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terça-feira, 19 de julho de 2011

Claquete repercute - Avatar


Talvez seja cedo para Avatar figurar nessa seção. Não se passaram nem mesmo dois anos que o épico adornado e idealizado por James Cameron arrebatou público e grande parte da crítica nos cinemas. A produção que levou quase uma década para ser produzida e que arrecadou U$ 2,8 bilhões nas bilheterias, no entanto, já teve um relançamento nos cinemas e desencadeou uma espécie de corrida à lua (no caso o 3D) entre os estúdios de cinema. Avatar também possibilitou um crescimento do ganho real de Hollywood com a venda direta de tickets e recuperou os bons tempos em que famílias iam ao cinema para prestigiar um filme de aventura com forte identidade narrativa e moral conectada com seu tempo. É o caso da cria mais preciosa de James Cameron, o homem por trás de Titanic e O exterminador do futuro.
Avatar, porém, não rendeu a glória dos Oscars que Cameron tanto projetava. Indicado a nove prêmios da academia, incluindo filme e direção, a fita foi derrotada por Guerra ao terror – dirigido pela ex-mulher de Cameron, Kathryn Bigelow. Uma derrota clamorosa de qualquer ângulo que se observe.
Mais doída porque analistas apostavam na consagração de Avatar, um filme que adornava a indústria do cinema com toda a sua ostentação. Avatar era colossal do ponto de vista da produção, do marketing e da penetração. Desde o dialeto Na´vi criado por linguistas para o filme, passando pela fauna cuidadosamente elaborada por uma equipe supervisionada pelo próprio Cameron e por uma campanha de marketing que torrou milhões na produção de especiais de tv e em viagens promocionais como a que Cameron fez à Amazônia com o filme ainda nos cinemas. Avatar, apesar de azul, era verde. A consciência ecológica do filme casava com a moda da sustentabilidade tão em voga em multinacionais e em condomínios à beiramar.
Os críticos de Avatar enxergavam na releitura da história de Pocahontas, um oportunismo atroz disfarçado pela inegável inovação tecnológica apresentada pelo cineasta. Até mesmo essa inovação se provou de menor impacto do que o avassalador marketing prometia. Mas Avatar era um filme movido por uma indústria que precisava de um filme com essas características para continuar em movimento. É o que genial Christopher Nolan provou em dois de seus melhores filmes (O grande truque e A origem) ser uma “ilusão” ou uma “ideia”, para quem se prende em conceitos.
Toda essa engenharia prescinde dos Oscars que não vieram. Eles afagariam o ego inflado de Cameron que, no final das contas, saiu consagrado mesmo sem os prêmios - quebrar o próprio recorde de bilheteria é mais vistoso do ponto de vista da indústria.
O filme propriamente dito não faz jus à bilheteria esmagadora. Embora a trajetória de Jake Sully (o australiano Sam Worthington) seja bem delineada e muito bonita. Deficiente físico, o rapaz é apresentado à oportunidade de andar através de seu avatar em um planeta nocivo ao homem: Pandora. Lá, a velha história dos colonizadores contra os bons selvagens será recontada com o devido adendo de uma história de amor. Muito se falou da boa atuação de Zoe Saldana que dá voz e movimentos a Neytiri , a Na´vi que se apaixona pelo humano que se finge Na´vi. Avatar é essencialmente idílico na sua capacidade de dialogar com o espectador e mesmerá-lo com um conto de genuína excitação romântica. É impossível manter-se inerte quando o herói assume seu destino (e o seu lado) em uma batalha que antagoniza mais do que visões de mundo, ativos como honra, amor, solidariedade e humanidade.

Concebendo Pandora: James Cameron à frente do fundo verde responsável pelo azul dos Na´vi de Avatar


James Cameron gostar de exaltar seu filme como anti-bélico. Na verdade não o é. É uma demonstração eloquente do poderio americano. Seja no campo do soft power (influência cultural) ou no hard power (militarismo). Os Na´vi não seriam capazes de subjugar o ataque humano sem a presença do americano Jake Sully. Um americano renegado, aleijado e disposto a abraçar uma nova vida (nova identidade), mas ainda assim um americano. Portanto, a pecha de antiamericano (acreditem, levantaram essa bola por aí) não cabe à Avatar.
Como não cabiam os Oscars. Avatar é a mais perfeita tradução do gigantismo de Hollywood. É cinema em sua magia mais rarefeita. Deve ser louvado por isso. Os aparentemente inatingíveis U$ 2,8 bilhões que arrecadou nas bilheterias o habilitam a referência em termos de negócio e entretenimento, mas não lhe outorgam a classificação de excelente enquanto cinema. O filme é, para fechar com indisfarçável figura de linguagem, um avatar de uma Hollywood conquistadora.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Em off

The ides of march

George Clooney voltará à direção, pela quarta vez, para rodar uma história essencialmente política e humana. Baseado na peça de autoria de Beau Willimon, o filme mostra os bastidores de uma campanha democrata a presidência dos Estados Unidos. O elenco de peso terá Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei, Ryan Gosling, Chris Pine, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood e o próprio Clooney em um papel coadjuvante.
A trama é centrada na figura do diretor de comunicação da campanha do candidato vivido por Clooney. O papel é de Ryan Gosling. Paul Giamatti vive o senador que disputa a indicação democrata contra a trupe de Clooney e Gosling.
The ides of march, que neste momento está sendo gravado nos arredores de Detroit e Cincinnati, é a principal aposta da Sony (que perdeu o Oscar este ano depois de ter o favoritismo com A rede social) para o Oscar 2012.
A expectativa pela nova incursão de Clooney na direção é grande. Após deixar excelentes impressões com Boa noite e boa sorte (2005), que concorreu aos Oscars de filme e direção, Clooney decepcionou com a regular comédia O amor não tem regras.
The ides of March tem data marcada para estrear nos cinemas americanos: 14 de outubro.

Ryan Gosling se prepara para rodar uma cena


George Clooney orienta a equipe de filmagens em Cincinnati na última terça-feira, 8 de março


Ainda o Oscar 1
Não é exatamente uma unanimidade, mas fora a crítica e cinéfilos mais exaltados, muita gente gostou da premiação de O discurso do rei. Mas isso já foi discutido aqui em Claquete no texto "O saldo da temporada de premiações". Mas e a opinião do leitor do blog? Três enquetes promovidas na semana seguinte à realização do Oscar tinham como objetivo aferir o humor do leitor em relação a 83ª cerimônia da premiação. Diferentemente da opinião da crítica, inclusive do blog, prevaleceu a percepção de que a cerimônia foi divertida. Houve quem discordasse, mas foi minoria. Já sobre o grande momento da festa, vislumbrou-se um empate técnico entre o discurso de agradecimento de Natalie Portman, premiada como atriz por Cisne negro, e a participação inesperada de Kirk Douglas. Uníssona, ou quase, foi a escolha da maior injustiça da noite. A premiação de O discurso do rei como melhor filme de 2010.



Ainda o Oscar 2
Pode parecer repetitivo, mas também foi aventado em Claquete (na coluna Cenas de cinema publicada no dia seguinte aos prêmios da academia e no texto citado no tópico anterior) que o Oscar saiu da atual temporada por baixo e, inadvertidamente, elevou o status da HFPA (organização que distribui o Globo de ouro) em uma revisão histórica. Essa semana, a jornalista Ana Maria Bahiana, que faz parte da HFPA, e mantém um blog no portal UOL, publicou um artigo repercutindo essas noções do ponto de vista de quem faz parte da associação que rivaliza em importância com o Oscar.
No pontual texto, em que afirma que a academia tem muito a aprender com a Unidos da Tijuca, cujo enredo no carnaval 2011 reverenciou filmes de imenso apelo popular, a jornalista destaca que é do Oscar esquivar-se de reconhecer os grandes filmes da história. Para ler o texto completo, clique aqui.



