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sábado, 26 de outubro de 2013

Crítica - O conselheiro do crime

Onde os fracos não têm vez!

O conselheiro do crime (The counselor, EUA 2013) é daqueles filmes que incitam a polêmica se a autoria de um filme pertence ao diretor ou ao roteirista. No caso deste filme, em seu primeiro roteiro original para cinema, Cormac McCarthy impregna esse thriller pensativo e erguido sobre elipses, divagações e violência crua de seu DNA, fazendo com que o diretor Ridley Scott seja apenas um colaborador de luxo. Luxo, aliás, é o elenco do filme que conta com Michael Fassbender, Javier Bardem, Brad Pitt, Penélope Cruz e Cameron Diaz no melhor papel de sua carreira.
Fassbender faz um advogado que acha que é mais esperto do que de fato é. Ele acredita que pode nadar com tubarões e não ser devorado. Ele se envolve em uma negociação de uma carga de drogas que sairá da cidade de Juarez, no México, com destino a Chicago, nos EUA. Seus conselheiros e parceiros na empreitada são o exótico Reiner (Javier Bardem) e o não menos exótico Westray (Brad Pitt). Penélope Cruz faz Laura, a doce, apaixonada e aparentemente ingênua namorada do advogado vivido por Fassbender, cujo nome jamais é pronunciado em uma tentativa da realização de tornar tudo mais anônimo e, paradoxalmente, mais pessoal. Cameron Diaz surge como um affair de Reiner, que aos poucos vai se revelando mais misteriosa e perigosa do que um primeiro olhar faz crer.
O que difere O conselheiro do crime (mais um título nacional ruim. O ideal seria a tradução literal “O advogado”) de outros thrillers e tramas policiais é o seu ritmo e seu foco narrativo. A ideia de McCarthy e Scott jamais é acompanhar a ação que invariavelmente dá errado, mas observar a queda moral, psicológica e física de um homem que julgava compreender um mundo ao qual não pertencia. Não obstante, a partir desse contexto, ergue-se uma poderosa reflexão sobre morte – um dos temas mais estreitos e bem desenvolvidos da obra de McCarthy na literatura.

Bardem e Fassbender: dançando com a morte sob o forte signo das palavras, ameaças e aflições...

A sofisticação do argumento de O conselheiro do crime pode alienar boa parte do público já que os personagens se revelam pensadores prolixos, aflitos, receosos e frequentemente o que falam não produz sentido circunstancial, mas encaixa-se perfeitamente no todo, quando se tem o filme completo. É o pensamento de O conselheiro do crime, enquanto cinema, que se articula com força devastadora. Não por acaso, a única personagem do filme que não apresenta nenhum tipo de apreensão é a de Cameron Diaz e isso se tornará bastante ilustrativo de um comentário particularmente aterrador que emerge ao final da fita.
O conselheiro do crime talvez não seja a apoteose que o nome dos envolvidos fizesse crer, mas é um filme de inteligência rara e que apresenta outro artigo de luxo no cinema contemporâneo: não se preocupa em mastigar tudo para sua audiência. Muitas peças do quebra-cabeça falado, principalmente pelos ótimos personagens de Pitt e Bardem, só se montam na cabeça do espectador mais sagaz e compenetrado. É um tipo de cinema muito mais convidativo, sedutor e do qual desesperadamente precisamos. Ainda que, no limiar, muitos não saibam exatamente como apreciá-lo.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Filme em destaque - O conselheiro do crime

Michael Fassbender lidera elenco estrelado de filme dirigido por Ridley Scott e que carrega o hype de ser o primeiro roteiro original de Cormac McCarthy. Sensualidade, tensão, traição e violência embalam um dos filmes mais aguardados da temporada


“Era estranho beijar Penelope sob o pesado olhar de Javier Bardem. Tinha a sensação de que ele avançaria sobre mim a qualquer momento”, disse Michael Fassbender em entrevista à revista Entertainment Weekly sobre as gravações de O conselheiro do crime, filme que tem estreia mundial nessa sexta-feira (25). Michael Fassbender faz um advogado envolvido com o tráfico de drogas e faz, também, o namorado de Penelope Cruz. Javier Bardem faz um tipo misterioso que pode ser mais perigoso do que sua cabeleira estilosa sugere. O elenco do novo filme de Ridley Scott, no entanto, vai mais além. Além dessa trinca estrelada, Brad Pitt, Cameron Diaz, Bruno Ganz e Goran Visnjic completam o elenco.
Apesar da nata de atores, o maior atrativo dessa crônica de violência moderna (já descrito em alguns círculos como o entretenimento adulto de maior qualidade nos cinemas nessas semanas) está no roteiro. Trata-se do primeiro roteiro original de Cormac McCarthy, autor de obras consagradas adaptadas para o cinema como Onde os fracos não tem vez, para o cinema.
Violência, sensualidade e um elenco masculino com três dos atores mais festejados dos últimos tempos ampliam o leque de interesses despertado por O conselheiro do crime. A expectativa da Fox com o filme é tão grande, inclusive para o Oscar, que a janela de lançamento internacional foi harmonizada para que o boom do filme seja um só e sempre ascendente. A Fox, que não tem grandes filmes entre os comentados para a corrida pelo Oscar 2014, acredita que o pedigree de O conselheiro do crime pode falar mais alto – além de seu apelo comercial. Não seria a primeira vez que esse tipo de coisa aconteceria. Em 2006, a Warner não apostava suas fichas em Os infiltrados, de Martin Scorsese, que venceria o Oscar de melhor filme em 2007, e o lançou em outubro sem grandes destaques de marketing. Sete anos depois, outubro é alvo de grandes lançamentos com olho no Oscar (como Capitão Phillips, Gravidade, entre outros), fruto do estreitamento do calendário. A diferença entre Os infiltrados e O conselheiro do crime, é que a Fox – ainda que discretamente – acredita que seu filme pode ir mais longe.

