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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Momento Claquete #37

Reminiscências do Globo de ouro 2014

Kevin Spacey e Julia Roberts no after-party: o seu sorriso é maior do que o meu... 

Michael Douglas no melhor estilo que rei sou eu... 

Christoph Waltz e Bruce Dern: vamos acabar logo com isso? 

O diretor de 12 anos de escravidão, Steve McQueen ergue um caloroso "é nosso" para delírio contido de Michael Fassbender 

Robin Wright se esforçando para conquistar o melhor WTF moment da internet...

 ... mas antes das festas, antes de tudo, Jennifer Lawrence já tinha garantido esse prêmio também.

Todas amam Harvey: falta bochechas ao megaprodutor para ser beijada por Heidi Klum e suas amigas

Bradley Cooper e Liev Schreiber não ligam para as câmeras enquanto fazem aquilo que os homens mais gostam de fazer: fofocar

Julia Louis-Dreyfus em momento "fã pegajosa" com Martin Scorsese

O melhor diretor Alfonso Cuarón: olha a gravidade, ó...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Momento Claquete # 32

Vanity Fair Hollywood issue 2013

Alan Arkin, indicado ao Oscar por Argo, com toda a sua elegância... 

Ezra Miller, um dos destaques dos últimos dois anos no cinema por filmes como Precisamos falar sobre o Kevin e As vantagens de ser invisível 

Jane Fonda demonstra que majestade não se perde de vista... 

Joaquin Phoenix, indicado ao Oscar por O mestre, em foto de 1995 

 Michael Douglas e Kirk Douglas

Ben Affleck, Emma Stone e Bradley Cooper na imagem que valeu a capa da edição de março da Vanity Fair americana 

O francês Omar Sy, do sucesso Intocáveis, se prepara para tomar Hollywood de assalto 

Dakota e Elle Fanning se permitem luxuosas...

sábado, 21 de abril de 2012

Em off


Nesta edição de Em off, Jason Reitman escala Kate Winslet para seu novo filme; January Jones sai dos anos 60 e vai ao faroeste; David Cronenberg enquadra Robert Pattinson, Michael Douglas aceita  proposta para “causar” em Las Vegas, um novo programa no Canal Brasil que merece ser visto e a luz verde para a aguardada sequência de Sin city.

Uma nova Sharon Stone?

Vamos combinar: January Jones sabe ser sexy. Até mesmo com a frígida Betty Draper de Mad men, a loira provoca. Depois de debutar na franquia mutante com trajes vintage em X-men: primeira classe, Jones estrelará um faroeste. Isso mesmo. A loira irá repisar os passos de outra loira fatal: Sharon Stone. Em Sweetwater ela fará uma viúva em busca dos assassinos de seu marido. Ed Harris fará o xerife que lhe prestará assistência.
Vale lembrar que Sharon Stone protagonizou um dos melhores filmes de faroeste da década de 90, justamente quando estava na crista da onda. Resta saber se Sweetwater será o Rápida e mortal de January Jones.

Novo drama de Jason Reitman ganha forma
Jovens adultos não foi aquela unanimidade crítica experimentada pelo diretor e roteirista Jason Reitman em seus três filmes anteriores (Obrigado por fumar, Juno e Amor sem escalas). Mas, ainda assim, foi um filme que frequentou premiações e colheu bastante elogios. Reitman já se prepara para seu novo trabalho, uma adaptação de um romance de Joyce Maynard. Em Labor day, Reitman desenvolverá uma história passada no início dos anos 80. O foco será em uma mãe atravessando um conflituoso divórcio e seu filho de 13 anos. O plot gira em torno do impacto que a figura de um homem misterioso que surge na vida deles irá desenvolver. Reitman escreverá e dirigirá a fita que ainda não está negociada com nenhum estúdio. Mas a Universal, que distribuiu os dois últimos longas do diretor, tem prioridade. O elenco já está se formando. Josh Brolin, James Van Der Beek e Kate Winslet já estão certos.
A sinopse sugere uma curva na articulação dramática dos filmes de Reitman, mas o tema de ebulição interior, no entanto, pode surgir renovado.


