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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Espaço Claquete - Jovens adultos



Não é todo dia que se vê por aí um filme com a audácia de falar sobre a incrível dor que é crescer, no sentido emocional do termo. Amadurecimento é, no final das contas, a matéria prima de Jovens adultos (Young adults, EUA 2011), segunda parceria entre o ainda infalível diretor Jason Reitman e a roteirista Diablo Cody (a primeira foi no celebrado Juno).
Mavis (Charlize Theron) é uma ghost writer trintona e divorciada que passa seus dias entre o enfado e o alcoolismo. Quando recebe um e-mail alertando do nascimento da filha do namorado dos tempos de colégio, resolve voltar à pequena cidade de Mercury para reconquistá-lo. Para Mavis não importa se Buddy (Patrick Wilson) está casado e feliz. Ela vive constantemente encontrando justificativas para seu comportamento expansivo e desagradável. Reitman e Cody, aliás, não poupam sua protagonista de situações incômodas. Mas são essas situações que sinalizam o pardieiro emocional em que ela se encontra. Nesse contexto, surge de maneira providencial o fato de Mavis, que usa roupas caras e descoladas na mesma medida que frequentemente amanhece com a cara inchada, escrever uma série de romances para adolescentes. Está aí uma concatenação da realização menos sutil, mas ainda assim importante no desenho da personagem, do que o fato de tirar fios de seu cabelo por pura ansiedade ou de se aproximar de Matt (o ótimo Patton Oswalt), com a mesma virulência de quando eram colegas de escola.
À medida que Mavis vai percebendo que há algo de errado com sua vida, mais ela mergulha no abismo de sua existência e está aí outro dos pontos altos desse belo e injustiçado filme (onde estão os prêmios?). Não há catarse. A vida nem sempre imita a arte. Não pelo menos quando se trata de ajustes tão profundos.
Há uma cena, de eloquência tremenda, em que Mavis conversa com a irmã de Matt. Ela diz que ser feliz para ela é complicado e que os outros fazem parecer tão simples. Que eles se sentem preenchidos. Sua interlocutora lhe diz que se ela não se sente feliz com o que tem... dando a entender que ela leva uma vida que poderia ser invejada. Ela devolve Mavis a seu estado de alienação emocional. Era o que Mavis queria ou o que ela simplesmente precisava para não desabar em despropósito? O público será o juiz. De qualquer maneira, não importa. O que importa, na lógica desenvolvida por este belo filme, é lamber as feridas e, se possível, crescer com o processo.

sábado, 21 de abril de 2012

Em off


Nesta edição de Em off, Jason Reitman escala Kate Winslet para seu novo filme; January Jones sai dos anos 60 e vai ao faroeste; David Cronenberg enquadra Robert Pattinson, Michael Douglas aceita  proposta para “causar” em Las Vegas, um novo programa no Canal Brasil que merece ser visto e a luz verde para a aguardada sequência de Sin city.

Uma nova Sharon Stone?

Vamos combinar: January Jones sabe ser sexy. Até mesmo com a frígida Betty Draper de Mad men, a loira provoca. Depois de debutar na franquia mutante com trajes vintage em X-men: primeira classe, Jones estrelará um faroeste. Isso mesmo. A loira irá repisar os passos de outra loira fatal: Sharon Stone. Em Sweetwater ela fará uma viúva em busca dos assassinos de seu marido. Ed Harris fará o xerife que lhe prestará assistência.
Vale lembrar que Sharon Stone protagonizou um dos melhores filmes de faroeste da década de 90, justamente quando estava na crista da onda. Resta saber se Sweetwater será o Rápida e mortal de January Jones.

Novo drama de Jason Reitman ganha forma
Jovens adultos não foi aquela unanimidade crítica experimentada pelo diretor e roteirista Jason Reitman em seus três filmes anteriores (Obrigado por fumar, Juno e Amor sem escalas). Mas, ainda assim, foi um filme que frequentou premiações e colheu bastante elogios. Reitman já se prepara para seu novo trabalho, uma adaptação de um romance de Joyce Maynard. Em Labor day, Reitman desenvolverá uma história passada no início dos anos 80. O foco será em uma mãe atravessando um conflituoso divórcio e seu filho de 13 anos. O plot gira em torno do impacto que a figura de um homem misterioso que surge na vida deles irá desenvolver. Reitman escreverá e dirigirá a fita que ainda não está negociada com nenhum estúdio. Mas a Universal, que distribuiu os dois últimos longas do diretor, tem prioridade. O elenco já está se formando. Josh Brolin, James Van Der Beek e Kate Winslet já estão certos.
A sinopse sugere uma curva na articulação dramática dos filmes de Reitman, mas o tema de ebulição interior, no entanto, pode surgir renovado.