Ridley Scott, na foto orientando Michael Fassbender e Javier Bardem, perdeu o irmão Tony Scott - que se suicidou - durante as filmagens de O conselheiro do crime. O filme é dedicado a sua memória 


Michael Fassbender foi a primeira e inegociável opção de Scott para o protagonismo de seu filme. Ambos estavam envolvidos nas filmagens de Prometheus (2012), quando Scott fez o convite. Com Fassbender tem sido assim. Ele trabalha com um diretor e esse diretor quer logo trabalhar com ele novamente. Ridley Scott e Steven McQueen são os exemplos mais notórios nesse momento.

Notório, aliás, seria se O conselheiro do crime consagrasse a primeira colaboração entre Brad Pitt e Angelina Jolie nas telas de cinema desde que juntaram os trapinhos. A ideia original era essa. Mas Angelina interpretaria a personagem que no filme é defendida por Cameron Diaz. Ela chegou a participar da pré-produção do filme, mas abandonou o projeto sem justificativas oficiais. Além de todo o hype inerente ao projeto, ainda seria o filme “brangelina”. Talvez tenha sido melhor assim.

sábado, 3 de agosto de 2013

Crítica - Amor pleno

Amar no intransitivo

“Você deverá amar”, diz em certo momento de Amor pleno (To the wonder, EUA 2012), o padre Quintana (Javier Bardem) em um off onipresente no novo filme de Terrence Malick. “É um comando. Você não tem escolha”, continua o religioso que vivencia uma crise em sua fé ao se questionar porque há tanto mal e tristeza se Deus é só bondade. Quintana se angustia por não sentir a presença divina e precisar falar dela. O padre Quintana está presente no filme para fazer a unção entre o amor espiritual e o amor convencional que dá cor ao nosso mundo e também ao filme de Malick.
Amor pleno é um Malick tradicional, ou seja, aquele filme bom que é, também, um flerte perigoso com o tédio; em que planos perfeitos se sucedem em uma colagem de imagens que favorece uma experiência sensorial difusa daquela que a narrativa busca. É um Malick tão ambicioso quanto o de A árvore da vida, que rendeu a Palma de ouro em 2011 ao diretor, mas é também um Malick mais bem fundamentado. Não que haja respostas, Malick segue com sua curiosidade filosófica e antropológica afiada e sem a autoimposição de produzir o sentido que dele esperam, mas Amor pleno é um filme com mais corpo e densidade que o era A árvore da vida.
O aspecto transcendental do ato de amar está lá. Emulado em toda a sua energia, fluidez e imensidão. A natureza, tão cara a Malick, surge como uma metáfora crua desse “amar”. Seja no geólogo que acompanha a contaminação do solo em uma ação aparentemente descolada do eixo central do filme, seja nas cenas de ondas chocando-se violentamente, ou de uma praia enlameada.
Neil (Ben Affleck, mal dirigido e pouco à vontade) conhece Marina (Olga Kurylenko) em Paris e se apaixonam. Ela tem uma filha e um histórico ruim de relacionamentos. Ela vê em Neil, mais do que a esperança de amar novamente, enxerga uma vida plena. Para isso, volta com ele para os EUA. Neil, por seu turno, parece pouco à vontade com a presença dela. Ele não parece decidido a engatar uma relação séria. Marina sente isso. Malick então começa sua investigação sobre o egoísmo no amor. O amar demais, o amar de menos, o amar por comodidade e outras reminiscências. Quando seu visto expira, Marina volta para a França – sua filha vai morar com o pai em outro continente – e Neil se aproxima de uma mulher que conheceu em sua juventude, Jane (Rachel McAdams). Mas Neil não a quer também. Ele não sabe o que quer e esse é o vértice menos trabalhado por Malick. O ponto de vista feminino, na ótima interpretação de Olga Kurylenko, prevalece na narrativa. Talvez porque seja o olhar feminino indecifrável e sedutor à curiosidade do cineasta, talvez porque seja universalmente mais multifacetado e amplo. Certo é que Amor pleno arranha divagações existenciais entusiasmantes como a ponderação de por que, afinal, passamos a ter ojeriza de alguém que amamos tanto. Ou mesmo por que um sentimento cheio de benevolências como o amor pode sufocar.

Sem final feliz: Amor pleno é um filme de extasiante beleza visual e franco incômodo narrativo em uma rima que facilita a identificação do público com os sentimentos dos personagens

A contingência, a loucura, a espiritualidade, a abnegação, a doação... O amor em sua transparência de sentido aparece tão múltiplo quanto refratário em Amor pleno, um filme que aposta em um diálogo tão sensorial e absorto da lógica quanto a epopeia do filme anterior de Malick, mas que é muito mais cinematográfico e discursivo –ainda que extremamente contemplativo - do que seu antecessor. É um filme difícil de se gostar, mas daqueles cujas qualidades não se pode negar.  

sábado, 26 de janeiro de 2013

Em off


Nesta edição da seção Em off, confrontos inusitados nos cinemas; os principais destaques do festival de Sundance; os melhores do ano na opinião democrática dos leitores; um tempo para Leonardo DiCaprio reenergizar e um favorito improvável para viver Christian Grey (aquele mesmo de 50 tons de cinza) nos cinemas

O melhor de Sundance I
O festival de Sundance 2013 que acaba neste domingo (27) já é um dos maiores sucessos das edições recentes do festival que acontece na gelada Salt Lake, em Utah nos EUA; com um número de produções adquiridas por estúdios de pequeno e médio porte bem próximo de um recorde histórico (o balanço final deve sair nos próximos dias). Duas características, no entanto, chamam a atenção. A disposição dos estúdios em pagar quantias relativamente vultosas para garantir filmes com potencial de prêmios (Fruitvale) ou de público (Don Jon´s addiction) e também pelo sucesso de vendas para plataforma video on demand. Nunca Sundance contemplou tanto o formato. Ótimos negócios foram feitos como, por exemplo, com o polêmico filme Two mothers de Anne Fontaine. A fita que dividiu a crítica e parecia destinada a não ser adquirida por nenhum estúdio se viu abrigada pela Exclusive Releasing que irá distribuí-lo na plataforma. “É um novo balcão de negócios que se mostra aquecido em Sundance”, observou a Variety.
Boa notícia para o cinema independente que andava modorrento nos últimos anos e um sinal claro de que a famigerada crise econômica de 2008 que acertou de cheio esse tipo de produção começa a ficar para trás.

