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domingo, 6 de abril de 2014

Crítica - Noé

O preço da fé

Cercado de expectativas e polêmicas, e inaugurando uma reiterada e ambiciosa fase bíblica em Hollywood, Noé (Noah, EUA 2014) não é um filme que corresponda ao hype que ostenta. Produção de U$ 150 milhões e marcada por desavenças entre o estúdio e o diretor, Noé é um filme cheio de gargalos. Começa muito mal, melhora na metade e termina de maneira pálida e condescendente. Ainda que seja um desafio renovar uma história plenamente conhecida até mesmo por quem tem pouca familiaridade com a bíblia, Noé sofre de más escolhas de direção. A primeira delas é tornar uma história eminentemente simples em um épico. Outra, por exemplo, é valorizar pouco a chegada dos animais à arca e mais a contenda entre o descendente de Cain (Ray Winstone) e Noé.
Há problemas no ritmo do filme e há um elenco muito oscilante também. Russell Crowe está muito ruim. Se colocarmos em comparação sua oscarizada performance em Gladiador e esta em Noé, será flagrado um ator preguiçoso e complacente.
Russell Crowe pouco impressiona como
um Noé virtuoso em sua obstinação
Mas Noé revela também o conflito entre o diretor Darren Aronofsky e o estúdio Paramount. A agenda ecológica do diretor é aventada no curso do filme e é uma sombra à estruturação religiosa da trama. Outro conflito intrínseco à narrativa reside no tom do filme, que obscurece profundamente quando o dilúvio está em curso. É justamente aí, quando Aronofsky apresenta mais consonância com seus interesses enquanto cineasta, que Noé tem seu melhor momento. Quando envereda pela análise do custo que é para este homem temente a Deus, manter sua fé em alta, Aronofsky rabisca um grande filme. Mas é apenas um momento entremeado por uma dicção narrativa confusa, ensimesmada e pouco inspirada visualmente (outra decepção tratando-se de Aronofsky).
Noé era um projeto querido e ansiado pelo diretor, que vinha de sua obra-prima Cisne negro. O estudo dos limites entre fé e alienação, notadamente o interesse primário do cineasta, submerge ante tantos equívocos. Não dá para culpar apenas o estúdio. É compreensível que com um orçamento desse tamanho, a Paramount objetivasse uma produção mais comercial. A culpa recai mesmo sobre os ombros de Aronofsky, Cisne negro, com toda sua reticência de drama psicológico e menos boa vontade do que Noé amealha em boa parte do público, era mais satisfatório dramaticamente.
Noé decepciona porque Aronofsky não se aprofunda na análise que quer fazer e titubeia em decisões que cristalizariam o escopo do filme. O discurso “eco friendly”, ainda que cabível, soa um tanto quanto deslocado das prioridades narrativas.  
O que, para a infelicidade de Aronofsky, pesa mais contra o filme, além das licenças pouco convincentes que toma da bíblia, são aqueles 20 e poucos minutos em que seu filme beira a genialidade. 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, novidades sobre o novo projeto de Tarantino; conjecturas sobre a escolha de Aronofsky para presidir o júri em Veneza; a semelhança entre um personagem da animação Rio e Woody Allen e como isso pode ter influenciado no casting do novo filme do cineasta americano; porque Sean Penn prefere as loiras e as expectativas de bilheterias gordas para esse mês de maio que se inicia.




Novo presidente, velho conhecido

O cineasta americano Darren Aronofsky foi escolhido para presidir o júri do próximo festival de Veneza, que será realizado em setembro. A escolha de Aronofsky revela um interesse da organização do festival em fidelizar algumas figuras do cinema a exemplo do que faz Cannes. Aronofsky, em um conjunto de quatro anos, terá comparecido no festival por três oportunidades. Em competição com O lutador (2008), fora de competição com Cisne negro (2010) e como presidente do júri (2011).
A escolha também demonstra, além de bom senso da organização, uma pré-disposição em acalentar a mostra com interesses diversos que fujam da seleção de filmes. Estratégia sinalizada no ano anterior com a escolha de Tarantino para presidir o júri.


Tarantino no oeste!

E por falar em Tarantino, está batido o martelo sobre o nome do novo filme do diretor. O projeto,como já estava anunciado, será um western que o reunirá ao ator Christoph Waltz (grande destaque de Bastardos inglórios). Django Unchained ainda não tem data para começar a ser produzido. O roteiro acabou de ser entregue a Harvey Weinstein. Tudo indica que as sempre notáveis referências ao cinema de Sergio Leone entrarão em ebulição no novo filme de Tarantino.



Separados no nascimento


A animação Rio ainda reina como o principal lançamento de 2011 nos cinemas. O posto deve ser perdido nesse mês que traz promissoras estréias do verão americano, mas quem não se perde na comparação é Blu, a ararinha azul que protagoniza o filme do brasileiro Carlos Saldanha. Blu parece uma criação de Woody Allen. Neurótico, obsessivo, recluso e cheio de interjeições filósofo-científicas, Blu aproximou o humor das animações ao humor de Woody Allen que, naturalmente, serviu de referência na concepção do personagem.



O novo filme de Allen
E por falar em Woody Allen, o diretor americano já anunciou seu novo projeto. A fita, que será gravada em Roma, reunirá o diretor a Penélope Cruz novamente. Também estão escalados Alec Baldwin e Jesse Eisenberg. Isso mesmo o Blu que em outra encarnação foi Mark Zuckerberg. É certo que um desses dois trabalhos (se não os dois) foi decisivo para que Allen convidasse Eisenberg para estrelar seu novo filme.

 
Quem leva a melhor em maio?

Velozes e Furiosos 5: operação Rio começou levantando poeira nas bilheterias americanas no final de semana passado. A quantia de U$ 84 milhões garantiu a melhor abertura da série e a melhor do ano até aqui. Thor teve uma boa estréia no mercado internacional (U$ 55 milhões) e deve manter a média nas bilheterias americanas. Mas a disputa só está engrenando. Esse mês de maio ainda traz dois arrasa quarteirões que devem se impor sobre esses dois lançamentos. A expectativa da Disney é que Piratas do caribe: navegando em águas misteriosas supere os U$ 100 milhões em sua bilheteria de estréia nos EUA e chegue perto dos U$ 210 milhões mundialmente. A Warner tem ambições tão estreladas quanto. A expectativa é que Se beber não case – parte 2 arrecade cerca de U$ 75 milhões em sua estréia. O verão no cinema está começando e promete ser bem quente.



Duelo de gigantes

Como é que não tiveram essa ideia antes? Colocar Vin Diesel e The Rock (que prefere ser chamado de Dwayne Johnson) frente a frente em um filme de ação. Chega sexta-feira no país o novo filme da franquia Velozes e furiosos que traz a dupla se pegando (no sentido UFC, claro). Para os brasileiros, o quinto filme da série vem turbinado pelo fato de ser ambientado no Rio de Janeiro (ainda que grande parte das cenas tenham sido gravadas em Atlanta e Porto Rico).
Amanhã Claquete publica uma matéria exclusiva sobre o novo filme.

Olho no olho: Diesel e Johnson já estão chegando em Claquete


Já começou!


