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domingo, 8 de setembro de 2013

Insight - Overdose de festivais de cinema?


Brad Pitt em Toronto, ator e produtor de 12 years a slave, um dos principais aspirantes ao próximo Oscar, Pitt foi um dos que optou por levar o filme apenas ao festival canadense, apesar do assédio de outros eventos

É pacífico que os festivais de cinema são importantes para estimular os negócios, conferir visibilidade ao cinema independente, direcionar e pavimentar o cinema autoral, entre outras epifanias que circundam o circuito de festivais e estão na ponta da língua de seus apreciadores. No entanto, como sugere o engarrafamento de festivais de cinema nesse segundo semestre, essa tão bem sucedida e propagada dinâmica pode estar em vias de saturação. O festival de Veneza, o mais antigo do mundo e um dos mais tradicionais, já há algum tempo briga para manter sua relevância. A grande mídia, nesta última edição, vaticinou que em matéria de influência já perde para Toronto. Talvez passe por isso a superlotação cada vez maior de produções anglo-saxônicas em Veneza (em 2013 são oito de 20 filmes em competição). Toronto rapidamente se firmou como principal plataforma do Oscar, mas nos últimos anos tem atraído, também, produções europeias e asiáticas para lançamento na América do Norte. Em virtude dos festivais ocorrerem em paralelo, muitas produções acabam sendo selecionadas para ambos e outras optando por Toronto, que mesmo não sendo competitivo, favorece a carreira comercial de um filme.
Toronto e Veneza polarizam as atenções por serem os festivais mais prestigiados do semestre, mas até dezembro um sem número de festivais de média ou grande projeção também acontecem e desinflacionam o impacto primário que eventos desse perfil deveriam ocasionar. Nova Iorque (EUA), San Sebastian (ESP), Pequim (Chi), Tóquio (JAP), Roma (ITA), Londres (ING), Rio de Janeiro (Brasil) e AFI Institute (EUA) são alguns dos muitos festivais agendados para essa concorrida época do ano. O calendário do Oscar que começa com o outono do hemisfério norte está todo voltado para Toronto (majoritariamente) e Veneza (pontualmente), o que torna os outros festivais esvaziados da produção americana. Justamente por isso, eventos como Londres e San Sebastian correm para fazer premières europeias de alguns dos mais aguardados lançamentos da temporada e homenagens às carreiras de proeminentes membros da realeza hollywoodiana. Às vezes a estratégia vinga. Às vezes não. Londres, esse ano exibirá os dois aguardados filmes protagonizados por Tom Hanks (Captain Phillips e Saving Mr. Banks), mas a primazia ainda será de Toronto.

A atriz Dakota Fanning, a diretora Kelly Reichardt e Jesse Eisenberg de Night moves, filme que participa de quatro festivais até seu lançamento comercial em outubro, em Veneza onde a produção foi exibida fora de competição

Dakota Fanning, ainda com sorriso no rosto, poucos dias depois divulgando o mesmo filme em Toronto

No Brasil, criou-se uma solução relativamente controversa para a rivalidade entre a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro que rivalizam por espaço no calendário. Como o Rio, que tem mostra competitiva de filmes nacionais, é sempre porta de entrada no Brasil de filmes bem sucedidos em festivais ao redor do mundo, a Mostra decidiu, há três anos, aprofundar sua garimpagem e só apresentar filmes inéditos em festivais no Brasil (o que quer dizer que não tenham sido exibidos no festival do Rio). A decisão, aparentemente positiva e certamente corajosa, se revela problemática. A qualidade da Mostra certamente decaiu, assim como a média de público nos últimos anos. Ainda que a organização não oficialize isso. Oficialmente, a Mostra está na berlinda em virtude da morte em 2011 de seu idealizador e curador, Leon Cakoff.
Curadoria de festivais exige bons contatos, prestígio e elementos de barganha. A multidão de festivais ataca essas três frentes. Não é algo que vá repercutir imediatamente, ainda que já haja sinais perceptíveis, mas enquanto alguns festivais não sobreviverão, outros precisarão repensar seriamente sua posição no calendário e sua capacidade de penetração. Nova Iorque, por exemplo, sedia anualmente seis festivais de cinema. O que leva o nome da cidade é apenas o mais novo deles. Vai para sua quinta edição. Roma é outro festival jovem. O evento acontecerá em novembro pela sétima vez e tem como grande objetivo sugar prestígio do rival Veneza. Al Pacino, Meryl Streep, Richard Gere e Sylvester Stallone foram algumas das personalidades homenageadas nos últimos anos.
Apesar de parecer o contrário, essa overdose de festivais não é boa para o cinema. Até porque poucos se concentram em lançar novos talentos. Esses festivais se concentram no início do ano (Roterdã, Sundance, Recife, Tribeca, entre outros), mas brigam pelos que já estão disponíveis. Isso resulta em canibalização dos festivais de cinema pelo marketing promocional dos estúdios e no empobrecimento dos eventos enquanto balão de oxigênio da sétima arte.

sábado, 3 de setembro de 2011

Cenas de cinema

Aplaudido, mesmo ausente
Foi uma histeria. A crítica de cinema se pronunciou com entusiasmo mediante o novo filme de Roman Polanski. Carnage agradou. O grupo de atores formado por Jodie Foster, John C.Reilly, Kate Winslet e Christoph Waltz – os três últimos compareceram à premiere do filme – foi louvado por atuações orgânicas e viscerais. O New York Times considerou “um filme brutal sobre a demolição de fachadas”. O Hollywood Reporter destacou em sua cobertura especial que “Polanski faz um retrato social ácido e pessimista”.
Roman Polanski foi bastante aplaudido e tem seu Carnage na linha de frente para os prêmios – ainda que desponte como favorito aos prêmios de atuação e roteiro.


É Madonna...
Era até certo ponto previsível. W.E, segundo longa metragem de Madonna, foi fortemente vaiado e ridicularizado pela crítica internacional. O destempero das críticas não se refletiu no trato com a diretora na coletiva em Veneza. Madonna agradeceu ao incentivo de Guy Ritchie e Sean Penn, dois diretores com os quais foi casada, e disse que é difícil fazer um filme sobre o amor. Nisso, a crítica não discordou dela.
Em uma das avaliações mais positivas de W.E, a Vanity Fair destacou: “é uma colagem sem vida de clichês amorosos”. Out!

Madonna, na condição de diretora, entre as duas protagonistas de seu filme: vaias e ridicularizações


...mas é Madonna
Resta saber como a Harvey Weinstein, o mega produtor americano semeador de Oscars, vai armar a campanha do filme – programado para estrear em plena Oscar season – depois desse portentoso revés em Veneza.


O triunfo de Cronenberg
“O melhor filme do festival”, bradaram jornais da Itália (Corriere Della Sera), da Inglaterra (The guardian) e dos EUA (New York Times). Trata-se de A dangerous method, de David Cronenberg. Alçado pela crítica a condição de favorito absoluto “em qualquer categoria”, assinalou o New York Times.
A reconstituição da relação entre os psicanalistas Freud e Jung agradou a crítica e aos jornalistas presentes em Veneza. “É um filme econômico, magnificamente escrito e brilhantemente interpretado”, escreveu o Hollywood Reporter em sua resenha.


