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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Crítica - Pelos olhos de Maisie

Um novo olhar

Filmes que abordam o impacto de um ambiente familiar desestruturado em uma criança existem em quantidade considerável, mas o olhar que Pelos olhos de Maisie (What Maisie knew, EUA 2012) propõe foi muito pouco experimentado pelo cinema. Adaptado do romance de Henry James, o filme de Scott McGehee e David Siegel empresta de sua matriz literária a sutileza na arquitetura do registro e a calma na condução da narrativa.
Susanna (Julianne Moore) é uma mulher que parece entorpecida pela existência. Sem muita segurança emocional afasta-se da filha Maisie à medida que a liberdade propiciada pelo divórcio do pai da menina, Beale (Steve Coogan), lhe dá essa abertura. Tampouco o pai parece comprometido com a ideia de fazer da filha uma prioridade. Mas essa conclusão, o espectador terá que peneirar porque um dos acertos desse belo filme independente americano é montar sua história toda na perspectiva de Maisie (a impressionante Onata Aprile), a dócil, esperta e cativante filha que padece da indisponibilidade emocional de seus pais. Aos poucos ela vai se ambientando com a presença e o carinho de Margo (Joanna Vanderham), sua babá que passa a ser sua madrasta, e Lincoln (Alexander Skarsgard), um bartender camarada com quem sua mãe se casa na expectativa de reaver judicialmente a guarda da menina.
A dramaturgia de Pelos olhos de Maisie se ergue toda na órbita da observação da menina do mundo ao seu redor. Do receio de Margo e Lincoln até a total entrega a esses dois estranhos que se apresentam mais interessados nela do que seus próprios pais.
O filme, contudo, evita maiores julgamentos. Em momento algum, Susanna, outro belo trabalho de Moore, e Beale são apresentados como figuras desviadas ou defenestráveis. O julgamento é todo do espectador. O filme se limita a divagar a respeito de nossas indisponibilidades. De como nos distanciamos daquilo que desejamos e de quem imaginamos ser. A docilidade de Maisie contrasta com a negligência que a vitima quando da separação litigiosa de seus pais e ela encontra abrigo emocional onde menos se espera. Essa capacidade do ser humano de renunciar à paternidade, e às responsabilidades, encontra analogia inversamente proporcional na capacidade do ser humano de abraçar a paternidade, e as responsabilidades, em face da necessidade litigante.
É esse o grande achado de Pelos olhos de Maisie. Filtrar o amor da dor. A esperança do desamparo em uma pequena crônica familiar sensível ao que o ser humano tem de mais egoísta, mas também ao que tem de mais encantador. Pelos olhos de Maisie é, enfim, um filme suscetível a emoção. Do público e de seus personagens.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Crítica - Como não perder essa mulher

Sociedade no divã

Joseph Gordon-Levitt há muito tempo é um ator interessante. Daqueles que não se recomenda desviar o olhar. Eis que sua estreia na direção com Como não perder essa mulher (Don Jon, EUA 2013), em que também é o responsável pelo roteiro, além de protagonista, sugere um artista muito mais completo, pensativo e talentoso do que se percebia até então. A comentada estreia de Levitt é muito mais ambiciosa do que o infeliz título nacional oferece. Não se trata de uma comédia romântica com algo a mais, no caso um hype em cima do vício em filmes pornôs do protagonista.
Levitt vive Jon, um jovem adulto que carrega o estereótipo da atual geração que tem no individualismo a sua maior conquista. Logo no início Jon elenca suas prioridades na vida. Seu corpo, seu apê, seu carro, sua família, seus amigos, suas garotas e seu pornô. Nesta ordem! 
Jon é afável, esperto e não tem problemas em conseguir garotas, no entanto, não se sente satisfeito com o sexo que pratica com frequência maior do que muitos “dons juans” do lado de cá das telas. Apenas vendo filmes pornôs, Jon obtém um prazer mais definitivo. Ele não vê problemas nisso, até esse hábito tornar-se o catalisador da separação de Barbara (Scarlett Jonhansson), “a garota mais linda que ele já viu na vida” e que realmente havia mexido com Jon. Para tentar entender o rigor, e o ridículo, da situação, Jon acaba se aproximando de Esther (Julianne Moore), uma mulher madura que identifica nele aquilo que ele tenta a todo custo esconder, sua fragilidade emocional.

Jon em ação para conquistar Barbara... 

... e em ação para entender a si mesmo.

O mais interessante deste debute de Levitt atrás das câmeras é a total consciência do jovem realizador de seus objetivos e de onde chegar com eles. O paralelo entre a obsessão de Jon por aquele sexo irreal do entretenimento adulto e a forma como Barbara modela suas relações no esquema de comédias românticas hollywoodianas é um achado que reafirma a acuidade do comentário de Levitt sobre o status quo de nosso tempo. As pessoas vivem para si mesmas. A tônica das relações sociais contemporâneas é o egoísmo. Não há disposição de enxergar o outro e é essa evolução, dolorosamente real, a qual Jon é submetido. O final feliz, ainda que esteja por ser escrito, não será possível sem esse aprendizado. Nesse recorte, sobra até mesmo para a religiosidade que mascara essa tendência emburrecedora dos novos tempos.  
Há alguns clichês, há humor, há soluções fáceis, mas acima disso tudo há um diretor com a exata noção de como tornar um tema complexo e intrincado, palatável e sensível. Essa convicção beneficia Como não perder essa mulher, configurando-o em um filme muito mais reflexivo, questionador e perene do que uma análise superficial faz supor. 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Em off


Nesta edição da seção Em off, as atrizes mais cults da atualidade, os labirintos das escolhas da Warner Bros, o retorno à boa forma de Tom Hanks, a largada em Cannes e a nova menina dos olhos de Hollywood.
  