A crônica dos diretores de prestígio
Houve uma verdadeira boataria na internet a respeito do diretor da sequência do sucesso de bilheteria Jogos Vorazes. O diretor do original, Gary Ross, não retornará por questões salariais e em virtude de priorizar um projeto de própria autoria no cinema independente.
Essa negativa, porém, não impediu a Lionsgate, estúdio responsável pelas adaptações dos livros da escritora Suzanne Collins, de sonhar alto. Foram considerados para o posto de diretor de Em chamas, gente do calibre de David Cronenberg, Alejandro Gonzáles Iñarritu, Bennett Miller e Alfonso Cuáron. Francis Lawrence (Água para elefantes e Eu sou a lenda) acabou sendo o escolhido.
De todos os aventados, o último e Alfonso Cuáron, que já dirigiu um filme da série Harry Potter, são os nomes mais compatíveis com as aspirações do estúdio. Contudo, não seria surpreendente se um dos outros tivesse sido contratado. Vale lembrar que Gus Vant Sant e Sofia Coppola externaram interesse em dirigir o último capítulo (que seria dividido em dois) da saga Crepúsculo. O posto acabou preenchido pelo não menos prestigiado Bill Condon.
São muitas e distintas as razões que levam cineastas autorais e com forte ligação ao cinema independente manifestar desejo de servir ao cinemão; mas parece ainda mais notável a tendência dos estúdios buscarem esses profissionais. Imaginem o que David Cronenberg não poderia fazer com um livro da série Jogos vorazes? Mas a verdadeira questão que se impõem com esse modismo é: até que ponto esses cineastas estariam dispostos a renunciar a bem caracterizada liberdade criativa em prol dos anseios dos estúdios? Mais sobre isso em uma futura seção Insight.


E finalmente...
Sin city 2 vai acontecer. Depois de anos com boatos, tentativas e negativas, a produção da sequência do filmaço de 2005 já está em andamento. E para alegria geral, Mickey Rourke confirmou que voltará a viver Marv – principal e mais carismático personagem do primeiro filme. Sin city: a dame to kill trará histórias inéditas e será novamente co-dirigido por Robert Rodriguez e Frank Miller. A estreia deve acontecer em 2013.


O que David Cronenberg fará com Robert Pattinson?
Pense em Leonardo DiCaprio antes de Martin Scorsese? Pensou? Era ouuutro ator, certo? É inegável que Scorsese foi um importante catalisador para DiCaprio; fazendo com que o novo pupilo maturasse como intérprete e desenvolvesse  gosto por projetos desafiadores. David Cronenberg pode ter o mesmo papel para Robert Pattinson, ator de talento, mas preso a um personagem muito específico e a uma idolatria exacerbada. Isso, porém, já foi dito aqui em Claquete em outras oportunidades. O novo trailer de Cosmopolis, filme confirmado no próximo festival de Cannes, adensa essa percepção. Duvida? O trailer está logo abaixo!


O papel da vida
Estreia na próxima quarta-feira (25), às 21h no Canal Brasil, um dos programas mais inventivos e bem vindos com o cinema nacional como foco. “O papel da vida” é um projeto desenvolvido em parceria pela cineasta e apresentadora Marina Person e seu marido, produtor e diretor do programa, Gustavo Rosa de Moura. A ideia é debater o papel mais importante de atores e atrizes que marcam o cinema nacional. O programa de estreia destaca Alice Braga que fala sobre seu trabalho na produção hollywoodiana Eu sou a lenda. A atriz topou fazer o piloto antes da confirmação de que o programa seria aprovado para entrar na grade do canal. Serão episódios inéditos todas as quartas-feiras. A primeira temporada vai até 18 de julho, com um total de 13 episódios.


Se beber não case de grife!
Não há como negar que Se beber não case é uma ótima comédia. Não há como negar, também, que sua sequência é pavorosa. Pois bem, a CBS films e a Mandate pictures, dois estúdios de média projeção em Hollywood, estão articulando um projeto que tem tudo para colocar Se beber não case 1, 2 e o 3 – que está em produção – no chinelo. Last Vegas, que vem sendo apropriadamente chamado de “Se beber não case da terceira idade”, terá Michael Douglas como um mulherengo inveterado que, prestes a se casar com uma mulher com metade da sua idade, organiza uma despedida de solteiro em Las Vegas. Robert De Niro e Christopher Walken estão em negociações para estrelarem como os amigos de Douglas. Os produtores sonham com Jack Nicholson para a quarta vaga. A direção será de Jon Turteltaub (Enquanto você dormia e A lenda do tesouro perdido) e o roteiro é de Dan Fogelman, um dos responsáveis pelo ótimo Amor a toda prova. Prometer, promete!

Quarteto fantástico: Se esse time fechar, o porre em Las Vegas vai ser de lascar...

sábado, 12 de novembro de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, as peripécias de Jason Statham em filmes muito parecidos, as escolhas suspeitas de Clive Owen, biografias de mulheres acima de qualquer suspeita, uma série que já viu dias melhores e o Oscar 2012 começa a entrar na pauta do blog.


O perrengue no Oscar
A esta altura do campeonato, bem sabe o leitor de toda a polêmica e confusão que ganharam forma esta semana envolvendo o Oscar e a academia. O então produtor da cerimônia em 2012, Brett Ratner deu, em um espaço de 48  horas, meia dúzia de declarações infelizes (“Ensaio é coisa de veado” e “Eu trepei com a Olivia Munn várias vezes nos bastidores de Ladrão de diamantes” foram as mais inspiradas) e se viu na incumbência de renunciar ao posto de produtor do próximo Oscar. Com ele se foi o apresentador Eddie Murphy em um gesto de solidariedade com aquele que o havia bancado como host da 84ª cerimônia dos prêmios da academia.
Os profetas de plantão se puseram a defenestrar a academia com presságios de que a coisa teria ido para o brejo. No entanto, em uma demonstração de força e sofisticação, a academia rapidamente resolveu a “crise” contratando o experiente produtor vencedor do Oscar Brian Grazer para produzir a cerimônia. A primeira providência de Grazer foi cessar as experimentações – que atingiram o ápice negativo com James Franco e Anne Hathaway este ano – e trazer de volta, pela nona vez, Billy Crystal para ancorar a festa.
No final das contas, o saldo ficou positivo. Uma dupla mais entrosada e mais respeitável no comando dos Oscars e o evento na boca do povo com bastante antecedência. Há males que vêm para bem.


