Mostrando postagens com marcador estúdios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador estúdios. Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de julho de 2013

Insight - O circo pega fogo


Sem grande alarde, uma baita mudança com potencial de rearranjar a divisão de forças em Hollywood está em curso. A Warner Brothers, que apesar do ano fraco em matéria de lucro, há anos se consolidou como o principal estúdio de cinema da atualidade com prêmios e franquias campeãs de bilheteria mudou a direção do estúdio com uma guerra de foice vencida pelo executivo Kevin Tsujihara. Bruce Rosenblum, um dos afetados pela ascensão de Tsujihara ao posto de CEO da Warner, foi para a Legendary Pictures principal parceira de produção da Warner desde 2005 que se encontrava em meio a negociações para a renovação do contrato com o estúdio. A chegada de Rosenblum deu relevo à perspectiva de que a Legendary – estúdio que financiou filmes como Fúria de titãs (2010), O homem de aço (2013), 300 (2006), Se beber, não case! (2009) e a trilogia do cavaleiro das trevas – deveria buscar um acordo de parceria que lhe fosse mais vantajoso e que lhe proporcionasse abertura de expansão para outras mídias e plataformas.
Esse parceiro é a Universal Pictures. Há anos na lanterna dos grandes estúdios de cinema – além da Warner, Fox, Disney, Paramount, Sony e Dreamworks, - a Universal prevaleceu sobre suas concorrentes (Sony e Fox também estavam no balcão de negociações) porque compreendeu o momento que vive a Legendary e ofereceu uma parceria que fazia sentido para ambas as empresas. A Universal colocou na mesa a possibilidade da Legendary atuar na TV, as emissoras de tv NBC, USA e Bravo fazem parte da holding que controla a Universal, nos parques temáticos que a empresa detém ao redor do globo e uma porcentagem mais satisfatória em termos de remuneração pelos lucros dos filmes financiados pela Legendary.
Com todo esse charme, o acordo entre Universal e Legendary foi confirmado oficialmente na última quarta-feira (10).  

O homem de aço, que marca uma das últimas colaborações entre Warner e Legendary custou U$ 225 milhões, valor que a Warner não arcaria sozinha...

O que muda
A Warner se movimenta para buscar parcerias que viabilizem suas produções. Na ausência de fundos de private equity (atividade financeira que pressupõe investimento especialmente em empresas que ainda não são listadas na Bolsa de valores, no caso aqui o investimento se dá em filmes) com musculatura suficiente para bancar produções caras, o estúdio busca consubstanciar-se com bancos. Não há nada fechado no momento. No curto prazo, o que se pode visualizar é um abalo no poder de fogo da Warner, uma vez que os grandes carros-chefes do estúdio nos últimos anos eram produzidos em até 60% pela Legendary Pictures.
Já a Universal fez um movimento substancial para se recolocar no emergente, e ainda não completamente decifrado, cenário de produção cultural que se materializa com a era de ouro da tv, o ocaso dos blockbusters e a ascensão de plataformas alternativas de distribuição de conteúdo cultural.

Em miúdos, o estúdio que hoje é refém da franquia Velozes e furiosos precisava do boom que uma parceria como essa pode deflagrar.

domingo, 16 de junho de 2013

Insight - A implosão do cinema e o que isso significa


Uma declaração de Steven Spielberg na última quarta-feira (12) durante um painel do qual participou em uma universidade californiana, assombrou o mundo do entretenimento e colocou indústria e imprensa cultural em alerta. Spielberg, no que foi acompanhado por seu amigo e também palestrante naquele dia, George Lucas, disse que o cinema como conhecemos hoje está à beira de uma implosão.
Mas o que quis dizer Spielberg? O maior Midas de Hollywood e o grande responsável, ao lado de Lucas, pelo surgimento do conceito de filme blockbuster, ou arrasa-quarteirão em nossa tradução mais eficiente, engrossa as fileiras daqueles que enxergam nas novas plataformas de lançamento (em especial na internet) uma ameaça real à forma como consumimos cinema na atualidade. Mas Spielberg não credita à profusão de alternativas (TV a cabo, streaming e lançamentos on demand) o ocaso do cinema, mas sim à prática cada vez mais turva dos grandes estúdios de se ensimesmarem nos grandes lançamentos com orçamentos de U$ 200 milhões e marketing que beiram outros U$ 200 milhões. Para Spielberg, trata-se de uma lógica insana que irá conduzir a uma indesviável saturação. O diretor acredita que estamos nos aproximando do fim dessa era das megaproduções. Essa percepção vir de Spielberg e Lucas é demasiado simbólica.
Lucas e Spielberg percebem a excelente fase pela qual atravessa a TV americana como um sintoma preliminar dessa implosão. Para eles, tudo de mais criativo e original não será lançado no cinema e sim nessas plataformas alternativas. Seja na internet, na TV à cabo ou mesmo por conteúdo on demand. Os cinemas, nessa conjuntura, se aproximariam da Broadway em matéria de cardápio. Se sofisticariam, ficariam mais restritos (tanto em termos de acesso como de quantidade) e exibiriam durante meses poucos filmes altamente antecipados.
Se essa visão de Spielberg, compartilhada por Lucas, abre uma janela de muitas e potencialmente positivas possibilidades, encerra uma visão romântica do cinema como principal polo da sétima arte. Não estaríamos ferindo de morte um conceito de arte? Banalizando um ritual centenário e revigorante como o ato de ir ao cinema? São inquietações que devem se avolumar nos próximos anos.
Como prova desse status, Spielberg pontuou que seu mais recente filme, o oscarizado e festejado em círculos da crítica Lincoln, por pouco não foi lançado na HBO. A fala revela outra questão oculta nesse presságio. O Oscar se transformaria a tal ponto que incorreria no risco de tornar-se obsoleto.
No fundo, Spielberg e Lucas atentam para a mesura do sucesso. Estúdios de cinema se perderam de algumas das diretrizes que norteiam essa medição, enquanto que canais de tv e distribuidoras de conteúdo como a Netflix, que rapidamente se consolida, também, como produtora de conteúdo, não.
Como tudo na vida, há os aspectos positivos e negativos. Mas uma transformação dessa magnitude, principalmente para os mais românticos, preponderaria na angústia de ver partir um tempo de mágica e fascinação que não mais voltaria.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Em off


