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terça-feira, 6 de agosto de 2013

TOP 10 - Os dez maiores (e melhores) diretores "faz tudo" do cinema contemporâneo

A ideia desse Top 10 é honrar diretores de cinema que ao longo dos anos têm demonstrado talento e versatilidade a frente de projetos distintos e que revelam uma gama multifacetada de interesses. Muitos desses diretores são louvados em seu meio enquanto outros são menos conhecidos, mas igualmente qualificados. Alguns apresentam maior atividade em um gênero cinematográfico, mas aparecem em outros gêneros vez ou outra; alguns se exercitam em superproduções e no cinema independente; outros favorecem experiências estéticas diferentes em cada projeto ou alternância de linguagem. Enfim, todos fazem por merecer seu lugar nesse ranking.




10 – Bill Condon
Aos 57 anos, o diretor americano, que também é roteirista, prova a cada novo trabalho uma versatilidade sempre surpreendente. Desde Deuses e monstros (1998), excelente filme sobre os últimos dias do diretor de Frankenstein e o desejo que ele nutre por seu jardineiro, que Condon chama a atenção. Antes disso, porém, já havia rodado a perola B Candyman 2 - a vingança. Na sequência rodou o excepcional e ousado Kinsey -  vamos falar de sexo (2006), sobre o pesquisador que foi pioneiro nos estudos sobre sexualidade humana. Dois anos depois, rodou o musical Dreamgirls – em busca de um sonho, estrelado por Eddie Murphy e Beyoncé sobre alguns dos nomes mais expressivos da música negra americana do século XX.  A guinada radical se deu com a direção dos dois últimos filmes da saga Crepúsculo. Agora, em 2013, Condon se prepara para lançar a cinebiografia com jeitão de espionagem do australiano Julian Assange, The fifth estate.

9 – Ron Howard
Ele até, talvez, merecesse uma posição melhor. Howard faz comédia, drama, aventura, fantasia e ação. Mas a irregularidade de alguns projetos força sua nona posição no ranking, apesar da longevidade de seus trabalhos. Desde Splash- uma sereia em minha vida (1984), Howard tem provado versatilidade ímpar alternando filmes como Willow – na terra da magia (1988), Um sonho distante  (1992), O jornal (1994), Apollo 13 – do desastre ao triunfo (1995), O preço de um resgate (1997), O grinch (2000), Uma mente brilhante (2001), Desaparecidas (2003), O código Da Vinci (2006), Frost/Nixon (2008), O dilema (2011) e o inédito Rush – no limite da emoção (2013). Ufa!

8 – Robert Zemeckis
Outro que já fez de tudo! Comédia. Ficção científica. Comédia de ficção científica. Animação. Policial. Drama… Zemeckis é seguramente um dos diretores mais importantes da história do cinema e sua contribuição vai além da trilogia De volta para o futuro e de filmes revolucionários como O expresso polar e A lenda de Beowulf. Ele esteve a frente de filmes tão diversos como Tudo por uma esmeralda (1984), Uma cilada para Roger Rabbit (1988),  A morte lhe cai bem (1992), Forrest Gump – o contador de histórias (1994), Contato (1997), Revelação (2000) e o recente O voo (2012).
  
7 – Mike Nichols
Outro diretor cuja longevidade no cinema lhe permitiu muitas experimentações. Da crônica política à sátira, passando pela comédia de teor sexual ao drama mais profundo com raiz teatral. Nichols caracterizou-se pela excelente direção de atores nos mais variados gêneros. São deles os brilhantes Quem tem medo de Virginia Woolf? (1966), A primeira noite de um homem (1968), Ânsia de amar (1971),  A difícil arte de amar (1986), Uma secretária de futuro (1988), Lobo (1994), A gaiola das loucas (1995), Segredos do poder (1998), Closer – perto demais (2004) e Jogos do poder (2007).

6 – Curtis Hanson
Outro diretor que trafega com desenvoltura por gêneros diversos. Do drama biográfico com jeito de musical alternativo (8 mile – rua das ilusões) ao modernoso thriller financeiro (Grande demais para quebrar), passando por filmes tão diferentes e cheios de qualidades como A mão que balança o berço (1992), O rio selvagem (1994), Los Angeles – cidade proibida (1997), Garotos incríveis (2000), Em seu lugar (2005) e Bem vindo ao jogo (2007).

5 – Taylor Hackford
Esse é um verdadeiro mestre da versatilidade. Não à toa, ocupa com desenvoltura a presidência do sindicato dos diretores em Hollywood. Desde os anos 70, Hackford tem transitado por gêneros e orçamentos variados. Seu mais recente filme, o B por excelência e nostalgia Parker (2013) não guarda nenhuma semelhança com, por exemplo, o ótimo thriller romântico Paixões violentas (1984) – um dos pontos altos da década de 80. Narrativas com ritmo e tempos diferentes são sua especialidade. Um artesão de marca maior responsável por filmes tão díspares como O sol da meia-noite (1985), Advogado do Diabo (1997), Prova de vida (2000) e Ray (2004).

4 – Ridley Scott
Não dá para discutir com a proeminência da carreira de Ridley Scott. Uma carreira sólida na ficção científica com ótimos exemplares de comédia, ação e drama. Sem contar filmes épicos e de guerra que estão entre os mais significativos da história do cinema. Uma rápida pincelada na filmografia de Scott e temos filmes como Blade runner – o caçador de androides (1982), A lenda (1985), Chuva negra (1989), Tormenta (1996), Gladiador (2000), Hannibal (2001), Falcão negro em perigo (2001), Os vigaristas (2003), Um bom ano (2006) e O gangster (2007).

3- Steven Soderbergh
Ele não poderia ficar de fora do pódio. Prolífico e versátil, Soderbergh alterna grandes orçamentos com produções independentes, além de experimentar linguagens renovadas com certa frequência. De Sexo, mentiras e videotape (1989) a Terapia de risco (2013), chamou a atenção com projetos tão diversos como Irresistível paixão (1998), Traffic – ninguém sai ileso (2000), Onze homens e um segredo (2001), Solaris (2002), Bubble (2005), O segredo de Berlim (2006), Che: o argentino (2008), O desinformante (2009), A toda prova (2011) e Magic Mike (2012).

2- James Mangold
Ele só não está no topo desse ranking porque uma figura chamada Steven Spielberg, patrimônio do cinema, reclamou a primeira posição. Com justiça, diga-se. Nenhum diretor com um filmografia relativamente tão curta caminhou por caminhos tão largos assumindo projetos tão distintos e desafiadores como Mangold. De comédias românticas a biografias de lendas da música, passando por adaptações de HQs e westerns. Mangold é um diretor de cinema em toda a sua abrangência. São deles os filmes Cop land (1997), Garota interrompida (1999), Kate & Leopold (2001), Identidade (2003), Johnny & June (2005), Os indomáveis (2007), Encontro explosivo (2010) e Wolverine: imortal (2013).

