segunda-feira, 29 de abril de 2013
Espaço Claquete - Jovens adultos
sábado, 21 de abril de 2012
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sábado, 12 de novembro de 2011
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sábado, 14 de agosto de 2010
Claquete destaca

quarta-feira, 2 de junho de 2010
TOP 10
10 – Marc Webb (500 dias com ela)
Todo mundo ficou impressionado com o trabalho de estréia de Webb. O bonitinho, mas que não deixa de ser ordinário, 500 dias com ela debutou em Sundance e tomou a cena independente de assalto. Webb mostrou-se inventivo na direção e soube tirar proveito de um roteiro bastante original. Tanto é, que seu segundo trabalho como diretor será a frente do quarto filme do Homem-aranha.
9 – Sofia Coppola (As virgens suicidas)
Ela vem de família proeminente em Hollywood. Filha de um dos maiores cineastas americanos, Francis Ford Coppola, tentou emplacar uma carreira de atriz, talvez por orientação paterna (esteve em três filmes do pai), e teve de se esquivar da sombra do pai famoso. O que conseguiu de imediato. Logo em seu primeiro filme, Sofia empregou uma identidade própria muito forte. Sua narrativa em pouco lembrava a de seu pai e sua sensibilidade pôs a crítica em suspensão. Ali estava uma grande diretora. Um raio caíra duas vezes no mesmo lugar.
8- George Clooney (Confissões de uma mente perigosa)
Todo mundo esperava uma bomba da estréia na direção de George Clooney, que para muitos, nem mesmo bom ator era. Pois Clooney chamou sua trupe (Matt Damon e Julia Roberts fazem participação especial) e tornou comercial o roteiro de Charlie Kouffman, sem abdicar da inteligência e da espirituosidade do roteiro. Um trabalho seguro e altivo que evoluiria em sua segunda incursão na direção, reconhecida com indicação ao Oscar, mas aí já é outra história.
7- Spike Jonze (Quero ser John Malkovic)
Novamente Charlie Kouffman serve de trampolim para um diretor estreante. Spike Jonze veio dos videoclipes com uma linguagem visual apurada e essa linguagem foi crucial para que Quero ser John Malkovic se tornasse o filme que se tornou. Indicado ao Oscar de melhor diretor por esse trabalho, Jonze soube filtrar muito bem o delírio de Kouffman e transformá-lo em uma afiada critica contemporânea.
6 – Robert Redford (Gente como a gente)
Robert Redford teve sua parte na longevidade da maldição que o Oscar impeliu à Martin Scorsese. Redford, em sua estréia na direção, levou a melhor por Gente como a gente quando Scorsese concorria com Touro indomável. O filme de Redford e a segurança que ele demonstrou atrás das câmeras impressionaram o público e a crítica. Mas o fato de ter criado naquele ano o festival de Sundance, dedicado a prestigiar e promover o cinema independente, sem dúvida ajudou muito no resultado.
5- Ben Affleck (Medo da verdade)
Execrado como ator pela crítica, ninguém via com bons olhos o debute de Affleck na direção. O que se viu foi consagração, talvez pela baixa expectativa, talvez pela força do material original. Medo da verdade encantou a crítica e revelou um cineasta firme, centrado e totalmente seguro de suas escolhas dramáticas. Fato é que Affleck já havia se provado bom roteirista (ganhou o Oscar por Gênio indomável), e provou-se um diretor de extrema habilidade. Bonito, carismático, bom roteirista e bom diretor. Só faltava ser bom ator também, diriam os alcoviteiros de plantão.
4- Tom Ford (Direito de amar)
Pior do que um ator canastrão atrás das câmeras, só um estilista. Bem, a máxima caiu por terra após a crítica louvar a estréia na direção do estilista Tom Ford. Direito de amar em nada denuncia que seu diretor é estreante e vem de fora do ramo do cinema. Rigor técnico, esmero narrativo e sensibilidade pulsante fazem de Direito de amar um filme único. Principalmente se considerado que é um trabalho realizado por um estreante.
3- Jason Reitman (Obrigado por fumar)
Outro cineasta filho de cineasta. Contudo, neste caso, o júnior superou o papai rapidamente. Com três filmes no currículo, duas indicações ao Oscar como diretor e muito, mas muito prestígio mesmo, Jason Reitman pode-se considerar um cineasta de primeira. Essa percepção já surgia em seu primeiro longa, Obrigado por fumar trazia um cinismo irreverente e alto teor crítico, características que acompanham o cinema desse verdadeiro prodígio americano.
2 – Stephen Daldry (Billy Elliot)
O inglês, vindo do teatro, chamou a atenção e conquistou público e crítica com esse pequeno filme britânico sobre um menino que queria fazer balé. Billy Elliot é uma epígrafe de sensibilidade e comunhão cinematográficas. O talento de Daldry para contar histórias encontra respaldo em sua visão pragmática e acadêmica de como fazê-lo.
1-Sam Mendes (Beleza americana)
De completo desconhecido a gênio da sétima arte. É mais ou menos isso que aconteceu com esse inglês (também vindo do teatro) que logo em sua primeira produção no cinema (em um filme americano que atacava e desmascarava o american way of life) foi louvado como autor. Beleza americana atentava contra aspectos culturais dos EUA e a forma sarcástica do registro cativou a crítica. Sam Mendes ganhou o Oscar e fez grandes filmes depois desse, mas ainda é difícil se afastar do assombro causado por seu primeiro trabalho.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
OSCAR WATCH - A peleja dos diretores
Na montagem: James Cameron (Avatar), Lee Daniels (Preciosa), Kathryn Bigelow (Guerra ao terror), Quentin Tarantino (Bastardos inglórios) e Jason Reitman (Amor sem escalas)O rei do mundo

