Mostrando postagens com marcador Tudo pelo poder. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tudo pelo poder. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Oscar Watch 2012 - O toque de Clooney



Parece mentira, mas ainda há quem não ache George Clooney um bom ator. Há outra horda que faz questão de diminuir seu talento afirmando que “ele interpreta a si mesmo”. O próprio Clooney, em 2010, quando indicado ao Oscar por Amor sem escalas, falou sobre isso em entrevista à revista Entertainment Weekly destacada em Claquete: "Laurence Olivier desaparecia em seus personagens e não tinha como você reconhecê-lo. Aí você tem Spencer Tracy, ele sempre foi um tipo de... Spencer Tracy. Eu não sei onde me ajusto. Há sempre algo de mim lá". Clooney complementa: "Se pareceu suave, natural ou comum é porque fiz meu trabalho. Quero dizer que sou um profissional. Eu sei o que estou fazendo".
À época, o leitor e blogueiro Elton Telles se manifestou em defesa de Clooney na seção de comentários:
“também defendo completamente o George Clooney nessa questão de que ‘ele interpreta a si mesmo em todos os filmes’. Primeiro de tudo, o ator deve tentar compreender e, de alguma forma, se identificar com o personagem. Em Amor sem Escalas, o ator está em sua melhor atuação: age com naturalidade, é mesmo uma atuação mais contida, que é excelente para o personagem”.
George Clooney a cada ano se consolida como uma das figuras mais expressivas da Hollywood atual. Mesmo morando na Itália. Essa particularidade é acentuada pelo fato do ator se provar, também, um diretor talentoso, um produtor voraz e um roteirista calejado.
Mas voltando à sua persona como ator, parece ingênuo – para não falar em falta de perspicácia analítica – dizer que Clooney interpreta a si mesmo. Ainda que seus personagens, de maneira geral, guardem algumas semelhanças, o mérito do ator está em difundir a individualidade deles em cada composição. O Matt King de Os descendentes é distinto, em forma e relevo, do Ryan Bingham de Amor sem escalas. Ainda que ambos os personagens sejam homens que interiorizam seus problemas emocionais e, no curso do filme, buscam alguma conexão humana e sentido para suas vidas. Clooney mostra sensibilidade ao sublinhar nuanças distintas e transformar inteiramente a lógica dos personagens. Ajuda, é fato, a distância das motivações de um e outro, mas apenas um ator extremamente habilidoso consegue fugir da repetição. É o que Clooney faz em Os descendentes.

Papai Clooney: em Os descendentes, o ator vive um pai que precisa recuperar o direito sob suas filhas


Outro ponto que ajuda à campanha de difamação do talento do ator é seu status de bon vivant. Algo que ronda, irremediavelmente, os filmes em que atua. Até mesmo em Os descendentes (em que ele faz um papel de pai atordoado e com péssimo gosto para vestuário), Clooney parece cool. Esse fato favorece a miopia de seus detratores.
Veja sua performance em Um homem misterioso, ótimo drama de Anton Corbijn infelizmente pouco visto. Na pele do tal homem misterioso do título, Clooney constrói um personagem que mais esconde do que traz à luz e a representação de ator segue a mesma lógica. Uma excelente atuação que o crítico A.O Scott do New York Times considera como a mais sólida da carreira do astro. No entanto, o trabalho, injustamente, foi pouco comentado fora do círculo dos críticos mais atentos.
Outra demonstração do bom tato de Clooney como ator se dá em Tudo pelo poder. Confortável na posição de coadjuvante, ele cria um político de ego sobressaltado e carisma estelar. Há quem identifique nesse personagem, um decalque do próprio ator. Nada mais é do que uma projeção refletida da ótima encenação que Clooney faz de um tipo que ostenta um pouco de Obama e um pouco de Clinton – detalhe que não passou despercebido para quem conhece um pouco dessas personalidades políticas.
É inegável que o ator de hoje é um ator distinto daquele visto em O retorno das almôndegas assassinas (1988). A evolução de Clooney é perceptível para qualquer um, independentemente de sua sensibilidade cinematográfica. Aos partidários da intriga, cabe reconhecer sua resistência ao astro e não desmerecer seu talento tangível não só pela história, mas através dos personagens que dá vida.  

