Mostrando postagens com marcador Oscar watch 2014. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Oscar watch 2014. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de março de 2014

Oscar Watch 2014 - Crítica da 86ª edição do Oscar



Tão logo foi divulgada a lista dos indicados ao Oscar 2014, Claquete veiculou um texto, denominado “Primeiras impressões sobre os indicados a 86ª edição do Oscar”. Naquele texto o blog saudava o espírito renovado, consciente e coerente que emanava da lista dos indicados ao Oscar. Não foi a primeira vez que isso aconteceu, especialmente depois da Academia ter reajustado o calendário de premiações, antecipando o anúncio dos indicados ao Oscar.
Não foi a primeira vez, também, que essa boa primeira impressão é empurrada pelo ralo. Há chavões a mil para se explicar o que aconteceu no último domingo (2), quando 12 anos de escravidão foi consagrado o melhor filme de 2013, levando outros dois Oscars na bagagem (roteiro adaptado e atriz coadjuvante) e viu Gravidade ostentar um frisson acima do imaginado angariando sete das dez estatuetas a qual foi nomeado.
“Os velhinhos da Academia são tradicionais”; “houve a opção pelo filme importante”; “o tom político sempre prevalece”; “ o marketing em cima do filme de McQueen era irresistível”; “eles vão resistir até limite à premiar um filme em 3D” e coisas do tipo. A Academia não é mais constituída amplamente por velhinhos e não é de hoje que se imbui da responsabilidade de premiar filmes importantes, mas sempre o fez com convicção. O que se viu no último domingo, foi o resultado de uma corrida marcada pela hesitação. 12 anos de escravidão é um candidato clássico, acadêmico e que em outros anos teria vencido muitos Oscars, se nos fiarmos no crédito dos chavões. Mas a Academia de hoje, fragmentada e em franco processo de renovação, rejeita a ideia de se render ao academicismo. Por que, então, 12 anos de escravidão prevaleceu sobre Gravidade? Porque velhos hábitos demoram a morrer e isso pode ser visto tanto na vitória hesitante de 12 anos de escravidão, algo que, justiça seja feita, pautou a temporada (o filme parecia vencer por cota, já que triunfava apenas na categoria principal e no prêmio do sindicato dos produtores forçou um inédito empate com Gravidade), e que ocorreu no ano passado quando Argo, de filme aparentemente fora da disputa pelo Oscar principal, tornou-se uma unanimidade ímpar. Mas anêmica. Faturou três Oscars. Filme, roteiro adaptado e montagem. Ainda assim, foi uma vitória mais consistente do que a de 12 anos de escravidão.
Destemperos à parte, os acadêmicos se esforçaram para reconhecer a grandeza dos filmes e artistas que fizeram a temporada de ouro do cinema. Não há que se questionar a qualidade ou merecimento dos filmes e trabalhos premiados.
A ausência de surpresas, no entanto, é um problema crônico. Não se pretende a surpresa pelo choque, pelo inusitado, mas como unidade de um pensamento próprio. Gravidade não era o melhor filme do ano, mas ficou bem claro que cativou a academia. Mais do que 12 anos de escravidão, contra o qual concorria na maioria das categorias. Premiar essa ficção científica de inestimável esmero técnico e rodada em 3D configuraria, portanto, surpresa – se considerarmos o retrospecto da Academia e da temporada em questão – mas, principalmente, apresentaria um pensamento próprio, completo, definido. Não como o que se apresentou ao mundo no dia 2. Mas nem tudo é má notícia. A mudança, sinalizam as indicações cada vez mais “fora da caixa” está a caminho. Mesmo assim, com a oportunidade de se premiar documentários instigantes, provocativos e importantes, a academia opta pelo simples e inofensivo A um passo do estrelato. É o mesmo raciocínio tacanho que fez de 12 anos de escravidão e Argo vencedores do Oscar.

Os atores do ano: méritos inquestionáveis....

Quem quer ser um milionário?, vencedor do Oscar em 2009, é muito mais fraco do que Argo ou 12 anos de escravidão. Nem sequer mereceria indicação, mas foi consagrado com oito prêmios. Ali a Academia se pronunciou com convicção. Nos últimos dois anos, espantada com os rumos da temporada de premiações, se conformou com o fato de agir à reboque. Não via em Argo um genuíno Oscar contender, tanto que Ben Affleck ficou de fora da disputa dos diretores, e deu o Oscar ao filme como reparação de uma posição que era legítima. Neste ano, passou recibo de que premiou um filme porque ele é importante e não por ser o melhor. É o segundo ano consecutivo em que direção e filme vão para produções distintas. É o segundo ano seguido em que o vencedor do Oscar de melhor filme não é o campeão de Oscars do ano. Não é mera coincidência.

