Mostrando postagens com marcador Jesse Eisenberg. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jesse Eisenberg. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de julho de 2013

Crítica - Truque de mestre

Sem muita mágica

A ideia de cinema relacionada à ilusão não é nova e data dos primórdios da sétima arte com o mestre Georges Méliès. Contudo, vez ou outra, surge um filme disposto a estreitar as margens entre cinema e ilusão. É o caso do novo Truque de mestre (Now you see me, EUA 2013), de Louis Leterrier. O filme é um grande truque que garante o interesse ao brincar com a percepção da plateia a todo tempo. Nesse sentido, Leterrier – diretor de Carga explosiva 2 e O incrível Hulk – se mostra habilidoso, mas não esconde as muitas falhas do roteiro escrito por Boaz Yakin e Ed Solomon.
Na trama, quatro mágicos (Jesse Eisenberg, Isla Fischer, Woody Harrelson e Dave Franco) com habilidades diferentes são retrucados por um financiador misterioso para bancarem Robin Hood em versão David Copperfield.  No primeiro show, em Las Vegas, eles roubam três milhões de euros de um banco em Paris. A ação os coloca na mira do FBI e da Interpol, representados na figura dos agentes vividos por Mark Ruffalo e Mélanie Laurent. A investigação, sempre consideráveis passos atrás, segue a trupe de mágicos por pontos importantes dos EUA como Nova Orleans e Nova Iorque. De acordo com o guru obstinado em desvendar os truques do grupo (papel de Morgan Freeman), eles irão fazer três atos, um mais surpreendente do que o outro, e então desaparecer. A corrida contra o relógio está, portanto, estabelecida.
É tudo truque: Jesse Eisenberg e Woody Harrelson tentam reaver a
química dos tempos de Zumbilândia
O problema de Truque de mestre está em querer parecer mais esperto do que é. É um filme ágil, charmosão, bem articulado no humor e na ação, mas não é, de maneira alguma, um filme inventivo ou mesmo original. Ao querer se passar por tal aferindo novo sentido ao slogan “quanto mais de perto você olha, mais distante da verdade você está”, o filme peca pelas reviravoltas que desafiam à lógica e irrita ao propor uma solução pouco factível, ainda que potencialmente inesperada. A sucessão de trucagens no roteiro cansa já nas proximidades do desfecho, ressaltando a irregularidade narrativa do filme, até então disfarçada de reviravolta dramática.

O caprichado elenco, que ainda conta com Michael Caine e o rapper Common, garante o bom nível do entretenimento. O destaque, mais uma vez, vai para Woody Harrelson que como um mentalista intrometido responde pelos melhores momentos do filme.

sábado, 18 de junho de 2011

Cantinho do DVD

Jesse Eisenberg está em alta. Indicado ao Oscar de melhor ator por A rede social, escalado para o novo filme de Woody Allen e a principal voz da principal animação do ano até o momento, Rio. Em 2011, Eisenberg ainda poderá ser visto em 30 minutos ou menos. A comédia de ação o reúne ao diretor Ruben Fleischer que o dirigiu em Zumbilândia, destaque de Cantinho do DVD desta semana. Foi nessa fita de 2009 que Eisenberg obteve seu primeiro protagonismo. Com ótimos papéis de coadjuvantes em filmes como A caçada (2007), A lula e a baleia (2005) e A vila (2004), o ator estava esperando uma oportunidade de mostrar seu talento como leading man. Como 2011 está provando, ele a agarrou com unhas e dentes.


Crítica

Muitos são os filmes que abordam o apocalipse como ponto de partida. Orientando-se por essa máxima e subvertendo as prioridades de uma fita de zumbis, Ruben Fleischer rodou uma perola do humor americano que alia clichês de filmes de terror, clichês de filmes de High school e Woody Harrelson. Essa salada se chama Zumbilândia (Zombieland, EUA 2009). O filme aposta na química entre os atores e em um roteiro esmerado no politicamente incorreto.
Os Estados Unidos foram devastados por uma epidemia em que todos se transformaram em zumbis. Columbus (Jesse Eisenberg) mantém –se vivo por seguir rigidamente um conjunto de regras, tão esdrúxulas quanto sérias, que cunhou quando a epidemia se pronunciou. Na estrada, porque cruzar o país é a única coisa que se pode fazer, encontra o amalucado Tallahassee (Woody Harrelson), um tipo que se diverte arregaçando zumbis. Unidos no propósito de não fazer nada juntos, encontram duas irmãs (interpretadas por Emma Stone e Abigail Breslin) que demonstram muito mais cérebro do que eles na hora de elaborar tocaias.
Zumbilândia logo se resolve como esse road movie familiar em que os protagonistas, vez ou outra, precisam atirar em um zumbi ou picá-lo com uma foice. O grande mérito da fita está em não se levar a sério, enumerando piadas que, se não suficientemente fortes, são melhoradas pelos itens da lista de Columbus que surgem na tela para ilustrar o que está acontecendo.
O grande trunfo de Zumbilândia, à parte a graça de ter Woody Harrelson destilando mais um personagem a sua imagem e semelhança iconográfica, é Jesse Eisenberg. O ator se apodera da lógica do humor com timing insuspeito. De porte físico miúdo, Eisenberg sabe trabalhar sua falta de pujança em favor do humor físico, mas se sai melhor ainda quando o fino reside nos diálogos.
Zumbilândia ainda oferece um momento pop de extremo efeito na participação especial de Bill Murray, que interpreta a si próprio: “Seis pessoas sobreviveram e uma delas é Bill Murray”, exclama um entusiasmado Tallahassee. Esse é o espírito de Zumbilândia, um filme que faz do tosco, uma forma de arte.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Em off

Nesta edição de Em off, novidades sobre o novo projeto de Tarantino; conjecturas sobre a escolha de Aronofsky para presidir o júri em Veneza; a semelhança entre um personagem da animação Rio e Woody Allen e como isso pode ter influenciado no casting do novo filme do cineasta americano; porque Sean Penn prefere as loiras e as expectativas de bilheterias gordas para esse mês de maio que se inicia.