Grupo heterogêneo
Há dois dias foi anunciado que o novo filme de Guillermo Del Toro, At the mountains of darkness, teria Tom Cruise como protagonista. O projeto, o qual o cineasta está vinculado a mais de oito meses, terá produção de outro titã do entretenimento, James Cameron. A trinca, porém, irá esperar um pouco mais para colaborar. A Universal, estúdio responsável pela produção, adiou o projeto sob o argumento de que uma produção de U$ 150 milhões para um público maior de 18 anos é economicamente inviável. A posição do estúdio é compreensível. Del Toro deve dedicar-se em um primeiro momento a outro projeto pessoal, Pacific Rim, um filme de monstro. Enquanto isso, Tom Cruise e James Cameron devem se engajar na viabilização da fita, mesmo que um corte orçamentário seja necessário. Não está descartada a troca de núcleo criativo. Mas o potencial comercial e qualitativo de uma trio desses não deve, pelo menos em teoria, ser descartado.



As peripécias de Charlie Sheen

E quem não ouviu, não fez piada e não se indignou com as últimas de Charlie Sheen? Considerado um dos atores mais promissores a surgir nos anos 80, Sheen, após sucumbir ao álcool e às drogas, conseguiu uma improvável reviravolta positiva no inicio dos anos 2000. O casamento com Denise Richards trouxe boas energias e logo a série Two and a half men se tornou a de maior sucesso na TV americana, inflando os vencimentos de Sheen ao ponto dele se tornar o maior salário da TV americana atual. Uma bela história. Mas Sheen teima em acrescer capítulos sombrios a ela. Na contramão de gente como Robert Downey Jr, por exemplo. Depois de um truculento divórcio, veio outro. Entremeados por escândalos e primeiras páginas em tablóides sensacionalistas com olhos esbugalhados, pouca roupa e nenhuma vergonha. Também teve prisão em natal, cachês exorbitantes pela companhia de atrizes pornôs e declarações infelizes.
Na última semana, o recorde impressionante de 1 milhão de seguidores no twitter em 24 horas (que vai lhe valer uma segunda menção no guinness book) foi eclipsado pela notícia de que foi demitido de Two and a Half men. O show de Charlie Sheen, ao que tudo indica, ainda não tem data para acabar.

Charlie Sheen e uma das atrizes pornôs que faz parte de sua escolta particular na primeira foto postada pelo ator após ter aderido o twitter



Fotos: divulgação e arquivo pessoal de Charlie Sheen

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Claquete destaca

+ Não são só os produtores e estúdios americanos que têm fome de dinheiro e lucro nas bilheterias. No Brasil isso também ocorre. É lógico que em dimensão menores, já que o sistema de captação de recursos e produção do audiovisual no país ainda está na idade média. Contudo, com o sucesso de Tropa de elite 2, produzido às margens desse sistema (ou seja, uma produção independente), alguns produtores associados se animaram com a potencial franquia e já planejam um terceiro filme.


+ Empresários ligados a Riachuelo, Ambev e Claro já tentam dissuadir José Padilha da ideia de encerrar os trabalhos de Nascimento (Wagner Moura) no segundo filme. Como o negócio é fazer dinheiro, a ideia é lançar a terceira “aventura” de Nascimento em 3D.


+ Em enquete promovida pelo blog, o empate prevaleceu. 40% dos leitores acham que o novo Tropa de elite é superior ao primeiro, enquanto que 40% acha que o primeiro filme estrelado por Nascimento é o melhor. Os outros 20 % creem que os dois filmes têm o mesmo nível.



+ E James Cameron não quer mais saber de celibato. Responsável pela produção do remake de Viagem fantástica, Cameron deve anunciar nos próximos dias o francês Louis Leterrier como o diretor da empreitada. A pré-produção deve começar nos primeiros meses de 2011.


+ Leterrier tem sido uma escolha frequente para projetos de grandes orçamentos. Depois de O incrível Hulk (2008), uma espécie de remake, ele esteve a frente de outro remake, Fúria de titãs (2010). Em ambos foi mal sucedido nas bilheterias e na repercussão junto a crítica. Resta saber como será agora com um perfeccionista e egocêntrico produtor no seu encalço.

Leterrier orienta Sam Worthington nos sets de Fúria de Titãs: mais um remake na conta...


+ A Warner e Christopher Nolan estão em meio à outra polêmica. Depois do conflito acerca do uso do 3D no terceiro filme do Batman (disputa vencida pelo diretor, já que o novo filme do morcego não terá a tecnologia), estúdio e diretor brigam por causa de um dos maiores sucessos do cinema em 2010. A Warner quer A origem 2 e Nolan não aceita fazer. Boatos dão conta de que caso o estúdio não consiga persuadir Nolan, contrataria outro diretor para assumir o projeto.


+ A pendenga mostra como os estúdios em nome dos dólares minam a criatividade de seus talentos mais preciosos. Nolan e Warner estabeleceram uma boa relação desde Insônia (2002) que em 2010 tem sido arranhada por esses episódios. Esse conjunto de fatores faz temer pela qualidade do novo filme do Batman e pelo futuro dessa relação no cinema.


+ O diretor Francis Ford Coppola já tem seu próximo projeto definido. Trata-se de Twixt now sunrise, filme cujo roteiro é de autoria do próprio Coppola. Val Kilmer e Elle Fanning (que rodou Somewhere com a filha de Coppola, Sofia) estão no elenco. O filme é sobre o encontro de um homem com o diabo.

+ Foram liberadas novas imagens de Entrando numa fria maior ainda com a família, terceira aventura da família Focker no cinema. O filme estréia no natal nos EUA e deve estrear no Brasil no último dia de 2010. De Niro estampa um dos novos cartazes. Confira!

domingo, 24 de outubro de 2010

De olho no futuro...

Seleção de responsa!

A 34ª Mostra internacional de cinema de São Paulo já está acontecendo e deixando milhares de cinéfilos correndo para cá e para lá para aproveitar o melhor da cinematografia mundial exibida em duas semanas na cidade. Muitos destes filmes, como se sabe, não chegam a ter distribuição comercial no país. Felizmente, cada vez mais, uma fatia maior (embora ainda insatisfatória) de filmes exibidos na Mostra chegam ao nosso circuito.
Alguns filmes que prometem ser sensação na edição deste ano já tem data para chegar aos nossos cinemas. Atração perigosa, de Ben Affleck é o primeiro deles. Chega já na próxima sexta. Outra elogiada fita americana, Minhas mães e meu pai, chega no dia 12 de novembro. Também em novembro estréiam o novo Woody Allen (Você vai conhecer o homem dos seus sonhos) e Lope, co-produção entre Espanha e Brasil dirigida por Andrucha Waddington. Programados para dezembro estão Film socialisme, de Jean-Luc Godard, O garoto de Liverpool, de Sam Taylor-Wood e Turnê, de Mathieu Amalric.


Premiado em Cannes como diretor, Amalric e seu Turnê são opções cults para o cinéfilo paulistano na Mostra de cinema


De volta a Pandora

No calor do relançamento de Avatar nos cinemas brasileiros (o que? Você não sabia?), James Cameron anda falando de sua cria mais abastada. O diretor anunciou que filmará duas sequências do filme simultaneamente. Avatar 2 e 3, portanto, serão concebidos juntos. O segundo filme, que se chamará Na´vi, em referência aos habitantes de Pandora, deve ser lançado em 2014 e o terceiro no ano seguinte.
Cameron deixou claro que não pretende passar um longo tempo sem dirigir. Antes de voltar a Pandora, porém, o diretor está envolvido em dois projetos (a adaptação do anime Battle Angel e At the mountain of madness) que já estão em pré-produção. Cameron também está em negociações para dirigir o épico Cleópatra: a life.