Prós:
- Existem avanços técnicos inegáveis em seu filme, como um prêmio de conquista científico-tecnológica está fora de cogitação, um troféu por direção viria a calhar
- Seu filme é o maior sucesso de bilheteria da história
- Seria um momento antológico vê-lo declarar “Doze anos depois, continuo sendo o Rei do mundo”
- Hollywood gosta e vive de super produções. Avatar e todo o seu gigantismo consumiram seis anos e deixaram a cabeleira de Cameron toda branca. Isso pode ser preponderante.
Contras:
- É o único dos cinco que já venceu um Oscar por direção
- Apesar do esmero técnico e do perfeccionismo de Cameron nesse sentido, Avatar é um filme com alguns problemas narrativos e cujo trabalho de direção não se equilibra bem em todos os preceitos básicos do ofício. Não seria um prêmio justo, portanto. E todo mundo sabe disso.
- É vitima de muita inveja em Hollywood
- Se a academia quiser dividir os dois prêmios principais da noite entre o cinema comercial (Avatar) e o independente (Guerra ao terror), é mais provável (em virtude da razão acima citada) que Cameron perca aqui
Indicações anteriores: Melhor filme, melhor montagem e melhor diretor por Titanic em 1998
Vitórias anteriores: Melhor filme, melhor montagem e melhor diretor por Titanic em 1998

Prós:
+ Com tantas boas diretoras circulando no cinema americano, já passou da hora de premiar uma. E todo mundo sabe disso.
+ É um dos melhores trabalhos de direção do ano, junto ao de Quentin Tarantino. E todo mundo sabe disso.
+ Ganhou o DGA no final de Janeiro. De todos os sindicatos, o DGA é o que tem melhor aproveitamento no Oscar
+ Existe um lobby forte para premiá-la
+ Se a academia quiser dividir os dois prêmios principais da noite entre o cinema comercial (Avatar) e o independente (Guerra ao terror), ela é a opção mais viável aqui. Pois o que conta para o povão é Avatar levar de melhor filme do ano
Contras:
- A academia pode se sentir obrigada a reconhecer em “grandes termos” Avatar. Tal como fizera, exageradamente, com Quem quer ser um milionário? ano passado
- Têm dois concorrentes muito fortes por filmes queridos pela classe artística, Lee Daniels (que também vêm de uma minoria, pode-se dizer) por Preciosa e Quentin Tarantino (que também tá recebendo um lobby danado, especialmente dos atores) por Bastardos inglórios. Mais do que ameaçá-la, eles podem lhe tirar votos, favorecendo o ex-marido de Bigelow
Primeira indicação

Prós:
+ Hollywood adora uma história de superação. Principalmente se envolve um filme que extrapola os limites da metalinguagem, como é o caso de Preciosa e como era o caso do vencedor do ano passado Quem quer ser um milionário?
+ Pode-se beneficiar do amor que a classe artística vem declarando ao filme
+ Lee Daniels é apenas o terceiro diretor negro indicado ao Oscar. Na disputa entre a mulher e o negro pela presidência dos EUA, o negro venceu. Yes we can?
Contras:
- É relativamente inexperiente e o filme, muito independente, ostenta seis indicações. Sua inclusão entre os diretores, tendo batido gente como Clint Eastwood, Rob Mashall, e Joel e Ethan Coen, em si, já constitui uma vitória
- É o único dos cinco que ainda não ganhou nada
- Seu filme não é o independente da vez. Esse posto pertence a Guerra ao terror. Então ele é duas vezes underdog nessa disputa
Primeira indicação