Nesta edição da seção Em off, as atrizes mais cults da atualidade, os labirintos das escolhas da Warner Bros, o retorno à boa forma de Tom Hanks, a largada em Cannes e a nova menina dos olhos de Hollywood.
  
A ressurreição de Tom Hanks

Recentemente eleito por uma pesquisa feita entre americanos e divulgada pela revista Time como a personalidade americana mais confiável, Tom Hanks está caminhando de volta ao topo. Depois de uma série de projetos malogrados como A viagem (2012) e Larry Crowne- o amor está de volta (2011), o ator ensaia as pazes com público e crítica. O primeiro passo desse “reencontro” reside em “Lucky guy”, peça e autoria de Norah Ephron – que antes de falecer era contumaz colaboradora do astro – que marca a estreia de Hanks na Broadway. Os elogios se enumeraram e antecederam a nomeação ao Tony (o Oscar do teatro), no qual o ator desponta como favorito.
No fim de 2013, Hanks voltará às telas de cinema em duas aguardadas prodições. A primeira é Captain Phillips, novo filme de Paul Greengrass, em que Hanks faz o capitão de uma embarcação americana invadida por piratas somalis no início dos anos 2000. Já em Saving Mr. Banks, que assim como Captain Phillips é aventado para o próximo Oscar, o ator vive ninguém menos que Walt Disney em pessoa.
Há muito tempo Hanks não dispunha de tamanha evidência e com adornos extremamente promissores.

A Warner e seus adiamentos
Foi anunciado recentemente que a Warner Brothers decidiu adiar o lançamento de 300: a ascensão de um império de agosto deste ano para março de 2014. Não houve uma justificativa oficial para a mudança, mas foi sugerida a percepção de que seria melhor lançar o filme em harmonia com a época do lançamento da produção original (300 foi lançado em março de 2007). Esse tipo de mudança, por mais indesejada que seja para fãs, é relativamente comum no sistema de estúdios, mas a Warner tem tornado a prática frequente com seus superlançamentos. Em 2008, adiou a estreia do aguardadíssimo sexto filme da saga Harry Potter (O enigma do príncipe) porque não tinha um filme de grande potencial comercial para o verão de 2009 - em virtude da greve de roteiristas que paralisou a indústria no fim de 2007 e início de 2008. Depois de arrecadar horrores com O cavaleiro das trevas naquele verão, a Warner não queria deixar de lucrar acintosamente na temporada em questão no ano seguinte.
Processo semelhante ocorreu com o novo Superman. O homem de aço estava originalmente programado para o fim de 2012, mas o estúdio resolveu adiá-lo para 2013 por já ter um filme de super-herói de grande projeção (a conclusão da trilogia do cavaleiro das trevas de Nolan) no ano. Com isso, o filme de Zack Snyder será lançado em julho deste ano.
O Grande Gatsby, que canaliza alguma atenção em virtude da première mundial em Cannes, é outro caso interessante. Também programado para o fim de 2012, o estúdio resolveu adiá-lo para o verão deste ano sob justificativa de que teria mais tempo de trabalhar os efeitos do 3D na finalização. A época, setores da crítica chamaram a atenção para um possível descontentamento do estúdio com o filme. Os boatos nunca foram combatidos com firmezas e agora, lançado, o filme reúne quantidade assombrosa de crítica negativas.

A glória só chega em 2014...

