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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011: Os dez melhores filmes do ano

Foi um ano inferior às expectativas. O ano não teve grandes filmes. O grande filme de 2011 é, na verdade, de 2010. No entanto, na média, foi um ano superior às expectativas. Foram muitos os filmes ótimos. De maneira tal, que o nível dos filmes que integram esse TOP 10 não é muito distinto dos que ficaram no quase – como os lembrados na quarta parte da seção CLAQUETE DESTACA (dois posts abaixo).
É possível dizer que foi um ano minimalista. Há uma comédia indie; uma comédia de estúdio com alma indie; uma fita de horror psicológico do mestre do melodrama; um filme sobre a gênese e o êxodo de uma relação amorosa; uma fita política travestida de filme de super herói; um filme político de fato; uma fita que homenageia uma forma de entretenimento esquecida; um filme que não nos deixa esquecer o passado recente; um filme sobre a busca obsessiva pela perfeição e outro sobre a força da família em circunstâncias adversas.
Encerrando a Retrospectiva 2011 em Claquete, os dez melhores filmes do ano:


10 – Namorados para sempre, de Derek Cianfrance (Blue valentine, EUA 2010)

Um filme pungente que captura momentos dicotômicos de uma relação amorosa. Namorados para sempre é um retrato borrado dos sonhos uma vez compartilhados. Abusando do naturalismo e confiando em seu par de atores, Ciafrance realiza um triste soneto sobre o escoamento de um sentimento sufocado por uma vida conjugal atordoante e expõe a fragilidade das promessas apaixonadas.


9- Ganhar ou ganhar, de Thomas McCarthy (Win Win, EUA 2011)

Crítica Claquete (será publicada em breve)
Se existe um underdog nesse Top 10, é Ganhar ou ganhar. A fita independente, sucesso de crítica no festival de Sundance, nem sequer foi lançada nos cinemas brasileiros. Mas a história de superação tão cara a esse segmento do cinema americano chegou ao DVD. A fita encanta quem se predispuser a assistir a jornada de um advogado com ataques de pânico e um garoto introspectivo fera em luta Greco-romana que tornam a vida um do outro um pouco mais palatável.
O filme de Thomas McCarthy, mesmo diretor dos ótimos O visitante (2008) e O agente da estação (2003), é um conto simples, mas cheio de sentimento e transbordante em inteligência.


8 – O palhaço, de Selton Mello (Brasil 2011)

Emoção e riso dão rima nesse trabalho sensível de Selton Mello. O palhaço é um filme em busca da própria vocação cinematográfica. É um pouco terapia para seu autor; é cinema homenagem a uma forma de entretenimento esquecida; é reflexão sobre os desencontros de certas aspirações e é uma demonstração algo felliniana de que reside na arte, à expiação das angústias humanas.


7- Margin call – o dia antes do fim, de J.C. Chandor (Margin call, EUA 2011)

2011 viu nascer um novo subgênero, o do thriller financeiro. Mas os méritos dessa fantástica estréia no cinema de J.C. Chandor não se resumem a isso. São desse filme os diálogos mais ácidos e afiados do ano. Ágil, sombrio, engraçado, dinâmico e profundamente sutil nas abordagens que faz primeiro das humanidades e depois do sistema financeiro viciante e viciado de nossos tempos.


6 – A pele que habito, de Pedro Almodóvar (El piel que habito, ESP 2011)

Um cineasta de primeira classe precisa ser louvado quando sai de sua zona de conforto. Agora, quando esse cineasta sai de sua zona de conforto e tece uma obra prima ainda mais inquietante e prolixa em suas estranhezas de fundo psicanalíticas, é preciso gritar ‘bravo!’. Almodóvar se reinventou em 2011 e estabeleceu um novo patamar em sua filmografia com A pele que habito. Não há outro que tenha fundido melodrama e terror de maneira tão orgânica e poética em 2011 ou qualquer outro ano.


5 – X-men: primeira classe, de Matthew Vaughn (X-men: first class, EUA 2011)

Nenhum blockbuster foi tão altivo em suas proposições e tão inteligente no desenvolvimento das ideias que as gravitam como esse filme que revigora a saga mutante no cinema. Um filme de notório lastro político que apresenta  personagens com dilemas morais e pessoais que influenciam na forma como percebem o mundo. A saga mutante nunca teve suas potencialidades exploradas em nível tão satisfatório como na fita de Matthew Vaughn que ainda brinda seu público com um entretenimento de primeiro nível.


4- Amor a toda prova, de John Requa e Glenn Fiquarra (Crazy stupid Love, EUA 2011)

Relações amorosas são tentativa e erro? Pode o amor superar tudo? Como lidar com frustrações pessoais em um contexto de um relacionamento amoroso? São temas perpassados com maturidade e leveza em Amor a toda prova, um dos filmes mais inteligentes, charmosos e divertidos da temporada. Sem se incumbir do final feliz hollywoodiano, John Requa e Glenn Fiquarra apresentam um fecho, não um final para seu filme. Essa solução tão liberal, em um filme com fachada ainda mais liberal, estabelece que comédias românticas não precisam necessariamente ser apoteóticas e fabulares. Se tiver um elenco com Ryan Gosling, Steve Carrel, Julianne Moore, Emma Stone e Marisa Tomei ajuda.


3- Tudo pelo poder, de George Clooney (The ides of march, EUA 2011)

George Clooney demonstra cada vez mais o artista completo que é. Tudo pelo poder é um filme magnificamente dirigido por um cineasta que, mais do que domínio da técnica, apresenta total conhecimento da matéria prima do filme: política. Não é um Clooney desencantado que se testemunha em Tudo pelo poder, é um artista em plena consciência autoral. Tudo pelo poder é um drama profundo, frequentemente sombrio, dotado de um pessimismo incomodado e inquieto com as verdades que o gravitam. Como se não bastasse o brilhantismo do texto e da realização, o elenco é outro show à parte.


2- Um novo despertar, de Jodie Foster (The beaver, EUA 2011)

A melhor atuação da carreira de Mel Gibson? Sim, mas Um novo despertar é muito mais do que isso. É um retrato devastador e, ainda assim incrivelmente belo, dos alcances da depressão em um ser humano e em sua família. Foster confia em Gibson à alma de seu filme. E a escolha é acertada. Mas a diretora tem outros trunfos na manga. É no paralelo que estabelece entre pai e filho que Um novo despertar encontra abrigo dentro de cada um de nós. É um filme sobre o potencial enlouquecedor de nossas famílias, espelhos e expectativas. Mas também sobre o viés regenerador que só o seio familiar pode ostentar.