A rota de Dhalia

O diretor brasileiro Heitor Dhalia precisa de um tempo para pensar. Conforme já anunciado previamente em Claquete, o diretor está ligado aos projetos April 23 (produção anglo-americana) e Serra Pelada (nas palavras do próprio Dhalia um épico nacional que será estrelado por Wagner Moura). Na última semana surgiu a notícia de que Dhalia está em negociações para dirigir If I stay, baseado na obra de Gayle Forman. Para o filme acontecer é necessário que os produtores fechem com a estrela Dakota Fanning que estaria interessada no projeto. Dhalia foi (e é) a primeira opção dos produtores que ficaram impressionados com seu último filme, À deriva.

 
A igreja e a polêmica
 
Enquanto no Brasil a propaganda eleitoral se pauta pela questão do aborto, o cinema americano investe no portoseguro do terror, isto é, exorcismo. Só que agora com a benção do vaticano. Em The rite, Anthony Hopkins é um padre que resolve excrutinar o ritual. E para não dizer que a relação com o Brasil foi forçada, há sangue brasileiro na fita. Alice Braga faz uma coadjuvante e aparece no trailer que Claquete traz para você.
 




Holofote

É duro ser Angelina: Jolie terá uma dor de cabeça a mais quando começar a rodar seu filme na Bósnia


Angelina Jolie não lançou nenhum filme este mês, mas de alguma maneira tornou-se uma das protagonistas do noticiário de cinema no período. Enquanto se prepara para viver Cleópatra no cinema, um papel que admitiu em entrevista a um programa matinal americano estar “muito ansiosa e honrada”, aguarda a definição do diretor pela Sony Pictures (estúdio que produzirá e distribuirá o longa). Enquanto aguarda o universo se alinhar para a história de Cleópatra ganhar os cinemas novamente, ela se engaja em sua estréia como diretora. O projeto, ainda sem nome, contará a história de amor entre uma bósnia e um sérvio em plena guerra da Bósnia. Depois de anunciar no fim de setembro os protagonistas de seu drama (a atriz bósnia Zana Marjanovic e o ator croata Rade Serbedzija) e de começar a visitar algumas locações no leste europeu, a atriz se viu envolvida em um incidente diplomático. O ministério da cultura bósnio revogou a autorização de Angelina para rodar cenas de seu filme no país. A atitude foi motivada por protestos de entidades civis que não aceitavam o mote do filme. Angelina declarou à imprensa que seu filme se trataria de uma história de amor, não política e se disponibilizou para prestar esclarecimentos a quem quer que fosse. Não foi necessário. Na última semana o ministério bósnio voltou atrás e concedeu, novamente, autorização para Angelina gravar no país. Apesar da boa nova, as mesmas entidades civis que conseguiram a primeira proibição asseguraram que continuaram protestando e que protestarão durante a estadia de Angelina no país. De acordo com uma dessas entidades, “Mulheres bósnias vitimas da guerra”, Angelina não tem condições para entender o que passou uma mulher bósnia na guerra e que é inconcebível que uma bósnia estuprada por um soldado sérvio se apaixone pelo mesmo (como ocorre no argumento do filme de Angelina).

Primeira mão



Foi divulgado o poster de Conviction, mais um drama baseado em história real estrelado por Hillary Swank. Já existe Oscar buzz para ela e seu parceiro de cena, Sam Rockwell. O filme ainda não tem previsão de estréia no Brasil



Viggo Mortensen e Keira Knightley em cena de A dangerous method, novo filme de David Cronenberg que está cotado para ter premiere mundial no próximo festival de Cannes


Jason Stathan e Robert De Niro dividem a cena em The killer elite, filme que ainda está em fase de filmagens

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Claquete destaca

+ O governo da Bósnia proibiu Angelina Jolie de rodar cenas de seu filme no país. A proibição foi resultado de um protesto de algumas associações civis a um dos motes da história que dá conta de uma mulher bósnia que se apaixona por um soldado sérvio que a violentara anteriormente. Angelina alegou tratar-se de um romance e não de um filme político e se disponibilizou para prestar esclarecimentos a quem julgar necessário.


+ Ontem o ministro da cultura da Bósnia revogou o cancelamento da permissão para Angelina filmar no país. O que quer dizer que a atriz está, novamente, autorizada a rodar cenas de seu primeiro filme como diretora na Bósnia. A expectativa é de uma agenda de filmagens conturbada naquele país, já que há desacordos entre várias entidades civis e alguns representantes políticos com relação ao caso. Mais sobre esse imbróglio na seção De olho no futuro deste domingo.


+ Está confirmado. Darren Aronofsky é o diretor de X-men origens: Wolverine 2. O diretor agendou o início das filmagens para março de 2011 em Nova Iorque. Logo depois do término da temporada de premiações da qual Aronofsky espera fazer parte com seu Cisne negro.


+ As filmagens de Missão impossível 4 seguem a todo vapor. O site Comingsoon.net divulgou novas imagens da produção prevista para o natal de 2011. Nelas podemos ver os atores Tom Cruise e Jeremy Renner contracenando e o galã de Lost Josh Holloway tentando manter a aparência calma nos sets de filmagem.


+ Surgiram rumores de que a Sony estaria atrás de James Cameron para rodar o filme baseado no livro Cleópatra: a life que será estrelado por Angelina Jolie. James Cameron, em entrevista ao jornal New York Times,  confirmou o contato e segundo o site Deadline Hollywood as negociações já estariam avançadas. Contudo, pesa contra a possibilidade o fato de Cameron ter pelo menos três projetos engatilhados para os próximos anos.


+ A Marvel e a Disney anunciaram o lançamento de Homem de ferro 3 para maio de 2013. Foi anunciado também que a Disney pagará a multa rescisória de U$ 115 milhões para a Paramount pelos direitos de distribuição do filme Os vingadores em 2012. O filme do supergrupo da Marvel seria o último sob distribuição da Paramount pelo acordo travado na ocasião da aquisição da Marvel pela Disney. Dessa maneira, Thor e Capitão América: o primeiro vingador, ambos com lançamento em 2011, serão os últimos filmes da Marvel distribuídos pela Paramount.

sábado, 10 de julho de 2010

Claquete destaca

* Os cineastas Ridley Scott e Kevin McDonald estão à frente de um projeto inovador. Life in a Day, será um documentário rodado a partir da colaboração de usuários do Youtube. Os vídeos que devem ser recolhidos no próximo dia 24, serão editados por McDonald, cujos últimos trabalhos foram Intrigas de estado, O último rei da Escócia e o documentário Um dia em setembro.
O filme estreará no próximo festival de Sundance e, de acordo com Scott, depois será disponibilizado no Youtube. Ainda não se sabe o impacto que um projeto tão experimental e colaborativo como esse possa ter no âmago do cinema, mas a princípio é apenas uma bem sacada idéia de marketing.


*Kathryn Bigelow, vencedora do Oscar de direção por Guerra ao terror, e Michael Moore, vencedor do Oscar pelo documentário Tiros em Columbine, entraram esta semana para o conselho da academia de artes e ciências cinematográficas de Hollywood. Este conselho, composto por 15 membros rotatórios, é responsável por decisões técnicas e administrativas envolvendo a academia.


*Estréia amanhã na HBO, às 23h, a segunda temporada da elogiada série Hung. Tomas Jane vive Ray, um legítimo americano afetado pela devastadora crise econômica de setembro de 2008. Ray e sua amiga Tonya decidem explorar os dotes naturais de Ray, que é um cara bem dotado. Humor negro, sexo e inteligentes comentários sobre essa nossa sociedade tão hipócrita e infeliz. Uma série audaciosa e dentro do espírito de seu tempo.
E se o assunto é sexo e audácia, não pode faltar Hank Moody, o escritor pervertido e frustrado que David Duchovny vive na série Californication. A terceira temporadas estréia nesta segunda-feira (12) às 23h na Warner Channel. As reprises ocorrerão um dia depois, na terça-feira. Nessa temporada, Hank Moody irá experimentar a vida acadêmica. Com todos os prazeres e desprazeres inerentes. Além de lidar com a puberdade de Becca, sua prodigiosa filha.


