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sábado, 25 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - #oscarfacts

Onde eu assino no Guinness?
 A figurinista Catherine Martin acaba de registrar um pequeno recorde com as indicações de 2014. Depois de ser nomeada em 2002 pelo figurino e direção de arte de Moulin Rouge – amor em vermelho, e ganhar os dois Oscars, ela repete o mesmo feito (as indicações, ao menos) em 2014 por O grande Gatsby. Ambos os filmes dirigidos por Baz Luhrmann. Houve outras indicações no ínterim, mas o recorde em questão é que ninguém, além dela, conseguiu ser indicada por figurino e direção de arte ao Oscar no mesmo ano, pelo mesmo filme, duas vezes.

A figurinista disse que sempre trabalhará com Baz Luhrmann e é compreensível, já que a parceria tem dado certo. Martin também foi indicada ao Oscar pelo figurino do contestado Austrália (2008)

Woody Allen e o roteiro
Woody Allen já tem quatro Oscars e continua com fome. Sua coleção de indicações, especialmente como roteirista, continua crescendo e ele não dá pistas de que esse cenário vá mudar. Por Blue Jasmine, ele conseguiu sua 16ª indicação na categoria. A segunda em três anos, desempenho que não conseguia repetir desde o alvorecer dos anos 90.

A nova poderosa chefona

Em 2011, Scott Rudin conseguiu um feito raro. Foi indicado duplamente ao Oscar de melhor filme, por A rede social e Bravura indômita. Ali, como produtora executiva do filme dos Coen, estava Megan Ellison. Filha de um bilionário do setor de tecnologia, ela se anuncia uma figura prodigiosa no universo dos produtores independentes. Depois de emplacar A hora mais escura na disputa em 2013, ela chega em 2014 com dois filmes selecionados na categoria principal. Ela e o badalado Trapaça. Analistas da indústria já a colocam como pedra no sapato do todo poderoso Harvey Weinstein. Não obstante, ela foi capaz de atrair David O. Russell, que rodara O lado bom da vida sob a guarda de Weinstein, para fazer Trapaça no selo independente da Sony. Atuando como produtora há apenas três anos, ela conseguiu algo que apenas Weinstein, Rudin e Francis Ford Coppola, titãs da indústria, conseguiram em 85 anos de Oscar.

A descoberta de Abi

Todo ano o Oscar promove uma estrela. Ou melhor, eleva ao panteão das maiores estrelas do mundo aquelas figuras que não exatamente pertencem a este universo. Há sempre algum debutante na atuação em cena ou alguém de fora do mainstream. Em 2014 essas características se concentram todas em Barkhad Abi. Não só ele não era ator antes de chocar o mundo, e eclipsar ninguém menos que Tom Hanks em Capitão Phillips, como era motorista. Além de ser somali, o que invariavelmente diminui seu apelo em termos de premiações.
Mas aí está o Oscar revelando para o mundo, com toda a justiça, um ator intuitivo de incrível energia e muito futuro.

Os maiores hiatos
Alguns artistas voltam ao Oscar depois de longos anos. Claquete destaca os dois casos mais emblemáticos nas categorias de atuação.
Bruce Dern foi indicado a melhor ator coadjuvante em 1979 por Amargo regresso e volta a disputar a estatueta em 2014 como ator por Nebraska. São 35 anos entre uma indicação e outra. Julia Roberts recebeu seu Oscar em 2001 por Erin Brockovic – uma mulher de talento. Justamente quando foi indicada pela última vez, 13 anos atrás.

When Judi meets Cate

Cate Blanchett já tem um Oscar e em 2014 conquistou sua sexta indicação ao prêmio. Judi Dench já tem um Oscar e em 2014 conquistou sua sétima indicação ao prêmio. No ano em que Cate Blanchett conquistava sua primeira indicação, em 1999, como atriz por Elizabeth, Judi Dench, então em sua segunda indicação, conquistava seu primeiro Oscar, como coadjuvante por Shakespeare apaixonado. Em 2007 elas foram indicadas ao Oscar pelo mesmo filme, Notas sobre um escândalo. Cate como coadjuvante e Judi como protagonista. Agora, em 2014, elas se enfrentam pela primeira vez no Oscar na categoria de atriz. O favoritismo é de Cate, mas muita gente aposta que Judi pode surpreender.

When Amy meets Meryl

Outra sinergia esquisita ocorre entre Meryl Streep e Amy Adams. Elas já estrelaram dois filmes juntas. Por ambos os filmes, Meryl Streep foi indicada ao Oscar. Pelo primeiro deles, Amy também foi. Os filmes em questão foram Dúvida (2008) e Julie & Julia (2009). Meryl Streep foi indicada ao Oscar seis vezes nos últimos dez anos. O melhor desempenho entre intérpretes, tanto em categorias masculina como feminina. O segundo melhor desempenho? Amy Adams que chega à quinta indicação em nove anos. Em 2014 será a primeira vez que elas se enfrentam no Oscar.

A primeira vez a gente nunca esquece
Michael Fassbender falou, em setembro último, que não faria campanha por uma indicação ao Oscar como coadjuvante por 12 anos de escravidão. Fassbender, que fez muita campanha em 2012 por uma indicação por Shame, acabou indicado pelo trabalho e, tal como Joaquin Phoenix no ano passado, às custas única e exclusivamente de seu trabalho em 12 anos de escravidão. Ator de muitos recursos e muito versátil, Fassbender que já merecia uma indicação ao Oscar desde Shame, deve voltar muito à festa da Academia. Mas o sabor da primeira vez fica.

A primeira esnobada a gente nunca esquece
Outro que goza de sua primeira indicação, e já na posição de favorito ao prêmio, é Matthew McConaughey. Só que McConaughey teve que amaciar a carne. Depois de uma consolidada carreira como galã de comédias românticas, o ator deu um giro de 180º em sua carreira que muitos pagavam para ver até onde iria. E pode ir ao Oscar e além, como sugerem seus créditos para os dois próximos anos. Nesta dourada jornada, McConaughey foi solenemente ignorado por performances arrasadoras em filmes como Killer Joe, Magic Mike e Amor bandido.

Agora vai?
Roger Deakins é um dos maiores perdedores da história do Oscar. Em todas as categorias, mas entre os diretores de fotografia a coisa fica mais chata. Todo ano ele recebe menção aqui no #oscarfacts de Claquete sob a expectativa de que o ano em questão pode ser, finalmente, o da redenção. Não deve ser em 2014, no entanto, que Deakins sairá da fila. Indicado pela arrebatadora fotografia de Os suspeitos, configurando sua quarta indicação em seis anos, suas chances são menores do que em outros anos. A indicação de Deakins é a única de Os suspeitos e há toda a celebração em cima da fotografia de Gravidade, de Emmanuel Lubezki, outro que nunca ganhou o Oscar, mas pode conquistá-lo em sua sexta indicação.

O fator Hanks                                                                 
Tom Hanks, que era dado como certeza na categoria de melhor ator por Capitão Phillips, acabou de fora e levou analistas da indústria a se depararem com a seguinte pergunta: a Academia superou Tom Hanks? Sim, porque desde 2001, o ator não é indicado ao Oscar, mesmo tendo apresentado meia dúzia de atuações mais do que dignas de nomeações. A hipótese permanece sem uma elaboração aceitável, mas parece que grande parte da Academia considera que os dois Oscars cedidos de maneira consecutiva no início dos anos 90 já qualificam distinção suficiente a Hanks na história e que não seria preciso elevá-lo a uma “Meryl Streep entre os homens”.