1 – Steven Spielberg

Precisa explicar? Vamos lá! O homem que inventou o conceito de blockbuster e fez o filme de aventura que o American Film Institute considera o mais completo e referencial (este filme é Os caçadores da arca perdida, caso você esteja se perguntando) já fez dramas das mais variadas procedências, filmes pequenos, filmes grandes, algumas das ficções mais celebradas da história, comédias, aventuras, filmes de guerra e até drama político. Spielberg tem seus cacoetes, até certo ponto indissociáveis de sua persona, mas parece pacífico que é capaz de rodar o filme que quiser e da maneira que quiser. Alguns pontos altos: Tubarão (1975), E.T (1982), A cor púrpura (1985), Jurassic Park – o parque dos dinossauros (1993), A lista de Schindler (1993), O resgate do soldado Ryan (1998), Minority report – a nova lei (2002), Prenda-me se for capaz (2002), O terminal (2004), Munique (2005), Lincoln (2012).

domingo, 16 de junho de 2013

Insight - A implosão do cinema e o que isso significa


Uma declaração de Steven Spielberg na última quarta-feira (12) durante um painel do qual participou em uma universidade californiana, assombrou o mundo do entretenimento e colocou indústria e imprensa cultural em alerta. Spielberg, no que foi acompanhado por seu amigo e também palestrante naquele dia, George Lucas, disse que o cinema como conhecemos hoje está à beira de uma implosão.
Mas o que quis dizer Spielberg? O maior Midas de Hollywood e o grande responsável, ao lado de Lucas, pelo surgimento do conceito de filme blockbuster, ou arrasa-quarteirão em nossa tradução mais eficiente, engrossa as fileiras daqueles que enxergam nas novas plataformas de lançamento (em especial na internet) uma ameaça real à forma como consumimos cinema na atualidade. Mas Spielberg não credita à profusão de alternativas (TV a cabo, streaming e lançamentos on demand) o ocaso do cinema, mas sim à prática cada vez mais turva dos grandes estúdios de se ensimesmarem nos grandes lançamentos com orçamentos de U$ 200 milhões e marketing que beiram outros U$ 200 milhões. Para Spielberg, trata-se de uma lógica insana que irá conduzir a uma indesviável saturação. O diretor acredita que estamos nos aproximando do fim dessa era das megaproduções. Essa percepção vir de Spielberg e Lucas é demasiado simbólica.
Lucas e Spielberg percebem a excelente fase pela qual atravessa a TV americana como um sintoma preliminar dessa implosão. Para eles, tudo de mais criativo e original não será lançado no cinema e sim nessas plataformas alternativas. Seja na internet, na TV à cabo ou mesmo por conteúdo on demand. Os cinemas, nessa conjuntura, se aproximariam da Broadway em matéria de cardápio. Se sofisticariam, ficariam mais restritos (tanto em termos de acesso como de quantidade) e exibiriam durante meses poucos filmes altamente antecipados.
Se essa visão de Spielberg, compartilhada por Lucas, abre uma janela de muitas e potencialmente positivas possibilidades, encerra uma visão romântica do cinema como principal polo da sétima arte. Não estaríamos ferindo de morte um conceito de arte? Banalizando um ritual centenário e revigorante como o ato de ir ao cinema? São inquietações que devem se avolumar nos próximos anos.
Como prova desse status, Spielberg pontuou que seu mais recente filme, o oscarizado e festejado em círculos da crítica Lincoln, por pouco não foi lançado na HBO. A fala revela outra questão oculta nesse presságio. O Oscar se transformaria a tal ponto que incorreria no risco de tornar-se obsoleto.
No fundo, Spielberg e Lucas atentam para a mesura do sucesso. Estúdios de cinema se perderam de algumas das diretrizes que norteiam essa medição, enquanto que canais de tv e distribuidoras de conteúdo como a Netflix, que rapidamente se consolida, também, como produtora de conteúdo, não.
Como tudo na vida, há os aspectos positivos e negativos. Mas uma transformação dessa magnitude, principalmente para os mais românticos, preponderaria na angústia de ver partir um tempo de mágica e fascinação que não mais voltaria.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Oscar Watch 2013 - A peleja dos diretores

Da esquerda para a direita: David O. Russell (O lado bom da vida); Steven Spielberg (Lincoln); Benh Zeitlin (Indomável sonhadora); Michael Haneke (Amor); Ang Lee (As aventuras de Pi)



(Des)spielbergizado

Há cineastas que são grifes e há Steven Spielberg. Um filme com sua chancela ou dirigido por ele pode ser reconhecido à milhas de distância. Lincoln, no entanto, exige um olhar mais atento. Muitas das idiossincrasias do cinema spielberguiano não estão em seu filme mais adulto. Ele pode ganhar o Oscar por sua contenção e comedimento em ser o Spielberg que todos conhecemos. Não deixa de ser inusitado.

Prós:
- É o diretor mais Hollywoodiano entre os indicados
- Em um ano sem um favorito declarado na categoria, o peso de seu nome pode prevalecer
- É certo que merece ser elevado à grandeza dos diretores vencedores de três Oscars
- Defende um trabalho pouco intervencionista, mas como um escultor de bom texto e atuações. A academia costuma premiar esse perfil de direção

Contras:
- Já tem um Oscar e o último diretor a ganhar o Oscar já tendo sido vitorioso previamente foi Clint Eastwood em 2005
- É certo que merece ser elevado à grandeza dos diretores vencedores de três Oscars, mas muitos podem pensar que este ainda não é o momento
- Muitos votantes podem entender que os grandes méritos de Lincoln são o texto de Tony Kushner e a atuação de Daniel Day Lewis
- Está longe de ser o melhor trabalho de direção de Spielberg dentre os que ele foi nomeado ao Oscar
- O fato de seu filme ter perdido força na temporada de premiações

Décima quinta indicação
Indicações anteriores
Diretor por Contatos imediatos do terceiro grau (1978)
Diretor por Os caçadores da arca perdida (1982)
Diretor por E.T – o extraterrestre (1983)
Produtor por E.T – o extraterrestre (1983)
Produtor por A cor púrpura (1986)
Diretor por A lista de Schindler (1994)
Produtor por A lista de Schindler (1994)
Diretor por O resgate do soldado Ryan (1999)
Produtor por O resgate do Soldado Ryan (1999)
Diretor por Munique (2006)
Produtor por Munique (2006)
Produtor por Cartas de Iwo jima (2007)
Produtor por Cavalo de guerra (2012)
Produtor por Lincoln (2013)

Vitórias anteriores:
Diretor por A lista de Schindler (1994)
Produtor por A lista de Schindler (1994)
Diretor por O resgate do soldado Ryan (1999)

Entre o espetacular e o sensível

Ang Lee é daqueles cineastas que a cada novo trabalho nos surpreende de maneira efusiva. Capaz de destrinchar narrativas épicas ou intimistas faz maravilhas com o material tido como infilmável do livro de Yann Martel. Seu trabalho em As aventuras de Pi, exuberante visualmente e profundo em termos de discurso, é dos mais encantadores do ano.