A crônica dos diretores de prestígio
Houve uma verdadeira boataria na internet a respeito do diretor da sequência do sucesso de bilheteria Jogos Vorazes. O diretor do original, Gary Ross, não retornará por questões salariais e em virtude de priorizar um projeto de própria autoria no cinema independente.
Essa negativa, porém, não impediu a Lionsgate, estúdio responsável pelas adaptações dos livros da escritora Suzanne Collins, de sonhar alto. Foram considerados para o posto de diretor de Em chamas, gente do calibre de David Cronenberg, Alejandro Gonzáles Iñarritu, Bennett Miller e Alfonso Cuáron. Francis Lawrence (Água para elefantes e Eu sou a lenda) acabou sendo o escolhido.
De todos os aventados, o último e Alfonso Cuáron, que já dirigiu um filme da série Harry Potter, são os nomes mais compatíveis com as aspirações do estúdio. Contudo, não seria surpreendente se um dos outros tivesse sido contratado. Vale lembrar que Gus Vant Sant e Sofia Coppola externaram interesse em dirigir o último capítulo (que seria dividido em dois) da saga Crepúsculo. O posto acabou preenchido pelo não menos prestigiado Bill Condon.
São muitas e distintas as razões que levam cineastas autorais e com forte ligação ao cinema independente manifestar desejo de servir ao cinemão; mas parece ainda mais notável a tendência dos estúdios buscarem esses profissionais. Imaginem o que David Cronenberg não poderia fazer com um livro da série Jogos vorazes? Mas a verdadeira questão que se impõem com esse modismo é: até que ponto esses cineastas estariam dispostos a renunciar a bem caracterizada liberdade criativa em prol dos anseios dos estúdios? Mais sobre isso em uma futura seção Insight.


E finalmente...
Sin city 2 vai acontecer. Depois de anos com boatos, tentativas e negativas, a produção da sequência do filmaço de 2005 já está em andamento. E para alegria geral, Mickey Rourke confirmou que voltará a viver Marv – principal e mais carismático personagem do primeiro filme. Sin city: a dame to kill trará histórias inéditas e será novamente co-dirigido por Robert Rodriguez e Frank Miller. A estreia deve acontecer em 2013.


O que David Cronenberg fará com Robert Pattinson?
Pense em Leonardo DiCaprio antes de Martin Scorsese? Pensou? Era ouuutro ator, certo? É inegável que Scorsese foi um importante catalisador para DiCaprio; fazendo com que o novo pupilo maturasse como intérprete e desenvolvesse  gosto por projetos desafiadores. David Cronenberg pode ter o mesmo papel para Robert Pattinson, ator de talento, mas preso a um personagem muito específico e a uma idolatria exacerbada. Isso, porém, já foi dito aqui em Claquete em outras oportunidades. O novo trailer de Cosmopolis, filme confirmado no próximo festival de Cannes, adensa essa percepção. Duvida? O trailer está logo abaixo!


O papel da vida
Estreia na próxima quarta-feira (25), às 21h no Canal Brasil, um dos programas mais inventivos e bem vindos com o cinema nacional como foco. “O papel da vida” é um projeto desenvolvido em parceria pela cineasta e apresentadora Marina Person e seu marido, produtor e diretor do programa, Gustavo Rosa de Moura. A ideia é debater o papel mais importante de atores e atrizes que marcam o cinema nacional. O programa de estreia destaca Alice Braga que fala sobre seu trabalho na produção hollywoodiana Eu sou a lenda. A atriz topou fazer o piloto antes da confirmação de que o programa seria aprovado para entrar na grade do canal. Serão episódios inéditos todas as quartas-feiras. A primeira temporada vai até 18 de julho, com um total de 13 episódios.


Se beber não case de grife!
Não há como negar que Se beber não case é uma ótima comédia. Não há como negar, também, que sua sequência é pavorosa. Pois bem, a CBS films e a Mandate pictures, dois estúdios de média projeção em Hollywood, estão articulando um projeto que tem tudo para colocar Se beber não case 1, 2 e o 3 – que está em produção – no chinelo. Last Vegas, que vem sendo apropriadamente chamado de “Se beber não case da terceira idade”, terá Michael Douglas como um mulherengo inveterado que, prestes a se casar com uma mulher com metade da sua idade, organiza uma despedida de solteiro em Las Vegas. Robert De Niro e Christopher Walken estão em negociações para estrelarem como os amigos de Douglas. Os produtores sonham com Jack Nicholson para a quarta vaga. A direção será de Jon Turteltaub (Enquanto você dormia e A lenda do tesouro perdido) e o roteiro é de Dan Fogelman, um dos responsáveis pelo ótimo Amor a toda prova. Prometer, promete!

Quarteto fantástico: Se esse time fechar, o porre em Las Vegas vai ser de lascar...

