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segunda-feira, 10 de março de 2014

Crítica: Inside LLewyn Davis – balada de um homem comum


Não se vê nenhum dinheiro aí...

Em um certo momento de Inside Llewyn Davis – balada de um homem comum (Inside Llewyn Davis, EUA 2013), o empresário musical vivido por F. Murray Abraham diz para Llewyn Davis, um homem que tenta aos trancos e barrancos vingar como músico, que não vê nenhum dinheiro nele. De forma dura e até mesmo cruel, o tipo avisa o procrastinado Davis que ele não tem o carisma e a simpatia de um cantor solo. Que ele deveria voltar a fazer dupla com seu antigo parceiro.  O que o homem ignora, é que o antigo parceiro de Davis se jogou da ponte George Washington. As pessoas costumam se jogar da ponte do Brooklin, lhe desautoriza outro personagem, vivido com rabugice por John Goodman. Esses dois recortes entregam: estamos em um território que os Coen conhecem bem. Dos losers. Dos expelidos do sonho americano.
Os Coen se aferram a um fiapo de trama, um homem que quer vingar na música no Greenwich Village de 1961, quando a cena folk emergia com toda a sua força em Nova Iorque, e que por razões diversas fracassa ruidosamente. Flagrando seu protagonista o tempo todo, os Coen fazem um tour de force de direção, uma raridade na cinematografia atual de fluxo constante e narrativa congestionada, exaurindo uma ideia remota em um filme muito rico sobre um zé-ninguém.
O caráter cíclico das andanças para lugar nenhum de Davis é muito bem salientada no final do filme quando a audiência se convence de que nenhuma catarse virá. Que Llewyn Davis continuará sendo o derrotado que sempre foi. Mas por quê? A pergunta é menos capciosa do que aparenta ser. Davis é um tipo autodestrutivo. A toda chance que tem de prosperar ele se sabota, ainda que inconscientemente. Engravida a mulher do amigo que lhe estende a mão, abre mão dos royalties de uma música apenas para ser pago na hora e comete outras displicências no curso do filme. O que os Coen sugerem muito sutilmente, e todo o filme é construído sobre sutilezas, é de que Llewyn Davis não dá certo na vida porque de alguma maneira quer dar errado. Há certa graça na sarjeta e como a canção que abre o filme e anuncia o seu fim, a forca não é raiz das preocupações de Davis, mas sim padecer eternamente no cemitério (um trabalho fixo, uma vida regrada?).

Oscar Isaac como Llewyn Davis: um ator que aceita o desafio de se expressar nas miudezas...

Interpretações à parte, Inside Llewyn Davis não é um dos highlights dos Coen, ainda que seja um filme digníssimo. É muito fácil entender sua ausência no Oscar. Um protagonista antipático, maravilhosamente adensado por Isaac, ator de fino trato e em franca ascensão, uma história que não chega a lugar algum e que apresenta uma moral que os próprios Coen já ofereceram com muito mais adrenalina em filmes como Um homem sério (2009) e O homem que não estava lá (2000).
É um filme, enfim, para a cinefilia e para aqueles que admiram a filmografia dos cineastas. Fora desse círculo, é um filme tacanho e sem grandes aspirações, tal qual seu protagonista. Como um bom folk, o novo filme dos Coen não é para todos os gostos. 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Os escolhidos para o 66º festival de Cannes


Justin Timberlake e Carey Mulligan em cena de Inside Llewyn Davis, novo filme dos irmãos Coen, um dos principais destaques do festival em 2013


Foi divulgado nesta quinta-feira (18), o line up da 66ª edição do festival de cinema de Cannes, que será realizado entre os dias 15 e 26 de maio e cujo júri será presidido por Steven Spielberg.
Muitos dos filmes que Claquete havia antecipado na última edição da seção Em off integram a mostra competitiva do festival; outros, como The bling ring: a gangue de Hollywood, de Sofia Coppola e Blood ties, de Guillaume Canet foram acomodados em outros eventos paralelos à competição principal.
À primeira vista, trata-se de uma lista de personalidade, mas inferior às últimas edições. Não há medalhões de Cannes como um Pedro Almodóvar, um Michael Haneke ou mesmo Lars Von Trier, que não conseguiu finalizar a tempo seu audacioso projeto The nymphomaniac. É uma das edições, também, com a menor participação de prévios vencedores da Palma de Ouro. Apenas os americanos Steven Soderbergh e os irmãos Coen e o franco polonês Roman Polanski já triunfaram em Cannes, respectivamente com Sexo, mentiras e videotape (1989), Borton Fink – delírios de Hollywood (1991) e O pianista (2002).
No entanto, é preciso reconhecer que a ausência dos titãs de Cannes oxigena o festival que pode ter a chance de apresentar ao mundo trabalhos mais arejados e inovadores. Chamam a atenção a forte presença americana, um hábito cada vez mais encorpado na riviera francesa, a retomada do cinema asiático à parte da produção sul-coreana (protagonista ao lado dos americanos das últimas edições do festival) e a presença solitária da atriz e diretora alemã Valeria Bruni Tedeschi como única mulher na disputa pela Palma de Ouro com Un Chetêau em Italie.
A Europa, como bloco, também se impõe e a América Latina novamente se encolhe. Apenas o mexicano Heli, do espanhol Amat Escalante, representa o continente que já havia desaparecido da seleção do ano passado.