O filme mais aguardado de 2012 é Os vingadores. E desde a semana passada a ansiedade é diariamente abastecida com notícias da produção – iniciada em 25 de abril no México. O filme que reúne o super grupo da Marvel no cinema promete ser uma sensação cinematográfica e o elenco parece bastante entusiasmado.
Tom Hiddleston, o Loki de Thor, cotado para ser o principal vilão do longa já se manifestou acerca de sua ansiedade. Loki estará no filme, contudo, sua dimensão na história ainda não foi divulgada. Mark Ruffalo, que assumirá o papel de Hulk que já foi de Eric Bana e Edward Norton, teorizou acerca do status de seu personagem no grupo. “Ele é imprevisível!” A fala de Ruffalo e o fato de Loki ser o Deus da trapaça reforçam a boataria de que os vingadores seriam reunidos para controlar o Hulk, talvez sob influência de Loki. É uma aposta!



Bacaninha!
E Tom Hiddleston é uma das gratas surpresas de Thor. O ator, que também estará em War horse (lançamento de fim de ano de Steven Spielberg) responde pela carga emocional e pelos lampejos criativos de um filme que, em linhas gerais, só diverte. Thor é bem feitinho e esquecível. A crítica do filme será publicada ainda essa semana em Claquete.



Todas as loiras de Penn


Sean Penn é um bad boy de bom coração. Isso o ajudou a construir um repertório de conquistas invejável. Nos anos 80 estampava os tablóides em virtude de brigas homéricas com Madonna e ajudou a popularizar essa figura tão combalida chamada paparazzi. Até hoje Penn se atraca com uns e outros. Mas ele gosta mesmo é das loiras. Inegavelmente foram elas que mais se destacaram na companhia do ator. Depois da relação, marcada por idas e vindas, com Robin Wright (que durou mais de dez anos), Penn ingressou em um namoro com a voluptuosa Scarlett Johansson. O romance já dura alguns meses e foi “oficializado” no casamento da atriz Reese Whiterspoon algumas semanas atrás. Isso mesmo! Outra loira...

domingo, 20 de março de 2011

Insight

A (possível) verdade por trás do afastamento de Darren Aronofsky de The Wolverine



Era setembro de 2010 e a produção da sequência de X-men origens: Wolverine queria mudar radicalmente o rumo da cinessérie que, em 2009, embora tenha feito boa bilheteria, decepcionou público e crítica. Darren Aronofsky surgiu como um nome confiável nas hostes do estúdio Fox. O diretor era amigo do protagonista (rodou com Hugh Jackman o pesudofilosófico Fonte da vida), mantinha boa relação com o estúdio (seus dois últimos filmes foram lançados pelo selo independente da Fox, a Fox Searchlight) e, assim como Christopher Nolan na franquia do Batman, era um cineasta de retórica artística e com potencial comercial. Em outras palavras, um achado.
Aronofsky foi contratado e, às vésperas da exibição de Cisne negro em Veneza, anunciado como o novo diretor do filme. O entusiasmo foi imediato. Em toda oportunidade em que promovia Cisne negro, Aronofsky demonstrava satisfação e ansiedade com seu novo projeto. Via com bons olhos uma guinada na carreira e a chance de se provar um cineasta de trânsito e confiança.
Há pouco mais de dois meses, Aronofsky deu uma longa entrevista ao Hollywood Reporter em que esclarecia que o filme se passaria no Japão, que o roteiro era maravilhoso, que a fita não seria uma continuação do filme de 2009 e que se chamaria The Wolverine.
A produção do filme foi agendada para o final de março, para que Aronofsky – que acabou indicado ao Oscar como diretor – pudesse acompanhar a promoção de Cisne negro durante a temporada de premiações. Estava tudo certo. Estava.
Essa semana foi anunciado, com certa dose de espanto, que Aronofsky estava se desligando da produção do filme. Às vésperas do início das gravações e com a pré-produção praticamente encerrada. A justificativa oficial é de que Aronofsky não se sentia preparado para passar um longo período (aproximadamente um ano), no Japão, longe de sua família. A Fox lamentou a desistência de Aronofsky, reafirmou a intenção de colaborar com o diretor no futuro e garantiu que está tudo pronto para o início da produção com outro diretor à frente do projeto.
No entanto, reportagem do Hollywood Reporter sugere que o que de fato se deu foi bem diferente. Segundo apurou o semanário americano, Aronofsky teria reivindicado controle absoluto sobre o corte final do filme, algo que está acostumado a ter no cinema independente e que o colega Nolan teve assegurado com a franquia do Batman. O estúdio não teria concordado. Como política compensatória, teria oferecido um aumento no salário de Aronofsky. O diretor, no entanto, teria insistido no controle total sobre a obra e, em consequência disso, amigavelmente demitido do cargo.


                                                        Foto: AFP
Aronofsky, ao lado de Natalie Portman, em coletiva realizada no último festival de Toronto: a boa receptividade aos últimos filmes do diretor não vingou como trunfo nas negociações com o estúdio


A justificativa oficial realmente é mais furada do que queijo suíço. Com a aprovação do roteiro e do orçamento, já era possível mensurar o período de filmagens no Japão e um cronograma familiar para que pudesse ser ajustado ao do filme. É sempre assim em Hollywood. Embora não se possa confirmar efetivamente, pelo menos não agora, é muito provável que a saída de Aronofsky de The Wolverine derive de uma briga por controle criativo.
Christopher Nolan só teve seu controle assegurado na franquia do Batman porque era necessário arriscar depois da passagem de Joel Schumacher nos filmes do homem morcego. O mesmo Nolan passou apuros com a Warner para garantir que o terceiro Batman de sua autoria não fosse rodado em 3D. Ele ainda não conseguiu dissipar as intenções do estúdio de realizar uma sequência para A origem. Recentemente, a Sony demitiu a equipe criativa do quarto Homem aranha por discordar dos rumos da série no cinema. O novo Homem aranha chega ano que vem. Será a primeira oportunidade de se mensurar o impacto da mão de ferro dos estúdios na qualidade dos blockbusters; nos quais buscam cineastas com visão só para se dar o trabalho de tapar-lhes a vista.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

OSCAR WATCH 2011 - A peleja dos diretores

Da esquerda para a direita: Darren Aronofsky (Cisne negro), David Fincher (A rede social), Tom Hooper (O discurso do rei), David O. Russell (O vencedor) e Ethan e Joel Coen (Bravura indômita)



O bem aventurado


David Fincher só tem oito filmes no currículo. Mas a qualidade com que exerce seu ofício sugere pelos menos cinco vezes esse número. O diretor de A rede social merece reconhecimento da indústria do cinema faz tempo. Pode obtê-lo por seu trabalho mais contido, mas não menos genial.


