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sábado, 6 de outubro de 2012

Crítica - Procura-se um amigo para o fim do mundo


Deliciosamente e melancolicamente romântico



Não é exagero dizer que Procura-se um amigo para o fim do mundo (Seeking a friend for the end of the world, EUA 2012) é um dos romances mais originais do cinema contemporâneo. Talvez seja algo surpreendente aponta-lo como um dos melhores filmes da safra americana de 2012. Mas é exatamente o sentimento que fica com o expectador ao fim da sessão deste que é o primeiro filme dirigido por Lorene Scafaria – que já havia escrito o fofo Uma noite de amor e música.
Na trama, o apocalipse é iminente. O que Scafaria faz com sagacidade e sensibilidade é conjugar clichês de uma comédia romântica com o espírito de um road movie para entregar um filme que faz da melancolia um sentimento doce. Não é uma equação fácil. Scafaria dosa o humor – nunca exagerado – de maneira que se apresente como respiro de uma jornada existencial e faz dos tipos que surgem na tela, inclusive os muito bem delineados protagonistas, comentários sobre o que nos faz humanos.
No fundo, seu filme vislumbra algumas respostas para a pergunta “como você gostaria de passar seus últimos dias em vida”? Desse mote incomum, Scafaria pode não tirar uma ressonância profunda das angústias humanas, mas realiza um filme cheio de predicados. Dentre os quais destaca-se o saboroso retrato do nascedouro de um amor. De como apaixonar-se é potencialmente transformador e capaz de preencher o vazio de sentido.
A última tentativa de deter Matilda, o meteoro que se chocará com a Terra, falha. Com a sentença de morte da humanidade decretada, Dodge (Steve Carell), um vendedor de apólices de seguros, é abandonado pela mulher. Desconfortável com a agonizante falta de rotina e propósito que se estabeleceu nos poucos dias que separaram a Terra de seu destino final, ele decide se recolher em seu apartamento. É quando conhece sua vizinha – que já morava no mesmo edifício há três anos – Penny (Keira Knightley). Um tanto espaçosa e desajeitada, mas profundamente generosa, ela será a responsável pela mudança mais profunda na vida de Dodge.
Eles estabelecem um pacto em que ela o ajudará a encontrar o primeiro amor da vida dele e ele a ajudará a rever os pais pela última vez. Na viagem, eles cruzam com tipos estranhos e esquisitos que reagem ao armageddon de maneira diferente. Essa viagem incauta por um EUA em colapso promoverá um estreitamento entre os dois dos mais tenros e belos.
É seguro dizer que a estreia na direção de Lorene Scafaria é promissora. Ela faz um romance atípico, extremamente cativante, que alterna doçura, humor e drama com equilíbrio e espontaneidade. Contribuem para essa condição, as atuações certeiras de Keira Knightley – uma atriz de repertório cada vez mais impressionante – e Steve Carell, que segue mesmerizando por sua capacidade de alternar os tons da atuação como um passe de mágica. É um talento hediondo!
Por fim, Procura-se um amigo para o fim do mundo é o raro tipo de filme que faz da tristeza um instrumento de alegria. Se isso não faz dessa pequena obra prima algo especial, definitivamente é o fim do mundo. 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Crítica - Amor a toda prova

No ponto certo!