A ressurreição de Tom Hanks

Recentemente eleito por uma pesquisa feita entre americanos e divulgada pela revista Time como a personalidade americana mais confiável, Tom Hanks está caminhando de volta ao topo. Depois de uma série de projetos malogrados como A viagem (2012) e Larry Crowne- o amor está de volta (2011), o ator ensaia as pazes com público e crítica. O primeiro passo desse “reencontro” reside em “Lucky guy”, peça e autoria de Norah Ephron – que antes de falecer era contumaz colaboradora do astro – que marca a estreia de Hanks na Broadway. Os elogios se enumeraram e antecederam a nomeação ao Tony (o Oscar do teatro), no qual o ator desponta como favorito.
No fim de 2013, Hanks voltará às telas de cinema em duas aguardadas prodições. A primeira é Captain Phillips, novo filme de Paul Greengrass, em que Hanks faz o capitão de uma embarcação americana invadida por piratas somalis no início dos anos 2000. Já em Saving Mr. Banks, que assim como Captain Phillips é aventado para o próximo Oscar, o ator vive ninguém menos que Walt Disney em pessoa.
Há muito tempo Hanks não dispunha de tamanha evidência e com adornos extremamente promissores.

A Warner e seus adiamentos
Foi anunciado recentemente que a Warner Brothers decidiu adiar o lançamento de 300: a ascensão de um império de agosto deste ano para março de 2014. Não houve uma justificativa oficial para a mudança, mas foi sugerida a percepção de que seria melhor lançar o filme em harmonia com a época do lançamento da produção original (300 foi lançado em março de 2007). Esse tipo de mudança, por mais indesejada que seja para fãs, é relativamente comum no sistema de estúdios, mas a Warner tem tornado a prática frequente com seus superlançamentos. Em 2008, adiou a estreia do aguardadíssimo sexto filme da saga Harry Potter (O enigma do príncipe) porque não tinha um filme de grande potencial comercial para o verão de 2009 - em virtude da greve de roteiristas que paralisou a indústria no fim de 2007 e início de 2008. Depois de arrecadar horrores com O cavaleiro das trevas naquele verão, a Warner não queria deixar de lucrar acintosamente na temporada em questão no ano seguinte.
Processo semelhante ocorreu com o novo Superman. O homem de aço estava originalmente programado para o fim de 2012, mas o estúdio resolveu adiá-lo para 2013 por já ter um filme de super-herói de grande projeção (a conclusão da trilogia do cavaleiro das trevas de Nolan) no ano. Com isso, o filme de Zack Snyder será lançado em julho deste ano.
O Grande Gatsby, que canaliza alguma atenção em virtude da première mundial em Cannes, é outro caso interessante. Também programado para o fim de 2012, o estúdio resolveu adiá-lo para o verão deste ano sob justificativa de que teria mais tempo de trabalhar os efeitos do 3D na finalização. A época, setores da crítica chamaram a atenção para um possível descontentamento do estúdio com o filme. Os boatos nunca foram combatidos com firmezas e agora, lançado, o filme reúne quantidade assombrosa de crítica negativas.

A glória só chega em 2014...

50 tons de cinza: a mina hollywoodiana
Na última semana foi divulgado por diversos veículos noticiosos de que o diretor inglês Joe Wright, de filmes como Desejo e reparação e Anna Karenina, é o favorito do estúdio Focus – que detém os direitos de adaptação para o cinema da trilogia best-seller "50 tons de cinza" – para dirigir o primeiro filme. O boato se baseia no fato de que Wright e Focus mantêm boa relação – todos os filmes do diretor com exceção de Hanna foram lançados pelo estúdio. Wright, no entanto, está comprometido com outros projetos e não se pronunciou a respeito do boato. Quem se engajou para conquistar a direção do filme foi Gus Vant Sant. O diretor de Inquietos e Milk – a voz da igualdade teria até mesmo rodado uma fita teste com uma cena erótica do livro e enviado ao estúdio.
"50 tons de cinza" é a grande mina de ouro do momento em Hollywood. Sites de cinema promovem enquetes periódicas com seus leitores para checar suas preferências para os papéis centrais. Jovens atores e atrizes em busca de serem os novos Robert Pattinson e Kristen Stewart digladiam-se por testes. Uma seção Insight deste mês de maio irá repercutir essa corrida ao ouro, contextualizá-la e apontar os nomes que devem, no final das contas, ficar com o ouro.

Foi dada a largada...
Já começou e quem quer saber os melhores detalhes sobre o 66º festival de cinema de Cannes precisa acompanhar de perto a fanpage do blog no Facebook. Serão postagens diárias, majoritariamente à noite, destacando o que de melhor aconteceu no dia na Riviera francesa. Curiosidades, bastidores e avaliação da crítica presente no evento dos filmes exibidos nas diversas mostras que dominarão o bate- papo cinéfilo nos próximos dias.

Atrizes cult
O TOP 10 do mês destacou os dez atores mais cults da atualidade. Mas e as atrizes? Elas estão aqui, devidamente adornadas pela informalidade cult da seção Em off. As dez mulheres que valem o culto no cinema atual não estão tão democraticamente distribuídas pelo globo como no caso dos homens. As francesas, (o que tem na água da França, né?) são maioria com três menções. A Itália segue firme com a onipresente, embora menos presente no cinema, Monica Belluci. Inglaterra e EUA têm duas menções e Brasil e Espanha surgem com uma representante cada.



As dez eleitas: Monica Bellucci, Ellen Page, Julianne Moore, Vanessa Redgrave, Mariana Lima, Isabelle Huppert, Kristen Scott Thomas, Penélope Cruz, Marion Cotillard e Juliette Binoche


sábado, 6 de abril de 2013

Em off


Nesta edição de Em off, algumas apostas do blog para o line up do festival de Cannes 2013, o enigma de Robert Downey Jr. caindo na boca do povo, a promessa de um ano magnífico para Julianne Moore, as façanhas cada vez mais elogiosas de Matthew McConaughey, as elucubrações de Danny Boyle e o que há no futuro de Tim Burton.

