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domingo, 2 de março de 2014

Oscar Watch 2014 - crítica dos indicado à 86ª edição do Oscar




Boa notícia. Trata-se da melhor safra do Oscar desde que a Academia expandiu o quadro da categoria de concorrentes a melhor filme, em 2010. É, também, a melhor safra de indicados a melhor filme desde 2008, quando concorriam Onde os fracos não têm vez, Sangue negro, Conduta de risco, Juno e Desejo e reparação.
Os recordistas de indicação do ano, Gravidade, Trapaça e 12 anos de escravidão rivalizam em equidade raríssima. Se Gravidade conta com o peso de ser um blockbuster de bilheteria superior a R$ 600 milhões e o consenso de que se trata, afinal, de um bom filme, 12 anos de escravidão tem o lobby de “de filme importante” e Trapaça conta com o apoio incondicional dos atores. Esses dois últimos filmes, no entanto, alimentam resistência e é aí que Gravidade pode tirar vantagem. 12 anos de escravidão é acusado de ser oportunista e demasiadamente violento enquanto que Trapaça é tido por uma quantidade nada desprezível de pessoas como uma cópia do cinema de Martin Scorsese.
Por falar em Martin Scorsese, é dele o melhor filme do ano. O lobo de Wall Street merecia ganhar tudo e mais um pouco no Oscar 2014, mas não deve ganhar nada – ressalva feita às parcas chances de DiCaprio ser finalmente agraciado com o Oscar (é o melhor entre os atores também). O lobo de Wall Street é o único filme que adentrará o rol dos clássicos e será lembrado no futuro por seu significado e relevância (estética, narrativa e temporal), mas a Academia, como colegiado, não consegue perceber isto.

Leonardo DiCaprio endiabradamente bom em O lobo de Wall Street, o filme mais reflexivo, devastador e provocador da temporada...

...e Spike Jonze orienta Joaquin Phoenix nos bastidores de Ela: por razões diversas, mas que se complementam, Ela e O lobo de Wall Street são os melhores filmes da temporada e é no mínimo frustrante a possibilidade de que saiam do Oscar sem prêmio algum


A categoria principal, de qualquer maneira, ostenta qualidade acima de qualquer suspeita e nenhum filme nela relacionado é indigno de ali figurar. Nebraska, Ela, Philomena e Clube de Compras Dallas, filmes menores e que dificilmente chegariam ao Oscar quando este tinha apenas cinco indicados, são produções que oxigenam o fazer cinematográfico e irrigam o Oscar enquanto instituição. Mas não é possível premiar todos esses filmes. O que não implica dizer que não estamos diante de um ano em que os prêmios serão pulverizados. Gravidade deve liderar à disputa, mas não deve superar cinco Oscars.
Se a contenda por melhor filme parece confinada à Gravidade, Trapaça e 12 anos de escravidão, a disputa por direção deixou escanteada o diretor de Trapaça, Russell parece reunir mais chances na disputa por roteiro original, em que Spike Jonze é favorito por Ela, do que aqui. Fazer história parecer ser o lema do ano na categoria. Resta saber quem virá primeiro: os latino-americanos (o mexicano Alfonso Cuarón) ou os negros (o inglês Steve McQueen)?

Arte: Cinemanews

Atuações
Todos os atores mereciam o Oscar, mas ele fica entre McConaughey por Clube de Compras Dallas e Leonardo DiCaprio. O primeiro vive fase prolífera e renovadora, enquanto o segundo alcança o melhor desempenho de uma carreira maravilhosa e negligenciada pela academia. São dois casos muito acintosos que justificam a polarização, ainda que eles apresentem os melhores desempenhos do ano.
A briga pelo Oscar de ator coadjuvante parece mais definida. Jared Leto, por Clube de Compras Dallas, está ótimo. No entanto, é o mais fraco da categoria. Deve vencer pelo hype e pelo fato de contar com o personagem mais simpático entre os nomeados.
Cate Blanchett, por Blue Jasmine, apresenta a melhor atuação da década até aqui. É muito difícil que perca o Oscar, mas se isso acontecer, só será justificável, e mesmo possível, se a vencedora for Amy Adams por Trapaça, outro colosso de mulher e atriz.
Jennifer Lawrence, possuída de talento e graça, é a melhor atriz coadjuvante do ano e lança um abacaxi para a Academia ainda às voltas com máximas conservadoras: é válido dar a uma atriz de 23 anos seu segundo Oscar e em anos consecutivos? A resposta pode ser Lupita Nyng´o, eficiente em 12 anos de escravidão, mas longe de fazer limonada com laranja como faz Lawrence.
A grande Beleza e A caça são os front runners para filme estrangeiro, com leve vantagem para o primeiro.
Nas categorias técnicas, se a lei da física não for desafiada, Gravidade dominará com 12 anos de escravidão, Capitão Phillips e Trapaça beliscando aqui e lá.
Resta-nos torcer para que, mais do que nos surpreender, o Oscar não renuncie à coerência como tem feito de quando em quando, como em 2013, ao eleger como melhor filme do ano uma fita que não tinha um dos cinco melhores diretores da temporada.  

Claquete selecionou infográficos bacanas que celebram o momento supremo da cinefilia


Números e curiosidades do Oscar ao longo dos anos (em inglês)
 Arte: ABCNews


Os vestidos das atrizes vencedoras do Oscar nos 85 anos do prêmio
 Arte: Cosmopoiltan (sugestão da leitora Aline Viana)


Woody Allen, o Midas as indicações por atuações
Arte: cinema é tudo isso

domingo, 12 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - Os encantadores de Oscars