Prós:
+ Ganhou a maioria dos prêmios da temporada
+ Ganhou dois dos principais prêmios da Oscar season (Globo de ouro e critic´s choice awards)
+ É um trabalho artesanal de direção. Dos filmes dirigidos por Fincher é o que ele menos interfere como autor
+ Está a frente do filme mais premiado da temporada
+ Pode se beneficiar do consenso de que é preciso premiar um dos diretores mais autorais e capacitados do cinema americano atual
+Pode se beneficiar de uma divisão de prêmios entre O discurso do rei e A rede social. Configurando-se em uma escolha mais viável por ser um diretor mais tarimbado



Contras:
- É antipático
- Perdeu o prêmio do sindicato para o rival Tom Hooper
- Diferentemente dos outros candidatos não se engajou no prêt-à-porter da campanha pelo Oscar e preferiu tocar as filmagens de The girl with the dragon tattoo
- Não é seu melhor trabalho de direção e esse referencial pode pesar
- Perdeu há dois anos com um trabalho superior e com uma concorrência inferior


Segunda indicação
Indicação anterior: Melhor diretor por O curioso caso de Benjamin Button (2009)


A opção conservadora


Tom Hooper vem da TV e dos telefilmes de época. Quem acusa O discurso do rei de parecer uma produção da BBC cita as credenciais de Hooper para dar suporte a acusação. Apesar da intriga, Hooper mostra competência em urdir um filme de época, sobre a família real britânica, e revesti-lo de componentes tão cômicos quanto dramáticos. É um registro cuidadoso que, se não salta aos olhos, também não macula a lista dos candidatos do ano.


Prós:
+ É inglês e depois dos americanos, eles são os grandes vencedores nessa categoria
+ Ganhou o aval do sindicato dos diretores. De todos os sindicatos é o que detém maior percentual de acertos no Oscar
+ Apresenta o tipo de trabalho acadêmico que agrada a maioria dos votantes
+ É uma direção calcada na ausência de rompantes estilísticos. É o único dos trabalhos indicados nesses termos
+ Está a frente do filme que lidera a disputa pelo Oscar


Contras:
- É relativamente inexperiente em cinema. O discurso do rei é apenas seu terceiro filme. A academia pode julgar precipitado honrá-lo
- É uma direção calcada na ausência de rompantes estilísticos. É o único dos trabalhos indicados nesses termos
- Concorre com figuras mais famosas e admiradas pela indústria
- Perdeu o Bafta que sempre entorna para os ingleses, o que pode ser encarado como um balde de água fria


Primeira indicação


O ilusionista

Darren Aronofsky é, da lista, o maior interventor. Cisne negro foi concebido a sua imagem e semelhança, artisticamente falando. Há quem aprecie isso e há quem deteste. Aronofsky alimenta a dualidade com gosto. Uma direção vistosa, pouco sutil e polarizante, mas incrivelmente vibrante e simbólica. Pode não ser o mais sofisticado trabalho de direção do ano, mas é seguramente o mais inesquecível.


Prós:
+ É o diretor que mais intervenções estéticas fez em seu filme, dentre os indicados
+ Se apresenta com o trabalho mais autoral entre os concorrentes
+Seu filme reúne muitos admiradores entre os membros votantes


Contras:
- É um trabalho de direção pouco sutil. É raro o Oscar agraciar esse perfil de direção
- Está a frente de um filme sombrio e cheio de referências cinematográficas que, apesar de admiradas, não renderam prêmios
- Como os holofotes estão todos em Natalie Portman (estrela do filme), um reconhecimento a Aronofsky seria improvável


Primeira indicação


American legends


Nada melhor do que afagar o irascível e pensativo cinema dos irmãos Coen, esse patrimônio do cinema americano, quando eles prestam uma bela homenagem ao gênero mor da cinematografia ianque, o western. Bravura indômita não é só superior ao filme original de 1969, é um filme com alma. E os Coen souberam iluminá-la perfeitamente.


Prós:
+ Dos indicados são os que reúnem uma base mais sólida de fãs entre os votantes
+ Já receberam um Oscar e, é sabido, que para a dimensão de sua obra, um Oscar é pouco
+ Representam a aposta mais segura e, menos contraditória (vide Tom Hooper), para eleitores conservadores
+ A boa bilheteria do filme pode render um poder de sedução inevitável para os fãs dos Coen


Contras:
- Não é o melhor trabalho da dupla e até eles sabem disso
- Ganharam o Oscar há três anos atrás e não é comum reincidência tão breve na academia nos tempos modernos
- Não ganharam nenhum prêmio na temporada



Décima quarta indicação (também concorrem como roteiristas e produtores) e terceira nomeação na categoria
Indicações anteriores: melhor edição, direção e roteiro original por Fargo (1997), melhor roteiro original por E aí meu irmão cadê você? (2001), melhor edição, direção, roteiro adaptado e produção por Onde os fracos não têm vez (2008), melhor roteiro original e produção por Um homem sério (2010)
Vitórias anteriores: melhor roteiro original por Fargo (1997), melhor direção, roteiro adaptado e produção por Onde os fracos não têm vez (2008)



O desafiante


David O.Russell não é um grande diretor. Apesar de sempre ter se mostrado eficiente em seus trabalhos, ao lado de Tom Hooper é o patinho feio da lista. Em O vencedor, por seu trabalho mais convencional, Russell recebeu uma, até pouco tempo, improvável indicação ao Oscar. Nada mal para quem só tem 4 filmes no currículo. A presença no Oscar pode redirecionar os rumos da carreira de Russell e colocá-lo no caminho da grandeza. Potencial ele tem.


Prós:
+ Sua direção é econômica e eficiente. Em um ano que a academia acena para o tradicional, Russell rezou a missa direitinho
+ Realiza ótima direção de atores sem perder de vista o senso estético, uma qualidade que salta aos olhos em O vencedor


Contras:
- É um sujeito beeem antipático
- É uma direção muito convencional
- A força do elenco se impõe, com todos os méritos, ao trabalho de Russell
- a pecha de que a indicação já é suficiente

Primeira indicação

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

OSCAR WATCH 2011 - Crítica dos indicados ao Oscar

Acontecerá no próximo domingo, 27 de fevereiro, a 83ª cerimônia de entrega dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. O Oscar 2011 destaca-se por agregar uma lista tão eclética quanto equilibrada. No segundo ano com dez concorrentes na categoria principal, a academia teve a sorte – e competência – de contar com dez filmes de alta qualidade esquivando-se de alguns equívocos cometidos no ano anterior. É perceptível o afinamento. Repare que dos dez indicados a melhor filme, nove concorrem a melhor roteiro e, excetuando-se A origem e Toy story 3 (que estão contemplados em categorias igualmente nobres) todos os filmes apresentam performances indicadas. Avançando nesse exercício, é possível analisar que diferentemente do ano passado as categorias de atuação refletem a superioridade dos filmes escolhidos. Um compasso de qualidade que faz muito bem ao Oscar.
Por falar nos dez filmes que compõem a lista dos melhores do ano segundo a academia, cabe o reconhecimento de que o Oscar se preocupou em reconhecer a pluralidade do cinema contemporâneo. A intervenção estética como força narrativa (127 horas), a força de um bom elenco para levantar um filme (Minhas mães e meu pai, O vencedor e O discurso do rei), a animação como obra de arte (Toy story 3), o recôncavo cinematográfico que continua a respirar (Inverno da alma), a originalidade do registro autoral em um produto comercial (A origem), o cinema de força bruta e cativante (Cisne negro) e o filme que traduz seu tempo em conteúdo e dialética (A rede social). É uma lista de respeito que poderia continuar a ser adjetivada de trás para frente.