1- Cisne negro, de Darren Aronofsky (Black swan, EUA 2010)

Se existe apoteose cinematográfica, Darren Aronofsky a tangenciou com Cisne negro. Registro grandiloquente e visualmente delirante de uma menina frágil sucumbindo à própria obsessão. Com referências claras a um jovem Roman Polanski, Aronofsky constrói o filme mais reverberante do ano em suas bifurcações psicanalíticas e digressões narrativas. Um tour de force de uma atriz instigada até seus limites como há muito não se via no cinema e uma ostentação técnica que resulta em uma obra hermética e popular. Com direito a toda a estranheza que os dois adjetivos, quando juntos, conferem.  

sábado, 24 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011: Os dez personagens do ano


10 – Blu (voz de Jesse Eisenberg) em Rio

O personagem mais “Woodyalleniano” do ano veio de uma animação que tem o Brasil como cenário. Blu, dublado na versão original por Jesse Eisenberg, é uma arara algo neurótica que não sabe voar e se vê perdida na “selva” carioca. Cheio de tiradas sensacionais, Blu cativa, mas também se deixa cativar pelas coisas do Rio.


9- Tommy (Woody Harrelson) em Amizade colorida

Somente a ideia de um gay machão, expansivo e totalmente indelicado já valeria a menção em uma lista como essa. Mas Woody Harrelson faz um personagem tão extrovertido e com boas falas que acaba sendo o mais memorável personagem da descolada comédia romântica estrelada por Justin Timberlake e Mila Kunis.


8- Erik Lehnsherr (Michael Fassbender) em X-men: primeira classe

É verdade que Magneto é um personagem que já carrega consigo o componente da tragédia. Mas a encarnação que Michael Fassbender vive em X-men: primeira classe confere uma nova dimensão a essa concepção. A profundidade com que roteiro e ator investigam o personagem transforma Eric no grande protagonista não só do filme, mas da franquia mutante nos cinemas.


7- Walter Black (Mel Gibson) em Um novo despertar

Para onde vamos depois da depressão? E como voltar desse lugar? Questões complicadíssimas que o excelente filme de Jodie Foster elucida de maneira sensível e honesta através da dolorosa jornada de Walter Black. Um homem que sucumbe e encontra forças em um conflituoso universo familiar, e em uma improvável linha terapêutica, para reconquistar o controle e o desejo de sua vida. Walter Black é um pouco de nós e todos temos um pouco de Walter Black.


6 - Nina Sayers (Natalie Portman) em Cisne negro

A personagem de Natalie Portman é o mais emblemático símbolo da obsessão e de seus efeitos alucinatórios. Nina é também um exemplo de fragilidade. Seja de ordem física, psicológica ou emocional. É, ainda, um elaborado estudo psicanalítico perpetrado pelo diretor Darren Aronofsky. Assim como Walter Black é uma personagem que cede às suas sombras.   


5 - Gil (Owen Wilson) em Meia noite em Paris

Com a cara simpática de Owen Wilson e seu charme infantil, Gil foi o personagem mais romântico de 2011. Nostálgico por excelência, o roteirista resignado criado por Woody Allen vai à Paris dos anos 20 para descobrir que é o presente que vale ser vivido. Mas que a viagem ao passado deve sim ser saboreada.


4- Ceasar (Andy Serkis) em O planeta dos macacos: a origem

Não existiu personagem mais ambíguo em 2011 do que o macaco que iniciou o levante dos símios contra os humanos na realidade proposta pela prequel de Planeta dos macacos. Com o coração de Andy Serkis e os efeitos digitais da Weta, Ceasar - com seu olhar penetrante e cheio de sentimento - nos obriga a olhar para dentro de nós mesmos.


3- Benjamin (Selton Mello) em O palhaço

Quem faz o palhaço rir? A pergunta aparentemente simplória é carregada de angústia e inflexões muito bem capturadas em um dos personagens mais ricos da historiografia do cinema nacional. Benjamim é o espelho dos sonhos ansiados, da vocação paralisada e da aceitação plena através da experiência.


2- Bahia Benmahmoud (Sofia Forestier) em Os nomes do amor

Essa certamente é a personagem mais original, e liberal, da lista. O fato de ser francesa talvez tenha algo a ver com isso. Talvez. Bahia é uma esquerdista que se incumbe de dormir com direitistas para convertê-los à esquerda. A promiscuidade da personagem seduz tanto quanto sua ingenuidade. Frágil e bem intencionada, Bahia é uma mulher em busca de amor, justiça social e uma democracia fortalecida.


1 - Vera (Elena Anaya) em A pele que habito

Uma nova sexualidade. Uma cobaia moldada e literalmente esculpida por um enlouquecido criador. Cultivada com amor, ódio, dor, tragédia e paixão. Vera é certamente a personagem mais fascinante, bizarra e extraordinária a surgir em 2011 nos cinemas. Não poderia ter nascido de outra pena que não a de Almodóvar.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

OSCAR WATCH 2011 - A peleja dos filmes

1- Inverno da alma, 2- 127 horas, 3- Cisne negro, 4 - O discurso do rei, 5 - Bravura indômita, 6 - Minhas mães e meu pai, 7 - A rede social, 8 - O vencedor, 9 - A origem e 10 - Toy story 3



Ode à vida

É inegável que 127 horas tem vocação cult. Não só porque não fez muito dinheiro, mas também porque Danny Boyle utiliza uma linguagem moderna que vai ao encontro de cinéfilos feitos no universo videoclipeiro. O filme tem também James Franco em grande atuação. Daquelas que dão sentido a um filme e a uma vida.

Porque deveria ganhar...
É um filme dinâmico, envolvente e que esbanja boa técnica. Traz uma atuação espetacular e faz um brinde a vontade de viver.

Porque não deveria ganhar...
Danny Boyle ainda tropeça em alguns preceitos básicos de direção e, não fosse por James Franco, seu filme poderia virar uma pirotecnia egóica.


As indicações: filme, roteiro adaptado, ator, montagem, trilha sonora e canção


Família Dó-ré-mi


Entra ano e sai ano e famílias disfuncionais continuam a fascinar os acadêmicos. E com toda a razão. Em O vencedor, acompanhamos a saga de uma família cheia de amor, mas que precisa aprender a lapidá-lo de uma maneira que não façam mal uns aos outros. Um filme escorado na força de seu elenco que arranca emoções genuínas da platéia.