A nova presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, a produtora executiva Cheryl Boone Isaacs, chegou criando logo a divisão dos diretores de elenco, omissão histórica da Academia, e abriu o precedente para no futuro a academia premiar melhores elencos. O trabalho do diretor de elenco consiste em fazer o casting para o filme. É um trabalho subestimado e cujo reconhecimento encontra grande resistência entre o brunch dos diretores. O presidente do sindicato dos diretores, Taylor Hackford, por exemplo, se declarou decepcionado com a novidade apresentada por Isaacs.
Essa discussão ainda vai longe e merece uma análise só para ela. De qualquer maneira, muitos diretores se notabilizam por serem excelentes diretores de atores. No cinema atual se destacam Clint Eastwood, Woody Allen, Alexander Payne e David O. Russell. Seus filmes sempre rendem indicações ao Oscar para seus atores. Eastwood, por exemplo, que é ator é conhecido por ser extremamente minimalista no set de filmagens. Faz poucas intervenções e orientações e busca deixar o ator à vontade. É diferente, por exemplo, de David Fincher; que costuma repetir cenas a exaustão, gravar inúmeros takes e palpitar demasiadamente no trabalho dos atores. Em termos de Oscar, eles se equivalem. Os últimos três protagonistas de David Fincher foram indicados ao prêmio. Brad Pitt, por O curioso caso de Benjamin Button (2008), Jesse Eisenberg, por A rede social (2010) e Rooney Mara, por Os homens que não amavam as mulheres (2011).
Clint Eastwood, nos últimos dez anos, conseguiu indicações para Tim Robbins, Márcia Gay Harden e Sean Penn por Sobre meninos em Lobos (2003), para ele mesmo, Hillary Swank e Morgan Freeman por Menina de ouro (2004), para Angelina Jolie por A troca (2008), Matt Damon e novamente Morgan Freeman por Invictus (2009).
David O. Russell é outro encantador de Oscars nato. Ainda que não tenha o jugo de Eastwood, que dirigiu nesses últimos dez anos quatro performances premiadas, chega muito perto disso. Por O vencedor (2010), emplacou indicações e vitórias para Christian Bale e Melissa Leo, sendo que Amy Adams também recebeu nomeação. No ano passado, conseguiu feito ainda mais notável ao incluir seus quatro atores principais nas quatro categorias de atuação por O lado bom da vida. Robert De Niro e Jacki Weaver como coadjuvantes e Bradley Cooper e Jennifer Lawrence como principais, esta última venceu. Há grandes chances de que Russell repita o feito este ano com Trapaça. Será? Viraria uma lenda. Woody Allen é meio que uma lenda. Desde os anos 70 arregimenta indicações para atores e atrizes enquanto vai fazendo a própria história no rol da Academia. Alan Alda, Angélica Huston, Mira Sorvino, Diane Keaton são apenas alguns dos muitos nomes alçados ao Oscar sob a batuta de Allen. Mas para não perder a história recente de vista, nos últimos dez anos, Allen contribuiu para o Oscar de Penelope Cruz e neste ano deve fazer o mesmo pelo segundo de Cate Blanchett.
Alexander Payne ostenta a honra de, por enquanto, ter sido o diretor da última atuação de Jack Nicholson, o grande recordista de indicações ao Oscar, por As confissões de Schmidt (2002). De lá para cá, todos os seus filmes tiveram indicações para atores e ele está de volta à carga nesta temporada de premiações. Sideways – entre umas e outras teve duas indicações para coadjuvantes (Virgina Madsen e Thomas Haden Church) e Os descendentes teve indicação para George Clooney. Nebraska está no páreo para três indicações e todas de atores pouco ou nada celebrados, uma demonstração de que o talento de Payne para a direção de atores precisa ser respeitado.
Martin Scorsese, outro no páreo na corrida deste ano, é outro bom diretor de atores que rende indicações sucessivas ao Oscar. Foram muitas ao longo de sua irretocável filmografia. Nos últimos dez anos foram quatro para atores. Três por O aviador e uma por Os infiltrados. O lobo de Wall Street incita a expectativa de que este número aumente.
Darren Aronofsky, Steven Spielberg, Stephen Daldry, Ang Lee, Lars Von Trier, Paul Thomas Anderson, Steven Soderbergh e Roman Polanski são outros notórios bons diretores de atores, mas não chegam ao patamar de encantadores de Oscars.


domingo, 17 de novembro de 2013

Crítica - Blue Jasmine

A mãe de todas as crises

Blue Jasmine (EUA 2013), o último Woody Allen, é de certa forma, a visão do diretor nova-iorquino sobre a crise econômica que em 2008 derreteu a economia americana e que ainda se faz sentir, mas é antes disso um elaborado estudo de personagem. A personagem em questão é Jasmine (Cate Blanchett), uma mulher que precisa se adaptar à pobreza depois que seu marido milionário, Hal (Alec Baldwin), foi preso por fraude financeira. Ela se muda de Nova Iorque para São Francisco, na Califórnia, para morar com a irmã pobretona, com quem sempre teve uma relação conflituosa, enquanto planeja sua reestruturação.
Tão logo encontramos Jasmine, no voo que a leva para São Francisco, percebemos seu colapso emocional e Cate Blanchett é muito hábil em aprofundar essa sensação ao longo do filme.
Woody Allen escreve uma personagem riquíssima do ponto  de vista narrativo, mas não se furta à combinação de referências que vão desde Tennessee Williams e Elia Kazan, com Uma rua chamada pecado, a Eric Romher, na fotografia e nos enquadramentos, passando pelo escândalo da pirâmide financeira cujo protagonista Bernard Madoff foi preso em dezembro de 2008.
O que Allen parece querer dizer com seu filme, um misto bem urdido de conto moral e estudo de personagem, é que a aparência não pode esconder, pelo menos não em termos perenes, problemas intrínsecos à concepção emocional de um indivíduo.  Assim é Jasmine, que antes se chamava Janette, alguém que sente a necessidade de se reinventar a cada percalço que enfrenta.  Apesar da elegância e da beleza fulgurantes, Jasmine é um poço de insegurança a se projetar sobre a irmã Ginger (Sally Hopkins) que por sua vez apresenta um palpável complexo de inferioridade. As características das personagens são, portanto, as chaves do comentário de Allen ao apontar para a mãe de todas as crises, àquela que nasce no interior do indivíduo.

Cate Blanchett confere vibração e carga emocional ao filme mais triste de Woody Allen em muitos anos

Os flashbacks irrigam não só o passado de Jasmine, mas aclimatam seu futuro na medida em que permitem um desenho mais inteiro da personagem, ainda que Allen enxergue a necessidade de justificá-los recorrendo ao clichê da impulsividade da mulher traída para certificar-se que sua Jasmine saia humanizada ante o olhar da audiência. A preocupação de Allen, entretanto, é legítima. Jasmine é inegavelmente uma das personagens mais antipáticas da galeria alleniana e elaborada em cima de uma representação caricatural de socialite elitista. Mas bastava confiar mais no trabalho paranormal de Cate Blanchett em dimensionar essa mulher cheia de defeitos e vicissitudes. Allen é generoso com sua estrela. A filma como a musa que ela é e Blanchett retribui o favor dominando substancialmente a personagem tão bem escrita pelo cineasta. Por isso, os flashbacks poderiam ser menos didáticos sobre as circunstâncias da deflagração do colapso emocional de Jasmine.
Feita essa ressalva, Blue Jasmine é o filme mais bem lapidado dessa safra mais recente de Allen decidida a fundir drama e comédia, que tem Você vai conhecer o homem dos seus sonhos e Meia-noite em Paris como exemplares mais vívidos. É, também, seu filme mais desesperançoso em muito tempo. Não exatamente por isso, mas pela radiografia precisa tanto de uma personagem tão complexa como das visões de mundo que a gravitam, que Blue Jasmine se ajusta como o melhor filme do diretor americano desde Match point- ponto final.  

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Em off

Nesta edição da seção Em off, o grande filme do feriadão é uma flor de Woody Allen; a lista de filmes mais assustadores de outro cineasta nova-iorquino; o hype de 50 tons de cinza ganha volume; a Disney ri à toa; a profecia de Ang Lee a espera por ela: Ninfomaníaca.

Os filmes mais assustadores segundo Scorsese
Martin Scorsese, como muitos já sabem, é um cinéfilo inveterado. Daqueles de fazer o mais cinéfilo dos cinéfilos se sentir uma fraude. Até porque Scorsese é, também, um dos maiores cineastas de todos os tempos. Ao Daily Beasy, o diretor de clássicos como Taxi driver, A última tentação de cristo e Os bons companheiros revelou sua lista de filmes mais assustadores da história do cinema. Há alguma coisa mainstream aí, mas o predomínio é dos clássicos marginais e obscuros da era do preto e branco. Aprendam crianças!