O mesmo, mas um pouco diferente
David Cronenberg, indagado por jornalistas se considera que seu cinema mudou disse que não. Mas abriu uma ressalva para seu método de produção: “O que mudou é que hoje eu filmo menos e edito mais rápido”, avaliou o diretor canadense que enumera sucessos de crítica desde que estabeleceu a parceria com o ator americano Viggo Mortensen, que em A dangerous method substituiu o austríaco Christoph Waltz como Sigmund Freud.

David Cronenberg posa ao lado de Keira Knightley, a única que não foi unanimidade no filme, antes da coletiva de imprensa de A dangerous method



O mesmo, mas um pouco diferente II
O desafio de Cronenberg será Cosmópolis, seu próximo filme agendado para 2012. Sem Viggo Mortenssen, o diretor conta com Robert Pattinson a frente de um elenco com Paul Giamatti, Mathieu Amalric, Samantha Morton e Juliette Binoche para contar o drama na vida um milionário baseado em Manhattan.


O fator Aronofsky

A pergunta que Claquete lança é: Será que pelo fato de Aronofsky vir de uma experiência tão intensa em um thriller psicológico (Cisne negro), o novo trabalho de Cronenberg ganha força?



E as vaias voltaram...
O longa francês Un Été Brulant, anunciado como uma releitura de Godard, não agradou e fez com que vaias fossem ouvidas novamente em Veneza (elas já haviam sido ouvidas na exibição do filme de Madonna e do taiwanês Saideke Balai -este em competição). O novo longa de Philippe Garrel foi recebido com desânimo e desencanto pelo crítica. Os jornalistas presentes em Veneza preferiram concentrar as energias em Monica Bellucci que surge nua em cena gravada apenas um mês depois de ter dado à luz.
Louis Garrel, filho do diretor e protagonista da fita, defendeu seu pai das críticas e disse que há muita intolerância da crítica de cinema com cineastas que pensam fora das convenções. “Parece que não há mais espaço para agressividade no cinema”, pontuou Louis. O jornal britânico Telegraph rebateu as assunções de Louis: “não se trata de agressividade, mas sim de passividade na concepção dos personagens”.


Disputa de alto nível
Com três dias de disputa, a crítica de cinema se regozija com o alto nível do festival. Medido pelos filmes Tudo pelo poder, Carnage e A dangerous Method. As vaias para os outros filmes em competição, inclucive para o premiado Philippe Garrel, só ratificam a excelência de alguns filmes da mostra.


Bendito fruto
Na esteira da escolha do line up do exclusivo festival de Telluride (mais na nota abaixo), que acontecerá entre hoje e segunda-feira nos Estados Unidos, um nome desponta como forte candidato a darling da temporada de prêmios. O de Michael Fassbender, inegavelmente um dos atores mais produtivos da temporada.
Elogiadíssimo por sua atuação como Carl Jung em A dangerous method, exibido em competição em Veneza, Fassbender estará em dose dupla em Telluride. Além de A dangerous method, o festival apresentará Shame, novo longa de Steve McQueen – que já havia dirigido o ator em Hunger (2008).
Ambos os filmes também estarão em Toronto que também deverá ter exibição de Haywire, de Steven Soderbergh. Outro longa com a participação de Fassbender.
Vale lembrar que o ator já colheu fervorosos elogios por dois filmes estreados fora da Oscar season: x-men:primeira classe e Jane Eyre.

Michael Fassbender faz pose para os fotógrafos em Veneza: para o alto e avante...


Para os íntimos
Com acesso para lá de restrito, esse festival organizado para mimar produtores, exibidores, distribuidores e seletos críticos de cinema chega a sua 38ª edição com vitalidade. Serão 28 filmes exibidos em quatro dias de festival. As estréias de gala ficam por conta de The descendants, novo longa de Alexander Payne, Albert Nobbs, de Rodrigo Garcia, A dangerous method, de David Cronenberg, Shame, de Steve McQueen e We need to talk about Kevin, de Lynn Ramsey.
Os atores George Clooney e Tilda Swinton, que juntos já estrelam o oscarizado Conduta de risco – que também foi exibido neste festival – serão homenageados.
O músico baiano Caetano Veloso é o curador convidado para a principal mostra paralela do evento. Entre os destaques dos seis filmes selecionados por Caetano para entreter os convidados estão Deus e o Diabo na terra do Sol, de Glauber Rocha, Vivre sa vie, de Jean-Luc Godard e Se meu apartamento falasse, de Billy Wilder.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Cenas de cinema

Na terra do sangue e mel

O título, tão improvável, pegajoso e atraente, é do novo filme de Angelina Jolie, o primeiro em que ela atuará como diretora. Angelina recebeu a reportagem da Vanity Fair para falar, basicamente, sobre a experiência de dirigir In the land of blood and honey. A matéria estampará a capa da revista americana em outubro. Angelina rememora os árduos momentos da pré-produção, em que chegou a ter a licença para filmar na Bósnia revogada, e teoriza sobre intolerância nos sets de filmagens depois de dirigir: “Brad acha que eu ficarei ainda mais impaciente com os diretores. Isso porque eu já sou chata”, relatou à revista.
Jolie disse que se apaixonou por dirigir. Seu filme está marcado para dezembro e provoca ansiedade na crítica e indústria de cinema.
A atriz aproveitou, ainda, para esclarecer que não está grávida e não tem planos de adotar mais um rebento.


As últimas de Sean Penn
E o Sean Penn hein? Desembestou ao politicamente incorreto com uma habilidade que não é dele. Primeiro andou falando mal da ex Scarlett Johansson. Segundo as famosas fontes anônimas, Penn teria ficado bem chateado com a loira que andou declarando que ele fazia o tipo possessivo e ciumento. Não obstante, Penn concedeu duas entrevistas matadoras nas últimas semanas.
Na primeira, concedida ao jornal francês Le Fígaro, o ator admitiu ter ficado descontente com o corte final de A árvore da vida, filme que estrela e venceu a Palma de ouro no último festival de Cannes. Segundo Penn, o filme poderia ter uma narrativa mais convencional sem gerar prejuízos a seu aspecto visual. “Até agora eu não sei dizer qual foi minha contribuição para o filme”, afirmou Penn. Em outra entrevista, à revista Serafina, o ator disse que atualmente tem dois critérios para escolher um trabalho. Ou trabalha com amigos ou com quem admira muito, ou em projetos que lhe ofereçam muito dinheiro. “Aí eu leio o roteiro até a décima página”, brincou.

Quando não dá entrevistas matadoras, o ator é visto ao lado da nova namorada que, como se vê, não é loira...


O inferno de Gibson em parcelas
Mel Gibson continua recolhendo os cacos de sua união com a cantora russa Oksana Grigorieva. Aconteceu nesta quarta-feira em Los Angeles a audiência que oficializou o acordo elaborado há dois meses entre os advogados das partes. Gibson pagará U$ 750 mil a título de indenização a Grigorieva e terá de prestar apoio financeiro a filha do casal, que está prestes a completar dois anos, nos mesmos moldes do que presta a seus outros sete filhos.
A mansão em que Grigorieva vive continuará sob seus cuidados até que a criança complete 18 anos. Aí, a mansão será vendida e a renda entregue a filha de Gibson e Grigorieva. Essa resolução, que não constava do acordo inicial, partiu do juiz.
Ambas as partes se comprometeram a não publicar livros ou divulgar gravações a respeito do período em que a união existiu.
Gibson saiu satisfeito com o acordo e agradeceu ao juiz pela justa condução e pela conclusão razoável.