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Crítica - À toda prova


Diversão com pedigree!

Ser Steven Soderbergh tem suas vantagens. O diretor americano rodou dois longa-metragens com elencos recheados de estrelas de primeira grandeza quase que simultaneamente. Um, Contágio, sobre um vírus mortal e sem precedentes que põe em risco o futuro da humanidade, e outro esse movimentado À toda prova (Haywire, EUA 2012); filme de ação que se vale de alguns elementos relacionados ao cinema de espionagem e protagonizado por uma lutadora de MMA, Gina Carano.
A grife Soderbergh atraiu atores de peso para figurar entre os coadjuvantes e apanhar de Carano, que faz uma agente de uma empresa paramilitar traída e em busca de vingança. Gente como Ewan McGregor, Michael Fassbender, Michael Douglas, Antonio Banderas, Bill Paxton e Mathieu Kassovitz abrilhanta esse filme de ação classudo com locações na Irlanda e na Espanha.
Carano e Fassbender em cena de À toda prova: filme de
ação cheio de estilo e sofisticação
De maneira não linear, Soderbergh estipula a jornada de Mallory Kane (Carano) na busca pelos responsáveis por um intrincado plano para matá-la. Ela precisa, obviamente, saber quem quis matá-la. Informação que ela já detém na primeira cena do filme, mas que o público só terá plenamente na meia hora final.
O diretor novamente esbanja técnica na arte de contar uma história no cinema. Com trilha sonora envolvente, direção de arte sóbria e fotografia não menos impactante, o cineasta faz de um filme de ação até certo ponto banal um interessante e climático exercício de estilo.  Tudo isso ainda com ótimas cenas de luta. O embate entre Carano e Fassbender, por exemplo, é uma das melhores lutas do cinema recente. Coisa do tipo que não se via desde O ultimato Bourne (2007). Aliás, se tem uma coisa que À toda prova deixa transparecer com nitidez é o grau de influência da trilogia Bourne no cinema de ação moderno. Até mesmo Soderbergh quis fazer o seu Bourne. Fez e aferiu algumas marcas pessoais que fazem da fita estrelada por Carano um entretenimento acima da média.

sábado, 24 de setembro de 2011

Cantinho do DVD

Existem filmes que parecem ficções científicas e acabam se revelando comédias. Outros, descritos como filmes de guerra, são na verdade dramas viscerais. Acima de qualquer suspeita é um remake de um drama sublime do grande Fritz Lang. Na releitura virou um drama de tribunal raso que se resolve como um filme de mistério muito melhor do que se imaginava possível. Típico caso em que um filme fica melhor pelas opções narrativas do diretor. O que chama a atenção é que Peter Hyams apresenta majoritariamente trabalhos vinculados ao cinema de ação. Por essa soma de fatores, Acima de qualquer suspeita é uma agradável surpresa.




Crítica

Existem remakes que se inferiorizam mediante os filmes originais porque são desnecessários ou porque emulam frivolamente tudo o que já constava do material original, sem avançar conceitualmente ou narrativamente. Não é isso o que acontece com Acima de qualquer suspeita (Beyond a reasonable doubt, EUA 2009), refilmagem do clássico de Fritz Lang Suplício de uma alma (1956). O filme do competente Peter Hyams (Fim dos dias), no entanto, padece de uma ingenuidade que era imperceptível no primeiro filme. Isso porque o direito, ciência social sob a qual o filme se ergue, evoluiu muito e também se tornou mais acessível.
Esse pormenor não faz de Acima de qualquer suspeita um filme equivocado, mas torna a guinada do roteiro que arma o terceiro ato do filme, improvável.
Na fita, o jovem jornalista C.J Nicholas (Jesse Metcalfe) desconfia que o promotor de justiça (Michael Douglas) se vale de artifícios corruptos para obter condenações. Nicholas então, com ajuda de um colega, trama um ardiloso plano para desbaratar o esquema do promotor.
O jornalista assumiria um crime, aparentemente insolúvel, permitindo que a investigação tivesse acesso a provas circunstanciais (produzidas pelo próprio) – que em si não seriam suficientes para um veredicto favorável à acusação – e revelaria a farsa quando ficasse caracterizado que o promotor corrompeu as evidências. O problema é que o colega de Nicholas é assassinado no momento em que a revelação seria feita.
Acima de qualquer suspeita, portanto, excede sua premissa quando já marca 40 minutos de projeção. Até lá, Hyams não esconde em momento algum sua pretensão de brincar com as expectativas da audiência. Desde a cena inicial, o diretor sinaliza que a construção de seu filme tende a jogar com as deduções do público. É ao propor esse jogo, e o delinear com sagacidade narrativa, que Hyams consegue melhorar seu filme. Resolvendo-o como uma trama de mistério quando se pensava ser um drama de tribunal. Dessa perspectiva, a ingenuidade demonstrada na caracterização da promotoria de justiça com ares de máfia torna-se justificável e até mesmo perdoável.
Outro porém do filme é seu protagonista. Apesar de esforçado, Jesse Metcalfe não reúne recursos suficientes para compor um personagem tão tridimensional quanto o seu C.J Nicholas. A sorte de Hyams é contar com Michael Douglas como o promotor corrupto. Douglas, sem muito esforço, prova que certos atores são capazes de desviar nossa atenção das coisas mais óbvias e irritadiças.