Cena de A rede social: o filme mais importante dessa edição do Oscar 2011 pode não levar o prêmio principal


A disputa principal se entrincheirou em A rede social e O discurso do rei. É, a grosso modo, uma disputa injusta. Seria mais justo se o filme de Fincher- claramente superior a seu principal adversário – concorresse nas cabeças contra Cisne negro ou A origem, por exemplo. Filmes que aliam, na medida certa, doses de experimentalismo, força narrativa, propriedade visual e reverberaram mais do que satisfatoriamente nas bilheterias. Mas O discurso do rei é a resposta dos conservadores ao avanço da influência da crítica nas hordas da academia. É bom salientar que ano passado esse grupo se viu órfão. Avatar e Bastardos inglórios eram libertinos demais e Guerra ao terror se apresentava com certo conservadorismo em sua liberalidade vocacional. Alinhar-se a crítica evitou consagrar um filme que atacava alguns males tipicamente americanos (o também premiado pela crítica Amor sem escalas).

Colin Firth, favorito na corrida pelo Oscar de ator, em cena do igualmente favorito O discurso do rei: desforra conservadora


Este ano, esse grupo teve sua desforra na inclusão de três filmes: O vencedor (7 indicações), O discurso do rei (12 indicações) e Bravura indômita (10 indicações). Essa guinada a direita pode, até mesmo, não se materializar. A mudança de comportamento da academia, que advém da mudança de perfil do membro votante, pode culminar em uma nova pulverização dos prêmios (como ocorrido em 2006 quando os principais Oscars se dividiram entre O segredo de Brokeback Mountain e Crash- no limite). Fato é que O discurso do rei ganhará mais prêmios do que merece. Inclusive podendo sorver o prêmio de melhor filme; o que entreposto a qualidade dos demais indicados seria lamentável.
Contudo, um indicador de que a briga ainda não está definida foi o resultado do Bafta. Por trás da esperada consagração de O discurso do rei na premiação britânica, estão os três sólidos prêmios conquistados por A rede social (direção, roteiro adaptado e montagem). A rede social também ganhou o prêmio do sindicato dos montadores e como em 90% das vezes, o melhor filme também ganha o prêmio de edição (o que aconteceu nos últimos oito anos é bom que se diga), a chama da esperança para o filme de Fincher ainda está acesa. Correm por fora nessa disputa, o novo e idolatrado filme dos Coen (Bravura indômita) e O vencedor. Contra o filme dos Coen, pesa o fato deles terem sido premiados muito recentemente. O que não quer dizer que o filme não seja forte em algumas categorias (som, fotografia e atriz coadjuvante são as melhores apostas). O filme pode, ainda, se beneficiar da acirrada disputa entre A rede social e O discurso do rei e se firmar como uma louvável terceira via. O vencedor tem o apoio inconteste dos atores, mas a derrota na categoria de elenco no SAG sugou um pouco de suas forças.

Cena de Bravura indômita, dos prestigiados irmãos Coen: honrosa terceira via


Legados

A disputa por direção parece restrita a três candidatos. Tom Hooper, mais por defender o filme líder de indicações, David Fincher, diretor que já merece o Oscar desde os anos 90, e Darren Aronosfky, o que apresenta o melhor trabalho de direção da temporada. Os Coen (que já venceram na categoria) e David O. Russell atingiram nas indicações o reconhecimento máximo a seus trabalhos. Hooper não merece ganhar. Talvez ganhe. Se o apoio do sindicato dos diretores trabalha em seu favor, a opção do Bafta por Fincher lhe desperta atenção. O trabalho de Fincher em A rede social é muito mais atraente, desafiador e gradual do que o de Hooper em O discurso do rei. A opção por Fincher deve ganhar força entre adeptos da divisão de prêmios entre A rede social e O discurso do rei. O melhor trabalho de direção nesse sentido (o de Darren Aronosfky em Cisne negro), só teria chance se os adeptos dessa divisão não fossem todos na dobradinha O discurso do rei/David Fincher e também prestigiassem a lógica A rede social/ Tom Hooper. Essa nova divisão poderia dar a vitória para Aronosfky. Mas é um cenário improvável. David Fincher deve prevalecer.

David Fincher sorri: 2011 deve ser o ano dele no Oscar 


A categoria de roteiro adaptado é a mais óbvia da noite. Mesmo que A rede social não fature nenhum outro prêmio, esse Oscar é certeza. Seria regredir moralmente se a academia negasse (ainda que por vias compensatórias a outros candidatos) esse Oscar ao filme.
Já a disputa na ala original é mais traiçoeira. Competem bons roteiros, é verdade, mas é igualmente inegável a superioridade do texto de A origem. Contudo, em favor do septuagenário roteirista de O discurso do rei (David Seidler), a academia pode preterir Nolan uma vez mais (cá entre nós, não é difícil preterir de novo, quando a maré está a favor). Por outro lado, há quem enxergue a necessidade de fazer justiça a um dos melhores filmes do ano e a um dos melhores artistas em atividade no cinema americano atualmente. Essa seria a categoria para fazer isso.


As atuações

O páreo já parece decidido nesse departamento. O favoritismo inconteste de Colin Firth, que vem desde antes do início da temporada de premiações, continua a ser ameaçado por Jesse Eisenberg (com mais chances) e por James Franco (com chances bem remotas). Contudo, Firth deve prevalecer por seu trabalho correto-embora longe de grandes ovações – em O discurso do rei.
Se Natalie Portman não vencer a disputa entre as atrizes é caso de Procon. O merecimento é inquestionável e a certeza só não é mais cristalina porque há sempre o fantasma das injustiças passadas, dessa vez materializado na figura de Annette Bening (que apresenta o trabalho menos notório do elenco de Minhas mães e meu pai e das indicadas nessa categoria).
Entre os coadjuvantes, Christian Bale segura a tocha de favorito por O vencedor e deve prevalecer mesmo. Tudo indica que o fato de ser antipático não irá influir. O que é positivo, embora Bale não apresente a melhor atuação do ano. Entre as coadjuvantes o cenário é mais nebuloso. A favorita ainda é Melissa Leo (O vencedor), mas a estreante Hailee Steinfield (Bravura indômita) que já era uma desafiante forte (ganhou o maior número de prêmios na temporada), além de ter mais tempo em tela, conta com a escorregada de Melissa Leo que andou cometendo gafes na campanha pelo Oscar. Amy Adams (O vencedor), a melhor da categoria, também é uma forte sombra.