Cartaz do novo filme de Asghar Farhadi, que suscita grandes expectativas, o primeiro depois do Oscar por A separação e o primeiro rodado na França

James Franco, figurinha carimbada dos últimos festivais de cinema (na foto em Berlim), estará na mostra Um certo olhar apresentado mais um filme dirigido por ele 

Expectativas
É inegável que as maiores expectativas pairam sobre a seleção americana. São cinco filmes, se contarmos a coprodução Only God forgives, de Nicolas Winding Refn, que também reúne França e Dinamarca como financiadores. Nebraska, de Alexander Payne é um road movie em preto e branco que dá sequência ao elogiado trabalho de Payne que lhe levou ao Oscar, Os descendentes. Inside Llewyn Davis é o aguardado mergulho dos irmãos Coen na cena folk americana que formou artistas como Bob Dylan. The immigrant, anteriormente chamado Low life, é o restabelecimento da parceria entre o diretor James Gray e Joaquin Phoenix. Prostituição, romance e violência estão no foco do filme. Behind de Candelabra, de Steven Soderberg é a segunda produção original para a tv a aterrissar em Cannes em quatro anos. Em 2010 foi a minissérie Carlos, de Oliver Assayas. Enquanto sinaliza uma flexibilização no conceito de arte e demonstra a força e representatividade da tv americana atual, a opção pelo filme sobre o compositor americano gay Liberace é também uma chance de trazer à pauta de Cannes um tema de reverberação mundial como a união homossexual.
Cena de Jeune et jolie, de François Ozon: um thriller com
forte voltagem sexual em uma edição com propensão
ao sexo
 
Outro filme bastante aguardado é Venus in fur, de Roman Polanski. A produção mostra uma atriz que tenta convencer um diretor de sua adequação para determinado papel. A fita é estrelada por Mathieu Amalric e Emmanuelle Seigner, mulher do diretor. O diretor também exibirá outro trabalho em uma sessão especial.
Outros filmes que suscitam expectativas na disputa pela Palma de Ouro são Jeunie et Jolie, de François Ozon, Le passe, de Asghar Farhadi, La Grande bellezza, de Paolo Sorrentino e Soshite Chichi ni naru, de Kore-eda Hirokazu.
James Franco, que ultimamente tem lançado um filme em cada festival de cinema, é um dos destaques da mostra Um certo olhar com As I lay dying. O principal evento paralelo à disputa pela Palma de ouro terá o filme de Sofia Coppola como exibição na abertura. E é a estrela desse filme que promete ser uma das sensações no tapete vermelho. Trata-se de Emma Watson em papel que Cannes espera desperte algumas polêmicas. A despeito de Franco e Watson, será uma das edições de Cannes menos estreladas. Haverá Justin Timberlake e Ryan Gosling, mas sem figuras como Brad Pitt, Nicole Kidman, Robert Pattinson e Kristen Stewart como no ano passado, reside em Leonardo DiCaprio e o filme de abertura que estrela, O grande Gatsby, a grande coqueluche hollywoodiana dessa edição de Cannes.

1- O astro: Leonardo DiCaprio é a grande aposta para os holofotes em Cannes; 2- O filho pródigo: o idolatrado Roman Polanski volta em grande estilo à riviera francesa; 3- a estrela solitária: Valeria Bruni-Tedeschi é a única cineasta em competição na mostra oficial


Confira os filmes selecionados para a disputa da Palma de Ouro

Only God Forgives, de Nicolas Winding Refn

Borgman, de Alex Van Warmerdan
Behind the Candelabra, de Steven Soderbergh
La Grande Bellezza, de Paolo Sorrentino
Jeune et Jolie, de François Ozon
Nebraska, de Alexander Payne
La Venus a la Fourrure, de Roman Polanski
Soshite Chichi ni Naru, de Kore-Eda Hirokazu
La Vie D'Adele, de Abdellatif Kechiche
Wara No Tate, de Takashi Miike
Le Passe, de Asghar Farhadi
The Immigrant, de James Gray
Grisgris, de Mahamat-Saleh Haroun
Tian Zhu Ding, de Jia Zhangke
Inside Llewyn Davis, de Ethan Coen, Joel Coen
Michael Kohlhaas, de Arnaud Des Pallieres
Jimmy P., de Arnaud Desplechin
Heli, de Amat Escalante
Un Chateau en Italie, de Valeria Bruni-Tedeschi



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

[Meme] Atualização 4

Item17 - Brasileirão 
Em exercícios como este nos damos conta de como o Brasil tem filmes para se orgulhar. São muitas produções boas. Mas o lugar comum impera aqui. Cidade de Deus é o filme mais maduro do cinema brasileiro em termos de linguagem e narrativa. A fita de Fernando Meirelles abriu horizontes para o cinema brasileiro e aproximou o público do país de seu cinema. De quebra, mostrou que a falta de domínio técnico estava deixando de ser um problema na produção cinematográfica nacional.



Item 18 - Melhor Animação
Se o negócio é dar vez ao coração, o campeão nessa categoria (e com folga) é O rei leão. A fita de 1994 permanece um primor de entretenimento familiar. Emocionante e divertido, esse clássico Disney ainda é a mais eloquente jornada do herói (conceito de fundo filosófico) a ter surgido no cinema.


Item 19 - O melhor Faroeste

Leone, Ford, Hawkes... são tantos papas do western que fica difícil escolher. Mas o tiro final coube a Clint Eastwood. O apogeu do western ocorre em Os imperdoáveis, filme revisionista que provê perspectiva ímpar ao maior dos gêneros americanos. Um clássico inesquecível e de profunda ressonância que, em última análise, desmistifica bem, mal e todo o sangue e balas que os separam.



Item 20 - Melhor comédia romântica
Meu Deus do céu! Ô item difícil! Para fazer uma “escolha democrática” aponto Simplesmente amor. Pela simples razão de que “a comédia romântica definitiva”, como promete o slogan, congrega todos os clichês em um filme coral deliciosamente apaixonante. O super elenco ajuda a tornar essa comédia romântica saborosa em algo bem próximo do conceito de inesquecível.

Overdose de declarações de amor: na fita de Richard Curtis, cujos créditos como roteirista incluem O diário de Bridget Jones, são muitas e variadas declarações de amor...


Item 21 - Preto no Branco (Melhor Noir)

A tentação era apontar O falcão maltês, excelente filme que marcou o início da parceria (dentro e fora das telas) entre Lauren Bacall e Humphrey Bogart, mas se justiça deve ser feita, é preciso citar o primoroso O homem que não estava lá dos irmãos Coen. Esse filme apresenta todos os elementos que consagraram o noir como gênero de sucesso nos idos dos anos 40 e 50 e ainda é temperado pelo humor seco dos Coen. Uma perola cinematográfica. 