“É, antes de tudo, um filme sobre moralidade”

Assim definiu George Clooney seu thriller político que deu pontapé inicial na 68ª edição do Festival de Veneza. Tudo pelo poder, título nacional para The ides of March, não foi uma unanimidade entre os jornalistas presentes no lido. O The guardian elogiou o cinismo do filme, enquanto O New York Times sublinhou o ceticismo com que Clooney tratou o meio político.
Em Tudo pelo poder, Clooney vive o presidenciável Mike Morris e é na articulação política para erigir sua candidatura que o filme se desdobra. Ryan Gosling, que não compareceu ao evento, faz o protagonista. O time de estrelas que compõe o filme, e que esteve na premiere oficial, merece atenção: Phillip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Marisa Tomei e Rachel Evan Wood. Tudo pelo poder está previsto para ser lançado no Brasil em 15 de outubro.


Entre Hollywood e Washington
O tom politizado, como era de se esperar, predominou na coletiva de imprensa do filme. Clooney negou interesse em concorrer a cargos políticos e afirmou estar otimista com a política americana. “Estamos vivendo um tempo difícil (em alusão óbvia as sucessivas crises político-econômicas), mas vai melhorar”. O ator refutou a sugestão de que seu filme é uma crítica aos Estados Unidos e ao partido democrata em particular. Mas está ciente do pessimismo que apresenta em seu filme. Tanto é, que em entrevista ao britânico The Guardian antes do festival de Veneza, Clooney admitiu que adiou o começo da produção de Tudo pelo poder porque com a eleição de Obama em 2008, o momento não seria oportuno. Para bom entendedor...
                                                        Foto: Getty images
George Clooney, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood e Phillip Seymour Hoffman batem um papo momentos antes da exibição de gala de Tudo pelo poder em Veneza


Se fosse hoje...
O blog IndieWire, que rasgou elogios para o filme (ainda que não o considere um potencial vencedor do Oscar), já chutou uma aposta até mesmo palpável para a capa da edição do homem mais sexy da People em 2011: Ryan Gosling.
Para o IndieWire, não tem concorrência. Gosling, além de revezar uma série de altos em um espaço de 12 meses (Namorados para sempre, Drive, Amor a toda prova e Tudo pelo poder) está cada vez melhor nas telas e fora delas.

Ryan Gosling em  foto do editorial da revista americana Interview: cada vez mais in...


Com medo de julgar
O cineasta Darren Aronofsky admitiu na entrevista coletiva de apresentação do júri do 68º festival de Veneza que fica desconfortável com o termo “julgar”. “Acho a palavra muito forte. Me dá medo”, pontuou o diretor que já triunfou em Veneza em 2008 com O lutador. “Talvez devêssemos usar outro nome que não jurados”, indicou o diretor americano. Aronofsky, no entanto, se disse entusiasmado com os 22 filmes escolhidos para compor a mostra oficial: “Poucas vezes se viu catálogo tão privilegiado”.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

As tropas de Toronto e Veneza

Foi uma semana agitada para quem respira cinema. Enquanto a batalha nas bilheterias é dos blockbusters Harry Potter e Capitão América, o cinema de arte e se alvoroça com os lançamentos do outono no hemisfério norte. A nata desses lançamentos está selecionada para os dois principais festivais de cinema do período: Veneza e Toronto. Essas são as plataformas primais para quem objetiva figurar na lista de oscarizáveis. Veneza, que chega a sua 68ª edição, divulgou nesta quinta-feira (28) os 21 filmes que irão disputar o leão de ouro a ser outorgado pelo júri presidido pelo cineasta Darren Aronofsky. O mais antigo festival de cinema do mundo ainda irá apresentar um 22º filme para a competição durante a realização do evento. A pegadinha se tornou praxe em Veneza nos últimos três anos.
Muitos dos filmes que estarão em Veneza também serão exibidos em Toronto, um festival cujo único prêmio é concedido pelo público, mas onde imperam verdadeiros balcões de negócios.
No grupo que joga nos dois times estão The ides of March, de George Clooney, W.E, de Madonna, Dark horse, de Todd Solondz e A dangerous Method, de David Cronenberg. O filme de Clooney merece menção especial. Será o filme de abertura em Veneza, no dia 31 de agosto, e terá uma das 11 premieres de gala programadas para Toronto. Cotadíssimo para o Oscar, será das estréias mais concorridas em ambos os festivais.

O bem sacado cartaz de The ides of march, estrategicamente divulgado nesta semana, antecipa a dubiedade que o drama político sugere capturar



Supremacia americana

Confirmando uma tendência que se instalou nos últimos anos, a seleção oficial em Veneza privilegia a cinematografia americana. São cinco fitas originárias do país presidido por Barack Obama. Se adotarmos a língua inglesa como critério de acepção, são 11 longas dos 21 selecionados falados no idioma; inclusive o aguardadíssimo Carnage do franco polonês Roman Polanski. A co-produção entre França, Espanha, Alemanha e Polônia é falada em inglês e estrelada por Jodie Foster, Christoph Waltz, Kate Winslet e John C. Reilly. O filme é uma aposta segura da Sony Classics para a temporada de premiações e pode começar a recolher louros no festival italiano.
Se alguns projetos aguardados como os novos de François Ozon, Wong Kar Wai e Walter Salles ficaram de fora da seleção por problemas com a finalização, os novos filmes de Philippe Garrel, David Cronenberg, Todd Solondz, Aleksander Sorukov, Abel Ferrara, William Friedkin e Tomas Alfredson foram escolhidos.
A seleção, que pode ser conferida mais adiante nessa matéria, constata o rigor e a qualidade com que são feitos os processos de escolha para compor o festival. Veneza ainda se beneficiou do fato de que três filmes cotados para Cannes, entre eles A dangerous method, não ficaram prontos a tempo de serem incluídos naquele festival.
O festival de Veneza será acompanhado de perto pelo blog com atualizações diárias. A 68ª edição do evento italiano acontecerá entre os dias 31 de agosto e 10 de setembro.