Novo presidente, velho conhecido

O cineasta americano Darren Aronofsky foi escolhido para presidir o júri do próximo festival de Veneza, que será realizado em setembro. A escolha de Aronofsky revela um interesse da organização do festival em fidelizar algumas figuras do cinema a exemplo do que faz Cannes. Aronofsky, em um conjunto de quatro anos, terá comparecido no festival por três oportunidades. Em competição com O lutador (2008), fora de competição com Cisne negro (2010) e como presidente do júri (2011).
A escolha também demonstra, além de bom senso da organização, uma pré-disposição em acalentar a mostra com interesses diversos que fujam da seleção de filmes. Estratégia sinalizada no ano anterior com a escolha de Tarantino para presidir o júri.


Tarantino no oeste!

E por falar em Tarantino, está batido o martelo sobre o nome do novo filme do diretor. O projeto,como já estava anunciado, será um western que o reunirá ao ator Christoph Waltz (grande destaque de Bastardos inglórios). Django Unchained ainda não tem data para começar a ser produzido. O roteiro acabou de ser entregue a Harvey Weinstein. Tudo indica que as sempre notáveis referências ao cinema de Sergio Leone entrarão em ebulição no novo filme de Tarantino.



Separados no nascimento


A animação Rio ainda reina como o principal lançamento de 2011 nos cinemas. O posto deve ser perdido nesse mês que traz promissoras estréias do verão americano, mas quem não se perde na comparação é Blu, a ararinha azul que protagoniza o filme do brasileiro Carlos Saldanha. Blu parece uma criação de Woody Allen. Neurótico, obsessivo, recluso e cheio de interjeições filósofo-científicas, Blu aproximou o humor das animações ao humor de Woody Allen que, naturalmente, serviu de referência na concepção do personagem.



O novo filme de Allen
E por falar em Woody Allen, o diretor americano já anunciou seu novo projeto. A fita, que será gravada em Roma, reunirá o diretor a Penélope Cruz novamente. Também estão escalados Alec Baldwin e Jesse Eisenberg. Isso mesmo o Blu que em outra encarnação foi Mark Zuckerberg. É certo que um desses dois trabalhos (se não os dois) foi decisivo para que Allen convidasse Eisenberg para estrelar seu novo filme.

 
Quem leva a melhor em maio?

Velozes e Furiosos 5: operação Rio começou levantando poeira nas bilheterias americanas no final de semana passado. A quantia de U$ 84 milhões garantiu a melhor abertura da série e a melhor do ano até aqui. Thor teve uma boa estréia no mercado internacional (U$ 55 milhões) e deve manter a média nas bilheterias americanas. Mas a disputa só está engrenando. Esse mês de maio ainda traz dois arrasa quarteirões que devem se impor sobre esses dois lançamentos. A expectativa da Disney é que Piratas do caribe: navegando em águas misteriosas supere os U$ 100 milhões em sua bilheteria de estréia nos EUA e chegue perto dos U$ 210 milhões mundialmente. A Warner tem ambições tão estreladas quanto. A expectativa é que Se beber não case – parte 2 arrecade cerca de U$ 75 milhões em sua estréia. O verão no cinema está começando e promete ser bem quente.



Duelo de gigantes

Como é que não tiveram essa ideia antes? Colocar Vin Diesel e The Rock (que prefere ser chamado de Dwayne Johnson) frente a frente em um filme de ação. Chega sexta-feira no país o novo filme da franquia Velozes e furiosos que traz a dupla se pegando (no sentido UFC, claro). Para os brasileiros, o quinto filme da série vem turbinado pelo fato de ser ambientado no Rio de Janeiro (ainda que grande parte das cenas tenham sido gravadas em Atlanta e Porto Rico).
Amanhã Claquete publica uma matéria exclusiva sobre o novo filme.

Olho no olho: Diesel e Johnson já estão chegando em Claquete


Já começou!


O filme mais aguardado de 2012 é Os vingadores. E desde a semana passada a ansiedade é diariamente abastecida com notícias da produção – iniciada em 25 de abril no México. O filme que reúne o super grupo da Marvel no cinema promete ser uma sensação cinematográfica e o elenco parece bastante entusiasmado.
Tom Hiddleston, o Loki de Thor, cotado para ser o principal vilão do longa já se manifestou acerca de sua ansiedade. Loki estará no filme, contudo, sua dimensão na história ainda não foi divulgada. Mark Ruffalo, que assumirá o papel de Hulk que já foi de Eric Bana e Edward Norton, teorizou acerca do status de seu personagem no grupo. “Ele é imprevisível!” A fala de Ruffalo e o fato de Loki ser o Deus da trapaça reforçam a boataria de que os vingadores seriam reunidos para controlar o Hulk, talvez sob influência de Loki. É uma aposta!



Bacaninha!
E Tom Hiddleston é uma das gratas surpresas de Thor. O ator, que também estará em War horse (lançamento de fim de ano de Steven Spielberg) responde pela carga emocional e pelos lampejos criativos de um filme que, em linhas gerais, só diverte. Thor é bem feitinho e esquecível. A crítica do filme será publicada ainda essa semana em Claquete.