Al right, al right, al right
Matthew McConaughey é o cara. O jornalista Pablo Miyazawa tuitou na esteira da cerimônia do Oscar que “Matthew McConaughey é o novo Paul Newman”. À parte o fato de ter ganho um Oscar logo em sua primeira indicação, Newman padeceu em setenomeações até sua delongada vitória, a comparação procede. A reinvenção de McConaughey já ocupa espaço em Claquete há algum tempo e impressiona a cada novo trabalho. Sua vitória por Clube de Compras Dallas é incontestável, ainda que todos os concorrentes da categoria merecessem o prêmio. Já seu parceiro de cena, Jared Leto, ainda que esteja ótimo na pele do travesti Ranyon, está um pouco abaixo do padrão desejado para uma performance vencedora do Oscar. Havia concorrentes melhores na categoria, mas não é uma vitória indigna. Como não o são as vitórias de Lupita Nyong´o entre as coadjuvantes, de A grande beleza entre os filmes estrangeiros e a soberania de Gravidade nas categorias técnicas.
A vitória de Cate Blanchett merece um parágrafo só para ela. Nova integrante do clube de intérpretes com dois Oscars na estante, Blanchett é a única unanimidade com vocação de unanimidade em um Oscar que tinha tudo para ser inesquecível e optou por não deixar saudades. 


terça-feira, 4 de março de 2014

Oscar Watch 2014 - Momento Claquete #40

Ladies and gentlemen, the Oscars...

Benedict Cumberbatch "estraga" a foto de Bono e seu U2 no tapete vermelho 

Amy Adams e Bill Murray se reunem para apresentar um Oscar, mas parecem imersos em quadro expressionista... 

Cate Blanchett ao ouvir seu nome como melhor atriz do ano pelo trabalho em Blue Jasmine; ela não esperava... 

That you´ll go Mr. President: Daniel Day Lewis retoca a maquiagem antes de chamar Cate Blanchett para o palco...

Brad Pitt no conchavo para Steve McQueen no backstage: I served pizza tonight, you´re winning...

1001 maneiras de agradar a sua mulher: Jason Sudeikis "paparazza" a belíssima e gravidíssima Olivia Wilde  

Jared Leto, mais feliz do que pinto no lixo, prepara o bote para cima de Anne Hathaway: she won´t see it coming... 

Jennifer Lawrence em mais uma demonstração de puro carisma: Give it to me... 

Christian Bale para Jeremy Renner: you haven´t been nominated and I have no fucking clue of why you are here keeping up whit this selfie shit...

Matthew McCnonaughey aponta para DiCaprio e pensa: you´re the man, but I made you the man...

Alfonso Cuarón, o Mr. simpatia: aquela canção do Pharrell é para mim... 

Lupita não vai deixar o "naughty boy" Jared Leto sair impunemente... 