Quem foi mais esnobado? 
Leonardo DiCaprio tem dez indicações ao Globo de Ouro e em 2014 conquistou sua quarta nomeação ao Oscar. Tom Hanks, por seu turno, ostenta oito nomeações ao Globo de Ouro e apenas uma a mais que DiCaprio no Oscar, apesar das duas consagradoras vitórias. Claquete faz a análise das análises, quem desses dois grandes atores americanos foi mais esnobado pela Academia?


Leonardo DiCaprio está mesmo com tudo ou por fora, dependendo da perspectiva. DiCaprio, no crivo de Claquete, apresenta mais performances dignas de indicação ao Osca ( e que não foram nomeadas) do que o venerável Tom Hanks. Foram oito os trabalhos de DiCaprio solenemente ignorados pela Academia e seis os desempenhos de Hanks que foram excluídos do Oscar. Atenção para um detalhe: os trabalhos esnobados estão com o ano de seu lançamento e os trabalhos nomeados com o ano da nomeação.


Scorsesiano

Ao que parece, Martin Scorsese caiu de vez nas graças da Academia. Embora esta ainda lhe deva uns três Oscars, para fazer jus à grandeza do cineasta americano, a academia tem destacado Scorsese mais do que qualquer outro cineasta do cinema atual contemporâneo. Dos anos 2000 para cá, Scorsese realizou seis longa-metragens ficcionais. Ele foi indicado ao Oscar de direção por cinco deles. Só ficou de fora por Ilha do medo (2010), que é um de seus melhores trabalhos de direção em todos os tempos, mas o filme é, também, uma homenagem aos filmes de terror B; o que minou suas chances na academia.
De qualquer maneira, Scorsese é o cineasta mais indicado ao Oscar de direção nos últimos 15 anos. Uma distinção justa para um dos maiores diretores de todos os tempos. Ao todo, Scorsese tem 11 indicações ao Oscar. Oito delas como diretor.


Rancor ou verdade? 
Robert Redford disse que acabou de fora da corrida pelo Oscar por que o estúdio responsável por Até o fim, a Lionsgate, não acreditou no filme e não fez campanha. A fala de Redford, que disse que seria ótimo ser indicado, mas que não fica triste por não ter conquistado essa que seria sua primeira indicação ao prêmio como ator, escancara uma das principais características de toda a corrida pelo Oscar. A força das campanhas. Por trás da indicação de Leonardo DiCaprio, está o fato de que o ator se engajou na campanha por O lobo de Wall Street, do qual também é produtor. DiCaprio, vale lembrar, não costumava se engajar nas campanhas pelo Oscar.
A declaração de Redford, no entanto, vale para ele também. Redford tem o tipo de estatura na indústria que não precisa da sombra do estúdio.

Ator e produtor
Leonardo DiCaprio e Brad Pitt concorrem ao Oscar como produtores de O lobo de Wall Street e 12 anos de escravidão respectivamente. Ano passado, George Clooney e Ben Affleck ganharam o Oscar como produtores de Argo. Pitt concorreu no ano anterior como produtor dos filmes A árvore da vida e O homem que mudou o jogo. Não se fazem mais atores como antigamente em Hollywood e neste caso, isso é uma boa notícia. 

American darlings

Alexander Payne e David O. Russell travam uma batalha particular no Oscar 2014. A briga é pelo posto de quem é o maior darling da composição atual do colegiado da Academia. Ambos costumam colecionar indicações como roteirista e diretor, Payne ainda assombra como produtor. Mas isso é o de menos. Ambos foram indicados ao Oscar pelos seus últimos três trabalhos. Payne tem ligeira vantagem. Além de ter mais indicações (7 contra 5), venceu duas vezes – pelos roteiros de Sideways (2004) e Os descendentes (2011). Russell, no entanto, conseguiu o feito de ter seus atores principais indicados nas quatro categorias principais por dois anos seguidos. Demolidores de estatísticas nas hostes do Oscar, os dois se enfrentam pela primeira vez na categoria de direção. 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Oscar Watch 2014 - Cenas de Cinema (Globo de ouro e SAG)

Anomalia de cortesia
É chover no molhado, mas a antecipação do calendário de premiações pelo Oscar segue a causar algumas anomalias em premiações periféricas que costumavam gozar de certo grau de acuidade na antecipação dos indicados ao Oscar em outros tempos.
O SAG, inegavelmente, é um dos maiores prejudicados. Alguns filmes lançados mais tardiamente no ano não foram vistos pela maioria dos membros do sindicato que apostaram em favoritos precoces como 12 anos de escravidão, O mordomo da Casa Branca e Capitão Phillips.

Anomalia de cortesia II
E a classificação de dramas e comédias no Globo de Ouro é aquela festa que todo mundo já tá acostumado. Ninguém leva muito a sério, desde que seja convidado. O lobo de Wall Street, Ela e Nebraska não são exatamente comédias, assim como Philomena não é um drama convicto. Álbum de família ainda puxa para o humor negro, mas Inside Lweyn Davis – balada de um homem comum definitivamente não é um musical.

A vibe de David O. Russell
Russell orienta Christian Bale e Amy Adams no set de Trapaça

David O. Russell é mesmo o diretor do momento. Seu Trapaça teve uma aceitação pela HFPA melhor do que os mais otimistas analistas da indústria esperavam. Indicado a filme, direção, roteiro e nas quatro categorias de atuação possíveis (concorrendo no âmbito das comédias), Trapaça firma-se como o favorito absoluto ao prêmio e eleva o já alto status de Russell no planeta Hollywood.

DiCaprio, o eterno
Entra ano e sai ano e Leonardo DiCaprio segue no coração da HFPA. Se não chega a ser uma Meryl Streep, novamente indicada, DiCaprio está quase lá. O Oscar resiste a indicá-lo, mas não tem doce com a HFPA. Enquanto DiCaprio seguir ousado, seguirá como um dos xodós do Globo de Ouro.
  
Por Mandela e por Elba
As três indicações para Mandela: long walk to freedom podem ir na conta de muita gente. Do U2 ou do próprio Mandela, por exemplo, mas o carisma de Idris Elba – ator que cativa mais a cada novo trabalho – responde exclusivamente pela indicação do ator entre os melhores atores em drama do ano. Tanto é que Elba conseguiu uma vaguinha pela série britânica Luthor na briga entre os atores por filme para tv ou minissérie.

O homem que é uma ilha
Por falar na disputa entre os atores dramáticos, Tom Hanks é o único que já ganhou o Globo de ouro entre os concorrentes.

Déjà Vu
Em 2010, Sandra Bullock, mais afeita às comédias, ganhou como atriz dramática por Um sonho possível e Meryl Streep, mais afeita aos dramas, ganhou como atriz de comédia por Julia & Julia. Neste ano elas voltam às categorias com Gravidade e Álbum de família, respectivamente. Na avaliação da crítica, os desempenhos são melhores, mas será que o raio cai duas vezes nos mesmos dois lugares?

O ano das comédias
Não são exatamente comédias, mas é inegável que o eixo das comédias no Globo de Ouro está muito mais interessante do que o dos dramas. Basta conferir a categoria de roteiro com prevalência das comédias (Ela, Nebraska e Trapaça).

