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sábado, 12 de novembro de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, as peripécias de Jason Statham em filmes muito parecidos, as escolhas suspeitas de Clive Owen, biografias de mulheres acima de qualquer suspeita, uma série que já viu dias melhores e o Oscar 2012 começa a entrar na pauta do blog.


O perrengue no Oscar
A esta altura do campeonato, bem sabe o leitor de toda a polêmica e confusão que ganharam forma esta semana envolvendo o Oscar e a academia. O então produtor da cerimônia em 2012, Brett Ratner deu, em um espaço de 48  horas, meia dúzia de declarações infelizes (“Ensaio é coisa de veado” e “Eu trepei com a Olivia Munn várias vezes nos bastidores de Ladrão de diamantes” foram as mais inspiradas) e se viu na incumbência de renunciar ao posto de produtor do próximo Oscar. Com ele se foi o apresentador Eddie Murphy em um gesto de solidariedade com aquele que o havia bancado como host da 84ª cerimônia dos prêmios da academia.
Os profetas de plantão se puseram a defenestrar a academia com presságios de que a coisa teria ido para o brejo. No entanto, em uma demonstração de força e sofisticação, a academia rapidamente resolveu a “crise” contratando o experiente produtor vencedor do Oscar Brian Grazer para produzir a cerimônia. A primeira providência de Grazer foi cessar as experimentações – que atingiram o ápice negativo com James Franco e Anne Hathaway este ano – e trazer de volta, pela nona vez, Billy Crystal para ancorar a festa.
No final das contas, o saldo ficou positivo. Uma dupla mais entrosada e mais respeitável no comando dos Oscars e o evento na boca do povo com bastante antecedência. Há males que vêm para bem.


Tira-teima no Oscar 2012?
Jason Reitman, 34 anos, e Stephen Daldry, 50 anos, ostentam impressioantes recordes em matéria de Oscar. O primeiro, com a pouca idade, já possui duas indicações ao Oscar de direção com três filmes na carreira. O melhor é que fora agraciado consecutivamente por seus últimos trabalhos Juno (2007) e Amor sem escalas (2009). Já Daldry possui uma marca mais vigorosa. Foi indicado ao Oscar pelos três filmes que dirigiu: Billy Elliot (2000), As horas (2002) e O leitor (2008). Daldry e Reitman nunca lançaram um filme no mesmo ano. Até 2011. O filho do consagrado diretor Ivan Reitman lança a comédia dramática Jovens adultos, enquanto Daldry é o responsável pelo drama sobre o 11 de setembro, Tão forte e tão perto.
Ambos os filmes, que ainda não foram lançados, reúnem algum Oscar buzz. A fita de Daldry, e seu diretor, parecem mais bem posicionados. Mas a possibilidade de ambos figurarem, pela primeira vez juntos, na lista dos cinco diretores do ano para a academia é grande.

Stephen Daldry, à esquerda, e Jason Reitman miram suas lentes para o 84º Oscar: marcas vistosas...


Tira-teima no Oscar 2012? II
Outro possível tira-teima no Oscar 2012 detém outra configuração. Tanto Clint Eastwood, provável competidor com J.Edgar, quanto Martin Scorsese, que desperta especulações por Hugo, já venceram o Oscar de direção em anos que disputavam um contra o outro. Eastwood levou a melhor em 2005 por Menina de ouro quando Scorsese era apontado como favorito por  O aviador. Marty deu o troco em 2007 com Os infiltrados, quando Eastwood era o favorito de grande parte da crítica com Cartas de Iwo Jimma. Para esse ano, Eastwood vê suas chances por J.Edgar ficarem cada vez menores, mas conta com o peso de seu prestígio a favor. Já Scorsese, com as elogiosas críticas ao seu filme infanto juvenil em 3D pipocando, vê suas chances se dilatarem. É muito provável que nenhum dos dois seja indicado ao Oscar, mas seria um embate valoroso a se observar. 

Scorsese e Clint em ação: eles podem não chegar lá, mas que seria bom vê-los em combate novamente...