Todas as loiras de Penn


Sean Penn é um bad boy de bom coração. Isso o ajudou a construir um repertório de conquistas invejável. Nos anos 80 estampava os tablóides em virtude de brigas homéricas com Madonna e ajudou a popularizar essa figura tão combalida chamada paparazzi. Até hoje Penn se atraca com uns e outros. Mas ele gosta mesmo é das loiras. Inegavelmente foram elas que mais se destacaram na companhia do ator. Depois da relação, marcada por idas e vindas, com Robin Wright (que durou mais de dez anos), Penn ingressou em um namoro com a voluptuosa Scarlett Johansson. O romance já dura alguns meses e foi “oficializado” no casamento da atriz Reese Whiterspoon algumas semanas atrás. Isso mesmo! Outra loira...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Crítica - Rio

Um filme charmoso!


Carlos Saldanha se prova mais uma vez um diretor tão criativo quanto assertivo dentro da seara das animações. Rio (EUA 2011), seu novo trabalho para a Blue Sky – divisão de animação da FOX - é desses filmes leves, simpáticos e divertidos que nos desperta o bem estar. É desnecessário citar a destreza técnica da animação, um comentário abandonado há dois anos. O que é importante ressaltar é o cuidado na lapidagem dos personagens, todos transbordantes em carisma e identificação. A ararinha Blu (Jesse Eisenberg) parece uma criação de Woody Allen, tamanha sua inadequação social. Estamos falando de uma arara que além de não saber voar, não se ressente dessa condição. Se entusiasma com sua gaiola. É essa arara que, por força da ação de um grupo de contrabandistas, terá que - na companhia de Jewel (Anne Hathaway)- se aventurar pelas ruas do Rio de Janeiro em época de carnaval.


Personagens cativantes e cheios de autenticidade: uma animação para agradar cariocas, paulistas, baianos e gringos...


É inconcebível pensar em Blu sem a voz de Jesse Eisenberg. O ator responde pelos grandes acertos da animação de Saldanha. A interpretação vocal, nova modalidade de interpretação que gente como Eisenberg e Johnny Depp em Rango lançam mão, se prova cada vez mais diferenciada em filmes do gênero. Eisenberg e Will I.AM como um pombo charlatão e cheio de atitude Hip Hop são dois achados.
O filme perpassa o Rio de Janeiro com olhos doces. Com números musicais protocolares e uma ou outra cena de ação sem grande inventividade, mas adornadas por carros alegóricos ou favelas sintonizadas em jogos de futebol. Olhar o Brasil pelos olhos estrangeiros é um deleite a parte para o espectador brasileiro. Ainda que o filme tenha sido realizado por um brasileiro, um brasileiro radicado em Los Angeles, a posição é de turista. Rio, o filme, não quer entender o Rio, a cidade. Quer vivê-lo. Vem dessa animação fofinha um puxão de orelha para os cariocas descontentes.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Oscar Watch 2011 - A peleja dos atores

Da esquerda para a direita: Colin Firth (O discurso do rei), Jesse Eisenberg (A rede social), James Franco (127 horas), Javier Bardem (Biutiful) e Jeff Bridges (Bravura indômita)



O de sangue azul

Colin Firth era, com muita boa vontade, um expoente das comédias românticas. Como em um passe de mágica, o inglês cinquentão e dono de charme indelével virou ator de tarimba dramática de indiscutível apelo. Se Tom Ford tem responsabilidade na descoberta desse, vá lá, novo status, Firth é o grande responsável por manter o nível de excelência sempre alto. Seja em um romance, um drama de época ou qualquer outra coisa que faça. O Oscar, de repente, parece apenas um detalhe.


Prós:
+ Todo mundo sabe que ele merecia o Oscar no ano passado. Seu desempenho em Direito de amar era o melhor do ano.
+ Pode se beneficiar da política de correção. Vigente na academia desde que o mundo tem a cerimônia do Oscar para assistir
+ Está em um filme cuja principal força reside nos atores, maior grupo do colegiado que forma a academia
+ Interpreta uma figura real. Sempre um chamariz de Oscars
+ Ganhou os principais prêmios da temporada (Globo de ouro, Critic´s Choice Awards e SAG)
+Interpreta um personagem que precisa superar algum tipo de deficiência. Aspecto que provoca simpatia na academia
+ É a interpretação mais técnica dentre os indicados
+ O fato de concorrer novamente com Jeff Bridges lhe favorece



Contras:
- É uma atuação menos acachapante do que a do ano passado e nem todo mundo pode estar disposto a premia-lo por um papel menor
- Não é a melhor atuação do ano e todo mundo sabe disso
- Pode-se optar por não cometer um equívoco dois anos seguidos de negligenciar o melhor trabalho em favor de um injustiçado
- É tido como favorito desde antes do início da temporada de prêmios, justamente por causa de Direito de amar. O desgaste pode se impor


Segunda indicação
Indicação anterior: Melhor ator por Direito de amar (2010)



O estranho no ninho


Jesse Eisenberg pode se tornar o ator mais jovem a faturar o Oscar. Mas não é só a possibilidade de quebrar o recorde de Adrien Brody que assusta o rapaz. Há poucos dias ele declarou que não sente como se merecesse estar no Oscar. Disse que ficou mais tranquilo quando apurou que outros se sentiam da mesma forma. Versátil e convincente, Jesse Eisenberg mostrou talento logo nos primórdios de sua ainda emergente carreira. É bom se acostumar a frequentar a festa da academia.