50 tons de cinza: a mina hollywoodiana
Na última semana foi divulgado por diversos veículos noticiosos de que o diretor inglês Joe Wright, de filmes como Desejo e reparação e Anna Karenina, é o favorito do estúdio Focus – que detém os direitos de adaptação para o cinema da trilogia best-seller "50 tons de cinza" – para dirigir o primeiro filme. O boato se baseia no fato de que Wright e Focus mantêm boa relação – todos os filmes do diretor com exceção de Hanna foram lançados pelo estúdio. Wright, no entanto, está comprometido com outros projetos e não se pronunciou a respeito do boato. Quem se engajou para conquistar a direção do filme foi Gus Vant Sant. O diretor de Inquietos e Milk – a voz da igualdade teria até mesmo rodado uma fita teste com uma cena erótica do livro e enviado ao estúdio.
"50 tons de cinza" é a grande mina de ouro do momento em Hollywood. Sites de cinema promovem enquetes periódicas com seus leitores para checar suas preferências para os papéis centrais. Jovens atores e atrizes em busca de serem os novos Robert Pattinson e Kristen Stewart digladiam-se por testes. Uma seção Insight deste mês de maio irá repercutir essa corrida ao ouro, contextualizá-la e apontar os nomes que devem, no final das contas, ficar com o ouro.

Foi dada a largada...
Já começou e quem quer saber os melhores detalhes sobre o 66º festival de cinema de Cannes precisa acompanhar de perto a fanpage do blog no Facebook. Serão postagens diárias, majoritariamente à noite, destacando o que de melhor aconteceu no dia na Riviera francesa. Curiosidades, bastidores e avaliação da crítica presente no evento dos filmes exibidos nas diversas mostras que dominarão o bate- papo cinéfilo nos próximos dias.

Atrizes cult
O TOP 10 do mês destacou os dez atores mais cults da atualidade. Mas e as atrizes? Elas estão aqui, devidamente adornadas pela informalidade cult da seção Em off. As dez mulheres que valem o culto no cinema atual não estão tão democraticamente distribuídas pelo globo como no caso dos homens. As francesas, (o que tem na água da França, né?) são maioria com três menções. A Itália segue firme com a onipresente, embora menos presente no cinema, Monica Belluci. Inglaterra e EUA têm duas menções e Brasil e Espanha surgem com uma representante cada.



As dez eleitas: Monica Bellucci, Ellen Page, Julianne Moore, Vanessa Redgrave, Mariana Lima, Isabelle Huppert, Kristen Scott Thomas, Penélope Cruz, Marion Cotillard e Juliette Binoche


domingo, 9 de dezembro de 2012

Oscar Watch 2013 - A desforra dos estúdios



Há três particularidades que convergem para fazer da corrida pelo Oscar na temporada 2012/2013 algo raro dentro do contexto erigido nos últimos anos. A primeira, e cujos efeitos só poderão ser precisados em revisão histórica, é o estreitamento do calendário promovido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood ao antecipar em cerca de 15 dias o anúncio dos indicados ao Oscar. A segunda, e em si um fato que chama muito a atenção, é o baixo apelo do cinema independente na temporada. Depois de ser protagonista nos últimos seis anos (o último filme de estúdio a vencer o Oscar foi Os infiltrados em 2006), o cinema independente se vê diminuído na atual temporada. São poucos os filmes que suscitam algum buzz. Da Focus, braço independente da Universal, aquele que reúne mais chances de indicação é Um fim de semana em Hyde Park. Há alguma expectativa em torno de Anna Karenina e Moonrise kingdom, mas nada muito empolgante. A Fox searchlight, que já brilhou com longas como Pequena miss Sunshine (2006) e Quem quer ser um milionário? (2008) e no ano passado arrancou uma indicação para A árvore da vida, tem suas maiores aspirações concentradas em Hichtcock . Mas o braço independente da Fox também almeja algo com os elogiados As sessões e Indomável sonhadora, adquiridos pelo selo no festival de Sundance 2012.  
Cartaz de O voo: feijão com arroz
bem feito por um estúdio
A precariedade dos candidatos independentes ganha mais verniz nas bem acabadas produções de estúdio de 2012. A Paramount, por exemplo, aposta suas fichas em O voo. Drama convencional que marca o retorno de Robert Zemeckis à direção de um longa em live action. Fala-se que o filme, que centra suas forças na performance de Denzel Washington, é o feijão com arroz bem temperado e que uma campanha bem conduzida, pode colocá-lo bem posicionado na disputa pelo ouro. A Fox, por sua vez, investe pesado no marketing de As aventuras de Pi e crê ser possível transformar o épico espiritual de Ang Lee em uma das forças da temporada. O filme é tido por muitos como obra-prima, o que sempre ajuda. A Warner detém um precioso leque! Tem O hobbit, com toda a aura que o sucesso crítico de O senhor dos anéis é capaz de despertar, o blockbuster O cavaleiro das trevas ressurge, e o elogiadíssimo drama Argo – no qual investe suas mais preciosas fichas. A Universal, de longe o grande estúdio com mais dificuldade em produzir indicados a melhor filme – e que não ganha desde Uma mente brilhante em 2001 – deposita fortes esperanças no musical Os miseráveis, de Tom Hooper.
A Disney juntou forças à DreamWorks de Steven Spielberg para formatar o perfeito candidato à múltiplas indicações ao Oscar, trata-se de Lincoln. Filme que vê seu buzz ampliar à medida que surgem críticas de elogios rasgados e o interesse do público aumenta. Já a Sony, que há dois anos sofreu uma dura derrota quando tinha A rede social na disputa – e tudo fazia crer na vitória de uma produção de estúdio naquele ano – traz para a disputa A hora mais escura, de Kathryn Bigelow.
Conciliando a boa qualidade dos filmes de estúdio nesse ano e o baixo índice de postulantes entre os independentes, tudo leva a crer que o Oscar 2013 lavará a alma de estúdios que há muito pareciam ter perdido o caminho para a maior festa do cinema.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Insight


