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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Top 10 - Dez filmes imperdíveis de 2014

Em janeiro é comum pipocarem previews dos principais lançamentos do ano. Claquete se reserva o direito de evitar esse lugar-comum e pula direto, como já fizera em 2013, para dez filmes imperdíveis do ano que se inicia. Há outros filmes imperdíveis? Sim, graças a Deus. Mas se você só for ao cinema dez vezes em 2014, essa seleção é capaz de mimetizar bem o que de melhor o ano que chega terá a oferecer.

10 – Sin City: a dame to kill for, de Frank Miller e Robert Rodriguez

Previsão de estreia: 2º semestre
Hype: O universo doentio e pitoresco da graphic novel de Frank Miller revisitado com novas adições ao elenco (Joseph Gordon-Levitt, Josh Brolin e Juno Temple são alguns) e a volta dos personagens imortalizados por Mickey Rourke, Bruce Willis e Jessica alba.

9 – Interstellar, de Christopher Nolan

Previsão de estreia: Fim do ano
Hype: Christopher Nolan se inspira em Kubrick para uma ficção científica casca grossa e cheia de ambição. Viagens interestelares combinam com profundidade filosófica? Estamos falando do homem que fez dos filmes do Batman épicos de alta voltagem emocional. De quebra, Matthew McConaughey, no auge da forma criativa, retorna à ficção científica pela primeira vez desde Contato (1997).

8- Ela, de Spike Jonze

Previsão de estreia: 14 de fevereiro
Hype: Spike Jonze se permite ser romântico, estranho e filosófico em um filme que aborda solidão, tecnologia e relações humanas com Joaquin Phoenix se apaixonando pela voz de um sistema operacional.

7 – Os mercenários 3, de Patrick Hughes

Previsão de estreia: agosto
Hype: Mel Gibson como vilão, Harrison Ford dando as caras, Antonio Banderas e Wesley Snipes fazendo pontas e um elenco ainda mais inchado e incrível para esse ponto final (será?) na trilogia mais improvável do cinema de ação.

6- Planeta dos Macacos: o confronto, de Matt Reeves

Previsão de estreia: Agosto
Hype: O primeiro filme foi uma surpresa potente e tudo indica que esta sequência, com Gary Oldman a frente do elenco humano e novamente com Andy Serkis barbarizando como o imponente e cativante Ceasar, vá pelo mesmo caminho. O confronto do subtítulo nacional não deixa dúvidas. O bicho (sim, a macacada) vai pegar!

5- X-men: dias de um futuro esquecido, de Bryan Singer

Previsão de estreia: 23 de maio
Hype: O maior e mais estrelado elenco já reunindo em um filme de super-heróis (se corroa de inveja Batman) e a promessa da trama mais intrincada, complexa e arrepiante do universo mutante no cinema. Como superar a complexidade política e a pegada pop de Primeira classe? Bryan Singer promete que tem a resposta!


4 – Exodus, de Ridley Scott

Previsão de estreia: Fim do ano
Hype: Os filmes bíblicos serão uma das manias de 2014. Noé, de Darren Aronofsky é o primeiro a chegar, mas este exemplar de Ridley Scott – o homem que revitalizou os épicos com Gladiador (2000) – com Christian Bale como o Moisés ungido para resgatar os judeus promete ser o auge dessa nova incursão hollywoodiana pelo livro sagrado.

3 – The Green inferno, de Eli Roth

Previsão de estreia: Segundo semestre
Hype: O representante da safra do terror nesta lista sela o retorno de Eli Roth à direção. Roth não é um George Romero, mas deu uma agitada no gênero com produções como Cabine do inferno (2003) e O albergue (2006). O plot do filme, grupo de jovens americanos sequestrados por canibais na Amazônia, promete o revival do gore regado a humor negro que 2013 ficou devendo.

2– Gone girl, de David Fincher

Previsão de estreia: Outubro
Hype: David Fincher adapta um best-seller do suspense. Você já viu este filme antes? Com David Fincher não há repetição. Ben Affleck periga ter um de seus grandes momentos como ator na pela do marido suspeito do assassinato de sua esposa no aniversário de 5 anos do casamento deles.

1-Vício inerente, de Paul Thomas Anderson

Previsão de estreia: Fim do ano
Hype: Humor negro, drama e ritmo de thriller prometem movimentar o novo filme de Paul Thomas Anderson, que consagrará a segunda parceria do cineasta com Joaquin Phoenix. Um elenco heterodoxo com nomes como Owen Wilson, Reese Witherspoon, Josh Brolin e Maya Rudolph completam o elenco. Na trama, Phoenix faz um detetive viciado em drogas que investiga o sumiço de uma ex-namorada. Vem coisa (muito) boa por aí!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - Cenas de Cinema (fatos)

A turbulência do voo da Marvel
Homem de ferro 3 e Thor – o mundo sombrio são filmes que não colocariam a Marvel no patamar em que ela se encontra hoje. Essa é a melhor análise que se pode fazer desses dois indiscutíveis campeões de bilheteria que, paradoxalmente, sinalizam esgotamento criativo na casa das ideias. A Marvel, ironicamente, pode seguir o caminho de outra empresa comprada pela Disney (Pixar) e enveredar por uma crise criativa que, a princípio, não comprometerá suas bilheterias, mas a banalizará irrevogavelmente. Como a estafa que já se avizinha em relação aos filmes de super-heróis, é um prognóstico deverás preocupante.

