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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Análise da 66ª edição do Festival de Cannes

O cartaz internacional do vencedor da
Palma de Ouro
Nos últimos 20 anos, crítica e júri só concordaram quatro vezes na escolha do grande filme em competição pela Palma de Ouro. Em 2001, com O quarto do filho, em 2004 com Fahrenheit 9/11, em 2007 com Quatro meses, três semanas e dois dias, e em 2009 com A fita branca. Em pelo menos duas dessas concordâncias é possível notar forte apelo político no contexto específico da época. Em 2004, sob o apogeu da era Bush, presidente americano muito contestado internacionalmente, o júri presidido pelo cineasta americano Quentin Tarantino decidiu premiar em ato claramente político o documentário oposicionista de Michael Moore. O prêmio da crítica internacional, FIPRESCI, também. Em 2007, o foco era o aborto no drama romeno que revelou o cineasta Christian Mungiu. Em 2013 há, novamente, convergências nos prêmios do júri e da crítica com La Vie d`Adèle, filme sobre a descoberta da identidade (e sexualidade) por uma jovem. O filme, adaptado da graphic novel "Le bleu est une couleur chaude", de Julie Maroh, mesmerizou Cannes em virtude das cenas longas e francas de sexo explícito entre as jovens atrizes Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos, a quem o júri referendou como realizadoras ao lado do diretor franco-tunisiano Abdllatif Kechiche quando do anúncio da vitória na mostra competitiva do festival. Há um indesviável paralelo político com a situação atual que atravessa a França, em particular, e o mundo de maneira geral, sobre a legalização do casamento homossexual. Steven Spielberg, presidente do júri, até brincou. “No filme não há casamento”, mas não dissipou a forte conotação política que paira sobre a escolha. No domingo da premiação, Paris foi tomada por manifestantes contrários à lei sancionada pelo presidente francês François Hollande que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo.  
Atribuir o prêmio ao filme apenas a um posicionamento político de um movimento artístico francamente liberal como o cinema, e de um festival como Cannes como seu elemento catalisador, é pueril. Ainda que fundamentalmente verdadeiro. Principalmente se tomarmos Steven Spielberg, presidente do júri, como parâmetro. Geralmente, o presidente guia as escolhas, mas havia personalidades bastante enrijecidas no júri como os cineastas Lynne Ramsay – que recentemente abandonou o set de Jane got a gun sem qualquer explicação e o romeno Christian Mungiu sempre monossilábico e com posições bastante fortes quanto a sua visão de cinema. Esse choque talvez explique porque um filme como Inside Llewyn Davis, dos judeus (assim como Spielberg) Coen – o mais aplaudido do festival – acabou com o Grande Prêmio do Júri (o segundo lugar na competição). Figuras persuasivas como o cineasta Ang Lee e o ator Chistoph Waltz devem ter oxigenado os debates nada fáceis para apreciação de uma disputa que credenciou seis ou sete produções à Palma de Ouro. O vencedor entre elas. É justamente aí que surge o componente político. É irresistível crer que a atual conjuntura sócio cultural a respeito da união homossexual não tenha sido um critério – ainda que silencioso – a pautar a decisão do júri. Steven Spielberg é um diretor de filmes pudicos – só rodou uma cena de sexo em toda a sua carreira (no filme Munique). Difícil crer que, por essas e outras razões, La Vie d´Adèle tenha sido sua escolha primária. Parece mais resultado de debate e negociação.
Em um ano em que Cannes flexibilizou-se ao máximo buscando filmes que se debruçavam imperiosamente sobre a natureza sexual – desde filmes como o violento e estilizado Only God forgives na mostra competitiva, que tem uma mãe que apalpa o pênis dos filhos, a L´inconnu du lac, na mostra Um certo olhar, sobre sexo entre homens em uma praia naturalista, o vencedor da mostra competitiva funde sexo e política constituindo uma espiral de relevância ao festival que extrapola o contexto cinematográfico. 
Os realizadores de La Vie d´Adèle diplomados: o filme já tem distribuição garantida no Brasil pela Imovision

