher)
Matthew McConaughey (Dallas buyers club)

Sete Gifs de Ryan Gosling









Dez slogans de filmes do ano bem sacados
“O sonho americano deles é maior que o seu” (Sem dor, sem ganho)
“Você não pode expor os segredos do mundo, sem expor os seus próprios” (O quinto poder)
“Quando ele está mais vulnerável, ele é mais perigoso” (Wolverine: imortal)
“Não haverá aviso” (Guerra mundial Z)
“A Terra é uma lembrança pela qual vale a pena lutar” (Oblivion)
“Eles apenas não tem um link com a nova geração” (Os estagiários)
“Uma voz serena pode iniciar uma revolução” (O mordomo)
“Jude Law é Dom Hemingway e você não” (Dom Hemingway)
“A verdade vai mais fundo do que você imagina” (Lovelace)
“É um trabalho sujo chegar ao topo, mas alguém tem que fazê-lo” (Filth)

Três musas surgidas em 2013

Adèle exarchorpoulos 
A musa que causou frisson em Cannes

Marine Vacth
 A nova surpresa de Ozon

Greta Gerwig
Ela já estava por aí, mas ha...

Dez (bons) atores que estão no elenco do elogiado sucesso O mordomo
É o filme do momento nos EUA. O novo longa de Lee Daniels deve ir ao Oscar, pelo menos segundo as otimistas previsões dos gurus do Oscar que já vão elencando alguns filmes como favoritos da temporada (sendo que alguns nem mesmo estrearam). A crônica do mordomo que trabalhou na Casa Branca sob oito diferentes presidentes tem um elenco daqueles. E tem Oprah também!
Forest Whitaker
Vanessa Redgrave
Terrence Howard
Robin Williams
John Cusack
Liev Schreiber
Alan Rickman
Jane Fonda
Melissa Leo
Cuba Gooding Jr.