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Oscar Watch 2012 - Um voto para Tudo pelo poder




Fale-se o que quiser da Hollywood Foreign Press Association (HFPA), que outorga os prêmios Globo de ouro, mas foi ela quem trouxe de volta à corrida pelo Oscar um dos melhores filmes políticos (e sobre política) de todos os tempos.
Tudo pelo poder é o melhor fórum de elaborações sobre o mundo político desde Boa noite e boa sorte, também escrito e dirigido por George Clooney. Ainda que verse sobre maquinações até certo ponto notórias por quem acompanha de perto o noticiário político, Tudo pelo poder se apresenta como um filme lúcido, objetivo e extremamente pontual na descrição que faz das faculdades humanas na disputa pelo poder.
Além da clareza e astúcia com que aborda os bastidores políticos, o filme é também um triunfo do ponto de vista da realização. Clooney, na figura de diretor, apresenta um repertório não menos estimulante. Sobejando na direção de atores, com excelentes metáforas visuais para o drama que encena e com uma noção de ritmo excepcional, Clooney nunca soa didático, mas não se furta a se apresentar como tutor de uma platéia potencialmente desencantada. Esse aspecto é ressaltado pela condição de democrata de George Clooney, partido que ocupa o centro da ação da fita. Ancorar o filme não só na figura de Obama, como na de Clinton e no idealismo que ainda move muitos democratas (o próprio Clooney?) foi um acerto no tom e na proposta. É justamente esse enquadramento que pode levar Clooney a triunfar novamente na temporada de premiações. Por mais que não haja uma novidade em seu filme, ele captura um desencantamento muito vívido entre os eleitores de Obama (a maioria de Hollywood) e ainda tece um filme adulto, feito para adultos e sobre um jogo de adultos. Contudo, Clooney esbarra na falta de um precedente histórico. Por mais que filmes como All the kings´men, A mulher faz o homem, Todos os homens do presidente, Boa noite e boa sorte, Nixon, JFK -  a pergunta que não quer calar e Milk – a voz da igualdade tenham sido indicados ao Oscar, a academia não tem por hábito premiar produções que retratem o joguete político de bastidores. Não especificamente. Filmes políticos podem até ser premiados, mas nunca quando a política é o eixo central. Nesse sentido, Clooney está um passo a frente da academia.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011: Os dez melhores filmes do ano

Foi um ano inferior às expectativas. O ano não teve grandes filmes. O grande filme de 2011 é, na verdade, de 2010. No entanto, na média, foi um ano superior às expectativas. Foram muitos os filmes ótimos. De maneira tal, que o nível dos filmes que integram esse TOP 10 não é muito distinto dos que ficaram no quase – como os lembrados na quarta parte da seção CLAQUETE DESTACA (dois posts abaixo).
É possível dizer que foi um ano minimalista. Há uma comédia indie; uma comédia de estúdio com alma indie; uma fita de horror psicológico do mestre do melodrama; um filme sobre a gênese e o êxodo de uma relação amorosa; uma fita política travestida de filme de super herói; um filme político de fato; uma fita que homenageia uma forma de entretenimento esquecida; um filme que não nos deixa esquecer o passado recente; um filme sobre a busca obsessiva pela perfeição e outro sobre a força da família em circunstâncias adversas.
Encerrando a Retrospectiva 2011 em Claquete, os dez melhores filmes do ano:


10 – Namorados para sempre, de Derek Cianfrance (Blue valentine, EUA 2010)

Um filme pungente que captura momentos dicotômicos de uma relação amorosa. Namorados para sempre é um retrato borrado dos sonhos uma vez compartilhados. Abusando do naturalismo e confiando em seu par de atores, Ciafrance realiza um triste soneto sobre o escoamento de um sentimento sufocado por uma vida conjugal atordoante e expõe a fragilidade das promessas apaixonadas.


9- Ganhar ou ganhar, de Thomas McCarthy (Win Win, EUA 2011)

Crítica Claquete (será publicada em breve)
Se existe um underdog nesse Top 10, é Ganhar ou ganhar. A fita independente, sucesso de crítica no festival de Sundance, nem sequer foi lançada nos cinemas brasileiros. Mas a história de superação tão cara a esse segmento do cinema americano chegou ao DVD. A fita encanta quem se predispuser a assistir a jornada de um advogado com ataques de pânico e um garoto introspectivo fera em luta Greco-romana que tornam a vida um do outro um pouco mais palatável.
O filme de Thomas McCarthy, mesmo diretor dos ótimos O visitante (2008) e O agente da estação (2003), é um conto simples, mas cheio de sentimento e transbordante em inteligência.


8 – O palhaço, de Selton Mello (Brasil 2011)

Emoção e riso dão rima nesse trabalho sensível de Selton Mello. O palhaço é um filme em busca da própria vocação cinematográfica. É um pouco terapia para seu autor; é cinema homenagem a uma forma de entretenimento esquecida; é reflexão sobre os desencontros de certas aspirações e é uma demonstração algo felliniana de que reside na arte, à expiação das angústias humanas.