Prós:
- É o melhor uso do 3D no ano
- Lee alia exuberância técnica a esmero narrativo no desenvolvimento do plot, uma qualidade que não pode ser desprezada
- Assim como Spielberg é o único dos indicados ao Oscar que foi nomeado para o prêmio do sindicato dos diretores
- Esteve em todas as listas de melhores diretores do ano
-Seu filme tem forte apelo emocional
- É um diretor que reúne muitos admiradores
- Fora Affleck e Bigelow, que não estão indicados, é o único que ganhou prêmios da crítica na temporada

Contras:
- Já tem um Oscar e conquistado em sua última indicação
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- A impressão de que seu filme mereça mais distinção por seu apuro técnico do que por suas qualidades narrativas pode lhe roubar votos importantes nesta categoria
- Até hoje nenhum diretor ganhou o Oscar por um filme rodado em 3D

Quinta indicação
Indicações anteriores
Produtor por O tigre e o dragão (2001)
Diretor por O tigre e o dragão (2001)
Direção por O segredo de Brokeback mountain (2006)
Produtor por As aventuras de Pi (2013)

Vitória anterior
Diretor por O segredo de Brokeback mountain (2006)

Crescendo e aparecendo

Desde que despontou na cena independente do cinema americano dos anos 90, David O. Russell chamou atenção. Diretor de técnica invejável, com um bom olhar para personagens disfuncionais e com talento para escrever roteiros também, Russell esbarrava em seu gênio difícil. São célebres seus desentendimentos com figuras da estampa de George Clooney. De uns tempos para cá, no entanto, Russell parece ter posto a casa em ordem. Seu cinema nunca esteve em melhor forma. Alcança sua segunda indicação ao Oscar, e por trabalho consecutivo, pela direção minimalista, mas crucial, em O lado bom da vida – um filme moderno e inteligente como poucos deste novo século.

Prós:
- É notável diretor de atores e isso pode lhe valer votos do brunch dos atores, o maior da Academia
- Está em alta junto ao acadêmicos que preferiram nomeá-lo ao indicar uma segunda vez o vencedor do Oscar no ano em que concorreu, o inglês Tom Hooper que estava no páreo com Os miseráveis
- Dirige o filme que conseguiu emplacar nomeações no chamado big five (filme, direção, roteiro, ator e atriz). O último a conquistar isso foi Menina de ouro em 2005 e Clint Eastwood venceu como diretor naquele ano
- Dirige um filme independente e nos últimos seis anos o diretor vencedor do Oscar dirigia um filme independente. Lee e Spielberg dirigem produções de estúdio
- Apareceu em algumas listas de melhores do ano como no Critic´s Choice Awards
- A história de que dirigiu o filme como uma forma de se comunicar com seu filho, também bipolar, pode conquistar alguns votos decisivos

Contras:
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada
- Não estava na lista do sindicato dos diretores
- Diretores de comédias não costumam prevalecer nesta categoria

Segunda indicação:
Indicação anterior:
Diretor por O vencedor (2011)

Gênio do cinema

É muito justo que Michael Haneke, em 2013, seja o cara do Oscar. Há muito tempo ele já se inscreveu como um dos mais importantes e significativos cineastas de nosso tempo. Com Amor, ele concorre em quatro categorias no Oscar (direção, roteiro original, produção estrangeira e produção do ano). Não é pouca coisa. Pelo menos um Oscar ele leva para casa.

Prós:
- É uma direção calculista e inteligente na manipulação dos sentimentos e do espaço físico
- O irresistível apelo de reconhecer um diretor cult com um prêmio da indústria do cinema
- O fato de dirigir um filme duro, triste, mas de apelo universal pode lhe valer votos indecisos

Contras:
- Diferentemente de Lee, é um estrangeiro que dirige um filme falando em língua estrangeira
- O fato de diretores estrangeiros terem vencido nos últimos dois anos
-A pecha de que a indicação já é suficiente

Primeira indicação

A adorável surpresa

Ninguém, absolutamente ninguém esperava por Benh Zeitlin entre os indicados a melhor diretor no Oscar. Nem o próprio Zeitlin. Mas se ponderações forem feitas sobre os concorrentes do ano e sobre o trabalho de Zeitlin em Indomável sonhadora, ficará bem óbvio que a nomeação deste americano de apenas 30 anos é mais do que justa.

Prós:
- Já foi elemento surpresa uma vez e pode ser novamente
- Seu filme tem encantado plateias e sua contribuição para isso é perceptível
- É um filme em que se percebe a mão do diretor até mesmo no trabalho dos atores (semiamadores)
- Pode se beneficiar de alguns votos de protesto de acadêmicos insatisfeitos com a configuração final da categoria no Oscar

Contras:
- Trata-se de um filme de estreia e um filme independente de estreia. Será que Hollywood se renderia incondicionalmente assim?
- A pecha de que a indicação já é suficiente
- Ser muito jovem também pode pesar contra suas chances de vitória

Primeira indicação

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Crítica - Lincoln


Seriedade e robustez

É ousada a proposta de Steven Spielberg em Lincoln (EUA 2012). Visto superficialmente, pode não parecer, mas Lincoln é um tratado lúcido e altivo do que muitos consideram uma arte e tantos outros uma ciência: a política em todas as suas reminiscências. Seja aquela ampla, saliente, de palanque ou aquela mais obscurantista, de bastidores, de limiar ético. Lincoln é, também, um perfil vultoso de uma das figuras mais emblemáticas da história americana e, por consequência, da história mundial.
Steven Spielberg realiza seu filme mais acadêmico no sentido da contenção, da destreza técnica e da articulação sóbria das ideias fomentadas por um roteiro não menos do que brilhante do dramaturgo Tony Kushner, que já havia escrito o texto de Munique para o cineasta. Lincoln, no entanto, não é o melhor filme “adulto” de Spielberg, seara a qual pertencem produções como O resgate do soldado Ryan, A cor púrpura, O terminal, Prenda-me se for capaz, entre outros. Em parte pela opção de Spielberg por abster-se de trabalhar com a emoção que tanto lhe apraz e favorecer um estudo minucioso de engrenagens políticas que começaram a se estabelecer naquele momento histórico. É uma opção corajosa que ilumina Lincoln enquanto peça analítica, mas o restringe enquanto experiência cinematográfica multifacetada.
A trama, como se sabe, acompanha os esforços do presidente Abraham Lincoln para aprovar na Câmara dos Representantes (o equivalente a nossa Câmera dos Deputados) a 13ª emenda que abolia a escravidão em todo os EUA. O filme observa o incrível engenho político de Lincoln para trazer à vida a História. Spielberg não teme a palavra e faz com que ela rompa a era das sombras que se testemunha naquele período de guerra. Em seu filme mais falado, o diretor deixa o roteiro de Kushner falar por si à medida que desaglutina manobras políticas, atos de coragem e estratégias de improviso sempre sob judice da palavra.