Matthew McConaughey e Emile Hirsch em cena de Killer Joe, novo trabalho de William Friedkin 


Philippe Garrel volta a dirigir seu filho, Louis, em A burning hot summer, também estrelado pela italiana Monica Bellucci: o filme é uma releitura de Acossado, de Godard


Competição oficial:


The Ides of March, de George Clooney (EUA)
O espião que sabia demais, de Tomas Alfredson (ITA/FRA/ING)
Wuthering Heights, de Andrea Arnold (ING)
Texas Killing Fields, de Ami Canaan Mann (EUA)
A Dangerous Method, de David Cronenberg (ALE/CAN)
4:44 Last Day on Earth, de Abel Ferrara (EUA)
Killer Joe, de William Friedkin (EUA)
The Exchange, de Eran Kolirin (ISR/ALE)
Alps, de Yorgos Lamthimos (GRE)
Shame, de Steve McQueen (ING)
Carnage, de Roman Polanski (FRA/ALE/ESP/POL)
Chicken With Plums, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud (FRA/BEL/ALE)
A Burning Hot Summer, de Philippe Garrel (FRA)
A Simple Life, de Ann Hui (CHI/Hong Kong)
Faust, de Aleksander Sokurov (RÚS)
Dark Horse, de Todd Solondz (EUA)
Himizu, de Sion Sono (JAP)
Seediq Bale, de Wei Desheng (Taiwan)
Quando la Notte, de Cristina Comencini (ITA)
Terraferma, de Emanuele Crialese (ITA)
L'Ultimo Terrestre, de Gipi (ITA)


Fora de competição:

W.E, de Madonna (ING)
Wilde Salome, de Al Pacino (EUA)
Contagion, de Steven Soderbergh (EUA)


Pit stop campeão

A tradição de plataforma para as grandes premiações que Toronto consolidou ao longo dos anos, pôde ser conferida novamente no ano passado. Dos dez longas indicados ao Oscar de melhor filme, sete foram lançados no evento sediado na cidade canadense e o vencedor do Oscar, O discurso do rei, foi eleito pelo público o melhor filme do festival.
Por isso, dá para entender porque os estúdios aceitam espremer lançamentos, disputam as estréias de gala a tapas e despacham montanhas de estrelas para os tapete vermelho que toma conta da cidade por duas semanas. É lógico, também, que gente do naipe de Pedro Almodóvar, George Clooney, Lars Von Trier, Nanni Moretti, Fernando Meirelles, Alexander Payne, Marc Foster, Cameron Crowe e Francis Ford Coppola se acotovele por um espaço no festival que permite que a crítica especializada fomente as primeiras especulações (que podem ser decisivas) para a Oscar season.


O cartaz da comédia dramática 50/50, em que Joseph Gordon-Levitt descobre-se vítima de câncer. O título é uma referência as suas chances de sobrevivência 


O documentário de Cameron Crowe, Pearl Jam twenty, devassa a trajetória de uma das maiores bandas americanas de todos os tempos. Outro documentário sobre uma famosa banda, o U2, abrirá o evento no dia 8 de setembro


Toronto enseja no mercado americano alguns filmes de selo artístico com forte identificação européia. É o caso de We need to talk about Kevin, de Lynne Ramsay. O filme estrelado por Tilda Swinton esteve em Cannes, assim como estiveram Melancholia, A pele que eu habito, Habemus papam, Drive e The artist. Essa é outra vocação de Toronto. Recuperar e apresentar aos distribuidores americanos sucessos de crítica de outros festivais. Coriolanus, estréia na direção de Ralph Fiennes, por exemplo, estreou em fevereiro no Festival de Berlim e tentará distribuição nos EUA através do festival de Toronto.
O leitor pode conferir a lista completa dos filmes que irão compor o 36º festival de Toronto. Grafados em vermelho estão aqueles que já chegam em Toronto envoltos em Oscar buzz. Em azul, estão os que o blog acha que irão chegar com força à temporada do Oscar.
Nas próximas seções Em off, mais destaques dessa seleção de Toronto. Não perca!


Anonymus, de Roland Emmerich (Ingl/Ale)
50/50, de Jonathan Levine (EUA)
Habemus papam, de Nanni Moretti (ITA/FRA)
Drive, de Nicolas Winding Refn (EUA)
Coriolanus, de Ralph Fiennes (ING)
A pele que eu habito, de Pedro Almodóvar (ESP)
Melancholia, de Lars Von Trier (DIN/FRA/ALE)
We need to talk about Kevin, de Lynne Ramsay (ING)
360, de Fernando Meirelles (ING/FRA/BRA/Áustria)
Dark horse, de Todd Solondz (EUA)
The deep blue sea, de Terence Davies (EUA/ING)
The descendants, de Alexander Payne (EUA)
Friends with the kids, de Jennifer Westfeldt (EUA)
Jeff who lives at home, de Jay Duplass e Mark Duplass (EUA)
Machine Gun preacher, de Marc Foster (EUA)
Martha Marcy May Marlene, de Sean Durkin (EUA)
The oranges, de Julian Farino (EUA)
Pearl Jam twenty, de Cameron Crowe (EUA)
Rampart, de Oren Moverman (EUA)
Salmon fishing in the Yemen, de Lasse Hallström (ING)
Take shelter, de Jeff Nichols (EUA)
The eye of Storm, de Fred Schepisi, (Aus)
Twixt, de Francis Ford Coppola (EUA)
The artist, de Michel Hazanavicius (FRA)
11 flowers, de Wang XiaoShuai (Chi)


Estréias de Gala
The ides of March, de George Clooney (EUA)
Moneyball, de Bennett Miller (EUA)
A dangerous Method, de David Cronenberg (ING/Fra/Can/Ale)
The Lady, de Luc Besson (FRA/ING)
Peace, love & misunderstanding, de Bruce Beresford (EUA)
Take this Waltz, de Sarah Polley (CAN)
W.E, de Madonna (ING)
From the Sky down, de David Guggenhein (EUA)
Butter, de Jim Field Smith (EUA)
A happy event, de Rémi Bezançon (FRA)
Albert Nobbs, de Rodrigo Garcia (ING/IRL)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Tira-teima

Todo mês de setembro eles tomam conta do noticiário cinéfilo. Os festivais de Toronto e Veneza ocorrem no mês da primavera aqui no Brasil e é neles que florescem os grandes lançamentos que tomarão os cinemas do mundo todo nos próximos meses. A seção Tira-teima deste mês opõe para o cinéfilo que freqüenta Claquete estes dois tradicionais palcos do cinema.


Idade

Veneza: 67 anos
Toronto: 35 anos


O hype
Veneza
É considerado padrão de qualidade internacional. Produções exibidas em Veneza imediatamente adquirem prestígio artístico e crítico

Toronto
É em Toronto que hoje ocorre a maior feira de distribuidores do cinema. Equiparável aquela que dá verniz ao festival de Sundance. Em Toronto, a coisa é maior, porque não é só o cinema independente que está em foco. Muitos filmes estrangeiros só asseguram distribuição nos EUA após serem exibidos em Toronto




Em comum:
Além de dividirem o mesmo mês, os dois festivais apontam tendências similares. Por exemplo, em 2010, há menos filmes em exibição tanto em Veneza quanto em Toronto. Assim como há predomínio de produções americanas. Ambos também têm mostras dedicadas a exibir os trabalhos de novos diretores.

domingo, 12 de setembro de 2010

Os vencedores do 67o Festival de cinema de Veneza


Somewhere, de Sofia Coppola recebeu o Leão de ouro neste sábado sagrando-se o grande vencedor do festival. “Esse filme nos conquistou desde a primeira cena e só foi crescendo ao longo da projeção”, explicou o presidente do júri Quentin Tarantino ao justificar o eleito. A Coppa Volpi de melhor ator ficou com Vincent Gallo pela fita polonesa Essential killing, um filme mudo em que as expressões são muito valorizadas. A fita recebeu também o prêmio especial do júri. A Coppa Volpi de melhor atriz foi para Ariane Labed do filme grego Attemberg. O leão de prata foi para o espanhol Álex de la Iglesia com seu Balada triste de trompeta, que também recebeu o prêmio de roteiro.
No geral, a repercussão foi tímida. Além de uma seleção fraca esse ano (que já vale os comentários de que Veneza 2010 será rapidamente esquecida), os prêmios polarizados em três produções (sendo que dois beneficiados são amigos pessoais de Tarantino) ratificam a impressão de que Veneza 2010 não foi uma bola dentro. As sonoras vaias, algo incomum, no anúncio de alguns premiados reforçou essa sensação.