Um ano para chamar de dela
Julianne Moore é daquelas atrizes obrigatórias para quem gosta de cinema. Extremamente talentosa, Moore, no entanto, ostenta poucos prêmios. Alguma redenção pode estar à espreita com a safra de 2013, já que ela estrela nada mais nada menos do que seis filmes com lançamento programado para este ano. De petardos comerciais (como o remake de Carrie – a estranha) a perolas indies (a estreia de Joseph Gordon-Levitt na direção com Don Jon e a comédia dramática The english teacher), Moore será uma das presenças recorrentes da temporada cinematográfica e isso é muito bom.
Além desses filmes, Moore estrela ainda o tocante What Maise knew, que integrou a seleção do último festival de Toronto, o thriller de ação Non stop ao lado de Liam Neeson e o início da saga que pretende ocupar o posto deixado por Harry Potter, The seventh son.

Julianne Moore em The seventh son, com lançamento previsto para novembro nos EUA: um ano intenso e plural


Cadê o McConaughey que estava aqui?
Há pelo menos dois anos se discute, nos mais variados fóruns cinéfilos, o giro de 180º impresso por Matthew McConaughey em sua carreira. Uma série de projetos, iniciados com o ótimo drama O poder e a lei lançado em 2011, colocaram o marido de Camila Alves no mapa dos atores mais requisitados e celebrados do momento. E a meritocracia não para de crescer. McConaughey parece decidido a só escolher os projetos certos. Ainda com o lançamento de Mud pendente, o ator começa a colher os frutos da primorosa sequência de trabalhos enfileirada (Magic Mike, Killer Joe, Bernie e The paperboy). Está no novo longa de Martin Scorsese, o antecipado The Wolf of Wall Street e perdeu peso para viver um aidético em Dallas Buyers Club. Mas esses eram projetos já anunciados. A novidade mais recente, divulgada na última semana, é de que o ator será o protagonista de Interstellar, ficção científica de Christopher Nolan e seu primeiro trabalho após a conclusão da trilogia do cavaleiro das trevas.
A notícia é sintomática do novo status do ator em Hollywood. Não obstante, ele ainda protagonizará uma minissérie policial para a HBO.

McConaughey bem mais magro, em imagem de dezembro de 2012, no set de filmagens de Dallas Buyers club: além do respeito de crítica e público, indicações ao Oscar pairam no horizonte

O que esperar do próximo filme de Tim Burton?
Tim Burton é um excelente cineasta. Conceitualmente e visualmente, é dos mais significativos da atualidade. Contudo, já há algum tempo vem sendo questionado pelo fato de ter se acomodado narrativamente e de seu cinema, e muitos veem a parceria com Johnny Depp como catalisadora disso, ter perdido expressividade.
O site Deadline divulgou na última semana que Burton será o diretor de Big eyes, filme cuja premissa grita por um diretor com o talento e a sensibilidade estética e narrativa de Burton. O filme mostrará um casal de pintores famosos por fazerem retratos de crianças com olhos grandes. Margaret e Walter Kane foram dois dos primeiros artistas a comercializar obras de arte como produtos nos idos dos anos 50 e 60. A união terminou e eles travaram longas disputas nos tribunais. Christoph Waltz e Amy Adams estão vinculados ao projeto e devem interpretar os protagonistas.
Big Eyes, que será produzido pela The Weinstein Company pode representar o retorno de Burton às boas críticas. O último filme do diretor a angariar massiva aprovação crítica foi Peixe grande (2003). E lá se vão dez anos!

O enigma de Robert Downey Jr.

Em 12 de fevereiro de 2012, claquete publicou na seção Insight um artigo bastante analítico sobre as escolhas de Robert Downey Jr. em sua fase mais dourada no cinema e sobre como elas o conduziram para um impasse. Downey Jr. é um bom ator ou apenas um sujeito eficiente em verter versões de si mesmo na tela grande? E mais: por que a durabilidade de séries como Homem de Ferro e Sherlock Holmes poderia se provar prejudicial à percepção que o público tem dele. A mais recente edição da revista Serefina, que estampa o ator em sua capa, apresenta uma matéria com questionamentos semelhantes. A ideia de que Downey Jr. esteja se esgotando já ronda Hollywood há algum tempo e Homem de ferro 3 será um valioso instrumento para apontar o caminho que o ator deve seguir daqui para frente.


O devaneio de Danny Boyle
O novo filme de Danny Boyle, um sofisticado suspense envolvendo hipnose e roubos de obras de arte (Em transe) é um das estreias do fim de semana nos EUA – no Brasil o filme chega no início de maio. Em uma das muitas entrevistas que fez para promover o filme, Boyle disse que não planeja mais trabalhar em produções de grande orçamento. Por isso rejeita a possibilidade de conduzir uma aventura de James Bond, ao qual frequentemente é vinculado. Some-se a isso, a percepção de que, para Boyle, uma grande estrela distorce um filme. Na visão do diretor vencedor do Oscar por Quem quer ser um milionário?, um astro de cinema desequilibra expectativas e perspectivas em um filme. Seja durante a produção do filme ou na recepção do público.
Apesar do radicalismo de Boyle, sua análise não está de toda errada. Um astro, de fato, altera o DNA de um filme. Essa questão já foi discutida por Claquete anteriormente sob muitos ângulos (clique aqui para conferir um deles) e voltará à pauta em uma futura seção Insight.

Algumas apostas para Cannes
Será anunciado nos próximos dias o line up do festival de Cannes 2013. Pode ser que não surja de pronto uma lista fechada com os 20 filmes que disputarão a Palma de ouro, mas cerca de 17 ou 18 filmes já devem ser confirmados. Como já é notório, a 66ª edição de Cannes terá Steven Spielberg como presidente do júri da principal mostra competitiva e O grande Gatsby como filme de abertura. Claquete indica alguns filmes que, na avaliação do blog, farão parte do evento. 