Os belos e a fera
Bradley Cooper, Michael Fassbender, Jared Leto e, com alguma boa vontade, Daniel Brühl integram o time dos belos entre os melhores atores coadjuvantes do ano para a HFPA. Mas todo cuidado é pouco com a fera Barkhad Abdi, cujos feitos conseguidos em Capitão Phillips ainda podem repercutir.

O somali que é uma fera: cuidado com ele

Cinema made in TV
Al Pacino, Michael Douglas, Matt Damon, Kevin Spacey, Michael Sheen, Liev Schreiber, Helen Mirren, Robin Wright, Helena Bonham Carter e Jon Voight são alguns dos nomes mais identificados com o cinema indicados ao Globo de Ouro de 2014 por trabalhos feitos para a tv.

Faltou ousadia na lista da tv
A despeito do bem vindo, e tardio, reconhecimento a Breaking bad, faltou ao Globo de Ouro nesta edição o que é, via de regra, característica da premiação. Ousadia na escolha dos indicados na seara televisiva. A safra, é bem verdade, não é das melhores, mas faltou um olhar mais apurado. Mad men e The Walking dead mereciam um retorno triunfal ao prêmio, assim como a novata The Bridge mereceria destaque.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Crítica - Capitão Phillips

Sobrevivência a qualquer custo

O que difere o cineasta inglês Paul Greengrass de outros contemporâneos é sua contenção quase vocacional equilibrada à aspereza do registro que inequivocamente se emparelha à verve documental. Essa característica de seu cinema, que elevou a trilogia Bourne ao status de obra influente não só no cinema de ação, está presente em Capitão Phillips (Captain Phillips, EUA 2013), filme que recria o sequestro do cargueiro Alabama por piratas somalis ocorrido em 2009.
Greengrass resiste a clichês que costumam povoar esse tipo de filme e se concentra exclusivamente na ação; opção esta que reforça a voltagem emocional do que se testemunha. O mérito do diretor está menos em tirar tensão de uma situação que já se sabe o desfecho – afinal o capitão Phillips viveu para contar a história – e mais em filtrar dessa situação extraordinária, e ao mesmo tempo banal, um valioso comentário sobre a luta pela sobrevivência. Seja ela no curto ou no longo prazo. Desse rico subtexto, Greengrass ainda oferece um potente comentário político deflagrado nos dramas humanos dos personagens. Sejam eles os piratas somalis, que trafegam entre a ingenuidade e o instinto, ou a tripulação assustada com o ataque ao Alabama.
Nesse recorte em particular entra o personagem que batiza a fita. O capitão Phillips de Tom Hanks nada mais é do que um homem comum, com suas convicções e dilemas que só podem ser intuídos pelo público a partir de sua postura enquanto é feito refém pelo grupo de quatro piratas somalis. É da mesura entre as necessidades que movem Phillips e Muse (Barkhad Abdi), o líder dos piratas, que Capitão Phillips atinge todo o seu potencial. O desespero de dois homens que estão apenas fazendo seu trabalho vai sendo talhado à medida que as circunstâncias desfavorecem ambos em escala cada vez mais acelerada.

Por uma vida menos ordinária: a luta pela sobrevivência, em seus tons mais agudos e alarmantes, move Capitão Phillips que é constantemente abastecido pela tensão que emana dos personagens

Sem diminuir o ritmo da ação e com atenção cirúrgica à maneira como ela afeta os personagens, Greengrass realiza um filme sem mocinhos e consegue a proeza de não tomar partido mesmo filmando o sequestro de um navio por piratas. Esse fator, aliado à destreza com que encena a tomada do navio pelos piratas, a dureza e tensão das negociações e o desenvolvimento da ação da Marinha americana para resgatar Phillips reforçam essa verve documental que tanto precede o diretor inglês.
Tom Hanks volta a apresentar uma performance digna de prêmios. A maneira como ele aborda seu personagem nos diferentes momentos dessa montanha russa emocional ao qual é submetido é um teste não só de fôlego dramático como de fisicalidade (principalmente no final). Mas em matéria de atuação, o filme é mesmo de Barkhad Abdi. Ator estreante, sua intensidade aqui é superlativa. Ao ponto de eclipsar Tom Hanks vez ou outra. Do olhar ao gestual, Abdi toma conta de praticamente todas as cenas em que aparece.
Com atores tão enraizados em seus personagens, um diretor tão lúcido e técnico e um roteiro assinado pelo ótimo Billy Ray que não deixa a peteca cair um momento sequer, Capitão Phillips se firma como um dos pontos mais altos de 2013 nos cinemas. 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

TOP 10 - Dez atuações "padrão Tom Hanks"

O cineasta Paul Greengrass admitiu em recente entrevista à revista Preview que fator preponderante para que aceitasse dirigir Capitão Phillips, uma das principais estreias deste mês nos cinemas brasileiros, foi trabalhar com Tom Hanks. “Foi uma decisão muito pessoal minha. Todo cineasta quer ter um ator como Tom Hanks em seu filme”, disse o diretor. Muitos comentaristas estão considerando que Hanks irá ao Oscar, Claquete antecipou o bom momento do ator – agora confirmado – em maio deste ano. A seguir, lista dez atuações que ajudaram a consolidar o padrão Tom Hanks de qualidade.



10 - Apollo 13 – do desastre ao triunfo (Apollo 13, EUA 1996), de Ron Howard
Eis aqui um trabalho genial em sua simplicidade. Hanks puxa o bonde de um elenco estrelado em um filme de grande apelo comercial e enorme potencial dramático. É seu personagem, porém, quem representa o elo com o público. Algo que Tom Hanks faz como ninguém.

9 - O terminal (The terminal, EUA 2004), de Steven Spielberg
Hanks põe todo o seu carisma a serviço de um personagem preso a uma situação esdrúxula. Por seu país ter sofrido um golpe de Estado, não pode sair do terminal de um aeroporto. Spielberg faz um filme doce e cheio de camadas contando com a astuta colaboração de Hanks que cria um personagem inesquecível. Difícil pensar que O terminal seria um filme tão lembrado, até porque em essência é bem banal, se Hanks não fosse o protagonista.

8 - Náufrago (Cast away, EUA 2000), de Robert Zemeckis
Tom Hanks segura sozinho, há quem diga que houve ajuda de Wilson (uma bola), um filme de mais de duas horas em que há a predominância do silêncio. Hanks voltou ao Oscar por esse trabalho louvável de atuação em que demonstra uma infinidade de recursos dramáticos provando ser um ator muito maior e mais capaz do que muitos tinham por fato.

7 - Matadores de velhinhas (The ladykillers, EUA 2004), dos irmãos Coen
Os irmãos Coen eram parte da nata de cineastas americanos com que Hanks ainda não havia colaborado. Nessa espirituosa sátira ao establishment americano, o primeiro remake dos Coen, Hanks vive um larápio cheio de lábia e com um visual excêntrico. É o ator exercitando sua veia cômica em uma proposta para lá de sofisticada.

6 - O resgate do soldado Ryan (Saving private Ryan, EUA 1998), de Steven Spielberg
É seguramente uma das melhores atuações de Hanks. Inesperadamente sutil e subitamente grave, o ator preenche de vivacidade e emoção seu personagem, um homem que precisa liderar um punhado de soldados em uma missão potencialmente suicida para resgatar um único homem no crepúsculo da segunda guerra mundial. Se já não tivesse ganhado dois Oscars, a academia não teria desculpas (e mesmo assim elas são pouco aceitáveis) de não ter lhe dado o Oscar por esse desempenho.

