Eficiência e ritmo
Você já viu a história de Protegendo o inimigo (Safe house, EUA 2012) várias vezes. Mas raramente viu com tamanho senso de ritmo, probidade narrativa e adensamento visual. A favor desse thriller de espionagem que não apresenta nada novo, mas se apresenta com frescor estão Daniel Espinosa, diretor sueco de ascendência chilena em seu primeiro trabalho hollywoodiano, e Denzel Washington, ator cujo carisma parece desconhecer limites.
Em Protegendo o inimigo, Washington vive Tobin Frost, um ex-agente da CIA que hoje atua como free lancer e vende inteligência para quem puder pagar mais. Frost é capturado na Cidade do Cabo e conduzido a um abrigo que a CIA mantém na cidade sul-africana, instalação sob responsabilidade do novato Matt Weston (Ryan Reynolds). Mas antes que os interrogadores possam obter algum êxito em suas tarefas, o local é invadido pelos mesmos perseguidores que já estavam no encalço de Frost antes.
A partir daí, Protegendo o inimigo adentra a seara da previsibilidade, mas jamais é maçante. Daniel Espinosa é hábil na construção de seu filme. Se se referencia na linguagem visual cunhada por cineastas como Tony Scott e Alfonso Cuáron, como fotografia saturada, montagem nervosa e câmera em constante close nos protagonistas, o sueco não faz do requinte visual um elemento de desequilíbrio. Pelo contrário, provê ritmo às atuações imperiosas de Washington e Reynolds – que depois de um 2011 temerário, reencontrou-se em um bom filme.
Denzel e Ryan em cena: atores que sustentam o interesse pelo filme
Um espectador calejado sabe exatamente para onde Protegendo inimigo ruma, mas não se impacienta em virtude dessa consciência. Um mérito que precisa ser atribuído a Espinosa, que orquestra seu filme maravilhosamente bem desde a apresentação dos personagens até às inevitáveis traições e alianças finais, e a Washington, que permanece um ímã para o público. Como um espião ambíguo e oferecendo-se como contraponto ao bem intencionado personagem de Reynolds, o ator demonstra, mais uma vez, que nem mesmo precisa se esforçar para ser um mestre da cadência. Foi ele, também produtor da fita, quem escolheu Daniel Espinosa para dirigir Protegendo o inimigo e o filme nitidamente se beneficia dessa rima de talentos.