Os rumos do império

Tomou de assalto o noticiário cultural e econômico na última semana, a divulgação da compra da LucasFilm pela Disney em uma negociação que envolveu U$ 4 bilhões em repasse de ações e verbas. Na esteira dessa “bomba”, veio outra. A Disney anunciou a pré-produção de um sétimo episódio de Star Wars. O episódio VII está previsto para ser lançado em 2015.
Há alguns meses, George Lucas anunciou que estava se aposentando. Partia dessa condição, a dificuldade de alinhar o quinto filme da saga de Indiana Jones, que é do notável interesse de Steven Spielberg.
O plano de aposentadoria de George Lucas, então, se cristalizou na venda dos direitos do universo Star Wars à Disney. Pesou na opção pelo casa do Mickey Mouse, o reconhecido know how da empresa na gestão de valiosas marcas e personagens. Outro aspecto decisivo foi a liberdade criativa concedida à Pixar e à Marvel, empresas recentemente inseridas no portfólio da gigante do entretenimento americano. George Lucas, por fim, condicionou à venda a posição de consultor. Não é certo, porém, até onde a voz dessa figura de consultoria pode ir. Contudo, é bastante claro que o universo de Star Wars está sob nova direção. Do contrário, nada nessa transação faria sentido. Diferentemente da Pixar, que carecia de subsídios e musculatura, e da Marvel, ainda em recuperação de um processo de falência que acometeu a empresa nos idos dos anos 90, a LucasFilm tinha independência financeira total. Os termos de distribuição com a Fox, no cinema, eram amplamente favoráveis à empresa de Lucas e o portfólio ostensivo em outras plataformas (HQs, games e TV) mostravam a boa saúde empresarial da companhia.
George Lucas, na verdade, quer ver o universo criado por ele expandido – cativando novas gerações – sem despender a mesma energia. O que é plenamente justificável quando se tem 68 anos. Ademais, Star Wars jamais se desvinculará historicamente de George Lucas.
Mas e o que a Disney tem a ganhar com isso? Muita coisa! É possível que em três, quatro anos, a empresa já tenha recuperado todo o seu investimento. Se a ideia de expandir o universo Star Wars no cinema é boa ou não do ponto de vista narrativo é uma coisa, mas é inegável que é um tiro certeiro da perspectiva comercial. São muitas as possibilidades de expansão e Lucas deve atuar de maneira mais ativa nessa primeira fase do projeto. Ademais, a Marvel deve absorver o universo Star Wars nas HQs. E séries derivadas do universo tem tudo para emplacar na ABC, canal aberto de TV nos EUA que pertence ao conglomerado Disney.

O ato: o presidente da Disney, Robert Iger e George Lucas assinam o contrato que fortalece a empresa do Mickey no establishment do entretenimento mundial


Monopólio pop
Sob qualquer ângulo, a Disney fez um negócio da China. Mas o que mais chama a atenção é o apetite da empresa. Não muito tempo atrás, em uma entrevista à revista Veja, o presidente e chefe executivo da The Walt Disney Company, Robert Iger, afirmou que o melhor momento para se fazer investimentos é em um ambiente de crise. Noção compactuada por muitos empresários de sucesso. Desde a crise de 2008, da qual o mundo, e especialmente os EUA, se recuperam lentamente, a Disney já fez duas aquisições de peso: a Marvel em 2009 por U$ 4 bilhões e agora a Lucas Film por outros U$ 4 bilhões. Muito provavelmente, os termos dessa última aquisição estivessem sendo alinhados quando da entrevista de Iger à Veja. Em 2006, a Disney comprou a Pixar, com a qual já colaborava assiduamente, por U$ 7,6 bilhões. Seis anos depois, além do horizonte límpido que o principal e mais criativo estúdio de animação oferece, o investimento já foi recuperado com as bilheterias, prêmios e licenciamentos de filmes como Wall-E (2008), Toy Story 3 (2010) e Up – altas aventuras (2009).
A Disney concilia agora, sob suas asas, um verdadeiro manancial de personagens ricos. Das HQs, principal motor de venda de ingressos na atualidade, detém boa parte dos personagens da Marvel – e são inúmeras as possibilidades de filmes e produções para a TV. Com a LucasFilm, as possibilidades se expandem também pela possibilidade de colaboração entre Pixar e Lucas Film, que já foram parte de uma mesma empresa no passado e hoje são referência em avanços tecnológicos na esfera cinematográfica.
Os avanços da Disney ainda precisam de algum relevo do tempo para serem melhor interpretados e dimensionados, mas é certo que os estúdios concorrentes precisam correr atrás. Como, ninguém sabe precisar. Certo é que esse império se armou muito bem para eventuais contra-ataques.

sábado, 31 de março de 2012

Em off

Nesta edição de Em off, o charme de fazer um filme sobre a produção do filme mais famoso de Hitchcock; as parcerias que ainda vão dar o que falar no cinema nos próximos dois anos; a verdade por trás do “fracasso” de Os homens que não amavam as mulheres; o cinema brasileiro dizendo a que veio e ela, a Musa Claquete eleita pelos leitores do blog.