+ The Bling ring, de Sofia Coppola (EUA)
Sofia, que esteve em Cannes com Maria Antonieta em 2006, ainda deve um grande filme ao festival. Seria essa a chance? O filme já está pronto e Sofia é cult o suficiente para se garantir como uma das grandes atrações. De quebra, Emma Watson seria um ímã no tapete vermelho.

+ Blood ties, de Guillaume Canet (EUA)
O filme é americano, mas o diretor é francês. Aliás, diretor que também é ator e casado com Marion Cotillard, que protagoniza o filme. Ser um thriller dolorido e com forte proeminência dramática ajuda.

+ La granda bellezza, de Paolo Sorrentino (ITA)
Os últimos quatro filmes de Sorrentino debutaram em Cannes. O filme já está pronto. É só fazer as contas.

+ Twelve years a slave, de Steve McQueen (ING)
O novo do diretor de Shame com os astros Michael Fassbender e Brad Pitt, além da nova sensação Quvenzhané Wallis. Thierry Frémaux, diretor do festival de Cannes, deve estar se matando para garantir este filme no evento.

+ Jeunie et Julie, de François Ozon (FRA)
Depois de figurar dois anos consecutivos em Veneza, esse poderia ser o filme de retorno de Ozon a Cannes, onde somente disputou com Swimming pool em 2003. O filme ainda está em pós-produção. Se não ficar pronto a tempo, é certeza em Veneza. 

+ Lowlife, de James Gray (EUA)
Gray é um dos queridos de Cannes. Neste tenso drama estrelado por Joaquin Phoenix, Jeremy Renner e Marion Cotillard deve engatar sua segunda participação consecutiva na riviera francesa. Concorreu à Palma de ouro por seu último filme, Amantes em 2008.

+ Only God forgives, de Nicolas Winding Refn (EUA)
O diretor de Drive, uma das sensações do festival em 2011, e Ryan Gosling juntos novamente. Quem vai resistir? Cannes certamente não.

+ The past, de Asghar Farhadi (FRA)
Primeiro filme do diretor de A separação após a consagração internacional do filme vencedor do Oscar em língua estrangeira. É também seu primeiro filme fora do Irã e com astros franceses como Bèrenice Bejo e Tahar Rahin.

+Serra pelada, de Heitor Dhalia (BRA)
Um épico brasileiro sobre o maior garimpo a céu aberto do país. Uma história de ganância e violência com a sensibilidade de Dhalia, que causou boas impressões com À deriva, exibido em Cannes na mostra Um certo olhar.

+ The Nymphomaniac, de Lars Von Trier (DIN)
Von Trier em Cannes, a despeito das polêmicas exacerbadas de sua última participação, é sempre certeza. Ainda mais com um projeto tão polarizante como esse - um filme com cenas de sexo explícito. 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Musas etc

Maduras, talentosas e encantadoras...




Julianne Moore 
Americana
Nascida em 3 de dezembro de 1960 ( 52 anos)
Alguns filmes
Minhas mães e meu pai (2010)
Ensaio sobre a cegueira (2008)
Leis da atração (2004)
As horas (2002)




Carla Gugino 
Americana
Nascida em 29 de agosto de 1971 ( 41 anos)
Alguns filmes
Watchmen (2009)
As duas faces da lei (2008)
Uma noite no museu (2006)
Sin city - a cidade do pecado (2005)




Juliette Binoche 
Francesa
Nascida em 9 de março de 1964 (49 anos)
Alguns filmes
Cosmópolis (2012)
Elles (2011)
Invasão de domicílio (2006)
Chocolate (2000)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Crítica - Virada no jogo



Aula de teoria política

A HBO se notabilizou pela produção requintada de filmes que enobrecem o espaço da TV por assinatura. Dentro desse filão, aqueles sobre o jogo político, do qual faz parte esse excelente Virada no jogo (Game change, EUA 2012), ocupam lugar de destaque. O filme se baseia em um livro reportagem de Mark Halperin e John Heilemann sobre os bastidores da campanha republicana à presidência dos EUA em 2008. Sobre como a candidatura McCain ergueu o fenômeno Sarah Palin para medir forças com o fenômeno midiático Barack Obama e de como essa solução improvisada descarrilou uma campanha difícil desde seus primórdios.
Jay Roach, que assumiu a direção de outro notável filme da HBO sobre arremedos políticos quando Sidney Pollack se adoentou (Recontagem), reveste Virada no jogo de tensão, ainda que seu público tenha vívida a lembrança do que aconteceu. Com a sombra de Obama realçada vez ou outra, o filme se incumbe mais do que qualquer outra coisa de humanizar a figura de Sarah Palin – personagem tão cativante quanto demonizada. Nesse sentido, a interpretação de Julianne Moore salta aos olhos. A atriz faz mais do que reproduzir maneirismos da ex-governadora do Alasca, ela investe em uma composição rica que permite o vislumbre de uma mulher de convicções firmes, mas despreparada para o traquejo político de uma corrida eleitoral das proporções da disputa presidencial americana. Sarah Palin não é retratada como uma vítima das circunstâncias, tampouco como uma caricatura. Por se infiltrar tão avidamente nas noções que rodeiam uma personalidade política tão controversa, Virada no jogo se ergue como um estudo de personagem altivo e eficaz. Impressionável e com baixa formação cultural, a Sarah Palin que se testemunha em Virada no jogo é uma mulher egocêntrica que aconteceu pelos motivos errados.