Palavra e sombras: Lincoln é um perfil de um dos presidentes mais importantes da história dos EUA

O arrojo estrutural de Spielberg, viabilizado em sua contenção como diretor, não teria o efeito que tem se não fosse por Daniel Day Lewis. Tamanha a força da interpretação do ator como Lincoln que se crê que está Lincoln entre atores. Essa sensação se dá com Lincoln banhado por um elenco afiado e nitidamente inspirado. Day Lewis é tão robusto e perene em cena que reclama para si a memória de Lincoln. Não é um feito desprezível. Não à toa varre a categoria de melhor ator do ano na temporada de premiações.
O que mais fascina em Lincoln, no entanto, é que não há ambição de se patentear como registro histórico ou explicar o homem por trás do mito. Trabalha-se com o mito para falar de política e também humanidade. É uma inversão de lógica bem vinda. Sob essa perspectiva, é satisfatória a opção consciente de Spielberg de não fazer aqui seu melhor filme, mas aquele que melhor exprime sua visão de mundo como homem e cineasta. Lincoln, antes de ser cinema, é um perfil de um Lincoln, o político habilidoso e atormentado, por Steven Spielberg.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Filme em destaque - Lincoln


O filme certo sobre o personagem perfeito

Steven Spielberg faz um perfil do presidente americano mais celebrado de todos os tempos no filme recordista de indicações ao Oscar 2013 e que pode lhe valer o terceiro Oscar de direção


“Tenho loucura por biografias. É o que leio em meu tempo livre”, disse o cineasta Steven Spielberg em entrevista ao UOL Cinema sobre a gênese do projeto que levaria Lincoln, campeão de indicações ao Oscar 2013, aos cinemas. Segundo Spielberg, tudo começou quando a historiadora Doris Kearns Goodwin, que colaborou com ele em Amistaad (1997) lhe informou que estava preparando uma biografia de Abraham Lincoln focada nos últimos quatro meses de vida do presidente.
Mas o caminho para a realização do filme foi árduo. A começar pela escalação do personagem título. Spielberg sempre teve em mente Daniel Day Lewis, mas Day Lewis se mostrou resistente a aceitar o papel. O roteiro teve de ser rescrito duas vezes até que o ator entrasse a bordo.  Mas é o ator, de acordo com a grande maioria das críticas, o sopro de vida do filme. ´”Daniel Day Lewis em uma minuciosa composição é mais Lincoln do que o próprio Lincoln”, escreveu elogioso o The New York Times. A revista Time deu capa para o filme e chamou Day Lewis de “o maior ator do mundo”. Spielberg conta que se emocionou quando Day Lewis retornou ao corpo de Day Lewis ao fim das gravações. “Trabalhei muito com ele, dirigi Daniel assim como faço com todos os outros atores. Mas a verdade é que ele apareceu no set como Abraham Lincoln no primeiro dia de filmagem e voltou a ser Daniel Day Lewis depois do último dia de filmagem. Fui até ele para dar parabéns e ele me respondeu com sua voz normal, com o sotaque britânico. Desatei a chorar. Foi emoção demais. Não estava preparado para reencontrar Daniel”.
Spielberg e emoção são elementos próximos, mas em Lincoln o cineasta surge contido e menos propenso à manipulação de emoções na plateia. Na crítica do portal G1, essa condição não passou despercebida. “(Lincoln) - a despeito de facilidades como a música chorosa e clichê, de certa militância – existe para contar uma história. E não apenas para santificar alguém que era, de antemão, tido por santo”.
Spielberg e Day Lewis: respeito e admiração mútua
A história em questão é essencialmente americana. Justamente por isso, a versão que circulará no mercado internacional tem cenas adicionais. Spielberg justifica sua opção pelo fato de que não pode exigir do exterior o mesmo conhecimento da história dos EUA que os americanos devem ostentar. Essa decisão vem de outra proposta de Spielberg. “Eu não queria começar o filme com um longo prólogo ao estilo de Star wars. Queria que todas as informações viessem da própria narrativa”.
Lincoln deixa de fora momentos decisivos da jornada do 16º presidente americano e se concentra nas negociações que deram vida a emenda que aboliu a escravidão nos EUA. Foi justamente essa opção por um recorte mais humano do estadista, sem se desvencilhar de sua expertise política, que garantiu Daniel Day Lewis na produção.
Indicado a 12 Oscars e com grandes chances de render as terceiras estatuetas de ator, a Day Lewis, e de diretor, a Spielberg, Lincoln, nas palavras do homem louco por biografias, não é um filme para engrandecer a figura de um dos mais importantes presidentes dos EUA. “Ele está na nota de U$ 5 e na moeda de um centavo. Não precisamos de mais monumentos a Lincoln. O que precisamos é de um olhar sobre este homem, o tempo em que ele viveu, como ele viveu e como ele tomou as decisões históricas que ele tomou”.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Momento Claquete # 30

O bonitão Chris Evans desfilou simpatia em sua passagem pelo Brasil no início da semana. O ator veio prestigiar a premiere brasileira de Os vingadores, que tem estreia marcada para o dia 27 de abril e que é tema de especial em Claquete. A pré-estreia do filme foi realizada na segunda-feira (9) no shopping paulistano Cidade Jardim 

 Vale o trocadilho: Jeremy Renner, que também integra o elenco de Os vingadores, estampa a capa do semanário The Hollywood Reporter. Além de Os vingadores, Renner estrela outro grande blockbuster da temporada: O legado Bourne
Babai-vos: eis o primeiro cartaz de Django unchained, novo filme de Quentin Tarantino que tem estreia marcada para o natal nos EUA e deve chegar ao Brasil em janeiro de 2013 

Turma de 99: e por falar em cartaz, está aí um dos mais bem sacados posteres de American Pie: o reencontro, que estreia nos cinemas brasileiros em 20 de abril.   

Ela é um amor: 12 horas, primeiro filme do diretor pernambucano Heitor Dhalia em Hollywood, estreia na próxima sexta-feira (13). Na imagem o diretor dá um beijo carinhoso em sua protagonista, Amanda Seyfried, na premiere americana da fita. O diretor não poupou elogios à moça em entrevistas promocionais

E para fazer valer o nome de "Momento claquete", eis aí um flagra do cineasta sueco Ingmar Bergman em uma visita ao set de Tubarão... 