sábado, 13 de agosto de 2011

Momento Claquete # 18

Pais & filhos
Papai Brad e sua prole: na foto, o trio de rebentos adotados em diferentes partes do mundo 


"Um dia você vai me superar": Kirk Douglas brinca com o filho Michael em uma foto rara que o leitor de Claquete tem acesso

Quase sessenta anos depois...: Michael Douglas mima uma de suas filhas com a segunda mulher Catherine Zeta Jones 


Princesa moderna: Suri Cruise é tudo aquilo que Tom Cruise sonhou e ele não se cansa de babar


O chefão e a condessa: Francis Ford Coppola carrega Sofia em seus ombros. Hoje, já não é mais assim...


Pai e filho no negócio do carisma: Will Smith nem precisou se esforçar para viabilizar seu filho, Jaden, como astro teen 


Papai já ganhou Oscar: Bryce Dallas Howard se dá bem como atriz, carreira que o pai Ron tentou antes de se tornar um diretor e produtor de sucesso 


Entre orgulhos e vexames: uma das mais conhecidas dinastias de Hollywood anda encolhida ante os frequentes colapsos do mais midiático de seus integrantes. Mas o pai, Martin Sheen, tem amor de sobra para Charlie e Emilio Estevez 


Paternidade redentora: Quem já viu, diz que Ben Affleck é outro homem após o nascimento de sua filha

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Momento Claquete #5

IN & OUT

 Javier Bardem, fotografado para ensaio da revista W, indicado ao Oscar de melhor ator por Biutiful
"Estou muito feliz pela honra.Ainda mais por se tratar de um filme não falado em inglês"



O homem do copião de ouro: Scott Rudim é o produtor de dois dos favoritos ao Oscar. Levam sua chancela A rede social e Bravura indômita



Por Bardem: Ryan Gosling viu sua colega de elenco Michelle Willians conseguir a segunda indicação ao Oscar de sua carreira por Namorados para sempre, mas teve seu nome preterido e, por enquanto, continua a ostentar uma única indicação na carreira por Half Nelson ( 2006)


No love for Ben: apesar de muito elogiado, das indicações do sindicato dos produtores e dos roteiristas e ao Critic´s Choice Awards, Atração perigosa no Oscar ficou mesmo na indicação para Jeremy Renner como coadjuvante



 
Uma atriz de fibra: Melissa Leo é a favorita na disputa entre as atrizes coadjuvantes por seu papel em O vencedor



Michael Douglas, em foto do editorial da W para as melhores atuações do ano: um dos melhores atores de 2010, com duas performances notáveis (O solteirão e Wall street - o dinheiro nunca dorme) completamente ignorado



Roger Deakins é o veterano de indicações entre os concorrentes a melhor diretor de fotografia: ele disputa seu nono Oscar pela nona colaboração com os irmãos Coen em Bravura indômita ( a maior parte das indicações são provenientes dessas colaborações)



 A diva: Annette Benning por Minhas mães e meu pai é a principal concorrente da favorita Natalie Portman. Sua candidatura se apóia muito mais no prestígio do que qualquer outra entres os atores e atrizes



 O delírio imperfeito: o italiano Dante Ferreti, já premiado com o Oscar duas vezes, ficou de fora da disputa com o excepcional trabalho de direção de arte realizado em Ilha do medo



O delírio perfeito: depois de alguns filmes delirantes e incompreendidos, Darren Aronofsky chega ao Oscar com propriedade. Além da indicação para melhor diretor, vê seu filme Cisne negro destacado como um dos melhores de 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Crítica - O solteirão

Um ator em estado de graça!

