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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Afundando na garganta - tudo o que você precisa saber sobre o filme Lovelace


A estreia estava prometida para o dia 30 de agosto, mas foi remanejada para 13 de setembro Trata-se de um dos filmes independentes americanos mais aguardados em muito tempo. Em parte pela curiosidade sobre a carreira da mais famosa atriz pornô de todos os tempos e de como Linda Lovelace, no terceiro ato de sua vida, se transformou em uma ferrenha ativista contra a indústria pornô. A produção da The Weinstein Company, desde que foi anunciada, alimenta expectativas de público e crítica. Nessa reportagem especial, Claquete esmiúça os detalhes da produção e de todo mundo que está por trás dela...


Entre o hard e o soft...

Repare na carinha de anjo. No jeito de menina travessa. Amanda Seyfried dá corpo a fantasias e justamente por isso foi uma das primeiras opções para viver a personagem, a primeira mesma foi a não menos instigante Olivia Wilde. Mas Seyfried tem mais currículo, quiçá mais sex appeal, para encarnar uma personagem que precisa trafegar entre a inocência e a depravação.
Com uma carreira ainda em ascendência, mas já consolidada, a atriz de 27 anos enfileira projetos tão distintos quanto midiáticos como Os miseráveis, Lovelace, O preço do amanhã e A garota da capa vermelha. Desde Mamma mia (2008) é uma realidade hollywoodiana, mas se experimenta em projetos ousados como O preço da traição, tira um sarro em participações especiais em programas como American dad, enquanto se prepara para o primeiro papel de sua vida como uma lenda do cinema pornô.
Do filme teen Meninas malvadas (2004) a ousada série da HBO Big love, Amanda Seyfried transita com graça, desenvoltura e talento por uma indústria que tem no sexo àquela esquina super conhecida.

O hype
Garganta profunda arrecadou mais de U$ 600 milhões, é reconhecidamente o filme erótico mais visto da história e foi capaz de provocar uma revolução nos costumes dos anos 70, capitalizando em uma época de revolução sexual. O filme gerou, até mesmo, um documentário (Por dentro da garganta profunda) lançado em 2004. Por tudo isso, Lovelace, filme que se predispõe a dar a versão dos fatos da protagonista de Garganta profunda, ganha destaque. O hype do filme é mergulhar nessa época que o cinema pornô estava se construindo, se descobrindo e sendo descoberto e o processo de imersão de uma “garota da  porta ao lado” que a levou à fama e às drogas.
Linda Lovelace depois de ser um dos principais rostos do pornô se tornou uma das principais vozes contra essa indústria. O hype está todo aí!

Mr. Sex drive

É uma ponta. Talvez um pouco mais do que uma ponta. Mas é seguramente uma das sensações de Lovelace a presença de James Franco como Hugh Hefner, o criador da Playboy e que estava envolvido com o cinema (o pornô e o convencional) nos idos dos anos 60 e 70 que marcaram a contracultura. Hefner, um tipo legitimamente interessado em sexo, ganhou em James Franco que recentemente declarou que “faria sexo real em um filme pelo papel certo” um intérprete a altura do mito.

Nossos loucos anos
Não é segredo para ninguém, mesmo quem pouco se importa com a vitalidade do cinema pornô, que a internet mudou as regras do jogo. O cinema pornô vive seu crepúsculo no sentido de indústria. Havia uma época que faturava tanto quanto Hollywood. Os cinemas eróticos eram frequentados por celebridades e personalidades nos anos 70 na esteira do sucesso de obras como Garganta profunda. A moda pegou no Brasil, ainda que com perfil mais marginalizado. Ainda assim, os cinemas eróticos lotavam nos centros do Rio de Janeiro e São Paulo. Emanuelle viraria frisson nas sessões Privê das madrugadas da tv aberta. Se há um filme contemporâneo que registra essa nostalgia ensimesmada de uma era mais ingênua e devassa é Boogie Nights – prazer sem limites (1997), escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson.
O filme acompanha justamente o apogeu do cinema pornô e como ele, por um certo período, deu viço ao sonho americano.

Too sexy for your love: os boys do filme de Paul Thomas Anderson

Com vocês, os garanhões...



Ah, esses títulos...

Filmografia parcial de Linda Lovelace
As minhas loucas aventuras na selva (1969)
Dog fucker (1969)
Garganta profunda (1972)
Exóticas fantasias francesas (1974)
Confissões de Linda Lovelace (1974)
Linda Lovelace para presidente (1976)

Documentário ou ficção?
A versão dos fatos por Linda Lovelace. Essa é, sob coação, a justificativa da equipe por trás de Lovelace para o filme. Mas por que não um documentário? Rob Epstein, um dos diretores do filme é um documentarista de longa data e prestigio. São seus os oscarizado The times of Harvey Milk (1984) e o vanguardista The Aids show, rodado em 1986 com a Aids então uma novidade. O interesse por aquela época e pelas reminiscências da contracultura acompanham Epstein que junto com Jeffrey Friedman, seu codiretor em Lovelace, lançou Uivo, sobre a geração beat em 2010. Foi no curso desse filme que resolveram abraçar a história de Lovelace. A ideia era fazer uma ficção tão bem fundamentada como a do filme estrelado por James Franco e que valeu a dupla alguns prêmios ao redor do mundo.