Não é difícil rememorar comédias românticas que excedam expectativas. São poucas. Para ficar nos últimos anos podemos citar Terapia do amor (2005), Separados pelo casamento (2006) e Eu meu irmão e nossa namorada (2007). É com o protagonista deste último que Amor a toda prova (Crazy, stupid, love EUA 2011) conta. Steve Carell é, sem risco de errar, a alma do novo filme dos diretores Glen Ficarra e John Requa – do excelente O golpista do ano.
No filme, Carell vive Carl, um homem tímido, pouco articulado que reage com catatonia ao pedido de divórcio da mulher, Emily (vivida com afetuosidade por Julianne Moore), também ela desorientada em uma relação marcada por uma rotina intrusa.
Sem parecer ter muita disposição para aprender a ser solteiro novamente, Carl chama a atenção de Jacob (Ryan Gosling), um profissional da conquista que simpatiza com o flagelo emocional de Carl. Enquanto Jacob ensina seu “mojito” a Carl, Amor a toda prova transpira leveza e comicidade. Mas essa leveza não pode ser confundida com falta de profundidade. E são as histórias paralelas que agregam esse valor ao filme. O filho de Carl (vivido pelo gracioso Jonah Bobo) se descobre apaixonado por sua babá (Analeigh Tipton), que por sua vez tem uma quedinha por Carl. Emily tenta, sem muita convicção, se acertar com David (Kevin Bacon)-o polarizador da separação de Carl. Desses recortes, Amor a toda prova se viabiliza como um filme que não buscar amparar-se em clichês, mas prover-lhes substância. Poucas vezes se viu em uma comédia com pegada tão popular tamanha maturidade no trato desse sentimento tão insano como o amor. Justiça seja feita, o titulo original captura perfeitamente o estado de espírito da obra: discutir sem viés moralista os entornos de um sentimento que muda de cor conforme a vida avança. Talvez por isso o personagem mais obstinado e entusiasmado do amor seja um pré-adolescente.
A necessidade de se vincular a alguém, a liberdade de se desprender, a vontade de voltar, a força impositora do hábito no cultivo de uma relação desgastada são temas arranhados pela obra com alguma desenvoltura. A proposta não impede o otimismo tão caro a comédias românticas, mas Ficarra e Requa – que constroem uma filmografia interessantíssima – não se intimidam com essa outra imposição: a do final feliz.

Photoshop kind a guy: Ryan Gosling oferece muito mais ao espectador do que exibe seu charmoso personagem


O final feliz de Amor a toda prova não deixa de ser um recomeço. Os personagens não seguirão o caminho azulado da paixão. Um filme que busca a reflexão e adverte para o risco de nos fecharmos em nós mesmos só podia atrair um elenco tão refinado como este. Ryan Gosling, Emma Stone, Julianne Moore, Kevin Bacon, Marisa Tomei e Steve Carell respondem a altura das expectativas e ajudam a sofisticar um filme que, em si, já seria auto suficiente.
Com diálogos inteligentes e situações arquitetadas com o requinte dos destemperos da realidade, Amor a toda prova merece a distinção de adentrar àquela restrita galeria de comédias românticas que excedem às expectativas.

domingo, 28 de agosto de 2011

Tira-teima: Frat Pack X Turma de Apatow






Por que "Frat pack"?

Foi um termo cunhado pela crítica, em veículos como Rolling Stone e a Variety, que pegou. Black, Vaughn e Stiller adotaram o referencial que os compara com a turma encabeçada por Frank Sinatra e Dean Martin nos idos dos anos 50 e 60.


Por que a "turma de Apatow"?
É Judd Apatow o motor desse novo time de comediantes que colaboram em projetos diversos. É ele também o maior link entre todos os filmes produzidos por essa galera de 2005 para cá.


Os filmes
(Frat Pack)

Zoolander (2000)
Orange county (2002)
Dias incríveis (2003)
Starsky & Hutch - justiça em dobro (2004)
A inveja mata (2004)
Com a bola toda (2004)
O âncora: a lenda de Ron Burgundy (2004)
Penetras bons de bico (2005)
Escola de idiotas (2006)
Uma noite no museu (2006)
Trovão tropical (2008)
Encontro de casais (2009)


Os filmes
(turma de Apatow)

O âncora: a lenda de Ron Burgundy (2004)
Papai bate um bolão (2005)
O virgem de 40 anos (2005)
Rick Bobby – a toda velocidade (2006)
Ligeiramente grávidos (2007)
Superbad – é hoje (2007)
Walk hard: a vida é dura (2007)
Ressaca de amor (2008)
Role models (2008)
Meu nome é Taylor, Drillbit Taylor (2008)
Quase irmãos (2008)
Segurando as pontas (2008)
Ano um (2009)
Eu te amo, cara (2009)
Tá rindo do quê? (2009)
O pior trabalho do mundo (2010)
Um jantar para idiotas (2010)
Your Highness (2011)
Missão madrinha de casamento (2011)



O elemento de convergência


Além da participação especial de Ben Stiller em Freaks & Geeks, os dois grupos do humor compartilham outros pontos de sinergia. Will Ferrel tem participações suficientes em filmes dos dois grupos para ser considerado membro de ambos e O âncora: a lenda de Ron Burgundy contou com vasto elenco de ambas as partes e deflagrou a turma de Apatow. Por esse raciocínio, é possível dizer que O âncora é a costela de Adão da comédia americana atual.






Quem reina?