Sexo, sexo... e sexo
Foi o tema dominante do ano no cinema. Do premiado e polêmico Azul é a cor mais quente ao pop e reflexivo Como não perder essa mulher, passando por obras como Lovelace, Spring breakers, Tatuagem, Jovem e bela, Um estranho no lago, entre outros.  Os festivais de Sundance e Cannes também se viram sob o signo do sexo, uma vez que a maioria dos filmes exibidos tinham em seu cerne o interesse em abordar o tema.

O nosso Antes do amanhecer
A trilogia de Richard Linklater teve um novo capítulo, muito elogiado, lançado em 2013. Antes da meia-noite agradou a crítica e acresceu mais realidade à jornada romântica de Jesse e Celine. No entanto, se apequenou em matéria de arroubo estético e qualidade argumentativa para um projeto brasileiro. Idealizado por Felipe Braga, Latitudes teve lançamento simultâneo na tv e na internet, mas a fronteira não era apenas a distribuição, mas sim, também, a linguagem. Mesclando cenas de ensaio, takes descartados com o material oficial, o diretor e seus protagonistas produtores (Daniel de Oliveira e Alice Braga) fizeram da história de encontros e desencontros de um fotógrafo e uma editora de revista de moda, das coisas mais apaixonantes, inteligentes e originais lançadas em 2013.

O cinema nordestino como cartão postal do cinema nacional
Esse negócio de cinema confinado ao eixo Rio-São Paulo já havia ficado para trás. Principalmente com a excelente fase vivida, já há algum tempo, pelo cinema pernambucano. O ano de 2013, no entanto, mostrou que a força do cinema nordestino já não está mais confinada ao Estado de Pernambuco. Cine Holliúdy, que é cearense, foi o maior fenômeno do boca a boca já produzido em terras brasileiras. Pelo menos se desconsiderarmos a pirataria que antecedeu o lançamento de Tropa de elite nos cinemas em 2007.

O oscarizado O lado bom da vida foi um dos muitos filmes a ter sido alvo de reportagem no blog por ocasião de seu lançamento nos cinemas. Outros como Amor, A morte do demônio e O concurso também estiverem em destaque constituindo uma seleção eclética, plural e concatenada com o gosto amplo do leitor e cinéfilo que frequenta o blog

Filmes em destaque em Claquete
Os filmes que valeram reportagens no blog à época de seus lançamentos nos cinemas

O mordomo da Casa Branca
O conselheiro do crime
Os suspeitos
Sem dor, sem ganho
Bling ring – a gangue de Hollywood
Flores raras
Wolverine: imortal
O concurso
O homem de aço
O lugar onde tudo termina
O abismo prateado
A morte do demônio
A hora mais escura
O lado bom da vida
Lincoln
O mestre
Amor
Django livre
Jack Reacher: o último tiro

125 críticas publicadas no ano no blog

Cinco especiais
Gravidade
Guerra mundial Z
O grande Gatsby
Elysium
O quinto poder

As surpresas do ano
Parker
O filme de Taylor Hackford é o melhor filme B do ano e isso pode não parecer, mas é muita coisa...

Jack: o caçador de gigantes
Bryan Singer não queria fazer um grande filme e essa falta de ambição fez bem a ele e ao projeto. Essa releitura de João e o pé de feijão é das melhores matinês em muito tempo...

Uma história de amor e fúria 
A melhor animação do ano é brasileira. Quem esperava por isso?

Invasão a Casa Branca
Todo mundo esperando o "Duro de matar na Casa Branca" de Roland Emmerich e Antoine Fuqua roubou o doce nesta divertida e movimentada fita de ação com Gerard Butler como John McClane e os norte-coreanos (no melhor dos timings) como vilões.

Faroeste caboclo
Quem diria que o filme baseado naquela música da Legião Urbana vingaria como um western cheio de identidade? Se não é o melhor filme nacional do ano, é o que tem mais gana.


As decepções do ano
O homem de aço
Tinha a pinta de ser a bomba do ano e foi a bomba do ano. 

Elysium
Prometia ser um dos melhores filmes do ano e não resultou nem mesmo na melhor ficção científica do mês em que estreou...

Jobs
A desconfiança com o projeto era grande, mas igualmente proporcional à boa vontade para com o mesmo. Venceu a desconfiança...

Círculo de fogo
É a pior superprodução do ano e, bem, não era exatamente isso que esperávamos...

A hora mais escura
Depois de Guerra ao terror, Katherine Bigelow achou que poderia ir onde nenhum homem jamais foi... e se perdeu no meio do caminho!

Amantes passageiros
Almódovar nos convenceu que precisa de férias!

Cena de A hora mais escura: não tão bom quanto Bigelow pensa que é...

Os filmes incompreendidos

Mama
O acerto de Guillermo Del Toro no ano foi produzir este pequeno sucesso de público e crítica. Filme de terror que instaura valiosa analogia entre o pavor da maternidade e o pavor de ser privado dela. Tudo em um filme para lá de climático e com arrojo técnico e visual.

Sem dor, sem ganho
A maior crítica ao capitalismo e ao sonho americano em um ano em que tivemos a adaptação de F. Scott Fitzgerald no cinema. Tudo com muito humor e sarcasmo.