1- Desafio do Além (1963), de Robert Wise
2- A Ilha dos Mortos (1945), de Mark Robson
3- O Solar das Almas Perdidas (1944), de Lewis Allen
4- O Enigma do Mal (1982), de Sidney J. Furie
5- Na Solidão da Noite (1945), de Alberto Cavalcanti, Charles Crichton, Basil Dearden e Robert Hamer
6- Intermediário do Diabo (1980), de Peter Medak
7- O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick
8- O Exorcista (1973), de William Friedkin
9- A Noite do Demônio (1957), de Jacques Tourneur
10- Os Inocentes (1961), de Jack Clayton
11- Psicose (1960), de Alfred Hitchcock

Confira o trailer clássico de Desafio do além


A profecia de Ang Lee e seu grau de acuidade
Ang Lee, vencedor de dois Oscars de melhor direção, disse que a indústria chinesa superará Hollywood em termos de faturamento em dez anos. Isso, sem se preocupar em se comunicar com o resto do planeta. “O grupo que fala chinês é provavelmente quatro vezes maior que as pessoas que falam inglês", exortou o taiwanês. Lee não está sozinho nessa previsão. Enquanto muitos apreciam o exotismo de Bollywood, há quem entenda que o mercado chinês represente o verdadeiro risco para Hollywood. Não à toa, os grandes estúdios americanos se movimentam para realizar parcerias com estúdios chineses, agradar censores e todo tipo de manobra para evitar que a reserva de mercado chinesa se torne cada vez mais atraente para o público local.

No compasso da Ninfomaníaca
O marketing é agressivo e até faz lembrar uma megaprodução hollywoodiana. Com direito a censura do YouTube e tudo. É bem verdade que Ninfomaníaca é o filme mais caro da carreira de Lars Von Trier. Tão caro que o próprio diretor abriu mão do corte final da fita, algo impensável para um cineasta tão autoral e intransigente como o dinamarquês. Como se sabe, serão duas versões. Uma hard core, que será exibida fora de competição no festival de Cannes em 2014, e outra mais leve, mais comercial que será dividida em dois capítulos. O primeiro será lançado no Brasil em janeiro de 2014. O segundo, talvez, apenas após Cannes. Quem esteve no Brasil, para uma cirurgia plástica e para a divulgação de um calendário que estrela, foi Uma Thurman, que atua em Ninfomaníaca. A atriz falou que admira o dinamarquês a quem considera “gênio, atrevido e um pouco louco”. No final das contas, tudo isso rima com marketing.

A Jasmine de Woody Allen

O melhor filme de Woody Allen desde o melhor filme de Woody Allen! Essa é a pecha que recebeu Blue Jasmine, que estreia nesta sexta-feira (15) em circuito comercial no Brasil. Mas qual é o melhor filme de Woody Allen antes de Blue Jasmine? Aí está a graça. Tem quem ache que é Meia-noite em Paris (2011), tem quem ache que é Match point- ponto final (2005) e tem quem vá até Noivo neurótico e noiva nervosa (1977). De qualquer jeito, Blue Jasmine – “uma comédia que não faz rir e ainda assim é hipnotizante” nas palavras do crítico A.O Scott do The New York Times – avoca aquele tipo de consenso irresistível.
Cate Blanchett faz uma socialite falida, depois da prisão do marido por fraude financeira, que precisa se adaptar à vida de pobretona. Allen foca nas compulsões, obsessões e impulsos dessa mulher que precisa se reinventar e pode ruir antes disso. 

Vivendo o hype!
A Entertaiment Weekly desta semana destaca em sua capa o casal protagonista de 50 tons de cinza. Além de um editorial fotográfico estrelado por Jamie Dornan e Dakota Johnson, a reportagem traz bastidores da produção e a nova data de lançamento do filme: 15 de fevereiro de 2015. A mudança de agosto de 2014 para o valentine´s Day do ano seguinte se deve pelos sucessivos imprevistos que marcaram a produção nos últimos meses.


Rindo à toa
A Disney, que já esfrega as mãos para 2015 quando lançará entre outros filmes as aguardadas sequências de Os vingadores e Star Wars, anunciou nesta semana que quebrou o recorde de bilheteria mundial em um ano em 2013. Com U$ 3,79 bilhões em faturamento e com dois meses e três lançamentos separando 2013 do fim, a Disney tem mesmo muitas razões para comemorar.  

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Crítica - Paris-Manhattan


Doce, mas sem sal

Existem ideias tão boas que acabam gerando um produto ruim. É mais ou menos o que acontece com Paris-Manhattan (França 2011). Não que o filme da diretora Sophie Lellouche seja ruim. Não o é. É uma comédia romântica bem feitinha, curtinha e com o bônus de ter Woody Allen como seu centro gravitacional. Literal e figurativamente. Eis aí, o céu e o inferno do filme.
Se por um lado é genial colocar a protagonista do filme, vivida com graça e candura por Alicia Taglioni, como uma mulher hesitante em assumir sua faceta mais moderna ou mais tradicional e que é absolutamente fanática por Woody Allen, a ponto de ouvi-lo em seu quarto e filosofar com um retrato de Allen que mantém em sua parede, por outro a execução dessa ideia é demasiadamente pobre. A impressão que se tem é que o roteiro não foi desenvolvido e sim que o argumento foi esticado. Allen, espirituoso, aparece no filme – além de emprestar sua voz ele surge em uma ponta no final – mas não consegue disfarçar a pouca criatividade de Lellouche, ela mesma uma fã de Allen, na tratativa de sua história.
Feitos um para o outros: os diferentes se atraem...
Alicia, farmacêutica, em busca de um marido mais por pressão do pai – judeu em fase de desortoxização – do que por si mesma, tem o hábito de receitar filmes a seus clientes ao invés de remédios. É uma personagem que converge muito bem o que tem de encantadora com o que tem de irritante. É essa característica certamente que atrai Victor (Patric Bruel), um vendedor de alarmes que nunca viu um filme de Woody Allen na vida.
Allen, no fundo, serve como bússola informal para o desabrochar dessa crônica amorosa parisiense. Tudo muito doce; mas em face de suas potencialidades, muito sem sal...

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Momento Claquete # 31

Cameron Diaz, aos 40 anos, mostra que tem muito peito no editorial assinado por Terry Richardson para a edição de outubro da Esquire americana 


 O nome é Bardem: Javier Bardem, moreno, foi capa da GQ italiana de setembro...


Química a gente faz em casa: Jon Hamm e Kristen Wiig, que já fizeram um casal por duas vezes nas telas, mostram sintonia quando as câmeras estão desligadas

Eles já foram namorados na vida real e marido e mulher na ficção. Claquete, no entanto, recupera um olhar indiscreto ocorrido antes disso tudo. Tobey Maguire não resiste e "segue" Natalie Portman pela escadaria de um estádio de baseball. A foto é de 2007


A barriguinha está lá, mas o charme também. Sean Penn joga um xaveco na cantora Florence Welch em evento realizado no sábado (27) em Los Angeles 


S.O.S raridade: essa é um presente de Claquete para cinéfilo nenhum botar defeito. Em foto de 1978, Woody Allen e Nora Ephron, falecida este ano, tricotam sobre alguma coisa a qual só podemos especular... 