Joseph Gordon-Levitt finaliza nosso Momento Claquete: that´s all for now, folks

segunda-feira, 3 de março de 2014

Oscar Watch 2014 - Identidade perdida



Aconteceu o que se temia. Pelo quarto ano seguido, a academia depõe contra a própria etimologia e desalinha um serviço tão bem feito no rol dos indicados ao prêmio, estabelecendo vencedores menos calcados no mérito, ou mesmo na percepção da organização enquanto colegiado, e mais na base do marketing e do hype. 12 anos de escravidão, há algumas semanas se anunciou, será incluso na grade curricular das escolas básicas americanas. Houve expressa campanha a destacar o quão importante o filme dirigido por Steve McQueen era e, ainda que a corrida pelo Oscar sinalizasse que ele não ostentava tanta força ante outros indicados – visivelmente mais apreciados – o prêmio de melhor filme era outorgado ao filme em premiações como Bafta, Globo de Ouro, Critic´s Choice e Producers Guild Awards (neste último teve um inédito empate entre os filmes vencedores, justamente com Gravidade) .
Ellen De Generes, host pouca inspirada dessa 86ªedição do Oscar, foi feliz ao registrar o dilema. “Temos dois cenários: ou 12 anos de escravidão ganha, ou vocês são todos racistas”. O filme de McQueen ganhou. Venceu em três categorias, filme, roteiro adaptado e atriz coadjuvante e viu Gravidade com um frisson maior do que esperado, converter em vitória sete de suas dez indicações (direção, montagem, som, edição de som, trilha sonora, efeitos especiais e fotografia).
O ímpeto dos prêmios a Gravidade, amplamente superior tecnicamente a seus concorrentes, revela que era o filme de Cuarón o candidato do coração da Academia, mas como a personagem de Meryl Streep em As pontes de Madison, a Academia fez “a escolha que deveria fazer” e premiou como melhor filme do ano, aquele que acabou por vencer em três categorias com muito pouca convicção. O entusiasmo com Gravidade era tanto que ele venceu em categorias que não foi vencedor nos prêmios dos sindicatos (montagem e edição de som), algo que não se replicou em nenhuma outra categoria do Oscar.
O descenso da coerência na distribuição dos prêmios atinge novo e preocupante patamar em 2014. Depois de premiar uma produção como melhor em filme em 2013 e não dissipar a ideia de que somente o fez para reparar a exclusão de seu diretor dos finalistas entre os diretores, a Academia conseguiu a proeza de transformar o Oscar que se anunciava mais imprevisível em anos, no mais previsível e, sim, entediante da década.
Não se discute os méritos de 12 anos de escravidão ou Gravidade, mas sim o mérito das escolhas que sombreiam o virtuosismo da História e nebulam o futuro da Academia.  Mais repercussão sobre o Oscar, em geral, e sobre essa agravada vicissitude em particular, nos próximos dias em Claquete.

domingo, 2 de março de 2014

Oscar Watch 2014 - crítica dos indicado à 86ª edição do Oscar




Boa notícia. Trata-se da melhor safra do Oscar desde que a Academia expandiu o quadro da categoria de concorrentes a melhor filme, em 2010. É, também, a melhor safra de indicados a melhor filme desde 2008, quando concorriam Onde os fracos não têm vez, Sangue negro, Conduta de risco, Juno e Desejo e reparação.
Os recordistas de indicação do ano, Gravidade, Trapaça e 12 anos de escravidão rivalizam em equidade raríssima. Se Gravidade conta com o peso de ser um blockbuster de bilheteria superior a R$ 600 milhões e o consenso de que se trata, afinal, de um bom filme, 12 anos de escravidão tem o lobby de “de filme importante” e Trapaça conta com o apoio incondicional dos atores. Esses dois últimos filmes, no entanto, alimentam resistência e é aí que Gravidade pode tirar vantagem. 12 anos de escravidão é acusado de ser oportunista e demasiadamente violento enquanto que Trapaça é tido por uma quantidade nada desprezível de pessoas como uma cópia do cinema de Martin Scorsese.
Por falar em Martin Scorsese, é dele o melhor filme do ano. O lobo de Wall Street merecia ganhar tudo e mais um pouco no Oscar 2014, mas não deve ganhar nada – ressalva feita às parcas chances de DiCaprio ser finalmente agraciado com o Oscar (é o melhor entre os atores também). O lobo de Wall Street é o único filme que adentrará o rol dos clássicos e será lembrado no futuro por seu significado e relevância (estética, narrativa e temporal), mas a Academia, como colegiado, não consegue perceber isto.

Leonardo DiCaprio endiabradamente bom em O lobo de Wall Street, o filme mais reflexivo, devastador e provocador da temporada...

...e Spike Jonze orienta Joaquin Phoenix nos bastidores de Ela: por razões diversas, mas que se complementam, Ela e O lobo de Wall Street são os melhores filmes da temporada e é no mínimo frustrante a possibilidade de que saiam do Oscar sem prêmio algum


A categoria principal, de qualquer maneira, ostenta qualidade acima de qualquer suspeita e nenhum filme nela relacionado é indigno de ali figurar. Nebraska, Ela, Philomena e Clube de Compras Dallas, filmes menores e que dificilmente chegariam ao Oscar quando este tinha apenas cinco indicados, são produções que oxigenam o fazer cinematográfico e irrigam o Oscar enquanto instituição. Mas não é possível premiar todos esses filmes. O que não implica dizer que não estamos diante de um ano em que os prêmios serão pulverizados. Gravidade deve liderar à disputa, mas não deve superar cinco Oscars.
Se a contenda por melhor filme parece confinada à Gravidade, Trapaça e 12 anos de escravidão, a disputa por direção deixou escanteada o diretor de Trapaça, Russell parece reunir mais chances na disputa por roteiro original, em que Spike Jonze é favorito por Ela, do que aqui. Fazer história parecer ser o lema do ano na categoria. Resta saber quem virá primeiro: os latino-americanos (o mexicano Alfonso Cuarón) ou os negros (o inglês Steve McQueen)?