Sete curiosidades sobre o filme

Amanda Seyfried achou Garganta profunda “um pouco chato”. Ela fez a confissão durante o último festival de Berlim

O orçamento do filme foi de U$ 10 milhões

Olivia Wilde, de Tron – o legado e Eu queria ter a sua vida, era a primeira opção para viver Linda Lovelace

A personagem de Sarah Jessica Parker, Gloria Steinem, foi cortada da versão final do filme

Os produtores de Garganta profunda tentaram vetar o lançamento do filme na Justiça de Nova Iorque sob argumentação de violação das leis de direitos autorais

Chloë Sevigny, que no filme faz uma jornalista feminista, é a campeã entre o elenco feminino de aparições nuas em filmes. A atriz, no entanto, já declarou que não tirará mais a roupa em frente às câmeras

Wes Bentley e Amanda Seyfried contracenaram em 12 horas, de Heitor Dhalia

Amanda Seyfried pediu para não rodar cenas em que surgisse completamente nua

domingo, 25 de agosto de 2013

Insight - O pornô vive


Não é exatamente em virtude de “50 tons de cinza”, cuja adaptação cinematográfica move mundos e fundos em Hollywood polarizando muita atenção no circuito hollywoodiano. Mas é inegável que a versão cinematográfica do fenômeno literário de E.L James é a cereja no bolo de um movimento, e momentum, do cinema pornô junto a seu primo mais nobre, o cinema dito convencional.
Na próxima sexta-feira estreia nos cinemas brasileiros um dos filmes independentes americanos mais comentados do ano. Lovelace, cuja reportagem a respeito será publicada ainda esta semana em Claquete, é uma cinebiografia da atriz pornô mais famosa de todos os tempos.
O sexo paira sobre 2013 desde o festival de Sundance, realizado em janeiro, no qual Lovelace teve sua premiere mundial. Foi lá que Joseph Gordon-Levitt exibiu sua estreia na direção, Don Jon, então chamado Don Jon´s addiction, um filme em que interpreta um garotão vidrado em filmes pornôs ao ponto de deixar isso prejudicar suas relações sociais e amorosas. E a namorada no filme é Scarlett Johansson. O filme estreia em setembro nos EUA e ainda não tem data fechada para chegar por aqui.
Entre os inúmeros projetos de James Franco listados para 2013 está Kink, em que ele atua como produtor. O documentário parte do escrutínio do funcionamento do site que batiza o filme para discutir a relação do público com a pornografia, no geral, e com o sadomasoquismo, em particular. Para Franco, a pornografia é uma arte subestimada. Em Sundance, ele afirmou que “esses caras são artistas porque fazem você se excitar. Não é algo fácil”.  A despeito de se concordar ou não com James Franco, o sexo em sua versão mais gráfica parece mesmo na ordem do dia em Hollywood. Jeffrey Friedman, um dos diretores de Lovelaceem que Franco também atua – disse em entrevista à revista Preview que “o público está mais liberal e tolerante. A TV forçou o cinema a ser mais autêntico”.
O estreitamento com o cinema pornô não é algo novo. Steven Soderberg foi chamado de visionário por Sasha Grey, ex-atriz pornô que quando em atividade rodou com ele o experimental Confissões de uma garota de programa (2009). Sasha esteve em São Paulo na última semana para promover sua estreia como escritora de ficção. Ela lançou o que a crítica literária vem chamando de “um mergulho ainda mais sexualmente insano no mundo descoberto por ’50 tons de cinza”. Sasha, nas entrevistas que fez no Brasil, não se sentiu muita a vontade com comparações entre "Juliette society" – seu livro – e “50 tons de cinza”. Em muito por não se reconhecer, ou não se sentir representada, pelo que oferece o livro de E. L James. Mas ela admite a importância do livro para o ensejo do sexo, mais precisamente de seu componente sadomasoquista, no âmago da cultura pop.

Sasha empunha seu livro: mais um filme com pegada erótica a caminho...

O ator pornô James Deen e Lindsay Lohan em cena de The canyons, que a despeito das críticas negativas, é um dos filmes mais falados do momento nos EUA

O novo livro de Grey, sobre uma mulher que adentra uma sociedade secreta do sexo, já teve seus direitos vendidos para o cinema e a autora já disse que, por ela, Mia Wasikowska (Minhas mães e meu pai) faria a protagonista.
Recentemente, James Deen, conhecido como o “Ryan Gosling do pornô” por fazer muito sucesso com as mulheres (não as que atuam), estrelou The canyons, de Paul Schrader, ao lado de Lindsay Lohan. O filme não tem nenhum lastro de pornografia, mas uma forte aura sexual o permeia, e Deen faz um homem obcecado por uma estrela de cinema.
O cinema pornô, de maneira geral, já foi mais reluzente na ensolarada Califórnia. Mas esse estreitamento pode beneficiar ambas as indústrias. Em um movimento de tomada de consciência mútua, esse namoro entre Hollywood e a indústria pornô deve oferecer apimentados próximos capítulos.