Complexo de Bond
Clive Owen rejeitou o papel de James Bond após a saída de Pierce Brosnan da franquia 007. O ator temia o que todos os outros temiam: ficar estigmatizado pelo papel. Foi rir dessa coisa toda no remake de A pantera cor de rosa (2006), estrelado por Steve Martin, em que fez uma inspirada ponta não creditada como 006. O inglês, hoje com 46 anos, parece confluir boas escolhas na carreira; revezando papéis dramáticos com participações em assertivas fitas de ação. O mais recente contrato de Owen o coloca em um projeto disputado. Recall é o novo roteiro de Paul Schrader, autor dos textos de Taxi driver e Touro indomável. Na trama, Owen viverá um condecorado militar que se vê envolvido em uma trama de espionagem. Harold Becker, que já dirigiu filmes com essa ambiência (Código para o inferno e City Hall – conspiração no alto escalão) deve dirigir.
Mesmo fora de Bond, a espionagem parece ser um fetiche para Clive Owen. Ele já atuou em ótimos filmes com esse mote. Trama internacional e Duplicidade, ambos de 2009, são exemplos mais altivos em sua filmografia.

Jeito Bond de ser: Clive Owen não é James Bond no cinema, mas anda agindo como se fosse...


Lindas e explosivas
Além das biografias sobre os ícones da era digital, como mostrado na última seção Em off, o cinema anda um tanto interessado em personalidades de forte apelo midiático de outras épocas. Com a proximidade do lançamento de Uma semana com Marilyn e, outras duas biografias sobre a atriz em produção, chamou a atenção da crônica cultural nessa semana a informação de que a atriz americana Jessica Chastain fora contratada para viver a princesa Diana em um filme sobre sua vida amorosa.
A escolha de Chastain para viver Lady Di em Caught in flight, do alemão Oliver Herschbiegel, foi recebida com hesitação pela imprensa britânica. Mas trata-se de um casting promissor. Chastain foi a principal atriz do ano. Incrivelmente talentosa, a atriz esteve em 10 lançamentos de 2011 e provou ser dona de um talento cativante. O rosto tenro e o jeito meigo de ser parecem ter influenciado na escolha de Chastain para viver Diana.
Athina Onassis será outra mulher poderosa a ser biografada. Ainda que o filme que Fernando Meirelles vai dirigir tenha como eixo principal o segundo marido de Athina, a ex-mulher de Kennedy – e o casamento dela com o presidente americano – ocupam lugar central da trama.

A face de Diana no cinema: Jessica reúne todos os predicados para viver a princesa do povo


The walking dead: a crônica de uma tragédia anunciada
Após a saída de Frank Darabont, que criou e produziu o primeiro ano da série de zumbis do canal AMC (o mesmo de Mad men e Breaking bad), tudo o mais ficou em suspensão. Afinal, a saída de Darabont, o diretor de cinema que melhor referenciou Stephen King, se dava por divergências criativas com a direção da emissora e pela exigência de um orçamento mais encorpado para dar sequência ao apocalypse zumbi. O AMC trocou de show runner, Glen Mazzara assumiou o posto, e ampliou o número de episódios da temporada para os tradicionais 13 da tv por assinatura americana.
Bem, o episódio de estreia, embora apenas correto, rendeu a melhor audiência da história da tv paga americana. Um marco significativo. Infelizmente, a temporada, que já teve seu quinto episódio exibido nos EUA (no Brasil, a Fox exibe o quinto na próxima semana), segue ladeira abaixo.
Não há nada do sentimento de urgência que caracterizou, pelo menos, os quatro primeiros episódios do primeiro ano. A sensação de embromação é monstruosa e a série frequentemente entedia – uma pavorosa demonstração de que ruiu a exuberância criativa do programa.
De qualquer jeito, as emissoras americanas se movimentam para realizar novas séries centradas em zumbis. No que depender do segundo ano de The walking dead, essas séries – sem trocadilhos, por favor – já nascem mortas.


Jason Statham reloaded
O inglês mais durão do cinema atual, invadiu o MMA e se encrenca com a máfia em seu novo filme, Safe, cujo primeiro trailer acaba de ser divulgado. Statham e suas constantes reciclagens de Carga explosiva continuam agradando ao público. Ainda inédito no Brasil, Os especialistas o une a Clive Owen e Robert De Niro como assassinos profissionais em rota de colisão. Em 2012, Statham será visto na sequência de Os mercenários e em Parker. Neste último, ele vive um ladrão com um rígido código moral. A fita de ação dirigida por Taylor Hackford traz ainda Jennifer Lopez, Nick Nolte e Michael Chicklis no elenco.
É tudo mais do mesmo, mas quem se importa?


sábado, 28 de agosto de 2010

Claquete destaca


+ A adaptação de "Extremamente alto e incrivelmente perto", romance de Jonathan Safran Foer, que Stephen Daldry irá realizar vai ganhando forma. Claquete havia antecipado que havia sondagens para que Sandra Bullock vivesse a principal personagem feminina. Pois bem, não só a vencedora do Oscar por Um sonho possível, como o também oscarizado Tom Hanks foram confirmados no elenco da produção que deve começar a ser rodada no princípio de 2011.

