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terça-feira, 8 de abril de 2014

Insight - De oitenta a oito, a derrocada de Russell Crowe


Russell Crowe já estava em terras hollywoodianas em 1995, quando foi uma das agradáveis surpresas de Rápida e mortal, filme de Sam Raimi que é cheio delas. Mas o momentum em torno dele só começou dois anos mais tarde, quando foi um tira embrutecido e incorruptível no noir definitivo daquela década, o vencedor de dois Oscars, Los Angeles, cidade proibida.
Russell Crowe seria o astro da virada do milênio. Em O informante (1999), que lhe valeu sua primeira indicação ao Oscar, mostrava que era ator de verdade e não um mimo que Hollywood trouxera da Austrália, ainda que Crowe seja neozelandês de nascença naturalizou-se australiano ainda cedo. No ano seguinte, ascendeu à realeza hollywoodiana com Gladiador, que lhe valeu o Oscar já na segunda indicação. Russell Crowe era bonito, indomável e incrivelmente talentoso. No ano seguinte, emplacou a terceira indicação ao Oscar de melhor ator – feito raríssimo e desde então jamais replicado – por Uma mente brilhante que ganharia, a exemplo de Gladiador, o Oscar de melhor filme.
No início do milênio não era possível desviar o olhar de Russell Crowe.  A excelência era tamanha que mesmo em filmes de ação apenas eficientes, como Prova de vida (em que ele foi o pivô do fim do longevo casamento de Meg Ryan e Dennis Quaid), Crowe trazia muito mais ao papel. Os papéis seguintes ao frisson do Oscar estavam à altura de seu talento. Filmes como A luta pela esperança (2005), Mestre dos mares – o lado mais distante do mundo (2003), Um bom ano (2006) e Os indomáveis (2007) tinham como objetivo provar a versatilidade do então já consolidado astro de primeira grandeza em Hollywood.

 "O próximo Brando", destaca a GQ americana no início da década passada...

 A prestigiada revista Time colocou Russell Crowe na capa da edição que objetivava desvendar como o astro foi de bad boy à principal estrela da meca do cinema

Na capa da Vanity Fair em 2003, "se você quer um filme de sucesso, este é o seu homem"

Mas grandes poderes trazem grandes responsabilidades e Crowe tinha um fantasma bem grande em seu encalço. O sucesso de Gladiador que iria possuí-lo de vez em sua quinta colaboração com o diretor do filme que revitalizou os épicos. Antes de Robin Hood (2011) marcar o início da derrocada de Crowe, ele estrelou bons filmes adultos como O gangster (2007) e Rede de mentiras (2008), ambos de Ridley Scott, e Intrigas de Estado (2009). Ali, Crowe estava confortável no papel de astro, mas a excelência de sete anos antes já desanuviava em tiques de atuação.
Crowe ao lado de Jennifer Connelly na premiere
de Noé:
movimentos estratégicos para revitalizar
uma carreira em decadência
Desde de Robin Hood, para todos os efeitos um "sub-Gladiador", Crowe, é verdade, tem tentado diversificar e já fez cinema independente e até musical. Suas participações em O homem com punhos de ferro (2012), O homem de aço (2013) e Um conto do destino (2014), no entanto, deflagram um abismo tremendo entre os filmes que estrela atualmente e aqueles que estrelava há dez, doze anos. Crowe está mais velho, menos bonito e muito menos disposto a deixar de ser Russell Crowe em seus filmes. Diferentemente de Pacino, De Niro e Nicholson que são sempre eles mesmos nos filmes, o australiano não consegue capitalizar. Os filmes em questão são desinteressantes com ele e não apesar dele. Isso quer dizer que Crowe sendo Crowe não consegue desvencilhar-se da ruindade de seus filmes. Noé, outro épico em que ressuscita a aura de Gladiador, Crowe recebeu mais uma penca de críticas negativas. Trata-se de um projeto calculado para devolvê-lo aos bons dias (o fato de dividir a cena com Jennifer Connelly – sua parceira de Uma mente brilhante não é mera coincidência). Ao invés disso, o filme dirigido por Darren Aronofsky pode significar o fundo do poço para o ator. A boa bilheteria, se confirmadas as expectativas, pode diminuir o peso da ancora que Crowe tem amarrada em seu pescoço. Enquanto não mudar sua postura nos filmes e selecionar projetos “com menos perfil de Russell Crowe”, o ator estará flertando perigosamente com a irrelevância. Maior dos pesadelos para quem há não muito tempo era o rei da cocada preta em Hollywood.