Amy Adams e Christian Bale em cena de O vencedor: eles podem ser oscarizados no próximo domingo


O melhor do resto

A candidatura do mexicano Biutiful a melhor produção estrangeira foi impulsionada pela indicação de Javier Bardem ao Oscar de ator. Se o filme vinha escorregando nas premiações periféricas, recupera aqui o protagonismo. Mas como ser favorito não é bom negócio nessa categoria, o Oscar deve ficar mesmo ou com o canadense Incêndios ou com o dinamarquês Em um mundo melhor. Entre os documentários, Trabalho interno – apesar da estética jornalística - deve prevalecer. Exit Through the gift shop, sobre um famoso –ainda que anônimo - pichador francês, parece uma opção mais viável do que o anglo-brasileiro Lixo extraordinário.
O discurso do rei deve beliscar algumas categorias técnicas de A origem, assim como Alice no país das maravilhas. O veterano Roger Deakins pode engrossar a lista de não premiações a A origem se prevalecer por seu belo trabalho em Bravura indômita. Em sua nona indicação, já está na hora de um dos melhores fotógrafos em atividade no cinema atual ser reconhecido. Para variar, azar da turma de Nolan.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Oscar watch 2011 - Insight

As reminiscências de Cisne negro



O novo filme de Darren Aronofsky tem dividido a crítica, principalmente, brasileira. Há quem enxergue no filme um vigoroso exercício de estilo em uma apropriação muscular do cinema como ferramenta narrativa. Por outro lado, há quem veja um cineasta inseguro que mastiga todo o filme em redundâncias visuais. Estão mesmo nas imagens, e no poder alienatório delas, a grande questão de Cisne negro em matéria de cinema. Darren Aronofsky é um cineasta inquieto. Foram cortes multiplicados em Réquiem para um sonho (2000), estética inovadora em Pi (1998), registro semidocumental em O lutador (2008) e em Cisne negro, de alguma maneira, se presencia a decupagem desse estilo de forma acentuada. Aronosky filma com alguns simbolismos. Seus personagens estão sempre em frangalho emocional e em busca de algum sentido existencial.
Essa preocupação do cineasta pode ser observada de maneira mais cristalina ao juntar seus dois últimos filmes: O lutador e Cisne negro. Tanto lá como cá, estamos as voltas com personagens que exploram os limites de seus corpos. Em O lutador, Aronofsky se apropria do corpo e da história de vida de Mickey Rourke para sedimentar um personagem em busca de redenção (o próprio cineasta se encontrava nesse pathos já que fracassara em sua pretensão mais comercial, Fonte da vida). Em Cisne negro, assim como sua personagem principal precisa encontrar seu lado negro (sensual, descontrolado), o diretor exige o mesmo de sua intérprete, Natalie Portman. É com Aronosky que Natalie se entrega despudorada e apaixonadamente a um papel que, em suas nuanças, é de uma riqueza crepuscular. E Natalie Portman, em sua exploração particular, entrega uma performance irretocável.
Os simbolismos não param aí. Aronofsky disse em entrevista em Veneza que entende que os dois filmes são complementares. Não é mero jogo de palavras. Tanto lá como cá se tem acesso aos bastidores de atividades que angariam admiradores, mas que são parcialmente desconhecidas do grande público. Tanto lá como cá se testemunha devoção inconteste a um sonho (obsessão?) e a um modo de vida que pressupõe fortes interjeições emocionais.


Autor e co-autora: Aronofsky instrui sua estrela nos sets de Cisne negro; um caso de simbiose artística 



Perfeição para que te quero? Cisne negro é uma fábula de horror e um drama de beleza e técnica ímpares



Aronofsky une os dois filmes de vez ao aplicar o mesmo final para ambos. A resolução que se propõe, portanto, se configura como um diálogo de ênfase simbólica dentro da filmografia do diretor. O salto final que se vislumbra em ambos os filmes, talvez diga mais sobre esses personagens do que qualquer solução realista. É da trincheira entre surrealismo, naturalismo e realismo que Aronofsky compõe seu cinema. Em Cisne negro é adotado, também, o expressionismo como linguagem. Os espelhos, o jogo dos duplos (brilhantemente encenado durante a apresentação do lago dos Cisnes) e o frenesi pretendido por alucinações que se confundem com a realidade representam essa poderosa dinâmica que tão bem se comunica com o público e que tanto tem incomodado críticos entusiastas de um método de direção mais sutil.
Essa dicotomia está no âmago do filme. Cisne negro foi concebido com paixão e devoção (mais um símbolo inerente à obra). E como todo objeto de paixão que também se interessa em provocá-las, incitará reações adversas. É preciso reconhecer, porém, o acerto de Aronofsky em manter-se coerente (e itinerante) a sua obra e de realizar um filme tão polarizante. É inegável que Cisne negro tem muitas qualidades. A maior delas, talvez seja essa de sintetizar um cineasta experimental e provocador em uma obra tão lisérgica quanto acessível.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

OSCAR WATCH 2011 - Os olhos de Aronofsky


O diretor Darren Aronofsky bate um papo com seu cinegrafista Matthew Libatique



Ele é o diretor de fotografia preferido de Spike Lee e já trabalhou com cineastas como Joel Schumacher e Mathieu Kassovitz. Jon Favreau só dirige com o suporte desse nova-iorquino de 42 anos. Contudo, nenhum cineasta exige mais de Matthew Libatique do que Darren Aronofsky. Ambos surgiram juntos para o cinema em Pi (1998). A fotografia do filme se confundia com a proposta engenhosa e hermética. Trabalharam juntos novamente no igualmente hermético, e ainda mais alucinógeno, Réquiem para um sonho (2000). O filme que depurou, visualmente, o trabalho de ambos. Estabelecia-se assim uma simbiose no cinema de Aronofsky. Ele precisaria de Libatique para enxergar. Em Fonte da vida (2006), estavam novamente juntos. O fracasso comercial da fita não respingou em Libatique que colaborava com Shumacher (em filmes como Por um fio e Número 23) e Spike Lee (Elas me odeiam, mas me querem e O plano perfeito). O maior sucesso artístico e, até bem pouco tempo comercial, da carreira de Aronofsky – O lutador – não teve a participação de Libatique. O diretor de fotografia estava ocupado no trabalho do primeiro Homem de ferro e do último Spike Lee (Milagre em Santa Anna).
Para Cisne negro, uma das primeiras providências de Aronofsky foi garantir a participação de Libatique no filme. As filmagens chegaram a ser atrasadas em duas semanas para que o diretor de fotografia se liberasse dos sets de Homem de ferro 2. Com o passe cada vez mais disputado, o nova-iorquino - que por Cisne negro conseguiu sua primeira indicação ao Oscar – deve trabalhar muito nos próximos anos. Aronofsky já o garantiu em The Wolverine, seu próximo filme. O visual do novo filme do mutante mais querido do universo Marvel promete ser arrebatador.
Libatique e Aronofsky juntos criam imagens tão lindas quanto perturbadoras. Wolverine que os espere!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Crítica - Cisne negro

Poderoso!


Darren Aronofsky não é conhecido por ser um cineasta sutil. O que em muitos é defeito, no diretor de filmes como Réquiem para um sonho (2000) e O lutador (2008) é a cristalização de um dos maiores trunfos de seu cinema. A grandiloquência de Cisne negro (Black Swan, EUA 2010), essa obra prima moderna que dialoga com o clássico em forma, conteúdo e reverberação, é sintomática da necessidade de Aronofsky em chocar seu público. Remanejá-lo de sua zona de conforto. Essa condição ajuda a entender porque Aronofsky promoveu uma pequena revolução em seu cinema. De câmera em punho assombra seus protagonistas. Já fizera isso ao combalido Mickey Rourke em O lutador e torna a fazê-lo com a frágil Natalie Portman no novo filme. Esse recurso é mais um da cartilha do cineasta para transportar o público para dentro da ação fatigante que é viver a vida de Nina Sayers (Natalie Portman).
O diretor imprime um tom cada vez mais insidioso no desvelo da trama. Aos poucos, Cisne negro vai ganhando dimensão como horror psicológico e se alvorecendo como um drama de proporções maiúsculas sobre aquela personagem que na busca pela perfeição se perde de si mesma. Há quem ache ruim no filme sua vocação para explicitar visualmente todo o caos emocional da personagem. O tangenciamento de suas alucinações nunca é óbvio. É sugerido de forma enfática, nunca prolixa. Colaboram para essa sensação de agigantamento, a magnífica trilha sonora assinada por Clint Mansell – a partir da obra de Tchaikovsky - e a montagem inebriante de Andrew Weisblum.