Amor pleno
Um Malick que não deixa de ser Malick, mas restringe seu campo de divagação e alcança resultados muito mais entusiasmantes do que em A árvore da vida. Mas sem o mesmo bafafá... 

O conselheiro do crime
Uma reflexão lenta, profunda e questionadora sobre morte e instinto em um filme com pegada literária que poderia se beneficiar de um diretor mais concatenado com o espírito do roteiro de Cormac McCarthy, mas que ainda assim sobeja naquilo que se propõe.

Cena de O conselheiro do crime, que reuniu Brad Pitt e Michael Fassbender pela terceira vez em um filme: um filme muito melhor do que um rápido olhar sugere

Ah, o amor...
É uma das grandes questões da humanidade e em 2013, à parte as comédias românticas, esteve sob análise de importantes cineastas como Michael Haneke,Terrence Mialick e Karin Aïnouz e em filmes como À procura do amor, Azul é a cor mais quente, Boa sorte, meu amor e Anna Karenina. Além, é claro, do último (será?) filme da trilogia Antes do amanhecer. Definitivamente, foi um ano interessante para DRs no cinema.


"A mais cativante história de amor que todos nós do júri vimos em muito tempo", disse Steven Spielberg, presidente do júri que outorgou a Palma de Ouro a Azul é a cor mais quente em Cannes

domingo, 25 de agosto de 2013

Insight - O pornô vive


Não é exatamente em virtude de “50 tons de cinza”, cuja adaptação cinematográfica move mundos e fundos em Hollywood polarizando muita atenção no circuito hollywoodiano. Mas é inegável que a versão cinematográfica do fenômeno literário de E.L James é a cereja no bolo de um movimento, e momentum, do cinema pornô junto a seu primo mais nobre, o cinema dito convencional.
Na próxima sexta-feira estreia nos cinemas brasileiros um dos filmes independentes americanos mais comentados do ano. Lovelace, cuja reportagem a respeito será publicada ainda esta semana em Claquete, é uma cinebiografia da atriz pornô mais famosa de todos os tempos.
O sexo paira sobre 2013 desde o festival de Sundance, realizado em janeiro, no qual Lovelace teve sua premiere mundial. Foi lá que Joseph Gordon-Levitt exibiu sua estreia na direção, Don Jon, então chamado Don Jon´s addiction, um filme em que interpreta um garotão vidrado em filmes pornôs ao ponto de deixar isso prejudicar suas relações sociais e amorosas. E a namorada no filme é Scarlett Johansson. O filme estreia em setembro nos EUA e ainda não tem data fechada para chegar por aqui.
Entre os inúmeros projetos de James Franco listados para 2013 está Kink, em que ele atua como produtor. O documentário parte do escrutínio do funcionamento do site que batiza o filme para discutir a relação do público com a pornografia, no geral, e com o sadomasoquismo, em particular. Para Franco, a pornografia é uma arte subestimada. Em Sundance, ele afirmou que “esses caras são artistas porque fazem você se excitar. Não é algo fácil”.  A despeito de se concordar ou não com James Franco, o sexo em sua versão mais gráfica parece mesmo na ordem do dia em Hollywood. Jeffrey Friedman, um dos diretores de Lovelace – em que Franco também atua – disse em entrevista à revista Preview que “o público está mais liberal e tolerante. A TV forçou o cinema a ser mais autêntico”.
O estreitamento com o cinema pornô não é algo novo. Steven Soderberg foi chamado de visionário por Sasha Grey, ex-atriz pornô que quando em atividade rodou com ele o experimental Confissões de uma garota de programa (2009). Sasha esteve em São Paulo na última semana para promover sua estreia como escritora de ficção. Ela lançou o que a crítica literária vem chamando de “um mergulho ainda mais sexualmente insano no mundo descoberto por ’50 tons de cinza”. Sasha, nas entrevistas que fez no Brasil, não se sentiu muita a vontade com comparações entre "Juliette society" – seu livro – e “50 tons de cinza”. Em muito por não se reconhecer, ou não se sentir representada, pelo que oferece o livro de E. L James. Mas ela admite a importância do livro para o ensejo do sexo, mais precisamente de seu componente sadomasoquista, no âmago da cultura pop.

Sasha empunha seu livro: mais um filme com pegada erótica a caminho...

O ator pornô James Deen e Lindsay Lohan em cena de The canyons, que a despeito das críticas negativas, é um dos filmes mais falados do momento nos EUA

O novo livro de Grey, sobre uma mulher que adentra uma sociedade secreta do sexo, já teve seus direitos vendidos para o cinema e a autora já disse que, por ela, Mia Wasikowska (Minhas mães e meu pai) faria a protagonista.
Recentemente, James Deen, conhecido como o “Ryan Gosling do pornô” por fazer muito sucesso com as mulheres (não as que atuam), estrelou The canyons, de Paul Schrader, ao lado de Lindsay Lohan. O filme não tem nenhum lastro de pornografia, mas uma forte aura sexual o permeia, e Deen faz um homem obcecado por uma estrela de cinema.
O cinema pornô, de maneira geral, já foi mais reluzente na ensolarada Califórnia. Mas esse estreitamento pode beneficiar ambas as indústrias. Em um movimento de tomada de consciência mútua, esse namoro entre Hollywood e a indústria pornô deve oferecer apimentados próximos capítulos.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Claquete 4 anos - Os favoritos do editor

Quatro atores

Bradley Cooper

Bradley Cooper era um ator que já tinha minha atenção desde seus primeiros trabalhos como coadjuvante de Jim Carrey e da dupla Owen Wilson e Vince Vaughn, mas ele explodiu junto com o surgimento de Claquete. O primeiro Se beber, não case! revelava um cara mais cool do que se supunha e com força suficiente para ser leading man. Nunca desconfiei de seu potencial e quis o destino que nesses quatro anos de blog, Cooper redesenhasse completamente seu status em Hollywood. A indicação ao Oscar por O lado bom da vida em 2013 é prova definitiva de que meus instintos estavam certos. 