O homem que é uma caricatura: Tim Burton, o homem, a caricatura...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Oscar Watch 2012 - A peleja dos diretores

Alexander Payne (Os descendentes), Martin Scorsese (A invenção de Hugo Cabret), Woody Allen (Meia-noite em Paris), Michel Hazanavicius (O artista) e Terrence Malick (A árvore da vida)


O artista

Ninguém conhecia Michel Hazanavicius até outro dia. Mas ele provou, com seu apaixonado filme (O artista), que conhece muito de cinema. Em uma disputa de pesos pesados, ele faz questão de manter-se um aprendiz. Ainda que seja o responsável pelo filme mais premiado da temporada. Hazanavacius não é nem mesmo dos diretores mais proeminentes da França e agora pode ser o primeiro francês a ganhar o Oscar de direção.

Prós:
- É o diretor do filme mais festejado da temporada
- Demonstra estilo e perícia na construção de um filme à moda antiga, mas muito bem adornado pelos recursos disponíveis na atualidade
- Ganhou alguns dos principais prêmios da temporada como o DGA (prêmio do sindicato dos diretores), o Critic´s Choice Awards e o Bafta
- Realiza uma excelente direção de atores e essa característica pode prevalecer

Contras:
- Há quem possa achar melhor premiar o americano Scorsese por um filme genuinamente americano e que apresenta o mesmo “espírito”
- Compete contra verdadeiros monstros sagrados do cinema americano (Allen, Scorsese e Malick)
- Pode ser prejudicado em uma eventual cisão dos dois principais prêmios da noite. A academia pode optar por premiar O artista e escolher outro diretor em uma premiação pulverizada
- Também concorre como produtor e roteirista e pode ser vítima da superexposição, tendo em vista que não é exatamente um Coen
- É o único estrangeiro concorrendo na categoria e há quem possa se ressentir de conceder o Oscar dois anos consecutivamente a não americanos

Primeira indicação


O mestre  

Não há necessidade de apresentações. Martin Scorsese talvez seja o grande diretor americano da atualidade.Seu retrospecto recente em nomeações ao Oscar demonstra isso. São sete na carreira e quatro nos últimos nove anos. Nenhum outro diretor americano em atividade ostenta tamanho repertório. E estamos falando de um injustiçado histórico pelo Oscar. A invenção de Hugo Cabret, filme que o leva novamente à disputa pela estatueta dourada, é aquele em que Scorsese mais deixa transparecer seu amor pelo cinema. Isso pode lhe render mais do que comoção de público e crítica.

Prós:
- Existe um consenso de que um Oscar é insuficiente para a estatura artística de Scorsese
- Ganhou o Globo de ouro na categoria e foi eleito o melhor diretor do ano pela maior parte dos círculos de críticos de prestígio
- Está a frente do filme líder de indicações e isso há de contar para alguma coisa
- É uma figura extremamente querida por todos na indústria
- O prêmio também seria uma forma de legitimar o uso do 3D por cineastas do primeiro time; o que, em última análise, também seria bom para a indústria

 Contras:
- Existe um consenso de que um Oscar é insuficiente para a estatura artística de Scorsese, mas pode prevalecer o sentimento de que ainda é cedo para premia-lo de novo
- Perdeu a dianteira na corrida para o concorrente Michel Hazanavicius que conquistou o prêmio do sindicato
- Levou décadas para ser premiado. Difícil crer que o premiem novamente em tão curto espaço de tempo

Décima indicação (produção e direção)
Indicações anteriores: 
Melhor diretor por Touro indomável (1981), A última tentação de Cristo (1989), melhor roteiro adaptado por Os bons companheiros (1991), melhor diretor por Os bons companheiros (1991), melhor roteiro adaptado por A época da inocência (1994), melhor diretor por Gangues de nova Iorque (2003), melhor diretor por O aviador (2005) e melhor diretor por Os infiltrados (2007).
Vitória anterior: melhor diretor por Os infiltrados


Mais do que o independente do ano

Alexander Payne não é exatamente um estreante na categoria. Já concorreu ao Oscar antes. Contudo parece deslocado em meio a cineastas tão expressivos. Talvez porque as histórias que conta sejam minimalistas na essência. A ideia de construir uma filmografia calcada nos personagens é um diferencial que, no entanto, pode lhe render mais frutos como roteirista (categoria a qual também está indicado e pela qual já ganhou um Oscar) do que como diretor.

Prós:
- Está a frente de um filme independente e a academia têm reconhecido diretores nesse perfil no histórico recente. Alguns exemplos (irmãos Coen em 2008 por Onde os fracos não têm vez, Danny Boyle em 2009 por Quem quer ser um milionário? e Kathryn Bigelow em 2010 por Guerra ao terror).
- É notadamente um bom diretor de atores e isso pode contar pontos a seu favor
- Realiza um filme acessível e aprazível. Características mais marcantes em Os descendentes do que em Meia-noite em Paris (que tem um ar de erudição indisfarçável) e O artista (mudo e em preto e branco)

 Contras:
- Existem diretores/roteiristas mais festejados na disputa e isso pode prejudicar Payne em ambas as corridas
- Ainda que seu filme tenha sido apontado como o melhor do ano por alguns grupos de críticos e ganhado o Globo de ouro de melhor filme drama, Payne não ganhou nenhum prêmio
- A percepção de que ele já fez filmes melhores
- A festa em torno da atuação de George Clooney pode ter desviado o foco de outros pontos fortes do filme como, inclusive, as sutilezas imprimidas por Payne na condução da história

Quinta indicação (produção, direção e roteiro)
Indicações anteriores:
Melhor roteiro adaptado por Sideways – entre umas e outras (2005)
Melhor direção por Sideways – entre umas e outras (2005)
Vitória anterior:
Melhor roteiro por Sideways – entre umas e outras (2005)


O estranho no ninho

Não chegou a ser uma surpresa a inclusão do cineasta Terrence Malick entre os finalistas na briga pelo Oscar. Mas com tantos nomes mais badalados na disputa, não deixou de ser um tanto anti-climática a lembrança. Malick, por seu turno, é do tipo que não faz o jogo do Oscar. Bissexto, embora prestes a mudar esse hábito, o cineasta não costuma fazer aparições públicas e saúda a natureza em seus filmes. A árvore da vida é um projeto tão megalomaníaco que, por vias tortas, só podia acabar no Oscar. Mas é certo que já chegou longe demais.