O melhor de Sundance II
Fruitvalle, sobre os eventos que antecederam o assassinato de Oscar Grant pela polícia de São Francisco no último dia do ano de 2008, foi adquirido pela The Weinstein Company pelo valor de U$ 2,5 milhões. O burburinho super positivo sobre o filme dá conta de que será o próximo Preciosa ou Indomável sonhadora a sair de Sundance e chegar ao Oscar. Octavia Spencer, já ganhadora do Oscar, e Chad Michael Murray estão no elenco de apoio.
A estreia de Jospeh Gordon-Levitt na direção em Don Jon´s addiction não poderia ter sido mais festejada. Misturando elementos de comédia romântica com um valoroso estudo de personagem, o filme agradou a crítica e foi comprado por U$ 4 milhões pela Relativity Media. Outros filmes comentados em Sundance e que devem figurar entre os interesses de público e crítica são Kill your darlings, com Daniel Radcliffe, Ben Foster e Michael C. Hall, sobre a geração beat; Antes da meia-noite, terceira parte da trilogia Antes do amanhecer de Richard Linklater; The necessary death of Charlie Countryman, que, dizem, apresenta a melhor performance da carreira de Shia LaBeouf, que precisa desesperadamente de um buzz desse para saciar seu ego; The way,way back, comédia intimista dos roteiristas de Os descendentes estrelada por Steve Carell, Sam Rockwell e Toni Colette; e o já muito anunciado Lovelace, bio da atriz pornô linda Lovelace- disparado o filme mais pop dessa edição do festival e que valeu um negócio de U$ 3 milhões.

Alguns dos melhores cliques de Sundance
Adam Brody, Amanda Seyfried e Peter Sarsgaard de Lovelace em foto do Los Angeles Times 

O roqueiro, e agora diretor de cinema, David Grohl e o diretor David Gordon Green 

Pelo filme The east, Ellen Page, Alexander Skarsgard e Brit Mailing também compareceram 

 Shia LaBeouf brinca com seu celular

 Toni Collette, Sam Rockwell e Maya Rudolph se divertem


Os melhores do ano pelo leitor
A eleição contou com amplo endosso do leitor. O blog quis saber os melhores do ano na avaliação do leitor em face da pré-lista apresentada em dezembro em que Claquete apontou os melhores de 2012 na avaliação do editor do blog. A seguir, os resultados!

Diretor

Foi uma eleição acirrada, com boa margem de votos para todos os concorrentes. Mas com 44%, o vitorioso foi o iraniano Asghar Farhadi por A separação.

Roteiro

Com 31% dos votos cada, Argo e Moonrise kingdom dividiram a preferência do eleitorado. A surpresa ficou com Ted, que chegou perto com 22%.

Ator

Em uma disputa de foice, Michael Fassbender (Shame), com 44%, ganhou pela incrível diferença de um voto de Jean Dujardin (O artista)

Atriz

Em uma categoria disputada, em que todas as atrizes receberam votos, a britânica Tilda Swinton (Precisamos falar sobre o Kevin) ultrapassou Rooney Mara na reta final e ficou com 40% da preferência do eleitorado

Ator coadjuvante

Em outra briga sanguinolenta, a categoria que obteve mais votos, consagrou Javier Bardem por 007 – operação skyfall o melhor com 37% dos votos

Atriz coadjuvante

Jessica Chastain comprova a sua boa fase ao ostentar a votação mais expressiva da enquete. Por Histórias cruzadas, ela é dona da preferência de 50% dos votantes


Tom X Arnold
Vigora nas telas de cinema do Brasil um confronto entre dois astros de primeira grandeza do cinema, com especial trânsito no cinema de ação. Tom Cruise, tentando reabilitar uma carreira que não parece mais engrenar defende Jack Reacher: o último tiro, enquanto que Arnold Schwarzenegger defende O último desafio. São filmes de ação à moda antiga, cada qual no quadrado de seu astro. O mais cerebral e vaidoso Tom Cruise estrela uma produção que resgata os bons tempos do cinema de espionagem, enquanto o bem humorado Schwarzenegger, em seu famigerado comeback, protagoniza uma fita “pancadona”. Entre Cruise e Scharza, o público brasileiro está mesmo de pernas para o ar... e pela segunda vez! 

Casa Branca X Casa Branca
Dois filmes com aquela alma B prometem botar a Casa Branca abaixo. O alemão Roland Emmerich está de volta ao cinema espalhafatoso com Ataque à Casa Branca em que Jamie Foxx vive o presidente dos EUA e Channing Tatum o agente do serviço secreto incumbido de protegê-lo de, bem, de um ataque à Casa Branca. Já em Olympus has fallen tem Aaron Eckhart e Gerard Butler nos mesmos papéis. Morgan Freeman também estrela As tramas são parecidas e o filme de Antoine Fuqua (Dia de treinamento) chega antes nos EUA. Não é a primeira vez que Morgan Freeman se vê nesse caso de duplicantes. Em 1998 ele estrelou Impacto profundo que chegou algumas semanas depois de Armageddon naquele ano. Agora, pelo menos, ele vai chegar primeiro...




Ele vai dar um tempo, mas...
Leonardo DiCaprio, na esteira dos elogios por sua maravilhosa atuação em Django livre, anunciou que vai dar um tempo na carreira. DiCaprio está cansado, segundo o próprio. O período sabático que lhe proporcionará mais tempo para namorar (está na quinta modelo em dois anos) e para se dedicar às causas ambientais que tanto lhe urgem.
Mas o ator ainda será visto em duas badaladas produções que chegam aos cinemas em 2013. The great Gatsby, de Baz Luhrmann, e The Wolf of Wall Street, de Martin Scorsese. São filmes amplamente comentados para o Oscar de 2014, em especial o segundo.
Com a pausa, DiCaprio porá fim uma sequência de trabalhos brilhantes realizados em parceria com cineastas prodigiosos. De Diamante de sangue (2006), pelo qual recebeu sua última indicação ao Oscar, para cá foram seis filmes de grande qualidade dirigidos por papas como Ridley Scott, Martin Scorsese, Sam Mendes, Christopher Nolan, Clint Eastwood e Quentin Tarantino. É uma folha corrida de respeito.