5- À espera de um milagre (The green mile, EUA 1999), de Frank Darabont
Tom Hanks novamente fazendo as vezes de canal entre o público e a trama que se desenvolve. Nesse belo drama baseado em obra de Stephen King, ele faz um carcereiro que descobre um dom especial em um prisioneiro e passa a alimentar um conflito existencial que abrange fé, justiça e outras tantas angústias.

4 - Forrest Gump, o contador de histórias (Forrest Gump, EUA 1994), de Robert Zemeckis
Certamente seu personagem mais famoso, Forrest Gump é, também, a graduação de Hanks como ator dramático. Sua prova de que é, afinal, alguém capaz de transmitir com eficiência ímpar os pormenores de um personagem e decodificar aspectos do roteiro que apenas um grande ator seria capaz de tornar em trunfos narrativos.

3 - Jogos do poder (Charlie´s Wilson war, EUA 2007), de Mike Nichols
Uma das melhores atuações da carreira do ator, mas poucos percebem isso. Transitando com fineza entre os registros dramáticos e cômicos, Hanks constrói um personagem satírico sem ser caricato – tarefa dificílima – e se fia como um dos pontos altos desse grande filme de Nichols.

2- Estrada para perdição (Road to perdition, EUA 2002), de Sam Mendes
Tom Hanks faz um homem mau neste filme. Mesmo? A ambiguidade do personagem é dilatada pela qualidade da interpretação do ator na pele deste gangster em fuga com seu filho após este último ter presenciado o assassinato do restante de sua família. Um filme poderoso sobre a descoberta do filho pelo pai e do pai pelo filho e uma crônica sobre o código de ética mafioso por um ângulo jamais visto.

1-Filadélfia (Philadelphia, EUA 1993), de Jonathan Demme
A primeira grande atuação de Tom Hanks? Não. Ele já havia sido indicado ao Oscar antes, e por uma comédia. Mas essa talvez seja sua primeira atuação formal no sentido de se erguer como um dos maiores atores a ter pisado na Terra. Lhe valeu o primeiro Oscar e o personagem aidético que inicia uma luta nos tribunais contra a empresa que o demitiu ainda é de uma pungência fora do normal visto 20 anos depois. Não é qualquer ator que consegue isso.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Em off


Nesta edição da seção Em off, as atrizes mais cults da atualidade, os labirintos das escolhas da Warner Bros, o retorno à boa forma de Tom Hanks, a largada em Cannes e a nova menina dos olhos de Hollywood.
  
A ressurreição de Tom Hanks

Recentemente eleito por uma pesquisa feita entre americanos e divulgada pela revista Time como a personalidade americana mais confiável, Tom Hanks está caminhando de volta ao topo. Depois de uma série de projetos malogrados como A viagem (2012) e Larry Crowne- o amor está de volta (2011), o ator ensaia as pazes com público e crítica. O primeiro passo desse “reencontro” reside em “Lucky guy”, peça e autoria de Norah Ephron – que antes de falecer era contumaz colaboradora do astro – que marca a estreia de Hanks na Broadway. Os elogios se enumeraram e antecederam a nomeação ao Tony (o Oscar do teatro), no qual o ator desponta como favorito.
No fim de 2013, Hanks voltará às telas de cinema em duas aguardadas prodições. A primeira é Captain Phillips, novo filme de Paul Greengrass, em que Hanks faz o capitão de uma embarcação americana invadida por piratas somalis no início dos anos 2000. Já em Saving Mr. Banks, que assim como Captain Phillips é aventado para o próximo Oscar, o ator vive ninguém menos que Walt Disney em pessoa.
Há muito tempo Hanks não dispunha de tamanha evidência e com adornos extremamente promissores.

A Warner e seus adiamentos
Foi anunciado recentemente que a Warner Brothers decidiu adiar o lançamento de 300: a ascensão de um império de agosto deste ano para março de 2014. Não houve uma justificativa oficial para a mudança, mas foi sugerida a percepção de que seria melhor lançar o filme em harmonia com a época do lançamento da produção original (300 foi lançado em março de 2007). Esse tipo de mudança, por mais indesejada que seja para fãs, é relativamente comum no sistema de estúdios, mas a Warner tem tornado a prática frequente com seus superlançamentos. Em 2008, adiou a estreia do aguardadíssimo sexto filme da saga Harry Potter (O enigma do príncipe) porque não tinha um filme de grande potencial comercial para o verão de 2009 - em virtude da greve de roteiristas que paralisou a indústria no fim de 2007 e início de 2008. Depois de arrecadar horrores com O cavaleiro das trevas naquele verão, a Warner não queria deixar de lucrar acintosamente na temporada em questão no ano seguinte.
Processo semelhante ocorreu com o novo Superman. O homem de aço estava originalmente programado para o fim de 2012, mas o estúdio resolveu adiá-lo para 2013 por já ter um filme de super-herói de grande projeção (a conclusão da trilogia do cavaleiro das trevas de Nolan) no ano. Com isso, o filme de Zack Snyder será lançado em julho deste ano.
O Grande Gatsby, que canaliza alguma atenção em virtude da première mundial em Cannes, é outro caso interessante. Também programado para o fim de 2012, o estúdio resolveu adiá-lo para o verão deste ano sob justificativa de que teria mais tempo de trabalhar os efeitos do 3D na finalização. A época, setores da crítica chamaram a atenção para um possível descontentamento do estúdio com o filme. Os boatos nunca foram combatidos com firmezas e agora, lançado, o filme reúne quantidade assombrosa de crítica negativas.

A glória só chega em 2014...

50 tons de cinza: a mina hollywoodiana
Na última semana foi divulgado por diversos veículos noticiosos de que o diretor inglês Joe Wright, de filmes como Desejo e reparação e Anna Karenina, é o favorito do estúdio Focus – que detém os direitos de adaptação para o cinema da trilogia best-seller "50 tons de cinza" – para dirigir o primeiro filme. O boato se baseia no fato de que Wright e Focus mantêm boa relação – todos os filmes do diretor com exceção de Hanna foram lançados pelo estúdio. Wright, no entanto, está comprometido com outros projetos e não se pronunciou a respeito do boato. Quem se engajou para conquistar a direção do filme foi Gus Vant Sant. O diretor de Inquietos e Milk – a voz da igualdade teria até mesmo rodado uma fita teste com uma cena erótica do livro e enviado ao estúdio.
"50 tons de cinza" é a grande mina de ouro do momento em Hollywood. Sites de cinema promovem enquetes periódicas com seus leitores para checar suas preferências para os papéis centrais. Jovens atores e atrizes em busca de serem os novos Robert Pattinson e Kristen Stewart digladiam-se por testes. Uma seção Insight deste mês de maio irá repercutir essa corrida ao ouro, contextualizá-la e apontar os nomes que devem, no final das contas, ficar com o ouro.

Foi dada a largada...
Já começou e quem quer saber os melhores detalhes sobre o 66º festival de cinema de Cannes precisa acompanhar de perto a fanpage do blog no Facebook. Serão postagens diárias, majoritariamente à noite, destacando o que de melhor aconteceu no dia na Riviera francesa. Curiosidades, bastidores e avaliação da crítica presente no evento dos filmes exibidos nas diversas mostras que dominarão o bate- papo cinéfilo nos próximos dias.