... e Steven Spielberg em uma foto que ele despreza, mas que mostra o entusiasmo do então promissor diretor que se tornaria o maior nome do mainstream hollywoodiano

domingo, 29 de janeiro de 2012

Questões cinematográficas - A importância de Steven Spielberg para um negócio chamado cinema

É preciso foco quando há predisposição em discutir Steven Spielberg e seu significado para o cinema. Contudo, ao ater-se demais a certas especificidades incorre-se no risco de não tangenciar satisfatoriamente o legado que Spielberg construiu. Isso seria um erro. A proeminência da figura de Spielberg é tão grande que desconsiderar alguns aspectos de sua trajetória poderia resultar em um comprometimento fatal de qualquer análise. Por isso a pergunta: Qual a importância de Spielberg para o cinema?
Dessa maneira, com o cinema enquanto negócio fazendo às vezes de fio condutor do raciocínio, é possível fazer justiça à figura desse artista, empreendedor e empresário que sobeja em influência.
O cinema americano via o colapso da era das estrelas no alvorecer dos anos 70. Era um momento de crise em que o sistema de estúdios estava sendo posto à prova. A concorrência com a tv nunca estivera mais melindrosa e era preciso desbravar novos rumos. Foi justamente nessa época que um grupo de cineastas americanos emergiu e redefiniu o conceito de se fazer cinema na terra do tio Sam, influenciando não só a indústria americana como toda a produção cinematográfica dali para a frente em todo o planeta. Estamos falando, é claro, de George Lucas, Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Brian de Palma e... Steven Spielberg.
Foi Tubarão (1975), apenas o segundo filme de Spielberg para o cinema, que realinhou perspectivas para a indústria e a modificou para sempre. Além de ser um baita filme, Tubarão se provou um entretenimento que só poderia ser perfeitamente apreciado nas telas de cinema. Estava criado o conceito de blockbuster. Em pensar que Spielberg, por várias vezes, quase foi ejetado do filme por produtores desesperados com as contas que não fechavam. George Lucas abalizou o conceito viabilizado por Spielberg dois anos mais tarde com o lançamento de Guerra nas estrelas (hoje, simplesmente, Star Wars).

Spielberg e, talvez, sua criação mais famosa: a década de 80 foi dele, mas os Oscars só vieram nos anos 90


Foi nessa época que a ficção científica experimentou seu momento de maior prestígio no cinemão e Spielberg, com filmes como Contatos imediatos de terceiro grau (1977) e E.T (1982) foi fundamental nesse sentido.
Depois de ser o responsável pelo salvo conduto dos estúdios de cinema, Spielberg ajudou a encorpar um outro conceito à léxica hollywoodiana: a matinê. Aqueles filmes descompromissados e formatados para toda a família.  Encaixam-se nesse perfil os filmes da série Indiana Jones que dirigiu ao longo da década de 80 (e retomou no final da década passada) e filmes que produziu como a trilogia De volta para o futuro, Os goonies, Gremlins e Fievel-um conto americano. É impossível discordar que os anos 80 foram a era de Spielberg. Ele moldou um tipo de cinema que, ainda hoje, alimenta a industria.
Foi no final desta década que Spielberg quis mostrar que também era um diretor sério. A cor púrpura foi um filme que recebeu duras críticas em uma sociedade ainda muito segmentada racialmente. As críticas condenavam o fato de um diretor branco e judeu contar uma história sobre racismo no início do século. Mas A cor púrpura mostrava um cineasta com talentos até então ocultos. Os talentos, no entanto, foram sendo revelados no curso da década de 90. Vieram os esperados Oscars e mais algumas curvas revolucionárias, a maior bilheteria da carreira (Jurassic Park: o parque dos dinossauros) e a consolidação da grife Spielberg. No final da década, Spielberg se juntou ao amigo e executivo Jeffrey Katzenberg para fundar o estúdio DreamWorks. A nova empresa rapidamente se firmou como uma das gigantes de Hollywood com vitórias no Oscar (Beleza americana, Gladiador, Uma mente brilhante) e grandes sucessos de bilheteria (a série Shrek, a série Transformers, entre outros).  

Nos sets de Transformers conversando com o diretor Michael Bay: um produtor ainda mais eficiente do que se poderia imaginar 


Nesse contexto, é possível vislumbrar que Hollywood, enquanto indústria, deve muito a Spielberg. Não se discute o valor artístico de seus filmes ou mesmo os efeitos do tempo sobre eles. A qualidade de seu trabalho como homem de cinema excede avaliações rasteiras e mal direcionadas. Spielberg, em uma conjuntura tão ampla quanto seus feitos, pode ser considerado o mais importante diretor da história do cinema. Senhor de uma boa narrativa, entusiasta e patrocinador dos avanços tecnológicos, mentor intelectual de novos talentos e empreendedor ousado, Spielberg merece a alcunha de mestre. Sua história, no final das contas, se confunde com a evolução da sétima arte.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Claquete repercute - Jurassic park: O parque dos dinossauros


Steven Spielberg já era uma espécie de Midas do cinema quando Jurassic Park – O parque dos dinossauros (Jurassic Park, EUA 1993) estreou no meio do ano de 1993. Mas ainda não era o colosso que é hoje. Primeiro pelo fato de que, apesar de já ostentar cinco indicações para o Oscar (três como diretor) e sucessos irrevogáveis como E.T – o extraterrestre, Tubarão e a trilogia Indiana Jones, Spielberg ainda não tinha no currículo um filme do porte de Parque dos dinossauros. Esse, diferentemente da trilogia Indiana Jones, foi criação só sua. O filme, que quase beijou o bilhão de dólares na bilheteria mundial (feito inimaginável naquela época pré-Avatar), revolucionou o cinema contemporâneo e é difícil imaginar os efeitos especiais que derrubaram queixos em Matrix e O senhor dos anéis sem os dinos de Steven Spielberg.
Foi um ano pródigo para o diretor. Em um contexto histórico é possível dizer que foi quando provou sua maioridade artística. Realizou um epíteto do entretenimento que ajudou a criar (o blockbuster hollywoodiano) na figura de Parque dos dinossauros e alcançou a glória (e o ambicionado Oscar) com o drama sobre o nazismo A lista de Schindler. Foi o segundo ano que Spielberg lançou dois filmes na mesma temporada. Em 2011 ele fez o mesmo pela quarta vez. Cavalo de guerra e As aventuras de Tintim, em suas idiossincrasias, se comunicam fortemente com aqueles dois filmes lançados em 1994.
Parque dos dinossauros, como patente na filmografia de Spielberg, apresenta uma família fissurada. Ainda que seja uma família postiça. Os remendos se dão pelas experiências catárticas que marcaram para sempre o filme vencedor de três Oscars (efeitos visuais, som e edição de som).
Dinossauros clonados, cientistas gananciosos, cientistas brilhantes e crianças indefesas. Todos esses elementos convergem em um filme que conjuga pura emoção, adrenalina e maravilhamento. Acreditamos que aqueles dinossauros reviveram e a magia do cinema nunca havia sido tão viva até aquele momento. Talvez por isso, Parque dos dinossauros seja rememorado com tanto carinho por todos aqueles que apreciam o cinema.
Mas a fita, que popularizou os talentos de Jeff Goldblum, Sam Neill, Laura Dern e de um quase desconhecido Samuel L.Jackson, é também uma demonstração valorosa do talento que Spielberg detém para orquestrar, não só grandes espetáculos, mas grandes narrativas.