terça-feira, 18 de março de 2014

Breaking good – o doce futuro de Aaron Paul em Hollywood

Você talvez o conheça de "Breaking bad", em que interpretava o traficante barato e viciado em metanfetamina Jesse Pinkman que aos poucos foi ganhando a simpatia do público. Talvez você o conheça de um punhado de filmes independentes ou, talvez, você não o conheça de modo algum. Mas com Need for Speed, seu primeiro fôlego no pós-"Breaking bad", Aaron Paul vem reclamar seu espaço na meca do cinema. Nas palavras de Steven Spielberg, produtor do filme que adapta o game homônimo de sucesso, Aaron Paul tem algo raro de se achar no olimpo hollywoodiano: “Ele tem uma excelente presença de cena. Existem muitos bons atores, porém é difícil achar pessoas que tenham essa habilidade natural para convencer sem dizer uma palavra, apenas por existir em cena. Aaron tem esse elemento a mais”, observou um dos maiores Midas de Hollywood que recomendou pessoalmente Paul para o protagonismo do filme.
Mas Aaron Paul não para por aí. Acelerando mais do que seu personagem no filme, ele também lança neste começo de ano a comédia Altos e baixos em que contracena com figuras como Pierce Brosnan e Toni Collette. Para o fim do ano, o ator tem na manga o épico biblíco Exodus, de Ridley Scott em que fará Josué, o sucessor do Moisés de Christian Bale.
Enquanto acelera no cinema, Paul mantém aberta a porta da tv que o consagrou. Está em negociações para integrar o elenco de "Better call Saul", spin-off de "Breaking bad". Na tv, antes dos prêmios e da notoriedade conquistados com a série criada por Vince Gilligan, Paul atuou em séries diversas como "Bones", "Big Love", "NCIS" e "Verônica Mars".
Need for Speed marca um novo momento na carreira de Aaron Paul. Não é apenas seu primeiro protagonismo em uma produção hollywoodiana, é seu primeiro protagonismo em uma produção ambiciosa, de forte apelo junto ao público jovem e masculino, e na qual Paul se sai maravilhosamente bem. No final das contas, palmas (mais uma vez) para Spielberg.     

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Oscar Watch 2014 - A peleja dos atores


Da esquerda para a direita: Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas); Leonardo DiCaprio (O lobo de Wall street); Bruce Dern (Nebraska); Chiwetel Ejiofor (12 anos de escravidão) e Christian Bale (Trapaça)

Al right, al right, al right...

É o lema do ano. É daquelas “catchy phrases” e Matthew McConaughey soube grafá-la muito bem logo no início da temporada de premiações. O fato de remeter ao início da sua carreira deixa tudo mais apoteótico para o ator texano que concorre pela incrível performance em Clube de Compras Dallas, mas traz na bagagem umas dez atuações louváveis que redefiniram sua carreira no cinema.

Prós:
- Redefiniu sua carreira e Holywood adora reinvenções
- Colin Firth, outro saído das comédias românticas para os filmes de prestígio, foi premiado a pouco tempo
- Interpreta um personagem que vivencia grande transformação emocional. Isso costuma computar votos no Oscar
- Precisou passar por grande transformação física para viver o personagem, outro fator que conta votos a favor
- As excelentes performances dos últimos três anos negligenciadas pela Academia pesam a seu favor
- Está fantástico na série da HBO True detective e também em outro filme concorrente, O lobo de Wall Street, é muito McConaughey para se resistir
- Ganhou todos os prêmios significativos da temporada
- O lobby por sua vitória é dos maiores dos últimos anos na categoria

Contras:
- O buzz em torno de DiCaprio, único ator que não competiu diretamente contra McConaughey na temporada, cresceu muito nas últimas semanas
- O inevitável desgaste de quem assume o favoritismo muito cedo na corrida
- Entre astros em busca de redenção, DiCaprio busca há mais tempo
- Colin Firth não ganhou em sua primeira indicação, porque facilitar para McConaughey?
-A força da categoria em que todos os candidatos estão mais ou menos no mesmo nível

Primeira indicação

Essa metamorfose ambulante

Christian Bale olha para Matthew McConaughey e diz: eu já fiz isso (perder peso em demasia para um papel) há uma década. Christian Bale recebe sua segunda indicação ao Oscar por mais um trabalho de inserção em um personagem totalmente diferente em sua carreira. Congregando vulnerabilidade com garra e malandragem, o vigarista que interpreta em Trapaça é o ponto alto de uma carreira cheia de grandes destaques que vai se refinando mais e mais.

Prós:
- Está no elenco mais prestigiado do ano e isso pode contar pontos a seu favor
- É uma atuação que transita pela comédia e pelo drama, exigindo fruição que só encontra par na performance de DiCaprio

Contras:
- Não ganhou nenhum prêmio significativo na temporada
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente
- Venceu o Oscar há três anos
- É bem claro que não defende a melhor atuação do ano

Segunda indicação
Indicação anterior
Ator coadjuvante por O vencedor em 2011
Vitória anterior
Ator coadjuvante por O vencedor (2011)

Um lobo maduro

Leonardo DiCaprio fará 40 anos em novembro deste ano. A maturidade como intérprete, no entanto, já havia se manifestado. Ator de muitos recursos e escolhas profissionais ainda mais interessantes, DiCaprio chega novamente ao Oscar defendendo a melhor e mais complexa atuação de sua carreira. Como o fraudador Jordan Belfort, esse poderoso lobo do cinema dá seu uivo mais potente.