Michael Douglas e Susan Sarandon em cena de O solteirão: Douglas dispara na corrida pelo Oscar com uma composição assombrosa de um homem frágil e refratário

Não é segredo para ninguém que um bom ator em um bom momento pode potencializar, e muito, a experiência que se tem dentro de uma sala de cinema. É mais ou menos isso que faz Michael Douglas em O solteirão (Solitary man, EUA 2010). Não se deixe enganar pelo péssimo título nacional, este filme não é uma comédia sobre um homem livin´ la vida loca. Há humor, mas do tipo desesperançoso que se camufla em constrangimento e comiseração. Douglas é Ben, um homem que estragou um casamento sólido e uma bem sucedida carreira de empresário. Não testemunhamos o personagem desmoronar em seu destino, mas o flagramos debatendo-se com a insurgente verdade de sua vida. Ele está só. Ben vislumbra no namoro com uma socialite nova-iorquina (Mary Louise Parker) a chance de escalar o topo novamente (devido as boas conexões do pai da moça). Mas Ben, por razões que vamos descobrindo à medida que o filme avança, está entregue a impulsos auto destrutivos que não parecem ter limites e após dormir com a filha de sua namorada põe essa “nova” chance a perder.
Daí em diante, vemos a derrocada de um homem que se recusa a assumir responsabilidades e encarar a vida de frente. A jornada de Ben para dentro de si mesmo é de uma poesia angustiante. O roteiro de Brian Koppelman é brilhante por não defender o personagem e, pelo contrário, expor as fissuras em sua alma à medida que o conhecemos mais. Nesse sentido, a atuação de Michael Douglas é providencial. O ator domina a figura de Ben com densidade maiúscula. É possível tocar a amargura do personagem. Sente-se carinho, piedade e desprezo por Ben, mas mais do que isso, Douglas permite que compreendamos aquela figura, suas escolhas e suas reminiscências. Todo esse processo só se torna orgânico graças a performance extraordinária do ator. Aqui Douglas está em seu melhor momento desde Garotos incríveis (2000) e uma indicação ao Oscar seria, no mínimo, justa para honrar tal estado de graça.

sábado, 25 de setembro de 2010

ESPECIAL WALL STREET - O DINHEIRO NUNCA DORME: Crítica

Na cova dos leões!

Entretenimento sagaz, crítica inteligente e diálogos de alta voltagem em um exemplo de cinema bem feito  


Muitos podem dizer que Oliver Stone está se repetindo com Wall street- o dinheiro nunca dorme (Wall street- Money never sleeps, EUA 2010) ou que este segundo filme, lançado 23 anos depois do primeiro, não tem a urgência nem a primazia que fizeram do primeiro Wall street um acontecimento cinematográfico de tanto apelo quanto um crash financeiro. Não deixa de ser uma afirmação legítima. Não há nada no novo filme que já não estivesse delimitado no primeiro. O que Stone faz aqui é ampliar, com invejável dose de cinismo, seu comentário. “Alguém me lembrou que certa vez eu disse que a ganância é boa. Agora ela é legalizada”, a frase certeira disparada por Gordon Gekko em uma palestra em que promove seu mais recente livro captura brilhantemente o espírito do novo filme. Stone volta-se novamente para a mais volátil e cruel das selvas. A dos homens que simplesmente não conseguem se satisfazer.
O novo filme começa com Gekko saindo da prisão e Stone não economiza nem mesmo aí. Mapeia logo para seu público que os tempos são outros (reparem no tamanho do aparelho celular de Gekko). Antes de limusine, Gekko se vê um usuário do transporte público. Não é apenas em cima do célebre personagem que Stone destila sua verve crítica; Bretton James (Josh Brolin em inspirada atuação), Jacob Moore (Shia Labeouf) e Lou Zabel (Frank Langella) são todos facetas de um mesmo sonho. O novo Wall street se assenta mais sobre alguns princípios financeiros do que o primeiro, mas Stone é tão hábil em repercuti-los quanto o fora no original. Diferentemente do primeiro filme, a moral de Stone é apresentada logo de cara. O diretor não deixa-nos esquecer do “risco moral” (para usar um termo em voga no filme) de nos afeiçoarmos àquele mundo. Um mundo em que todo o sentido se resume a competição. Há muito no novo filme para ser digerido, mas antes disso, salta aos olhos o entretenimento fino que O dinheiro nunca dorme é.
Jacob Moore se aproxima de Gekko após o suicídio de Zabel, cuja empresa faliu devido a intervenções especulativas de Bretton James. O objetivo primal de Jacob é vingança. O segundo é estabelecer uma nova relação mentor e protegido, tal qual tinha com Zabel e como vimos no filme original entre Gekko e Bud Fox (Charlie Sheen). Em certo ponto, os propósitos de Jacob se alinham aos de Gekko.
O vigor da fita é impressionante. Sejam os diálogos matadores ou as situações invariavelmente inacreditáveis (e justamente por isso críveis) que testemunhamos no exercício que Stone se propõe de reconstituir o legado de Wall street para a presente geração.