Christian Grey, gay?

Em enquete promovida pelo portal IG para apurar quem deveria assumir o papel de Christian Grey, o príncipe encantando que adora um sexo sadomasoquista no soft porn best seller mundial "50 tons de cinza", na adaptação cinematográfica que está em pré-produção, o eleito foi o ator Matt Bomer, de 35 anos. Protagonista da série White Collar, Bomer foi um dos peladões de Magic Mike e por pouco não foi o novo Superman. À época da escolha de Henry Cavill, surgiu o boato de que Bomer foi preterido por ser gay. Meses mais tarde, o ator sairia do armário.
A questão eu se coloca, independentemente da boçalidade de barrar Bomer como super-homem por ser gay, algo que jamais excederá o viés especulativo, é imaginar que mulheres cientes da opção sexual do galã sinalizem preferência por vê-lo na pele de um homem que, mais do que atiçar a libido feminina, é a representação de desejos que convergem para um homem heterossexual. Que Bomer é lindo, charmoso e sensual é bem óbvio, mas não deixa de chamar a atenção essa sinalização do público, brasileiro ao menos. Pesquisa semelhante realizada pelo blog de cinema da revista Veja SP colocou Bomer na segunda posição, atrás de Channing Tatum. Nos EUA, Ryan Gosling e Ian Somehalder são os favoritos do público. As interpretações que se apresentam sobre o favoritismo de Bomer são: ou o público está desinformado ou está disposto a dar uma senhora lição de perspectiva em estúdios e produtores sempre presos a paradigmas ultrapassados.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Os dez personagens do ano


10 – David (Michael Fassbender) em Prometheus

O filme de Ridley Scott pode não ter sido a sensação que se anunciava, mas o humanóide vivido por Michael Fassbender com um fino gosto por clássicos do cinema é daqueles grandes achados da ficção científica. David é pura filosofia, mas é, também, um tratado pop em um filme que nunca alcança suas potencialidades.

9 – Raoul Silva (Javier Bardem) em 007 – Operação Skyfall

Sexualmente ambíguo, amoral em sua busca por vingança e tragicamente shakespeariano em suas motivações, Silva (oxalá o mais cativante de todos os vilões de 007) é um personagem que se redime na composição matadora do espanhol Javier Bardem. Outro ator talvez não desse um verniz tão bom a um vilão de tintas tão pasteurizadas.


8- The driver (Ryan Gosling e Mel Gibson) em Drive e Plano de fuga

Tão semelhantes e tão distintos. Ambos sem nome, mas com talentos impensáveis para autônomos na arte do crime mereciam a distinção irmanada nessa lista. Em Drive, Ryan Gosling faz um tipo silencioso em um noir que reverencia os filmes b americanos dos anos 70. Já em Plano de fuga, Gibson faz um tipo que parece saído da pena de Tarantino, um fanático pelo período que Drive homenageia. Ambos os personagens são guiados por um sentimento de honra algo torto que move a ação de seus respectivos filmes. Esses “estranhos sem nome” certamente deixaram suas marcas em 2012.


7- Dean Moriarty (Garrett Hedlund) em Na Estrada

Um verdadeiro vulcão de sexualidade. É Dean quem fervilha toda a razão de ser de Na estrada. Desde a inspiração que fez com que Sal Paradise escrevesse em primeiro lugar, até a torrente de paixões pelas quais os aventureiros atravessaram ao redor dos EUA. Na construção inspirada de Hedlund, o Dean das telas não é menos catalisador. É um poderoso ímã para os olhos e uma montanha de atração para todo o resto.


6- Chayenne (Sean Penn) em Aqui é o meu lugar

Um misto de Ozzy Osbourne e Gene Simmons da maneira mais lesada possível. Essa é uma descrição aproximada desse roqueiro perdido vivido com esplendor e graça por Sean Penn. Chayenne é daqueles enigmas que o cinema vez ou outra apresenta. Um personagem tão interessante quanto o próprio filme e que indubitavelmente, em alguns momentos, até mesmo prevalece em relação ao filme. Com ar infantil, Chayenne busca paz interior e também com seu passado no curso de Aqui é o meu lugar, mas o faz com maneirismos e peculiaridades que valem o ingresso.

5- Eric Packer (Robert Pattinson) em Cosmópolis

A personificação do capitalismo em toda a sua frieza, volatilidade e esplendor. Eric Packer é um dos personagens mais marcantes de 2012 e, na face desapaixonada de Robert Pattinson, cristalizou toda a falência (e o sucesso híbrido a ela) do sistema que ergueu o mundo como o conhecemos.  

4 - Lisbeth Salander (Rooney Mara) em Os homens que não amavam as mulheres

A personagem não é exatamente de 2012, nem mesmo originária do cinema. Mas a versão americana de Os homens que não amavam as mulheres brindou-nos logo em janeiro de 2012 com uma Lisbeth renovada, mais crua, violenta, emocional e ainda assim a Lisbeth que nos cativou nos livros. Uma personagem tão icônica melhorada não poderia deixar de marcar presença na lista.

3 - Kevin (Esra Miller e Jasper Newell) Precisamos falar sobre o Kevin

A realidade fez com que Kevin subisse na lista de Claquete. O personagem, fascinante em perspectivas mórbidas que tanto nos acentuam, já marcaria presença na lista. Eis outro personagem com raízes nos livros, mas que o massacre de Newton há poucas semanas fez com que aumentasse a necessidade de falarmos sobre ele. E muito!