Moore como Palin e Harris como McCain: atores que vão além da simples imitação


O brilhantismo de Virada no jogo, no entanto, não se circunscreve ao retrato que faz de sua protagonista. As articulações políticas e o poder reativo de uma campanha que precisava desconstruir um mito moderno em formação são outros atrativos desse filme que se posiciona como uma polivalente aula de teoria política.
Das maquinações de bastidores, as intensas preparações para debates, à escolha dos entrevistadores, tudo que se vê em Virada no jogo é justificável dentro de sua proposta narrativa. Eis um filme sem gorduras e paliativos, de ação ininterrupta movida à inteligência de seu texto e de sua audiência.
Um acréscimo precisa ser feito em nome do elenco de apoio. À parte o colosso de atuação provido por Julianne Moore, Ed Harris, Woody Harrelson, Sarah Paulson, Peter MacNicol e Jamey Sheridan brilham nas representações que fazem dos personagens envolvidos na trama.
Harris demonstra a habitual competência na pele de McCain, retratado aqui como um homem que quer sim servir ao país, mas que tem a exata noção de que precisa ganhar a disputa pela presidência para fazê-lo melhor. Harrelson, por seu turno, dá um show na pele de Steve Schmidt, o principal conselheiro político da campanha de McCain e um dos “criadores” de Sarah Palin.
Virada no jogo é cinema maiúsculo. O fato de ter sido lançado diretamente na TV não o torna menor ou menos digno de louros. Pelo contrário, apenas ratifica a TV, e a HBO em particular, como polo de criatividade e vigor artísticos.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Crítica - Amor a toda prova

No ponto certo!


Não é difícil rememorar comédias românticas que excedam expectativas. São poucas. Para ficar nos últimos anos podemos citar Terapia do amor (2005), Separados pelo casamento (2006) e Eu meu irmão e nossa namorada (2007). É com o protagonista deste último que Amor a toda prova (Crazy, stupid, love EUA 2011) conta. Steve Carell é, sem risco de errar, a alma do novo filme dos diretores Glen Ficarra e John Requa – do excelente O golpista do ano.
No filme, Carell vive Carl, um homem tímido, pouco articulado que reage com catatonia ao pedido de divórcio da mulher, Emily (vivida com afetuosidade por Julianne Moore), também ela desorientada em uma relação marcada por uma rotina intrusa.
Sem parecer ter muita disposição para aprender a ser solteiro novamente, Carl chama a atenção de Jacob (Ryan Gosling), um profissional da conquista que simpatiza com o flagelo emocional de Carl. Enquanto Jacob ensina seu “mojito” a Carl, Amor a toda prova transpira leveza e comicidade. Mas essa leveza não pode ser confundida com falta de profundidade. E são as histórias paralelas que agregam esse valor ao filme. O filho de Carl (vivido pelo gracioso Jonah Bobo) se descobre apaixonado por sua babá (Analeigh Tipton), que por sua vez tem uma quedinha por Carl. Emily tenta, sem muita convicção, se acertar com David (Kevin Bacon)-o polarizador da separação de Carl. Desses recortes, Amor a toda prova se viabiliza como um filme que não buscar amparar-se em clichês, mas prover-lhes substância. Poucas vezes se viu em uma comédia com pegada tão popular tamanha maturidade no trato desse sentimento tão insano como o amor. Justiça seja feita, o titulo original captura perfeitamente o estado de espírito da obra: discutir sem viés moralista os entornos de um sentimento que muda de cor conforme a vida avança. Talvez por isso o personagem mais obstinado e entusiasmado do amor seja um pré-adolescente.
A necessidade de se vincular a alguém, a liberdade de se desprender, a vontade de voltar, a força impositora do hábito no cultivo de uma relação desgastada são temas arranhados pela obra com alguma desenvoltura. A proposta não impede o otimismo tão caro a comédias românticas, mas Ficarra e Requa – que constroem uma filmografia interessantíssima – não se intimidam com essa outra imposição: a do final feliz.

Photoshop kind a guy: Ryan Gosling oferece muito mais ao espectador do que exibe seu charmoso personagem


O final feliz de Amor a toda prova não deixa de ser um recomeço. Os personagens não seguirão o caminho azulado da paixão. Um filme que busca a reflexão e adverte para o risco de nos fecharmos em nós mesmos só podia atrair um elenco tão refinado como este. Ryan Gosling, Emma Stone, Julianne Moore, Kevin Bacon, Marisa Tomei e Steve Carell respondem a altura das expectativas e ajudam a sofisticar um filme que, em si, já seria auto suficiente.
Com diálogos inteligentes e situações arquitetadas com o requinte dos destemperos da realidade, Amor a toda prova merece a distinção de adentrar àquela restrita galeria de comédias românticas que excedem às expectativas.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Momento Claquete # 14

 Um novo despertar, produção da Focus filmes adiada do ano passado para esse ano em virtude dos escândalos protagonizados por Mel Gibson, estreou com baixa bilheteria no último fim de semana nos EUA. A fita, dirigida por Jodie Foster, terá exibição no 64º festival de Cannes que terá ínicio nessa quarta-feira, 11 de maio.


Woody Allen orienta Carla Bruni e Owen Wilson nos sets de Meia noite em Paris, filme de abertura do 64º festival de Cannes. A primeira dama francesa era esperada para a premiere do filme amanhã na croisette, mas cancelou sua presença, aumentando os rumores de uma possível gravidez.

Sean Penn, no centro da foto com essa cabeleira ressecada e roqueira, promete ser uma das sensações dessa edição do festival. Ele atua em This must be the place (foto) e em A árvore da vida

Pedro Almodóvar nos sets de A pele que eu habito, um dos filmes em competição pela Palma de ouro mais aguardados de 2011


 Cannes sem o dinamarquês Lars Von Trier é um festival incompleto. Em 2011, o cineasta apresenta sua visão do fim do mundo em Melancholia. Outra promessa da edição desse ano...


Tilda Swinton é uma favorita antecipada a Palma de melhor atriz por We need to talk about Kevin, outro filme que gera expectativas na crítica internacional 


A HBO divulgou a primeira imagem de Julianne Moore caracterizada como Sarah Palin para o filme Game change, que o canal a cabo americano produz sobre as eleições presidenciais de 2008

sábado, 13 de novembro de 2010

ESPECIAL MINHAS MÃES E MEU PAI - Crítica

Minimalista!