Prós:
- Há um consenso na Academia de que é preciso premiar DiCaprio e esta é uma bela oportunidade de fazê-lo
- É uma atuação complexa e cheia de nuanças, uma das melhores dos últimos anos
-Geralmente avesso a campanha, DiCaprio – também produtor do filme – se engajou na promoção do filme e de sua candidatura nesta temporada
-Pode-se beneficiar da política de “prêmios pelo conjunto da obra”
- Ainda não disputou prêmio com McConaughey nas premiações principais e a rixa do Oscar com ele é mais antiga

Contras:
- Ainda é muito novo para um Oscar competitivo com jeitão de “conjunto da obra”
- A forte campanha de difamação a qual o filme foi vítima pode minar suas chances
- Sem McConaughey no Bafta, perdeu para Chiwetel Ejiofor
- O fato de seu personagem ser o único desprezível disposto na categoria

Quarta indicação
Indicações anteriores
Ator coadjuvante por Gilbert Grape – aprendiz de sonhador em 1994
Ator por O aviador em 2005
Ator por Diamante de sangue em 2006

Atuando para dentro

Bruce Dern traz para a contenda do Oscar o trabalho mais introspectivo e minimalista da competição. Suave, seu desempenho em Nebraska corta como lâmina espartana de tão denso que é nas miudezas. Mas é preciso prestar atenção. Sua performance não tem “momentos providos pelo roteiro” ou auxílio de trilha sonora e closes. É tudo ele. É um trabalho de escavação de um grande ator esquecido no baú empoeirado de Hollywood e que aos 77 anos vive a fase mais laureada de sua carreira.

Prós:
- Ganhou a Palma de Ouro em Cannes e isso foi presságio de prêmios para figuras como Javier Bardem e Christoph Waltz
- É da antiga Hollywood e compõem uma dinastia de atores no cinema americano. Isso costuma ter alguma representatividade
- Ganhou alguns prêmios da crítica
- Seria a zebra ideal

Contras:
- É o menos badalado dos indicados e esse perfil de candidatura não costuma triunfar
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente
- Não tem trabalhado muito e, portanto, muita gente simplesmente não o conhece. O que pode pesar contra suas chances de amealhar votos indecisos
- É uma atuação minimalista em uma categoria que não costuma premiar esse tipo de composição

Segunda indicação
Indicação anterior
Ator coadjuvante por Amargo regresso em 1979

O inglês tranquilo

O nome é difícil e carrega a origem nigeriana de Ejiofor. Você já o viu em muitos filmes, talvez não tenha se impressionado com ele, mas sempre o aprova. Assim é Chiwetel Ejiofor, que foi pessoalmente selecionado por Steve McQueen para atuar em 12 anos de escravidão, o grande highlight de uma carreira sólida, mas de poucos protagonismos. De Simplesmente amor a Cinturão vermelho, passando por fitas de Woody Allen e Spike Lee, a versatilidade do inglês que surge como o coringa dessa corrida pelo Oscar de melhor ator é seu principal cartão de visitas.

Prós:
- É a alma do filme e isso costuma sensibilizar muitos votantes
-Ganhou o Bafta no momento em que os votos para o Oscar iniciaram
- É negro e a categoria foi a que apresentou maior incidência de vencedores negros entre as categorias de atuação nos últimos dez anos
- É uma performance expansiva e cheia de momentos, do tipo que o Oscar gosta de comungar

Contras:
- A performance de McConaughey também é  expansiva e cheia de momentos
- A pecha de que a indicação já é reconhecimento suficiente
- O filme que defende parece em descenso na temporada e isso pode minar suas chances

Primeira indicação


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Insight - Quero ser Shia LaBeouf


Um dos grandes sucessos do cinema no nascedouro do século XXI foi Quero ser John Malkovich, dirigido por Spike Jonze e escrito por Charlie Kaufman. O filme brinca com a possibilidade de um simples mortal entrar na mente do célebre ator americano por quinze minutos.
Shia LaBeouf não é John Malkovich, talvez queira ser, mas essa é outra história. Aos 27 anos, o ator californiano que alcançou o estrelato como protagonista da trilogia Transformers parece viver uma crise peculiar, ainda que terrivelmente comum no mundo das celebridades instantâneas e da fogueira de vaidades hollywoodiana.
Tudo começou timidamente lá pelos idos de 2010, quando se pôs a diminuir a relevância da série Transformers e assumir uma culpa, que ninguém via, pelo quarto Indiana Jones, que estrelou em 2008, ser abaixo das expectativas dos fãs. LaBeouf começou a flertar com projetos mais sérios. Rodou a sequência Wall Street: pode e cobiça com Oliver Stone e filmes menores, em projeção, mas não em ambição, como Os infratores (2012), Sem proteção (2012) e Conquistas perigosas (2013).
LaBeouf dava declarações polêmicas, dizia-se interessado em expressar-se artisticamente e cansado da vida hollywoodiana. Fez um curta-metragem e, depois de surgirem acusações de plágio, confessou ter se enrolado nos limites entre inspiração e cópia. Para pedir desculpas ao plagiado, contratou um avião para desenhar as desculpas no céu com fumaça. Foi criticado pelo gesto megalomaníaco nas redes sociais e chegou a trocar farpas com personalidades de sua estatura em Hollywood, como a criadora da série Girls, Lena Dunhan. Suas divagações filosóficas no Twitter logo foram postas em suspeição também. Descobriu-se que grande parte era reprodução não creditada. LaBeouf então anunciou sua retirada da vida pública. Em paralelo corria atrás de Lars VonTrier prometendo fazer sexo e cenas de nudez explícita para estar em seu Ninfomaníaca.
No último festival de Berlim, para promover a versão integral e sem cortes do filme de Von Trier, o ator surgiu com um saco de papel na cabeça com os dizeres “não sou mais famoso”. Na mesma cidade montou uma exposição de artes plásticas em que a principal obra era ele. A ideia era ele ficar em uma sala escura, com o saco de papel na cabeça, e olhando fixamente para quem se dispusesse a compartilhar daquele silêncio incômodo com ele.