+ Em busca do hype de outrora, os produtores de Pânico 4 confirmaram que Anna Paquin (que atualmente pode ser vista como a Sookie de True Blood) fará uma participação especial no filme. Os rumores dão conta de que deva ser algo nos moldes da participação de Drew Barrymore no filme original. Como Sookie, Anna já mostrou que sabe gritar...


+ Mais uma vez Deadpool e Ryan Reynolds são destaques aqui em Claquete destaca. Mas na terceira semana seguida, a notícia é boa. A Fox confirmou a produção do filme e com Reynolds como protagonista.

+ Nesta semana Claquete promoveu duas enquetes que repercutiam dois temas que foram centrais aqui no blog durante o mês. Christopher Nolan e Os mercenários. Sobre o primeiro, o blog quis saber qual seu melhor filme na avaliação do leitor. Batman – o cavaleiro das trevas cravou 47% da preferência dos (e) leitores consagrando-se o vencedor. No calor do momento, 35% escolheram A origem, mais recente filme de Nolan, como sua melhor obra e 17% preferem o trabalho que o revelou, Amnésia. Batman begins, Insônia e O grande truque não foram votados.
Na outra enquete o páreo foi mais disputado (embora tenham sido computados menos votos). Em uma demonstração da polarização provocada pelas declarações de Sylvester Stallone, não houve maioria na apuração sobre a fita. Para 33% o filme é irado enquanto que exatamente outros 33% manifestam indiferença para com o filme.

+ A organização do Festival do Rio, que ocorre entre os dias 23 de setembro e 7 de outubro, divulgou os primeiros integrantes da premiere Brasil, mostra em que são lançados alguns dos principais títulos nacionais. Os principais destaques são Vips, com o ator Wagner Moura, Como esquecer, de Malu De Martino e os já exibidos em outros festivais Malu de bicicleta, de Flávio Tambellini e Elvis e Madona, de Marcelo Laffitte.

+ Angelina Jolie planeja seguir os passos do mestre Clint Eastwood. A estrela pretende dirigir um filme sobre a guerra da Bósnia. “Seria uma história de amor”, revelou à Vanity Fair. Não se sabe, porém, quando esse projeto aconteceria. Além de The tourist, em que finaliza gravações, a atriz tem enfileirada participações nas produções Malévola de Tim Burton e Cleópatra que o produtor Scott Rudin planeja ser o maior filme de 2012.
+ O premiado ator Philip Seymour Hoffman debuta na direção em Jack goes boating. O filme que terá premiere no próximo festival de Toronto mostra duas pessoas tímidas, e marcadas por uma série de conflitos psicológicos, que dão início a uma relação amorosa. Amy Ryan, além de Hoffman, estrela o filme que Claquete apresenta o trailer para você agora.


sábado, 31 de julho de 2010

Claquete destaca

* Será exibido hoje pela HBO brasileira, às 21h, o elogiado filme You don´t know Jack. A produção que concorre ao Emmy no mês que vem é amparada por uma colossal atuação de Al Pacino na pele do dr. Morte (médico que estimulava e assistia seus pacientes a renunciarem às próprias vidas).

Al Pacino no poster da produção que a HBO exibe hoje: a crítica americana saudou a atuação de Pacino no filme como a sua melhor na última década

* Na comic com 2010, encerrada no último domingo, foi anunciada com pompa a produção e o elenco do filme Os vingadores. Além de Robert Downey Jr. (Homem de ferro), Chris Evans (Capitão América), Samuel L. Jackson (Nick Fury), Scarlett Jonhansson (Viúva negra) e Chris Hemsworth (Thor), subiram ao palco Jeremy Renner, que viverá o gavião arqueiro, e Mark Ruffalo, escolhido para ser o terceiro ator a viver o Hulk nas telonas. Sobre o fato de substituir Edward Norton que não entrou em um acordo financeiro com a Marvel, Ruffalo declarou à Entertainment Weekly esta semana: “Vejo como se ele tivesse passado o papel para mim e o considero o Hamlet de nossa geração”. E assim, polido, Os vingadores chegará aos cinemas de todo mundo em 4 de maio de 2012.