Apesar de ser uma produção festejada e que foi ganhando uma aura cool em virtude do tratamento que dá a uma reivindicação antiga ligada a questões homossexuais, Minhas mães e meu pai (The kids are all right, EUA 2010) é bem menos inflamado, social e independente (no sentido de estrutura narrativa) do que se poderia imaginar e do que muitos gostariam que fosse.
A fita de Lisa Cholodenko, não fosse pelo fato de tratar de uma união homossexual, não chamaria atenção na cena independente. O filme, até certo ponto, não se esquadrinha como uma produção independente americana costuma se esquadrinhar. Afora, logicamente, pelo “despeito” de colocar um casal de lésbicas como mães de família. Isso posto, é preciso dizer que o filme segue a rota do previsível com gosto e tempero. Existem algumas sutilezas que acrescem à fórmula como, por exemplo, a preocupação de Nic (Annette Benning) e Jules (Julianne Moore) a respeito da opção sexual de seu filho. A afetuosidade e os percalços de uma união amorosa são focados na união propriamente dita e em momento algum se intercalam a algum comentário em prol ou avesso a situação dramática encenada.
Cholodenko tão pouco se preocupa em defender teses, como por exemplo, sobre a responsabilidade duplicada de um casal como o formado por Nic e Jules em relação a seus filhos ou a falta de uma figura paterna. Em Minhas mães e meu pai as crianças, como entrega o título original, estão bem. Os problemáticos são os adultos. Sejam eles homossexuais ou não.

Compasso minimalista: o filme se escora em seus atores para produzir comoção genuína e não se preocupa com discursos


A solução dramática aventada pelo filme, embora possa ser taxada como conservadora, encontra respaldo na realidade. Afinal, além da história e do sentimento envolvendo aquelas personagens, não se tratava de uma equação fácil. A opção minimalista, tanto do registro quanto pela conclusão da fita, reforça a intenção do filme de ser mais pop e menos crítico. Não é um problema. Muito pelo contrário, é salutar que seja assim. Uma mudança de tom poderia ser fatal para o filme e, certamente, inviabilizaria seu sucesso por onde tem passado.
O elenco está um deleite. Mia Wasikowska mostra cada vez mais a grande atriz que está se tornando, Julianne Moore e Annette Benning demonstram a habitual competência e desapego e Mark Ruffalo nos brinda com, talvez, a composição mais enraizada de todas. Paul, o doador de esperma que de repente se vê no centro do vulcão emocional de uma família, é um personagem rasteiro. Não acertasse o tom do registro e o filme estaria perdido. Ruffalo, com vigor, nos permite sentir a angústia do personagem. E é a angústia de Paul, o melhor termômetro da platéia para medir a qualidade deste filme.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ESPECIAL MINHAS MÃES E MEU PAI - Julianne Moore em cinco takes

A parceira de Hugh Grant
Nove meses (Nine months,EUA 1995)

Quem é aquela ruiva que faz par com Hugh Grant (então saído de um grande sucesso da temporada anterior, Quatro casamentos em um funeral)? Essa era a pergunta mais frequente que se fazia em uma sessão de Nove meses. Comédia romântica fofa da Fox, dirigida por Chris Columbus. Embora já ostentasse algumas produções gabaritadas como Short cuts –cenas da vida no currículo, foi nesse filme que Moore chamou atenção para si pela primeira vez. Embora dona de uma beleza exótica, era o talento que clamava à curiosidade.



O surgimento do culto
Boogie Nights – prazer sem limites (Boggie Nights, EUA 1997)

Paul Tomas Anderson exigiu entrega de seus atores em Boogie Nights, filme que se debruçava sobre a industria pornográfica. Julliane Moore foi reconhecida com indicações para o globo de ouro e o Oscar por ter sido, de longe, quem melhor atendeu a demanda do cineasta. Foi aqui, também, que Julianne passou a reunir um séquito de adoradores a seu redor.



Afirmação artística
Longe do paraíso/As horas (Far from heaven, EUA 2002), (The hours, EUA 2002)


O ano de 2002 foi especial para a atriz. Ela adentrou uma seleta galeria que nem Meryl Streep, com que contracenou em As horas, faz parte. Moore foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por As horas e de melhor atriz por Longe do paraíso em que interioriza com astúcia toda a agonia de sua personagem. Mais do que nunca Moore fez uso do gestual para compor uma personagem amargurada pela vida. Apesar da distinção concedida pela academia com a dupla nomeação naquele ano, a atriz não foi mais indicada desde então.

Boa de qualquer jeito
 Leis da atração (Laws of atraction, EUA 2004)

De volta à comédia romântica, agora como atriz consagrada, Julianne Moore provou ser capaz de atrair um público completamente diferente do que a conhece em filmes independentes. Fazendo par com o ex- James Bond Pierce Brosnan, Moore faz uma advogada insegura com charme e sofisticação. Impossível não se divertir com sua caracterização nessa atualizada guerra dos sexos made in Hollywood.

 
Potencializando a cena
Direito de amar (A single man, EUA 2009)

Julianne Moore é daquelas atrizes que dominam uma cena com tanta naturalidade que chegam a nos chocar. Essa era a função dela em Direito de amar. Arrebatar-nos em uma única cena com sua densidade interpretativa. Não por acaso, ela configura esta na melhor cena do filme.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cenas de cinema

Uma dupla que é um parto

Às vezes as ideias mais geniais são também as mais óbvias. O cineasta Todd Philips, saído do acachapante sucesso de Se beber não case, tinha uma outra ideia de comic road movie e um dos elementos na manga, Zack Galifianakis (grande nome do filme dos caras que sucumbem na terra dos cassinos). Mas faltava algo a mistura. Foi aí que Robert Downey Jr., que confessadamente recusa em média 10 roteiros por dia, manifestou interesse em ser a outra face dessa improvável e incrivelmente óbvia dupla de Hollywood performers (aquele tipo de estrela que sustenta um filme, uma série, um palco ou qualquer situação).
Depois de estrear nos cinemas brasileiros em 2010 com Sherlock Holmes e Homem de ferro 2, Downey Jr. assume uma comédia de fato (algo que já vinha fazendo com sutileza nos outros filmes) com o wing man (gíria inglesa para parceiro, camarada) mais cobiçado da comédia atualmente.
A crítica de Um parto de viagem será publicada em Claquete na próxima segunda-feira.