*Foram anunciados nesta semana os concorrentes ao Emmy, o Oscar da TV americana. A série Glee, com 19 indicações, lidera a corrida entre as séries. No geral, a minissérie da HBO The pacific angariou 24 indicações. Outra elogiada produção da HBO, You don´t know Jack, telefilme que conta com elogiada atuação de Al Pacino, também foi bem contemplada.
Entre as melhores séries dramáticas estão True Blood (pela primeira vez), Dexter (pelo terceiro ano seguido), Lost (pela última vez) e as favoritas da premiação Mad Men (alguém duvida que ganhe de novo?), House (ours concours) e Breaking Bad.
A cerimônia do Emmy acontece no dia 29 de agosto e antes disso, a seção Insight irá repercutir os indicados para o leitor.


Os favoritos de sempre: a trupe de Mad men pronta para o ouro mais uma vez

E os novos favoritos: quase todo o elenco de Modern family foi indicado
* James Cameron continua rindo à toa. Foi divulgado esta semana que o diretor e criador de Avatar faturou sozinho algo em torno de U$ 350 milhões com o filme dos habitantes do planeta de Pandora. Um recorde até mesmo para os padrões Cameron de qualidade.

*Além do Especial sobre o filme Encontro explosivo que já está sendo editado aqui em Claquete, outro filme que brinca com espionagem receberá um especial do blog este mês. Trata-se de Salt, filme protagonizado por Angelina Jolie e dirigido por Phillip Noyce. Para esquentar, fique com um comercial de TV da produção.


domingo, 13 de junho de 2010

Ponto crítico - O 3D

Ponto Crítico destaca esse mês uma discussão que vem povoando a mente cinéfila nos últimos meses. Desde o final de 2008, o 3D dava sinais de que era uma aposta dos estúdios de Hollywood para combater a pirataria. O que era tomado como um mecanismo de defesa antigo (o primeiro grande frisson acerca do 3D data dos anos 60), ganhou status de nova ferramenta narrativa após James Cameron impressionar meio mundo (mas nem tanto quanto ele gostaria) com Avatar. A ficção cientifica que levou 8 anos para ser produzida e arrecadou U$ 2,7 bilhões de dólares nas bilheterias do mundo todo, atiçou a ganância de executivos dos principais estúdios de cinema. Avatar e suas cópias em 3D são responsáveis por 50% do faturamento de cinema nos últimos 6 meses. Um dado que com toda a justiça causa euforia nos entusiastas da tecnologia. Há quem acredite que o 3D será um bote salva vidas para um negócio ao relento como o cinema, cujos prejuízos causados pela pirataria aumentam ano após ano. Há quem diga também que esse não é o caso. Que o 3D é uma ferramenta narrativa valiosa que ainda precisa ser plenamente compreendida por diretores e roteiristas. “Nem todos são James Cameron”, constatou o óbvio o amigo e também entusiasta do 3D Robert Zemeckis em entrevista recente.

James Cameron, o midas do 3D: ele transformou o apelo da tecnologia para os próximos anos


Cartaz promocional de Toy Story 3, que estréia esta semana nos EUA: Por que não em 3D?

Cristiane Costa, editora do blog Madame Lumière, acrescenta um dado a essa engenhosa equação. “Para quem ama cinema como um espectador, é compensador perceber que há um interesse da indústria em tornar a experiência cinematográfica mais vívida, mais evocativamente sensorial como um híbrido momento de realidade e fantasia, independente de propósitos comerciais. Por outro lado, como crítica de cinema, penso que o 3D tem sido usado de forma exagerada sem prezar pela qualidade da tecnologia para um dado filme, e principalmente, sem avaliar criteriosamente se um longa-metragem deve ou não ser rodado em 3D”. Cristiane se refere a corrida ensandecida que alguns estúdios tem se lançado para converterem filmes rodados no tradicional 2D para a terceira dimensão. A Warner é o caso mais excepcional. O estúdio adiou o lançamento de Fúria de Titãs em quase um mês para que as cópias fossem convertidas para o 3D. Os dois últimos capítulos da saga de Harry Potter também estão sendo convertidos para o formato tridimensional. A Disney foi outra que enveredou pelo mesmo caminho. Os ingressos do 3D ajudaram a tornar Alice no país das maravilhas o quinto filme a superar a barreira do bilhão de dólares nas bilheterias mundiais. Alex Gonçalves, do blog Cine Resenhas, gostou do que viu em Alice no país das maravilhas. Para ele, o filme de Tim Burton “encontra vida dentro do 3D”. Mas Alex Gonçalves faz uma valiosa ressalva: “ há diretores como James Cameron que estudam possibilidades de revolucionar o cinema 3D como testemunhado em Avatar. O problema se encontra na abertura dada para que estúdios se deem ao trabalho de somente converter aquilo que foi filmado com uma estratégia de lançamento diferente. É preciso saber fazer com que as ações vistas na tela grande consigam encontrar interatividade com aqueles que as contemplam em suas poltronas.”


Os ingressos em 3D ajudaram a Disney a arrecadar mais de U$ 1 bulhão nas bilheterias com o filme de Tim Burton


A editora do Madame Lumière, por sua vez, não aprovou o que viu em Fúria de Titãs. “Havia erros bizarros de perspectivas de imagens que se tornaram confusas na tela, ou seja, foi como assistir um filme retalhado às pressas para ser exibido em 3 D”. Cristiane continua: “A sensação é que fui enganada por um produto que não se dispõe a entregar o que deveria”.
Outra preocupação latente originada pela popularização do 3D (a cidade de São Paulo que há três anos tinha 10 salas habilitadas para exibir filmes no formato, hoje já conta com 35) é a homogeneização da produção cinematográfica americana. Setores da crítica argumentam que o 3D pode prejudicar severamente a produção independente americana, já que seria mais difícil os estúdios distribuírem ou comprarem esses filmes com a procura pelo 3D em ebulição. A editora do Madame Lumière não acredita nessa possibilidade. “Não acho que o 3 D possa prejudicar produções independentes porque o cinema é um calidoscópio de imagens que podem ser enfocadas e dirigidas de formas distintas exatamente para não alienar o expectador da sétima Arte. Há lugar para todos e o papel do cinema não é somente entreter mas também formar opinião crítica”. Para Cristiane Costa depende dos profissionais de cinema (diretores e equipes de produção) a articulação de soluções criativas para que a produção americana não fique engessada pelo deslumbre com o 3D.


Chris Nolan orienta Aaron Eckhart nos sets de Batman - o cavaleiro das trevas: o diretor bateu o pé com a Warner e garantiu que o terceiro filme do homem morcego sob seu comando não será em 3D


E quanto a salvação do cinema? O 3D é o caminho? Os blogueiros consultados por Claquete diferem em suas opiniões. “Honestamente penso que o Cinema não precisa ser salvo, muito menos pelo 3 D. O Cinema está além de artefatos meramente técnicos e é evidente perceber que os grandes blockbusters das últimas temporadas renderam o retorno financeiro sem apelar somente para o 3 D. O 3 D é um produto e como todo produto lançado com fins também comerciais, ele é baseado em uma tendência de consumo”, declara com convicção Cristiane Costa. Já Alex Gonçalves pondera que as inovações tecnológicas são responsáveis pela prosperidade do cinema. “O cinema sempre confere inovações tecnológicas, que vão desde aparelhos para reprodução de mídias até o próprio cinema 3D. Porém, todos esses avanços possuem data de validade, como o VHS que foi superado pelo DVD e que agora encontrou no Blu-ray seu provável substituto. O que quero dizer é que enquanto os estúdios não forem capazes de se sobressaírem dentro deste recurso, e não encará-lo somente como forma de potencializar a venda de seu produto, o público logo se cansará de investir mais no valor do ingresso”. Para o editor do Cine Resenhas, dentro deste cenário, o 3D é uma salvação para o cinema, mesmo que por um período determinado.
Cristiane Costa encerra a discussão sobre o 3D com uma frase que talvez sintetize o pensamento de todo apaixonado por cinema: “O que faz um bom Cinema é muito mais criar um éden de emoções humanas através de histórias genuinamente coerentes, profundas e verdadeiras do que um éden de recursos tecnológicos”.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Cenas de cinema

Penn visita o Haiti
Militante notório, Sean Penn sempre foi esquerdista. Engajou-se contra a guerra do Iraque, ajudou pessoalmente na reconstrução de Nova Orleans, publica artigos regularmente relativizando as glórias do capitalismo e recentemente aderiu a causa gay. Ganhou até mesmo um Oscar por isso. Penn é hoje, muito provavelmente, a celebridade Hollywoodiana mais engajada em causas diversas e muitas das vezes conflitantes. A companhia dos irmãos Castro e do popularesco Hugo Chavez pouco acrescentam a sua cruzada em defesa dos direitos homossexuais, por exemplo. Contudo, é inegável o esmero de Penn em ajudar. Mesmo que as vezes de forma destrambelhada. Essa semana o ator esteve no Haiti em missão da ONU. É o tipo de coisa que mostra que ele pode ser genioso, pode achar que Fidel Castro é um patrimônio da humanidade e que Chavez é o melhor para Venezuela, mas que ainda assim, é um cara legal.