Parcerias que ainda vão dar bons frutos no cinema
Já se sabia que a parceria entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio ainda renderia outros projetos. Ambos estavam ligados à cinebiografia de Frank Sinatra, projeto que parece estar em encubação, e The wolf of Wall Street, autobiografia do corretor da Bolsa de Nova Iorque Jordan Belfort. A notícia é que este último será o próximo projeto que unirá a dupla. As gravações começam no segundo semestre, possivelmente em outubro. Será a quinta colaboração entre Scorsese e DiCaprio. As outras são Gangues de Nova Iorque (2002), O aviador (2004), Os infiltrados (2006) e Ilha do medo (2010).
Inspirado por essa boa nova, Claquete listou algumas parcerias entre cineastas e atores que renderão bons frutos nos próximos anos.

 1- Nicolas Winding Refn e Ryan Gosling preparam Only God forgives para aproveitar o culto a Drive; 2 - Lars Von Trier quer que Charlotte Gainsbourg seja sua ninfomaníaca no filme de mesmo nome; 3 - Steve McQueen já disse que não sabe fazer filme sem Michael Fassbender e o ator estará em 12 years a slave; 4 - Martin e Leo rumam para a quinta colaboração em The wolf of Wall Street; 5-  Pablo Trapero não resistiu aos encantos de Ricardo Darín e o chamou para seu novo filme, Elefante blanco

Steve McQueen e Michael Fassbender
Com Shame ainda impregnado na mente cinéfila é impossível não salivar pelo novo filme de Steve McQueen. 12 years a slave é a adaptação da autobiografia de Solomon Northup, homem que foi sequestrado e feito escravo por doze anos no século XIX no exato período em que os EUA rumavam para a abolição da escravatura. Além de Fassbender, o filme terá Brad Pitt e Chiwtel Ejiofor no elenco. As filmagens ainda não começaram, mas a previsão de estreia é para dezembro deste ano.

Nicolas Winding Refn e Ryan Gosling
Drive foi meio que um acontecimento. Cult instantâneo que provocou no diretor dinamarquês e no ator canadense um encantamento mútuo. Only God forgives, uma história de crime e violência passada na Tailândia, marca a segunda colaboração da dupla. Se depender de Winding Refn, de acordo com suas declarações à revista Total Film, a segunda de muitas. A fita também tem estreia marcada para o final de 2012 nos EUA.  

Lars Von Trier e Charlotte Gainsbourg
Outro diretor dinamarquês que não abre mão de trabalhar com uma atriz que parece disposta a explorar seus limites nos filmes dele. Após AntiCristo e Melancolia, Charlotte Gainsbourg é a única atriz confirmada no elenco de Nymphomaniac, filme que abordará a sexualidade feminina e que, segundo o próprio Von Trier, será pornográfico. Atores pornôs, ainda não especificados, integrarão o elenco também. Ainda não há previsões oficiais a respeito do lançamento do filme.

Pablo Trapero e Ricardo Darín
O intenso e surpreendente Abutres foi mesmo o início de uma relação promissora. Além da esposa Martina Gúsman, que também estava em Abutres, o diretor Pablo Trapero escalou Ricardo Darín, ator fetiche de outros cineastas argentinos, para Elefante blanco. O filme, com lançamento previsto para maio nos cinemas argentinos, conta a história de dois padres argentinos e uma assistente social que tentam resolver os problemas de uma favela argentina. Drama? Comédia? Quem se importa?


Hitch vive
Está mobilizando Hollywood um projeto independente e de um diretor desconhecido sobre a feitura de um dos principais filmes de um dos diretores mais reconhecidos de todos os tempos. Alfred Hitchcock and the making of Psycho tem como objetivo recriar o momento profissional e pessoal que vivia o cineasta à época da produção de Psicose, no final da década de 50.
O projeto está provocando verdadeiras caravanas de estrelas interessadas em participar. Já estão certas as participações de Scarlett Jonhansson, Anthony Hopkins, James D´Arcy, Danny Houston, Helen Mirren, Jessica Biel e Michael Stuhlbarg. A atriz Toni Collette deve ser outra adição a ser confirmada em breve. O diretor Sacha Gervasi deve lançar esse filme, desde já para lá de hypado, em 2013.


