segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Crítica - Biutiful
Filme em destaque: Biutiful
O diretor mexicano Alejandro Gonzáles Iñarritu afirma que a razão de seus longa-metragens de alguma maneira se aproximarem da questão se deve a sua curiosidade “intelectual e como artista” pela morte. “Mas não há nada de metafísico em meu filme”, argumenta em entrevista promocional no último festival de Cannes, de onde Biutiful (MEX/ESP 2010) saiu com a Palma de ouro de melhor ator - entregue a Javier Bardem.
Cotado para o Oscar de melhor produção estrangeira (Javier Bardem também alimenta chances como intérprete), Biutiful é um filme que estuda a relação de um homem com o mundo a sua volta e com o fato de que em breve se verá privado dele. Uxbal (o protagonista vivido por Javier Bardem) descobre um câncer de próstata já em metástase avançada. A finitude se interpõe à rotina precária em que Uxbal se sustenta. Agindo dentro de uma lógica exploratória de imigrantes ilegais e comunicando-se com os mortos (em um eixo que Iñarritu não parece muito interessado em desenvolver), Uxbal se ressente de sua condição. Mas não fica claro se isso ocorre em virtude da proximidade do fim, ou se são apenas os derradeiros capítulos de uma triste novela.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Cannes updated # 6
Foi muito bem recebido pela critica o novo trabalho do diretor Alejandro Gonzalez Iñarritu. Biutiful foi exibido esta tarde em Cannes, pela competição oficial, e deixou ótima impressão. O filme, ambientado em Barcelona, foca-se em apenas um personagem. Uxbal (vivido pelo espanhol Javier Bardem), mas versa sobre um universo de temáticas. A diferença está na simplicidade do registro, que Inãrritu admitiu, na entrevista coletiva que sucedeu a exibição do filme, ter sido providencial para fazer deste o trabalho que mais lhe desperta orgulho.

Um homem que é uma verdadeira babel
Biutiful gira em torno de Uxbal, um homem que tenta ser bom pai, lida com questões como imigração ilegal, corrupção e violência, paranormalidade e com a ex-mulher bipolar. Uxbal é um personagem complexo e foi brilhantemente interpretado por Javier Bardem disse o diretor na coletiva. Já o ator espanhol lembrou que todo o conflito se passa dentro de seu personagem.
A Palma de ator já tem dono?
Nos corredores de Cannes a palavra era uma só. Javier Bardem é o franco favorito a Palma de ouro de melhor ator pelo filme Biutiful, exibido esta tarde em Cannes. O filme foi bem recebido pela critica, mas Bardem foi unanimidade. O sentimento foi semelhante ao que se instalou em relação a Christoph Waltz ano passado após a exibição de Bastardos inglórios.

Bueno, pero no mucho
Após o sexto dia de competição, salvo uma revirada de última hora, parece patente a confirmação das expectativas. O festival de Cannes 2010 é mesmo morno. Filmes bons, mas nada de notável ou extraordinário. Em levantamento feito pelas revistas que cobrem o festival (Variety, Vanity fair, Screen e Cahiers du cinema, para citar algumas), a avaliação que os críticos fazem dos filmes exibidos este ano na riviera não desanima, tão pouco empolga. A sensação de descontentamento talvez seja maior porque 2009 foi um dos grandes anos para Cannes com grandes trabalhos de Almodóvar, Haneke, Tarantino e Von Trier.
Meu filme fala por mim 2
Ano passado Lars Von Trier provocou reações adversas ao se recusar a explicar seu filme, Anticristo. Dessa vez, ainda que disfarçadamente, um dos pilares da sétima arte, Jean Luc Godard fez o mesmo. Seu mais recente filme, Film socialisme, foi exibido hoje pela mostra Um certo olhar, mas o diretor não compareceu. Avisou, alguns instantes antes do inicio da exibição do filme para os jornalistas, que não compareceria a coletiva de imprensa.
A frase da semana em Cannes:
“Imaginem como é frustrante fazer um filme com a Scarlett Johansson e ver outro cara ficar com ela no final!”, de Woody Allen indagado o por que de não vir atuando em suas últimas produções.
Xis

A atriz argentina Martina Gusman, protagonista de Carancho, novo filme de Pablo Trapero, prestigiu a premiere do filme que disputa a Palma de ouro
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Os filmes que farão o 63º festival de Cannes


Um certo olhar
Na mostra Um certo olhar, que sempre traz gratas surpresas e diretores prestigiados que não conseguiram emplacar seus trabalhos na disputa principal, os destaques recaem sobre a presença de dois veteranos. O cineasta francês e pólo da Nouvelle Vague, Jean-Luc Godard, e o quase centenário português Manoel De Oliveira apresentam seus novos trabalhos. Film socialism e O estranho caso de Angélica respectivamente. Também faz parte da mostra Um certo Olhar, Blue valentine, sensação em Sundance 2010.

Os grandes filmes dessa edição de Cannes prometem ser os que serão exibidos fora de competição. Além de Robin Hood, confirmado para a noite de abertura, desfilarão na riviera francesa os novos trabalhos de Woody Allen (You will meet a tall dark stranger), Oliver Stone (Wall Street 2: Money never sleeps) e Stephen Frears (Tamara Drewe). Dos que disputam a Palma de ouro chamam a atenção o novo trabalho do diretor americano Doug Liman, Fair game, conhecido por tramas de espionagem como A identidade Bourne e Sr & Sra Smith, e o novo trabalho de Iñarritu, o primeiro desde Babel e do rompimento com o roteirista Guillermo Arriaga. Biutiful é estrelado por Javier Barden.

Confira a lista completa da disputa pela Palma de ouro:
Mathieu Amalric – TOURNÉE
Xavier Beauvois – DES HOMMES ET DES DIEUX