7- Margin call – o dia antes do fim, de J.C. Chandor (Margin call, EUA 2011)

2011 viu nascer um novo subgênero, o do thriller financeiro. Mas os méritos dessa fantástica estréia no cinema de J.C. Chandor não se resumem a isso. São desse filme os diálogos mais ácidos e afiados do ano. Ágil, sombrio, engraçado, dinâmico e profundamente sutil nas abordagens que faz primeiro das humanidades e depois do sistema financeiro viciante e viciado de nossos tempos.


6 – A pele que habito, de Pedro Almodóvar (El piel que habito, ESP 2011)

Um cineasta de primeira classe precisa ser louvado quando sai de sua zona de conforto. Agora, quando esse cineasta sai de sua zona de conforto e tece uma obra prima ainda mais inquietante e prolixa em suas estranhezas de fundo psicanalíticas, é preciso gritar ‘bravo!’. Almodóvar se reinventou em 2011 e estabeleceu um novo patamar em sua filmografia com A pele que habito. Não há outro que tenha fundido melodrama e terror de maneira tão orgânica e poética em 2011 ou qualquer outro ano.


5 – X-men: primeira classe, de Matthew Vaughn (X-men: first class, EUA 2011)

Nenhum blockbuster foi tão altivo em suas proposições e tão inteligente no desenvolvimento das ideias que as gravitam como esse filme que revigora a saga mutante no cinema. Um filme de notório lastro político que apresenta  personagens com dilemas morais e pessoais que influenciam na forma como percebem o mundo. A saga mutante nunca teve suas potencialidades exploradas em nível tão satisfatório como na fita de Matthew Vaughn que ainda brinda seu público com um entretenimento de primeiro nível.


4- Amor a toda prova, de John Requa e Glenn Fiquarra (Crazy stupid Love, EUA 2011)

Relações amorosas são tentativa e erro? Pode o amor superar tudo? Como lidar com frustrações pessoais em um contexto de um relacionamento amoroso? São temas perpassados com maturidade e leveza em Amor a toda prova, um dos filmes mais inteligentes, charmosos e divertidos da temporada. Sem se incumbir do final feliz hollywoodiano, John Requa e Glenn Fiquarra apresentam um fecho, não um final para seu filme. Essa solução tão liberal, em um filme com fachada ainda mais liberal, estabelece que comédias românticas não precisam necessariamente ser apoteóticas e fabulares. Se tiver um elenco com Ryan Gosling, Steve Carrel, Julianne Moore, Emma Stone e Marisa Tomei ajuda.


3- Tudo pelo poder, de George Clooney (The ides of march, EUA 2011)

George Clooney demonstra cada vez mais o artista completo que é. Tudo pelo poder é um filme magnificamente dirigido por um cineasta que, mais do que domínio da técnica, apresenta total conhecimento da matéria prima do filme: política. Não é um Clooney desencantado que se testemunha em Tudo pelo poder, é um artista em plena consciência autoral. Tudo pelo poder é um drama profundo, frequentemente sombrio, dotado de um pessimismo incomodado e inquieto com as verdades que o gravitam. Como se não bastasse o brilhantismo do texto e da realização, o elenco é outro show à parte.


2- Um novo despertar, de Jodie Foster (The beaver, EUA 2011)

A melhor atuação da carreira de Mel Gibson? Sim, mas Um novo despertar é muito mais do que isso. É um retrato devastador e, ainda assim incrivelmente belo, dos alcances da depressão em um ser humano e em sua família. Foster confia em Gibson à alma de seu filme. E a escolha é acertada. Mas a diretora tem outros trunfos na manga. É no paralelo que estabelece entre pai e filho que Um novo despertar encontra abrigo dentro de cada um de nós. É um filme sobre o potencial enlouquecedor de nossas famílias, espelhos e expectativas. Mas também sobre o viés regenerador que só o seio familiar pode ostentar.


1- Cisne negro, de Darren Aronofsky (Black swan, EUA 2010)

Se existe apoteose cinematográfica, Darren Aronofsky a tangenciou com Cisne negro. Registro grandiloquente e visualmente delirante de uma menina frágil sucumbindo à própria obsessão. Com referências claras a um jovem Roman Polanski, Aronofsky constrói o filme mais reverberante do ano em suas bifurcações psicanalíticas e digressões narrativas. Um tour de force de uma atriz instigada até seus limites como há muito não se via no cinema e uma ostentação técnica que resulta em uma obra hermética e popular. Com direito a toda a estranheza que os dois adjetivos, quando juntos, conferem.  