Indesejado Mel
What a fuck...: Mel Gibson ficou sem entender nada...


A maré definitivamente não está boa para Mel Gibson. No início de outubro foi anunciado que o ator faria uma pequena participação na sequência de Se beber não case como um tatuador americano retirado na Tailândia. A mídia americana começou a repercutir o fato como uma nova volta por cima de Mel Gibson e enxergando em sua participação algo tão ou mais divertido como a ponta de Mike Tyson no primeiro filme.
Acontece que três dias depois da confirmação oficial da participação de Gibson em Se beber não case 2, o diretor Todd Philips divulgou carta aberta em que afirmava acreditar que “Gibson seria ótimo no filme e que era um entusiasta da ideia, mas que em Se beber não case todos são uma família e nem todo mundo pensava da mesma forma”.
Para preservar a boa relação com a equipe original, os produtores resolveram então expor Gibson a mais um flagelo público. O ator teria ficado furioso com o acontecido. Boatos em Hollywood dão conta de que o pivô da “descontratação” do ator australiano teria sido Zack Galifianakis.



Saramago vive

Um documentário sobre uma história de amor. Exibido no último festival do Rio e na mostra de São Paulo, encerrada ontem, o filme José e Pilar busca dar viço à história de um casal pautado pelo companheirismo, cumplicidade, respeito, admiração e amor. A fita de Miguel Gonçalves Mendes não planeja dialogar com o público das comédias românticas, mas não exclui (até mesmo em virtude da força de seus personagens) os elementos comuns ao gênero. O filme, conduzido com leveza, simplicidade e humor, também é um pertinente retrato das convicções de Saramago. O pensamento do intelectual encontra refúgio na intimidade do homem. José e Pilar estréia hoje nas cidades de Rio de Janeiro, Brasíla, Porto Alegre e São Paulo.


Por que o novo filme de Sofia Coppola não vai ao Oscar?

Recentemente o vencedor no Festival de Veneza tem se legitimado na disputa pelo Oscar. Principalmente se for uma fita americana. Foi assim com O segredo de Brokeback mountain (2005) e O lutador (2008). Mas tudo indica que não será assim com Em qualquer lugar, vencedor da última edição do festival. Não bastasse o péssimo burburinho que acompanhou a vitória do novo filme de Sofia Coppola, a crítica americana não parece identificar um grande concorrente na fita. As primeiras impressões, embora sejam elogiosas, não qualificam a fita como algo digno de premiações. O que só reforça as acusações de favorecimento pelo júri presidido por Quentin Tarantino em Veneza.

 
5 coisas que você precisa saber sobre Julianne Moore ...
    ... que em novembro estrela o sucesso independente Minhas mães e meu pai


- Foi eleita pela revista Entertainment weekly uma das 25 principais atrizes dos anos 90
- Só aprendeu a nadar aos 26 anos
- O maior salário que já recebeu foi pelo filme Hannibal (2001). O valor foi de U$ 3 milhões
- É amiga de Tom Ford desde 1998, quando o conheceu. Na ocasião, ele fez o vestido que ela usou na noite do Oscar daquele ano. Além de ter estrelado o primeiro filme de Ford como diretor (Direito de amar), a atriz estrelou dez campanhas publicitárias da marca Tom Ford
- Já foi indicada quatro vezes ao Oscar, mas nunca ganhou. As indicações foram pelos filmes Boggie Nights – prazer sem limites (1997), Fim de caso (1999), As horas (2002) e Longe do paraíso (2002).



Passarela

 Você os viu em uma mesma cena em Os mercenários e eles estiveram reunidos no último Hollywood Gala Awards que homenageou Sylvester Stallone na condição de cineasta


Muito mais que 127 horas: O diretor Danny Boyle e o ator James Franco, do elogiado 127 hours, também estiveram no evento 


Não é duplicata: James Franco esteve muito bem acompanhado na premiere londrina de 127 hours


 He did it again: Leon Cakoff, mentor e organizador da Mostra de Cinema de São Paulo, foi bem sucedido na realização da 34ª edição do evento que tomou os ares da capital paulista por duas semanas


 Quem tem o maior cabeção? Brad Pitt, Tina Fey e Ben Stiller compareceram a premiere de Megamind em Los Angeles no dia 3 de novembro. A animação, que estréia hoje nas salas americanas, traz as vozes de Pitt, Fey e Will Ferrel


Xis: Andrew Garfield, Carey Mulligan e Keira Knightley fazem pose na abertura do festival de Londres, onde o filme que estrelam, Never let me go, foi destaque



Você por aqui? Keira também marcou presença no Festival de Roma, ao lado de Eva Mendes, para a premiere de Last night em 28 de outubro