Arte: Cinemanews

Atuações
Todos os atores mereciam o Oscar, mas ele fica entre McConaughey por Clube de Compras Dallas e Leonardo DiCaprio. O primeiro vive fase prolífera e renovadora, enquanto o segundo alcança o melhor desempenho de uma carreira maravilhosa e negligenciada pela academia. São dois casos muito acintosos que justificam a polarização, ainda que eles apresentem os melhores desempenhos do ano.
A briga pelo Oscar de ator coadjuvante parece mais definida. Jared Leto, por Clube de Compras Dallas, está ótimo. No entanto, é o mais fraco da categoria. Deve vencer pelo hype e pelo fato de contar com o personagem mais simpático entre os nomeados.
Cate Blanchett, por Blue Jasmine, apresenta a melhor atuação da década até aqui. É muito difícil que perca o Oscar, mas se isso acontecer, só será justificável, e mesmo possível, se a vencedora for Amy Adams por Trapaça, outro colosso de mulher e atriz.
Jennifer Lawrence, possuída de talento e graça, é a melhor atriz coadjuvante do ano e lança um abacaxi para a Academia ainda às voltas com máximas conservadoras: é válido dar a uma atriz de 23 anos seu segundo Oscar e em anos consecutivos? A resposta pode ser Lupita Nyng´o, eficiente em 12 anos de escravidão, mas longe de fazer limonada com laranja como faz Lawrence.
A grande Beleza e A caça são os front runners para filme estrangeiro, com leve vantagem para o primeiro.
Nas categorias técnicas, se a lei da física não for desafiada, Gravidade dominará com 12 anos de escravidão, Capitão Phillips e Trapaça beliscando aqui e lá.
Resta-nos torcer para que, mais do que nos surpreender, o Oscar não renuncie à coerência como tem feito de quando em quando, como em 2013, ao eleger como melhor filme do ano uma fita que não tinha um dos cinco melhores diretores da temporada.  

Claquete selecionou infográficos bacanas que celebram o momento supremo da cinefilia


Números e curiosidades do Oscar ao longo dos anos (em inglês)
 Arte: ABCNews


Os vestidos das atrizes vencedoras do Oscar nos 85 anos do prêmio
 Arte: Cosmopoiltan (sugestão da leitora Aline Viana)


Woody Allen, o Midas as indicações por atuações
Arte: cinema é tudo isso

sábado, 1 de março de 2014

Oscar Watch 2014 - A peleja dos diretores

Ao mestre com carinho

Trapaça não é uma cópia do cinema de Martin Scorsese, mas cristaliza um tributo dos mais respeitáveis a esse mestre da sétima arte. Quis o destino que David O. Russell, diretor de recursos e talentos nada desprezíveis, enfrentasse Scorsese neste Oscar.  Excepcional diretor de atores, Russell tem a seu favor a simpatia crescente que amealha nos bastidores de Hollywood. Aos poucos vai se transformando em uma brand tão atraente e charmosa quanto o próprio Scorsese.

Prós:
- É diretor de atores celebrado e são justamente os atores que constituem o maior colegiado da academia
-É a terceira indicação em quatro anos. Russell não está sendo nada discreto na busca pelo Oscar
- Seu filme é entretenimento de altíssima qualidade e é também seu projeto mais ambicioso
- Conseguiu emplacar indicações por duas comédias em dois anos seguidos. Como não premiar esse cara?

Contras:
- Ao concorrer com um filme que lembra Scorsese em um ano que o próprio concorre não é exatamente o ideal
-Não ganhou nenhum prêmio na temporada e é improvável que vença justamente o Oscar
-Existe muita resistência a seu nome ainda em Hollywood

Quinta indicação
Indicações anteriores
Direção por O vencedor em 2011
Roteiro adaptado por O lado bom da vida em 2013
Direção por O lado bom da vida em 2013
Roteiro original por Trapaça em 2014


Sem concessões

Steve McQueen é homônimo de um dos maiores astros de cinema de todos os tempos. Mas o cinema, para ele, é uma extensão das experimentações artísticas que praticava nas artes plásticas. Artista inquieto, McQueen chega ao Oscar com seu terceiro filme, mas já merecia desde o primeiro, mantendo-se fiel à essência das artes plásticas. Seus filmes se respaldam na absoluta busca pela verdade. Não à toa, 12 anos de escravidão já está sendo chamado por aí de “o filme definitivo sobre escravidão”.