Porque deveria ganhar...
É o melhor trabalho de elenco do ano. Um testamento referencial de como um grupo de atores em fina sintonia garante a perenidade de um filme.


Porque não deveria ganhar...
É um filme remontado em clichês e, a bem da verdade, essa história já rendeu Oscar em outros anos.


As indicações: Filme, direção, roteiro original, ator coadjuvante, 2 indicações para atriz coadjuvante e montagem


Família cromossomo X


E tem coisa melhor do que posar de liberal com roupas conservadoras? É mais ou menos isso o que ocorre com Minhas mães e meu pai, um dos filmes mais festejados da temporada. A fita que mostra a vida de uma família chefiada por um casal de lésbicas é a única comédia entre os selecionados. No fundo, o recado está nessa condição. Não é para ser levada a sério.


Porque deveria ganhar...
A última comédia a ganhar o Oscar foi Shakespeare apaixonado há quase 15 anos. Minhas mães e meu pai, pelo menos, é superior aquele filme.


Porque não deveria ganhar...
O filme não reúne predicados que lhe afirmem como um legítimo filme de Oscar. Há competência na misê-èn-scene, mas ela nunca excede o previsível.


As indicações: filme, roteiro original, atriz e ator coadjuvante



Vida longa aos ingleses


Não tem jeito. Uma vez colônia, sempre colônia. É a melhor forma de explicar o favoritismo de O discurso do rei e suas imponderáveis doze indicações ao Oscar. Filme bem feito, mas longe do rigor acadêmico de outras produções de época que tinham contra elas o fato de não serem da terra da rainha.


Porque deveria ganhar...
É um filme que demonstra como a braveza de espírito é imprescindível para a superação de desafios. Traz o tipo de argumento que a academia gosta de referendar.


Porque não deveria ganhar...
Em um ano com produções inovadoras e relevantes, premiar um filme quadrado e pouco inventivo seria, no mínimo, desestimulante em níveis cinematográficos.


As indicações: Filme, direção, roteiro original, ator, atriz coadjuvante, ator coadjuvante, fotografia, trilha sonora, direção de arte, figurino, montagem e mixagem de som


O brilho do independente


São cinco fitas independentes entre os concorrentes a melhor filme. Mas cabe a Inverno da alma, a prerrogativa de chamar-se como tal. Filmado nos confins americanos e ambientado em tais confins, Inverno da alma é aquele tipo de filme que exige paciência e cumplicidade de seu espectador. De ritmo lento e dialética difícil, é uma história violenta sobre uma parte da humanidade paralisada no tempo. E em um mundo de seis bilhões de pessoas, essa realidade é maior do que muitos imaginam.


Porque deveria ganhar...
É um filme que triunfa em todos os seus elementos. Roteiro, atuação, direção, montagem, fotografia e música.


Porque não deveria ganhar...
É demasiadamente complexo em sua simplicidade. Afugenta espectadores à espera de emoções mais consumíveis.


As indicações: Filme, roteiro adaptado, atriz e ator coadjuvante



O sonho real


A origem foi o primeiro candidato ao Oscar a assegurar-se na lista em meados de julho, quando estreou nos cinemas americanos sob festa da crítica. Faltava precisar o tamanho da candidatura. Não foi das maiores, mas foi maior do que seria há alguns anos. O filme de Nolan ainda será responsável por pequenas revoluções no cinema americano e no Oscar. É esse o sonho que ele plantou com seu filme.


Porque deveria ganhar...
É o filme mais inventivo do ano. Nenhum outro filme causou tamanho espanto e admiração em 2010. Nenhum outro filme se assumiu como arte em um produto comercial.


Porque não deveria ganhar...
É um filme que, de alguma maneira, marca mais pela forma do que pelo conteúdo. Esse é o calcanhar de Aquiles de qualquer filme que objetive o Oscar.


As indicações: Filme, roteiro original, fotografia, direção de arte, trilha sonora, mixagem de som, edição de som e efeitos visuais


O tempo e a razão


Em um mundo justo o melhor filme do ano ganharia o Oscar de filme do ano, certo? A academia pode ajudar a fazer do mundo um lugar mais justo em 2011 se premiar A rede social. A fita que, em uma só tacada, desfila arrojo técnico, reverberação social, reflexão filosófica e brilhantismo acadêmico é também um filme que afaga a inteligência como nenhum outro candidato no ano.


Porque deveria ganhar...
É tão bom quanto os outros candidatos no que eles têm de melhor. E é ótimo no que eles falham. Isso o isola como melhor, certo?


Porque não deveria ganhar...
É frio, analítico e impessoal. O Oscar, no limiar, ainda é sobre emoção


As indicações: Filme, direção, roteiro adaptado, ator, montagem, fotografia, trilha sonora e mixagem de som


Sobre ciclos


O Oscar já premiou uma trilogia em seu derradeiro capítulo (O senhor dos anéis: o retorno do rei). Para muitos, Toy story 3 é a melhor trilogia do cinema. Mas não só. É também a afirmação definitiva de que a Pixar está aí para disputar com gente como Almodóvar e Tarantino a alcunha de detentor do melhor cinema autoral em voga atualmente.


Porque deveria ganhar...
É o filme mais poético e emocionante dos indicados. E a vida anda precisando de poesia.


Porque não deveria ganhar...
Se a beleza não põe mesa, o mesmo serve para poesia.


As indicações: Filme, animação, roteiro adaptado, canção original e edição de som


Questão de honra


Dá gosto ver os Coen se contendo em favor de uma obra atemporal como Bravura indômita. Ao fazer isso, eles contribuíram para o novo fôlego do western nas bilheterias. Um filme que consegue aliar beleza à obscuridade e ainda empolga. No final das contas, os fins justificaram os meios.


Porque deveria ganhar...
É um filme belamente realizado com o viço dos grandes clássicos e humor contemporâneo.


Porque não deveria ganhar...
É melhor do que o filme original, mas não é o melhor filme do ano.


As indicações: Filme, direção, roteiro adaptado, ator, atriz coadjuvante, fotografia, figurino, direção de arte, edição de som e mixagem de som


Perfeição


Chegar lá é exaustivo. Mas Cisne negro é prova viva de que é possível. Filme que se envaidece de sua perfeição técnica sem qualquer comedimento, chega ao Oscar menor do que se supunha. Contudo, a perfeição irretocável de Cisne negro abriu portas para aqueles que lhe deram corpo.