Prós:
- Venceu a Palma de ouro em um júri presidido pelo ator americano Robert De Niro. Não é pouca influência não...
- É um diretor muito admirado por seus colegas e recompensá-lo por um projeto desta envergadura seria um gesto de carinho e consentimento
- Apresenta uma direção sem sombra de dúvidas vistosa, ainda que por um filme “difícil”, a academia pode ser suscetível a esse perfil de trabalho
- Um Oscar a Malick significaria prestigiar mais diretores autorais
- Ganhou alguns prêmios de círculos de críticos no início da temporada de prêmios

Contras:
- Há muita gente que não gosta do filme
- Malick não faz campanha e , combinada a excentricidade de a A árvore da vida, suas chances se veem consideravelmente diminuídas
- Não é o melhor trabalho de direção do ano e todo mundo sabe disso
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- Pode ser “esquisitão demais” para muitos votantes

 Terceira indicação
Indicações anteriores:
Melhor roteiro adaptado por Além da linha vermelha (1999)
Melhor diretor por Além da linha vermelha (1999)

O retorno do filho pródigo

Quem não gosta de Woody Allen? Surpreendentemente, muita gente. Mas isso não impediu que o mais neurótico dos autores americanos quebrasse o recorde de Billy Wilder de indicações ao Oscar nas categorias de direção e roteiro. São 23 nomeações (computadas as duas de 2012 por Meia-noite em Paris) contra 21. Woody Allen, definitivamente, se inscreve como uma das figuras mais queridas da História de Hollywood. Ganhar ou não o quarto Oscar, neste momento, é apenas um detalhe.

Prós:
- É o “grande retorno de Woody Allen” ao Oscar e esse é um “catchy slogan”
- Foi um dos poucos diretores premiados por uma comédia. Seria ainda mais notável e distinto ser premiado novamente pelo mesmo gênero
- Woody, na última década, voltou a apresentar um cinema mais inquieto e altivo, além de ter feito as pazes com a crítica
- Não costuma chamar a atenção para o trabalho de direção

Contras:
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- O fato de ser mais admirado (pela academia) como roteirista do que como diretor
- Ser partidário de uma direção econômica, até certo ponto quadrada, pode lhe privar dos votos de uma ala mais moderna da academia
- Não é o melhor trabalho de direção do ano e todo mundo sabe disso
- Não costuma chamar a atenção para o trabalho de direção

23ª indicação
Indicações anteriores:
Melhor ator por Noivo neurórico, noiva nervosa (1977), melhor roteiro original por Noivo neurótico, noiva nervosa (1977), melhor direção por Noivo neurótico, noiva nervosa (1977), melhor roteiro original por Interiores (1979), melhor direção por Interiores (1979), melhor roteiro original por Manhattan (1980), melhor roteiro original por Broadway Danny Rose (1985), melhor direção por Broadway Danny Rose (1985), melhor roteiro original por A rosa púrpura do Cairo (1986), melhor roteiro original por Hannah e suas irmãs (1987), melhor direção por Hannah e suas irmãs (1987), melhor roteiro original por A era do rádio (1988), melhor roteiro original por Crimes e pecados (1990), melhor direção por Crimes e pecados (1990), melhor roteiro original por Simplesmente Alice (1991), melhor roteiro original por Maridos e esposas (1993), Melhor roteiro original por Tiros na Broadway (1995), melhor direção por tiros na Broadway (1995), melhor roteiro original por Poderosa Afrodite (1996), melhor roteiro original por Desconstruindo Harry (1998), melhor roteiro original por Match point – ponto final (2006)
Vitórias anteriores:
Melhor roteiro original por Noivo neurótico, noiva nervosa (1977)
Melhor direção por Noivo neurótico, noiva nervosa (1977)
Melhor roteiro original por Hannah e suas irmãs (1987)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Oscar Watch 2012 - Os rivais de Woody Allen


Woody Allen volta à disputa pelo Oscar em grande estilo em 2012.  Depois de 17 anos, o cineasta emplacou outro filme na competição pelo troféu de melhor produção do ano e também figura entre os cinco candidatos a melhor diretor. Por Meia-noite em Paris, Allen conseguiu aprovação crítica, sucesso de público e esse badalado retorno ao Oscar. Pode, ainda, levar sua quarta estatueta dourada. As chances, fortíssimas, se concentram na categoria de roteiro original a qual já foi indicado 12 vezes e ganhou outras duas. A outra vitória de Allen citada no início do texto foi pela direção de Noivo neurótico, noiva nervosa (1976).

Meia-noite em Paris e O homem que mudou o jogo são os roteiros mais premiados da temporada. No Oscar estão em categorias diferentes. Allen, teoricamente, enfrenta a concorrência de Michel Hazanavicius – responsável pelo roteiro de O artista. O francês, assim como Allen, dirigiu e roteirizou o favorito ao Oscar. Se ele é o favorito na disputa pelo prêmio de direção, na categoria de roteiro aparece atrás de Allen na bolsa de apostas de analistas e críticos.
A categoria ainda guarda potenciais surpresas. O iraniano Asghar Farhadi pode ser uma delas. É dele o primoroso texto de A separação, virtual vencedor na categoria de filme estrangeiro. Não seria a primeira vez que um roteirista estrangeiro triunfaria por um filme não falado em inglês. Pedro Almodóvar venceu há nove anos pelo roteiro de Fale com ela – fita que nem sequer concorria a melhor produção estrangeira. J.C. Chandor, assim como Allen, Hazanavicius e Farhadi, também assina o texto do filme que dirige. A fita em questão é Margin call – o dia antes do fim. Produção independente que recebeu fervorosos elogios da crítica desde a premiere no festival de Sundance 2011. Concorrendo com os quatro cineastas/roteiristas (uma das particularidades da categoria este ano), estão Annie Mumolo e Kristen Wiig por Missão madrinha de casamento. As duas, que são comediantes, também atuam no filme.

Farhadi nos sets de A separação: potencial surpresa em uma categoria marcada pelo aspecto autoral

Autoria parece ser a tônica dos indicados. Artistas que exercem controle pleno sobre suas obras são cada vez mais constantes e a configuração da categoria revela isso. Nesse escopo, Woody Allen é vanguarda. Além do mais, Meia-noite em Paris e O artista são os únicos da categoria também lembrados nas disputas de filme e direção.  O retorno triunfal de Allen ficaria incompleto sem um Oscar.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Oscar Watch 2012 - Cenas de cinema (indicações ao Oscar 2012)

Conservadora pero no mucho
Como sempre a academia dá demonstrações de conservadorismo. Deixou de fora os elogiados Drive e Os homens que não amavam as mulheres (violentos demais?), não lembrou de Um método perigoso e Shame (subversivos demais?) e não reconheceu excelentes filmes estrangeiros da temporada (Melancolia, A pele que habito, A separação) na categoria principal. No entanto, a academia indicou um filme francês mudo e em preto e branco para o Oscar de melhor filme; indicou um ator parcialmente desconhecido (Demian Bichir) para o Oscar de melhor ator e reconheceu um trabalho francamente progressista em matéria de cinema (A árvore da vida) na categoria de melhor filme. São sinais de que a academia, em sua atual configuração, passa longe da uniformidade de pensamento que muitos lhe atribuem.

Todos os indicados ao Oscar podem ser conferidos aqui.  


A crônica do Oscar recente
Tilda Swinton que já era tida como certeza entre as concorrentes a melhor atriz no Oscar acabou de fora da disputa. Por uma razão muito simples. Ganhou um Oscar há pouco tempo, por Conduta de risco (2008). Bem sabemos que a academia tem essa estranha e controversa política de compensação. Dessa maneira, preferiu nomear a novata Rooney Mara e a veterana há muito esquecida Glenn Close. Esse mesmo raciocínio permite intuir que para Meryl Streep continuar sendo indicada, é melhor que o terceiro Oscar não venha tão cedo.