Prós:
- Defende o filme que para muitos analistas vencerá o Oscar de melhor filme. Se a Academia optar por ser tradicional e decidir não dividir o prêmio de direção, seu nome ganha força na disputa
- A tentação de fazer história premiando o primeiro negro na categoria
- É um filme de diretor, em que a mão do realizador se acentua no curso da narrativa
- Diretores em primeira indicação costumam superar diretores que já ostentam múltiplas indicações
- Ganhou alguns prêmios da crítica

Contras:
- Seu filme perdeu força na corrida e isso pode pesar contra suas chances
-A pecha de que a indicação já é suficiente
- Não é o melhor trabalho de direção do ano

Primeira indicação

Desafiando a gravidade

Se tudo correr conforme o script que a temporada alinhou, Alfonso Cuarón será o primeiro latino americano premiado com o Oscar de direção. Diretor com atenção ímpar ao aspecto visual de um filme, ele chegou ao Oscar como favorito por uma ficção científica passada no espaço cujos principais méritos são técnicos e passou a perna em figuras queridas pela Academia como Scorsese, Payne e Russell. São indicadores de que Cuarón realmente pode ir ainda muito mais longe.

Prós:
- Ganhou todos os prêmios da temporada
- Seu filme passou a ser cotado como favorito na disputa principal em face de seu domínio entre os diretores em toda e qualquer premiação prévia ao Oscar
-Há muitos hispânicos nos EUA e não pense que a Academia, além de atenta a isso, não reflete esse fenômeno demográfico
- É talentosíssimo e muito querido pelos colegas
- Ganhou o prêmio do sindicato e apenas sete vezes nos últimos 40 anos, o vencedor do sindicato não triunfou no Oscar

Contras:
- O fato da academia ter premiado um diretor por um trabalho em 3D no ano passado pode atiçar a sina conservadora de alguns votantes
- Sua direção se concentra mais nos aspectos técnicos, pouco complexa para o status de um Oscar de melhor direção

Sexta indicação
Melhor roteiro original por E sua mãe também em 2003
Melhor edição por Filhos da esperança em 2007
Melhor roteiro adaptado por Filhos da Esperança em 2007
Melhor edição por Gravidade em 2014
Melhor filme por Gravidade em 2014

O cineasta do banal

Não se engane, não há nada de banal no cinema de Alexander Payne. Angariando sua terceira indicação ao Oscar de diretor em dez anos, justamente pelos três filmes que fez nestes dez anos, Payne concorre por Nebraska. Seu trabalho é menos vistoso na comparação com filmes que ostentam o pulso forte de seus diretores, mas a suavidade com que inflexiona personagens e paisagens justifica sua menção na categoria.

Prós:
- Não concorre pelo roteiro do filme, diferentemente de outras oportunidades, o que concentra suas chances aqui
- É muito querido pela Academia
- Foi a surpresa na lista
- É o representante do cinema independente

Contras:
- Foi a surpresa na lista
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente
- Dirige um filme minimalista em um ano de filmes espetaculosos
- Não é o melhor trabalho de direção do ano

Sétima indicação
Roteiro adaptado por Eleição em 2000
Roteiro adaptado por Sideways-entre umas e outras em 2005
Direção por Sideways-entre umas e outras em 2005
Roteiro adaptado por Os descendentes em 2012
Direção por Os descendentes em 2012
Filme por Os descendentes em 2012
Duas vitórias
Roteiro adaptado por Sideways-entre umas e outras (2005)
Roteiro adaptado por Os descendentes (2012)


What else?

Quando você pensa que Martin Scorsese já encerrou sua contribuição para a antologia do cinema, ele oferta ao mundo o novo clássico O lobo de WallStreet, um trabalho vigoroso e que revela um Scorsese endiabrado e ainda muito eficiente em radiografar o mundo e o homem. É, sem qualquer dúvida, o melhor trabalho de direção do ano e um dos melhores da carreira do cineasta que há muito já é uma legenda viva não só do cinema, mas da arte em geral.

Prós:
- É o melhor trabalho de direção do ano
- Com indicações sucessivas nos últimos anos, Scorsese parece ter caído definitivamente nas graças da Academia
- Todo mundo sabe que Scorsese precisa de mais Oscars para a posteridade
- Ang Lee venceu o Oscar de direção ano passado sete anos depois de tê-lo vencido pela primeira vez. Em 2014, faz sete anos que Scorsese venceu por Os infiltrados. Pode ser uma coisa cabalística...