Michael Fassbender

Ele despontou em 2008 com Hunger, mas foi em Bastardos inglórios – um dos melhores filmes do ano de nascença de Claquete – que Fassbender mostrou que além de talento reunia todos os elementos para ser um dos atores mais interessantes do cinema contemporâneo. Seus trabalhos subsequentes em X-men: primeira classe, Shame, Um método perigoso, Jane Eyre e Prometheus foram igualmente hipnóticos. O alemão de ascendência irlandesa é um dos achados do cinema nesses quatro anos de Claquete.

Ryan Gosling

Há um culto a Ryan Gosling por aí. Mas, verdade seja dita, o ator fez por merecer. Nesse espaço de tempo em que Claquete existe, nenhum outro ator foi tão intenso em cena e feliz na escolha de seus projetos. Gosling brilhou nos ótimos Tudo pelo poder, Drive, Namorados para sempre, O lugar onde tudo termina e Amor a toda prova, configurando-se como um dos pilares da cobertura do blog nos últimos anos.

George Clooney

Tudo bem que ele é um de meus atores preferidos, mas Clooney pediu licença a minha predileção e fez por merecer sua vaga aqui. Duas indicações ao Oscar e filmes tão diversos como Amor sem escalas, Os descendentes, Tudo pelo poder, Um homem misterioso e O fantástico Sr. Raposo. Além, é claro de produzir filmes interessantes como Argo. Foi um período prolífico para Clooney que cada vez mais ratifica seu nome como um dos maiores do cinema americano em todos os tempos. 

Quatro atrizes

Rooney Mara

Ela literalmente foi revelada com o blog no ar. Seu primeiro papel no cinema foi no remake de A hora do pesadelo, mas foi David Fincher quem lapidou essa joia do cinema americano. Primeiro em A rede social e depois na versão americana de Os homens que não amavam as mulheres. Agora, com trabalhos agendados com Terrence Malick e Stephen Daldry, e com uma indicação ao Oscar na bagagem, Mara é uma realidade.

Jennifer Lawrence

Esse tesouro Claquete viu crescer. Desde a impressionante atuação em Inverno da alma, que valeu a primeira indicação ao Oscar, Lawrence tem sido alvo constante do blog. E não é para menos. Poucas jovens atrizes combinam um dedo tão bom para escolher projetos com um talento visceral e tão bem encorpado. O Oscar que ganhou esse ano é apenas o começo de sua história.

Carey Mulligan

Outro caso de atriz revelada nos primórdios do blog. Mulligan, no entanto, já soa veterana em 2013. Depois de trabalhar com newcomers originais (Steve McQueen em Shame e Nicolas Winding Refn em Drive), com diretores pop (Baz Luhrmann em O grande Gatsby e Oliver Stone em Wall Street – o dinheiro nunca dorme), a atriz parece mais do que uma aposta certeira do blog.

Meryl Streep

Outro caso de preferência pessoal minha que fez valer sua menção nessa postagem especial. Nesses quatro anos em que existe Claquete, Meryl Streep foi indicada ao Oscar duas vezes, ganhou sua terceira estatueta, e impôs recorde sobre recorde de bilheteria em sua carreira. Além de estrelar nada mais, nada menos do que cinco filmes neste espaço de tempo.


Quatro blockbusters

Sherlock Holmes
Típico filme de férias, o filme de Guy Ritchie não é a oitava maravilha do mundo, mas cumpre a proposta de reinventar o personagem preservando suas principais características.   

X-men: primeira classe
Nenhum blockbuster foi tão longe durante os quatro anos do blog. É de longe o filme mais político e bem fundamentado do cinemão americano recente e uma aventura de encher os olhos.

Os vingadores
É sonho de menino realizado. Pena que o filme não sobrevive à idealização, mas ainda assim é um entretenimento de respeito.

Guerra mundial Z
O filme estrelado por Brad Pitt é de longe o blockbuster mais cativante de 2013, ano em que Claquete completa quatro anos.

Quatro perfis feitos pelo blog
Essa é uma de minhas seções preferidas, embora eu as faça muito pouco. Até para não banalizar a grandeza que é perfilar um nome do cinema. É lógico que precisam ser feitas as ressalvas de um perfil feito à distância, mas sempre procuro afinar o olhar no escopo que faço dos perfilados em Claquete.