Heleno e a evolução do cinema brasileiro

Está em cartaz nos cinemas de todo o país a cinebiografia Heleno. Conhecido por muitos como o craque maldito do Botafogo, Heleno de Freitas é tido como o primeiro “astro problema” do futebol brasileiro – tão exímio na produção dessa espécie. O filme de José Henrique Fonseca apresenta Rodrigo Santoro na pele de Heleno. Mas o filme tem outras atrações que ratificam a evolução do cinema nacional sob a perspectiva temática e, também, em aspectos técnicos. O filme é fotografado em um preto e branco vistoso, com assinatura do papa Walter Carvalho. É um registro histórico de uma época bastante específica, os anos 40, e o trabalho de direção de arte é muito valorizado.
Além das próprias pesquisas realizadas por Fonseca e Santoro que tanto oxigenam o filme e a figura biografada. Essa perícia, e o interesse em exercitá-la, era algo que faltava ao cinema brasileiro.
Xingu é outro filme com lançamento iminente. Com estreia marcada para 6 de abril, o filme de Cao Hamburger com produção de Fernando Meirelles e sua O2, é o que se chama por aí de épico. Com filmagens em locações grandiosas, com grande número de figurantes e um tema tão espinhoso quanto apaixonante como a criação da reserva indígena que dá nome ao filme. Billi pig, atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros, a despeito de sua qualidade, é uma reverência às pornochanchadas brasileiras que marcaram uma era representativa do cinema do país. Selton Mello, que estrela Billi Pig, alcançou no fim de 2011 sucesso comercial e crítico com O palhaço, filme que tão bem concilia o autoral com o comercial.
São demonstrações de que o cinema brasileiro está cada vez mais encorpado, arrojado e pulsante. É uma boa notícia.     


Fracasso?
A MGM divulgou nota oficial informando que o filme Os homens que não amavam as mulheres, versão americana da primeira parte da trilogia Millennium, não rendeu ao estúdio os dividendos esperados. Com orçamento de U$ 90 milhões, a fita rendeu internacionalmente cerca de U$ 231 milhões (esse número ainda pode sofrer ajustes). Acontece que é um co-produção com a Sony e o lucro tem que ser rachado na mesma proporção dos investimentos. No mesmo comunicado, o presidente da MGM, Gary Barber, admite estar considerando alternativas para a produção dos filmes restantes com alterações orçamentárias e a possibilidade de mudança de parceiro. Mais do que descontentamento com o rendimento do filme de David Fincher, o que parece incomodar mesmo a MGM é o lucro da Sony com direitos que pertencem ao estúdio imortalizado com o leão. Vale lembrar que desde a bancarrota  da MGM, a Sony tem sido parceira ativa da MGM, inclusive, bancando a distribuição doméstica (nos EUA) da série 007. A MGM, no entanto, está associada a Warner para a produção de O hobbit, outra série com potencial para “azular” as contas do estúdio. Os homens que não amavam as mulheres, voltado para um público adulto, com censura 18 anos e uma longa metragem não foi um fracasso, foi um senhor sucesso, apenas se vê envolto em politicagens de bastidores.

Natalie Portman é Musa Claquete!

Foram 40 votos. Uma disputa intensa pelo título de Musa Claquete. E a israelense naturalizada americana Natalie Portman foi a escolhida pelos (e) leitores para se juntar a Kate Winslet na galeria, ainda em formação, de musas do blog. Foram 17 votos que consagraram a vitoriosa. Kristin Scott Thomas ficou na segunda posição com nove votos. Penelope Cruz, que obteve sua segunda derrota, ultrapassou Marion Cotillard nas últimas horas para ficar com a terceira posição. Bem vinda Natalie.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Insight

O que a possível fusão entre dois estúdios independentes pode significar para o cinema americano?

Estudada há alguns anos, a fusão entre a Lionsgate e a Summit está próxima de acontecer, aponta o noticiário econômico internacional. Mas essa possibilidade afeta, e muito, a produção cultural americana. A Summit, por exemplo, cresceu de tamanho com a saga Crepúsculo. A empresa passou a ser uma das principais players fora do grupo dos grandes estúdios hollywoodianos. A Lionsgate, que já esteve perto da falência algumas vezes,  possui um catálogo de filmes muito maior do que a Summit e também está presente na tv com a produção de séries como Mad men e Weeds.
A Summit começou a produzir e distribuir filmes em 2007 e logo achou sua galinha dos ovos de ouro na “literatura” de Stephenie Meyer. Mas Crepúsculo está chegando ao fim e o estúdio se vê atolado em dívidas e juros altos. A renegociação das dívidas só foi possível graças aos direitos sobre a série Crepúsculo. E essa boiada está acabando. Justamente por isso, em 2009 surgiram as primeiras conversas entre Summit e Lionsgate. As negociações não avançaram em virtude de desacordos quanto ao valor de mercado das empresas e sobre a configuração da fusão (como seriam agrupados os direitos de cada empresa e quais CEOs seriam subordinados e quais seriam os mandatários, entre outras grandes miudezas).