Tira-teima no Oscar 2012?
Jason Reitman, 34 anos, e Stephen Daldry, 50 anos, ostentam impressioantes recordes em matéria de Oscar. O primeiro, com a pouca idade, já possui duas indicações ao Oscar de direção com três filmes na carreira. O melhor é que fora agraciado consecutivamente por seus últimos trabalhos Juno (2007) e Amor sem escalas (2009). Já Daldry possui uma marca mais vigorosa. Foi indicado ao Oscar pelos três filmes que dirigiu: Billy Elliot (2000), As horas (2002) e O leitor (2008). Daldry e Reitman nunca lançaram um filme no mesmo ano. Até 2011. O filho do consagrado diretor Ivan Reitman lança a comédia dramática Jovens adultos, enquanto Daldry é o responsável pelo drama sobre o 11 de setembro, Tão forte e tão perto.
Ambos os filmes, que ainda não foram lançados, reúnem algum Oscar buzz. A fita de Daldry, e seu diretor, parecem mais bem posicionados. Mas a possibilidade de ambos figurarem, pela primeira vez juntos, na lista dos cinco diretores do ano para a academia é grande.

Stephen Daldry, à esquerda, e Jason Reitman miram suas lentes para o 84º Oscar: marcas vistosas...


Tira-teima no Oscar 2012? II
Outro possível tira-teima no Oscar 2012 detém outra configuração. Tanto Clint Eastwood, provável competidor com J.Edgar, quanto Martin Scorsese, que desperta especulações por Hugo, já venceram o Oscar de direção em anos que disputavam um contra o outro. Eastwood levou a melhor em 2005 por Menina de ouro quando Scorsese era apontado como favorito por  O aviador. Marty deu o troco em 2007 com Os infiltrados, quando Eastwood era o favorito de grande parte da crítica com Cartas de Iwo Jimma. Para esse ano, Eastwood vê suas chances por J.Edgar ficarem cada vez menores, mas conta com o peso de seu prestígio a favor. Já Scorsese, com as elogiosas críticas ao seu filme infanto juvenil em 3D pipocando, vê suas chances se dilatarem. É muito provável que nenhum dos dois seja indicado ao Oscar, mas seria um embate valoroso a se observar. 

Scorsese e Clint em ação: eles podem não chegar lá, mas que seria bom vê-los em combate novamente...


Complexo de Bond
Clive Owen rejeitou o papel de James Bond após a saída de Pierce Brosnan da franquia 007. O ator temia o que todos os outros temiam: ficar estigmatizado pelo papel. Foi rir dessa coisa toda no remake de A pantera cor de rosa (2006), estrelado por Steve Martin, em que fez uma inspirada ponta não creditada como 006. O inglês, hoje com 46 anos, parece confluir boas escolhas na carreira; revezando papéis dramáticos com participações em assertivas fitas de ação. O mais recente contrato de Owen o coloca em um projeto disputado. Recall é o novo roteiro de Paul Schrader, autor dos textos de Taxi driver e Touro indomável. Na trama, Owen viverá um condecorado militar que se vê envolvido em uma trama de espionagem. Harold Becker, que já dirigiu filmes com essa ambiência (Código para o inferno e City Hall – conspiração no alto escalão) deve dirigir.
Mesmo fora de Bond, a espionagem parece ser um fetiche para Clive Owen. Ele já atuou em ótimos filmes com esse mote. Trama internacional e Duplicidade, ambos de 2009, são exemplos mais altivos em sua filmografia.

Jeito Bond de ser: Clive Owen não é James Bond no cinema, mas anda agindo como se fosse...


Lindas e explosivas
Além das biografias sobre os ícones da era digital, como mostrado na última seção Em off, o cinema anda um tanto interessado em personalidades de forte apelo midiático de outras épocas. Com a proximidade do lançamento de Uma semana com Marilyn e, outras duas biografias sobre a atriz em produção, chamou a atenção da crônica cultural nessa semana a informação de que a atriz americana Jessica Chastain fora contratada para viver a princesa Diana em um filme sobre sua vida amorosa.
A escolha de Chastain para viver Lady Di em Caught in flight, do alemão Oliver Herschbiegel, foi recebida com hesitação pela imprensa britânica. Mas trata-se de um casting promissor. Chastain foi a principal atriz do ano. Incrivelmente talentosa, a atriz esteve em 10 lançamentos de 2011 e provou ser dona de um talento cativante. O rosto tenro e o jeito meigo de ser parecem ter influenciado na escolha de Chastain para viver Diana.
Athina Onassis será outra mulher poderosa a ser biografada. Ainda que o filme que Fernando Meirelles vai dirigir tenha como eixo principal o segundo marido de Athina, a ex-mulher de Kennedy – e o casamento dela com o presidente americano – ocupam lugar central da trama.