Nada como um dia após o outro: Em Wall street, como na vida, tudo é ciclíco...


O aspecto visual também chama a atenção. A música é alentadora e ajudar a montar o painel elegante que o diretor objetiva. Se há um porém em O dinheiro nunca dorme é a súbita vontade de Stone em redimir seus personagens (especialmente Gekko). Algo que não ocorrera no primeiro filme.
Entretanto, não se pode negar que Stone tenha sido mais enfático em sua mise en scène. Contudo é, também, inegável que ele continua vislumbrado com os mecanismos e a dinâmica do sistema. Não à toa seu filme começa com a câmera zanzando pelos arranha –céus de Wall street e termina com algumas bolhas soltas pelo ar. Não há forma mais enfática de externar a fissura diária que se dá em Wall street.

Cantinho do DVD

Com o principal lançamento do mês nos cinemas (Wall street- o dinheiro nunca dorme), e de volta a seu personagem mais célebre (o yuppie Gordon Gekko), convém dar uma espiada em outro grande momento do ator Michael Douglas. Em Garotos incríveis, destaque desta semana de Cantinho do DVD, Michael Douglas vive Tripp, um professor universitário que outrora experimentara o sucesso editorial e que hoje não sabe muito bem como ajustar suas expectativas e sua perspectiva. O filme de Curtis Hanson (diretor que flagra como poucos períodos de ebulição emocional) é um achado em termos de abordar questões essencialmente dramáticas de maneira otimista e solar. Um filme contagiante que tem uma das melhores atuações de Michael Douglas no cinema (o ator foi indicado ao Globo de ouro pelo papel).


Ficha técnica:

Título original: Wonder boys
Direção: Curtis Hanson
Roteiro: Steve Klobes
Elenco: Michael Douglas, Tobey Maguire, Katie Holmes, Robert Downey Jr. e Frances McDormand
Gênero: drama
Duração: 113 min
Estúdio: Paramount e Mutual Pictures
Status: disponível em DVD e Blu-ray para venda e locação
Sell thru: (preço médio)
DVD simples: R$ 19,90
Blu-ray: R$ 99,90

 


Crítica

Captar a essência de crises e angústias existenciais é uma vocação cinematográfica que nem sempre resulta em um filme de qualidade. Ressonante e sincero na proposta e reflexivo e inteligente em seu desenvolvimento. Garotos incríveis (Wonder boys, EUA 2000), novo filme do diretor de Los Angeles: cidade proibida, Curtis Hanson, tem essa particularidade que o precede.
 O filme que acompanha um final de semana atípico na vida de um professor universitário que certa vez escreveu um best seller e não consegue finalizar seu segundo livro é um retrato tenro do amadurecimento tardio. Do emparelhamento de emoções e de como elas servem a propósitos que vão de encontro com nossas escolhas. Hanson evita as escolhas óbvias em filmes do gênero e mistura elementos de um buddy movie a uma típica comédia de erros americana. Michael Douglas assume com impensável leveza, sem prescindir da sofisticação que lhe é característica, o papel do professor universitário que em um mesmo fim de semana tem de lidar com um aluno genial, mas arredio, com uma aluna apaixonada, com seu editor bom vivant que se sente pressionado, com a reitora, de quem é amante, lhe dando um ultimato e com uma série de eventos que se interrelacionam como desdobramentos naturais desse fim de semana faustiano.
Garotos incríveis traz desempenhos contagiantes de um elenco sem vaidades. Tobey Maguire cativa com seu registro curioso e complacente de um jovem prodigioso, mas sem referências firmes. Robert Downey Jr. empresta uma veia sarcástica ao contraponto do personagem de Douglas na figura de seu editor e as atrizes Katie Holmes e Frances Mcdormand também têm bons momentos.
Em última análise esse é um filme que aborda uma questão constante no cinema de uma maneira fresca. Solar. É um senhor alento para a produção hollywoodiana embalada pela brilhante música composta por Bob Dylan, Things have changed.