Penn conversa com um militar americano no Haiti: Convicções tão fortes quanto a vontade de ajudar

Foi apenas um sonho
A vida não traz finais felizes como nos contos de fadas. Se essa é uma das obsessões do cineasta Sam Mendes, agora ele terá mais conhecimento empírico para aplicar a seus filmes. O casamento de seis anos com a atriz Kate Winlet acabou. Informou um escritório de advocacia de Nova Iorque que cuida dos tramites legais. De acordo com o porta voz do escritório, “eles estão separados desde janeiro e a decisão foi inteiramente amigável”. É o tipo de declaração difícil de acreditar quando vinda de um porta voz de um escritório de advocacia.


Sam e Kate em uma foto da edição do Oscar de 2009 da Vanity Fair: especulações brotam de todo canto para entender o que deu errado


A empolgação de James Cameron
Ele ficou 12 anos sem lançar um filme e agora quer recuperar o tempo perdido. Empolgadíssimo com o frisson em torno de Avatar, e do 3D, Cameron desanda a anunciar projetos. Estão alinhados, as duas continuações de Avatar – a primeira inclusive intitulada de Na´vi - uma adaptação de um mangá japonês e o relançamento de Titanic em 3D. É isso mesmo Jack e Rose vão voltar em terceira dimensão. E nessa segunda afundada do Titanic, o 3D pode ir junto.

Alice & Jude
Alice Braga está com tudo. Atualmente apresentando o programa superbonita do GNT, a atriz está em duas aguardadas produções hollywoodianas desse 2010. Em Predators, reboot (recomeço de uma história) da saga que teve inicio em 1986 com o hoje governador da Califórnia, e em Repo men (no Brasil, Os coletores), que estréia neste fim de semana nos EUA. Ambos blockbusters de ficção científica. Em Repo men, ela divide a cena com Jude Law. Inclusive há uma cena de sexo. “Me deu um frio na barriga. É sempre difícil quando você trabalha com alguém que você admira”, resumiu a atriz sobre a cena em questão.

Depois do Oscar, o divórcio!
Sandra Bullock pode viver um momento muito especial em sua carreira, mas a vida pessoa poderia estar melhor. A atriz saiu essa semana da casa que divide com o marido, o bad boy e apresentador de TV Jesse James. A razão para a separação foi a descoberta da traição de James. Casados desde 2004, Sandra e James aparentavam harmonia. Ela, inclusive, fez efusivas declarações de amor e reconhecimento ao marido em seus discursos de agradecimento nas cerimônias do Oscar e do SAG. A revista In Toutch dessa semana traz em matéria de capa os detalhes da traição. Segundo apurou a revista, James teria um caso com uma “modelo erótica” há onze meses.

Depois da glória, a humilhação pública: E tem gente que ainda faz piada e diz que é uma "maldição" do Oscar


Feitos um para o outro
Há quem diga que Lady Gaga é o Tarantino da música pop. Uma referência a estética ousada de ambos e ao gosto excêntrico no tocante a concepção visual do trabalhos dos dois. Pois bem. Eis que circula na imprensa americana a notícia de que Tarantino já teria convidado
Gaga para estrelar um novo filme. No papel de uma assassina. Como assim? Lady Gaga em um filme de Tarantino? Como é que não tiveram essa idéia antes?


Lady Gaga faz miau: A nova musa de Tarantino?


Aquecimento Eclipse
Fãs de Crepúsculo podem ver seus astros prediletos no cinema e ir se aquecendo para o lançamento do terceiro filme da série. Idas e vindas do amor (que traz Taylor Lautner em um pequeno papel) está em cartaz, Lembranças (que traz Robert Pattinson como protagonista) estreou no fim de semana passado mundialmente e estréia neste final de semana, nos EUA, The runaways (filme que traz Kristen Stewart e Dakotta Fanning como protagonistas). É o aquecimento dos sonhos! Para fã nenhum botar defeito.

segunda-feira, 8 de março de 2010

OSCAR WATCH - Cenas de cinema especial: Oscar 2010

She did it!
Sandra Bullock registrou neste fim de semana que encerra a temporada de premiações de 2010, uma marca que não será batida e que dificilmente poderá ser igualada. Sandra venceu no sábado o “prêmio” frambroesa de ouro de pior atriz do ano por sua participação em Maluca paixão. No domingo, foi a vez de levar para casa o Oscar de melhor atriz por seu trabalho em Um sonho possível. Essa marca fenomenal e surreal é só de Sandra e ninguém tasca.


Um dia antes de ganhar o Oscar, a simpática Sandra foi receber seu framboesa de ouro de pior atriz do ano. Antes dela, apenas o diretor holandês Paul Verhoeven por Showgirls e atriz Halle Berry por Mulher gato compareceram a "temida" premiação


O que aconteceu com o “and the Oscar goes to”?
Entre as muitas mudanças dessa edição do Oscar, uma em especial deve ter chamado a atenção dos mais atentos. A parte Kate Winslet que cometeu a “gafe” de anunciar “and the Oscar goes to...”, todos as outras categorias foram precedidas pelo resgatado “the winner is”. Assim como os 10 filmes indicados na categoria principal, essa frase havia sido abandonada nos anos 40. A razão do abandono era de que todos os indicados eram vencedores. Uma falácia, como bem se sabe. Contudo, ser indicado é realmente uma distinção monumental, assim como o é saber que o Oscar está indo para você. Era uma frase icônica, ansiada, sonhada. “The winner is”, além de não ter charme e ostentação é comum e reduz a apoteose do momento da consagração. Nesse sentido, quem se deu bem foi Jeff Bridges, o único a ouvir a tão famosa e célebre frase em 2010.

A influência da critica comprovada
A consagração de Guerra ao terror na noite de 7 de março de 2010 mostra, mais do que qualquer outra coisa, que a critica continua a influenciar, e muito, os prêmios da academia. Isso, inclusive, é muito saudável. O triunfo do filme independente super festejado nos círculos da critica americana demonstra que o Oscar pode até ser um prêmio de indústria, mas que quer cada vez mais se livrar desse rótulo.

A moment of a lifetime
“O momento chegou”, afirmou sem cerimônias e com inegável prazer Barbra Streisand ao anunciar Kathryn Bigelow como a vencedora do Oscar de melhor direção do ano. Bigelow, extremamente emocionada, foi comedida no agradecimento e evitou hastear a bandeira que a própria academia levantou ao destacar Streisend para anunciar o prêmio. Agradeceu a equipe do filme, lembrou-se dos soldados americanos no Iraque e no Afeganistão e mais de uma vez repetiu a frase que marcou essa edição do Oscar e seu nome na história da premiação: “This is a moment of a lifetime”!