Prós:
+ Seu filme é muito badalado pela critica
+ Sua forma de dirigir é clássica e facilita a identificação. Diretores com esse perfil tendem a ser reconhecidos pela academia. Exemplos recentes foram Clint Eastwood e Ron Howard.
+ É cria de Hollywood e isso significa muito em termos de empatia
Contras:
- Justamente pelo fato de que tem um futuro promissor deve prevalecer a percepção de que é melhor esperar para premiá-lo.
- Não ganhou nenhum prêmio por direção na temporada
- Como essa é sua segunda indicação ao Oscar em três anos, e ainda é bastante novo, a velha guarda da academia pode entender que isso já é reconhecimento demais
- Como também concorre por roteiro, e seu roteiro é ótimo, suas chances aqui diminuem. Na onda da pulverização de prêmios, pode-se preferir premiar aqui um diretor e não um diretor/roteirista
- Não é o melhor trabalho de direção do ano e todo mundo sabe disso
O boa praça

Quem não gosta de Tarantino? Muita gente. Mas aqueles que gostam do excêntrico diretor estão em maior número. E em Bastardos inglórios ele realiza seu melhor trabalho como diretor. Equilibra as arestas de seu roteiro (genial, mas um tanto pernóstico), dirige os atores com sobriedade e desenvoltura e capricha nas referências. O diretor finalmente conteve o cinéfilo.
Prós:
+ Existe um lobby imenso pela vitória de Tarantino nessa categoria (ele já venceu por roteiro antes com Pulp Fiction)
+ É o melhor trabalho de direção dentre os cinco indicados e isso deve contar para alguma coisa
+ Pode-se beneficiar de uma divisão de votos entre James Cameron e Kathryn Bigelow
Contras:
- Costumava execrar o Oscar em premiações distintas desde Cannes até o Scream awards, isso não é facilmente deixado para trás
- O lobby por ele é grande, mas o pela vitória de Kathryn é maior
- O favoritismo na disputa por roteiro pode, mais uma vez, privar Tarantino de levar o Oscar de direção
Vitórias anteriores: Melhor roteiro original por Pulp Fiction - tempos de violência em 1995
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
OSCAR WATCH - Ao mestre com carinho
Juventude e talento: Reitman é um prodígio e gosta de sê-loQuando recebeu o globo de ouro de melhor roteiro por Amor sem escalas, em janeiro passado, Reitman agradeceu emocionado aos pais pela dedicação e apoio. E olhava para o pai, que não continha as lágrimas de emoção. Orgulho e admiração de um lado ao outro podia-se sentir no Shrine Auditorium naquela noite.
É, sem dúvida alguma, uma história de cinema. Daquelas que costumamos ver dentro da sala escura, não nos bastidores. Um filho que se projeta no pai e, finalmente, supera-o em termos de reconhecimento, mas que ainda assim mantém a humildade e a reverência para com a fonte de tudo. Jason Reitman é um cineasta de primeira grandeza, como atestam sua (pequena) obra e seu jeito simples e comedido. O carinho pelo pai é um detalhe que só engrandece o homem e enobrece o artista.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Critica - Amor sem escalas

