She did it!
Sandra Bullock registrou neste fim de semana que encerra a temporada de premiações de 2010, uma marca que não será batida e que dificilmente poderá ser igualada. Sandra venceu no sábado o “prêmio” frambroesa de ouro de pior atriz do ano por sua participação em
Maluca paixão. No domingo, foi a vez de levar para casa o Oscar de melhor atriz por seu trabalho em
Um sonho possível. Essa marca fenomenal e surreal é só de Sandra e ninguém tasca.
Um dia antes de ganhar o Oscar, a simpática Sandra foi receber seu framboesa de ouro de pior atriz do ano. Antes dela, apenas o diretor holandês Paul Verhoeven por Showgirls e atriz Halle Berry por Mulher gato compareceram a "temida" premiação
O que aconteceu com o “and the Oscar goes to”?
Entre as muitas mudanças dessa edição do Oscar, uma em especial deve ter chamado a atenção dos mais atentos. A parte Kate Winslet que cometeu a “gafe” de anunciar “and the Oscar goes to...”, todos as outras categorias foram precedidas pelo resgatado “the winner is”. Assim como os 10 filmes indicados na categoria principal, essa frase havia sido abandonada nos anos 40. A razão do abandono era de que todos os indicados eram vencedores. Uma falácia, como bem se sabe. Contudo, ser indicado é realmente uma distinção monumental, assim como o é saber que o Oscar está indo para você. Era uma frase icônica, ansiada, sonhada. “The winner is”, além de não ter charme e ostentação é comum e reduz a apoteose do momento da consagração. Nesse sentido, quem se deu bem foi Jeff Bridges, o único a ouvir a tão famosa e célebre frase em 2010.
A influência da critica comprovada
A consagração de Guerra ao terror na noite de 7 de março de 2010 mostra, mais do que qualquer outra coisa, que a critica continua a influenciar, e muito, os prêmios da academia. Isso, inclusive, é muito saudável. O triunfo do filme independente super festejado nos círculos da critica americana demonstra que o Oscar pode até ser um prêmio de indústria, mas que quer cada vez mais se livrar desse rótulo.
A moment of a lifetime
“O momento chegou”, afirmou sem cerimônias e com inegável prazer Barbra Streisand ao anunciar Kathryn Bigelow como a vencedora do Oscar de melhor direção do ano. Bigelow, extremamente emocionada, foi comedida no agradecimento e evitou hastear a bandeira que a própria academia levantou ao destacar Streisend para anunciar o prêmio. Agradeceu a equipe do filme, lembrou-se dos soldados americanos no Iraque e no Afeganistão e mais de uma vez repetiu a frase que marcou essa edição do Oscar e seu nome na história da premiação: “This is a moment of a lifetime”!
Kathryn, super emocionada, evitou o confronto direto com o ex, tão aludido pela mídia , e a principio não fez cena em cima de ser a primeira mulher premiada com o Oscar de direção. Um exercício de diplomacia
A categoria oficial das surpresas
E está virando tradição. Ser favorito ao Oscar de melhor filme estrangeiro pode ser a pior das maldições. O multipremiado filme alemão, A fita branca, foi derrotado pelo argentino O segredo de seus olhos, de Juan Jose Campanella. A premiação do filme argentino não é injusta, mas deixar de premiar A fita branca é. Paradoxos do Oscar. De qualquer maneira, possíveis candidatos na categoria no futuro farão de tudo para evitar o favoritismo.
A piada agridoce
E Campanella saiu-se com a espirituosa: “Quero agradecer a academia por não classificar Na´vi como língua estrangeira”, em uma referência ao filme de James Cameron. A brincadeira elogiosa ganharia conotação penosa para o filme que amargou um desempenho pífio na noite do Oscar.
Cinema independente 5 X 1 cinema comercial
Guerra ao terror e Avatar, ambos com 9 indicações, se enfrentavam em seis categorias (fotografia, som, edição de som, montagem, direção e filme). Ao contrário do antecipado por muita gente, Avatar perdeu, e feio, essa disputa. O surpreendente é que Guerra ao terror ganhou em categorias em que não só não era melhor que Avatar como também não era melhor do que outros concorrentes na disputa. Um duro golpe contra o cinema comercial pode ser sentido mais nas categorias técnicas do que nas nobres. Ao invés de Star trek, Transformers e Avatar, prevaleceu o “barato” Guerra ao terror.
E o 3D como fica?
A pergunta já ecoa na cabeça de executivos de estúdios e congêneres. A academia deu o devido espaço a Avatar. Concedeu ao filme os prêmios que lhe cabia (e há controvérsias quanto a fotografia do filme) e que atestam o que ele é; tecnologia de ponta. Os prêmios de fotografia, direção de arte e efeitos especiais corroboram a percepção da critica (olha ela aí de novo), e em certo nível do público também, de que Avatar é um deslumbramento visual. E só. E é a isso que o 3D se propõe. É mais uma ferramenta narrativa, não constitui revolução, tão pouco é o futuro do cinema. O Oscar ajudou a devolver as expectativas a seu tamanho devido.
James Cameron no tapete vermelho: Eu não perdi não. Foi a Kathryn que ganhou...
Uma dupla entrosada
Alec Baldwin e Steve Martin, como era de se esperar, foram um show a parte. Senhores do palco, fizeram belas piadas de improviso e as que já estavam no script também foram muito bem aproveitadas. Os dois mestres de cerimônia foram, definitivamente, o melhor da festa.
Steve Martin e Alec Baldwin capricharam nas piadas e na química
Uma cerimônia desencantada
Apesar do talento e da boa apresentação de Baldwin e Martin, a cerimônia do Oscar foi um conjunto de equívocos. Algumas mudanças mal ajambradas, desrespeito com os vencedores das categorias de curta metragem, alguns errinhos pontuais que prejudicaram o bom ritmo da cerimônia e o atraso, em meia hora, que fez com que os principais prêmios da noite, e os mais aguardados, fossem entregues como quem está diante de um toque de recolher. Uma lástima.
Um Na´vi politicamente correto
Depois de correr o mundo a notícia de que Sasha Baron Cohen tivera sua esquete cômica sobre Avatar vetada, ia pegar muito mal se não houvesse nenhum número fazendo graça com o principal filme da noite. Ben Stiller caracterizado como Na´vi apresentou, falando em na´vi, o Oscar de maquiagem e lembrou: “ a ironia é que Avatar não está nem mesmo indicado nessa categoria”. E a graça se resumiu a isso.
Ben Stiller quer plugar: Participação xoxa do comediante mimetiza o que foi a cerimônia e a noite de Avatar
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