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

OSCAR WATCH 2011 - A peleja dos diretores

Da esquerda para a direita: Darren Aronofsky (Cisne negro), David Fincher (A rede social), Tom Hooper (O discurso do rei), David O. Russell (O vencedor) e Ethan e Joel Coen (Bravura indômita)



O bem aventurado


David Fincher só tem oito filmes no currículo. Mas a qualidade com que exerce seu ofício sugere pelos menos cinco vezes esse número. O diretor de A rede social merece reconhecimento da indústria do cinema faz tempo. Pode obtê-lo por seu trabalho mais contido, mas não menos genial.


Prós:
+ Ganhou a maioria dos prêmios da temporada
+ Ganhou dois dos principais prêmios da Oscar season (Globo de ouro e critic´s choice awards)
+ É um trabalho artesanal de direção. Dos filmes dirigidos por Fincher é o que ele menos interfere como autor
+ Está a frente do filme mais premiado da temporada
+ Pode se beneficiar do consenso de que é preciso premiar um dos diretores mais autorais e capacitados do cinema americano atual
+Pode se beneficiar de uma divisão de prêmios entre O discurso do rei e A rede social. Configurando-se em uma escolha mais viável por ser um diretor mais tarimbado



Contras:
- É antipático
- Perdeu o prêmio do sindicato para o rival Tom Hooper
- Diferentemente dos outros candidatos não se engajou no prêt-à-porter da campanha pelo Oscar e preferiu tocar as filmagens de The girl with the dragon tattoo
- Não é seu melhor trabalho de direção e esse referencial pode pesar
- Perdeu há dois anos com um trabalho superior e com uma concorrência inferior


Segunda indicação
Indicação anterior: Melhor diretor por O curioso caso de Benjamin Button (2009)


A opção conservadora


Tom Hooper vem da TV e dos telefilmes de época. Quem acusa O discurso do rei de parecer uma produção da BBC cita as credenciais de Hooper para dar suporte a acusação. Apesar da intriga, Hooper mostra competência em urdir um filme de época, sobre a família real britânica, e revesti-lo de componentes tão cômicos quanto dramáticos. É um registro cuidadoso que, se não salta aos olhos, também não macula a lista dos candidatos do ano.


Prós:
+ É inglês e depois dos americanos, eles são os grandes vencedores nessa categoria
+ Ganhou o aval do sindicato dos diretores. De todos os sindicatos é o que detém maior percentual de acertos no Oscar
+ Apresenta o tipo de trabalho acadêmico que agrada a maioria dos votantes
+ É uma direção calcada na ausência de rompantes estilísticos. É o único dos trabalhos indicados nesses termos
+ Está a frente do filme que lidera a disputa pelo Oscar


Contras:
- É relativamente inexperiente em cinema. O discurso do rei é apenas seu terceiro filme. A academia pode julgar precipitado honrá-lo
- É uma direção calcada na ausência de rompantes estilísticos. É o único dos trabalhos indicados nesses termos
- Concorre com figuras mais famosas e admiradas pela indústria
- Perdeu o Bafta que sempre entorna para os ingleses, o que pode ser encarado como um balde de água fria


Primeira indicação


O ilusionista

Darren Aronofsky é, da lista, o maior interventor. Cisne negro foi concebido a sua imagem e semelhança, artisticamente falando. Há quem aprecie isso e há quem deteste. Aronofsky alimenta a dualidade com gosto. Uma direção vistosa, pouco sutil e polarizante, mas incrivelmente vibrante e simbólica. Pode não ser o mais sofisticado trabalho de direção do ano, mas é seguramente o mais inesquecível.


Prós:
+ É o diretor que mais intervenções estéticas fez em seu filme, dentre os indicados
+ Se apresenta com o trabalho mais autoral entre os concorrentes
+Seu filme reúne muitos admiradores entre os membros votantes


Contras:
- É um trabalho de direção pouco sutil. É raro o Oscar agraciar esse perfil de direção
- Está a frente de um filme sombrio e cheio de referências cinematográficas que, apesar de admiradas, não renderam prêmios
- Como os holofotes estão todos em Natalie Portman (estrela do filme), um reconhecimento a Aronofsky seria improvável


Primeira indicação


American legends


Nada melhor do que afagar o irascível e pensativo cinema dos irmãos Coen, esse patrimônio do cinema americano, quando eles prestam uma bela homenagem ao gênero mor da cinematografia ianque, o western. Bravura indômita não é só superior ao filme original de 1969, é um filme com alma. E os Coen souberam iluminá-la perfeitamente.


Prós:
+ Dos indicados são os que reúnem uma base mais sólida de fãs entre os votantes
+ Já receberam um Oscar e, é sabido, que para a dimensão de sua obra, um Oscar é pouco
+ Representam a aposta mais segura e, menos contraditória (vide Tom Hooper), para eleitores conservadores
+ A boa bilheteria do filme pode render um poder de sedução inevitável para os fãs dos Coen


Contras:
- Não é o melhor trabalho da dupla e até eles sabem disso
- Ganharam o Oscar há três anos atrás e não é comum reincidência tão breve na academia nos tempos modernos
- Não ganharam nenhum prêmio na temporada



Décima quarta indicação (também concorrem como roteiristas e produtores) e terceira nomeação na categoria
Indicações anteriores: melhor edição, direção e roteiro original por Fargo (1997), melhor roteiro original por E aí meu irmão cadê você? (2001), melhor edição, direção, roteiro adaptado e produção por Onde os fracos não têm vez (2008), melhor roteiro original e produção por Um homem sério (2010)
Vitórias anteriores: melhor roteiro original por Fargo (1997), melhor direção, roteiro adaptado e produção por Onde os fracos não têm vez (2008)



O desafiante


David O.Russell não é um grande diretor. Apesar de sempre ter se mostrado eficiente em seus trabalhos, ao lado de Tom Hooper é o patinho feio da lista. Em O vencedor, por seu trabalho mais convencional, Russell recebeu uma, até pouco tempo, improvável indicação ao Oscar. Nada mal para quem só tem 4 filmes no currículo. A presença no Oscar pode redirecionar os rumos da carreira de Russell e colocá-lo no caminho da grandeza. Potencial ele tem.