Confira todos os premiados em Veneza 2010:

Leão de Ouro
Somewhere, (EUA), de Sofia Coppola

Prêmio especial do Júri
Essential Killing, (Polônia, Noruega, Hungria, Irlanda), de Jerzy Skolimowski

Leão de Prata para melhor direção
Álex de la Iglesia por Balada Triste de Trompeta (Espanha, França)

Copa Volpi para melhor ator
Vincent Gallo por Essential Killing

Copa Volpi para melhor atriz
Ariane Labed por Attenberg (Grécia)

Prêmio Marcello Mastroianni para ator ou atriz revelação
Mila Kunis por Black Swan (EUA)

Osella para melhor fotografia
Mikhail Krichman por Ovsyanki (Rússia)

Osella para melhor roteiro
Álex de la Iglesia por Balada Triste de Trompeta

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Claquete destaca

+ “Uma utopia conjugal”. Assim definiu seu filme sobre dois casais que iniciam um jogo erótico, o diretor Antony Cordier. O filme francês Happy few foi exibido com alguma polêmica na semana passada no Festival de Veneza. Para o diretor, seu filme “é muito obsessivo”, portanto não daria para avaliá-lo dentro dos moldes da Nouvelle Vague, como sugeriram críticos desgostosos da produção.


+ Também em Veneza, Sofia Coppola foi bastante aplaudida após a exibição de seu mais recente trabalho, Somewhere. Coppola já era tida como favorita mesmo antes da premiação, mas os favoritos nem sempre correspondem a seus pesos em festivais. Na coletiva, a diretora admitiu que o filme, que mostra a relação de uma menina com seu pai ator, tem “cores autobiográficas”.

Pai e filha de mentirinha: Stephen Dorff e Ellie Fanning também compareceram a premiere internacional do filme

+ Um pouco de feminismo, uma pitada de política, um comentário sobre o socialismo e a misoginia em voga na França. É mais ou menos esse o tempero de Potiche, nova comédia do diretor François Ozon lançada neste final de semana em Veneza. A fita foi muito aplaudida na sessão para a imprensa e também na sessão oficial. Em tempo, o filme anterior do diretor francês, O refúgio (dessa vez um drama) tem estréia marcada para a próxima sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro.


+ Martin Scorsese também esteve em Veneza. O diretor exibiu no sábado A letter to Elia em que ressalta a importância de um cineasta que passou a ser contestado por algumas de suas atitudes (como o fato de ter colaborado com o Marcathismo).


+ O americano, nova fita estrelada por George Clooney, superou as expectativas do estúdio e assumiu a liderança do feriado do dia do trabalho nos EUA. O filme, considerado um trabalho artístico, superou estréias de maior apelo como Machete, dirigido por Robert Rodriguez e Amor à distância, romance estrelado por Drew Barrymore e Justin Long.



+ O americano, que deve estrear em novembro no Brasil, fez U$ 16 milhões, mas não evitou desse ser o feriado do dia do trabalho de menor faturamento desde 1997. Machete, que abriu em terceiro com U$ 11,3 milhões, decepcionou o estúdio que esperava uma abertura em torno de U$ 25 milhões.



+ O crítico Roger Ebert, o mais popular e famoso crítico de cinema do mundo, escreveu critica elogiosa a O americano. Para o crítico o novo filme de George Clooney é “um entretenimento surpreendentemente agradável”.



+ Amanhã será exibido às 22h no canal Fox o último episódio da primeira temporada de Glee, grande fenômeno de mídia dessa última temporada. Enquanto isso, os dois últimos cds com coletâneas de músicas interpretadas pelo elenco da série já estão disponíveis nas lojas do país.



+ Aconteceu no primeiro, aconteceu no segundo e, também aconteceu no set de filmagens de Transformers 3. Uma cena envolvendo muitos carros, ou seja quase que qualquer uma em tratando-se de Transformers, deu errado e a figurante Gabriella Cedillo, de 24 anos, ficou gravemente ferida. Ela já passou por uma cirurgia e seu quadro, segundo boletins médicos, é estável. A Paramount e a Dreamworks (estúdios responsáveis pelo filme) ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o ocorrido.

Shia LaBeouf ao lado de Michael Bay nos sets de Transformers 3: tudo parado até segunda ordem...

+ Em Another year, um dos filmes que será exibido no próximo festival de Toronto, Mike Leigh retoma um universo que lhe é muito particular. O cotidiano da classe média inglesa e sua inadequação a certos pendores sociais. O casal vivido por Jim Broadbent e Ruth Sheen tem sua doce rotina perturbada por visitantes que vivenciam momentos de desequilíbrio em suas vidas. O filme, que debutou no último festival de Cannes, tem recebido fortes elogios e menções da crítica, sendo apontado como uma das certezas para a próxima temporada de premiações.


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Cenas de cinema

O sorriso do Mickey Mouse
A Disney está rindo à toa. No fim do mês passado, Toy story 3 ultrapassou a fronteira do U$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais. A fita que traz a terceira aventuraAdicionar imagem de Buzz, Woody e companhia tornou-se a sétima fita a atingir essa marca. A segunda este ano. Para a Disney, a comemoração é dupla. Além de ter emplacado Alice no país das maravilhas no mesmo rol este ano, o estúdio se tornou o líder do clube do bilhão com três produções (além das já citadas, há Piratas do Caribe: baú da morte), contra duas da Fox (Avatar e Titanic) e duas da Warner (O senhor dos anéis: o retorno do rei e Batman- o cavaleiro das trevas).


Vem intriga por aí...
A rede social, novo filme de David Fincher, é um dos filmes mais aguardados desse final de ano. Baseado no livro "Accidental billionaires", de Ben Mezrich, A rede social mostra o que seriam as origens e as circunstâncias da criação do Facebook, em uma história cercada de intrigas, polêmicas e traições. Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin, co-fundadores do Facebook, se manifestaram recentemente desautorizando o filme. Para eles, o filme é uma ficção e o público não irá acreditar nela. Já os produtores do filme capitaneados pelo veterano Scott Rudin disseram que ambos leram o roteiro antes do inicio das filmagens e sugeriram mudanças. “Houve alguns desacordos”, acrescentou Rudin.
Segundo apurou o diário San Francisco Chronicle, a contenda seria resultante de “verdades conflitantes” que já constam originalmente no livro. Rudin acrescentou em depoimento ao New York Post: “Eu também não gostaria de ver um filme sobre os erros que cometi quando tinha 19 anos. Mas eu não inventei o Facebook”. A rede social estréia nos EUA no próximo dia 1º de outubro.

Cena de A rede social: filme desautorizado, mas quem se importa...




Um bonachão em Veneza
Quentin Tarantino foi o grande destaque da coletiva de imprensa que o júri oficial do festival de Veneza 2010 deu esta semana. Com um traje para lá de informal, falando praticamente o tempo inteiro (há relatos de que o roteirista e diretor mexicano, Guillermo Arriaga, outro integrante do júri, teria ficado impaciente com o fato), Tarantino fazia questão de declarar (mais uma vez) seu amor ao cinema. Veterano de júris (já presidiu um júri em Cannes), o diretor afirmou que adora estar em júris, pois pode ver filmes do mundo inteiro sem absoluta noção do que esperar.