Prós:
+ Ganhou o maior número de prêmios na temporada
+ É uma interpretação que ganhou o aval e simpatia da própria figura biografada
+ Faz parte do filme mais elogiado do ano
+ Impressionou críticos e público com sua frenética composição de um bilionário que, embora famoso, ainda é majoritariamente desconhecido do grande público
+ Interpreta uma figura real. Sempre um chamariz de Oscars
+ É o primeiro nome na lista de quem não quer votar em Colin Firth



Contras:
- Não ganhou nenhum prêmio major
- O fato da leitura que o filme faz de Mark Zuckerberg ser bastante contestada pode prejudicá-lo mais do que ao filme propriamente dito
- É muito novo para a faixa de idade dos premiados na categoria e tem um histórico de filmes teens na bagagem
- a pecha de que a indicação já é suficiente
- Diferentemente dos outros concorrentes não dá vida a um personagem simpático
- Concorre, também, contra a atuação de Colin Firth em Direito de amar


Primeira indicação



O cara

Ele teve um bom ano. Estrelou dois filmes independentes que reverberaram junto a crítica e chegou ao Oscar pelo mais comentado (127 horas). James Franco, porém, estaria no Oscar de qualquer maneira. Em um anúncio até certo ponto surpreendente foi confirmado como co-host da cerimônia de 27 de fevereiro. Muita gente duvidava que o filho de Harry Osborne pudesse ir tão longe.


Prós:
+ Carrega o filme nas costas e a academia tem reconhecido nos últimos anos atores que façam isso. Exemplos recentes foram as premiações de Jeff Bridges (Coração louco), Sean Penn (Milk) e Daniel Day Lewis (Sangue negro).
+ É jovem e vem em uma rota de incrível ascendência em Hollywood. O cenário positivo pode favorecer
+ Interpreta uma figura real. Sempre um chamariz de Oscars
+ Assim como no caso de Colin Firth, interpreta um personagem imerso em uma situação em que precisa de força sobrehumana para superar-se
+ Além de Firth e Zuckerberg, foi o único entre os indicados a ganhar prêmios da crítica
+ É a melhor chance de reconhecer o filme do benquisto Danny Boyle


Contras:
- Está nitidamente atrás na briga entre o favorito Colin Firth e o desafiante Jesse Eisenberg
- Muita gente (inclusive dentro da academia) não quis ver o filme por causa da forte cena de mutilação, o que deve prejudicá-lo
- A pecha de que a indicação já suficiente
- O fato de ser host da cerimônia pode afastar o voto dos conservadores

Primeira indicação


O latino improvável


Javier Bardem tem fãs fervorosos em Hollywood. E é só por causa disso que garantiu vaga entre os cinco finalistas. A atuação cheia de sutilezas no filme mexicano Biutiful não seria suficiente. Mas o espanhol volta a disputa pelo Oscar orgulhoso de tê-lo feito por um filme falado na língua materna. A história reconhecerá o feito de Bardem de forma maiúscula. Não importam os meios.


Prós:
+ Assim como Michael Mann, Julia Roberts, Sean Penn, Benício Del toro e Robert De Niro avalizaram a indicação de Bardem, podem garantir a vitória do ator no Oscar
+ É um ator profundamente admirado pelos votantes
+ Duas notícias recentes trabalham em seu favor: o nascimento do filho e a confirmação de que será o vilão no próximo filme de James Bond


Contras:
- Já tem um Oscar, ganho recentemente pelo filme Onde os fracos não têm vez
- Não mora nos EUA e entre premiar um espanhol e um inglês, os americanos tendem a optar pelo inglês
- Como a nomeação vem por um filme falado em língua não inglesa, uma vitória seria improvável. São raros os casos. Recentemente, a atriz Marion Cottilard triunfou pelo francês Piaf
- Como entrou tarde na disputa, muitos dos acadêmicos já tem seus favoritos


Terceira indicação
Indicações anteriores:
Melhor ator por Antes do anoitecer (2001), melhor ator coadjuvante por Onde os fracos não têm vez (2008)
Vitória anterior: Melhor ator coadjuvante por Onde os fracos não têm vez (2008)





O cara reloaded


Não se sabe se foi de caso pensado, mas fato é que Jeff Bridges complicou a vida da academia ao acirrar uma rivalidade com o inglês Colin Firth. No ano seguinte da vitória por Coração Louco, Bridges volta melhor em sua segunda colaboração com os irmãos Coen. Aqui, dizem as más línguas, ele faz uma variação do Dude (do sucesso O grande Lebwoski). Pura intriga. Jeff Bridges demonstra mais sutileza do que nunca e dribla a pressão de reviver o personagem que deu o Oscar a John Wayne.