Enquanto o Frat Pack dá sinais de esgotamento, uma vez que os filmes do grupo são cada vez menos frequentes, a turma de Apatow segue firme. Os roteiristas e produtores apadrinhados por Apatow engatam projetos em estúdios como Sony e Universal anualmente e o próprio Apatow mantém a média de um filme a cada dois anos.


Quem lucrou mais?

Até por ter realizado mais filmes, a turma de Apatow conseguiu arrecadar mais dinheiro. Contudo, isoladamente, os filmes do Frat Pack causaram mais frisson nas bilheterias. Penetras bons de bico em 2005 e Trovão Tropical em 2008 são exemplos de fitas que entraram no ranking das dez maiores arrecadações em solo americano em seus respectivos anos, coisa que nenhum filme da turma de Apatow conseguiu.



A pompa com a crítica

O Frat Pack nunca gozou de muito prestígio com a crítica. Houve filmes que caíram no gosto da crítica, como Trovão tropical, mas no geral a relação foi bastante fria. Já a turma de Apatow conta com mais boa vontade. Tirando Tá rindo do quê?, as fitas dirigidas por Apatow foram bastante elogiadas e filmes que produziu como Superbad-é hoje e Missão madrinha de casamento também agradaram.



A estratégia da ação entre amigos

Os anos 2000, no que toca a comédia americana, foram definidos por essas duas linhagens do humor e as influências ainda podem ser sentidas no cinema. Desenvolver projetos em um mesmo grupo, além de facilitar o entrosamento e cativar uma audiência particular, permite que o trabalho seja observado dentro de uma linha evolutiva. Esse raciocínio favorece, e muito, o organograma desenvolvido por Apatow. O processo, inteiramente consciente, de estender seus tentáculos pela comédia americana pode ser percebida pelo crescente número de filmes e atores que circundam o núcleo principal da turma. O Frat Pack, por sua vez, ostenta a primazia e é a comprovação do sucesso do modelo consagrado no alvorecer do século XXI.

domingo, 14 de agosto de 2011

Claquete Repercute - O virgem de 40 anos

Entre muitos sensos comuns na comédia romântica americana, dois se destacam. O primeiro versa sobre o público alvo: as mulheres. O segundo, mais complexo, delimita a estrutura e a moral do gênero que resiste a sexualização itinerante – e as quebras de certos tabus inerentes - pela qual passou a sociedade nas últimas décadas.
O virgem de 40 anos (The 40 year old virgin, EUA 2005) derruba essas convenções com certa desenvoltura. O primeiro longa metragem de Judd Apatow é debochado, jovial, maduro, engraçado, romântico e sexualizado do começo ao fim. A sinopse já antecipa a ação. Steve Carell faz Andy, um sujeito tímido, mas atencioso, que trabalha em uma loja de eletrônicos. O que a gente logo descobre é que Andy é virgem. Algo que seus amigos, igualmente na casa dos 40, julgam inconcebível. Seth Rogen, colaborador de Apatow desde os tempos da tv, Paul Rudd e Romy Malco fazem os amigos em questão.
Em seu primeiro momento, O virgem de 40 anos brinca com as expectativas do público em observar o cotidiano desse cara gente boa, mas que não tem lá muita ginga. A figura do nerd, atualmente em alta na cultura pop, foi celebrada com carinho por Apatow em seu filme. É aqui o marco zero do movimento que culminaria no sucesso estrondoso de séries como The big bang theory e Glee.
Mas a contribuição de O virgem de 40 anos não se limita a extinguir o bullying cultural que a figura do nerd tanto sofria. A fita é uma comédia de situação que evolui para uma comédia romântica masculina sem se fissurar. Provar que o público masculino aprecia sim comédias românticas, desde que com o termostato (ou açúcar se preferir) ajustado, talvez seja a grande realização de Judd Apatow. Não à toa, foi com Apatow que surgiu uma nova definição de comédia – o bromance. Nesse tipo de comédia, festeja-se “o amor entre amigos de fé e irmãos camaradas”, para se referenciar em algo que a música brasileira já havia descoberto em Erasmo e Roberto anos antes.
Foi a turma de Apatow que deu seguimento ao recém-nascido gênero. Filmes como Superbad – é hoje e Eu te amo cara rezam a cartilha de O virgem de 40 anos, ainda que apresentem conflitos diferentes e que não versem sobre o amor romântico.