Porque deveria ganhar...
Nenhum filme provocou e fascinou tanto o público no ano. Nenhum outro final tirou o fôlego do espectador na sala escura.Há muito tempo, um filme não provocava essas reações.


Porque não deveria ganhar...
É um filme que não teria o mesmo impacto, não fosse por intervenções bem detectáveis da direção


As indicações: Filme, direção, atriz, montagem e fotografia

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Oscar watch 2011 - Insight

As reminiscências de Cisne negro



O novo filme de Darren Aronofsky tem dividido a crítica, principalmente, brasileira. Há quem enxergue no filme um vigoroso exercício de estilo em uma apropriação muscular do cinema como ferramenta narrativa. Por outro lado, há quem veja um cineasta inseguro que mastiga todo o filme em redundâncias visuais. Estão mesmo nas imagens, e no poder alienatório delas, a grande questão de Cisne negro em matéria de cinema. Darren Aronofsky é um cineasta inquieto. Foram cortes multiplicados em Réquiem para um sonho (2000), estética inovadora em Pi (1998), registro semidocumental em O lutador (2008) e em Cisne negro, de alguma maneira, se presencia a decupagem desse estilo de forma acentuada. Aronosky filma com alguns simbolismos. Seus personagens estão sempre em frangalho emocional e em busca de algum sentido existencial.
Essa preocupação do cineasta pode ser observada de maneira mais cristalina ao juntar seus dois últimos filmes: O lutador e Cisne negro. Tanto lá como cá, estamos as voltas com personagens que exploram os limites de seus corpos. Em O lutador, Aronofsky se apropria do corpo e da história de vida de Mickey Rourke para sedimentar um personagem em busca de redenção (o próprio cineasta se encontrava nesse pathos já que fracassara em sua pretensão mais comercial, Fonte da vida). Em Cisne negro, assim como sua personagem principal precisa encontrar seu lado negro (sensual, descontrolado), o diretor exige o mesmo de sua intérprete, Natalie Portman. É com Aronosky que Natalie se entrega despudorada e apaixonadamente a um papel que, em suas nuanças, é de uma riqueza crepuscular. E Natalie Portman, em sua exploração particular, entrega uma performance irretocável.
Os simbolismos não param aí. Aronofsky disse em entrevista em Veneza que entende que os dois filmes são complementares. Não é mero jogo de palavras. Tanto lá como cá se tem acesso aos bastidores de atividades que angariam admiradores, mas que são parcialmente desconhecidas do grande público. Tanto lá como cá se testemunha devoção inconteste a um sonho (obsessão?) e a um modo de vida que pressupõe fortes interjeições emocionais.


Autor e co-autora: Aronofsky instrui sua estrela nos sets de Cisne negro; um caso de simbiose artística 



Perfeição para que te quero? Cisne negro é uma fábula de horror e um drama de beleza e técnica ímpares



Aronofsky une os dois filmes de vez ao aplicar o mesmo final para ambos. A resolução que se propõe, portanto, se configura como um diálogo de ênfase simbólica dentro da filmografia do diretor. O salto final que se vislumbra em ambos os filmes, talvez diga mais sobre esses personagens do que qualquer solução realista. É da trincheira entre surrealismo, naturalismo e realismo que Aronofsky compõe seu cinema. Em Cisne negro é adotado, também, o expressionismo como linguagem. Os espelhos, o jogo dos duplos (brilhantemente encenado durante a apresentação do lago dos Cisnes) e o frenesi pretendido por alucinações que se confundem com a realidade representam essa poderosa dinâmica que tão bem se comunica com o público e que tanto tem incomodado críticos entusiastas de um método de direção mais sutil.
Essa dicotomia está no âmago do filme. Cisne negro foi concebido com paixão e devoção (mais um símbolo inerente à obra). E como todo objeto de paixão que também se interessa em provocá-las, incitará reações adversas. É preciso reconhecer, porém, o acerto de Aronofsky em manter-se coerente (e itinerante) a sua obra e de realizar um filme tão polarizante. É inegável que Cisne negro tem muitas qualidades. A maior delas, talvez seja essa de sintetizar um cineasta experimental e provocador em uma obra tão lisérgica quanto acessível.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Crítica - Cisne negro

Poderoso!


Darren Aronofsky não é conhecido por ser um cineasta sutil. O que em muitos é defeito, no diretor de filmes como Réquiem para um sonho (2000) e O lutador (2008) é a cristalização de um dos maiores trunfos de seu cinema. A grandiloquência de Cisne negro (Black Swan, EUA 2010), essa obra prima moderna que dialoga com o clássico em forma, conteúdo e reverberação, é sintomática da necessidade de Aronofsky em chocar seu público. Remanejá-lo de sua zona de conforto. Essa condição ajuda a entender porque Aronofsky promoveu uma pequena revolução em seu cinema. De câmera em punho assombra seus protagonistas. Já fizera isso ao combalido Mickey Rourke em O lutador e torna a fazê-lo com a frágil Natalie Portman no novo filme. Esse recurso é mais um da cartilha do cineasta para transportar o público para dentro da ação fatigante que é viver a vida de Nina Sayers (Natalie Portman).
O diretor imprime um tom cada vez mais insidioso no desvelo da trama. Aos poucos, Cisne negro vai ganhando dimensão como horror psicológico e se alvorecendo como um drama de proporções maiúsculas sobre aquela personagem que na busca pela perfeição se perde de si mesma. Há quem ache ruim no filme sua vocação para explicitar visualmente todo o caos emocional da personagem. O tangenciamento de suas alucinações nunca é óbvio. É sugerido de forma enfática, nunca prolixa. Colaboram para essa sensação de agigantamento, a magnífica trilha sonora assinada por Clint Mansell – a partir da obra de Tchaikovsky - e a montagem inebriante de Andrew Weisblum.