O catálogo da empresa tem, entre outros, filmes como Crash
- no limite, A última ceia e a série Jogos mortais
A fusão, segundo informes do noticiário econômico Bloomberg, parece mais encaminhada nessa rodada de negociações. A verdade é que a Lionsgate precisa de mais musculatura para disputar com as divisões independentes da Fox, da Sony e da Universal. Já a Summit, está em face de ver o caixa secar com o fim da saga dos vampiros que brilham.
A fusão teria impacto diverso na indústria do cinema no médio e no longo prazo. Em um primeiro momento promoveria uma grande apreensão na produção independente americana. Afinal, não chega a ser uma boa notícia - em um cenário macroeconômico - a fusão de duas empresas rivais. Contudo, a fusão daria uma liquidez maior à empresa dela resultante no médio prazo. Seria um bom abrigo para produtores independentes que não possuem astros ligados a seus projetos ou para roteiros comercialmente inviáveis. A má noticia aí é que a capitalização inerente a um negócio desse porte e as metas que serão estabelecidas a partir de então, conduzirão a Summit/Lionsgate a um comportamento cada vez mais similar ao dos grandes estúdios o que pode esterilizar a produção independente nos próximos anos. A Fox Searchlight, por exemplo, mais adquire do que produz fitas independentes. A Lionsgate ainda é vista como uma importante parceira para produtores e artistas independentes. A fusão poderia transformar essa percepção.
Cena do penúltimo filme da saga Crepúsculo: dívidas e pouca representatividade no mercado forçam a necessidade de uma fusão entre dois dos últimos estúdios independentes do cinema americano


São riscos que se corre em qualquer negócio competitivo. O cinema independente americano passa por um momento relativamente próspero e estúdios como a Summit e a Lionsgate, assim como festivais como Sundance e Tribeca, têm importante função nessa lógica produtiva. O cenário se acinzenta um pouco com a possibilidade de fusão, mas um arco-íris pode estar à espreita. 

domingo, 1 de maio de 2011

Insight

A nova estratégia falida de Hollywood

É contingencial da posição de um executivo, esteja ele no ramo em que estiver, objetivar o lucro. Cada vez maior e insidioso. Em Hollywood esse mantra vem embalado em glamour. Mas vem. Nas sombras da briga contra a pirataria, os estúdios de cinema travam outro combate – que talvez seja ainda mais alarmante: reverter a tendência de queda de bilheterias verificadas nos últimos anos (a sofisticação do home vídeo e a qualidade dos streamings na internet seriam a base capilar do fenômeno). É verdade que há anos pródigos como os de 1999, 2004 e 2009, em que as bilheterias americanas registraram picos de ingressos vendidos. Mas a tendência geral é de queda. Como nos EUA o cálculo básico para aferir o sucesso de um filme se dá pela contagem dos milhões de dólares e não pelo público pagante, a tendência de queda é maquiada pelos inflacionados preços do ingresso. Ainda mais em época que o 3D está na moda. Mas os CEOs dos estúdios dormem com suas planilhas de metas e sabem que precisam melhorá-las. Nesse sentido, tal qual discípulos do professor Pardal, desenvolvem uma série de medidas – fruto de engenharias canhestras – com vistas a incrementar o faturamento de seu negócio: o cinema.
A mais nova estratégia de um punhado de estúdios (nominalmente Fox, Sony, Warner e Universal) é disponibilizar filmes no serviço on demand da Direct TV, 60 dias após o lançamento nos cinemas. O serviço, a princípio, só atenderia o público americano e seguiria um critério um tanto quanto subjetivo na cartilha de ofertas: filmes para a família.
Em 21 de abril foi disponibilizado o primeiro filme nessa plataforma: Esposa de mentirinha, estrelado por Adam Sandler. Outros lançamentos programados para o On demand da Direct Tv são Passe livre, dos irmãos Farrely e Sobrenatural, de James Wang.
A justificativa oficial da empreitada é de deixar o entretenimento mais democrático e possibilitar que o espectador eleja a melhor maneira de assistir o filme. O preço, em si, não é convidativo. O filme, em casa, 60 dias após a estréia nos cinemas custa U$ 30. Por mais 60 dias, é possível alugá-lo por U$ 4. Ou assisti-lo na estréia por um preço que varia entre U$ 8 e R$ 20.
Os críticos da medida argumentam que a estratégia não só é nula, sob o jugo da reversão da tendência de queda nas bilheterias, como pode municiar ainda mais a pirataria. E eles estão certos. O atual presidente da Motion Picture Association of America, o senador Chris Dodd, afirmou que a medida pode precipitar uma crise no mercado de cinema. Salas de exibição fechando, o cinema independente com ainda menos espaço, o fim da negociação dos direitos com TV e queda violenta nas vendas de DVDs e Blu-rays. É um cenário preocupante.

Cena de Passe livre, um dos lançamentos on demand na Direct TV americana: será que um filme com péssima bilheteria pode se salvar no on demand? 