A face de Diana no cinema: Jessica reúne todos os predicados para viver a princesa do povo


The walking dead: a crônica de uma tragédia anunciada
Após a saída de Frank Darabont, que criou e produziu o primeiro ano da série de zumbis do canal AMC (o mesmo de Mad men e Breaking bad), tudo o mais ficou em suspensão. Afinal, a saída de Darabont, o diretor de cinema que melhor referenciou Stephen King, se dava por divergências criativas com a direção da emissora e pela exigência de um orçamento mais encorpado para dar sequência ao apocalypse zumbi. O AMC trocou de show runner, Glen Mazzara assumiou o posto, e ampliou o número de episódios da temporada para os tradicionais 13 da tv por assinatura americana.
Bem, o episódio de estreia, embora apenas correto, rendeu a melhor audiência da história da tv paga americana. Um marco significativo. Infelizmente, a temporada, que já teve seu quinto episódio exibido nos EUA (no Brasil, a Fox exibe o quinto na próxima semana), segue ladeira abaixo.
Não há nada do sentimento de urgência que caracterizou, pelo menos, os quatro primeiros episódios do primeiro ano. A sensação de embromação é monstruosa e a série frequentemente entedia – uma pavorosa demonstração de que ruiu a exuberância criativa do programa.
De qualquer jeito, as emissoras americanas se movimentam para realizar novas séries centradas em zumbis. No que depender do segundo ano de The walking dead, essas séries – sem trocadilhos, por favor – já nascem mortas.


Jason Statham reloaded
O inglês mais durão do cinema atual, invadiu o MMA e se encrenca com a máfia em seu novo filme, Safe, cujo primeiro trailer acaba de ser divulgado. Statham e suas constantes reciclagens de Carga explosiva continuam agradando ao público. Ainda inédito no Brasil, Os especialistas o une a Clive Owen e Robert De Niro como assassinos profissionais em rota de colisão. Em 2012, Statham será visto na sequência de Os mercenários e em Parker. Neste último, ele vive um ladrão com um rígido código moral. A fita de ação dirigida por Taylor Hackford traz ainda Jennifer Lopez, Nick Nolte e Michael Chicklis no elenco.
É tudo mais do mesmo, mas quem se importa?


sábado, 14 de agosto de 2010

Claquete destaca

+ Uma continuação de Os mercenários já está em vias de fato. Na premiere londrina do filme esta semana, Stallone e alguns produtores associados apresentaram a possibilidade à imprensa condicionando-a, obviamente, a bilheteria do primeiro filme que estreou nesta sexta-feira.


+ Senhores do crime 2 vai mesmo acontecer. A mais bela e pungente história de ascensão no mundo do gangsterismo desde O poderoso chefão terá Viggo Mortensen e Vincent Cassel às ordens de David Cronenberg uma vez mais.


+ Semana passada você ficou sabendo que a produção de Entrando numa fria com as crianças enfrentava problemas. Pois bem, com as mudanças de rumo na história a Paramount decidiu alterar o título nacional do filme. Little fockers se chamará no Brasil Entrando numa fria maior ainda com a família.E aí, topa entrar nessa fria?


+ Um dos desenhos mais descolados de todos os tempos finalmente ganhou um longa metragem. Zé colméia, uma produção da Warner Brothers, com as vozes de Dan Aykrod como Zé Colméia e Justin Timberlake como Catatau chega às telas americanas em dezembro. No Brasil, o filme está previsto para 4 de fevereiro.


+ Josh Brolin está em negociações para atuar em Young adults, novo filme de Jason Reitman. Charlize Theron já está confirmada na produção, cujo roteiro é de Diablo Cody.


+ Chegou esta semana as locadoras de todo o país, o último filme de Martin Scorsese. Ilha do medo é seguramente das melhores produções a ter estreado em 2010 nos cinemas. O filme que é uma mistura entre o cinema de horror B e o noir que marcaram o cinema americano entre as décadas 30 e 70 deverá figurar nas listas de melhores do ano em dezembro.


+ Como era de se esperar o filme Deadpool corre o risco de não acontecer. A Warner está fazendo lobby contra a produção, já que Ryan Reynolds que retomaria o personagem que encarnou em X-men origens: Wolverine é o intérprete do lanterna verde no filme que o estúdio lança ano que vem. A Fox, que já negociava com Robert Rodriguez para dirigir o filme, não confirma que a produção avance sem Reynolds.

+ Um dos principais lançamentos desse final de ano é The town ou, como se chamará no Brasil, Atração perigosa. O segundo trabalho de Affleck na direção é novamente uma trama policial ambientada em Boston. Affleck vive um fora da lei com coração no filme que conta com grande elenco. Blake Lively, Jon Hamm, Chris Cooper, Rebecca Hall e Jeremy Renner, em seu primeiro papel após Guerra ao terror, são alguns dos destaques. The town será exibido agora em setembro nos festivais de Veneza e Toronto.


quarta-feira, 2 de junho de 2010

TOP 10

Vira e mexe um estreante arrebata na direção. Não a toa, algumas premiações e festivais ao redor do mundo (como Cannes, Independent Spirit awards, Veneza e Toronto) têm um prêmio especial dedicado aos "melhores primeiros filmes". Claquete lista na seção TOP 10 dessa quinzena, 10 diretores que arrebataram em seus trabalhos de estréia. Alguns mantiveram o excelente nível, outros ainda não fizeram um segundo trabalho e um ou outro ainda vive à sombra da estréia triunfal. Com vocês 10 prodígios que arrebataram a crítica em suas estréias por trás das câmeras.


