Ganhar ou ganhar, destaque da seção Cantinho do DVD, entrou no Top 10 de Claquete dos melhores filmes de 2011. Não ouviu falar dele? Não se recrimine. A fita dirigida por Thomas McCarthy passou abaixo do radar midiático ao ser lançada diretamente em DVD no último trimestre do ano passado. Mas Ganhar ou ganhar merece ser descoberto. Eis a contribuição de Claquete. Aproveitando o ensejo, não deixe de conferir a lista com os dez melhores filmes lançados no Brasil comercialmente em 2011. Clique aqui!
Crítica
Há quem torça o nariz para o cinema independente americano por sua vocação de aplicar lições de vida e enveredar moralismos a torto e a direito. Mas não se pode rejeitar a destreza com que alguns filmes fazem isso. É o caso de Ganhar ou ganhar (Win win, EUA 2011), de Thomas McCarthy, ator e diretor que apresenta sólidos trabalhos na seara independente como O visitante (2007) e O agente da estação (2003).
Em Ganhar ou ganhar, Paul Giamatti vive Mike Flaherty, um advogado atolado em dívidas que se descobre com ataques de pânico e poucas opções para sair desse atoleiro. É da improvável relação com um adolescente problemático que Mike irá tirar forças para não deixar sua vida e princípios esmorecerem.
McCarthy tece um inebriante conto de sobrevivência e das bifurcações necessárias para que não nos apartemos de alguns nortes na vida. Para isso, cria personagens cativantes que apelam à realidade cotidiana. O garoto com problemas familiares e talento exímio para a luta greco-romana, mas que vive a se sabotar. O amigo de infância de Mike (ótima participação de Bobby Cannavale) que experimenta frustrações tão enclausurantes quanto às de Mike, mesmo sendo endinheirado e por aí vai.
Paira sobre o filme um forte elemento de estranheza que facilita uma certa áurea cool. McCarthy cria diálogos afiados, mas sempre conectados com a verdade dos personagens. Em um dado momento, Mike pergunta para Kyle (Alex Shaffer), o adolescente prodígio, como é saber que “se é tão bom”. No que Kyle devolve que não sabe ao certo, apenas que se sente no controle. É um dos poucos momentos em que Kyle se sente no controle de algo. Mike não sente isso há muito tempo. De sutilezas e reflexões como essa que Ganhar ou ganhar vai construindo sua força gravitacional e se apresenta como um filme algo idílico, desvencilhando-se do pieguismo e abraçando sua essência altruísta. A moral que surge da cena final de Ganhar ou ganhar é de que as vitórias nem sempre são como desejamos e que muitas vezes nem sequer notamos nossos triunfos. É preciso atentar às miudezas cotidianas. Fábulas morais como Ganhar ou ganhar estão aí para, mais do que qualquer coisa, nos doutrinar a sermos mais sinceros com nós mesmos.