Amor sem escalas é um triunfo de todos os angulos que se observe. Um roteiro afiado, atores em estado de graça e um diretor firme em seu propósito ajudam a construir um clássico moderno
O novo filme do diretor Jason Reitman, dos bem sucedidos Juno e Obrigado por fumar, é um filme destinado a se tornar um clássico. Um filme que no futuro poderá ajudar a explicar como nos situamos no presente. Amor sem escalas (Up in the air, EUA 2009), adaptado do romance de mesmo nome de Walter Kirn, versa sobre um homem que trabalha em uma empresa de consultoria. Só que o ofício de Ryan Bingham (George Clooney) é pouco convencional. Ele viaja por toda a América para demitir pessoas. Essa tarefa ingrata, cai como uma luva para Ryan que não se estimula em desenvolver laços afetivos. Portanto, a primazia, esse status de anjo da morte não lhe incomoda. Contudo, duas mulheres aparecem em sua vida para radicalizar suas convicções. A primeira, Alex (Vera Farmiga), é uma executiva que vive se deslocando pelos ares tal qual Ryan. A atração é mútua. A segunda, Natalie (Anna Keendrick), é uma jovem promissora que desenvolveu um método revolucionário de demitir pessoas; pela internet. Por determinação da chefia ela tem de fazer um estágio com Ryan para aprimorar sua técnica.
O surgimento concomitante dessas duas mulheres na vida de Ryan e a proximidade do casamento da irmã, com a qual mal tem contato, são catalisadores para o que poderíamos chamar de crise de meia idade. Mas rotular a experiência de Ryan em Amor sem escalas de crise de meia idade seria diminuí-la. O que Jason Reitman faz é submeter esse personagem tão cheio de suas convicções a um choque de realidade. A tristeza de Ryan, na verdade, é de todos nós. A solidão, e a vontade de estar só, que movem o personagem desaparecem conforme ele se apaixona. Desse ponto de vista, Amor sem escalas é um romance maravilhoso e uma parábola sobre auto-descobrimento. Mas não é só. O sagaz roteiro escrito por Reitman e Sheldon Turner cobre também a volatilidade das relações sociais e corporativas. Nos tempos de crise econômica, enquanto a América rui, o negócio de Ryan prospera. Não está aí uma alegoria anticapitalista, mas um poderoso comentário sobre o quanto a vida profissional, queiramos admitir ou não, influi diretamente em nossas relações sociais. Quanto mais se abria para sentimentos que antes não via valor, menos Ryan sentia-se apto para fazer o que sempre se orgulhou de fazer tão bem.
Amor sem escalas é sintomático de tempos cínicos e contraditórios. Onde modelos e sonhos não se ajustam mais como costumavam se ajustar e que as pessoas não perseveram tanto quanto costumavam perseverar.
Reitman sabiamente evita o final do livro, não havia necessidade de ser tão drástico, mas preserva a idéia aventada. Amor sem escalas não provê respostas aos dilemas que apresenta, mas aponta caminhos. Permite a inflexão. Justamente por isso, é um filme sobre relações humanas.
Um adendo em relação ao desempenho do elenco merece ser feito. George Clooney entrega, no que talvez seja o melhor desempenho de sua carreira, uma atuação memorável. Vulnerável e cool, cansado e confiante, o ator consegue atingir sutilezas insuspeitas, potencializando a força do registro. Vera Farmiga e Anna Kendrick também estão encantadoras na pele das mulheres que ditam o tom da mudança de Ryan. Os três devem ser indicados ao Oscar, assim como o filme. Justiça para com um dos melhores filmes do ano. E uma das melhores teses sobre o homem e o meio a ganhar forma nesse princípio de século.
"A vida é melhor com companhia"
Há algo de melancólico nesse personagem que valoriza a solidão. E há algo de George Clooney também. “Estou ciente de como as pessoas me percebem. Eu pensei: se for para lidar com isso, essa é provavelmente a melhor maneira de fazê-lo”, explicou o ator a Entertainment Weekly sobre as razões que o levaram a aceitar o papel. Jason Reitman também enxerga um pouco de si em Ryan. “Esse sou eu”, disse o diretor de 32 anos em entrevista recente ao UOL cinema, sobre sua solteirice e a via crúcis que é ficar viajando grande parte do ano.
Clooney e Vera Farmiga em cena: Um filme que mostra que é preciso ter química para o amor e para os negóciosAmor & negócios
Amor sem escalas mostra também, com crueza calculada, os bastidores de uma crise econômica e seus efeitos pormenorizados. O personagem de Clooney só existe por que há pessoas para serem demitidas e por que há patrões sem colhões para fazê-lo. “É um filme sobre nosso tempo”, disse o ator ao receber seu prêmio de melhor ator de 2009 pelo filme em jantar organizado pelo National Board of Review no inicio do mês. “E essa é maior razão que tenho para me orgulhar desse filme”.
Mas não são apenas os negócios que estão no horizonte. Amor sem escalas também é sobre o amor (de onde você acha que tiraram o infame título nacional?). Vera Farmiga, vista recentemente em Os infiltrados e A órfã, interpreta Alex. Que por força de definição, seria o equivalente feminino de Ryan. É justamente quando Ryan e Alex se cruzam que Ryan passa a almejar por algo mais convencional.
A personagem de Vera Farmiga, assim como a outra personagem feminina do filme, interpretada por Anna Kendrick, não existiam no livro original. “Tive de criar personagens para Ryan ter com quem interagir”, explica Jason Reitman. “No livro, ele só pensava e demitia; isso não funcionaria em termos de cinema”, continua o diretor.
As mudanças providenciais que Jason Reitman e seu co-roteirstia, Sheldon Turner promoveram, agradaram o autor do original. Walter Kirn disse a mesma Entertainment Weekly que quando viu George Clooney olhando para o painel de chegadas e partidas com aquela expressão melancólica na face, viu o personagem que imaginou. “De um jeito que chegava a assustar”, encerrou Kirn.