LaBeouf em Berlim: egocentrismo exacerbado ou algo a dizer?

A exposição foi pouco concorrida. Ele decidiu levar essa manifestação artística para Los Angeles, onde está em cartaz. Entrando na galeria, escolhe-se um objeto entre os muitos que estão à disposição do frequentador. Uma jarrinha com tuítes agressivos contra ele, um bonequinho de Optimus Prime e coisas que, de alguma maneira, remetam a LaBeouf, por mais discreta que seja a relação. A pessoa entra na sala escura e lá está LaBeouf com o saco de papel na cabeça e com olhos marejados olhando fixamente, sem tempo determinado, para ela.
É uma crítica ao culto a celebridade? LaBeouf está tentando uma elaboração artística sobre o significado de celebridade? Ou apenas quer atenção? Não é a primeira vez que astros do cinema tentam radicalizar a relação com a indústria que os molda. Joaquin Phoenix, há não muito tempo atrás, fingiu que tinha largado tudo para trás para seguir carreira de rap. Surgia barbudo, descabelado e fedido e falava coisas sem sentido. Era tudo um documentário exagerado sobre o ônus da fama. O ator deixou-se filmar recebendo sexo oral e com alguém defecando sobre ele.  
Quero ser John Malkovich, em sua proposta surrealista, Phoenix e LaBeouf revelam um mal-estar empírico, desabrido e de difícil elaboração. LaBeourf, à distância que a avaliação permite, parece não se reconhecer mais e mergulhado em uma melancolia que Sofia Coppola tão bem circundou em The Bling ring – a gangue de Hollywood.
La Beouf parece resignado com o fato de que só a arte é a resposta. Mas é preciso identificar nela as perguntas também.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Semana Philip Seymour Hoffman em Claquete - Um coadjuvante brilhante

Que Philip Seymour Hoffman era um grande ator, pouca gente duvida. O que parece angariar ainda mais convicção era sua capacidade de roubar cenas em filmes que apostavam em outros atores ou que não dependiam, ou intentavam depender, de seus predicados como intérprete.
Philip Seymour Hoffman teve poucos protagonistas em sua carreira porque era um coadjuvante excepcional. Do tipo que elevava o nível de um filme a despeito de um protagonista oscilante ou de uma trama hermética ou pouca atraente. Filmes como O mestre e Piratas do rock podem ser inseridos, respectivamente, nesses eixos.
Da presença marcante em filmes como Boogie nights – prazer sem limites (1997) e O talentoso Ripley (1999), em que era mais secundário do que coadjuvante, passando pelos papéis icônicos em filmes como Dúvida (2008) e Missão impossível 3 (2006), Hoffman soube sintetizar nuanças e detalhes dos personagens em desenhos sutis, mas intensos, de cada um deles.
Esse talento para a prospecção interpretativa no interior de cada personagem foi saudada pelo diretor Cameron Crowe em recente manifestação para homenagear o ator sobre sua intervenção para melhorar cena capital do filme Quase famosos, que colocou Crowe no mapa de uma Hollywood cool e descolada, atentou para esse detalhe.
Hoffman sabia se destacar em elencos primorosos, como os que integrou nos filmes Tudo pelo poder (2011), Could Mountain (2003), Dragão vermelho (2002) e Jogos do poder (2007).
Esse talento para fazer muito com pouco talvez seja o elemento biográfico de sua vida como ator que mais prospere na memória da cinefilia.


Cinco filmes que Philip Seymour Hoffman roubou...

Dúvida (2008)
Hoffman mede forças com Meryl Streep em um dos filmes mais inteligentes e sagazes dos últimos anos. Na figura complexa e intrigante do padre Flynn, o ator esconde tanto quanto revela e fascina em cada momento que surge em cena.


Jogos do poder (2007)
Se existe um personagem espetacular na carreira de Hoffman é este aqui. O ator se diverte, sem deixar de falar sério, na pele de um agente da CIA que faz os serviços (indelicadamente burocráticos) que ninguém quer fazer. Tom Hanks, a esta altura com dois Oscars na bagagem, parece um novato com Hoffman em cena.


Quero ficar com Polly (2003)
Essa comédia simpática cresce de tamanho, com toda a malícia possível e imaginável, sempre que Hoffman está em cena. O timing cômico é absurdo, assim como o testamento de que ali estava um ator que metade da Hollywood atual jamais conseguirá ser e a outra metade, como Ben Stiller, não se importava em aplaudir.



Missão impossível 3 (2006)
Frio, quase impassível e, de repente, explosivo. Hoffman criou o melhor vilão que um filme de James Bond jamais terá. Essa, Tom Cruise, que desapareceu ante Hoffman, pode até comemorar.