10 – Marc Webb (500 dias com ela)
Todo mundo ficou impressionado com o trabalho de estréia de Webb. O bonitinho, mas que não deixa de ser ordinário, 500 dias com ela debutou em Sundance e tomou a cena independente de assalto. Webb mostrou-se inventivo na direção e soube tirar proveito de um roteiro bastante original. Tanto é, que seu segundo trabalho como diretor será a frente do quarto filme do Homem-aranha.


9 – Sofia Coppola (As virgens suicidas)
Ela vem de família proeminente em Hollywood. Filha de um dos maiores cineastas americanos, Francis Ford Coppola, tentou emplacar uma carreira de atriz, talvez por orientação paterna (esteve em três filmes do pai), e teve de se esquivar da sombra do pai famoso. O que conseguiu de imediato. Logo em seu primeiro filme, Sofia empregou uma identidade própria muito forte. Sua narrativa em pouco lembrava a de seu pai e sua sensibilidade pôs a crítica em suspensão. Ali estava uma grande diretora. Um raio caíra duas vezes no mesmo lugar.


8- George Clooney (Confissões de uma mente perigosa)
Todo mundo esperava uma bomba da estréia na direção de George Clooney, que para muitos, nem mesmo bom ator era. Pois Clooney chamou sua trupe (Matt Damon e Julia Roberts fazem participação especial) e tornou comercial o roteiro de Charlie Kouffman, sem abdicar da inteligência e da espirituosidade do roteiro. Um trabalho seguro e altivo que evoluiria em sua segunda incursão na direção, reconhecida com indicação ao Oscar, mas aí já é outra história.


7- Spike Jonze (Quero ser John Malkovic)
Novamente Charlie Kouffman serve de trampolim para um diretor estreante. Spike Jonze veio dos videoclipes com uma linguagem visual apurada e essa linguagem foi crucial para que Quero ser John Malkovic se tornasse o filme que se tornou. Indicado ao Oscar de melhor diretor por esse trabalho, Jonze soube filtrar muito bem o delírio de Kouffman e transformá-lo em uma afiada critica contemporânea.


6 – Robert Redford (Gente como a gente)
Robert Redford teve sua parte na longevidade da maldição que o Oscar impeliu à Martin Scorsese. Redford, em sua estréia na direção, levou a melhor por Gente como a gente quando Scorsese concorria com Touro indomável. O filme de Redford e a segurança que ele demonstrou atrás das câmeras impressionaram o público e a crítica. Mas o fato de ter criado naquele ano o festival de Sundance, dedicado a prestigiar e promover o cinema independente, sem dúvida ajudou muito no resultado.


5- Ben Affleck (Medo da verdade)
Execrado como ator pela crítica, ninguém via com bons olhos o debute de Affleck na direção. O que se viu foi consagração, talvez pela baixa expectativa, talvez pela força do material original. Medo da verdade encantou a crítica e revelou um cineasta firme, centrado e totalmente seguro de suas escolhas dramáticas. Fato é que Affleck já havia se provado bom roteirista (ganhou o Oscar por Gênio indomável), e provou-se um diretor de extrema habilidade. Bonito, carismático, bom roteirista e bom diretor. Só faltava ser bom ator também, diriam os alcoviteiros de plantão.


4- Tom Ford (Direito de amar)
Pior do que um ator canastrão atrás das câmeras, só um estilista. Bem, a máxima caiu por terra após a crítica louvar a estréia na direção do estilista Tom Ford. Direito de amar em nada denuncia que seu diretor é estreante e vem de fora do ramo do cinema. Rigor técnico, esmero narrativo e sensibilidade pulsante fazem de Direito de amar um filme único. Principalmente se considerado que é um trabalho realizado por um estreante.


3- Jason Reitman (Obrigado por fumar)
Outro cineasta filho de cineasta. Contudo, neste caso, o júnior superou o papai rapidamente. Com três filmes no currículo, duas indicações ao Oscar como diretor e muito, mas muito prestígio mesmo, Jason Reitman pode-se considerar um cineasta de primeira. Essa percepção já surgia em seu primeiro longa, Obrigado por fumar trazia um cinismo irreverente e alto teor crítico, características que acompanham o cinema desse verdadeiro prodígio americano.


2 – Stephen Daldry (Billy Elliot)
O inglês, vindo do teatro, chamou a atenção e conquistou público e crítica com esse pequeno filme britânico sobre um menino que queria fazer balé. Billy Elliot é uma epígrafe de sensibilidade e comunhão cinematográficas. O talento de Daldry para contar histórias encontra respaldo em sua visão pragmática e acadêmica de como fazê-lo.


1-Sam Mendes (Beleza americana)
De completo desconhecido a gênio da sétima arte. É mais ou menos isso que aconteceu com esse inglês (também vindo do teatro) que logo em sua primeira produção no cinema (em um filme americano que atacava e desmascarava o american way of life) foi louvado como autor. Beleza americana atentava contra aspectos culturais dos EUA e a forma sarcástica do registro cativou a crítica. Sam Mendes ganhou o Oscar e fez grandes filmes depois desse, mas ainda é difícil se afastar do assombro causado por seu primeiro trabalho.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

OSCAR WATCH - A peleja dos diretores

Na montagem: James Cameron (Avatar), Lee Daniels (Preciosa), Kathryn Bigelow (Guerra ao terror), Quentin Tarantino (Bastardos inglórios) e Jason Reitman (Amor sem escalas)


O rei do mundo

James Cameron é egocêntrico e prepotente. Uma característica, na verdade, muito comum em Hollywood. A diferença é que ele não faz muita questão de esconder. Só que seus filmes rendem fábulas e o Oscar precisa de gente como ele. Portanto, doze anos depois de se auto declarar o rei do mundo, James Cameron volta ao centro do mundo do cinema.