Espiral de loucura: Aronofsky funde horror psicológico ao drama  


Ao filmar os bastidores de uma companhia de balé, Aronofsky está menos interessado na forma de arte e mais na maneira como sua protagonista se relaciona com essa arte. A representatividade desta em um âmbito emocional. Esse interesse já estava em O lutador (sendo a luta livre uma expressão de arte mais modesta, é verdade). Em Cisne negro ele é potencializado pela poesia nefasta entre beleza e feiúra que não se pressente no mundo do balé, porém, é intrínseco ao mundo de Nina Sayers.
Ao pautar seu filme de um frenesi crescente, Aronofsky estava ciente de que acumularia detratores, mas também tinha consciência dos resultados que obteria em termos dramáticos.
Aronofsky submete Natalie Portman a uma via crúcis das mais tenebrosas. A atriz entrega uma das atuações mais poderosas, desprovida de vaidade e cativantes dos últimos tempos. Tão grandiloquente quanto o filme deseja ser, Portman interioriza toda a carga emocional de sua personagem que precisa liberta-se de suas inibições. Uma performance que dialoga em níveis subliminares com a personagem. O registro é tão cuidadoso, e calculadamente hiperbólico, que isso transparece para o público quando necessário; na apoteótica cena final.

Eu sou você amanhã: Natalie Portman e Winona Ryder dividem a cena em uma das muitas cenas impactantes do novo filme de Aronofsky



O restante do elenco esbanja competência. Em especial o francês Vincent Cassel que como o intrusivo diretor da companhia brilha intensamente e assim como seu personagem provoca Nina para que ela se solte; Cassel propicia a Portman seus arroubos de grandeza no filme.
Com cinco indicações ao Oscar (filme, direção, atriz, fotografia e montagem), Cisne negro é aquele filme que submerge a força de sua intérprete. Se Natalie Portman está soberana, é porque Darren Aronosfky a ilumina dessa forma. Optasse por um registro mais sutil e menos sexual (na forma despudorada como expõe seus personagens e suas entranhas), não causaria um impacto tão devastador em seu público. A música insidiosa de Tchaikovsky encontrou um cineasta que soube traduzi-la em imagens de semelhante impacto.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Filme em destaque: Cisne negro

Sangue, suor e lágrimas

Dubiedade em frente ao espelho: Natalie Portman e Mila Kunis se entregam ao diretor Darren Aronofsky no filme que tem cinco indicações ao Oscar 2011 e é uma das produções mais elogiadas da temporada



Ao contrário do que o título da matéria possa sugerir não se trata de um filme de guerra. “É um filme de lobisomem”. A declaração é do homem que realizou o filme. O cineasta Darren Aronofsky, que já havia realizado algumas extravagâncias cinematográficas como PI, Réquiem para um sonho e A fonte da vida, tem a realização de Cisne negro como a realização de um projeto há muito ansiado. “Darren me abordou com a possibilidade de viver essa personagem maravilhosa há dez anos”, revelou em entrevista recente a atriz Natalie Portman. Como Cisne negro, que entra em cartaz nessa sexta-feira (4) nos cinemas brasileiros, não é um filme fácil e midiático, o projeto teve de ser posto em espera. Foi melhor assim. Aronofsky pôde refinar sua arte – o fracasso do autoral e pretensioso A fonte da vida foi crucial para que Cisne negro se configura-se da maneira que veio ao mundo – e Natalie Portman pôde alcançar a maturação artística e emocional exigida pelo papel. “Sem dúvida alguma foi o trabalho que mais exigiu de mim física e psicologicamente”, declarou a atriz à revista Época.
Natalie Portman, que já ganhou o Globo de ouro e o SAG, entre outros prêmios, de melhor atriz pelo filme, revelou à Entertainment Weekly que sempre desconfiava daqueles atores que se diziam atingidos ou afetados pelo personagem, mas se sentiu dessa maneira ao viver Nina Sayers. A protagonista de Cisne negro é uma mulher frágil, mas obsessiva; determinada, mas influenciável; boa, mas gananciosa. Extrapolar todo esse paradoxo, inclusive em um nível físico, foi um desafio imenso na carreira da atriz. Desafio mensurado tanto pelos treinos intensos de balé que chegavam a oito horas diárias (Natalie foi bailarina quando criança) e culminando nas cenas de masturbação e sexo lésbico. Houve, ainda, no caldo de preparação para a personagem, a necessidade de perder dez quilos e a necessidade de fazer uso de sua formação profissional para manter a Nina afastada da Natalie, ainda que próxima o bastante para compreendê-la. Natalie Portman, para quem não sabe, é formada em psicologia pela prestigiosa universidade de Harvard.

Vincent Cassel, como o diretor tirano da companhia de balé, é um dos muitos destaques positivos do filme de Darren Aronofsky 



Cinema de referências

E aplicar psicologia a Cisne negro é um convite tentador em meio a tantas referências imponentes. A primeira é a própria obra de Tchaikovsky (O lago dos Cisnes) que dá verniz a trama. A estética de O lutador, filme anterior de Aronofsky, é um atributo tenaz da linguagem do filme e, de alguma maneira, Cisne negro é, também, um desdobramento temático e arquétipo de Réquiem para um sonho. Mas as referências que a produção indicada a cinco Oscars (filme, direção, atriz, fotografia e montagem) traz em seu cerne não param aí. Dois filmes fundamentais da filmografia do franco polonês Roman Polanski parecem ser linhas mestras desta obra de Aronofsky. Repulsa ao sexo (1965) e, principalmente, O bebê de Rosemary (1968) vêm a mente do cinéfilo mais observador e cuidadoso dos detalhes.


Polanski´s way: Há cenas e enquadramentos que remetem a dois clássicos do diretor franco-polonês



Aronofsky faz, por fim, um filme interessado em aprofundar-se no psicológico de sua personagem e esse detalhe faz toda a diferença ao se debruçar sobre as referências alinhadas. Cisne negro pode contar com alguns clichês, como uma mãe dominadora, o mestre intimidador, a rival sensual e a invejosa que já foi estrela um dia, mas todos os filmes de lobisomens precisam de clichês. E se o leitor ainda não decifrou o porquê de Aronofsky considerar este filme, ambientado no universo do balé, como o seu filme de lobisomem, com a palavra o próprio: “É um filme de horror, em que testemunhamos uma pessoa atravessar por transformações de toda ordem. Física, emocional, sexual, etc.” A bem da verdade é que nunca se viu um lobisomem como Natalie Portman no cinema antes.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