Spielberg feelings: Parque dos dinossauros ajudou a sacramentar a grife Spielberg


Até a chegada de gente como Christopher Nolan e Peter Jackson, não havia outro integrante de Hollywood capaz de produzir espetáculos tão vistosos e tão coesos em termos narrativos. Parque dos dinossauros, em uma dimensão mais arrojada do que Tubarão e a trilogia Indiana Jones, demonstrou isso.
Spielberg revisitou esse universo que tão lindamente criou em 1997, mas a continuação foi pouco feliz. Com ecos de King Kong, o diretor levou um T-Rex para San Diego e a magia se perdeu diante da megalomania. O terceiro filme, ao qual Spielberg apenas produziu, devolveu a franquia à sua perspectiva.
De qualquer maneira, o impacto daquele filme lançado nas férias de 1993 permanece inalterado. Nem Gollum, nem Ceasar, nem os Na´vi conseguiram despertar algo semelhante. O Parque dos dinossauros, inegavelmente, ajudou a transformar Steven Spielberg na lenda que é.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Crítica - Cavalo de guerra

Um clássico americano!

Steven Spielberg volta à boa forma com Cavalo de guerra (War horse, EUA 2011). Um filme um tanto inadequado na proposta, com emoções exacerbadas e um herói típico de filmes Disney: um cavalo. Mas Cavalo de guerra também é um filme de coração puro, técnica irrefreável e carisma renovado.
A opção de fazer um filme ambientado na primeira guerra mundial é, por si só, uma ousadia. Afinal, a primeira grande guerra é a menos cinematográfica de todas. Há o Iraque, o Vietnã, a Coréia e a segunda guerra. Colocar como principal eixo narrativo a trajetória de um cavalo é flertar perigosamente com o pieguismo. É preciso ser um diretor muito consciente de seus recursos e limitações para conseguir potencializar essa história já consagrada na Broadway com a peça vencedora do Tony.
Steven Spielberg é esse diretor. E Cavalo de guerra é um filme que desde já se inscreve como um clássico americano.
As primeiras cenas do filme, com o nascimento do potro Joey e a chegada dele à fazenda dos Narracott já demonstra que Steven Spielberg, na cadência e na narrativa, objetiva realizar um clássico. A cena final, com uma fotografia que remete aos dias de glória do technicolor fecha com chave de ouro uma história tocante sobre um animal que tocou a vida de todos aqueles com os quais cruzou o caminho. É essa a beleza do filme de Spielberg. Há sim um comentário sobre as agruras da guerra. Mas ele nunca surge viciado. Com os rumos de Joey, é possível testemunhar os efeitos devastadores da guerra em diferentes personagens. Sejam os soldados americanos, sejam dois jovens alemães ou uma menina doente em um vilarejo francês. Cavalo de guerra mostra, ainda, que o conceito de guerra é cruel com todos os envolvidos (incluindo os animais) e apresenta, pelo menos, uma cena extraordinária; quando uma bandeira branca é eriçada por um soldado inglês em pleno campo de batalha para que seja possível socorrer Joey, preso em um emaranhado de arame farpado. Um soldado alemão se aproxima com um maçarico para ajudar no resgate ao equino. A cena é pungente e repleta de emoção contida. É nela, como naquela primorosa cena final de O pianista, que o filme ganha musculatura e Spielberg alcança os tons menores em um filme desenvolvido para emocionar. Provocar emoção na platéia parece ser um dos nortes do diretor em Cavalo de guerra. A épica e melosa trilha sonora assinada pelo companheiro de longa data John Williams, se encarrega de conduzir o espectador pelo maremoto de lágrimas que Spielberg pretende provocar.
Mas o que difere Cavalo de guerra de outros tantos filmes com forte veia manipulativa é a honestidade da proposta. Em nenhum momento Spielberg sugere um filme diferente. Ou disfarça suas intenções. A ideia é entregar ao público uma comovente história de superação, entrega, guerra, devoção e fé. E por mais incrível que possa parecer, não há catalisador melhor para essa tarefa do que a extraordinária jornada do cavalo Joey. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Em off

Nesta edição de Em off, as melhores atuações e o melhor diretor de 2011 pelo leitor; o fantástico mundo de Steven Spielberg; um presente de aniversário para Mel Gibson; o triunfo da Paramount em Hollywood; os “inimigos” de George Clooney no Globo de ouro e os indicados ao Producers Guild Awards (PGA).


A Spielberg o que é de Spielberg...
Janeiro de 2012 é um mês especial para quem é fã de Steven Spielberg. Estreiam nesse mês dois filmes do diretor. O primeiro deles, Cavalo de guerra, que suscita algum Oscar buzz, chega nesta sexta-feira. O outro, As aventuras de Tintim, estréia no dia 20 de janeiro. Uma overdose spielbergiana que não acontecia desde 2002, quando o cineasta lançou Prenda-me se for capaz e Minority Report. Lá se vão dez anos. Mas na excelente entrevista que a revista Entertainment Weekly fez com o diretor na sua derradeira edição de 2011 o escopo é muito maior. A ideia do bate papo, agradabilíssimo para quem lê, é rememorar a obra de Spielberg sob a perspectiva do próprio. “Os filmes que modelaram nossas vidas”, enuncia a chamada de capa.
Na entrevista, Spielberg discorre sobre a conflituada filmagem de Tubarão, os arrependimentos acerca de Contatos imediatos de terceiro grau e o descontentamento que as novas tecnologias lhe aferiram quanto aos resultados de Hook – a volta do capitão gancho.
Spielberg fala ainda sobre quando John Wayne, além de recusar um papel, o desencorajou a fazer uma sátira da guerra em 1941 por achar o roteiro “antipatriótico”, sobre a recusa de Harrison Ford em fazer o papel imortalizado por Sam Neill em Jurassic Park e o telefonema de Billy Wilder pouco antes do início das filmagens de A lista de Schindler.
Outras curiosidades também têm vez na entrevista. O leitor de Claquete não se avexe. Spielberg será tema da próxima sessão Questões cinematográficas e essa entrevista concedida à EW será repercutida.



Ação entre amigos?
Um aspecto curioso chama a atenção nas principais disputas do Globo de ouro 2012. E não é o fato de George Clooney figurar em quase todas elas. É o fato de disputar prêmios diretamente com amigos ou pessoas com quem trabalhou. Na categoria de ator dramático, por exemplo, concorre contra Brad Pitt, notoriamente um de seus melhores amigos, Leonardo DiCaprio, amigo e produtor associado de Tudo pelo poder, e Ryan Gosling, a quem dirigiu em Tudo pelo poder. Na categoria de direção mede forças com Alexander Payne que o dirigiu em Os descendentes, pelo qual concorre como melhor ator. Na briga por melhor roteiro está novamente em oposição a Payne que também concorre como roteirista.