A crítica internacional, de maneira geral, recebeu bem a escolha. A crítica italiana, em particular, mostrou-se descontente com a ausência de La grande belezza, de Paolo Sorrentino entre os premiados. A crítica americana saudou a boa performance dos filmes do país com os prêmios concedidos a Nebraska, melhor ator para Bruce Dern, e Inside Llewyn Davis. O júbilo definitivo, no entanto, é francês. É a segunda vitória do país em cinco anos. Um feito que o país não alcançava desde os primórdios do festival – quando a competição era bem menos ferrenha. Em uma edição com forte pulso político, todos os continentes concorrentes foram lembrados. Melhor para o México, que assegura pelo segundo ano seguido o prêmio de melhor diretor. Este ano foi para Amat Escalante por Heli, único premiado que não figurou entre as unanimidades do festival, mas confirma a tendência já apontada por Claquete em outros artigos que reside no cinema latino-americano a criatividade em termos de linguagem e estética que o cinema internacional busca globalizar .

sábado, 25 de maio de 2013

O saldo de Cannes 2013




Vida longa ao cinema francês
Um filme Francês, é de lei, sempre é premiado em Cannes. Mas em 2013 o júri presidido pelo americano Steven Spielberg não passara por constrangimentos e pode até mesmo premiar todos os exemplares franceses em competição. Os quatro filmes do país em competição, sem contar Jimmy P., primeiro filme em língua inglesa de Arnaud Desplechin, são bastante premiáveis. Tanto Jeune et Jolie, de François Ozon, La Vie D'Adele, de Abdellatif Kechiche, Venus in Fur, de Roman Polanski e Le Passé, de Asghar Farhadi agradaram a crítica internacional e, especialmente, a exigente crítica francesa.

A queda
Only God forgives talvez fosse o filme mais antecipado do festival de Cannes. Justamente por isso a decepção tenha sido tão monstruosa. Ainda que o filme tenha agradado setores da crítica internacional mais suscetíveis a exercícios de virtuosismo, o consenso geral é de que o filme do celebrado Nicolas Winding Refn é das maiores decepções em anos no festival. As críticas foram cruéis com o filme e, desde já, Refn é ameaçado pela aura de ser um novo M. Night Shyamalan do cinema de autor.

A queda II
A credibilidade de Refn não foi a única atingida com a má recepção a Only God forgives. Ryan Gosling, até há pouco tempo um dos atores mais celebrados pela crítica, foi execrado com especial desdém. O ator não compareceu ao festival por estar ocupado com as gravações de How to catch a monster, sua estreia na direção. Some-se a isso uma atuação “em que uma paisagem seria mais expressiva”, nas palavras da crítica do The New York Times, e dá para ter uma ideia de como Gosling sai com a imagem fissurada da riviera francesa. Muitos veículos internacionais chegaram a ironizar a atuação do ator no filme, expediente que poucas vezes se viu na cobertura de um festival de cinema.

Ousadia ou ego – o enigma Franco
As I lay dying, exibido na mostra Um certo olhar do festival, marca a quarta participação consecutiva de James Franco em um festival de cinema. Um feito que poucos artistas são capazes de ostentar. O filme, adaptado da obra de William Faulkner, decepcionou grande parte da crítica, e caiu nas graças de uma minoria, em virtude do que o Le Monde chamou de “delírios estéticos” de James Franco. A jornalista e crítica Mariane Morisawa na Veja.com escreveu que “o projeto é tão ruim que não pode nem ser considerado um filme” e lançou o enigma: “James Franco é ator, artista visual, escritor, professor e diretor. Como ele consegue fazer tudo isso, ninguém sabe. Mas também não quer dizer que faça bem, como se viu em As I Lay Dying”. Out!