Why the fucking hell ain´t this guy in the movie bussiness?
Essa foi a declaração que David Fincher deu quando indagado pela reportagem da Entertainment Weekly sobre o por que de ter escalado Justin Timberlake para A rede social. Segundo o diretor, quem quer que veja as esquetes cômicas de Justin no Saturday Night Live sabe que ele foi talhado para o cinema. O ator e cantor tem quatro projetos engatilhados. A mais recente adição foi I´m.mortal, ficção científica em que o envelhecimento para aos 25 anos de idade. Andrew Niccol (Gattaca – a experiência genética), que dirige a fita, fez declaração similar a Fincher, mas também lisonjeira. “David Fincher ao escalar Timberlake para seu filme, o elevou a um outro status como intérprete”, afirmou. What goes around, comes around, já afirmava Justin naquele clipe com Scarlett Johansson.


Ela é a musa nerd da atualidade. Ela foi Neytiri em Avatar e Uhura em Star Trek em um mesmo ano (2009). Zoe Saldana que estrelou cinco filmes em 2010, o último (Takers) acabou de estrear nos EUA é a nova garota propaganda da Calvin Klein. Muito a vontade, a atriz posou para as fotos da campanha em Los Angeles. Claquete mostra porque Zoe é musa.








Cinco coisas que você deveria saber sobre o Festival de Veneza

1 – A edição 2010 de Veneza é a que conta com a mais baixa média etária entre os diretores participantes de todos os 67 anos do festival

2 – Depois de premiar Stallone por sua carreira como diretor de cinema, Veneza reserva para este ano a mesma distinção honorária a John Woo, outro ícone da ação.

3 – Produções da França, EUA e Itália foram as mais exibidas no festival ao longo de seus 67 anos.

4 - Na década de 2000, o cinema dos EUA reinou em Veneza. Foram três leões de ouro para produções americanas.

5- O festival de Veneza foi o primeiro a reconhecer a grandeza do cinema de Akira Kurosawa. Foi lá que ele recebeu seu primeiro prêmio
de prestígio, pelo aclamado Rashomon em 1951



Passarela


Jason Stathan faz pose na premiere londrina de Os mercenários, que ocorreu no dia 14 de agosto



Socos e sorrisos: Lundgren, Stallone e Stathan fazem o que sabem fazer melhor para as câmeras...


Jessica Alba, uma das estrelas de Machete (nova produção de Robert Rodriguez), compareceu à premiere do filme no último dia 25 de agosto em Los Angeles


Noite de festa: 1 - Casados na vida real, Anna Paquin e Stephen Moyer foram só sorrisos no tapete vermelho do Emmy no dia 29 de agosto; 2 - George Clooney foi com a namorada para recber o prêmio Bob Hope em reconhecimento a seu trabalho humanitário; 3 - Lea Michele, a estrela de Glee, brilhou, mas sua série não; 4 - January Jones estava radiante no tapete vermelho; 5 - Jonh Hamm, seu marido na ficção, causou frisson no público ao passar pelo tapete vermelho


Al Pacino ganhou seu segundo Emmy pela arrebatadora performance em You don´t know Jack



Amor à distância, novo filme produzido e estrelado por Drew Barrymore teve a premiere mais festejada do mês em Los Angeles: 1 -Drew posa para foto com seus cabelos esvoaçantes; 2 -Kate Beckinsale também compareceu; 3 -Drew mostra todo o seu carinho com a colega de elenco Christina Applegate; 4 - Drew e Justin Long que na vida real estão "enrolados" posam para a foto mais fofa da noite


Termômetro



Super hot


O ego de Sheldon vai explodir: Parsons beija seu Emmy...

Jim Parsons
O intérprete de Sheldon Cooper na hilária The big bang theory venceu no último domingo o Emmy de melhor ator em série de comédia. A vitória justíssima e clamada por público e crítica foi a mais comentada e festejada da premiação. Parsons foi trending topic no twitter por 48 horas das mais variadas maneiras. Sheldon won, Jim Parsons wins, The big bang theory got it e Bazinga! (um bordão de seu personagem). A prova definitiva de que ser nerd é cada vez mais cool.


Hot



O último exorcismo
A produção de U$ 2 milhões fez bonito em sua estréia nos EUA arrecadando U$ 21 milhões. O filme que segue a linha, embora com uma produção um pouco mais caprichada, de produções como Atividade paranormal e A bruxa de Blair é, na falta de candidato mais propício, a grande sensação do Box Office americano.




Just fine


O elenco de Mad men recolhe mais um prêmio: eles ainda não cansaram...

Mad men
Ok, a série anda sobrando na TV americana. É super justo premiar o melhor e mais inteligente show da atualidade, mas será que não tem nada de qualidade similar que pudesse evitar que a série criada por Mathew Weiner ganhasse seu terceiro Emmy no seu terceiro ano em competição? Esse é o burburinho em Hollywood. Enquanto isso Dexter e Damages seguem sem consagração.


Cold



Jennifer Aniston
Não tem jeito. Jennifer Aniston tenta, mas falha copiosamente em se tornar uma movie star. Sua mais recente comédia romântica só não passou despercebida pelos cinemas porque a crítica fez o favor de malhá-la. Jennifer só não está uma escala abaixo no termômetro porque muito tem se falado de sua participação especial no seriado da amiga Courtney Cox, Cougar town.



So cold



Paris Hilton
Pois é, a socialite conseguiu nos últimos instantes roubar essa posição da darling Lindsay Lohan ao ser presa com cocaína. Paris será indiciada pelo porte da droga, que apesar de ter sido encontrada em sua bolsa, é, segundo Paris, de uma amiga.





Movie Quizz



1- Quantos filmes George Clooney e Brad Pitt fizeram juntos? E quais foram eles?

2- Nesse ano, duas canções diferentes intituladas “Never say never” fizeram parte da trilha sonora de dois filmes exibidos nos cinemas brasileiros. Quais filmes foram esses e quais os intérpretes das canções?

3 – Essa você já viu em Claquete. Quais atores contracenaram tanto com Jennifer Aniston quanto com Angelina Jolie como seus pares românticos?

4 – Qual foi a maior bilheteria do verão americano em 1999?

5 – Qual a formação profissional do ator sueco Dolph Lundgren, atualmente em cartaz com Os mercenários?

* Responda o Movie Quizz deste mês aqui mesmo no tópico de comentários.Participe! As respostas serão disponibilizadas no tópico de comentários no domingo, 5 de setembro.