Mais de 30 diretores, entre eles os oscarizados James Cameron, Peter Jackson, Ang Lee e Kathryn Bigelow, assinaram um manifesto contra a nova estratégia dos estúdios. “Estão querendo acabar com a magia do cinema. O frenesi da sala escura. De descobrir um filme em meio aquele ritual coletivo silencioso”, exclamou Peter Jackson, um dos mais engajados na causa.
A estratégia é falida porque, como prova a última temporada do Oscar (em que mais de 10 filmes concorrentes ultrapassaram a marca dos U$ 100 milhões nas bilheterias), o que o público quer são filmes que valham o ingresso. Tanto em casa quanto no cinema. Nesse contexto, um filme como Esposa de mentirinha não vale o ingresso nem em casa nem na sala escura.
Além de macular o encadeamento do negócio que matiza, os estúdios podem estar – justamente pela mira dos executivos no lucro – ferindo de morte o brilho de um prazer secular: ir ao cinema.

domingo, 20 de março de 2011

Insight

A (possível) verdade por trás do afastamento de Darren Aronofsky de The Wolverine



Era setembro de 2010 e a produção da sequência de X-men origens: Wolverine queria mudar radicalmente o rumo da cinessérie que, em 2009, embora tenha feito boa bilheteria, decepcionou público e crítica. Darren Aronofsky surgiu como um nome confiável nas hostes do estúdio Fox. O diretor era amigo do protagonista (rodou com Hugh Jackman o pesudofilosófico Fonte da vida), mantinha boa relação com o estúdio (seus dois últimos filmes foram lançados pelo selo independente da Fox, a Fox Searchlight) e, assim como Christopher Nolan na franquia do Batman, era um cineasta de retórica artística e com potencial comercial. Em outras palavras, um achado.
Aronofsky foi contratado e, às vésperas da exibição de Cisne negro em Veneza, anunciado como o novo diretor do filme. O entusiasmo foi imediato. Em toda oportunidade em que promovia Cisne negro, Aronofsky demonstrava satisfação e ansiedade com seu novo projeto. Via com bons olhos uma guinada na carreira e a chance de se provar um cineasta de trânsito e confiança.
Há pouco mais de dois meses, Aronofsky deu uma longa entrevista ao Hollywood Reporter em que esclarecia que o filme se passaria no Japão, que o roteiro era maravilhoso, que a fita não seria uma continuação do filme de 2009 e que se chamaria The Wolverine.
A produção do filme foi agendada para o final de março, para que Aronofsky – que acabou indicado ao Oscar como diretor – pudesse acompanhar a promoção de Cisne negro durante a temporada de premiações. Estava tudo certo. Estava.
Essa semana foi anunciado, com certa dose de espanto, que Aronofsky estava se desligando da produção do filme. Às vésperas do início das gravações e com a pré-produção praticamente encerrada. A justificativa oficial é de que Aronofsky não se sentia preparado para passar um longo período (aproximadamente um ano), no Japão, longe de sua família. A Fox lamentou a desistência de Aronofsky, reafirmou a intenção de colaborar com o diretor no futuro e garantiu que está tudo pronto para o início da produção com outro diretor à frente do projeto.
No entanto, reportagem do Hollywood Reporter sugere que o que de fato se deu foi bem diferente. Segundo apurou o semanário americano, Aronofsky teria reivindicado controle absoluto sobre o corte final do filme, algo que está acostumado a ter no cinema independente e que o colega Nolan teve assegurado com a franquia do Batman. O estúdio não teria concordado. Como política compensatória, teria oferecido um aumento no salário de Aronofsky. O diretor, no entanto, teria insistido no controle total sobre a obra e, em consequência disso, amigavelmente demitido do cargo.


                                                        Foto: AFP
Aronofsky, ao lado de Natalie Portman, em coletiva realizada no último festival de Toronto: a boa receptividade aos últimos filmes do diretor não vingou como trunfo nas negociações com o estúdio


A justificativa oficial realmente é mais furada do que queijo suíço. Com a aprovação do roteiro e do orçamento, já era possível mensurar o período de filmagens no Japão e um cronograma familiar para que pudesse ser ajustado ao do filme. É sempre assim em Hollywood. Embora não se possa confirmar efetivamente, pelo menos não agora, é muito provável que a saída de Aronofsky de The Wolverine derive de uma briga por controle criativo.
Christopher Nolan só teve seu controle assegurado na franquia do Batman porque era necessário arriscar depois da passagem de Joel Schumacher nos filmes do homem morcego. O mesmo Nolan passou apuros com a Warner para garantir que o terceiro Batman de sua autoria não fosse rodado em 3D. Ele ainda não conseguiu dissipar as intenções do estúdio de realizar uma sequência para A origem. Recentemente, a Sony demitiu a equipe criativa do quarto Homem aranha por discordar dos rumos da série no cinema. O novo Homem aranha chega ano que vem. Será a primeira oportunidade de se mensurar o impacto da mão de ferro dos estúdios na qualidade dos blockbusters; nos quais buscam cineastas com visão só para se dar o trabalho de tapar-lhes a vista.