Contras:
- Não é comum na era moderna um diretor ganhar um segundo Oscar em tão pouco tempo
- Essa é uma categoria em que há a nítida preferência em premiar diretores menos experimentados
- Alfonso Cuarón tem um favoritismo muito dilatado
-A campanha de difamação do qual o filme foi vítima pode encontrar eco em muitos votantes

Décima segunda indicação
Direção por Touro indomável em 1981
Direção por A última tentação de Cristo em 1989
Roteiro adaptado por Os bons companheiros em 1991
Direção por Os bons companheiros em 1991
Roteiro adaptado por A época da inocência em 1994
Direção por Gangues de Nova Iorque em 2003
Direção por O aviador em 2005
Direção por Os infiltrados em 2007
Direção por A invenção de Hugo Cabret em 2012
Filme por A invenção de Hugo Cabret em 2012
Filme por O lobo de Wall Street em 2014
Vitória anterior: 
Direção por Os infiltrados (2007)

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Oscar Watch 2014 - Momento Claquete #39

O Oscar ao longo dos anos

A belíssima Raquel Welch chega à cerimônia de 1972 

 Spencer Tracy e Bette Davis na cerimônia do Oscar de 1939

Paul Newman ensaia na véspera da realização da cerimônia de 1958

 Meryl Streep e Christopher Walken de O franco atirador, grande vencedor da noite do Oscar de 1979

O gigante Charles Chaplin recebe seu Oscar honorário em 1972 

Audrey Hapburn e Grace Kelly nos bastidores da cerimônia de 1956

Uma encantadora Drew Barrymore no tapete vermelho da edição de 1983 do Oscar ; E.T concorria a melhor filme do ano

Cher e Michael Douglas, melhor atriz e ator no Oscar de 1988... 

... mas a melhor dupla daquele Oscar foi Jennifer Grey e Patrick Swayze que estavam que estava no topo do mundo com o sucesso Dirty dancing - ritmo quente 

Quem é o cara? Clint Eastwood com os Oscar de filme e direção por Os imperdoáveis. Barbra Streisand e Jack Nicholson, também concorrentes no ano, reconheceram essa condição

Como era verde meu vale...: Matt Damon e Ben Affleck chocam o mundo com o Oscar de roteiro original por Gênio indomável conquistado em 1998 

Catherine Zeta Jones assombra em performance musical sobre o filme Chicago, o grande vencedor da edição de 2003 do Oscar

Heath Ledger e Michelle Williams, então casados, indicados pelos trabalhos no filme O segredo de Brokeback Mountain são só amor no tapete vermelho do Oscar 2006 

Leonardo DiCaprio parabeniza seu amigo e diretor em Os infiltrados, Martin Scorsese, pela conquista do delongado Oscar de direção em 2007

O francês Jean Dujardin, vencedor do Oscar de melhor ator em 2012,  e o artista da noite, o cãozinho Uggie

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Espeço Claquete - And the Oscar goes to...