Elenco de heróis: A nata de hollywood na produção mais ousada da Marvel até aqui


* O cultuado e festejado diretor Stephen Daldry estará a frente da adaptação do livro Extremamente alto & incrivelmente perto. A trama gira em torno de Oskar, garoto de nove anos, cujo pai foi uma das vítimas do 11 de setembro. O roteiro será de Eric Roth (Forrest Gump, Munique e O curioso Caso de Benjamin Button) e o principal personagem feminino foi oferecido a vencedora do Oscar Sandra Bullock.

Em busca de sua quarta indicação ao Oscar de direção: com seu quarto trabalho, o inglês pretende manter seu aproveitamento perfeito junto à academia


* Foi divulgada a relação dos filmes que participarão do 34º Festival de cinema de Toronto, festival célebre por dar o pontapé inicial na temporada de ouro do cinema. Na edição que ocorrerá entre os dias 9 e 19 de setembro, muita coisa boa. Teremos os novos trabalhos de Woody Allen (you will meet a tall dark stranger), Robert Redford (The conspirator), Alejandro González Iñarritu (Biutiful), Darren aronofsky (Black Swain), Dennis Tanovic (Cirkus Columbia), Mile Leigh (Another year) e Michael Winterbotton (The trip).
Chama a atenção na seleção desse ano o alto número de atores diretores com filmes na seleção. David Schwimmer exibirá The trust com Clive Owen e Catherine Keener; Tony Goldwyn lança o elogiado Conviction com Hillary Swank e Sam Rockwell; Emilíio Estevez dirige seu pai, Martin Sheen, em The Way; Philip Seymour Hoffman estréia na direção com Jack goes boating e Ben Affleck dirige e atua no policial The town.
Outros destaques da seleção ficam por conta de The debt, novo trabalho do diretor de Shakespeare apaixonado; The housemaid, produção sul-coreana de In Sang-Soo que fez sucesso em Cannes; Blue Valentine que arrebata por onde quer que passe desde Sundance; Tamara Drewe, comédia de Stephen Frears com a bela Gemma Artenton; Stone que opõe uma vez mais Robert De Niro e Edward Norton em um duelo de interpretações; Never let me go, do suíço Mark Romanek, Lope, co-produção entre Brasil e Espanha assinada por Andrucha Waddington e os novos trabalhos de François Ozon e Julian Schnabel, Potiche e Miral respectivamente.


* Depois de ter anunciado o fim da Miramax e ter, ainda que informalmente, posto à venda o principal estúdio de cinema independente a surgir em Hollywood nos últimos anos, a Disney anunciou esta semana a venda da empresa para um grupo de investidores por U$ 660 milhões. Ainda não se sabe o plano desse grupo que leva, além do nome e prestígio do estúdio, todo o seu catálogo de filmes e projetos em desenvolvimento.


* Em enquete promovida pelo blog sobre o novo layout de Claquete, não houve maioria. A maior parte dos leitores se dividiram. 40% consideraram o novo visual ótimo e mais atraente para a leitura, enquanto que outros 40 % consideram o novo visual de Claquete bom, mas feito a ressalva de que preferiam o antigo. Houve, ainda, uma pequena parcela que desaprovou a mudança gráfica proposta. Mais empates quando buscava-se apurar qual a nova seção do blog que mais entusiasmou o internauta. Claquete repercute e Claquete entrevista foram as mais votadas. Logo atrás vieram Panorama e Claquete destaca, Claquete documenta não foi lembrada.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

TOP 10

Vira e mexe um estreante arrebata na direção. Não a toa, algumas premiações e festivais ao redor do mundo (como Cannes, Independent Spirit awards, Veneza e Toronto) têm um prêmio especial dedicado aos "melhores primeiros filmes". Claquete lista na seção TOP 10 dessa quinzena, 10 diretores que arrebataram em seus trabalhos de estréia. Alguns mantiveram o excelente nível, outros ainda não fizeram um segundo trabalho e um ou outro ainda vive à sombra da estréia triunfal. Com vocês 10 prodígios que arrebataram a crítica em suas estréias por trás das câmeras.


10 – Marc Webb (500 dias com ela)
Todo mundo ficou impressionado com o trabalho de estréia de Webb. O bonitinho, mas que não deixa de ser ordinário, 500 dias com ela debutou em Sundance e tomou a cena independente de assalto. Webb mostrou-se inventivo na direção e soube tirar proveito de um roteiro bastante original. Tanto é, que seu segundo trabalho como diretor será a frente do quarto filme do Homem-aranha.