2- Brandon (Michael Fassbender) em Shame

A melancolia da vida moderna cai como uma luva em um personagem que se esconde em seus vícios como tantos fazem nessa vida atribulada que vivemos. Brandon é prisioneiro de sua liberdade e padece diariamente deste mal que não conseguimos nem mesmo diagnosticar. Seu flagelo emocional se contrapõe a bem aventurança material de sua vida em um aspecto que torna o personagem paradoxalmente banal e único.

1- Ted (voz de Seth Macfarlane) em Ted

Ele “causou” até com um nobre deputado brasileiro. Maconheiro, boca suja, misógino, mas camarada pra caramba com seu dono – vivido por Mark Wahlberg – Ted foi o personagem de 2012. Hilário, o ursinho mais divertido desde os ursinhos carinhosos (mas não diga isso para ele), garantiu o topo nessa lista do mesmo jeito que foi garantindo suas promoções no trabalho que mantinha inacreditavelmente em um supermercado.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Cenas de cinema


Cosmético ou fonte da juventude?
O site Madamenoire apresentou uma lista original e muito surpreendente. Elencou diversas celebridades que parecem ser bem mais jovens do que aparentam. Entre os destaques figuram Jim Parsons, o Sheldon de The big bang theory que nem aqui nem na China parece ter os 39 anos que sua identidade apontam; o cantor e ator Jared Leto que, pasmem, já tem 40 anos; a diva da comédia Elizabeth Banks que tem 38 anos; Keanu Reeves que tem incríveis 47 anos; e, claro, Johnny Depp que apesar de ostentar 48 anos, manteve o look de trinta e poucos.

Keanu Reeves em foto do primeiro semestre deste ano: sem fantasma de tiozinho...


Tudo azul em Forks
Vem aí o último filme da saga Crepúsculo e, como se isso em si já não bastasse, a promoção de Amanhecer – parte 2 ainda traz na bagagem as reminiscências da crise conjugal vivida por Robert Pattinson e Kristen Stewart. Reconciliados, os pombinhos se juntaram ao vértice ficcional do triangulo amoroso que vivem nas telas, Taylor Lautner, em uma entrevista que deram para a MTV americana. Riram, fizeram piada e se disseram saudosos dos personagens, mas felizes por estarem concluindo a saga que projetou-os internacionalmente. Robert Pattinson falou até sobre sexo. Mas tudo dentro do contexto de Edward e Bella. “Foi horrível”, disse o rapaz. “Bill (Condon, o diretor), você estragou tudo para mim”, prosseguiu Kristen. Hummm...

À MTV americana, o trio riu, riu e riu: na ficção foi tudo ruim, já na vida real...


A sarjeta da fama

Em uma excelente matéria publicada na edição de novembro da revista Serafina, o jornalista Vinícius Donola retrata a vida de um punhado de personagens que se perderam do sonho que os guiou à Hollywood. A matéria apresenta pessoas que vivem fantasiadas de super-heróis e outros personagens célebres do cinema na calçada da fama em Los Angeles em busca de gorjetas e oportunidades. Com bom humor, a reportagem ilustra tanto a desilusão quanto o companheirismo que emerge desse paradoxo tão cativante para quem lê. A matéria pode ser conferida aqui.

A mulher maravilha, Jennifer Wenger, alvo de uma paixão platônica do super- homem Christopher Dennis, passou a deixar a capa em casa porque escondia o que os turistas queriam ver...


Novo filão
Harvey Weinstein, famoso e famigerado produtor de cinema, sempre investiu na Broadway. Mas sempre com parcimônia, afinal, era um homem do cinema. Mas, segundo reportagem do New York Times, essas são águas passadas. Weinstein assumiu a principal cadeira na produção de diversos musicais, inclusive uma versão para “Em busca da terra do nunca”, orçada em U$ 11 milhões e que recebeu cotação cinco estrelas. Setores da Broadway estão otimistas quanto ao toque de midas de Weinstein que, indagado pela reportagem do New York Times sobre a revigorada disposição de investir em teatro, saiu-se com essa: “The show must get better”.

Bardem rules

Todo mundo adora quando um trocadilho funciona! Javier Bardem principalmente. Foi dele a ideia de seu vilão em 007- operação Skyfall ser loiro oxigenado e efeminado. Um contraponto interessante à figura de Bond e um diálogo quase uterino com o vilão Anton Chigurh, ao qual deu vida em Onde os fracos não têm vez (2007), dos irmãos Coen.


Terceiro ator europeu a encarnar o vilão de Bond consecutivamente, os outros foram o dinamarquês Mads Mikkelsen em Casino Royale e o francês Mathieu Amalric em Quantun of Solace, o espanhol foi o único a deixar suas digitais na galeria dos grandes vilões do universo de 007.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Momento Claquete # 31

Cameron Diaz, aos 40 anos, mostra que tem muito peito no editorial assinado por Terry Richardson para a edição de outubro da Esquire americana 


 O nome é Bardem: Javier Bardem, moreno, foi capa da GQ italiana de setembro...


Química a gente faz em casa: Jon Hamm e Kristen Wiig, que já fizeram um casal por duas vezes nas telas, mostram sintonia quando as câmeras estão desligadas

Eles já foram namorados na vida real e marido e mulher na ficção. Claquete, no entanto, recupera um olhar indiscreto ocorrido antes disso tudo. Tobey Maguire não resiste e "segue" Natalie Portman pela escadaria de um estádio de baseball. A foto é de 2007


A barriguinha está lá, mas o charme também. Sean Penn joga um xaveco na cantora Florence Welch em evento realizado no sábado (27) em Los Angeles 


S.O.S raridade: essa é um presente de Claquete para cinéfilo nenhum botar defeito. Em foto de 1978, Woody Allen e Nora Ephron, falecida este ano, tricotam sobre alguma coisa a qual só podemos especular... 



O homem que é uma caricatura: Tim Burton, o homem, a caricatura...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Oscar Watch 2011 - A peleja dos atores

Da esquerda para a direita: Colin Firth (O discurso do rei), Jesse Eisenberg (A rede social), James Franco (127 horas), Javier Bardem (Biutiful) e Jeff Bridges (Bravura indômita)



O de sangue azul

Colin Firth era, com muita boa vontade, um expoente das comédias românticas. Como em um passe de mágica, o inglês cinquentão e dono de charme indelével virou ator de tarimba dramática de indiscutível apelo. Se Tom Ford tem responsabilidade na descoberta desse, vá lá, novo status, Firth é o grande responsável por manter o nível de excelência sempre alto. Seja em um romance, um drama de época ou qualquer outra coisa que faça. O Oscar, de repente, parece apenas um detalhe.