Publicado em 20/10/2011
Publicado em 13/04/2011
Publicado em 27/10/2010
Publicado em 27/01/2010

Quatro Tira-teimas
Um olhar sobre as duas grandes turmas da comédia da primeira década dos anos 00.
Publicado em 28/08/2011

O desempenho das duas editoras de HQ nos cinemas
Publicado em 24/04/2011

Dois dos maiores mestres do cinema em um embate crepuscular em Claquete
Publicado em 31/12/2010

As duas beldades que marcam uma das maiores rivalidades não declaradas do mundo das celebridades duelam no blog.
Publicada em 29/05/2010

Quatro Davids

David Fincher
Com dois filmes nesse espaço de quatro anos (A rede social e Os homens que não amavam as mulheres), Fincher continuou cativando com seu cinema cerebral e de perfeição técnica e narrativa.
David Fincher segue como um dos principais realizadores contemporâneos
David Cronenberg
Um método perigoso e Cosmópolis são dois dos melhores filmes que há sobre psicologia e capitalismo respectivamente. Claquete deu a devida ênfase a esses brilhantes trabalhos nesse intervalo de quatro anos de um dos maiores autores do cinema moderno.

David O.Russell
Se houve um diretor que se cacifou no cinema americano nesses quatro anos, esse diretor é David O.Russell. Hoje, um cineasta do mais alto pedigree, o diretor dos excelentes O vencedor e O lado bom da vida – filmes devidamente dimensionados pelo blog – deixou para trás os tempos de diretor estrelinha.

David S.Goyer
Nenhum roteirista teve seu passe mais valorizado que Goyer, responsável por toda a trilogia do cavaleiro das trevas e do novo O homem de aço. Ele também se experimentou na TV e na direção, mas é como o homem forte das superproduções (a Warner já anunciou que se um filme da Liga da justiça for escrito será por ele) que Goyer se resolveu.
Quatro filmes surpreendentes
Aqui eu destaco filmes que não suscitavam as melhores das expectativas em mim ou que até despertavam alguma expectativa, mas que as subverteram completamente se mostrando filmes muitos melhores e bem adensados do que eu supunha.

Guerreiro
Outro filme que eu estava interessado em assistir, mais por se passar no universo do MMA (modalidade esportiva da qual sou fã) do que por qualquer outra razão. Mas o filme é de uma força dramática ímpar com personagens muito bem delineados.
Pôster de Guerreiro, um dos surpreendentes filmes resenhados no blog nesses quatro anos
Os miseráveis
Estava desconfiado com Tom Hooper. O discurso do rei é quadradão e o trailer do filme não me empolgou, mas fui arrebatado no cinema. O filme é de uma profundidade maravilhosa e o elenco está em estado de graça. A direção de Hooper, para queimar mais minha língua, torna Os miseráveis um filme muito melhor.

Arrasta-me para o inferno
Eu já esperava me divertir à beça com esse filme, mas essa volta de Sam Raimi ao terrir é muito melhor do que se poderia imaginar. Não à toa, o filme acabou figurando na minha lista de melhores de 2009.
O Grande Gatsby
Era um dos que desconfiava severamente dessa versão de Baz Luhrmann para o clássico de Fitzgerald. No fundo, queria gostar do filme porque gosto do cinema de exuberâncias do australiano. Mas nem precisei fazer concessões. O grande Gatsby é um filme poderoso e cativante, de maneira muito particular, mas que se impõe como experiência cinematográfica envolvente.

Quatro Insights
Uma análise da linguagem e dos interesses do cineasta iraniano Abbas Kiarostami
Publicada em 25/11/2012

Um olhar sobre filmes que colocam o sexo, e nossa relação com ele, na ordem do dia
Publicada em 25/03/2012

Claquete, dois anos atrás
Publicada em 12/07/2011

Uma análise sobre quem deve postular, de fato, a autoria de uma produção cinematográfica
Publicada em 09/01/2011


Quatro postagens em Claquete que merecem ser descobertas

Uma seção Insight que pretende dar dimensão ao tema
Publicado em 06/06/2010

A extinta seção Ponto crítico ouviu o crítico de cinema Heitor Augusto discorrer sobre a filmografia de Almodóvar por força da estreia de Abraços Partidos em 2009
Publicado em 23/11/2009

Almodóvar: sempre presente em Claquete


Outra seção extinta em um grande momento. Uma ressonância da pobreza da crítica de cinema vigente especialmente na internet
Publicado em 21/06/2011

Os 25 melhores filmes da década: apêndice partes I e II
Duas postagens especiais e complementares que dão um fecho a um dos especiais mais ousados, completos e satisfatórios já feitos pelo blog
Publicado em 22/05/2010

domingo, 23 de junho de 2013

James Gandolfini - Sutileza e grandiloquência em um só registro



Morreu, de um súbito ataque cardíaco na última quarta-feira (19), aos 51 anos, o ator americano James Gandolfini. Mais conhecido pelo icônico personagem Tony Soprano, o patriarca mafioso da série "The Sopranos" da HBO, Gandolfini construiu uma bela carreira no cinema. Sempre à sombra de sua encarnação mais famosa, o ator viveu célebres foras da lei, mas também deu vida a figuras que emanavam poder como o chefe da CIA no recente A hora mais escura.
O primeiro papel de destaque no cinema foi há exatos 20 anos como um gangster em Amor à queima roupa de Tony Scott. O último papel de Gandolfini no cinema que lhe proveu certo momentum foi em O homem da máfia (2012), em que dividiu a cena pela segunda vez com Brad Pitt - a outra havia sido como um impagável matador de aluguel gay e sensível em A mexicana (2000). Há, ainda, três filmes estrelados por Gandolfini a serem lançados no Brasil: Violet & Daisy, estilizada estreia de Geoffrey Fletcher (roteirista de Preciosa), The incredible Burt Wonderstone, comédia estrelada por Jim Carrey e Steve Carell, e Not fade away, drama que marca a estreia na direção de cinema do criador de "The sopranos", David Chase.
Gandolfini ensaiava um retorno à HBO e estava em meio ao desenvolvimento de duas séries à época de sua morte.
Esses projetos dizem muito sobre a condução de sua carreira. Atenção especial ao cinema independente, gosto por personagens sombrios e total ausência de medo em assumir papéis coadjuvantes em produções bem gabaritadas. Em sua última entrevista ao The New York Times, em 2010, lamentou o fato de não ser convidado para fazer comédias – já havia revelado ótimo timing cômico tanto em "The sopranos" como em filmes como A mexicana e Sobrevivendo ao natal (2004) – o que talvez justifique sua presença no elenco do filme que reúne Carrey e Carrell depois de Todo poderoso (2003).