 James Franco e parte do elenco de seu filme na premiere em Cannes: imagem arranhada

Expectativas invertidas
Não havia nenhum blockbuster a ser exibido fora de competição, ainda que o filme de abertura, O grande Gatsby, vestisse muito bem essa indumentária. O filme foi uma decepção alarmante. Há muito tempo, um filme de abertura não recebia críticas tão negativas. Em 2010, Robin Hood foi o que chegou mais perto da defenestração experimentada pelo filme de Baz Lhurmann. Mas os outros filmes exibidos fora de competição (All is lost, de J.C Chandor e Blood ties, de Guillaume Canet) agradaram. Quem não agradou tanto foi Jerry Lewis,estrela de Max Rose, filme exibido em sessão especial em Cannes. O gênio da comédia chutou bola fora ao afirmar que não vê graça nas comediantes mulheres. A direção do festival quebrou o protocolo e  realizou a coletiva com Lewis antes mesmo da exibição do filme, mas não esperava por esse balde de água fria do ator. Não foi nenhum Lars Von Trier, mas não pegou bem!
Outros filmes que protagonizaram inversões de expectativas foram The bling ring – a gangue de Hollywood, de Sofia Coppola, que agradou mais do que se esperava, e Les salauds, de Claire Denis, que agradou menos do que o habitual tratando-se dos filmes da diretora francesa.

We L.O.V.E USA!
A gente já sabia, mas Cannes de maneira geral reagiu mais do que positivamente à safra americana que integrou a mostra competitiva. Três dos seis que integram a mostra oficial ostentam chances reais de saírem com prêmios do evento. São eles Nebraska, de Alexander Payne, Inside Llewyn Davis, dos irmãos Coen e Behind the candelabra, de Steven Soderbergh.

Os astros sumiram
Desde que as atrações do 66º festival de Cannes foram anunciadas, já se sabia que não seria um festival com muitas estrelas – talvez por isso a direção do festival tenha feito um esforço a mais para garanti-las no júri da mostra principal. Mas alguns dos nomes mais esperados simplesmente não compareceram. Aumentando a frustração nesse departamento. Casos de Joaquin Phoenix e Ryan Gosling. 

MVPs
O encolhimento da oferta de astros não está necessariamente relacionada a quantidade surpreendente de artistas que trouxeram a Cannes mais de um projeto. Mas é uma maneira de olhar a questão. Marion Cottilard, Mathieu Amalric, Carey Mulligan, Léa Seydoux, Roman Polanski, James Gray e Oscar Isaac defenderam mais de um filme na croisette.

A violência...
Como sempre, filmes violentos fizeram parte do cardápio do festival. A violência irrompeu crua e nua logo no primeiro filme em competição, o mexicano Heli e apareceu em outros filmes menos festejados como Only God forgives e Wara No Tate. A violência só foi razoavelmente bem justificada, segundo reporta majoritariamente a cobertura da imprensa internacional, no chinês A touch of sin.

... e o sexo
Se houve algo mais presente, e bem vindo, do que a violência em Cannes foi o sexo. Dois filmes com franca voltagem homossexual (Behind the candelabra e La vie d´Adele) estão entre os mais festejados dessa edição. Mas o sexo, direta ou indiretamente, pautou as mais diversas produções que passaram pela riviera francesa. Tanto em mostras paralelas, como As I lay dying na mostra Um certo olhar, como na competição oficial com Venus in fur e Jeune et Jolie.

Sem obra-prima, mas...
Não houve na edição deste ano a percepção de ter surgido uma obra-prima. Em compensação, há muitos anos Cannes não apresentava uma seleção tão sólida e com elogiável qualidade. Apenas dois filmes, o já citado Only God forgives e o japonês Wara No Tate, foram considerados abaixo da média. Não deixa de ser uma boa notícia para o evento que viu pelos menos seis filmes se credenciarem com propriedade à Palma de Ouro.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Momento Claquete #35

O 66º festival de Cannes ainda não acabou, mas Claquete já selecionou alguns dos melhores clicks do evento

Os homens atrás do candelabro: Steven Soderbergh, elenco e equipe do elogiado Behind the candelabra da HBO

A estonteante Allison Williams, da série Girls, também marcou presença na premiere do filme da HBO 

Sangue azul: Chiara Mastroianni no photocall de Les salauds, filme exibido na mostra Um certo olhar que marca sua terceira colaboração com a diretora Claire Denis  

O inglês Clive Owen cumprimenta seu diretor em Blood ties, o francês Guillaume Canet, na ensolarada manhã do dia 21 de maio em Cannes 

O cabelo combina: os galãs do novo filme dos irmãos Coen, Inside Llewyn Davis, Garrett Hedlund e Justin Timberlake não economizaram no gel...