Embriagado de amor (2002)
Esse talvez fosse fácil. Afinal de contas, Adam Sandler era o protagonista. Mas o papel suculento, o chapa Paul Thomas Anderson reservou para Hoffman que cravou no imaginário cinéfilo a melhor “cena de cala a boca” da história do cinema.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Semana Philip Seymour Hoffman em Claquete- Um ator maior que a vida


Obituário de estrela de cinema, ou da música, sempre empurra para nós mortais uma camada extra de fragilidade. É como se fôssemos lembrados com carga extra de escárnio por alguma conspiração divina de que a vida é um suspiro finito.
Philip Seymour Hoffman não era exatamente um astro. Era doce, gentil e amigável, como lembraram muitos dos que o conheceram e, assim como todos no planeta se viram chocados com sua trágica e precoce morte.
A estreia no cinema não foi exatamente em Perfume de mulher (1992), mas foi ali, como antagonista do personagem de Chris O`Donnell, que Hoffman chamou atenção. 
No cinema foram pouco mais de 60 filmes em uma carreira com pouco mais de 20 anos. Se em Perfume de mulher, Hoffman já se fazia notar, sob as ordens de Paul Thomas Anderson atingiu outro patamar.
A primeira colaboração entre eles foi em Jogada de risco (1996), estreia de Anderson no cinema. Ao todo fariam cinco filmes (Boogie Nights – prazer sem limites, Magnólia, Embriagado de amor e O mestre).
Hoffman conquistava a admiração de quem quer que com ele trabalhasse. Mike Nichols, por exemplo, que o dirigiu no excelente Jogos do poder (2007) o chamou para ser Willy Loman na adaptação para a Broadway do clássico A morte do caixeiro viajante. O teatro, aliás, configurava a paixão maior de Hoffman.
No dia 11 de agosto de 2009, Claquete, um blog ainda incipiente, publicou o perfil de um ator fascinante sob o título de “O homem de mil faces”. A capacidade camaleônica de Hoffman não só o precedia como intérprete incomum e virtuoso como o distinguia na seara hollywoodiana. Presença enobrecedora em blockbusters da estirpe de Jogos vorazes ou redentora em filmes independentes como A família Savage, Hoffman é dos poucos que se adequava à expressão de ator maior que a vida.
Era, também, um dos poucos capazes de fazer frente ao recorde que Jack Nicholson ostenta entre os atores em matéria de número de indicações ao Oscar. A precoce morte impede que testemunhemos esse embate entre figuras, cada qual a seu modo, apaixonantes. Hoffman se vai com quatro indicações em um espaço de oito anos. 
Em 2009, no referido perfil, aventou-se: “É prazeroso assistir Hoffman em cena. Ator capaz de hipnotizar uma platéias das mais dispares. Cheio de recursos e extremamente inventivo, Hoffman não parece se intimidar com desafios. Está sempre propenso a conquistar mais e enfileirar conquistas profissionais. Merece ser acompanhado de perto por quem gosta de cinema”.
Quis o destino, a quem credita ao destino arroubos como esse, que esse prazer fosse abreviado. A contribuição de Hoffman para o cinema, no entanto, é perene.

Ao longo desta semana, Philip Seymour Hoffman será homenageado aqui em Claquete. Pelo ator sublime que foi e pelo ser humano digno e amável que será lembrado pelas emoções e satisfação genuínas que proporcionou a quem verdadeiramente ama cinema. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Semana Philip Seymour Hoffman em Claquete


O mundo foi pego de surpresa pela morte de um verdadeiro gênio do cinema. Philip Seymour Hoffman foi encontrado morto em seu apartamento em Nova Iorque no último domingo (02). Ele parte aos 46 anos e deixa, além da viúva, a estilista Mimi O´Donnell, três filhos ainda na infância.
Ator de talento incomensurável, Hoffman vinha lutando contra um vício nefasto em heroína. Em 2006, havia admitido ser viciado “em qualquer coisa” em entrevista ao programa 60 minutes. À época, no entanto, declarava sobriedade. No primeiro semestre do ano passado, internou-se em uma clínica de reabilitação e ao término do programa, declarou novamente estar sóbrio.
Em janeiro deste ano, compareceu ao festival de Sundance onde estreou dois filmes. A most wanted man e God´s pocket. Além da participação nas sequências da franquia Jogos vorazes, Hoffman deixa inconcluída sua participação na série Happyish do canal americano Showtime.
Em homenagem a esse titã do cinema, que se foi de maneira tão trágica quanto precoce, Claquete pausa sua cobertura natural do cotidiano do cinema e antecipa uma novidade do mês de março: ciclos dedicados a artistas que fazem o cinema. Esta é a primeira, e infelizmente triste, postagem da Semana Philip Seymour Hoffman em Claquete.
A carreira e a trajetória do astro ocuparão a agenda do blog nos próximos dias. Além das postagens que se seguirão nos próximos sete dias, Hoffman será para sempre lembrado no blog. Se o cinema tange humanidade, é graças a figuras como Hoffman. Esse cinema, humanizado, verte lágrimas pela partida de um de seus mais talentosos artesãos.