O romance está no ar: O virgem de 40 anos assume seu lado fofo, mas sem dar muita bandeira

A importância da fita estrelada por Steve Carell ainda não se reduz a todos esses elementos listados acima. O oxigênio que Judd Apatow bombeou na comédia americana – que lhe valeu o topo na lista da revista americana Entertainment Weekly como a pessoa mais influente de Hollywood na década passada à frente de figuras como Will Smith, Steven Spielberg e Tom Hanks – cristalizou a necessidade de se investir em novas frentes. Mais gente da TV se experimentou no cinema (Tina Fey, Jason Sudeikis, Tracy Morgan e Charlie Day para citar alguns) e a instituição comédia romântica percebeu que podia ser mais sacana. Trazer os namorados para debaixo dos lençóis também.
O virgem de 40 anos não é a descoberta da pólvora, como o entusiasmo pode fazer parecer, mas é a combinação mais rarefeita de talento, timing e oportunidade. E em Hollywood esses três fatores também costumam dar samba.

domingo, 9 de maio de 2010

Insight

Por que Steve Carrel faz tanto sucesso na TV e no cinema?




É difícil imaginar que você ainda não conheça Steve Carrel. O comediante mais hypado da América é um americano de 48 anos, nascido na cinzenta Conrad no Estado de Massachusetts. Carrel é casado com a roteirista Nancy Carrel, tem dois filhos e é avesso a badalações. No entanto, seu público é composto essencialmente dos jovens que adoram ver seus astros escorregando e fazendo besteira.
Steve Carrel despontou quase que por acaso. Apesar de fazer algumas participações esporádicas em filmes e programas de TV desde os anos 90, foi com uma ponta no sucesso Todo poderoso (2003) que Steve Carrel chamou alguma atenção para si. Paralelamente a isso, como roteirista e convidado do programa de Jon Stewart, Carrel mostrava ser capaz de praticar um humor inteligente e repleto de sarcasmo.
Foi o sarcasmo que lhe possibilitou trabalhar com Woody Allen, em 2004, em Melinda e Melinda. Também nessa época, o amigo Judd Apatow que já havia solicitado sua colaboração nos roteiros da série de TV Freaks and Geeks pediu assistência em alguns projetos em desenvolvimento. Ele estava produzindo um filme (O âncora, no qual Carrel faz um papel coadjuvante, lançado em 2004) e gostaria que Carrel revisasse um roteiro e considerasse ser o protagonista do filme. Que projeto era esse? O virgem de 40 anos. O resto é história. Carrel impressionou meio mundo com sua desenvoltura e, embora Seth Rogan seja o ator e colaborador mais assíduo de Apatow, Carrel foi a cara da revolução na comédia mainstream perpetrada pelo diretor e sua turma.


Ao lado de Juliete Binoche e Dane Cook na comédia com pitadas de drama existencial Eu, meu irmão e nossa namorada


Reclamando a autoria
Foi em 2005, concomitante com o explosivo sucesso de O virgem de 40 anos, que surgiu a possibilidade do ator adentrar o competitivo mercado de TV. A série The Office seria uma releitura americana do programa criado por Rick Gervais na Inglaterra. Era grande o temor de que o projeto não daria certo. Afinal, o humor inglês é muito peculiar e o próprio programa original, que era muito bom, sucumbiu em sua segunda temporada. Carrel criou um personagem icônico e totalmente diferente do material original. Seu Michael Scoot é uma figura que depende totalmente do carisma e do timing do ator. The Office acabou por se provar melhor do que a série original (já está em sua sexta temporada). Apesar de não ostentar a pujança criativa de outrora, a longevidade do show deve-se a Carrel. O ator tem aquela característica tão difícil de se achar no cinema e na TV. Trabalha maravilhosamente em equipe, propiciando que outros brilhem intensamente, mas quando precisa chamar a responsabilidade, o faz com extrema eficiência.
O fato de ser simpático também ajuda. Carrel é doce e brincalhão em entrevistas, pré-estréias e eventos similares. É uma presença agradável que torna tudo mais tolerável, satisfatório e compensador. Um marketing que pode ser involuntário, mas que rende maravilhas em termos de promoção pessoal.