Os melhores pelo público
Como bem sabe o leitor, na última semana de 2011 Claquete listou os melhores filmes, diretores e atuações do ano. O blog promoveu enquetes com os nomes escolhidos nas categorias de direção, ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante para que o (e) leitor do blog aferisse os vencedores de fato.  Eleito o melhor diretor, com uma mão nas costas, foi Darren Aronofsky por seu trabalho em Cisne negro.  O cineasta obteve 66% dos votos. O segundo colocado, Pedro Almodóvar angariou 13%.
Natalie Portman, pelo mesmo filme, aplicou outro banho. Foi escolhida a melhor atriz com os mesmos 66%. Juliette Binoche, por Cópia fiel, ficou no segundo lugar com 16%.
O melhor ator escolhido pelos (e) leitores foi Ryan Gosling com 63%. James Franco, por 127 horas, foi o segundo mais bem votado. Entre os coadjuvantes, Kevin Spacey (Margin call & Quero matar meu chefe) e Christian Bale (O vencedor) travaram uma briga de foice, mas o último levou a melhor e cravou 38%. A vitória de Jennifer Aniston (Quero matar meu chefe) foi até certo ponto surpreendente. Com os mesmos 38% ela superou Amy Adams (O vencedor) com 23%.

Jennifer Aniston, que arrasou em Quero matar meu chefe, faz cara de surpresa; Christian Bale não se contentou em ganhar "só" o Oscar e faturou por aqui também; mesma situação da diva Natalie; Já Ryan Gosling agiu com covardia contra seus oponentes ao trazer três atuações magistrais para a disputa


Centenária de vigor
A Paramount Pictures, um dos mais longevos e poderosos estúdios de Hollywood, completará 100 anos de existência em 2012. E o feito deve ser comemorado. Depois de cinco anos de total domínio da Warner Brothers, com as franchises de Harry Potter e Batman, a Paramount anunciou que fechou 2011 como o estúdio mais lucrativo de Hollywood. Foram U$ 5.170 bilhões de dólares arrecadados. A façanha ganha ainda mais dimensão por ter sido realizada não só às vésperas do centenário, como no ano em que a Warner encerrou a franquia de maior sucesso da história do cinema (Harry Potter). O desafio da Paramount que entrou em 2012 com o filme mais visto no mundo (Missão impossível – protocolo fantasma) é não deixar a peteca cair justamente no ano em que completa 100 anos.


Saíram os indicados ao Producers Guild Awards
The artist, Missão madrinha de casamento, Os descendentes, A invenção de Hugo Cabret, Os homens que não amavam as mulheres, Histórias cruzadas, Meia noite em Paris,Tudo pelo poder, O homem que mudou o jogo e Cavalo de guerra são os dez concorrentes ao prêmio do sindicato dos produtores. O PGA é um confiável barômetro do Oscar, mas nos últimos anos dois ou três filmes incluídos aqui acabam de fora do Oscar. Tendência que deve ser mantida com as novas regras da academia para a categoria de melhor filme. Algumas ausências (Tão forte e tão perto, A árvore da vida, Drive Harry Potter e as relíquias da morte – parte II) clareiam a disputa e duas inclusões (Tudo pelo poder e Os homens que não amavam as mulheres) colocam mais lenha na fogueira pelas últimas vagas na categoria de melhor filme.
Mais sobre as escolhas do PGA e a influência que deve exercer na temporada nesta quarta-feira (4) no blog.


Precisando de mel
Que Mel Gibson, que completa 56 anos neste dia 3 de janeiro, não vive sua melhor fase já é sabido. Depois de perder cerca de U$ 500 milhões na finalização do divórcio de sua primeira mulher em um processo concluído pouco depois da resolução do acordo com a última mulher em que também perdeu dinheiro, pode-se dizer que Gibson não está em um lugar feliz nesse momento em que sopra velinhas. Para iluminar um pouco a aura do ator, diretor, roteirista, produtor  e polesmita, Claquete resolveu declinar – a título de presente de aniversário – as cinco melhores atuações de Gibson.

Como Martin Riggs na franquia Máquina mortífera (quatro filmes entre 1987 e 1998)
Não seria exagero dizer que Mel Gibson deu o tom para a representação de heróis de ação que não apresentem o corpanzil de um Sylvester Stallone ou Arnold Schwarzenegger da vida. Como o ensandecido Riggs, além de desenvolver ótima química com Danny Glover, Gibson provou ser capaz de acrescer relevo dramático a um frágil arquétipo hollywoodiano.

Como William Wallace em Coração Valente (1995)
Talvez este ainda seja o maior triunfo artístico de Gibson. Na pele do revolucionário escocês, o ator surpreende com uma interpretação bem calibrada e que dá o tom do épico vencedor de cinco Oscars.

Como Porter em O troco (1998)
O guilty pleasure por excelência. Mel Gibson nunca esteve mais cínico e debochado em cena. Tirando onda de sua persona no cinema como um “fora da lei do bem” nesse divertidíssimo filme do roteirista de Sobre meninos e lobos.

 Gibson em cena do filme que ainda resiste como a maior bilheteria de sua carreira como ator: ele não é mais o que as mulheres querem...


Como Nick Marshall em Do que as mulheres gostam (2000)
Gibson em estado de graça naquela que permanece como a melhor comédia sobre as diferenças entre homens e mulheres. O ator faz números musicais, convence como cafajeste e convence ainda mais como cafajeste regenerado. Atuação menosprezada à sua época.


Como Walter Black em Um novo despertar (2011)
Outra performance devastadora que deve passar ao largo das premiações. Em muito por ser Gibson a materialização de persona non grata em Hollywood. No papel de um homem mergulhado em depressão, Gibson adentra todas as camadas do personagem com sobriedade e equilíbrio, evitando a caricatura. 


Férias breves
Em virtude do especial Oscar Watch, a seção Cantinho do DVD, publicada todos os sábados, entrará de férias e retornará em março.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Oscar Watch 2012 - Briga de cachorro grande

David Fincher; Steven Spielberg; Stephen Daldry; Roman Polanski; Martin Scorsese; Clint Eastwood; Woody Allen; Terrence Malick; Alexander Payne. É muita gente boa brigando por uma vaguinha no Oscar. Uns têm mais vantagens do que outros e ainda encaram a competição de gente sem a mesma envergadura, mas com competência de sobra como é o caso de Tomas Alfredson, Jason Reitman, George Clooney e Michel Hazanavicius.
A disputa por uma indicação ao Oscar de diretor não reunia um time tão glorioso desde 2003, quando Polanski, Daldry, Almodóvar, Rob Marshall e Scorsese subjugaram gente como Spielberg, Payne, Allen, Sam Mendes, entre outros e chegaram ao Oscar.
Neste ano, Alexander Payne, Michel Hazanavicius e Martin Scorsese aparecem na dianteira. Mas tudo ainda é muito embrionário nessa disputa que se anuncia intensa. David Fincher, certamente, dos oscarizáveis é o que mais cresceu nos últimos anos. Foram duas indicações em quatro anos. Stephen Daldry, por  sua vez, exerce fascinação na academia. Como já se sabe, o inglês foi nomeado ao Oscar por seus três filmes (Billy Elliot, As horas e O leitor). Clooney é outro queridão e responsável por um filme com o tom crítico certo que agrada aos acadêmicos; de quebra capricha na direção de atores, sempre um atrativo.