Kathryn, super emocionada, evitou o confronto direto com o ex, tão aludido pela mídia , e a principio não fez cena em cima de ser a primeira mulher premiada com o Oscar de direção. Um exercício de diplomacia
A categoria oficial das surpresas
E está virando tradição. Ser favorito ao Oscar de melhor filme estrangeiro pode ser a pior das maldições. O multipremiado filme alemão, A fita branca, foi derrotado pelo argentino O segredo de seus olhos, de Juan Jose Campanella. A premiação do filme argentino não é injusta, mas deixar de premiar A fita branca é. Paradoxos do Oscar. De qualquer maneira, possíveis candidatos na categoria no futuro farão de tudo para evitar o favoritismo.

A piada agridoce
E Campanella saiu-se com a espirituosa: “Quero agradecer a academia por não classificar Na´vi como língua estrangeira”, em uma referência ao filme de James Cameron. A brincadeira elogiosa ganharia conotação penosa para o filme que amargou um desempenho pífio na noite do Oscar.

Cinema independente 5 X 1 cinema comercial
Guerra ao terror e Avatar, ambos com 9 indicações, se enfrentavam em seis categorias (fotografia, som, edição de som, montagem, direção e filme). Ao contrário do antecipado por muita gente, Avatar perdeu, e feio, essa disputa. O surpreendente é que Guerra ao terror ganhou em categorias em que não só não era melhor que Avatar como também não era melhor do que outros concorrentes na disputa. Um duro golpe contra o cinema comercial pode ser sentido mais nas categorias técnicas do que nas nobres. Ao invés de Star trek, Transformers e Avatar, prevaleceu o “barato” Guerra ao terror.

E o 3D como fica?
A pergunta já ecoa na cabeça de executivos de estúdios e congêneres. A academia deu o devido espaço a Avatar. Concedeu ao filme os prêmios que lhe cabia (e há controvérsias quanto a fotografia do filme) e que atestam o que ele é; tecnologia de ponta. Os prêmios de fotografia, direção de arte e efeitos especiais corroboram a percepção da critica (olha ela aí de novo), e em certo nível do público também, de que Avatar é um deslumbramento visual. E só. E é a isso que o 3D se propõe. É mais uma ferramenta narrativa, não constitui revolução, tão pouco é o futuro do cinema. O Oscar ajudou a devolver as expectativas a seu tamanho devido.

James Cameron no tapete vermelho: Eu não perdi não. Foi a Kathryn que ganhou...


Uma dupla entrosada
Alec Baldwin e Steve Martin, como era de se esperar, foram um show a parte. Senhores do palco, fizeram belas piadas de improviso e as que já estavam no script também foram muito bem aproveitadas. Os dois mestres de cerimônia foram, definitivamente, o melhor da festa.
Steve Martin e Alec Baldwin capricharam nas piadas e na química


Uma cerimônia desencantada
Apesar do talento e da boa apresentação de Baldwin e Martin, a cerimônia do Oscar foi um conjunto de equívocos. Algumas mudanças mal ajambradas, desrespeito com os vencedores das categorias de curta metragem, alguns errinhos pontuais que prejudicaram o bom ritmo da cerimônia e o atraso, em meia hora, que fez com que os principais prêmios da noite, e os mais aguardados, fossem entregues como quem está diante de um toque de recolher. Uma lástima.


Um Na´vi politicamente correto
Depois de correr o mundo a notícia de que Sasha Baron Cohen tivera sua esquete cômica sobre Avatar vetada, ia pegar muito mal se não houvesse nenhum número fazendo graça com o principal filme da noite. Ben Stiller caracterizado como Na´vi apresentou, falando em na´vi, o Oscar de maquiagem e lembrou: “ a ironia é que Avatar não está nem mesmo indicado nessa categoria”. E a graça se resumiu a isso.

Ben Stiller quer plugar: Participação xoxa do comediante mimetiza o que foi a cerimônia e a noite de Avatar

Os mais bonitos

Tom Ford vestindo... Tom Ford



Direto das praias cariocas: Gerard Butler vestiu o smoking para apresentar o Oscar de efeitos especiais



Jake Gyllenhaal foi prestigiar a irmã e arrancou suspiros da platéia feminina e de uma repórter da rede de tv americana ABC


As mais bonitas

Demi Moore que apresentou o tributo "in memorian" arrasou com seu Versace

Carey Mulligan estava deslumbrante em um Prada repleto de cristais Swarovski
Vera Farmiga impressionou a todos no tapete vermelho vestindo um tomara que caia da grife Marchesa
Uma fala que diz tudo
“O show está tão louco que Avatar virou passado”, disparou Steve Martin ao encerrar a 82ª cerimônia do Oscar

domingo, 14 de fevereiro de 2010

OSCAR WATCH - A peleja dos diretores

Na montagem: James Cameron (Avatar), Lee Daniels (Preciosa), Kathryn Bigelow (Guerra ao terror), Quentin Tarantino (Bastardos inglórios) e Jason Reitman (Amor sem escalas)


O rei do mundo

James Cameron é egocêntrico e prepotente. Uma característica, na verdade, muito comum em Hollywood. A diferença é que ele não faz muita questão de esconder. Só que seus filmes rendem fábulas e o Oscar precisa de gente como ele. Portanto, doze anos depois de se auto declarar o rei do mundo, James Cameron volta ao centro do mundo do cinema.

Prós:
- Existem avanços técnicos inegáveis em seu filme, como um prêmio de conquista científico-tecnológica está fora de cogitação, um troféu por direção viria a calhar
- Seu filme é o maior sucesso de bilheteria da história
- Seria um momento antológico vê-lo declarar “Doze anos depois, continuo sendo o Rei do mundo”
- Hollywood gosta e vive de super produções. Avatar e todo o seu gigantismo consumiram seis anos e deixaram a cabeleira de Cameron toda branca. Isso pode ser preponderante.

Contras:
- É o único dos cinco que já venceu um Oscar por direção
- Apesar do esmero técnico e do perfeccionismo de Cameron nesse sentido, Avatar é um filme com alguns problemas narrativos e cujo trabalho de direção não se equilibra bem em todos os preceitos básicos do ofício. Não seria um prêmio justo, portanto. E todo mundo sabe disso.
- É vitima de muita inveja em Hollywood
- Se a academia quiser dividir os dois prêmios principais da noite entre o cinema comercial (Avatar) e o independente (Guerra ao terror), é mais provável (em virtude da razão acima citada) que Cameron perca aqui

Indicações anteriores: Melhor filme, melhor montagem e melhor diretor por Titanic em 1998
Vitórias anteriores: Melhor filme, melhor montagem e melhor diretor por Titanic em 1998

A dama de ferro


Kathryn Bigelow pode se tornar a primeira mulher a ganhar um Oscar de direção. O feito, obviamente, será eternizado e celebrado como mais uma conquista do pós-feminismo. Contudo, a diretora que já é uma veterana (tem 58 anos e já dirige há 25), não faz filmes de apelo feminino. Muito menos de apelo universal. Seu negócio é testosterona mesmo. São dela filmes como Caçadores de emoção (aquele que revelou Keanu Reeves e tinha Patrick Swayze como bad Guy) e K19 –the widowmaker.

Prós:
+ Com tantas boas diretoras circulando no cinema americano, já passou da hora de premiar uma. E todo mundo sabe disso.
+ É um dos melhores trabalhos de direção do ano, junto ao de Quentin Tarantino. E todo mundo sabe disso.
+ Ganhou o DGA no final de Janeiro. De todos os sindicatos, o DGA é o que tem melhor aproveitamento no Oscar
+ Existe um lobby forte para premiá-la
+ Se a academia quiser dividir os dois prêmios principais da noite entre o cinema comercial (Avatar) e o independente (Guerra ao terror), ela é a opção mais viável aqui. Pois o que conta para o povão é Avatar levar de melhor filme do ano

Contras:
- A academia pode se sentir obrigada a reconhecer em “grandes termos” Avatar. Tal como fizera, exageradamente, com Quem quer ser um milionário? ano passado
- Têm dois concorrentes muito fortes por filmes queridos pela classe artística, Lee Daniels (que também vêm de uma minoria, pode-se dizer) por Preciosa e Quentin Tarantino (que também tá recebendo um lobby danado, especialmente dos atores) por Bastardos inglórios. Mais do que ameaçá-la, eles podem lhe tirar votos, favorecendo o ex-marido de Bigelow

Primeira indicação

O underdog


Ele fez carreira como produtor de filmes independentes. Contudo, após ler o romance no qual Preciosa-uma história de esperança se baseia, resolveu, ele mesmo, dirigir a adaptação. O trabalho de Daniels debutou em Sundance e, desde então, só colheu bons frutos.