terça-feira, 18 de maio de 2010

Crítica - O preço da traição


Um elaborado filme sobre o desejo

O desejo é um elemento recorrentemente abordado no cinema. Nem sempre com resultados satisfatórios. O preço da traição (Chloe, EUA/FRA/CAN 2009) é uma produção que atinge com razoável sucesso seus objetivos. Discutir e aprofundar a força desse sentimento essencialmente humano. Na fita, remake do ótimo filme francês Nathalie X, de Anne Fontaine, presenciamos a ginecologista Catherine (Julianne Moore) desconfiada de que seu marido David, um charmoso professor universitário (Liam Neeson), esteja lhe traindo. Instigada pelo jeito bajulador com que trata todas as mulheres, ela contrata uma prostituta para flertar com David e ver como ele reage. Não é preciso dizer que os rumos dessa aventura não se delineiam como Catherine supunha.
O primeiro grande acerto do diretor Atom Egoyan foi, em dado momento, divorciar-se do filme original. A certa altura O preço da traição é um filme inteiramente novo e esboça uma análise do desejo distinta da realizada por Fontaine em seu filme. O outro grande acerto de Egoyan está na elegância da condução da história, os filmes de Adrian Lyne são uma referência clara aqui, e na forma ritmada como desenvolve sua história.
A insegurança de Catherine e todo o sentimento de abandono e desamor encontram eco na bela Chloe (Amanda Seyfried), que acaba apaixonando-se por Catherine, tendo como assentamento para esse sentimento a fragilidade emocional de ambas. O desejo é o motor de todas as coisas em O preço da traição. Da ação e da não ação. O impulso e a repressão do desejo são muito bem contextualizados pelo roteiro de Erin Wilson (que já havia escrito o também intenso Secretária). É interessante notar que Catherine, mesmo na posição de conhecer muito bem o corpo feminino, é profundamente reprimida sexualmente. Uma sutileza brilhantemente transfigurada pela bela atuação de Julianne Moore. Liam Neeson também faz uma ótima composição, mas quem arrebata mesmo em cena é Amanda Seyfried. Belíssima em cena, a atriz se entrega com veemência a uma personagem machucada e complexa. Ela não se intimida diante de cenas de difícil tato. Como aquelas em que expõe todo o colapso emocional de sua personagem ou em uma sensual cena lésbica com Julianne Moore.


Amanda Seyfried e Julianne Moore, ótimas, em cena do filme: Afinal, qual a diferença entre desejo e loucura?


Há quem possa argumentar que Egoyan enverede pela obviedade do thriller erótico. Não deixa de ser verdade. A solução de O preço da traição diminui sua força. É simplista e convencional, mas não desmerece a qualidade com que o tema principal, o desejo e suas circunstâncias, foram abordados. É óbvio que uma produção com dinheiro hollywoodiano precise se ajeitar como tal, mas Egoyan foi muitíssimo bem sucedido em preservar seu status autoral. O preço da traição é um excelente estudo sobre o que predispunha ser. O melhor de tudo é que tem luz própria, não é simplesmente uma versão americana da mesma proposta francesa.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Critica - Direito de amar

A superficialidade asfixiante da vida

A estréia na direção do estilista Tom Ford é das coisas mais surpreendentes dos últimos anos no cinema. Direito de amar (A single man, EUA 2009) é, nas palavras de seu próprio diretor, fruto de uma angústia sua. É senso comum na produção cultural que os grandes artistas criam a partir de aflições e inquietações dessa ordem.
Ford, que também escreveu o roteiro do filme, mostra sensibilidade autoral e técnica impensada para um estreante. Belos planos, a confiança na habilidade dos atores de contar a história, a boa administração da composição técnica (música, fotografia, figurinos e direção de arte) e, mais do que isso, profundo esmero narrativo. Ford soube como contar sua história de maneira minimalista e ritmada.
George Falconer (Colin Firth) é um professor universitário que não consegue se recuperar da morte do parceiro. Acompanhamos Falconer no dia em que decide tirar sua própria vida. Através de suas lembranças, que pontuam esse dia, percebemos como ele chegou àquela profunda tristeza e o porquê se sente desmotivado em divorciar-se dela.

Quando acordar dói: George é um homem em busca de sentido na vida

Em Direito de amar, Ford não faz nenhum tipo de militância. Embora seja homossexual assumido e aborde um universo homossexual, o diretor não o faz com complexo de minoria. A história de amor, e a relação de George com Jim (Mathew Goodie), são vívidas e inspiradoras. Em uma explanação sobre um livro que George dá a uma audiência de estudantes, Ford permite-se sublinhar a incompreensão que gravita o tema e mesmo assim o faz com elegância. Direito de amar, por tudo que representa e evoca, é um filme sobre a superficialidade. Sobre os excessos. Do desejo à falta dele. Muitos criticaram o apuro do filme. A perfeição dos cenários, o corte impecável do terno de George, os cabelos maravilhosamente penteados, o voyeurismo de Ford em algumas cenas, entre outras coisas. A bem da verdade, Ford se excede em um ou outro momento, mas isso não pode ser tomado como algo involuntário ou inerente ao ofício de estilista. Sabe-se vestir bem, mas de que isso adianta? Pergunta Ford. Tanto Charlotte (Julianne Moore, em participação marcante), grande amiga de George, tanto quanto o próprio George e os demais personagens que dão as caras em Direito de amar parecem modelos, dada a perfeição da postura e o alinhamento das roupas. Mas são todos desajustados. De uma forma ou de outra.
A fotografia do filme, nesse sentido, é de uma sutileza extraordinária. Ford e seu fotógrafo, Eduard Grau, acinzentam a imagem sempre que George aparece em um momento de introspecção doída. As cores voltam com brilho quando ele, de alguma forma, sente-se amado. A vida não deixa de ser assim. Maquiamos-nos e enfeitamos-nos todos para disfarçar ou ocultar nossos medos. Medos que geram angústias. E como sair delas? Tom Ford fez esse belo filme sobre como tentar.

Julianne Moore e Colin Firth em uma das grandes cenas do filme: Dois atores em estado de graça

Vale destacar também a excepcional trilha sonora de Abel Korzeniowski. Que ajuda a imprimir o tom do relato. Sem essa trilha, Ford não conseguiria alcançar o coração do espectador. Mas o grande trunfo de Direito de amar, que assegura o sucesso do filme, é Colin Firth. O ator entrega a performance de sua vida. Uma atuação sem vaidades (em um belo exercício de paradoxo, já que seu personagem é vaidoso) e que reveste o filme de Ford de sentimento. No mundo esterilizado em que não há sentido se você não for capaz de se conectar com outro ser humano, é Firth quem se conecta com a platéia.