No embalo do Oscar que se avizinha com toda a sua imponência, relevância, cafonice e importância, os diretores Rob Epstein e Jeffrey Friedman, documentaristas de prestígio que no ano passado se aventuraram na ficção com Lovelace, lançam um documentário reverente, mas com inegável valor histórico, sobre este que não só é o principal prêmio do cinema, mas também um parâmetro de medição de excelência universal.
A produção, lançada agora no início do ano e exibida com exclusividade no Brasil pelo canal TNT, que também exibirá o Oscar com exclusividade neste ano, não deseja se aprofundar nas idiossincrasias da Academia de Artes e ciências Cinematográficas de Hollywood. A princípio, ordena um contexto histórico básico, realçando que a Academia não foi criada para conceder prêmios, mas que essa vocação se manifestou ainda em seus primórdios. Observa também que os vencedores eram repassados aos jornais com antecedências, mas depois que o Los Angeles Times vazou os vencedores em um determinado ano, uma empresa de auditoria, a PWC, passou a ser a responsável pela apuração, cujo resultado é mantido em sigilo até a abertura dos envelopes na cerimônia. A primeira transmissão do Oscar pela tv foi nos anos 50 e esse é apenas um dos elementos históricos resgatados pelo documentário.
Os primeiros negros indicados, as primeiras vitórias (em um recorte que pretende pintar a Academia com cores progressistas), os aspectos políticos (Michael Moore, Marlon Brando, macarthismo), os principais apresentadores. Ainda que não contribua com nenhuma revelação bombástica, esse aspecto histórico de And the Oscar goes to... é válido para quem não conhece tão a fundo a história do Oscar e da Academia que o outorga.
Você não sabia, mas o decote de
Julia Roberts é vital para a narrativa de
Erin Brockovich
Outro ponto de atração do documentário é o elenco de figuras do cinema reunidas para falar de cinema e Oscar, um deleite para qualquer cinéfilo. George Clooney, Steven Spielberg, Cher, Helen Mirren, Annette Bening, Billy Cristal, Benicio Del Toro, Ellen Burstyn, Tom Hanks, Jennifer Hudson, Jane Fonda, o montador Kirk Baxter, a atual presidente da Academia Cheryl Boone Isaacs, o diretor de fotografia Janusz Kaminski, Jason Reitman e John Voight, entre outros.
Há, também, muita competência na manipulação de imagens de arquivo, de maneira a incitar reflexões interessantes como o prestígio inerente ao Oscar, o ressentimento da derrota e a delicadeza de se competir entre pares.
Em outra frente, Rob Epstein e Jeffrey Friedman têm o cuidado de explicar categorias menos famosas como som, direção de arte e figurinos adensando a importância desses setores para um filme. É ótima, por exemplo, a explicação do figurinista de Erin Brockovich – uma mulher de talento para os decotes de Julia Roberts no filme e de como essa apresentação da personagem acrescentava valor à narrativa.
A diferença entre roteiro original e adaptado também é aventada, assim como a criação e extinção de categorias.
And the Oscar goes to... é um filme que agrada tanto o espectador ocasional, interessado em uma aula revisionista sobre o Oscar, como ao cinéfilo mais ardoroso e engajado na premiação.

Detalhes de bastidores, como uma fala de Angelina Jolie adolescente, no tapete vermelho de uma cerimônia nos anos 80, em que dizia que não queria ser atriz ou Sidney Poitier evitando politizar o fato de ter sido o primeiro negro a ganhar o Oscar de melhor ator na coletiva pós-cerimônia são lampejos da importância do Oscar para nós, eles e todos os outros.

Oscar Watch 2014 - A peleja dos atores


Da esquerda para a direita: Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas); Leonardo DiCaprio (O lobo de Wall street); Bruce Dern (Nebraska); Chiwetel Ejiofor (12 anos de escravidão) e Christian Bale (Trapaça)

Al right, al right, al right...

É o lema do ano. É daquelas “catchy phrases” e Matthew McConaughey soube grafá-la muito bem logo no início da temporada de premiações. O fato de remeter ao início da sua carreira deixa tudo mais apoteótico para o ator texano que concorre pela incrível performance em Clube de Compras Dallas, mas traz na bagagem umas dez atuações louváveis que redefiniram sua carreira no cinema.

Prós:
- Redefiniu sua carreira e Holywood adora reinvenções
- Colin Firth, outro saído das comédias românticas para os filmes de prestígio, foi premiado a pouco tempo
- Interpreta um personagem que vivencia grande transformação emocional. Isso costuma computar votos no Oscar
- Precisou passar por grande transformação física para viver o personagem, outro fator que conta votos a favor
- As excelentes performances dos últimos três anos negligenciadas pela Academia pesam a seu favor
- Está fantástico na série da HBO True detective e também em outro filme concorrente, O lobo de Wall Street, é muito McConaughey para se resistir
- Ganhou todos os prêmios significativos da temporada
- O lobby por sua vitória é dos maiores dos últimos anos na categoria

Contras:
- O buzz em torno de DiCaprio, único ator que não competiu diretamente contra McConaughey na temporada, cresceu muito nas últimas semanas
- O inevitável desgaste de quem assume o favoritismo muito cedo na corrida
- Entre astros em busca de redenção, DiCaprio busca há mais tempo
- Colin Firth não ganhou em sua primeira indicação, porque facilitar para McConaughey?
-A força da categoria em que todos os candidatos estão mais ou menos no mesmo nível

Primeira indicação

Essa metamorfose ambulante

Christian Bale olha para Matthew McConaughey e diz: eu já fiz isso (perder peso em demasia para um papel) há uma década. Christian Bale recebe sua segunda indicação ao Oscar por mais um trabalho de inserção em um personagem totalmente diferente em sua carreira. Congregando vulnerabilidade com garra e malandragem, o vigarista que interpreta em Trapaça é o ponto alto de uma carreira cheia de grandes destaques que vai se refinando mais e mais.