Carrel a frente do elenco da premiada e prestigiada série The office em um intervalo das gravações


Acertando nos projetos
Outra diferença primordial, que ajuda a entender o sucesso de Carrel em ambas as mídias, é a felicidade do ator na escolha de seus projetos cinematográficos. Diferentemente de outros atores que tentam conciliar carreiras de sucesso na TV e no cinema, ou migrar de um para o outro, Carrel não comete loucuras, tão pouco menospreza seu poder de persuasão. Provou ser bom ator dramático em filmes como Pequena miss sunshine (2005) e Eu, meu irmão e nossa namorada (2007), mas nem por isso resolveu que sua seara seria o drama. Aposta em fórmulas eficientes e projetos hypados, como o foram o remake de Agente 86 (2008) e o recente Uma noite fora de série (2010). No primeiro, ele assume um personagem icônico e a despeito da semelhança física com Don Adams (o agente 86 original) evitou a imitação. Já no segundo, juntou forças com outro prodígio atual da TV, a comediante Tina fey. Ambos os filmes já tinham seu público e um interesse estabelecido acerca do comportamento de Carrel nessas situações, mesmo que ele não se propusesse (como era o caso) a fazer nada essencialmente novo.



Em Pequena miss sunshine, comédia dramática que agradou multidões, ele vive um homossexual com tendências suicidas: uma performance apurada e sem vaidades



Com Tina Fey na capa da Entertainment Weekly no final de março deste ano, apresentando o Oscar e se divertindo nos sets de Uma noite fora de série


Essa inteligência na condução da carreira mostra que as oportunidades iniciais podem ter surgido por acaso, mas o sucesso retumbante de Carrel na TV e no cinema não o é. Especula-se agora que o ator não renovará para a sétima temporada de The Office. A atitude pode ser tomada como mais um golpe de mestre do ator. O seriado já vinha perdendo força e Carrel não pode, e não deve, deixar que essa percepção se atrele a ele. O cinema está prestes a receber com exclusividade o ator que, além de brilhante comediante, é um senhor gestor.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Critica - Uma noite fora de série

Um filme que honra sua proposta

É preciso julgar um filme por sua proposta e pela forma como a mesma foi desenvolvida. As expectativas do julgador e do público para quem ele se dirige devem ser mantidas a distância. Consideradas, mas não proeminentes. Essa pequena contextualição sobre o ofício da crítica (algo que parece óbvio, mas que poucos conseguem executar com a eficiência e sofisticação inerentes) se faz necessária como introdução a apreciação de Uma noite fora de série (Date night, EUA 2010).
O filme que mostra um casal às voltas com uma rotina massacrante e exaustiva que, justo na noite que resolvem fugir à rotina, se envolvem em uma aventura cheia de perigos não traz nada de novo. A proposta do filme? Colocar dois dos comediantes mais bem sucedidos da atualidade, com berço na TV americana, para juntos brilharem. Nesse sentido, Uma noite fora de série é muitíssimo bem sucedido. A química de Steve Carell (da série The Office) e Tina Fey (criadora e protagonista de 30th rock) que já era apurada, conforme demonstrado por aparições da dupla em premiações e programas especiais, aqui está em ebulição.
Tina Fey, Steve Carell e um descamisado Mark Wahlberg: uma das melhores piadas do filme


A idéia de colocá-los juntos em um longa metragem era algo que parecia questão de tempo.
Coube ao diretor Shawn Levy (responsável por algumas das comédias mais bem sucedidas dos últimos anos) orquestrar o show destes dois. Levy, sabiamente, se afasta de qualquer responsabilidade e deixa seus atores no comando. O roteiro é fraco e esburacado, mas com Carell e Fey em ótima forma, isso não chega a ser um problema. As piadas, mesmo as mais manjadas, funcionam bem e o filme entretém. No final das contas, essa era a proposta.

sábado, 10 de abril de 2010

De olho no futuro...

A volta de Xander Cage
Triplo X, filme que estourou em 2002 e ajudou a consolidar a fama do hoje decadente Vin Diesel, foi um caso curioso. A Sony estava disposta a bancar uma continuação do filme. Nem Diesel, nem o diretor Rob Cohen (que também estavam a frente do primeiro Velozes furiosos) manifestaram interesse. O estúdio tocou o projeto adiante sem eles. O diretor Lee Tamahori e o rapper que finge ser ator Ice Cube assumiram sem muito sucesso Triplo X: estado de emergência. Cohen e Diesel , que adentraram uma má maré na carreira, resolveram retomar a franquia em 2008 (Diesel também retornou à franquia dos carros envenenados), só que dessa vez o estúdio não quis. Restou-lhes a indignação. Só que em um negócio de bastidores a Paramount adquiriu os direitos sobre a franquia e resolveu bancar o terceiro filme com Diesel e Cohen a bordo. O retorno de Xander Cage, que ainda não tem data prevista, não poderia ser mais hollywoodiano.