 Black &White: Jennifer Lawrence deu o ar da graça para promover a sequência de Jogos vorazes

Roman Polanski e o ex-piloto de fórmula 1 Jackie Stewart apresentam documentário produzido pelo primeiro sobre as façanhas do segundo

Bruce Dern, elogiado por sua atuação em Nebraska, posa para fotos ao lado da filha coruja Laura Dern

Amor em Cannes: Os namorados Louis Garrel e Veléria Bruni Tedeschi apresentam Un château en Italie, dirigido por Valéria e estrelado por Garrel

Sem Gosling: Kristin Scott Thomas, na esquerda, e Nicolas Winding Refn promovem Only God forgives no evento francês

Favorito: O diretor italiano Paolo Sorrentino, à direita, conquistou simpatia da crítica com La grande bellezza, estrelado por Toni Servillo, à esquerda


Fotos: Getty Images, Telegraph e Festival de Cannes

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Os escolhidos para o 66º festival de Cannes


Justin Timberlake e Carey Mulligan em cena de Inside Llewyn Davis, novo filme dos irmãos Coen, um dos principais destaques do festival em 2013


Foi divulgado nesta quinta-feira (18), o line up da 66ª edição do festival de cinema de Cannes, que será realizado entre os dias 15 e 26 de maio e cujo júri será presidido por Steven Spielberg.
Muitos dos filmes que Claquete havia antecipado na última edição da seção Em off integram a mostra competitiva do festival; outros, como The bling ring: a gangue de Hollywood, de Sofia Coppola e Blood ties, de Guillaume Canet foram acomodados em outros eventos paralelos à competição principal.
À primeira vista, trata-se de uma lista de personalidade, mas inferior às últimas edições. Não há medalhões de Cannes como um Pedro Almodóvar, um Michael Haneke ou mesmo Lars Von Trier, que não conseguiu finalizar a tempo seu audacioso projeto The nymphomaniac. É uma das edições, também, com a menor participação de prévios vencedores da Palma de Ouro. Apenas os americanos Steven Soderbergh e os irmãos Coen e o franco polonês Roman Polanski já triunfaram em Cannes, respectivamente com Sexo, mentiras e videotape (1989), Borton Fink – delírios de Hollywood (1991) e O pianista (2002).
No entanto, é preciso reconhecer que a ausência dos titãs de Cannes oxigena o festival que pode ter a chance de apresentar ao mundo trabalhos mais arejados e inovadores. Chamam a atenção a forte presença americana, um hábito cada vez mais encorpado na riviera francesa, a retomada do cinema asiático à parte da produção sul-coreana (protagonista ao lado dos americanos das últimas edições do festival) e a presença solitária da atriz e diretora alemã Valeria Bruni Tedeschi como única mulher na disputa pela Palma de Ouro com Un Chetêau em Italie.
A Europa, como bloco, também se impõe e a América Latina novamente se encolhe. Apenas o mexicano Heli, do espanhol Amat Escalante, representa o continente que já havia desaparecido da seleção do ano passado.

Cartaz do novo filme de Asghar Farhadi, que suscita grandes expectativas, o primeiro depois do Oscar por A separação e o primeiro rodado na França

James Franco, figurinha carimbada dos últimos festivais de cinema (na foto em Berlim), estará na mostra Um certo olhar apresentado mais um filme dirigido por ele 

Expectativas
É inegável que as maiores expectativas pairam sobre a seleção americana. São cinco filmes, se contarmos a coprodução Only God forgives, de Nicolas Winding Refn, que também reúne França e Dinamarca como financiadores. Nebraska, de Alexander Payne é um road movie em preto e branco que dá sequência ao elogiado trabalho de Payne que lhe levou ao Oscar, Os descendentes. Inside Llewyn Davis é o aguardado mergulho dos irmãos Coen na cena folk americana que formou artistas como Bob Dylan. The immigrant, anteriormente chamado Low life, é o restabelecimento da parceria entre o diretor James Gray e Joaquin Phoenix. Prostituição, romance e violência estão no foco do filme. Behind de Candelabra, de Steven Soderberg é a segunda produção original para a tv a aterrissar em Cannes em quatro anos. Em 2010 foi a minissérie Carlos, de Oliver Assayas. Enquanto sinaliza uma flexibilização no conceito de arte e demonstra a força e representatividade da tv americana atual, a opção pelo filme sobre o compositor americano gay Liberace é também uma chance de trazer à pauta de Cannes um tema de reverberação mundial como a união homossexual.
Cena de Jeune et jolie, de François Ozon: um thriller com
forte voltagem sexual em uma edição com propensão
ao sexo
 