Prós:
+ Sua direção é econômica e eficiente. Em um ano que a academia acena para o tradicional, Russell rezou a missa direitinho
+ Realiza ótima direção de atores sem perder de vista o senso estético, uma qualidade que salta aos olhos em O vencedor


Contras:
- É um sujeito beeem antipático
- É uma direção muito convencional
- A força do elenco se impõe, com todos os méritos, ao trabalho de Russell
- a pecha de que a indicação já é suficiente

Primeira indicação

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Crítica - Bravura indômita

Beleza indomável


Não é a toa que o novo filme dos irmãos Coen ostenta dez indicações ao Oscar 2011, incluindo filme, direção, ator e roteiro adaptado. Bravura indômita (True grit, EUA 2010) remake do filme homônimo de 1969, dirigido por Henry Hathaway é de uma beleza e ressonância ímpares. Os Coen argumentam que seu filme é mais uma adaptação do livro de Charles Portis do que uma refilmagem da obra que deu o único Oscar a John Wayne. Há verdade na afirmação dos cineastas. O novo Bravura indômita além de ser mais soturno e ambíguo do que o primeiro filme, prima por diálogos ácidos e personagens de comportamento irascível. Algo identificável dentro da filmografia dos Coen. Talvez o autor Portis estivesse esperando ser traduzido para o cinema pelos Coen. A fidelidade ao livro é pressuposta. Tudo em Bravura indômita transpira minimalismo. Desde a caracterização do beberrão Rooster Cogburn por Jeff Bridges – que transita com sobriedade entre a caricatura e a verticalização do personagem – até a bela fotografia de Roger Deakins que propicia ao filme dos Coen daqueles momentos de contemplação de rara beleza.


Western puro sangue: Jeff Bridges e Matt Damon brilham no maior sucesso comercial da carreira dos irmãos Coen


A beleza de Bravura indômita, no entanto, não está restrita ao vistoso trabalho de Deakins, merecidamente indicado ao Oscar. Os Coen realizam um western clássico. Reverente. Em última instância, revitalizado. Diferentemente do austero e revisionista Onde os fracos não têm vez, Bravura indômita honra as tradições de um gênero em abusivo descaso. O filme dos Coen, embora recalcado pela contemporaneidade do registro, é um nostálgico exercício de cinefilia. Dos tempos em que o cinema americano autoral se valia da mise-en-scène dos filmes de bang bang para discorrer sobre valores morais e o estado das coisas no mundo. A preocupação dos Coen ao não refratar a violência (que surge sempre de forma inesperada e abrupta) do filme era reafirmar o gênero como propulsor da estética em que a violência viabiliza a arte. Tarantino (e seu Bastardos inglórios) é um dos que admite a influência direta desse modo de se fazer cinema.
A história de uma menina que busca justiça (ou seria vingança?) para seu pai, de um homem que se orgulha de poder confiscar bebidas e que ganha sentido novamente ao ser o depositário das esperanças dessa decidida menina de 14 anos é uma parábola das mais vigorosas sobre obstinação. Não deixa de ser uma aventura idílica também; reforçada pelo final de profunda ressonância dramática e beleza perene. Bravura indômita inscreve-se, portanto, como um filme de beleza indomável que vem proporcionar sobrevida a um gênero que andava um tanto esquecido, mas que os Coen demonstram ainda ser capaz de arrebatar multidões.

sábado, 8 de janeiro de 2011

OSCAR WATCH 2011 - O novo filme dos irmãos Coen se tornou um favorito ao Oscar?

Desde que foi anunciado, o remake de Bravura indômita foi tido como um dos sérios candidatos ao Oscar desse ano. E estávamos no meio de 2009. Embora os irmãos Joel e Ethan Coen refutem o título de remake (eles afirmam terem adaptado o romance original e não o filme de 1969 de Henry Hathaway), por se tratar do filme que deu o Oscar ao mito americano John Wayne, ninguém se atrevia a colocar a fita fora da lista de oscarizáveis. Os Coen já haviam feito o melhor western dos últimos anos, embora Onde os fracos não têm vez pouco remetesse aos filmes clássicos do gênero. Com Bravura indômita, os Coen entregam - por assim dizer - um western puro sangue.
A surpresa foi quando o filme foi totalmente ignorado pela associação de imprensa estrangeira (HFPA) que distribui o Globo de ouro. O filme não emplacou uma indicação sequer. As críticas americana e internacional se puseram a tentar desvendar o porque de tamanha atrocidade (combinadas com outras que a HFPA cometeu, que contribuíram para o descrédito que só faz crescer junto à associação). Mas o filme foi lembrado em prestigiadas listas como as do AFI, National Board of Review e indicado aos principais prêmios do Critic´s choice awards (que ao contrário do Globo de ouro é cada vez mais confiável e prestigiado). Seus intérpretes também foram lembrados em outras premiações, em especial a debutante atriz Hailee Steinfield.