9 – Sofia Coppola (As virgens suicidas)
Ela vem de família proeminente em Hollywood. Filha de um dos maiores cineastas americanos, Francis Ford Coppola, tentou emplacar uma carreira de atriz, talvez por orientação paterna (esteve em três filmes do pai), e teve de se esquivar da sombra do pai famoso. O que conseguiu de imediato. Logo em seu primeiro filme, Sofia empregou uma identidade própria muito forte. Sua narrativa em pouco lembrava a de seu pai e sua sensibilidade pôs a crítica em suspensão. Ali estava uma grande diretora. Um raio caíra duas vezes no mesmo lugar.


8- George Clooney (Confissões de uma mente perigosa)
Todo mundo esperava uma bomba da estréia na direção de George Clooney, que para muitos, nem mesmo bom ator era. Pois Clooney chamou sua trupe (Matt Damon e Julia Roberts fazem participação especial) e tornou comercial o roteiro de Charlie Kouffman, sem abdicar da inteligência e da espirituosidade do roteiro. Um trabalho seguro e altivo que evoluiria em sua segunda incursão na direção, reconhecida com indicação ao Oscar, mas aí já é outra história.


7- Spike Jonze (Quero ser John Malkovic)
Novamente Charlie Kouffman serve de trampolim para um diretor estreante. Spike Jonze veio dos videoclipes com uma linguagem visual apurada e essa linguagem foi crucial para que Quero ser John Malkovic se tornasse o filme que se tornou. Indicado ao Oscar de melhor diretor por esse trabalho, Jonze soube filtrar muito bem o delírio de Kouffman e transformá-lo em uma afiada critica contemporânea.


6 – Robert Redford (Gente como a gente)
Robert Redford teve sua parte na longevidade da maldição que o Oscar impeliu à Martin Scorsese. Redford, em sua estréia na direção, levou a melhor por Gente como a gente quando Scorsese concorria com Touro indomável. O filme de Redford e a segurança que ele demonstrou atrás das câmeras impressionaram o público e a crítica. Mas o fato de ter criado naquele ano o festival de Sundance, dedicado a prestigiar e promover o cinema independente, sem dúvida ajudou muito no resultado.


5- Ben Affleck (Medo da verdade)
Execrado como ator pela crítica, ninguém via com bons olhos o debute de Affleck na direção. O que se viu foi consagração, talvez pela baixa expectativa, talvez pela força do material original. Medo da verdade encantou a crítica e revelou um cineasta firme, centrado e totalmente seguro de suas escolhas dramáticas. Fato é que Affleck já havia se provado bom roteirista (ganhou o Oscar por Gênio indomável), e provou-se um diretor de extrema habilidade. Bonito, carismático, bom roteirista e bom diretor. Só faltava ser bom ator também, diriam os alcoviteiros de plantão.


4- Tom Ford (Direito de amar)
Pior do que um ator canastrão atrás das câmeras, só um estilista. Bem, a máxima caiu por terra após a crítica louvar a estréia na direção do estilista Tom Ford. Direito de amar em nada denuncia que seu diretor é estreante e vem de fora do ramo do cinema. Rigor técnico, esmero narrativo e sensibilidade pulsante fazem de Direito de amar um filme único. Principalmente se considerado que é um trabalho realizado por um estreante.


3- Jason Reitman (Obrigado por fumar)
Outro cineasta filho de cineasta. Contudo, neste caso, o júnior superou o papai rapidamente. Com três filmes no currículo, duas indicações ao Oscar como diretor e muito, mas muito prestígio mesmo, Jason Reitman pode-se considerar um cineasta de primeira. Essa percepção já surgia em seu primeiro longa, Obrigado por fumar trazia um cinismo irreverente e alto teor crítico, características que acompanham o cinema desse verdadeiro prodígio americano.


2 – Stephen Daldry (Billy Elliot)
O inglês, vindo do teatro, chamou a atenção e conquistou público e crítica com esse pequeno filme britânico sobre um menino que queria fazer balé. Billy Elliot é uma epígrafe de sensibilidade e comunhão cinematográficas. O talento de Daldry para contar histórias encontra respaldo em sua visão pragmática e acadêmica de como fazê-lo.


1-Sam Mendes (Beleza americana)
De completo desconhecido a gênio da sétima arte. É mais ou menos isso que aconteceu com esse inglês (também vindo do teatro) que logo em sua primeira produção no cinema (em um filme americano que atacava e desmascarava o american way of life) foi louvado como autor. Beleza americana atentava contra aspectos culturais dos EUA e a forma sarcástica do registro cativou a crítica. Sam Mendes ganhou o Oscar e fez grandes filmes depois desse, mas ainda é difícil se afastar do assombro causado por seu primeiro trabalho.