Prós:
+ Todo mundo sabe que ele merecia o Oscar no ano passado. Seu desempenho em Direito de amar era o melhor do ano.
+ Pode se beneficiar da política de correção. Vigente na academia desde que o mundo tem a cerimônia do Oscar para assistir
+ Está em um filme cuja principal força reside nos atores, maior grupo do colegiado que forma a academia
+ Interpreta uma figura real. Sempre um chamariz de Oscars
+ Ganhou os principais prêmios da temporada (Globo de ouro, Critic´s Choice Awards e SAG)
+Interpreta um personagem que precisa superar algum tipo de deficiência. Aspecto que provoca simpatia na academia
+ É a interpretação mais técnica dentre os indicados
+ O fato de concorrer novamente com Jeff Bridges lhe favorece



Contras:
- É uma atuação menos acachapante do que a do ano passado e nem todo mundo pode estar disposto a premia-lo por um papel menor
- Não é a melhor atuação do ano e todo mundo sabe disso
- Pode-se optar por não cometer um equívoco dois anos seguidos de negligenciar o melhor trabalho em favor de um injustiçado
- É tido como favorito desde antes do início da temporada de prêmios, justamente por causa de Direito de amar. O desgaste pode se impor


Segunda indicação
Indicação anterior: Melhor ator por Direito de amar (2010)



O estranho no ninho


Jesse Eisenberg pode se tornar o ator mais jovem a faturar o Oscar. Mas não é só a possibilidade de quebrar o recorde de Adrien Brody que assusta o rapaz. Há poucos dias ele declarou que não sente como se merecesse estar no Oscar. Disse que ficou mais tranquilo quando apurou que outros se sentiam da mesma forma. Versátil e convincente, Jesse Eisenberg mostrou talento logo nos primórdios de sua ainda emergente carreira. É bom se acostumar a frequentar a festa da academia.


Prós:
+ Ganhou o maior número de prêmios na temporada
+ É uma interpretação que ganhou o aval e simpatia da própria figura biografada
+ Faz parte do filme mais elogiado do ano
+ Impressionou críticos e público com sua frenética composição de um bilionário que, embora famoso, ainda é majoritariamente desconhecido do grande público
+ Interpreta uma figura real. Sempre um chamariz de Oscars
+ É o primeiro nome na lista de quem não quer votar em Colin Firth



Contras:
- Não ganhou nenhum prêmio major
- O fato da leitura que o filme faz de Mark Zuckerberg ser bastante contestada pode prejudicá-lo mais do que ao filme propriamente dito
- É muito novo para a faixa de idade dos premiados na categoria e tem um histórico de filmes teens na bagagem
- a pecha de que a indicação já é suficiente
- Diferentemente dos outros concorrentes não dá vida a um personagem simpático
- Concorre, também, contra a atuação de Colin Firth em Direito de amar


Primeira indicação



O cara

Ele teve um bom ano. Estrelou dois filmes independentes que reverberaram junto a crítica e chegou ao Oscar pelo mais comentado (127 horas). James Franco, porém, estaria no Oscar de qualquer maneira. Em um anúncio até certo ponto surpreendente foi confirmado como co-host da cerimônia de 27 de fevereiro. Muita gente duvidava que o filho de Harry Osborne pudesse ir tão longe.


Prós:
+ Carrega o filme nas costas e a academia tem reconhecido nos últimos anos atores que façam isso. Exemplos recentes foram as premiações de Jeff Bridges (Coração louco), Sean Penn (Milk) e Daniel Day Lewis (Sangue negro).
+ É jovem e vem em uma rota de incrível ascendência em Hollywood. O cenário positivo pode favorecer
+ Interpreta uma figura real. Sempre um chamariz de Oscars
+ Assim como no caso de Colin Firth, interpreta um personagem imerso em uma situação em que precisa de força sobrehumana para superar-se
+ Além de Firth e Zuckerberg, foi o único entre os indicados a ganhar prêmios da crítica
+ É a melhor chance de reconhecer o filme do benquisto Danny Boyle


Contras:
- Está nitidamente atrás na briga entre o favorito Colin Firth e o desafiante Jesse Eisenberg
- Muita gente (inclusive dentro da academia) não quis ver o filme por causa da forte cena de mutilação, o que deve prejudicá-lo
- A pecha de que a indicação já suficiente
- O fato de ser host da cerimônia pode afastar o voto dos conservadores

Primeira indicação


O latino improvável


Javier Bardem tem fãs fervorosos em Hollywood. E é só por causa disso que garantiu vaga entre os cinco finalistas. A atuação cheia de sutilezas no filme mexicano Biutiful não seria suficiente. Mas o espanhol volta a disputa pelo Oscar orgulhoso de tê-lo feito por um filme falado na língua materna. A história reconhecerá o feito de Bardem de forma maiúscula. Não importam os meios.