De cima para baixo no sentido horário: como o receoso chefe da CIA em A hora mais escura; como um matador "do bem" ao lado de Julia Roberts em A mexicana; ao lado da famiglia em "The Sopranos"; com Kristen Stewart no independente Corações perdidos e reeditando a parceria com Brad Pitt em O homem da máfia 

Força transgressora em cena
Não há como falar da representatividade de Tony Soprano na cena cultural americana, e de sua importância para a deflagração de personagens ambíguos e complexos tanta na tv como no cinema americano contemporâneo, sem destacar a forte, minuciosa e multifacetada interpretação de Gandolfini ao longo das seis temporadas do programa. O ator aliava sutileza à grandiloquência em um termostato de atuação que apenas os grandes são capazes de atingir. Tony Soprano era um tubarão em seu meio, mas Gandolfini sabia destacar a todo momento sua fragilidade emocional. Um acerto que aferiu longevidade ao programa e ao personagem.
Gandolfini era corpulento, não exatamente bonito, mas bastante viril. A ascendência italiana e essas características lhe impunham certos papéis, mas ele ia buscar oxigênio no teatro. Estrelou ao lado de Jeff Daniels uma festejada versão de "Deus da carnificina" na Broadway. Também marcou presença em outras peças menos celebradas.
Não rejeitava exatamente a sombra que Tony Soprano projetou em sua carreira, mas sabia desvencilhar-se dela com a mesma força transgressora que revestia seu personagem mais famoso.
Uma perda repentina, com a devida cota do imponderável, para o cinema, no eixo geral, e para a cultura americana, em particular.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Um baiano cheio de borogodó



Ele pode fazer qualquer sotaque, mas não esconde que é sua “baianice” que o diferencia na cena cultural brasileira em que predominam os sotaques do sul e do sudeste.
Wagner Moura, aos 36 anos, é considerado por muita gente o melhor ator brasileiro. Se a referência for exclusivamente o cinema, seu reinado é ainda mais imperioso. Com 18 filmes no currículo, três filmes ainda por serem lançados em 2013 e uma carreira internacional engatilhada, Moura parece saltar de boa fase para boa fase.
Ator despudorado em abraçar a visceralidade como registro e capaz de aliar carisma à profundidade, Moura construiu uma filmografia diversa e multifacetada. Há legítimos heróis, personagens ambíguos e tipos complexos em filmes que aspiram sempre algo mais do que o sucesso comercial.
Dono de uma corporalidade insidiosa, Moura sabe trabalhar a expressividade de gestos e olhares em prol de personagens que exigem que o ator desapareça neles. É o caso do protagonista de Vips, de Toniko Melo. Um farsante que se faz passar por outras pessoas, reais e fictícias, e demonstra exímia capacidade de simulação. Um personagem como o notório capitão Nascimento, no entanto, exige convicção corporal e expressividade característica. O personagem, vivido pelo ator em dois filmes, exige, ainda, profunda prospecção emocional. Em ambos os casos, Moura mostra-se inteligente no uso que faz de seu físico para estender o alcance dos conflitos dos personagens.
Não é algo que todo ator saiba fazer. Não se trata exatamente de postura. Trata-se de usar recursos físicos, espontâneos, para agregar valor a uma caracterização.
Moura parece especialmente atraído por personagens em meio a conflitos íntimos insinuantes. No recente A busca, por exemplo, antes da busca pelo filho desaparecido, o que move seu personagem é a inadequação que experimenta. Seja pelo divórcio mal encaminhado ou pelas arestas mal aparadas com o pai. Em Tropa de elite, Moura é o homem justo em meio a corruptos que busca um substituto fidedigno. Em Vips, alguém em busca de identidade. Assim como em O homem do futuro.
O ator é capaz de trafegar pelos registros mais variados (comédia, drama...), revelando uma versatilidade rara, mas somente possível para quem dá a cara à tapa no irregular cinema brasileiro.
Seu borogodó, no fim das contas, tem pouco a ver com acarajé.