Fotos: divulgação, Getty images e France express

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Os eleitos de Veneza



O francês François Ozon é o único cineasta europeu de renome a integrar a mostra competitiva de Veneza em 2010

Foi divulgada hoje a seleção oficial do 67º festival de cinema de Veneza. O júri presidido pelo cineasta Quentin Tarantino irá avaliar 22 filmes em competição oficial. Desta mostra, há forte presença americana, algo que vem sendo reiterado em Veneza nos últimos anos. Os novos trabalhos de Sofia Coppola (Somewhere), Darren Aronofsky (Black Swan) e Julian Schanabel (Miral) estão entre os destaques. Também dos EUA vem a nova produção do ator, diretor, artista plástico e músico Vincent Gallo, afastado da direção desde Brown Bunny (2003), ele volta com Promisses written in water.
Outros cineastas respeitáveis exibem seus novos trabalhos em Veneza. São eles: o espanhol Alex de la Iglesia com Balada triste de trompeta, o japonês Takeshi Miike com 13 assassins, o francês François Ozon com Potiche e o alemão Tom Tykwer com Drei.
No geral a seleção oficial é pouco convidativa. Alguns dos filmes que estarão em Veneza, tanto em competição como fora de competição, também estarão no Festival de Toronto (mais detalhes sobre esse festival em Claquete destaca deste sábado), o que diminui um pouco a força de Veneza este ano. A cópia restaurada de O leopardo, grande clássico de Giuseppe Tornatore, já exibida em Cannes este ano, também integrará a maratona cinéfila em Veneza.
Das produções que serão exibidas fora de competição na cidade italiana, as que mais chamam a atenção são os novos trabalhos de Ben Affleck, The Town, de Andrucha Waddington, Lope, e de Casey Affleck, o documentário I´m still here: the lost year of Joquin Phoenix. Todas estas fitas também estarão sendo exibidas, quase que concomitantemente, em Toronto. Como diferencial, Veneza exibe um elogiado trabalho de Dennis Hooper, ator e diretor americano morto há um mês, The last movie (1971) é a pedida exata para o tom desta edição do festival.

John Hamm em cena do thriller policial The town, segundo longa de Ben Affleck como diretor: filme que estará tanto em Veneza como em Toronto



Confira a lista dos filmes em competição:
Black Swan, Darren Aronofsky (EUA)
La Pecora Nera, Ascanio Celestini (Itália)
Somewhere, Sofia Coppola (EUA)
Happy Few, Antony Cordier (França)
La Solitudine dei Numeri Primi, Saverio Costanzo (Itália, Alemanha, França)
Silent Souls, Aleksei Fedorchenko (Rússia)
Promises Written in Water, Vincent Gallo (EUA)
Road to Nowhere, Monte Hellman (EUA)
Balada Triste de Trompeta, Alex de la Iglesia (Espanha, França)
Venus Noire, Abdellatif Kechiche (França)
Post Mortem, Pablo Larrain (Chile, México, Alemanha)
Barney's Version, Richard J. Lewis (Canadá, Itália)
Noi credevamo, Mario Martone (Itália, França)
La Passione, Carlo Mazzacurati (Itália)
13 Assassins, Takashi Miike (Japão, EUA)
Potiche, François Ozon (França)
Meek's Cutoff, Kelly Reichardt (EUA)
Miral, Julian Schnabel (EUA,França, Itália, Israel)
Norwegian Wood, Tran Anh Hung (Japão)
Attenberg, Athina Rachel Tsangari (Grécia)
Detective Dee and the Mystery of Phantom Flame, Tsui Hark (China)
Drei, Tom Tykwer (Alemanha)

sábado, 24 de julho de 2010

Claquete destaca


* Desenrola, filme dirigido por Rosane Svartman e que faz parte do pool de lançamentos da Globo filmes para esse segundo semestre, foi o grande destaque do Festival de Paulínea. O filme que acompanha o universo dos adolescentes cariocas de classe média, é uma espécie de As melhores coisas do mundo made in rio. Kayky Brito faz um surfista cobiçado pela protagonista da fita. Tal qual no filme de Laís Bodansky, o elenco é composto por jovens e novos atores cercados de coadjuvantes de peso como Juliana Paes e o jornalista Pedro Bial que faz uma ponta como um professor de matemática.

* Outro grande destaque do festival que acontece no interior de São Paulo foi o filme Malu de bicicleta, baseado no livro do jornalista Marcelo Rubens Paiva. Além de representar um oásis na produção cinematográfica brasileira que pouco se esmera em sua literatura contemporânea, o filme, segundo o protagonista Marcelo Serrado, se inspira em Woody Allen. Na trama, Serrado faz um empresário paulistano mulherengo que se apaixona pela carioca Malu que o atropela com uma bicicleta na primeira vez que ambos se encontram. O filme deve estrear nos cinemas brasileiros em novembro.

Romance no Rio: Em Malu de bicicleta um homem descobre o amor em uma mulher bem mas jovem

* Mas o grande vencedor do festival foi 5 X favela – agora por nós mesmos com 7 prêmios, incluindo melhor filme. O prêmio da crítica foi entregue para Jefferson Dê, em sua estréia em longas ficcionais, por Bróder. Ambos os filmes já haviam passado por festivais internacionais como Tribeca e Cannes. Contudo, essa premiação não deixa de mimetizar aquela velha máxima de que o cinema brasileiro e suas reminiscências (as premiações) se prestam a uma justificação social que não lhes cabe. Isso ficou patente na fala de Rodrigo Felha, um dos co-diretores de 5 X favela. “Vocês estão subestimando a favela. Não façam isso, por favor”, exaltou ao receber o primeiro prêmio na noite de quinta-feira. Com os outros seis, viria a certeza: a favela, no cinema, segue superestimada.


Comic com 2010
Está sendo realizada desde a última quinta-feira, e será encerrada amanhã, a nona edição da Comic com, realizada anualmente em San Diego. A principio, o evento era voltado apenas para o mercado dos quadrinhos, mas ganhou dimensões maiúsculas quando o cinema passou a interagir com maior frequência com esse filão. Hoje, a feira é a melhor plataforma para divulgação das últimas novidades da cultura pop.
Neste ano, os principais destaques ficaram por conta de Salt, filme estrelado por Angelina Jolie que estréia na próxima sexta no Brasil, Tron legacy, continuação da aventura cult dos anos 80 estrelada por Jeff Bridges e Scott Pilgrim vs o mundo, outra adaptação de HQ. Foram reveladas ainda as primeira imagens de aguardadas produções como Piratas do Caribe 4 e Lanterna Verde. Entre os tradicionais painéis do evento chamaram a atenção o de Glee, maior fenômeno da TV americana na atualidade, e de Smallville, antecipando alguns destaques da última temporada.

Angelina Jolie e Liev Schreiber compareceram ao evento para divulgar Salt



Bruce Willis e Helen Mirren estão em RED, outra adaptação de HQ cult celebrada na feira de San Diego


Stallone, que foi divulgar Os mercenários, fez piada de mal gosto com o Brasil, virou tending topic no twitter e pediu desculpas em nota oficial. Uma sexta-feira agitada...


O ocaso das comédias românticas
Uma pesquisa divulgada pela Warner home vídeo australiana, com vistas a promover o DVD de Idas e vindas do amor naquele país, traz um dado curioso. De acordo com a apuração da pesquisa, os australianos entendem que as comédias românticas afetam profundamente a percepção e as expectativas que têm em seus relacionamentos amorosos. Resta apurar, em termos práticos, se isso é bom ou ruim.

* Foi anunciado esta semana que o novo filme de Darren Aronofsky, o thriller Black Swan, será o filme de abertura da próxima edição do Festival de Veneza, a ser realizado entre os dias 1 e 11 de setembro. Aronofsky já levou o leão de ouro em 2008 por O lutador.