Outro filme bastante aguardado é Venus in fur, de Roman Polanski. A produção mostra uma atriz que tenta convencer um diretor de sua adequação para determinado papel. A fita é estrelada por Mathieu Amalric e Emmanuelle Seigner, mulher do diretor. O diretor também exibirá outro trabalho em uma sessão especial.
Outros filmes que suscitam expectativas na disputa pela Palma de Ouro são Jeunie et Jolie, de François Ozon, Le passe, de Asghar Farhadi, La Grande bellezza, de Paolo Sorrentino e Soshite Chichi ni naru, de Kore-eda Hirokazu.
James Franco, que ultimamente tem lançado um filme em cada festival de cinema, é um dos destaques da mostra Um certo olhar com As I lay dying. O principal evento paralelo à disputa pela Palma de ouro terá o filme de Sofia Coppola como exibição na abertura. E é a estrela desse filme que promete ser uma das sensações no tapete vermelho. Trata-se de Emma Watson em papel que Cannes espera desperte algumas polêmicas. A despeito de Franco e Watson, será uma das edições de Cannes menos estreladas. Haverá Justin Timberlake e Ryan Gosling, mas sem figuras como Brad Pitt, Nicole Kidman, Robert Pattinson e Kristen Stewart como no ano passado, reside em Leonardo DiCaprio e o filme de abertura que estrela, O grande Gatsby, a grande coqueluche hollywoodiana dessa edição de Cannes.

1- O astro: Leonardo DiCaprio é a grande aposta para os holofotes em Cannes; 2- O filho pródigo: o idolatrado Roman Polanski volta em grande estilo à riviera francesa; 3- a estrela solitária: Valeria Bruni-Tedeschi é a única cineasta em competição na mostra oficial


Confira os filmes selecionados para a disputa da Palma de Ouro

Only God Forgives, de Nicolas Winding Refn

Borgman, de Alex Van Warmerdan
Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh
La Grande Bellezza, de Paolo Sorrentino
Jeune et Jolie, de François Ozon
Nebraska, de Alexander Payne
La Venus a la Fourrure, de Roman Polanski
Soshite Chichi ni Naru, de Kore-Eda Hirokazu
La Vie D'Adele, de Abdellatif Kechiche
Wara No Tate, de Takashi Miike
Le Passe, de Asghar Farhadi
The Immigrant, de James Gray
Grisgris, de Mahamat-Saleh Haroun
Tian Zhu Ding, de Jia Zhangke
Inside Llewyn Davis, de Ethan Coen, Joel Coen
Michael Kohlhaas, de Arnaud Des Pallieres
Jimmy P., de Arnaud Desplechin
Heli, de Amat Escalante
Un Chateau en Italie, de Valeria Bruni-Tedeschi



sábado, 6 de abril de 2013

Em off


Nesta edição de Em off, algumas apostas do blog para o line up do festival de Cannes 2013, o enigma de Robert Downey Jr. caindo na boca do povo, a promessa de um ano magnífico para Julianne Moore, as façanhas cada vez mais elogiosas de Matthew McConaughey, as elucubrações de Danny Boyle e o que há no futuro de Tim Burton.