Deixaram o Fincher de fora
Raciocínio semelhante se aplica à exclusão de David Fincher entre os diretores. Após concorrer duas vezes em quatro anos, o grupo de diretores da academia deve ter achado que nomear Fincher pelo segundo ano consecutivo seria demais. A academia reconheceu seu filme (Os homens que não amavam as mulheres) em várias categorias, mas não o colocou nas duas principais (filme e direção).  Será que isso tem mais a ver com David Fincher ser chato ou com o filme ser violento e adulto demais?   

David Fincher e Rooney Mara nas gravações de Os homens que não amavam as mulheres: o filme recebeu cinco indicações ao Oscar, mais do que três filmes que concorrem a melhor produção do ano                      



Porém...
Michelle Williams foi indicada no ano passado por Namorados para sempre e foi novamente contemplada este ano por Sete dias com Marilyn. Será que essa indicação vai só na conta do Harvey Weinstein?


Bonitões?
Fica para as mulheres a palavra final. Mas a lista de candidatos ao Oscar de melhor ator acabou menos bela do que se anunciava. Não que Demian Bichir e Gary Oldman sejam desprovidos de beleza, mas não chegam assim a ser um Ryan Gosling ou Leonardo DiCaprio.

Bechir, a surpresa latina: entre Javier Bardem e Antonio Banderas...


Multiculturalismo
Todo ano surgem reclamações. “Não há negros entre os indicados”, “Não há latinos concorrendo” ou “Da Europa só os ingleses são lembrados”. Pois bem. As categorias de atuação não poderiam ter sido mais democráticas em 2012. Há dois ingleses concorrendo (Gary Oldman e Kenneth Branagh), um sueco (Max Von Sydow), dois franceses (Berenice Bejo e Jean Dujardin), duas negras (Viola Davis e Octavia Spencer), um latino (Demian Bichir) e até mesmo dois gordinhos (Melissa McCarthy e Jonah Hill). 


Shame on you!
Michael Fassbender, cuja cotação vinha crescendo nas últimas semanas, não conseguiu vaga entre os finalistas do Oscar. Shame, aliás, acabou completamente fora da premiação; fato que pode prejudicar sua distribuição nos cinemas brasileiros.


Ele morreu na praia novamente!
Já era até certo ponto esperado que Leonardo DiCaprio não fosse indicado ao Oscar de melhor ator por J.Edgar. Dito e feito. O ator até resistiu a saraivada de críticas negativas que o filme recebeu e conquistou um punhado de indicações a prêmios, mas não chegou ao Oscar.


Incoerências
A ideia da nova regra para a categoria de melhor filme era deixar o Oscar com mais cara de Oscar. Bem, com nove indicados não é bem o que acontece. Assim como em 2009 quando Um sonho possível só teve duas indicações ao Oscar – sendo uma delas para melhor filme do ano – o mesmo aconteceu com Tão forte e tão perto. A fita de Stephen Daldry foi indicada apenas nas categorias de filme e ator coadjuvante.
O mesmo pode ser dito de A árvore da vida, que fisgou três indicações (filme, direção e fotografia). Apesar dessa indicação para direção legitimar a candidatura do filme, fica patente um ar de desencontro na elaboração dos candidatos.

Cena de Tão forte e tão perto, o Um sonho possível da vez...


Índice Claquete
Muita gente se surpreendeu com a inclusão do veterano ator sueco Max Von Sydow por Tão forte e tão perto entre os coadjuvantes. Na verdade, Claquete já havia alertado para essa possibilidade no início de dezembro. Muito antes das primeiras listas de indicados serem divulgadas.


Secular!
Atores veteranos sempre têm vez Oscar. Mas a categoria de ator coadjuvante em 2012 caprichou. Juntos, Nick Nolte (70 anos), Max Von Sydow (82 anos), Christopher Plummer (82 anos) e Kenneth Branagh (51 anos) somam 285 anos. Contra esse time, o que podem fazer os 28 anos de Jonah Hill?


Eu tenho e vocês não tem!
Janet McTeer, indicada ao Oscar de coadjuvante por Albert Nobbs, pode se vangloriar de ser a única na categoria a já ostentar uma indicação ao Oscar. Suas companheiras, Octavia Spencer (Histórias cruzadas), Jessica Chastain (Histórias cruzadas), Berenice Bejo (O artista) e Melissa McCarthy (Missão madrinha de casamento) são marinheiras de primeira viagem. Tudo leva a crer, no entanto, que uma delas possa tirar um sarro a partir de 26 de fevereiro com McTeer.


É chato ser John Williams
Enquanto Jim Carrey se comisera, para John Williams ser indicado ao Oscar é coisa banal do dia a dia. O compositor, que já ostenta 45 indicações em sua carreira, conquistou mais duas para o Oscar 2012. Ele concorre pelos dois trabalhos em colaboração com Steven Spielberg (As aventuras de Tintim e Cavalo de guerra). Vale lembrar que, quando indicado por um trabalho feito com o parceiro de Tubarão, Williams assume certo favoritismo. Foram 14 indicações e três vitórias.

John Williams já não era indicado ao Oscar desde 2006, mas isso é um detalhe menor...


Pitt 3 X 2 Clooney
Não é que George Clooney não tenha se saído bem na fita. É que Brad Pitt se saiu melhor. Os amigos mantêm uma rivalidade saudável com seus filmes, seus trabalhos humanitários e suas presenças em listas de homens mais sexy do mundo. Só que em matéria de cinema, Clooney que já tem Oscar, 3 globos de ouro e outros prêmios, vinha ganhando de lavagem. Esse era o script para o Oscar 2012. Mas Pitt inverteu a lógica. O marido de Angelina Jolie foi indicado a melhor ator por O homem que mudou o jogo e concorre duplamente como produtor pelos filmes A árvore da vida e O homem que mudou o jogo. Clooney, por sua vez, foi indicado a melhor ator por Os descendentes e concorre pelo roteiro de Tudo pelo poder.


O Oscar dos desaparecidos
Não é nenhum absurdo supor que será o Oscar em que haverá menos candidatos ao prêmio de direção presentes. Malick é um notório recluso e, quando indicado em 1999 por Além da linha vermelha, não compareceu. Já Woody Allen só foi à cerimônia do Oscar uma única vez: para prestar uma homenagem a Nova Iorque em 2002, primeira edição do Oscar após os atentados terroristas que derrubaram as torres gêmeas. Nem quando ganhou (em 1978 com Noivo neurótico, noiva nervosa), Woody compareceu.

De volta ao jogo...
E Woody Allen não disputava o Oscar de direção desde 1994 quando foi nomeado por Tiros na Broadway.