OSCAR WATCH 2011 - Primeiras impressões

Passado o furor do dia do anúncio das indicações, é hora de buscar alguma perspectiva sobre os concorrentes ao 83º Oscar. A primeira certeza que advém dos dez filmes lembrados na categoria principal é de como 2010 foi superior a 2009 em matéria de cinema de qualidade nos EUA e isso reverbera na categoria principal. Os blockbusters lembrados ( A origem, A rede social e Toy story 3) são de qualidade insuspeita, ao contrário do ocorrido no ano passado com as semi bombas Avatar e Um sonho possível. Existem os filmes de estúdio com boa bilheteria e endosso artístico (Bravura indômita e O vencedor), embora no ano anterior Bastardos inglórios e Amor sem escalas tenham cumprido bem esse papel e o cinema independente continua mostrando sua força. Emplacou os outros cinco filmes na disputa (O discurso do rei, Cisne negro, 127 horas, Inverno da alma e Minhas mães e meu pai).
Se há um estúdio recompensado com essas indicações é a Fox searchlight, selo independente do gigante do entretenimento Fox. Com dois filmes na disputa principal (127 horas e Cisne negro), o estúdio tem se notabilizado por acreditar na visão de cineastas inquietos e provocadores. Os filmes de Aronofsky e Danny Boyle não veriam a luz do dia sem o apoio do estúdio. A academia, com indicações sólidas para ambos os filmes, vem recompensar essa postura. Outro que sai fortalecido das indicações ao Oscar 2011 é o mega produtor Harvey Weinstein. Ele que andava meio deixado de lado conseguiu viabilizar O discurso do rei como um das grandes forças da temporada, ainda que o filme (e não Colin Firth) não tenha ganhado praticamente nada na Oscar season.

Darren Aronosky bate um papo com o ator Vincent Cassel no
set de Cisne negro: a Fox Searchlight foi a única a dizer sim
para o filme

O grande reconhecimento a O discurso do rei e o fato de Bravura indômita se colocar entre o filme inglês e o favorito de ocasião A rede social denotam, mais do que uma inversão de favoritismo, uma predisposição de se afastar do entendimento da crítica. Ano passado a academia se aproximou ruidosamente da crítica ao premiar (de forma muito mais acachapante do que se previa) Guerra ao terror, um darling da crítica e que entrou para a história como o Oscar winner de menor bilheteria até hoje. A rede social está sendo mais festejado do que Guerra ao terror (e merece!). Mas é um filme frio, análitico, falado, não sentido. Ao contrário dos outros concorrentes com múltiplas indicações. O fato dos coadjuvantes do filme não terem sido lembrados incorre em uma possibilidade um tanto quanto canhestra. O filme de David Fincher poderia se prejudicar pela aparente unanimidade que recebe das mais variadas associações e colegiados de críticos. A academia não pretende ser apenas mais uma. Existe a preocupação em manter intocada a aura de maior prêmio do cinema que só pode ser preservada ao trazer outros protagonistas para o centro da disputa. O prêmio do sindicato dos produtores no último fim de semana para O discurso do rei já pode ser um forte indicador nesse sentido. As próximas semanas serão decisivas para o amadurecimento dessa impressão.
Fato é que filmes como Cisne negro e O vencedor devem conquistar prêmios. Para o primeiro filme, a grande barbada é Natalie Portman na categoria de atriz, ainda que exista um forte lobby em prol da candidatura de Annette Bening (Minhas mães e meu pai). O segundo filme vem forte nas categorias de coadjuvantes, mas pode ser uma surpresa em montagem (embora aqui as chances sejam mais do que remotas).
A origem, conforme Claquete já havia antecipado em matéria especial no início do mês, tem suas chances reduzidas às categorias técnicas; mas Chris Nolan (principalmente depois da esnobada na categoria de direção) tem boas chances de faturar roteiro original.

domingo, 26 de dezembro de 2010

OSCAR WATCH 2011 - Insight

 As faces por trás das melhores atuações do ano

Apesar de ainda parecer aberta, as disputas pelos Oscars de atuação já estão bem delineadas. Já surgem no horizonte, os principais postulantes a estatueta. Mas antes de ceder a esse indefectível prazer de especular quem fica com o ouro, é preciso apontar quem de fato irá disputá-lo. É a esse préstimo que Claquete se lança nesta presente seção de Insight.
Um confiável barômetro para as indicações ao Oscar, é a lista do sindicato dos atores (SAG), que foi divulgada há duas semanas, mas com raras exceções essa lista foi plenamente aproveitada pela academia. Se o globo de ouro tem falhado cada vez mais em antever até mesmo os vencedores da estatueta, nesse aspecto o SAG tem se mostrado exímio, com raros desacertos.
Na disputa pelo SAG de melhor ator está Robert Duvall (Get Low), um favorito da classe dos atores, que está em um filme que foi bastante elogiado pela crítica quando lançado nos EUA (no meio do ano). Duvall já venceu o Oscar, mas não tem um SAG como intérprete e essa indicação, no mínimo, objetiva essa correção. Acumulando seis indicações ao Oscar (uma vitória) e outras três indicações ao SAG (quarta com a atual), Duvall pode ter aqui sua última chance de ser agraciado por seus pares. Isso faz dele um favorito ao Oscar? Não exatamente. Faz dele um favorito ao SAG, mas o impacto dessa indicação, o credencia à corrida do Oscar. Ainda que com poucas chances.

Robert Duvall e Bill Murray em cena de Get Low: filme elogiado pela crítica e uma derradeira chance de ser honrado por seus pares


Jeff Bridges (Bravura indômita), outro ator que ficou de fora do Globo de ouro, mas que apareceu na lista do SAG, por sua vez, tem maiores chances. Muito em parte pela força do filme que estrela. Aliás, dizem alguns críticos, sua atuação em Bravura indômita é superior a oscarizada em Coração louco. Contudo, pesa contra o ator o fato de acabar de ter sido premiado mais pela carreira do que pelo papel propriamente dito. Esse “infortúnio” pode limá-lo da disputa e novamente esculhambar com o timing da academia para entregar prêmios tardios.
Certezas na disputa por melhor ator são três. Jesse Eisenberg (A rede social) perece ter assegurado sua vaga junto a Colin Firth (O discurso do rei) e ao novo darling James Franco (127 horas). Se Bridges e Duvall têm a confiabilidade do SAG a seu favor, Ryan Gosling tem a aura cult que sonda sua persona e seu filme, Blue Valentine, do seu lado. Michael Douglas (O solteirão) é outro nome que não pode ser descartado. A academia já provou que não hesita em resgatar nomes negligenciados por premiações periféricas. Recentemente fez isso com Tommy Lee Jones (No vale das sombras) em 2008 e no esse ano com Maggie Gyllenhaal (Coração louco). Portanto, apesar de estar passando ao largo nessas primeiras premiações, Douglas e sua comovente composição em O solteirão não podem ser descartados.