Prós:
- Existem avanços técnicos inegáveis em seu filme, como um prêmio de conquista científico-tecnológica está fora de cogitação, um troféu por direção viria a calhar
- Seu filme é o maior sucesso de bilheteria da história
- Seria um momento antológico vê-lo declarar “Doze anos depois, continuo sendo o Rei do mundo”
- Hollywood gosta e vive de super produções. Avatar e todo o seu gigantismo consumiram seis anos e deixaram a cabeleira de Cameron toda branca. Isso pode ser preponderante.

Contras:
- É o único dos cinco que já venceu um Oscar por direção
- Apesar do esmero técnico e do perfeccionismo de Cameron nesse sentido, Avatar é um filme com alguns problemas narrativos e cujo trabalho de direção não se equilibra bem em todos os preceitos básicos do ofício. Não seria um prêmio justo, portanto. E todo mundo sabe disso.
- É vitima de muita inveja em Hollywood
- Se a academia quiser dividir os dois prêmios principais da noite entre o cinema comercial (Avatar) e o independente (Guerra ao terror), é mais provável (em virtude da razão acima citada) que Cameron perca aqui

Indicações anteriores: Melhor filme, melhor montagem e melhor diretor por Titanic em 1998
Vitórias anteriores: Melhor filme, melhor montagem e melhor diretor por Titanic em 1998

A dama de ferro


Kathryn Bigelow pode se tornar a primeira mulher a ganhar um Oscar de direção. O feito, obviamente, será eternizado e celebrado como mais uma conquista do pós-feminismo. Contudo, a diretora que já é uma veterana (tem 58 anos e já dirige há 25), não faz filmes de apelo feminino. Muito menos de apelo universal. Seu negócio é testosterona mesmo. São dela filmes como Caçadores de emoção (aquele que revelou Keanu Reeves e tinha Patrick Swayze como bad Guy) e K19 –the widowmaker.

Prós:
+ Com tantas boas diretoras circulando no cinema americano, já passou da hora de premiar uma. E todo mundo sabe disso.
+ É um dos melhores trabalhos de direção do ano, junto ao de Quentin Tarantino. E todo mundo sabe disso.
+ Ganhou o DGA no final de Janeiro. De todos os sindicatos, o DGA é o que tem melhor aproveitamento no Oscar
+ Existe um lobby forte para premiá-la
+ Se a academia quiser dividir os dois prêmios principais da noite entre o cinema comercial (Avatar) e o independente (Guerra ao terror), ela é a opção mais viável aqui. Pois o que conta para o povão é Avatar levar de melhor filme do ano

Contras:
- A academia pode se sentir obrigada a reconhecer em “grandes termos” Avatar. Tal como fizera, exageradamente, com Quem quer ser um milionário? ano passado
- Têm dois concorrentes muito fortes por filmes queridos pela classe artística, Lee Daniels (que também vêm de uma minoria, pode-se dizer) por Preciosa e Quentin Tarantino (que também tá recebendo um lobby danado, especialmente dos atores) por Bastardos inglórios. Mais do que ameaçá-la, eles podem lhe tirar votos, favorecendo o ex-marido de Bigelow

Primeira indicação

O underdog


Ele fez carreira como produtor de filmes independentes. Contudo, após ler o romance no qual Preciosa-uma história de esperança se baseia, resolveu, ele mesmo, dirigir a adaptação. O trabalho de Daniels debutou em Sundance e, desde então, só colheu bons frutos.

Prós:
+ Hollywood adora uma história de superação. Principalmente se envolve um filme que extrapola os limites da metalinguagem, como é o caso de Preciosa e como era o caso do vencedor do ano passado Quem quer ser um milionário?
+ Pode-se beneficiar do amor que a classe artística vem declarando ao filme
+ Lee Daniels é apenas o terceiro diretor negro indicado ao Oscar. Na disputa entre a mulher e o negro pela presidência dos EUA, o negro venceu. Yes we can?

Contras:
- É relativamente inexperiente e o filme, muito independente, ostenta seis indicações. Sua inclusão entre os diretores, tendo batido gente como Clint Eastwood, Rob Mashall, e Joel e Ethan Coen, em si, já constitui uma vitória
- É o único dos cinco que ainda não ganhou nada
- Seu filme não é o independente da vez. Esse posto pertence a Guerra ao terror. Então ele é duas vezes underdog nessa disputa

Primeira indicação

O hypado


Jason Reitman têm um futuro brilhante como cineasta. Seus Três filmes e toda a atenção que receberam da critica, do público e do Oscar mostram isso. O filho do diretor e ator Ivan Reitman superou papai no oficio. E já engatou, na casa dos 30 anos, sua segunda indicação ao Oscar. Ele pode não ter dirigido Avatar, mas seu futuro é azul.