Atrizes cult
O TOP 10 do mês destacou os dez atores mais cults da atualidade. Mas e as atrizes? Elas estão aqui, devidamente adornadas pela informalidade cult da seção Em off. As dez mulheres que valem o culto no cinema atual não estão tão democraticamente distribuídas pelo globo como no caso dos homens. As francesas, (o que tem na água da França, né?) são maioria com três menções. A Itália segue firme com a onipresente, embora menos presente no cinema, Monica Belluci. Inglaterra e EUA têm duas menções e Brasil e Espanha surgem com uma representante cada.



As dez eleitas: Monica Bellucci, Ellen Page, Julianne Moore, Vanessa Redgrave, Mariana Lima, Isabelle Huppert, Kristen Scott Thomas, Penélope Cruz, Marion Cotillard e Juliette Binoche


sábado, 10 de dezembro de 2011

Oscar Watch 2012 - Coadjuvantes improváveis

Albert Brooks, já premiado por seu vilão em Drive, é um dos estranhos no ninho entre os principais concorrentes aos prêmios de coadjuvantes do ano


Um dos aspectos que mais chama a atenção na corrida pelo Oscar de melhor ator coadjuvante nesta temporada são os nomes dos principais postulantes. Alguns pela inusitada participação como coadjuvante em uma produção, outros por aparições completamente diferentes das que estamos habituados a vê-los.
Pegue, por exemplo, o veterano sueco Max Von Sydow. Aos 82 anos, o ator que já ostenta uma indicação ao Oscar por Pelle, o conquistador (1989), desfruta de seu melhor momento no cinema americano. Em 2010 esteve em Ilha do medo e em Robin Hood. Foram duas participações pequenas, mas marcantes. É o mesmo perfil de sua atuação em Tão forte e tão perto. Pouca gente viu o filme, mas muitos já dão como certa sua inclusão entre os cinco finalistas no Oscar. Uma indicação pelo longa de Stephen Daldry seria indissociável dessas performances potentes ainda que confinadas a papéis curtos e pequenos.
Mais surpreendente ainda é a cotação que Albert Brooks vem recebendo por Drive. Brooks é outro que ostenta uma indicação ao Oscar conquistada no longínquo anos 80. Concorreu como coadjuvante por Nos bastidores da notícia em 1988. Apesar de ter participado de filmes como Taxi driver e Laços de ternura, uma rápida olhada na filmografia do ator não deixa dúvidas. Ele é uma cria da comédia. Era justamente o contraponto que o diretor Nicolas Winding Refn estava procurando para viver o mafioso de Drive, papel que já valeu a Brooks o prêmio da crítica de Nova Iorque.
Não é de hoje que Brooks domina o expediente dramático, mas não deixa de ser irônico que seja reconhecido em termos artísticos por isso. Basta ter em mente que Jim Carrey nadou, nadou e, ao que tudo indica, morreu nessa praia.
O veterano Max Von Sydow em cena de Tão forte e tão perto:
melhor momento no cinema americano

Tom Hanks é outra escolha improvável para coadjuvante. O ator, do primeiríssimo time do cinema americano, geralmente encabeça projetos e dificilmente é visto em um papel coadjuvante. Ele abdicou dessa prerrogativa institucional dos astros para fazer um pequeno papel em Tão forte e tão perto. Por se tratar de um filme de Stephen Daldry, e de Tom Hanks, observadores e indústria cogitam uma possível indicação ao Oscar. A eventual indicação também teria efeito reparador. Afinal, Hanks não é indicado ao Oscar desde 2000 quando concorreu por Náufrago. Depois disso teve ótimas atuações em Estrada para perdição (2002) e Jogos do poder (2007), para ficar em duas que não vingaram em reconhecimento da academia. Distinguí-lo como um dos coadjuvantes do ano também seria uma forma de bombear uma carreira que já viu dias melhores. Seria a sexta indicação ao Oscar de Hanks, mas a primeira em 11 anos.
Pode ser que nenhum dos três chegue vivo à disputa pelo Oscar. Mas é interessante que nessa altura do campeonato sejam eles os polarizadores das atenções e que reúnam essas particularidades que certamente deixam a corrida muito mais emocionante. 

terça-feira, 22 de março de 2011

Em Off

O último filme em que Ashton Kutcher não apareceu pelado, o novo filme de Tom Hanks, o que Sexo sem compromisso tem a ver com Um lugar chamado Notthing Hill e porque é melhor desconfiar do Robocop de Padilha são alguns dos destaques desta edição do Em Off.


Efeito Kutcher I

Pense rápido! Qual foi o último filme em que Ashton Kutcher não apareceu nu?
Errou quem pensou em Efeito borboleta (2004). Errou também quem foi ao longínquo 2000 para apontar Cara, cadê meu carro?. Não foi também em Por amor (2009) em que ia para a cama com Michelle Pfeiffer. Ele aparece apenas descamisado em filmes como Par perfeito (2010), Idas e vindas do amor (2010), De repente é amor (2006) e A família da noiva (2005). Mas o único filme em que Kutcher não exibe pele em demasia é O bicho vai pegar (2006). Também pudera, né?! Na animação, sua contribuição se restringe a dublagem....

To sexy to put a shirt: com 20 minutos de Sexo sem compromisso, Kutcher já havia exibido seu derrière...
 
 
Efeito Kutcher II


Exibicionista, não seria incorreto afirmar que Ashton Kutcher ajudou a popularizar o Twitter nos EUA. Primeira celebridade de escala mundial a aderir à rede social, Kutcher serviu como expressão do status jovem da plataforma.
Casado com a atriz Demi Moore e receptivo à curiosidade alheia, seus filmes sempre rendem uma média bastante satisfatória. O ator tem um público cativo (formado majoritariamente por teens de classe média) que está disposto a prestigiá-lo em seus arroubos de vaidade fílmica. Desde Jogo do amor em Las Vegas, lançado no verão americano de 2008, Kutcher lançou cinco filmes (três produzidos por ele) e teve uma média de bilheteria de U$ 70 milhões nos EUA. Não chega a ser um campeão de bilheteria, mas o jeito despojado e moderninho de Kutcher vende e quem paga, paga bem.



Um lugar chamado Nothing Hill 12 anos depois = Sexo sem compromisso

Se você reparar são muitas as semelhanças entre Sexo sem compromisso, em cartaz nos cinemas, e Um lugar chamado Notthing Hill que arrastou multidões para os cinemas em um dos últimos grandes sucessos da carreira de Julia Roberts no gênero. Tanto lá quanto cá, há uma mulher autosuficiente, receosa de uma relação íntima e um homem um tanto abobado ansioso por ela. Tanto lá quanto cá o sentimento surge depois do sexo e tanto lá quanto cá o homem é “magoado” antes do final feliz. É bem verdade que essa estrutura também pode ser encontrada em outros filmes, o que não tira o mérito dessa comparação em particular...