Prós:
+ Assim como Michael Mann, Julia Roberts, Sean Penn, Benício Del toro e Robert De Niro avalizaram a indicação de Bardem, podem garantir a vitória do ator no Oscar
+ É um ator profundamente admirado pelos votantes
+ Duas notícias recentes trabalham em seu favor: o nascimento do filho e a confirmação de que será o vilão no próximo filme de James Bond


Contras:
- Já tem um Oscar, ganho recentemente pelo filme Onde os fracos não têm vez
- Não mora nos EUA e entre premiar um espanhol e um inglês, os americanos tendem a optar pelo inglês
- Como a nomeação vem por um filme falado em língua não inglesa, uma vitória seria improvável. São raros os casos. Recentemente, a atriz Marion Cottilard triunfou pelo francês Piaf
- Como entrou tarde na disputa, muitos dos acadêmicos já tem seus favoritos


Terceira indicação
Indicações anteriores:
Melhor ator por Antes do anoitecer (2001), melhor ator coadjuvante por Onde os fracos não têm vez (2008)
Vitória anterior: Melhor ator coadjuvante por Onde os fracos não têm vez (2008)





O cara reloaded


Não se sabe se foi de caso pensado, mas fato é que Jeff Bridges complicou a vida da academia ao acirrar uma rivalidade com o inglês Colin Firth. No ano seguinte da vitória por Coração Louco, Bridges volta melhor em sua segunda colaboração com os irmãos Coen. Aqui, dizem as más línguas, ele faz uma variação do Dude (do sucesso O grande Lebwoski). Pura intriga. Jeff Bridges demonstra mais sutileza do que nunca e dribla a pressão de reviver o personagem que deu o Oscar a John Wayne.

 
Prós:
+ Se existe um ator americano vivo que possa se equiparar a Tom Hanks obtendo dois Oscars seguidos, esse ator é Jeff Bridges
+ É um trabalho superior ao desempenhado em Coração louco. Por questão de coerência, se ele ganhou lá...
+ É um tipo de personagem que agrada muito os atores
+ Pode se beneficiar da excelente bilheteria que o filme está fazendo nos EUA e mundo afora


Contras:
- Ganhou no ano passado, quando Colin Firth estava melhor. Como muita gente acredita que aqui se faz, aqui se paga...
- Como o grande destaque na crítica está sendo a companheira de elenco, Hailee Steinfield, ele pode ser deixado de lado em favor dela
- Não ganhou nenhum prêmio na temporada


Sexta indicação
Indicações anteriores: melhor ator coadjuvante por A última sessão de cinema (1971), melhor ator coadjuvante por O último golpe (1974), melhor ator por Starman (1984), melhor ator coadjuvante por A conspiração (2000) e melhor ator por Coração louco (2010)
Vitória anterior: melhor ator por Coração louco (2010)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Crítica - Biutiful

Pretensão e sutileza


Alejandro Gonzáles Iñarritu tem um cinema calcado em idéias bastante sólidas. Ao mesmo tempo essas idéias são facilmente abstraídas em escolhas conceituais equivocadas. Se Amores Brutos e 21 gramas representam a excelência dessas idéias em termos de execução e depuração, Babel se inscreve como um fervoroso meio termo. O que se não é ruim, também não é bom.
Biutiful, primeiro filme de Iñarritu sem a colaboração de Arriaga, se situa mais próximo de Babel do que dos outros filmes. Isso ocorre porque Iñarritu, em certo nível, potencializa certas idiossincrasias de seu cinema (cidades sujas, uma câmera intrusa, truques de montagem, o interesse pelo choque cultural, o assédio da morte, entre outras) e rejeita a principal marca de Arriaga, a estrutura cíclica do roteiro. É, portanto, um projeto de afirmação. Iñarritu busca a legitimação ao revisitar aspectos que trabalhara em outros filmes, mas sob outra formatação. É uma busca genuína, pena que o que se vê em Biutiful não dê substância a ela.
A trama se dilata em miudezas que só não enfadam devido ao magistral trabalho de Javier Bardem. Nesse sentido, a opção de Iñarritu de valorizar a face do ator espanhol, investigando suas expressões a cada take, é uma vitória incalculável do ponto de vista dramático. Ganhou Bardem, que teve sua performance potencializada, e o filme, em estofo dramático.


A morte à espera: Iñarritu acompanha os últimos dias de Uxbal, brilhantemente vivido por Javier Bardem



O problema de Biutiful é ter de conciliar as muitas pretensões de Inãrritu (a principal é provar que não precisa de Arriaga), ainda que lhe tenha aferido algumas sutilezas. Esse desequilíbrio prejudica o resultado final. Seja ao não aproveitar o aspecto sobrenatural da história, seja por enveredar – se pelo tema da imigração sem dar caldo a ele, seja pelo uso de certos recursos narrativos que desapropriam a sutileza investida pela atuação de Bardem, Iñarritu peca bastante; mas também acerta. Seja pela opção de usar a cidade de Barcelona como metáfora, por investir no escrutínio da relação familiar de seu protagonista ou por sublinhar que é melhor diretor do que roteirista.
A fotografia de Rodrigo Prieto, que já havia trabalhado com o diretor em Babel, é de pontual felicidade para subsidiar os acertos de Iñarritu.
Biutiful é um filme que, ainda que nivelado pelos mesmos interesses que pautam a obra do cineasta, se inferioriza perante seus demais trabalhos. Mesmo que belas sutilezas (como a metáfora que se cristaliza no nome do filme) estejam vivas, as pretensões fazem com que tudo o mais engasgue. No final das contas, Biutiful é um filme bonito, mas como antecipa no próprio título, grafado erradamente.

Filme em destaque: Biutiful

“Tenho interesse pela morte”

Iñarritu dirige Bardem nos sets de Biutiful: interesse pela morte move o novo filme do cineasta



O diretor mexicano Alejandro Gonzáles Iñarritu afirma que a razão de seus longa-metragens de alguma maneira se aproximarem da questão se deve a sua curiosidade “intelectual e como artista” pela morte. “Mas não há nada de metafísico em meu filme”, argumenta em entrevista promocional no último festival de Cannes, de onde Biutiful (MEX/ESP 2010) saiu com a Palma de ouro de melhor ator - entregue a Javier Bardem.
Na avaliação do diretor, Bardem é crucial para que Biutiful seja uma experiência completa. “Mesmo sem ter escrito uma linha de diálogo, ele é um pouco coautor de Biutiful”, disse em entrevista recente concedida ao jornal O Estado de São Paulo.
Iñarritu não está sendo gentil. Reside em Bardem a grande força do primeiro filme do mexicano sem seu parceiro Guillermo Arriaga. Iñarritu e seu ex- amigo tiveram severos desentendimentos acerca da autoria dos filmes em que colaboraram. Para Arriaga, ele era responsável pelos frutos de Amores Brutos, 21 gramas e Babel, no que Iñarritu discordava.
A parceria se desfez em meio a tumultuadas declarações e ressentimentos de parte a parte.
Biutiful, neste sentido, representa uma evolução na carreira de Iñarritu. É seu primeiro filme sem o suporte de Arriaga (o diretor também assina como roteirista) e, apesar de preservar algumas características reconhecíveis dentro de seu cinema, é o primeiro filme em que Iñarritu se apresenta de forma linear para o público. O diretor argumenta que essa medida não foi proposital. “Essa solução (a narrativa linear ou cíclica) nasce na sala de edição, quando fazemos a montagem”.