Um ano para chamar de dela
Julianne Moore é daquelas atrizes obrigatórias para quem gosta de cinema. Extremamente talentosa, Moore, no entanto, ostenta poucos prêmios. Alguma redenção pode estar à espreita com a safra de 2013, já que ela estrela nada mais nada menos do que seis filmes com lançamento programado para este ano. De petardos comerciais (como o remake de Carrie – a estranha) a perolas indies (a estreia de Joseph Gordon-Levitt na direção com Don Jon e a comédia dramática The english teacher), Moore será uma das presenças recorrentes da temporada cinematográfica e isso é muito bom.
Além desses filmes, Moore estrela ainda o tocante What Maise knew, que integrou a seleção do último festival de Toronto, o thriller de ação Non stop ao lado de Liam Neeson e o início da saga que pretende ocupar o posto deixado por Harry Potter, The seventh son.

Julianne Moore em The seventh son, com lançamento previsto para novembro nos EUA: um ano intenso e plural


Cadê o McConaughey que estava aqui?
Há pelo menos dois anos se discute, nos mais variados fóruns cinéfilos, o giro de 180º impresso por Matthew McConaughey em sua carreira. Uma série de projetos, iniciados com o ótimo drama O poder e a lei lançado em 2011, colocaram o marido de Camila Alves no mapa dos atores mais requisitados e celebrados do momento. E a meritocracia não para de crescer. McConaughey parece decidido a só escolher os projetos certos. Ainda com o lançamento de Mud pendente, o ator começa a colher os frutos da primorosa sequência de trabalhos enfileirada (Magic Mike, Killer Joe, Bernie e The paperboy). Está no novo longa de Martin Scorsese, o antecipado The Wolf of Wall Street e perdeu peso para viver um aidético em Dallas Buyers Club. Mas esses eram projetos já anunciados. A novidade mais recente, divulgada na última semana, é de que o ator será o protagonista de Interstellar, ficção científica de Christopher Nolan e seu primeiro trabalho após a conclusão da trilogia do cavaleiro das trevas.
A notícia é sintomática do novo status do ator em Hollywood. Não obstante, ele ainda protagonizará uma minissérie policial para a HBO.

McConaughey bem mais magro, em imagem de dezembro de 2012, no set de filmagens de Dallas Buyers club: além do respeito de crítica e público, indicações ao Oscar pairam no horizonte

O que esperar do próximo filme de Tim Burton?
Tim Burton é um excelente cineasta. Conceitualmente e visualmente, é dos mais significativos da atualidade. Contudo, já há algum tempo vem sendo questionado pelo fato de ter se acomodado narrativamente e de seu cinema, e muitos veem a parceria com Johnny Depp como catalisadora disso, ter perdido expressividade.
O site Deadline divulgou na última semana que Burton será o diretor de Big eyes, filme cuja premissa grita por um diretor com o talento e a sensibilidade estética e narrativa de Burton. O filme mostrará um casal de pintores famosos por fazerem retratos de crianças com olhos grandes. Margaret e Walter Kane foram dois dos primeiros artistas a comercializar obras de arte como produtos nos idos dos anos 50 e 60. A união terminou e eles travaram longas disputas nos tribunais. Christoph Waltz e Amy Adams estão vinculados ao projeto e devem interpretar os protagonistas.
Big Eyes, que será produzido pela The Weinstein Company pode representar o retorno de Burton às boas críticas. O último filme do diretor a angariar massiva aprovação crítica foi Peixe grande (2003). E lá se vão dez anos!

O enigma de Robert Downey Jr.

Em 12 de fevereiro de 2012, claquete publicou na seção Insight um artigo bastante analítico sobre as escolhas de Robert Downey Jr. em sua fase mais dourada no cinema e sobre como elas o conduziram para um impasse. Downey Jr. é um bom ator ou apenas um sujeito eficiente em verter versões de si mesmo na tela grande? E mais: por que a durabilidade de séries como Homem de Ferro e Sherlock Holmes poderia se provar prejudicial à percepção que o público tem dele. A mais recente edição da revista Serefina, que estampa o ator em sua capa, apresenta uma matéria com questionamentos semelhantes. A ideia de que Downey Jr. esteja se esgotando já ronda Hollywood há algum tempo e Homem de ferro 3 será um valioso instrumento para apontar o caminho que o ator deve seguir daqui para frente.