 
Prós:
+ Se existe um ator americano vivo que possa se equiparar a Tom Hanks obtendo dois Oscars seguidos, esse ator é Jeff Bridges
+ É um trabalho superior ao desempenhado em Coração louco. Por questão de coerência, se ele ganhou lá...
+ É um tipo de personagem que agrada muito os atores
+ Pode se beneficiar da excelente bilheteria que o filme está fazendo nos EUA e mundo afora


Contras:
- Ganhou no ano passado, quando Colin Firth estava melhor. Como muita gente acredita que aqui se faz, aqui se paga...
- Como o grande destaque na crítica está sendo a companheira de elenco, Hailee Steinfield, ele pode ser deixado de lado em favor dela
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada


Sexta indicação
Indicações anteriores: melhor ator coadjuvante por A última sessão de cinema (1971), melhor ator coadjuvante por O último golpe (1974), melhor ator por Starman (1984), melhor ator coadjuvante por A conspiração (2000) e melhor ator por Coração louco (2010)
Vitória anterior: melhor ator por Coração louco (2010)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Momento Claquete # 4

 "Eu acho que nenhum ator é autor. A gente interpreta o que é a vida; o que é viver e tenta se conectar com a audiência da melhor maneira possível"
Andrew Garfield, indicado ao Globo de ouro 2011 de melhor ator coadjuvante pelo filme A rede social                                      



 "Não acho que eu saiba atuar. Acho que estou sempre um tom acima ou um tom abaixo. As pessoas confundem o dizer sim as comédias com uma excelente estratégia de carreira."
Paul Giamatti, indicado ao Globo de ouro 2011 de melhor ator em comédia/musical por Minha versão para o amor



"Espero que as pessoas descubram o filme"
Michelle Williams, indicada ao Globo de ouro 2011 de melhor atriz em drama pelo filme Blue valentine 



Mark Walhberg, David O.Russel e Christian Bale, os homens por trás de O vencedor, comparecem ao jantar de gala oferecido pelo National Board of Review na última terça-feira,11 de janeiro


 
Andrew Garfield (olha ele aí de novo!), Armie Hammer e Jesse Eisenberg também compareceram ao evento promovido pelo National Board of Review que consagrou A rede social, e seu protagonista, como os melhores de 2010



Jennifer Lawrence, escolhida a revelação do ano por Inverno da alma, embelezou a noite

domingo, 2 de janeiro de 2011

Momento Claquete # 1

Jesse Eisenberg, um dos favoritos na corrida pelo Oscar de melhor ator, em foto do editorial do New York Times que listou as melhores atuações de 2010. Javier Bardem, Matt Damon, Annette Bening, Natalie Portman e James Franco também foram clicados para o editorial que circulou em dezembro

domingo, 26 de dezembro de 2010

OSCAR WATCH 2011 - Insight

 As faces por trás das melhores atuações do ano

Apesar de ainda parecer aberta, as disputas pelos Oscars de atuação já estão bem delineadas. Já surgem no horizonte, os principais postulantes a estatueta. Mas antes de ceder a esse indefectível prazer de especular quem fica com o ouro, é preciso apontar quem de fato irá disputá-lo. É a esse préstimo que Claquete se lança nesta presente seção de Insight.
Um confiável barômetro para as indicações ao Oscar, é a lista do sindicato dos atores (SAG), que foi divulgada há duas semanas, mas com raras exceções essa lista foi plenamente aproveitada pela academia. Se o globo de ouro tem falhado cada vez mais em antever até mesmo os vencedores da estatueta, nesse aspecto o SAG tem se mostrado exímio, com raros desacertos.
Na disputa pelo SAG de melhor ator está Robert Duvall (Get Low), um favorito da classe dos atores, que está em um filme que foi bastante elogiado pela crítica quando lançado nos EUA (no meio do ano). Duvall já venceu o Oscar, mas não tem um SAG como intérprete e essa indicação, no mínimo, objetiva essa correção. Acumulando seis indicações ao Oscar (uma vitória) e outras três indicações ao SAG (quarta com a atual), Duvall pode ter aqui sua última chance de ser agraciado por seus pares. Isso faz dele um favorito ao Oscar? Não exatamente. Faz dele um favorito ao SAG, mas o impacto dessa indicação, o credencia à corrida do Oscar. Ainda que com poucas chances.

Robert Duvall e Bill Murray em cena de Get Low: filme elogiado pela crítica e uma derradeira chance de ser honrado por seus pares


Jeff Bridges (Bravura indômita), outro ator que ficou de fora do Globo de ouro, mas que apareceu na lista do SAG, por sua vez, tem maiores chances. Muito em parte pela força do filme que estrela. Aliás, dizem alguns críticos, sua atuação em Bravura indômita é superior a oscarizada em Coração louco. Contudo, pesa contra o ator o fato de acabar de ter sido premiado mais pela carreira do que pelo papel propriamente dito. Esse “infortúnio” pode limá-lo da disputa e novamente esculhambar com o timing da academia para entregar prêmios tardios.
Certezas na disputa por melhor ator são três. Jesse Eisenberg (A rede social) perece ter assegurado sua vaga junto a Colin Firth (O discurso do rei) e ao novo darling James Franco (127 horas). Se Bridges e Duvall têm a confiabilidade do SAG a seu favor, Ryan Gosling tem a aura cult que sonda sua persona e seu filme, Blue Valentine, do seu lado. Michael Douglas (O solteirão) é outro nome que não pode ser descartado. A academia já provou que não hesita em resgatar nomes negligenciados por premiações periféricas. Recentemente fez isso com Tommy Lee Jones (No vale das sombras) em 2008 e no esse ano com Maggie Gyllenhaal (Coração louco). Portanto, apesar de estar passando ao largo nessas primeiras premiações, Douglas e sua comovente composição em O solteirão não podem ser descartados.