Back on the game: Woody Allen recuperou o prestígio de outrora junto ao Oscar e seu Meia-noite em Paris detém quatro indicações aos prêmios da academia


Quem pode com Rango?
Não restam dúvidas. Sem a força da Pixar (que fica fora da disputa pelo Oscar de animação pela primeira vez desde a criação da categoria) e com As aventuras de Tintim fora do páreo, fica difícil contemplar outro filme premiado que não Rango. Mas o francês A cat in Paris (e parece ser o ano da França no Oscar), pode ser o estraga prazeres.


É do Brasil...
E o Brasil está tomando gosto de concorrer ao Oscar sem concorrer de fato. Explica-se. Enquanto produções do país ficam pelo meio do caminho, profissionais e figuras de expressão brasileiras são reconhecidos. Um ano após o documentário Lixo extraordinário, produção inglesa co-dirigida pelo brasileiro João Jardim, concorrer ao Oscar da categoria, o Brasil surge novamente nas entrelinhas. Undefeated é uma produção americana sobre o lutador brasileiro de MMA Anderson Silva. A ginga brasileira está ainda mais presente na categoria de canção original, na qual concorrem Sérgio Mendes e Carlinhos Brown pela composição de “Real in Rio”, da animação Rio.


A caminho da extinção
E por falar na categoria de canção original, os dois únicos concorrentes (o outro é Man or muppet, de Os muppets) atestam de uma vez por todas que a categoria já viu dias melhores. Longe dos megahits dos anos 80 e 90, as canções a cada ano vão decaindo de qualidade e minguando até mesmo em quantidade.


Exércitos de um homem só
O que Alexander Payne, Michel Hazanavicius, Woody Allen, George Clooney e Brad Pitt têm em comum? Todos eles foram indicados em múltiplas categorias. Hazanavicius e Payne, por exemplo, concorrem como produtores, diretores e roteiristas.


Atenção à montagem
Eis uma categoria de suma importância que em 2012, inadvertidamente, garimpa ainda mais a disputa pelo Oscar de melhor filme. Dos cinco indicados (Os descendentes, Os homens que não amavam as mulheres, A invenção de Hugo Cabret, O artista e O homem que mudou o jogo), quatro estão concorrendo na categoria de melhor filme. Três têm seus diretores indicados. Desse grupo de três, dois também têm indicações para o elenco. São eles Os descendentes e O artista, justamente os vencedores do Globo de ouro. Essa combinação (filme, direção, montagem) é um forte indicativo de Oscar de melhor filme. Apenas quatro vezes uma produção foi sagrada a melhor do ano sem ter uma indicação sequer em categoria de atuação. Foram elas O senhor dos anéis: o retorno do rei, Quem quer ser um milionário?, Coração valente e O último imperador. No entanto, todas venceram em montagem e direção. Portanto, ainda há esperanças para A invenção de Hugo Cabret.

Cena de A invenção de Hugo Cabret: o campeão de indicações do ano (11 no total) não é exatamente o favorito ao Oscar de melhor filme...


Cinco roteiros
Prova maior da inconsistência das indicações que não foi corrigida com a nova regra para escolher os concorrentes na categoria de melhor filme, são os finalistas em roteiro.
Apenas cinco dos nove filmes candidatos a melhor do ano estão incluídos entre os dez melhores roteiros. Antes da mudança que colocava dez concorrentes a melhor filme, era praxe supor que os filmes lembrados na categoria de roteiro que não disputavam o prêmio de melhor filme seriam extra-oficialmente o 6º, 7º, 8º,9º e 10º melhores filmes do ano. Essa impressão não só foi esculachada pela academia, como a cada ano que passa, fica mais difícil precisar que filmes são genuinamente admirados pela academia enquanto instituição cinematográfica. Em 2012 essa “imprecisão” ficou mais clara do que nunca.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Oscar Watch 2012 - É meia-noite em Paris?



Muitos analistas estão classificando este ano como o da volta de Woody Allen. Mas não foi 2005, quando apresentou Match point- ponto final? Ou então, 2008, com Vick Cristina Barcelona? O que faz de Meia-noite em Paris tão especial? A melhor pergunta, talvez seja, o que faz desse ano de 2011 melhor do que os outros para o alardeado retorno de Wooy Allen?
Depois da consagração do academicismo no ano passado com a vitória de O discurso do rei no Oscar após total domínio do verborrágico A rede social nos prêmios preliminares, Hollywood, nesta temporada, presencia uma nostalgia pelo próprio cinema. Há dois anos, Avatar apontava para o futuro e um dos principais filmes da temporada aponta para o passado. O francês The artist é praticamente mudo, rodado em preto e branco e versa sobre o impacto da chegada do som no cinema. É uma figura de linguagem interessante sob tais circunstâncias. Paris também é base de A invenção de Hugo Cabret. Um filme que também fala das origens do cinema, mas vale-se dos recursos mais recentes para tal.
Em comum com Meia-noite em Paris esses dois filmes, que concorrem ao Globo de ouro de melhor filme e estão bem colocados na disputa para o Oscar, têm esse sabor de volta ao passado. Parecem imbuídos de prover perspectiva a quem faz e quem aprecia cinema hoje. Não à toa foram realizados por um francês e dois dos cineastas americanos mais importantes de todos os tempos.  
Voltando a Meia-noite em Paris, uma de suas maiores qualidades é conseguir ser, ao mesmo tempo, ode ao passado e culto ao presente. Esse preciosismo narrativo é um dos destaques do texto arejado de Woody Allen.
O filme recebeu especial atenção no Globo de ouro com nomeações para filme em comédia/musical, direção, ator em comédia e roteiro. Allen, portanto, concorre em três categorias. Meia-noite em Paris também foi lembrado pelo sindicato dos atores que o nomeou para a categoria de melhor elenco do ano. Um forte indício de que o filme é apreciado pela classe dos atores, maior colegiado entre os votantes da academia.
Já The artist que é sobre Hollywood propriamente dito e sobre uma maneira de fazer filmes relegada ao passado, goza de mais prestígio nessa etapa da temporada de premiações. É líder de indicações tanto no Globo de ouro quanto no Critic´s Choice Awards e o filme mais premiado pela crítica até o momento.
Resta saber se no momento da entrega das estatuetas do Oscar, o relógio ainda estará marcando meia-noite.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Oscar Watch 2012 - Briga de cachorro grande

David Fincher; Steven Spielberg; Stephen Daldry; Roman Polanski; Martin Scorsese; Clint Eastwood; Woody Allen; Terrence Malick; Alexander Payne. É muita gente boa brigando por uma vaguinha no Oscar. Uns têm mais vantagens do que outros e ainda encaram a competição de gente sem a mesma envergadura, mas com competência de sobra como é o caso de Tomas Alfredson, Jason Reitman, George Clooney e Michel Hazanavicius.
A disputa por uma indicação ao Oscar de diretor não reunia um time tão glorioso desde 2003, quando Polanski, Daldry, Almodóvar, Rob Marshall e Scorsese subjugaram gente como Spielberg, Payne, Allen, Sam Mendes, entre outros e chegaram ao Oscar.
Neste ano, Alexander Payne, Michel Hazanavicius e Martin Scorsese aparecem na dianteira. Mas tudo ainda é muito embrionário nessa disputa que se anuncia intensa. David Fincher, certamente, dos oscarizáveis é o que mais cresceu nos últimos anos. Foram duas indicações em quatro anos. Stephen Daldry, por  sua vez, exerce fascinação na academia. Como já se sabe, o inglês foi nomeado ao Oscar por seus três filmes (Billy Elliot, As horas e O leitor). Clooney é outro queridão e responsável por um filme com o tom crítico certo que agrada aos acadêmicos; de quebra capricha na direção de atores, sempre um atrativo.