Considerações sobre o novo Batman


Christian Bale, Michael Caine, Joseph Gordon Levitt, Anne Hathaway, Tom Hardy e, muito possivelmente, Marion Cottilard estarão o novo filme do Batman. The dark knight rises terá a difícil missão de, no mínimo, se equiparar a O cavaleiro das trevas. Até o título alude ao filme que Heath Ledger imortalizou como do coringa.
Não será fácil para Christopher Nolan igualar o feito de O cavaleiro das trevas. Nas bilheterias a missão pode até ser realizada, mas a qualidade do filme de 2008 não é fácil de ser reproduzida. Assim como ocorreu com Heath Ledger, que meio mundo desaprovou como escolha para intérprete do coringa, Anne Hathaway – a primeira vista – não parece talhada para viver a mulher gato. Mas Nolan sabe o que faz e nós não sabemos o que dizemos.



O Robocop de Padilha

Na última semana foi confirmada a contratação de José Padilha como diretor do reboot que a MGM planeja para Robocop. Os executivos do estúdio, que é bom lembrar enfrenta uma recuperação judicial, se impressionaram com o trabalho de José Padilha nos dois Tropa de elite. A opção pelo brasileiro chega depois da consideração dos nomes de Darren Aronofsky (que chegou a participar da pré-produção antes da quebra do estúdio) e do espanhol Juan Carlos Fresnadillo (diretor de Extermínio 2).
Padilha, em entrevista ao Motion TV online, demonstrou segurança e entusiasmo com a nova empreitada: “Eu só faço filmes que me interessam pelo conteúdo. Podem esperar um controverso, diferente, irônico e violento Robocop”, afirmou.
Contudo, as barbas precisam ficar de molho. O olhar clínico de Padilha para a violência no Rio de Janeiro e sua perícia em construir cenas de ação com recursos limitados pode ser muito importante do ponto de vista técnico, mas falta ao diretor exuberância ficcional. Robocop é um blockbuster americano. Essencialmente fantasioso. O descompasso terá de ser apurado na confecção do roteiro, já iniciada em conjunto com Josh Zetumer (que teve mais roteiros descartados do que filmados até a presente data).



A nova brincadeira de Tom Hanks

Afastado da direção desde sua estréia, que ocorreu com The Wonders – o sonho não acabou (1996), Tom Hanks volta às telas de cinema em 2011 e também para trás das câmeras com Larry Crowne. A história de um cara que já foi nove vezes funcionário do mês e que após ser demitido resolve se reciclar cursando uma faculdade chega ao país em julho. Frequentar a faculdade da comunidade local irá lhe proporcionar uma experiência renovadora. A comédia com tom existencial deve reforçar, como se fosse preciso, o estereótipo de bom moço de Hanks. Julia Roberts está lá para garantir que isso aconteça. Confira o trailer:


sábado, 4 de setembro de 2010

Cantinho do DVD

Muitos acham O resgate do soldado Ryan apenas uma eficiente fita de ação que rasga no drama, outros pensam ser a demonstração de que Spielberg (o cara que fez E.T) amadureceu como cineasta aprimorando sua técnica, mas nem tanto seu discurso e há quem ache que o filme seja um primor. Claquete se alinha a essa última leva. De qualquer maneira, O resgate do soldado Ryan é um filme indispensável. Se você já o viu, vale a revisão. Com o final da guerra do Iraque (em que mais de 4 mil soldados americanos morreram) anunciada recentemente, o drama vivido pelo capitão Miller (Tom Hanks) ecoa com nitidez. Miller e seu pelotão são destacados para resgatar o soldado Ryan do título para que uma mãe que já perdeu dois de seus filhos na guerra não perca também o terceiro. O filme exala sentimento e reflete o absurdo da guerra e das escolhas que impõe.


Ficha técnica:
Nome original: Saving private Ryan
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Robert Rodat
Elenco: Tom Hanks, Adam Goldberg, Tom Sizemore, Edward Burns, Vin Diesel, Matt Damon, Barry Pepper, Giovanni Ribisi, Ted Danson, Paul Giamatti e Denis farina
Gênero: Drama/Ação/Guerra
Duração: 170 min
Estúdio: Paramount
Status: Disponível em DVD e Blu-ray para venda e locação
Sell thru (preço médio):
DVD simples = R$ 12,90
DVD duplo = R$ 29,00
Blu-ray = R$ 75,00



Crítica

Steven Spielberg alcança o apogeu de seu cinema em um filme que conjuga drama humano, cenas de ação arrasadoras, efeitos especiais impressionantes e cristaliza o absurdo da guerra como nunca antes no cinema. O resgate do soldado Ryan (Saving private Ryan, EUA 1998) é daqueles filmes tão cheios de qualidade que fica difícil apontar um defeito. Para quebrar o protocolo adentremos aquele que tem sido destacado como um defeito da fita. O sentimentalismo exacerbado. É do americano o patriotismo. Em O resgate do soldado Ryan a medida que Spielberg emula esse patriotismo ele também o questiona no sentido da missão assumida pelo capitão Miller (Tom Hanks) e seus homens. O sentimentalismo é uma característica tanto de Spielberg quanto do americano ao rememorar a segunda guerra mundial. Pedir um filme americano sobre a segunda guerra desprovido de tal é, portanto, pedir para descaracterizá-lo de sua verve. Contudo, a força de O resgate do soldado Ryan enquanto cinema nunca é assombrada por essa característica. Fosse Spielberg, um cineasta menos cuidadoso com sua obra e a fita teria se tornado uma patetada piegas.
Tom Hanks galvaniza seu personagem com caráter e sensibilidade. Uma combinação que enobrece a longa galeria de grandes personagens do ator e reveste a fita de solidez dramática. Apesar de um elenco em ótima sintonia, é ao roteiro que cabe a maior distinção. Pincelando situações dramáticas vigorosas, o desfecho proposto nos enche de esperança, satisfação e amor a vida. Não é todo filme de guerra que ao findar nos desperta dessa maneira.

sábado, 28 de agosto de 2010

Claquete destaca


+ A adaptação de "Extremamente alto e incrivelmente perto", romance de Jonathan Safran Foer, que Stephen Daldry irá realizar vai ganhando forma. Claquete havia antecipado que havia sondagens para que Sandra Bullock vivesse a principal personagem feminina. Pois bem, não só a vencedora do Oscar por Um sonho possível, como o também oscarizado Tom Hanks foram confirmados no elenco da produção que deve começar a ser rodada no princípio de 2011.

+ Em busca do hype de outrora, os produtores de Pânico 4 confirmaram que Anna Paquin (que atualmente pode ser vista como a Sookie de True Blood) fará uma participação especial no filme. Os rumores dão conta de que deva ser algo nos moldes da participação de Drew Barrymore no filme original. Como Sookie, Anna já mostrou que sabe gritar...


+ Mais uma vez Deadpool e Ryan Reynolds são destaques aqui em Claquete destaca. Mas na terceira semana seguida, a notícia é boa. A Fox confirmou a produção do filme e com Reynolds como protagonista.

+ Nesta semana Claquete promoveu duas enquetes que repercutiam dois temas que foram centrais aqui no blog durante o mês. Christopher Nolan e Os mercenários. Sobre o primeiro, o blog quis saber qual seu melhor filme na avaliação do leitor. Batman – o cavaleiro das trevas cravou 47% da preferência dos (e) leitores consagrando-se o vencedor. No calor do momento, 35% escolheram A origem, mais recente filme de Nolan, como sua melhor obra e 17% preferem o trabalho que o revelou, Amnésia. Batman begins, Insônia e O grande truque não foram votados.
Na outra enquete o páreo foi mais disputado (embora tenham sido computados menos votos). Em uma demonstração da polarização provocada pelas declarações de Sylvester Stallone, não houve maioria na apuração sobre a fita. Para 33% o filme é irado enquanto que exatamente outros 33% manifestam indiferença para com o filme.