A consagração no Oscar

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - A categoria dos sonhos (e pesadelos) no Oscar

Os excluídos: em nenhuma outra categoria, seja de atuação, técnica ou mesmo melhor filme, ficaram de fora candidatos tão bem conceituados como na corrida por melhor ator

Joaquin Phoenix (Ela), Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis – balada de um homem comum), Robert Redford (Até o fim), Tom Hanks (Capitão Phillips), Idris Elba (Mandela: long walk to freedom) e Forest Whitaker (O mordomo da Casa Branca). Estes são apenas alguns dos bons atores, com ótimos e bem conceituados desempenhos, que ficaram de fora da categoria de ator no Oscar 2014. Não é a primeira vez que a categoria suprime trabalhos de atuação superiores inclusive a performances lembradas em outras categorias de interpretação.
A disputa pelo Oscar de melhor ator roubou a coroa da disputa na categoria principal, de melhor filme do ano. Já há algum tempo a disputa concentra a mais agitada, imprevisível, emocionante e, por que não, contestada corrida pelo Oscar.
Nomes prestigiados como Tom Hanks e Robert Redford se viram de fora da corrida em 2014 em uma providencial mudança de paradigma no Oscar que se verifica primeiramente, como não poderia deixar de ser, na categoria mais acirrada da premiação. Banca e prestígio não garantem mais indicação ao Oscar. Meryl Streep, pode-se dizer, prevaleceu sobre nomes como Emma Thompson (Walt nos bastidores de Mary Poppins), Brie Larsom (Short term 12) e Julia Louis-Dreyfus (À procura do amor) na envergadura de seu nome, mas isso revela a sintomática fraqueza da categoria que apenas pontualmente se encontra forte. Não é o caso de 2014, que tinha a corrida razoavelmente definida desde os primórdios da temporada de premiações.
A razão da concorrência entre os atores ser tão forte deriva de duas polarizações do cinema contemporâneo. A primeira delas é o fato de a grande maioria dos filmes ser centrada em personagens masculinos. O segundo aspecto, menos incisivo, mas com efeitos ainda mais alarmantes, é o fato de que o cinema, americano em especial, produz melhores atores do que atrizes. Não à toa, o Oscar viu-se na contingência de premiar estrelas de cinema nos últimos 20 anos. Julia Roberts, Sandra Bullock, Reese Whiterspoon, Gwyneth Paltorw e Nicole Kidman foram oscarizadas por trabalhos discutíveis. Fora Jennifer Lawrence e Marion Cottilard que venceram merecidamente, mas também se encaixam nesse perfil de estrela a se exportar e consolidar. Em contrapartida, astros da estirpe de Tom Cruise, Brad Pitt, Richard Gere, Leonardo DiCaprio, Johnny Depp e Ryan Gosling jamais venceram o Oscar. Atrizes costumam estabelecer repetições de indicações com mais frequência do que os atores. Cate Blanchett, Amy Adams, Kate Winslet e a já citada Meryl Streep são exemplos vívidos dessa realidade.
A necessidade de promover estrelas e a opção por não fazer o mesmo com seus astros, revela o caráter político e consciencioso da Academia na distribuição de seu principal prêmio.
É bastante factível, mesmo para quem acompanha o Oscar a certa distância, que a categoria de melhor ator costuma ser aquela com mais esnobados e cujo vitorioso ao fim da corrida mais suscita contestações. Se por um lado essa característica enobrece a disputa na categoria, por outro a torna invariavelmente falível por adensar termômetros nem sempre confiáveis como campanhas de marketing e hypes passageiros. Chagas que, ao longo do tempo, vêm tirando o brilho da disputa por melhor filme. Paradoxos dessa natureza costumam transformar sonhos dourados em pesadelos. Ainda que o dourado não saia de cena. 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Especial O lobo de Wall Street - Por que Leonardo DiCaprio é um ator mais fascinante a cada novo filme?



Que há atores que melhoram com o tempo e fazem valer aquela batida analogia com o vinho, todos nós sabemos. Mas Leonardo DiCaprio é um caso à parte. Em 2013 ele repetiu uma tendência voraz em sua filmografia de uns anos para cá. Estrelar dois filmes de alto gabarito em um mesmo ano, profundamente distantes e inteiramente dependentes de seu talento, e colaborar com cineastas que estão escrevendo a história do cinema contemporâneo.  Em 2006 foi Os infiltrados, de Martin Scorsese, e Diamante de sangue, de Edward Zwick, ambos filmes indicados ao Oscar. Em 2008, Rede de mentiras, de Ridley Scott e Foi apenas um sonho, de Sam Mendes. Em 2010, estrelou Ilha do medo, de Martin Scorsese, e A origem, de Christopher Nolan. Em 2013, novamente capitaliza com O grande Gatsby, de Baz Luhrmann, e O lobo de Wall Street, mais uma vez sob as ordens de Scorsese. No meio tempo, ainda rodou J. Edgar (2011) com Clint Eastwood e Django livre (2012) com Quentin Tarantino.
É bem verdade que DiCaprio indicava que seria um ator de respeito desde os primórdios de sua carreira, ainda na infância, em filmes como O despertar de um homem (1993), Gilbert Grape: aprendiz de sonhador (1993), pelo qual recebeu sua primeira e hoje sintomática indicação ao Oscar, e Diário de um adolescente (1995). Mas o sucesso obtido com Titanic (1997) diversionou o caminho de DiCaprio no cinema.
O status de astro, no entanto, o pôs no caminho de Martin Scorsese que já havia sido alertado pelo amigo De Niro de que DiCaprio seria alguém com quem valeria colaborar no futuro. De Niro foi um dos primeiros colegas de cena de DiCaprio em O despertar de um homem. Gangues de Nova Iorque (2002) só conseguiu ser produzido porque DiCaprio aterrissou no projeto. No mesmo ano, lançou Prenda-me se for capaz, de Steven Spielberg e ali, há pouco mais de dez anos, tal como fazia seu personagem no filme mais subestimado do criador de E.T (1982), começou a reinvenção de DiCaprio como ator.
Ele já havia trabalhado com cineastas como James Cameron, Sam Raimi, Woody Allen e Danny Boyle, mas nenhum desses projetos foi peneirado ou escolhido por DiCaprio. Era o momento de mais do que fazer escolhas maduras, fazer escolhas que projetassem a carreira que ele gostaria de consolidar em Hollywood. O aviador se encaixava nesse perfil. Foi o primeiro filme produzido por DiCaprio e o que fez com que a parceria com Scorsese vingasse como tal. A afinidade artística entre os dois serviu como bússola para que DiCaprio se tornasse um ator melhor.
Scorsese ajudou a lapidar o ator que DiCaprio queria ser
A partir do sucesso amealhado com O aviador, que valeu a segunda indicação ao Oscar para DiCaprio – a primeira como adulto - o ator passou a escolher com muito cálculo e ponderação seus projetos. À medida que a parceria com Scorsese evoluía, DiCaprio se voltava para papéis mais complexos e cineastas mais badalados nos projetos paralelos aos filmes feitos com Scorsese.
Nessa última leva de filmes, DiCaprio provou mais uma vez a seus teimosos críticos que, às vésperas de completar 40 anos não é só o melhor ator de sua geração, como é um dos melhores atores à disposição do cinema atual. Com a vantagem de ser, também, um dos poucos que sabe como promover-se em um papel desafiador, complexo e obscuro.
DiCaprio é um ator mais fascinante a cada trabalho porque se recusa a estabelecer-se em uma zona de conforto e trabalha tanto para ser o melhor como por amor ao que faz. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Especial O lobo de Wall Street - O melhor ator americano em que você não está prestando atenção