Prós:
+ Seu filme é muito badalado pela critica
+ Sua forma de dirigir é clássica e facilita a identificação. Diretores com esse perfil tendem a ser reconhecidos pela academia. Exemplos recentes foram Clint Eastwood e Ron Howard.
+ É cria de Hollywood e isso significa muito em termos de empatia

Contras:
- Justamente pelo fato de que tem um futuro promissor deve prevalecer a percepção de que é melhor esperar para premiá-lo.
- Não ganhou nenhum prêmio por direção na temporada
- Como essa é sua segunda indicação ao Oscar em três anos, e ainda é bastante novo, a velha guarda da academia pode entender que isso já é reconhecimento demais
- Como também concorre por roteiro, e seu roteiro é ótimo, suas chances aqui diminuem. Na onda da pulverização de prêmios, pode-se preferir premiar aqui um diretor e não um diretor/roteirista
- Não é o melhor trabalho de direção do ano e todo mundo sabe disso

Indicações anteriores: Melhor diretor por Juno em 2008



O boa praça


Quem não gosta de Tarantino? Muita gente. Mas aqueles que gostam do excêntrico diretor estão em maior número. E em Bastardos inglórios ele realiza seu melhor trabalho como diretor. Equilibra as arestas de seu roteiro (genial, mas um tanto pernóstico), dirige os atores com sobriedade e desenvoltura e capricha nas referências. O diretor finalmente conteve o cinéfilo.

Prós:
+ Existe um lobby imenso pela vitória de Tarantino nessa categoria (ele já venceu por roteiro antes com Pulp Fiction)
+ É o melhor trabalho de direção dentre os cinco indicados e isso deve contar para alguma coisa
+ Pode-se beneficiar de uma divisão de votos entre James Cameron e Kathryn Bigelow

Contras:
- Costumava execrar o Oscar em premiações distintas desde Cannes até o Scream awards, isso não é facilmente deixado para trás
- O lobby por ele é grande, mas o pela vitória de Kathryn é maior
- O favoritismo na disputa por roteiro pode, mais uma vez, privar Tarantino de levar o Oscar de direção
Indicações anteriores: Melhor direção e melhor roteiro original por Pulp Fiction - tempos de violência em 1995
Vitórias anteriores: Melhor roteiro original por Pulp Fiction - tempos de violência em 1995

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

OSCAR WATCH - Ao mestre com carinho

Juventude e talento: Reitman é um prodígio e gosta de sê-lo


Papai não poderia imaginar melhor. Jason Reitman, 32 anos, é um dos mais promissores e interessantes cineastas da atualidade. Na verdade, fica difícil falar que alguém com 4 indicações ao Oscar –sendo duas por direção - é promissor. Reitman, filho do cineasta e diretor Ivan Reitman (Os caça –fantasmas e Minha super ex-namorada), já é uma realidade. Uma realidade em constante evolução, diga-se de passagem. O jovem cineasta fez três filmes (Obrigado por fumar, Juno e Amor sem escalas), já moldou sua identidade como diretor, já definiu seu apreço por personagens deslocados que vivem histórias incomuns e, mais do que isso, a cada filme melhora em seu ofício vigorosamente.
Quando recebeu o globo de ouro de melhor roteiro por Amor sem escalas, em janeiro passado, Reitman agradeceu emocionado aos pais pela dedicação e apoio. E olhava para o pai, que não continha as lágrimas de emoção. Orgulho e admiração de um lado ao outro podia-se sentir no Shrine Auditorium naquela noite.
É, sem dúvida alguma, uma história de cinema. Daquelas que costumamos ver dentro da sala escura, não nos bastidores. Um filho que se projeta no pai e, finalmente, supera-o em termos de reconhecimento, mas que ainda assim mantém a humildade e a reverência para com a fonte de tudo. Jason Reitman é um cineasta de primeira grandeza, como atestam sua (pequena) obra e seu jeito simples e comedido. O carinho pelo pai é um detalhe que só engrandece o homem e enobrece o artista.
Reitman e seu globo de ouro: "É pra você papai!"

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Critica - Amor sem escalas

Sobre relações humanas

Amor sem escalas é um triunfo de todos os angulos que se observe. Um roteiro afiado, atores em estado de graça e um diretor firme em seu propósito ajudam a construir um clássico moderno