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Crítica - Tudo pelo poder

O declínio do idealismo

É inegável que a política é uma arte. Fascinante e assustadora desde os tempos de Shakespeare, onde George Clooney foi buscar referências para Tudo pelo poder (The ides of march, EUA 2011). Mas o mais venerado dramaturgo da história da humanidade não é a única referência que serve como base para o texto de Clooney, Grant Heslov e Beau Williams, este último adaptando a própria peça “Farragut north”. Recentes escândalos que marcaram a política americana servem como parâmetro para o filme que, mais do que adentrar o jogo de bastidores que pauta o jeito de se fazer política, visa observar a queda do idealismo. Isso ocorre, argumenta Clooney com seu filme, em qualquer ofício; mas é inescapavelmente mais rápido e aterrador em um ambiente político. A fraqueza humana, a sedução do poder e as bifurcações entre corrupção e ambição são bem delineadas em um filme que não se furta a apresentar o cinismo como uma das maiores chagas de nossos tempos.
O personagem de Paul Giamatti, Tom Duffy, adverte Stephen Meyers (Ryan Gosling) em um dado momento: “Saia enquanto há tempo. Antes de você virar um cínico”. Meyers, fatalmente, simboliza Clooney no que tange à falência de certos ideais. O poder corrompe a todos que toca e a transformação sofrida por Meyers no decorrer da fita abaliza esse argumento. É impossível dissociar Obama de Mike Morris, o presidenciável democrata vivido brilhantemente por George Clooney em Tudo pelo poder. Desde os cartazes cuidadosamente inspirados em Obama que marcam a campanha de Morris, até o próprio espírito do discurso do candidato. Contudo Morris é, na verdade, um amálgama de muitos presidentes e presidenciáveis democratas (Bill Clinton é outro que salta aos olhos). Clooney, com seu filme, reconhece que os republicanos são melhores do que os democratas em realizar campanhas políticas, em "brigar na lama". Mas não imuniza os democratas. Atira, também, na hipocrisia que reveste o americano médio. “Você pode começar uma guerra, quebrar o país, mas não pode dormir com a estagiária. Eles te pegarão por isso”, é um dos vértices do diálogo mais incendiário da fita.

Hoffman e Clooney em cena de Tudo pelo poder: uma crônica sobre a derrocada do idealismo


O comentário mais importante de Clooney enquanto realizador versa sobre o esfacelamento do idealismo. Aquilo que nos move avante. Nesse sentido, o filme é de uma força extraordinária. O que incorre em uma crítica à forma como vem sendo percebido. Há, embora sejam minoria, acusações de que Clooney soe ingênuo ao apresentar Tudo pelo poder como se fosse algo novo ou expressivo das coisas da política. Basta um pouco de senso crítico para perceber que não é o caso aqui. Trata-se de um filme bem dirigido, magnificamente interpretado, com um texto primoroso e com um norte bem claro: desmistificar. Não há ponderação que se sobreponha à imagem de Ryan Gosling, ator que nunca esteve tão expressivo, em meio às sombras, antes dos créditos subirem.
Tudo pelo poder não é um gracejo político de Clooney, um democrata convicto, mas sim uma carta aberta a todos aqueles que esperam por redenção. Ela não virá de um palanque. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Filme em destaque: Tudo pelo poder



Quando George Clooney anunciou que faria uma adaptação para o cinema da peça de Beau Williams, Farragut North, as expectativas se avolumaram. Afinal, a quarta incursão de Clooney atrás das câmeras renderia um filme com o mesmo potencial dramático e qualitativo de Boa noite e boa sorte, seu segundo longa metragem.
Quando o elenco foi anunciado, as expectativas aumentaram. Clooney se cercou do que havia de melhor. Ryan Gosling foi chamado para viver o protagonista, um jovem idealista que perde a inocência enquanto trabalha na campanha primária democrata à Casa Branca. George Clooney faz o candidato em questão em uma aparição como coadjuvante. Mas não é só Clooney o coadjuvante a brilhar em Tudo pelo poder (The ides of march, EUA 2011). Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood, Jeffrey Wright e Marisa Tomei ajudam a compor o sofisticado elenco que o Wall Street Journal considerou “brilhante e elétrico”.
“Os diálogos são afiados e focados, e como diretor, Clooney encorajou seu elenco a realmente mergulhar na ação”, observou o Los Angeles Times à época do lançamento do filme nos EUA, no último mês de outubro. Mas não houve unanimidade na crítica americana. O prestigiado crítico Roger Ebert observou que a virtude do filme está no elenco e a Time salientou que “não é tão esperto quanto poderia ser ou como seu diretor pensa que é”.
“Não diria que Tudo pelo poder é um filme político. Não em toda a sua envergadura”, rebate Clooney em entrevista a revista New Yorker. Para o diretor, o filme é sobre fraquezas humanas. No entanto, ao apresentar a fita em Veneza, o diretor admitiu que em 2008 – quando o projeto chegou as suas mãos – entendeu não ser o momento para esse tipo de filme. “Era uma época em que as pessoas estavam esperançosas com a eleição de Obama.”