Quem preencherá as cotas da acadêmia em 2011? O Woody Allen original ou o Woody Allen do novo milênio na figura de Alexander Payne? Será Michel Hazanavicius o "europeu charmoso" da temporada? E as vagas dos consagrados serão mesmo ocupadas por Steven Spielberg e Martin Scorsese? A conferir.


Terrence Malick pode ser a forma da academia homenagear um dos filmes que mais suscitaram paixões e admirações em 2011, mas que não se adequa exatamente ao perfil do Oscar. Clint Eastwood, sempre um clássico, pode ser uma aposta segura e indicá-lo nunca seria um ato questionável. Jason Reitman é o jovem talento promissor, mas será difícil prosperar com tantos tubarões navegando na mesma direção que ele. Tomas Alfredson é o europeu que traz um filme charmoso e sofisticado. Mas Michel Hazanavicius entra na mesma “categoria” e ainda tem Harvey Weinstein como a “líder de torcida” dos sonhos.
Ainda tem Woody Allen que faz uma declaração de amor a arte que conjuga sofisticação e popular em um mesmo frame no aclamado Meia noite em Paris. E o que dizer de Alexander Payne, que só dirige o que escreve e só escreve coisa boa? É ele a aposta da vez?   
A disputa se anuncia feroz, ainda mais por todos esses componentes “extra-campo” que tornam a corrida ainda mais peculiar. Certo é que até o anúncio das indicações ao Oscar, muitos desses concorrentes já terão ficado pelo caminho.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011: TOP 10 - Quem foi destaque no ano

10 – Justin Timberlake

Foi um ano agitado para Justin. 2011 começou com boatos sobre uma possível indicação ao Oscar por sua elogiada atuação em A rede social e terminou com Justin protagonizando três filmes e mais do que viável como movie star. O ator mostrou desembaraço e espírito esportivo ao fazer um tipo panaca em Professora sem classe, em que contracenou com a ex-namorada Cameron Diaz; timing cômico e pose de galã no divertido Amizade colorida e provou cacoetes de action star no movimentado O preço do amanhã.


9 – Natalie Portman

Um Oscar, um bebê e mais cinco filmes na praça. Ninguém pode dizer que Natalie Portman não teve um ano cheio de memórias. É sua estarrecedora performance como a bailarina em colapso de Cisne negro, porém, que emerge na memória dos cinéfilos de todo o mundo.


8- Chris Evans

Mais do que qualquer coisa, Chris Evans mostrou versatilidade em 2011. Além de demonstrar carisma de sobra na pele de Steve Rogers, o herói de Capitão América: o primeiro vingador, Evans esteve em uma comédia romântica bacaninha (Qual seu número?) e em um drama independente elogiado em Sundance (Puncture). A cotação de Evans subiu, e muito, em Hollywood nessa temporada.


7- Charlie Sheen

Pense em alguém que não fez nada de produtivo no ano e mesmo assim se revelou um furacão midiático. Charlie Sheen é o nome que você está procurando. Depois de uma rescisão escandalosa com o programa que lhe conferiu um salário milionário (Two and a half men), Sheen fez uma meia dúzia de aparições e tweetou para anunciantes por U$ 100 mil cada tweet. Ele continua sendo o modelo de politicamente incorreto mais devasso que existe. Foi sua antiga série que mudou de rumo.


6 – Selton Mello

O representante brasileiro da lista está construindo uma persona como diretor talvez ainda mais interessante do que sua contraparte como ator. E O palhaço, sucesso comercial até certo ponto improvável, é um elemento fundamental nessa equação. O segundo longa metragem de Selton como diretor lhe valeu uma porção de prêmios e um novo fôlego como artista de cinema.


5 – Jessica Chastain

Pouca gente ainda conhece essa californiana de cabelos ruivos e rosto suave. Mas essa condição está prestes a mudar e 2011 será lembrado como o marco zero. Neste ano que se encerra, Jessica lançou oito longas-metragens. Pelo menos três deles fomentam boatos de indicações a prêmios. Ela foi a musa de Al Pacino em Wilde Salomé, filme que estreou no festival de Veneza; a mulher de Brad Pitt em A árvore da vida e uma das mulheres da grande sensação do cinema americano no ano, Histórias cruzadas. Além do mais, estrelou os comentados O abrigo, Coriolanus e Em busca de um assassino.


4 – Michael Fassbender

O começo de 2012, mais especificamente a temporada de premiações, deverá conferir um novo status a Michael Fassbender em Hollywood. O ator que roubou de Ian McKellen o status de verdadeiro intérprete de Magneto na saga dos X-men no cinema, também foi Carl Jung e um viciado em sexo um tanto mais anônimo do que o rival de Freud nos cinemas neste ano. Fassbender, na sua sutil mistura de virilidade e talento, explodiu em 2011.


3 – Woody Allen

O ativo cineasta americano de 76 anos conseguiu fazer as pazes com a crítica em 2011. Meia noite em Paris, seu sexto filme rodado na Europa, foi consagrado pela crítica americana e se garantiu como a maior bilheteria da carreira do cineasta nos EUA. Por onde passou, a fábula romântica de Allen fez bonito; inclusive no Brasil em que levou multidões aos cinemas se sagrando como a fita com melhor média de público por sala no ano. Meia noite em Paris foi a única fita que teve o circuito expandido no país após duas semanas em cartaz. Um sabor de nostalgia ao gosto do próprio filme. E o melhor de tudo é o buzz que o filme suscita para o Oscar.


2- Pedro Almodóvar

Outro cineasta que se destacou em 2011 foi Pedro Almodóvar. O espanhol precisou ser convencido pela direção do festival de Cannes a incluir o seu A pele que habito no line up competitivo do evento, de onde saiu sem um prêmio sequer. Contudo, a crítica internacional, se não foi unânime em relação ao filme, viu com bons olhos o desafio que Almodóvar se auto-impôs: uma nova proposta narrativa em que pudesse costurar temas caros a sua cinematografia àqueles constantes no gênero de horror.
O resultado foi uma inquietação artística de pleno fervor e dividendos ainda desconhecidos.


1 – Ryan Gosling




O que dizer do cara que motivou um grupo bastante plural a protestar em frente ao prédio da revista People por não tê-lo escolhido como o homem mais sexy do mundo em 2011? Que ele merece o topo dessa lista. Para começar! Ryan Gosling viveu um 2011 especial. Teve seu “Robert De Niro moment” no já cult Drive, que deve estrear em janeiro no Brasil, foi elogiadíssimo por sua atuação – que pode render indicação ao Oscar – em Tudo pelo poder e abusou do direito de ser sexy em Amor a toda prova. Ainda discutiu a relação com Michelle Williams no intenso Namorados para sempre, fita de 2010 exibida este ano nos cinemas brasileiros.