O devaneio de Danny Boyle
O novo filme de Danny Boyle, um sofisticado suspense envolvendo hipnose e roubos de obras de arte (Em transe) é um das estreias do fim de semana nos EUA – no Brasil o filme chega no início de maio. Em uma das muitas entrevistas que fez para promover o filme, Boyle disse que não planeja mais trabalhar em produções de grande orçamento. Por isso rejeita a possibilidade de conduzir uma aventura de James Bond, ao qual frequentemente é vinculado. Some-se a isso, a percepção de que, para Boyle, uma grande estrela distorce um filme. Na visão do diretor vencedor do Oscar por Quem quer ser um milionário?, um astro de cinema desequilibra expectativas e perspectivas em um filme. Seja durante a produção do filme ou na recepção do público.
Apesar do radicalismo de Boyle, sua análise não está de toda errada. Um astro, de fato, altera o DNA de um filme. Essa questão já foi discutida por Claquete anteriormente sob muitos ângulos (clique aqui para conferir um deles) e voltará à pauta em uma futura seção Insight.

Algumas apostas para Cannes
Será anunciado nos próximos dias o line up do festival de Cannes 2013. Pode ser que não surja de pronto uma lista fechada com os 20 filmes que disputarão a Palma de ouro, mas cerca de 17 ou 18 filmes já devem ser confirmados. Como já é notório, a 66ª edição de Cannes terá Steven Spielberg como presidente do júri da principal mostra competitiva e O grande Gatsby como filme de abertura. Claquete indica alguns filmes que, na avaliação do blog, farão parte do evento. 

+ The Bling ring, de Sofia Coppola (EUA)
Sofia, que esteve em Cannes com Maria Antonieta em 2006, ainda deve um grande filme ao festival. Seria essa a chance? O filme já está pronto e Sofia é cult o suficiente para se garantir como uma das grandes atrações. De quebra, Emma Watson seria um ímã no tapete vermelho.

+ Blood ties, de Guillaume Canet (EUA)
O filme é americano, mas o diretor é francês. Aliás, diretor que também é ator e casado com Marion Cotillard, que protagoniza o filme. Ser um thriller dolorido e com forte proeminência dramática ajuda.

+ La granda bellezza, de Paolo Sorrentino (ITA)
Os últimos quatro filmes de Sorrentino debutaram em Cannes. O filme já está pronto. É só fazer as contas.

+ Twelve years a slave, de Steve McQueen (ING)
O novo do diretor de Shame com os astros Michael Fassbender e Brad Pitt, além da nova sensação Quvenzhané Wallis. Thierry Frémaux, diretor do festival de Cannes, deve estar se matando para garantir este filme no evento.

+ Jeunie et Julie, de François Ozon (FRA)
Depois de figurar dois anos consecutivos em Veneza, esse poderia ser o filme de retorno de Ozon a Cannes, onde somente disputou com Swimming pool em 2003. O filme ainda está em pós-produção. Se não ficar pronto a tempo, é certeza em Veneza. 

+ Lowlife, de James Gray (EUA)
Gray é um dos queridos de Cannes. Neste tenso drama estrelado por Joaquin Phoenix, Jeremy Renner e Marion Cotillard deve engatar sua segunda participação consecutiva na riviera francesa. Concorreu à Palma de ouro por seu último filme, Amantes em 2008.

+ Only God forgives, de Nicolas Winding Refn (EUA)
O diretor de Drive, uma das sensações do festival em 2011, e Ryan Gosling juntos novamente. Quem vai resistir? Cannes certamente não.

+ The past, de Asghar Farhadi (FRA)
Primeiro filme do diretor de A separação após a consagração internacional do filme vencedor do Oscar em língua estrangeira. É também seu primeiro filme fora do Irã e com astros franceses como Bèrenice Bejo e Tahar Rahin.

+Serra pelada, de Heitor Dhalia (BRA)
Um épico brasileiro sobre o maior garimpo a céu aberto do país. Uma história de ganância e violência com a sensibilidade de Dhalia, que causou boas impressões com À deriva, exibido em Cannes na mostra Um certo olhar.

+ The Nymphomaniac, de Lars Von Trier (DIN)
Von Trier em Cannes, a despeito das polêmicas exacerbadas de sua última participação, é sempre certeza. Ainda mais com um projeto tão polarizante como esse - um filme com cenas de sexo explícito.