Elenco sofisticado: Philip Seymour Hoffman, Max Minguella, Marisa Tomei e Ryan Gosling abrilhantam Tudo pelo poder


A observação ganha ainda mais relevância por que o foco de Tudo pelo poder é o partido democrata. De Obama e Clooney – que são amigos. “Eu diria que os democratas chegam satisfeitos à sessão e saem combalidos, enquanto que os republicanos chegam desconfiados e saem revigorados”, resumiu Clooney na coletiva de Veneza ao explicar o tom alarmante de seu filme.
“Todos temos fraquezas. Sejamos republicanos ou democratas”, tentou contemporizar Paul Giamatti. Seu personagem no filme é o coordenador da campanha do rival de Clooney nas primárias democratas e uma espécie de corruptor do personagem de Gosling. “A gente pode colocar a culpa no sistema”, analisa Giamatti sobre a lógica que move o seu personagem.
Tudo pelo poder foi eleito um dos dez melhores filmes de 2011 pelo National Board of Review e ainda suscita comentários sobre possíveis indicações ao Oscar. O que, para o New York Times, não deve acontecer: “ o filme perde em adrenalina e gravidade. Ele estabelece seu comentário de maneira singular, mas não corre riscos e não provê nenhum insight”.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Perfil - Ryan Gosling

Com cheiro de monstro sagrado...


Existem atores que não dizem logo a que vieram. Geralmente não se fala muito desses atores. Especialmente quando ainda são jovens e tem um longo caminho pela frente a trilhar. Ryan Gosling, nascido no inverno de 1980 de Ontário, cidadezinha canadense, é um desses casos. Gosling vive um 2011 acima de qualquer suspeita que provoca empatia imediata em crítica e público. Com três filmes exacerbantes em elogios, muitos deles em virtude de sua presença, o ator parece deixar para trás o rótulo de promessa.
Os 30 anos de idade (completará 31 em novembro próximo) acusam alguma experiência quando Ryan Gosling surge como o romântico desiludido de Namorados para sempre (2010), mas ainda servem ao papel de idealista descobrindo o mundo – e sua sordidez – em Tudo pelo poder (2011), filme que muitos creem pode render ao ator sua segunda indicação ao Oscar.

Gosling em cena de Tudo pelo poder, prometido para dezembro nos cinemas brasileiros: performance elogiada


A primeira vez que Ryan Gosling foi convidado para a maior festa do cinema foi no ano de 2007. Aos 26 anos poderia ter se tornado o ator mais jovem a ter conquistado uma estatueta na categoria principal de atuação pelo professor viciado de Half Nelson (2006). Um trabalho pungente e cheio de fúria em uma fita independente que sacramentaria o gosto de Gosling por essa linha de trabalho. Naquele ano o Oscar foi para Forest Whitaker por O último rei da Escócia, mas quem ficou no radar da indústria foi Gosling. “What about that guy from Half Nelson?”, perguntavam articulistas empolgados com a ascensão de um novo ator a la Robert De Niro em matéria de entrega e capacidade de transmutação em um papel.
Mas a verdade é que Gosling já havia chamado atenção antes. No independente audacioso Tolerância zero (2001), o ator vivia um judeu com forte identificação com os ideais nazistas. Uma complexidade muito bem encorpada e nivelada pela atuação de Gosling que um ano antes – em seu primeiro papel no cinema – tinha sido um dos comandados de Denzel Washington no filme Disney Duelo de titãs – sobre um time de futebol americano escolar as voltas com o racismo.
E foi a Disney a casa de Gosling por muito tempo. Assim como Justin Timberlake, Britney Spears e outros, o ator também integrou o clube do Mickey Mouse.
Em 2002 estrelou o que se pode chamar de seu primeiro filme no mainstream hollywoodiano. Ao lado de Michael Pitt foi um dos psicopatas caçados por Sandra Bullock em Cálculo mortal. A participação no filme lhe rendeu um namoro com a miss simpatia que duraria dois anos.
Contudo, é seguro dizer que foi o romance água com açúcar Diário de uma paixão que colocou Ryan Gosling no mapa. Pelo menos do público em geral. A história de amor que viveu com Rachel McAdams no filme de Nick Cassavetes é considerada por muitos a melhor e mais contagiante dos últimos 20 anos no cinema.