Jesse Eisenberg em fotografia do editorial do The times com as celebridades de 2010: nome certo entre os cinco finalistas do Oscar de melhor ator


Uma segunda indicação ao Oscar em 5 anos para um ator tão limitado quanto Mark Wahlberg (O vencedor) parece pouco provável (lembrando que ele foi indicado por Os infiltrados em 2006). Apesar da festa em torno do filme que estrela, o ator deve se contentar mesmo com sua indicação ao Globo de ouro. E Leonardo DiCaprio? Muitos creem que DiCaprio está sendo injustamente esquecido. Mas o ator pode se beneficiar da mesma lógica que Michael Douglas. Improvável, apenas, que os dois sejam lembrados. Nesse sentido, DiCaprio tem a primazia de ter estrelado dois sucessos de bilheteria (Ilha do medo e A origem). Fato é que em 2011 dificilmente os cinco atores lembrados pelo sindicato serão anunciados pela academia em 25 de janeiro. É isso que Leonardo DiCaprio, Mark Wahlberg, Ryan Gosling, Michael Douglas e, em menor escala, Javier Bardem (Biutiful) almejam.


Colin Firth em cena de O discurso do rei: vencedor de alguns prêmios da crítica, favorito ao globo de ouro e com a lembrança forte de sua performance em Direito de amar, Firth veste a roupa de favorito na corrida pelo Oscar



As atrizes
Como de hábito, a disputa pelo prêmio de melhor atriz já se encontra mais delineada. Até mesmo com uma favorita declarada ao prêmio (Natalie Portman por Cisne negro).
Se já está certo que Jennifer Lawrence (O inverno da alma) e Annette Bening (Minhas mães e meu pai) lhe farão companhia na categoria, as outras duas vagas abrigam uma briga quase formal. Halle Berry (Frankie & Alice), Michelle Williams (Blue Valentine), Naomi Watts (Jogo de Poder) e Hilary Swank (Conviction) têm poucas chances de tirar as vagas de Nicole Kidman por Rabbit Hole (a atriz anda precisando de um novo empurrãozinho na carreira) e Lesley Manville por Another year (a melhor chance do filme de Mike Leigh ser reconhecido).
Aqui a inclusão de Swank faz lembrar quando Angelina Jolie foi indicada tanto ao Globo de ouro quanto ao SAG por O preço da coragem em 2008 e o Oscar corrigiu o exagero nomeando Laura Linney por A família Savage. Hilary com dois Oscars em duas indicações não parece ter um filme suficientemente comentado para chegar ao Oscar. Já o SAG não considera tanto um critério como esse na hora de destacar as atuações do ano. De qualquer jeito, a disputa pela estatueta de atriz, além de já ter uma favorita inconteste, parece mais definida do que a corrida pelo Oscar de melhor ator.

Natalie Portman, entre o ator francês Vincent Cassel e o diretor Darren Aronosfky, na premiere de Cisne negro: favorita absoluta ao Oscar de melhor atriz

+No próximo domingo, a corrida dos coadjuvantes+

domingo, 12 de dezembro de 2010

OSCAR WATCH 2011 - Os vencedores de Boston, Los Angeles e a tradicional lista do AFI

Um domingo movimentado nessa Oscar season que se inicia. Neste 12 de dezembro foram anunciados os vencedores do círculo de críticos de Los Angeles, os melhores do ano pelo pela associação de críticos de Boston e a tradicional lista das melhores produções do ano segundo o American Film  Institute (AFI). Com menor ressonância, o conjunto de críticos online de Nova Iorque também divulgou seus vencedores neste domingo:

Os dez melhores filmes do ano para o AFI


Cisne negro
O vencedor
A origem
Minhas mães e meu pai
127 horas
A rede social
Atração perigosa
Bravura indômita
Inverno da alma
Toy story 3


Vale lembrar que apenas cinco filmes incluídos na lista do AFI ano passado chegaram a disputa pelo Oscar de melhor filme, embora todos (com exceção de Se beber não case) tenham chegado ao Oscar. O AFI é uma importante instituição de cinema nos EUA, muito respeitada e apreciada, mas seus critérios pouco se ajustam aos da academia. De qualquer maneira, o AFI divulgou uma lista das mais interessantes.


Os escolhidos de Boston

A rede social continua dominando com força, até certo ponto, surpreendente. O filme de David Fincher conquistou cinco prêmios da crítica de Boston (filme, direção, roteiro, trilha sonora e ator para Jesse Eisenberg). Boston é o terceiro conjunto de críticos a sagrar A rede social como o melhor filme de 2010 (os outros foram Washington e o National Board of Review).
Christian Bale segue seu rumo ao Oscar de maneira invicta até aqui. Foi eleito o melhor ator coadjuvante por O vencedor. A fita também recebeu o prêmio de melhor elenco. Novidade, embora não surpreendente, na categoria de melhor atriz: Natalie Portman foi a escolhida por Cisne Negro. O filme de Darren Aronofsky também recebeu o troféu de melhor montagem. O prêmio de fotografia foi para Bravura indômita. O sul coreano Mother foi eleito o melhor filme estrangeiro e a maluquete Juliete Lewis a melhor atriz coadjuvante por Conviction (a primeira aparição do drama estrelado por Hilary Swank em uma lista de críticos). Toy Story 3, para surpresa geral da nação, foi escolhido a melhor animação.

Cena de Cisne negro: Natalie Portman teve duas vitórias neste domingo e filme venceu importantes categorias técnicas


Rumo ao ouro: O vencedor vem abrindo caminho na temporada e seu elenco parece vitaminado para as listas de indicados do SAG e Globo de ouro a serem divulgadas nesta semana


Vale lembrar que os críticos de Boston têm ótimo aproveitamento quando se trata de antecipar os vencedores do Oscar. Nos últimos dez anos, sete dos filmes escolhidos como os melhores do ano pela associação acabaram levando o Oscar de melhor filme.