Prós:
+ Hollywood adora uma história de superação. Principalmente se envolve um filme que extrapola os limites da metalinguagem, como é o caso de Preciosa e como era o caso do vencedor do ano passado Quem quer ser um milionário?
+ Pode-se beneficiar do amor que a classe artística vem declarando ao filme
+ Lee Daniels é apenas o terceiro diretor negro indicado ao Oscar. Na disputa entre a mulher e o negro pela presidência dos EUA, o negro venceu. Yes we can?

Contras:
- É relativamente inexperiente e o filme, muito independente, ostenta seis indicações. Sua inclusão entre os diretores, tendo batido gente como Clint Eastwood, Rob Mashall, e Joel e Ethan Coen, em si, já constitui uma vitória
- É o único dos cinco que ainda não ganhou nada
- Seu filme não é o independente da vez. Esse posto pertence a Guerra ao terror. Então ele é duas vezes underdog nessa disputa

Primeira indicação

O hypado


Jason Reitman têm um futuro brilhante como cineasta. Seus Três filmes e toda a atenção que receberam da critica, do público e do Oscar mostram isso. O filho do diretor e ator Ivan Reitman superou papai no oficio. E já engatou, na casa dos 30 anos, sua segunda indicação ao Oscar. Ele pode não ter dirigido Avatar, mas seu futuro é azul.

Prós:
+ Seu filme é muito badalado pela critica
+ Sua forma de dirigir é clássica e facilita a identificação. Diretores com esse perfil tendem a ser reconhecidos pela academia. Exemplos recentes foram Clint Eastwood e Ron Howard.
+ É cria de Hollywood e isso significa muito em termos de empatia

Contras:
- Justamente pelo fato de que tem um futuro promissor deve prevalecer a percepção de que é melhor esperar para premiá-lo.
- Não ganhou nenhum prêmio por direção na temporada
- Como essa é sua segunda indicação ao Oscar em três anos, e ainda é bastante novo, a velha guarda da academia pode entender que isso já é reconhecimento demais
- Como também concorre por roteiro, e seu roteiro é ótimo, suas chances aqui diminuem. Na onda da pulverização de prêmios, pode-se preferir premiar aqui um diretor e não um diretor/roteirista
- Não é o melhor trabalho de direção do ano e todo mundo sabe disso

Indicações anteriores: Melhor diretor por Juno em 2008



O boa praça


Quem não gosta de Tarantino? Muita gente. Mas aqueles que gostam do excêntrico diretor estão em maior número. E em Bastardos inglórios ele realiza seu melhor trabalho como diretor. Equilibra as arestas de seu roteiro (genial, mas um tanto pernóstico), dirige os atores com sobriedade e desenvoltura e capricha nas referências. O diretor finalmente conteve o cinéfilo.

Prós:
+ Existe um lobby imenso pela vitória de Tarantino nessa categoria (ele já venceu por roteiro antes com Pulp Fiction)
+ É o melhor trabalho de direção dentre os cinco indicados e isso deve contar para alguma coisa
+ Pode-se beneficiar de uma divisão de votos entre James Cameron e Kathryn Bigelow

Contras:
- Costumava execrar o Oscar em premiações distintas desde Cannes até o Scream awards, isso não é facilmente deixado para trás
- O lobby por ele é grande, mas o pela vitória de Kathryn é maior
- O favoritismo na disputa por roteiro pode, mais uma vez, privar Tarantino de levar o Oscar de direção
Indicações anteriores: Melhor direção e melhor roteiro original por Pulp Fiction - tempos de violência em 1995
Vitórias anteriores: Melhor roteiro original por Pulp Fiction - tempos de violência em 1995

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cenas de cinema

O passado o condena
O astro Mel Gibson, como todos sabem, retomou sua carreira como ator. E parte do pacote de ser ator, é promover os grandes lançamentos que estrela. Pois bem, Gibson compareceu a uma dessas entrevistas promocionais concedidas a talk shows americanos para divulgar O fim da escuridão. Só que a emenda não poderia sair pior do que o soneto. Instigado pelo apresentador, mais interessado em polemizar do que saber do filme, Gibson perdeu a compostura e xingou-o de “babaca” no ar. Antes disso, indagado sobre seus escândalos regados a álcool, Gibson saiu-se com a truculenta: “Isso foi há quatro anos cara. Eu segui em frente, mas parece que você não. Já pedi as desculpas necessárias, então vamos seguir em frente.”
Há pouco mais de dois meses ele também criou uma cena no talk show de Jay Leno. Corre o risco de tornar-se persona non grata em programas do gênero.
Mel Gibson, com seus cabelos cada vez mais rasos, coça a nuca: Não me dão paz!


A devoradora de homens...casados
Todo mundo sabe que a celebrity gossip anda em polvorosa com os rumores de que o casamento entre Angelina Jolie e Brad Pitt está por um fio. Pois bem, uma fofoca, como dizem uns e outros, descomunal, tomou conta dos burburinhos essa semana. O rumor dá conta de que Angelina anda demonstrando interesse “demasiado” em Johnny Depp, seu parceiro no filme, atualmente em pré-produção, The tourist. Segundo a revista americana STAR, Angelina além de já ter sido vista tomando vinho com Depp em Los Angeles por mais de uma vez, estaria ligando frequentemente para o ator. Certo é que ela marcou uma reunião, para semana que vem, para que eles possam discutir “métodos de interpretação”. A revista provoca: Será que La Jolie irá tirar o pacato Johnny Depp de Vanessa Paradis? No que Cenas de cinema acrescenta, o que será que Laura Dern (que era esposa de Billy Bob Thorton quando ele começou a namorar Jolie) e Jennifer Aniston (a ex- de Pitt) pensam sobre isso?

O atual homem mais sexy do mundo pela people estaria na mira da marriage breaker Angelina Jolie

Piada
E por falar em rumores, a internet foi bombardeada com um dos mais infames. Depois do imbróglio envolvendo o quarto filme do Homem aranha, a Sony começou a arrumar os estragos. Confirmou o jovem Marc Webb, diretor do recente 500 dias com ela, como diretor da fita e, visivelmente, mira no público de Crepúsculo. Contudo, depois do nome de Zac Efron ser divulgado como possível intérprete de Peter Parker, é para se jogar tudo pelo alto. Isso que vai sair aí pode ser tudo, menos um filme do Homem-aranha.

A guerra dos roses

É como está sendo chamado o embate entre James Cameron e sua ex-mulher Kathryn Bigelow no Oscar desse ano. Ambos dividem o favoritismo pela estatueta principal, de melhor filme e também competem por direção. “Hollywood adora uma lavagem de roupa suja”, disse o articulista da Entertainment Weekly, David Karger, em sua coluna, sobre a coincidência cinematográfica que se deu no Oscar desse ano. No entanto, Cameron e Bigelow estão levando tudo na esportiva. Troca de elogios e admissões de admiração mútuas são uma constante. Pose ou estarão eles se apaixonando de novo?