Espiral de loucura: Aronofsky funde horror psicológico ao drama  


Ao filmar os bastidores de uma companhia de balé, Aronofsky está menos interessado na forma de arte e mais na maneira como sua protagonista se relaciona com essa arte. A representatividade desta em um âmbito emocional. Esse interesse já estava em O lutador (sendo a luta livre uma expressão de arte mais modesta, é verdade). Em Cisne negro ele é potencializado pela poesia nefasta entre beleza e feiúra que não se pressente no mundo do balé, porém, é intrínseco ao mundo de Nina Sayers.
Ao pautar seu filme de um frenesi crescente, Aronofsky estava ciente de que acumularia detratores, mas também tinha consciência dos resultados que obteria em termos dramáticos.
Aronofsky submete Natalie Portman a uma via crúcis das mais tenebrosas. A atriz entrega uma das atuações mais poderosas, desprovida de vaidade e cativantes dos últimos tempos. Tão grandiloquente quanto o filme deseja ser, Portman interioriza toda a carga emocional de sua personagem que precisa liberta-se de suas inibições. Uma performance que dialoga em níveis subliminares com a personagem. O registro é tão cuidadoso, e calculadamente hiperbólico, que isso transparece para o público quando necessário; na apoteótica cena final.

Eu sou você amanhã: Natalie Portman e Winona Ryder dividem a cena em uma das muitas cenas impactantes do novo filme de Aronofsky



O restante do elenco esbanja competência. Em especial o francês Vincent Cassel que como o intrusivo diretor da companhia brilha intensamente e assim como seu personagem provoca Nina para que ela se solte; Cassel propicia a Portman seus arroubos de grandeza no filme.
Com cinco indicações ao Oscar (filme, direção, atriz, fotografia e montagem), Cisne negro é aquele filme que submerge a força de sua intérprete. Se Natalie Portman está soberana, é porque Darren Aronosfky a ilumina dessa forma. Optasse por um registro mais sutil e menos sexual (na forma despudorada como expõe seus personagens e suas entranhas), não causaria um impacto tão devastador em seu público. A música insidiosa de Tchaikovsky encontrou um cineasta que soube traduzi-la em imagens de semelhante impacto.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Filme em destaque: Cisne negro

Sangue, suor e lágrimas

Dubiedade em frente ao espelho: Natalie Portman e Mila Kunis se entregam ao diretor Darren Aronofsky no filme que tem cinco indicações ao Oscar 2011 e é uma das produções mais elogiadas da temporada



Ao contrário do que o título da matéria possa sugerir não se trata de um filme de guerra. “É um filme de lobisomem”. A declaração é do homem que realizou o filme. O cineasta Darren Aronofsky, que já havia realizado algumas extravagâncias cinematográficas como PI, Réquiem para um sonho e A fonte da vida, tem a realização de Cisne negro como a realização de um projeto há muito ansiado. “Darren me abordou com a possibilidade de viver essa personagem maravilhosa há dez anos”, revelou em entrevista recente a atriz Natalie Portman. Como Cisne negro, que entra em cartaz nessa sexta-feira (4) nos cinemas brasileiros, não é um filme fácil e midiático, o projeto teve de ser posto em espera. Foi melhor assim. Aronofsky pôde refinar sua arte – o fracasso do autoral e pretensioso A fonte da vida foi crucial para que Cisne negro se configura-se da maneira que veio ao mundo – e Natalie Portman pôde alcançar a maturação artística e emocional exigida pelo papel. “Sem dúvida alguma foi o trabalho que mais exigiu de mim física e psicologicamente”, declarou a atriz à revista Época.
Natalie Portman, que já ganhou o Globo de ouro e o SAG, entre outros prêmios, de melhor atriz pelo filme, revelou à Entertainment Weekly que sempre desconfiava daqueles atores que se diziam atingidos ou afetados pelo personagem, mas se sentiu dessa maneira ao viver Nina Sayers. A protagonista de Cisne negro é uma mulher frágil, mas obsessiva; determinada, mas influenciável; boa, mas gananciosa. Extrapolar todo esse paradoxo, inclusive em um nível físico, foi um desafio imenso na carreira da atriz. Desafio mensurado tanto pelos treinos intensos de balé que chegavam a oito horas diárias (Natalie foi bailarina quando criança) e culminando nas cenas de masturbação e sexo lésbico. Houve, ainda, no caldo de preparação para a personagem, a necessidade de perder dez quilos e a necessidade de fazer uso de sua formação profissional para manter a Nina afastada da Natalie, ainda que próxima o bastante para compreendê-la. Natalie Portman, para quem não sabe, é formada em psicologia pela prestigiosa universidade de Harvard.

Vincent Cassel, como o diretor tirano da companhia de balé, é um dos muitos destaques positivos do filme de Darren Aronofsky 



Cinema de referências

E aplicar psicologia a Cisne negro é um convite tentador em meio a tantas referências imponentes. A primeira é a própria obra de Tchaikovsky (O lago dos Cisnes) que dá verniz a trama. A estética de O lutador, filme anterior de Aronofsky, é um atributo tenaz da linguagem do filme e, de alguma maneira, Cisne negro é, também, um desdobramento temático e arquétipo de Réquiem para um sonho. Mas as referências que a produção indicada a cinco Oscars (filme, direção, atriz, fotografia e montagem) traz em seu cerne não param aí. Dois filmes fundamentais da filmografia do franco polonês Roman Polanski parecem ser linhas mestras desta obra de Aronofsky. Repulsa ao sexo (1965) e, principalmente, O bebê de Rosemary (1968) vêm a mente do cinéfilo mais observador e cuidadoso dos detalhes.