O mundo tomou um choque quando Jonah Hill, até então conhecido como “o gordinho de Superbad”, foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante em 2012 por seu desempenho em O homem que mudou o jogo. Para este feito, Hill teve de driblar, apenas com a força de seu desempenho, o preconceito tanto do público como dos insiders da indústria que não viam naquele moleque com jeito para a comédia, potencial para abrilhantar um drama com pegada mais racional como o filme estrelado por Brad Pitt.
Mas Jonah Hill é um baita ator e sua participação em O homem que mudou o jogo acionou o radar de alguns dos cineastas mais tarimbados do cinema americano atual. Foi na cerimônia do Oscar de 2012, em que concorria pela direção de A invenção de Hugo Cabret, que Martin Scorsese convidou o ator para fazer O lobo de Wall Street, seu próximo projeto com Leonardo DiCaprio. Sem se dar conta, Hill se veria no eixo central de uma disputa informal por seu passe entre Scorsese e Quentin Tarantino, que já o havia convidado para Django livre (2012). Acontece que a participação de Hill neste segundo filme teve que ser reduzida em virtude dos constantes atrasos no cronograma de filmagens.
“Eu gostaria de agradecer principalmente a Jonah, que é um gênio da interpretação”, disse Leonardo DiCaprio na sala de imprensa do Bevely Hilton Hotel pouco depois de ter ganho o Globo de Ouro de melhor ator em comédia e musical por O lobo de Wall Street.
Hill ainda ganha pontos por saber rir de si mesmo como poucos atores em franca ascensão sabem. É o fim espanta a sisudez com humor negro e cinismo que ganham relevo se comparados a sua insana, histriônica e totalmente devoradora atuação em O lobo de Wall Street. Hill consegue a proeza de eclipsar DiCaprio em seu auge em alguns momentos. E ele não é bonito e nem tem um personagem tão cativante como o do colega de cena.
Entre os próximos projetos do ator estão algumas animações, um drama e a continuação de Anjos da lei. Seu talento, no entanto, principalmente depois deste filme, jamais submergirá novamente. Há um novo lobo na meca do cinema e, ao que tudo indica, ele está faminto.

Jonah Hill, voraz em cena de O lobo de Wall Street: com apetite de ator graúdo...

Update: Jonah Hill chocou o mundo novamente na última quinta-feira ao ser indicado novamente ao Oscar, dessa vez por sua atuação em O lobo de Wall Street. Houve quem se indignasse na internet. Um tuíte cravou: "Jonah Hill tem mais indicações ao Oscar do que Gary Oldman. Viva com isso". Tuiteiros precisam prestar mais atenção em Hill.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Oscar Watch 2014 - Bale Feelings