 Ryan, ainda com cara de garoto, enamorado de Sandra Bullock...

... e tascando um beijaço em Rachel McAdams no MTV Movie Awards de 2005. Ele e Rachel também namoraram por um breve período após as gravações de Diário de uma paixão



Vieram outros filmes, como o inteligente thriller Um crime de mestre (2007) em que faz um advogado arrogante e ambicioso antagonizando Anthony Hopkins; o singelo e edificante A garota ideal (2007), em que prova ser capaz de segurar dramaticamente um filme ao viver um personagem que se apaixona por uma boneca inflável; e Drive (2011), em que acentua aquelas comparações com De Niro ao viver um personagem muito parecido com o que De Niro viveu em Taxi driver, em um filme que não faz questão de esconder ser influenciado pela fita de Scorsese.
2011 parece mesmo ser o ano da virada para Ryan Gosling. Com uma segunda indicação ao Oscar à vista, o ator, que já coleciona duas indicações ao Globo de ouro, duas ao SAG e outras duas para o Independent Spirit Awards, se experimentou como galã e provou ter ótimo timing cômico em Amor a toda prova, uma das delícias cinematográficas desse ano.
Gosling podia não ser dos mais eloquentes em sua gênese como ator, mas inegavelmente aprofundou-se em seu ofício com gana, obstinação e um tremendo talento. Ainda há muito por fazer e conquistar. Gosling está só esquentando.

domingo, 9 de outubro de 2011

Insight

George Clooney para presidente?

Estreou nesse final de semana nos cinemas americanos Tudo pelo poder, quarto filme dirigido por George Clooney. A fita tinha lançamento previsto para o dia 28 de outubro nos cinemas do país, mas deve chegar por aqui apenas em dezembro. "Tudo pelo poder é um filme que iríamos fazer em 2008, mas com a eleição de Obama não parecia apropriado”, afirmou George Clooney no último festival de Veneza, onde o filme teve premiere internacional. Clooney, que esperou o otimismo com a eleição do atual mandatário do país se dissipar para rodar e lançar seu filme, teve que responder mais perguntas de natureza política do que cinematográfica; para espanto do companheiro Paul Giamatti: “Não acho que o metiê de uma estrela de cinema seja equivalente ao de um político”, externou o ator que integra o sofisticado elenco do thriller político de Clooney.  A política não era um tema de todo impertinente. Tudo pelo poder, baseado na peça "Farragut North", de Beau Willimon, é um filme que confronta o modo americano de se fazer política. A trama acompanha os bastidores das primárias democratas e centra-se na figura do personagem de Ryan Gosling (mais detalhes sobre o filme nas reportagens exclusivas de Claquete nas próximas semanas). “Fico feliz que em um espaço de um ano pudemos lançar o filme”, brincou Clooney em entrevista ao Hollywood Reporter, “pena que sob as custas da esperança do povo americano”. George Clooney, reconhecidamente uma celebridade engajada politicamente, teve de responder uma pergunta um tanto inusitada para um astro de cinema. “Você se candidataria a presidente?”, questionou o entrevistador. Clooney, no mesmo tom, disse que não. “Não acho que eu leve jeito para a política. Sou muito transparente”. O ator e diretor disse ainda acreditar em Barack Obama, para quem fez campanha, e no trabalho realizado pelo democrata.

George Clooney e Barack Obama em evento na Casa Branca: o ator é um habituê no meio político americano