Natalie Portman na primeira cena divulgada do filme. Rivalidade, amor, obesseão e sexo são componentes de um dos filmes mais aguardados da temporada de ouro do cinema, a Oscar season

sábado, 8 de maio de 2010

De olho no futuro...

Hugo Weaving confirmado como o Caveira vermelha
Existem atores que nasceram para viverem vilões. Christopher Lee que o diga. Hugo Weaving, o famoso agente Smith da trilogia Matrix, parece estar seguindo o mesmo caminho. Ele acabou de ser confirmado como o vilão Caveira vermelha (uma espécie de Capitão América nazista) no filme Capitão América. Promete ser mais um vilão saboroso na carreira do ator. Quem não deve ter gostado nada dessa história foi Chris Evans. Tal qual o Neo de Keanu Reeves, corre o risco de ser ofuscado.

Eu posso viver vilões no cinema, mas olha a minha cara de bonzinho...


Divulgadas as primeiras imagens oficiais de Bel Ami
E o primeiro filme estrelado por Robert Pattinson que de fato promete alguma coisa teve suas primeiras imagens reveladas. Em Bel Ami, Pattinson se desvia um pouco das expectativas que cercam sua representatividade. Ele é um galanteador na corte francesa que se enamora de mulheres mais velhas para lhes roubar a fortuna. No elenco feminino, temos Uma Thurman e Kristin Scoot Thomas, como potenciais vitimas do alpinista social vivido pelo ator.


Pattinson faz cara de mau...

... e deixa Uma Thurman ofegante

Está chegando...
E enquanto Bel Ami não estréia, o que só deve ocorrer em 2011, Pattinson vai atacando de Edward. E os primeiros a verem o novo capítulo da história do vampiro apaixonado por Bella serão os frequentadores do festival de Los Angeles. O evento, que acontece no inicio de junho, exibirá a premiere mundial de Eclipse, que tem estréia marcada para o dia 30 de junho. É uma forma de atrair olhares para o festival que é composto, essencialmente, de documentários e curta metragens.

Os festivais querem ser pop
O festival de Cannes presidido por Tim Burton ainda nem começou e os organizadores do festival de Veneza (que esse ano será realizado entre os dias 1 e 9 de setembro) já contra atacaram. O cineasta americano Quentin Tarantino, talvez o único mais hypado que Burton, foi confirmado como presidente do júri do festival italiano.
Essa notícia mostra duas coisas. A primeira é que como diria o francês Truffaut, são os cineastas americanos os maiores autores de cinema mesmo e a segunda é que os festivais estão fazendo de tudo para serem mais pop, por assim dizer.

Tarantino no detalhe: Veneza, me aguarde...


Coppola, Walter Sales e Kristen Stewart
O cineasta Walter Salles está a frente da adaptação do livro "On the road". Os direitos da obra foram adquiridos por Francis Ford Coppola há duas décadas. O próprio Salles já esteve envolvido no projeto que nunca andou para frente. Essa semana foi anunciado pelos veículos Variety e Hollywood Reporter que a produção, finalmente, ganhou vida. Salles irá dirigir e Coppola produzir. No elenco jovem, Sam Riley (que esteve no filme Control) e Kristen Stewart (caso você não saiba, a Bella da saga Crepúsculo).

domingo, 25 de outubro de 2009

Insight

Para que servem os festivais de cinema?

Desde a última sexta feira, os paulistanos estão “respirando” cinema. Começou a 33ª mostra internacional de cinema de São Paulo que vai até 5 de novembro. Serão 424 filmes de mais de 30 países exibidos em mais de 17 pontos de exibição. Há pouco mais de duas semanas, outro festival de porte se encerrou no Brasil. O festival do Rio roubou do festival de Gramado a alcunha de principal festival do país. Contudo, aqui mesmo no Brasil temos, ainda, mais um punhado de festivais. Para ficar nos mais conhecidos e tradicionais, temos Paulínea, Brasília, Manaus e Ceará. Se essa variedade e profusão de festivais chama a atenção em um país que tem baixa produção cinematografia e pouco ressonância internacional, há de se ponderar o efeito que festivais de cinema tem ao redor do mundo.


Postêr do último festival de Cannes: excelência nem sempre está no cardápio, mas a sofisticação sim
De Veneza a Roma
O festival mais antigo do mundo, e um dos mais tradicionais, é o de Veneza. São duas semanas em setembro de muito cinema e glamour. Mais recentemente, outra importante cidade italiana deu inicio a um festival de cinema, na expectativa de rivalizar em charme e importância com Veneza. O festival de Roma existe há 3 anos. Acontece em outubro e até hoje tem funcionado mais como plataforma de lançamento de produções americanas na europa. Juno (grande figura do Oscar há dois anos atrás) foi o primeiro vencedor lá.
Contudo, entre Veneza e Roma, há outros importantes e prestigiados festivais de cinema espalhados pela europa. Cannes, que acontece sempre no fim de maio, é certamente o mais prestigiado e comentado de todos eles. A Palma de ouro é cortejada e desejada por 10 entre 10 cineastas. E é junto do Oscar, o prêmio de cinema mais conhecido e considerado por cinéfilos e não cinéfilos. Há também Berlim, que já gozara de mais prestigio. Muitos cineastas e produtores evitam Berlim na expectativa de ir a Cannes o que não tem sido de todo ruim. Enquanto Cannes premia velhos conhecidos e exibe trabalhos de crias da casa, Berlim se abre para o mundo (o cinema latino americano vem de duas vitórias lá, com Tropa de elite e A teta assustada).

Stallone acena para o público em Veneza: Ele foi homenageado como cineasta na última edição do evento italiano
Há ainda importantes festivais na Espanha, em Toronto, em Nova Iorque, quase qualquer cidade de proeminência economica tem um festival de cinema hoje em dia. A questão é por quê? O que os festivais agregam para o cinema, enquanto arte e enquanto industria? São apenas reuniões de um clube sofisticado e nós vulgos voyeurs?


Filmes como Voluntária sexual do sul coreano Kyong -Duk Cho, atualmente em cartaz na mostra de São Paulo, só chegam ao público através de festivais
Marketing e tendências
Os festivais nasceram com a simples meta de promover o cinema. É isso o que fazem primordialmente. E muito bem. Tanto é que se proliferam e se acotovelam na busca cada vez mais insidiosa de espaço e relevância. Essa promoção privilegia, por razões óbvias, produções mais herméticas, voltadas para um público de formação cultural mais sólida e interesses cinematográficos mais apurados. Também é por meio de festivais como Sundance e o próprio Cannes que muitos negócios são travados. Muitos acordos de distribuição fechados e muitas parcerias firmadas. Os festivais servem, em uma segundo momento, para capitalizar. Seria ingênuo afirmar que eles existem somente pelo amor ao cinema. Produtores e organizadores vislumbram grandes oportunidades financeiras na realização desses eventos. De fato, esses festivais rendem muito dinheiro e benefícios para as cidades que os sedeiam. Robert De Niro negociou acordos e pagou royalties para criar o festival de Tribeca em Nova Iorque após o 11 de setembro. Uma homenagem a cidade que também lhe rendeu dividendos.
Cinema é arte, mas também é negócio. Os festivais em sua concepção e, em seu momento mais bem sucedido, mostram que a arte, também ela, é um ótimo negócio.