Polanski´s way: Há cenas e enquadramentos que remetem a dois clássicos do diretor franco-polonês



Aronofsky faz, por fim, um filme interessado em aprofundar-se no psicológico de sua personagem e esse detalhe faz toda a diferença ao se debruçar sobre as referências alinhadas. Cisne negro pode contar com alguns clichês, como uma mãe dominadora, o mestre intimidador, a rival sensual e a invejosa que já foi estrela um dia, mas todos os filmes de lobisomens precisam de clichês. E se o leitor ainda não decifrou o porquê de Aronofsky considerar este filme, ambientado no universo do balé, como o seu filme de lobisomem, com a palavra o próprio: “É um filme de horror, em que testemunhamos uma pessoa atravessar por transformações de toda ordem. Física, emocional, sexual, etc.” A bem da verdade é que nunca se viu um lobisomem como Natalie Portman no cinema antes.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Momento Claquete #5

IN & OUT

 Javier Bardem, fotografado para ensaio da revista W, indicado ao Oscar de melhor ator por Biutiful
"Estou muito feliz pela honra.Ainda mais por se tratar de um filme não falado em inglês"



O homem do copião de ouro: Scott Rudim é o produtor de dois dos favoritos ao Oscar. Levam sua chancela A rede social e Bravura indômita



Por Bardem: Ryan Gosling viu sua colega de elenco Michelle Willians conseguir a segunda indicação ao Oscar de sua carreira por Namorados para sempre, mas teve seu nome preterido e, por enquanto, continua a ostentar uma única indicação na carreira por Half Nelson ( 2006)


No love for Ben: apesar de muito elogiado, das indicações do sindicato dos produtores e dos roteiristas e ao Critic´s Choice Awards, Atração perigosa no Oscar ficou mesmo na indicação para Jeremy Renner como coadjuvante



 
Uma atriz de fibra: Melissa Leo é a favorita na disputa entre as atrizes coadjuvantes por seu papel em O vencedor



Michael Douglas, em foto do editorial da W para as melhores atuações do ano: um dos melhores atores de 2010, com duas performances notáveis (O solteirão e Wall street - o dinheiro nunca dorme) completamente ignorado



Roger Deakins é o veterano de indicações entre os concorrentes a melhor diretor de fotografia: ele disputa seu nono Oscar pela nona colaboração com os irmãos Coen em Bravura indômita ( a maior parte das indicações são provenientes dessas colaborações)



 A diva: Annette Benning por Minhas mães e meu pai é a principal concorrente da favorita Natalie Portman. Sua candidatura se apóia muito mais no prestígio do que qualquer outra entres os atores e atrizes



 O delírio imperfeito: o italiano Dante Ferreti, já premiado com o Oscar duas vezes, ficou de fora da disputa com o excepcional trabalho de direção de arte realizado em Ilha do medo



O delírio perfeito: depois de alguns filmes delirantes e incompreendidos, Darren Aronofsky chega ao Oscar com propriedade. Além da indicação para melhor diretor, vê seu filme Cisne negro destacado como um dos melhores de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

Claquete destaca

+ Muita gente ficou em polvorosa quando surgiu um boato sobre Angelina Jolie viver Marylin Monroe e George Clooney, Frank Sinatra, em uma nova cinebriografia sobre a diva. Logo a notícia seria desmentida tanto por Jolie quanto por representantes de Clooney. Existiam indícios vívidos de que o anuncio era furado. O primeiro deles remete ao fato de que Angelina e Clooney não se dão bem. A atriz é contra a amizade de Brad com o ator que por sua vez tolera a nova senhora Pitt em respeito e consideração ao amigo. O segundo indício remete ao fato de que o diretor Andrew Dominik está envolvido na pré-produção de Blonde, uma biografia sobre a estrela que terá Naomi Watts no papel de Marylin. Essa produção já havia sido noticiada aqui em Claquete. Produções desse calibre não costumam serem tocadas de maneira concomitante. Basta lembrar de quando o filme sobre a vida de Alexandre o grande estrelado por Leonardo DiCaprio e dirigido por Baz Lhurman virou vinagre depois que a produção de Oliver Stone começou a ser rodada com, adivinhem, Angelina Jolie. É preciso saber decodificar Hollywood. Claquete ajuda!


+ Sylvester Stallone está incontido. Em entrevista a uma rádio de Los Angeles, o diretor e ator mais comentado da semana em Hollywood declarou que gostaria de ter Bruce Willis como o vilão de Os mercenários 2 (aproveitando um gancho de sua participação no primeiro filme). “Ainda é cedo, já que não há roteiro e tudo está no campo das ideias, mas isso seria um senhor ponto de partida”, finalizou Sly sobre Willis como o homem a ser batido por sua trupe no segundo filme.


+ Devem começar ainda este ano na Austrália as filmagens de Dracula year zero, que Alex Proyas (O corvo) dirigirá para a Universal. Sam Worthington estrelará a produção que mostrará um jovem conde na Romênia marcado por uma trágica história de amor. Resta saber se essa nova visão do mais famoso personagem vampiro será mais mais afeita a Crepúsculo ou a True Blood.


+ O diretor Robert Rodriguez declarou em entrevista ao jornal Los Angeles Times nesta semana que ficou bem empolgado com o roteiro de Deadpool. O diretor evitou comentar o conflito de agendas e de interesses entre Fox e Warner, já que tanto Deadpool quanto Lanterna verde contam com Ryan Reynolds como protagonista. Sendo que o filme da Warner já está pronto e será lançado ano que vem. A boca pequena em Hollywood é que caso a Fox dê o sinal verde para a produção de Deadpool, outro ator seria escalado para viver o protagonista.


+ Não se sabe se Piranhas 3D, que estreou ontem nos EUA, vai ser o filme do verão, tudo indica que não seja esse o caso, mas a julgar pelo frisson que foi a premiere do filme em Los Angeles esta semana pode-se dizer que a fita é forte concorrente.

Jerry o´Connel (que também esteve no badalado Pânico 2) é o bendito fruto entre as mulheres: nus frontais e tripas para fora...


+ Foi divulgado essa semana o primeiro trailer de Black Swan, thriller psicológico dirigido por Darren Aronosky que debutará, agora em setembro, nos festivais de Veneza e Toronto. O mundo do balé serve de pano de fundo para uma trama envolvendo ciúmes, inveja, obsessão e sexo (por que não haveria como não ter sexo com todos esses componentes). Apesar de um trailer movimentado o buzz foi todo em cima do beijo lésbico entre Natalie Portman e Mila Kunis. Para quem se interessou por essa parte apenas, no filme há uma tensa cena de sexo entre as duas.

sábado, 24 de julho de 2010

Claquete destaca


* Desenrola, filme dirigido por Rosane Svartman e que faz parte do pool de lançamentos da Globo filmes para esse segundo semestre, foi o grande destaque do Festival de Paulínea. O filme que acompanha o universo dos adolescentes cariocas de classe média, é uma espécie de As melhores coisas do mundo made in rio. Kayky Brito faz um surfista cobiçado pela protagonista da fita. Tal qual no filme de Laís Bodansky, o elenco é composto por jovens e novos atores cercados de coadjuvantes de peso como Juliana Paes e o jornalista Pedro Bial que faz uma ponta como um professor de matemática.

* Outro grande destaque do festival que acontece no interior de São Paulo foi o filme Malu de bicicleta, baseado no livro do jornalista Marcelo Rubens Paiva. Além de representar um oásis na produção cinematográfica brasileira que pouco se esmera em sua literatura contemporânea, o filme, segundo o protagonista Marcelo Serrado, se inspira em Woody Allen. Na trama, Serrado faz um empresário paulistano mulherengo que se apaixona pela carioca Malu que o atropela com uma bicicleta na primeira vez que ambos se encontram. O filme deve estrear nos cinemas brasileiros em novembro.