A milhagem de Rodrigo Santoro

Entre a pecha de galã e astro brasileiro no cinema americano, Rodrigo Santoro é ator de alto gabarito. A distância do agito das celebridades brasileiras e a opção por projetos de grande visibilidade, mas em que não defende os personagens principais, valeram certa implicância de parcela do público e da imprensa especializada com o ator. Contudo, essas mesmas opções reforçam a plenitude em que sua carreira se encontra no presente momento. Alternando trabalhos complexos no cinema nacional, como em Heleno (2012) e Não por acaso (2007), com projetos não tão adensados, mas de maior visibilidade no mercado americano, como O que esperar quando você está esperando (2012) e Recém-formada (2009), Santoro constituiu uma carreira de bifurcações interessantes. Ajuda a chamar a atenção, no Brasil, de filmes brasileiros que sem sua presença não teriam grande espaço e penetração e reveste de um charme particular produções americanas que sem ele, não teriam qualquer atenção do público do país.
São contornos interessantes de uma carreira consolidada e cada vez mais plural. Nas últimas semanas foi divulgado que o ator estará, ao lado de Antonio Banderas, no filme sobre os mineiros chilenos que ficaram semanas soterrados e comoveram o mundo. É um bom filme para esse selo de ator do mundo que Santoro cultiva.
Outro filme bastante aguardado por Santoro é a continuação de seu maior sucesso internacional de público. 300, a ascensão de um império, que deve ser lançado em março de 2014, promete ter muito mais Santoro em tela, já que o filme é focado em seu personagem.
Rodrigo Santoro persevera na busca de destaque internacional e reconhecimento nacional enquanto consolida uma carreira de muitos pontos altos e poucas escolhas equivocadas.

Isso é Santoro


12 filmes nacionais
15 filmes internacionais
2 prêmios de melhor ator no festival de Brasília pelos filmes Bicho de sete cabeças (2001) e Meu país (2011)
Vencedor do troféu Chpard de revelação masculina no festival de Cannes 2004 pelo filme Carandiru, que participou da mostra competitiva
2 prêmios de melhor ator no Grande Prêmio do cinema brasileiro pelos filmes Bicho de sete cabeças (2001) e Carandiru (2003)
Melhor ator no festival de Havana por Heleno


Confira o trailer de 300, a ascensão de um império

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Cenas de cinema (Fatos)


Summer down
Quem olhasse para 2012, em 2010 ou 2011, diria que a temporada de blockbusters era invejável. O último filme da trilogia de Christopher Nolan para o cavaleiro das trevas, a aguardada estreia de Os vingadores, o reboot de Homem aranha, Ridley Scott de volta ao universo Alien, a terceira parte de MIB, releituras de Branca de neve, a primeira princesa da Pixar, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone juntos, entre outras grandes produções. Apesar de movimentar cerca de U$ 4 bilhões – só Os vingadores fez mais de U$ 1,5 bilhão ao redor do mundo – a temporada não poderia ser mais decepcionante. Com a honrosa exceção de um filme estrelado por um urso de pelúcia, todo o mais está fadado ao esquecimento. É o segundo verão americano marcado por produções abaixo da média; em 2011 foi a mesma história.

Contos de fada em alta
Por falar em Ted, o filme dirigido por Seth MacFarlane foi a grande sensação do ano. Inteligente e engraçadíssimo, o filme chamou a atenção para outra corrente que ganhou destaque em 2012. A do conto de fadas. Alguns filmes, na ânsia de falar sobre maturidade, adentraram a lógica de contos de fadas para fazê-lo. Além de Ted, em que Mark Wahlberg tem como melhor amigo um urso falante e todos em cena lidam muito bem com isso, houve Ruby Sparks – a namorada perfeita, em que o escritor vivido por Paul Dano materializa com sua mente uma personagem que criou no papel.

A força está com a Disney

Tomou o mundo de surpresa, a notícia de que a Lucas Film havia sido comprada pela Disney. Já a notícia de que uma nova trilogia Star Wars sairia do forno foi recebida com ceticismo por alguns e entusiasmo por outros. De qualquer forma, não há estúdio mais poderoso em Hollywood hoje do que a Disney. Nos últimos dez anos foram três aquisições de grande impacto: Pixar, Marvel e Lucas Film.

O brilho do cinema francês
2012 pode entrar para os anais da história, como o ano da França no cinema. E não só no Oscar, como se viu com a consagração de O artista. O emocionante Os intocáveis se tornou o filme francês mais rentável de todos os tempos. Nos EUA, inclusive, foi mais visto do que o oscarizado O artista. No Brasil, conseguiu expandir seu circuito depois da estreia. As salas brasileiras, aliás, nunca exibiram tantos filmes franceses quanto em 2012. A arte de amar, Os intocáveis, Bem amadas, Paris-Manhatan e Holly Motors são apenas algumas das muitas produções do país que conquistaram público e crítica no Brasil.

Cena de Até a eternidade: o cinema francês esteve mais in do que nunca em 2012...


A América de Obama
Todo ano precisa de um documentário polêmico. Em 2012, foi a vez 2016: Obama´s America (que não foi exibido no Brasil). Surpreendente sucesso de público nos EUA, o filme, lançado durante a campanha presidencial americana, não esconde sua veia republicana e, muito menos, sua oposição à figura do presidente Obama. O doc não foi endossado pela campanha de Romney, mas foi mais visto nos Estados em que o republicano prevaleceu nas urnas. Por falar em pregar para convertidos, a maioria das celebridades americanas se engajou na campanha de reeleição de Barack Obama. De Beyoncé à George Clooney, que promoveu o maior jantar de arrecadação de fundos que se tem notícia até hoje. Mas quem brilhou mesmo nesse departamento foi Clint Eastwood, que na convenção republicana mesmerizou o mundo ao discursar para uma cadeira vazia simbolizando Obama.