Depois do oitavo filme, o quarto!
American pie marcou uma geração. O filme adolescente dos anos 90 era engraçado, espirituoso e captava muito bem a atitude jovem daquela década. Fizeram uma trilogia que acabou por desgastar a imagem daquele filme original, embora todos tenham sido bem sucedidos financeiramente. Tanto é, que seguiram-se sequências menos inspiradas que foram se esvaziando da aura e, inclusive, dos personagens que garantiram o sucesso inicial. Pois bem, a Universal, estúdio responsável pelos três primeiro filmes, anunciou que quer fazer um quarto filme com o elenco original. Sean William Scoot, o eterno Stiffler, já anunciou que topa retornar ao papel do tarado de plantão. O detalhe é que este quarto filme “oficial”, se vier a ser produzido de fato, virá depois do oitavo lançamento com a marca American pie.


Stiffler sinaliza: Por mim tá ok...

Efeito repelente
Por essa a produção de Capitão América: o primeiro vingador não esperava. Depois de confirmar Chris Evans na pele do protagonista, a produção achava que já tinha conseguido o mais difícil em termos de escalação de elenco. Contudo, está se mostrando surpreendentemente complicado arranjar um nome feminino para viver a personagem feminina principal do longa. Natalie Portman e Emily Blunt já declinaram de ofertas oficiais feitas pela Marvel. Especula-se muito na mídia norte americana o por que das recusas, já que os filmes da Marvel ultimamente têm sido das melhores vitrines em Hollywood. Blunt alegou estar ocupada com as filmagens de Gulliver´s travels. Vale lembrar que foi essa, extamamente, a mesma desculpa que a atriz deu ao se desligar da produção de Homem de ferro 2, no qual seria a Viúva negra. A atriz é uma das cotadas para viver a mulher gato, caso haja uma em um novo filme do Batman. Já Natalie não apresentou nenhuma justificativa, o que leva acrer que: 1 – ela não gostou do roteiro, 2 – ela não quer atuar com Chris Evans, ou 3- ela já está em Thor e acha que isso é suficiente em tremos de filmes de heróis. E você leitor, o que acha que pesou de fato na recusa das atrizes?

Natalie e Emily: Elas não querem mais saber de heróis...
Itálico
Se prepare para eles!
Os perdedores promete ser um dos filmes mais divertidos dessa temporada de filmes pipoca. Estrelado por gente boa pinta como Jeffrey Dean Morgan, Chris Evans, Jason Patric e Zoe Saldanha, o filme mostra um grupo de elite que é “queimado” por seu antigo empregador e tem de correr contra o tempo para reverter a situação. Abaixo, o trailer e alguns links para spots de TV do filme que estréia no próximo dia 23 nos EUA e em 4 de junho aqui no Brasil.

Spot de tv 1: http://www.youtube.com/watch?v=bh2i8sAZcGY
Para quem gostou de Uma noite fora de série...
Steve Carell acabou de estrear nos cinemas com Uma noite fora de série, em que divide a cena com Tina Fey, mas o comediante volta aos cinemas em julho na comédia Dinner for schmucks (ainda sem título em português). Na fita, dirigida por Jay Roach (Entrando numa fria), Carell faz um paspalhão que se vê envolvido em uma aposta feita por Paul Rudd. A aposta? Rudd e um grupo de amigos apostam quem consegue levar o cara mais estúpido a um jantar. Não é preciso dizer que uma verdadeira amizade irá surgir. Até lá, muita escatologia e humor para “grandinhos”.
Steve Carell e Paul Rudd no cartaz da nova comédia do diretor de Entrando numa fria: A amizade surge da maneira mais imprevisível

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Filme do dia



Eu, meu irmão e a nossa namorada


Filme sensível sobre como nosso coração pode pregar peças vez ou outra. Nesse filme, Steve Carrel faz um sujeito tímido e introspectivo que um belo dia se descobre apaixonado por uma mulher, para algumas horas depois descobrir que ela é namorada de seu irmão. O filme é pontual ao abordar o problema da forma mais serena possível, evitando soluções fáceis. Steve Carrel, que já provara ser muito mais do que comediante em Pequena miss sunshine, novamente tem atuação contida e tocante.