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Mais do que uma crônica qualquer!
É com imensa satisfação que se termina de assistir Cidade baixa ( Brasil 2005), estréia na ficção do diretor Sérgio Machado. O filme - o melhor exemplar produzido no Brasil desde Cidade de deus- exala qualidade desde o roteiro caprichado á direção segura, passando pela fotografia magnífica e principalmente pelas fantásticas atuações. Esses elementos fazem com que Cidade baixa transcenda seus status. Ou seja, de um filme bem feito, sem grandes ambições.
Premiado na mostra olhares no último festival de Cannes, e sucesso de público absoluto no festival do Rio e na mostra de São Paulo, o filme mostra como o cotidiano de Deco e Naldinho, dois amigos de infância, é abalado pela fulminante paixão despertada em ambos pela prostituta Karina.
Machado capta uma Salvador diferente dos cartões postais e realiza um filme avassalador. Que mistura a perfeição uma tensão dramática e um erotismo vulgar. A vulgaridade aqui está implícita no sentido da história e existe para dar forma ao triângulo amoroso inusitado.
Lázaro Ramos mostra a habitual competência na pele de Deco, um cara fechado e relutante em aceitar a condição de estar dividido entre o amigo e uma garota, Vagner Moura acerta o ponto como Naldinho, o mais descolado e intrépido. Mas o maior destaque da fita é Alice Braga que constrói com vigor a personagem Karina, uma moça desiludida perdida no meio de uma paixão errada.
O cineasta não pretende justificar seus personagens, nem o meio em que vivem, mas não deixa de surpreender pelo fato de Cidade baixa ser tão passional. Em uma das últimas cenas do filme um clímax estrondoso é elaborado de forma pouco vista no cinema nacional, mais do que qualquer coisa, tem-se a noção exata que mesmo sem querer Machado fala sobre o fim da amizade entre outras coisas mais.