Michael Douglas comove e diverte na pele de Tripp

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

ESPECIAL WALL STREET - O DINHEIRO NUNCA DORME: TOP 10

Os dez grandes personagens da carreira de Michael Douglas

10 – Steven Taylor (Um crime perfeito, EUA 1998)
Na pele de um magnata, que para se safar de dívidas trama a morte da própria mulher com o amante da mesma, Douglas brinca com as referências que o próprio galvanizou no cinema dos anos 80.

9 - Oliver Rose (A guerra dos Roses, EUA 1989)
As batalhas conjugais nunca mais foram as mesmas depois dos Roses. Na perola do humor negro dirigida por Danny DeVitto, Michael Douglas e Katherine Turner dão vida a um casal que vai se destruindo aos poucos. Douglas encarna o tipo suburbano com insuspeita naturalidade.

8 – Robert Wakefield (Traffic, EUA 2000)
Na pele de um juiz federal que está a frente de uma poderosa campanha contra a proliferação das drogas que tem a rotina familiar transformada ao saber que sua filha é dependente química, o ator faz muito com pouco. Apesar do papel pequeno, Douglas consegue além de cativar a audiência, marcar com seu personagem.

7 – Dan Gallagher (Atração fatal, EUA 1987)
Um verdadeiro clássico do cinema thriller erótico que Hollywood produzia aos montes no final dos anos 80 e inicio dos 90. Aqui Douglas faz o cara que tem um casamento sólido, uma vida bem estabelecida e trai sua mulher, simplesmente pela oportunidade ter aparecido. Douglas dá a cara para bater ao mostrar o enfado sexual de uma geração.

6 – Presidente Andrew Sheperd (Meu querido presidente, EUA 1995)
Existem atores que tem que viver um presidente americano. Michael Douglas é um deles. Numa comédia romântica ambientada na Casa Branca e com o cotidiano de um chefe de estado como pano de fundo, Meu querido presidente é um entretenimento dos mais suaves e charmosos. Na figura do honesto e atencioso Andrew Sheperd, Douglas não precisa se esforçar para convencer como um presidente solteirão capaz de cancelar uma reunião de estado para não deixar a namorada jantar sozinha.

5 – Nick Curran (Instinto selvagem, EUA 1992)
Talvez você não tenha notado Michael Douglas nesse filme, mas ele está firme e forte como o policial machista feito de fantoche pela loira fatal vivida por Sharon Stone. Michael Douglas capricha na canastrice no papel mais desejado pelos homens da face da terra naquele começo dos anos 90.

4 – Tom Sanders (Assédio sexual, EUA 1994)
Vivendo mais um tipo sacana em sua carreira, o ator faz um pai de família que reencontra uma antiga paixão no trabalho. A antiga paixão, que é sua nova chefe, o assedia. Embora tentado, Sanders resiste e então a personagem de Demi Moore o acusa de assédio sexual. Uma brincadeira metalinguística do diretor Roger Donaldson ao escalar o ator de Atração fatal e Instinto selvagem para ser a “vitima” aqui. Douglas, com sua kilometragem, sai-se muito bem.

3 – Professor Grady Trip (Garotos incríveis, EUA 2000)
Talvez a melhor performance da carreira do ator seja esta aqui. Em que vive um professor universitário cercado pelos seus problemas e pelos de seus alunos. Douglas se despe daquelas referências que galvanizou nos anos 80 e abraça um personagem totalmente incomum em sua filmografia. E o faz com o coração.

2 – Willian Foster (Um dia de fúria, EUA 1993)
Aqui o ator faz o cidadão comum levado ao extremo. No icônico Um dia de fúria, testemunhamos Willian Foster dizendo “chega”. “Não tolero mais!” Até hoje a catarse mais significativa e contundente a emergir das telas do cinema.