Homem de família: Uxbal é generoso para com os filhos, com a ex-mulher bipolar e com os imigrantes ilegais que agencia...


Cotado para o Oscar de melhor produção estrangeira (Javier Bardem também alimenta chances como intérprete), Biutiful é um filme que estuda a relação de um homem com o mundo a sua volta e com o fato de que em breve se verá privado dele. Uxbal (o protagonista vivido por Javier Bardem) descobre um câncer de próstata já em metástase avançada. A finitude se interpõe à rotina precária em que Uxbal se sustenta. Agindo dentro de uma lógica exploratória de imigrantes ilegais e comunicando-se com os mortos (em um eixo que Iñarritu não parece muito interessado em desenvolver), Uxbal se ressente de sua condição. Mas não fica claro se isso ocorre em virtude da proximidade do fim, ou se são apenas os derradeiros capítulos de uma triste novela.
A Barcelona suja, fétida e desigual que as câmeras de Inãrritu capturam é uma importante personagem na trama. Longe do brilho que a cidade ostenta em outras produções, essa Barcelona representa o estado de espírito do protagonista e do homem que o concebeu.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

TOP 10

Na última edição de TOP 10, o destaque recaiu sobre os cinquentões mais charmosos do cinema. Pois bem, nada mais justo do que retroagir uma década e dar uma boa olhada naqueles que já caminham para desafiarem os integrantes daquela lista. Com vocês os 10 quarentões mais charmosos do cinema. Fiquem ligados! No próximo TOP 10 será a vez das quarentonas que ainda dão um caldo.




10 – Matt Damon


40 anos

De gênio indomável a Bourne, Damon se viu um quarentão em Hollywood. Ator badalado com trânsito em projetos comerciais como Ligado em você e a trilogia Bourne, Damon também agrada diretores consagrados como Martin Scorsese e Clint Eastwood. Ah! Agrada as mulheres também!



9 – Johnny Depp

47 anos

Ele talvez seja o maior astro de cinema da atualidade. Gente como Brad Pitt e Robert Pattinson pode atrair mais mídia, mas Depp atrai mais dólares nas bilheterias (é o único ator que tem dois filmes no clube do bilhão de dólares de bilheteria). Só por esse fato, o ator já entraria em uma lista de mais charmosos. Fazer isso aos 47 anos e ainda ser bom pai e marido (o que graças a Deus também atraí mídia) só ratificam sua posição nessa lista. Ah! Não precisa mencionar que ele é o ápice da definição de cool, né?



8 – Russel Crowe

46 anos

E como em uma lista de mais charmosos, sexy ou similares não pode faltar um esquentadinho, aqui está o australiano, que na verdade nasceu na Nova Zelândia, Russel Crowe. Cabeludo, careca, musculoso, fora do peso, com trajes romanos ou como policial honesto, Crowe cativa e intriga.



7 – Hugh Jackman

42 anos

Stan Lee certamente nunca pensou que o baixinho e truculento Wolverine fosse ser tão sexy em sua encarnação cinematográfica. Mas o que são detalhes, certo? Jackman já foi lorde inglês, advogado misterioso, caçador de bestas, apresentador do Oscar, dançarino, cantor...
Seria redundante dizer que essa pluralidade tem seu charme?



6 - Tom Cruise

48 anos

Ele já não tem o fôlego de outrora. A beleza também já não é a mesma, mas poucos astros esbanjam a simpatia de Tom Cruise. Poucas celebridades, também, são afeitas a declarações escandalosas de amor. Pode ser brega, mas também pode ser muito charmoso. Depende de cada gosto. Certamente com Tom Cruise, a balança não deve estar equilibrada...



5 – Javier Bardem

41 anos

Que Antonio Banderas que nada! Se existe um espanhol que faz as mulheres suspirarem hoje é Javier Bardem. Mais talentoso e carismático do que o amigo, Bardem pode até ser mais feio, mas ganha no quesito virilidade. As mulheres que confirmem (ou não) tal constatação.



4 – Clive Owen

48 anos

Algumas revistas femininas já cravaram. Clive Owen é a principal referência feminina quando o assunto é homem. Por quê? Bem, não será em Claquete que você vai achar essa resposta...



3- Robert Downey Jr.

45 anos

Atualmente ele é o bicho papão em termos de charme. Seja em um filme de ação com muitos efeitos especiais como Homem de ferro ou em um filme de ação com poucos efeitos especiais como Sherlock Holmes. Estes são filmes com muito Robert Downey Jr. Por que você acha que a mulherada animou assistir dois dos grandes sucessos de bilheteria de 2010?



2- Brad Pitt

46 anos

Bonito. Altruísta. Engajado. Calma, ainda não estamos falando de George Clooney. Mas de seu chapa Brad Pitt. Ator cada vez mais respeitado, Pitt talvez só não esteja na primeira posição porque celebrizou a infidelidade. Traiu Jennifer Aniston para constituir o casal mais famoso do planeta terra. Esse tipo de atitude não agradou muito a mulherada. Mas deixa ele tirar a camisa em cena para você vê se elas lembram disso....



1- George Clooney

49 anos

Ele está prestes a se despedir do clube dos quarentões. Mas se despede com estilo. Clooney é o James Bond da vida real, na falta de uma definição melhor. Solteiro convicto, com residência fixada na Itália e dono de um sorriso matador, o ator, produtor, roteirista e diretor é desde já favorito a liderança de uma próxima lista dos cinqüentões.