É cedo para dar um segundo Oscar para Christian Bale? Alguns analistas da indústria deslumbrados com sua atuação em Trapaça conjecturam a respeito desse dilema. Neste momento, Bale é um dos cotados para indicação ao Oscar, mas não é certeza na categoria que vê como favoritos Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club) e Chiwetel Ejiofor (12 anos de escravidão). No entanto, Bale pode se beneficiar do buzz favorável ao filme de David O. Russell que tem surgido nas últimas semanas.
Ator de talento invejável e que desde o Oscar conquistado em 2011 por O vencedor, seu primeiro trabalho com Russell, conseguiu reverter a percepção relativamente negativa que rondava sua persona, Bale faz um tipo mais complexo neste filme. Ele vive Irving Rosenfeld, um vigarista que se vê obrigado a colaborar com um agente do FBI (Bradley Cooper) em um caso que envolve a máfia. “O personagem é suculento e Bale o domina em todas as suas cavidades”, anotou o New York Times em sua crítica para o filme. Christian Bale foi indicado ao Globo de Ouro de melhor ator em comédia e musical e também para melhor ator no Critic´s Choice Awards, uma pista nada desprezível de que a indicação ao Oscar é uma possibilidade bastante palpável. A vitória é outra história. No entanto, a academia abriu precedente de premiar atores premiados recentemente nesta categoria. Daniel Day Lewis ganhou ano passado por Lincoln depois de prevalecer em 2008 por Sangue negro. Sean Penn ganhou em 2009 por Milk- a voz da igualdade depois de ter vencido em 2004 por Sobre meninos e lobos. Bale, no entanto, está longe de ostentar o prestígio histórico desse par de atores e ganhou seu primeiro Oscar há três anos (não cinco) e na categoria de coadjuvante.
Christian Bale não tem mais nada para provar para ninguém e, já há alguns anos, vem fazendo escolhas interessantes na confecção de sua carreira. É inegável que a colaboração com Russell, assim como foi com Nolan, lapida uma percepção renovada sobre o ator. Bale está diante da possibilidade de repetir figuras como Hillary Swank e Christopher Waltz que são os únicos na história recente do Oscar a ganhar o prêmio nas duas nomeações que receberam. Tal como Waltz, Bale pode fazê-lo sob as ordens do mesmo diretor e não há nenhuma trapaça nisso.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - os melhores do ano

Os cinco melhores trabalhos de direção do ano

Paul Thomas Anderson (O mestre)


David O. Russell (O lado bom da vida)


François Ozon (Dentro da casa)


Michel Franco (Depois de Lúcia)


Abdellatif Kechiche (Azul é a cor mais quente)


Os cinco melhores roteiros do ano
Blue Jasmine 
Por Woody Allen
Dentro da casa
Por François Ozon
Killer Joe – matador de aluguel
Por Tracy Letts
O mestre
Por Paul Thomas Anderson
À procura do amor
Por Nicole Holofcner

As cinco melhores atuações masculinas do ano

Matthew McConaughey (Killer Joe – matador de aluguel)


Bradley Cooper (O lado bom da vida)


Irandhir Santos (Tatuagem)


Mads Mikkelsen (A caça)


Joaquin Phoenix (O mestre)


As cinco melhores atuações femininas do ano

Jennifer Lawrence (O lado bom da vida)


Cate Blanchett (Blue Jasmine)


Adèle Exarchopoulos (Azul é a cor mais quente)


Emmanuelle Riva (Amor)

Alessandra Negrini (O abismo prateado)

As cinco melhores trilhas sonoras
O lado bom da vida
Por Danny Elfman
Lincoln
Por John Williams
Rush – no limite da emoção
Por Hans Zimmer
O mordomo da Casa Branca
Por Rodrigo Leão
Django livre
Por Luis Bacalov, Robb Boyd e Mary Ramos

As cinco melhores direções de fotografia
O mestre
Por Mihai Malaimare Jr.
Os suspeitos
Por Roger Deakins
Gravidade
Por Emmanuel Lubezki
Azul é a cor mais quente
Por Sofian El Fani
Mama
Por Antonio Riestra

As cinco melhores edições
Rush – no limite da emoção
Daniel P. Henley e Mike Hill
O mestre
Por Leslie Jones e Peter McNulty
Gravidade
Por Alfonso Cuarón
Os miseráveis
Por Chris Dickens e Melanie Oliver
Invocação do mal
Por Kirk M. Morri

As cinco melhores atuações coadjuvantes femininas


Tracy Middendorf (Flores raras)

Léa Seydoux (Azul é a cor mais quente)

Gina Gershon (Killer Joe – matador de aluguel)

Helen Hunt (As sessões)

Anne Hathaway (Os miseráveis)


As cinco melhores atuações coadjuvantes masculinas

Phillip Seymour Hoffman (O mestre)

Leonardo DiCaprio (Django livre)

Tom Hiddleston (Amor profundo & Thor – o mundo sombrio)

Jake Gyllenhaal (Os suspeitos)

Barkhad Abdi (Capitão Phillips)

Os cinco melhores elencos do ano

Álbum de família

O lado bom da vida

Os suspeitos

César deve morrer

Killer Joe - matador de aluguel

Os dez filmes em ordem alfabética que não entraram no TOP 10 dos melhores filmes do ano:

César deve morrer (Cesare deve morire ITA 2012)
Guerra mundial Z (World War Z, EUA 2013), de Marc Forster
Gravidade (Gravity, EUA 2013), de Alfonso Cuarón
Invocação do mal (The conjuring, EUA 2013), de James Wan
Jovem e bela (Jeune & Jolie, França 2013), de François Ozon
Mama (Mama, EUA/ARG 2013), de Andres Muschietti
O abismo prateado (Brasil 2012), de Karin Aïnouz
O grande Gatsby (The great Gatsby, EUA 2013), de Baz Luhrmann
O voo (Flight, EUA 2012), de Robert Zemeckis
Os suspeitos (Prisoners, EUA 2013), de Denis Villeneuve

Na noite desta segunda-feira (30) será publicada a última postagem do blog em 2013, justamente a lista dos dez melhores filmes lançados comercialmente em 2013 no Brasil.