Críticos da internet de Nova Iorque

Filme
A rede social


Ator
James Franco (127 horas)


Atriz
Natalie Portman (Cisne Negro)


Diretor
David Fincher (A rede social)


Ator coadjuvante
Christian Bale (O vencedor)


Atriz coadjuvante
Melissa Leo (O vencedor)

Elenco
Minhas mães e meu pai

Roteiro
A rede social

Documentário
Exit through the gift shop

Filme estrangeiro
I am love

Animação
Toy story 3

Fotografia
Cisne negro

Trilha Sonora
Cisne negro

 
As escolhas de Los Angeles


E deu A rede social aqui também. A quinta vitória do filme de Fincher em listas de críticos. Um desempenho superior ao de Guerra ao terror ano passado (e todo mundo se impressionou com o aproveitamento do filme de Kathryn Bgelow junto à crítica).
Os críticos de Los Angeles concedem o prêmio e distinguem, sob a nomeação de Runner up, o segundo colocado na categoria. Na disputa por melhor filme o runner up, foi a produção francesa para a TV Carlos (que debutou no Festival de Cannes e foi exibido na Mostra de São Paulo). Carlos e A rede social parecem ter mesmo impressionado os críticos da associação que concederam o prêmio de direção aos diretores dos respectivos filmes: Oliver Assayas e David Fincher (isso mesmo, um empate!).

O mar continua bom para peixe para o filme de David Fincher. A rede social galopa a passos largos rumo ao favoritismo absoluto na corrida pelo Oscar


Colin Firth foi escolhido o melhor ator por O discurso do rei e o espanhol Edgar Ramirez foi o Runner up por Carlos. A melhor atriz foi Kim Hye-Ja por Mother e Jennefer Lawrence por Inverno da alma foi a Runner up. O cinema francês foi mesmo festejado em 2010 pelos críticos de Los Angeles. Além do prêmio de filme estrangeiro para Carlos (o Runner up foi para o sul coreano Mother), o melhor ator coadjuvante foi Niels Arestrup por O profeta. Vale lembrar que Christian Bale, em termos de Oscar, continua invicto por que O profeta foi concorrente no ano anterior.
O prêmio de fotografia foi para Cisne negro e o Runner up para Bravura indômita. A melhor atriz coadjuvante foi Jacki Weaver por Animal Kingdon (segunda vitória dela na temporada) e a Runner up foi Olivia Willians por O escritor fantasma.

Cena do sul coreano Mother: o filme foi bem contemplado pelos críticos de Boston e Los Angeles, que deu a Kim Hye-Ja um supreendente troféu de melhor atriz


Amanhã saem os vencedores do grupo de críticos de Nova Iorque (outra lista respeitável) e os indicados ao critic´s choice awards. No próximo domingo, a seção insight irá repercutir esta que é uma semana definidora na atual temporada de premiações.

sábado, 14 de novembro de 2009

De olho no futuro...

O canto do cisne

O novo projeto do diretor Darren Aronofsky, de volta ao rol dos badalados após o sucesso de O lutador, Cisne negro começa a ganhar viço. Depois de assegurar Natalie Portman e Mila Kunis para serem bailarinas rivais que se equilibram entre o amor e o ódio que sentem uma pela outra, o diretor acaba de confirmar as presenças do francês Vincent Cassel e da americana “quero voltar a fazer sucesso” Winona Ryder em seu casting. O filme promete muito. E uma das razões para aguardar esse projeto com ansiedade é o elenco refinado que Aronofsky está montando para contar essa história sombria, e profundamente verdadeira, dos bastidores do balé.

O novo ataque do lobo

Filmes de monstros são sempre aguardadíssimos. Se for um remake do clássico O lobisomem, ambientado na era vitoriana, com efeitos especiais de primeira grandeza e Anthony Hopkins, Benicio DelToro, Hugo Weaving e Emily Blunt no elenco, a ansiedade aumenta mais. Contudo, os cinéfilos cardíacos passaram por maus bocados no aguardo desse filme. A fita do diretor Joe Johnston ( Jurassick Park 3, Substitutos) estava prevista inicialmente para o fim do ano passado. A Universal, estúdio responsável pela produção e distribuição do filme, resolveu adiar a estréia da fita para o verão desse ano alegando problemas na finalização dos efeitos especiais. Com a proximidade do verão, alterou a data novamente, para o fim desse ano, alegando ser o outono americano, uma data mais receptiva para o lançamento do filme. Há um mês atrás remanejou o lançamento do filme para fevereiro do ano que vem. Enquanto esperamos pelo lançamento do filme, que deve acontecer mesmo em fevereiro – por que senão o estúdio perde a moral de vez, essa semana foi liberado mais um cartaz do filme.



Terra prometida

Aconteceu. Depois da consagração internacional de seu mais recente trabalho, o drama À deriva, Heitor Dhalia recebeu muitos convites para trabalhar no cinema americano e seguir os passos de gente como Fernando Meirelles, Carlos Saldanha, Walter Salles e Vicente Amorim. Essa semana, Dhalia anunciou o projeto que escolheu para marcar seu debute na Meca do cinema. O suspense Abril 23, adaptado do livro Sadness at leaving: an espionage romance, conta a história de um agente da KGB que enviado a Nova Iorque para cumprir uma missão acaba se apaixonando e complicando sua vida. Nas mãos de outro diretor, esse filme poderia ser uma comédia ou uma fita de ação, nas mãos de Dhalia promete ser um estudo elaborado das contradições humanas. A produção é da independente Lakeshore e alguns nomes tarimbados de Hollywood já demonstraram interesse, como Jennifer Connelly, Forest Whitaker, Amy Adams e Clive Owen.

O francês Vincent Cassel (a esquerda) e Dhaila no pré-estréia carioca de À deriva: ele já chega em Hollywood causando

Lula made in Brasil

Essa semana o diretor Fábio Barreto se encontrou com um grupo de empresários latinos, em especial com o argentino Eduardo Constantini Jr., para acertar os últimos ponteiros sobre a distribuição internacional de Lula – filho do Brasil. A idéia é distribuir o filme para toda a América Latina simultaneamente. Feito inédito na história do cinema nacional. Algo que ainda salta mais aos olhos, se considerado que um filme brasileiro para garantir distribuição internacional precisa fazer grande sucesso no mercado interno e contar com engenhosos planos de marketing lá fora. Mas Lula é Lula. E seu carisma desconhece convenções. Resta saber se o filme de Barreto fará justiça a essa figura tão indecifrável e ao mesmo tempo tão popular.

Nunca antes na história desse país...

Muito além dos olhos azuis

Parece que a engenharia genética está com tudo no cinema. Após ser contestada em O enviado e relativizada em Uma prova de amor, agora ela será abordada de uma maneira mais complexa em Extraordinary measures, novo drama estrelado por Harrison Ford e Brendan Fraser. O drama dirigido por Tom Vaughn (que só tem no currículo o divertido Jogo do amor em Las Vegas) promete aprofundar questões éticas e morais, sem perder a emoção de vista. O trailer você confere aqui.