Cena do elogiadíssimo Bravura indômita: western puro sangue com o acréscimo da fina ironia dos Coen



Isso tudo se deu antes do filme estrear. Quando Bravura indômita chegou as telas de cinema americanas, outra surpresa geral: o filme se tornou um campeão de bilheteria. Em duas semanas somou quase U$ 100 milhões de dólares. O que, para um filme dos irmãos Coen que arrecadam em média U$ 50 milhões, é um fato notável. No fim de semana do ano novo, Bravura indômita quase roubou a primeira posição do vencedor do final de semana anterior, Entrando numa fria maior ainda com a família (um legítimo blockbuster de férias) e teve apenas 0,2% (isso mesmo que você leu) de queda de ingressos vendidos em relação ao fim de semana anterior. O melhor aproveitamento do ano depois de A origem (outro blockbuster legítimo).
Esses dados puseram a indústria em estado de alerta. Analistas se lançaram ao insolúvel questionamento se o alto rendimento comercial do filme dos Coen influenciaria a corrida pelo Oscar, afinal, os formulários para que os indicados seja preenchidos acabaram de ser despachados, e tudo que se fala é no filme dos Coen. A Sony, que distribui o favorito na corrida (A rede social), resolveu relançar “o filme do Facebook” nos cinemas para lembrar os votantes que a fita de David Fincher também é um campeão de bilheteria (embora o aproveitamento de Bravura indômita nos EUA seja bem mais vistoso).
Na próxima segunda-feira, o sindicato dos diretores deve indicar os Coen ao seu prêmio e sacramentar de vez Bravura indômita como o mais forte oponente do filme de Fincher na corrida pelo Oscar. Com sólidas indicações (foi lembrado pelos sindicados dos roteiristas e produtores), o filme ainda tem outro fator de desequilíbrio a seu favor. Nos últimos 20 anos, sempre que um western (o gênero americano por excelência) disputou a estatueta de melhor filme, levou. Foi assim com Dança com Lobos em 1991, Os imperdoáveis em 1993 e o já citado Onde os fracos não têm vez em 2007.

sábado, 8 de maio de 2010

ÍCONES - maio 2010

Todo mês será submetida à votação do leitor de Claquete uma lista com 4 candidaturas. Para ser elegível a Ícone Claquete, é preciso ter deixado suas digitais no cinema. Pode ser um ator/atriz (eles devem ser maioria), diretor (a), roteirista, diretor (a) de fotografia, montador(a), produtor (a) e por aí vai. Caso o seu favorito do mês não seja eleito, não se preocupe. Assim como na política, é possível se candidatar novamente. A seleção é constituída aleatoriamente. Os fatores preponderantes e que todos os nomes apresentados reúnem são:
1- Reconhecimento da crítica
2- Importância na história do cinema mundial e/ou de seu país
3- Participação em projetos premiados
4- Contribuição para a afirmação do cinema como instituição de arte


A votação dura 10 dias e o vencedor, anunciado com pompa, irá integrar a página dedicada aos ícones do blog. Em abril, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar foi eleito Ícone Claquete e você já pode encontrá-lo na página de ícones do blog.



A fera


Sean Penn
Credenciais
49 anos
Natural de Santa Mônica, Califórnia (EUA)
mais de 100 indicações a prêmios
ator, diretor, produtor e roteirista
número de filmes: 40 como ator e 4 como diretor
Principais filmes: Na natureza selvagem, Milk – a voz da igualdade, A intérprete, 21 gramas, Sobre meninos e lobos, Os últimos passos de um homem, Vidas em jogo, O pagamento final e Picardias estudantis.


A dupla dinâmica


Joel & Ethan Coen
Credenciais
Joel Coen
56 anos
natural de Minneapolis, Minnesota (EUA)
mais de 150 indicações a prêmios
diretor, roteirista, montador e produtor

Ethan Coen
53 anos
natural de Minneapolis, Minnesota (EUA)
mais de 130 indicações a prêmios
diretor, roteirista, montador e produtor
número de filmes: 18
Principais filmes: Queime depois de ler, Onde os fracos não tem vez, Matadores de velhinhas, O homem que não estava lá, E aí meu irmão, cadê você?, O grande Lebowski, Fargo, Arizona nunca mais e Gosto de sangue.

* Os irmãos Coen entram juntos em uma só candidatura como ícone por sempre trabalharem juntos e toda a magnitude do cinema que produzem se concentrar sobre a dupla. A discrepância no número de indicações ocorre porque no principio da carreira apenas Joel, o irmão mais velho, assinava como diretor. Embora os dois dividissem a autoria do filme.



A divindade na terra


Meryl Streep
Credenciais
60 anos
natural de Summit, Nova Jersey (EUA)
mais de 190 indicações a prêmios
atriz
número de filmes: 55
Principais filmes: Simplesmente complicado, Dúvida, O diabo veste Prada, Mamma mia, As horas, Adaptação, Amor verdadeiro, As pontes de Madison, Ironweed, A mulher do tenente francês, Entre dois amores, A difícil arte de amar, A escolha de Sofia, Manhattan, Kramer vs Kramer e O franco-atirador


O mago do som



John Willians
Credenciais
79 anos
Natural de Long Island, Nova Iorque (EUA)
Mais de 210 indicações a prêmios
Compositor
Principais filmes: Star wars (todos os episódios), Indiana Jones (todos os episódios), memórias de uma gueixa, Superman (todos os filmes), Prenda-me se for capaz, Sete anos no Tibet, A lista de Shindler, Esqueceram de mim, Tubarão, Curtindo a vida adoidado e O resgate do soldado Ryan.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Movies great partnerships - Irmãos Coen e Roger Deakins


Os Coen (de óculos escuros) e Roger Deakins em locações no Novo méxico onde gravaram cenas de Onde os fracos não têm vez


Muita gente gosta do cinema dos irmãos Coen. Os irmãos cineastas criaram uma identidade bastante particular no cinema americano. Com seus personagens caricatos, seus roteiros tão inteligentes quanto intransigentes e com uma moral vaticinante, os irmãos rapidamente se tornaram cronistas contumazes da América e suas consternações. O que pouca gente sabe é que um inglês da pequena Devon, com oito indicações ao Oscar e que ministra cursos de fotografia em algumas escolas de cinema dos EUA tem muito a ver com essa identidade patenteada pelos irmãos Coen. Aos 61 anos, o diretor de fotografia Roger Deakins chega, com Um homem sério (novo filme dos Coen), a oitava colaboração com Joel e Ethan Coen.
Iniciada em 1996, com Fargo, a parceria, além de longeva, tem se mostrado bem sucedida. Deakins foi o fotógrafo de todos os filmes dos Coen desde então, com exceção de Queime depois de ler. Essa exceção deve-se ao fato de que Deakins estava envolvido em 4 filmes quando os irmãos começaram a filmar a comédia estrelada pelos amigos George Clooney e Brad Pitt; o que o impossibilitou de assumir a direção de fotografia do filme.