Jesse Eisenberg em fotografia do editorial do The times com as celebridades de 2010: nome certo entre os cinco finalistas do Oscar de melhor ator


Uma segunda indicação ao Oscar em 5 anos para um ator tão limitado quanto Mark Wahlberg (O vencedor) parece pouco provável (lembrando que ele foi indicado por Os infiltrados em 2006). Apesar da festa em torno do filme que estrela, o ator deve se contentar mesmo com sua indicação ao Globo de ouro. E Leonardo DiCaprio? Muitos creem que DiCaprio está sendo injustamente esquecido. Mas o ator pode se beneficiar da mesma lógica que Michael Douglas. Improvável, apenas, que os dois sejam lembrados. Nesse sentido, DiCaprio tem a primazia de ter estrelado dois sucessos de bilheteria (Ilha do medo e A origem). Fato é que em 2011 dificilmente os cinco atores lembrados pelo sindicato serão anunciados pela academia em 25 de janeiro. É isso que Leonardo DiCaprio, Mark Wahlberg, Ryan Gosling, Michael Douglas e, em menor escala, Javier Bardem (Biutiful) almejam.


Colin Firth em cena de O discurso do rei: vencedor de alguns prêmios da crítica, favorito ao globo de ouro e com a lembrança forte de sua performance em Direito de amar, Firth veste a roupa de favorito na corrida pelo Oscar



As atrizes
Como de hábito, a disputa pelo prêmio de melhor atriz já se encontra mais delineada. Até mesmo com uma favorita declarada ao prêmio (Natalie Portman por Cisne negro).
Se já está certo que Jennifer Lawrence (O inverno da alma) e Annette Bening (Minhas mães e meu pai) lhe farão companhia na categoria, as outras duas vagas abrigam uma briga quase formal. Halle Berry (Frankie & Alice), Michelle Williams (Blue Valentine), Naomi Watts (Jogo de Poder) e Hilary Swank (Conviction) têm poucas chances de tirar as vagas de Nicole Kidman por Rabbit Hole (a atriz anda precisando de um novo empurrãozinho na carreira) e Lesley Manville por Another year (a melhor chance do filme de Mike Leigh ser reconhecido).
Aqui a inclusão de Swank faz lembrar quando Angelina Jolie foi indicada tanto ao Globo de ouro quanto ao SAG por O preço da coragem em 2008 e o Oscar corrigiu o exagero nomeando Laura Linney por A família Savage. Hilary com dois Oscars em duas indicações não parece ter um filme suficientemente comentado para chegar ao Oscar. Já o SAG não considera tanto um critério como esse na hora de destacar as atuações do ano. De qualquer jeito, a disputa pela estatueta de atriz, além de já ter uma favorita inconteste, parece mais definida do que a corrida pelo Oscar de melhor ator.

Natalie Portman, entre o ator francês Vincent Cassel e o diretor Darren Aronosfky, na premiere de Cisne negro: favorita absoluta ao Oscar de melhor atriz

+No próximo domingo, a corrida dos coadjuvantes+

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010 - Dez personalidades que se destacaram no ano


10 – George Clooney
É um lugar comum. Entra ano e sai ano e Clooney se destaca. O começo do ano foi especialmente do ator. Dono de uma das performances mais elogiadas da temporada de premiações, Clooney esteve em todas com Amor sem escalas. Não obstante, esteve à frente dos esforços midiáticos para prover ajuda as vitimas do terremoto no Haiti. Reuniu-se, pelo menos, cinco vezes com o presidente Obama e outros líderes de Estado para tratar da ajuda humanitária a Darfur e Sudão. 2010 também foi um ano em que George Clooney foi bastante homenageado por seus pares, justamente por seus esforços humanitários.



9 - Sofia Coppola
Ela já tem um Oscar e agora pode desfilar com seu leão de ouro também. A diretora recebeu a honraria máxima concedida pelo festival de Veneza por seu quarto longa-metragem, Em qualquer lugar. No encalço de seu pai, Sofia já apresenta uma média de prêmios superior ao big daddy nessa fase da carreira.



8 - Jeff Bridges
Ator americano que é muito querido. Bridges guardará 2010 com carinho na memória. Dominou a temporada de premiações, que culminou no Oscar de melhor ator por Coração louco, e voltou ao universo de Tron (um dos grandes destaques de sua carreira) em Tron Legacy.



7 – Marco Ricca
Ator respeitado com trânsito no cinema e no teatro, Marco Ricca debutou como cineasta em 2010. Cabeça a prêmio foi o melhor filme brasileiro do ano, o que por si só já valeria um lugar de destaque para Ricca em uma lista como essa. Mas o que mais impressionou a crítica foi a segurança do estreante atrás das câmeras.



6 – Sylvester Stallone
Ninguém foi alvo de tanto desprezo brasileiro quanto o Rocky sessentão. Depois de proferir algumas palavras de mau gosto com relação ao Brasil e aos brasileiros, Stallone virou persona non grata em Mangaratiba (onde Os mercenários foi parcialmente gravado e uma estátua em homenagem ao ator seria erguida). Stallone, no entanto, deu a volta por cima. Consagrou-se nas bilheterias e trouxe uma série de estrelas decadentes para a ordem do dia.



5 – Leonardo DiCaprio
As previsões em 2009 eram de que 2010 seria dele e assim foi. DiCaprio foi o grande nome de dois dos principais filmes do ano. Esteve muito bem no filme mais comentado do ano (A origem) e melhor ainda na quarta colaboração com Martin Scorsese (Ilha do medo). Não se espantem se DiCaprio adentrar 2011 colhendo os louros de 2010.



4 – James Franco
Única presença tida como certa nos principais prêmios de 2011 desde mados de setembro, Franco dedicou-se ao cinema independente em 2010. O que lhe conferiu um distinto lugar nesta lista. Sua performance visceral em 127 horas, novo filme de Danny Boyle, tem causado verdadeiras comoções onde quer que o filme seja exibido. Franco também colhe elogios por Howl, que desde o festival de Sundance é exibido em festivais mundo afora.