+ A organização do Festival do Rio, que ocorre entre os dias 23 de setembro e 7 de outubro, divulgou os primeiros integrantes da premiere Brasil, mostra em que são lançados alguns dos principais títulos nacionais. Os principais destaques são Vips, com o ator Wagner Moura, Como esquecer, de Malu De Martino e os já exibidos em outros festivais Malu de bicicleta, de Flávio Tambellini e Elvis e Madona, de Marcelo Laffitte.

+ Angelina Jolie planeja seguir os passos do mestre Clint Eastwood. A estrela pretende dirigir um filme sobre a guerra da Bósnia. “Seria uma história de amor”, revelou à Vanity Fair. Não se sabe, porém, quando esse projeto aconteceria. Além de The tourist, em que finaliza gravações, a atriz tem enfileirada participações nas produções Malévola de Tim Burton e Cleópatra que o produtor Scott Rudin planeja ser o maior filme de 2012.
+ O premiado ator Philip Seymour Hoffman debuta na direção em Jack goes boating. O filme que terá premiere no próximo festival de Toronto mostra duas pessoas tímidas, e marcadas por uma série de conflitos psicológicos, que dão início a uma relação amorosa. Amy Ryan, além de Hoffman, estrela o filme que Claquete apresenta o trailer para você agora.


domingo, 7 de fevereiro de 2010

Os 25 melhores filmes da década:16 - Jogos do poder

"Ninguém está prestando atenção"




Sinopse:
Início dos anos 80. A União Soviética invade o Afeganistão, o que chama a atenção de políticos norte-americanos. Um deles é Charlie Wilson, um homem mulherengo e polêmico que não tem grande relevância política, apesar de ter sido eleito 6 vezes para o cargo. Com o apoio de Joanne Herring, uma das mulheres mais ricas do estado que o elege, o Texas, e do agente da CIA Gust Avrakotos, Wilson passa a negociar uma aliança entre paquistaneses, egípcios, israelenses e o governo norte-americano, de forma que os Estados Unidos financiem uma resistência que impeça o avanço soviético no local.

Comentário:
O filme de Mike Nichols é um poderoso e sagaz comentário sobre como as relações políticas se estabelecem. O filme cobre um episódio que no principio da década passada ganhou relevância-tão inesperada quanto tenebrosa - com os ataques terroristas às torres gêmeas, de maneira leve e salutar. Nichols oferece uma aula de narrativa e parcimônia ao contar um tema espinhoso com toques cômicos. Ajuda muito contar com um Tom Hanks inspirado e um Phillip Seymour Hoffman fenomenal. Juntos eles desmascaram a América das boas intenções que se abriga nos interesses escusos e nas negociatas midiáticas. Um filme austero que não deixa de ter bom humor. Sem dúvida alguma, uma obra referencial.

Prêmios:
1 indicação ao Oscar (ator coadjuvante); 5 indicações ao Globo de ouro (filme comédia/musical, ator em comédia/musical, ator coadjuvante, atriz coadjuvante e roteiro); Indicado ao Bafta de melhor ator coadjuvante; indicado ao Critic´s choice awards de melhor roteiro e melhor ator coadjuvante;

Curiosidades:
- O verdadeiro Charles Wilson deu uma declaração de apoio ao filme, em artigo publicado à época do lançamento da fita, da seguinte maneira: “Qualquer coisa que eu podesse embargar, é provavelmente verdade”
- O roteiro do filme é assinado por Aaron Sorkin, criador e principal roteirista da famosa série de TV sobre os bastidores da Casa Branca, The west wing
- Houve três acidentes durante as filmagens da produção. Em um deles, um figurante morreu.
- Emily Blunt, que faz uma pequena participação no filme, rodou suas cenas em dois dias. Ela não recebeu nada pela participação, embora outorgada pelo sucesso de O diabo veste Prada, a atriz queria contracenar com Tom Hanks, ator de quem é fã.
- Foi o segundo trabalho do diretor Mike Nichols com a estrela Julia Roberts. O primeiro foi Closer –perto demais e o terceiro está a caminho.
- Desde o anúncio do projeto, a imprensa especializada se interessou pelo filme que reuniria Tom Hanks e Julia Roberts (dois dos principais astros dos anos 90) em um mesmo filme.

Ficha técnica:
título original: Charlie Wilson's War
gênero: Drama
duração: 01 hs 37 min
ano de lançamento:2007
estúdio: Universal Pictures / Relativity Media
distribuidora: Universal Pictures / UIP
direção: Mike Nichols
roteiro: Aaron Sorkin, baseado em livro de George Crile
produção: Gary Goetzman e Tom Hanks
música: James Newton Howard
fotografia: Stephen Goldblatt
direção de arte: Maria-Teresa Barbasso, Brad Ricker e Alessandro Santucci
figurino: Albert Wolsky
edição: John Bloom e Antonia Van Drimmelen
elenco: Tom Hanks, Julia Roberts, Phillip Seymour Hoffman e Amy Adams


Fonte: arquivo pessoal


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Grandes momentos do cinema

Grandes momentos do cinema apresenta hoje dois atores em um de seus melhores momentos. Denzel Washington e Tom Hanks têm dois Oscars cada um. Hanks, inclusive, fatutou seu primeiro por este filme. Trata-se de Filadélfia (Philadelphia, EUA 1993). O filme de Johnathan Demme é um primor sob muitos aspectos. Desde a maravilhosa música de Bruce Springsteen até a direção segura e afinada de Demme. Mas é inegavel que é no forte e conciso trabalho dos atores que reside o maior trunfo do filme. Nessa cena, em particular, isso fica muito visível. Sutil, de ritmo leve e extremamente íntima e sugestiva.
Hanks faz um advogado que prestes a ser promovido a sócio de uma poderosa firma é demitido após ter sido diagnosticado com AIDS. Washington faz seu advogado. Filadélfia foi um dos primeiros filmes a abordar de maneira aberta, honesta e bem sucedida a AIDS e o homossexualismo. O filme é, ainda, um poderoso drama de tribunal. Um filme indispensável para qualquer um que aprecie cinema. Assim como essa poderosa cena que diz muito sobre os personagens, sobre o momento que vivenciam na narrativa do filme e sobre os brilhantes intérpretes que lhe dão vida.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Troca de guarda na academia

Foi anunciado na tarde de hoje pela junta diretiva da academia de artes e ciências de Hollywood, o nome do novo presidente da instituição. Tom Sherak, atual tesoureiro da academia e produtor de filmes como Falcão negro em perigo e Tratamento de choque, irá substituir Sid Ganis que presidiu a academia nos últimos 4 anos. Ganis comandou a instituição pelo máximo de tempo permitido pelo regimento da casa.
Ganis se retira depois de ter devolvido ao Oscar todo o prestigio que andava titubeante na década anterior. Sob sua presidência, filmes independentes e de temáticas mais adultas foram protagonistas das cerimônias e foi sob sua presidência que filmes independentes prevaleceram pela primeira vez. Crash em 2006 e Quem quer ser um milionário esse ano.
O ator Tom Hanks foi mantido no cargo de primeiro vice-presidente. A última "inovação" proposta por Ganis foi aumentar de cinco para dez o número de filmes indicados para o oscar de melhor filme. A pretexto de "fazer justiça a filmes que acabam preteridos em um último momento" o presidente articulou que a academia retomasse essa tradição abandonada em 1943.

domingo, 19 de julho de 2009

Top 10: As dez maiores atuações masculinas da década

10 - Johnny Deep por Piratas do Caribe: A maldição do peróla negra


Ninguém acreditava quando via pela primeira vez, mas ao construir o personagem Jack Sparrow, Deep criava um ícone pop. Hoje, o personagem do filme da Disney é um ícone moderno e ajudou Deep a solidificar seu status de astro. O ator criou Sparrow a partir de uma bem sucedida colagem. Ele próprio admitiu que se inspirou nos trejeitos do roqueiro Keith Richards para compor Sparrow, o que motivou a participação de Richards no terceiro filme da já estabelecida franquia, como o pai de Sparrow. A colagem se efetivou com o acréscimo do excelente timing cômico do ator e seu carisma inesgotável.