Deakins em ação: Ele é o diretor de fotografia vivo com mais indicações ao Oscar. Esse ano, porém, ele não concorre

“É tudo mais fácil quando você já sabe o que o diretor quer. Os ângulos que ele gosta de trabalhar e tudo o mais”, disse Deakins a revista American Cinematographer em 2008 quando fora indicado ao Oscar duplamente, pela fotografia de O assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford e por Onde os fracos não têm vez, dos Coen.
Joel Coen, por sua vez, disse a mesma publicação na ocasião que “Deakins é econômico, rápido, ativo e surpreendente. Quem não gostaria de tê-lo em uma equipe?”

Cena de Fargo: O inicio da prolífera parceria dos Coen e Roger Deakins


Eles e o Oscar
Embora ainda não tenha vencido um Oscar, Deakins é o diretor de fotografia vivo, mais indicado ao prêmio da academia. São oito indicações, das quais 4 por trabalhos desenvolvidos com os Coen.
Um homem sério também chegou ao Oscar. Com duas indicações (filme e roteiro original). Apesar de não ter recebido indicação por fotografia, Deakins pode ser considerado tão autor do filme quanto os Coen. O processo colaborativo deles avançou para um processo de criação em conjunto. Os três já trabalham no próximo filme, True Grit, que deve ser lançado ainda em 2010.

Billy Bob Thorton em cena de O homem que não estava lá: Os Coen e Deakins revitalizaram o cinema noir no século XXI


Os filmes da parceria:
Fargo (1996)
O grande Leboswki (1998)
E aí meu irmão, cadê você? (2000)
O homem que não estava lá (2001)
O amor custa caro (2003)
Matadores de velhinha (2004)
Onde os fracos não tem vez (2007)
Um homem sério (2009)

Legenda: Indicado ao Oscar

Movie Pass - Um homem sério

A seção Movie Pass desse mês destaca um filme que acabou de estrear nos cinemas brasileiros. O novo filme dos irmãos Coen, Um homem sério (A serious man, EUA 2009), porém, já é cult por natureza. Como o é toda e qualquer obra dos cineastas que miram a América com sua verve criativa e subversiva.
Com duas indicações ao Oscar 2010 (filme e roteiro original), o filme mostra a história de um homem, membro diligente de uma comunidade judaica, que sem mais nem menos tem sua vida virada do avesso. É vitima de suborno e sabotagem no trabalho, sua mulher exige o divórcio porque se apaixonou por outro (e ela age em relação a isso como se fosse a coisa mais natural do mundo), um irmão invejoso e encostado não lhe dá trégua, tão pouco os filhos...
A vida de Larry (vivido pelo bom e comedido Michael Stuhlbarg) é tomada literalmente por um tsunami. Aliás, um terremoto funciona como uma metáfora eloquente em uma das cenas do filme, cuja critica pode ser conferida no post abaixo.
O novo filme dos Coen não é fácil. Exige familiaridade com a linguagem do cinema dos irmãos e, mais que isso, disposição para rir da desgraça junto com eles.


Critica - Um homem sério

A desgraça do homem comum


Em seu novo filme, os Coen mais uma vez riem da tragédia. Só que agora, o motivo de riso é a nossa tragédia

O novo filme dos irmãos Coen, Um homem sério (A serious man EUA 2009), é uma comédia de humor negro bem ao gosto dos irmãos cineastas e de seu público cativo. Um filme hermético, com uma veia satírica em ebulição e uma visão pessimista da América.
No novo filme, os Coen adentram a comunidade judaica (de onde eles e também grande parte da comunidade hollywoodiana advém) para satirizar o homem comum em tempos que demandam cinismo e relativismo. No calidoscópio dos Coen, ser bom, integro, justo e agregador pode ser tão perigoso quanto ser passivo, apreensivo, ingênuo e conservador. É uma questão de percepção, pondera Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg) certa vez, ao tentar entender o porque de em certo momento sua vida ter sido virada do avesso sem que ele tivesse feito nada que pudesse ser considerado errado. Ou que pudesse ter precipitado uma ação divina contra sua pessoa.
A provação a qual esse homem sério, tal qual Jó na bíblia, é submetido, o faz questionar os propósitos de se seguir códigos morais, religiosos e sociais. A busca incessante de Larry pela guia dos rabinos e as respostas evasivas que ele recebe destes remetem ao que os Coen dizem desde Fargo (1996). Em um mundo como esse, ser sério é não querer ser levado a sério.
O fato do filme se passar em uma época não bem especificada, embora a direção de arte e fotografia nos façam crer que aquele é um subúrbio dos EUA dos anos 60 ou 70, e da história se desenvolver no âmago de uma comunidade judaica só acrescentam ao comentário que o filme se comina. O mundo está perdido não é de hoje. A cena final do filme, anticlimática - como nos últimos filmes dos Coen, mostra isso de forma riquíssima e contundente. A paciência é uma virtude mais dos incautos do que dos corretos. E isso pode ser decisivo.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Os 25 melhores filmes da década: 17 - Onde os fracos não tem vez

“Qual foi o máximo que você já perdeu no cara ou coroa?"


Sinopse:
Após uma negociação de drogas mal resolvida, Llewelyn Moss, um típico Cowboy americano, pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh, um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. No rastro dos dois está o xerife Ed Tom Bell.

Comentário:
Um filme revisionista por vocação e cult por natureza. Esse western solene dos irmãos Coen baseado na pessimista novela de Cormac McCarthy é um elaborado estudo sobre os limites da violência. Sobre a passagem do tempo e os conflitos geracionais que se estabelecem acerca do tolerável e do condenável. Personagens fortes que trafegam com autoridade pelo caricato e pelo sutil, narrativa poderosa, fotografia arrebatadora e um discurso bem incisivo, apesar do final aberto e anticlimático. Onde os fracos não tem vez é cinema de grande qualidade artística, mas antes disso de ressonância filosófica. Um filme contundente como poucos em sua contemporaneidade.