Prós:
- Está no elenco mais prestigiado do ano e isso pode contar pontos a seu favor
- É uma atuação que transita pela comédia e pelo drama, exigindo fruição que só encontra par na performance de DiCaprio

Contras:
- Não ganhou nenhum prêmio significativo na temporada
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente
- Venceu o Oscar há três anos
- É bem claro que não defende a melhor atuação do ano

Segunda indicação
Indicação anterior
Ator coadjuvante por O vencedor em 2011
Vitória anterior
Ator coadjuvante por O vencedor (2011)

Um lobo maduro

Leonardo DiCaprio fará 40 anos em novembro deste ano. A maturidade como intérprete, no entanto, já havia se manifestado. Ator de muitos recursos e escolhas profissionais ainda mais interessantes, DiCaprio chega novamente ao Oscar defendendo a melhor e mais complexa atuação de sua carreira. Como o fraudador Jordan Belfort, esse poderoso lobo do cinema dá seu uivo mais potente.

Prós:
- Há um consenso na Academia de que é preciso premiar DiCaprio e esta é uma bela oportunidade de fazê-lo
- É uma atuação complexa e cheia de nuanças, uma das melhores dos últimos anos
-Geralmente avesso a campanha, DiCaprio – também produtor do filme – se engajou na promoção do filme e de sua candidatura nesta temporada
-Pode-se beneficiar da política de “prêmios pelo conjunto da obra”
- Ainda não disputou prêmio com McConaughey nas premiações principais e a rixa do Oscar com ele é mais antiga

Contras:
- Ainda é muito novo para um Oscar competitivo com jeitão de “conjunto da obra”
- A forte campanha de difamação a qual o filme foi vítima pode minar suas chances
- Sem McConaughey no Bafta, perdeu para Chiwetel Ejiofor
- O fato de seu personagem ser o único desprezível disposto na categoria

Quarta indicação
Indicações anteriores
Ator coadjuvante por Gilbert Grape – aprendiz de sonhador em 1994
Ator por O aviador em 2005
Ator por Diamante de sangue em 2006

Atuando para dentro

Bruce Dern traz para a contenda do Oscar o trabalho mais introspectivo e minimalista da competição. Suave, seu desempenho em Nebraska corta como lâmina espartana de tão denso que é nas miudezas. Mas é preciso prestar atenção. Sua performance não tem “momentos providos pelo roteiro” ou auxílio de trilha sonora e closes. É tudo ele. É um trabalho de escavação de um grande ator esquecido no baú empoeirado de Hollywood e que aos 77 anos vive a fase mais laureada de sua carreira.

Prós:
- Ganhou a Palma de Ouro em Cannes e isso foi presságio de prêmios para figuras como Javier Bardem e Christoph Waltz
- É da antiga Hollywood e compõem uma dinastia de atores no cinema americano. Isso costuma ter alguma representatividade
- Ganhou alguns prêmios da crítica
- Seria a zebra ideal

Contras:
- É o menos badalado dos indicados e esse perfil de candidatura não costuma triunfar
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente
- Não tem trabalhado muito e, portanto, muita gente simplesmente não o conhece. O que pode pesar contra suas chances de amealhar votos indecisos
- É uma atuação minimalista em uma categoria que não costuma premiar esse tipo de composição

Segunda indicação
Indicação anterior
Ator coadjuvante por Amargo regresso em 1979

O inglês tranquilo

O nome é difícil e carrega a origem nigeriana de Ejiofor. Você já o viu em muitos filmes, talvez não tenha se impressionado com ele, mas sempre o aprova. Assim é Chiwetel Ejiofor, que foi pessoalmente selecionado por Steve McQueen para atuar em 12 anos de escravidão, o grande highlight de uma carreira sólida, mas de poucos protagonismos. De Simplesmente amor a Cinturão vermelho, passando por fitas de Woody Allen e Spike Lee, a versatilidade do inglês que surge como o coringa dessa corrida pelo Oscar de melhor ator é seu principal cartão de visitas.

Prós:
- É a alma do filme e isso costuma sensibilizar muitos votantes
-Ganhou o Bafta no momento em que os votos para o Oscar iniciaram
- É negro e a categoria foi a que apresentou maior incidência de vencedores negros entre as categorias de atuação nos últimos dez anos
- É uma performance expansiva e cheia de momentos, do tipo que o Oscar gosta de comungar

Contras:
- A performance de McConaughey também é  expansiva e cheia de momentos
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente
- O filme que defende parece em descenso na temporada e isso pode minar suas chances

Primeira indicação