Ainda que Clooney não leve a sério a ideia de se candidatar a um cargo eletivo, muita gente vê com bons olhos a alternativa. Hollywood já forneceu um punhado de políticos celebridades. Desde John Kennedy, o rock star da política, até Ronald Reagan, que saiu de Hollywood para se tornar um dos pilares do conservadorismo americano, passando por gente como Clint Eastwood e Arnold Schwarzenegger.
Clooney é boa pinta, carismático, um expert em lidar com a mídia e já pratica política tanto em seu ofício, como em uma escala maior (é o grande responsável pelos avanços humanitários no Sudão). Além de ter impressionado o mundo com o teleton para socorrer vítimas do terretomoto no Haiti, Clooney goza de trânsito e prestígio junto a poderosos caciques do partido democrata. Os ex-presidentes Bill Clinton e Jimmy Carter são dois dos exemplos mais altivos.
No entanto, o polêmico Michael Moore lançou, em um misto de indignação e cálculo midiático, o nome de um amigo próximo de Clooney à presidência dos EUA: Matt Damon. O ator, outro democrata engajado, chamou a atenção ao se posicionar veementemente a favor de causas ligadas a esquerda (sindicatos, planos de saúde, etc).
É uma coisa muito americana enxergar nas celebridades, que se assemelham aos deuses de outras épocas, uma alternativa mais pura, altruísta e leal aos desmandos políticos da situação. Isso porque estamos falando de um país em que o índice de corrupção nem sequer sombreia o que se vislumbra mais abaixo no atlântico.
Afirmar se George Clooney seria ou não um bom presidente seria tão especulativo quanto apontar os números do próximo concurso da Mega sena. Mas o charme da ideia é inapelável. Tudo pelo poder não é a plataforma eleitoral do Clooney político, mas pode ser uma baita de uma plataforma eleitoral para o Clooney artista. 

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Momento Claquete #20

 George Clooney xereta o autógrafo de Evan Rachel Wood no primeiro dia do festival de Veneza, onde o ator e diretor exibiu Tudo pelo poder


Uma semana depois, Clooney concedia entrevista coletiva ao lado de Ryan Gosling no festival de Toronto. Além de Tudo pelo poder, Clooney está em outro filme que debuta na cidade canadense, The descendants. Ambos receberam elogios fervorosos  

 Vincent Cassel chega para o segundo dia de festival em Veneza. Ele prestigiou a estréia do filme em que a esposa, Monica Bellucci, atua e depois foi a premiere de A dangerous method -que marca sua segunda colaboração com David Cronenberg


 Emile Hirsch faz reverência ao cineasta William Friedkin no tapete vermelho de Veneza. O filme deles, Killer Joe, agradou à crítica intrenacional e já é cotado para o Oscar


 Emile Hirsch, três dias depois, estava nos braços da atriz Kate Mara na festa da produção de Killer Joe em Toronto


Na mesma festa, Emily Blunt e Ewan McGregor trocam um carinho...


 Bono distribui autógrafos e sorrisos antes de conferir From the sky down, filme sobre a banda U2 que abriu o festival de Toronto há uma semana

Outro roqueiro que deu as caras em Toronto foi Eddie Veder. A razão foi a estréia de Pearl Jam twenty, documentário que Cameron Crowe rodou em virtude dos 20 anos da banda 


E festival de cinema que se preze, tem que ter Angelina Jolie e Brad Pitt. Toronto se garantiu nesse aspecto com a estréia mundial de Moneyball, de Bennett Miller. O filme, que conta com Brad Pitt e Philip Seymour Hoffman no elenco, é outro que já tem oscar buzz


Fotos:Getty images

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Cenas de cinema

Na terra do sangue e mel

O título, tão improvável, pegajoso e atraente, é do novo filme de Angelina Jolie, o primeiro em que ela atuará como diretora. Angelina recebeu a reportagem da Vanity Fair para falar, basicamente, sobre a experiência de dirigir In the land of blood and honey. A matéria estampará a capa da revista americana em outubro. Angelina rememora os árduos momentos da pré-produção, em que chegou a ter a licença para filmar na Bósnia revogada, e teoriza sobre intolerância nos sets de filmagens depois de dirigir: “Brad acha que eu ficarei ainda mais impaciente com os diretores. Isso porque eu já sou chata”, relatou à revista.
Jolie disse que se apaixonou por dirigir. Seu filme está marcado para dezembro e provoca ansiedade na crítica e indústria de cinema.
A atriz aproveitou, ainda, para esclarecer que não está grávida e não tem planos de adotar mais um rebento.


As últimas de Sean Penn
E o Sean Penn hein? Desembestou ao politicamente incorreto com uma habilidade que não é dele. Primeiro andou falando mal da ex Scarlett Johansson. Segundo as famosas fontes anônimas, Penn teria ficado bem chateado com a loira que andou declarando que ele fazia o tipo possessivo e ciumento. Não obstante, Penn concedeu duas entrevistas matadoras nas últimas semanas.
Na primeira, concedida ao jornal francês Le Fígaro, o ator admitiu ter ficado descontente com o corte final de A árvore da vida, filme que estrela e venceu a Palma de ouro no último festival de Cannes. Segundo Penn, o filme poderia ter uma narrativa mais convencional sem gerar prejuízos a seu aspecto visual. “Até agora eu não sei dizer qual foi minha contribuição para o filme”, afirmou Penn. Em outra entrevista, à revista Serafina, o ator disse que atualmente tem dois critérios para escolher um trabalho. Ou trabalha com amigos ou com quem admira muito, ou em projetos que lhe ofereçam muito dinheiro. “Aí eu leio o roteiro até a décima página”, brincou.