3 – Jesse Eisenberg
Em A rede social ele vive o cara do bilhão de dólares. Jesse Eisenberg pode ter um 2011 bem mais estelar do que foi 2010, em que apareceu bem na fita também nos filmes O solteirão e Zumbilândia.



2- Michael Douglas
Diagnosticado com um câncer na garganta, Michael Douglas passou 2010 lutando contra este mal. A batalha, com grandes chances de ser vencida, continuará sendo travada em 2011. Fica em 2010, porém, a marca do retorno do ator a grande forma em filmes como Wall street – o dinheiro nunca dorme, em que reviveu seu mais célebre personagem (Gordon Gekko), e O solteirão, filme que pode levá-lo novamente ao Oscar.



1 – Ben Affleck
Se alguém vivenciou uma ressurreição artística em 2010, esse alguém foi Ben Affleck. Em sua segunda incursão como diretor, Affleck foi novamente bastante elogiado pelo filme Atração perigosa. Mas é como intérprete que os elogios chamam a atenção. O ator obteve forte reconhecimento tanto por seu desempenho no filme que dirige quanto em The company men (ainda sem previsão de estréia no Brasil).

domingo, 5 de dezembro de 2010

ESPECIAL A REDE SOCIAL - Crítica

Obra- prima!

This is our time: Em A rede social, David Fincher saca sua lupa e enquadra uma geração ansiosa por relevância


David Fincher entrega um filme destinado a ser grande. Não só porque captura com propriedade a gestação de um dos maiores fenômenos de nosso tempo (o impacto das redes sociais), mas por que o faz com sofisticação e sentido alinhados á ideia e personalidade retratadas. A rede social (The social network, EUA 2010) dialoga com o clássico e o moderno com efervescência tão coloquial como se fosse obra do acaso. As comparações com Rashomon e Cidadão Kane não são despropositadas. Fincher, calcado no excepcional roteiro de Aaron Sorkin, ratifica sua narrativa na pluralidade dos pontos de vista do litígio que se apresentou sobre a propriedade do Facebook. Em momento algum nos é apresentado apenas uma versão sobre quem é Mark Zuckerberg ou de como o Facebook se tornou a barreira entre ele, seu melhor amigo Eduardo Saverin (um fantástico Andrew Garfield) e os colegas de universidade que se sentiram lesados por Mark - os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss (Armie Hammer) e Divya Narendra (Max Minghella).
Fincher vai e volta no tempo, pormenorizando situações e diálogos a partir das perspectivas das partes envolvidas. O mais importante de tudo: sem promover julgamentos. A crescente sensação que acomete o espectador sobre a dubiedade moral de Zuckerberg é algo muito bem abalizado pela cena final em que uma das advogadas do time do presidente do Facebook (Rashida Jones) explica sobre como, em um júri, ela fácil e habilmente plantaria dúvida sobre a idoneidade do réu, no caso Mark, e de como essa dúvida seria suficiente para que o resultado do julgamento não lhe fosse favorável. É sob essa perspectiva que A rede social se inscreve. Faz as perguntas e lança as dúvidas para que o espectador se resolva pelo que testemunhou no filme.

A fórmula do sucesso: Andrew Garfield é dos que mais brilham em um elenco coeso e pulsante


É preciso acrescentar, ainda, que o filme é um elaborado estudo de personalidade. Não é porque Fincher resiste a nos dizer quem é Mark Zuckerberg (pelo menos o personagem escrito por Aaron Sorkin) que ele não nos provê algumas pistas sobre esse sujeito. Pode-se detectar inveja, pode-se detectar uma baixa auto-estima, entre outras coisas, mas o que Fincher realmente sugere com seu filme é que toda uma geração busca mais do que dinheiro, relevância.
A competição está na alma do filme. Seja por acompanharmos um reduto elitista (afinal, o Facebook surgiu em Harvard), seja por termos dois personagens atletas e outros que se ressentem de não sê-lo, ou pelo fato de que todos eles são, de alguma maneira, pessoas vingativas e gananciosas.
Ao enquadrar toda essa ambiência como um filme de época (embora os eventos mostrados sejam recentes, a condução da trama pressupõe um distanciamento temporal), David Fincher saca de sua cartola um filme a frente de seu tempo. O diretor teve a ousadia de conceber uma obra avaliando historicamente uma geração que ainda tem muito a produzir (e quem sabe a destruir também).

ESPECIAL A REDE SOCIAL - Insight

Surge um novo arquétipo de ator jovem


Jesse Eisenberg em cena de A rede social: ele pode não ser bonito, mas é bom a beça...

Eles não são bonitos. Não são atléticos e são verborrágicos. Mais do que personagens dito nerds, o fenômeno que vem realmente tomando conta do cinema pop americano são os atores que, a partir do referencial disponível, chamaríamos de nerds (mesmo que não seja o caso). Capitaneados por uma turma liderada por Jim Parsons (o Sheldon do hit da TV The big bang theory), Michael Cera, Jesse Eisenberg, Emma Stone, Abigail Breslin, Andrew Garfield, Ellen Page e Joseph Gordon Levitt, esses atores já estavam em Hollywood há algum tempo, mas começam a chamar atenção em papéis que não necessariamente emulam o tipo nerd (embora o nerd nunca tenha sido mais pop).
Esses atores estão na crista da onda em parte pela maleabilidade que apresentam. São obviamente talentosos, mas o que realmente impressiona a indústria é a capacidade de moldarem o personagem as suas características sem descaracterizar o personagem em questão. Não é pouca coisa e não é todo mundo que consegue. Por isso, atores com muito mais mídia como Robert Pattinson, Zac Efron, Keira Knightley, Orlando Bloom, Daniel Radcliffe e Kristen Stewart não conseguem sustentar filmes fora de poderosas franquias. Coisa que essa turma consegue. Jesse Eisenberg, em particular, está cotadíssimo para o Oscar de melhor ator por A rede social. Ele é a espinha dorsal do elogiado filme de David Fincher. Assumindo o papel de alguém que frequenta o noticiário internacional, com quem guarda pouca semelhança física, mas alguma similaridade atlética, Eisenberg se viu na incumbência de criar um personagem que irá influenciar diretamente na forma como as pessoas veem Mark Zuckerberg.