Beyoncé veste Obama: a cantora e atriz foi uma das muitas celebridades que fizeram campanha pela reeleição do presidente americano


Rir é o melhor remédio
Se houve um gênero que se destacou em 2012, esse gênero foi a comédia. Até o grande sucesso do ano, Os vingadores, se esmera basicamente no humor para alinhar personagens tão distintos e fazê-los funcionar juntos. Mas houve outros destaques. Mais uma vez, prevaleceu no cinema nacional, o gosto pelas comédias. Até que a sorte nos separe e E aí, comeu? foram os grandes sucessos brasileiros do ano. Dois dos filmes mais comentados da temporada também foram comédias e do tipo politicamente incorreto. Ted, pois é, novamente citado nesta seção Cenas de Cinema, provocou a ira do deputado federal Protógenes Queiroz que quis censurar o filme no país, mas só conseguiu fazer com que o interesse por ele aumentasse. Já O ditador mexeu em um vespeiro maior. Sacha Baron Cohen com sua habitual virulência se mirou nas ditaduras e acertou o ocidente e as democracias como poucos artistas já ousaram.

O 3D está morto, viva o 3D
Depois de uma enxurrada de filmes em 3D em 2010 e 2011, 2012 foi mais moderado. A média foi de três lançamentos com o uso da tecnologia por mês. Entre maio e agosto, temporada de blockbusters americanos, a média subiu para cinco. Bem abaixo do ano passado que apresentou, entre maio e agosto, média de oito lançamentos por mês com a tecnologia. Esse arrefecimento é natural sob muitos ângulos. Afinal, muitos desses filmes não faziam bom uso do 3D. Talvez o mais interessante desses ângulos, seja o fato de que diretores consagrados estão utilizando o 3D e ajudando a consolidar a plataforma como ferramenta narrativa. Foi lançado no Brasil em 2012, filmes de gente como Martin Scorsese, Werner Herzog e Steven Spielberg. Em dezembro é a vez de Ang Lee. Esses cineastas se apropriam do 3D e ajudam a cativar um público que ainda resistia à tecnologia. De quebra, testam os limites do cinema.

O fim de Crepúsculo
A Summit, estúdio por trás da saga, reluta em aceitar, mas a verdade é que Crepúsculo acabou. Foi uma jornada e tanto! Um séquito de fãs apaixonados igualmente barulhentos à horda de detratores ferrenhos afluíram esses cinco anos. A franquia foi um fenômeno ao qual foi impossível permanecer indiferente. Os mais de U$ 4 bilhões arrecadados pelos cinco filmes são apenas um vislumbre do poder pop de Crepúsculo. Fãs descabeladas que derrubaram seguranças em um hotel brasileiro e fizeram Taylor Lautner temer por sua vida, talvez seja um artifício mais eficiente para dimensionar o vazio que o fim da saga vai deixar.

Profusão de filmes cults

Uma particularidade de 2012 foi a grande quantidade de filmes lançados no ano com vocação para serem cults. Três dele, é bem verdade, são datados de 2011, mas só aportaram nas salas de cinema brasileiras neste ano. Drive (foto), Shame, Os homens que não amavam as mulheres, Cosmópolis, Argo e Holly Motors têm em comum sua engenharia cult. Dois deles, Argo e Os homens que não amavam as mulheres, se sobressaem por conseguirem também serem pops.


Eles deram química...
Muita gente teve boa química nas telas de cinema em 2012. Na última incursão de Ted na lista, Mark Walhberg e o ursinho dublado por Seth MacFarlane puxam a corrente de quem mandou muito bem. O cachorrinho de verdade Uggie virou celebridade e foi o primeiro canino a pisar no palco do Oscar, muito em parte pelo show que deu ao lado de Jean Dujardin em O artista. George Clooney e Shailene Woodley estavam tão bem em seus papéis em Os descendentes que convenciam que eram mesmo pai e filha e com uma longa história. Clint Eastwood e Amy Adams não ficaram atrás em Curvas da vida. Já Daniel Craig e Rooney Mara soltaram faísca em Os homens que não amavam as mulheres. A química não foi só sexual, mas quando rolava sexo...
Craig por sinal, esbanjou química com Javier Bardem, seu antagonista em Operação Skyfall. E quase que a mesma discrição da química com Rooney Mara se aplica aqui...
Já Andrew Garfield e Emma Stone de tanta química quase fizeram de O espetacular homem aranha outro tipo de filme. Mas pare de pensar besteira!

Daniel Craig, o mr. química de 2012, responde à altura o assédio de Javier Bardem em Operação Skyfall: dinamite pura...


... e eles foram reprovados
Sam Worthington tem tudo para ser o novo Arnold Schwarzenegger. Pelo menos no tocante a sua capacidade de desenvolver química com parceiros e parceiras de cena. Tanto em À beira do abismo, com Elizabeth Banks, como em Apenas uma noite, com Eva Mendes e Keira Knitghtley, o australiano foi reprovado com louvor. Channing Tatum e Cody Horn também ficaram devendo em Magic Mike. Tatum, no caso, foi reincidente em Para sempre, tendo dessa vez como parceira a canadense Rachel McAdams. Será que Tatum sofre do mesmo problema de Worthington? Foi Jonah Hill, em Anjos da lei, que impediu Tatum de ocupar a mesma posição de Worthington na matéria.