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

... e 12 anos depois

O recorde de Titanic que, certa vez, pareceu inquebrável, caiu. Avatar, segundo números do site americano boxofficemojo, ultrapassou nessa terça-feira a impressionante marca de U$ 1,835 bilhões nas bilheterias mundiais, tornando-se o filme de maior bilheteria da história do cinema. Mais de U$ 1.200 bilhões vêm das bilheterias mundiais. Nos EUA, o filme ainda não superou Titanic, mas analistas preveem que isso deva ocorrer já na semana que vem. Apesar dos ingressos mais caros, devido a grande maioria das cópias estarem disponíveis em salas IMAX ou 3D, impressiona a ferocidade do feito de Avatar. Tombou um recorde dessa magnitude, construído ao largo de seis meses em 6 semanas. Um senhor feito. Espera-se agora pelo novo trabalho de James Cameron. E que começem as apostas de quanto tempo o novo recorde se sustentará.
E para efeitos de registro, o filme que já se mantém a seis semanas no topo das bilheterias americanas, que já atraiu mais de 6 milhões e meio de brasileiros ao cinema e que acaba de dar nome a uma região montanhosa na China ainda não encerrou sua carreira comercial. Avatar ainda tem um longo e bilionário caminho até o Oscar em 7 de março e esse novo recorde deve encorpar ainda mais.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

James Cameron retoma a consciência

Na esteira da badalação que Avatar recebe pós-globo de ouro, que a bem da verdade ainda não é tão diferente da que o filme vinha recebendo antes mesmo da premiação, James Cameron teve uma epifania. Nas entrevistas para a imprensa no backstage do Bevely Hilton hotel, onde foi realizada a 67ª cerimônia do Globo de ouro, o diretor disse, entre outras coisas, que o 3D não é o futuro do cinema (como o próprio afirmava a torto e a direito anteriormente), mas que de agora em diante faz parte desse futuro. Essa afirmação, além de calcada na realidade, mostra que a vaidade de Cameron cedeu ao bom senso. A afirmação do diretor, fruto de reflexão, e de percepção de mercado, é algo que este blog já apontava com antecedência. O 3D é uma ferramenta para a potencialização do impacto cinematográfico. Como o são os efeitos especiais para os filmes de ação e os figurinos para os filmes de época. O espetáculo do cinema ganha mais uma valiosa ferramenta, mas nunca se poderia imaginar que seu futuro estaria intrinsecamente ligado a ela. Configuraria-se em uma pobreza de raciocínio e falta de compreensão do cinema e de sua representatividade. Passada a euforia em torno do filme e estabelecida a certeza do sucesso de Avatar (Cameron também falou da continuação do filme), essa frase mentirosa e verdadeiramente marketeira de que o filme antecipa o futuro do cinema, pode ser deixada para trás.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

OSCAR WATCH - Ele ainda é o rei do mundo?


Quase tão acachapante quanto o sucesso de Titanic nas bilheterias, e no Oscar, foi o momento, de extrema e genuína emoção, em que o diretor James Cameron – ao receber seu Oscar por direção (o décimo de Titanic naquela noite)- gritou tal qual o protagonista de seu filme: “eu sou o rei do mundo”. A apoteose de James Cameron, por mais catártica e fugaz que pudesse parecer, parece se repetir nesse principio de 2010. Mais de uma década depois daquele efusivo momento, James Cameron desponta mais uma vez como favorito ao Oscar. Seu filme, justamente o primeiro depois de Titanic, já é o segundo de maior bilheteria da história. A frente de Avatar, só a história de Jack e Rose.
Cameron conseguiu obter sucesso de critica com o performance capture, tecnologia que outros cineastas já utilizavam e recebiam duras criticas (caso de Robert Zemeckis) ou incisivas restrições (caso de Peter Jackson). Ele não esconde que quer revolucionar o cinema. Um dos proprietários da Dreamworks, Jeffrey Katzenberg, disse em novembro que dois momentos haviam sido fundamentais para o cinema. O advento do som e depois da cor. E que o terceiro estaria ocorrendo agora. Que o cinema se definiria a partir do dia 18 de dezembro de 2009, dia da estréia mundial de Avatar, como antes e depois de Avatar. E Katzenberg falou de coração, já que o filme é de um estúdio concorrente e ele não está ganhando absolutamente nada em promover Cameron e seu trabalho.
O show business parece se curvar ante Cameron mais uma vez. A critica americana se assombra com o impacto cultural de sua nova obra. Cameron conseguiu agradar desde entusiastas da tecnologia até corações românticos. E muitos creem que Avatar ainda pode superar Titanic nas bilheterias. Cameron é um gênio? Ou apenas um sagaz marketeiro enrustido em um competente diretor? Os números de Avatar podem sombriar a questão, o discurso do filme pode clareá-la e o longo período que se passou entre Titanic e Avatar pode comprometer sua objetividade. Respostas para essa questão serão frutos de um estado de consternação emocional semelhante ao narrado na abertura desse artigo. Mas de qualquer maneira, o gigantismo das obras de Cameron e a penetração destas na cultura pop são indicativos sólidos o suficiente para atestar que ele tem sangue azul.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Cenas de cinema

O giro 180 graus de Robert Pattinson
Robert Pattinson, que recentemente foi eleito por uma revista teen o homem mais sexy do mundo (mas quem esta contando?), disse essa semana que só foi fazer os testes para o papel de Edward em Crepúsculo, porque queria conhecer a atriz Kristen Stewart. A revelação em si não impressiona. O que impressiona é Pattinson, tão zeloso de seu relacionamento “não quero falar sobre isso” com a atriz, falar isso assim, sem mais nem menos, e sem ninguém perguntar. Será o efeito Jacob?

Passa de mim esse cálice
Quando Madonna estreou seu filme no último festival de Berlim (Sério? Você não lembra disso?) muita gente pensou: “Olha o desastre da vaidade aí”. Mas os críticos até foram condescendentes com a popstar e proclamaram que seu filme era melhor do que o esperado (!) Hã? Bem, Madonna se empolgou e anunciou um novo projeto. Que corre o risco de não acontecer. Isso porque os produtores só produzem se ela não estrelar e as atrizes que ela gostaria de ver no filme estão fugindo da enrascada igual Diabo da cruz. Cate Blanchet, Keira Knightley e Natalie Portman foram algumas que já declinaram do convite. Porque será?

O efeito Obama
Ok. Essa coluna não é sobre política, mas Obama é o político mais pop da história da humanidade. Tem dúvidas? Então olha só; essa semana, o top 5 de notícias lidas sobre o mandatário supremo dos EUA no site do New York Times tinha as obrigatórias menções ao frustrado ataque terrorista da Al Quaeda, sobre os penetras da Casa Branca, sobre a reforma da saúde e, reparem só, a sessão de cinema no Havaí que a família Obama fez. O filme? Avatar, como não poderia deixar de ser.
Para os que não se convenceram, outro dado: Obama foi eleito, em enquete promovida pela revista US, a quarta celebridade mais bem vestida de 2009, atrás apenas de Robert Pattinson, Blake Lively (do seriado Gossip Girl) e Taylor Swift (aquela que o Kanye West roubou o microfone). Além de ser o mais velho da lista, é o único que não é artista. Acrescente-se o fato dele ser o primeiro presidente a ser incluído em tal lista e você percebe que os números de queda de popularidade que andam divulgando por aí, não são inteiramente verdadeiros.

Obama em momento casual: chique no último


Notou a semelhança?
Você conhece aquele ditado que nada se cria, tudo se copia? Pois bem, Avatar, o "originalíssimo" novo filme de James Cameron, primeiro foi apontado por blogueiros americanos como cópia de uma HQ da Marvel dos anos 80 (vale lembrar que James Cameron e a Marvel eram de fato muito próximos. Cameron chegou a escrever um roteiro para um filme do Homem Aranha), agora surgem teses de que o filme é, na verdade, uma cópia mal disfarçada de Pocahontas. Como todos sabem uma fábula essencialmente americana que já rendeu um filme Disney e um filme, bem menos interessante, de Terrence Malik estrelado por Colin Farrel. Cameron com seu bilhão de dólares arrecadados nas bilheterias de todo o mundo dá de ombros. O primeiro boato ele se deu o trabalho de desmentir, até agora não se pronunciou sobre o segundo.



James Cameron e a intriga da oposição: já cansei de dizer que Avatar foi idéia minha. Só minha!