9- Clive Owen por Closer - perto demais


Poucos conheciam Owen antes desse filme. Depois dele (e não de Rei Arthur como ansiavam alguns produtores) muita gente se interessou pelo ator britânico. Aqui ele faz Larry, um médico imerso em um imprevisível quadrilátero amoroso. O ator, magnético em cena, consegue roubar a atenção de seus colegas mais famosos. A seu favor, talvez pese o fato de que já havia trabalhado com o material anteriormente. O ator participou da montagem em Londres da peça na qual o filme se baseia, embora na ocasião vivesse um personagem diferente.
No filme, ele apresenta uma performance devastadora que impressiona toda vez que se assiste a ela.


8- Sean Penn por 21 gramas

Penn é um ator que devido a alguns aspectos de sua personalidade e celebridade tardou em ter seu talento reconhecido em grande escala. Tudo começou a mudar em 2003. E este filme de Alejandro Iñarritu foi preponderante nesse sentido. Aqui ele faz um homem que acabou de ter um coração transplantado e se lança na busca para saber quem foi o doador. Sua busca leva a tragédia em diversos termos numa trama muito bem engendrada pelo diretor, mas que ganha profundidade e verve na atuação destacada de Penn.


7- Philip Seymour Hoffman por Antes que o Diabo saiba que você está morto

Era preciso incluir Hoffman nessa lista. Talvez o ator mais constante, mais surpreendente e mais regular (no sentido de apresentar sempre grandes performances) da década. Mas por que filme? Talvez o nível de qualidade do trabalho de Hoffman possa ser melhor aferido nessa fita. Já que ele tem consideravelmente menos tempo em tela do que nas outras fitas pelas quais se destacou. No entanto, Hoffman domina a cena de uma maneira irreversível na pele de um homem que arquiteta um plano para roubar os próprios pais e sucumbe ás conseqüências.


6- Russel Crowe por Uma mente brilhante

Quando rodou esse filme, Crowe já era um astro mundialmente conhecido e premiado. Contudo, é justamente aqui que ele entrega sua melhor atuação. Como John Nash, o matemático esquizofrênico que precisou domar a própria mente para viver mas que revolucionou a economia moderna, Crowe demonstra total controle de sua criação (algo que escapa há muitos, e que muitos, não esperavam de um ator que usufruía de tamanha evidência), mantendo o equilíbrio necessário para que a caracterização não caia no ridículo tão pouco ceda ao dramalhão. Um trabalho notável de expressão e de domínio de linguagem corporal que lhe valeu quase todos os prêmios da temporada.



5- Tom Hanks por Estrada para perdição

Esse virou hours concours no Oscar. Com duas estatuetas no currículo e cinco indicações, o ator virou patrimônio da Hollywood atual. Em uma década em que foi menos ativo do que na anterior, Hanks esteve igualmente aprazível. Nesse drama de Sam Mendes, o ator vive um capanga da máfia que depois de traído e abandonado por seu grupo busca vingança ao lado de seu filho e nessa jornada passa a conhecê-lo de fato e a ponderar sobre suas escolhas e as escolhas que não gostaria que seu filho tivesse de encarar. Filme maravilhoso que só alcança toda a sua plenitude através da atuação segura e contida de Hanks.

4- Heath Ledger por O segredo de Brokeback Mountain
Até esse papel Ledger(1980-2008) não era um ator levado a sério. Depois dele angariou fãs ardorosos e detratores igualmente polivalentes. Aqui ele vive Ennis Del Mar, um cowboy sem muitas ambições e também muito conservador na conservadora sociedade do Wymonig dos anos 60 no centurião americano. Contudo, Ennis se envolve inapelavelmente com outro homem e passa o restante de sua vida divido entre a dor causada pela memória e consciência desse seu " pecado" e pela dor causada pela saudade desse "pecado". Ledger cria uma figura introspectiva, rude quase impassível e que não esconde o conflito instalado em sua vida. Uma atuação memorável e que reveste o filme de Ang Lee com toda a profundidade e melancolia pretendidas.


3- Clint Eastwood por Menina de Ouro

Não há necessidade de fazer apresentações aqui. Contudo, é imperativo afirmar que foi nessa década que Eastwood viveu seu melhor momento criativo. Seja como diretor, seja como ator. Tanto em um ofício, quanto no outro, Eastwood brilha intensamente nessa fita que da alienação total por parte do estúdio saltou para o Oscar de melhor filme entre outros prêmios.
Aqui o veterano ator vive Frank Dunn. Dono de uma acadêmia e treinador de boxe que carrega algumas mágoas e arrependimentos e encontra na improvável figura de uma lutadora, igualmente abandonada , a redenção. Eastwood, diretor e ator, sabiamente utiliza as marcas de seu rosto e toda a carranca que lhe é atribuída para emoldurar um registro perene e profundamente tocante.


2- Heath Ledger por Batman - o cavaleiro das trevas

Se há uma palavra que pode definir essa atuação é intensidade. O papel que o destino quis que fosse o testamento artístico de Heath Ledger (1980- 2008) foi também o que lhe deu o Oscar. Aqui ele não só interpreta o coringa - arqui rival do Batman- ele cria a mais sombria versão do personagem e estabelece um novo patamar para a vilania no cinema. Senhor de todas as nuanças de sua caracterização, a entrega de Ledger ao papel impressiona. Tanto que alguns mal informados atribuíram a sua sublime atuação à morte precoce. Um equívoco que em si, só ratifica o poder e a longevidade de seu trabalho.


1 - Sean Penn por Sobre meninos e lobos

Em um filme que trata de perda, dor e tragédia, nada é mais alusivo de todos esses elementos do que a atuação soberba de Sean Penn. Aqui ele vive um ex- presidiário que tenta arrumar a vida, contudo, após o brutal assassinato de sua filha ele volta a flertar com o crime. Equilibrando-se entre a ânsia por vingança e a dúvida acerca do envolvimento de um ex-amigo. A história obviamente vai além e toma rumos inesperados, e é na atuação de Penn que a platéia tem a noção exata do tamanho da tragédia que se contempla.
Penn protagoniza aqui, certamente uma das mais fortes cenas da década (foto ao lado). O momento em que descobre que sua filha está morta é provavelmente o grande momento de Penn como ator. É o auge de sensibilidade que se pode permitir. É impossível não sentir o coração se partir naquele momento repetidas vezes. Uma cena que quanto mais se vê, melhor fica!