Edward e Bella contra o mundo
Quinto filme da série recupera fôlego romântico e capricha no clímax, mas repete falhas crônicas da franquia. Ainda assim, se configura em um bom fecho para Crepúsculo no cinema
Amanhecer – parte 2 (The twilight saga: Breaking dawn – part
2) sofre, em parte, dos mesmos problemas que acometem todos os filmes da
franquia Crepúsculo. A dificuldade de se erguer dramaticamente. Os primeiros 20
minutos são risíveis com atores pouco convictos, principalmente sobre o
vexatório recurso tirado da cartola por Stephenie Meyer sobre o tal do
imprinting entre Jacob e Renesmee, e com uma séria dificuldade de se
reorganizar dramaticamente com Bella (Kristen Stewart) vampira. Outro problema
crônico da série, e que em Amanhecer – parte 2 salta aos olhos, é a forma
preguiçosa com que lida com o inconveniente narrativo – um exemplo claro é o
tratamento dispensado pelo texto ao pai de Bella neste último capítulo.
Isso posto, é preciso dizer que passada a primeira meia
hora, Amanhecer – parte 2 ganha corpo e poder de atração conforme vai
elaborando o clímax do filme – bastante satisfatório por sinal.
Outro aspecto que chama a atenção em Amanhecer-parte 2 é
como o filme rende melhor nos momentos que não se leva a sério, como quando
Jacob se despe para explicar algo muito importante para o pai de Bella ou
durante o treinamento de combate desta última. Rir de si mesmo é sempre um bom
remédio, ainda mais com graves incoerências narrativas como as que caracterizam
a obra original.
Amanhecer–parte 2, em parte pelo prenúncio do confronto
entre o clã dos Cullen e os Volturi, não apresenta a mesma morosidade
registrada na primeira parte, mas ainda assim é um filme bastante irregular no
ritmo e na forma.
O fecho da saga Crepúsculo, no entanto, preserva o
romantismo que parecia meio esvaziado nos dois últimos filmes. A cena
final é, para os padrões da série, belíssima e de grande sensibilidade. A ideia
de Edward e Bella juntos lutando não só por seu amor, como também pela vida de
sua filha, ainda que a luta não seja essencialmente por essas razões, é algo
simbólica do apelo da franquia junto a seu público alvo.
O quinto filme não é o melhor da série, Eclipse e Lua nova, na engenharia narrativa e visual proposta por seus diretores (Chris Weitz e David Slade, respectivamente), continuam na disputa por esse crédito, mas pelo menos permite que a saga se encerre no cinema na ascendente. Uma boa, e improvável, notícia depois da temeridade que foi Amanhecer – parte 1.
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