Romance no Rio: Em Malu de bicicleta um homem descobre o amor em uma mulher bem mas jovem

* Mas o grande vencedor do festival foi 5 X favela – agora por nós mesmos com 7 prêmios, incluindo melhor filme. O prêmio da crítica foi entregue para Jefferson Dê, em sua estréia em longas ficcionais, por Bróder. Ambos os filmes já haviam passado por festivais internacionais como Tribeca e Cannes. Contudo, essa premiação não deixa de mimetizar aquela velha máxima de que o cinema brasileiro e suas reminiscências (as premiações) se prestam a uma justificação social que não lhes cabe. Isso ficou patente na fala de Rodrigo Felha, um dos co-diretores de 5 X favela. “Vocês estão subestimando a favela. Não façam isso, por favor”, exaltou ao receber o primeiro prêmio na noite de quinta-feira. Com os outros seis, viria a certeza: a favela, no cinema, segue superestimada.


Comic com 2010
Está sendo realizada desde a última quinta-feira, e será encerrada amanhã, a nona edição da Comic com, realizada anualmente em San Diego. A principio, o evento era voltado apenas para o mercado dos quadrinhos, mas ganhou dimensões maiúsculas quando o cinema passou a interagir com maior frequência com esse filão. Hoje, a feira é a melhor plataforma para divulgação das últimas novidades da cultura pop.
Neste ano, os principais destaques ficaram por conta de Salt, filme estrelado por Angelina Jolie que estréia na próxima sexta no Brasil, Tron legacy, continuação da aventura cult dos anos 80 estrelada por Jeff Bridges e Scott Pilgrim vs o mundo, outra adaptação de HQ. Foram reveladas ainda as primeira imagens de aguardadas produções como Piratas do Caribe 4 e Lanterna Verde. Entre os tradicionais painéis do evento chamaram a atenção o de Glee, maior fenômeno da TV americana na atualidade, e de Smallville, antecipando alguns destaques da última temporada.

Angelina Jolie e Liev Schreiber compareceram ao evento para divulgar Salt



Bruce Willis e Helen Mirren estão em RED, outra adaptação de HQ cult celebrada na feira de San Diego


Stallone, que foi divulgar Os mercenários, fez piada de mal gosto com o Brasil, virou tending topic no twitter e pediu desculpas em nota oficial. Uma sexta-feira agitada...


O ocaso das comédias românticas
Uma pesquisa divulgada pela Warner home vídeo australiana, com vistas a promover o DVD de Idas e vindas do amor naquele país, traz um dado curioso. De acordo com a apuração da pesquisa, os australianos entendem que as comédias românticas afetam profundamente a percepção e as expectativas que têm em seus relacionamentos amorosos. Resta apurar, em termos práticos, se isso é bom ou ruim.

* Foi anunciado esta semana que o novo filme de Darren Aronofsky, o thriller Black Swan, será o filme de abertura da próxima edição do Festival de Veneza, a ser realizado entre os dias 1 e 11 de setembro. Aronofsky já levou o leão de ouro em 2008 por O lutador.

Natalie Portman na primeira cena divulgada do filme. Rivalidade, amor, obesseão e sexo são componentes de um dos filmes mais aguardados da temporada de ouro do cinema, a Oscar season

sábado, 14 de novembro de 2009

De olho no futuro...

O canto do cisne

O novo projeto do diretor Darren Aronofsky, de volta ao rol dos badalados após o sucesso de O lutador, Cisne negro começa a ganhar viço. Depois de assegurar Natalie Portman e Mila Kunis para serem bailarinas rivais que se equilibram entre o amor e o ódio que sentem uma pela outra, o diretor acaba de confirmar as presenças do francês Vincent Cassel e da americana “quero voltar a fazer sucesso” Winona Ryder em seu casting. O filme promete muito. E uma das razões para aguardar esse projeto com ansiedade é o elenco refinado que Aronofsky está montando para contar essa história sombria, e profundamente verdadeira, dos bastidores do balé.

O novo ataque do lobo

Filmes de monstros são sempre aguardadíssimos. Se for um remake do clássico O lobisomem, ambientado na era vitoriana, com efeitos especiais de primeira grandeza e Anthony Hopkins, Benicio DelToro, Hugo Weaving e Emily Blunt no elenco, a ansiedade aumenta mais. Contudo, os cinéfilos cardíacos passaram por maus bocados no aguardo desse filme. A fita do diretor Joe Johnston ( Jurassick Park 3, Substitutos) estava prevista inicialmente para o fim do ano passado. A Universal, estúdio responsável pela produção e distribuição do filme, resolveu adiar a estréia da fita para o verão desse ano alegando problemas na finalização dos efeitos especiais. Com a proximidade do verão, alterou a data novamente, para o fim desse ano, alegando ser o outono americano, uma data mais receptiva para o lançamento do filme. Há um mês atrás remanejou o lançamento do filme para fevereiro do ano que vem. Enquanto esperamos pelo lançamento do filme, que deve acontecer mesmo em fevereiro – por que senão o estúdio perde a moral de vez, essa semana foi liberado mais um cartaz do filme.



Terra prometida

Aconteceu. Depois da consagração internacional de seu mais recente trabalho, o drama À deriva, Heitor Dhalia recebeu muitos convites para trabalhar no cinema americano e seguir os passos de gente como Fernando Meirelles, Carlos Saldanha, Walter Salles e Vicente Amorim. Essa semana, Dhalia anunciou o projeto que escolheu para marcar seu debute na Meca do cinema. O suspense Abril 23, adaptado do livro Sadness at leaving: an espionage romance, conta a história de um agente da KGB que enviado a Nova Iorque para cumprir uma missão acaba se apaixonando e complicando sua vida. Nas mãos de outro diretor, esse filme poderia ser uma comédia ou uma fita de ação, nas mãos de Dhalia promete ser um estudo elaborado das contradições humanas. A produção é da independente Lakeshore e alguns nomes tarimbados de Hollywood já demonstraram interesse, como Jennifer Connelly, Forest Whitaker, Amy Adams e Clive Owen.

O francês Vincent Cassel (a esquerda) e Dhaila no pré-estréia carioca de À deriva: ele já chega em Hollywood causando

Lula made in Brasil

Essa semana o diretor Fábio Barreto se encontrou com um grupo de empresários latinos, em especial com o argentino Eduardo Constantini Jr., para acertar os últimos ponteiros sobre a distribuição internacional de Lula – filho do Brasil. A idéia é distribuir o filme para toda a América Latina simultaneamente. Feito inédito na história do cinema nacional. Algo que ainda salta mais aos olhos, se considerado que um filme brasileiro para garantir distribuição internacional precisa fazer grande sucesso no mercado interno e contar com engenhosos planos de marketing lá fora. Mas Lula é Lula. E seu carisma desconhece convenções. Resta saber se o filme de Barreto fará justiça a essa figura tão indecifrável e ao mesmo tempo tão popular.

Nunca antes na história desse país...

Muito além dos olhos azuis

Parece que a engenharia genética está com tudo no cinema. Após ser contestada em O enviado e relativizada em Uma prova de amor, agora ela será abordada de uma maneira mais complexa em Extraordinary measures, novo drama estrelado por Harrison Ford e Brendan Fraser. O drama dirigido por Tom Vaughn (que só tem no currículo o divertido Jogo do amor em Las Vegas) promete aprofundar questões éticas e morais, sem perder a emoção de vista. O trailer você confere aqui.