Quando não dá entrevistas matadoras, o ator é visto ao lado da nova namorada que, como se vê, não é loira...


O inferno de Gibson em parcelas
Mel Gibson continua recolhendo os cacos de sua união com a cantora russa Oksana Grigorieva. Aconteceu nesta quarta-feira em Los Angeles a audiência que oficializou o acordo elaborado há dois meses entre os advogados das partes. Gibson pagará U$ 750 mil a título de indenização a Grigorieva e terá de prestar apoio financeiro a filha do casal, que está prestes a completar dois anos, nos mesmos moldes do que presta a seus outros sete filhos.
A mansão em que Grigorieva vive continuará sob seus cuidados até que a criança complete 18 anos. Aí, a mansão será vendida e a renda entregue a filha de Gibson e Grigorieva. Essa resolução, que não constava do acordo inicial, partiu do juiz.
Ambas as partes se comprometeram a não publicar livros ou divulgar gravações a respeito do período em que a união existiu.
Gibson saiu satisfeito com o acordo e agradeceu ao juiz pela justa condução e pela conclusão razoável.


“É, antes de tudo, um filme sobre moralidade”

Assim definiu George Clooney seu thriller político que deu pontapé inicial na 68ª edição do Festival de Veneza. Tudo pelo poder, título nacional para The ides of March, não foi uma unanimidade entre os jornalistas presentes no lido. O The guardian elogiou o cinismo do filme, enquanto O New York Times sublinhou o ceticismo com que Clooney tratou o meio político.
Em Tudo pelo poder, Clooney vive o presidenciável Mike Morris e é na articulação política para erigir sua candidatura que o filme se desdobra. Ryan Gosling, que não compareceu ao evento, faz o protagonista. O time de estrelas que compõe o filme, e que esteve na premiere oficial, merece atenção: Phillip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Marisa Tomei e Rachel Evan Wood. Tudo pelo poder está previsto para ser lançado no Brasil em 15 de outubro.


Entre Hollywood e Washington
O tom politizado, como era de se esperar, predominou na coletiva de imprensa do filme. Clooney negou interesse em concorrer a cargos políticos e afirmou estar otimista com a política americana. “Estamos vivendo um tempo difícil (em alusão óbvia as sucessivas crises político-econômicas), mas vai melhorar”. O ator refutou a sugestão de que seu filme é uma crítica aos Estados Unidos e ao partido democrata em particular. Mas está ciente do pessimismo que apresenta em seu filme. Tanto é, que em entrevista ao britânico The Guardian antes do festival de Veneza, Clooney admitiu que adiou o começo da produção de Tudo pelo poder porque com a eleição de Obama em 2008, o momento não seria oportuno. Para bom entendedor...
                                                        Foto: Getty images
George Clooney, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood e Phillip Seymour Hoffman batem um papo momentos antes da exibição de gala de Tudo pelo poder em Veneza


Se fosse hoje...
O blog IndieWire, que rasgou elogios para o filme (ainda que não o considere um potencial vencedor do Oscar), já chutou uma aposta até mesmo palpável para a capa da edição do homem mais sexy da People em 2011: Ryan Gosling.
Para o IndieWire, não tem concorrência. Gosling, além de revezar uma série de altos em um espaço de 12 meses (Namorados para sempre, Drive, Amor a toda prova e Tudo pelo poder) está cada vez melhor nas telas e fora delas.

Ryan Gosling em  foto do editorial da revista americana Interview: cada vez mais in...


Com medo de julgar
O cineasta Darren Aronofsky admitiu na entrevista coletiva de apresentação do júri do 68º festival de Veneza que fica desconfortável com o termo “julgar”. “Acho a palavra muito forte. Me dá medo”, pontuou o diretor que já triunfou em Veneza em 2008 com O lutador. “Talvez devêssemos usar outro nome que não jurados”, indicou o diretor americano. Aronofsky, no entanto, se disse entusiasmado com os 22 filmes escolhidos para compor a mostra oficial: “Poucas vezes se viu catálogo tão privilegiado”.