Emma Stone também sabe ser sexy: a atriz que esteve com Jesse Eisenberg em Zumbilândia, dividirá a cena com Andrew Garfield no próximo Homem-aranha 



Repara no meu tanquinho: Enquanto isso, Zac Efron não consegue trabalhar sem o tanquinho...


Influenciar é algo que Ellen Page e Abigail Breslin já estão acostumadas a fazer. Desde Juno e Pequena miss sunshine respectivamente, que elas têm de se desvencilhar repetidamente das sombras que criaram para suas personas. Sempre conseguem fazê-lo de forma satisfatória. Algo que Robert Pattinson, Zac Efron e Orlando Bloom ainda penam para conseguir.
Esses atores descolados são a nova onda em Hollywood e Eisenberg, mais do que nunca, irá colocá-los em evidência.

sábado, 27 de novembro de 2010

ESPECIAL A REDE SOCIAL - Rede de intrigas

Para muitos já é o melhor filme do ano. Os brasileiros poderão dar sua palavra sobre “o filme do Facebook” a partir de 3 de dezembro, quando A rede social estréia nas salas nacionais. O novo filme de David Fincher agrada quase que a totalidade da crítica, mas no começo não foi bem assim. “Eu também não gostaria que fizessem um filme sobre os erros que cometi quando tinha 19 anos, mas ei, eu não criei o Facebook”, declarou de forma tão definitiva quanto emblemática o produtor do filme, Scott Rudin. A fala de Rudin denota duas coisas: em um primeiro momento a resistência a produção do criador do Facebook, Mark Zuckerberg, figura que sai um tanto avacalhada do filme e, em segundo lugar, a disposição da realização em pormenorizar os percalços da construção de um império da tecnologia moderna.


 Jesse Eisenberg como Mark Zuckerberg em dois momentos: criando o Facebook em um quartinho em Harvard e...


... e enfrentando disputas letigiosas com as poucas pessoas que faziam parte de seu círculo social

“Tenho grande compreensão do personagem. Um cara que muitas vezes não se sente confortável em situações sociais, mas é muito criativo. Ao invés de se sentir mal por não se dar bem com outras pessoas, ele cria coisas incríveis. Uma delas é o Facebook”, explicou Jesse Eisenberg (que interpreta Zuckerberg no filme) em entrevista ao portal brasileiro IG. Eisenberg, porém, não defende o personagem. Ele reconhece que o criador do Facebook tem uma moral questionável. Processado por plágio, deslealdade entre outras coisas, Zuckerberg perdeu milhões em disputas judiciais contra ex-parceiros e até mesmo ex-amigos (como o brasileiro Eduardo Saverin vivido no filme pelo próximo homem aranha Andrew Garfield). “Ele encara o Facebook como um filho, e quando alguém tenta ferir seu filho, ele sente que está sendo ferido também. Acho que dessa forma ele é muito ético, está protegendo sua cria – no caso, um site.”, argumenta Zuckerberg. Vale lembrar que em 2000, uma fala do personagem de Mel Gibson no filme O patriota gerou muitas controvérsias à época. E a frase guarda semelhanças com o raciocínio apresentado por Eisenberg aqui. A frase? “Eu sou pai. Não posso me dar ao luxo de ter princípios”. Apesar de suscetível a diversas intervenções filosóficas, o raciocínio do pai vivido por Mel Gibson em O patriota e da leitura que Eisenberg faz de seu personagem são compreensíveis, principalmente em um cenário de competição como o proposto por A rede social. “É um retrato da geração web 2.0”, escreveu o jornal San Francisco Chronicle em sua crítica do filme. “É ficção”, declarou Mark Zuckerberg em entrevista ao mesmo jornal. “Os fãs do Facebook irão ignorar o filme”, acrescentou. Eles não ignoraram. A rede social liderou as bilheterias americanas por duas semanas e se pagou em 15 dias. A distribuição internacional ainda está incompleta. O filme ainda será lançado em mercados capitais como México, Inglaterra e Japão. Com a proximidade da temporada de premiações, o filme está cotadíssimo para o próximo Oscar, tudo indica que A rede social (e as maledicências de Zuckerberg) estará mais em voga do que nunca.

Mark Zuckerberg capricha no sorriso: ele sabe que A rede social, a despeito de traçar um retrato pouco fotogênico de sua pessoa, será boa publicidade para seu negócio


Contudo, todos sabem muito bem que o filme agrega elementos de ficção à realidade. O que torna tudo muito mais envolvente e cativante. Além de servir ao propósito primeiro de David Fincher: traçar o retrato de uma geração a partir de Zuckerberg e seu núcleo, não o contrário. É por isso que o homem por trás do Facebook, que seguramente ainda guarda alguns segredos, pode dormir tranquilo.