Quem preencherá as cotas da acadêmia em 2011? O Woody Allen original ou o Woody Allen do novo milênio na figura de Alexander Payne? Será Michel Hazanavicius o "europeu charmoso" da temporada? E as vagas dos consagrados serão mesmo ocupadas por Steven Spielberg e Martin Scorsese? A conferir.


Terrence Malick pode ser a forma da academia homenagear um dos filmes que mais suscitaram paixões e admirações em 2011, mas que não se adequa exatamente ao perfil do Oscar. Clint Eastwood, sempre um clássico, pode ser uma aposta segura e indicá-lo nunca seria um ato questionável. Jason Reitman é o jovem talento promissor, mas será difícil prosperar com tantos tubarões navegando na mesma direção que ele. Tomas Alfredson é o europeu que traz um filme charmoso e sofisticado. Mas Michel Hazanavicius entra na mesma “categoria” e ainda tem Harvey Weinstein como a “líder de torcida” dos sonhos.
Ainda tem Woody Allen que faz uma declaração de amor a arte que conjuga sofisticação e popular em um mesmo frame no aclamado Meia noite em Paris. E o que dizer de Alexander Payne, que só dirige o que escreve e só escreve coisa boa? É ele a aposta da vez?   
A disputa se anuncia feroz, ainda mais por todos esses componentes “extra-campo” que tornam a corrida ainda mais peculiar. Certo é que até o anúncio das indicações ao Oscar, muitos desses concorrentes já terão ficado pelo caminho.

domingo, 30 de outubro de 2011

Insight

Afinal, Indiana Jones e o reino da caveira de cristal é tão ruim quanto fazem crer seus realizadores?

Quando a nostalgia reinava...: foto tirada durante a produção do quarto filme de Indiana Jones


O mundo esperava ansioso. Harrison Ford voltaria a empunhar o chapéu e o chicote do arqueólogo mais famoso, e o único pop, do mundo. Indiana Jones, esse herói que pode ser definido como a resposta de Steven Spielberg a esnobada dos produtores de James Bond a seu desejo de dirigir um filme da série ou como o nome do cachorro de George Lucas imortalizado, inegavelmente é um dos patrimônios do cinema e da cultura do século XX.
A reação a Indiana Jones e o reino da caveira de cristal (Indiana Jones and the kingdon of the crystal skull, EUA 2008 ) foi escorregadia. A crítica saudava a nostalgia do filme e, ademais, o sucesso de bilheteria era garantido. Os cerca de U$ 800 milhões arrecadados na bilheteria inibiam uma crítica mais perversa e desautorizavam os arautos do apocalipse que insinuavam que o Indiana Jones do século XXI se tratava de um embuste. 
Não que essa percepção alarmante se verifique de fato; mas é curioso constatar que, de tempos em tempos, os responsáveis por levar Indiana aos cinemas quase duas décadas depois de sua última incursão na tela grande (A última cruzada data de 1989) demonstram algum embaraço em relação ao filme.
O primeiro a ascender o pavio foi Shia LaBeouf, que muita gente cria ser um “substituto natural” para o Indiana Jones de Harrison Ford. Em uma cena do quarto filme, Spielberg chega a fazer uma piada com essa impressão.
LaBeouf, no início de 2010, disse que sentia ter falhado com os fãs e que se sentia responsável por O reino da caveira de cristal ser um filme inferior as expectativas. Para o ator da trilogia Transformers, o quarto Indiana Jones não foi bom. Você pode culpar o roteirista ou culpar Steven (Spielberg, diretor do filme). Mas o trabalho do ator é fazer algo vivaz, fazer funcionar, e eu não consegui isso. Então é minha culpa", disse o ator em entrevista ao jornal L.A Times.  Quase um ano depois, Harrison Ford, em uma das entrevistas promocionais de Uma manhã gloriosa, chamou LaBeouf de “idiota”. “Ele ainda tem muito que aprender em termos de Hollywood”, disse o ator. Ford se referia ao fato de que LaBeouf deveria saber quando guardar opiniões para si. Como Ford não defendeu o filme com veemência, a fala de LaBeouf reverberou ainda mais.
Fato é que, na iminência de boatos sobre o quinto filme do arqueólogo, ninguém menos do que Steven Spielberg colocou mais lenha na fogueira. Em entrevista a britânica Empire, o diretor disse que reclamações devem ser endereçadas a George Lucas. “Todo o desenvolvimento da história partiu de George”, argumentou Spielberg. Na verdade, assim como ocorre com todos os filmes evento, O reino da caveira de cristal teve várias versões. Frank Darabont escreveu o primeiro esboço, que foi realinhado por Lucas e Jeff Nathanson e finalmente finalizado por David Koepp. Spielberg atuou como supervisor durante todo o processo.

Ford, Spielberg e Lucas na premiere mundial do filme no festival de Cannes de 2008: "o melhor dos quatro", chegou a declarar George Lucas


O diretor não negou a existência de um quinto filme. Disse que Lucas está trabalhando no argumento, mas que só voltaria por uma história muito boa. A condição de retorno é um chavão hollywoodiano que todo mundo usa, mas como o quarto Indiana Jones está sob suspeita, ganha novos contornos. Estaria Spielberg decepcionado com o filme? Diferentemente de Shia LaBeouf, ele já sabe muito em termos de Hollywood, diria Harrison Ford.
Fato é que O reino da caveira de cristal é um filme menor da série. Como também o é O templo da perdição. Acontece que o saudosismo impede que se denigra um filme da trilogia original. O primeiro filme, que é base em escolas de cinema, está acima do bem e do mal. O terceiro é um fecho impecável para uma década em que o cinema se especializou em entretenimento. O quarto filme pode soar um pouco datado, mas seria implicância diminuí-lo perante um referencial tão magnânimo. 

terça-feira, 15 de março de 2011

Momento Claquete # 10

Leonardo DiCaprio e aquele cigarrinho em uma das primeiras imagens de J. Edgar, filme sobre o idealizador do FBI, que Clint Eastwood grava no momento e que será um dos principais lançamentos do outono americano

Steven Spielberg, por sua vez, tem dois lançamentos programados para 2011. Um deles é War horse, um drama de guerra centrado na figura de um cavalo. A fita estreia nos cinemas americanos em 28 de dezembro


Rooney Mara, que dá um pé na bunda do Mark Zuckerberg de Jesse Eisenberg no começo de A rede social, em foto promocional do novo filme de David Fincher, o remake americano do sueco The girl with the dragon tattoo que também estréia no final de 2011


Zack Snyder dá orientações para as meninas de Sucker Punch, amalucada e aguardada ficção científica do diretor de 300 que estréia mundialmente na próxima semana


Zoe Kravitz, filha de quem você está pensando, prestigiou a premiere americana de Jane Eyre, nova versão cinematográfica do romance da escritora inglesa Charlotte Brontë. Zoe está no elenco do aguardado X-men: primeira classe


Britney Spears demonstra flexibilidade e outras coisitas mais no sensual ensaio de capa da revista OUT! de abril. Britney lançará seu novo álbum nos próximos dias