Prêmios:
Vencedor de 4 Oscars (filme, direção, roteiro adaptado e ator coadjuvante); 3 Bafta (direção, ator coadjuvante e fotografia); melhor filme pelas associações de críticos de Boston, Dallas, Chicago, Ohio, Denver, Las Vegas, Flórida, Londres e Nova Iorque; Prêmio do sindicato dos diretores; prêmio do sindicato dos montadores; prêmio do sindicato dos produtores; prêmio do sindicato dos roteiristas; melhor elenco e melhor ator coadjuvante pelo sindicato dos atores; vencedor dos prêmios de filme, direção, elenco e ator coadjuvante pelo círculo de críticos de Phoenix, San Diego, São Francisco e Toronto; 2 globos de ouro (ator coadjuvante e roteiro); 3 critic´s choice awards (filme, direção e ator coadjuvante); competição oficial do festival de Cannes.

Curiosidades:
- Embora o filme se passe no Texas, a maior parte da produção foi rodada em Las Vegas
- No Brasil, o penteado do vilão vivido por Javier Barden foi comparado ao do personagem Beiçola do seriado da TV globo, A grande família
- Assim como Clint Eastwood, Orson Welles e Warren Beatty, os irmãos Coen conseguiram a proeza de serem indicados a 4 Oscars por um mesmo filme. No caso de Onde os fracos não têm vez, eles foram indicados por produção, direção, roteiro e montagem.
- Javier Barden que ganhou o Oscar por seu desempenho, sagrou-se o primeiro ator espanhol a levar o prêmio
- Em 2007, ano de lançamento do filme, Josh Brolin e Tommy Lee Jones também tiveram performances elogiadas em outros filmes. O gangster, no caso do primeiro, e No vale das sombras, o segundo. Tommy Lee Jones, foi inclusive indicado ao Oscar por esse outro filme.
- Quentin Tarantino, que fazia junto com Josh Brolin o projeto Grindhouse, filmou a fita que Brolin enviou para os irmãos Coen para se candidatar ao papel.
- Onde os fracos não tem vez é um dos poucos trabalhos dos irmãos Coen que não é original.

Ficha técnica:
título original: No Country for Old Men
gênero: Drama
duração: 02 hs 02 min
ano de lançamento: 2007
estúdio:Paramount Vantage / Miramax Films / Mike Zoss Productions / Scott Rudin Productions
distribuidora: Miramax Films / Paramount Pictures
direção: Ethan Coen , Joel Coen
roteiro: Ethan Coen e Joel Coen, baseado em livro de Cormac McCarthy
produção: Ethan Coen, Joel Coen e Scott Rudin
música: Carter Burwell
fotografia: Roger Deakins
direção de arte: John P. Goldsmith
figurino: Mary Zophres
edição: Ethan Coen e Joel Coen
Elenco: Josh Brolin, Tommy Lee Jones, Javier Bardem e Woody Harrelson




Fonte: arquivo pessoal

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Movie Pass

E já que o nome do momento é Jeff Bridges, o ator vem papando prêmios e mais prêmios por seu papel em Coração louco. O Movie Pass desse mês destaca um filme que ajudou a fazer do ator uma figura para lá de cult nos EUA. O grande Lebowski (The big Lebowski, EUA 1998), filme dos irmãos Coen, traz Bridges como o personagem título. Um sujeito fanfarrão que vive chapado e ouvindo rock que é confundido com um milionário por bandidos tão tapados quanto ele. O grande Lebowski não é para todos os públicos e certamente não é um grande filme. Mas é um filme carismático que se assenta primordialmente sobre o talento de Bridges. O grande Lebowski é indicado também para quem gosta, ou quer conhecer, a obra dos irmãos Coen. Os irmãos melhoraram muito o seu texto desde então, mas já ali apontavam sua verve corrosiva para a América profunda e seus tipos antiquados.


sábado, 31 de outubro de 2009

De olho no futuro...

Os três tenores
Essa semana aconteceu algo que certamente adentrará os anais da história do cinema. Bruce Willis, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger gravaram uma cena para o filme Os mercenários, dirigido por Stallone. O filme, que foi parcialmente rodado no Rio de Janeiro, mostra um grupo de mercenários destacado para depor um ditador na América latina. O filme, um projeto antigo do eterno Rambo, reúne um timaço de craques de filmes de ação. Com nomes como Jason Stathan, Jet Li, Mickey Rourke e Dolphen Longley. Mas é inegável o apelo desse trio que marcou época no gênero e, de certa forma, é responsável por sua solidificação no cinema.

O novo faroeste dos irmãos Coen
Depois de ganharem o mundo, e o Oscar, com Onde os fracos não tem vez, os irmãos Coen retornam ao Western. Novamente adaptando um trabalho elogiado. Dessa vez, os Coen realizarão uma refilmagem, tal qual fizeram com Matadores de velhinha. Bravura indômita é refilmagem do filme de mesmo nome estrelado por John Wayne em 1969. Na história, um xerife e uma menina partem em busca do assassino do pai dela em território indígena. No elenco da refilmagem já estão certos Matt Damon, Josh Brolin e Jeff Bridges. Promessa de chapa quente á frente.

A gestação de Sinatra

Existem papéis que são disputados a tapas em Hollywood. Seja pela evidência que proporcionam ou pelo potencial de prêmios que antecipam, causam verdadeiras guerras nos bastidores. Um desses papéis é o de Frank Sinatra na biografia que Martin Scorsese vai realizar para a Universal. O jornal britânico The Guardian publicou reportagem, essa semana, sobre o imbróglio que anda mexendo com a cidade do anjos. São 3 os nomes cotados para viver “os olhos azuis” na tela grande. O primeiro deles é Leonardo DiCaprio, que segundo fontes anônimas largaria na frente por ser habitual colaborador de Scorsese, além de ter olhos azuis, claro. George Clooney seria o preferido de Tina Sinatra que gostaria de ver o pai vivido pelo ator de quem é fã confessa. Executivos ligados a produção prefeririam, no entanto, Johnny Depp, que, supõe esses executivos, foi talhado para viver o personagem.
A coluna lembra ainda de Chris Pine, que foi um dos primeiros nomes cotados para interpretar o ícone. E que, francamente, se ajusta muito melhor a figura do biografado do que todos esses outros nomes.