O novo filme do diretor Jason Reitman, dos bem sucedidos Juno e Obrigado por fumar, é um filme destinado a se tornar um clássico. Um filme que no futuro poderá ajudar a explicar como nos situamos no presente. Amor sem escalas (Up in the air, EUA 2009), adaptado do romance de mesmo nome de Walter Kirn, versa sobre um homem que trabalha em uma empresa de consultoria. Só que o ofício de Ryan Bingham (George Clooney) é pouco convencional. Ele viaja por toda a América para demitir pessoas. Essa tarefa ingrata, cai como uma luva para Ryan que não se estimula em desenvolver laços afetivos. Portanto, a primazia, esse status de anjo da morte não lhe incomoda. Contudo, duas mulheres aparecem em sua vida para radicalizar suas convicções. A primeira, Alex (Vera Farmiga), é uma executiva que vive se deslocando pelos ares tal qual Ryan. A atração é mútua. A segunda, Natalie (Anna Keendrick), é uma jovem promissora que desenvolveu um método revolucionário de demitir pessoas; pela internet. Por determinação da chefia ela tem de fazer um estágio com Ryan para aprimorar sua técnica.
O surgimento concomitante dessas duas mulheres na vida de Ryan e a proximidade do casamento da irmã, com a qual mal tem contato, são catalisadores para o que poderíamos chamar de crise de meia idade. Mas rotular a experiência de Ryan em Amor sem escalas de crise de meia idade seria diminuí-la. O que Jason Reitman faz é submeter esse personagem tão cheio de suas convicções a um choque de realidade. A tristeza de Ryan, na verdade, é de todos nós. A solidão, e a vontade de estar só, que movem o personagem desaparecem conforme ele se apaixona. Desse ponto de vista, Amor sem escalas é um romance maravilhoso e uma parábola sobre auto-descobrimento. Mas não é só. O sagaz roteiro escrito por Reitman e Sheldon Turner cobre também a volatilidade das relações sociais e corporativas. Nos tempos de crise econômica, enquanto a América rui, o negócio de Ryan prospera. Não está aí uma alegoria anticapitalista, mas um poderoso comentário sobre o quanto a vida profissional, queiramos admitir ou não, influi diretamente em nossas relações sociais. Quanto mais se abria para sentimentos que antes não via valor, menos Ryan sentia-se apto para fazer o que sempre se orgulhou de fazer tão bem.
Amor sem escalas é sintomático de tempos cínicos e contraditórios. Onde modelos e sonhos não se ajustam mais como costumavam se ajustar e que as pessoas não perseveram tanto quanto costumavam perseverar.
Reitman sabiamente evita o final do livro, não havia necessidade de ser tão drástico, mas preserva a idéia aventada. Amor sem escalas não provê respostas aos dilemas que apresenta, mas aponta caminhos. Permite a inflexão. Justamente por isso, é um filme sobre relações humanas.
Um adendo em relação ao desempenho do elenco merece ser feito. George Clooney entrega, no que talvez seja o melhor desempenho de sua carreira, uma atuação memorável. Vulnerável e cool, cansado e confiante, o ator consegue atingir sutilezas insuspeitas, potencializando a força do registro. Vera Farmiga e Anna Kendrick também estão encantadoras na pele das mulheres que ditam o tom da mudança de Ryan. Os três devem ser indicados ao Oscar, assim como o filme. Justiça para com um dos melhores filmes do ano. E uma das melhores teses sobre o homem e o meio a ganhar forma nesse princípio de século.

"A vida é melhor com companhia"

A frase, que é uma contumaz verdade, é proferida por Ryan Bingham (George Clooney) em certo momento de Amor sem escalas, péssimo título nacional para Up in the air. O novo trabalho do cineasta Jason Reitman teria uma tradução mais eficiente se se chamasse “Nas alturas” “Lá em cima” ou até mesmo o vago “Nas nuvens”. Amor sem escalas, o título, falha em antecipar o que se verá na tela. E o que se verá na tela? “George Clooney no papel de sua carreira”, disse o Chicago Sun times. Em Amor sem escalas, Clooney vive um executivo que vive de demitir pessoas. Ryan Bingham passa 322 dias do ano voando de aeroporto em aeroporto, se hospedando de hotel em hotel, e demitindo pessoas que nunca viu antes e que nunca verá novamente. Seu lema “Sua vida tem que caber em uma mala de viagem”.
Há algo de melancólico nesse personagem que valoriza a solidão. E há algo de George Clooney também. “Estou ciente de como as pessoas me percebem. Eu pensei: se for para lidar com isso, essa é provavelmente a melhor maneira de fazê-lo”, explicou o ator a Entertainment Weekly sobre as razões que o levaram a aceitar o papel. Jason Reitman também enxerga um pouco de si em Ryan. “Esse sou eu”, disse o diretor de 32 anos em entrevista recente ao UOL cinema, sobre sua solteirice e a via crúcis que é ficar viajando grande parte do ano.

Clooney e Vera Farmiga em cena: Um filme que mostra que é preciso ter química para o amor e para os negócios

Amor & negócios
Amor sem escalas mostra também, com crueza calculada, os bastidores de uma crise econômica e seus efeitos pormenorizados. O personagem de Clooney só existe por que há pessoas para serem demitidas e por que há patrões sem colhões para fazê-lo. “É um filme sobre nosso tempo”, disse o ator ao receber seu prêmio de melhor ator de 2009 pelo filme em jantar organizado pelo National Board of Review no inicio do mês. “E essa é maior razão que tenho para me orgulhar desse filme”.
Mas não são apenas os negócios que estão no horizonte. Amor sem escalas também é sobre o amor (de onde você acha que tiraram o infame título nacional?). Vera Farmiga, vista recentemente em Os infiltrados e A órfã, interpreta Alex. Que por força de definição, seria o equivalente feminino de Ryan. É justamente quando Ryan e Alex se cruzam que Ryan passa a almejar por algo mais convencional.
A personagem de Vera Farmiga, assim como a outra personagem feminina do filme, interpretada por Anna Kendrick, não existiam no livro original. “Tive de criar personagens para Ryan ter com quem interagir”, explica Jason Reitman. “No livro, ele só pensava e demitia; isso não funcionaria em termos de cinema”, continua o diretor.
As mudanças providenciais que Jason Reitman e seu co-roteirstia, Sheldon Turner promoveram, agradaram o autor do original. Walter Kirn disse a mesma Entertainment Weekly que quando viu George Clooney olhando para o painel de chegadas e partidas com aquela expressão melancólica na face, viu o personagem que imaginou. “De um jeito que chegava a assustar”, encerrou Kirn.
A cena que fez o autor Walter Kirn ter certeza de que o filme estava a altura de sua obra