1- Gordon Gekko (Wall street – poder e cobiça, EUA 1987 e Wall street – o dinheiro nunca dorme, EUA 2010)
Não tem jeito. Esse será o personagem pelo qual Michael Douglas será lembrado na posteridade. Não só por ter lhe valido o Oscar, mas por ter sido este o filme que lhe deu status de astro de cinema e, ao mesmo tempo, de ator sério. Michael Douglas é indissociável da figura de Gordon Gekko. Ou seria o contrário?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ESPECIAL WALL STREET - O DINHEIRO NUNCA DORME: De volta a Wall street


“Estou confuso como todo mundo”, disse o cineasta Oliver Stone em entrevista ao jornal New York Times em maio último, quando indagado - durante um passeio por Wall street (a rua) – sobre o que achava da crise financeira deflagrada a dois anos atrás justamente naquele endereço. A entrevista em que Stone admite entender muito pouco ou “quase nada” de mercado financeiro pode ser vista no Youtube. Também disponível no Youtube, embora não na integra, está a entrevista coletiva que o diretor e o elenco de Wall street – o dinheiro nunca dorme concederam (também em maio) no último festival de Cannes.
“Michael (Douglas) e Ed Pressman (produtor do filme) vieram com a idéia em 2006, mas eu não queria celebrar aquela cultura da riqueza. Depois da crise, foi como um grande ataque cardíaco”, revelou o cineasta. “Era hora de voltar ao assunto”. Oliver Stone conta que até hoje se impressiona com o alcance de Gordon Gekko, o personagem que virou modelo para operadores do mercado financeiro. Michael Douglas se esquiva de tal responsabilidade: “Perguntam-me se me sinto culpado por ter encarnado um personagem que virou essa espécie de modelo. Claro que tudo o que aconteceu no mercado financeiro nos últimos dois anos mostrou abusos da expressão ‘a ganância é boa’ (bordão do personagem), mas, em vez de culpa, fiquei satisfeito por interpretar um vilão que as pessoas admiram. Mas Gordon Gekko ainda é um vilão? O segundo filme começa com Gekko saindo da prisão após oito anos de pena por crimes do colarinho branco. Proibido de operar ações, enquanto tenta se reconciliar com sua filha Winnie Gekko (Carey Mulligan), o ex-tubarão das finanças vive de palestras e do livro em que critica o comportamento agressivo do mercado financeiro. A aproximação entre pai e filha é intermediada por Jacob Moore (Shia Labeouf), namorado de Winnie, que é um operador financeiro. Jacob trabalha na empresa de Lou (Frank Langella), seriamente prejudicada devido a intervenções especulativas do mega investidor Bretton James (Josh Brolin). É esse o plot que trará Gordon Gekko novamente a seu habitat.


A trupe no Festival de Cannes em maio: "era hora de voltar"


Oliver Stone orienta seus astros nos sets de filmagens


Michael Douglas sintetiza a razão de ser do filme: “Ficamos pensando: aqueles estudantes hoje (que viram Wall street - poder e cobiça nos cinemas) devem estar dirigindo esses bancos de investimento. A ganância virou legal. Era uma oportunidade de ir ao fundo das coisas. Gekko mudou? Você não sabe, até o final do filme.”
Com essa provocativa frase, Douglas crava o perfeito timing da produção. Na era da internet e dos pregões on-line, é de se supor que Gekko se proliferaria com muito mais volúpia. É inegável que toda a curiosidade sobre o filme gira em torno deste personagem.

Tubarão da vez: Josh Brolin, ao lado do veterano ator Eli Wallach, encarna o pior de Wall street no novo filme


Acertando os ponteiros

Wall street – o dinheiro nunca dorme foi anunciado no ano passado. A principio, o papel do ‘Gordon Gekko atual, mas consideravelmente menos charmoso’ seria de Javier Bardem. O ator espanhol saiu da produção em cima da hora (devido a conflitos de agenda com Comer,rezar e amar que já estava em ritmo de gravações) e foi substituído por Josh Brolin, que já havia sido George W.Bush para Oliver Stone em W. O fato de Brolin viver um bom momento só agregou valor a produção. Outra que já estava no elenco de O dinheiro nunca dorme e viu seu passe se valorizar no começo do ano foi Carey Mulligan, indicada ao Oscar de melhor atriz por Educação. Além disso, Michael Douglas tem a companhia de Susan Sarandon, Frank Langella, Shia Labeouf e Charlie Sheen que faz uma participação especial para ajustar as perspectivas. Mas, afinal, o que esperar desse segundo filme? “Um Gordon Gekko mais vulnerável”, afirma Josh Brolin. Se isso é bom ou ruim, rememoremos Michael Douglas: “você não sabe. Até o final do filme”.


Fera ferida: Será Gordon Gekko o mesmo capitalista indomável de outrora?