Sinatra, Di Caprio, Clooney e Pine: O papel mais disputado em Hollywood atualmente

E os alienígenas querem tomar o lugar dos vampiros
Ultimamente na ficção não tem tido para ninguém. Os vampiros dominaram com presas, sangue e muito charme. Mas velhos conhecidos querem derrubar os dentuços do trono. Depois do acachapante Distrito 9 (atualmente em cartaz nos cinemas do Brasil), vem aí uma nova safra de filmes protagonizados por aliens ou por nossos defensores. Além dos anunciados reboots de Aliens, com Ridley Scoot de volta a cadeira de diretor, e Predador, a cargo de Robert Rodriguez, essa semana a Columbia anunciou a terceira parte de MIB. Isso mesmo Homens de Preto 3 vai acontecer. O roteirista Ethan Cohen de filmes como Trovão tropical e Madagascar 2 é o responsável pelo roteiro. O estúdio não divulgou mais detalhes sobre a produção. Mas é de se imaginar que haja um pré – acordo com Tommy Lee Jones e Will Smith. Afinal de contas, sem eles não tem graça. Literalmente.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Notas

O novo filme dos Irmãos Coen A serious man, terá estréia mundial no festival de Toronto que ocorrerá entre os dias 10 e 19 de setembro. Toronto é disputado por estúdios e estrelas, pois habitualmente é lá que é dada a largada pela corrida para o Oscar. Ali surgem os primeiros nomes a serem considerados para a disputa. Também participarão de Toronto, Pedro Almodóvar com seu mais recente filme Los Abrazos rotos e a atriz Drew Barrymore que debuta na direção com Whip it. Aguardem cobertura do festival aqui em Claquete.


Outro importante festival anunciará sua seleção competitiva amanhã. Veneza, o festival mais antigo do mundo e um dos mais importantes, terá o júri presidido por Ang Lee. O taiwanês que triunfou lá duas vezes nos últimos cinco anos presidirá um júri pela primeira vez. Amanhã Claquete anuncia os filmes que integrarão a seleção oficial do festival.


Quentin Tarantino e Brad Pitt estiveram essa semana em Berlim para promover o aguardado Bastardos inglórios. Diretor e astro foram puro bom humor como mostra a foto abaixo:
Foto: Fabrizio Bensch/ Reuters

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Movie Pass

Hoje o Movie Pass destaca mais um filme dos irmãos Coen. Queime depois de ler é uma comédia de humor negro das mais inusitadas. E também das mais inteligentes. O último filme dos irmãos Coen, o primeiro depois do Oscar de melhor filme por Onde os fracos não tem vez, não é para qualquer platéia. O peculiar senso de humor da dupla, incensado ao extremo por muitos, está mais presente nessa fita do que se poderia imaginar após o sucesso e a notoriedade oferecidos pelo Oscar.
Os Coen aqui fazem uma salada envolvendo a Cia, personal trainers e a volatilidade das relações amorosas no século XXI. Para tanto, contam com um elenco de peso com nomes como George Clooney ,Brad Pitt e John Malkovic, entre outros. O curioso sobre Queime depois de ler é justamente o paradoxo que ele representa. Apesar de reunir a nata de Hollywood, é um filme que não se encaixa nos pressupostos hollywoodianos. Nem em termos narrativos, muito menos em virtude da experiência que proporciona. A combinação desses fatores, elevou a fita, ainda que precocemente, a um status cult.

A seguir o trailer do filme e a minha critica:


Um mundo mergulhado na paranóia!
Depois de vencerem o Oscar com o sombrio e pessimista Onde os fracos não tem vez, os irmãos Coen voltam a comédia de equívocos, mas não abandonam o pessimismo ou a crueza com que se habituaram a retratar a América.
Queime depois de ler (Burn after reading, EUA 2008) terceira colaboração dos irmãos diretores com o astro George Clooney é também a mais bem sucedida da dupla. Não só comercialmente( o filme registrou a maior bilheteria do fim de semana de estréia no mercado americano e também a maior da carreira dos diretores), mas também artisticamente.
O filme versa sobre a paranóia. E seu efeito alienante, lascivo, contraditório e porque não cômico. Os Coen brindam seu público com uma deliciosa comédia de espionagem, em que um agente da CIA (John Malkovic) após ser despedido da agência, escreve um livro de memórias, que sua esposa, que planeja o divórcio, rouba pensando tratar-se de uma relação de suas finanças. O CD acaba perdido no chão da academia em que trabalham Frances Mcdermond, relações públicas que sonha em realizar algumas cirurgias plásticas, e Brad Pitt, um personal Trainer abobalhado. George Clooney faz um policial aposentado que se inscreve em sites de encontro para mulheres de meia idade.
O filme é uma farra. Mas é também uma poderosa critica ao establishement americano. O primeiro alvo dos Coen é a própria CIA. Que na visão dos cineastas está superada. E hoje vive consertando os próprios erros na falta do que fazer. Sobra para o culto a imagem. A obsessão por um corpo malhado. A queda e desvalorização do conceito de casamento. E o sexo como motor das relações sociais. Os Coen trabalham sabiamente esses elementos e enxergam na paranóia tão inerente ao tempo em que vivemos a válvula propulsora de tamanha desconjuntura.
Os atores se revelam um prazer á parte. George Clooney, John Malkovic, Brad Pitt e J.K Simmons estão no melhor da forma. Clooney atinge o ápice da canalhice vivendo um papel que está na cara curte interpretar. Pitt faz um paspalho com alguma graça. Mas é Simmons no pequeno papel de um diretor do alto escalão da CIA quem transforma o filme em um produto acima da média.